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Agência Diap, 30 de
janeiro de 2008
CUSTEIO SINDICAL
Projeto de contribuição
negocial em fase avançada de elaboração
O projeto de lei que cria a contribuição
negocial em substituição à contribuição
sindical está em fase avançada de elaboração
e deverá ser encaminhado pelo Governo para exame do Congresso
Nacional em fevereiro. Fruto de negociações que redundaram
na aprovação pelo Senado do PL 1.990/07, do Executivo,
que regulamenta o funcionamento das centrais sindicais, o projeto de
lei visa resolver o histórico problema do financiamento das entidades
sindicais.
O projeto também cria
o Fundo Solidário de Promoção Sindical (FSPS) e
o Conselho Nacional de Relações de Trabalho (CNRT). As
linhas gerais do projeto já estão traçadas. O Governo
aguarda que a bancada sindical do grupo de trabalho, constituída
pelas centrais sindicais, envie sua proposta acerca da contribuição
negocial dos trabalhadores.
Do mesmo modo, o MTE aguarda
a proposta patronal da contribuição negocial dos empregadores,
conforme acordo em reunião com a bancada. A contribuição
negocial dos trabalhadores autônomos e profissionais liberais também
deverá ser apresentada pela entidade representativa da categoria — a
Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL).
Contribuição
negocial
A contribuição negocial vai substituir a sindical, cuja periodicidade
será anual e vinculada à participação em negociação
coletiva ou a seu resultado. A taxa será cobrada de toda a categoria
profissional ou econômica e devida à entidades sindicais urbanas
e rurais — sindicatos, federações, confederações
e centrais sindicais.
A diferença entre uma
e outra é o seu caráter. Enquanto a contribuição
sindical é compulsória, a negocial será aprovada
em assembléia geral convocada para tal fim e os trabalhadores
determinarão o percentual até o limite de 1% do salário
anual percebido no ano anterior.
Segundo a minuta do projeto,
a contribuição sindical prevista no Capítulo III,
do Título V da CLT, ainda será cobrada, com redução
de um terço de seus percentuais, no ano posterior ao da publicação
desta lei, ao término do qual será extinta.
Fundo
Solidário de Promoção Social
O projeto também institui o Fundo Solidário de Promoção
Sindical, cuja destinação será custear as atividades do
Conselho Nacional de Relações de Trabalho (CNTR) e também
de programas, estudos, pesquisas e ações voltadas à relações
sindical e ao diálogo social.
As fonte dos recursos do fundo
serão constituídas por repasses oriundos da contribuição
negocial e serão compostas de duas contas de arrecadação.
Uma será referente à contribuição dos trabalhadores
e a outra será a contribuição dos patrões.
Conselho
Nacional de Relações de Trabalho
O Conselho Nacional de Relações de Trabalho funcionará no âmbito
do Ministério do Trabalho, cuja natureza é consultiva e deliberativa,
composto pelo Governo, patrões e trabalhadores com igual número
de representantes.
A finalidade do Conselho é promover
o entendimento entre trabalhadores, Governo e patrões, no que
diz respeito aos temas relativos ao mundo do trabalho e à organização
sindical. Outra atribuição do Conselho é promover
a democratização das relações de trabalho,
o tripartismo, a justiça social no âmbito das leis trabalhistas
e das garantias sindicais.
A terceira atribuição
visa fomentar a negociação coletiva e o diálogo
social. A aprovação desse projeto revogará todos
os artigos da CLT que tratam da organização sindical — 512,
515, 516, 517, 518, 519, 520, 521, 523, 524, 525, 526, 527, 528, 529;
531 e 532; parágrafo 4º do artigo 535; artigos 537, 540,
542, 544, 546 e 547; parágrafo 5º do artigo 549; artigos
551, 553, 554, 555, 556, 557, 558, 559, 560, 565, 566, 574, 575, 576,
577, 594, 606, 607, 618, 920 e 921.
Clique aqui e
conheça o conteúdo do projeto. Leia também parecer sobre
a criação do Conselho Nacional de Relações do Trabalho.
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Congresso em Foco, 30 de janeiro de 2008
Juros da dívida consumiram
22 CPMFs em cinco anos
Desde janeiro de 2003, União destinou
R$ 851 bilhões só para pagar os juros da dívida
pública. Valor equivale a 22 anos de arrecadação
da CPMF. Para economistas, governo não tinha outra saída.
Erich Decat
Desde a posse do presidente Lula, em 2003, o Brasil destinou mais de R$ 851
bilhões somente para o pagamento de juros nominais da dívida
pública consolidada (interna e externa). Para se ter uma idéia
desse valor, é como se cada um dos 186 milhões de brasileiros
tivesse desembolsado R$ 4,57 mil, nos últimos cinco anos, apenas para
o pagamento de juros da dívida, contraída pelos governos federal,
estaduais e municipais, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e as estatais
brasileiras.
O montante equivale a 22 vezes o que o governo federal previa arrecadar só em
2008 com a Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF), extinta no último dia 31 após ser rejeitada
pelos senadores. Os dados se referem ao período de janeiro de 2003 a
novembro de 2007. A Secretaria do Tesouro Nacional ainda não divulgou
os números referentes a dezembro do ano passado.
Com um crescimento de 7,8% em 2007, a Dívida Pública Federal
(DPF) é estimada, atualmente, em R$ 1,333 trilhão. Esse montante é composto
pela Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (R$ 1,224
trilhão) – ou seja, dívida interna em títulos do
governo federal – mais a dívida externa (R$ 108,9 bilhões).
Menos para o social
Apenas de janeiro a novembro do ano passado, foram pagos R$ 113,4 bilhões
de juros. O valor corresponde a 12 vezes o que foi investido ao longo de 2007
no principal programa social do governo federal, o Bolsa Família. No
mesmo período, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome,
responsável pela gestão do programa, distribuiu R$ 8,9 bilhões
para 11 milhões de famílias pobres.
Só com o que foi reservado para o pagamento de juros no mês de
novembro do ano passado – R$ 12 bilhões –, seria possível
cobrir o valor empenhado (reserva orçamentária) para quatro programas
do governo federal: Atenção Básica em Saúde, Brasil
Escolarizado, Agricultura Familiar e Luz para Todos. O total empenhado em 2007
para eles foi de cerca de R$ 11 bilhões.
Apesar dos contrastes entre pagamento de juros da dívida pública
e investimento nas áreas sociais, para o especialista em administração
financeira e mercados de capitais, João Luiz Rios da Costa Carvalho,
o governo federal não pode abrir mão de pagar o que deve.
“ Esse pagamento é uma dívida que já foi contraída.
Se o governo não cumpri-lo, estaria rasgando um acordo que fez com o mercado.
E declarar uma moratória seria bastante arriscado para a economia do país
porque perderíamos credibilidade”.
O professor de economia da Fundação Getúlio Vargas Newton
Marques faz observação semelhante: “O calote tem um custo
muito alto como não ter acesso ao mercado financeiro internacional”.
Cortes na máquina
João Luiz Rios defende o enxugamento da máquina administrativa
como forma de reduzir a diferença entre os valores investidos no capital
financeiro e nos programas assistenciais. “É preciso cortar despesas
correntes. Reduzir a quantidade de ministérios é uma alternativa”,
avalia. Atualmente, o governo Lula conta com 37 ministérios.
Em 2007, segundo balanço do Tesouro Nacional, as despesas do governo
federal com pessoal e encargos sociais chegaram a R$ 118,4 bilhões.
Em comparação com 2006, houve acréscimo de R$ 13 bilhões
nesses gastos. No mesmo período, a folha salarial, que representava
4,35% do Produto Interno Bruto (PIB), subiu para 4,43%, o que significou um
incremento de 0,08%. As despesas com pessoal do Legislativo, do Judiciário
e do Ministério Público da União registraram aumento nominal
de R$ 1,4 bilhão.
Já o Poder Executivo teve um acréscimo de R$ 9,2 bilhões
nos gastos de pessoal. O principal motivo para esse aumento foi a reestruturação
de carreiras dos servidores públicos federais.
Em 2008, a perspectiva de despesas no Orçamento Geral da União é de
R$ 1,4 trilhão. Desse total, 90,4% (R$ 1,2 trilhão) dizem respeito
a despesas financeiras (juros, encargos e refinanciamento da dívida)
e/ou obrigatórias, como salários, aposentadorias e pensões,
benefícios para idosos e deficientes, seguro-desemprego, repasses do
Sistema Único de Saúde (SUS), entre outros.
Pressão contra juros
Apesar da expectativa por parte do setor produtivo por uma redução
da taxa básica de juros, o Comitê de Política Monetária
(Copom) decidiu, na última quarta-feira (23), manter a Selic em 11,25%.
Esse índice, o menor desde 2005, está em vigor há um semestre.
Para o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), antes
do anúncio da crise norte-americana, o governo Lula teve oportunidade
de baixar ainda mais o valor da taxa Selic, o que tornaria a dívida
pública menor.
“ Um dos cânceres da administração Lula é a
taxa de juros. Desde o primeiro mandato, ele poderia ter baixado muito mais.
O Brasil tinha condições para isso”, afirmou ao Congresso
em Foco. Segundo Agripino, os recursos ganhos com a redução da
Selic deveriam ser investidos em infra-estrutura, “filho enjeitado do governo
Lula”.
De acordo com o economista Newton Marques, o atual índice da taxa Selic é mantido
como forma de o governo segurar em 2008 a inflação, que, segundo
o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ficará igual à do ano passado
(4,5%) (leia mais).
“ Hoje, a redução [dos juros básicos] está mais
ligada à questão interna. A redução da Selic pode
gerar um aquecimento no consumo e, conseqüentemente, o aumento contínuo
dos preços, o que significa inflação”, explicou Marques.
Crise americana
A taxas de juros altas também é um indicativo para atrair investidores
estrangeiros que, em busca de lucros, compram títulos da dívida
pública. O ingresso de dólares no Brasil, no entanto, serve para
ampliar as reservas internacionais, utilizadas em momentos de crise. Na última
sexta-feira (25), o país contava com um colchão de US$ 185 bilhões.
Segundo o economista João Luiz Rios, a iniciativa do Federal Reserve
(Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) de baixar de 4,25% para 3,5% os juros
norte-americanos, anunciada na última terça-feira (21), pode
beneficiar o Brasil com o aumento da entrada de capital estrangeiro.
“ O ponto favorável dessa redução é que o diferencial
da taxa de juros brasileira em relação à dos Estados Unidos
aumentou, o que proporciona uma maior aplicação de dólares
no mercado interno”, avalia o economista.
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Diário
Vermelho, 30 de janeiro de 2008
PMDB, o PSDB e DEM levam 52% do fundo
partidário
O PMDB, o PSDB e partido
Democratas levaram, juntos, mais da metade (52,1%) dos recursos utilizados
para financiar os 27 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral
(TSE). A primeira parcela do fundo partidário correspondente
a 1/12 do orçamento previsto para cada legenda em 2008.
A distribuição dos recursos é feita obedecendo ao tamanho
da bancada de deputados federais de cada partido, conforme estabelecido pela
Lei 11.459/2007. Com isso, o PT leva a maior fatia do fundo, o equivalente
a R$ 1.626.466,25.
O projeto do Orçamento da União em tramitação no
Congresso Nacional prevê R$ 194,3 milhões para os partidos políticos,
dos quais R$ 135,614 milhões em recursos da própria União
e R$ 58,20 milhões provenientes da arrecadação de multas
eleitorais.
Os R$ 135,614 milhões do Fundo Partidário em 2008 foram estimados
com base no eleitorado e no custo por eleitor. Segundo dados do último
cadastro eleitoral, fechado em 31 de abril de 2007, o Brasil tem 126 milhões
980 mil 320 eleitores.
Veja abaixo os valores disponibilizados para cada partido político,
referente à distribuição do duodécimo do mês
de janeiro/2008 (Lei n.° 9.096/95):
Partidos
|
Sigla
|
Valores em R$
|
|
Partido da Social Democracia Brasileira
|
PSDB
|
1.499.587,54
|
|
Democratas
|
DEM
|
1.189.950,55
|
|
Partido do Movimento Democrático
Brasileiro
|
PMDB
|
1.579.872,10
|
|
Partido dos Trabalhadores
|
PT
|
1.626.466,25
|
|
Partido Progressista
|
PP
|
786.245,49
|
|
Partido Democrático Trabalhista
|
PDT
|
589.055,39
|
|
Partido Trabalhista Brasileiro
|
PTB
|
563.915,64
|
|
Partido Socialista Brasileiro
|
PSB
|
689.089,01
|
|
Partido da República
|
PR
|
594.423,63
|
|
Partido Comunista do Brasil
|
PCdoB
|
249.865,40
|
|
Partido da Mobilização Nacional
|
PMN
|
122.995,29
|
|
Partido Social Cristão
|
PSC
|
222.754,44
|
|
Partido Popular Socialista
|
PPS
|
451.374,40
|
|
Partido Republicano Progressista
|
PRP
|
49.371,70
|
|
Partido Trabalhista do Brasil
|
PT do B
|
58.352,51
|
|
Partido Trabalhista Cristão
|
PTC
|
115.082,05
|
|
Partido Comunista Brasileiro
|
PCB
|
30.027,58
|
|
Partido Trabalhista Nacional
|
PTN
|
40.198,97
|
|
Partido Renovador Trabalhista Brasileiro
|
PRTB
|
42.546,44
|
|
Partido Humanista da Solidariedade
|
PHS
|
72.475,14
|
|
Partido Verde
|
PV
|
414.802,96
|
|
Partido Republicano Brasileiro
|
PRB (PMR)
|
50.582,58
|
|
Partido Socialismo e Liberdade
|
PSOL
|
154.400,27
|
|
Partido Social Democrata Cristão
|
PSDC
|
63.337,26
|
|
Partido Social Liberal
|
PSL
|
44.475,91
|
|
Partido da Causa Operária (*)
|
PCO
|
0,00
|
|
Partido Socialista dos Trabalhadores
Unificados (*)
|
PSTU
|
0,00
|
|
TOTAL GERAL
|
|
11.301.248,50
|
*O Partido da Causa Operária
(PCO) e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU)
não vão receber nada da cota de janeiro por estarem
inadimplentes com a Justiça Eleitoral.
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Diário Vermelho, 30
de janeiro de 2008
Juro para pessoa física é o
menor desde 1994
A taxa de juros para a pessoa
física cobrada pelos bancos caiu para 43,9% em 2007, atingindo
o menor nível desde o início da série histórica
do Banco Central, em 1994. Além disso, as operações
de crédito no Brasil atingiram 34,7% do Produto Interno Bruto
no ano, segundo dados do Banco Central divulgados nesta terça-feira
(29).
O volume de crédito total no País cresceu 27,3% no ano passado,
para R$ 932,2 bilhões. Considerando apenas os recursos livres, os empréstimos
aumentaram 32,2% no ano, para R$ 659 bilhões.
Entre as diversas linhas acompanhadas
pelo Banco Central, a que apresentou a expansão mais vigorosa
foi o crédito para pessoas físicas (exceto operações
com setor rural e habitacional), que aumentou 33%, de R$ 235,816 bilhões
para R$ 313,620 bilhões.
Os empréstimos para empresas
aumentaram 29,8% na mesma base de comparação, de R$ 164,581
bilhões para R$ 213,577 bilhões. Já os financiamentos
habitacionais tiveram expansão de 25,7% nesse período e
passaram de R$ 35,689 bilhões para R$ 44,846 bilhões.
Juros
Em dezembro, a taxa média de juros caiu para 33,8%, frente a 34,7% em
novembro e 39,8% um ano atrás. No resultado fechado de 2007, houve redução
de 6 pontos porcentuais na taxa de juro. A diminuição ocorreu
tanto nas linhas para pessoas físicas como para empresas.
Nas operações para pessoas físicas, a redução
acumulada foi de 8,2 pontos e taxa fechou o ano em 43,9%. Já nos empréstimos
para as pessoas jurídicas, houve corte da taxa de 0,4 ponto porcentual
no mês passado, de 23,3% para 22,9%. No ano, houve redução
de 3,3 pontos.
O spread bancário - diferença entre a taxa de captação
dos bancos e a cobrada dos clientes - ficou em 22,4 pontos percentuais em dezembro.
Entre as diversas operações, as linhas para pessoas físicas
tiveram redução de spread de 1,4 ponto no mês, de 33,3
pontos para 31,9 pontos. No ano, a redução acumula 7,7 pontos.
Nos empréstimos para empresas, o spread médio caiu 0,4 ponto
no mês, de 12,3 pontos para 11,9 pontos. No ano, a redução
acumula 1,6 ponto.
Inadimplência
A taxa de inadimplência
do crédito livre caiu em dezembro de 4,5% para 4,3%. Isso significa
que houve uma queda de 0,7 ponto porcentual na inadimplência no
ano em relação a dezembro de 2006, quando a taxa estava
em 5%.
Já a base monetária (papel moeda emitido mais reservas bancárias)
teve expansão de 12,8% na média dos saldos diários de
dezembro. A expansão ocorrida no mês passado é a maior
desde dezembro de 2006, quando também houve crescimento de 12,8%.
Com a variação, o saldo da base monetária pelo conceito
de média aumentou de R$ 127,393 bilhões em novembro para R$ 143,642
bilhões em dezembro. No ano, a base monetária registrou expansão
de 21,4%.
Pelo conceito de ponta (final do período), a base monetária mostrou
expansão de 12,1% em dezembro ante novembro. Esse porcentual é o
maior desde dezembro de 2006, quando houve crescimento de 15%. Com esse crescimento,
o valor passou de R$ 130,847 bilhões em novembro para R$ 146,617 bilhões.
No acumulado de 2007, houve crescimento de 21,1% em relação a
2006.
Fonte: Agência Estado
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Agência
Brasil, 30 de janeiro de 2008
Centrais sindicais discutem reivindicações
da Marcha da Classe Trabalhadora
Agência Brasil
Brasília - Dirigentes de centrais sindicais reúnem-se hoje (30), às
11h, com os ministros Luiz Dulci, chefe da Secretaria-Geral da Presidência
da República, e Carlos Lupi, do Trabalho e Emprego. O objetivo é discutir
as reivindicações da 4ª Marcha da Classe Trabalhadora e a
participação dos trabalhadores nos conselhos administrativos das
estatais.
O secretário-geral da União
Geral dos Trabalhadores (UGT), Canindé Pegado, participa
da reunião.
A 4ª Marcha da Classe Trabalhadora foi realizada no dia 5 de dezembro
de 2007 pelas centrais sindicais em Brasília. As principais reivindicações
do movimento são a redução da jornada de trabalho sem
redução de salário; mais e melhores empregos; fortalecimento
da seguridade social e das políticas públicas; regulamentação
da terceirização para combater a precarização das
condições de trabalho e ratificação das Convenções
158 e 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
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Gazeta do Povo, 30 de janeiro
de 2008
ECONOMIA | EMPRÉSTIMOS
Crédito vai crescer menos em
2008 e consumidor pagará taxas mais altas
Brasília – A expansão do crédito no mercado este
ano será em ritmo mais lento do que no ano passado, previu ontem o Banco
Central (BC). Apesar de considerar que o total dos empréstimos poderá crescer
este ano entre 20% e 25%, contra a expansão de 27,3% observada no ano
passado, o BC avalia que pelo menos três fatores estarão inibindo
a ampliação dos empréstimos este ano: a crise internacional,
o aumento dos custos dos financiamentos e um menor espaço para a redução
das taxas de juros cobrada pelos bancos. Este cenário é reforçado
pelo aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF), adotada pelo governo, no início do ano, para compensar,
em parte, a perda de arrecadação com a extinção
da CPMF.
No ano passado, surfando na onda do juro menor e com a melhora dos indicadores
de renda e emprego, o total das operações de crédito aumentou
27,3% no ano, e atingiu R$ 932,311 bilhões. O montante equivale a 34,7%
do Produto Interno Bruto (PIB), maior proporção desde maio de
1995, segundo dados divulgados ontem pelo BC. O chefe do Departamento Econômico
do BC, Altamir Lopes, avaliza esse cenário de maior cautela dos bancos
na concessão dos empréstimos e confirma um prognóstico
pouco otimista para o comportamento do crédito nos próximos meses.
Ele considera, inclusive, que
há “pouca margem” para a redução do
spread bancário (diferença entre o custo que o banco paga
para captar dinheiro no mercado e o quanto ele cobra para emprestá-lo
a seus clientes). “O espaço para a redução
dos juros está menor, principalmente nos empréstimos para
as pessoas físicas”, admitiu Altamir ao lembrar que essa
retração deverá ocorrer após 11 quedas seguidas
do juro médio praticado nos empréstimos.
O chefe do Depec comentou, ainda,
que o aumento das alíquotas do IOF afetarão as operações
com pessoas físicas. “Nesses empréstimos, o IOF maior
reduz o espaço para a redução dos spreads”,
explicou. Para Altamir, os custos dos empréstimos não devem
cair até que a situação internacional se resolva.
Essa também é a avaliação do professor de
finanças do Ibmec, Carlos Fagundes. “Com as preocupações
com a inflação no Brasil e a crise nos EUA, quem tem dinheiro
cobra caro para emprestar porque o cenário está bem mais
incerto. É normal que, em algum momento, esse custo seja repassado
para os clientes.” Fagundes pondera, porém, que o juro ao
consumidor e empresas poderia continuar em trajetória de queda
se houvesse redução do spread bancário (diferença
entre taxa de captação e empréstimo).
Juro
médio cai para 33.8%
O cenário que se desenha para 2008, no que diz respeito ao crédito, é bastante
diferente do observado em 2007. No ano passado, o juro caiu por 11 meses seguidos – de
janeiro a dezembro. Na média, a taxa recuou 0,9 ponto porcentual, para
33,8%. O porcentual representa a menor da série histórica iniciada
em junho de 2000, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Banco Central.
Nas operações para
as empresas, o juro cedeu 0,4 ponto porcentual – para 22,9%, também
menor desde 2000. Para as pessoas físicas, a queda foi maior,
de 0,9 ponto porcentual, para 33,8%. Nesse caso, menor patamar desde
o início do real, em julho de 1994. Entre as diversas linhas operadas
pelos bancos, a que apresentou a expansão mais vigorosa foi o
crédito para pessoas físicas, que aumentou 33% e atingiu
R$ 313,620 bilhões.
Os empréstimos para
as indústrias aumentaram 29,8%, para R$ 213,577 bilhões,
e os financiamentos habitacionais tiveram expansão de 25,7%,
para R$ 44,846 bilhões.

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Gazeta do Povo, 30 de janeiro
de 2008
ECONOMIA | INDÚSTRIA
Empresário está otimista
Brasília – A indústria
iniciou o ano aquecida e acredita que manterá o ritmo ao longo
do primeiro semestre. É o que indica a pesquisa Sondagem Industrial,
divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria
(CNI). O otimismo é explicado por dois fatores. Em primeiro
lugar, vem o mercado interno. Principal responsável pelo crescimento
industrial em 2007, o consumo doméstico não foi afetado
pela crise até o momento. Em segundo, a data da pesquisa.
As empresas responderam ao questionário da CNI antes das fortes
quedas nas bolsas de valores e do corte dos juros nos Estados Unidos. “A
agitação nas bolsas dificilmente influencia as decisões
de consumo das famílias brasileiras”, disse o gerente-executivo
da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio
Castelo Branco.
Ele, como a maioria dos
analistas, acha que a real dimensão da crise é desconhecida.
Porém, avalia que ela não afetará o desempenho
da indústria nos próximos seis meses, tal como aponta
a pesquisa. A sondagem ouviu 1.394 indústrias de pequeno, médio
e grande portes entre os dias 2 e 22 de janeiro.
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Gazeta
do Povo, 30 de janeiro de 2008
IMÓVEIS | REAJUSTE
Materiais estão mais caros
Preços de areia, tijolo, telha, cal
e pedra brita têm maior alta dos últimos quatro anos
por CARLOS COELHO
Leandro Taques/Gazeta do Povo

Jovenal dos Santos fez estoque de materiais em 2007 e só agora iniciou
a reforma da casa
Comprar materiais de construção ficou mais caro no último
ano no país. Segundo números de instituições que
acompanham a variação de preços, os insumos de construção
tiveram aumento de 6% em 2007 nas revendas de materiais. O valor foi superior
ao reajuste do ano anterior (2006), que fechou em 4%. Alguns materiais, no entanto,
tiveram alta muito superior a esta média, encerrando o ano com o maior
aumento dos últimos quatro anos.
Em Curitiba, de acordo com pesquisa da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), os grandes vilões foram o mármore
e o granito (com alta de 20,53%), seguidos pela areia (13,24%), tijolos
e telhas cerâmicas (cada um com 11,94% de aumento), cal hidratada
(10,88%) e pedra brita (10,02%).
Salomão Quadros, coordenador
de pesquisa e análises da FGV, atribui a mudança nos
preços ao boom no setor da construção. “O
mercado viveu no ano passado um grande aquecimento. Muita gente comprou
e poucas empresas (indústrias) estavam preparadas para esta
grande procura. Pela lei da oferta e da demanda os valores subiram”,
diz.
Segundo a FGV, no país todo, o cimento foi o material que acumulou maior
reajuste: 18,24% na média nacional – recorde desde 2002. Porém
esse aumento foi maior nas capitais das Regiões Centro-Oeste e Sudeste.
Em Curitiba, a alta no preço do desse produto foi de 2,4%. “Essa
diferença aconteceu porque algumas indústrias das regiões
com maior aumento não supriram a demanda. Houve a necessidade de comprar
material de outras áreas produtoras, o que encareceu seu custo final”,
explica Melvyn Fox, presidente da Associação Brasileira das Indústrias
dos Materiais de Construção (Abramat).
Outro levantamento feito pela
Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção
da Grande Curitiba (Acomac) também apontou reajuste de preços
nas maiores lojas de materiais. Segundo a instituição,
o metro cúbico da areia passou de R$ 40 para R$ 50 (reajuste
de 22%). Com o tijolo não foi diferente. O preço do milheiro
(mil unidades), que no começo do ano passado era de R$ 150,
aumentou para R$ 162 (8% mais). O metro cúbico da pedra brita
passou de R$ 30 para R$ 35 (alta de 18%).
Para o presidente da Associação,
Rogério Martini, embora seja o principal fator, a procura pelos
materiais não foi o único motivo para a alta. “Teve
uma série de outros fatores que colaboraram para o reajuste
dos preços. O custo da produção ficou mais caro
com o aumento do preço dos combustíveis e do transporte.
Também tem a questão do reajuste de salário dos
trabalhadores das indústrias. A necessidade de readequação
dos processos extrativistas para elementos retirados da natureza (para
cumprir a nova legislação foi necessário comprar
equipamentos e treinar mão-de-obra). Tudo isso resultou em preços
mais elevados”, avalia.
Itens representam 11% da obra
Para o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção
Civil do Paraná (Sinduscon-PR), Hamilton Pinheiro Frack, o aumento ainda
não foi sentido para quem está comprando um imóvel recém-construído. “Eventualmente
uma construtora ou outra pode ter aumentado seus valores de venda. Porém
não é o que estamos observando”, diz.
Segundo dados da Companhia
de Habitação (Cohab) de Curitiba, os custos podem ser
significativos. Para os projetos da Cohab, que têm padrão
popular, os principais itens reajustados (dados da FGV) constituem
22% dos custos dos materiais de construção de uma obra.
No preço final, que também inclui a mão-de-obra,
este valor chega a 11%.
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Gazeta do Povo, 30 de janeiro
de 2008
IMÓVEIS | REAJUSTE
Impacto nos financiamentos
A alta nos preços dos
materiais de construção elevou também os preços
de financiamentos imobiliários. Em alguns casos, a correção
monetária que reajusta as parcelas dos financiamentos é feita
pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC),
que sofre influência direta da variação de preços
de insumos da construção e fechou 2007 em 6,15% – maior
alta dos últimos anos.
Segundo Salomão Quadros,
coordenador de pesquisa e análises da Fundação
Getútlio Vargas (FGV), o indexador é utilizado principalmente
nos contratos de financiamento com as construtoras para a compra de
imóveis na planta (que ainda não foram construídos). “As
empresas utilizam este índice para se proteger da variação
dos preços de materiais de construção.”
Para Quadros, quem tem
financiamento corrigido pelo INCC deverá sofrer mais uma alta
neste ano. “Como os materiais ainda deverão ter reajustes,
o INCC irá subir. Mas o aumento possivelmente será menor
que o de 2007”, diz.
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Gazeta do Povo, 30 de janeiro
de 2008
IMÓVEIS | REAJUSTE
Confira o que representa em uma construção
o reajuste dos materiais que mais subiram de preço
A quantidade de cada material foi calculada
com base no projeto de uma residência de 33 m2, de padrão
popular, fornecido pela Cohab-Curitiba. O gasto depois da alta é R$
266,75 maior.
Custo em 2007
Materiais/Preço (R$)
Pedra brita (5 m3):150
Areia (11,5 m3):460
Tijolos (3.650 un.):547,50
Cimento (36 sacos de 50 kg):540
Total de gastos: 1.697,
50
Custo em 2008
Materiais/Preço (R$)
Pedra brita (5 m3):175
Areia (11,5m3):575
Tijolos (3.650 un.):602,25
Cimento (36 sacos de 50 kg):612
Total de gastos: 1.964,
25
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Folha de São Paulo
, 30 de janeiro de 2008
IOF deve conter queda nos juros, diz
BC
Alta do imposto para compensar o fim da CPMF
eleva custos dos bancos e deve reduzir ainda a expansão do
crédito | 2007 teve crescimento de 27,3% no crédito,
um dos motores da economia; para este ano, analistas prevêem
aumento de cerca de 20%
NEY HAYASHI DA CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O aumento nas alíquotas
de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) anunciado
pelo governo no começo do mês como forma de compensar a
perda de receita com o fim da CPMF deve interromper a trajetória
de queda nos juros bancários observada em 2007.
A avaliação é do Banco Central, que diz também
que, devido a esse novo obstáculo ao barateamento dos empréstimos,
a forte expansão do crédito ocorrida em 2007 -um dos principais
motores do crescimento no ano passado- não deve se repetir em 2008.
" O IOF, sem dúvida, afeta o "spread" [bancário].
Já não há tanto espaço para uma redução
de taxas e, portanto, é de esperar um crescimento menor do crédito
[neste ano]", disse ontem o chefe do Departamento Econômico do BC,
Altamir Lopes, ao divulgar pesquisa mensal da instituição sobre
o mercado de crédito no Brasil.
" Spread" é o nome dado à diferença entre o custo
que os bancos têm para captar dinheiro no mercado e a taxa cobrada nos
empréstimos concedidos aos clientes. Logo, quanto mais alto o "spread",
mais alto o custo de um financiamento. Esse componente é afetado por vários
fatores, como a carga tributária, a inadimplência e a margem de
lucro dos bancos.
Entre dezembro de 2006 e dezembro de 2007, o "spread" caiu de 27,2
pontos percentuais para 22,4. Já o total de crédito disponível
no país aumentou 27,3% e chegou a R$ 932,3 bilhões, o que equivale
a 34,7% do PIB (Produto Interno Bruto). Embora esteja longe dos 80% de países
como o Chile e mais de 100% em países ricos, é o nível
mais elevado registrado no Brasil em 12 anos.
Segundo Lopes, parte dessa expansão se deve à redução
dos juros bancários, que estimula pessoas e empresas a contrair novos
financiamentos, e ao aumento nos prazos, que reduz o valor de cada prestação
paga.
Ao longo de 2007, o prazo médio dos empréstimos subiu de 301
dias para 351 dias. No mesmo período, a taxa média cobrada pelos
bancos caiu de 39,9% ao ano para 33,8%. Neste ano, diz o funcionário
do BC, o aumento dos prazos não deve manter o ritmo do ano passado,
e a cobrança do IOF vai dificultar novas reduções nos
juros.
O economista Philip Wagner, do Unibanco, lembra ainda que a taxa básica
de juros (Selic) também não deve cair neste ano na velocidade
de 2007.
Entre janeiro e dezembro do ano passado, a taxa que serve de referência
para as operações de curto prazo das instituições
financeiras foi reduzida de 13,25% ao ano para 11,25%.
Diante das ameaças de alta da inflação e do agravamento
das turbulências nos mercados, os analistas acham que dificilmente o
BC promoverá grandes cortes na Selic. "Isso ajuda a fazer com que
a queda do "spread" não seja tão forte quanto foi em
2007", afirma.
Ainda assim, o cenário traçado pelo analista para o crédito
no Brasil neste ano é razoavelmente positivo. Wagner diz que a expansão
dos empréstimos bancários deve ficar em 24% em 2008, número
próximo dos 20% previstos pela economista Ana Carla Abrão Costa,
da Tendências Consultoria.
" Como 2008 não deve ser tão exuberante como 2007, certamente
teremos uma desaceleração na expansão do crédito",
diz Costa. Para ela, o crescimento da massa salarial e a queda dos juros, embora
menores que em 2007, devem ser suficientes para garantir um aumento significativo
na oferta de financiamentos bancários. "20% ainda é muita
coisa", diz.
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Agência Câmara,
30 de janeiro de 2008
Proposta muda redação
de lei sobre crédito imobiliário
J. Batista

Carlos Bezerra quer evitar contestações à lei
por causa da redação inadequada do artigo 1º.
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 2060/07, do deputado Carlos Bezerra
(PMDB-MT), que reformula a redação do artigo 1º da Lei 10.931/04.
O objetivo é tornar mais claros os temas tratados pela lei, que instituiu
o patrimônio de afetação e novos instrumentos de crédito
imobiliário.
A nova redação
proposta para o artigo 1º resume todo o conteúdo da lei,
como determina a Lei Complementar 95/98, que dispõe sobre a redação
das leis brasileiras, determinando que o primeiro artigo de toda lei
deve indicar o objeto da norma e o respectivo âmbito de aplicação.
Contestação
O deputado Carlos Bezerra explica que a Lei 10.931 foi contestada em 2006 no
Tribunal de Justiça de São Paulo por não cumprir essa
regra, pois seu primeiro artigo não entra nos instrumentos de financiamento
imobiliário definidos pela norma, como a Cédula de Crédito
Imobiliário (CCI) e a Cédula de Crédito Bancário
(CCB).
A decisão judicial afetou
principalmente as ações que envolvem cobranças de
dívidas baseadas nas CCBs, hoje o principal instrumento dos bancos
para conceder crédito imobiliário a pessoas físicas. "O
objetivo do projeto é evitar que o instrumento da CCB, já tão
utilizado pelos bancos, venha a ficar desacreditado e, por conseguinte,
traga uma indesejável oneração do crédito
bancário", diz Bezerra.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e deverá ser analisado
pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria
e Comércio; de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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Agência Câmara,
30 de janeiro de 2008
Recibo salarial poderá ser simplificado
J. Batista
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 2059/07, do deputado Carlos Bezerra
(PMDB-MT), que permite a simplificação de recibo salarial se
assim for definido em acordo ou decisão coletiva. A proposta dispensa
a necessidade de se discriminar no recibo as parcelas pagas ao trabalhador,
permitindo o pagamento salarial em rubrica única.
O projeto altera a Consolidação
das Leis Trabalhistas (CLT - Decreto-Lei 5.452/43). A medida não
altera, no entanto, a regra mais usual - o depósito em conta bancária
-, que, pela lei, funciona como recibo salarial.
Dogma
O deputado argumenta que a CLT não proíbe o pagamento de verbas
salariais de forma não discriminada. "Ocorre que a doutrina e a
jurisprudência laboral se encarregaram de construir, respeitando princípios
que vigiam na sociedade da época, a proibição do pagamento
de salários em recibo simplificado", explica Carlos Bezerra.
Na opinião de Bezerra,
o "dogma da tutela do trabalhador" tem prejudicado o estímulo à negociação
coletiva, ao inibir que as partes envolvidas na relação
de emprego possam estipular as bases da contratação. Ele
lembra, no entanto, que mudanças no mercado de trabalho têm
alterado essa realidade. "Podemos perceber os primeiros ventos de
mudança na decisão do Tribunal Regional do Trabalho da
13º Região (de João Pessoa, na Paraíba), que
entendeu válida a previsão convencional de pagamento de
salários de forma agrupada, em uma única rubrica, para
trabalhadores portuários", exemplifica o deputado.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas
comissões de Trabalho, de Administração e Serviço
Público; e de Comissão de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
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Revista Consultor Jurídico, 30 de janeiro
de 2008
Terceirização ilegal
TIM é obrigada a reconhecer
vínculo de terceirizado
A TIM Nordeste está obrigada a reconhecer o vínculo de emprego
com um operador de telemarketing contratado por uma empresa terceirizada. A
decisão da Justiça do Trabalho da 3ª Região (MG)
foi confirmada pela 7ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho. A Justiça
do Trabalho considerou a terceirização foi ilegal.
De acordo com o processo, o operador de telemarketing foi contratado pela empresa
A&C Soluções em 17 de novembro de 2004 para a função
de atendente pleno. O empregado, na verdade, sempre trabalhou para a Maxitel,
cujo nome de fantasia é TIM. Segundo o trabalhador, ele exerceu sempre
as mesmas atividades dos demais empregados da concessionária de telefonia:
abrir reclamações sobre falhas no serviço prestado, recebimento
de mensagens, transferência de clientes para os setores responsáveis
e solicitação de ativação de serviços, entre
outros.
Apesar de fazer o mesmo trabalho de outro contratado diretamente pela TIM,
recebia salário inferior ao dos colegas. Dispensado sem justa causa
em dezembro de 2005, pediu, na ação trabalhista, a nulidade da
terceirização com a A&C Soluções, reconhecimento
do vínculo empregatício com a TIM e a extensão dos direitos
da categoria como salário e os seus reflexos no FGTS, férias,
13º salário, horas extras e verbas rescisórias.
A 40ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte julgou improcedente o pedido
de reconhecimento do vínculo empregatício. O empregado recorreu
ao Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG). A segunda instância
não só reconheceu o vínculo de emprego diretamente com
a TIM, como determinou a anotação na sua carteira de trabalho
da função operador de telemarketing. Ainda julgou ser devida
a remuneração constante do piso das companhias telefônicas.
As empresas tentaram embargar a decisão no TRT, sem êxito. Por
isso, o caso chegou ao TST. A maioria dos ministros da 7ª Turma negou
o apelo e manteve o entendimento do TRT de que os serviços executados
pelo empregado enquadraram-se na atividade-fim da empresa TIM Nordeste. Voto
vencido, o ministro Ives Gandra Martins Filho, presidente da Turma e relator
do processo, acolheu os argumentos das empresas. Para redigir o acórdão,
de acordo com o que a maioria decidiu, foi designado redator o ministro Caputo
Bastos.
RR-798/2006-140-03-00.4
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Revista Consultor Jurídico,
30 de janeiro de 2008
Justiça condena abatedouro a
indenizar funcionário que perdeu a visão
A 2ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de Goiás condenou
um abatedouro clandestino a pagar R$ 20 mil por danos morais a empregado acidentado
no trabalho. O trabalhador perdeu a visão esquerda durante o abate de
carne bovina.
Segundo informações
do tribunal, o empregado estava conduzindo o gado para o abate quando
um dos animais deu um coice que atingiu o machado e este, por sua vez,
acertou seu olho esquerdo e danificou o nervo óptico.
O juízo de primeiro grau
negou a indenização por danos morais por considerar que
o acidente ocorreu por culpa exclusiva da vítima. Em seu voto,
o relator do processo, desembargador Saulo Emídio dos Santos,
afirmou, ao contrário, que o abatedouro teve culpa exclusiva no
acidente que vitimou o reclamante “quando não lhe deu treinamento
e instrumentos necessários para o exercício de suas funções”.
Segundo ainda o relator, o abate
era feito em matadouros clandestinos, o que tornou verossímil”que
as instalações eram improvisadas e inseguras. “Abate
com machado é rudimentar e perigoso”, ressaltou.
Assim, sendo incontroversa a
existência do dano e do nexo de causalidade, a Segunda Turma, por
unanimidade, reformou a sentença para condenar o empregador a
pagar indenização pelos danos morais e estéticos
sofridos pelo trabalhador.
Recurso Ordinário 01067-2007-011-18-00-1
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Última Instância,
30 de janeiro de 2008
Sindicato deve publicar informações
sobre cobrança de contribuição em jornais
A 2ª Câmara do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região
(Campinas) negou, em decisão unânime, o recurso ordinário
de uma entidade que congrega produtores rurais, em ação de cobrança
de contribuição sindical. A câmara considerou que o sindicato
não preencheu os requisitos previstos no artigo 605 da CLT (Consolidação
das leis do Trabalho), no que se refere à publicação dos
editais referentes ao recolhimento das contribuições objeto de
cobrança.
A entidade pretendia reformar
decisão da 5ª Vara do Trabalho de Ribeirão Preto,
no interior do Estado de São Paulo, que extinguiu o processo sem
julgamento do mérito.
Em seu voto, o relator do acórdão
no TRT, desembargador federal do trabalho Eduardo Benedito de Oliveira
Zanella, advertiu que o Diário Oficial, veículo em que
foram publicados os editais, não é o meio mais indicado
para esse fim, quando o meio que dá origem à questão
discutida no processo é o rural.
O desembargador explicou que
o artigo 605 da CLT obriga as entidades sindicais a “promover a
publicação de editais concernentes ao recolhimento do imposto
sindical, durante três dias, nos jornais de maior circulação
local”, característica que, observou o relator, não é própria
do Diário Oficial, sobretudo quando se trata de áreas rurais.
Para Zanella, a publicação
dos editais nos jornais de maior circulação no local onde
o devedor pode ser localizado “é um pressuposto de constituição
e desenvolvimento válido do processo”. No entendimento do
magistrado, a exigência prevista na CLT pode e deve, inclusive,
ser conhecida de ofício, “sem a necessária argüição
pela parte contrária”.
Recurso Ordinário 0844-2006-113-15-00-7
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
30/01/2008
Ausência de registro de sindicato
não impede estabilidade de dirigente
Mesmo antes de uma entidade sindical
estar registrada no Ministério do Trabalho, o dirigente sindical
tem garantida a estabilidade provisória no emprego, abrangendo
a fase de formação e regularização da entidade. É o
que preceitua a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho
e foi o fundamento para a Quinta Turma confirmar a decisão do
Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (BA) que determinou
a reintegração ao emprego de um funcionário da Organon
do Brasil Indústria e Comércio Ltda.
O empregado foi demitido sem
justa causa porque a empresa entendeu que ele não tinha estabilidade
assegurada, uma vez que a entidade sindical à qual pertencia não
estava registrada no órgão competente. Admitido na empresa
em abril de 1983, na função de vendedor-propagandista de
produtos farmacêuticos, o trabalhador foi eleito, em maio de 2003,
para cargo de dirigente no Sindicato dos Propagandistas, Propagandistas-Vendedores
e Vendedores de Produtos Farmacêuticos da Bahia (Sindiproba).
Em 24 de novembro do mesmo ano,
a empresa o demitiu imotivadamente, entendendo que aquele sindicato não
tinha personalidade jurídica, por não haver registro no
Ministério do Trabalho. No mês seguinte, o sindicalista
ajuizou ação trabalhista na 10ª Vara do Trabalho de
Salvador, reclamando direito à estabilidade. O pedido foi negado
porque aquela instância entendeu que o registro provisório
do Sindiproba no Ministério do Trabalho foi concedido em 24/11/03
e publicado no Diário Oficial da União em 26/11/03, portanto,
após a despedida do empregado.
Ao julgar o recurso do sindicalista,
o Tribunal Regional entendeu de modo diferente e decidiu a seu favor.
O TRT considerou que, à época da demissão, o pedido
de registro do novo sindicato (Sindiproba) já havia sido feito
ao Ministério do Trabalho, sendo que o processo se desenrolou
por vários anos. Esclarece o acórdão do Regional
que “é exatamente no momento de criação da
nova entidade sindical, o qual sugere naturalmente temores ao capital,
que mais se faz necessária a garantia constitucional de estabilidade
dos seus dirigentes, de sorte que a despedida sem justa causa de membros
da diretoria do sindicato configura ato obstativo à constituição
do sindicato”.
O relator do processo na Quinta
Turma, ministro Emmanoel Pereira, informou que não pode ser considerada
a justificativa da empresa de que o dirigente sindical não estava
protegido pela garantia da estabilidade sindical, porque, quando da sua
dispensa, o sindicato ainda não estava registrado no órgão
competente. O Supremo Tribunal Federal reconhece a estabilidade aos diretores
eleitos na assembléia constitutiva da entidade sindical desde,
pelo menos, a data do pedido de registro no Ministério do Trabalho.
A garantia está na Constituição da República
no artigo 8º, VIII. O ministro citou também vários
precedentes julgados no TST nesse sentido. (RR-2157-2003-010-05-00.0)

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