 |
Agência Câmara,
26 de janeiro de 2008
FGTS poderá ser usado
para pagar pensão alimentícia
Diógenes Santos
O saldo da conta vinculada do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) poderá ser penhorado para garantir o pagamento de pensão
alimentícia. É o que prevê o Projeto de Lei 1955/07, da
deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), em tramitação na Câmara.
Direito à vida
Solange Almeida argumenta que o FGTS, um crédito futuro pertencente
ao trabalhador destinado a garantir a sua subsistência em caso de desemprego
indesejado, aquisição de imóvel ou para tratamento de
saúde, conforme reza a Lei 6.036/90, deve também ser um crédito
de penhora para garantir a execução de pensão alimentícia. "Embora
se trate de verba de caráter peculiar indenizatório, deve-se
prestar ao adimplemento das obrigações alimentícias a
fim de garantir um bem maior", defende a autora.
Segundo a autora do projeto, o menor não pode ficar à mercê do
responsável pela pensão alimentícia que, em muitos
casos, alega inadimplência e desemprego para se desfazer da obrigação
de ajudar o sustento de seu filho. Ele alega que o princípio constitucional
da dignidade humana deve ser observado. "Devemos priorizar e resguardar
aqueles que estejam em situação de dependência, que
aguardam por uma tutela jurisdicional para verem satisfeitos seus direitos
primordiais, quais sejam, o direito à vida, à dignidade,
aos alimentos", ressalta.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo nas comissões de Trabalho,
de Administração e Serviço Público; de Finanças
e Tributação; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
|
Agência Diap, 26 de janeiro
de 2008
APOSENTADORIA ESPECIAL
Eletricitários poderão
se aposentar após 25 anos de serviço
A concessão de aposentadoria especial aos 25 anos
de serviço para os trabalhadores eletricitários poderá ser
aprovada na Câmara dos Deputados. De autoria do deputado
Cleber Verde (PRB/MA), o Projeto de Lei Complementar (PLP) 99/2007
concede o benefício aos trabalhadores que operam equipamentos
com tensão elétrica superior a 250 volts e suportam
ruído acima de 85 decibéis no local de trabalho.
O benefício também será concedido aos profissionais
que têm contato com agentes físicos, químicos e biológicos
acima do nível de tolerância de nocividade à saúde
ou de integridade física. Serão contemplados os funcionários
das empresas de transmissão, produção e distribuição
de energia elétrica e do comércio atacadista de energia
elétrica.
Requisitos
Para financiar a aposentadoria, as empresas
de produção
e distribuição de energia elétrica deverão
recolher à Previdência Social o adicional de 6% sobre a
remuneração dos funcionários. Esse adicional está previsto
na Lei 8.213/91 para o trabalho associado a riscos ambientais.
Ao requerer a aposentadoria especial, o
trabalhador deve requisitar à empresa
em que trabalha seu perfil profissiográfico - documento com sua
trajetória profissional que deve conter informações
como registros ambientais e resultados de monitoração biológica.
Pela proposta em análise, a empresa deverá conceder o documento
em, no máximo, 30 dias a partir da solicitação.
Punição
Caso não providencie o documento nesse prazo, o empregador ficará sujeito à multa
diária de 10% do valor da remuneração do trabalhador
interessado. Esse valor deverá ser revertido em benefício
do funcionário ao final do processo. Pelo atraso na entrega, o
diretor da empresa poderá sofrer ainda pena de um a três
anos de prisão e multa, punições previstas no Código
Penal (Decreto-Lei 2848/40) para quem fraudar direito do trabalhador.
Segundo o autor da proposta, as atividades
de produção
e distribuição de energia elétrica já são
classificadas como atividades de risco grave pelo Decreto 3.048/99 e,
por isso, os trabalhadores que as executam devem ter direito à aposentadoria
especial.
Tramitação
O projeto tramita em conjunto
com o PLP 60/99. Ambos serão analisados
pelas comissões de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois,
os projetos serão votados em Plenário. (Com Agência
Câmara)
|
Diário Vermelho, 26
de janeiro de 2008
Seguro-desemprego
Por: João Guilherme Vargas
Netto*
Quando a economia de um país grande como o Brasil cresce, os
números apresentam às vezes surpresas desconcertantes.
O ano de 2007 foi o ano recorde na geração de empregos
formais: 14,3 milhões de pessoas foram admitidas, enquanto 12,7
milhões foram demitidas, com um saldo de 1,6 milhão de “novas” contratações.
E, no entanto, este mesmo período viu o seguro-desemprego disparar,
em número de trabalhadores assistidos e no valor dos benefícios
pagos. O número de trabalhadores passou de 5,742 milhões
em 2006 para 6,052 milhões em 2007; um acréscimo de 5,4%.
Já o montante dos pagamentos passou, no mesmo período,
de 10,308 bilhões de reais para 12,405 bilhões; um acréscimo
de 20,3%.
Qual é a explicação desta aparente contradição
entre emprego formal em alta e seguro-desemprego também em alta?
Os próprios números citados ajudam na resposta: o Brasil é um
dos países em que a rotatividade da mão-de-obra é muito
alta. Aqui demite-se por impulso, sem nenhuma justificativa. Pratica-se
também uma jornada de trabalho real muito acima dos limites constitucionais,
com o descalabro das horas extras. Os trabalhadores demitidos sem justa
causa (mas arbitrariamente) vão engrossar a fila dos que têm
direito ao seguro desemprego de três a cinco parcelas e variando
em valores de 1 salário mínimo até, em média,
2 salários mínimos (conforme os salários anteriores).
Três lições podem ser tiradas desta situação.
A primeira delas é que a luta atual dos trabalhadores unidos
pela redução da jornada de trabalho não é mais
uma luta defensiva contra o desemprego, mas uma luta que “ajuda” o
desenvolvimento econômico do país. A segunda é a
necessidade imperiosa de aprovarmos a Convenção 158 da
Organização Internacional do Trabalho (OIT), que limita
as demissões imotivadas. E a terceira, a de que o ministro do
Trabalho e Emprego Lupi anda coberto de razão quando propõe
associar o seguro-desemprego a cursos de qualificação e
formação. Afinal de contas, com a economia e o emprego
crescendo, passa a ser estratégico orientar os trabalhadores para
a melhoria de suas condições de vida e de trabalho.
João Guilherme Vargas Netto, é consultor
sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo.
|
Diário Vermelho, 26
de janeiro de 2008
De olho na eleição,
PSDB tenta boicotar o Pronasci
O PSDB protocolou na tarde desta sexta-feira (25) no STF
(Supremo Tribunal Federal) uma Adin (Ação Direta
de Inconstitucionalidade) contra a MP (medida provisória)
que cria cerca de 650 mil bolsas do Pronasci (Programa Nacional
de Segurança Pública com Cidadania), o "PAC
da Segurança".
Na ação, o PSDB pede que sejam suspensos os artigos da
MP que alteram a lei que instituiu o Pronasci para criar as bolsas até o
julgamento definitivo da ação.
A medida provisória concede auxílios de R$ 100 a R$ 400.
As bolsas vão beneficiar policiais, jovens que vivem nas ruas,
mulheres que exerçam liderança em áreas violentas
e reservistas.
O PSDB argumenta que a lei 11.300, de 2006,
que passou a vigorar em 1º de janeiro, veda a distribuição gratuita de "bens,
valores ou benefícios" pela administração pública
em ano eleitoral. A exceção é para os casos de calamidade
pública, estado de emergência e "programas sociais
autorizados em lei e já em execução orçamentária
no exercício anterior".
O programa de distribuição de bolsas foi visto pela oposição
como uma iniciativa alto impacto nas eleições municipais
que se avizinham. Temem que os aliados do governo Lula sejam beneficiados
pela boa receptividade que o programa terá, especialmente nas
grandes capitais, onde os índices de violência são
historicamente mais elevados. O Pronasci atende as 11 regiões
metropolitanas mais violentas, beneficiando direta e indiretamente cerca
de 3,5 milhões de pessoas.
Lula editou uma MP ampliando o Bolsa Família nos últimos dias
de 2007 para evitar problemas com a legislação eleitoral. O ministro
da Justiça, Tarso Genro, defendeu a expansão do Pronasci, que,
diz ele, conta com propostas da oposição.
A MP que amplia o Pronasci foi retirada
do Congresso em 2007 para não
atrasar a votação da emenda sobre a CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira).
|
Diário Vermelho, 26
de janeiro de 2008
Le Monde: Alemanha reduz salários
e esmaga classe média
Onze por cento! Isso nunca tinha acontecido
desde a inflação de dois dígitos dos "trinta
gloriosos", como é chamado o período de forte crescimento
econômico na maioria dos países desenvolvidos entre 1945
e 1973. Aliás, 11% foi o aumento das remunerações,
que incluiu todas as modalidades, conquistado pelos maquinistas de
trens alemães em 13 de janeiro, após vários meses
de um conflito social que teve o seu auge com uma paralisia total do
tráfego por dois dias, em novembro de 2007. "Nós
temos a consciência de estar escrevendo a história",
afirma sem hesitação Thomas Huppeld, um dos dirigentes
do sindicato GDL em Frankfurt.
Por Daniel Vernet, do Le Monde
Escrever a história? A expressão pode parecer excessiva.
Entretanto, ela define adequadamente um movimento social diferente dos
outros. Os maquinistas de trens apresentaram uma imagem fora do comum
do sindicalismo alemão, distante daqueles "apparatchiks" de
terno e gravata que freqüentam os conselhos de administração
em nome da co-gestão e negociam de igual para igual com o patronato.
Considerada até hoje como o último recurso, a greve também
precisa ser tão organizada quanto os relacionamentos sociais.
Lênin já havia constatado, não sem ironia, nos anos
1910, que os ferroviários alemães, antes de ocuparem as
vias durante um movimento grevista, compravam um tíquete que dava
acesso às plataformas.
Nada disso aconteceu desta vez. O que
se viu foram estações
vazias e milhares de usuários obrigados a ficarem em casa ou a
recorrerem a outros meios de transporte. Tudo levava a crer que esses
viajantes barrados se mostrariam furiosos diante da falta de respeito
pelas convenções sociais, que eles teriam denunciado, da
mesma forma que na França onde os ferroviários estavam
em greve mais ou menos na mesma época, e tiveram o seu movimento
criticado como sendo uma insuportável "transformação
do cidadão num refém".
Mas não foi o que aconteceu. A opinião pública
alemã deu mostras de uma grande compreensão pelos grevistas.
Em todo caso, bem maior do que aquela mostrada pelo Partido Social-Democrata
(SPD) e pela grande central sindical DGB. A esquerda moderada enxergou
nesta greve um perigo de "corporativismo", um risco de esmigalhamento
das reivindicações, além de um questionamento das
grandes negociações, categoria por categoria, que fizeram
a força do sindicalismo alemão. "Eu não posso
aceitar que um grupo de assalariados busque vantagens exclusivamente
para si mesmo", explica Jürgen Bothner, um dirigente regional
do sindicato dos serviços públicos, o Ver.di. "Isso é muito
perigoso, porque alguns desses grupos têm um poder mais importante
de causar prejuízos e podem obter resultados mais facilmente do
que os outros, em detrimento da solidariedade".
No mundo político, as únicas entidades que apoiaram os
grevistas foram o Partido Liberal e a esquerda radical, ambas da oposição à grande
coalizão dirigida por Angela Merkel. Nesse sentido, Willi von
Ooyen, que encabeçou a lista do Linkspartei (a esquerda radical)
nas eleições regionais de Hesse, em 27 de janeiro, afirma
não desconhecer os riscos de haver uma greve corporativista, mas
sublinha também que o movimento dos maquinistas afirmou a sua "identificação
com uma profissão", orgulho da classe operária que
tem sido maltratada nos últimos anos pelas diversas formas de
trabalho precário.
Este conteúdo simbólico embutido na greve do setor ferroviário
explica o amplo apoio que lhe foi dado pela opinião pública.
Para muitos alemães, o limite do suportável foi alcançado
na soma de todos os sacrifícios que têm sido exigidos ao
longo dos últimos quinze anos. No momento em que a chanceler proclama
que "o reaquecimento já chegou", poucos chegaram a sentir
os seus efeitos. O slogan que foi popularizado por Gerhard Schröder,
chanceler de 1998 a 2005 - "quando a indústria alemã vai
bem, o operário alemão vai bem", uma versão
germânica da expressão francesa "quando a construção
civil vai bem, tudo vai bem" - não se verifica mais na atualidade.
A idéia tradicional de que um operário especializado da
indústria deveria ser bem remunerado foi minada pela globalização,
as deslocalizações industriais e o desenvolvimento dos
empregos precários. Aliás, segundo um sindicalista, as
diversas formas de flexibilidade do trabalho mataram o próprio
conceito de profissão.
As estatísticas mostram que a Alemanha se tornou um país
de baixos salários, se comparado com outros países europeus.
Esta constatação, que contradiz um grande número
de clichês, pode ser explicada pela conjunção de
diversos fatores, pelas medidas que foram tomadas pelo governo, entre
outras a Agenda 2010, que havia sido preparada pela coalizão "Vermelha
e Verde" liderada por Gerhard Schröder, e que foi mantida pela
grande coalizão dos democrata-cristãos e dos social-democratas.
Ela também pode ser explicada pelo crescimento do desemprego
no decorrer dos anos 1990, pelo recurso ao emprego de meio-período,
cujas vagas foram multiplicadas por dois em dez anos, os contratos de
duração determinada e pela terceirização
de certas tarefas. Assalariados que foram demitidos são incentivados
a fundarem a sua própria empresa e a fornecerem os seus serviços
para o seu antigo empregador, por uma quantia inferior àquela
da sua remuneração anterior. Ou ainda, companhias demitem
os seus empregados e os recontratam para trabalharem numa filial criada
para esta finalidade, com salários mais baixos, horários
mais extensos e em condições mais severas.
Esta situação tem como outra conseqüência
o enfraquecimento dos sindicatos. Desde os dias que se seguiram à Segunda
Guerra Mundial, o modelo alemão (criado então pela Alemanha
Ocidental) estava baseado no equilíbrio entre as associações
de empregadores e os sindicatos de assalariados. O próprio vocabulário
utilizado refletia esta suposta paridade. O tradicional confronto entre
os patrões e os trabalhadores colocados frente a frente deixara
de existir, sendo substituído por negociações entre
os "Arbeitgeber" e os "Arbeitnehmer", os fornecedores
de trabalho e os prestadores de trabalho. Esta nova situação
foi chamada de "a autonomia dos parceiros sociais". Atualmente,
muitas empresas passaram a dispensar este sistema que implicava em convenções
coletivas setoriais e regionais, e até mesmo nacionais. O mesmo
movimento está incentivando o aparecimento de sindicatos de categorias,
tais como o GDL dos maquinistas de trens, que podem chegar a conquistar
sucessos pontuais como resultados de conflitos duros, mas que parecem
incongruentes no país da greve controlada e do compromisso social.
Dessa forma, vai se concretizando uma
ruptura do tecido social consensual que, em conseqüência do milagre econômico do pós-guerra,
havia transformado a República Federal numa vasta classe média.
Naquela época, não só as diferenças entre
os níveis de renda estavam entre as mais reduzidas da Europa Ocidental,
como a grande maioria da população também levava
um modo de vida homogêneo, que poderia ser qualificado de "pequeno
burguês". Havia evidentemente pobres e ricos, mas ninguém
era muito pobre ou muito rico, e, em todo caso, os muito ricos não
exibiam um modo de vida que ostentava a sua condição. Os
sociólogos falavam num "nivelamento social em volta do centro".
Hoje, 60% dos alemães continuam se identificando com a classe
média, mas o temor do empobrecimento tomou conta desta última.
E não é por menos.
" A classe média está derretendo pelas duas pontas",
constata o dirigente sindical Jürgen Bothner. "Pelo lado de
cima, em que um número reduzido de pessoas vem ganhando cada vez
mais, e pelo lado de baixo, no qual um grande número de pessoas
vem empobrecendo". Até 2000, os salários nas duas
extremidades da escala evoluíam como se fossem duas linhas paralelas.
Desde então, as curvas vêm divergindo. Tomando por base
o ano de 1992, a renda dos 10% mais ricos da população
alemã havia aumentado em 12% em 2000, e em 31% em 2006. Enquanto
neste mesmo período, a renda dos 10% mais pobres havia aumentado
em 6% em 2000, mas acabou recuando 13% em 2006.
Também em 2000, que foi um ano de forte crescimento econômico
(3,2%), o sentimento de equidade estava aumentando. Já, em 2007,
apesar de um crescimento de 2,6% e de uma espetacular redução
do desemprego, ele está diminuindo. Isso porque os frutos do crescimento
estão sendo mal distribuídos, e isso de uma forma que está se
tornando cada vez mais aguda. A reforma das alocações de
desemprego, associada ao nome do antigo diretor dos recursos humanos
da Volkswagen, Peter Hartz, e principalmente a reforma conhecida como
Hartz 4, que combina as indenizações de desemprego com
formas de ajuda social, acelerou o processo de empobrecimento. O número
de crianças pobres, isto é, aquelas cujos pais são
obrigados a viver com menos da metade da renda média, alcançou
2,5 milhões. Com a reforma Hartz 4, as famílias recebem
a quantia irrisória de 2,39 euros (R$ 6,29) por dia, como ajuda
para a alimentação, e de 1,79 euro (R$ 4,71) por mês
para a compra de material escolar!
Assim, não surpreende que os salários elevados dos dirigentes
de empresa, as stock-options, as indenizações por demissão,
e, sobretudo, a atribuição dessas vantagens àqueles
que fracassaram em sua missão, choquem o grande público,
os homens políticos e as Igrejas, que permanecem até hoje
uma força moral e exercem uma missão caritativa oficial. "Aquele
que exige sacrifícios dos seus colaboradores deve se perguntar
se é judicioso conceder a si mesmo generosos aumentos de salário",
declarou o presidente da República, o democrata-cristão
Horst Köhler.
Em determinado momento, a chanceler Angela
Merkel estudou até mesmo
estabelecer um teto para as remunerações dos chefes de
empresa. Só que ela não demorou a dar marcha-ré.
Mas ela não conseguiu impedir que se desenvolvesse um debate em
torno da instauração de um salário mínimo.
Alvos de zombaria por parte da oposição liberal, que acreditou
detectar na sua iniciativa resquícios do socialismo à moda
da Alemanha Oriental, os democrata-cristãos decretaram a implantação
de um salário mínimo nos Correios. O SPD recuperou por
conta própria a reivindicação sindical de um salário
mínimo generalizado a 7,50 euros (R$ 19,75) a hora de trabalho,
ou seja, pouco mais de 1.200 euros (R$ 3.160) por mês. O ministro
(social-democrata) do trabalho, Olaf Scholz, está preparando uma
lei nesse sentido, apesar da oposição do patronato. Este último
está agitando a ameaça de uma nova disparada do desemprego
e exige que a instauração de salários mínimos
por categoria seja decidida por meio da negociação social.
Trata-se de uma maneira de recusar o próprio princípio
do salário mínimo, uma vez que o número dos assalariados
que deixaram de estar cobertos pelas convenções coletivas
está crescendo cada vez mais.
Mas isso não impede que o SPD tenha encontrado nesta questão
um tema popular - 75% dos alemães se dizem favoráveis a
um salário mínimo, segundo informou a revista semanal "Der
Spiegel". Nesse sentido, ele se vale desta proposta para marcar
a sua diferença em relação ao seu parceiro na grande
coalizão e para trazer de volta à atualidade a questão
da justiça social, um antigo cavalo de batalha da social-democracia.
|
Gazeta do Povo, 26 de janeiro
de 2008
ECONOMIA | PESQUISA
Empresário da indústria
começa o ano mais confiante que em 2007
Índice de expectativa positiva
saltou de 60,4 pontos para 61,8 pontos
São Paulo – O empresário da indústria está mais
confiante no início de 2008 do que esteve em todo o ano passado,
de acordo com o Índice de Confiança do Empresário
Industrial (Icei), medido trimestralmente pela Confederação
Nacional da Indústria (CNI). O indicador apontou 61,8 pontos em
janeiro, contra 60,4 pontos verificados em outubro do ano passado.
Segundo os técnicos da CNI, os números costumam ser maiores
na virada do ano, como parte do efeito das perspectivas otimistas de
ano novo. Porém, eles vêem que também ocorreu um
aumento do otimismo sem fatores sazonais. “O índice denota
aumento de confiança na comparação com todo o ano
de 2007”, informaram.
O empresário de pequeno porte foi o que teve maior alta no índice – atingindo
61,1 pontos, o mais alto desde abril do ano passado. Entre os de médio
porte, o índide passou de 59,5 pontos em outubro para 61,7 pontos
agora, e, entre os de grande porte, passou de 62,2 pontos para 62,4 pontos
na mesma base de comparação.
A amostra da pesquisa é de 745 empresas de pequeno porte, 423
de médio porte e 226 grandes empresas. Os dados fora coletados
entre os dias 2 e 22 deste mês. No Icei, resultados acima de 50
pontos indicam confiança positiva. Cem pontos indicam otimismo
absoluto, e zero aponta pessimismo em todos os entrevistados.
Consumo
Já entre os consumidores, as perspectivas não são
assim tão otimistas. De acordo com dados divulgados na quinta-feira
pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a confiança
do consumidor caiu 2,6% em janeiro, a maior queda desde março
do ano passado.
|
Gazeta do Povo, 26 de janeiro
de 2008
ECONOMIA | ARAPONGAS
Feira reúne fornecedores
do setor de móveis
A cidade de Arapongas, no norte do estado, deve movimentar R$ 300
milhões
em negócios entre os dias 8 e 11 de abril, quando será realizada
a sexta edição da Feira Internacional da Qualidade em Máquinas,
Matérias Primas e Acessórios para a Indústria Moveleira
(FIQ). O evento, que reúne fornecedores nacionais e internacionais do
segmento, irá apresentar lançamentos para o setor. Está confirmada
a participação de 150 expositores de várias regiões
do país e a expectativa é de que a feira receba 28 mil visitantes.
|
Gazeta do Povo, 26 de janeiro
de 2008
ECONOMIA | CRÉDITO
No início do ano, bancos
já estão de olho no 13.º
Instituições oferecem
adiantamento, mas é preciso ter cautela
por CRISTINA RIOS
O ano mal começou e os bancos já abriram a temporada de antecipação
do 13.º salário, de olho no tradicional aperto nas contas dos clientes
nesse início de ano, com as despesas com Imposto sobre Propriedade de
Veículos Automotores (IPVA), Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU),
Imposto de Renda, matrículas e material escolar. A vantagem é que
alguns bancos reduziram a taxa de juros cobrada no empréstimo, mas especialistas
alertam que é preciso ter cautela na hora de apelar para esse recurso.
Se a pessoa já possui dívidas no rotativo do cartão
de crédito, no crediário de lojas ou no cheque especial,
cujos juros não raro ultrapassam os 100% ao ano, recorrer à antecipação
do décimo terceiro salário pode ser uma boa alternativa,
segundo o economista José Pio Martins, do UnicenP. “Ela
vai trocar uma dívida mais cara por outra mais barata”,
diz.
A lógica não vale, no entanto, para quem não tem
dívidas.“ Usar empréstimo para comprar um produto
supérfluo, por exemplo, é um péssimo negócio.
O consumidor precisa ter em mente que vai comprometer recursos que seriam
utilizados em uma época de aumento de despesas”, diz.
Em geral, a taxa cobrada pelos bancos na
antecipação não
supera 5% ao mês, já que, a exemplo do empréstimo
consignado, não há inadimplência: o pagamento cai
direto na conta no momento em que o rendimento é depositado. “Para
os bancos é um grande negócio emprestar dinheiro com juros
de 5% ao mês. Agora nem sempre essa vantagem se aplica ao consumidor. É preciso
fazer as contas na ponta do lápis”, diz Martins.
Banco do Brasil, Itaú e Caixa Econômica já abriram
suas linhas de antecipação de décimo terceiro para
este ano. Outros, como Santander, estão atualizando suas taxas
e devem oferecer a linha nos próximos dias. Já o HSBC só deve
disponibilizar o empréstimo em meados do ano.
O Itaú oferece empréstimo de R$ 80 a R$ 5 mil, com taxas
de juros entre 2,5% e 4,5% ao mês. A Caixa Econômica reduziu
os juros de 2,8% para 2,5% ao mês, com empréstimos de R$
190 a R$ 20 mil. O empréstimo, no entanto, só pode ser
contratado até 180 dias antes do pagamento da parcela.
O Banco do Brasil (BB) cobra 2,55% ao mês, mas é preciso
pagar uma taxa de abertura de crédito que equivale a 5% do valor
do empréstimo. Para correntistas, ela varia de R$ 20 a R$ 150.
O BB empresta até 50% do valor do benefício para aposentados
e pensionistas e 35% para correntistas que recebem salário pelo
banco em duas parcelas.
Apesar de tanta oferta de crédito no mercado – as operações
já atingem 30% do Produto Interno Bruto (PIB) – o planejamento
de despesas não pode ser deixado de lado, segundo os economistas.“O
ideal é antecipar somente em casos de emergência”,
diz Gerson Lima, professor de economia da Facinter.
|
Folha de São Paulo,
26 de janeiro de 2008
"Sobra" 1 milhão
de empregos qualificados
País registrou no ano passado
o pior desempenho na recolocação de trabalhadores
desde 2000, com índice de 47%
Vagas não são preenchidas por falta
de qualificação, diz ministério do Trabalho; faltam
engenheiros e motoristas de carreta
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Brasil registrou em 2007 o pior desempenho
na inserção
ou recolocação de trabalhadores no mercado formal dos últimos
anos. Dados do Sine (Sistema Nacional de Empregos) obtidos pela Folha
mostram que o sistema público de recrutamento captou no ano passado
o número recorde de 1,927 milhão de vagas no mercado, mas
somente 907 mil foram preenchidas pelo sistema.
Sobrou 1,02 milhão de postos -volume recorde. O índice de recolocação
dos trabalhadores ficou em 47%, o que é o menor percentual desde 2000.
Na avaliação do Ministério do Trabalho, que é o
responsável pelo Sine, a falta de qualificação dos trabalhadores
foi o principal obstáculo para a (re)inserção da mão-de-obra
no mercado formal.
A sobra de vagas ocorre num momento de expansão do emprego. Nesta semana,
o IBGE divulgou a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas
do país, que fechou o ano passado em 9,3% -o menor nível anual
da série histórica iniciada em 2002.
Entre as ocupações em que houve sobra de vagas em 2007 estão
motoristas de carretas e engenheiros. No caso dos "carreteiros",
só 11% das vagas oferecidas no Sine foram preenchidas. A atividade influencia
no sistema de transporte de carga e pode comprometer o escoamento da produção.
" O empresário não vai colocar um caminhão que vale
R$ 400 mil e uma carga ainda mais valiosa nas mãos de um trabalhador sem
qualificação para a tarefa", diz Ezequiel Nascimento, assessor
especial do ministério. Entre os engenheiros, a falta de profissionais
qualificados ocorreu principalmente no Estado de São Paulo.
A atividade é crucial para o crescimento econômico, pois afeta
projetos de infra-estrutura. O ministério destaca que a escassez de
mão-de-obra qualificada é maior nos setores que estão
sendo reativados, como a indústria naval, ou naqueles que respondem
mais rapidamente ao crescimento econômico, como a indústria de
base.
" Se queremos crescer, é preciso superar a questão da baixa
qualificação. Se não fizermos isso, essa carência
de trabalhador qualificado poderá bloquear ou atenuar as possibilidades
de crescimento da economia", afirma o professor da Unicamp Cláudio
Dedecca.
O especialista avalia, porém, que os índices de recolocação
por parte de sistemas públicos de emprego, não apenas no Brasil
como em outros países, não são muito elevados, se situando
entre 50% e 60%. " Além disso, não dá para termos
esperanças. As empresas usam diferentes formas de recrutar trabalhadores
no mercado. Além do sistema público, há o privado e a
contratação direta", afirma.
Dedecca diz que o país atravessou longo período sem crescimento
contínuo do mercado de trabalho formal, o que teria "sucateado" as
vagas existentes e também levado as empresas a não investir em
treinamento. No ano passado, o Ministério do Trabalho direcionou R$
114 milhões para programas de qualificação. A Folha não
conseguiu levantar o quanto foi efetivamente gasto.
|
Folha de São Paulo,
26 de janeiro de 2008
Governo quer convênio
com o Sistema S
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Na tentativa de driblar as restrições orçamentárias,
o Ministério do Trabalho negocia com o Sistema S (Sesi, Senai,
Sesc, Senac, entre outros) alternativas para elevar a oferta de qualificação
de mão-de-obra. O ministro Carlos Lupi disse que pretende pagar
ao sistema para que ofereça treinamento a trabalhadores que recebem
o seguro-desemprego.
Na negociação, o Sistema S teria de reduzir o custo da hora/aula,
considerado elevado pelo governo. Em contrapartida, o governo supriria a ociosidade
nos cursos oferecidos pelas entidades. "Já que as vagas iam sobrar,
podem cobrar só metade do preço. Para o governo, isso permitirá que
o trabalhador arranje um emprego mais rápido e reduza os gastos com
as parcelas do seguro-desemprego", afirmou Lupi.
Para este ano, antes dos cortes iminentes do Orçamento por conta do
fim da CPMF, estavam previstos R$ 857 milhões para a qualificação.
Os recursos provêm do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), que também
estão sujeitos à tesoura da equipe econômica.
Seguro-desemprego
Inicialmente, Lupi cogitou vincular o pagamento do seguro-desemprego
a programas de treinamento, mas desistiu, pois isso exigiria mudanças na legislação.
" Mas vamos tentar fazer um monitoramento, oferecendo treinamento a esse
trabalhador. Isso deverá, inclusive, reduzir as fraudes no seguro-desemprego",
afirmou o ministro, referindo-se a casos de trabalhadores que simulam demissões
para receber o benefício. (JS)
|
Revista Consultor Jurídico,
26 de janeiro de 2008
Vínculo de emprego
Sesi é condenado por
atrasar pagamento de verbas rescisórias
Se não há dúvida sobre vínculo, empresa pode ser
condenada a pagar multa por não acertar as verbas rescisórias.
O entendimento é da 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
Os ministros negaram o recurso do Sesi, condenado a pagar multa por desobediência
aos prazos de pagamento das verbas rescisórias. O Sesi argumentou que
havia controvérsia quanto ao reconhecimento do vínculo de emprego
de uma professora (autora da ação) contratada por meio de cooperativa.
O TST seguiu o entendimento
da Orientação Jurisprudencial
351 da Seção Especializada em Dissídios Individuais
I. Segundo o texto, não se aplica multa rescisória quando
há “fundada controvérsia quanto à existência
de obrigação cujo inadimplemento gerou a multa”.
De acordo com relator
do recurso do Sesi, ministro Maurício Godinho
Delgado, apesar de a professora ser contratada por uma cooperativa, era
nítida sua subordinação hierárquica ao Sesi.
Delgado ressaltou, ainda, que as exigências pedagógicas
feitas pelo Sesi para os professores cooperados eram idênticas
as dos professores empregados, o que confirma o vínculo empregatício.
“A desconsideração desse critério estaria
conferindo salvo-conduto ilegítimo a todas as alegações
patronais de inexistência de relação empregatícia,
bastando serem ventiladas em defesa pelo empregador, para que se caracterize
a situação de dúvida razoável que leva à exclusão
da sanção”, concluiu o ministro.
RR — 921/2005-009-03-00.6
|
Agência Câmara,
26 de janeiro de 2008
Projeto exclui benefício
do cálculo de renda familiar
Bernardo Hélio

Maurício Rands quer adptar
Lei da Assistência Social ao Estatuto do Idoso.
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 1959/07, do deputado Maurício
Rands (PT-PE), que exclui do cálculo da renda familiar o Benefício
de Prestação Continuada (BPC-Loas), pago ao idoso ou pessoa portadora
de deficiência incapaz de prover a própria sobrevivência.
A proposta altera a Lei Orgânica da Assistência Social (Loas -
8742/93).
Pela legislação em vigor, é considerada incapaz
de prover a manutenção da pessoa portadora de deficiência
ou idosa a família cuja renda mensal per capita seja inferior
a 1/4 do salário mínimo (R$ 380,00). O texto apresentado
por Rands propõe que o Benefício de Prestação
Continuada já concedido a qualquer integrante da família
não será computado para os fins do cálculo da renda
familiar mensal per capita.
Estatuto do Idoso
O autor lembra que o Estatuto do Idoso (Lei 10741/03) já definiu que
não se considera o BPC pago ao idoso no cálculo da renda familiar.
Ele lembra, no entanto, que a lei não abrange as famílias de
pessoas portadoras de deficiência.
Maurício Rands afirma que a proposta pretende garantir "a
devida comprovação da situação de carência às
pessoas portadoras de deficiência e aos idosos que fazem jus ao
Benefício de Prestação Continuada". O deputado
lembra ainda que a Justiça vem permitindo outros meios de comprovação
da carência econômica, exigida por ocasião do pedido
de concessão do BPC, em razão da "insuficiência
dos critérios definidos" pela Loas.
Tramitação
O projeto tramita apensado ao PL 3967/97, do deputado Arnaldo Faria
de Sá (PTB-SP),
que estende a concessão da gratificação natalina aos que
se encontram em gozo da Renda Mensal Vitalícia. As proposições
serão analisadas, em caráter conclusivo, pelas comissões
de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.

|