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FOLHA DE LONDRINA, 21 de
janeiro de 2008 | Economia
Real foi moeda que menos se desvalorizou
após a crise
São Paulo - Apesar da extrema volatilidade do mercado financeiro, o
real tem reagido bem às bruscas movimentações dos investidores.
Segundo dados da Tendências Consultoria Integrada, a moeda foi uma das
que menos se desvalorizou no mês, desde que a crise americana estourou.
Até sexta-feira, a desvalorização da moeda em relação
ao dólar era de 0,56%. Já a moeda da África do Sul caiu
2,99%; a libra esterlina, 1,55%; o won da Coréia do Sul, 1,04; o dólar
canadense, 3,55%; e o dólar neozelandês, 1,02%.
Em meados do ano passado, quando
a crise das hipotecas de segunda linha (subprime) começou, o real
reagiu negativamente. Chegou a bater R$ 2,09 por dólar, mas acabou
se recuperando com o arrefecimento da crise. Desta vez, a desvalorização
tem ocorrido de forma lenta. Nesta semana, no auge da crise, a moeda
chegou ao máximo de R$ 1,787 e fechou a sexta-feira em R$ 1,785.
Para especialistas, esse é um sinal de confiança do investidor
estrangeiro no País. Isso porque os fundamentos econômicos
estão muito mais fortes agora do que no passado. Hoje o Brasil
conta com um expressivo saldo da balança comercial, da ordem de
US$ 40 bilhões.
Além disso, têm índices
de inflação bem menores que no passado e um mercado de
capital muito mais desenvolvido. Sem contar nas reservas estrangeiras
que atingiram US$ 167 bilhões. Tudo isso causa uma boa impressão
ao investidor internacional, garantem os economistas.
Não por acaso o País
está na fila para conquistar o tão sonhado investment grade
(grau de investimento). A expectativa é que a nota atribuída
pelas agências internacionais de classificação de
risco viesse em meados deste ano. Mas, com a piora do cenário
internacional, o País corre o risco de ter de esperar mais um
pouco para entrar no seleto grupo dos países com investment grade.
Renée Pereira
Agência Estado
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CORREIO DA BAHIA, 21 de janeiro
de 2008 | Economia
Construção civil destaca-se
na geração de empregos
Bahia foi o quarto estado a criar mais vagas
no setor, que teve saldo recorde de 176.755 novos postos no país
Brasília - O ano de 2007 foi da Construção Civil. O setor
registrou a maior taxa de crescimento na geração de empregos.
O saldo recorde de 176.755 vagas geradas representou uma expansão de
13,08% no total de novos trabalhadores com carteira assinada no setor – mais
do que o dobro dos índices alcançados pelo Comércio (6,5%),
Indústria de Transformação (6,1%) e Serviços (5,3%).
E acima da média de crescimento de vagas formais em todo o Brasil (5,85%).
“A pujança da Construção
Civil no ano passado se deu por conta da demanda reprimida que havia
no setor e que começou a ser atendida. Hoje o trabalhador consegue
comprar a casa própria por conta das facilidades de crédito.
As decisões do Conselho Curador do FGTS não só reforçaram
a rentabilidade dos investimentos como garantiram políticas públicas
inéditas”, destacou o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos
Lupi.
São Paulo foi o
estado que registrou o maior número de contratações
no ano passado, com 65.926 novos trabalhadores formais. Seguido por
Minas Gerais (20.699), Rio de Janeiro (13.234) e Bahia (9.499). Outros
estados também apresentaram taxas de crescimento exponencialmente
superior à média nacional. Destaque para o Tocantins,
que teve alta de 49,86% nos contratos com carteira assinada no setor.
Amazonas também gerou alta significativa de emprego na Construção:
30,09%.
***
Crédito contribui para o crescimento
Ao longo de 2007, a habitação recebeu significativo aporte de
dinheiro e facilitação de crédito. O Conselho Curador
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou redução
da taxa de juros de 8% para 6,5% ao ano para financiar a compra de imóvel
para a população que ganha entre R$ 3.900 e R$4.900. Um extra
de R$1,8 bilhão para financiamento da casa própria foi aprovado
no ano passado. Também deu aval a resolução que ampliou
de quatro para seis salários mínimos a renda de famílias
que podiam pagar até 80% do valor da prestação de imóveis
residenciais com recursos do FGTS.
A expectativa do Ministério do Trabalho e Emprego é que o setor
da Construção Civil continue apresentando taxas elevadas de crescimento
na contratação de trabalhadores com carteira assinada. É que
a concessão de crédito foi ampliada logo no início deste
ano. A partir de janeiro de 2008, o trabalhador que possui conta vinculada
ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço há mais de três
anos passou a ter vantagens maiores na hora de financiar imóveis novos
e usados com recursos do FGTS. É que começaram a valer as mudanças
aprovadas pelo Conselho Curador do Fundo que beneficiam diretamente os detentores
de conta vinculada. Entre as medidas, o destaque é a criação
do Pró-Cotista, uma linha especial destinada a financiar habitação
com valor de até R$350 mil.
Até então, apenas trabalhadores com renda mensal de até R$4,9
mil podiam buscar os recursos. A mudança beneficia 26,5 milhões
de pessoas, que podem, a partir de agora financiar 70% do valor dos imóveis
(até R$245 mil). A taxa é de 8,66% ao ano mais TR.
Além disso, o Conselho aprovou também a redução
em 0,5 ponto percentual para a linha de habitação popular destinada
aos cotistas. Assim, os juros passam a ser de 7,66% mais TR para os trabalhadores
com conta vinculada – os menores do mercado. Em 2008, o orçamento
do FGTS para habitação popular chega a R$8,4 bilhões.
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ESTADÃO.COM/ SÃO
PAULO, 21 de janeiro de 2008 | Economia & Negócios
Lentidão e corte de verbas ameaçam
obras do PAC
Um ano após seu lançamento,
o PAC não conseguiu resolver problemas como a ameaça
de apagão elétrico
Lu Aiko Otta, BRASÍLIA
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), peça-chave
do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, completa
um ano sob a ameaça de cortes de verbas. Doze meses depois de lançado,
o conjunto de obras mostra poucos avanços visíveis à população.
O fantasma do apagão elétrico,
que o PAC tanto tentou afastar, continua assombrando o País. Além
disso, há dúvidas se o crescimento do PIB, previsto em
5% para este ano, será concretizado com a deterioração
da economia internacional. Os economistas projetam uma expansão
mais modesta: 4,5%.
Porém, se os planos do
governo forem bem sucedidos, o PAC será uma poderosa máquina
de turbinar as campanhas municipais Brasil afora, fortalecendo as bases
do PT e de seus aliados. Se os governos e prefeituras forem ágeis,
em meados do ano o País será um "canteirão
de obras", como prometeu no ano passado a ministra-chefe da Casa
Civil, Dilma Rousseff.
Projetos ambiciosos de urbanização
de favelas, saneamento básico e construção de casas
populares negociados em 2007 deverão sair do papel. São
obras em cidades, que tornarão o PAC mais visível aos eleitores.
Por causa delas, a construção civil espera um crescimento
de 6% este ano.
No Rio, o governo estadual está programando
um início de impacto: a polícia planeja uma megaoperação
na favela do Alemão antes do início das obras do PAC. São
R$ 859 milhões para obras no Complexo do Alemão, Manguinhos
e Rocinha.
Amanhã, Dilma deverá apresentar
o balanço de um ano do PAC, destacando como principais avanços
a licitação da hidrelétrica de Santo Antônio,
no Rio Madeira, e a privatização de sete trechos de rodovias
federais. Nos dois casos, depois de consumir anos na burocracia, o governo
conseguiu assegurar que os serviços terão tarifas tão
baratas que surpreenderam os especialistas.
O preço da eletricidade
ficou 35% menor do que o máximo fixado pelo governo. No caso das
rodovias, o pedágio ficará em média 45% abaixo do
preço do edital, sendo que na Fernão Dias os carros de
passeio pagarão R$ 0,997, valor 65,4% menor que o máximo
autorizado.
Os dois projetos ainda não
saíram do papel. A usina de Santo Antônio deverá gerar
energia a partir de 2012, com as obras começando este ano. As
rodovias só serão entregues aos concessionários
em fevereiro. Serão necessárias algumas semanas até que
as intervenções de melhoria comecem.
LENTIDÃO
No mais, porém, o PAC
continua sofrendo com a lentidão da máquina pública
- um mal que ficou evidente nos balanços quadrimestrais. No balanço
de setembro, a meta era obter a licença prévia do Ibama
até 30 de dezembro para a construção da hidrelétrica
Pai Querê, mas o órgão só começará a
analisar o processo em fevereiro.
A usina nuclear Angra 3, que
teria de ter recebido a licença até o dia 10 deste mês,
está longe disso. A Justiça suspendeu a validade das audiências
públicas já realizadas em Angra, Parati e Rio Claro.
Segundo dados preliminares divulgados
pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em 2007 estavam reservados
R$ 16,5 bilhões para o PAC. Desses, R$ 16 bilhões foram
comprometidos com o pagamento a algum fornecedor ligado às obras.
Porém, apenas R$ 7,3 bilhões foram pagos. Ou seja, menos
de metade dos investimentos programados para o ano passado foram concluídos.
O restante continuará em andamento em 2008.
Em teoria, investimentos que
previstos para 2007 presos na burocracia ganhariam velocidade este ano.
Porém, surgiram novos problemas. O primeiro é que as verbas
do PAC poderão ser cortadas no ajuste das contas federais necessário
com o fim da Contribuição Provisória sobre a Movimentação
Financeira (CPMF).
Outro é a lei eleitoral,
que impede, a partir de julho, repasses para obras não iniciadas.
Apesar do esforço do ministro das Cidades, Márcio Fortes,
o ritmo é lento: dos R$ 32 bilhões reservados para obras
de saneamento, habitação e urbanização, apenas
R$ 17 bilhões foram empenhados.
NÚMEROS
R$ 859 milhões
serão investidos no Complexo do Alemão, Manguinhos e Rocinha
R$ 16 bilhões
foram comprometidos para pagamento de fornecedores e mercadorias para obras
do PAC em 2007
R$ 7,3 bilhões
é o total pago até agora
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DIAP, 21 de janeiro de 2008
FISCALIZAÇÃO
Auditores fiscais retiraram 746 mil
trabalhadores da informalidade em 2007, destaca MTE
Cerca de 43% deste contingente estava concentrado nos setores da indústria
e agricultura. Fiscalização do Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS) foi recorde
Ter a carteira assinada - o que
garante direitos como licença-maternidade, férias remuneradas
e depósitos regulares no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) - tornou-se realidade para 746.245 trabalhadores do Brasil no
ano passado.
Este contingente que atuava na
informalidade ingressou no mercado formal graças à ação
de auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego.
O número é o maior
já registrado e supera, inclusive, o total alcançado ao
longo do ano de 2006, quando 670.035 pessoas abandonaram a condição
de trabalhadores informais.
Indústria e Agricultura
Quase 25% do resultado de 2007
está concentrado no setor da indústria. Foram 184.572 trabalhadores,
28,2% a mais que o registrado no ano passado (143.960).
Em seguida, aparece a agricultura,
com a efetivação de 138.023 profissionais, ultrapassando
os registros de 2006 (110.164) e 2005 (115.560).
"O Ministério responde às
reivindicações do movimento Grito da Terra, entre 2004
e 2007, e renova a responsabilidade para com os trabalhadores de um setor
que historicamente apresenta altos níveis de informalidade",
disse o diretor do Departamento de Fiscalização do Trabalho,
Leonardo Soares.
Por Estado
Entre os estados, São
Paulo registrou o maior volume de trabalhadores formalizados. Foram 137.828
pessoas contratadas, a maioria na Indústria (30.299), Comércio
(27.006), Serviços (25.596) e Construção (15.611).
Minas Gerais esteve em segundo
lugar, com a formalização de 70.991 profissionais, sendo
33,1% deles no setor da agricultura (23.525).
No Rio de Janeiro houve a efetivação
de 66.163 trabalhadores, o terceiro maior resultado do país. O
destaque foi em Serviços (16.145), Comércio (15.242) e
Indústria (9.348).
FGTS
A fiscalização
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) apresentou recordes
em 2007. A arrecadação bancária ultrapassou os R$
41 bilhões entre janeiro e dezembro de 2007, valor que excede
o total de anos anteriores.
O montante notificado e recolhido
sob ação fiscal, cerca de um R$ 1 bilhão, é o
maior já registrado.
Os resultados positivos fundamentam,
em parte, os investimentos do Ministério com o projeto de modernização
dos procedimentos fiscais do fundo, para o qual o Conselho Curador do
FGTS aprovou mais R$ 10 milhões a serem aplicados nos próximos
anos. Fonte: MTE

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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
21/01/2008
Nome em lista restritiva resulta em indenização
de R$20 mil por dano moral
O nome incluído em “lista negra”, que objetivava dificultar
o acesso ao mercado de trabalho das pessoas nela incluídas, fez com
que ex-tratorista da Coamo Agroindustrial Cooperativa conseguisse na Justiça
do Trabalho o direito a receber R$20 mil por danos morais. A Quarta Turma do
Tribunal Superior do Trabalho restabeleceu sentença da Vara do Trabalho
de Campo Mourão, no Paraná, por considerar que houve ato patronal
proibido por lei. O valor da indenização, segundo o relator do
recurso, ministro Barros Levenhagen, é um elemento inibidor da prática
de ilícitos civis, que agridem a intimidade profissional dos trabalhadores.
A lista era chamada PIS-MEL,
porque através do número do PIS a empresa recuperava dados
sobre os nomes incluídos no sistema de informática. Quem
elaborava a PIS-MEL era a Employer Organização de Recursos
Humanos Ltda., com informações fornecidas por empresas
clientes dela. Trabalhadores que acionaram a Justiça do Trabalho,
serviram como testemunhas ou que por qualquer outro motivo não
eram bem vistos pelas empresas eram incluídos na lista negra.
Agora, cabe às duas empresas, Coamo e Employer, como responsáveis
solidárias, o pagamento ao trabalhador da indenização
estipulada.
Empregado da Coamo entre junho
de 1986 e junho de 1995, o tratorista, após a demissão,
ajuizou reclamação trabalhista. Em janeiro de 2004, soube
através de terceiros da existência da lista. Posteriormente,
soube que o seu nome estava nela inserido desde 24 de fevereiro de 1997.
Alega, na ação de danos morais, ajuizada em maio de 2004,
que após ter saído da Coamo teve dificuldade para encontrar
emprego. Segundo ele, seu último trabalho registrado foi entre
abril e novembro de 2002, na empresa Vesagril, e, depois disso, só conseguiu “bicos”,
cavando fossas e poços.
No entanto, em seu voto, o ministro
Antônio José de Barros Levenhagen, relator do recurso no
TST, considerou que “mesmo não tendo havido divulgação
da lista, em razão da qual tivesse o trabalhador sido preterido
em nova colocação, essa hipótese só teria
relevância para caracterização de dano material,
que não foi pleiteado”. Para a concessão de indenização
por dano moral, foi suficiente estar caracterizado o ilícito patronal
com a ofensa à intimidade profissional do trabalhador.
O inciso X do artigo 5º da
Constituição Federal elege como bens invioláveis,
sujeitos a indenização reparatória, a intimidade,
a vida privada, a honra e a imagem das pessoas. ”Está aí subentendida
a preservação da dignidade da pessoa humana”, esclarece
o ministro Barros Levenhagen. Para ele, a norma constitucional merece “interpretação
mais elástica, incluindo constrangimentos pessoais oriundos de
ato ilícito, em razão de eles terem repercussões
negativas no âmbito da dignidade do trabalhador, por conta da valorização
social do trabalho”. (RR – 328/2004-091-09-00.0)
(Lourdes Tavares)
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
21 de janeiro de 2008
Empresa deve indenizar funcionário
pelo uso de palm-top
Quando um empregado aluga um equipamento eletrônico para uso exclusivo
da empresa onde presta serviços, ele deve ser ressarcido pelos valores
gastos com a locação. É o que entendeu a 2ª Câmara
do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região (Campinas).
A Turma deu provimento a recurso
ordinário interposto por um representante comercial inconformado
com a decisão proferida em primeira instância pela 2ª Vara
do Trabalho de São José dos Campos. Ele havia solicitado
a rescisão de seu contrato, pleiteava o ressarcimento dos valores
descontados pela empresa representada a título de aluguel pelo
uso de um palm-top e uma indenização no valor de 1/12 do
total das comissões recebidas durante o período contratual.
Não exigência
Para a relatora do acordão, juíza Adriene Sidnei de Moura David
Diamantino, não obstante a alegação da reclamada de que
o uso do palm-top foi uma solicitação do empregado e não
uma exigência da empresa, os testemunhos arrolados nos autos comprovaram
os argumentos do funcionário de que os representantes contratados eram
orientados a efetivar os pedidos das vendas mediante o uso do aparelho, ao
menos de forma preponderante – apenas quando havia problemas com este é que
poderiam ser valer do uso de fax ou do telefone 0800.
Além disso, o mesmo aparelho
era disponibilizado a todos os vendedores, como forma de otimizar os
serviços e o relacionamento com a empresa. Segundo a magistrada,
tais evidências atestam que a disponibilização dessa
ferramenta de trabalho ao empregado teve como objetivo apenas beneficiar
a empresa na consecução de seus objetivos, não restando
dúvida quanto à ilegalidade dos descontos.
De acordo com a juíza,
embora não se esteja diante de um contrato de emprego, deve-se
aplicar ao caso os mesmos princípios do direito que trata da proteção
do trabalho subordinado, os quais autorizam o entendimento de que cabe àquele
que dirige o empreendimento estabelecer as regras de trabalho e fornecer
os meios para a sua otimização, devendo, portanto, arcar
com o risco de suas escolhas.
“Se a empresa fornece aos
representantes ferramentas próprias, entendo que não é lícito
o desconto de valores a título de aluguel, sob pena de imputar-se
ao vendedor autônomo o custo do empreendimento do representado.
Além do que, a possibilidade de descontos por sua utilização
não foi pactuada entre as partes”, concluiu a juíza.
Quanto à indenização
solicitada de 1/12 do total das comissões recebidas durante o
período contratual, a 2ª Câmara concluiu que a lei
de representação comercial (Lei 4.886/65, alterada pela
Lei 8.420/92) garante esse direito ao recorrente e estabelece as excludentes
do direito a tal indenização, não dispôs sobre
a hipótese de rescisão por iniciativa do representante
comercial.
De acordo com a relatora do acórdão,
a interpretação de tais normas deve ser restritiva, ou
seja, apenas nas hipóteses previstas no artigo 35 mencionado é que
estaria autorizada a exclusão do direito. “A compensação
pelo tempo de serviço prestado se coloca, pois, como forma de
se prestigiar e resgatar os valores constitucionais mencionados”,
sentenciou a magistrada.
Recurso Ordinário 213-2007-045-15-00-5
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ÂMBITO JURÍDICO,
21 de janeiro de 2008
Empresa condenada por acidente do trabalho
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) condenou uma empresa de
alimentos, da cidade de Visconde do Rio Branco, a indenizar um de seus funcionários
em R$14 mil e fornecer a ele pensão mensal de meio salário mínimo.
O motivo foi um acidente do trabalho, que causou a perda do braço esquerdo
da vítima. A decisão foi da 16ª Câmara Cível.
O funcionário trabalhava
no setor de depenagem de frangos, em pé, junto a um tubo metálico
com aproximadamente 80 cm de diâmetro. Ali eram colocados restos
não aproveitados de frango que seriam triturados.
No dia 14 de maio de 2002, o
funcionário escorregou no piso engordurado e sua mão acabou
entrando no moedor. No dia seguinte, foi realizada a primeira cirurgia
para amputar a mão acidentada, que não foi bem-sucedida.
Foi necessária uma nova intervenção, cinco dias
depois, para amputar o braço esquerdo.
Incapacitado para o trabalho,
o funcionário foi aposentado no dia 11 de outubro do mesmo ano.
Ele então recorreu à Justiça, pleiteando indenização
por danos morais e estéticos, além de custeio do tratamento
e fornecimento de prótese, dando à causa o valor de R$
90 mil. Pediu também o pagamento de pensão mensal no valor
de um salário mínimo.
Em sua contestação,
a empresa sustentou que o fato ocorreu por falta de cuidado do funcionário,
que não teria perdido a mão se tivesse utilizado o soquete
que havia no local para garantir a segurança do operador. Alegou
também que mantinha um seguro que cobria invalidez por acidentes
e que a vítima teve direito ao pagamento de uma indenização
de R$ 21.240,96.
A juíza Vilma Lúcia
Gonçalves Carneiro, da 2ª Vara Cível de Visconde de
Rio Branco, concedeu somente indenização por danos morais,
no valor de R$ 28 mil.
No recurso ao Tribunal de Justiça,
o desembargador Otávio Portes (relator) destacou em seu voto ser “inafastável
a responsabilidade da empresa pela redução da capacidade
laborativa do funcionário, em virtude da omissão em lhe
fornecer condições seguras de trabalho, garantindo a proteção
da saúde e da integridade física do empregado, embora este
também tivesse o dever de se utilizar dos equipamentos obrigatórios
que lhe foram oferecidos”.
O relator condenou a empresa
ao pagamento de pensão mensal de meio salário mínimo,
contada desde a data do acidente até que o aposentado complete
70 anos, além do pagamento de metade do valor de uma prótese,
com o tratamento para sua adaptação. Quanto à indenização
por danos morais, determinou que fosse reduzida pela metade.
A redução pela
metade da indenização, do valor da pensão e da prótese
foi determinada diante da culpa concorrente, já que o trabalhador
deixou de utilizar os equipamentos de segurança.
Os desembargadores Nicolau Masselli
e Batista de Abreu acompanharam o voto do relator.
Processo: 1.0720.03.009095-8/001
Fonte: TJMG
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ÂMBITO JURÍDICO,
21 de janeiro de 2008
Justiça proíbe Souza
Cruz de submeter funcionários a degustação
de cigarros
Uma decisão judicial ajuizada pelo Ministério Público
do Trabalho (MPT) proibiu que a empresa Souza Cruz, fabricante de cigarros,
mantivesse a atividade de degustação de fumo, realizada com funcionários
da própria companhia.
A Souza Cruz, que tem sua matriz
no Rio de Janeiro, mantinha um local chamado de Painel de Avaliação
Sensorial, voltado para a experimentação e avaliação
de cigarros. Segundo o Ministério Público, a proibição
deve entrar em vigor terça-feira (22). Características
como gosto, aroma, e acidez eram avaliadas.
Trabalhadores de todas as áreas
da empresa eram chamados a participar da degustação, e
recebiam incentivos salariais, caso aceitassem a proposta. De acordo
com o MPT, executivos da área de produção e desenvolvimento
da Souza Cruz eram obrigados a participar do ´painel e não
recebiam nenhum abono extra pela função.
Além da proibição
de continuar com a atividade, a Souza Cruz foi condenada a pagar R$ 1milhão
por danos morais coletivos ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). A
empresa também foi obrigada a prestar assistência médica
durante 30 anos a todos os funcionários que participaram da atividade
de degustação.
Segundo a procuradora do Trabalho
Valéria Corrêa, uma das responsáveis pela ação
civil pública, a função de degustador de cigarros
não é regulamentada, e atinge a dignidade e a livre escolha
dos trabalhadores.
"Um médico da própria
Souza Cruz, em um dos documentos que apresentou à Justiça,
listou algumas das moléstias que podem acometer os funcionários
devido a esse tipo de atividade: patologias na cavidade oral, faringe,
laringe, vias aéreas, pulmonares e cardiovasculares, próstata,
sangue e pele, entre outros órgãos do corpo. Isso é usar
o ser humano como cobaia", disse Valéria Corrêa.
A Souza Cruz informou que está recorrendo
da decisão. A empresa alega que a degustação de
cigarros não seria vedada por lei e que todos os participantes
seriam maiores de idade e fumantes. A fabricante de cigarros diz também
que os funcionários passavam por exames periódicos e podiam
se desligar da atividade de degustação a qualquer momento,
sem serem punidos.
Raphael Ferreira
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FOLHA DE LONDRINA, 21 de
janeiro de 2008 | Opinião
Janeiro é um dos melhores
meses para procurar emprego
Especialistas dão a dica: quem não
espera o Carnaval passar tem mais chances de sucesso
Arquivo FOLHA

Com o início de um novo ano fiscal, empresas têm
mais verbas para contratar mão-de-obra
Você com certeza já ouviu aquela máxima: ''No Brasil, o
ano só começa depois do Carnaval.'' Isso pode ter sido verdade
durante muito tempo, considerando que janeiro coincide com férias escolares
- e de muitos profissionais que optam pelo descanso na mesma época dos
filhos - e que fevereiro é um mês de expectativa para a festa
mais querida pelos brasileiros. Assim, o ano só ia ''começar
mesmo'' lá para meados de março.
Diante disso, inúmeras
pessoas interessadas em novas oportunidades profissionais começam
a procurar emprego apenas no segundo trimestre do ano, pois julgam que
suas chances de sucesso serão maiores após o Carnaval.
Grande engano. Poucos se dão conta que janeiro, fevereiro e março
são os melhores meses para conseguir um novo emprego.
O final do ano, em especial dezembro, é aquecido
pelas vagas temporárias, principalmente na indústria e
no comércio. Mas as empresas já estão com seus orçamentos
no fim, com pouco dinheiro para contratações, e o foco
está voltado para o planejamento do novo ano. Passado o réveillon,
as empresas saem em busca de mão-de-obra.
''Janeiro marca o início
de um novo ano fiscal para as empresas, que estão com os orçamentos
renovados e têm mais verbas para contratar pessoas. Além
disso, é agora que muitas empresas começam a preencher
suas vagas tendo em vista o planejamento e as metas previstas para o
ano que está começando'', explica o diretor-geral da Catho
Online, Adriano Arruda, especialista em mercado de trabalho.
Outra boa notícia para
quem procura emprego: o momento do País contribui positivamente
para esse aquecimento do mercado. ''O cenário é altamente
favorável e o clima é de otimismo, com boas expectativas
para 2008. A maioria das empresas prevê crescimento, o que reflete
diretamente na abertura de vagas e na contratação de mão-de-obra'',
acrescenta Arruda.
''Quem acredita que 'o Brasil
só começa a funcionar depois do Carnaval' está perdendo
excelentes chances. Além disso, quem está em busca de emprego
não pode esperar, tem de começar a procurar imediatamente'',
observa o diretor-geral.
Currículo
Arruda lembra que a procura de
um novo emprego, em si, já é um trabalho. ''É necessário
focar nisso, pelo menos oito horas por dia, com método, disciplina
e persistência.''
Elaborar um bom currículo é a
primeira tarefa na busca. ''Essa é a ferramenta que gera entrevistas
de emprego para um profissional. Por isso, o currículo tem de
estar claro, conciso e muito bem escrito - sem erros de português.
Com um bom CV em mãos, o profissional precisa divulgá-lo
da forma mais amplificada possível'', ensina Arruda.
Nessa hora é necessário
usar de todas as ferramentas possíveis. ''O profissional tem de
utilizar todos os recursos disponíveis: sites de anúncios
de currículos e vagas de empregos, sites das próprias empresas,
classificados de jornais e revistas, comunidades na internet, murais
de vagas em escolas e faculdades... Vale tudo!''
O profissional jamais deve esquecer
da sua rede de contatos e relacionamentos. ''Ela é fundamental
para quem busca novas oportunidades. Muitas vezes, um amigo, um ex-colega
de trabalho, um professor ou mesmo um parente sabe de alguma vaga aberta
em determinada empresa. Se ele souber que você está em busca
de emprego, a indicação será natural'', explica
o especialista.
Fernão Silveira e
Viviane Macedo
Carreira & Sucesso
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Gazeta do Povo, 21 de janeiro
de 2008
EDUCAÇÃO - VESTIBULAR |
CARREIRA - ENGENHARIA INDUSTRIAL MADEIREIRA
Especialistas em madeira
por MARCELA CAMPOS
Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Maicon Leme terminou a faculdade em 2006 e já saiu empregado após
nove meses de estágio.
De palitos de fósforo
a janelas, mesas, portas, cadeiras, armários e instrumentos musicais,
a madeira apresenta uma infinidade de aplicações e, por
isso, é sinônimo de bons negócios. Mas a extração
deste material deve ser feita de forma sustentável, garantindo
o uso racional das florestas. “Nossa madeira é retirada
desde a chegada dos portugueses ao Brasil. Só que este trabalho
sempre foi realizado de modo empírico (baseado apenas na experiência
e na observação). Para suprir a carência de mão-de-obra
capacitada, criou-se o curso de Engenharia Industrial Madeireira. O profissional
formado na área busca o melhor aproveitamento da matéria-prima,
de forma a garantir maior rendimento para a indústria e diminuir
os danos ao meio ambiente”, explica o vice-coordenador do curso
de Engenharia Industrial Madeireira da Universidade Federal do Paraná (UFPR),
Umberto Klock.
O engenheiro industrial madeireiro
planeja e acompanha todo o processo de fabricação de objetos
feitos a partir da madeira, sugerindo melhorias nos métodos e
equipamentos de produção e atuando no controle de qualidade
dos componentes, das máquinas, das instalações e
do produto final. Também participa do desenvolvimento de novos
utensílios de madeira e da gestão de empresas. Estas atividades
podem ser desenvolvidas em indústrias de processamento primário
(serrarias e indústrias de secagem de madeira), indústrias
de construção de painéis estruturais (compensados
e chapas feitas com partículas e fibras de madeira), indústrias
de celulose e papel e de móveis, entre outras.
Falso ou verdadeiro?
O engenheiro industrial madeireiro é um “inimigo das matas”
FALSO. Este
profissional aplica o conhecimento e a tecnologia na utilização
eficiente dos recursos florestais. Em seu dia-a-dia, procura obter benefícios
tanto econômicos quanto sociais.
* * * * * *
As vagas estão
nos pólos industriais, e não nas áreas de floresta
VERDADEIRO. O
curso de Engenharia Industrial Madeireira capacita o profissional para
atuar dentro das indústrias. Já o engenheiro florestal
trabalha prioritariamente com o remanejamento de florestas.
A profissão ainda é nova no Brasil, mas chega em um momento de
grandes investimentos no setor. “O ramo industrial madeireiro tem participação
expressiva na economia do Paraná. Existem no estado cerca de 4 mil indústrias
de processamento desta matéria-prima. Em todo o país, são
25 mil indústrias. Há carência de engenheiros industriais
madeireiros na região metropolitana de Curitiba, no Sudoeste do Paraná (Guarapuava,
Palmas), em Santa Catarina, no Mato Grosso e no Pará. Telêmaco
Borba e Jaguariaíva (no Centro-Oeste paranaense) também têm
absorvido muita mão-de-obra”, aponta Klock.
A trajetória de Maicon
Luis Leme, 26 anos, mostra que os recém-formados na área
não encontram dificuldades para conseguir uma colocação
no mercado de trabalho. Graduado em 2006 pela UFPR, o engenheiro já saiu
da universidade empregado. “No último ano do curso consegui
um estágio na Selectas, empresa que produz compensados para decoração
(chapas feitas a partir de lâminas de madeira justapostas e coladas).
Após nove meses, fui efetivado”, conta.
Dentro da empresa, Maicon
atuou em diversas áreas, da administração à produção. “Comecei
fazendo o controle do estoque e a análise dos custos e do faturamento
da indústria. Depois passei para a gestão de qualidade
da matéria-prima, dos insumos, da mão-de-obra e do produto
final. Mais tarde, o gerente supervisor anunciou que iria se aposentar
e fui convidado a ocupar o seu lugar. Assumi todo o processo de produção
da Selectas: comando e fiscalizo o descarregamento de madeiras, realizo
o remanejamento de funcionários, verifico quais são os
insumos e matérias-primas de que precisamos e faço pedidos
de material”, explica.
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Gazeta do Povo, 21 de janeiro
de 2008
ECONOMIA | POLÍTICA MONETÁRIA
Copom deve manter taxa de juros
em 11,25%
São Paulo – A crise americana praticamente enterrou a possibilidade
de o Comitê de Política Monetária (Copom) voltar a reduzir
a taxa Selic neste ano. Entre os mais pessimistas, há risco até mesmo
de o país ser obrigado a mudar o rumo da política monetária
e ter de elevar os juros nos próximos meses, algo impensável
no meio econômico até o fim do ano passado. A primeira reunião
do ano, que começa amanhã e termina quarta-feira, poderá dar
uma sinalização do que vem pela frente. A aposta majoritária
do mercado é que os juros sejam mantidos em 11,25% ao ano. Mas as atenções
dos analistas estarão voltadas para o placar da votação,
se vai haver unanimidade ou se algum diretor já é favorável à alta
dos juros.
Tendência - Juro pode subir
no 2.º trimestre
O forte aumento de 0,74% do IPCA em dezembro, que fez com que a inflação
desse um salto de 4,19% em novembro para 4,46% em dezembro no acumulado em
12 meses, e a perspectiva de que o índice deve ficar muito próximo
de 4,8% em março levam economistas a avaliar qual pode ser o comportamento
do Banco Central (BC) neste ano. E as avaliações de que a Selic
pode subir crescem de forma expressiva, especialmente entre abril e junho,
caso a inflação não recue nos próximos meses e
o nível de atividade continue apresentando ritmo forte. Para especialistas
como os economistas-chefes da MB Associados, Sérgio Vale, e do banco
WestLB, Roberto Padovani, até o final de março será possível
ter um cenário mais claro. Isto porque o BC terá acesso a dados
sobre a tendência de indicadores, como IPCA, câmbio, produção
industrial, nível de utilização da capacidade instalada,
além do desempenho das contas fiscais e externas.
Na avaliação dos economistas, a principal preocupação é que
a turbulência internacional pressione ainda mais a inflação
no país. O IPCA de dezembro não trouxe boas notícias,
levando o índice a encerrar o ano com variação muito próxima à meta
de 4,5% e acima das expectativas de mercado, afirma a economista do Banco Fibra,
Maristella Ansanelli. Esse fator sozinho já justificaria uma postura
mais cautelosa do BC. Mas junta-se a isso a demanda interna aquecida e agora
as incertezas internacionais.
Muitos especialistas acreditam
que as quedas promovidas na taxa Selic nos últimos anos ainda
não tiveram todo o efeito na economia. “Após um ano
de cortes agressivos, parece que a conta está chegando. Ainda
acreditamos ser cedo para prever uma alta de juros em 2008, porém,
os riscos aumentaram de maneira significativa”, destaca o economista-chefe
da Ativa Corretora, Arthur Carvalho, em seu relatório de expectativa
sobre o Copom.
Para ele, as projeções
de inflação estão perigosamente próximas
da meta. Ou seja, qualquer choque mais forte que o esperado pode pôr
a inflação acima da meta e exigir postura mais rigorosa
da autoridade monetária. “Se o BC tiver de elevar a taxa
Selic, o primeiro a sofrer será o fluxo de investimento. O efeito
sobre essa variável costuma ser superior ao que se verifica sobre
o consumo das famílias”, destaca o economista da MCM Consultores,
José Júlio Senna, ex-diretor do Banco Central.
Senna diz que, ao contrário
do que muitos vêm falando, a economia americana não está descolada
do resto do mundo.
Realidade
Estudos realizados pela
MCM mostraram que a elasticidade de resposta da economia mundial (sem
Estados Unidos) a alterações de comportamento da economia
americana parece mais baixa nas duas últimas décadas
que em períodos anteriores. Mas ainda é bastante elevada. “Ficou
entre 0,70 e 0,75. Isso significa que para cada 1% de queda do crescimento
americano, o PIB (Produto Interno Bruto) do resto do mundo cai entre
0,70% e 0,75%. Parece bastante significativo”, avalia.
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Congresso em Foco, 21 de janeiro de 2008
O preço da infidelidade partidária
Justiça eleitoral terá de
examinar mais de 8,5 mil processos de cassação por
infidelidade partidária. No Piauí, 40% dos vereadores
estão ameaçados
Edson Sardinha
Prática institucionalizada no Brasil, o troca-troca partidário
pode custar caro a 8 mil políticos brasileiros que mudaram de legenda
em 2008. Eles são alvo dos 8.595 processos de perda de mandato movidos
na Justiça eleitoral de todo o país por infidelidade partidária,
conforme revela levantamento feito pelo Congresso em Foco.
Em tese, principais beneficiários da decisão do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) de que o mandato pertence à legenda – e não
ao eleito – na prática, os partidos políticos pouco fizeram
para reaver a vaga dos “infiéis”.
Cerca de 70% dos pedidos de cassação em todo o país foram
propostos pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que, segundo
a resolução do TSE que disciplinou o assunto, só poderia
reivindicar os mandatos nos casos em que os partidos não o fizessem.
Como o prazo definido para o MPE foi o mesmo estabelecido para que os suplentes
cobrassem as vagas, alguns políticos estão no foco de mais de
uma representação (veja a relação por estado).
A quase totalidade dos ameaçados ocupa cadeira nas mais de 5,5 mil câmaras
municipais brasileiras. Até agora, cinco vereadores – quatro do
Pará e um de Rondônia – perderam o mandato por terem trocado
de partido sem a devida justificativa.
Também estão na mira da Justiça eleitoral vice-prefeitos,
deputados estaduais e 13 deputados federais. Esses últimos serão
julgados pelo próprio TSE. A corte analisará 17 processos envolvendo
parlamentares federais, já que alguns respondem a mais de uma ação.
Celeridade
O presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, garante que, apesar de 2008
ser um ano eleitoral, os tribunais regionais estão preparados para atender à nova
demanda sem prejuízo para a organização das disputas municipais. “Teremos
processos administrativos céleres”, promete.
Resolução baixada pelo TSE para disciplinar os processos de perda
de mandato por infidelidade partidária estabelece o prazo de 60 dias,
a contar do recebimento da denúncia, para que a Justiça eleitoral
cobre as devidas explicações, ouça os acusados e faça
o julgamento do caso.
Partidos em xeque
A única unidade federativa em que não houve pedido de perda de
mandato foi o Distrito Federal, justamente onde não há prefeitos
nem vereadores. Paraná, Piauí e São Paulo são os
três estados onde, respectivamente, há mais políticos “infiéis” ameaçados
de cassação.
Autor de aproximadamente 700 das 1.080 ações por infidelidade
partidária em tramitação no TRE-PR, o procurador regional
eleitoral do Paraná, Néviton de Oliveira Batista Guedes, diz
que a quantidade de processos de perda de mandato não reflete a realidade
do mapa da infidelidade partidária no país. Segundo ele, esse
número teria sido ainda maior não fosse a omissão dos
partidos políticos.
“Primeiro, os partidos não fizeram o que deveriam fazer [cobrar
o mandato dos infiéis]. Depois, muitos deles se recusaram a prestar as
informações por nós solicitadas”, reclama o procurador.
De acordo com Néviton, várias legendas se recusaram a fornecer,
por exemplo, a relação dos políticos que deixaram a legenda
e a data em que se deu a desfiliação. “Esses partidos são
muito incoerentes”, critica.
Circunstâncias locais
“Houve um grande número de acordos entre políticos e partidos
para a preservação de mandatos”, afirma o advogado Alberto
Rollo, especialista em direito eleitoral. “Mas temos de examinar as injunções
estaduais e municipais. Muitos partidos que se enfrentam em Brasília são
aliados nos municípios e não têm interesse em pedir o mandato
de um vereador que migrou para outro partido da própria base do prefeito”,
observa o advogado.
Presidente nacional do partido que apresentou a consulta que deu origem à nova
interpretação do TSE sobre a fidelidade partidária, o
deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) admite que os diretórios municipais das
legendas priorizaram, via de regra, as questões locais em detrimento
da decisão da Justiça eleitoral.
“As circunstâncias políticas existem. Não há como
negar. Mas elas não deveriam ser maiores que a fidelidade partidária”,
lamenta. Como exemplo dessas “circunstâncias políticas”,
o deputado cita o caso de uma câmara municipal composta por nove vereadores
em que o prefeito tem o apoio de cinco vereadores. “Se o partido que requisitar
o mandato for da oposição, o prefeito perde a maioria. Fica difícil
governar assim”, observa.
Segurança
Na avaliação de Rodrigo Maia, o TSE acertou ao dar poder para
o Ministério Público Eleitoral reivindicar o mandato nos casos
em que o partido não o fizesse. “Foi uma trava de segurança
acertada. Do contrário, teríamos uma fidelidade partidária
torta. O MP corrige distorções”, considera.
A mesma avaliação é feita pelo presidente do TSE. “A
legitimação do Ministério Público na resolução
foi acertada, porque prevíamos que poderia haver acertos entre os partidos
e os eleitos. Foi uma medida muito importante”, observa Marco Aurélio
de Mello.
Piauí em alerta
Em nenhum estado o Ministério Público Eleitoral teve mais trabalho à caça
dos “infiéis” do que no Piauí. Das 952 ações
por perda de mandato por infidelidade partidária, 845 foram propostas
pelo MPE. Cerca de 40% dos 2.024 vereadores piauienses correm o risco de não
completar o mandato por terem trocado de legenda no ano passado.
Em quatro municípios – Cristalândia do Piauí, Olho
D’Água, Joca Pires e Pio IX – nada menos do que todos os
nove vereadores podem ser cassados por infidelidade partidária. “Não
sabemos ainda nem se haverá suplentes em número suficiente para
assumir essas vagas, já que alguns deles também trocaram de partido”,
declara o procurador regional eleitoral do Piauí, Carlos Wagner Guimarães.
A situação não é menos crítica em outras
30 cidades do estado, onde o troca-troca partidário pode custar o mandato
de oito dos nove representantes da câmara municipal. O procurador eleitoral
admite que se surpreendeu com o elevado número de processos que teve
de mandar para o TRE-PI. “Não imaginávamos que teríamos
tanto trabalho”, conta ele.
Em apenas seis dos 224 municípios piauienses não houve mudança
de partido após 27 de março de 2007, data estabelecida pelo TSE
como marco da fidelidade partidária para os eleitos para cargos proporcionais.
Caráter pedagógico
Carlos Wagner também responsabiliza os acordos locais pelo elevado número
de ações movidas pelo MPE no estado. “O papel do Ministério
Público é não permitir que haja a costura desse tipo de
acordo, que não é de interesse público”, afirma.
Na avaliação do procurador, esses processos de perda de mandato
têm, sobretudo, um caráter pedagógico para os políticos. “Quase
todos os estatutos partidários exigem a fidelidade partidária.
Todos a defendiam, mas ninguém a cumpria. A partir de agora, o político
deverá tomar cuidado com a sua primeira filiação, porque
poderá ficar preso à legenda. Os partidos, com isso, tendem a
se fortalecer. Os filiados vão buscar defender suas posturas dentro
da própria sigla”, acredita.
Justa causa
Para preservar o mandato, os políticos processados na Justiça
eleitoral terão de comprovar que deixaram o partido pelo qual se elegeram
por uma justa causa. A resolução baixada pelo TSE admite a mudança
de legenda em apenas quatro circunstâncias: quando há incorporação
ou fusão do partido, nos casos de criação de nova legenda,
mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário
e grave discriminação pessoal.
Presidente da Associação dos Vereadores do Piauí, o vereador
José Péres (DEM) afirma que todas as migrações
partidárias ocorridas no estado em 2007 se enquadram nessas justificativas. “Esperamos
que nenhum deles seja cassado. O clima é de tranqüilidade. A Justiça
terá bom senso”, considera.
Péres, que também preside a Câmara Municipal de Cabeceiras
do Piauí, admite, contudo, que muitos vereadores trocaram a oposição
por partidos que integram a base de apoio do governador Wellington Dias (PT),
antevendo dificuldades para se reelegerem.
“ Além disso, o PFL foi substituído pelo DEM. Muitos, ao
contrário de mim, não concordaram com a mudança na linha
partidária e deixaram a legenda”, afirma o vereador, ressaltando
que jamais trocou de legenda. “Eu era do PFL, agora sou do Democratas”,
frisa.
Pará na frente
Com 137 pedidos de perda de mandato por infidelidade partidária, a Justiça
eleitoral do Pará tem se destacado como a mais efetiva na aplicação
da pena imposta pelo TSE aos políticos que trocaram de legenda sem justa
causa.
Até agora, o TRE-PA já cassou o mandato de quatro vereadores:
Reinaldo Lisboa, de Bonito, Joareis Rodrigues Souza, de Vitória do Xingu,
Adenor Ferreira da Silva, de Marapanim, e João Maria Alves da Silva,
de Santa Izabel do Pará. Antes deles, o TRE-RO já havia determinado
a perda do mandato de Lourival Pereira de Oliveira, vereador de Buritis (RO).
Em todos os casos, os juízes ordenaram a posse do primeiro suplente
do partido pelo qual o antigo titular havia se elegido. As chances de um recurso
prosperar nesses casos, segundo especialistas no assunto, são mínimas.
O cassado pode pedir ao próprio tribunal a reconsideração
da decisão ou ingressar com um mandado de segurança no Tribunal
Superior Eleitoral. “O TSE tende a rejeitar todos”, afirma o advogado
Alberto Rollo. “O mandado de segurança é uma ação
de rito célere e simples. Não sobrecarregará o TSE”,
afiança o presidente da corte, Marco Aurélio de Mello.
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Congresso em Foco, 21 de janeiro de 2008
Deputados com mandato ameaçado
Após recesso, TSE julgará pedidos
de perda de mandato de 13 deputados federais, entre os quais, Clodovil.
Severino pode voltar à Casa
Edson Sardinha
Autor da consulta que desencadeou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) sobre a fidelidade partidária, o DEM é o partido que espera
retomar o maior número de cadeiras de deputados federais que abandonaram
a legenda pela qual se elegeram.
O Democratas reivindica três das 13 vagas da Casa que estão na
mira da Justiça eleitoral. O partido reivindica o mandato de Gervásio
Silva (PSDB-SC), Walter Brito Neto (PRB-PB) e Jusmari Oliveira (PR-BA). Os
três alegam graves divergências com o comando regional do DEM para
justificar a troca partidária.
“ Estamos seguros de que vamos reaver essas vagas. É questão
de tempo”, afirma o presidente nacional do partido, deputado Rodrigo Maia
(DEM-RJ).
O tribunal já rejeitou o pedido do DEM para reaver a vaga do senador
Edison Lobão (PMDB-MA), novo ministro de Minas e Energia. Os ministros
entenderam que ele trocou de partido antes da data definida como marco para
a fidelidade partidária dos eleitos para cargos majoritários,
ou seja, 16 de outubro.
Entre os grandes partidos, além do DEM, apenas o PT reivindica uma vaga
na Câmara, a do deputado Paulo Rubem Santiago (PDT-PE), que mudou de
legenda em 17 de setembro.
O partido argumenta que o pernambucano foi eleito “pelo critério
de média” e que o documento de desfiliação apresentado
por ele não reúne “as razões para tanto”.
Paulo Rubem alega que a antiga legenda abandonou compromissos históricos
e que sua mudança tem caráter exclusivamente ideológico
e programático, circunstâncias admitidas pela resolução
do TSE como justificativa para a troca partidária.
Clodovil
Também corre o risco de perder a cadeira o deputado Clodovil Hernandes
(PR-SP), eleito pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC). Para o PTC,
Clodovil não apresentou os devidos motivos para ter deixado a legenda.
Em sua defesa, o deputado paulista alega que os votos foram obtidos por ele
e não pelo PTC e pede que o TSE analise a hipótese de “candidato
eleito com votos próprios”. Clodovil argumenta que sua eleição
revela “situação peculiar, onde as premissas de que os
votos pertencem ao partido não se encontram presentes”.
Eleito com mais de 490 mil votos (confirmar), o deputado foi o terceiro mais
votado, em termos absolutos, entre os 513 deputados conduzidos à Câmara
na eleição de outubro de 2006.
Severino
A lista dos deputados federais que são alvo de processo no TSE por infidelidade
partidária inclui, ainda, Geraldo Resende (PMDB-MS), Marcos Antonio
(PRB-PE), Carlos Eduardo Cadoca (PSC-PE), Sérgio Brito (PDT-BA), Damião
Feliciano da Silva (PDT-PB), Davi Alves Silva Júnior (PDT-MA), Carlos
Souza (PP-AM), Jurandy Loureiro (PSC-ES). Alguns deles terão de enfrentar
mais de um processo.
Nesses casos, as vagas estão sendo cobradas pelos suplentes imediatos,
que têm interesse em assumir o mandato. O mais ilustre deles é o
ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE), que tenta voltar à Casa
no lugar de Marcos Antonio, dois anos após ter renunciado ao mandato
sob a acusação de ter cobrado propina para renovar o contrato
de um restaurante.
Promessa de rapidez
O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, promete celeridade
no julgamento desses processos. “A expectativa é de que o TSE
julgue todos esses casos em dois meses. Do contrário, estaríamos
promovendo o popular ‘faça o que digo, não faça
o que eu faço’”, afirma o ministro.
Resolução baixada pelo tribunal para disciplinar os processos
de perda de mandato por infidelidade partidária estabelece o prazo de
60 dias, a contar do recebimento da denúncia, para que a Justiça
eleitoral cobre as explicações, ouça os acusados e faça
o julgamento.
Respeito às regras
Crítico implacável do troca-troca partidário, Marco Aurélio
considera que o elevado número de ações em tramitação
no país – cerca de 8,5 mil – apenas reitera o acerto da
decisão do TSE, confirmada posteriormente pelo Supremo Tribunal Federal
(STF), em dar um basta à infidelidade partidária.
“ Isso demonstra o que era a nossa cultura de não se dar importância
ao partido que capitaneou a candidatura”, avalia. “A grande lição
que fica é que precisamos observar as regras jurídicas estabelecidas.
Só assim avançaremos também na ordem cultural. Às
vezes, os homens públicos priorizam a política em detrimento do
próprio direito”, completa o ministro.
“ Esta é a primeira e última vez que existem tantos processos.
O político sabe que, a partir de agora, terá de observar, de fato,
a fidelidade partidária”, observa o presidente do DEM. “As
circunstâncias políticas existem, mas não podem ser maiores
que a fidelidade partidária”, acrescenta Rodrigo Maia.
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Congresso em Foco, 21 de janeiro de 2008
A relação de processos
por estado
PR, PI e SP despontam em números.
Saiba quantos processos por infidelidade partidária a Justiça
eleitoral terá de examinar em cada unidade da Federação
Edson Sardinha
O levantamento feito pelo Congresso em Foco levou em consideração
as informações prestadas por todos os 27 Tribunais Regionais
Eleitorais (TREs) do país. Alguns deles admitem que o número
de ações possa ser ainda maior, já que nem todas as autuações
foram concluídas. A relação diz respeito ao número
de processos, já que, em alguns casos, o mesmo político é alvo
de mais de um processo de perda de mandato. Também estão incluídas
aí as 17 ações em análise no Tribunal Superior
Eleitoral (TSE).
Balanço parcial divulgado pelo TSE em 9 de janeiro mostrava que haviam
chegado à Justiça eleitoral, até 30 de dezembro, 6.296
pedidos de perda de mandato por infidelidade partidária (leia mais).
De lá pra cá, o número aumentou por causa da entrada de
novos processos e do acréscimo dos dados de cinco tribunais que, até então,
não dispunham de informações.
|
UF
|
Processos
|
|
AC
|
9
|
|
AL
|
132
|
|
AM
|
326
|
|
AP
|
47
|
|
BA
|
499
|
|
CE
|
553
|
|
DF
|
0
|
|
ES
|
240
|
|
GO
|
209
|
|
MA
|
290
|
|
MG
|
675
|
|
MS
|
91
|
|
MT
|
476
|
|
PA
|
137
|
|
PB
|
58
|
|
PE
|
249
|
|
PI
|
952
|
|
PR
|
1.080
|
|
RJ
|
220
|
|
RN
|
82
|
|
RO
|
78
|
|
RR
|
52
|
|
RS
|
142
|
|
SC
|
193
|
|
SE
|
400
|
|
SP
|
868
|
|
TO
|
520
|
|
TREs-total
|
8.578
|
|
TSE
|
17
|
|
Total
|
8.595
|
|
Congresso em Foco, 21 de janeiro de 2008
Freio jurídico ao troca-troca
Resolução do TSE admite
mudança partidária em apenas quatro circunstâncias
e prevê datas distintas para o início da fidelidade
conforme o cargo
Edson Sardinha
A fidelidade partidária começou a ganhar corpo em 27 de março
do ano passado, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) respondeu a uma
consulta formulada pelo DEM. Na ocasião, o tribunal firmou o entendimento
de que o mandato dos eleitos para cargos proporcionais pertence ao partido,
e não ao político eleito, e determinou à Câmara
que substituísse, pelos respectivos suplentes, os deputados que haviam
trocado de legenda.
Com a recusa da Câmara em atender à determinação
do TSE, o caso foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF). Em outubro, os
ministros da mais alta corte do país confirmaram a interpretação
da Justiça eleitoral, mas estabeleceram que só estariam sujeitos à perda
do mandato aqueles que mudaram de sigla, sem justa causa, após 27 de
março – data da decisão do Tribunal Superior Eleitoral.
A medida valia, portanto, para deputados federais, estaduais e distritais e
vereadores. Logo em seguida, a regra da fidelidade partidária foi estendida
pelo Judiciário aos eleitos para cargos majoritários – presidente,
vice-presidente, governador, vice-governador, prefeito, vice-prefeito e senador.
Nesse caso, porém, a data estabelecida como marco para a fidelidade
partidária foi 16 de outubro.
Por causa do calendário eleitoral, que prevê o prazo mínimo
de um ano de filiação para os interessados em disputar as eleições,
e da expectativa criada em torno da decisão do TSE para os cargos proporcionais,
poucos eleitos para cargos majoritários se aventuraram em trocar de
legenda.
Resolução baixada pelo TSE admite a mudança de legenda
em apenas quatro circunstâncias: quando há incorporação
ou fusão do partido, nos casos de criação de nova legenda,
mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário
e grave discriminação pessoal.
Prazos para as partes
Graças à resolução baixada pelo TSE, os partidos
políticos tiveram todo o mês de novembro para reivindicar o mandato
daqueles que trocaram de legenda entre 27 de março (eleitos para cargos
proporcionais) e 16 de outubro (eleitos para cargos majoritários) e
a data de publicação da norma, ou seja, 30 de outubro.
A partir de 30 de novembro, começou a contar o prazo para apresentação
dos pedidos de perda de mandato pelo Ministério Público Eleitoral
e pelos suplentes. O prazo para esses casos também seria de 30 dias.
Mas, por causa do recesso forense, que se estendeu de 20 de dezembro a 7 de
janeiro, os tribunais regionais eleitorais decidiram autuar todos os pedidos
apresentados até a primeira semana de 2008.
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Gazeta do Povo, 21 de janeiro
de 2008
POLÍTICA | FISCALIZAÇÃO
Sites negam detalhes sobre contas públicas
Lei de Responsabilidade Fiscal exige divulgação
de números
por KÁTIA CHAGAS
A Lei de Responsabilidade Fiscal obrigou os governantes a oferecer à sociedade
uma ferramenta para fiscalizar a aplicação do dinheiro público
através da internet, mas as principais prefeituras do Paraná estão
apresentando ao eleitor informações limitadas. Os municípios
cumprem apenas a exigência legal mínima, divulgando os relatórios
fiscais de cada bimestre, com as receitas e despesas.
Portal do PR é boa referência
O site do governo do estado www.gestaodinheiropublico.pr.gov.br pode ser considerado
um avanço em relação aos das prefeituras. Mostra as despesas
realizadas por todos os órgãos e secretarias da administração
direta e indireta, informações sobre como o orçamento
está sendo executado, pagamentos, licitações e convênios.
No portal de prestação
de contas, estão ainda os cargos em comissão, dados sobre
a execução de obras e a relação de funcionários
comissionados do governo. Por outro lado, não são especificados
que tipo de produto ou serviço está sendo pago, o número
da nota fiscal nem os critérios usados para a contratação
da empresa.
Outros dois sites do governo
apresentam dados sobre obras: www.foconaobra.pr.gov.br e www.pr.gov.br/compraspr/.
O Diário Oficial também tem sua versão on-line,
como no Ceará, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio Grande do
Sul e Tocantins. (KC)
A prestação de contas dos municípios de Curitiba, Ponta
Grossa, Londrina, Foz do Iguaçu e Cascavel é padronizada, mostrando
números de despesas correntes, gastos com pessoal, juros, encargos da
dívida, investimentos e demonstrativo das despesas por secretaria ou área.
Os dados obedecem o que manda a legislação, mas nenhuma informação
adicional é divulgada. Não há detalhamento sobre pagamentos
a fornecedores, compras ou contratação de empresas.
No site da prefeitura de Curitiba
www.curitiba.pr.gov.br, o relatório de gestão fiscal fica
escondido. É preciso clicar na janela “acesso rápido”,
selecionar “secretarias e órgãos”, em seguida “finanças” e
depois “contas públicas”.
O secretário de Finanças
de Curitiba, Luiz Eduardo Sebastiani, diz que o prefeito Beto Richa (PSDB)
tem todo o interesse em dar a maior divulgação possível
sobre os atos de seu governo e que o site deve ser reformulado.
Sebastiani acredita que a publicação
do relatório de gestão fiscal é suficiente para
oferecer ao cidadão transparência na gestão fiscal. “Não
adianta jogar na internet um monte de informação que não
diz nada, como valores de pagamentos que vão ser feitos no mês
seguinte.”
Para o secretário, os
ordenadores de despesas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário
tiveram que se adequar. Ele reconhece que os próprios municípios
precisam avançar mais, começando a medir os resultados
obtidos com os investimentos realizados.
Outros municípios
No site da prefeitura de Maringá,
sequer é publicado o relatório fiscal. Apenas constam o
orçamento municipal e a Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO). A explicação da assessoria de imprensa do prefeito
Silvio Barros (PP) é que foi criado recentemente um novo modelo
de site e que ainda não foi possível colocar no ar o “Portal
da Transparência”, que deverá oferecer dados sobre
as finanças do município.
Em Cascavel, o site não é atualizado
há sete meses. O último balancete financeiro foi publicado
em junho de 2007. Além disso, não há um caminho
direto para consultar a movimentação financeira da prefeitura. É preciso
clicar antes em “finanças” para se chegar às “contas
públicas”.
O assessor de comunicação
do prefeito Lísias de Araújo Tomé, Julio Cesar Fernandes,
disse não ter conhecimento da desatualização do
site, mas garantiu que a partir do próximo dia 16, quando acabam
as férias coletivas da prefeitura, os balancetes financeiros de
janeiro a dezembro de 2007 estarão disponíveis na internet. “Temos
obrigação de estar em ordem.”
No site da prefeitura de Ponta
Grossa, os balancetes não foram publicados a cada dois meses,
como prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal. Apenas o relatório
de gestão fiscal do quinto e do último bimestre de 2007
está disponível. Segundo a assessoria do prefeito Paulo
Wosgrau (PSDB), o município tinha pendências junto ao Tribunal
de Contas do Estado e decidiu não publicar os números.
Não constatada nenhuma irregularidade no julgamento das contas,
no final de dezembro, todos os relatórios devem ser publicados
nas próximas semanas.
Em Londrina, a prestação
de contas do petista Nedson Micheleti também deixa a desejar.
Não há nenhum atalho para se chegar às informações.
O site apresenta uma janela chamada “contas públicas”,
com ramificações para “balanço”, “orçamento”, “Lei
de Diretrizes Orçamentárias”, “Plano Plurianual” e “audiência
pública”. Mas, quem clicar em “balanço” – o
que seria mais lógico –, para ver os relatórios
de gestão fiscal, não vai encontrar o que procura. O
internauta só vai achar os números clicando em “Lei
de Responsabilidade Fiscal”. Se a intenção é ir
mais a fundo em “execução fiscal”, uma surpresa: “Sistema
indisponível”.
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Gazeta do Povo, 21 de janeiro
de 2008
POLÍTICA | FISCALIZAÇÃO
Transparência vira propaganda
No Brasil inteiro, virou uma “febre” prestar contas na internet
e anunciar transparência, mas na maioria das vezes, os administradores
apenas “fingem” que estão dispostos a mostrar para a sociedade
como estão gastando o dinheiro público. A avaliação é do
consultor em economia Gil Castello Branco, da ONG Contas Abertas, site que
divulga as receitas e despesas do governo federal. “Os dados são
despejados na internet, mas os gestores não prestam maiores informações”,
argumentou.
Se o governante estiver realmente
interessado em prestar contas da aplicação do dinheiro
da própria sociedade pela internet, precisa obedecer alguns critérios.
O site deve ter informações detalhadas, oferecer dados
atualizados, facilitar as respostas através de consultas rápidas
e abrir um canal para esclarecer dúvidas do internauta.
O gestor público pode
dificultar a busca de dados sobre os pagamentos feitos a uma determinada
empresa. “Se eu entrar no site da União e digitar um CNPJ,
terei tudo detalhado rapidamente sobre os pagamentos feitos por qualquer
ministério para a empresa. Se fizer o mesmo no site do Distrito
Federal, vou ter que colocar o CNPJ em cada secretaria e terei que fazer
cerca de 70 consultas para saber quanto a administração
direta e indireta pagou. E depois, ainda somar cada liberação
de dinheiro. Essa é uma forma de fazer o usuário desistir
da consulta”, avaliou Castello Branco.
Dados antigos
Outro problema comum nos
sites de prestação de contas públicas é a
falta de atualização dos dados. As últimas informações
orçamentárias do portal da transparência do governo
federal, por exemplo, são de novembro de 2007. Oferecer ao internauta
um meio para buscar maiores esclarecimentos sobre as operações
financeiras feitas pelo governo também é fundamental,
defende Castello Branco. (KC)
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Folha de São Paulo,
21 de janeiro de 2008
Senadores fazem na eleição
de 2008 campanha por 2010
Garibaldi e Tuma investem no interior de
seus Estados em busca de reeleição | Patrícia
Saboya trocou o PSB pelo PDT só para concorrer à Prefeitura
de Fortaleza; já Demóstenes Torres (DEM) diz que prefere
o Senado
ADRIANO CEOLIN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Senadores que pretendem se reeleger
em 2010 vão aproveitar a eleição municipal para
iniciar suas pré-campanhas. Cinqüenta e quatro cadeiras do
Senado estarão em jogo daqui a dois anos, mas o trabalho para
ficar na Casa (que alguns chamam de "céu" por conta
de suas mordomias) começa agora.
Apesar de pertencer à comissão representativa que comanda o Congresso
Nacional durante o recesso, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) tem viajado freqüentemente
pelo interior do Rio Grande do Norte. Até nos feriados de Natal e Réveillon,
ele esteve em cidades consideradas estratégicas para campanha eleitoral. "É muita
gente que pede. Agora, que virei presidente, tenho mais um motivo viajar",
disse.
Garibaldi, que acabou de assumir a presidência do Senado em 2007, não
será candidato a nada este ano, mas quer ficar perto do eleitorado. "Meu
desejo agora é permanecer mais oito anos no Senado. Eu gosto daqui",
afirma.
Em dezembro, Garibaldi reuniu-se em Brasília com a atual governadora,
Wilma Faria (PSB), e a senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN). A chapa dos sonhos
de Garibaldi é Rosalba como candidata ao governo, com ele e Wilma fazendo
dobradinha na disputa pelas duas vagas do Senado. Se o plano der certo, faltará lugar
para José Agripino Maia (DEM-RN), dono de uma das cadeiras.
Senador
e prefeito
Segundo o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, da Uerj (Universidade
Estadual do Rio de Janeiro), as eleições para prefeito e para
senador guardam uma grande semelhança pois ambas são majoritárias
-quem obtém mais votos é eleito. "A escolha do eleitor é mais
direta: para conseguir se eleger, um candidato ao Senado tem de conquistar
votos em todos os municípios", afirma Monteiro.
Por isso, diz o cientista político, as eleições municipais
servem de prévia para quem almeja disputar o Senado ou o governo estadual. "Os
deputados conseguem se eleger só com votos de uma determinada região",
afirma.
Migração
Senador por São Paulo por dois mandatos, que vão somar 16 anos,
Romeu Tuma quer disputar mais um em 2010. Sem espaço no DEM, ele migrou
para o PTB, onde conta com a ajuda do deputado estadual Campos Machado, presidente
estadual petebista, para retomar o contato com o eleitorado: "Já combinei
com o Campos. Vou viajar muito pelo interior em 2008". Na capital, Tuma
aposta suas fichas no filho, Robson, que será candidato a vereador.
Há também quem cogite disputar a eleição municipal,
como a senadora Patrícia Saboya (CE), que trocou o PSB pelo PDT só para
concorrer à Prefeitura de Fortaleza. Em 2000, ela já havia concorrido
ao cargo pelo PPS, mas não teve êxito.
Outros preferem manter distância da eleição. Com mandato
até 2015, Álvaro Dias (PSDB-PR) afirma que não irá se
envolver para não criar problemas. "Tenho de ter cautela. No Paraná,
o PSDB não tem tantos candidatos. Quero evitar um desgaste desnecessário",
afirma Dias, que deve ser candidato à sucessão do governador
Roberto Requião (PMDB).
Sondado para concorrer em Goiânia, Demóstenes Torres (DEM) disse: "Não
quero não. Prefiro ficar aqui no Senado".
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Folha de São Paulo, 21 de janeiro de
2008
Vaiado por sindicalistas, ministro
da Educação sai de encontro sem discursar
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro da Educação, Fernando Haddad, saiu vaiado anteontem
de um congresso de trabalhadores da educação, encerrado ontem
em Brasília.
A direção da Confederação Nacional dos Trabalhadores
em Educação diz que as vaias vieram de sindicalistas do PSTU
e PSOL, que acusam a entidade de governista. A maioria dos presentes aprovou
moção de repúdio ao protesto.
Acompanhado da filha, Haddad iria discursar no congresso, mas desistiu após
ouvir gritos de "fora já daqui" e deixou o Centro de Convenções
Ulysses Guimarães, onde foi eleita a nova diretoria da CNTE.
" Diante desse grupo hostil, nós e ele achamos melhor cancelar a
fala", disse Juçara Vieira, presidente da entidade, filiada à CUT.
Segundo ela, os militantes ficaram irritados porque, após a chegada do
ministro, diversos delegados foram tirar fotos com ele.
Eles diziam ainda que pessoas sem direito a voto no congresso não poderiam
falar. Haddad deveria ter participado da abertura do congresso, na quinta,
mas teve reunião com Lula.
Para Haddad, as vaias vieram de uma minoria: "O importante para o MEC é a
unidade da categoria em torno de suas bandeiras, e essa minoria vai sair derrotada
porque está isolada na sociedade".
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Diário Vermelho, 21
de janeiro de 2008
Congressistas propõem criar
28 novas universidades federais
Deputados e senadores apresentaram
em 2007, no primeiro ano da atual legislatura, 28 projetos de lei para
a criação de novas universidades federais, segundo levantamento
do G1. Atualmente, de acordo com o Ministério da Educação
(MEC), o país conta com 55 universidades federais.
O número, no entanto,
vai subir para 56, já que o presidente Lula e a governadora do
Pará, Ana Júlia Carepa, assinaram em dezembro de 2007 o
projeto que cria a Universidade Federal do Oeste do Pará, em Santarém.
Segundo o MEC, a nova universidade já está em implementação.
Se aprovados, os projetos apresentados
em 2007 no Congresso aumentariam em cerca de 50% o número de universidades
federais no país. Hoje, segundo o MEC, há 19 instituições
na região Sudeste, 14 no Nordeste, nove no Sul, oito no Norte
e cinco no Centro-Oeste.
O número de projetos apresentados em 2007 é superior ao de universidades
federais criadas no governo Lula. Desde 2003, foram criadas 12, incluindo as
faculdades que ganharam status de universidade, de acordo com a Secretaria
de Educação Superior (Sesu), do MEC.
Para o cientista político Francisco Fonseca, da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), os parlamentares apresentam grande número
de projetos desse tipo no ano passado porque há uma carência de
universidades públicas no país.
" Por mais que exista - e isso faz parte do jogo da democracia - o interesse
dos parlamentares em capitalizar ('olha, fui eu que ajudei a levar a universidade
'x' ou 'y' para determinado lugar'), o fato é que isso é uma carência
no Brasil", afirmou Fonseca.
Para o cientista político, "há uma necessidade de se ampliar
o número de universidades públicas e, conseqüentemente,
de vagas, porque elas não têm vagas suficientes para um número
cada vez maior de alunos que ingressam no ensino superior".
A Universidade Federal do Pampa foi a última ser sancionada por Lula,
no dia 11 de janeiro. No mesmo dia, Lula sancionou o projeto que transformou
a Faculdade Federal de Ciências Médicas em Fundação
Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
Instituições criadas no governo Lula
Sede
Universidade Federal do ABC (UFABC)
Santo André (SP)
Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (FUFCSPA)
Porto Alegre (RS)
Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL)
Alfenas (MG)
Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
Uberaba (MG)
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)
Diamantina (MG)
Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa)
Mossoró (RN)
Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
Curitiba (PR)
Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
Dourados (MS)
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
Cruz das Almas (BA)
Universidade Federal do Pampa (Unipampa)
Bagé (RS)
Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf)
Petrolina (PE)
Universidade Federal do Tocantins (UFT)
Palmas (TO)
Interiorização
O deputado Inocêncio Oliveira
(PR-PE) é o líder de propostas de criação
de universidades. São de autoria dele os projetos que criam em
Pernambuco as universidades federais do Agreste, em Caruaru; Rural da
Mata Norte, em Timbaúba; e Rural da Mata Sul, em Barreiros.
Em entrevista ao G1, Inocêncio defendeu a interiorização
da universidade pública federal. Segundo o parlamentar, "interiorizar
a universidade é condição fundamental para que se possa
gerar uma realidade no jovem que deseja uma oportunidade de emprego".
" Sou um defensor intransigente da interiorização da universidade
pública. Nós só vamos vencer nossas dificuldades e as grandes
desigualdades existentes entre o interior e a capital se nós investirmos
em educação", afirmou Inocêncio.
De acordo o deputado, esta é uma preocupação do próprio
presidente. "No primeiro mandato, Lula criou dez universidades federais
e 42 campus. Então, nota-se que o presidente está querendo interiorizar
a universidade pública", disse.
Fonte: G1
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Diário Vermelho, 21
de janeiro de 2008
Americanos começam a reclamar
dos tratados de livre comércio
Para não desagradar o
eleitorado, democratas e republicanos cogitam renegociar tratados de
livre comércio como o Nafta, com o México e Canadá.
Em quase todas as esquinas do país, os votantes estão enviando
a mensagem de que desejam uma outra visão em relação
aos tratados, já que as promessas com que se promoveram acordos
como o Nafta não se têm cumprido. Ao contrário, se
tem perdido milhares de empregos e se tem desatado uma pressão
para a diminuição dos salários.
Nos EUA, candidatos criticam acordo de livre comércio
Todos os pré-candidatos presidenciais democratas e alguns republicanos
estão se vendo obrigados a expressar suas dúvidas e prometer
a renegociação do Tratado de Livre Comércio de América
do Norte (Nafta, na sigla em inglês) e outros acordos parecidos devido
ao crescente repúdio entre o eleitorado a esses pactos.
Desde o ano passado, nos foros de Iowa e Chigago, os pré-candidatos
democratas criticaram este e outros acordos de livre comércio. Até a
esposa do homem que promulgou o tratado quando era presidente, Hillary Clinton,
declarou em agosto: “está sendo dito, durante anos, que o Nafta
e a forma como foi implementado prejudicou muitos trabalhadores estadunidenses”.
Desde então, circula a proposta de suspender temporariamente toda futura
negociação de comércio, além de reavaliar os existentes,
como o da América do Norte (com México e Canadá).
Nesse mesmo foro, em agosto, Barack Obama declarou que ao chegar na Casa Branca “de
imediato conversaria com os presidentes do México e do Canadá para
retificar o Nafta, porque creio que podemos obter acordos trabalhistas com
esse tratado agora mesmo”.
John Edwards afirmou que o dito convênio “necessita ser reparado”.
Em uma volta por Iwoa, no ano passado, manifestou: “necessitamos assegurar
que o comércio não seja somente bom para a economia e os trabalhadores
dos Estados Unidos, senão também seguro para as famílias.
As famílias deveriam ser mais importantes que os interesses das empresas
multinacionais”. Em seus discursos, Edwards tem mencionado que presidentes
de ambos partidos vêm promovendo acordos, como o Nafta, “prometendo
que generariam milhões de empregos”, mas “muitos pactos
nos têm custado empregos e devastado muitos povos”.
Anulação
Alguns candidatos democratas prometem medidas ainda mais radicais. Dennis Kucinich,
por exemplo, diz que se for eleito, anulará o Nafta. Em fins de dezembro,
quase todos os pré-candidatos responderam um quetionário de Iowa
Fair Trade Campaign aos sindicatos, que solicitavam suas posicições
sobre o comércio. Todos reiteraram suas posturas de reavaliar e renegociar
acordos como el TLCAN, e mudar as políticas comerciais no futuro para
dar prioridade aos direitos trabalhistas e às normas ambientais (as
respostas podem ser vistas em www.iowafairtrade.org).
Os republicanos também estão tendo que responder a uma opinião
pública que reprova por dois a um nas pesquisas o livre comércio
com outros países, por considerar que há conseqüências
negativas para a economia e os trabalhadores dos Estados Unidos. Mike Huckabee,
que figura entre os mais favorecidos nas pesquisas, tem declarado posições
como “não quero ver o nosso alimento vindo da China, nosso petróleo
de Arábia Saudita e nossas manufaturas da Europa e Ásia”.
Mitt Romney, outro dos principais pré-candidatos republicanos – partido
que defende as virtudes do livre comércio –, se viu obrigado a
comentar que deseja negociar melhores acordos para assegurar melhores condições
para os trabalhadores estadunidenses. O economista Mark Anderson, que fez parte
da equipe que liderou as negociações da central operária
AFLCIO (que se opôs à Nafta) com o governo de Bill Clinton e o
Congresso durante o debate para aprová-lo e promulgá-lo), declarou: “os
pré-candidatos estão se manifestando porque estão escutando
uma ampla gama de estadunidenses prejudicados ou que se sentem ameaçados
pelos acordos que beneficiam somente as transncionais”.
Em quase todas as esquinas do país, os votantes estão enviando
a mensagem de que desejam “que os pré-candidatos assumam uma outra
visão em relação a tudo isto, já que as promessas
com que se promoveram acordos como o Nafta não se têm cumprido.
Ao contrário, se tem perdido milhares de empregos e se tem desatado
uma pressão para a diminuição dos salários”,
destacou.
Alerta na Corte
Esse coro dos pré-candidatos sobre o tema tem chegado a tal nível,
que vem alarmando alguns defensores do livre comércio. O “The
New York Times” publicou um editorial no mês passado, no qual advertiu: “seria
azar para os Estados Unidos que o ganhador da eleição de 2008
eleve o ceticismo contra o comércio utilizando uma cápsula retórica
em direção a uma nova onda de política protecionista”.
O maior jornal do país afirmou que o obstaculizar o livre mercado “prejudicaria
mais gente do que ajudaria”. O editorial reiterou todos os argumentos
já conhecidos sobre os benefícios deste para o crescimento econômico
e as oportunidades e beneficios que oferece tanto para produtores como para
consumidores.
Mas a opinião pública – com margem de dois contra um em
diversas pesquisas nacionais (CNN, NBC News e Los Ángeles Times, entre
outras realizadas em fins do ano passado) – continua expressando que
o livre comércio vem tendo um efeito negativo para a economia estadunidense.
Talvez ainda mais surpreendente é que, segundo uma pesquisa do Wall
Street Journal em outubro de 2007, os votantes republicanos crêem que
o livre comércio vem tendo efeitos ruins por uma margem igual de dois
contra um.
Isso explica que apesar da insistência dos promotores do livre mercado – entre
eles a Câmara de Comércio, várias instituções
econômicas, economistas de renome e políticos, desde Bill Clinton
até George W. Bush – de que é uma das chaves para a prosperidade
e requisito de um mundo “democrático” e “globalizado”,
nunca conseguiram convencer a população desta afirmação,
desde quando se negociava o Nafta, há 13 anos, e hoje, depois de sua
implementação.
Apenas promessa?
Supõe-se que os políticos que buscam a presidência – como
quase todos os demais– dizem coisas durante suas campanhas que depois
não cumprem. Vários observadores assinalam que muitas dessas
declarações foram destinadas a setores eleitorais particulares,
como sindicatos, pequenos granjeros e outros grupos afetados negativamente
pelo comércio. E não sobra assinalar que vários desses
políticos promoveram e até votaram a favor de muitos pactos comerciais.
Alguns opositores ao livre mercado recordam que o Nafta e às negociações
dentro da Organização Mundial de Comércio (OMC), entre
outras, foram promovidas não por republicanos, senão pelos presidentes
democratas, que também, durante suas campanhas eleitorais, haviam expressado
suas críticas – como o próprio Bill Clinton.
Mas o fato é que se são sinceros ou não em suas críticas,
esses pré-candidatos se vêem obrigados pela opinião pública
e forças políticas nas eleições a criticar o Nafta
e outros convênios parecidos, prometendo que buscarão mudá-los
de alguma maneira.
Essa pressão para criticar a política comercial só se
incrementará com a elevação em primeiro nível do
tema econômico nas eleições. Diante do que alguns consideram
uma crise e uma torrente de notícias execráveis sobre a condição
da economia nacional, tanto forças conservadoras como liberais dirigiram
parte da culpa ao livre comércio. Isso dificultará o trabalho
de todo aspirante à Casa Branca que se atreva a defender o livre comércio
ante a um povo que percebe menor taxa de emprego, mais importações,
menos investimentos e mais migração de outros países que
têm promovido as mesmas políticas comerciais, como o México.
Fonte: La Jornada
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Folha de São Paulo,
21 de janeiro de 2008
Gasto com seguro-desemprego cresce
21% e bate recorde em 2007
Apesar do aumento na criação
de vagas formais, rotatividade da mão-de-obra eleva despesa
com seguro, que atinge R$ 12,5 bi e beneficia 6 milhões de
pessoas
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
No ano recorde da geração
de emprego formal, os gastos com pagamento de seguro-desemprego também
registraram o maior valor da história. Dados obtidos pela Folha
mostram que, em 2007, a despesa com o benefício atingiu R$ 12,495
bilhões -o que representa um aumento de 21% em relação
ao ano anterior.
De acordo com as informações do Ministério do Trabalho,
6,052 milhões de trabalhadores foram beneficiados no ano passado com
o seguro. Em 2006, foram 5,742 milhões de pessoas. A maioria delas teve
média salarial de até três salários mínimos
(R$ 1.140), era do sexo masculino e tinha idade entre 25 e 39 anos.
Houve concentração do pagamento entre trabalhadores com segundo
grau completo. Além disso, os três setores da economia que reuniram
o maior número de trabalhadores contemplados com o benefício
foram serviço, comércio e indústria -que também
foram os maiores responsáveis pela geração de postos formais
no ano passado.
O aumento nos gastos com o seguro-desemprego está estreitamente ligado
ao crescimento do mercado de trabalho formal. Como o Brasil é um país
com alto índice de rotatividade da mão-de-obra, o elevado saldo
de contratações significa que um número expressivo de
trabalhadores entrou no mercado, mas uma parcela também significativa
saiu. Em 2007, 14,3 milhões de pessoas foram admitidas, e 12,7 milhões,
demitidas.
No ano passado, o valor médio pago aos trabalhadores foi 1,3 salário
mínimo -R$ 494. Em proporção do salário mínimo,
esse foi o menor índice dos últimos anos. A média paga
desde 2000 foi 1,39 salário mínimo. Uma justificativa para isso,
afirmam técnicos, é a política de aumento real do salário
mínimo.
O seguro-desemprego é pago a trabalhadores que foram demitidos sem justa
causa. O benefício varia de três a cinco parcelas, dependendo
do tempo em que o trabalhador permaneceu no emprego. O menor valor a ser pago é um
salário mínimo (R$ 380). O máximo está em R$ 710,97.
O trabalhador não pode estar em gozo de nenhum benefício previdenciário
para ter direito ao seguro-desemprego. As exceções só valem
para auxílio-acidente e pensão por morte.
Saúde
do FAT
Os recursos para o pagamento do seguro-desemprego são provenientes do
FAT (Fundo de Amparo do Trabalhador), que é mantido com a receita do
PIS/Pasep. Além do amparo ao desempregado, o fundo custeia o pagamento
do abono salarial -que é conhecido como 14º salário.
O aumento dessas despesas começa a despertar preocupação
e vem fazendo o fundo registrar resultados negativos nos últimos anos.
Com isso, sobra menos dinheiro para o desenvolvimento econômico -leiam-se
investimentos das empresas e aplicação em programas de geração
de emprego e renda.
Dos recursos do FAT, 60% são destinados ao pagamento dos benefícios
(seguro-desemprego e abono salarial) ou vão para o treinamento e intermediação
de mão-de-obra. Os 40% restantes são destinados ao BNDES (Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para o financiamento
de projetos.
Desvinculação
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, chegou a ensaiar uma disputa com a equipe
econômica para acabar com a desvinculação de receitas do
fundo, mas sem sucesso. Hoje, 20% do que é arrecadado com o PIS/Pasep
entra na chamada DRU (Desvinculação de Receitas da União).
Esse dinheiro o governo pode gastar livremente.
Lupi também pretendia vincular o pagamento do seguro-desemprego à inclusão
do trabalhador em programas de qualificação. A idéia não
prosperou porque exigiria mudanças legais. Fora isso, os recursos do
FAT não seriam suficientes para bancar o treinamento dos trabalhadores.
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ÂMBITO JURÍDICO,
21 de janeiro de 2008
Inexistência de vínculo
de emprego não afasta pretensão de dano
Mesmo sem o reconhecimento do vínculo de emprego, o trabalhador pode
pleitear indenização em caso de acidente de trabalho. Essa foi
a decisão dos Juízes da 6ª Turma do Tribunal Regional do
Trabalho da 4ª Região, que responsabilizaram a Rede Grazziotin
S/A por acidente no qual uma parede desabou e vitimou trabalhador que prestava
serviço para a empresa.
A vítima trabalhava como servente em obra de responsabilidade da Grazziotin,
no município de São Gabriel, sem carteira de trabalho assinada.
O Juízo da Vara do Trabalho do município entendeu que, para responsabilização
da Grazziotin, deveria haver vínculo de emprego. O Tribunal, no entanto,
deu provimento ao recurso do trabalhador contra a sentença.
Para o Relator do processo no Tribunal, Juiz Marçal Henri Figueiredo,
o fato de não ter sido reconhecido o vínculo com a Grazziotin
não inibe a pretensão de indenização por dano moral
e lucros cessantes. “O que importa, no caso, é que a prestação
de trabalho e o acidente que vitimou o trabalhador são incontroversos”,
declara o Juiz no acórdão. O magistrado conclui que, sendo a
Grazziotin dona da obra onde ocorreu o acidente, ela é a responsável
pela reparação do dano.
O Tribunal condenou a empresa ao pagamento de indenização por
dano moral e estético no valor de R$ 50 mil, mais pensão mensal
vitalícia equivalente a um salário mínimo nacional. (00442-2007-861-04-00-4
RO)
Fonte: TRT4
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ÂMBITO JURÍDICO,
21 de janeiro de 2008
Bancário acometido por LER
aos 39 anos será indenizado
Um bancário que foi afastado do trabalho aos 39 anos de idade por apresentar
Lesão por Esforço Repetitivo (LER) irá receber indenização
de R$ 300 mil por danos moral e material, a ser paga pelo banco em que atuava.
A decisão foi tomada pela
2ª Turma do TRT de Mato Grosso ao julgar recurso ordinário
apresentado pela instituição bancária, que pretendia
se livrar da condenação imposta em agosto do ano passado
pelo juiz Alex Fabiano de Souza, em atuação na 9ª Vara
do Trabalho de Cuiabá.
Empregado do banco desde 1984,
o trabalhador encontra-se afastado pelo INSS desde 2003, recebendo auxílio-doença
por conta de lesões no ombro, punhos e mão.
Ao apresentar sua defesa aos
desembargadores, o banco afirmou que a diminuição da capacidade
física do bancário não se deve às atividades
que desempenhava, uma vez ele jamais teria trabalhado com digitação
contínua. Portanto, faltaria ao caso a ligação entre
a enfermidade do trabalhador e as atividades por ele desenvolvidas, o
chamado nexo de causalidade. Sem isso, estaria ausente um dos requisitos
para a caracterização da culpa subjetiva do banco e, por
conseqüência, o dever da instituição bancária
de arcar com indenizações ao trabalhador.
Entretanto, os membros da 2ª Turma
do TRT acompanharam voto da relatora, desembargadora Leila Calvo, que
entendeu que tanto os depoimentos de testemunhas quanto os documentos
existentes no processo (entre os quais seis atestados médicos,
CATs e resultados de perícias realizadas pelo INSS) comprovam
a existência da doença e a relação entre essa
e as tarefas que eram executadas pelo trabalhador.
Sobre esta questão, também
o perito indicado pela Justiça do Trabalho informa em seu laudo
que há nexo causal do trabalho com a doença e que não
há possibilidade de reversão do quadro para recuperação
da aptidão normal de trabalho.
Quanto à culpa do banco,
a desembargadora avaliou que ela é indiscutível tanto nos
depoimentos de testemunhas indicadas pelo bancário quanto pelo
banco. "No caso dos autos, ficou comprovado que o Banco não
tomava as providências necessárias como implantação
de ginástica laborativa, concessão de intervalo para os
digitadores, alternância nas atividades prestadas pelos trabalhadores,
a fim de evitar que seus funcionários adquirissem doença
do trabalho, porquanto cabia ao Reclamado propiciar a seus trabalhadores
boas condições no ambiente de trabalho".
Por fim, foi mantida a condenação
de R$ 200 mil por dano material, levando em conta estar o trabalhador
inabilitado para o exercício das mesmas funções
que desempenhava, a dificuldade de reinserção no mercado
devido as seqüelas e aos gastos que ele ainda terá por causa
da doença, já que necessita de medicamentos e fisioterapia.
Quanto ao dano moral, a relatora
considerou patente a sua existência, entretanto reduziu o valor
da indenização fixado inicialmente em R$ 150 mil para R$
100 mil, montante que a 2ª Turma entendeu como razoável e
proporcional ao agravo.
(Processo 01513.2006.009.23.00-3)
Fonte: TRT23

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