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CONGRESSO EM FOCO, 07 de
fevereiro de 2008
Oposição quer derrubar
veto de Lula à Emenda 3
Proposta vetada pelo presidente sob o argumento
de que prejudicaria as relações trabalhistas pode ser
derrubada pelo Congresso
Lúcio Lambranho e Eduardo
Militão
Uma dor de cabeça antiga
para o governo e lideranças trabalhistas pode voltar ainda maior
no início dos trabalhos legislativos. Eleita pela oposição
como prioridade número um entre os vetos presidenciais, a análise
da chamada Emenda 3 vai reacender embates do ano passado entre defensores
dos empresários e dos sindicalistas no Congresso.
O assunto será incluído,
segundo líderes oposicionistas, na pauta da reunião da
próxima terça-feira (12) com o presidente do Congresso,
senador Garibaldi Alves (PMDB-RN). Em seu pacote de propostas para melhorar
a imagem do Legislativo, o senador potiguar defende a votação
dos mais de 800 vetos presidenciais engavetados na Casa.
E, pegando carona na plataforma
eleitoral, mesmo sem o aval de Garibaldi, que pretende votar apenas matérias
de consenso, os oposicionistas não abrem mão de testar
a capacidade do governo sobre o tema logo na primeira sessão conjunta
do Congresso, ainda sem data definida.
Com o veto do presidente Lula,
publicado em 19 de março de 2007, caiu a tentativa de parlamentares
oposicionistas de proibir os auditores fiscais da Receita Federal de
multar ou até mesmo fechar empresas que mantêm trabalhadores
com vínculo empregatício sem registro em carteira, recebendo
remuneração por meio de empresas prestadoras de serviço – os
chamados PJs, ou pessoas jurídicas.
A Emenda 3 repassava para a Justiça
do Trabalho a definição de vínculo empregatício.
Na prática, profissionais liberais poderiam atuar como pessoas
jurídicas em vez de terem contrato de trabalho e direitos previstos
na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
Base dividida
No gabinete de Garibaldi, a entrada
da Emenda 3 na pauta dos vetos é vista com extremo cuidado. O
senador do Rio Grande do Norte quer manter o veto porque acredita que
a medida pode fragilizar as relações trabalhistas. Também
pesa a avaliação de que as chances de o governo ser derrotado
são altas, considerando-se que existem senadores e deputados da
base aliada favoráveis à emenda.
O caso mais emblemático é o
do senador e ex-ministro do Trabalho Francisco Dorneles (PP-RJ), que
defendeu a emenda no ano passado. “Se a emenda for vetada, teremos
as maiores dificuldades de trabalho para milhares de profissionais liberais,
que hoje são obrigados a se organizarem em empresa para prestar
serviços a várias outras. Não existe relação
de trabalho quando a sua empresa presta serviço a várias
outras”, afirmou o senador, em nota publicada em sua página
na internet.
O Congresso em Foco procurou
ontem (6) o senador fluminense para saber se ele mudou de opinião
sobre o tema, mas não teve retorno dos pedidos de entrevista.
A matéria, segundo apurou o site, também não está na
lista dos 50 primeiros vetos que Garibaldi pretende apresentar aos líderes
partidários do Senado na reunião da próxima terça-feira.
A prioridade é colocar em votação projetos que tiraram
a autonomia do Legislativo.
De acordo com assessores, duas
são as prioridades do presidente do Senado. A primeira é a
análise do veto 18/2006, que restringiu o poder do Congresso sobre
a Lei de Gestão de Gestão de Florestas Públicas.
O presidente Lula vetou a possibilidade de o Legislativo criar áreas
acima de 2,5 mil hectares e de definir os diretores dessas unidades de
conservação.
A segundo é o veto 117/2005,
que tirou dos parlamentares o poder de destituir do cargo os diretores
da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Os dois
temas, segundo assessores de Garibaldi, tiveram debates recentes, e por
isso, teriam mais chances de serem tratados por consenso entre governo
e oposição.
Prostituição do presidencialismo
O líder do DEM no Senado,
José Agripino Maia (RN), não abre mão de incluir
a análise da Emenda 3 entre os mais de 800 vetos presidenciais
que estão sendo selecionados pelos assessores da presidência
do Senado para serem apreciados. A análise dessa matéria,
segundo Agripino, é mais importante que os vetos de Lula às
fontes de financiamento da Superintendência de Desenvolvimento
da Amazônia (Sudam) e da Superintendência de Desenvolvimento
do Nordeste (Sudene), prioridade para as bancadas das duas regiões.
"A derruba do veto é a
chance dos prestadores de serviços deixarem de ser sobretaxados
pelo governo. Essas empresas individuais podem até criar novos
empregos", argumenta o líder do DEM.
Para o líder do PSDB,
senador Arthur Virgílio (AM), a apreciação dos vetos
presidenciais – não só da Emenda 3 – é fundamental.
Ele julga que deixar esse assunto de lado é um erro histórico
de todos os presidentes, uma falha que, segundo ele, leva o Executivo
se sobrepor ao Legislativo.
“Nenhum presidente gosta
de ver seus vetos apreciados. Isso faz parte de uma prostituição
do presidencialismo no país”, critica. “Os vetos se
acumulam e o Congresso perde valor.”
Virgílio acredita que
o veto à Emenda 3 será derrubado, mas com dificuldade.
O tucano entende que a emenda – do ex-senador Ney Suassuna (PMDB-PB) – é benéfica
para o setor produtivo. Além disso, argumenta, a manutenção
do veto significaria chancelar a “intromissão” do
governo sobre o Legislativo.
“Reflete o desejo de investir
sobre os direitos e as faculdades da iniciativa privada e a vontade do
governo Lula de controlar a sociedade. Ele quer fazer um big brother”,
disparou o senador da oposição.
Apesar da chiadeira de sindicatos,
magistrados, advogados, promotores e procuradores do Trabalho, o parlamentar
diz não considerar a Emenda 3 “uma fraude trabalhista”,
como alegam os críticos da proposta.
“A minha opinião
ou a opinião do Ministério Público não tem
importância. O importante é o Congresso deliberar. Fraude é o
cartão corporativo”, ironizou Virgílio, ao citar
o escândalo do uso dos cartões pelo primeiro escalão
do governo federal.
Fiscalização extinta
No ano passado, 25 entidades
ligadas aos sindicatos, ao Poder Judiciário e ao Ministério
Público lançaram um manifesto a favor da manutenção
do veto que eliminou a Emenda 3, introduzida pelos senadores. As organizações
alegam que proibir a fiscalização da Receita Federal do
Brasil sobre empresas até que o Judiciário se manifeste
fere a separação dos poderes.
Mais grave, julgam as entidades, é que
a emenda oculta o vínculo trabalhista para retirar direitos dos
funcionários, “fugindo, assim, dos direitos trabalhistas
e encargos sociais, o que é, reconhecidamente, fraude”. “A
fiscalização do trabalho será, duramente, afetada – se
não extinta –, podendo ser impedida por qualquer simulacro
de ato jurídico”, completa.
Para um procurador do Trabalho
ouvido pelo Congresso em Foco, os fiscais têm total autonomia para
multar empresas que julgarem ferir a legislação trabalhista.
Se não concordarem com a autuação, essas empresas
podem recorrer ao Judiciário. “É assim há décadas.
Por que só agora querem mudar?”, ironiza ele, que atuou
numa força-tarefa para combater fraudes no serviço público.
O procurador, que pediu para não ser identificado, condena a proibição
de autuação pelos fiscais. “No momento em que as
forças de precarização do trabalho estão
mais fortes, é uma arma a menos que nós teríamos”,
afirma o procurador.
“Fogo no país”
Enquanto a oposição
ainda articula a derrubada do veto à Emenda 3, os sindicalistas
já trabalham para que o tema nem seja lembrado nas primeiras sessões
do Congresso. O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho
da Força, disse ao site que já foi agendada uma reunião
com o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) para tratar do assunto.
O encontro, segundo o presidente
da Força Sindical, foi marcado pelo secretário-geral da
Presidência, Luiz Dulci, responsável pela articulação
do Planalto com os movimentos sociais, numa demonstração
da disposição do governo em sepultar o tema em definitivo. "Vamos
explicar para o senador Garilbadi os riscos de se colocar em votação
a derrubada desse veto", diz o parlamentar do PDT.
"Se o Congresso derrubar
o veto, pode ser criada uma guerra trabalhista. Vamos ter que pegar deputado
a tapa na rua", reagiu o pré-candidato à prefeitura
de São Paulo.
Segundo o deputado, os
trabalhadores já estão conscientes do que representa
a Emenda 3 para os direitos trabalhistas e prevê uma “convulsão
nacional” caso a oposição consiga derrubar o veto
do presidente Lula. "Estamos prevendo greves e, se houver derrubada,
isso vai tocar fogo no país", avalia Paulinho, representante
das centrais sindicais no Congresso.
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AGÊNCIA DIAP, 07 de
fevereiro de 2008
MUNDO DO TRABALHO
Países de língua portuguesa
debatem a valorização do trabalho
Com o objetivo de promover debates
sobre temas relacionados ao desenvolvimento e valorização
do trabalho, a 8a. Reunião de Ministros de Trabalho e dos
Assuntos Sociais da Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa (CPLP), acontecerá de 9 a 13 de fevereiro em Dili,
capital do Timor-Leste.
Novamenmte o Brasil estará presente
no evento, desta vez com os representantes do Ministério do Trabalho
e Emprego, o secretário executivo, André Figueiredo, e
do chefe da Assessoria Internacional do MTE, Pedro Amaral.
O encontro será precedido
por uma semana de conferências, em que especialistas dos países
membros debaterão os temas "Sistemas de Segurança
Social" e "Trabalho Decente e Desenvolvimento". No dia
11 de fevereiro, André Figueiredo fará uma intervenção
em que irá expor os avanços obtidos no combate à informalidade
e abordará as experiências do Brasil na inserção
dos jovens no mercado de trabalho.
Acordos
O secretário irá confirmar
o interesse, por parte do Ministério, em estabelecer acordos de
cooperação técnica com os países-membros. "A
cooperação no âmbito da Comunidade fortalece nossa
capacidade de trabalhar em conjunto em outros foros, como a Assembléia-Geral
das Nações Unidas, a Organização Mundial
do Comércio e a Organização Internacional do Trabalho.
Vale destacar que as delegações
participantes do evento visitarão diversos centros de formação
profissional, inclusive o Centro de Formação Profissional
e Desenvolvimento Empresarial de Becorab, mantido pelo governo brasileiro
em parceria com o Senai que é responsável pela capacitação
de mão-de-obra nas áreas de construção civil,
marcenaria, costura industrial, hidráulica, eletricidade, panificação
e informática.
Ao fim do encontro será elaborado
e assinado a Declaração de Dili, documento que conterá as
principais decisões e assuntos abordados durante o encontro.
Formação
Com um forte apoio do governo
brasileiro, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
foi formada em 1996, sendo que as reuniões de Ministros do Trabalho
e assuntos Sociais tiveram início no ano de 2000, com o encontro
de Lisboa.
Atualmente Angola, Brasil, Cabo
Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e
Príncipe, Timor-Leste e Portugal integram o bloco. Importante
lembrar que em 2001 o Rio de Janeiro sediou a segunda Reunião
da CPLP e, na ocasião, os temas enfocados foram: Combate ao Trabalho
Infantil; O impacto do HIV/Sida no mundo do trabalho; medidas para aumentar
a cobertura previdenciária dos trabalhadores e segurança
e saúde no trabalho.
Em referência a este último
ponto, os ministros dos oitos países-membros enfatizaram a necessidade
de cooperação multilateral, de intercâmbio de informações
e de formação técnica. (André Santos, com
MTE)
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ESTADÃO.COM/ SÃO PAULO, 07 de
fevereiro de 2008 | Economia
BNDES: investimento estrangeiro no
País subiu 84%
JACQUELINE FARID - Agencia Estado
RIO - O Brasil registrou um aumento de 84,3% no Investimento Estrangeiro Direto
(IED) em 2007 ante 2006, segundo a última Sinopse Internacional do Banco
Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgada hoje,
com base em estimativas preliminares da Conferência das Nações
Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). O fluxo total de recursos
que entraram no País no ano passado foi de US$ 35 bilhões, o
que representa 2% do total do IED mundial. A participação brasileira
no IED no ano passado foi menor do que a China (4%) e Hong Kong (4%) e similar à de
Cingapura e México.
No geral, os países em desenvolvimento registraram um aumento de 15,7%
no IED em 2007 em relação ao ano anterior, segundo a Sinopse
do BNDES. No caso dos países desenvolvidos, o aumento no período
foi de 16,8%.
De acordo com o estudo, o montante de IED no mundo atingiu US$ 1,5 trilhão
em 2007, superando o recorde anterior, de US$ 1,4 trilhão apurados em
2000. Do total do IED em 2007, os países em desenvolvimento receberam
29% e os países desenvolvidos ficaram com 65%. As chamadas "economias
em transição" ficaram com 6%.
Fusões e aquisições
Ainda de acordo com a Sinopse, "seguindo a tendência dos últimos
anos", a maior parte do IED no mundo em 2006 (segundo dados definitivos
já divulgados pela UNCTAD), ou 67% do total, destinaram-se aos processos
de fusões e aquisições de empresas. A principal operação
mundial em 2006 foi a compra da Arcelor pela Mittal Steel, que atingiu o montante
de US$ 32 bilhões.
A compra da Inco pela Vale foi a quinta maior operação mundial,
totalizando US$ 17 bilhões. No que diz respeito exclusivamente aos países
em desenvolvimento, essa foi a principal operação realizada em
2006.
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O ESTADO DO PARANÁ,
07 de fevereiro de 2008 | Nacional
Fim do voto secreto no Legislativo
está entre matérias a serem votadas
Agência Brasil
A Câmara e o Senado começam o ano legislativo com vários
projetos importantes para serem votados, dentre os quais duas Propostas de
Emenda à Constituição: a que fixa o número de vereadores
de acordo com a arrecadação dos municípios, e a que acaba
com as votações secretas nos Legislativos federal, estaduais
e municipais.
Outras matérias nas quais
senadores e deputados terão que prender a atenção
são as propostas que tratam da mudança no Trâmite
de Medidas Provisórias no Congresso. O presidente da Câmara
dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que a instalação
da comissão especial que analisará as propostas é prioridade
da Casa. Também será analisado este ano o Projeto de Decreto
Legislativo 129/07 (PDC-129/07), que trata da mudança da maioridade
penal. De autoria do deputado Manato (PDT-ES), o projeto autoriza a realização
de um plebiscito para diminuir a maioridade penal - com sugestão
de três idades 14, 15 e 16 anos - ou mantê-la como atualmente,
em 18 anos. A matéria está na comissão de Segurança
Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara.
Outra matéria a ser discutida é o Projeto de Lei Complementar
92/07, que regulamenta as áreas de atuação das fundações
estatais. Segundo o projeto, as fundações poderão atuar
nas áreas de saúde, assistência social, cultura entre outras.
A matéria está em discussão na comissão de Trabalho,
de Administração e Serviço Público desde o dia
17 de julho do ano passado.
Também serão analisadas
a PEC que acaba com o nepotismo no serviço público (contratação
de parentes), a que autoriza o divórcio após um ano de
separação de fato ou de direito, a que institui o Fundo
de Revitalização Hidroambiental e o Desenvolvimento Sustentável
da Bacia do Rio São Francisco e a que dispõe sobre a Defensoria
Pública.
O projeto que disciplina as Centrais
Sindicais e a votação do acordo internacional firmado pelos
países que integram o bloco econômico do Mercosul com a
Venezuela também deverão estar em pauta.
Outro projeto que desde o fim
do ano passado já está causando polênica nas duas
casas é a Medida Provisória que cria a Empresa que terá como
um de seus objetivos produzir e difundir para a população
programação informativa, educativa, cultural, científica
e de recreação. O Democratas já entrou com uma ação
no Supremo Tribunal Federal questionando a urgência em se editar
uma medida para criar a nova TV.
Outras duas matérias
que vão prender a atenção dos parlamentares são
a proposta de reforma tributária, a ser enviada pelo governo
ao Congresso Nacional até o fim de fevereiro, e a discussão
e votação do Orçamento-Geral da União para
2008.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
07 de fevereiro de 2008
Senado divulgará na Internet
gastos de parlamentares com verba indenizatória
Agência Brasil
Em meio às discussões
sobre a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar
de Inquérito) dos Cartões Corporativos e da divulgação
na internet dos gastos do governo com esses cartões, o Senado
começará a divulgar na sua página eletrônica
os gastos dos senadores com a verba indenizatória.
A idéia é que em
três semanas os dados já estejam disponíveis ao público.
Na próxima segunda-feira (11/1), funcionários de gabinetes
começarão treinamento para a inclusão dos dados
no sistema.
O diretor-geral do Senado, Agaciel
Maia, não quis comentar se a divulgação dos dados
daria mais credibilidade aos senadores para investigar os gastos do governo
com os cartões. "Essa é uma decisão política
e eu não sou político", disse. Ele explicou que a
divulgação dos dados será nos moldes já usados
pela Câmara dos Deputados: a divulgação dos números
e não das notas fiscais apresentadas.
"Os procedimentos e sistemáticas
são idênticos aos da Câmara. Os senadores primeiro
apresentam a nota para depois serem ressarcidos do valor", disse
Agaciel.
A verba indenizatória
de R$ 15 mil foi criada para que o deputado ou senador possa arcar com
as despesas ligadas à atividade parlamentar, como transporte e
aluguel de escritório no Estado. O novo sistema não será retroativo
e irá divulgar os gastos dos senadores apenas a partir de fevereiro.
O corregedor-geral da Casa,
Romeu Tuma (PTB-SP), disse que dependendo dos dados divulgados e se
a Mesa Diretora do Senado decidir, poderá até investigar
senadores que fizerem mau uso da verba. "Se houver suspeitas,
a Mesa vai decidir se encaminha ou não para a corregedoria",
afirmou.
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ÂMBITO JURÍDICO,
07 de fevereiro de 2008
Montadora indeniza por doença
profissional
Comprovado que as doenças adquiridas pelo trabalhador agravaram-se com
elevado grau de causalidade em razão do trabalho desenvolvido na empregadora,
cujas condições oferecidas eram antiergonômicas, está configurado
o dever de indenizar.
Com esse entendimento, a 11ª Câmara
Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais condenou uma
empresa montadora de automóveis a indenizar um ex-funcionário,
por danos morais e estéticos. O valor da indenização
foi fixado em R$ 15 mil, por maioria de votos. A empresa deverá pagar
ainda uma pensão mensal até que o ex-funcionário
complete 65 anos, em valor que deverá ser fixado quando da liquidação
da sentença.
O funcionário trabalhava
na montadora, exercendo a função de almoxarife. No dia
5 de outubro de 1998, teve sua carteira baixada e já no dia seguinte
foi contratado por uma empresa de logística para continuar prestando
seus serviços no mesmo setor da montadora, até ser demitido
por justa causa em 5 de setembro do ano 2000.
Após a demissão,
um médico confirmou sua incapacidade para o trabalho e ele foi
afastado pelo INSS, pois já vinha sofrendo fortes dores de coluna
desde 1992. Na ação ajuizada contra a montadora e a empresa
de logística, ele afirmou que trabalhava em posição
desfavorável e que por isso adquiriu uma doença denominada
Radiculopatia Cervical e Lombar.
A montadora e a empresa de logística
tentaram se eximir da responsabilidade: a primeira alegando que o funcionário
saiu apto para o trabalho; a segunda, que a doença foi adquirida
antes da admissão. Afirmaram ainda que nos autos não havia
provas de que o INSS pagasse a ele benefícios por invalidez.
A empresa de logística
destacou que o próprio aposentado confessou ter adquirido a doença
enquanto trabalhava na primeira empresa. A montadora, por sua vez, afirmou
que sempre foi cuidadosa com a qualidade das condições
de trabalho de seus empregados.
A sentença de Primeira
Instância condenou apenas a montadora ao pagamento de indenização,
no valor de R$ 5.200, além da pensão mensal. Inconformada,
ela recorreu pedindo a reforma. O aposentado também interpôs
recurso, pedindo a majoração da indenização.
Os desembargadores Afrânio Vilela (relator) e Marcelo Rodrigues
acataram apenas o pedido do aposentado, aumentando a indenização
para R$ 15 mil, ficando parcialmente vencido o desembargador Duarte de
Paula, que a havia elevado para R$ 30 mil.
Os magistrados entenderam que
foi comprovada a culpa da empresa, porque as patologias adquiridas pelo
aposentado foram agravadas pela conduta da empresa montadora e que a
doença que impõe limitações ao trabalhador
causa mais sofrimento que uma deformidade física.
Processo: 2.0000.00.518220-7/000
Fonte: TJMG
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FOLHA
DE LONDRINA, 07 de fevereiro de 2008 | Geral
Atraso no pagamento do INSS prejudica 300
mil aposentados
Associação Nacional de Defesa do
Consumidor orienta a fazer pagamento das contas mesmo com multas e recorrer
ao Juizado Especial Cível Federal
Curitiba- Os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) vão receber os benefícios neste mês mais tarde
em função do Carnaval. Quem tem cartão de pagamento
com final cinco e zero terá o dinheiro na conta só no dia
12 de fevereiro, quase na metade do mês. A estimativa do Sindicato
Nacional dos Aposentados é que cerca de 300 mil aposentados e pensionistas
sejam prejudicados com o atraso no pagamento. A orientação
da Associação Nacional de Defesa do Consumidor (Pro Teste) é que
as pessoas paguem as contas mesmo com multas mas, em seguida, recorram
ao Juizado Especial Cível Federal para reaver estes valores.
A coordenadora institucional
da Pro Teste e advogada, Maria Inês Dolci, disse que quando os
dias de pagamento dos aposentados acontecem em feriados teriam que
ser mudados. ''Considero isso um grande desrespeito. As pessoas têm
compromissos e multas se não pagam em dia. As contas não
esperam'', destacou. Ela lembrou que só o INSS tem esta regra
de pagamento. Pela Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT), o sábado, segunda-feira de Carnaval e a Quarta-feira
de Cinzas são considerados dias úteis. A terça-feira
de Carnaval é ponto facultativo.
A advogada informa que só o
INSS tem essa regra que é ''extremamente prejudicial ao consumidor''.
''As mudanças começam a acontecer a partir do momento
que o consumidor começa a reclamar'', destaca.
''O calendário deste
mês é uma barbaridade'', disse o vice-presidente do Sindicato
Nacional dos Aposentados, Paulo José Zanetti. De acordo com
ele, os aposentados terão que pagar as multas decorrentes do
atraso nas contas.
O INSS alegou que para evitar
o acúmulo de pessoas nos bancos, a MP número 404 de 12
de dezembro, estabeleceu que serão considerados dias úteis
apenas aqueles nos quais o expediente bancário for realizado
com horário normal de atendimento.
O INSS vai retormar hoje os
pagamentos que prosseguirão até o dia 12 de fevereiro.
Hoje, é a vez dos pagamentos dos aposentados e pensionistas
do INSS que recebem mais de um salário mínimo e têm
cartão de pagamento com finais dois e sete. Também retornam
hoje os pagamentos aos beneficiários que recebem valor inferior
ou igual ao salário mínimo, mas com número do
cartão de pagamento com final sete, desconsiderando-se o dígito.
O trabalho prossegue amanhã,
com o pagamento para quem recebe mais de um salário mínimo
e tem cartão de pagamento com finais três e oito. Na segunda-feira
da próxima semana, serão pagos os finais quatro e nove,
para valores acima de um mínimo. Já na terça-feira,
acontecerá o pagamento para os que têm finais cinco e
zero, também acima de R$ 380,00.
Para os que recebem até um
salário mínimo, amanhã será o pagamento
dos que possuem cartão com final oito. A partir de segunda-feira,
serão pagos os cartões com final nove e, na terça,
os com final zero, para benefícios até R$ 380,00. Neste
mês, serão pagos 25.184.196 de benefícios, o equivalente
a R$ 13,548 bilhões.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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FOLHA DE LONDRINA, 07 de
fevereiro de 2008 | Economia
Déficit comercial do setor
têxtil cresce 1.996%
São Paulo - A cadeia de produção do setor têxtil
encerrou o ano passado com um déficit de US$ 639,5 milhões em
sua balança comercial, resultado 1.996% superior ao saldo negativo de
US$ 30,5 milhões registrado em 2006. Os dados foram divulgados pelo
Sindivest/Sindiroupas, sindicatos que representam as indústrias de vestuário
e de roupas masculinas do Estado de São Paulo. Os dados são do
estudo do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI). Em relação
a 2005, o setor havia contabilizado superávit de US$ 706,3 milhões.
O aumento do déficit foi
influenciado pelo crescimento de 40,5% das importações,
para US$ 3,019 bilhões. ''Estamos perdendo a guerra para os importados
chineses'', diz o presidente do Sindivest/Sindiroupas, Ronald Masijah.
''Não dá para competir com a produção em
escala da China'', alega.
As compras externas avançaram
nos três segmentos: têxteis (49,7%, para US$ 1,586 bilhão),
confeccionados (45,4%, para US$ 588,7 milhões) e fibras e filamentos
(23,3%, para US$ 843,8 milhões).
As exportações
cresceram 12,3%, encerrando 2007 em US$ 2,379 bilhões. O segmento
de fibras e filamentos obteve o melhor resultado entre os produtos destinados
ao mercado externo, com crescimento de 36,2%, ante 2006, e US$ 738,7
milhões em vendas. Os produtos têxteis (fios fiados, linhas
de costura, tecidos planos, tecidos de malha e especialidades) avançaram
6,5%, para US$ 993,6 milhões. Já as exportações
de confeccionados cresceram apenas 0,6%, totalizando US$ 647 milhões.
Para 2008, Masijah prevê crescimento
do déficit. ''Será um ano muito difícil para o setor
têxtil-vestuário, por conta da forte entrada de produtos
acabados de países asiáticos, como a China'', explica.
Segundo ele, os chineses produzem em altíssima escala, com tecidos
de qualidade superior aos nacionais e com preços muito baixos.
''Lá a carga tributária não chega a 10% do valor
da peça, contra os 42% de impostos nas nossas roupas.''
Rodrigo Petry
Agência Estado
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VERMELHO,
07 de fevereiro de 2008 | Geral
Altamiro Borges: ''FHC, Lula e a regressão
tributária''
O sistema tributário brasileiro é um
retrato da tragédia social que dilacera o país há mais
de 500 anos. Devido ao histórico desequilíbrio das forças
políticas, ele sempre foi usado como perverso mecanismo de concentração
de riqueza e renda. Mas no reinado neoliberal de FHC este quadro só se
agravou. A única forma de se redimir do fiasco do passado é o
governo não incorrer novamente no erro de tratar esta reforma
como algo puramente técnico, avesso à luta de classes.
por ALTAMIRO BORGES*
O sistema tributário
brasileiro é um retrato da tragédia social que dilacera
o país há mais de 500 anos. Devido ao histórico
desequilíbrio das forças políticas, ele sempre
foi usado como perverso mecanismo de concentração de
riqueza e renda. Mas no reinado neoliberal de FHC este quadro só se
agravou. As alterações na legislação tributária
criaram um ambiente ainda mais favorável aos rentistas e aos
oligopólios e, no outro extremo, elevaram a tributação
dos assalariados e das pequenas e médias empresas. Tamanha perversão
confirma uma antiga tese do tributarista Osíris Lopes, para
quem “o Brasil é o inferno tributário do trabalhador
e o paraíso fiscal do capital”.
Segundo estudo da Unafisco
(Sindicato Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal), entre
outros crimes, FHC desmontou a máquina fiscal; criou fortes
amarras burocráticas ao trabalho de fiscalização;
concedeu anistias fiscais às empresas; congelou a tabela de
desconto do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física e diminuiu
as deduções permitidas; aumentou a alíquota do
IR dos assalariados; e elevou os tributos indiretos. Devido ao cruel
aperto, entre 1990/98, a carga global média de tributação
sobre os rendimentos foi de 27,5%, superior à média de
24,8% nos anos 80.
Inferno do trabalhador
O trabalhador foi duplamente
penalizado: com o aumento do desconto na fonte (imposto direto) e com
a ação regressiva dos tributos sobre o consumo (indiretos).
De 1995 a 2001, a taxação na fonte cresceu, em termos
reais, em 27%. “Enquanto isso, impostos sobre os lucros das empresas
e o patrimônio rural, cobrados dos mais abastados, tiveram queda
real”, critica o livrete Justiça fiscal e social para
reconstruir o Brasil, elaborado pelo Fórum Brasil Cidadão.
A elevação do imposto direto sobre o trabalho deu-se
através do aumento das alíquotas e do congelamento da
tabela do IR, que confiscou mais de R$ 15 bilhões dos trabalhadores
no período de 1996-2002.
Já na tributação
sobre consumo, trabalhador e empresário pagam a mesma quantia.
Ao tomar o café da manhã, por exemplo, o desempregado
paga 14,7% de impostos; o mesmo valor pago pelo banqueiro. Ao ir ao
banheiro, o descamisado desembolsa 36,49% sobre o papel higiênico;
o mesmo valor gasto pelo milionário. A tributação
regressiva cria várias distorções. Além
de taxar injustamente os que ganham menos, ela encarece o produto,
restringe o consumo interno e inibe a produção, reduzindo
a oferta de empregos e prejudicando o crescimento econômico.
Paraíso dos capitalistas
Enquanto os mais necessitados
foram penalizados, os ricaços foram amplamente beneficiados
no reinado de FHC. Desde 1995, o governo alterou a legislação
tributária através de leis ordinárias, decretos
e medidas provisórias com o objetivo de elevar a arrecadação
para atender os credores e de beneficiar as corporações
empresariais. Entre as medidas, vale relembrar as mais aberrantes:
- Privilégio
dos juros sobre o capital próprio. Através
da lei 9.249, de dezembro de 1995, as empresas passaram a ter a possibilidade
inédita de distribuir juros aos seus sócios ou acionistas.
Com isso, reduziram seus lucros tributáveis através
de uma despesa fictícia denominada de juros sobre capital
próprio. Sócios e acionistas que recebem esse rendimento,
geralmente de valores expressivos, pagam apenas 15% de IR. Essa renúncia
fiscal atingiu, em 2002, R$ 32 bilhões.
- Isenção
da distribuição de lucros e dividendos e da remessa
de lucros ao exterior. Desde 1996, rendimentos de pessoas
físicas provenientes dos lucros ou dividendos deixaram de
pagar Imposto de Renda, independentemente de serem residentes no
país ou no exterior. As remessas de lucro ao exterior ficaram
isentas. Essa renúncia fiscal retirou do fisco R$ 6,4 bilhões
em 2002.
- Redução
da progressividade do imposto de renda. FHC extinguiu a
alíquota de 35% para a pessoa física que ganha acima
de R$ 14 mil e de 15% do adicional do imposto de renda da pessoa
jurídica (Lei 9.250/95). Além disso, reduziu as alíquotas
do IR das pessoas jurídicas de 25 para 15%. Os maiores beneficiados
foram os bancos, que antes pagavam adicional de IR de 18%.
- Ganhos de capital,
renda fixa e renda variável. Enquanto a tributação
sobre o rendimento do capital era, em média, de 15%, a do
rendimento do trabalho era de 27,5%. A incidência exclusiva
na fonte significa que a pessoa paga o IR com alíquota fixa,
não se aplicando a tabela progressiva nem fazendo ajuste na
declaração. Esse tratamento reduziu o imposto do contribuinte
com rendas elevadas e onerou os de baixa renda. Essa renúncia
fiscal custou R$ 5,9 bilhões em 2002.
- Redução
do Imposto Territorial Rural. Em 1996, FHC alterou a lei
da tributação progressiva da propriedade em função
do uso da terra. Ele extinguiu o VTNm (Valor da Terra Nua Mínimo),
o que beneficiou o latifúndio improdutivo, reduzindo ainda
mais a pífia arrecadação no campo. Em 2002,
o ITR rendeu cerca de R$ 300 milhões, quando o seu potencial
era de R$ 1,8 bilhão.
- Imposto Sobre Serviços. O
governo tucano inviabilizou a cobrança do ISS dos bancos. Na
sua gestão, o sistema financeiro foi o que menos contribuiu,
proporcionalmente, aos cofres públicos. Durante a CPI dos Bancos,
o próprio Everardo Maciel, secretário da Receita Federal
de FHC, afirmou que “58% das instituições bancárias
não pagam nada, pois usam das brechas legais”.
Refúgios de sonegadores
Afora as regressões
legislativas, FHC ainda aliviou a vida dos sonegadores. Multas por
infrações fiscais foram reduzidas, equiparando-se, em
alguns casos, o sonegador ao inadimplente (lei 9430, de 1996). Antes,
as multas eram de 300%, nas fraudes e de 150% para os demais casos;
baixaram para 150% e 75%, respectivamente. Em caso do pagamento do
débito no prazo da autuação, elas caíam
para 75% e 37,5%. Já o aspecto criminal da sonegação
foi atenuado. Basta o sonegador pagar sua dívida para o crime
ser extinto. Bem diferente do rigor contra o ladrão de galinhas!
A Secretaria da Receita Federal
foi proibida de remeter ao Ministério Público os casos
de crimes fiscais até a conclusão do processo de autuação
na esfera administrativa, que leva de cinco a seis anos e, muitas vezes,
resulta na prescrição do delito. FHC ainda castrou o
papel da Procuradoria da Fazenda, órgão responsável
pela cobrança judicial de tributos não pagos. No final
de 2001, o montante de impostos devidos totalizava RS 150 bilhões.
A redução do número de procuradores, a falta de
quadros de apoio e a carência de modernas tecnologias tornaram
inviável a cobrança.
Os sonegadores ainda foram
beneficiados com a concessão de anistia fiscal e com a vigência
da Refis (Recuperação Fiscal de Contribuintes em Débito
com a Fazenda), que refinancia o débito em até 80 anos
e com taxas de juros favorecidas. Estas medidas tiveram como efeito
colateral o aumento do contrabando no Brasil. Em 1998, o faturamento
da traficância foi de US$ 20 bilhões. Cerca de 1,5 milhão
de empregos deixaram de ser gerados na indústria devido à concorrência
dos produtos contrabandeados e a perda de arrecadação
anual foi de cerca de US$ 9,6 bilhões.
Paraíso fiscal das máfias
A libertinagem fiscal imposta
por FHC também tornou o país um atrativo refúgio
de sonegadores do mundo inteiro. Apesar de a legislação
brasileira caracterizar como paraíso fiscal a nação “que
não tributa a renda ou que tributa com alíquota inferior
a 20%”, a tributação sobre capital no país é inferior
aos 20%. Baita ironia! Além disso, FHC afrouxou mecanismos,
como as contas CC-5, que permitem a entrada e saída de recursos
sem controle público. Ao beneficiar os sonegadores, tal medida
atraiu as máfias que controlam o tráfico de drogas, armas,
mulheres e crianças.
O livro “Brasil: Inferno
e paraíso fiscal” dá detalhes destas operações
ilícitas. Comprova que os paraísos fiscais são
o “toque de classe da globalização financeira” das
megacorporações. Estas fogem da taxação
no país de origem transferindo ilegalmente seus lucros para
estes territórios da pirataria. Neles contam com várias
facilidades, como a garantia de anonimato sobre o montante depositado,
impostos e taxas bancárias reduzidas e possibilidades de criar
e extinguir firmas fantasmas rapidamente. Tanto que estes paraísos
se tornam centros de lavagem de dinheiro.
Segundo denúncia na época
do procurador Luis Francisco de Souza, no reinado de FHC o país
se tornou “um dos maiores paraísos fiscais do planeta”.
A mesma opinião foi expressa pela francesa Marie Christine,
responsável na ONU pelo programa de combate ao crime organizado. “O
Brasil é um dos países do Terceiro Mundo mais tentadores
para lavagem de capitais extraídos do crime organizado no mundo”.
Entre 1992/98, dos R$ 124 bilhões que saíram do país
através das contas CC-5, mais de 50% provinham da sonegação
de impostos. Dos 90 ricaços que remeteram mais de R$ 20 milhões
ao exterior por meio desta conta, apenas 20 pagaram o IRPF em 1998.
O continuísmo de Lula
O presidente Lula, eleito no
final de 2002 com um programa de mudanças profundas – inclusive
na área tributária –, preferiu não mexer
neste vespeiro que afeta interesses tão poderosos. Entre as
tímidas medidas positivas, promoveu duas correções
da tabela do IRPF, atendendo a demanda do sindicalismo, o que aliviou
a carga tributária dos trabalhadores, mas não corrigiu
as distorções históricas. Houve ainda um esforço
maior de fiscalização, com a contratação
de novos servidores públicos, o que causa chiadeiras dos sonegadores.
Mas, infelizmente, o entulho liberalizante de FHC não foi removido
nem ocorreram avanços maiores nesta área tão estratégica.
Logo no início do seu
primeiro mandato, Lula ainda ensaiou bancar a sonhada reforma tributária,
aproveitando-se da legitimidade das urnas. Mas, diante da forte pressão,
ele optou pela “reforma possível”, segundo o então
ministro José Dirceu. A Proposta de Emenda Constitucional-42
foi enviada em abril de 2003 e teve rápida tramitação,
sendo promulgada em dezembro daquele ano. Idéias avançadas,
como a da tributação sobre grandes heranças e
da inclusão da alíquota de 35% para o IRPF, foram abandonadas.
O projeto se limitou a medidas para inibir a guerra fiscal entre os
estados, desonerar tributos da cesta básica e aperfeiçoar
o sistema de arrecadação. “Há muito barulho
para pouco resultado”, avaliaram, na época, os especialistas
em direito tributário.
Segundo a pesquisa “reforma
tributária do governo Lula: continuísmo e injustiça
fiscal”, escrita por Carlos Eduardo Carvalho e Alexandrine Brami,
a balanço da atual gestão é bem negativo. “A
reforma tributária do governo Lula, apresentada e aprovada em
2003, não rompeu o caráter regressivo da estrutura impositiva
e manteve os elementos essenciais da injustiça fiscal vigentes
no país... Ficaram esquecidos ou foram tratados com muita timidez
os objetivos da justiça fiscal-social, como o aumento da tributação
sobre as rendas mais altas e sobre o patrimônio, a redução
da tributação incidente sobre o consumo da maioria da
população e a desoneração da folha de salários.
A reforma rompeu com as propostas da esquerda e com as críticas
que o próprio PT fez às medidas do governo FHC na área
ao longo de seus dois mandatos”.
Para os autores, o governo
Lula aderiu às teses neoliberais que orientaram as ações
do PSDB e de FHC. “Para estas teses, a tributação
deve ser neutra e os objetivos sociais devem ser deixados para a distribuição
do gasto público. Trata-se de manter a estrutura tributária
injusta que coloca o peso maior da arrecadação sobre
os mais pobres e sobre os assalariados”. A crítica é implacável
e serve de alerta diante da promessa do governo de apresentar em breve
uma nova proposta de reforma tributária. A única forma
de se redimir do fiasco do passado é o governo não incorrer
novamente no erro de tratar esta reforma como algo puramente técnico,
avesso à luta de classes.
O próximo artigo da
série apresenta propostas para uma reforma tributária
justa e progressiva.
*Altamiro Borges é jornalista,
membro do Comitê Central do PCdoB e autor do livro “As
encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição).
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CONGRESSO EM FOCO, 07 de
fevereiro de 2008
Previdência complementar do servidor
perde força
Antônio Augusto de Queiroz*
O ajuste nas contas públicas
que o governo será forçado a fazer em razão da perda
da CPMF terá como uma das conseqüências imediatas a
perda de prioridade na tramitação do Projeto de Lei 1.992,
de 2007, que institui a previdência complementar para o servidor
público.
A explicação para
isso é que a adoção da previdência complementar
no serviço público federal, além da perda de receita
da ordem de 11% da folha na parcela que exceda ao teto do regime geral,
atualmente de R$ 2.894,28, a União também teria que pagar
7,5% para o fundo, como quota do patrocinador. Isso corresponderia a
um prejuízo de 18,5% sobre a folha para os futuros e atuais servidores
que optassem pela previdência complementar.
Numa conjuntura de escassez de
recursos, que exige do governo corte em diversas despesas, inclusive
de investimento e de pessoal, seria uma insanidade aprovar o projeto
de previdência complementar, cuja conseqüência seria
a perda de receita e o aumento de despesa. Registre-se que o pagamento
dessa eventual despesa com a previdência complementar seria custeado
com os recursos reservados para a expansão da folha de pessoal,
ou seja, sairia do dinheiro reservado para reajuste de pessoal, que sofrerá forte
redução na previsão orçamentária para
2008.
Além da perda de receita,
o projeto – que aguarda parecer na Comissão de Trabalho,
Administração e Serviço Público da Câmara
dos Deputados, e cujo relator é o deputado Nelson Marquezelli
(PTB-SP) – cria um fundo de pensão único para a União
(incluindo os três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário),
o que é contestado pelo Legislativo e, principalmente, pelo Judiciário,
que defendem fundos próprios.
Segundo o desenho do Fundo de
Previdência do Servidor (Funpresp), os servidores públicos
federais seriam vinculados ao Regime Próprio e pagariam a alíquota
de 11% até o atual teto do Regime Geral de Previdência Social,
a cargo do INSS, atualmente fixado em R$ 2.894,28, sendo-lhe facultado
optar, no caso dos novos, ou aderir, no caso dos atuais servidores, à previdência
complementar na parcela de sua remuneração que exceda a
esse valor. A alíquota de contribuição para o fundo
seria de 7,5%, tanto do servidor (participante), quanto do governo (patrocinador),
e o plano seria exclusivamente de benefício definido, ou seja,
dependeria exclusivamente das reservas que cada servidor viesse a acumular.
A previdência complementar, uma vez transformado o projeto em lei, passaria
a funcionar 120 dias após expedida a autorização de funcionamento
pela Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência.
A partir dessa data, todo servidor admitido seria vinculado ao Regime Próprio
apenas até o teto do INSS, mas poderia optar pela previdência
complementar na parcela superior a esse teto. Já os atuais servidores
teriam 180 dias para aderir ao fundo de pensão.
O atual servidor que viesse a
aderir à previdência complementar teria a vantagem de reduzir
de 11% para 7,5% a alíquota de contribuição na parcela
que excedesse ao teto do INSS (R$ 2.893,28), além do direito a
um benefício diferido relativo ao período em que contribuiu
pela totalidade da remuneração, mas perderia o direito à integralidade
e sua complementação de aposentadoria, e passaria a depender
das reservas acumuladas, que, por sua vez, dependeria dos humores do
mercado.
Não bastasse o problema
da perda de receita e o aumento de despesa, a inconformidade dos poderes
Legislativo e Judiciário com o fundo único, a polêmica
em relação ao desenho do plano, ainda existe o questionamento
sobre a legalidade de se aprovar um projeto de lei instituindo uma fundação
para operar o fundo de pensão , sem que a lei complementar exigida
para autorizar a criação de fundações públicas
(PLP 92/07) tenha sido aprovada.
O cenário em relação
ao PL 1.992/07, portanto, é de indefinição. A tendência é que,
pelas razões expostas, a matéria seja excluída das
prioridades do governo para 2008. Só uma grande pressão
do mercado, atualmente com outras preocupações mais emergenciais,
poderá impulsionar a votação da previdência
complementar no serviço público para vigorar em 2009.
Pode ocorrer com esse projeto
o mesmo que aconteceu com o projeto de lei complementar sobre dispensa
por insuficiência de desempenho (PLP 248/98), que se arrasta no
Congresso há anos sem definição.
*Antônio Augusto de Queiroz é jornalista,
analista político e diretor de Documentação do
Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).
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UOL EMPREGOS, 07 de fevereiro
de 2008
Gasto da Previdência com acidente
de trabalho aumenta quase R$ 1 bi em 2007
Da redação
Em São Paulo
Em 2007, a Previdência Social desembolsou R$ 10,7 bilhões para
pagar benefícios decorrentes de acidentes de trabalho e de atividades
insalubres. No ano anterior, essas despesas totalizaram R$ 9,941 bilhões.
Do total gasto, R$ 5,075 bilhões
foram para pagamento de auxílios por doença e por acidente
e também com aposentadorias por acidentes e enfermidades ocupacionais.
Outros R$ 5,7 bilhões foram pagos em aposentadorias especiais,
concedidas pela exposição do trabalhador a riscos.
O aumento ocorreu principalmente
nas despesas acidentárias, que passaram de R$ 4,387 bilhões
para R$ 5,075 bilhões, de 2006 para 2007. Também cresceu,
em 95%, o número de auxílios-doença concedidos no
ano passado. Em compensação, caíram as concessões
de auxílio-doença previdenciário, aqueles pagos
a trabalhadores com doenças não relacionadas ao trabalho.
O aumento, segundo o diretor
de Saúde e Segurança Ocupacional do Ministério da
Previdência Social, Remígio Todeschini foi causado pelo
crescimento do emprego formal e pelo aprimoramento da notificação
dos casos de acidentes e doenças do trabalho, com a entrada em
vigor do Ntep (Nexo Técnico Epidemiológico).
O Ntep entrou em vigor em abril
de 2007 e permite que o médico-perito do INSS estabeleça,
com base em padrões técnicos, a relação entre
doença e atividade profissional. Antes, a comunicação
de acidente ou doença do trabalho dependia da empresa ou do sindicato
dos trabalhadores.
As informações
são do Ministério da Previdência Social
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FOLHA
DE LONDRINA, 07 de fevereiro de 2008 | Economia
Caminhoneiros contra jornada de 44 horas
Medida passou a valer em janeiro; para sindicato
da categoria, período de oito horas diárias seria muito
curto para algumas viagens
Curitiba - Os caminhoneiros
autônomos do Paraná não são favoráveis à jornada
de trabalho de 44 horas semanais. A determinação passou
a valer dia 21 de janeiro em todo o Brasil a partir de uma liminar
concedida pela Justiça do Trabalho de Rondonópolis
(MT). O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos
(Sindicam-PR) e da Federação Nacional dos Caminhoneiros
Autônomos (Fenacan), Diumar Bueno, disse que o horário
de direção não pode ser confundido com a carga
horária de trabalho prevista na Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT).
''O trabalhador normal vai
para casa descansar. O caminhoneiro ficar parado na estrada ocioso é mais
prejudicial do que estar rodando'', disse. Ele acredita que um período
de trabalho de oito horas diárias seria muito curto para determinadas
viagens. A proposta dele é um tempo de direção
de 12 horas e dez horas de descanso ininterruptas. A cada quatro horas
de estrada também haveria uma parada de 30 minutos.
A Federação das
Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar)
ameaça fazer uma paralisação a partir da segunda
quinzena de fevereiro, caso a liminar que define a jornada de 44 horas
continue em vigor. ''Não somos favoráveis a qualquer
tipo de paralisação. Haveria um prejuízo muito
grande porque estamos em momento de safra agrícola'', disse
Bueno.
Como hoje não há regulamentação
para o número de horas de direção, hoje cada caminhoneiro
faz o seu horário. ''Em média, o tempo de estrada é de
15 a 18 horas por dia. Defendemos que haja um controle'', afirmou.
Amanhã, acontece uma
reunião em Porto Alegre (RS) com a presença dos caminhoneiros
e representantes da Federação das Empresas de Transporte
de Cargas da Região Sul (Fetransul) para definir qual seria
o tempo médio de direção. No dia 13, ocorre uma
reunião em Brasília na Confederação Nacional
do Transporte (CNT) para discutir o assunto.
Caso ocorra a paralisação
das transportadoras, a safra pode sofrer prejuízos. A previsão é do
assessor-técnico da Federação da Agricultura do
Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Alburquerque. ''Se a
safra ficar no interior e não vier para o Porto de Paranaguá perde-se
muita exportação e o preço dos produtos pode cair'',
prevê. Ele lembrou que o não cumprimento de contratos
pode gerar multas. Agora inicia o escoamento do milho pelo porto e
no final do mês o da soja. Albuquerque disse ainda que se a manifestação
ocorrer haverá uma quantidade maior de carga para ser escoada
em um período muito pequeno.
O Paraná conta hoje
com 100 mil caminhoneiros autônomos. No Brasil são 1,2
milhão. O Estado tem 6.900 transportadoras responsáveis
por 420 mil empregos diretos.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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UOL CIÊNCIA E SAÚDE,
07 de fevereiro de 2008
Trabalhar mais de 40 horas por semana
faz mal à saúde, diz estudo
Anelise Infante
De Madri para a BBC Brasil
Uma pesquisa do governo de Barcelona concluiu que uma jornada de trabalho de
mais de 40 horas semanais causa danos físicos e emocionais à saúde,
principalmente no caso das mulheres.
O estudo, que será publicado
nesta semana na revista "Scandinavian Journal of Work, Environment & Health",
indicou que o excesso de horas de trabalho tem conseqüências
como ansiedade, depressão e problemas cardíacos.
Os pesquisadores acompanharam
2.792 pessoas de diversas profissões e classes sociais durante
um ano.
A Agência de Saúde
Pública de Barcelona concluiu que as mulheres são as mais
prejudicadas porque acumulam mais funções entre casa e
trabalho e "emocionalmente respondem pior à pressão".
Sono e ansiedade
De acordo com os cientistas,
uma longa jornada de trabalho, a partir de 40 horas por semana, afeta
os homens principalmente por meio de distúrbios no sono.
Já as mulheres mostram
mais sintomas como hipertensão, ansiedade, aumento de probabilidade
de fumar, restrição de outras atividades de ócio
e de prática de exercício e uma insatisfação
geral. Também foram observados transtornos psíquicos e
hormonais.
A pesquisa chamada Perspectiva
de gênero na análise da relação entre longas
jornadas de trabalho, saúde e percepção do próprio
estado de saúde, demonstrou que os homens têm cargas horárias
maiores: 30,4% deles disseram trabalhar por mais de 40 horas, contra
17,1% de mulheres.
Mas as trabalhadoras dividem
mais o tempo entre as tarefas domésticas e o trabalho fora de
casa: 34,4% contra 9,2% de homens.
Classe
Em relação ao nível
sócio-econômico, as mulheres de classes mais baixas são
as que trabalham mais horas.
No caso dos homens é o
contrário. Quanto mais alto o cargo de responsabilidade e o status
salarial, maior é a carga horária. Na mesma proporção
aumentam os riscos de problemas de saúde, já que segundo
o estudo, são trabalhadores que dormem menos de seis horas ao
dia.
Horas extras e falta de condições
adequadas (baixos salários, excesso de pressão, carência
de materiais, ambiente ruim) afetam a saúde das mulheres de pior
qualificação profissional, principalmente do setor de serviços,
segundo a pesquisa.
"As funcionárias
de comércios, pequenas empresas, indústrias, bares e restaurantes
são o coletivo mais vulnerável que precisaria de maior
atenção pública em atividades de prevenção",
afirmaram os cientistas.
O estudo indicou ainda que as
mulheres separadas e divorciadas triplicam as horas de trabalho comparadas
com os homens no mesmo estado civil.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
07/02/2008
TV Ômega é responsabilizada
por débitos trabalhistas da Manchete
Uma secretária e uma telefonista de Brasília ganharam, respectivamente,
na Quinta e na Quarta Turmas do Tribunal Superior do Trabalho ações
que ajuizaram para receber da TV Ômega débitos trabalhistas da
TV Manchete. Nos dois casos, ficou caracterizada a sucessão de empresas
para efeitos trabalhistas, pois houve prova da utilização dos
mesmos equipamentos e da mesma mão-de-obra pela TV Ômega, cujo
nome de fantasia é RedeTV.
No primeiro caso, a secretária
foi admitida pela TV Manchete em outubro de 1995 e dispensada, sem justa
causa, em dezembro de 1999, pela TV Ômega, sem receber as verbas
rescisórias e demais direitos. A empregada alegou, na reclamatória
ajuizada em agosto de 2000 na 19ª Vara do Trabalho de Brasília,
não ter recebido os pagamentos decorrentes de um acordo coletivo
celebrado para quitar salários atrasados desde setembro de 1998.
A decisão lhe foi favorável ao declarar a sucessão
da Ômega pela Manchete, o que lhe transferiu a responsabilidade
pelos débitos trabalhistas devidos à empregada.
Inconformada, a empresa buscou
reformar a sentença no Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região
(DF), sem sucesso. O Regional reconheceu a sucessão de empregadores,
tendo em vista que, além da transferência da concessão
estatal para exploração dos serviços de radiodifusão
e de sons e imagens, a empresa locou da Manchete os equipamentos relativos à geração,
transmissão, repetição e retransmissão de
sinais de telecomunicações e assim pôde dar continuidade
ao serviço.
Além disso, os funcionários
da Manchete continuaram a prestar serviços à Ômega,
nova beneficiária da força de trabalho e responsável
pelo pagamento de seu salário. Mais que isso, a empresa assumiu
obrigações da Manchete “perante o INSS, Caixa Econômica
Federal (FGTS), cotistas e, especificamente, de pagamento dos salários
em atraso dos funcionários, esta última em conformidade
com o acordo firmado com os ditos funcionários”, informou
o Regional.
A TV Ômega recorreu ao
TST com o argumento de que, reconhecida a sucessão, a Manchete
deveria ser responsabilizada solidariamente pelos débitos trabalhistas
remanescentes, apontando como vulnerados os artigos 5º, II, XXXVI,
LIV e LV, da Constituição Federal. No entanto, a juíza
convocada Kátia Magalhães Arruda, relatora do recurso,
julgou que a matéria não tinha alcance constitucional,
porque foi analisada sob enfoque de dispositivo infraconstitucional,
de natureza processual.
No entender da relatora, integrante
da Quinta Turma, o afastamento da Manchete da lide foi baseada em dois
fundamentos: a legitimidade passiva da TV Ômega, com a sucessão
reconhecida, e a incompetência da Justiça do Trabalho para
examinar conflitos que decorrem da interpretação de contratos
comerciais.
“Ficou claro que a Ômega
se serviu do acervo patrimonial da Rede Manchete, e a prestação
de serviços ocorreu de forma continuada”, concluiu a relatora,
que acrescentou: “Verdadeiramente ocorreu sucessão trabalhista,
devendo a Ômega arcar com as verbas decorrentes da demanda”.
Os direitos dos empregados permanecem íntegros, “independentemente
da transformação que possa ocorrer com a pessoa física
ou jurídica detentora da empresa ou de sua organização
produtiva, de forma que o novo explorador da atividade econômica
se torna responsável por todos os encargos decorrentes da relação
de emprego”, afirmou. (RR-9728-2002-900-10-00.6)
A telefonista
O segundo caso é de uma
trabalhadora contratada em dezembro de 1995 como cozinheira, cumprindo
jornada de 6h às 18h, com uma folga semanal e 30 minutos de intervalo
para as refeições. Ela foi demitida em 28/02/1998 e readmitida
em 01/03/1998, na função de telefonista, com jornada de
12h às 18h, de segunda a sábado. A partir de janeiro de
1999, passou a trabalhar de 12h à 0h, sem intervalo para refeições
e sem receber horas extras, conforme afirmou na inicial.
Segundo alegou, durante o contrato de trabalho não usufruiu férias
referentes aos períodos de 96/97 e 97/98, por imposição
da empresa. Após a demissão, a trabalhadora requereu, em juízo,
aviso prévio de trinta dias, férias, horas extras e seus reflexos,
décimo terceiro salário e FGTS, mais multa de 40%.
Em maio de 1999, a empresa firmou
acordo coletivo para quitação dos salários atrasados
de todos os funcionários desde setembro de 1998, incluindo o décimo
terceiro salário daquele ano. Ficou acertado que a quitação
dar-se-ia em 12 parcelas, sendo a primeira no ato da assinatura e as
demais, sucessivamente, no mês subseqüente. Todavia, a empresa
descumpriu o acordo a partir da sexta parcela, sem justificar o motivo.
Este fato foi perfeitamente reconhecido pela TV Ômega.
A ação foi proposta
na 15ª Vara do Trabalho de Brasília, que a julgou procedente
em parte e condenou a TV Ômega a pagar à empregada os débitos
trabalhistas. A empresa recorreu ao TRT/DF, que reconheceu a sucessão
de empresas e condenou a TV Ômega a pagar as parcelas estabelecidas
na sentença originária.
Insatisfeita com a decisão,
a TV Ômega interpôs recurso de revista ao TST, sob a alegação
de que o Regional decidiu pela existência de sucessão sem
a devida fundamentação. A relatora do processo, ministra
Maria de Assis Calsing, manteve o entendimento do TRT e rejeitou (não
conheceu) o recurso. (RR-22832/2002-900-10-00.6)
(Mário Correia e Lourdes Côrtes)

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