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O Estado do Paraná,
27 de janeiro de 2008
Direito e Justiça
Um resgate necessário:
Conferência Estadual do Trabalho no Paraná
Proposta, Objetivos, Temática, Organização
(1)
Edésio Passos
A Conferência Estadual do Trabalho no Paraná foi ato preparatório
ao Fórum Nacional do Trabalho, organizada e efetivada a partir
de maio de 2003, sob direção geral do dr. Geraldo Serathiuk,
então delegado regional do Trabalho no Paraná. Participei
como mediador da conferência e a relatora foi a professora dra.
Aldacy Rachid Coutinho, da Universidade Federal do Paraná, responsável
pela elaboração do relatório-síntese divulgado
em 7 de agosto de 2003. Passados mais de quatro anos, esse relatório
permanece atual pela abordagem das principais questões sobre as
reformas trabalhista e sindical. Pouco divulgado foi publicado na Revista
do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná, n.º 51 (julho/dezembro-2003)
- é necessário o seu resgate em um momento em que as organizações
ligadas ao mundo das relações do trabalho buscam novos
enfoques para a superação dos conflitos existentes, em
especial no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva e face os debates que ocorrem no Congresso Nacional sobre o reconhecimento
das Centrais Sindicais e outras questões sindicais. Assim como,
aproveitando o momento de ascensão da economia brasileira, propiciando
equilíbrio mínimo para a retomada do debate dos pontos
enfrentados naquela conferência. Por isso, como contribuição
ao conhecimento dos posicionamentos majoritários e minoritários
que se expressaram naquela conferência, publicamos série
de textos desmembrados do relatório da dra. Aldacy Rachid Coutinho
que, com a perfeição e clareza, traduziu os debates havidos.
“1. Da proposta: O
Fórum Nacional do Trabalho é o
espaço aberto de diálogo social sobre as questões
políticas, sociais, econômicas, sindicais e jurídicas
que pautam a contemporaneidade do mundo do trabalho, iniciado pelo Ministério
do Trabalho e Emprego e descentralizado em Conferências Estaduais
coordenadas pelas Delegacias Regionais do Trabalho. A Conferência
Estadual do Trabalho do Paraná, através dos representantes
dos trabalhadores, dos empregadores, do governo e de outros setores,
de âmbito estadual e nacional, contribuiu com o debate e oportunizou
a apresentação de proposições para re-regulamentar
as relações entre capital e trabalho, quer no âmbito
individual quer no sindical.
O Fórum Nacional do Trabalho foi instalado oficialmente no dia
29 de julho de 2003, em solenidade realizada em Brasília, DF,
com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
e do ministro do Trabalho Jaques Wagner. O Fórum Nacional do Trabalho
subsidiará, através dos resultados dos trabalhos apresentados
como proposições de consenso e dissenso, projetos de lei
a serem elaborados pelo Poder Executivo para a reforma trabalhista e
sindical. Os resultados dos trabalhos serão ao final encaminhados
diretamente ao Presidente da República ao Congresso Nacional.
2. Dos objetivos: O escopo
primordial é iniciar
um processo contínuo de democratização das relações
de trabalho a partir dos diversos segmentos da sociedade revelados no
tripartismo governo, empregados e empregadores - na busca de um consenso
possível entre os atores sociais para conduzir as reformas no
sistema brasileiro de relações trabalhistas. A realização
do objetivo pretendido é viabilizar mediante incentivo para a
análise e debate em torno das problemáticas da atualidade,
olhando as experiências do passado com a visão do futuro
e oportunidade da abertura de canais, a indicação de proposições
que pautem a reforma da ordem juslaboral. Resta garantida e efetivada
a democracia participativa entabulada pela via da concertação
social em detrimento de uma superada perspectiva de democrática
representativa. Dentre as mudanças apontadas pelo Governo Federal,
por seu Ministério do Trabalho e do Emprego, que neste aspecto
exterioriza um certo consenso na sociedade, está a emergência
de uma suposta modernização do Direito do Trabalho, atualizando
a legislação trabalhista para torná-la mais compatível
com as novas exigências do desenvolvimento nacional. Para além
do discurso e da retórica, partícipes do mundo do trabalho,
na perspectiva da construção de uma sociedade mais justa
e solidária, includente dos que já participaram e hoje
estão excluídos da ordem econômica capitalista e
dos que por falta de qualificação ou deficiência
na formação são tidos como incluíveis, plantam
a esperança da construção. É necessário
tomar em consideração, de qualquer sorte, que a mudança
significa não somente alteração da legislação,
senão ainda e principalmente a concessão de maior efetividade às
regras jurídicas postas, fortalecendo o Estado e suas instituições.
Uma nova concepção de sociedade, na qual haverá privatização
do espaço privado e publicização do espaço
público, para que cada um se reconheça na sua identidade,
nos seus interesses e valores os limites da democracia e da solidariedade.
Vive-se a complexidade. No mesmo trilhar, não mais é possível
pensar no mundo do trabalho somente pela realidade do emprego, tanto
em face da sua escassez enquanto bem, como pela presença de outras
formas de trabalho que devem ser disciplinadas, de sorte a sempre assegurar
condições sociais mínimas de dignidade à pessoa
trabalhadora. O combate à informalidade e fomento à geração
de emprego, ocupação e renda são então premissas
para construção desta indicada sociedade mais justa e solidária,
expressão da cidadania trabalhadora que devem ser pensadas no
marco normativo constitucional que institui um Estado Democrático
de Direito.Mas não é ainda factível pensar em capitalismo
sem força de trabalho, daí porque há que se indicar
soluções públicas ou privadas, voluntárias
ou facultativas, aos conflitos coletivos e individuais. Para democratização
das relações entre capital e trabalho urge, então,
promover um diálogo social também em torno da opção
pelo modelo de organização e atuação sindical
que melhor garanta a liberdade e a autonomia sindical preconizada nos
instrumentos normativos da Organização Internacional do
Trabalho, como indica o próprio Ministério do Trabalho
e do Emprego, estimulando a negociação coletiva de trabalho
nos seus âmbitos de representação, como instrumento
que assegure a adaptabilidade às especificidades de cada categoria,
setor ou profissão, em qualquer dos níveis, mediante diversos
instrumentos normativos. Da mesma forma, o aprimoramento do processo
do trabalho deve passar necessariamente pela rediscussão do papel
e da atuação da Justiça do Trabalho, conferindo
maior abrangência, agilidade e objetividade às decisões
judiciais que mantém a pacificação e coesão
social e a garantia da observância das regras jurídicas
disciplinadoras das relações capital/trabalho, com a celeridade
processual necessária.
3. Da temática: Foram
privilegiadas as temáticas
indicadas com base nas diretrizes encaminhadas pelo Ministério
do Trabalho e Emprego e nas recomendações emanadas do Conselho
de Desenvolvimento Econômico e Social. As discussões e proposições
abarcaram as questões afetas ao mundo trabalho, distribuídas
as temáticas em (de) 8 (oito) Grupos de Trabalho especialmente
constituídos: GT1 Organização Sindical: modelo de
organização sindical, representação e representatividade,
garantias sindicais e sustentação financeira; GT2 Negociação
Coletiva: estrutura e níveis de negociação, atores
e instrumentos e conteúdos da negociação; GT3 Composição
de Conflitos: solução de conflitos individuais e coletivos,
instrumentos de conciliação, mediação e arbitragem
e papel do Ministério Público e Emprego e da Justiça
do Trabalho; GT4 Legislação do Trabalho: normas constitucionais
e infraconstitucionais, normas sobre inspeção do trabalho,
normas sobre saúde e segurança no trabalho; GT5 Normas
sobre as Condições de Trabalho; GT6 Organização
Administrativa e Judiciária; GT7 Qualificação e
Certificação Profissional; GT8 Micro e Pequenas Empresas
e Outras Formas de Trabalho: cooperativismo e empreendedorismo, informalidade
trabalho atípico e especificidades da microempresa. Os Encontros
Regionais mantiveram idêntica pauta de discussões, abordando
temáticas afetas à organização sindical,
negociação coletiva, legislação do trabalho,
composição de conflitos e outras formas de trabalho.
4. Da organização: A
Delegacia Regional do Trabalho, pelo seu delegado Geraldo Serathiuk,
coordenou as atividades
da Conferência Estadual do Trabalho, tendo encaminhado no dia 19
de maio de 2003 o documento “Fórum Nacional do Trabalho
Organização e Calendário de Atividades”, bem
como informações quanto à data da realização
da Conferência Estadual do Trabalho no Estado do Paraná, às
seguintes representações: Secretaria de Estado do Trabalho,
Emprego e Promoção Social; Secretaria de Estado e Planejamento
e Coordenação Geral; Associação dos Magistrados
do Trabalho da 9.ª Região; Tribunal Regional do Trabalho;
Dieese Departamento Intersindical de Estatísticas e estudos Sócio-Econômicos;
OAB/PR Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Paraná;
Associação dos Advogados Trabalhistas do Paraná;
Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social Ipardes;
Universidade Federal do Paraná; Universidade Tuiuti do Paraná;
Uniandrade; Faculdades Integradas Curitiba; Unibrasil Faculdades do Brasil;
Unicenp Centro Universitário Positivo; Federação
dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná Fetaep; Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas do Estado
do Paraná; Federação dos Trabalhadores em Empresas
de Difusão Cultural e Artística no Estado do Paraná Senalba;
Federação das Indústrias do Estado do Paraná Fiep;
Federação da Agricultura do Estado do Paraná FAEP;
Federação do Comércio do Paraná - Fecomércio;
Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Estado
do Paraná Fetiep; Federação dos Empregados em Estabelecimentos
e Serviços de Saúde do Estado do Paraná; CGT Confederação
Geral dos Trabalhadores; CUT Central Única dos Trabalhadores;
SDS Social Democracia Sindical; Subdelegacias Regionais do Trabalho no
Estado do Paraná; Agências de Atendimento da DRT/PR; Conselho
Regional de Serviço Social - CRESS.
No dia 29 de maio de 2003, reunidos na
sala de reuniões do Conselho
Estadual do Trabalho, os participantes do Conselho Estadual do Trabalho
ouviram do delegado regional do Trabalho Geraldo Serathiuk, na qualidade
de coordenador, um pronunciamento sobre a Conferência Estadual
do Trabalho, tendo obtido total e irrestrito apoio com vistas à sua
organização. No dia 30 de maio de 2003 foram então
encaminhados convites para uma reunião designada para o dia 4
de junho de 2003, às 9h, na Delegacia Regional do Trabalho do
Paraná, com o escopo de discutir a organização da
Conferência Estadual do Trabalho e constituir a Comissão
Organizadora e Sistematizadora. Da reunião participaram 29 (vinte
e nove) representantes que receberam a proposta de organização
e calendário de atividades do Fórum Nacional do Trabalho,
a saber: Centrais Sindicais - CUT Central Única dos Trabalhadores;
SDS Social Democracia Sindical; CGT Confederação Geral
dos Trabalhadores; Força Sindical; Federação dos
Empregadores: Fiep Federação das Indústrias do Estado
do Paraná; Faep Federação da Agricultura do Estado
do Paraná; Fecomércio Federação do Comércio
do Estado do Paraná; Federação dos Trabalhadores
- Federação dos Trabalhadores na Indústria do Fumo
no Estado do Paraná e nas Indústrias de Cacau, Balas, Doces,
Bebidas em Pó e Preparados Sólidos para Refresco no Município
de Curitiba Sintrafucarb; Sindicatos - Sindicato Nacional dos Aposentados;
Entidades governamentais - Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego
e Promoção Social; Secretaria de Estado do Planejamento
e Coordenação Geral; Ministério Público do
Trabalho; DRT/Setor de Segurança e Saúde do Trabalhador;
DRT/Seção de Inspeção do Trabalho;DRT/Seção
de Relações do Trabalho; Universidade Federal do Paraná;
Fundacentro/PR; Outras Representações;Uniandrade; Associação
dos Advogados Trabalhistas do Estado do Paraná; Faculdades Integradas
Curitiba; Associação dos Magistrados do Trabalho da 9.ª Região;
Dieese Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos.
Restou definido que cada um dos segmentos
indicaria suas representações
por Termo de Adesão à Comissão de Organização
e Sistematização da Conferência Estadual do Trabalho
até 6 de junho de 2003, tendo sido agendada uma primeira reunião
para o dia 10 de junho de 2003, às 10h, no Auditório da
Delegacia Regional do Trabalho do Paraná, que contou com a participação
de 32 entidades, sendo: Centrais Sindicais: CUT, SDS, CGT e Força
Sindical; Federação dos Empregadores: Faep, Fiep e Fecomércio;
Federação dos Trabalhadores: Feeb/PR, Federação
dos Trabalhadores na Agricultura Familiar Fetraf-Sul e Federação
dos Trabalhadores nos Transportes Rodoviários do Estado do Paraná -
Fetropar; Sindicato dos trabalhadores: Sindicato dos Empregados no Comércio
Varejista de Gêneros Alimentícios em Mercados, Minimercados,
Supermercados e Hipermercados de Curitiba, Região Metropolitana
e Litoral Paranaense Siemerc; Entidades governamentais: Bancada Federal,
Secretaria de Estado do Emprego e Relações do Trabalho,
DRT/Seção de Relações do Trabalho; Universidade
Federal do Paraná, Tribunal Regional do Trabalho e Fundacentro/PR;
Outras Representações: Associação dos Magistrados
do Trabalho da 9.ª Região, Canal Rural e Dieese Departamento
Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos.
5. Da Comissão de Organização e Sistematização
da Conferência Estadual do Trabalho: A Comissão
de Organização e Sistematização da Conferência
Estadual do Trabalho no Estado do Paraná é composta de:
coordenador -Geraldo Serathiuk, delegado regional do Trabalho do Paraná;
mediador - Edésio Passos, advogado Trabalhista; relatora - Aldacy
Rachid Coutinho, professora da UFPR; representação governamental
- Tribunal Regional do Trabalho da 9.ª Região; Universidade
Federal do Paraná; Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego
e Promoção Social; Fundacentro/PR; Bancada Federal; Instituto
Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social Ipardes; Representação
dos empregadores - Fecomércio Federação do Comércio
do Estado do Paraná; FIEP Federação das Indústrias
do Estado do Paraná; FAEP Federação da Agricultura
do Estado do Paraná; Representação dos trabalhadores
- CUT Central Única dos Trabalhadores; CGT Confederação
Geral dos Trabalhadores; SDS Social Democracia Sindical; Força
Sindical; Fetaep; Fetraf-Sul - Federação dos Trabalhadores
na Agricultura Familiar.
6. Das atividades: As
atividades da Conferência
Estadual do Trabalho se desenvolveram nos 8 (oito) Grupos Temáticos
reunidos em Curitiba nas dependências da Universidade Federal do
Paraná a partir do dia 3 de julho de 2003 e nos Encontros Regionais
realizados em Maringá (27 de junho de 2003), Londrina (28 de junho
de 2003), Cascavel (4 de julho de 2003), Foz do Iguaçu (9 de julho
de 2003) Ponta Grossa (5 de julho de 2003) e Curitiba (11 de julho de
2003), sempre mantida a representatividade por bancada de trabalhadores,
de empregadores, do governo e de entidades não-governamentais,
com Coordenadores e Relatores especialmente indicados. Os relatórios
foram encaminhados até o dia 18 de julho de 2003 para a relatoria
da conferência, contendo as proposições de consenso
e dissenso por recomendação e sugestão em cada uma
das temáticas indicadas pelo Fórum Nacional do Trabalho,
de sorte que pudessem ser encaminhadas para debate na Plenária.
No dia 25 de julho de 2003, às 14h, nas dependências do
Tribunal Regional do Trabalho, com a presença dos integrantes
da Comissão de Organização e Sistematização
da Conferência Estadual do Trabalho, foi debatido e aprovado o
Regimento Interno e as proposições apresentadas pelos Grupos
de Trabalho e Encontros Regionais, mantida o encaminhamento por consenso
ou dissenso, para que fossem apreciados na Conferência Estadual
do Trabalho. A Relatora apresentou relatório-síntese parcial,
com a consolidação das proposições apresentadas
pelos diversos Encontros Regionais e Grupos de Trabalho, mantida a indicação
originária de consenso e dissenso por maioria ou minoria, a ser
posteriormente encaminhado para a Conferência Estadual do Trabalho
do Paraná, tendo sido após esclarecimentos sobre o procedimento
adotado devidamente aprovado”.
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
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Diário Vermelho, 27
de janeiro de 2008
Função de alto
risco: 11 prefeitos foram mortos desde 2005
Pelo menos 11 prefeitos e três vice-prefeitos foram mortos desde 2005,
quando começou o atual mandato dos chefes dos executivos municipais
no Brasil. Os dados foram levantados pelo portal G1. O caso mais recente ocorreu
em São Francisco do Glória (ES), onde o mandatário, Gilberto
Souza e Silva (DEM), foi assassinado em 13 de janeiro deste ano.
A nova ocorrência, segundo o presidente da Confederação
Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, confirma que que
a função de prefeito "é muito espinhosa. Entre
todos os gestores públicos — incluindo deputados, senadores,
governadores e presidente —, é seguramente o cargo de maior
risco".
A opinião é de alguém com experiência na área. “Não
tenho nenhuma dúvida que o cargo de prefeito é o mais vulnerável,
mais perigoso. Eu já fui prefeito duas vezes, mas não quero
mais. Ninguém mais está querendo, porque prefeito é uma
função de alto risco — não só físico
mas patrimonial, familiar", destacou Ziulkoski.
O último caso
Gilberto Souza e Silva, prefeito de São Francisco do Glória,
estava em um bar na orla de Piúma, no litoral do Espírito
Santo, quando foi morto com quatro tiros. A polícia descartou
a possibilidade de latrocínio (roubo seguido de morte) e afirma
que a hipótese mais provável é a de execução.
Na última terça-feira (22), foi divulgado o retrato falado
do suspeito de ter assassinado Silva. O delegado Milton Sabino, de Piúma,
responsável pelo caso, disse acreditar que o suspeito viajou para
o Espírito Santo só para executar o prefeito.
Para Sabino, as investigações reforçam a tese de
crime político. "Estamos investigando crime de mando, político,
sem descartar outras investigações, mas essa é a
linha principal. O mandante a gente acredita que não seja só um",
disse o delegado.
2007
Só no ano passado, foram assassinados os prefeitos de Coronel
Murta (MG), Inácio Carlos Moura (PP); de Presidente Vargas (MA),
Raimundo Bartolomeu Santos (PSC); de Ribamar Fiquene (MA), Hilter Alves
Costa (DEM); e de Aurelino Leal (BA), Gilberto Ramos de Andrade (PR).
Segundo as investigações, a morte do prefeito de Coronel
Murta não foi motivada por vingança. "Nas investigações
já realizadas, foi esclarecido que os autores não buscavam
matar o prefeito, mas sim lesar seu patrimônio", disse o delegado
Alcides Costa no ano passado.
O delegado geral da Polícia Civil do Maranhão, Jefferson
Portela, afirmou que o inquérito que apura o assassinato do prefeito
de Presidente Vargas já está no poder Judiciário. "Na
Polícia Civil, a investigação criminal já foi
concluída", disse.
De acordo com Portela, as investigações apontam o envolvimento
de outros políticos na morte do prefeito. "Os três
executores do crime estão presos. Mas também foram denunciados
vários políticos, entre eles alguns vereadores", afirmou
o delegado.
Já a morte de Hilter Costa ainda não foi solucionada. "Ele
tinha um perfil de uma vastíssima inimizade pessoal. A própria
filha deu um tiro nele dentro de casa. Pouco antes de morrer, mandou
dar uma surra de chicote no genro. Ele mesmo matou duas pessoas",
disse Portela.
O prefeito de Aurelino Leal (BA), Gilberto
Ramos de Andrade, foi morto com um tiro no peito, num trecho da BR-101,
perto da Fazenda Santa Cruz.
O prefeito dirigia um Passat quando foi interceptado por um Siena, que
era ocupado por dois homens. Um deles desceu e atirou no peito de Andrade.
Mesmo baleado, ele tentou se esconder em um matagal às margens
da rodovia, mas foi espancado na cabeça.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, dois
políticos da cidade foram apontados pelos autores do crime como
mandantes. O ex-prefeito José Augusto Neto está preso desde
o ano passado. Outro suspeito é o atual prefeito Giovani Lopes
Gagliano (PTN), que era o vice de Andrade, mas ele nega.
Outros casos
Em 2006, dois casos ganharam repercussão. O prefeito de Roteiro
(AL), Edvaldo dos Santos Ribeiro (PMDB), foi assassinado em uma emboscada,
enquanto o prefeito de Fênix (PR), Manoel Custódio Ramos
(PMDB), foi morto com cinco tiros após chegar em casa. No caso
da cidade paranaense, Aristóteles Dias dos Santos Filho (PMDB) — que
era o vice e assumiu o cargo com a morte do titular — foi preso
acusado de ser um dos mandantes do assassinato de Ramos. Aristóteles
está preso na Delegacia de Campo Mourão.
Em 2005, foram mortos os prefeitos de Buriti-Bravo
(MA), João
Henrique Leocádio Borges (PDT); de Porto Estrela (MT), Flávio
Farias (PFL, atual DEM); de Jussari (BA), Valdenor Cordeiro da Silva
(PSDB); e de Grossos (RN), João Dehon Neto da Costa (PPS). No
município de Grossos, o prefeito João Dehon Neto da Costa
e seu motorista teriam sido mortos por engano em uma ação
policial, em Santa Maria (RN). Os seis policiais civis envolvidos foram
indiciados por homicídio doloso e lesão corporal.
Em relação ao prefeito de Jussari, a polícia não
conseguiu confirmar se ele se suicidou ou foi envenenado. O prefeito
de Porto Estrela foi assassinado quando voltava para sua residência,
enquanto o de Buriti-Bravo foi encontrado morto com um tiro no ouvido.
Vices
Em 2006, foi assassinado o vice-prefeito
de Boa Vista do Ramos (AM), João Carlos Matos de Oliveira (PT). No ano passado, foram mais
dois casos de homicídios contra vices — Romeu Ananias de
Souza (PP), de Ibituruna (MG), e Gilberto Pereira Alves, Pilar (AL).
Segundo a polícia, o vice-prefeito de Boa Vista do Ramos foi
morto em 31 de dezembro de 2006 após discutir em um bar com um
jovem de 21 anos, que teria exigido que João Carlos Matos de Oliveira,
que estava no local, lhe pagasse uma bebida.
O vice-prefeito de Ibituruna foi morto
a tiros em 7 de abril do ano passado, dentro da própria casa, na frente de um filho. O delegado
responsável pelo caso, Osvaldo Wiermann Júnior, disse que
as investigações descartaram a hipótese de latrocínio.
Em relação ao assassinato do vice-prefeito de Pilar, que
aconteceu em 19 de janeiro de 2007, a polícia prendeu três
pessoas suspeitas de envolvimento no crime. Entre os detidos, estavam
um ex-policial e o filho de um delegado da Polícia Civil.
Casos suspeitos
O prefeito de Monte Alto (SP), Gilberto
Morgado (PT), morreu em 9 de junho de 2006 após cair do 23º andar de um flat em São
Paulo. Apesar de as investigações da polícia não
confirmarem, há suspeitas de que ele pode ter sido empurrado.
Em abril de 2005, o prefeito de Capim Branco
(MG), Francisco Enéas
Xavier (PL, atual PR), foi encontrado morto, com a marca de um tiro no
peito, em um sítio de sua propriedade, segundo a polícia.
De acordo com as investigações, Xavier teria cometido suicídio.
Da Redação, com informações
do G1
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Diário Vermelho, 27
de janeiro de 2008
'CartaCapital': crise nos
EUA encontra Brasil menos indefeso
“ O Banco Central dos Estados Unidos baixa a taxa
de juro, incendeia os mercados, mas desta vez o Brasil pode resistir à tormenta”. É o
que opina a revista CartaCapital, em matéria intitulada “Menos
indefesos” e publicada na edição desta semana. “A
luz amarela acendeu, mas os investimentos estão mantidos,
ainda pelo consumo”, agrega o texto, que traz a assinatura
dos jornalistas André Siqueira e Márcia Pinheiro.
De acordo com a revista, quem acompanha
as sucessivas crises financeiras, especialmente de meados dos anos
90 para cá, tem motivos suficientes
para ficar escaldado quando autoridades vêm a público dizer
que o Brasil está sólido e imune a turbulências.
Desta vez, para alívio do governo Lula, há sinais de que
o país se encontra em uma situação menos grave para
atravessar a tempestade.
CartaCapital vai além. Chega a afirmar que, se a economia global
não entrar numa espiral perversa por falta de confiança
no sistema, é possível que os efeitos sobre a economia
real brasileira sejam quase imperceptíveis.
É certo, segundo a revista, que a economia não crescerá os
5,5% previstos pelo BNDES neste ano. As instituições financeiras
prevêem aumento de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), mas tudo
dependerá da evolução americana. Na pior das hipóteses,
em uma catástrofe mesmo, seriam apenas 2,5%, pelo efeito estatístico
dos investimentos e do aumento do crédito verificados em 2007.
Não se detecta fuga desenfreada de investidores estrangeiros,
mas deve haver um déficit manejável das contas externas
brasileiras neste ano, em torno de US$ 5 bilhões. Do lado positivo,
para agüentar o tranco, o país detém reservas internacionais
fortes, de 185 bilhões de dólares. Só para comparar,
em dezembro de 1998, quando eclodia a crise asiática, havia cerca
de 35 bilhões de dólares.
O governo ainda toca o Programa de Aceleração de Crescimento
(PAC). Se o dólar avançar um pouco, pode ser um mal que
vem para o bem — para que as exportações domésticas
se sofistiquem e não sejam centradas em commodities.
BC
Um fato inegável enegativo: o conservadorismo na política
monetária tende a se fortalecer. O presidente Lula vai se fiar
mais nas avaliações do presidente do Banco Central, Henrique
Meirelles, que rouba a cena quando o assunto é estabilidade.
Na reunião do Comitê de Política Monetária
(Copom), na quarta-feira 23, o BC ainda mostrou austeridade. Manteve
a taxa básica de juro em 11,25% ao ano, sem viés, e informou
que “vai acompanhar o cenário macroeconômico até a
próxima reunião” (em 4 e 5 de março).
Mas não se descarta uma alta do juro, para atrair capitais externos
e refrear o consumo. Antes disso, o BC discute restringir a concessão
de crédito. Fontes confirmam que os diretores da instituição
já alertaram o mercado de que pode ser mudado o coeficiente crédito
versus patrimônio.
Ou seja, para ampliar a carteira de empréstimos, os bancos teriam
de ter um estofo financeiro maior. Outra hipótese é limitar
os prazos dos financiamentos, até para evitar uma bolha doméstica.
Há, no entanto, um senão: é justamente na demanda
doméstica que repousa a aposta do ministro da Fazenda, Guido Mantega,
para compensar o enfraquecimento global.
Da Redação,
com informações
da CartaCapital
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Congresso em Foco, 27 de janeiro
de 2008
Fraudes nos Correios envolveram
eleições, diz revista
Trechos do relatório final da Polícia Federal
sobre o esquema de corrupção na Empresa Brasileira
de Correios e Telégrafos (ECT) envolvendo o ex-diretor da
estatal Maurício Marinho foram revelados ontem (26) pela
revista Veja.
De acordo com a reportagem, “a PF, com a ajuda de auditores, constatou
que os contratos assinados por Marinho e outros diretores dos Correios,
em sua maioria, foram ‘cavilosamente fraudados’”. Entre
os problemas identificados estavam licitações dirigidas,
compras desnecessárias e superfaturamento.
No relatório, a polícia explica que o nome de Marinho
havia sido indicado pelo PTB e que o partido usava sua influência
para fazer acordos com as empresas que prestavam serviços aos
Correios. De 3% a 5% de tudo o que essas empresas ganhavam a partir do
contrato com a estatal ia para o PTB.
“ As solicitações de contribuições aos fornecedores
da ECT por parte dos empregados dos Correios, membros da quadrilha, eram explícitas
e algumas vezes chegavam à beira da extorsão. Além da entrega
de dinheiro em troca de informações e de benefícios indevidos
nos procedimentos administrativos de licitação, nas prorrogações
de contratos, na repactuação de preços, os fornecedores
da ECT também contribuíam diretamente para o partido nas campanhas
eleitorais", diz o relatório da PF, segundo a Veja.
Embora as provas contra o envolvimento
do PTB no esquema sejam mais evidentes, a polícia também
suspeita da participação
de outros partidos. O PT, inclusive, diz a revista, é alvo de
dois inquéritos na PF. (Soraia Costa)
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Gazeta do Povo, 27 de janeiro
de 2008
BRASIL | GOVERNO
Alianças perigosas,
mas necessárias
Coalizão com partidos antes
considerados inimigos políticos causam dor de cabeça,
mas são indispensáveis
por CAROLINE OLINDA
Ter de se aliar a partidos de postura ideológica diferente da sua foi
necessário para o PT chegar e se manter no poder. Segundo o cientista
político da UnB, Ricardo Caldas, se não se fizesse alianças
com partidos de centro, a esquerda nunca chegaria à presidência
porque não conseguiria cativar o voto da maioria dos eleitores.
Cláudia
Dauti/Reuters

Curitiba – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ao redor
de uma mesma mesa na semana passada representantes de partidos de uma esquerda
histórica, como o ministro dos Esportes, Orlando Silva do PcdoB, e membros
de partidos tradicionalmente de direita, como o ministro das Cidades, Márcio
Fortes do PP. Unidos em um só governo há mais de um ano, eles
fazem parte do governo de coalizão de Lula, composto por dez partidos.
Dentro dessa aliança, estão diversas ideologias e figuras
que nunca se imaginou aliadas de um governo petista, como os senadores
José Sarney (PMDB-AP) e Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Tanta
gente diferente em um mesmo barco é justificado pelo governo como
necessário para os projetos do país andarem.
Parlamentares e cientistas políticos concordam que não
há como governar o Brasil hoje sem fazer alianças, mesmo
que seja com quem nem sempre seguiu os mesmos princípios éticos
e ideológicos do partido de origem do governo. “No nosso
modelo representativo, todo governo tem de ter maioria no Congresso para
governar e essa prática se incorporou ao presidencialismo brasileiro.
Esteve presente no governo Fernando Henrique e está presente agora
no governo Lula”, comenta o deputado federal Gustavo Fruett (PSDB-PR).
Veja
quais partidos estão
no poder atualmente:

A moeda de troca do governo pelo apoio da maioria no Congresso são cargos
nos ministérios, direção de estatais e liberação
de verbas. Quanto será liberado aos aliados depende do tamanho da bancada
de cada um no Congresso. Por esse motivo, o PMDB, que hoje possui a maioria
na Câmara, é depois do PT, o partido com o maior número
de ministérios (veja quadro).
O professor de Ciências Políticas da Universidade de Brasília
(UNB), Ricardo Caldas, explica que apenas nos países de sistema
bipartidário forte, como nos Estados Unidos e na Inglaterra, as
coalizões não são necessárias para governar
e as questões ideológicas são de fato delimitadas. “Percebemos
que no sistema democrático multipartidário atual, todos
os governos tendem ao centro, necessariamente”, diz.
Segundo Caldas, ter de se aliar com partidos
de postura ideológica
muito diferente da sua e fazer concessões de cargos em seu governo
foi necessário para o PT chegar e se manter no poder. “No
nosso sistema eleitoral, se não se fizesse alianças com
partidos de centro, a esquerda nunca chegaria ao poder. Sem aliados de
centro, ela perderia o eleitor comum, que é a maioria. Então,
por mais que um partido seja de esquerda, como é o caso do PT,
ele precisa correr ao centro e essa é uma tendência da qual
não se pode fugir.”
Embora as alianças signifiquem para o governo Lula ignorar alguns
princípios ideológicos do seu partido de origem e se aliar
a quem antes era considerado inimigo político, o deputado federal
e presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini (PT-SP), acredita que “a
coalizão é natural e necessária”. Para ele, “os
partidos que fazem parte da coalizão hoje trabalham como aliados
do presidente e em torno de um projeto proposto pelo PT para o país”.
Para o senador Jefferson Peres (PDT-AM),
no entanto, a manutenção
do governo de coalizão atrapalha o desenvolvimento do Brasil e
de um projeto para o país porque coloca em negociação
cargos estratégicos. “A situação do Ministério
de Minas e Energia hoje, por exemplo, é absurda. Estamos vendo
um setor essencial para o país, sendo retalhado apenas para atender
a interesses políticos”, comenta. Para o cientista político
da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Costa de Oliveira,
a situação de negociação por cargos e a busca
incessante do governo por uma maioria no Congresso prejudica o país “por
causa dos recorrentes escândalos de corrupção e brigas
por cargos”. Caldas concorda que o sistema multipartidário “facilita
a tendência à corrupção que já existe
no Brasil”, mas ressalta que as indicações políticas
devem ser limitadas. “Não há mal algum que um político
assuma o cargo de ministro ou outras funções de direção.
Mas quando todos os cargos de chefia seguem apenas interesses políticos,
sem dúvida temos problemas.”
O deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR)
acredita que a negociata por cargos e a necessidade de grandes coalizões para governar só acabará quando
houver uma ampla reforma política no Brasil. “Eu apóio
a idéia de uma assembléia constituinte específica
para realizar uma reforma político-partidária. Porque,
caso contrário, vamos continuar a ter um parlamento onde a maioria
dos deputados legislam apenas em causa própria”. Berzoini
também é favorável a mudanças no sistema
político brasileiro. Segundo ele, “nossa política
ainda está baseada em nomes, embora tenhamos um sistema partidário.
Enquanto não houver uma reforma política, essa situação
incoerente não mudará”.
Na opinião de Fruett, muito mais do que uma reforma política,
será necessária uma mudança cultural para que a
sociedade passe a observar que é necessária uma coerência
partidária na hora de votar no chefe do Executivo e nos representantes
no Congresso. “O modelo que existe está fadado a muitos
problemas. e previsa mudar. Mas esse é um processo que não
se resolverá por meio apenas de resoluções. É preciso
uma discussão social sobre esse tema para que a situação
seja resolvida e isso só acontecerá com o tempo.”
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Gazeta do Povo, 27 de janeiro
de 2008
ECONOMIA | TRIBUTOS
Prazo para entrar no Supersimples
ainda neste ano termina no dia 31
Estimativa da Receita Federal é que
200 mil empresas façam adesão ao regime até o
fim do mês
por CINTHIA SCHEFFER
As micro e pequenas empresas que pretendem recolher seus impostos pelo
Simples nacional (Supersimples) a partir deste ano, e ainda não estão
enquadradas no regime, têm até o dia 31 de janeiro para atualizar
sua situação com a Receita Federal. O prazo é o mesmo
para quem quer ser excluído do Supersimples.
Para fazer parte do regime, a empresa não pode ter débitos
com a União, estados e municípios e deve faturar até R$
2,4 milhões por ano. O Supersimples foi criado no ano passado
em substituição ao antigo Simples. O novo regime entrou
em vigor em julho passado e reúne seis tributos federais (IR,
IPI, CSLL, PIS, Cofins e contribuição previdenciária),
um estadual (ICMS) e outro municipal (ISS).
Negócios criados em janeiro já estão
no regime
Brasília – Micro e pequenas empresas que tiverem inscrição
no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) a partir de 1.º de
janeiro serão automaticamente consideradas como optantes do Simples
Nacional. A medida, divulgada na quarta-feira no Diário Oficial da União,
foi aprovada pelo Comitê Gestor do Simples Nacional na última
segunda-feira.
Para as empresas com cadastro até 31 de dezembro de 2007, vale
a regra anterior. Os efeitos da opção pelo Simples Nacional,
o Supersimples, só passam a valer a partir da aceitação
da inscrição do CNPJ pelos governos estaduais e pelas prefeituras.
Em outra resolução, o Comitê Gestor alterou também
as regras para a apresentação da escrituração
contábil das empresas optantes pelo Simples Nacional. Hoje, as
empresas que aderem ao programa devem fazer o registro e controle das
operações e prestações por elas realizadas
por meio de diversos livros contábeis, dentre eles o Livro Caixa,
Livro de Registro de Entradas, Livro de Registro de Impressão
de Documentos Fiscais, dentre outros.
Alguns desses livros podiam ser dispensados
pelo ente tributante, dentro de sua competência, ou seja, estado ou município. Agora,
as empresas do Simples estão dispensadas da apresentação
do Livro Caixa, caso os Livros Diário e Razão façam
parte da escrituração contábil.
Segundo dados da Delegacia da Receita Federal do Paraná, 10.677 empresas
pediram adesão até agora. As solicitações passarão
por uma análise para verificar pendências com a Receita, como
débitos ou irregularidades cadastrais.
“Quem já está no Supersimples não precisa
fazer nada. Mas quem pretende entrar precisa fazer isso até dia
31. Se não, só em 2009”, diz o diretor tributário
da consultoria Cenofisco, Welinton Motta.
Segundo o consultor, a opção
deve ser feita pelo portal do Simples Nacional, no site da Receita
Federal (www.receita.fazenda.gov.br).
A estimativa do órgão é que 200 mil micro e pequenas
empresas façam a adesão ao regime neste mês. A maioria
delas teve a adesão indeferida em 2007, mas regularizou a situação
e agora pode migrar. Nos 10 primeiros dias do prazo, 50.441 empresas
haviam solicitado opção pelo Simples Nacional.
As alíquotas de imposto para as integrantes do Supersimples variam
entre 4% e 17,42%. Por isso, para avaliar se a opção é vantajosa,
cada empresa deve fazer uma análise individual do seu caso. “Não
existe uma receita que funcione para todos”, diz Motta. “É preciso
um planejamento tributário. O empresário tem que ficar
atento e colocar no papel o que vai pagar no Supersimples ou no Lucro
Presumido [outro regime de tributação], por exemplo.”
Segundo balanço divulgado pela Receita Federal, o Simples Nacional
arrecadou R$ 6,55 bilhões desde que entrou em vigor. A maior parte
dos recursos ficou com a União (R$ 4,73 bilhões). Os estados
receberam R$ 1,40 bilhão e os municípios, R$ 425,12 milhões.
Na primeira etapa de adesão, no ano passado, mais de 1,8 milhão
de empresas fizeram a opção pelo Supersimples.
Para os interessados em
aderir, o Sebrae Paraná está oferecendo
orientação, com palestras e conversas individuais. A entidade
também oferece um simulador de tributos, no qual é possível
realizar cálculos e comparações entre as diferentes
formas de tributação. Os interessados podem entrar em contato
com a central de atendimento pelo telefone 0800-72-66-500.
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Gazeta do Povo, 27 de janeiro
de 2008
IMÓVEIS | CASA PRÓPRIA
Financiamento descomplicado
por CARLOS COELHO
Uma parceria entre a Caixa Econômica Federal e construtoras pode tornar
o processo de liberação de financiamento imobiliário mais
rápido e menos burocrático. É que, desde o fim do ano
passado, as empresas Cyrella, Goldfarb, MRV e Tenda se tornaram representantes
da Caixa na análise e concessão de crédito para os clientes
interessados em comprar um de seus imóveis.
A expectativa é reduzir pela metade o tempo que leva este processo
e diminuir as exigências na comprovação de renda
do comprador.
Funciona de maneira simples. As construtoras
parceiras têm autonomia
para analisar o histórico do cliente, sua possibilidade de pagamento
e aprovar a concessão de crédito. Esta tarefa antes era
toda feita pela Caixa Econômica. Com a descentralização
deste procedimento, o banco e as empresas envolvidas querem diminuir
o tempo que o cliente precisa esperar até que ele seja concluído – cerca
de 30 a 90 dias. “Acreditamos que agora ele vai aguardara metade
do tempo”, diz Jorge Hereda, vice-presidente da Caixa Econômica.
Para isso, as empresas precisaram padronizar
os procedimentos de análise
de crédito com os do banco. Além disso, as construtoras
poderão também descomplicar o processo de comprovação
de renda do comprador. Atualmente, para ser concedido o crédito é necessário
que o cliente apresente documentos que atestem quanto ele ganha, como
holerites e contracheques. Com a parceria, outras formas de comprovação
de renda são aceitas, como a pontualidade no pagamento de aluguéis
ou no financiamento com a construtora, antes da entrega das chaves.
Na MRV, única das
empresas parceiras da Caixa que atua em Curitiba, são aceitos
como comprovação de renda os boletos
de aluguel dos últimos doze meses pagos em dia. “No Brasil
existe muita gente trabalhando no mercado informal. Queremos facilitar
o acesso também destas pessoas ao crédito imobiliário”,
diz Mônica Simão, diretora financeira da MRV. A empresa
têm atualmente 468 apartamentos à venda em sete empreendimentos
em Curitiba.
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Folha de Londrina, 27 de janeiro
de 2008
Acidente de trabalho mata
brasileiro no Japão
Yataka Kawatake morreu asfixiado
na fábrica de papéis Sanko, localizada na cidade
de Fuji
São Paulo- O brasileiro Nelson Yataka Kawatake morreu asfixiado em um
acidente de trabalho no Japão. O fato, que ocorreu há uma semana,
se deu porque a roupa do operário ficou preso a pregos expostos em uma
máquina rotativa de papel, que, então, o puxou. O fato ocorreu
exatamente há uma semana. João Roberto, filho de Kawatake, chegou
ontem com suas cinzas a Monte Sião, a 480 km a sudoeste de Belo Horizonte.
Na cidade natal da vítima, será feito seu enterro.
Katawake morava no Japão havia 17 anos. Ele era filho de pais
japoneses e tinha 13 irmãos. Deles, oito foram para o país
dos seus ascendentes para trabalhar. De acordo com a família,
o brasileiro planejava voltar definitivamente ao Brasil dentro de dois
meses. Sua idéia era usar o dinheiro que acumulou no Japão
para cuidar de uma lavoura de café.
O acidente ocorreu na noite de quinta-feira
passada, na fábrica
de papéis Sanko, localizada na cidade de Fuji. Como o brasileiro
estava sozinho no local, não se sabe minuciosamente como se deu
a morte. Perícia realizada determinou o fato como acidente de
trabalho. Com isso, mulher e quatro filhos deixados por ele terão
direito a indenização.
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Folha de Londrina, 27 de janeiro
de 2008
SEU DIREITO: TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO
Sou funcionário público federal, mas anteriormente trabalhei
por vários anos registrado em uma empresa. Como posso proceder para
que este período seja contabilizado na contagem de tempo de contribuição
para a minha aposentadoria, perante a administração pública?
A Constituição Federal garante, para fins de aposentadoria,
a contagem recíproca de tempos de contribuição perante
a administração pública e a iniciativa privada,
rural e urbana, hipóteses em que os diversos regimes de previdência
social se compensarão financeiramente, segundo critérios
estabelecidos por lei.
Desta forma, o segurado tem direito à contagem do tempo em que
trabalhou registrado filiado ao INSS, para fins de aposentadoria perante
a administração pública. Para tanto, o segurado
deve, munido de seus documentos pessoais e de todas as suas carteiras
de trabalho, requerer junto ao INSS uma certidão de tempo de contribuição,
com a inserção deste período.
De posse da certidão de tempo de contribuição emitida
pelo INSS, poderá o obreiro, se preenchidos os demais requisitos
legais, requerer sua aposentadoria perante a administração
pública federal, e somar este período ao tempo de trabalho
como servidor público.
Nossos tribunais têm nos orientado no sentido de que deve ser
computado o tempo em que o segurado contribuiu filiado ao INSS, para
fins de aposentadoria junto à administração pública.
Fábio Antonio da Silva
Martin, advogado
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O Estado do Paraná,
27 de janeiro de 2008
Governo realiza campanha por
carteira assinada
Mara Andrich
Foto: Anderson Tozato

As ações de conscientização vão ser permanentes.
Um ato de conscientização sobre a importância do registro
na Carteira de Trabalho foi realizado ontem, na Boca Maldita, em Curitiba,
pela Secretaria Estadual do Trabalho, Emprego e Promoção Social.
De acordo com dados da PNAD (Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios)
de 2006, há no estado um milhão e 92 pessoas trabalhando na informalidade,
sem carteira de trabalho assinada. O que surpreende é que a quantidade
de pessoas com registro é bastante semelhante (um milhão, 992
pessoas). Com o tema “Trabalho sem Carteira Assinada não é Legal”,
técnicos da secretaria passaram o dia entregando panfletos de orientação
sobre as conseqüências do trabalho informal.
De acordo com a secretaria, as categorias
profissionais com mais trabalhadores na informalidade são as empregadas domésticas, os motoboys,
os trabalhadores da construção civil, de oficinas mecânicas
e da agricultura. O diretor geral da secretaria, Fernando Peppes, lembra
das conseqüências de se trabalhar sem as garantias do registro
em carteira. “O trabalhador não contribui para a Previdência,
não tem aposentadoria e, no caso de se afastar do trabalho, fica
sem o auxílio-doença”, afirma. O funcionário
que não tem registro formal também não recebe o
Fundo de Garantia. As mulheres não têm direito ao auxílio
maternidade. De acordo com a secretaria, o empresário que não
registra o funcionário pratica concorrência desleal, prejudica
o comércio e penaliza quem é correto.
Para se ter uma idéia da gravidade do problema, há no
Paraná mais empregadas domésticas na informalidade do que
na formalidade. Segundo a secretaria, cerca de 100 mil trabalhadoras
do ramo têm carteira de trabalho assinada no estado, contra 282
mil que não têm o documento formalizado. Núncio Mannala,
da Coordenação das Relações de Trabalho da
Secretaria, lembra que mesmo que as empregadas domésticas não
sejam registradas, podem adquirir os carnês da Previdência
e pagar por mês. “O piso regional trouxe várias vantagens,
mas também inibiu as contratações. Mas há outras
alternativas, como pagar o salário proporcional aos dias trabalhados”,
comentou.
As ações pela conscientização devem continuar.
Segundo Mannala, a luta para acabar com a informalidade deve ser conjunta,
um esforço de todas as secretarias. Na semana que vem, uma conversa
já está agendada no Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR)
para que seja discutida a possibilidade da realização de
blitz educativas para informar os motoboys. Uma audiência pública
na Assembléia Legislativa do Paraná também deverá discutir
o assunto. Informações podem ser adquiridas pelo telefone
0800-410141.
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O Estado do Paraná,
27 de janeiro de 2008
Mais empregos, mais renda
Jacir Venturi

cidadão brasileiro conviveu
estoicamente, em 2007, com um Estado que lhe abocanhou 928 bilhões
de reais em tributos.
Para 2008, já considerado o descenso de 38 bilhões da
CPMF, a arrecadação será ainda maior: 1.017 bilhões
de reais. Essa é a previsão do IBPT (Instituto Brasileiro
de Planejamento Tributário) nos três níveis de governo:
federal, estadual e municipal. O incremento dos impostos, taxas e contribuições
se deve ao benfazejo crescimento da economia brasileira.
O IBPT ainda prevê que, com a perda de 38 bilhões reais
da CPMF, retornarão aos cofres do governo 14 bilhões de
reais na forma de outros tributos, via maior consumo e mais empregos.
Meu irmão, proprietário de uma agropecuária numa
pequena cidade de Santa Catarina, mostrava-se otimista nas festas de
fim de ano: “Minha despesa mensal com a CPMF é de 800,00
reais. Com esse dinheiro contratarei mais um empregado. Poderei dedicar-me
mais às vendas externas e, com o aumento do faturamento, abrirei
a minha primeira filial”. É um círculo virtuoso cujo
estado de espírito permeia a maior parte dos empresários
e, conseqüentemente, gerará mais renda e empregos.
Em 2007, a classe média brasileira trabalhou nove meses e comprometeu
74,3% de sua renda para o recolhimento de tributos e para o pagamento
de serviços particulares de saúde, educação,
previdência, segurança e pedágios rodoviários.
Destarte, restaram três meses para que nós, cidadãos
de classe média, bancássemos os gastos com alimentação,
vestuário, moradia e aquisição de bens.
A carga de impostos, taxas e contribuições saltou de 25,1%
para 36% do PIB, nos últimos 15 anos governados por Itamar, FHC
e Lula. Portanto, a voracidade tributária independe do espectro
ideológico, de modo que suportar o aumento dos tributos parece
ser a nossa sina.
A classe política mantém o discurso de maior justiça
social. Porém, mais justiça social poderia ser praticada
com menos impostos, se houvesse menos assistencialismo, menos corrupção
e mais rigor nos gastos públicos. Isso faz lembrar a conhecida
fábula da rã e do escorpião.
O fogo crepitava feroz e avassalador. Na
margem do largo rio que permeava a floresta, encontram-se dois inimigos
figadais: a rã e o escorpião.
Lépida e faceira, a rã prepara-se para o salto nas águas
salvadoras. O escorpião - que não sabe nadar - aterroriza-se
diante da morte certa, ou estorricado pelas chamas ou impiedosamente
tragado pelas águas revoltas. Arguto, e num esforço derradeiro,
implora o escorpião:
- Bela rã, leva-me nas tuas costas
na travessia do rio!
- Não confio em ti! Teu ferrão é inclemente e mortal,
responde a rã.
- Jamais eu teria tamanha ingratidão. Ademais, se eu te picasse,
seria morte certa para nós dois.
- É verdade, pensou candidamente o batráquio. Então
suba!
E lá se foram, irmanados e felizes. No entanto, no meio da travessia,
a rã é atingida no dorso por uma impiedosa ferroada. Entremeando
dor e revolta, trava o derradeiro diálogo:
- Quanta maldade! - exclama a rã, contorcendo-se. Não
vês que morreremos os dois?!
- Sim, responde o escorpião, mas esta é a
minha natureza!
Analogamente, a natureza dos nossos governantes
bons-de-bico é o ímpeto
arrecadatório, de maneira que somos atingidos no dorso pela impiedosa
ferroada da excessiva carga de impostos e taxas.
De fato, tributos exacerbados e baixo retorno
comunitário comprometem
o setor produtivo, além de promoverem o esgarçamento do
tecido moral e ético com mais sonegação, pirataria,
elisão, contrabando e desemprego.
Jacir J. Venturi é diretor
de escola. Foi professor da UFPR por 25 anos e da PUC-PR por 11 anos.
Cidadão
Honorário de Curitiba. www.geometriaanalitica.com.br
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O Estado do Paraná,
27 de janeiro de 2008
Garantia de emprego do acidentado
José Affonso Dallegrave Neto
No curso do contrato de trabalho é sensível a discriminação
imposta ao empregado acidentado. Por tal razão, o legislador assegura
a garantia no emprego por um período de doze meses após
a alta médica, conforme se infere do art. 118 da Lei 8213/91.
Logo após a publicação dessa lei, algumas vozes
se levantaram para denunciar suposta inconstitucionalidade da regra por
afronta ao art. 7.º, I, da CF, que protege a relação
de emprego contra despedida arbitrária mediante lei complementar,
sendo que a Lei 8213/91 é mera lei federal ordinária. Todavia
o STF, de forma acertada, ao julgar respectiva ADIn n.º 639-8/600,
declarou, em sede liminar, a constitucionalidade do art. 118, o que restou
ratificado pela OJ-SDI-I do TST n.º 105: “Estabilidade provisória.
Acidente do trabalho. É constitucional o art. 118, da Lei 8213/91”.
105. Posteriormente, a liminar restou confirmada pelo STF.
Nos termos do art. 169 da CLT, cabe às empresas notificar o órgão
competente acerca dos comprovados acidentes e doenças do trabalho
ou mesmo aqueles infortúnios suspeitos de acidentes. Para tanto
deve-se emitir a CAT - Comunicação de Acidente do Trabalho
- a fim de que o INSS identifique e se manifeste sobre o sinistro. Em
caso de inércia da empresa, a CAT poderá ser emitida pelo
sindicato ou qualquer outra autoridade ou mesmo pelo empregado ou seus
dependentes, conforme se verifica do art. 22, § 2.º, da Lei
8213/91. Assim ocorrendo, estarão presentes os pressupostos legais
para assegurar a estabilidade prevista no art. 118, conforme já sinalizou
a Súmula 378 do TST:
Não se negue a prática patronal de negligenciar sua obrigação
de notificar o INSS colimando impedir a percepção do auxílio-doença
acidentário e, por conseguinte, os pressupostos legais da estabilidade.
Considerando que ninguém pode se beneficiar da própria
torpeza, o empregado terá direito à garantia de emprego
caso a doença ocupacional ou o acidente esteja comprovado por
outros meios e desde que o afastamento seja superior a 15 dias (tempo
necessário a ensejar o recebimento do benefício previdenciário).
Registre-se que não é o recebimento simplesmente do auxílio-doença
acidentário, mas o afastamento prolongado, superior a 15 dias,
que será capaz de assegurar o direito a essa garantia de emprego:
Caso a CAT não seja emitida pelo empregador e, portanto, o acidente
ou a doença ocupacional não tenham sido declarados pelo
INSS, o julgador, em eventual ação trabalhista que postule
a declaração da estabilidade acidentária, deverá apreciar
o enquadramento jurídico do sinistro como questão incidental
(incidenter tantum), conforme julgou o TST (SBDI-1, E-RR n.º 195.026-95.7).
O que o direito não admite é que o autor da negligência,
in casu o empregador que ardilosamente deixou de emitir a CAT, seja beneficiado
da própria torpeza. Nos termos do artigo 129 do CC, a condição
obstada reputa-se verificada quanto aos efeitos; o que vale dizer: se
os demais requisitos forem comprovados (tipificação do
acidente ou doença ocupacional e afastamento por mais de 15 dias),
será irrelevante o recebimento do auxílio-doença
acidentário obstado pelo empregador, o qual deverá sofrer
as conseqüências de seu ato ilícito.
O afastamento do serviço por período superior a 15 dias
e a conseqüente percepção do auxílio-doença
acidentário constituem pressupostos para a aquisição
do direito à estabilidade provisória prevista no artigo
118 da Lei n.º 8.213/1991. No entanto, se tais exigências
não foram atendidas pelo trabalhador por culpa exclusiva do empregador,
que deixa de cumprir a obrigação de comunicar o acidente
de trabalho à Previdência Social (art. 22, caput, da Lei
n.º 8.213/1991), é lícito considerá-las implementadas, à luz
da regra contida no artigo 129 do CC/2002. Recurso de revista não
conhecido. (TST-RR-512.927/1998.6, Relator Min. Convocado Altino Pedrozo
dos Santos, 1.ª Turma, decisão publicada no DJ em data de
25/6/2004).
Outra questão prática que merece comentário diz
respeito ao reconhecimento ulterior por parte do INSS em relação à caracterização
técnica do acidente, a qual se dá mediante decisão
em Ação previdenciária que declara o cabimento do
auxílio-doença acidentário.
“Se o reclamante, mesmo após o ajuizada ação,
obtém do INSS o reconhecimento do benefício de auxílio-doença
acidentário provando o nexo causal entre a doença e o trabalho,
não pode a Justiça do Trabalho negar validade a tal documento
sob alegação de não estar vinculada à decisão
do órgão previdenciário. Tal afirmação
contraria a Lei de Benefícios Previdenciários e seu decreto
regulamentador, os quais atribuem ao órgão previdenciário
a caracterização técnica do acidente. Inteligência
da Lei 8.213/91 e da Súmula 378 do C. TST”. (TRT, 8.ª.
R., Ac 3.ª T - RO 01825-2005-008-08-00-1 - Rel. Graziela Leite Colares,
DJ/PA de 2/5/2007. In: DT - Setembro/2007 - vol. 158, p. 231).
Como se vê do julgado, o juízo trabalhista deve considerar
a decisão do INSS, mormente quando a própria autarquia
admite que o sinistro caracterizou acidente do trabalho. Tal fato novo
deve ser sopesado pelo juiz do trabalho ainda que reconhecido após
a propositura da ação. Exegese do art. 462 do CPC aplicado
ao caso particular.
José Affonso Dallegrave
Neto é mestre
e doutor em Direito pela UFPR; diretor da Abrat -Associação
Brasileira de Advogados Trabalhistas; membro da Academia Nacional de
Direito do Trabalho.
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Folha de São Paulo,
27 de janeiro de 2008
Para Lula, Dilma precisa de
jogo de cintura para sucedê-lo
Presidente pediu ao publicitário
João Santana que orientasse ministra sobre eleições
Em conversa com dirigentes do PT paulista, Lula disse
que se esforçará ao máximo para eleger em 2010 o "seu
sucessor ou sucessora"
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O bambolê que a cúpula do PMDB deu de presente na última
semana para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é um
episódio altamente simbólico. O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva tem dito a auxiliares e aliados que, se Dilma quiser se
viabilizar como candidata à Presidência em 2010, precisará de
mais jogo de cintura na política.
Lula elogia o que considera "alto preparo técnico" de Dilma,
para usar palavras do próprio presidente. Ele está satisfeito
com a dura pressão que ela exerce sobre a máquina do governo
para tocar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Mas
mostra preocupação com seu "pavio curto" -esta uma
expressão de um colega dela no governo.
Dois funcionários que deixaram de trabalhar com Dilma recentemente disseram à Folha,
sob a condição de anonimato, que é difícil a relação
com a ministra no dia-a-dia. Ela daria broncas e exigiria muito. Eles elogiaram
a ministra, mas relataram que não suportaram continuar na Casa Civil.
Afirmaram ser difícil conciliar a vida pessoal com o trabalho na equipe
dela.
Queixas
Os peemedebistas que presentearam a ministra com o bambolê se queixam
de Dilma. Alegam que ela foi um dos principais obstáculos em 2007 aos
pedidos do partido por cargos e verbas. Dilma freou nomeações
no setor elétrico que só agora estão saindo, como a indicação
do senador Edison Lobão para o Ministério de Minas e Energia.
Ela exerce forte influência na pasta, da qual já foi titular.
A Folha apurou que Lula já pediu ao jornalista João Santana,
que fez o marketing de sua campanha presidencial em 2006, para aconselhar a
Dilma a respeito de vôos eleitorais. Santana participa das preparações
para os freqüentes balanços sobre o PAC.
Lula listou em conversas reservadas alguns requisitos para a candidatura
Dilma decolar. O principal deles é alcançar cerca de 15% de intenção
de voto em meados de 2009, ano em que o presidente espera que haja forte agenda
de inaugurações do PAC, plano de investimentos em obras de infra-estrutura
e energia coordenado por Dilma.
Esforço
Em conversa recente com dirigentes do PT paulista, Lula disse que se
esforçará ao
máximo em 2010 para eleger "seu sucessor ou sucessora", de
acordo com relato de um dos participantes do encontro. O presidente conversa
abertamente com auxiliares sobre a eventual candidatura de Dilma e diz que
realmente está testando o potencial da ministra.
Entre os ministros, Dilma é a aposta preferida do presidente para a
sua sucessão. Ele, porém, acha que hoje o ex-ministro Ciro Gomes
(PSB) está passos adiante. Por ora, o cacife eleitoral dela é baixo.
Pesquisa Datafolha realizada no final de novembro de 2007 trouxe
a ministra da Casa Civil com parcos 2% de intenção de voto para concorrer
ao Palácio do Planalto. No cenário em que Dilma concorreu, o
governador de São Paulo, José Serra, liderou com 38%. O segundo
colocado foi Ciro (19%). Heloísa Helena (PSOL) marcou 15%. E Nelson
Jobim, peemedebista que é ministro da Defesa, teve os mesmos 2% de Dilma.
No cenário em que Serra é substituído por Aécio
Neves (PSDB), Ciro liderava com 30%, seguido de Heloísa Helena com 20%,
Aécio com 15% e Jobim com 3%. Dilma permaneceu com os mesmos 2%.
Ciro
Para Lula, Dilma terá de rebolar para se aproximar da marca dos 15%
para que o PT e ele tenham discurso perante os aliados a fim de justificar
uma candidatura do partido separada da dos aliados. Nas conversas com petistas
e aliados, Lula tem repetido que considera mais competitivo uma grande aliança
com candidato só a presidente. No cenário de hoje, Ciro seria
esse nome.
Mas Lula também acha que Ciro tem uma desvantagem parecida com a Dilma:
temperamento difícil. Um auxiliar direto do presidente brincou com a
Folha na última sexta-feira.
Segundo ele, se Dilma, Ciro, Serra e Heloísa Helena forem os candidatos
principais em 2010, o Brasil elegerá um presidente de "cabeça
quente", bem diferente dos dois últimos ocupantes do Palácio
do Planalto: os moderados Lula e Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
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Revista Consultor Jurídico,
27 de janeiro de 2008
Auxílio-doença
INSS deve pagar pensão
enquanto durar incapacidade
Mesmo depois de ter parado de contribuir, trabalhador permanece
amparado pela Previdência Social pelo período em que estiver incapaz. O entendimento é da
Turma Nacional de Uniformização da Jurisprudência dos Juizados
Especiais Federais. Os juízes determinaram que a Turma Recursal de Santa
Catarina volte a analisar o processo no qual um trabalhador pede para receber
pensão da previdência.
Para o relator da matéria, juiz federal Marcos Roberto Araújo
dos Santos, a decisão de origem desrespeita a jurisprudência
do Superior Tribunal de Justiça, que determina a qualidade de
segurado ao trabalhador incapaz.
A Turma Recursal catarinense não reconheceu o direito ao auxílio-doença,
por entender que a incapacidade veio quando ele não contribuía à Previdência.
De acordo com o processo, o doente trabalhou
entre abril de 1996 e março
de 1998, mas começou a pagar o INSS em novembro de 2004 até fevereiro
de 2005. O laudo da perícia atestou que o trabalhador tem doença
degenerativa dos músculos, adquirida no início de1999.
Mas, segundo o entendimento da TNU, mesmo após parar de contribuir
ele mantém seus direitos de segurado pelo INSS.
Processo 2006.72.95.000923-1
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