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Agência
Brasil, 24 de janeiro de 2008
Quatro em cada dez trabalhadores do
mundo são pobres, revela OIT
Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Quatro em
cada dez trabalhadores do mundo são pobres, segundo diagnóstico
da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Das
3 bilhões de pessoas empregadas, 1,3 bilhão ganha até US$
2 diários e 489,7 milhões ganham menos de US$ 1 por
dia.
Os números constam no relatório Tendências Mundiais do Emprego,
divulgado hoje (23) pela OIT. O número de desempregados, segundo a organização,
chegou a 189,9 milhões em 2007.
“Para reduzir no longo prazo o número
de desempregados e de trabalhadores pobres, é indispensável
que em períodos de alto crescimento sejam adotadas medidas
para criar mais emprego produtivo e trabalho decente”, recomenda
a organização.
De acordo com o relatório, o nível de emprego se manteve estável
em 2007 graças ao crescimento de 5,2% no Produto Interno Bruto (PIB)
mundial. Foram criados 45 milhões de novos postos, um crescimento de
1,6% em relação a 2006. O setor de serviços foi o que
mais empregou em 2007: 42,7% da força de trabalho. Em segundo lugar
vem a agricultura, com 34,9% das vagas. A indústria representou 22,4%
dos empregos.
A taxa mundial de desemprego permaneceu em 6%, embora o número de desempregados
tenha aumentado em 2,9 milhões. Na América Latina e Caribe, porém,
o desemprego é maior: atingiu 8,5% da população em 2007.
O perfil do emprego também é diferente da média mundial.
A região apresenta a maior concentração no setor de serviços,
que responde por 58,9% do emprego. Em segundo lugar vem a indústria,
com 20%, e, por último, agricultura, com 18,6% da força de trabalho.
De acordo com a OIT, a região é a única que registra crescimento
do emprego vulnerável. Entre 1997 e 2007, o índice de trabalhadores
nesta categoria subiu de 31,4% para 33,2%.
“ Isso indica que os postos de trabalho criados no setor de serviços
são inseguros, provavelmente mal-remunerados, e que as condições
de trabalho são insatisfatórias”, diz o relatório.
No setor de serviços, 74,8% dos trabalhadores são mulheres. “É provável
que entre as mulheres tenha aumentado o emprego vulnerável. Talvez a única
vantagem paralela esteja no fato de que deixaram de trabalhar na agricultura
como familiar não remunerado para converterem-se em trabalhadoras por
conta própria no setor de serviços”, pondera a OIT. Na
região, 25,4% dos trabalhadores ganham até US$ 2 diários
e 8% recebem menos de US$ 1 por dia.
A OIT também faz previsões para 2008. Acredita que as turbulências
causadas pela crise no setor de financiamento de moradia nos Estados Unidos
e a persistente alta do preço do petróleo podem resultar em 5
milhões de novos desempregados já em 2008, o que elevaria a taxa
de desemprego para 6,1%. Ainda assim, devem ser criados cerca de 40 milhões
de postos de trabalho este ano.
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UOL ECONOMIA, 24 de janeiro
de 2008
Salário melhora, mas trabalhador
ainda ganha menos que em 2002
RIO - A recuperação
do rendimento médio real dos trabalhadores ainda não foi
suficiente para que o indicador retomasse o nível registrado em
2002. De acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada hoje
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o
rendimento médio entre março e dezembro do ano passado
foi de R$ 1.145,08, ou 5% abaixo dos R$ 1.205,39 observados em igual
período de 2002.
"A recuperação
do rendimento foi forte, mas ainda não conseguiu recuperar as
perdas desde 2002. Pelas indicações da pesquisa, é possível
que em 2008 o trabalhador recupere o nível de rendimento de 2002 " ,
pondera o gerente da PME, Cimar Azeredo, lembrando que a comparação
com 2002 só pode ser feita entre março e dezembro, já que
em março daquele ano é que teve início a série
histórica com a nova metodologia da PME.
Na comparação entre
anos fechados, o rendimento em 2007 avançou 7,7% em relação
ao registrado em 2003. Entre as seis regiões metropolitanas pesquisadas
pelo IBGE, os maiores destaques no período foram Belo Horizonte,
com alta de 10% no rendimento, e o Rio de Janeiro, com crescimento de
9,8%. No sentido oposto, o pior desempenho foi de São Paulo, onde
o rendimento médio real cresceu apenas 6,6% entre 2003 e 2007.
A entrada de um maior número
de pessoas no mercado de trabalho contribuiu ainda para um avanço
de 12,7% do rendimento médio real domiciliar per capita entre
2003 e 2007. Mais uma vez, sobressaíram-se Belo Horizonte, com
alta de 18,6%, e Rio de Janeiro, com 13,1%. O pior desempenho foi de
Recife, com crescimento de apenas 6% no rendimento domiciliar per capita.
Em dezembro do ano passado, o
rendimento médio real da população ocupada subiu
0,9% em relação a novembro do mesmo calendário,
para R$ 1.164. Em comparação com dezembro de 2006, a alta
foi de 2,3%.
(Rafael Rosas | Valor Online)
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UOL ECONOMIA, 24 de janeiro
de 2008
Desemprego médio em 2007 é de
9,3%, menor taxa em cinco anos
Da Redação
Em São Paulo
A taxa média de desemprego em 2007 foi
de 9,3%, menor percentual já registrado da série de pesquisas,
iniciada em 2002. Em dezembro houve outro recorde: a desocupação
ficou em 7,4%, ante 8,2% em novembro e 8,4% em dezembro do ano anterior.
Os dados foram divulgados nesta
quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A pesquisa abrange seis regiões: Recife, Salvador, Belo Horizonte,
Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

O número de pessoas com emprego em dezembro (21,4 milhões) teve
uma queda de 0,3% em relação a novembro e uma alta de 3% sobre
um ano antes. A quantidade de pessoas sem emprego caiu 10,9% em relação
a novembro e 9,5% em comparação com dezembro de 2006.
Um dos destaques de 2007 na pesquisa
foi o trabalho formal. O número de trabalhadores com carteira
assinada cresceu 7% entre dezembro de 2006 e o mesmo mês do ano
passado.
O setor em que houve maior crescimento
de emprego, na classificação do IBGE, foi o de comércio,
reparação de veículos automotores e de objetos pessoais
e domésticos e comércio a varejo de combustíveis.
O emprego nesse segmento subiu 2,7% sobre novembro e 4,4% sobre dezembro
de 2006.
Renda
O rendimento médio real habitual dos ocupados foi de R$ 1.163,90 em
dezembro, alta de 0,9% sobre o mês anterior e 2,3% sobre um ano antes.
A renda familiar do brasileiro per capita foi de R$ 741,2, mesmo nível
verificado em novembro e 3,7% maior que em dezembro do ano passado.
Relativamente ao penúltimo
mês do ano passado, das seis regiões metropolitanas pesquisadas,
viu-se acréscimo em Salvador e São Paulo, de 1,4% e 2,9%,
respectivamente. Em contrapartida, o rendimento caiu em Belo Horizonte
(-3,8%) e Rio de Janeiro (-0,5%). Nas outras duas áreas investigadas
- Recife e Porto Alegre - notou-se estabilidade.
Na base mensal, os trabalhadores
com carteira de trabalho assinada no setor privado tiveram aumento de
0,7% no rendimento médio, para R$ 1.120,30. Os empregados sem
carteira de trabalho assinada no setor privado tiveram rendimento médio
de R$ 812,7, com elevação de 7,8%. Os trabalhadores por
conta própria ficaram com a renda 0,7% maior, de R$ 968,5. Militares
ou funcionários públicos viram acréscimo de 1,6%
no rendimento médio, para R$ 2.063,90.
Em comparação a
dezembro de 2006, houve recuperação de 1,4% no rendimento
dos trabalhadores com carteira assinada. Os trabalhadores sem carteira
ficaram com renda 12,1% mais alta e os trabalhadores por conta própria
verificaram aumento de apenas 0,5%. Os militares e servidores públicos
tiveram alta de 6,3%.
(Com informações do
Valor Online)
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CONSULTOR JURÍDICO,
24 de janeiro de 2008
Relação de emprego
Juiz do Trabalho julga ação
de aposentado contra banco
A competência para julgar ações que envolvam a complementação
de pensão ou de proventos de aposentadoria é da Justiça
do Trabalho. Com base nessa fundamentação, a ministra do Supremo
Tribunal Federal, Ellen Gracie, negou o pedido de liminar apresentado pelo
governo de São Paulo. No processo, aposentados do Banco Nossa Caixa
se insurgem contra a transferência de sua folha de pagamentos para a
Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e contra o desconto de
11% a título de contribuição previdenciária sobre
seus proventos.
Segundo Ellen Gracie, a complementação
da aposentadoria discutida nos autos é resultado direto da relação
empregatícia entre os reclamantes e o Banco Nossa Caixa. Em sua
decisão, cita a fundamentação do juiz da 37ª Vara
do Trabalho de São Paulo.
O governo paulista contestou
a sentença do juiz, que reconheceu a competência da Justiça
trabalhista para processar e julgar a demanda. O Executivo argumenta
que a sentença atenta contra decisão do Supremo na ADI
3.395, que afastou da Justiça do Trabalho o julgamento de causas
entre o Poder Público e seus servidores, tendo por base vínculo
de ordem estatutária ou jurídico-administrativa.
Ainda segundo o juiz do Trabalho,
o Banco Nossa Caixa teve seu regime jurídico inicial alterado
para o de sociedade anônima pela Lei 10.430/71. Naquela oportunidade,
os servidores tiveram a possibilidade de optar pelo regime celetista
ou pela permanência no regime estatutário. Assim, o banco
passou a contratar pessoal, a partir daquela transformação,
somente em regime celetista. O seu corpo funcional passou a ser composto
por estatutários puros, estatutários que optaram pelo regime
da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e celetistas
puros.
Na sentença, o juiz do
Trabalho recorda que os autores do processo na Justiça trabalhista
fazem parte do segundo grupo, que optou pelo regime de CLT. E o Decreto
Estadual 7.711/76 concedeu a eles o direito a aposentadoria integral.
Portanto, afirma ele, não há controvérsia quanto
a esta complementação. A controvérsia gira em torno
da transferência do pagamento e à possibilidade de desconto
previdenciário de 11%.
Na sentença, o juiz também
afirma que o banco instituiu o pagamento de complementação
de aposentadoria a seus empregados enquanto ainda vigorava o contrato
de trabalho dos autores da ação, ao passo que o Economus
- Instituto de Seguridade Social era responsável pela concessão
do benefício. E a Fazenda do Estado assumiu a obrigação
de pagar a parcela cabível ao banco, enquanto o Economus continuou
responsável pela maior parcela das complementações
devidas aos aposentados.
“A complementação
de aposentadoria tem, portanto, natureza privada, e a alteração
da administração e processamento de folha de pagamento
não tem o condão de alterar essa natureza”, afirma
o juiz do Trabalho na sentença, citada pela presidente do STF
em sua decisão. “Trata-se de contratos de trabalho regidos
pela CLT, de acordo com a opção feita em 1971, sendo incabível
a modificação do pagamento, tendo em vista o previsto no
artigo 468 da CLT.”
O artigo mencionado somente admite
modificação de contrato individual mediante mútuo
consentimento e desde que a alteração não traga
prejuízo ao empregado.
RCL 5.698
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
24 de janeiro de 2008
Vendedor que foi isolado na empresa
deve ser indenizado em R$ 10 mil
Impedido de realizar suas atividades habituais durante o período do
aviso prévio, um vendedor ingressou na Justiça pleiteando danos
morais contra uma empresa que fabrica e vende produtos siderúrgicos.
A 5ª Câmara do TRT
(Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região (Campinas)
manteve, em votação unânime, a condenação
da empresa, que deve indenizar o funcionário em R$ 10 mil.
Segundo informações
do tribunal, o autor foi colocado em uma sala na qual permanecia sozinho
a maior parte do tempo, sem qualquer atividade. Ele não podia
nem mesmo se comunicar por telefone. Em primeira instância, a Vara
do Trabalho de Bebedouro (município da região de Ribeirão
Preto, a 290 quilômetros de Campinas) havia deferido a indenização
R$ 20 mil. No entanto, o colegiado modificou a sentença, reduzindo-a.
Para a relatora do acórdão
no TRT, juíza Ana Paula Pellegrina Lockmann, ao ser impedido de
trabalhar o vendedor foi tratado “como se tivesse se tornado um ‘pária’ na
empresa, privado de todo e quaisquer direitos”. No entendimento
da magistrada, a indenização por danos morais representa
uma forma de compensação “pela dor e sofrimento íntimos
causados” ao autor.
Solidão
No recurso, a empresa alegou que houve apenas a transferência do autor
de uma sala para outra, na qual ele continuou a exercer, segundo a empresa,
suas funções de vendedor, inclusive na companhia de vários
colegas.
Mas o trabalhador afirmou, na
petição inicial, que foi “achincalhado” pelo
proprietário da empresa, ao se recusar a assinar o recibo de uma
nota fiscal de vendas. Segundo o autor da ação, seu ex-patrão
teria lhe indagado: “Quem você pensa que é para não
cumprir as determinações?” e, na seqüência,
ofendido o vendedor com palavras de baixo calão.
Depois disso, o funcionário
foi suspenso por três dias. Posteriormente, entrou em férias
e voltou a trabalhar. Mas, ao retornar à empresa, recebeu o aviso-prévio.
O trabalhador afirmou que, durante o período relativo ao aviso, “foi
transferido de sua mesa para outro local de trabalho, sendo proibido
de fazer qualquer venda”.
Garantiu que foi impedido de
falar ao telefone e de conversar com outras pessoas, ficando instalado
numa mesa “com vista para o relógio de parede”. Sua
rotina de trabalho, a partir daí, estaria limitada a “vigiar
o relógio”, conforme lhe ordenou o proprietário da
empresa, assegurou o autor.
A transferência de local
de trabalho, observou a relatora, foi confirmada pelo próprio
preposto da reclamada. Segundo ele, durante o aviso prévio o autor
foi deslocado para trabalhar noutro setor, também de vendas, com
atividades normais, mas sem relacionamento direto com o público/freguês.
O preposto admitiu que o reclamante não recebeu comissões
no período de aviso prévio “porque não participou
de vendas”.
Confessou também que,
na parte da tarde, durante o aviso, o trabalhador permanecia sozinho
na sala para a qual foi transferido. “A confessada alteração
das atividades do autor, justamente no período do aviso prévio,
por si só já causa uma certa ‘estranheza’”,
reagiu a juíza, esclarecendo que a empresa não apresentou
nenhum motivo que justificasse a mudança, como, por exemplo, “uma ‘reestruturação’ de
funcionários da empresa, um acúmulo extraordinário
de serviços no outro setor etc”, observou a magistrada.
Mas o depoimento das testemunhas
apresentadas pelo autor reforçaram ainda mais a convicção
da relatora quanto à ocorrência do dano moral alegado por
ele. As duas testemunhas confirmaram que, no retorno das férias,
o vendedor foi designado para uma sala diversa da qual trabalhava, local
onde permanecia sentado à mesa, sem atividade nenhuma. Quando
muito, como assinalou a primeira testemunha, ele auxiliava os outros
vendedores, o que nem sempre ocorria. Segundo ela, o vendedor somente
podia atender ligações telefônicas se não
houvesse nenhum outro funcionário na sala.
Para a primeira testemunha, as
circunstâncias enfrentadas pelo autor da ação no
período do aviso prévio foram uma espécie de pena,
de castigo. A outra, por sua vez, assegurou que, embora passasse diariamente
pelo local onde o vendedor cumpriu o aviso prévio, jamais o viu
usando o computador ou o telefone durante esse período. Confirmou
também que, à tarde, na maioria das vezes, o reclamante
permanecia sozinho na sala.
“O reclamante foi realmente
impedido de realizar suas atividades habituais, durante o período
do aviso prévio, sem qualquer justificativa por parte da reclamada,
ou melhor, com o único intuito de perseguição e
retaliação”, concluiu a magistrada, para quem a atitude
tomada pela empregadora “ultrapassou os limites de seu poder de
mando para traduzir verdadeira agressão ao ser humano”.
No que concerne aos xingamentos
por parte do proprietário da empresa, no entanto, a Câmara
mais uma vez seguiu o voto da juíza e repeliu as alegações
do reclamante, porque nenhuma das testemunhas “fez qualquer referência
a respeito”, conforme detalhou a relatora.
Recurso Ordinário
0437-2006-058-15-00-2
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Agência Câmara,
24 de janeiro de 2008
Lula cobra de ministros maior diálogo
com o Congresso
Na primeira reunião ministerial do ano, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva cobrou de sua equipe uma melhor relação com o Congresso
Nacional. Para ele, é fundamental que os ministros articulem suas ações
com os partidos políticos.
Na reunião desta quarta-feira,
no Palácio do Planalto, Lula avaliou que é preciso melhorar
também o diálogo entre os ministros sobre as ações
de governo. Na véspera, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
reuniu-se com o presidente do Congresso Nacional, Garibaldi Alves Filho.
Segundo Mantega, o encontro serviu para estabelecer uma pauta de trabalho
conjunta. "Podemos acelerar a tramitação dos projetos
que são de interesse do Legislativo e do Executivo. É uma
modalidade de trabalho. Eu me pus à disposição do
presidente para que ele me convoque para reuniões com a Mesa,
reuniões com líderes, para que a gente possa dar mais agilidade à tramitação
dos projetos que interessam ao País", assinalou o ministro.
Descrédito
Descrente da fala de Lula, o líder do DEM na Câmara, deputado
Onyx Lorenzoni (RS), afirma que a relação que o governo busca
com o Congresso é de submissão. E não acredita que essa
realidade vá mudar. "O Governo Lula se mede muito provavelmente
por pesquisas de opinião. Em algum momento identificaram isso e mandaram
o presidente falar uma coisa desse tipo. Mas é evidente que quem governa
abusando das medidas provisórias, como ele faz, demonstra com os atos
que a sua convicção é completamente diferente das suas
palavras."
Já o líder do governo
na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), que participou da
reunião ministerial, disse que a base para o diálogo com
o Congresso serão os resultados políticos, econômicos
e sociais deste governo. "Temos sempre que melhorar o diálogo,
melhorar nossa capacidade de negociação e o nosso critério
fundamental é o do programa que defendemos para o País." Fontana
assinala que o Brasil encontra-se em uma situação de solidez. "É um
momento extremamente positivo, e a base do governo tem muito a ver com
isso que nós conquistamos."
Reforma tributária
Henrique Fontana informou que, na reunião ministerial, o presidente
Lula voltou a dizer que vai enviar ao Congresso, até o fim de fevereiro,
uma proposta de reforma tributária. Antes disso, segundo ele, o presidente
ainda quer reunir o Conselho Político.
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Folha de São Paulo, 24 de janeiro de
2008
Lula pede governo coeso para eleições
e duelo no Congresso
Em reunião do primeiro escalão
do governo, presidente aponta "pré-disputa" para
2010 | Petista reclama de falta de articulação entre
os titulares da Esplanada e compara o encontro à Última
Ceia de Jesus Cristo
KENNEDY ALENCAR
LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Na primeira reunião ministerial de 2008, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva disse que a derrota de dezembro no Senado, na tentativa de prorrogar
a CPMF, mostrou que a oposição já faz "pré-disputa" para
as eleições de 2010. Em tom de reprimenda, pediu aos ministros
mais entrosamento político para evitar novas derrotas no Congresso e
enfrentar a oposição com sucesso nas eleições deste
ano e de 2010.
No Salão Oval do Palácio do Planalto, Lula reuniu seus 37 ministros
e comparou o encontro à Santa Ceia, a última refeição
entre Cristo e os apóstolos. Com o objetivo de reforçar a importância
da articulação política, o presidente disse: "Fico
imaginando que muitas vezes ficamos cinco anos juntos, nos sentamos a esta
mesa aqui, parece a Santa Ceia, todo mundo amigo, mas depois passamos um ano
sem conversar. Penso que entre vocês existe pouca conversa política.
Eu diria -há quase meses e meses que vocês não conversam
entre si- que não trocam idéia".
O presidente ordenou aos ministros que dêem mais atenção
aos pleitos de cargos e verbas dos aliados no Congresso. "Todo ministro
tem de fazer política. É preciso ter base [maioria no Congresso]",
disse, segundo relato de presentes.
A intenção de Lula é reforçar o papel do articulador
político do governo, o ministro José Múcio (Relações
Institucionais). Múcio sugeriu a criação de um órgão
executivo para o Conselho Político (instância que reúne
os presidentes dos 14 partidos aliados com representação no Congresso),
para arbitrar disputas de cargos e verbas.
Lula também pediu união nas eleições de outubro
entre os candidatos dos partidos que o apóiam. "É importante
não agredir companheiros", disse o presidente. Segundo ele, desentendimentos
nas eleições municipais poderão deixar seqüelas e
impedir alianças em 2010, quando haverá disputa pela Presidência,
governos estaduais, Câmara dos Deputados, Senado Federal e Legislativos
estaduais. Lula afirmou que é "natural" a oposição
querer que o governo chegue a 2010 "mais fraco" do que em 2006. "Três
anos para quem está no governo passa rápido. Para a oposição, é uma
eternidade. Vamos negociar o que der para negociar e fazer o enfrentamento
quando for necessário."
Lula atribuiu à falta de boa articulação política
do governo a derrota para PSDB e DEM na tentativa de prorrogar o imposto do
cheque até 2011. "Nossa base [no Congresso] não pode deixar
esse jogo prosperar."
Na terceira reunião ministerial do segundo mandato, que durou cinco
horas e 20 minutos, Lula afirmou que a política é o "centro" da
atividade de um governo. Ele tem duas preocupações centrais no
Congresso, a curto prazo: aprovar o Orçamento e a medida provisória
que aumenta a alíquota da CSLL. Mas há outros temas polêmicos
de interesse do Planalto que podem ter dificuldade na aprovação
no Congresso, entre elas a medida provisória que cria a TV Pública.
Em tratamento de combate a um câncer, o vice-presidente José Alencar
foi de São Paulo a Brasília só para participar da reunião.
Além dos ministros e do vice, dois parlamentares estavam presentes -os
líderes do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), e no Senado,
Romero Jucá (PMDB-RR).
Atrasado devido a uma visita de emergência ao dentista, o ministro Guido
Mantega (Fazenda) foi substituído por Henrique Meirelles (Banco Central)
numa avaliação sobre os efeitos da crise dos EUA sobre o Brasil.
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Gazeta do Povo, 24 de janeiro
de 2008
ECONOMIA | JUROS
Em momento de incertezas, BC mantém
a taxa Selic em 11,25%
Crise externa e pressão inflacionária
levam à terceira manutenção consecutiva
Brasília – Em um
momento de incertezas sobre o futuro da economia mundial, o Banco
Central decidiu manter inalterada a taxa de juros. O Comitê de
Política Monetária (Copom) anunciou no início
da noite de ontem que a Selic irá continuar em 11,25%. É a
terceira manutenção consecutiva.
A manutenção era
esperada pela maior parte dos analistas do mercado financeiro, que, com
uma possível recessão nos Estados Unidos, já apostavam
em um comportamento mais conservador por parte da autoridade monetária.
Apesar do temor sobre a maior economia do planeta, o que mais direciona hoje
as ações do BC são fatores internos. Com a economia aquecida,
há o temor de que os preços saiam do controle e a inflação
fique fora da meta de 4,5% – o Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA), taxa oficial, ficou em 4,46% em 2007.
Na ata da última reunião,
o Copom avaliou que o ritmo de expansão da demanda interna impunha “riscos
não desprezíveis” para a inflação.
A taxa de juros é o instrumento
utilizado pelo BC para manter a inflação sob controle.
Se os juros caem muito, a população tem maior acesso ao
crédito, que fica mais barato, e consome mais. Este aumento da
demanda pode pressionar os preços caso a indústria não
esteja preparada para atender a um maior consumo.
Por outro lado, se os juros sobem,
a autoridade monetária inibe consumo e investimento, a economia
desacelera e evita-se que os preços subam.
Apesar de concentrado no comportamento
interno dos preços e confiante na maior vulnerabilidade externa
do país, o presidente do BC, Henrique Meirelles, admitiu ontem
que o Brasil não está completamente imune à uma
crise internacional. “Não temos a ilusão de que o
Brasil está imune a desenvolvimentos externos. Mas cremos que
estamos mais preparados para enfrentar cenários adversos.”
Ele afirmou ainda que o governo
está preparado para tomar medidas caso ocorra um agravamento na
economia mundial e lembrou que essa degradação já estava
contemplado no cenário básico do “Relatório
de Inflação” da instituição.
Com a desaceleração
da economia norte-americana, os analistas do mercado financeiro desistiram
de esperar por um corte dos juros até o final do ano. Segundo
o boletim Focus, a projeção é que a Selic terminará 2008
do jeito que começou, em 11,25% ao ano.
Uma desaceleração
da economia mundial pode fazer com que as empresas brasileiras, principalmente
as exportadoras, produzam menos, já que haverá menos consumo.
Por outro lado, com a demanda mundial menor, o preço das commodities,
como soja e minério de ferro, tende a cair, o que ajuda a controlar
os preços no Brasil.
O Copom divulga na quinta-feira
da próxima semana a ata da reunião que terminou ontem.
Entidades vêem espaço para cortes
São Paulo – Empresários e representantes de classe não
se surpreenderam com a manutenção da Selic em 11,25%, mas boa
parte cobra do governo medidas para que a taxa possa cair no futuro.
Para os economistas da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), a decisão teve como justificativa
a pressão inflacionária gerada pelo crescimento da demanda
interna em um momento marcado pela crise financeira propagada pelos EUA.
Os técnicos consideram
ainda que os cortes nos gastos públicos, em 2008, por causa da
perda da arrecadação da CPMF, deverão permitir a
retomada da trajetória de queda da Selic.
Paulo Skaf, presidente da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), condenou
a manutenção da Selic. “A crise é deles [EUA],
mas o juro alto é nosso. Esse posicionamento aumentará,
ainda mais, o diferencial de juros do Brasil em relação às
economias internacionais.”
“O que nos preocupa é o
aumento do diferencial dos juros internos com os externos e seus reflexos
sobre o câmbio”, diz Alencar Burti, presidente da Associação
Comercial de São Paulo (ACSP). Abram Szajman, presidente da
Federação do Comércio do Estado de São
Paulo (Fecomercio-SP), afirma que, se as reduções da
Selic tivessem sido maiores no passado, hoje a economia do país
estaria mais confortável.
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Agência Diap, 24 de
janeiro de 2008
PREVIDÊNCIA SOCIAL
Bom desenvolvimento da economia diminui
o fantasma do déficit da Previdência
O crescimento da economia, o
bom desempenho do mercado de trabalho em 2007 - o Caged registrou o melhor
ano de toda a série histórica, com a criação
de 1,6 milhão de postos formais - e as medidas de gestão
adotadas ao longo do ano passado foram responsáveis pela inversão
da tendência de crescimento do déficit da Previdência
Social.
A análise foi feita nesta
terça-feira (22) pelo ministro da Previdência, Luiz Marinho,
ao anunciar o resultado do Regime Geral de Previdência Social (RGPS)
em 2007. “Com o crescimento da economia nos últimos anos
e as medidas de gestão entramos em um processo de reversão
do déficit”, afirmou Marinho.
Contabilidade
O ministro explicou que, com base no novo conceito de contabilidade da Previdência,
o déficit em 2007 foi de R$ 537,7 milhões. Por esta metodologia
são contabilizados como receita os aportes do Tesouro Nacional para
cobrir os gastos com o pagamento de aposentadorias rurais, as renúncias
fiscais para entidades filantrópicas e a parcela da arrecadação
do Simples.
Marinho destacou que, mesmo com
a antecipação de parte do pagamento dos beneficíos
em dezembro, o que representou uma despesa extra de R$ 2,7 bilhões
em 2007, a necessidade de financiamento do RGPS caiu de 1,8% do Produto
Interno Bruto (PIB) para 1,75%. Caso parte do pagamento não tivesse
sido antecipada de janeiro para dezembro, o déficit teria ficado
em 1,62% do PIB.
O ministro acredita na manutenção
da tendência de redução do déficit este ano,
mesmo com a crise da economia americana. Segundo ele, embora haja um
pequeno impacto por conta da crise, a economia brasileira está sólida
e robusta, totalmente capaz de responder aos desafios externos.
“A economia brasileira
não é mais dependente do mercado internacional, principalmente
dos Estados Unidos, como no passado. Há um ligeiro impacto na
bolsa, mas as empresas irão se ajustar. Além do aumento
na demanda interna, nos últimos anos conquistamos outros mercados”,
disse o ministro. (Com Informações do MPS)
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Diário Vermelho, 24
de janeiro de 2008
Da crise das hipotecas imobiliárias à recessão
econômica
Se a recessão econômica
bate às portas nos Estados Unidos, como fica a situação
do Brasil? Em artigo para o Vermelho, Dilermando Toni, membro do Comitê Central
do PCdoB, pondera que, diante das mudanças no cenário internacional,
a situação brasileira exige medidas concretas de prevenção,
para defender o país e seu desenvolvimento.
Estados Unidos: da crise das hipotecas imobiliárias à recessão
econômica
Por Dilermando Toni
1) O agravamento da crise econômica com epicentro nos
Estados Unidos
Em agosto de 2007, desencadeou-se no mercado imobiliário norte-americano
uma grave crise que ficou conhecida com a crise dos subprime. Naquela ocasião,
não se podia ainda afirmar seriamente a iminência de uma recessão(1).
Porém, nós sempre alertamos para esta possibilidade e paulatinamente
constatamos sua aproximação. Agora a recessão deixa de
ser uma perspectiva para ser um problema posto no horizonte imediato nos Estados
Unidos.
A crise imobiliária apareceu, como as crises capitalistas tradicionais,
mesclada no entanto com as características da financeirização
atual - ou seja, a partir do auge de produção e consumo do mercado
imobiliário, um processo alucinante de construções, financiamentos/endividamentos/especulações
e vendas de milhões imóveis residenciais e comerciais(2). Preços
em alta, juros baixos e alto risco constituíam-se no tempero da farra.
Em linguagem mais atual, uma bolha que foi se inflando até que, em determinado
momento, explodiu trazendo prejuízos, quebradeiras, etc.
Por isso, constatamos se tratar de uma crise de superprodução
de imóveis, imbricada com a crise financeira onde rebate a especulação
com as hipotecas imobiliárias e seus derivativos. Como se diz, a "imagem
do espelho", na qual o setor financeiro vê refletidos os problemas
da economia real - e esta, por sua vez, vê refletidos os problemas do
mercado financeiro, tais como empréstimos sem garantias confiáveis(3).
Nestes cinco a seis meses a partir de agosto de 2007, o mercado imobiliário
dos Estados Unidos passou a se retrair, os preços dos imóveis
caíram, o volume de construções novas foi constantemente
diminuindo. A inadimplência cresceu - cerca de 2 milhões de norte-americanos
que tomaram empréstimos classificados como subprime estão em
dificuldades para pagar suas hipotecas. O crédito ficou mais apertado
e o consumo se retraiu.
As construtoras passaram a contabilizar prejuízos de monta. As repercussões
no mercado financeiro - bancos, fundos de investimento e outros instrumentos
de financiamento e especulação - foram então inevitáveis.
Tudo isto apesar das intervenções do FED (Banco Central dos Estados
Unidos) e de outros BCs mundo afora. A crise imobiliária está dando
lugar a uma recessão econômica nos Estados Unidos com repercussões
maiores ou menores em todo o mundo.
Neste começo de ano o sinal mais visível da crise está nas
grandes perdas no mercado acionário com quedas acentuadas nas principais
bolsas de valores do mundo, Ásia, Europa, América do Norte e
do Sul. O nervosismo da turbulência é substituído pelo
pânico.
Alguns indicadores relativos à economia dos Estados Unidos ajudam a
ilustrar a situação, mostrando sua abrangência e profundidade: índice
de desemprego e de inflação em alta. Os preços no atacado
subiram 6,3% em 2007. Prejuízos dos bancos, Citibank e Merrill Lynch
de aproximadamente US$ 10 bilhões, cada um, no quarto trimestre do ano
passado. Queda significativa nas taxas de lucro do JP Morgan e do Bank of América.
Os prejuízos do sistema financeiro já anunciados se situam na
casa dos US$ 100 bilhões. O mercado doméstico de veículos
está estagnado. É um importante setor da economia dos Estados
Unidos - são 16 milhões de veículos por ano. Há o
enfraquecimento constante do dólar frente a outras moedas, mundo afora.
A agravar toda esta situação se impõe o problema dos preços
do petróleo, produto do qual os Estados Unidos são os maiores
consumidores mundiais, que se situam perto dos US$ 100 o barril. Quanto ao
assim chamado mundo desenvolvido, a Europa apresenta níveis de crescimento
sofríveis. No Japão, revêem-se as expectativas, que se
situam agora pouco acima do 1% para o ano de 2008.
O desempenho da parte da economia mundial relativo aos países de capitalismo
desenvolvido deve ficar em patamar muito baixo - algo como uma estagnação
cíclica. A crise atual difere das de 1991 e 2001, brandas e rápidas.
A atual tem também epicentro nos Estados Unidos e se revela mais grave
do que poderia parecer.
Alguns economistas conservadores de destaque nos Estados Unidos, entre os quais
Kenneth Rogoff (de Harvard, ex-FMI) chegam a dizer "que a crise atual
parece ser pelo menos tão ruim quanto as cinco crises financeiras mais
catastróficas que atingiram países industrializados desde a Segunda
Guerra Mundial"(4). Do ponto de vista financeiro, especificamente, algo
muito mais sério que o estouro da bolha do mercado Nasdaq ou dos efeitos
provocados pelos escândalos da Enron e da Worldcom. Suas repercussões
se fazem sentir por todo o mundo.
A resultante mais geral, de um lado - com o atual nível de embricamento
econômico e financeiro prevalecente no mundo - são abalos e instabilidades
sobre a economia mundial como um todo, impossíveis de se evitar a partir
da crise numa economia de aproximadamente US$ 15 trilhões.
De outro lado, porém, há hoje uma situação diferente,
de menor dependência da periferia em relação às
potências de capitalismo desenvolvido. Uma situação mais
favorável, baseada na emergência de outros pólos dinâmicos,
a partir da periferia, base da tendência à multipolaridade. A
débâcle da economia dos Estados Unidos cria dificuldades, mas
não levaria a todos para o buraco.
Por sinal, é necessário o registro de que os fundos de riqueza
soberana (SWF, sigla em inglês) dos países emergentes - particularmente
dos produtores de petróleo - têm aproveitado o momento de baixa
do mercado acionário para comprar ativos em todo o mundo. Este assunto é tratado
longamente em matéria de capa da revista The Economist, e também
por Emily Thornton e Stanley Reed, na BusinessWeek/Valor, em edições
recentes(5).
Enfim, a partir da gravidade com se apresente a recessão nos Estados
Unidos, pode se desenhar para 2008 um quadro sui generis, de estagnação
e endividamento, dependência de energia e matérias-primas, no
centro capitalista [que Belluzzo chama de "ricos submergentes"(6)];
e de algum dinamismo e crescimento, liquidez e posição credora
(reservas internacionais em moeda forte ou títulos), reservas energéticas
e de matérias-primas, em parte significativa da periferia.
Avalia-se que atualmente os chamados emergentes já respondem por cerca
de dois terços do crescimento mundial. A China joga um papel fundamental
nesta nova arquitetura, favorável aos países em desenvolvimento
e a seus povos.
2) Que medidas estão sendo providenciadas nos Estados
Unidos?
A discussão em torno da recessão, de como enfrentá-la,
tomou conta da vida política dos Estados Unidos, envolvendo o governo
Bush e o Federal Reserve. Passou a polarizar a disputa dos candidatos à Presidência
da República dos Estados Unidos. Envolve igualmente a intelectualidade
acadêmica.
Bush, na segunda-feira, dia 21, anunciou um pacote fiscal com cortes de US$
140 bilhões a US$ 150 bilhões (1% do PIB). Esse anúncio
aparentemente agravou ainda mais o nervosismo do mercado financeiro. Foi considerado
um equívoco por economistas como J. Stiglitz, para quem "os problemas
nos Estados Unidos começaram com os cortes fiscais" e as reduções
fiscais "vão fazer com que os problemas dos Estados Unidos sejam
piores".
O Federal Reserve, de forma surpreendente, fora do prazo previsto, reduziu
na terça-feira 22 a taxa de juros básica em 0,75% (de 4,25% ao
ano para 3,5% ao ano), buscando estímulos à retomada do consumo.
Frente à inflação prevista para 2008, a taxa de juros
reais já é nula ou mesmo negativa.
Além de medidas fiscais e monetárias, todas muito discutíveis,
os problemas se põem noutra esfera. Trata-se de uma economia que, apesar
de ser de longe a maior do mundo, perde tendencialmente força, empuxo.
São problemas relativos ao parasitismo imperialista e ao crescimento
do consumo/endividamento das famílias, possíveis com as vantagens
da dominação seu mercado financeiro e de sua moeda que ainda
domina o padrão monetário vigente no mundo. Da forma como se
desenvolve a dinâmica do capitalismo financeirizado - relações
Estados Unidos/Ásia (China) -, de perda significativa do poder da indústria
americana, dos gigantescos déficits externo e fiscal e assim por diante.
3) As repercussões no Brasil
O governo brasileiro, seja através de seu ministro da Fazenda, Guido
Mantega, ou através do presidente Lula, tem reiterado a condição
favorável pela qual passa a economia do país e de sua menor vulnerabilidade
diante da situação vivida pelos Estados Unidos.
Com efeito, essa opinião tem algum fundamento. A economia brasileira
fechou o ano de 2007 em situação de relativa estabilidade que
encerra, entretanto, um quadro contraditório, híbrido como demonstram
os números abaixo.
Do lado positivo:
- PIB/2007 alguns décimos acima dos 5% - algo em torno de US$ 1,3 trilhão;
- investimento 13% maior em relação ao ano anterior;
- inflação de 4,5% no centro da meta estabelecida;
- reservas internacionais próximas a US$ 180 bilhões;
- expansão da massa real de salários de 5,4%;
- superávit comercial de cerca de US$ 40 bilhões, apesar da valorização
do câmbio, por causa do aquecimento da demanda global (chinesa particularmente),
que tem propiciado a elevação dos preços das commodities;
- investimentos estrangeiros recebidos de US$ 36 bilhões.
Do lado negativo:
- juros básicos/Selic
média de 11,9% no ano que passou - taxa de juros reais entre
as mais altos do mundo;
- dívida pública líquida de 43% do PIB;
- carga tributária de 36% do PIB;
- superávit primário de 4% do PIB;
- taxa média de desemprego de 9,2% da PEA (População Economicamente
Ativa);
- câmbio em constante valorização, variando mais recentemente
de R$ 1,75 a R$ 1,8 por dólar;
- volumosa circulação de capitais estrangeiros especulativos,
sem controle por parte da autoridade monetária.
Os rumos que vai tomando o Brasil nestes cinco anos de governo Lula exigem,
porém uma análise mais aprofundada. Uma análise que fuja
aos extremos onde se posicionam, de um lado, aqueles para os quais o país
atravessa um novo ciclo de desenvolvimento com distribuição de
renda - que seriam características de um novo modelo "social-desenvolvimentista" -
e, de outro lado, a oposição de "esquerda" para a qual,
sob Lula, nada mudou em relação ao passado recente, tendo ficado
o Brasil mais comprometido com o neoliberalismo.
O professor José Carlos Braga, assim como a professora Maria da Conceição
Tavares têm dado ao debate opiniões que ajudam a desvendar a realidade
mais equilibradamente. Ambos se referem à situação do
Brasil diante da economia mundial.
Braga constata várias mudanças, admite elevação
do patamar de crescimento com a combinação da acumulação
produtiva com a financeiro-especulativa. Mas questiona se isso permitiria a
superação do subdesenvolvimento entendido como "graus importantes
de subordinação internacional no plano monetário-financeiro,
de baixa capacidade endógena de inovação tecnológica,
de heterogeneidade estrutural nos planos produtivo, regional e social (...)
de disparidades na distribuição de renda e da riqueza, de desemprego
estrutura(7)".
Conceição, igualmente, enxerga várias mudanças
positivas. Porém, adverte: "Com a política de juros altos
e novamente o câmbio sobrevalorizado, mantida no governo Lula, é evidente
que continuou a abertura às importações e ao capital financeiro
especulativo e de portfólio. (...) As reservas financeiras (tanto do
Tesouro como do Bacen) devem ser suficientes para evitar a vulnerabilidade
externa de uma nova recessão americana mas apenas se ela for passageira"(8).
4) Em que linha o Brasil deveria seguir?
O BC interrompeu há algum tempo a trajetória de queda da taxa
de juros desde julho do ano passado. Confirmou essa postura na reunião
do Copom desta quarta-feira (23). Na situação que se vai criando,
de dificuldades internacionais que ainda não haviam se apresentado ao
governo Lula, a política mais certa seria a que vem sendo adotada?
Belluzzo adverte: "De nada valerá manter a taxa de juros elevada
para defender o real"9 no caso de crescer a contração ao
crédito e a aversão ao risco. O certo seria retomar firmemente
a redução das taxas de juros no esforço do crescimento.
Com a desaceleração mundial prevista, pode haver uma queda no
preço das commodities. Há quem fale em até 20% dos preços
atuais. Isto poderia trazer sérias conseqüências para o setor
exportador e pesar sobre toda a economia. Seria igualmente necessário
tomar providências cambiais de proteção.
Pode ser também que se eleve a um patamar comprometedor, como é usual
nestas circunstâncias, a fuga de dólares, de capital estrangeiro
aplicado na Bovespa - as remessas vêm crescendo nos últimos dias.
Pode ser necessário criar mecanismos de defesa contra a especulação.
Além disso, é necessário insistir na consecução
de uma reforma tributária que diminua a carga que pesa sobre os bolsos
do povo e sobre o sistema produtivo da economia, onerando - isto sim - os especuladores
e rentistas, os possuidores de grandes fortunas.
De todo modo, há que se considerar que a situação mudou
e que a crise ainda não chegou a seu final. Há muita instabilidade
e imprevisibilidade no quadro. Lula está exigindo de seus ministros
providências que previnam os efeitos da crise sobre o Brasil. Assim diz
a imprensa.
O PCdoB deve entrar nesta discussão, reunir intelectuais, promover debates
nos quais se revele o caráter contraditório, as limitações,
as mazelas e o esgotamento do capitalismo. Deve, além disto, propor
medidas concretas para defender o país e seu desenvolvimento.
NOTAS
1. Ver o artigo de minha autoria A crise imobiliária nos Estados Unidos
afeta ou não o Brasil?, publicado no Vermelho em 17/08/07.
2. Ernani T. da Costa, no artigo Entendendo a crise do subprime, dá conta
de que só em 2005 foram vendidos mais de 8,2 milhões de imóveis
residenciais nos Estados Unidos, boletim do BNDES Visão do Desenvolvimento
de 18/01/08.
3. Comparação usada pelo presidente do Banco do Povo da China,
Zhou Xiaochuan no artigo Instability and Evolution of the Financial System,
de dezembro de 2007.
4. The Wall Street Journal/Valor Econômico, 21/01/08.
5. Ver os artigos Fundos do Golfo preocupam o Ocidente, no Valor Econômico
de 21/01/08; The invasion of de sovereign-wealth funds e Asset-backed insecurity,
na edição da The Economist de 17/01/08.
6. Ver o artigo do professor Belluzzo O Brasil não pode pagar com recessão
a farra dos ricos, na Folha de S.Paulo de 18/01/08.
7. Ver o artigo de Braga O capitalismo brasileiro tal qual ele é, Valor
Econômico, 28/06/07.
8. O texto completo Conceição Tavares pode ser lido no site http://www.centrocelsofurtado.org.br.
9. Belluzzo, artigo citado.
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Folha de São Paulo, 24 de janeiro de
2008
BUROCRACIA
Serra decreta fim da exigência
de firma reconhecida
MARINA GAZZONI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), assinou ontem um
decreto que dispensa os órgãos públicos da exigência
de reconhecimento de firma e cópia autenticada em procedimentos não
especificados em lei, conforme a Folha antecipou na edição de
ontem. O decreto faz parte do PED (Programa Estadual de Desburocratização)
e começa a vigorar a partir de sua publicação no "Diário
Oficial".
O PED prevê a redução do tempo médio de criação
de empresas de 152 para 15 dias. De acordo com o secretário do Estado
de Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif, os procedimentos
para abrir empresas de órgãos estaduais e municipais, como Junta
Comercial, Vigilância Sanitária e Corpo de Bombeiros, serão
unificados em um site, o Poupatempo do Empreendedor.
Segundo Afif, o sistema começa a funcionar em janeiro de 2009. "Vamos
primeiro desburocratizar os procedimentos para depois informatizar. Porque
não adianta informatizar a burocracia."
Para o presidente da ACSP (Associação Comercial de São
Paulo), Alencar Burti, a desburocratização vai diminuir a informalidade.
Segundo ele, muitos empreendedores tentam se legalizar, mas desistem pelo excesso
de exigências.
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Agência Câmara,
24 de janeiro de 2008
Proposta exige representatividade mínima
para deputado
Diógines Santos

Moreira: objetivo é evitar a eleição de
candidatos com poucos votos.
Projeto de Lei (1860/07) em tramitação na Câmara prevê que,
nas eleições proporcionais (aquelas para deputado federal, deputado
estadual e vereador), somente serão considerados eleitos os candidatos
que obtiverem, no mínimo, 25% dos votos do quociente partidário.
De autoria do deputado Laurez Moreira (PSB-TO), o projeto altera os artigos
108 e 109 do Código Eleitoral (Lei 4.737/65).
Pela proposta, o número
de votos válidos atribuídos a cada partido ou coligação
será dividido pelo número de cadeiras conquistadas pelo
respectivo partido ou coligação. Só serão
considerados eleitos os candidatos cuja votação pessoal
atingir 25% do quociente obtido nessa divisão. As cadeiras que
restarem preencher caberão aos partidos ou coligações
que possuírem maior número de candidatos que atendam a
esse novo requisito mínimo de representatividade. Se os partidos
ou coligações não tiverem candidatos em número
suficiente para preencher as vagas, serão considerados eleitos
os candidatos cujo percentual próprio de votos mais se aproxime
dos 25% exigidos.
Aberrações
O deputado Laurez Moreira diz que seu objetivo é evitar a eleição
de candidatos com poucos votos. Ele lembra que, com a legislação
vigente, vem ocorrendo aberrações como a eleição,
pelo Prona, de deputados com baixíssimo número de votos, graças à grande
votação individual do ex-deputado Enéas Carneiro, falecido
em 2007. "É nítida a ausência de representatividade
desses candidatos", argumenta Laurez Moreira, acrescentando que distorções
semelhantes se repetem em todas as esferas, da municipal à federal.
Segundo o autor do projeto, o
resultado é que a opinião pública acaba confundida,
e permite que candidatos inexpressivos suplantem outros mais votados, "contribuindo
para a perda da credibilidade da política brasileira e para o
afastamento entre o eleitor e o agente público".
Tramitação
O projeto, que tramita em regime de prioridade, será votado pela Comissão
de Constituição e Justiça e de Cidadania e depois pelo
Plenário.
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Agência Câmara,
24 de janeiro de 2008
Oleiro ou ceramista pode ter profissão
regulamentada
Gilberto Nascimento

Gonçalves: "Devido à relevância da atividade, é preciso
que dotemos o setor da devida qualificação profissional."
A Câmara analisa o Projeto de Lei 1943/07, do deputado Wandenkolk Gonçalves
(PSDB-PA), que regulamenta, em todo território nacional, a atividade
profissional dos trabalhadores nos serviços de olaria e cerâmica.
O texto classifica na categoria
de oleiro ou ceramista os trabalhadores que preparam a massa cerâmica;
desenvolvem modelos e projetos; modelam e formatam peças; queimam
a argila; preparam tintas, esmaltes e vernizes para as peças artesanais;
e os que executam acabamentos. O objetivo da proposta e habilitar os
profissionais da área, que gera inúmeros empregos em todo
o País, principalmente no Pará, estado tradicionalmente
conhecido pela grande quantidade de olarias espalhadas em seus municípios.
Formação
legal
O texto prevê ainda que a atividade profissional de oleiro ou ceramista
só poderá ser exercida por quem tenha recebido formação
e treinamento específico de escolas profissionalizantes reconhecidas
pelos órgãos competentes ou de cursos promovidos ou mantidos
por entidades oficiais ou privadas legalmente reconhecidas. "Devido à relevância
da atividade de olaria e cerâmica, é preciso que dotemos o setor
da devida qualificação profissional", defende o autor.
Os ceramistas ou oleiros atuam
principalmente em empresas de fabricação de produtos de
minerais não-metálicos, de reciclagem e construção.
Também trabalham no comércio por atacado e intermediários
do comércio.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo nas comissões de Trabalho,
de Administração e Serviço Público; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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Diário
Vermelho, 24 de janeiro de 2008
Petrobras se torna a 6ª maior petroleira
do mundo
A Petrobras subiu de 11º para
sexto lugar no ranking PFC Energy 50, das maiores empresas de petróleo
do mundo, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira (23) pelo jornal
britânico Financial Times.
" O ranking anual PFC, que
deve ser publicado nesta quarta-feira, reforça a percepção
de que as companhias internacionais de petróleo estão perdendo
acesso aos recursos globais e seus futuros não são tão
definidos como o das concorrentes estatais", afirma o FT.
A empresa com melhores resultados
no ano passado foi a Petro-China, cujo valor aumentou em 181%, ultrapassando
a ExxonMobil e se tornando a maior empresa de energia segundo os mercados.
"A capitalização
da Petro-China no mercado, com base nas ações da Bolsa de
Xangai, foi de US$ 723,2 bilhões contra US$ 511 bi da Exxon, cujo
preço das ações subiu 22% no ano passado."
O jornal afirma, no entanto, que
se for levado em conta o valor das ações da Petro-China no
mercado global, a Exxon permanece em primeiro lugar do ranking.
"A Petrobras, a empresa brasileira
com duas grandes descobertas em seu nome nos últimos meses, subiu
de 11ª para sexta, com alta de 93% no preço de suas ações,
substituindo a Total, que caiu para o oitavo lugar, com apenas 4% de aumento
no preço de suas ações."
A Chevron caiu de sétimo
para décimo lugar, com alta de 27% no preço de suas ações.
A ConocoPhillips não figura mais entre as dez primeiras, tendo caído
do nono lugar, no último ranking, para 12º. A ENI caiu de oitavo
para 11º.
Segundo a reportagem do FT, Robin
West - o presidente da PFC Energy, a consultoria que publica o ranking
- disse que "apesar de seus enormes lucros, os mercados de capitais
estão dizendo que as companhias internacionais de petróleo
têm que oferecer uma nova visão de crescimento".
"As perspectivas para as companhias
internacionais de petróleo caíram desde os anos 70, quando
elas controlavam 85% das reservas mundiais. Hoje, as companhias nacionais
controlam 80% dessas reservas", afirma o jornal.
Auto-suficiência
A descoberta do poço de
Júpiter, anunciada nesta terça-feira pela Petrobras, pode
ser decisiva para o Brasil conseguir a auto-suficiência na produção
de gás natural. O diretor de Exploração e Produção
da companhia, Guilherme Estrella, evitou dar estimativas de possíveis
reservas na região, mas frisou que o campo da Bacia de Santos foi
o primeiro situado na camada do pré-sal em que o poço descobridor
localizou apenas gás natural e condensado, sem ocorrência
de óleo associado.
"A região pode contribuir
para a auto-suficiência do país no gás, mas dizer que
sozinho Júpiter vai garantir esta auto-suficiência é um
exagero, pois hoje temos um consumo muito alto no Sudeste", afirmou
Estrella.
O diretor lembrou ainda que o novo
achado da Petrobras - que detém 80% da região, enquanto a
portuguesa Galp possui os 20% restantes - deve contribuir também
para facilitar a posição brasileira nas negociações
futuras com países fornecedores de gás natural.
"Você pode entrar numa
loja para comprar uma geladeira e sair sem a geladeira. Mas você está frito
se não puder sair da loja sem a geladeira", brincou Estrella,
ao comentar sobre o benefício que um grande poço de gás
natural na Bacia de Santos pode trazer para os negociadores brasileiros
ao tratar a questão do preço do insumo com o governo boliviano.
Mas a produção de
gás a partir de Júpiter não deve acontecer no curto
prazo. Estrella lembra que ainda há um longo caminho até que
o poço possa produzir, o que, segundo ele, só deve acontecer
entre cinco ou seis anos.
Da redação, com
agências
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Gazeta do Povo, 24 de janeiro
de 2008
ECONOMIA | PROTESTO
Sindicato ameaça fazer greve
contra suspensões na Renault
por MARCO SANCHOTENE
O Sindicato dos Metalúrgicos
da Grande Curitiba (SMC) convocou para segunda-feira uma assembléia
para os 4,6 mil funcionários da montadora Renault com o objetivo
de pressionar a direção da empresa a revogar a suspensão
de quatro dirigentes sindicais. “Podemos aprovar um protesto
de duas horas ou uma paralisação”, diz Robson
Jamaica, um dos trabalhadores suspensos. Os quatro estão acampados
desde segunda-feira na porta da fábrica em São José dos
Pinhais, região metropolitana de Curitiba. “Vamos ficar
aqui até que a situação seja revertida.” Ontem,
eles fixaram prazo até amanhã para que a empresa volte
atrás na decisão.
Os sindicalistas foram suspensos
após uma manifestação no sábado, que impediu
a realização de expediente extra. Na ocasião, a
Renault esperava recuperar atrasos na produção, “acumulados
em dezembro de 2007 e no início de 2008 após as férias”,
como diz em nota. Segundo o sindicato, deixaram de ser produzidos 220
veículos com o protesto. A empresa não confirma o número,
mas informa que a produção atual está em 40 unidades
por hora. A montadora acrescenta que “qualquer perturbação,
seja de causa interna ou externa, pode gerar necessidade de ajuste no
volume de produção, especialmente nessa fase de lançamento
de produtos, como o Sandero [último lançamento da Renault
no país]”.
Para Jamaica, a justificativa
não é válida. “A capacidade máxima é de
45 veículos por hora, mas a produção está em
42 por hora. Ou seja, a empresa poderia recuperar a produção
durante a semana”, critica. Para o sindicalista, a Renault tem
um déficit de produção por falta de peças
e uma logística falha. Além disso, estaria desrespeitando
o limite de horas de trabalho por oferecer horário reduzido
de almoço. A empresa não respondeu às acusações.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
24/01/2008
Terceira Turma do TST não reconhece
sucessão trabalhista de lavradora
Trabalhadora rural que pretendia
vínculo de emprego e de sucessão de empregadores da Fazenda
Marabá, no Paraná, teve seu pedido negado mais uma vez
na Justiça do Trabalho. A Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho entendeu que ela não prestou serviços para
o grupo sucessor da fazenda e que este nunca explorou economicamente
a propriedade rural.
Admitida em 10/11/1972 como lavradora,
a empregada residia na fazenda, no município de Congonhinhas,
no Paraná. Não foi efetuado registro em sua carteira de
trabalho e ela jamais recebeu comprovantes de pagamento. Dispensada sem
justa causa e sem aviso prévio em 04/08/2000, a trabalhadora ajuizou
ação reclamatória contra a Fazenda Marabá,
mas, posteriormente, ao requerer que o Estado do Paraná passasse
a integrar o pólo passivo da reclamação, a fazenda
deixou de fazer parte da ação.
A fazenda pertencia às
empresas Sengés Papel e Celulose Ltda. e Sengés Florestadora
e Agrícola Ltda., que a cederam ao Banco Banestado S.A., então
Banco do Estado do Paraná, como forma de quitação
de suas dívidas. O Banestado assumiu a propriedade da fazenda,
que depois foi recebida pelo Estado do Paraná durante saneamento
do banco estadual. Porém, a autora e os demais trabalhadores não
mais prestaram serviços, visto que ficou abandonada, sem ser explorada
economicamente, até que foi invadida por membros do Movimento
dos Trabalhadores Sem Terra – MST.
Para o Tribunal Regional do Trabalho
da 9ª Região (PR) não ficou caracterizada a sucessão
trabalhista, porque não houve a satisfação de dois
requisitos: a alteração na titularidade do estabelecimento
e a prestação de serviço pelo empregado sem solução
de continuidade. A empregada, inconformada com a decisão do Regional,
interpôs recurso de revista ao TST, sob a alegação
de ser desnecessária a prestação de serviços
para o adquirente do empreendimento para se caracterizar a sucessão
trabalhista.
O relator do processo no TST,
ministro Carlos Alberto Reis de Paula, e a Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho mantiveram a decisão do TRT/PR por julgar
que não houve violação aos artigos 10 e 448 da CLT,
como alegou a trabalhadora. (RR-208/2002-093-09-00.4)

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