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Diário Vermelho, 5
de fevereiro de 2008
China tenta frear oferta da
Vale pela Xstrata
O Banco de Desenvolvimento da China, o maior banco
estatal chinês, estuda uma oferta de US$ 27,5 bilhões
pela participação de 34,6% da Glencore na mineradora
anglo-suíça Xstrata. A informação é do
diário inglês Daily Telegraph. Segundo a reportagem,
o banco chinês vem negociando em sigilo com a Glencore,
uma das maiores tradings de commodities do mundo, com a qual
a Vale negocia a oferta pelo controle da mineradora.
O diário inglês lembra que outros interessados também
conversam nesse momento com a Glencore, e que o sucesso dessa ofensiva
pode significar uma derrota da Vale na tentativa de incorporar a quinta
maior mineradora do mundo.
Esse poderá ser o segundo movimento do Banco de Desenvolvimento
da China no setor mineral neste momento. Na última sexta-feira,
a instituição garantiu o suporte financeiro para que
a Aluminum Corporation of China (Chinalco) - em parceria com a americana
Alcoa - comprasse 12% das ações da Rio Tinto na Bolsa
de Londres (o equivalente a 9% do capital total da mineradora). A aquisição
foi interpretada pelo mercado como parte de um plano dos chineses para
impedir a formação da maior mineradora do mundo.
Como maiores consumidoras de minério de ferro do mundo, as
siderúrgicas chinesas mostram extrema preocupação
com a possibilidade de cerca de 80% do minério mundial ficar
concentrado nas mãos de apenas duas empresas - Vale e BHP/Rio
Tinto. A BHP Billiton tem até a quarta-feira, segundo as autoridades
de defesa da concorrência da Inglaterra, para fazer uma oferta
formal pelo controle da Rio Tinto.
Recursos
A entrada dos chineses e da Alcoa no capital da Rio Tinto pode criar
obstáculos ao negócio, elevando o valor da operação.
A oferta da BHP é de cerca de US$ 130 bilhões, toda em
troca de ações. O sucesso da negociação
entre o banco chinês e a Glencore pode igualmente complicar ainda
mais a tentativa da Vale de negociar a aquisição da Xstrata.
No caso da companhia brasileira, a falta de acordo entre a Vale e o
governo brasileiro - acionista da mineradora - pode ter atrasado o
anúncio oficial de uma oferta.
A Vale já possui um acordo com os bancos financiadores, que
asseguraram um empréstimo-ponte de US$ 50 bilhões. A
estimativa é que a aquisição da Xstrata não
fique por menos de US$ 80 bilhões. A Vale estaria com a oferta
preparada, mas ainda aguardando o sinal verde do Planalto.
Além dos recursos negociados com o pool de bancos estrangeiros,
liderados pelo HSBC e o Santander, a Vale estaria disposta a fazer
uma emissão de ações preferenciais (sem direito
a voto) para completar o valor do negócio. O problema é que
a alternativa implicaria na diluição do capital da Vale,
algo que o governo brasileiro não quer. O Tesouro Nacional e
o BNDESPar (braço de participações do BNDES) são
sócios da empresa e possuem ações preferenciais.
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BBC Brasil, 5 de fevereiro
de 2008
Crise não ameaça
Brasil, diz Mantega a jornal francês
Em uma entrevista publicada nesta segunda-feira no
diário econômico francês Les Echos [http://www.lesechos.fr/],
o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a crise financeira
global não ameaça o crescimento brasileiro
neste ano.
Descrito pela reportagem do jornal francês como ''muito confiante'',
Mantega afirmou que a estabilidade macroeconômica e os bons fundamentos
do país continuarão servindo para atrair investidores
financeiros. O ministro qualificou o ciclo de crescimento brasileiro
de ''durável'', baseado na ampliação do mercado
interno e em recordes de investimentos externos, e ancorado nas reservas
internacionais.
O ministro negou que a dinâmica econômica do país
esteja colocando a Amazônia em risco, mas, segundo o Les Echos,
reconheceu que o governo tem dificuldade em controlar a perda de floresta.
A reportagem nota que encontrar o que Mantega chama de ''ponto de equilíbrio
entre a gestão sustentável da floresta e o desenvolvimento'' é ''talvez
o desafio mais ambicioso do Brasil''.
A entrevista foi concedida pelo ministro ao jornal durante a visita
de uma delegação brasileira de alto nível a Paris,
para negociar uma parceria no âmbito de segurança e poderio
militar.
Em outra reportagem publicada na mesma edição do Les
Echos, o ministro do Núcleo de Assuntos Estratégicos,
Roberto Mangabeira Unger, reiterou o interesse do Brasil em um acordo
de transferência de tecnologia militar com a França que
permita ao país, entre outros objetivos, ter um submarino nuclear.
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Agência Brasil, 5 de
fevereiro de 2008
Câmara inicia trabalhos
com pauta trancada por seis medidas provisórias
Priscilla Mazenotti
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A Câmara dos Deputados começa os trabalhos
deste ano com a pauta trancada por seis medidas provisórias.
Entre elas está MP 398/07, que cria a Empresa Brasil de Comunicação
(EBC). A nova empresa, conhecida como TV Brasil, terá como um
de seus objetivos produzir e difundir para a população
programação informativa, educativa, cultural, científica
e de recreação.
A EBC será vinculada à Secretaria de Comunicação
Social da Presidência da República. No entanto, de acordo
com a medida provisória, terá autonomia em relação
ao governo federal para definir produção, programação
e distribuição de conteúdos no sistema público
de radiodifusão. Essa medida provisória precisa ser votada
até 19 de março, quando perde a validade.
A Medida Provisória 400/07 abre crédito extraordinário
no valor de R$ 50 milhões, dos quis R$ 20 milhões como
aporte de recursos para a constituição do capital inicial
da EBC e R$ 30 milhões em favor do Ministério da Saúde
para a realização de campanhas educativas de saúde
destinadas ao combate e prevenção da dengue e redução
da incidência de aids entre adolescentes e jovens, especialmente
do sexo feminino.
A Medida Provisória 395/07 abre crédito extraordinário
no valor de R$ 3,25 bilhões em favor de vários órgãos
do Executivo. A MP 396/07 autoriza a União a resgatar parte
dos Certificados Financeiros do Tesouro. A 397/07 revoga medida provisória
anterior que prorrogava até 24 de julho deste ano o prazo para
trabalhadores rurais autônomos requererem aposentadoria por idade
e a 399/07 abre crédito extraordinário de R$ 456,6 milhões
em favor da Presidência da República e dos Ministérios
das Relações Exteriores, dos Transportes, do Meio Ambiente
e da Integração Nacional.
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Gazeta do Povo, 5 de fevereiro
de 2008
BRASIL | PARTIDOS
Deputados infiéis tentam
salvar os mandatos
Brasília – A Câmara retoma os trabalhos amanhã depois
do recesso mais prolongado por causa do período do carnaval com
13 deputados procurando salvar os seus mandatos na Justiça Eleitoral
por descumprimento da regra de fidelidade partidária. Os 13 deputados
deixaram os partidos pelos quais se elegeram em 2006 e se filiaram a
outra legenda depois da decisão do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), tomada em 27 de março, de que os mandatos pertencem aos
partidos políticos e não aos deputados eleitos.
O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, elegeu como
prioridade no tribunal o julgamento dos processos de perda de mandato
por infidelidade partidária. A previsão é que
os processos estejam concluídos dentro de dois meses. Grande
parte dos pedidos de retomada dos mandatos dos deputados infiéis
partiu de suplentes interessados em assumir uma vaga na Câmara.
Dentre eles estão os ex-deputados Severino Cavalcanti (PP-PE)
e Inaldo Leitão (PR-PB), que pretendem retornar à Casa.
Apenas quatro partidos tiveram iniciativa de pedir seus mandatos de
volta: o DEM, o PT, o PPS e o PTC.
A perda de mandato do infiel está provocando uma disputa entre
os próprios suplentes pela vaga e levará o tribunal a
ter de decidir se a vaga pertence ao suplente da coligação
ou ao suplente do partido pelo qual o deputado foi eleito.
O deputado Clodovil Hernandes (PR-SP), procura justificar sua mudança
argumentando que o PTC, partido pelo qual se elegeu e que agora quer
o seu mandato de volta, não contribuiu para que ele conseguisse
o seu posto. Segundo Clodovil, seus eleitores votaram no seu nome,
independentemente do partido ao qual pertencia na eleição.
Ele foi eleito com 493.951 votos.
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Gazeta do Povo, 5 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | COMÉRCIO EXTERIOR
Setor externo deve limitar
o avanço do PIB
O setor externo deve limitar a expansão do PIB brasileiro em 2008.
Para a Federação das Indústrias de São Paulo
(Fiesp), as exportações crescerão apenas 5% neste
ano, para US$ 168 bilhões, enquanto as importações
vão avançar quase 20%, atingindo US$ 144 bilhões – o
que faria o saldo da balança comercial cair 40%. Por isso a Fiep
avalia que o mercado interno terá de crescer muito mais que em
2007 para que a economia avance 5% no ano, como espera o governo.
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Folha de Londrina, 5 de fevereiro
de 2008
Seu Direito: SEM REGISTRO
Meu irmão trabalha há quase
dez anos em uma empresa, porém sem registro em carteira.
Se ele pedir demissão, quais serão seus direitos?
Ele tem 48 anos de idade e somente seis de carteira assinada,
porém, em outra empresa.
O registro do contrato de trabalho é obrigatório e
deve ser feito pelo empregador no ato da contratação.
Mesmo com a recusa do empregador em efetuar o registro, todos os direitos
trabalhistas convencionais são garantidos ao trabalhador contratado
e não registrado.
Para fins legais, os direitos trabalhistas estão atrelados à atividade
desempenhada e não ao registro propriamente dito. A anotação
em carteira constitui prova da relação de emprego, mas
não condição para a sua existência.
Neste sentido, exemplificativamente, o trabalhador não registrado
tem direito ao salário mínimo da categoria, férias,
13º salário, horas-extras, depósitos de FGTS, descanso
semanal remunerado, adicionais de insalubridade, periculosidade e noturno,
aviso prévio, multas rescisórias e recolhimentos à previdência
social.
Na prática, o não registro acaba acarretando no não
pagamento destas verbas, principalmente aquelas que dele dependem,
como o recolhimento previdenciário ao INSS e o depósito
de FGTS em conta vinculada à Caixa Econômica Federal.
O trabalhador geralmente só recebe a remuneração
mensal.
No caso do irmão do leitor, o pedido de demissão não
lhe retira o direito de obter o devido registro da relação
empregatícia, bem como os recolhimentos previdenciários
e de FGTS, por todo o período de prestação de
serviços. Não terá direito, todavia, à multa
de 40% sobre o saldo do FGTS e o seu respectivo levantamento, nem à percepção
de seguro-desemprego.
Caso não tenha recebido corretamente as verbas convencionais
da relação de emprego, mesmo pedindo demissão,
o trabalhador ainda poderá reclamá-las, referentes aos últimos
cinco anos de serviço.
A anotação do período trabalhado na CTPS, seja
espontaneamente pelo empregador, seja por decisão judicial (Reclamatória
Trabalhista), é fundamental para o reconhecimento do tempo de
labor pela Previdência Social para fins de aposentadoria. Mas
o irmão do leitor ainda não teria nem idade (65 anos)
nem tempo de contribuição (35 anos) para a obtenção
de sua aposentadoria.
Diogo B. Menoncin, advogado
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Folha de Londrina, 5 de fevereiro
de 2008
Diretor de sindicato questiona
desconto
O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias
Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos
de Londrina e Região protocolou, na semana passada, uma denúncia
contra a próprio entidade, no Ministério Público
Federal. Francisley Preto Godoi questiona a convenção coletiva
que determinaria que 13% do abono salarial, que é de 21,5%, fossem
repassados ao sindicato. ''Sou de Apucarana, e sequer fui convidado a
participar da assembléia ou de reuniões para discutir o
assunto. Fiquei sabendo dessa determinação pelo sindicato
patronal'', afirmou.
Segundo ele, a convenção coletiva foi firmada em 15
de janeiro, e, em menos de uma semana, já havia no sindicato
3.050 assinaturas contra a decisão. ''Que assembléia
foi essa, se a maioria das pessoas já se mostrou contra assim
que ficou sabendo desse desconto?'', questionou, lembrando que o sindicato
tem hoje cerca de 4 mil filiados em Londrina e região.
A reportagem telefonou para o sindicato, mas ninguém foi encontrado
para falar sobre a denúncia.
Adriana Ito
Reportagem Local
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Folha de Londrina, 5 de fevereiro
de 2008
Movimento sindical defende
redução da jornada
Curitiba - O número menor de feriados durante o ano pode ser uma
''faca de dois gumes''. O economista do Dieese, Sandro Silva, defende
que é necessário ter feriados para as pessoas descansarem.
''Se o trabalhador não tem folga, vive estressado e a produtividade
pode ser menor'', justificou.
Ele lembrou que uma das bandeiras do movimento sindical é reduzir
a jornada de trabalho. ''Não tem sentido trabalhar na mesma
carga horária de 20 anos atrás sendo que hoje há mais
tecnologia. Tem muitas pessoas trabalhando além da jornada normal
de 44 horas semanais. Grande parte da população trabalha
além da jornada e, por outro lado, há muita gente desempregada'',
disse. Para ele, uma forma de reduzir o desemprego é diminuir
a jornada de trabalho.
Uma nota técnica elaborada pelo Dieese em novembro do ano passado
aponta que as intensas jornadas de trabalho trazem diveros problemas
como estresse, depressão e lesões por esforço
repetitivo (LER). O estudo mostra que há condições
para a redução da jornada já que a produtividade
do trabalho mais que dobrou nos anos 90, o custo dos salários é um
dos mais baixos do mundo e o peso dos salários no custo total
de produção é baixo.
Segundo a nota, a redução da jornada permitiria a geração
de novos postos de trabalho, diminuição do desemprego,
da informalidade, aumento da massa salarial e produtividade do trabalho
e teria como consequência, o crescimento do consumo que levaria
ao aumento da produção.
Cálculos realizados pelo Dieese apontam que a redução
da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais teria o impacto
de gerar em torno de 2,252 milhões novos postos de trabalho
no País.
No final do ano passado, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, defendeu uma jornada semanal
de apenas três dias, com expediente de quatro horas, o que totalizaria
12 horas por semana. Para ele, com o acúmulo de capital que
o sistema financeiro internacional obteve, não haveria motivo
para alguém trabalhar mais do que isso.
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O Estado do Paraná,
5 de fevereiro de 2008
Economia
Aproveite o feriado para pensar
no imposto de renda
Redação
Foto: Arquivo

Receita Federal: entrega da declaração começa em
março.
A entrega da declaração de ajuste anual do Imposto de Renda
Pessoa Física 2008 começa no primeiro dia útil de
março, e a Receita Federal ainda nem divulgou as novidades da
declaração deste ano. No entanto, que tal aproveitar esses
dias de feriado para separar documentos necessários para fazer
a declaração?
Precisam declarar o imposto aqueles que receberam, em 2007, rendimentos
brutos tributáveis superiores a R$ 15.764,28 ou rendimentos
não-tributáveis, tributados e isentos, acima de R$ 40
mil. Também, quem participou do quadro societário de
empresa, inclusive inativa, como titular, sócio ou acionista,
ou de cooperativa - a exceção fica por conta dos contribuintes
cuja participação tinha valor inferior a R$ 1 mil.
Também deve declarar quem realizou negócios em bolsa
de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas; teve posse ou
a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total
superior a R$ 80 mil durante 2007; ou passou à condição
de residente no Brasil durante o ano de 2007. Além de indivíduos
com receita bruta superior a R$ 78.821,40 através de atividade
rural, ou que estejam compensando prejuízos de anos anteriores
ou do ano a que se refere a declaração.
As declarações podem ser feitas no modelo simplificado
por qualquer contribuinte. Entretanto, nesse modelo, as deduções
são substituídas por um desconto padrão de 20%
sobre os rendimentos tributáveis, desde que o desconto não
ultrapasse o valor de R$ 11.669,72. Ele é indicado para pessoas
que não possuem muitas deduções.
Já o modelo completo é para quem tem muitas deduções
a fazer, cuja soma de valores ultrapasse o limite de R$ 11.669,72 da
declaração simplificada. Apesar das deduções
com dependente serem limitadas a R$ 1.584,60 e as despesas com educação
terem o limite individual anual de R$ 2.480,66, as despesas médicas
podem ser deduzidas integralmente.
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O Estado do Paraná,
5 de fevereiro de 2008
Economia
Bancos já antecipam
pagamento do 13º salário
Rosângela Oliveira
Foto: Arquivo
Dinheiro antecipado é caro.
Todo início de ano o brasileiro precisa se programar para os gastos
com o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA)
e Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). Quem
tem filhos na escola, acresce nesses gastos despesas com matrícula
escolar, material e uniforme. Atentos a esse cenário, os bancos
estão oferecendo linhas de crédito voltadas para o pagamento
desses gastos adicionais. Tem banco oferecendo até a antecipação
do 13.º salário, e outros, pagamento em até dois anos.
Mas os especialistas alertam que é preciso tomar cuidado com essas
ofertas.
O Banco Itaú está com uma linha de crédito especial
para a antecipação do 13.º salário. O empréstimo,
disponível para correntistas que recebem seus rendimentos pelo
banco, pode ir de R$ 80 a R$ 5 mil, e a taxa de juros varia entre 2,5%
e 4,5% ao mês. A linha pode ser contratada até 30 de novembro,
e a quitação, até 19 de dezembro. Já o
Santander está oferecendo empréstimos com juros de 2,85%
ao mês, e como atrativo dá três meses para pagar
a primeira parcela do financiamento. O valor mínimo é de
R$ 100.
No Banco do Brasil os clientes podem pedir até R$ 20 mil emprestados,
por meio do BB Crediário (modalidade para pagamentos diversos).
A prestação mínima é de R$ 5, e os juros
são de 2,32% ao mês, com prazo de pagamento de 48 meses.
Nos estados onde o BB administra as contas públicas, o banco
também está oferecendo antecipação do 13.º salário.
O dinheiro é liberado no ato da solicitação, e
a quitação é feita em parcela única, quando
o servidor receber o benefício. A taxa de juros é de
2,59% ao mês. Na Caixa Econômica Federal a antecipação
do 13.º tem valor máximo de R$ 20 mil, e o prazo para o
pagamento é de 180 dias. O banco também oferece linhas
de financiamento para gastos diversos, com juros variando de 1,75%
a 5,49%, e o prazo de pagamento pode ser de até 36 meses.
De acordo com o vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon)
do Paraná e professor da Pontifícia Universidade Católica
(PUC), Carlos Magno Andreoli Bittencourt, os bancos estão cumprindo
seu papel de atrair clientes oferecendo esses serviços. No entanto,
o correntista precisa estar atento antes de aderir à contratação
do empréstimo. “Se o cliente está devendo ao cheque
especial ou cartão de crédito, onde os juros variam de
7% a 13% ao mês, vale a pena contrair um novo empréstimo
com juros menores para saldar a dívida”, comentou. Bittencourt
ressalta que como a maioria das antecipações do 13.º são
para pessoas que recebem através do banco, o pagamento é garantido,
pois o salário já vem com o desconto e a instituição
financeira não sofre com inadimplência. “Então
cobrar taxas de 2,5% é muito alto, pois a correção
da poupança não chega a 1%”, ponderou.
O economista e coordenador do curso de Economia da UniBrasil, Edson
Stein, esclarece que quem pensa em antecipar o 13.º para aproveitar
os descontos para o pagamento à vista do IPTU e IPVA - que no
Paraná é de 5% para conta única - está perdendo
dinheiro. “Se a taxa do banco é de 2,5% ao mês,
em dois meses o cliente terá 5% de juros e não teve nenhum
benefício em quitar os impostos à vista”, alertou.
Segundo Stein, se o empréstimo seria para a compra de material
escolar, ele orienta o consumidor negociar com a loja. “Tem lojas
oferecendo os produtos em até cinco vezes no cartão de
crédito e sem juros. Isso já é vantagem. E se
for pagar à vista, peça desconto”, finalizou.
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O Estado do Paraná,
5 de fevereiro de 2008
Economia
Pesquisa revela que dinheiro
proporciona felicidade
Pesquisa ouviu 2,4 mil pessoas.
Rosângela Oliveira
Segundo define o Dicionário Aurélio, elite é o
que há de melhor em uma sociedade ou grupo. É uma minoria
prestigiada e dominante no grupo, constituído por indivíduos
mais aptos ou mais poderosos. E quando a elite se refere a indivíduos
mais favorecidos financeiramente, pelo menos no Brasil, isso realmente
está ligado a uma minoria, pois apenas 6% da população
- cerca de 11 milhões de pessoas - está no topo da pirâmide
social. E são eles que definem o que a maioria da população
pensa: que o dinheiro traz felicidade.
Foi o que revelou uma pesquisa feita pelo professor de Marketing, Ética
e Relacionamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV),
Marcelo Peruzzo.
O levantamento foi feito durante o mês de novembro, em todo
o Brasil, e ouviu 2,4 mil pessoas. Segundo Peruzzo, foi identificado
que 6% da população faz parte das classes A1 e A2, famílias
com renda superior a R$ 6.563,73 - segundo parâmetros da Associação
Brasileira de Institutos de Pesquisa de Mercado (Abipeme). Para 91%
dos entrevistados o dinheiro traz sim felicidade, desde que venha de
origem ética, e o desejo de acumulá-lo não deve
ser visto como algo negativo. “O dinheiro é a recompensa
de quando você é qualificado e da habilidade de mostrar
essa qualificação aos outros”, afirma Peruzzo.
Quando o assunto é atividade profissional, 80% se dizem satisfeitos
com sua profissão, e 60% afirmam ter um ótimo relacionamento
com seus chefes. “Ver o chefe como um parceiro é um dos
pontos de acerto de quem quer ser bem-sucedido”, diz Peruzzo,
que acrescenta: “Se a relação com ele é ruim,
a chance de ter um bom rendimento é mínimo”. A
respeito do tipo de função que desempenham, 59% dos entrevistados
dizem cumprir papéis ao mesmo tempo estratégicos e operacionais.
Já 28% têm funções apenas estratégicas
e 13% se intitulam profissionais somente operacionais. Para Peruzzo,
quanto mais operacional é o trabalho, mais reduzidas são
as chances de riqueza, principalmente no Brasil.
A pesquisa reforça que sem formação acadêmica é praticamente
impossível fazer parte da elite, pois menos de 5% da amostra
conseguiu. Por outro lado, trabalhar diretamente na área de
formação (45%) ou em área relacionada (32%) tem
praticamente a mesma importância. Mas atuar em um terreno totalmente
diferente (16%) diminui de modo significativo as chances de quem quer
fazer parte da elite.
O resultado da pesquisa servirá de base para o livro “Quem
pensa manda, quem processa obedece”, de autoria de Peruzzo. Ele
quer mostrar que a única forma de ganhar dinheiro é ser
estratégico e contratar pessoas para fazer o trabalho, “pois
sozinho ninguém consegue nada”. O levantamento também
quer servir como ferramenta de apoio para mostrar como o comportamento
da elite pode contribuir para influenciar outras pessoas a melhorar
seus rendimentos.

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Folha de São Paulo,
5 de fevereiro de 2008
Com aval de Lula, PT e PSDB
voltam a negociar fim da reeleição
Assunto foi discutido por governadores
do PSDB; presidente, Aécio e Serra são favoráveis
ao fim da possibilidade de um segundo mandato consecutivo
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT e PSDB
voltaram a negociar o fim da reeleição no país.
Embora iniciada já no ano passado, a articulação
política teve de ser suspensa após revelada pela Folha.
Mas, na semana passada, o assunto foi alvo de muitas conversas. Esteve,
por exemplo, no cardápio do jantar oferecido pelo governador de
Minas, Aécio Neves (PSDB), ao governador de São Paulo,
José Serra (PSDB), em Belo Horizonte. Serra também discutiu
a idéia com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung
(PMDB).
Lula, por sua vez, teria repetido -inclusive a tucanos- que sempre foi
contra a reeleição. Hoje, a derrubada agradaria a pelo
menos três dos principais atores políticos do país:
Lula, Serra e Aécio.
Sem direito à reeleição, Serra aplacaria restrições à sua
candidatura, podendo até conquistar apoio de Aécio para
a eleição em 2010. Hoje com 47 anos, Aécio poderia
se comprometer com a eleição de Serra se contemplado por
um acordo para as eleições presidenciais seguintes. Já Lula
teria a chance de tentar nova eleição sem enfrentar um
adversário no comando da máquina administrativa. A proposta
em discussão é a de adoção de mandato de
cinco anos.
Ano passado, o fim da reeleição foi objeto de discussão
entre o governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), e o deputado Jutahy
Magalhães (PSDB-BA), um dos principais articuladores políticos
de Serra. Aécio chegou a defender publicamente a proposta. Mas
enfrentou oposição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
A idéia agora é ressuscitar oficialmente a proposta só depois
das eleições municipais, neutralizando resistência
de prefeitos. Escolhidos ainda sob as regras atuais, os eleitos para
um primeiro mandato em outubro poderiam tentar a reeleição
em 2012.
A mesma lógica valeria para os governadores eleitos para um primeiro
mandato em 2006. Nesse caso, haveria direito à busca do segundo
mandato.
Apesar do apoio, o fim da reeleição não é fácil.
Como exige mudança constitucional, depende da aprovação
de uma emenda: dois terços da Câmara e do Senado.
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Revista Consultor Jurídico,
5 de fevereiro de 2008
Falta de educação
Advogados desrespeitam vigilantes
do STJ, diz pesquisa
por Maria Fernanda Erdelyi
Os advogados, indispensáveis à Justiça nas palavras
da Constituição Federal, ficaram mal na foto em uma pesquisa
feita pelo Superior Tribunal de Justiça. No levantamento sobre
desacato aos recepcionistas e vigilantes do STJ, os advogados aparecem
como responsáveis por 30% das ocorrências de desrespeito.
De acordo com a pesquisa, ocorre algum tipo de desrespeito em 70%
dos locais de acesso do STJ, que recebe mais de cinco mil visitantes
por dia. Em 47% dos casos, o desrespeito é verbal, do tipo xingamento,
15% representam ameaças e outros 15%, humilhação
ou assédio. A pesquisa foi feita internamente para subsidiar
uma campanha do setor de Recursos Humanos do STJ, de qualidade no atendimento.
A TV Justiça chegou a produzir e divulgar um vídeo que
trata da relação entre atendentes e visitantes.
Das 26 pessoas ouvidas na pesquisa (vigilantes e recepcionistas),
45% sofre algum desrespeito de uma a duas vezes por mês e 9%
sofre mais de seis. Os advogados lideram a lista de agentes do desrespeito
entre o público variado. Em segundo lugar, ficam os taxistas
com 18%, visitantes com 13% e autoridades públicas 5%. Dentre
o público fixo do tribunal, servidores e estagiários
dividem igualmente 26% das agressões.
No relato do secretário de segurança do STJ, Antônio
Nascimento, os incidentes são diários pelos mais variados
motivos. Alguns incidentes comuns são causados depois da represália
dos seguranças a alguma postura de desrespeito do visitante à liturgia
que o tribunal tem e deve ter. Já saiu bate-boca de advogado
com segurança porque o profissional se recusou a levantar da
cadeira quando os ministros entraram na Corte.
“Isso é uma praxe em qualquer Tribunal Superior. Quando
os ministros entram no Plenário, os presentes devem se levantar
independente de serem advogados ou não”, lembra Nascimento.
Outro advogado criou caso porque foi impedido pela segurança
de usar o banheiro em uma área privativa para ministros dentro
do STJ. A discussão foi longa. O advogado afirmava que não
havia diferença entre ele e os magistrados e que o segurança
estaria tolhendo seu direito de ir e vir.
O presidente da OAB do Rio de Janeiro, Wadih Damous, afirma que não
há relação de hierarquia entre o juiz e o advogado. “A
relação é de absoluta igualdade. É lamentável
que haja este tipo de divisão: elevador privativo e banheiro
privativo. São medidas antipáticas e de duvidosa legalidade”,
avalia.
De acordo presidente da OAB-RJ, não há qualquer norma
legal que obrigue as pessoas a se levantar quando o juiz entra na sala. “Uma
atitude como esta (de não se levantar) não significa
desrespeito à Justiça. No tribunal, há determinadas
liturgias que mantém uma tradição quase que religiosa.
E não é isso — uma demonstração de
subserviência ao juiz — que gera respeito ao Poder Judiciário,
e sim uma boa prestação jurisdicional”.
Depois de alguns incidentes no tribunal, como o de um estagiário
que apresentou o número da OAB de seu ex-chefe para entrar no
STJ e ter acesso a um processo, a segurança redobrou o cuidado.
Antes, as pessoas já cadastradas na portaria do tribunal precisavam
apenas fornecer o número da OAB ou RG.
Hoje, mesmo os cadastrados, precisam apresentar algum documento para
receber o crachá de identificação que permite
o acesso pelas portarias a todos os prédios do STJ. “Existem
inúmeras formas de ludibriar a segurança. Pessoas já chegaram à porta
da presidência do tribunal identificando-se como senador e na
verdade não era”, conta Nelson Luiz Elias, coordenador
da segurança em exercício no STJ.
Casos e casos
A nova exigência vem causando polêmica e insatisfação
principalmente por parte dos advogados como relataram alguns recepcionistas
do tribunal à revista Consultor Jurídico. Segundo uma
recepcionista do STJ, “os advogados são os piores, os
mais mal educados”. Eles torcem o nariz quando o pessoal da portaria
pede algum documento e, na maioria das vezes, iniciam discussões
intermináveis.
A recepcionista conta que um advogado chegou à portaria em
traje esporte dizendo o número da OAB e ficou surpreso quando
ela lhe pediu a carteira da OAB. “Aparência não é tudo
minha filha”, afirmou o advogado à recepcionista. “Ele
achou que eu estava duvidando que ele era advogado e ficou irritado”,
narra. Seu colega de portaria também já sofreu algumas
agressões. “Você tem que aprender a trabalhar”,
disse um advogado depois que o vigilante pediu documento. “Eu
sou advogado. Você está achando que eu não sou
advogado?”, questionou ao vigilante. Os recepcionistas preferiram
não se identificar para não sofrer possíveis retaliações.
O próprio coordenador da segurança em exercício
no STJ já foi vítima e chegou a processar seu agressor.
Elias entrou com a ação em 2005, no Juizado Especial,
e recebeu em 2007 uma indenização de R$ 2 mil pela agressão
que sofreu.
Elias foi ofendido por uma advogada pública que se irritou
depois de ser impedida de entrar em um dos prédios do tribunal.
Ela não se identificou na portaria e estava sem crachá de
acesso. Quando aconselhada por um segurança a buscar um crachá,
ela mostrou o bóton na lapela do paletó e insistiu para
entrar afirmando ser procuradora. O caso foi parar na Justiça.
O coordenador da segurança em exercício no STJ afirma
que a ação valeu a pena pelo caráter educativo. “Ela
(advogada que o agrediu) tem que saber que estamos aqui para ajudar
e não para atrapalhar”, afirma.
O STJ conta com 182 recepcionistas e vigilantes terceirizados que
custam ao tribunal cerca de R$ 5 milhões ao ano. Segundo Antonio
Nascimento, secretário de segurança e com 20 anos de
Polícia Federal nas costas, estes funcionários têm
treinamento de paciência para atender bem a todos que chegam
ao STJ.
Eles são orientados a não esticar discussão e
passar questões fora de sua atribuição para um
superior. “A recepcionista tem de identificar a pessoa, fornecer
o cartão de acesso e, eventualmente, alguma informação
sobre localizações dentro do tribunal. Passou daí,
não tem obrigação de saber e não pode ser
desrespeitada por isso”, explica.
Casos como do estagiário que utilizou a identificação
de uma outra pessoa para acessar o tribunal e do homem que se fez passar
por senador para não ser barrado no caminho até o gabinete
da presidência do STJ é que preocupam a segurança,
que precisa proteger os processos, ministros e visitantes dentro do
local. Neste ano, a previsão é de que o STJ gaste pelo
menos R$ 2 milhões para modernizar o sistema de acesso, além
de implementar raio-x e detectores de metais em pontos estratégicos
do tribunal.
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