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Agência Brasil, 4 de
fevereiro de 2008
Governo quer aprovar
emenda contra trabalho escravo
O governo se mobilizará pela aprovação,
neste ano, da proposta de emenda à Constituição
(PEC) que determina a expropriação de terras
onde houver trabalhadores em condição análoga à de
escravos. A informação é do coordenador
do Grupo Especial de Fiscalização Móvel,
Marcelo Campos.
A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 438/01, que determina a expropriação de terras
onde for constatada exploração de trabalhadores em condições
análogas às de escravidão, poderá contribuir
para a redução desse tipo de crime no país. A
avaliação é do coordenador do Grupo Especial de
Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho,
Marcelo Campos, que diz que o governo vai se mobilizar para conseguir
a maioria necessária à aprovação da proposta
ainda neste ano.
De acordo com Campos, a PEC ainda não foi aprovada em definitivo
porque existe um lobby muito forte da bancada ruralista no Congresso
Nacional. "A questão do trabalho escravo é uma questão
de maximizar lucros. Vai ser preferível para eles [fazendeiros]
garantir os direitos e pagar do que perder a terra. É uma questão
de lógica", disse ele. A proposta já foi aprovada
no Senado e em primeiro turno na Câmara dos Deputados.
Além de aprovar o projeto no Congresso, o governo pretende
aumentar o número de operações para combater a
mão-de-obra escrava. No ano passado, o Grupo Especial de Fiscalização
Móvel bateu o recorde de operações desde 1995.
Foram 114 operações de combate ao trabalho escravo, com
a libertação, também recorde, de 5.963 trabalhadores.
Para o coordenador, os números positivos são resultado
do Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo,
lançado em 2003.
" O crescimento, em volume, deste número representa o
compromisso do governo de estar presente, reprimindo o crime. E, se
você está presente em um maior número de vezes
nos locais e fiscalizando mais propriedades, a conseqüência é conseguir
atender maior número de vítimas e libertar mais trabalhadores",
afirmou.
Segundo Campos, independentemente da atividade econômica dos
empregadores, os trabalhadores nesses casos são encontrados
em total informalidade na contratação e com todos os
direitos trabalhistas negados, sem condições de saúde
e de segurança. "Normalmente, estão em pior condição
que os animais criados pelos fazendeiros. O boi é muito mais
bem tratado que o trabalhador."
Quando os trabalhadores são encontrados em condições
semelhantes às de escravidão, eles são retirados
do local e inseridos no benefício do seguro-desemprego. Os empregadores
são obrigados a pagar todos os direitos trabalhistas. "Eles
[os trabalhadores libertados] saem de lá com os direitos garantidos",
diz Marcelo Campos.
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O Globo, 4 de fevereiro de
2008
Alta de alimentos prejudicou
mais os países pobres
A preocupação com os preços
dos alimentos é, desde o ano passado, um problema
mundial, mas foram os países pobres que pagaram a
maior parte dessa conta, desembolsando US$ 107 bilhões
com importações de alimentos em 2007 — um
volume 25% superior ao gasto em 2006. Dos 37 países
mais afetados pela alta dos preços dos alimentos,
20 deles são africanos.
A agroinflação pressionou os índices de inflação
do Brasil, da China, dos Estados Unidos e os da área do euro.
Não é para menos. O preço de algumas commodities
agrícolas, como soja, milho e trigo, chegou a subir 50%, em
média. Houve situações mais extremas e o exemplo
mais próximo do consumidor brasileiro foi o do feijão
carioquinha, que registrou alta 144,42%, em 2007.
Na China, os preços dos alimentos subiram 18,20% contra uma
inflação de 6,9% - a maior em 11 anos. No Brasil, a inflação
dos alimentos também pulou para a casa dos dois dígitos.
O índice geral foi de 4,6% e a maior pressão veio dos
alimentos, que fechou o ano com uma alta de 10,65%, segundo o IPC,
da Fundação $úlio Vargas (FGV).
Na Comunidade Européia, os alimentos também subiram
mais que a inflação: 4,8% contra 3,16%. O mesmo ocorreu
nos Estados Unidos, onde a inflação dos alimentos foi
de 4,8% enquanto a inflação, em 2007, foi de 4,1%, comparou
o economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia
(IBRE), da FGV.
A Organização das Nações Unidas para a
Agricultura e a Alimentação (FAO) não acredita
que a desaceleração da economia americana tenha força
para conter a alta dos alimentos. O comissário da União
Européia (UE) para o Comércio, Peter Mandelson, previu,
recentemente, que a pressão deve continuar até 2016.
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Diário Vermelho, 4
de fevereiro de 2008
Pesquisa reforça
relação da violência com miséria
A violência é atraente aos jovens em
condições de vida sentidas como humilhantes,
principalmente como meio de adquirir respeito e admiração – e
não pelo retorno financeiro que as atividades ilegais
podem trazer. Esta foi a relação da violência – como
comportamento e como valor – com as más condições
de vida nos bairros pobres da periferia de São Paulo
revelada numa pesquisa realizada no Instituto de Psicologia
(IP) da USP.
A violência é atraente aos jovens em condições
de vida sentidas como humilhantes, principalmente como meio de adquirir
respeito e admiração – e não pelo retorno
financeiro que as atividades ilegais podem trazer. Esta foi a relação
da violência – como comportamento e como valor – com
as más condições de vida nos bairros pobres da
periferia de São Paulo revelada numa pesquisa realizada no Instituto
de Psicologia (IP) da USP.
Durante dez anos de convivência com a população
de um bairro de baixa renda da periferia, em seu trabalho como psicóloga,
Thaïs Cardinale Branco pôde notar a valorização
de símbolos ligados à violência entre os jovens
da comunidade.
Decidiu empreender então uma pesquisa acadêmica para
conhecer as representações sobre violência, verificando
se elas são afetadas pelas condições de vida local,
e de que forma acontece essa influência.
Para tanto, a pesquisadora entrevistou dois grupos: primeiramente
conversou com habitantes da comunidade e educadores, colhendo informações
e opiniões sobre a região, sua história, sua inserção
na sociedade e as condições de vida que esta oferece – traduzidas
por estilos de vida presentes no bairro – buscando saber principalmente
a percepção deles sobre os fatores que contribuem para
a adoção de estilos legais ou ilegais.
Boa parte destes entrevistados revelou entender as ações
violentas como uma saída para situações de vida
destes jovens, possibilitando admiração dos demais, além
de, em alguns casos, serem financeiramente gratificantes.
Em seguida, a psicóloga entrevistou jovens e adolescentes da
comunidade, buscando especialmente aqueles que mudaram sua escolha
de estilo de vida (de atividades legais para ilegais e vice-versa),
pois “tais mudanças revelam transformações
de valores, permitindo reflexões mais aprofundadas sobre o que
leva a uma ou a outra opção”, como explica.
As entrevistas não seguiam um roteiro prévio, e chegavam
a durar duas horas, resultando num trabalho eminentemente qualitativo.
Para que os diálogos se viabilizassem, tanto na primeira como
na segunda pesquisa, era preciso que os entrevistados confiassem na
pesquisadora e, nesse aspecto, seu convívio por uma década
com aquela comunidade foi fundamental.
Inferiorizados
Entre os fatores associados pelos jovens pesquisados à valorização
da violência, os principais foram: defesa da honra (resposta
a humilhações ou mesmo a pequenas situações
sentidas como ofensivas); identidade masculina (sendo que grande parte
deles foi criada sem a figura paterna, em situação de
abandono); obter respeito e admiração alheios; fidelidade
(defesa do grupo a que pertence); demonstrar competência de agressão
(“eu sou mais forte e sei lutar”); proteção
de entes queridos; e ocultamento ou compensação de déficits
sentidos como vergonhosos.
Sobre o último fator, Thaïs explica que “as condições
materiais e a baixa escolaridade (analfabetismo, inclusive) produzem
críticas injustas aos habitantes da periferia, que acabam sendo
ligados a estigmas sociais (‘morador de favela’), o que
faz com que se sintam inferiorizados”.
Assim, tais valores em conjunto justificariam e validariam o recurso à violência
na visão de parte destes jovens. A pesquisadora também
pôde observar que o convívio com o mundo violento (brigas,
tiroteios, cadáveres expostos) muitas vezes dessensibiliza-os
para o afeto, repercutindo na formação de seus valores.
O comportamento e “máscara” agressivos também
estão associados a uma forma de defesa. Mesmo que a pessoa não
pratique de fato a violência, recorre à postura e a expressões
agressivas, roupas escuras e imagens ameaçadoras – como
os adesivos de pitbulls com dentes à mostra, que a pesquisadora
relata serem muito comuns no local à época.
Por outro lado, mesmo nestas condições desfavoráveis, “é bem
mais provável que jovens que valorizam coisas que servem como
barreiras à violência, como ética, moral e respeito
ao outro não pratiquem a violência e sejam contrários
ao seu uso”, completa a psicóloga.
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Congresso em Foco, 4 de fevereiro
de 2008
Câmara troca líderes.
No Senado, tudo na mesma
Arthur Virgílio e José Agripino
se “eternizam” nas lideranças. Tucanos
na Câmara brigam, enquanto petistas costuram nome de
Rands
Fábio Góis
Um contraponto marca o redesenho das lideranças de bancada no
Senado e na Câmara para 2008. Enquanto, entre os deputados, algumas
disputas já se acirram com a proximidade das eleições
municipais, no Senado, os líderes devem continuar os mesmos. Alguns
deles, aliás, há dez anos no cargo, caso de Arthur Virgílio
(PSDB-AM). José Agripino (RN) está há oito anos à frente
do PFL e do DEM.
À medida que se aproxima o pleito de outubro, os partidos na Câmara
usam como termômetro as condições de elegibilidade de seus
deputados em seus redutos. Os futuros líderes sabem que, uma vez no comando
de seus partidos, terão os holofotes da grande mídia, de forma
que a visibilidade obtida reforçará sua imagem perante o eleitorado.
Já no Senado, instituição conhecida pelo “espírito
de equipe” que une seus membros, as mudanças serão quase
nulas.
Em ano de eleições municipais, o posto de líder
de bancada em ambas as Casas costuma render bons dividendos eleitorais
e políticos. Além, da visibilidade na imprensa, ser líder
amplia o quadro de funcionários disponível (o que significa
mais verba), mais influência nas decisões de temas caros
aos partidos. Até a cota postal e telefônica ganha um reforço.
Entretanto, liderança no Parlamento significa mais responsabilidade,
algum desgaste e, quase sempre, muita dor de cabeça. Em partidos
grandes, por exemplo, algumas correntes internas não raro apresentam
divergências político-ideológicas, sem contar os
embates com outras legendas. Aí entra o papel mediador do líder.
Função que pode representar o esgotamento físico-psíquico
ao final de cada ano. É caso da líder do PT no Senado,
Ideli Salvatti (SC), que admitiu ao Congresso em Foco estar estafada
ao final de seu terceiro ano (não-consecutivo) na liderança
petista.
O peso das urnas
Mal começou o ano de eleições municipais, as bancadas
partidárias na Câmara já analisam a situação
nos estados para operar mudanças significativas em seus comandos.
Ao contrário do Senado, algumas bancadas sinalizam tendência
de renovação. Tudo indica que, no próximo pleito
eleitoral, a maioria dos partidos terá como critério de
escolha dos novos líderes a elegibilidade em prefeituras das principais
cidades brasileiras.
À exceção do PMDB – que já reconduziu o deputado
Henrique Alves (RN)–, as siglas aguardam apenas o fim do Carnaval para
redesenhar seu formato. As atividades do Congresso estão previstas para
começar já no dia 6 de fevereiro, uma quarta-feira de cinzas.
Reconduzido ao posto de líder desde o fim do ano passado, Alves,
que é primo do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN),
diz que não tem pretensões eleitoreiras com a liderança
e que lá continuará por “aclamação” da
legenda.
A medir pelas palavras de seu líder na Câmara, o PMDB não
tem nas eleições municipais a prioridade do partido neste
ano. Entretanto, com ministérios-chave ocupados por seus membros – a
exemplo de Edison Lobão (Minas e Energia), Nelson Jobim (Defesa)
e Hélio Costa (Comunicações), só para citar
três dos seis ministérios –, a força política
da maior bancada do Senado e no Câmara continua.
Recife
O provável futuro líder do PT não quer nem saber
de disputar a prefeitura de Recife. O nome mais provável para
suceder Luiz Sérgio (RJ) é o do deputado Maurício
Rands (PE), que revelou semana passada ao Congresso em Foco que a bancada
resolveu retirar sua candidatura ao comando da capital pernambucana.
“ Ontem (quarta-feira, 29), o partido retirou as candidaturas todas para
apoiar o candidato do prefeito João Paulo Cunha (PT)”, revelou Rands,
referindo-se ao secretário de Planejamento Participativo de Recife, João
da Costa. A decisão, segundo Rands, tem o objetivo de dar continuidade
ao legado petista com a influência do atual prefeito, que foi reeleito
e tem bons índices de aceitação junto à população
recifense.
Apesar disso, a bancada do PT na Câmara não confirmou qual
será seu próximo líder. Mesmo com o Maurício
Rands no páreo, a assessoria da liderança informou ao Congresso
em Foco que outro nome pode surgir até a reunião marcada
para depois do carnaval com parlamentares da legenda. Segundo a assessoria,
ainda não há data definida para o encontro.
Segundo Rands, a decisão sobre o novo líder petista será anunciada
no próximo dia 12, sem maiores “controvérsias”. “Vamos
ver se ratificamos isso [sua candidatura]. Até agora não
surgiu outro nome. Tenho conversado com os deputados e as deputadas e
nenhum se opôs ao meu nome. Acho que não teremos mais controvérsias”,
disse o deputado à reportagem.
Serra x Alckmin
Se no PMDB e no PT o clima é de harmonia, o PSDB tem lá suas
divergências internas. Em São Paulo, é peculiar a
correlação entre a liderança do partido na Câmara
e a prefeitura da maior metrópole da América do Sul. Dois
tucanos de peso – José Serra e Geraldo Alckmin – tentam
emplacar seus pupilos na liderança da legenda na Câmara,
Arnaldo Madeira (SP) e José Aníbal (SP), respectivamente.
Alckmin quer disputar a prefeitura de São Paulo. Mas conta com
a oposição de Serra, que prefere apoiar a reeleição
do atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM).
Caso Aníbal seja eleito novo líder tucano, crescem as chances
de Alckmin, seu aliado, vir a ser candidato à prefeitura paulistana.
A posse de Aníbal seria um indicativo de que boa parte dos deputados
vê com bons olhos a hipótese de Alckmin disputar o pleito
contra Kassab, o atual prefeito.
Entretanto, a outra “corrente” tucana na Câmara pode
atrapalhar tais planos. Caso Arnaldo Madeira, alinhado ao governador
José Serra, seja o novo líder, crescem as chances de o
PSDB se retirar da disputa e apoiar a reeleição de Kassab.
Pesquisa do Datafolha realizada no final do ano passado mostra que Alckmin
tem 26% das intenções de voto na Grande São Paulo,
enquanto Kassab, embora apresente tendência de crescimento, tem
apenas 13% – precisamente a metade dos votos.
Fartura de nomes
O DEM aposta suas fichas na sucessão para reforçar o quadro
do partido nas principais capitais brasileiras, durante as eleições
municipais. Para o atual líder na Câmara, Onyx Lorenzoni
(RS), será “ponto de honra” para o DEM ter um bom
desempenho nas eleições de outubro. “Nosso foco está nisso.
Queremos um processo que nos fortaleça nesse sentido”, disse
o líder.
Onyx garante que o partido dispõe de diversos nomes de peso para
sucedê-lo – todos supostamente com alguma chance de virar
prefeitos em seus redutos eleitorais, inclusive ele mesmo. “Vou
ser candidato a prefeito em Porto Alegre”, adiantou.
A liderança deve ficar com Antonio Carlos Magalhães Neto
(BA). Em desvantagem na disputa pela prefeitura de Salvador (15% das
intenções de voto, em terceiro lugar, segundo pesquisa
feita em dezembro pelo Datafolha), o deputado deve mesmo ser alçado à liderança
na Câmara, para ganhar visibilidade.
Fontes ouvidas pela reportagem informaram que ACM Neto já circula
nas dependências da Casa como novo líder. Apesar disso,
Onyx não quer que os holofotes que miram a liderança mudem
o foco e atrapalhem seus planos em Porto Alegre. “Temos vários
nomes fortes. Um nome que é naturalmente forte é o Caiado
[Ronaldo Caiado – GO]. Temos também o Neto [ACM Neto], o
Bornhausen [Paulo Bornhausen – SC], o Fábio Souto [BA],
o Abelardo Lupion [PR]”, enumerou ele, referindo-se a alguns de
seus potenciais sucessores na liderança e tentando evitar a definição
por ACM Neto.
A despeito da numerosa oferta de possíveis líderes, Onyx
indica que não haverá disputas internas. “Estamos
conversando para ver como procedemos. A definição vai ser
depois do carnaval, mas será uma decisão que vai deixar
a bancada ainda mais forte”, acredita.
Continuísmo
Duas destacadas – e alinhadas – lideranças no Senado
já dão sinais de “perpetuação” no
posto: Arthur Virgílio e José Agripino, ambos críticos
ferrenhos da condução do país pelo governo Lula.
Mudanças, pelo que os líderes disseram, só mesmo
na intensidade do combate às características supostamente “perdulárias” do
lulismo.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse
ao Congresso em Foco que será ainda mais combativo. “Eu
espero um ano de muito combate aos atos de irregularidade e corrupção
do governo Lula. Pretendo investigar pesadamente os gastos excessivos,
a alta carga tributária, exigir a transparência no uso dos
cartões corporativos. Vou propor também a redução
no número de ministérios e o corte de 70% dos cargos comissionados”,
adiantou Virgílio, crítico contumaz do governo Lula.
Ele indica qual será um dos grandes desafios do Planalto neste
ano. “Outro ponto é a TV pública, que vai ter muitos
problemas para passar [ser aprovada pelos senadores]. É um exemplo
de excesso de gastos. Eles não queriam reduzir gastos? Por que
não acabam com essa TV e mandam o dinheiro dela para a saúde?”,
questionou o líder tucano. “É como se o governo fosse
ao mesmo tempo traficante e viciado: ele alimenta essa prática
de gastos excessivos ao mesmo tempo que a legitima.”
Segundo Virgílio, não há disputa interna pela liderança
no Senado. Questionado sobre o possível surgimento de outro nome
para sucedê-lo no comando da legenda, foi enfático. “Nunca
houve. Desde dezembro, o partido me reconduziu por aclamação”,
garantiu.
“Insofismável”
O líder Arthur Virgílio conta com um nome de peso para
auxiliá-lo no combate ao Planalto. Trata-se do líder do
DEM no Senado, José Agripino (RN), outro ferrenhos críticos
da política econômica do governo. Eleito líder do
PFL (antiga denominação do DEM) no Senado pela primeira
vez em 2001, ele ai para o oitavo ano como líder. “Fui reconduzido
há dois meses à liderança. A indicação
do partido foi feita por unanimidade”, resumiu Agripino à reportagem.
Um dos principais artífices do fim da CPMF no Senado e co-responsável
pela indicação de Garibaldi Alves (PMDB-RN) à presidência
da Casa, Agripino considera boa a sua atuação a legenda
ao longo desses oito anos. “Isso é insofismável.
A condução dos trabalhos como oposição fortaleceu
o partido”, declarou.
Ele se mostra modesto ao ser questionado se saiu fortalecido como líder. “Você pode
interpretar assim, mas eu não posso falar isso por mim, dizer
que eu saí fortalecido como líder.”
Coalizão até segunda
ordem
Assim como na Câmara, a bancada do PMDB no Senado continua com
o mesmo líder em 2008. Valdir Raupp (RO), eleito no ano passado,
disse ao Congresso em Foco que permanecerá ao menos mais um ano
na liderança já que seu mandato não terminou. Segundo
Raupp, só mesmo no fim do ano, é que começarão
a surgir os candidatos à sua sucessão na liderança. “Até lá,
acho que não vai surgir nenhuma postulação. Se eu
devo continuar ou não, aí já é uma decisão
da bancada”, ponderou.
Conhecido pela atuação discreta e em consonância
com a voz majoritária do PMDB, Raupp disse que o partido deve
se manter alinhado ao governo em 2008, até “segunda ordem”. “[A
aliança] continua. O PMDB é um partido da coalizão
e, enquanto a maioria estiver apoiando o governo, vamos manter essa atuação”,
explicou. Ele disse que a legenda tentará conquistar algumas prefeituras
importantes, além de manter as que já tem, como Porto Alegre
(RS) – cujo prefeito é o peemedebista José Fogaça.
“ Com certeza, o PMDB é o maior partido do Brasil, e vai buscar
impor isso em todas as áreas – nas prefeituras, nas câmaras
de vereadores. O objetivo é sair das eleições com o maior
número possível [de peemedebistas eleitos], inclusive Porto Alegre,
onde a prefeitura é nossa”, adiantou Raupp, mas com ressalvas. “O
PMDB é um partido de alianças.”
Desgastada
A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), vai para o terceiro
ano no posto com pelo menos uma baixa significativa de saldo: a derrota
da CPMF – pela qual não pode ser exclusivamente responsabilizada.
Entretanto, ela não se mostra abalada com a perda. “Desgastada” seria
a palavra ideal, segundo a própria senadora, embora alguns petistas
queiram mantê-la na liderança. “Tem pessoas defendendo
isso. Quero dizer que estou acumulando o terceiro ano de liderança,
e isso desgasta, cansa”, revelou Ideli.
Embora o mais provável seja sua permanência na liderança,
Ideli disse que as conversas na bancada têm sido muito “truncadas”,
principalmente devido aos “problemas” que o partido enfrentou
no final do ano passado por causa da CPMF e do “Renangate”.
“ Infelizmente, não tivemos condição de fazer esse
debate, que ficou para ser feito na entrada da primeira ou segunda semana de
fevereiro, depois do Carnaval”, lamentou Ideli. Ela indicou que alguns
nomes, a despeito da dificuldade de entendimento, já manifestaram “aspirações”. “Algumas
pessoas sinalizaram desejo, mas as conversas no final do ano foram muito ‘truncadas’,
ficou difícil uma definição. Inclusive agora eu teria dificuldade
de dizer alguma coisa em relação às aspirações
que apareceram, não tenho muito como me posicionar.”
Quais são os demais postulantes ao posto? “O próprio
Suplicy [Eduardo Suplicy, SP] há anos manifesta o desejo. Mas, às
vezes, ele faz uma coisa muito ‘vôo-solo’, e isso acaba
encontrando resistência em setores do partido”, explicou,
referindo-se à “independência” do senador paulista
no Parlamento. “O nome do Sibá [Machado, AC] também
já foi colocado.”
Ideli lembrou também que outros senadores petistas poderiam ser
líderes da bancada, mas não podem ser indicados devido
aos cargos que ocupam no Senado – a exemplo de Tião Viana
(AC), vice-presidente Casa. “Só depois do Carnaval o bloco
vai definir o enredo e a harmonia”, concluiu a senadora, ao estilo
metafórico do presidente Lula.
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Gazeta do Povo, 4 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | CONSTRUÇÃO
CIVIL
Aumento no preço
dos materiais
A elevação dos preços dos materiais básicos
de construção, como telhas, blocos de concreto, cimento,
bem acima do Índice Nacional da Construção Civil
(INCC) começa a preocupar as construtoras. A preocupação é maior
especialmente entre as pequenas e médias companhias que precisam
competir com as gigantes do setor.
O Sindicato das Indústrias da Construção Civil do
Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) fez um estudo para monitorar
os preços dos principais insumos usados na construção
civil e constatou, por exemplo, que a telha de fibrocimento, o bloco
de concreto e o cimento subiram 33,81%, 31,11% e 23,95%, respectivamente,
em 11 meses até janeiro. No mesmo período, a variação
do Custo Unitário Básico (CUB) da construção
civil no estado aumentou 7,17% e o INCC, indicador nacional calculado
pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) teve alta de
5,55%.
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Gazeta do Povo, 4 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | IMÓVEIS
Crédito para
casa própria em ritmo acelerado
São Paulo – O ciclo de expansão do crédito
imobiliário no Brasil deve seguir em ritmo acelerado este ano,
apesar das preocupações sobre uma recessão nos Estados
Unidos e risco de contaminação mundial. Nas planilhas de
projeções dos bancos, não há espaço
para pessimismo. Até dezembro, a expectativa “conservadora” era
emprestar à sociedade brasileira cerca de R$ 23 bilhões
para a tão sonhada compra ou construção da casa
própria. O valor não considera os financiamentos com recursos
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) feitos pela Caixa
e, agora, por alguns bancos privados.
Uma das explicações para o elevado otimismo é a
ainda baixa relação entre os financiamentos e o Produto
Interno Bruto (PIB). Segundo dados do Banco Central (BC), o crédito
imobiliário representa apenas 1,7% do PIB. No Chile, esse número é de
15%; no México, de 11%; e na Espanha, de 44%. Junta-se a isso
o fato de o Brasil ter um déficit habitacional estimado em 8
milhões de unidades, segundo o presidente da Associação
Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança
(Abecip), Luiz Antonio Nogueira de França.
Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Recessão nos Estados Unidos não preocupa investidores.
Segundo ele, com a expansão prevista para este ano, o crédito
imobiliário deve atingir 2,3% do PIB e, no ano que vem, 3,6%.
Essa relação só chegaria a 10% do PIB em 2015 -
ou seja, o espaço para crescimento ainda é enorme, garantem
os especialistas. “O crédito imobiliário no Brasil
está no começo. No mundo, a modalidade representa 70% do
volume de crédito para pessoa física. Por aqui, não
passa de 20%”, diz o superintendente de crédito imobiliário
do Citibank, João Rigobello. Segundo ele, para se atingir índices
internacionais, o País terá de começar a destinar
cerca de R$ 30 bilhões por ano para o setor.
De acordo com os bancos, a faixa de financiamento que crescerá mais
a partir deste ano é aquela voltada para a classe média,
entre R$ 100 mil a R$ 120 mil. “Esse valor médio vai reduzir
a cada ano. Antes, a alta taxa de juros e os prazos reduzidos excluíam
boa parte da população, pois a parcela não cabia
no bolso dos consumidores”, explica o vice-presidente do Bradesco,
Norberto Barbedo.
O maior banco privado do país, que em 2007 superou a casa de
R$ 4 bilhões financiados, destinou R$ 5,3 bilhões para
o crédito imobiliário este ano. O valor, diz Barbedo,
inclui tanto o financiamento para empresários do setor como
para o mutuário. “Continuamos bastante otimistas. As mudanças
jurídicas promovidas nos últimos anos e a estabilidade
econômica deram novo ânimo para o setor”, destaca
o executivo.
Hoje, os consumidores conseguem empréstimos com prazos de até 30
anos no mercado nacional. Mas a média não tem superado
os 20 anos, diz Nogueira, da Abecip, também diretor de crédito
imobiliário do Itaú. O banco pretende financiar este
ano cerca de R$ 3,5 bilhões em imóveis. No ano passado,
a instituição emprestou R$ 1 bilhão para o mutuário
e R$ 1,3 bilhão para empresários, em contratos assinados,
mas ainda não desembolsados “Em seis meses, esse dinheiro
começa a entrar na economia”, destaca ele, que não
acredita num possível impacto dos problemas americanos no setor
imobiliário brasileiro. “Nossa principal fonte de recursos
está atrelada à caderneta de poupança. Nada indica
que ela vai escassear.”
Outra instituição que aposta pesado no mercado imobiliário
brasileiro é o americano Citibank, que sofreu perdas bilionárias
nos últimos trimestres por causa das hipotecas de alto risco
nos Estados Unidos. Rigobello diz que, no ano passado, o banco superou
em 100% a meta estabelecida para o mercado interno.
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O Estado do Paraná,
4 de fevereiro de 2008
DEM quer se transformar
em um partido urbano
Democratas apostam todas as
fichas para apagar pecha de partido dominado por figuras
oligárquicas
José Cruz/ABr

Rodrigo Maia, presidente do DEM: ‘‘Temos
14 capitais onde temos reais chances de vencer no segundo turno’’
Brasília - A oito meses das eleições municipais,
o DEM joga todas as suas fichas para deixar para trás a pecha
de partido dos grotões, dominado por figuras oligárquicas,
e se transformar em um partido urbano. Mas o ex-PFL vai enfrentar um
adversário especial: a ordem do Palácio do Planalto para
que o PT se empenhe em derrotar o partido de oposição,
que o governo Lula considera como um ''inimigo político a abater''.
Para alcançar seu objetivo, o DEM decidiu lançar candidaturas
próprias nos maiores centros eleitorais do País nas eleições
de 5 de outubro. ''Temos 14 capitais onde temos reais chances de vencer
no segundo turno'', afirma o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia
(RJ).
A lista de capitais que alimenta os planos do DEM é formada
por: Porto Alegre, Florianópolis, Salvador, Aracaju, Recife,
Fortaleza, Belém, Palmas, Boa Vista, Macapá, Manaus,
Belo Horizonte, além do Rio e de São Paulo. ''Minha idéia é que
a gente possa eleger um grande número de prefeitos.''
Depois de perder espaço para o PT, que chegou com força
ao interior e ao Nordeste do Brasil graças ao programa Bolsa
Família, a estratégia do DEM para tornar-se um partido
urbano passa pela mudança de nome e a adoção de
uma agenda que agrade à classe média. O partido agora é contra
o aumento de impostos - empenhou-se no Congresso, por exemplo, para
derrubar a Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF) -, é favorável à conservação
do meio ambiente e desencadeou uma cruzada contra o fisiologismo.
Alvos
Os petistas estão decididos a não medir esforços
para destronar o DEM. ''Há um otimismo grande em relação
ao PT ganhar a Prefeitura de São Paulo, até porque temos
uma candidata forte para o cargo'', comenta o vice-líder do
PT, Maurício Rands (PE), que deverá assumir a liderança
do partido na Câmara.
A cúpula petista espera que a ex-prefeita e ministra do Turismo,
Marta Suplicy, saia candidata à Prefeitura de São Paulo
e derrote Gilberto Kassab, candidato à reeleição
pelo DEM. A expectativa de vitória dos petistas mantém-se
mesmo no cenário em que o tucano Geraldo Alckmin consiga concretizar
a sua candidatura à prefeitura paulistana.
Eugênia Lopes
Agência Estado
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O Estado do Paraná,
4 de fevereiro de 2008
Nacional
Nova central "Conlutas" cresce
e incomoda Lula
Os gritos de "fora daqui" e a expulsão
do ministro da Educação, Fernando Haddad, de
um congresso do setor há duas semanas, em Brasília,
chamaram a atenção para um movimento ruidoso
e cada vez mais organizado de oposição ao governo
Lula: a Coordenação Nacional de Lutas, Conlutas,
central ligada ao PSTU que reúne movimentos sindicais
e sociais.
Ofuscado no cenário político pela criação
do PSOL, o PSTU tem intensificado as filiações à Conlutas
e começa a reunir, mesmo extra-oficialmente, sindicatos de funcionários
públicos, especialmente de áreas sensíveis no
governo Lula, como educação, saúde e seguridade
social. Entre os principais filiados está o Sindicato Nacional
dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes).
Além do PSTU, estão na Conlutas ex-petistas que não
se filiaram a outras legendas e alguns militantes do PSOL, embora o
partido esteja mais próximo de outra nova central, a Intersindical.
Fundada em 2004, a Conlutas foi a primeira das cinco novas centrais
que surgiram nos últimos quatro anos, seja por motivos políticos
- para fortalecer a oposição a Lula -, seja por motivos
práticos e de fisiologia sindical - para cumprir exigências
da futura lei que regulamentará essas agremiações.
Como a maioria, a Conlutas é dissidência da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), ligada ao PT, a central mais próxima
do governo Lula. "A CUT já tinha se afastado de suas origens
na década de 90 e, com a eleição de Lula, se transportou
para a base de sustentação do governo. Deixou de cumprir
a tarefa de defender os interesses dos trabalhadores e continuou com
o neoliberalismo de Fernando Henrique", ataca José Maria
de Almeida, coordenador da central. Eterno candidato do PSTU à Presidência,
José Maria participou da fundação da CUT em 1983.
"O governo retirou direitos do funcionalismo na reforma da Previdência.
A CUT ficou a favor do governo, criticou a greve do funcionalismo,
sabotou a luta dos trabalhadores", reforça outro coordenador,
José Geraldo Corrêa Júnior, um dos líderes
do protesto que expulsou Haddad do 30º Congresso da Confederação
Nacional de Trabalhadores em Educação (CNTE). A direção
da CNTE, ligada à CUT, aprovou uma moção de repúdio à expulsão.
"Foi equívoco do PT convidar o ministro. Achamos que patrão
não tem que ir a congresso de trabalhador. O ministro apareceu
em meio aos debates. O regimento não permite pessoas de fora
do congresso nos debates", justifica José Geraldo.
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Folha de São Paulo,
4 de fevereiro de 2008
Segurança da
filha de Lula gastou R$ 55 mil em cartão
Maiores despesas em 2007 foram
em lojas de autopeças e de construção
de SC
Gabinete de Segurança Institucional da Presidência
promete explicar compras após o Carnaval; servidor diz não
haver irregularidade
LEILA SUWWAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Usando um cartão de crédito corporativo do governo federal,
um segurança pessoal de Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, gastou, em Florianópolis,
onde ela mora, quase R$ 55 mil nos últimos nove meses em lojas
de autopeças, materiais de construção e de ferragens,
supermercados, livrarias, combustível e em uma casa de venda
de munição.
Os gastos foram feitos entre abril e dezembro de 2007 no cartão
da Secretaria de Administração do Planalto cedido a "João
Roberto F Jr" -identificado pelo CPF como João Roberto Fernandes
Júnior.
Segundo o ministro Jorge Félix, chefe do Gabinete de Segurança
Institucional da Presidência (GSI), as despesas do funcionário
são de natureza sigilosa e não deveriam ter sido publicadas
no site Portal da Transparência, da Controladoria Geral da União
(CGU). "No meu nome, eu tenho certeza de que não vão
aparecer irregularidades. Vão aparecer gastos que estão
comprovados no Tribunal de Contas e eu não tenho o que dizer nesse
sentido", disse Fernandes à Folha.
A grande parte dos gastos foi feita em lojas de peças para veículos
e de construção, especialmente a Comércio de Autopeças
Badu Ltda., onde foram pagos R$ 16,3 mil no total. O GSI afirmou que
a justificativa de cada despesa será explicada a partir de quarta-feira,
depois do feriado de Carnaval.
Segundo Félix, os gastos com peças podem se referir à manutenção
da frota de carros e as despesas com materiais de construção, à instalação
de sistema de segurança -há no portal gastos específicos
em pelo menos duas empresas de sistemas de alarme e segurança,
a Khronos e a Alarm System Distribuição e Treinamento. "Não
deveria ter sido publicado, mas foi. É um problema administrativo",
disse Félix. Os cartões estão listados na Secretaria
de Administração por ser esse o órgão que
aprova os gastos, afirmou o ministro.
Florianópolis
Houve um aumento expressivo nos gastos do pessoal de segurança
de Lurian em Florianópolis. Antes de Fernandes, as despesas na
capital catarinense eram listadas no cartão do servidor Jadir
José Duarte. De fevereiro de 2006 a maio de 2007, ele gastou R$
37,6 mil.
Após a troca de um pelo outro, a média mensal saltou de
R$ 2.296 para R$ 6.097. Jadir não foi localizado pela Folha. "Eles
fazem tudo. Quem trabalha lá faz tudo. Mas, além da segurança,
tem um encarregado da parte administrativa, exatamente para ter centralização
e controle", disse Félix. Fernandes se recusou a detalhar
a natureza de seu trabalho.
Disse apenas que é "ecônomo" (funcionário
que cuida de gastos) do escritório da Presidência em Florianópolis,
mas se recusou a fornecer telefone da representação ou
explicar onde gastou o dinheiro. A Secretaria de Imprensa do Planalto
informou que não irá se manifestar sobre "temas relacionados à segurança
do presidente ou seus familiares".
O uso do cartão, porém, segundo a CGU, deveria estar restrito
principalmente a emergências e despesas de viagem (acomodação
e refeições). Seu uso para outras finalidades pode ser
irregular, já que seria necessário realizar processo licitatório
para alguns gastos.
O uso irregular já derrubou Matilde Ribeiro, ex-ministra da Igualdade
Racial. Ela realizou gastos de natureza pessoal, como compras em um free
shop durante suas férias. O ministro Orlando Silva (Esportes)
também anunciou que devolverá cerca de R$ 30 mil por gastos
indevidos em seu cartão.
Padrão
As despesas dos cartões em Florianópolis seguem uma espécie
de padrão, com poucos saques em dinheiro -esse tipo de gasto,
impossível de ser identificado, responde por 75% dos R$ 75 milhões
usados com cartões corporativos em 2007. As mesmas lojas são
usadas repetidas vezes, de forma preferencial, caso da Philippi Automóveis
e Autopeças Badu. Nesta, a funcionária em serviço
no sábado disse que não poderia dar informações
sobre faturas emitidas para o governo.
Há gastos em supermercado, como na A Angeloni. E compras também
são feitas regularmente na livraria e papelaria A Exata. Há ainda
despesas expressivas em lojas de material de construção,
como as ferragens Milium e Ferromil e a Compensandos Fernandes -que não
teria ligação com o usuário do cartão, segundo
uma funcionária contatada por telefone. Na Ferromil, foram gastos
R$ 2.300 em apenas um dia -em 22 de agosto de 2007. A lista também
contém uma compra em uma loja de armas e munição,
cujo nome fantasia é Sports Mens Ltda.
Colaborou EDUARDO SCOLESE , da Sucursal
de Brasília
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Folha de São Paulo,
4 de fevereiro de 2008
CARTÃO CORPORATIVO
Ministro bancou almoço
para parlamentares do PT em 2005
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Usando seu cartão corporativo, o hoje ministro do Desenvolvimento
Agrário, Guilherme Cassel, pagou um almoço em Brasília
para assessores da pasta e parlamentares petistas, no fim de 2005.
Entre os comensais estavam a então senadora e atual governadora
do Pará, Ana Julia (PT-PA), o atual líder do governo
na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), o então deputado
João Grandão (PT-MS) e o atual deputado federal Dr. Rosinha
(PT-PR).
Segundo Cassel, na época secretário-executivo da pasta,
o almoço era de trabalho e foi realizado no gabinete do então
ministro, Miguel Rossetto, para discutir emendas ao Orçamento.
A conta ficou em R$ 799,90, com comida providenciada pelo serviço
de entrega do Lake's. " Naquele momento o entendimento foi de que
era um evento de trabalho e que foi uma situação de urgência.
Errado seria pegar o cartão e ir comer uma pizza à noite."
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Folha de São Paulo,
4 de fevereiro de 2008
Graduado ocupa emprego
de nível médio
Um em cada dez trabalhadores
urbanos com diploma universitário estava em áreas
com baixo perfil de escolaridade em 2006
Expansão do ensino superior sem o correspondente
aumento no mercado de trabalho ajuda a explicar procura por tais vagas
ELVIRA LOBATO, ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO
Com a expansão do ensino superior sem o crescimento correspondente
no mercado de trabalho, profissionais com graduação disputam
empregos de nível médio e até fundamental. O fenômeno é visível
principalmente em concursos públicos, mas aparece na Pnad (Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílio), do IBGE.
Em 2006, um em cada dez trabalhadores urbanos com diploma universitário
estava ocupado em áreas com baixo perfil de escolaridade. São
quase 700 mil graduados em ocupações como vendedor em loja,
recepcionista ou operador de telemarketing. Segundo o Ministério
da Educação, 737 mil alunos se formaram em 2006 na educação
superior, o triplo de 1995 (246 mil). A falta de oportunidades compatíveis
com sua qualificação para uma parcela desses formados faz
com que, hoje, um em cada 20 carteiros tenha superior completo, segundo
os Correios.
Na Guarda Municipal do Rio de Janeiro, 480 dos 5.563 guardas têm
diploma universitário e 32 têm pós-graduação.
Na Polícia Militar de São Paulo, há 3.935 soldados,
cabos e sargentos com nível superior e 12 com mestrado ou doutorado.
O efetivo total da corporação é de 93 mil.
Até na varredura de ruas se acha graduados. Na Comlurb (Companhia
Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro), entre os 12.377 garis,
há 37 com nível superior. O que surpreende no índice
de carteiros e de guardas municipais cariocas com graduação é que
ambas as profissões não possibilitam ascensão por
troca de cargo após o concurso e não têm estabilidade
-os funcionários são celetistas.
Um advogado aprovado em concurso para carteiro terá que se submeter
a outro concurso público para ser admitido na área jurídica,
informa a diretora de Gestão de Pessoas da estatal, Maria de Lourdes
Rosalem. O salário inicial do carteiro é de R$ 620, e o
teto, de R$ 1.306,08, mais gratificações e benefícios
indiretos, salvo se ocupar funções de chefia.
O mesmo se dá na Guarda Municipal do Rio, em que o salário
inicial, fora benefícios, é de R$ 812, mas muitos desconhecem
que não há garantia de estabilidade quando se inscrevem
no concurso, diz o tenente-coronel Carlos Moraes Antunes, comandante
da guarda.
Na sua avaliação, no caso da Guarda Municipal, a invasão
de graduados mais prejudica do que favorece a corporação
porque eles fazem o concurso por falta de oferta de emprego em sua área,
e na esperança de migrarem para funções internas. "" Seria ótimo
se tivéssemos guardas de nível universitário nas
ruas, mas eles não querem esse trabalho e tiram o lugar dos que
têm vocação", diz.
Super oferta
Há cinco anos, os Correios exigiam apenas ensino fundamental para
carteiro. O requisito aumentou para o nível médio diante
da crescente escolaridade dos candidatos. "" Cresceu a oferta
de candidatos com formação universitária, mas o
diploma não significa boa qualificação. Abriram
faculdades em todas as esquinas, e o ensino empobreceu", afirma
Rosalem.
Em carreiras mais atrativas, o ingresso em funções de nível
médio é até maior. O diretor de gestão de
pessoas do Banco do Brasil, Juraci Masiero, diz que metade dos ingressantes
em concurso tem nível superior. " Nos primeiros anos, as
atividades são relativamente simples e não necessitam de
nível superior. Mas incentivamos todos que entram com nível
médio a fazer um curso. Isso aumenta suas chances de assumir postos
mais altos."
Segundo ele, em algumas regiões o banco já poderia aumentar
a exigência: "É uma hipótese em discussão.
Em São Paulo, não teríamos problema, mas o mesmo
não ocorreria em Estados onde há menos mão-de-obra
com nível superior."
A Cobra Tecnologia, estatal vinculada ao Banco do Brasil, da área
de informática, contratou 90 pessoas por concurso público
no início do ano passado para um salário inicial de R$
550 brutos e 32% dos aprovados tinham formação superior.
Segundo o presidente da estatal, Jorge Wilson Alves, cerca de 20 já deixaram
o emprego, por terem sido aprovados em concursos mais atraentes.
Na Polícia Rodoviária Federal, o salário de R$ 5.085 é o
principal atrativo. No último concurso, com exigência de
nível médio, 86% dos selecionados tinham formação
universitária. No próximo, a exigência aumentará para
nível superior.
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Folha de São Paulo,
4 de fevereiro de 2008
Renda de quem tem diploma é 172%
maior
DA SUCURSAL DO RIO
Apesar de uma parte dos trabalhadores com nível superior estar
hoje disputando vagas com quem tem nível médio, ter um
diploma no Brasil continua fazendo muita diferença. Em 2006,
a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE,
mostrava que os trabalhadores com nível superior tinham, em
média, rendimentos 172% maiores que os de nível médio
e a menor taxa de desemprego entre todos os grupos: 3,8%.
A Pnad mostra também que, mesmo quando estão em profissões
de menor exigência de qualificação, os rendimentos
dos trabalhadores com nível superior tendem a ser maiores do que
os que não completaram uma universidade. No caso de vendedores
de lojas ou mercados, por exemplo, apenas 3% têm nível superior.
O rendimento médio desse grupo, no entanto, é quase o dobro
(92% maior) do que o verificado entre os que têm nível médio
apenas.
O mesmo acontece com recepcionistas (7% com nível superior), operadores
de telemarketing (9%) ou trabalhadores nos serviços de higiene
e embelezamento (2%). O gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE,
Cimar Azeredo Pereira, afirma que é comum aparecer na amostra
da pesquisa trabalhadores com nível superior em áreas com
baixa qualificação.
" Mas são uma minoria e, mesmo deslocados profissionalmente em relação
ao curso que fizeram, costumam ter melhor inserção no mercado que
quem não tem nível superior." O economista Cláudio
Dedecca, da Unicamp, lembra que, quando uma pesquisa como a Pnad mostra que 3%
dos vendedores de lojas ou mercados têm nível superior, o dado pode
esconder perfis bem distintos.
" Nesse grupo pode haver um vendedor que ganha um salário mínimo
fixo e outro em loja mais sofisticada que recebe comissão pelas vendas,
com rendimentos bem mais elevados." Para especialistas ouvidos pela Folha,
a melhoria da qualificação da mão-de-obra é sempre
desejável em um país onde poucos têm nível superior.
Mas explicam que, quando isso acontece e o país não cresce, há um
efeito em cascata.
"É um movimento antropofágico. Se o número de vagas é menor
do que o de pessoas que precisam trabalhar, ocorre uma competição
pelos postos de trabalho onde quem tem mais escolaridade ocupa espaços
de trabalhadores de nível médio", diz Dedecca.
O caminho de muitos é o setor público. ""Virou
uma forma de garantir a sustentabilidade enquanto não se consegue
emprego melhor", diz Waldemar Melo, vice-presidente do Instituto
de Planejamento e Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico e Científico,
que faz concursos para órgãos públicos.
Ao mesmo tempo em que profissionais de nível superior não
acham vagas em suas áreas de formação, um estudo
do Ipea divulgado em 2007 mostrou que não há mão-de-obra
para 123 mil vagas qualificadas. Isso ocorre porque as áreas de
formação desses profissionais mais qualificados nem sempre
coincidem com as áreas em que há mais carência.
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Folha de São Paulo,
4 de fevereiro de 2008
foco
Advogado acorda às
4h para entregar cartas e estuda para virar juiz
Paula Huven/Folha Imagem

Rodrigo Soares, formado em direito e que hoje é carteiro
DA SUCURSAL DO RIO
O advogado Rodrigo Braga Soares, 29, acorda às 4h para encarar
o emprego de carteiro, com um objetivo fixo em mente: ser juiz antes
de chegar aos 40 anos. Ele investe 60% do salário, de cerca
de R$ 600, em cursos preparatórios para concurso no Tribunal
de Justiça do Rio.
Sua rotina no emprego começa às 8h da manhã. De
casa ao trabalho, são mais de duas horas, de ônibus. Caminha
cerca de 10 km por dia, entregando cartas. Terminado o expediente, toma
banho, no próprio local de trabalho, e vai estudar. "" Tento
seguir minha meta. Estudarei até passar em um concurso público
na área jurídica. Em nenhum momento penso em disputar o
mercado de trabalho, porque não me vejo com chances. É muito
concorrido", afirma.
Ele diz que o emprego de carteiro dá para custear os estudos e
os gastos pessoais, mas que não cogita ficar na função
em definitivo. "Não é o que tracei para mim, mas muitos
colegas, também formados, se acomodam."
Waldy Pereira Barros Jr., 41, é formado em pedagogia e deu aulas
em escola municipal antes de fazer o concurso para Guarda Municipal do
Rio, em 2004. Ele é guarda de trânsito e dá aulas
particulares, nos dias de folga, no bairro onde mora, Vila Valqueire
(zona oeste do Rio).
" Planejo fazer outro concurso público, mas, enquanto estiver aqui, é o
melhor lugar para trabalhar." Ele disse que prestou concurso para guarda
municipal para estimular um irmão, que estava em situação
difícil e também foi aprovado.
Roberta Abreu de Souza, 26, é uma das 205 mil vendedoras em lojas
que, segundo a Pnad, têm superior completo. Ela é formada
em pedagogia, já fez psicologia e hoje estuda jornalismo. "Fiz
pedagogia só porque era um curso mais fácil e rápido.
Nunca trabalhei na profissão e desde 2004 sou vendedora. Meu sonho,
no entanto, sempre foi ser jornalista."
Ela hoje trabalha na loja da Oi no shopping Via Parque, na Barra (zona
oeste do Rio). O desejo de Vinícius da Fonseca, 32, formado em
matemática há quatro anos, é que sua situação
de gari da Comlurb também seja temporária. "Quando
entrei, tinha somente o nível médio. Me formei e estou
me preparando para o próximo concurso do município. Espero
ganhar mais como professor do que como gari."
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Revista Consultor Jurídico,
4 de fevereiro de 2008
Omissão legislativa
Sindicato tenta regulamentar
aposentadoria especial
O Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal
de Contas da União (Sindilegis) entrou com Mandado de Injunção
no Supremo Tribunal Federal. A intenção é tentar
solucionar a alegada omissão do Congresso Nacional em regulamentar
as aposentadorias especiais de servidores públicos.
De acordo com a ação, o artigo 40, parágrafo
4º da Constituição Federal — com a redação
dada pela Emenda Constitucional 47/2005 —, determina que seja
editada lei complementar para disciplinar as regras da aposentadoria
para servidores deficientes que exercem atividades de risco. Isto é,
aquelas atividades que podem prejudicar a saúde ou a integridade
física.
Para o sindicato, existe uma "inadimplência legislativa" do
Congresso Nacional que precisa ser sanada. No Mandando de Injunção,
a defesa cita julgamento recente dos MIs 670, 708 e 712. Neles, o STF
determinou que greves no setor público devem ser regidas, no
que couber, pelas normas dirigidas ao setor privado.
Com base neste entendimento, o Sindilegis pede que o Supremo adote
a mesma solução no caso e determine a aplicação
das normas que disciplinam o direito no âmbito do regime geral
de previdência para as hipóteses previstas no artigo 40
da Constituição. O relator da ação é o
ministro Joaquim Barbosa.
MI 805
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