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Agende-se
desde já:
Amigas
e Amigos,
Contamos
com a sua participação no lançamento estadual
do livro:
“Sindicalismo no Brasil: os 100
primeiros anos?”
Organizado por José Reginaldo
Inácio.
Participará da
atividade, dentre outros, o Ministro do Tribunal Superior do Trabalho – TST – Maurício
Godinho Delgado, que fará uma palestra sobre: " Sindicalismo
e Direito Coletivo do Trabalho no Brasil”.
Data:
15/02/2008 – sexta-feira – às 19 horas
Escola do Legislativo situada à Avenida Olegário Maciel, 2.161
- Lourdes – Próximo à Praça da Assembléia – Tel.:
(31) 3348-5400.
Após a palestra haverá seção de autógrafos
acompanhada de coquetel.
O
Livro tem artigos de: Antônio Lambertucci, Delze Santos, Domingos
Giroletti, João Paulo Pires de Vasconcelos, José Reginaldo,
Kátia Paranhos, Manoel Frederico, Sávio Bones e Sebastião
Soares.
E ainda de: Antônio Augusto Queiroz, Edésio Passos, Fausto Arruda,
José Calixto Ramos, Luiza Erundina, Márcio Pochmann, Ricardo
Antunes, Ricardo Oliveira e Sérgio Domingues.
“Sindicalismo
no Brasil – os primeiros 100 anos?” reúne
textos de estudiosos e dirigentes sindicais, de tendências
políticas diversas. O objetivo é dar uma visão
plural e abrangente sobre a história dos 100 anos de sindicalismo
no Brasil. Um painel que pode ser interessante para estudantes,
professores, sindicalistas, políticos ou mesmo para o
cidadão comum, que tem sua vida afetada pelas disputas
sindicais, mesmo que não se dê conta disso.
Promoção:
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria – CNTI-MG,
Nova Central Sindical de Trabalhadores – NCST-MG,
Crisálida Livraria e Editora, Escola do Legislativo e Instituto 25 de
Março.
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O ESTADO DO PARANÁ,
07 de fevereiro de 2008 | Nacional
Câmara troca seus líderes.
Senado, não
Um contraponto marca o redesenho das lideranças de bancada no Senado
e na Câmara para 2008. Enquanto, entre os deputados, algumas disputas
já se acirram com a proximidade das eleições municipais,
no Senado, os líderes devem continuar os mesmos. Um deles, aliás,
está nessa posição há oito anos: José Agripino
(RN), à frente do PFL e do DEM. Já o senador Artur Virgílio
(PSDB-AM) vai para o sexto ano na liderança da bancada tucana (fora
os quatro anos em que liderou o partido na era FHC).
À medida que se aproxima o pleito de outubro, os partidos na Câmara
usam como termômetro as condições de elegibilidade de seus
deputados em seus redutos. Os futuros líderes sabem que, uma vez no comando
de seus partidos, terão os holofotes da grande mídia, de forma
que a visibilidade obtida reforçará sua imagem perante o eleitorado.
Já no Senado, instituição conhecida pelo “espírito
de equipe” que une seus membros, as mudanças serão quase
nulas.
Em ano de eleições
municipais, o posto de líder de bancada em ambas as Casas rende
bons dividendos eleitorais e políticos. Além da visibilidade
na imprensa, ser líder amplia o quadro de funcionários
disponível (mais verba), mais influência nas decisões
de temas caros aos partidos. Até a cota postal e telefônica
ganha um reforço.
Entretanto, liderança
no Parlamento significa mais responsabilidade, desgaste e dor de cabeça.
Em partidos grandes, algumas correntes internas apresentam divergências
ideológicas, sem contar embates com outras legendas. Aí entra
o papel mediador do líder. Função que representa
esgotamento físico-psíquico ao final de cada ano. É caso
da líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), que admitiu estar
estafada ao final de seu terceiro ano (não-consecutivo) na liderança
petista.
Mal começou o ano de eleições
municipais, as bancadas na Câmara já analisam a situação
nos estados para operar mudança em seus comandos. Ao contrário
do Senado, algumas bancadas sinalizam com renovação. Tudo
indica que, no próximo pleito eleitoral, a maioria dos partidos
terá como critério de escolha dos novos líderes
a elegibilidade em prefeituras das principais cidades brasileiras. À exceção
do PMDB que já reconduziu o deputado Henrique Alves (RN) , as
siglas aguardam o fim do Carnaval. As atividades do Congresso estão
previstas para começar amanhã, uma quarta-feira de cinzas.
Reconduzido ao posto de líder
desde o fim do ano passado, Alves, que é primo do presidente do
Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), diz que não tem pretensões
eleitoreiras com a liderança e que lá continuará por “aclamação” da
legenda.
A medir pelas suas palavras,
o PMDB não tem nas eleições municipais a prioridade
deste ano. Entretanto, com ministérios-chave ocupados por seus
membros a - Edison Lobão (Minas e Energia), Nelson Jobim (Defesa)
e Hélio Costa (Comunicações) - só para citar
três dos seis ministérios, a força da maior bancada
do Senado e na Câmara continua.
O provável futuro
líder do PT não quer saber de disputar prefeitura de
Recife. O nome mais provável para suceder Luiz Sérgio
(RJ) é o do deputado Maurício Rands (PE), que retirou
sua candidatura ao comando da capital pernambucana. Se no PMDB e no
PT o clima é de harmonia, o PSDB tem suas divergências
internas. Em São Paulo, é peculiar a correlação
entre a liderança do partido na Câmara e a prefeitura
da maior metrópole da América do Sul. Dois tucanos de
peso José Serra e Geraldo Alckmin tentam emplacar seus pupilos
na liderança da legenda na Câmara, Arnaldo Madeira (SP)
e José Aníbal (SP), respectivamente.
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Agência Diap, 6 de
fevereiro de 2008
PODER LEGISLATIVO
Congresso retoma atividades hoje,
mas sem votações
Depois de um mês e meio
de recesso, o Congresso Nacional – Câmara e Senado – retoma
hoje (06) os trabalhos do Poder Legislativo, com uma agenda ainda a ser
definida, mas de antemão cheia e diversificada. Nesta sessão
solene – que será conjunta, agendada para ter início às
16 horas – de reabertura das atividades parlamentares não
haverá votações.
As atividades, de fato, só terão início pleno – comissões
e plenários das duas Casas do Congresso – depois da eleição
que renova as presidências dos colegiados temáticos na Câmara,
cujo mandato é de um ano; no Senado, as mesas diretoras das comissões
têm mandato de dois anos.
No Senado, a pauta está livre, ou seja, não há medidas
provisórias travando as votações no plenário. Entretanto,
as deliberações só ocorrerão depois da reunião,
agendada para o dia 12, do presidente Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN) com os
líderes partidários para definir a agenda de votações.
Ao todo, 225 proposições estão prontas para votação
em plenário.
Na Câmara, a situação é distinta. Há sete
medidas provisórias (MPs) e três projetos de lei com urgência
constitucional obstruindo as deliberações. Só após
examinar esses itens, os deputados poderão analisar outras proposições.
A Secretaria Geral da Mesa tem uma lista preliminar com 65 propostas que estão
prontas para serem votadas no plenário. Entre elas, a proposta de emenda
constitucional (PEC 349/01) que acaba com o voto secreto no Legislativo e aguarda
a apreciação em segundo turno. Também estão na
pauta a PEC (511/06) que restringe a edição de medidas provisórias
e a que aumenta o número de vereadores e reduz os repasses para as câmaras
municipais (PEC 333/04). (Marcos Verlaine)
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Agência Diap, 6 de
fevereiro de 2008
OPINIÃO
Altamiro Borges*: "Reforma tributária
e luta de classes"
Diante do rombo de R$ 40
bilhões da CPMF e do temor da recessão nos EUA, o debate
sobre a reforma tributária volta a ganhar espaço na mídia.
O governo Lula promete enviar uma proposta ao parlamento e trata o
tema como algo puramente técnico. Já os mesmos ricaços,
sonegadores, tucanos e demos, culpados pelo fim a CPMF, aproveitam
o clima de incertezas na economia para exigir menos impostos.
Hipócritas, eles alegam que a tributação no país é uma
das mais altas do mundo e pregam cortes na “gastança social”.
Neoliberais, desatam uma nova onda conservadora em defesa do “estado
mínimo”, embalada numa bandeira que desperta simpatias na sociedade.
O tema da reforma tributária é explosivo. O jogo de interesses
que envolve é poderoso. Em certo sentido, a questão tributária é estratégica,
já que condensa as contradições de classe na sociedade
capitalista. A tributação reflete quem perde e quem ganha neste
sistema. Quem banca a máquina pública, quem abocanha os recursos
arrecadados, quem sonega e dribla o fisco. Devido às graves distorções
deste sistema no país, que ajudam a explicar porque o Brasil ostenta
um dos piores índices de desigualdade social no mundo, a reforma tributária é realmente
uma forte exigência da atualidade, mas num sentido totalmente inverso
ao pregado pelos neoliberais de plantão.
“ Vai resmungar na... Europa”
Como revela excelente reportagem de Márcia Pinheiro na Carta Capital,
intitulada “Leão atiça a desigualdade”, o sistema
tributário brasileiro é dos mais injustos do planeta. “O
assustador é que 70% dos impostos incidem sobre o consumo e apenas 30%
sobre o patrimônio. Nos países desenvolvidos, a relação é oposta:
60% sobre o patrimônio e 40% sobre o consumo... Estudo do Unafisco [Sindicato
dos Auditores Fiscais] comprova como a carga tributária é perversa.
Quem ganha até dois salários mínimos gasta 45,8% da renda
no pagamento de impostos indiretos, enquanto o peso para famílias com
renda superior a 30 salários mínimos corresponde a 16,4%”.
Quanto à suposta fúria do Leão sobre a renda dos ricos
empresários e da alta classe média, seria educativo se os adeptos
do “Cansei” fossem morar na Europa ou mesmo nos EUA para deixarem
de reclamar. O artigo desmonta este outro mito da mídia manipuladora. “A
alíquota para pessoas físicas, aqui, vai de zero a 27,5%. Na
Argentina, de 9% a 35%. Nos Estados Unidos, de zero a 35%, fora os impostos
estaduais. Na França, varia de 5,5% a 40%... O imposto nativo sobre
a renda tem baixa participação no total das receitas tributárias
de apenas 6,6% do PIB, enquanto a média dos países europeus é de
13,6%. Além disso, no Brasil há apenas duas alíquotas,
de 15% e 27,5%, enquanto nos EUA existem cinco categorias, o que torna o imposto
mais justo”.
A manipulação dos números
Para a especialista Leda Paulani, professora de economia da USP, o sistema
tributário brasileiro é injusto porque é regressivo – quem
ganha menos paga mais impostos e o setor produtivo é mais penalizado
do que os que lucram com a especulação financeira. Para ela,
seria necessário reduzir as contribuições que incidem
sobre o consumo, que atingem toda a população, e compensar esta
perda com o aumento dos tributos diretos sobre a riqueza e a renda. Mas esta
briga é titânica e a correlação de forças é adversa
no parlamento. “A discussão sobre o patrimônio é a
primeira a ser derrubada no plenário em qualquer tentativa de levar
adiante a reforma tributária”, contesta.
Quanto ao volume arrecadado, também há muita manipulação.
De janeiro a outubro, a Receita arrecadou R$ 484 bilhões – 14%
a mais do que no mesmo período de 2006. Parte deste aumento decorreu
do próprio crescimento econômico de 5,2% nos três primeiros
trimestres. Outra parte derivou da maior eficiência da fiscalização
sobre os sonegadores. Além disso, como alerta Amir Khair, ex-secretário
de Finanças da capital paulista, outra fatia enriquece os rentistas
por meio de juros que remuneram títulos da dívida pública. “Da
carga tributária de 34,2%, em 2006, foram abatidos 6,8% em juros. O
que a União teve em caixa, na verdade, foi 27,4% do PIB para custeio
e investimento. E não os alardeados 40% sempre sacados da cartola dos
que reclamam da carga”.
As benesses para os ricaços
Na prática, o trabalhador é quem paga mais impostos no Brasil,
já que o tributo é descontado na folha de pagamento. O chamado
setor produtivo também sofre em decorrência do efeito cascata
dos tributos. Já os tubarões contribuem bem menos proporcionalmente,
quando não sonegam ou driblam o fisco através das isenções
e elisões fiscais (brechas na legislação) e da informalidade.
Parte destes bilhões não arrecadados é desviada para os
paraísos fiscais no exterior. No caso da economia informal, Pedro Tolentino,
presidente da Unafisco, afirma que é impossível mensurar o desfalque, “mas
há cálculos de que, para cada um real pago à Receita,
um real é sonegado”.
A revista Carta Capital ainda registra outras três benesses concedidas
aos ricaços. Até hoje não foi regulamentado o Imposto
sobre Grandes Fortunas, apesar de ser contemplado na Constituição
de 1988. Já os latifundiários e barões do agronegócio
são beneficiados pelas medíocres alíquotas do Imposto
Territorial Rural (ITR), além de contarem com a precária estrutura
de fiscalização no campo. “Por fim, os grandes sonegadores
abrigam-se no Judiciário, diz Khair. ‘Uma execução
fiscal leva anos e anos para ser resolvida’. Não raro, quando
a decisão sai, o devedor já fechou as portas, mudou a razão
social ou lançou mão de outra manobra para não quitar
os débitos”.
De todos os setores da burguesia beneficiados pelo injusto sistema tributário
o que menos pode reclamar é o capital financeiro. Principalmente a partir
do reinado de FHC, em 1995, a legislação privilegiou banqueiros
e rentistas. “A remuneração dos juros de capital próprio
permitiu que os cinco maiores bancos do sistema financeiro nacional tivessem
uma redução nas despesas com encargos tributários no montante
de R$ 2,1 bilhões em 2005. Isso num ano em que lucro líquido
das instituições registrou expressivo crescimento de 49,9%, para
R$ 18,8 bilhões. Fora que os investidores estrangeiros são isentos
de impostos quando adquirem títulos da dívida pública”.
O próximo artigo desta série analisará a regressão
tributária nos governos FHC e Lula.
(*) Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do
PCdoB e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora
Anita Garibaldi, 2ª edição).
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Agência Diap, 6 de
fevereiro de 2008
Fim do "céu de brigadeiro" de
Lula?
Por: Altamiro Borges*
Até meados de dezembro
passado, o presidente Lula era um homem feliz da vida. Ele parecia um
predestinado. Não se cansava de repetir que o seu governo vivia
em “céu de brigadeiro”. Aos que criticavam a ortodoxia
da sua política macroeconômica, ele retrucava com ironias.
Motivos para tanto otimismo não faltavam. A economia dava sinais
consistentes de crescimento, após o longo período de “vôos
de galinha”. Várias estatísticas apontavam uma tímida
melhora no nível de vida da população mais carente.
Todas as pesquisas de opinião confirmavam sua alta popularidade.
Já a oposição de direita encontrava-se perplexa
e dividida e a maioria congressual parecia tranqüila.
Num curto espaço de tempo, porém, nuvens pesadas carregaram o “céu
de brigadeiro”. Ainda em dezembro, o governo sofreu amarga derrota na
votação da CPMF (Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira). De uma tacada, perdeu R$ 40 bilhões
do seu orçamento anual. Como registrou Delfim Neto, nenhum governo fica
incólume a um rombo deste tamanho. Na seqüência, para bagunçar
de vez a aparente calmaria, a previsível crise da economia dos EUA estourou
com fúria, aterrorizando o volátil “mercado mundial”.
Apesar das naturais negativas dos tecnocratas do governo, ambos os episódios
abalaram o idílico otimismo palaciano. O próprio Lula chegou
a confessar na última reunião do seu conselho político
que teme os efeitos da recessão nos EUA.
Efeitos danosos dos dois choques
As conseqüências destes dois “choques” são danosas.
No caso da CPMF, o governo até revelou certa ousadia ao elevar as alíquotas
do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e da CSLL (Contribuição
Social sobre o Lucro Liquido), o que atinge principalmente os bancos e as grandes
empresas. Mesmo assim, a medida não cobre o rombo e o governo não
está disposto a mexer no superávit primário – nome
fantasia da reserva de caixa dos banqueiros. Em compensação,
ele já anunciou cortes em investimentos do PAC (Plano de Aceleração
do Crescimento) e arrocho aos servidores, anulando acordos salariais e suspendendo
novos concursos públicos. Medidas tão impopulares terão
seu custo político, com os servidores se mobilizando para greves e protestos.
Já no que se refere à recessão nos EUA, ainda há dúvidas
sobre os seus efeitos. Como sempre se inventa argumento para tudo, agora surgiu
a tese do descolamento, segundo a qual as economias dos chamados países
emergentes não seriam tão afetadas pela crise ianque. É certo
que o Brasil se encontra hoje menos vulnerável aos humores do mercado
mundial, com US$ 188 bilhões em reservas e maior diversidade no seu
comércio externo. A própria retomada do crescimento se deu devido
ao modesto aquecimento do mercado interno, graças ao aumento do salário
mínimo e aos programas sociais. Mesmo assim, apenas os mercadores de
ilusões podem afirmar que o país está imune. Basta citar
que 16% das exportações nativas vão para os EUA, que a
sua retração atingirá os preços das commodities
e que a instabilidade financeira deve afugentar o capital estrangeiro.
Nova onda conservadora
Diante do ocaso do “céu de brigadeiro”, a direita neoliberal
ficou alvoroçada. Pelos editoriais da mídia venal, tudo indica
que uma nova onda conservadora se abaterá sobre o governo. O velho e
surrado discurso do “ajuste fiscal” voltou à baila. Tucanos
e demos (ex-PFL), apoiados na mídia, exigem “a redução
no ritmo de recuperação do salário mínimo, a urgente
reforma da previdência, a contenção da gastança
nos programas sociais, o congelamento dos salários dos servidores e
a suspensão dos novos concursos públicos” – aconselhou,
em recente entrevista à TV Globo, um economista vinculado ao PSDB. Em
artigo ao jornal O Estado de S.Paulo, o ex-presidente FHC sugeriu que o governo
Lula “coloque as barbas de molho” e “olhe para os gastos
sem controle”.
Já a ditadura financeira aproveita o clima de pânico para pressionar
por novas reformas liberais. “Segundo as principais agencias de classificação
de risco, a lista de exigências para que o país seja considerado
destino seguro para os investimentos estrangeiros não mudou com a iminência
da crise e deve ser cumprida urgentemente: reformas da previdência, tributária
e trabalhista e diminuição do gasto público”, garante
a Folha. Descarada, uma agente da agiotagem financeira, Lisa Schineler, diretora
da Standard&Poor’s, afirma que os recursos externos dependem “da
boa vontade política de se fazer reformas. Como os investidores ficam
sensíveis nestes momentos de crise, é essencial o governo ser
bem claro na demonstração de confiabilidade”. Haja cinismo!
Mediocridade palaciana?
A não ser que o governo esteja escondendo o jogo, o que seria compreensível,
até agora parece que ele está inerte diante do fim da CPMF e
da crise nos EUA. Como se o Brasil ainda vivesse sob o quimérico “céu
de brigadeiro”. O governo rejeita qualquer discussão sobre a redução
do superávit primário e não quer saber do controle dos
fluxos de capitais. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, aparenta
otimismo e bate na tecla do descolamento. Já o PT, partido do presidente,
continua engalfinhado nas suas lutas intestinas, pendendo cada vez mais ao
centro, e nada fala sobre os riscos iminentes. Ambos, governo e PT, deveriam
ouvir o recado do ex-porta voz do presidente Lula, jornalista André Singer,
que nunca foi chegado a rompantes extremistas.
No artigo intitulado “momento de virar à esquerda”, ele
foi taxativo: “Talvez sem consciência do que fazia, a oposição
criou as condições mais propícias, desde 2003, para o
governo alterar, em alguns graus para a esquerda, o percurso seguido até aqui... É que,
ao decretar o fim da CPMF no final do ano passado, o PSDB e o DEM tiraram um
dos suportes sobre os quais estava apoiada estratégia de fazer distribuição
de renda sem confrontar o capital... Com a súbita desaparição
de quase R$ 40 bilhões da arrecadação, a direita obriga
o governo a rever os termos deste acordo”. Rompido o pacto, Singer sugere
a redução do superávit e da taxa de juros e propõe
ao governo a escolha do “caminho da esquerda para resolver o impasse
criado pelos conservadores”.
Retomar a iniciativa política
Diante das incertezas sobre os efeitos da crise no coração do
sistema capitalista, dos impactos do rombo da CPMF e, mais ainda, das vacilações
e hibridismos do governo Lula, cabe as forcas de esquerda e aos movimentos
sociais uma atitude mais pró-ativa, retomando sua iniciativa política.
Não dá para ficar passivo frente à agenda conservadora
da direita neoliberal ou às mesmices do governo. É preciso unificar
bandeiras e concentrar agendas, superando o localismo e a dispersão
que marcam os movimentos sociais na atualidade. Urge unir partidos progressistas
e movimentos sociais, rejeitando o movimentismo que ergue uma muralha entre
estes dois atores políticos. Do contrário, todo o ônus
do fim da CPMF e da recessão nos EUA será lançado nas
costas do povo.
O manifesto “por uma reforma tributária justa”, assinado
por intelectuais, lideranças populares e religiosas, mostrou o caminho
a seguir. Diante do fato concreto do aumento do IOF e da CSLL, não vacilou
em explicitar de chofre seu apoio ao governo por esta “medida acertada
e justa, que atinge os mais ricos e, sobretudo, os bancos, o sistema financeiro
e as empresas estrangeiras”. Ao mesmo tempo, reafirmando a sua independência,
os autores exigiram maior ousadia do governo, propondo a redução
do superávit e dos juros e uma “verdadeira reforma tributária”,
que diminua o peso sobre a população e aumente sobre a riqueza
e a renda. Além de evitar o reboquismo e o esquerdismo, o manifesto
elegeu uma bandeira – a reforma tributária – que pode unir
e colocar em ação os movimentos sociais e os partidos de esquerda
neste ocaso do “céu de brigadeiro”.
(*) Altamiro Borges, Miro é jornalista, secretário de Comunicação
do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor
do livro "As encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi,
2ª edição)
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O ESTADO DO PARANÁ,
07 de fevereiro de 2008 | Política
Senador pede suspensão dos
cartões corporativos
Brasília - “Diante
de todos os fatos já conhecidos, o presidente da República
deveria suspender imediatamente a utilização dos
cartões corporativos, até que tudo fosse esclarecido
e as providências cabíveis adotadas com o máximo
rigor.” A declaração foi feita ontem pelo senador
Alvaro Dias (PSDB) em seu blog, a respeito do escândalo dos
cartões corporativos. O senador tucano pediu que o governo
federal apure a responsabilidade, puna e efetue a “devolução
aos cofres públicos do que se gastou desonestamente”.
A crise dos cartões se
agravou ontem, apesar da ofensiva do Planalto para evitar uma agenda
negativa. O esforço do Planalto incluiu a saída da ex-ministra
da Igualdade Racial Matilde Ribeiro. Mas a realidade é que o governo
encontra grande dificuldade para segurar uma CPI para investigar gastos
com os cartões corporativos.
A divulgação de novos dados, que indicam que o cartão
foi usado para despesas do segurança da filha do presidente Lula, Lurian
Cordeiro da Silva, acirraram os ânimos na oposição. Foi
divulgado ontem que em 2007 um dos seguranças de Lurian fez gastos com
o cartão corporativo, em Florianópolis, que somam R$ 55 mil,
em lojas de autopeças, material de construção e até numa
livraria. A estratégia do PSDB e do DEM é forçar a instalação,
ainda em fevereiro, de uma CPI mista do cartão corporativo.
Caso o governo consiga
barrar uma comissão composta por deputados e senadores, a oposição
já trabalha com um plano B: a criação de uma CPI
exclusiva no Senado, onde o governo tem maioria frágil. A decisão
foi tomada no Carnaval. O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia
(RJ), considera que os novos dados tornam a CPI inevitável: “Não é de
hoje que tentávamos avançar nos gastos dos cartões.
Temos que saber até onde foi a irresponsabilidade do governo”,
disse.
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Diário Vermelho, 6
de fevereiro de 2008
Gastos com cartão são
apenas 0,004% das despesas do governo
A imprensa, obstinada em alimentar
uma nova onda denuncista contra o governo Lula, omite da opinião
pública um dado divulgado pela Controladoria Geral da união
(CGU) em meados de janeiro e que é fundamental para um aleitura
honesta e sem manipulaçãoes sobre a polêmica dos
cartões corporativos. Segundo a CGU, a despesa total com cartão
corporativo situa-se entre 0,002% e 0,004% da despesa total do Poder
Executivo.
“Quanto às despesas
sigilosas”, lembra o secretário executivo da CGU, Luiz Navarro, “além
de representarem uma pequena porcentagem do total, elas são previstas
em lei há muito anos, não sendo criação do
atual governo, nem particularidade do Brasil, pois existem em qualquer
país do mundo”.
Tucanos gastaram quase o dobro
A Controaladoria também
revela que enquanto em 2001 e 2002 os gastos do governo federal com suprimento
de fundos (que envolvem o uso dos cartões corporativos e as chamadas
contas tipo B) foram de R$ 213,6 milhões e R$ 233,2 milhões
respectivamente, a partir de 2003 --início do governo Lula-- esse
tipo de gasto foi significativamente reduzido, mantendo-se, nos últimos
cinco anos, a média anual de R$ 143,5 milhões.
Em 2003 as despesas com suprimento
de fundos foram de R$ 145,1 milhões; em 2004 de R$ 145,9 milhões:
em 2005 de R$ 125,4 milhões; no ano seguinte de R$ 127,1 milhões.
No ano passado, em decorrência de algumas excepcionalidades, chegaram
a R$ 176,9 milhões, ainda assim muito longe dos gastos registrados
em 2001 e 2002.
Eventos especiais
O crescimento dessas despesas
em 2007 deveu-se à realização de dois censos pelo
IBGE (censo agropecuário e contagem da população
nos pequenos e médios municípios), às ações
de inteligência da Abin visando a segurança durante os jogos
Pan-americanos e a intensificação das operações
especiais da Polícia Federal.
Nesses três órgãos,
a soma das despesas pagas com o uso dos cartões chegou, em 2007,
a R$ 41,4 milhões e representou 82,4% de todo o aumento de gastos
do governo federal pagos com os cartões durante o ano. As informações
estão disponíveis no Siafi e no Portal da Transparência,
este último implantado a partir de 2004.
Situações como
essas do IBGE, do PAN e da PF explicam não só o crescimento
do uso do cartão, como também a expansão do volume
de saques, em vez do faturamento direto, já que se trata da realização
de despesas em áreas rurais e de pequenas comunidades onde não
funcionam as redes afiliadas aos cartões eletrônicos, ou,
no caso do PAN e da PF, de movimentação necessariamente
sigilosa de agentes da Abin e outros órgãos de inteligência
e segurança.
Transparência preservada
Ao divulgar essas informações, o secretário Luiz Navarro
informou que o cartão de pagamento foi instituído no final de
2001. Segundo ele o crescimento do uso do cartão é uma política
de governo, que vem sendo intencionalmente estimulada em substituição às
contas tipo B, em que o funcionário recebe o suprimento, deposita no
banco e vai emitindo cheques.
“O cartão é um
instrumento mais moderno, que permite melhor controle do que o velho
talonário de cheques”, disse ele, acrescentando que “o
aumento das despesas pagas com o uso do cartão nos últimos
anos acontece, na grande maioria dos casos, simultaneamente a uma redução
no volume de pagamentos feitos pelo sistema antigo (tipo B) e corresponde à gradativa
migração de um sistema para o outro.”
No entendimento da CGU, a utilização
do cartão eletrônico em lugar das tradicionais contas com
talão de cheque é muito positiva na medida em que facilita
o controle tanto pelo próprio gestor sobre os funcionários
que efetuam os pagamentos das pequenas despesas e dos gastos em viagens,
como pela Controladoria, por meio dos extratos eletrônicos emitidos
pela administradora do Banco do Brasil.
O que deve ser observada é a
preferência pela compra direta mediante faturamento e a limitação
dos saques em dinheiro para os casos em que isso seja inevitável,
como os revelados acima e outros órgãos que operam em zonas
rurais, como o Ibama, o Incra, a Funai; e dos que têm de fazer
deslocamentos constantes e sigilosos como a Polícia Federal e
a Abin.
Por fim, diz ele, “cabe
lembrar que a imprensa e, por meio dela, a sociedade hoje podem acompanhar
fácil e completamente tudo isso graças à política
de transparência pública adotada pelo atual governo – por
exemplo, por meio do Portal da Transparência. Até 2004 essa
possibilidade simplesmente inexistia”, conclui.
Fonte: Portal da CGU
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Congresso em Foco, 6 de fevereiro
de 2008
Governo publica decreto sobre cartões
corporativos
O governo publicou hoje
(6), no Diário Oficial da União, o decreto (6.370/2008)
que limita os saques com cartões corporativos. De acordo com
o documento, os saques em dinheiro com os cartões ficarão
restritos a 30% do valor total do chamado suprimento de fundos, previsto
para cada ministério ou autarquia federal.
Os pagamentos com os cartões também estarão proibidos
para despesas com passagens aéreas e de diárias de servidores
em trânsito. Em viagens, no entanto, serão permitidos pagamentos “para
atender despesas eventuais e com serviços especiais, que exijam pronto
pagamento”.
Também ficarão fora da regra as despesas consideradas sigilosas
e os gastos da Presidência da República, da vice-presidência,
e dos ministérios da Saúde e da Fazenda, da Polícia Federal
e dos escritórios do Ministério das Relações Exteriores
fora do Brasil.
Apesar disso, esses gastos serão fiscalizados pelo Tribunal de Contas
da União. (Soraia Costa)
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Gazeta do Povo, 6 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | INVESTIMENTOS
R$ 136 bilhões para infra-estrutura
até 2011
São Paulo – O setor
privado será o motor que puxará os investimentos em
infra-estrutura nos próximos quatro anos no país. Apesar
da ofensiva estatal em grandes projetos de energia, entre 2008 e
2011, 60,5% do capital que será aplicado na construção
de ferrovias, estradas, estações de tratamento de água
e de esgoto, hidrelétricas e na expansão da produção
de minério e aço sairá do bolso privado. A cifra
soma R$ 82,7 bilhões, recurso que virá de financiamentos
de longo prazo no BNDES, de capital próprio das empresas (nacionais
ou estrangeiras) e da captação externa.
Os governos federal e estadual
responderão pelos 39,5% restantes, ou R$ 53,9 bilhões.
Os números são resultado de um levantamento das obras de
infra-estrutura no Brasil até 2011 usado no planejamento das grandes
construtoras.
Albari Rosa/Gazeta do Povo

O investimento previsto para aplicação em estradas e ferrovias
soma R$ 23,4 bilhões.
O trabalho, assinado pela VAE Consultores, compilou todos os editais, licitações
e concorrências abertas pelos governos federal, estaduaias e por mais
30 grandes grupos empresariais que lançaram planos de investimentos
para os próximos anos no país. O valor total em contratos para
obras de infra-estrutura no período é de pelo menos R$ 136 bilhões.
Fora os investimentos empresariais
incluídos nessa conta o estudo considerou algumas obras listadas
nos planos orçamentários dos governos. O cálculo
não inclui todas as obras previstas no Plano de Aceleração
do Crescimento (PAC), consideradas, por ora, meras intenções. “Uma
situação é aquela em que o projeto está no
planejamento, outra é quando o empreendimento entra na linha orçamentária
dos governos”, afirma Francinett Vidigal Junior, diretor-presidente
da VAE Consultores. Muitas obras do PAC ainda não chegaram à fase
de orçamento. O objetivo do levantamento foi o de ficar o mais
próximo possível da realidade. Isso significa que se o
PAC andar, o número poderá ser maior.
Um exemplo claro dessa situação é o
setor energético. A previsão de investimentos em geração
e transmissão de energia elétrica previstas no PAC alcança
a cifra de R$ 62 bilhões até 2010, R$ 50,4 bilhões
para geração e R$ 8,2 bilhões para transmissão.
O levantamento da VAE mostra que em obras firmes o investimento atinge,
por enquanto, R$ 21 bilhões.
O crescimento da economia
tem ampliado as incertezas quanto à real capacidade de expandir
a oferta de infra-estrutura em nível suficientes para suprir
a demanda. O trabalho cita a expectativa do Operador Nacional do Sistema
Elétrica (ONS) – responsável por administrar o
parque gerador nacional – na expansão da oferta. Segundo
o ONS, no período de 2007 a 2011, o Brasil teria de expandir
a capacidade de geração em 16,5 mil MW. Há, neste
ano, uma pequena sobra de 174 mil MW médios. Em 2011, já será negativa
em 700 MW médios. Nos investimento em energia, o PAC é mais
otimista do que o estudo da consultoria.
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Gazeta do Povo, 6 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | MERCADO DE TRABALHO
Salário da mulher se aproxima ao do homem,
com tendência de alta
Pela primeira vez, a remuneração
feminina é maior em dois estados
por CINTHIA SCHEFFER
A mais recente pesquisa de remuneração
divulgada pelo Ministério do Trabalho, com base em dados de
2006, mostra que as mulheres brasileiras ganham, em média, 16,8%
a menos do que os homens – em 2000, a diferença era de
17,7%. O número geral não surpreende, e nem chega a ser
novidade. Mas os dados de duas regiões do país – Amapá e
Distrito Federal – quebram a “tradição”.
A diferença entre os salários, nos dois estados, é mínima – 2,7%
e 1,3% – e a favor das mulheres. Mais do que exceções,
os números apresentam os que os especialistas acreditam ser
uma tendência: em poucos anos, homens e mulheres terão
salários semelhantes.
O próprio ministério
destaca, na apresentação dos números, que embora
pareça um fato pequeno, é importante destacar a “singularidade
da mudança”, uma vez que na última pesquisa, do ano
2000, não havia nenhuma região onde a remuneração
feminina fosse equivalente ou superior à masculina.
“Ano a ano os números
estão se aproximando. Não vai demorar para chegarmos a
um equilíbrio”, diz a professora da disciplina de Estratégia
de Remuneração da UniFae, Maria Alice Claro. “Não
tem mesmo que haver diferença.” O coordenador do Grupo de
Profissionais de Remuneração (GPR) do Paraná, Ubaldo
Paolini Júnior, vai ainda mais longe. Para ele, essa tendência
já se observa em muitas empresas do Sul e de São Paulo. “Dependendo
do segmento de atuação, as mulheres já superam os
homens. Em menos de uma década, esse equilíbrio vai acontecer
de forma mais geral.”
Para ambos, as mudanças
favoráveis às mulheres estão ocorrendo porque, primeiro,
elas estão se preparando melhor para o mercado de trabalho. Além
disso, eles acreditam que as próprias empresas hoje reconhecem
características tipicamente femininas que lhe trazem vantagens
competitivas.
“As mulheres têm
resiliência mais acentuada”, diz a professora da UniFae,
usando como referência o termo da Física que define a capacidade
dos materiais de resistir ao choque. “Os homens, em geral, têm
menos capacidade de se ‘esticar’ e desistem mais fácil.
As mulheres vêm ganhando espaço no mercado e isso afeta
no salário.”
Para Paolini Júnior, a
mulher é mais organizada e se sai melhor em questões de
planejamento. Além disso, o coordenador do GPR acredita que elas
são menos acomodadas e, por isso, estão se qualificando
mais e buscando aperfeiçoamento. “As mulheres estão
se preparando mais. E a escolaridade sempre explica muito bem as questões
salariais”, diz o coordenador de pesquisa do Grupo Catho, Mário
Fagundes. De acordo com os estudos da Catho, o porcentual de mulheres
graduadas é maior que o de homens. Em termos de pós-graduação
e mestrado, os números são equilibrados.
A diferença atual, diz
Fagundes, não é uma questão de preconceito, e sim
de qualificação. “Elas estão buscando essa
preparação. O nível de escolaridade tem crescido.
Isso vai fazer com que elas também cheguem a níveis hierárquicos
mais altos.” Fagundes, no entanto, vê o equilíbrio
ainda bem distante. Segundo as pesquisas da empresa, a diferença,
em alguns casos, ultrapassa os 30%. “A mulher ainda ganha menos.
E isso é indiscutível.”
A diferença se explica,
em partes, porque há uma maior concentração de mulheres
trabalhando em atividades que, em geral, paga-se menos. É o caso,
por exemplo, dos setores de saúde e educação. Além
disso, segundo o coordenador, elas estão concentradas em níveis
hierárquicos mais baixos e em empresas de menor porte, que, normalmente,
pagam menos e têm maior diferença salarial entre os sexos.
Segundo a pesquisa salarial do Grupo Catho, em empresas com faturamento
até R$ 15 milhões, por exemplo, a remuneração
média da mulher é de R$ 1.651, enquanto a dos homens é de
R$ 2.671.
Em relação
ao nível hierárquico, o estudo mostra que apenas 8% das
mulheres ocupam o maior nível salarial da empresa. E, mesmo
quando estão lá, a remuneração é distinta.
O salário médio de um presidente do sexo masculino é de
R$ 28.211, enquanto o de uma mulher no mesmo posto cai para R$ 26,5
mil.

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PORTAL EXAME, 06 de fevereiro
de 2008
Construção civil na Argentina
cresceu 6,4% em 2007
O setor da construção
civil na Argentina, que registra um pujante crescimento desde 2003
- ano em que a recessão de meia década foi encerrada
- teve no ano passado um desempenho menos exuberante do que nos anos
anteriores. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e
Censos (Indec), a construção civil no país cresceu
6,4% em 2007, porcentual inferior ao registrado em 2006, quando alcançou
um avanço de 15,7%.
Segundo o Indec, em dezembro
a construção civil argentina teve um crescimento de 10,6%,
o que representa uma queda de 0,3% em relação a novembro.
Os analistas acreditam que o setor está começando a exibir
sinais da desaceleração econômica.
2008
A pesquisa do Indec também
sustenta que 61,2% dos empresários dedicados à obra pública
estimam que em 2008 o nível de atividade permanecerá sem
mudanças. Para outros 28,6% dos empresários entrevistados,
a construção terá um aumento este ano. Somente 10,2%,
mais pessimistas, vislumbram um cenário de queda de produção.
No setor de obras privadas,
64,9% dos empresários afirmam que no primeiro trimestre de 2008
prevêem estabilidade na atividade. Outros 24,3% acreditam que
o setor aumentará sua produção. Mas, 10,8% acreditam
que o setor passará por uma queda da atividade.
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CONSULTOR JURÍDICO,
06 de fevereiro de 2008
Pagamento de dívida
Projeto prevê penhorabilidade
de um terço do salário
Na contramão do que tem decidido a Justiça, nos últimos
anos, o Projeto de Lei 2.139/07, do deputado Marcelo Guimarães Filho
(PMDB-BA), prevê a penhorabilidade dos salários. Se aprovado,
será penhorável até um terço dos vencimentos, subsídios,
soldos, salários, remunerações, proventos de aposentadoria,
pensões, pecúlios e demais quantias recebidas por devedores para
garantir o pagamento aos credores. O projeto altera o Código de Processo
Civil (Lei 5.869/73). A informação é da Agência
Câmara.
De acordo com o autor da proposta,
a impenhorabilidade da integralidade dos vencimentos "tem sido motivo
de deliberada inadimplência de obrigações contraídas
de forma legítima, em detrimento da boa-fé do credor".
O deputado destaca que, em muitos casos, o credor não tem outro
meio de receber seu crédito senão pela penhora de parte
dessa verba.
“É inconcebível
que, a pretexto de se tratar de salário, vencimentos ou subsídios,
o devedor possa, na falta de outro bem passível de penhora, esquivar-se
do pagamento de obrigações deliberadamente contraídas
em seu proveito”, diz o parlamentar.
Marcelo Guimarães Filho
ressalta, ainda, que milhares de processos de execução
judicial estão paralisados em todo o país pela impossibilidade
de indicação de outros bens à penhora. Para ele,
alguns devedores, inclusive, enriquecem ilicitamente à custa do
prejuízo alheio.
O projeto será analisado
em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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CONSULTOR JURÍDICO,
06 de fevereiro de 2008
Terra por direitos
PEC pune trabalho escravo com expropriação
de terras
A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) que determina a expropriação de terras onde foi constatada
exploração de trabalhadores em condições semelhantes às
de escravidão deve contribuir para a redução desse tipo
de crime no país. A avaliação é do Grupo Especial
de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho
Segundo o coordenador do grupo,
Marcelo Campos, o governo vai se mobilizar para conseguir a aprovação
da proposta ainda neste ano. Ele acusa a bancada ruralista de fazer lobby
no Congresso para retardar e impedir a aprovação da PEC.
“A questão do trabalho
escravo é uma questão de maximizar lucros. Vai ser preferível
para os fazendeiros pagar os direitos do que perder a terra. É uma
questão de lógica”, declarou. A proposta já foi
aprovada no Senado e em primeiro turno na Câmara dos Deputados.
Contra mão-de-obra escrava
Além de aprovar a PEC,
o governo pretende intensificar operações de combate à mão-de-obra
escrava. No ano passado, o Grupo Especial de Fiscalização
Móvel teve recorde de operações desde 1995. Foram
114 operações de combate ao trabalho escravo que culminaram
na libertação de 5.963 trabalhadores. Para o coordenador,
os números positivos são resultados do Plano Nacional de
Erradicação do Trabalho Escravo, lançado em 2003.
Segundo Campos, foram encontrados
trabalhadores em total informalidade na contratação e com
todos os direitos trabalhistas negados, sem condições de
saúde e de segurança. “Normalmente, estão
em pior condição que os animais criados pelos fazendeiros.
O boi é muito mais bem tratado que o trabalhador”, disse.
Segundo informações
do governo, quando os trabalhadores são encontrados em condições
semelhantes às de escravidão, eles são retirados
do local e inseridos no benefício do seguro-desemprego. Os empregadores
são obrigados a pagar todos os direitos trabalhistas.
PEC 438/01
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