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Gazeta do Povo, 18 de janeiro
de 2008
ECONOMIA | TRABALHO
Criação de empregos
no Brasil é a maior dos últimos 15 anos
Número de vagas criadas passou
de 1,6 milhão, com crescimento de 31% sobre 2006

Brasília – O Ministério
do Trabalho confirmou ontem que o ano passado foi o melhor dos últimos
15 anos para o emprego formal no Brasil, com a criação
de 1,617 milhão de postos. O resultado do mercado formal,
antecipado pelo governo no começo da semana, ultrapassou
a marca histórica de 2004, ano em que o mercado de trabalho
contabilizou a abertura de 1,523 milhão de empregos. O Paraná foi
o quarto estado que mais criou empregos, com 122,3 mil novos postos
de trabalho, com crescimento de 40,7% sobre o número de
vagas criadas em 2006.
Geograficamente, todas as regiões
do país ficaram positivas na geração de empregos
em 2007, mas o destaque foi o Sudeste (949,7 mil postos). O estado de
São Paulo liderou a estatística estadual registrando 611,5
mil vagas.
De 2003 a 2007, em todo o país
foram feitas 6,26 milhões de novas contratações,
ainda longe dos 10 milhões de empregos prometidos pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva na campanha eleitoral de 2002. Com o
resultado do ano passado, o estoque de colocações formais
no Brasil subiu 5,85%.
Nas projeções do
Ministério do Trabalho, neste ano deverá ser criado mais
1,8 milhão de postos. “Sou mais otimista que os meus técnicos
e acho que pode chegar a 2 milhões”, declarou o ministro
Carlos Lupi. Na avaliação dele, nem mesmo os riscos de
uma recessão na economia americana deverão afetar a geração
de empregos no Brasil.
“Não afirmo que
não vai afetar de jeito nenhum. É preocupante, mas o Brasil
hoje não depende tanto dos americanos porque a demanda interna é muito
forte.”
Os dados divulgados ontem fazem
parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O cadastro
reúne informações sobre todos os trabalhadores formais,
exceto funcionários públicos e empregados domésticos.
O levantamento é feito pelo ministério, mensalmente, desde
1992.
Para o economista da LCA Consultoria
Fábio Romão, os números vultosos de 2007 já eram
esperados, embora a última previsão da consultoria apontasse
para uma geração líquida de 1,689 milhão.
Ele explica que, diante da aceleração nas contratações
entre setembro e novembro, os analistas esperavam que o saldo negativo
de dezembro fosse menor.
No mês passado, as demissões
superaram as contratações em 319.414 vagas. A retração
do mercado de trabalho é normal nos meses de dezembro, pois há concentração
de demissões por conta das contratações temporárias.
“Mas essas demissões
não indicam uma tendência de desaceleração
do mercado. Seria cedo para falar nisso”, afirma Romão.
Para 2008, a LCA prevê criação de 1,550 milhão
de vagas.
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Folha de São Paulo,
18 de janeiro de 2008
Menos qualificados têm 85% das
vagas
Maior parte do 1,6 milhão de postos
criados em 2007 ficou com trabalhadores com escolaridade até o
ensino médio completo | Estado de São Paulo foi responsável
por uma em cada três vagas abertas no ano passado; resultado
no país foi o melhor da história
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Estado de São Paulo
gerou no ano passado 611.539 empregos com carteira assinada, superando
seu próprio recorde de unidade da Federação que
mais cria vagas formais no país. Pelo menos uma em cada três
vagas abertas no país em 2007 foi registrada no mercado de trabalho
paulista.
Ontem, o Ministério do Trabalho confirmou que o ano passado foi o melhor
para o emprego formal nos últimos 15 anos. Foi gerado 1,617 milhão
de postos, dos quais 85% foram ocupados por trabalhadores com escolaridade
até o ensino médio completo. A Folha apurou ainda que a renda
média dos trabalhadores contratados no mercado formal ficou em R$ 643,
o que representa um aumento real de 3,12% em relação à dos
admitidos em 2006.
O resultado do mercado formal de 2007, antecipado pelo governo no começo
da semana, ultrapassou a marca histórica de 2004, ano em que o mercado
de trabalho contabilizou a abertura de 1,523 milhão de empregos. No
caso do mercado de São Paulo, o recorde anterior também havia
ocorrido em 2004, com o saldo líquido de 497.652 empregos.
Nas projeções do Ministério do Trabalho, neste ano deverá ser
criado mais 1,8 milhão de postos. "Sou mais otimista que os meus
técnicos e acho que pode chegar a 2 milhões", declarou o
ministro Carlos Lupi.
Na avaliação dele, nem mesmo os riscos de uma recessão
na economia americana deverão afetar a geração de empregos
no Brasil. "Não afirmo que não vai afetar de jeito nenhum. É preocupante,
mas o Brasil hoje não depende tanto dos americanos porque a demanda
interna é muito forte."
Os dados divulgados ontem fazem parte do Caged (Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados). O cadastro reúne informações sobre todos
os trabalhadores formais, exceto funcionários públicos e empregados
domésticos. O levantamento é feito pelo ministério, mensalmente,
desde 1992.
Para o economista da LCA Consultoria Fábio Romão, os números
vultosos de 2007 já eram esperados, embora a última previsão
da consultoria apontasse para uma geração líquida de 1,689
milhão. Ele explica que, diante da aceleração nas contratações
entre setembro e novembro, os analistas esperavam que o saldo negativo de dezembro
fosse menor.
No mês passado, as demissões superaram as contratações
em 319.414 vagas. A retração do mercado de trabalho é normal
nos meses de dezembro, pois há concentração de demissões
por conta das contratações temporárias. "Mas essas
demissões não indicam uma tendência de desaceleração
do mercado. Seria cedo para falar nisso", afirma Romão. Para 2008,
a LCA prevê criação de 1,550 milhão de vagas.
Setores
O setor que mais gerou empregos em termos absolutos, de acordo com o Caged,
foi o de serviços. Foram 587.103 novos postos, o que é um recorde
histórico. Em segundo lugar, aparece o comércio, com a criação
de 405.091 empregos. Na terceira posição, vem a indústria
da transformação, que apresentou resultado de 394.584 postos.
A construção civil surpreendeu e, em termos relativos, foi o
setor com a maior taxa de crescimento. No ano, foram gerados 176.755 empregos,
quase o dobro do número apurado em 2006. Para o presidente do SindusCon-SP,
João Cláudio Robusti, o resultado "comprova o bom momento
do setor". A entidade destaca que o Estado de São Paulo foi o que
mais gerou empregos na construção civil, compensando outras localidades
em que o saldo foi negativo.
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Agência Diap, 18 de
janeiro de 2008
CENSO TRABALHISTA
RAIS 2007 deve ser entregue a partir
de hoje
Começa hoje e termina
no dia 28 de março o prazo para entrega da declaração
da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS)
ano-base 2007, obrigatória para todos os estabelecimentos existentes
em território nacional.
O programa gerador da declaração da RAIS (GDRAIS) já está disponível
na página do Ministério do Trabalho e Emprego. Basta acessar
o endereço www.rais.gov.br. É por meio das informações
da RAIS que se identifica o trabalhador que tem direito ao abono salarial.
A entrega da declaração é obrigatória
e o prazo vai até 28 de março. Importante reforçar
que este ano não haverá prorrogação de prazo.
A novidade de 2008 é que, a partir de 14 de março, os estabelecimentos
passam a ter opção de também utilizar a certificação
digital para a entrega da RAIS.
O que é a
RAIS
A RAIS funciona como um censo anual do mercado formal de trabalho, disponibilizando
informações sobre tipo de vínculo, remuneração,
grau de instrução, data de nascimento e nacionalidade dos trabalhadores.
Em relação
aos estabelecimentos, a RAIS possibilita a obtenção de
informações sobre o tipo de atividade econômica,
a variação nos diferentes setores da economia e o tamanho
das empresas. Com informações do MTE.
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Agência
Diap, 18 de janeiro de 2008
CONGRESSO NACIONAL
Mais de um terço dos senadores
tem pendências na Justiça ou no Tribunal de Contas, atesta
Transparência Brasil
Mais de um terço dos senadores brasileiros
tem pendências na Justiça ou em Tribunais de Contas,
de acordo com relatório divulgado
pela ONG Transparência Brasil nesta quinta-feira (17). Dos
81 senadores em exercício, 30 (ou 37%) têm ocorrências
desse gênero.
Onze deles são da região Norte,
e representam 42,9% dos eleitos nessa região. Em Rondônia,
todos os três senadores são citados em algum processo
na Justiça ou em Tribunais de Contas. No Nordeste do país,
eles são 11 (40,7% do total).
Na Câmara Federal, a porcentagem é parecida. Dos 513 parlamentares
em exercício, 163 têm pendências em seu currículo
político, o que corresponde a 32% dos membros da Casa atualmente.
Segundo as informações de cada
Estado, Tocantins lidera o ranking, com 75% de seus deputados federais
citados, seguido por Paraíba, com 67%, e Santa Catarina, com
63%. Amapá, Rondônia e Mato Grosso têm 50% dos
parlamentares nessa situação.
A região Norte do Brasil é a
que tem mais deputados com pendências na Justiça. Segundo
o estudo, dos 65 deputados da região, 28 apresentam problemas,
o que representa 43% do total. A região Centro-Oeste é a
que tem menos deputados com problemas na Justiça, com apenas
11 citados entre 41 parlamentares.
Gastos com viagens
Os deputados federais brasileiros, em conjunto, gastaram quase R$ 20 milhões
com viagens em 2007. Esse dinheiro seria suficiente para cada deputado dar
cinco voltas em torno da Terra de avião, segundo o relatório.
Essas despesas não são aquelas
incorridas pelos deputados para deslocamentos entre seus Estados
de origem e Brasília - estas são pagas pela Câmara
dos Deputados separadamente. As viagens pagas com dinheiro da verba
indenizatória são para outras finalidades que os deputados
afirmam serem relacionadas ao exercício do mandato.
O líder em gastos desse tipo foi o
deputado Mussa Demes (DEM/PI), que gastou toda a sua verba indenizatória
(R$ 180 mil anual) com viagens.
DEPUTADOS QUE MAIS GASTARAM COM VIAGENS NO ANO
DE 2007
Deputado
Viagens (R$)
% sobre o total
Km
Voltas no planeta
Mussa Demes (DEM/PI)
180.000
100
900.000
23
Roberto Rocha (PSDB/MA)
156.255
95
781.275
20
Suely (PR/RJ)
147.359
90
736.797
18
Inocêncio Oliveira (PR/PE)
123.232
88
616.160
15
Luciana Costa (PR/SP) (*)
98.096
86
490.481
12
Darcísio Perondi (PMDB/RS)
150.372
84
751.861
10
*Assumiu o mandato em maio, com morte do deputado Enéas
Fonte: ONG Transparência Brasil
Por outro lado, alguns deputados não
usaram a verba indenizatória ou não a haviam reclamado
até 9 de janeiro de 2008: Cândido Vaccarezza (PT/SP),
Davi Alves Silva Júnior (PDT/MA), Emanuel (PSDB/SP), Fernando
Lopes (PMDB/RJ), José Fernando Aparecido de Oliveira (PV-MG),
José Santana de Vasconcellos (PR/MG), Joseph Bandeira (PT/BA),
Juvenil Alves (PRTB/MG), Maurício Quintella (PR/AL), Miro
Teixeira (PDT/RJ), Paulinho da Força (PDT/SP), Rômulo
Gouveia (PSDB/PB), Socorro Gomes (PC do B/PA), Valtenir Luiz Pereira
(PSB/MT).
BANCADAS QUE MAIS GASTAM
Aluguel
Rio Grande do Sul
São Paulo
Rio de Janeiro
Combustíveis
Goiás
Acre
Roraima
Consultorias
Sergipe
Alagoas
Distrito Federal
Divulgação
Rondônia
Rio Grande do Norte
Amazonas
Materiais de escritório
Rio de Janeiro
Santa Catarina
Minas Gerais
Segurança
Paraíba
Pará
Minas Gerais
Viagens
Piauí
Amapá
Mato Grosso do Sul
Fonte: ONG Transparência Brasil
Despesas com combustíveis
O relatório aponta que os gastos com combustíveis aparecem em
segundo lugar na lista das maiores despesas da Câmara. No ano passado,
foram gastos R$ 16,7 milhões com este item. Cada deputado pode gastar
até R$ 4.500 por mês ou R$ 54 mil no ano com combustíveis.
Oito deputados requisitaram o máximo:
Aníbal Gomes (PMDB/CE), Arnon Bezerra (PTB/CE), Armando Abílio
(PTB/PB), Wladimir Costa (PMDB/PA), Carlos Alberto Leréia
(PSDB/GO), José Linhares (PP/CE), Nelson Marquezelli (PTB/SP)
e Jovair Arantes (PTB/GO). Cada um deles poderia ter dado seis vezes
a volta no planeta de carro com o dinheiro que receberam para custear
combustíveis.
Por Estado, as três bancadas com os
deputados mais 'gastões' com viagens em 2007 foram as do Piauí,
Amapá e Mato Grosso do Sul. Já os campeões em
despesas com combustíveis são os deputados dos Estados
de Goiás, Acre e Roraima.
Assiduidade
O estudo também mostra que, na Câmara dos Deputados, a média
de faltas nas sessões plenárias por parte dos deputados foi de
12% no ano. O Estado cujos representantes mais faltaram foi o Rio Grande Norte,
com 18,9% de ausências. A bancada mais assídua é a do Distrito
Federal, que faltou em 6% das sessões do Congresso.
A média de ausências nas
sessões das comissões temáticas da Câmara
dos Deputados é de 28%. Os do Rio Grande do Norte foram
campeões também nesta categoria, tendo faltado em
média a 39,3% das sessões. Matéria originalmente
publicada no jornal Folha de São Paulo.
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Congresso em Foco, 18 de janeiro
de 2008
Câmara gastou R$ 78,5 milhões
com verba indenizatória
Maior parte das despesas em 2007 foi com
locomoção. Dinheiro gasto apenas com combustível
daria pra ir à lua e voltar 86 vezes
Camilla Shinoda e Eduardo Militão
A Câmara dos Deputados gastou R$ 78,5 milhões com a verba indenizatória
desde o início da atual legislatura – de fevereiro a dezembro
do ano passado. Os dados são de levantamento do Congresso em Foco, feito
entre 7 e 14 de janeiro, a partir de informações que a Casa publica
na internet. O dinheiro é usado pelos parlamentares para ressarcir despesas
com combustível, locomoção (diárias e refeições,
por exemplo), divulgação do mandato, consultorias, aluguel de
escritórios políticos, material de expediente, serviços
de segurança e assinatura de publicações, TVs a cabo,
internet e programas de computador.
No ano passado, a maior parte da verba foi usada com combustível e locomoção.
Com esses dois itens, foram consumidos quase R$ 36 milhões, o equivalente
a 46% de toda a verba indenizatória. Cada deputado tem direito a gastar
até R$ 15 mil por mês. Não estão computadas aí as
passagens aéreas, que os parlamentares recebem à parte. Os senadores
têm esses mesmos benefícios, mas o Senado não divulga em
que nem quanto cada um deles gasta.
No caso dos combustíveis, o reembolso é limitado a 30% de toda
a verba, ou seja, a R$ 4.500. Esse valor foi reduzido em 2006 por conta de
uma série de denúncias de uso de notas frias para comprovar gastos
com gasolina, álcool e lubrificantes.
GASTOS DA VERBA INDENIZATÓRIA

Fonte: Congresso em Foco, com base em
informações da Câmara dos Deputados, referentes ao
período de fevereiro a dezembro de 2007
Pé na estrada
Em 2007, os deputados gastaram R$ 16,4 milhões apenas com combustível.
Isso equivale a 6,5 milhões de litros de gasolina, cotada a um valor
médio de R$ 2,50. Considerando-se o consumo de um automóvel de
10 quilômetros por litro, seria possível viajar 65 milhões
de quilômetros. Daria para ir à lua e voltar 86 vezes.
O terceiro lugar nas despesas ficou por conta da rubrica que inclui consultorias,
pesquisas e trabalhos técnicos. Foram R$ 12,8 milhões, ou seja,
16% do total da verba indenizatória. Gastos semelhantes foram totalizados
com a divulgação parlamentar, que consumiu R$ 12,5 milhões.
Duas propostas para acabar com a verba acabaram não vingando na Câmara.
Os Projetos de Resolução 328 e 329, de 2006, pretendiam extinguir
o pagamento do benefício aos deputados. O autor de uma das propostas,
o líder do PDT, Miro Teixeira (RJ), afirma não ser razoável
receber ressarcimento de consultorias, já que a Câmara tem funcionários
específicos para isso.
Além disso, o deputado lembra que os parlamentarem já recebem
benefícios como verba de gabinete (R$ 50 mil), auxílio-moradia
(R$ 3 mil), passagens aéreas (de R$ 4 mil a quase R$ 19 mil) e cota
postal e telefônica (R$ 4,2 mil).
Para Miro Teixeira – que nem tocou no benefício no ano passado –,
certos gastos com a verba são “ofensivos ao princípio da
razoabilidade”. Mas a proposta dele foi arquivada no início do
ano passado. O segundo projeto, de autoria da Mesa, foi retirado de pauta.
Para o deputado Fernando Lopes (PMDB-RJ), a verba indenizatória é uma “quase
uma remuneração por fora” para os parlamentares. Por isso,
ele é a favor da extinção gradativa do benefício
e da divulgação de cada uma das notas de ressarcimento. “A
falta de transparência dá margem a usos indevidos, que acaba alcançando
todos”, disse ele, que, assim como Miro, também não usou
a verba no ano passado.
Controverso
Nem todos pensam como eles. O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves
(RN), defende a manutenção do benefício. “Ela é útil,
sim, se bem fiscalizada, embora haja abusos e distorções”,
disse ele ao Congresso em Foco. O deputado considera importante a manutenção
dos escritórios parlamentares nos estados. “Quando o deputado
está em Brasília, tem alguém no estado trabalhando por
ele”, ressaltou.
Gustavo Fruet (PSDB-PR) afirma que os parlamentares sem estrutura econômica
dependem da verba para trabalhar. “O controle sempre é necessário
para evitar desvios, pois eles põem em dúvida a verba usada por
todos os deputados.”
Fruet diz ser a favor da redução ou do congelamento da verba
indenizatória. Ele admite discutir a extinção do benefício. “Podemos
pensar nisso”, avaliou, ressaltando a necessidade da apresentação
de uma proposta para compensar a perda. “Como aumentar os salários
ou cobrar imposto de renda sobre essa verba”, exemplificou.
O líder do PMDB discorda. Na opinião de Henrique Eduardo, os
dois assuntos não devem ser misturados. “Aumentar os salários
dá margem de distorção. A verba deve ficar como está,
bem fiscalizada”, afirmou o deputado, que é primo do presidente
do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN).
Custo da máquina
Para o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Octaciano
Nogueira, discutir a verba indenizatória é pouco. Ele defende
uma avaliação institucional de todos os custos da máquina
administrativa nos três poderes. “Há o negócio dos
cartões corporativos, o pessoal da Anac [Agência Nacional de Aviação
Civil] que viaja de graça...”, citou o professor.
Nogueira, que foi funcionário da Câmara e do Senado entre 1952
e 1990, acredita que há um exagero nos gastos do Congresso. “A
Câmara tinha [até os anos 60] 304 deputados e 325 funcionários.
Hoje são 513 deputados e 13 mil funcionários. Isso aqui é um
desperdício”, avaliou.
Nos anos 50 e 60, só o presidente e o primeiro-secretário da
Câmara tinham gabinetes próprios. Os vice-presidentes e os secretários
da Mesa dividiam uma sala comum. “Os outros deputados recebiam as pessoas
num salão e nos corredores”, relembrou Nogueira.
Criação
A verba indenizatória foi criada em 2001, pelo Ato 62 da Mesa Diretora,
na gestão do tucano Aécio Neves (MG), hoje governador de Minas
Gerais. Os deputados tinham direito a R$ 12 mil por mês. Hoje são
R$ 15 mil. O valor não utilizado no mês anterior se acumula para
o próximo dentro de cada semestre. Em 2006, após o escândalo
das notas frias, as despesas com combustível foram limitadas.
Em junho do ano passado, uma decisão liminar da juíza Mônica
Sifuentes, da 3ª Vara da Justiça Federal de Brasília, conseguiu
suspender a verba indenizatória provisoriamente. Ela argumentou que
os ressarcimentos aos deputados e aos senadores – que também têm
o benefício, embora não o divulguem – eram indevidos porque
já estariam contemplados com outras prerrogativas dos congressistas.
“ A verba em comento não violaria apenas o art. 39, §4º,
da CF/88, mas também, e essencialmente, o princípio da moralidade
administrativa”, disse a juíza, à época. Dias depois,
a decisão de Mônica foi suspensa pelo Tribunal Regional da 1ª Região.
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FOLHA DE LONDRINA, 18 de
janeiro de 2008 | Política
Ministros vão discutir com
Lula a nova 'CPMF'
Brasília - A reunião ministerial que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva convocou para a próxima quarta-feira irá tratar
da criação de um imposto permanente para o financiamento da saúde.
A informação é do ministro José Gomes Temporão
(Saúde), que tenta negociar com o Ministério da Fazenda recursos
para o PAC da Saúde. O debate sobre a reedição do imposto
do cheque ressurge diante da dificuldade do governo em definir as despesas
que serão objeto do corte de R$ 20 bilhões.
''Semana que vem vai ter uma
reunião ministerial onde, com certeza, essa questão vai
ser tratada'', afirmou ontem o ministro depois de se encontrar com Guido
Mantega (Fazenda). Além de recriar a CPMF, os ministérios
discutem os cortes no Orçamento. As resistências são
grandes. O presidente Lula não quer mexer nas verbas de programas
sociais e investimento e os ministros não aceitam abrir mão
de recursos.
''Todos os ministros acham justos
os cortes, desde que não lhes atinjam'', disse o ministro das
Relações Institucionais, José Múcio. Múcio
e Temporão estiveram com Mantega para negociações
distintas. Enquanto o chefe da articulação política
tentava definir as despesas que serão eliminadas, o titular da
Saúde buscava assegurar reforço de verbas para sua pasta.
Em resposta ao pedido de mais
dinheiro, Mantega recomendou que Temporão ''medite'' sobre a necessidade
de ajuste das contas. ''A resposta que recebi é que não
há recursos financeiros para cobrir a perda de R$ 4 bilhões
este ano que viriam da CPMF'', informou Temporão.
A reclamação do
ministro da Saúde ultrapassa 2008. Ele também tenta assegurar
outros R$ 20 bilhões que seriam usados caso a CPMF tivesse sido
aprovada. Diante da dificuldade, ele comenta ser a favor de iniciativas
que possam dar uma solução definitiva para a questão
e diz que a criação de um novo tributo sobre operações
financeiras pode ser uma possibilidade.
Luciana Otoni e Fábio
Zanini
Folhapress
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Gazeta do Povo, 18 de janeiro
de 2008
BRASIL | IMPOSTOS
Em 2007, Receita arrecada R$ 602 bi e bate
recorde
Resultado foi 11,59% superior ao verificado
em 2006
Brasília – A arrecadação de impostos e contribuições
federais em dezembro somou R$ 65,632 bilhões e fechou o ano de 2007
com um total de R$ 602,793 bilhões. Ambos resultados são recorde.
O resultado de dezembro foi 11,59% superior ao verificado em dezembro de 2006.
O resultado ano passado mostrou um crescimento real de 11,09% superior ao registrado
em 2006. Em termos nominais, o crescimento da arrecadação no
ano passado foi de 15,18%. Em valores, o crescimento nominal da arrecadação
foi de R$ 79,435 bilhões. Em termos reais, o crescimento da arrecadação
foi de R$ 61,375 bilhões.
A receita administrada pela Receita
Federal do Brasil fechou o ano passado em R$ 585,127 bilhões,
um crescimento real de 12,19% em relação a 2006 e uma alta
nominal de 16,33% na mesma relação. As demais receitas
totalizaram no ano passado R$ 17,665 bilhões, com queda real de
16,28% ante 2006 e declínio nominal 13,27% na mesma comparação.
Em dezembro do ano passado, as receitas administradas somaram R$ 64,638
bilhões, com acréscimo real de 11,75% ante dezembro de
2006 e aumento nominal de 16,73%. As demais receitas em dezembro somaram
R$ 994 milhões, com elevação real de 1,70% e nominal
de 6,23%.
A Receita atribui o crescimento
recorde da sua arrecadação total de impostos e contribuições
em 2007 à expansão econômica, ao combate à sonegação
e à recuperação de débitos. Além disso,
a Receita destaca a fiscalização sobre o contrabando, o
descaminho, a pirataria e a inadimplência.
De acordo com a Receita, o crescimento
da arrecadação também é atribuído
ao aumento da governança corporativa das empresas com o objetivo
de abertura de capital e por causa do ganho líquido das operações
em bolsa de valores. Em multas, juros e depósitos judiciais e
administrativos, a arrecadação de 2007 somou R$ 22,898
bilhões, ante R$ 16,774 bilhões em 2006 – um crescimento
de 36,51%.
Previdência
A receita previdenciária
somou em dezembro do ano passado R$ 20,586 bilhões, fechando o
ano com a arrecadação total de R$ 153,845 bilhões.
No mês, o crescimento real foi de 11,14% ante dezembro de 2006
e, no ano, a expansão real atingiu 11,43% em relação
ao ano anterior. A receita própria da arrecadação
previdenciária somou R$ 142,931 bilhões e as demais receitas,
R$ 13,944 bilhões, segundo dados da Receita Federal.
Embora tenha evitado fazer projeções
para a arrecadação de 2008, o secretário da Receita
Federal, Jorge Rachid, avalia que a receita neste ano crescerá,
mesmo sem a Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF). “Esperamos que o crescimento econômico
se mantenha. Por isso, deve haver um crescimento da arrecadação,
mas em menor volume, por conta (do fim) da CPMF”, disse Rachid.
O secretário também
não fez prognósticos sobre a carga tributária
(arrecadação em proporção do PIB), mas
ressaltou que a receita vem subindo pela atividade econômica,
mesmo com desonerações tributárias.
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Gazeta do Povo, 18 de janeiro
de 2008
ECONOMIA | POUPANÇA
Crédito imobiliário
cresceu 96%
São Paulo – As contratações
de crédito imobiliário realizadas pelos agentes do Sistema
Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) cresceram 96%
no ano passado, para R$ 18,3 bilhões. Em 2006, os financiamentos
com recursos da poupança somaram R$ 9,3 bilhões, segundo
a Associação Brasileira das Entidades de Crédito
Imobiliário e Poupança (Abecip).
O resultado de 2007 ficou 1,6%
abaixo da projeção da Abecip de que o financiamento com
recursos da poupança fecharia o ano no montante de R$ 18,6 bilhões
em contratações, com crescimento de 100% em relação
a 2006. Foram financiadas 195,981 unidades em 2007, 72% a mais que no
ano anterior. Em nota, a Abecip informou que o volume financiado superou
a marca de 1998, quando o número de unidades foi de 181,8 mil.
Retomada
“O resultado da aplicação
de recursos consolidou a retomada do crédito imobiliário
iniciada em 2003. Este processo baseou-se, principalmente, na estabilidade
econômica, recuperação da renda real e maior segurança
jurídica das operações, permitindo aos agentes do
SBPE a flexibilização das condições de crédito – maiores
prazos, juros menores e ampliação da parcela financiada
de cada imóvel”, divulgou, em nota, a associação.
No ano passado, a captação
líquida (depósitos menos retiradas) da poupança
foi de R$ 26,49 bilhões. Em dezembro, a captação
líquida foi de R$ 8,1 bilhões.
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FOLHA
DE LONDRINA, 18 de janeiro de 2008 | Política
Começa a greve de 11 mil defensores
públicos
Paralisação é a primeira
reação do funcionalismo à ameaça de suspensão
do reajuste programado para 2008
Marcello Casal Jr/Abr

Pelo menos 300 advogados
realizaram uma manifestação em frente ao Ministério
do Planejamento
Brasília - Na primeira reação
do funcionalismo às ameaças de suspensão dos reajustes
programados para 2008 provocados pelo fim da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF),
os advogados da União, defensores públicos e procuradores
da Fazenda Nacional, da Previdência e do Banco Central entraram
em greve ontem e prometem não voltar ao trabalho enquanto o governo
não cumprir um acordo firmado com a categoria no ano passado que
previa reajuste salarial de 30%, parcelado até 2009. Com o fim
da cobrança da CPMF, o acordo foi suspenso pelo governo.
O presidente do Fórum
Nacional da Advocacia Pública Nacional, João Carlos Souto,
afirma que, em nenhum momento, o governo vinculou o reajuste à aprovação
da proposta de emenda à Constituição que prorrogava
a CPMF. Para garantir o previsto na lei, trabalharão pelo menos
30% dos 11 mil advogados, defensores e procuradores. Outro requisito
necessário para evitar que a greve fosse posteriormente considerada
ilegal, a comunicação com antecedência de que haveria
a paralisação, foi cumprido. Pelo menos 300 advogados
realizaram uma manifestação em frente ao Ministério
do Planejamento. De lá, seguiram para o Palácio do Planalto.
O advogado-geral da União,
José Antonio Dias Toffoli, disse considerar a greve abusiva
e ordenou que o ponto dos grevistas fosse imediatamente cortado. E
adiantou que a AGU recorrerá à Justiça para pedir
a declaração de ilegalidade do movimento e a aplicação
de multa diária às entidades envolvidas na greve. ''Em
nenhum momento deixou de haver diálogo entre a direção
da AGU e as entidades representativas de classe, bem como jamais houve
na história do país um governo de maior diálogo
com os servidores públicos e de atendimento às suas demandas.''
Atualmente, de acordo com o
presidente do Fórum Nacional da Advocacia Pública Nacional,
o salário de um advogado da União é próximo
a R$ 10 mil, metade do recebido por um procurador do Ministério
Público.
Afinado com o governo, o relator
do Orçamento, deputado José Pimentel (PT-CE), sinalizou
ontem que as negociações com os servidores para reajuste
de salários ficarão para 2009. Os gastos com pessoal
fizeram parte do cardápio do almoço com a presidente
do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Ellen Gracie, realizado
ontem. Segundo o deputado, concursos e reajustes salariais estão
suspensos. ''A idéia é adiar uma boa parte dessas medidas
para 2009 para resolver este grave problema que é a retirada
da CPMF'', afirmou o deputado, ressaltando que os cortes vão
atingir a ''política de pessoal'' dos Três Poderes.
Das agências
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Agência Câmara,
18 de janeiro de 2008
Proposta obriga distribuição
de FGTS aos cotistas
Gilberto Nascimento

Machado: patrimônio líquido pertence ao trabalhador e, portanto,
deve ser acessório às contas vinculadas.
A Câmara analisa o Projeto de Lei 889/07, do deputado José Carlos
Machado (DEM-SE), que determina a distribuição, aos trabalhadores,
do patrimônio líquido do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) apurado ao final de cada mês. Pela proposta, essa distribuição
ocorrerá na proporção de suas participações,
até o dia 10 do mês seguinte. A proposta considera patrimônio
líquido a diferença entre o patrimônio total do FGTS e
os depósitos devidos às contas vinculadas.
O parlamentar explica que as
correções para cobrir perdas inflacionárias com
os planos Verão e Collor aumentaram as dívidas do FGTS
sem o correspondente aumento do patrimônio. Isso, segundo o deputado,
levou o governo a criar contribuições sociais para evitar
que a conta fosse paga apenas pelo Tesouro Nacional.
Patrimônio
do FGTS
José Carlos Machado lembra que, segundo dados do Ministério do
Trabalho, a arrecadação já garantiu a liquidação
das dívidas. Em maio de 2006, explicou o deputado, o Patrimônio
Líquido Ajustado do FGTS atingiu R$ 20,6 bilhões. Machado argumenta
que esse patrimônio pertence ao trabalhador e, portanto, deve ser acessório às
contas vinculadas.
No entanto, avalia o parlamentar,
o governo desrespeita esse princípio, ao usar os recursos para
financiar obras de infra-estrutura. Para o deputado, o governo também
ameaça a sociedade ao determinar que futuros rombos do fundo serão
cobertos pelo Tesouro. "Temos que impedir a geração
de nova dívida do FGTS e garantir o direito do trabalhador de
acesso aos recursos incorporados do FGTS em contas vinculadas",
completa.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas
comissões de Trabalho, de Administração e Serviço
Público; de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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CONSULTOR JURÍDICO,
18 de janeiro de 2008
Lei omissa
Trabalhadores de bingo querem regulamentação do jogo
A Associação Metropolitana de Trabalhadores em Bingo de São
Leopoldo (RS), ajuizou Mandado de Injunção, no Supremo Tribunal
Federal, para que o presidente da República regulamente a exploração
do jogo de bingo no país.
O Mandado de Injunção é o
instrumento jurídico próprio para pedir a regulamentação
de uma norma da Constituição, quando os Poderes competentes
não o fizeram. O pedido serve para garantir o direito de alguém
prejudicado pela omissão.
Segundo a associação,
a falta de uma lei para regulamentar o jogo de bingo impede o pleno exercício
das atividades de seus representados e viola direitos constitucionalmente
assegurados, principalmente o respeito à dignidade humana, os
valores sociais do trabalho e da livre iniciativa.
A associação pede
o deferimento de liminar para assegurar o funcionamento das casas de
bingo e, conseqüentemente, as atividades daqueles que trabalham
na área, enquanto a atividade não for regulamentada.
MI 801
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
18 de janeiro de 2008
Trabalhador demitido após aposentadoria
deve receber verbas rescisórias
O fato de estar aposentado não significa que isso extingue automaticamente
o contrato de trabalho. Sob esse entendimento, a 3ª Câmara do TRT
(Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região (Campinas) reformou,
por unanimidade, sentença da Vara do Trabalho de Lins, em processo movido
por um trabalhador contra o município de Promissão.
A Câmara deu provimento
parcial ao recurso do reclamante, condenando o município a lhe
pagar aviso prévio indenizado, multa do artigo 477 da Consolidação
das leis do Trabalho (CLT) e multa de 40% sobre o saldo do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS).
O relator, desembargador federal
do trabalho Edmundo Fraga Lopes, fundamentou seu voto em pronunciamento
do STF (Supremo Tribunal Federal), que declarou inconstitucionais os
parágrafos 1º e 2º do artigo 453 da CLT (Consolidação
das Leis do Trabalho). Todavia, o relator advertiu que é preciso
analisar caso a caso ao se aplicar o entendimento adotado pelo STF. Edmundo
observou que a interrupção do trabalho quando da aposentadoria
não deve ser considerada necessariamente como fato gerador do
pagamento da multa de 40% sobre o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de
Serviço).
Segundo ele, “cabendo ao
Poder Judiciário aferir se a ruptura era desejada pelo trabalhador”,
preconizou o magistrado, para quem “não se pode admitir
(...) que o desligamento desejado pelo trabalhador no momento de sua
aposentadoria gere o direito à percepção de indenização
idealizada pelo legislador para outra situação”.
Direito ao trabalho
O relator leciona que a declaração de inconstitucionalidade pronunciada
pelo Supremo não estendeu ao trabalhador que se aposenta o direito à percepção
da multa de 40%, “mas, tão-somente, reconheceu o seu legítimo
direito de continuar trabalhando”.
Ainda que o empregado se aposente,
poderá continuar a trabalhar para o mesmo empregador, sem que
isso implique a celebração de novo contrato de trabalho
ou que o trabalhador tenha de se afastar do emprego, “entendimento
que se estende, também, para os entes públicos que têm
servidores cujo pacto laboral é regido pela CLT”, especifica
o desembargador. A multa, esclarece Edmundo, deve continuar a cumprir
sua função de indenizar o trabalhador dispensado sem justa
causa, independentemente de a dispensa ter ocorrido antes, depois ou
no momento da aposentadoria.
O reclamante continuou a trabalhar
para o município por quase nove anos após se aposentar
pela Previdência Social. A decisão da Câmara reconheceu
a unicidade de seu contrato de trabalho, desde sua admissão, em
23 de abril de 1976, até sua despedida imotivada, em 30 de agosto
de 2005. A multa rescisória de 40% deverá ser calculada
sobre todo o montante depositado na conta vinculada do reclamante durante
as quase três décadas em que trabalhou para a reclamada.
O desembargador acredita que
a controvérsia deve diminuir com o tempo. “Empregadores
e empregados certamente buscarão alternativas para tornar mais
claras suas intenções, documentando e registrando eventuais
manifestações de vontade, num e noutro sentido.”
Recurso Ordinário
nº 00285-2006-062-15-00-7

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