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Gazeta do Povo, 8 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | INDÚSTRIA
Vendas industriais sobem, mas ritmo deve
ser freado
Confederação Nacional espera leve
redução da atividade em 2008
Brasília – Juros em queda, crédito em alta, salários
em expansão e economia mundial aquecida contribuíram para que
a indústria encerrasse 2007 com aumento de 5,1% das vendas, porcentual
bem maior que o 0,8% registrado em 2006. O setor industrial registrou aumento
de 4% nas horas trabalhadas, de 3,8% no pessoal empregado e de 4,9% nas remunerações
pagas. Porém, como dificilmente esses fatores vão se somar novamente
este ano, os industriais projetam desaceleração do ritmo de atividade.
Mas a Confederação
Nacional da Indústria (CNI) avalia que a redução
da atividade não vai ser expressiva. A previsão é de
5% para 2008. Mas ainda assim deve impedir o setor de avançar
a pleno vapor. “O cenário extremamente favorável
do ano passado não deve se repetir neste ano’’, comentou
o economista Paulo Mol, da Unidade de Política Econômica
da CNI.
As fábricas começaram
2008 com baixos estoques e em ritmo embalado. Segundo a CNI, mantida
a performance de dezembro, as vendas e as horas trabalhadas na produção
terão aumento mínimo garantido de 4,8% e 2,7%, respectivamente.
Para os industriais, os efeitos
da crise financeira nos Estados Unidos sobre o comércio mundial
somente devem começar a ser sentidos pela economia brasileira
a partir da segunda metade do ano, afetando, em um primeiro momento,
as exportações, que respondem por cerca de 15% da produção
industrial.
O uso da capacidade instalada
dessazonalizado (descontados os efeitos atípicos), que em dezembro
de 2006 estava em 81,3%, encerrou o último mês de 2007 em
83%. A perspectiva é que se estabilize em patamar elevado. A CNI
verificou que o aumento da utilização do parque fabril
está concentrado em seis segmentos – só as montadoras
ampliaram em dez pontos porcentuais o uso da capacidade instalada em
2007.
A tendência de alta
da produção levou o ABN Amro a projetar que a capacidade
instalada deva atingir 84% ainda neste primeiro semestre. A projeção
foi feita considerando um estudo que aponta que os investimentos levam
entre 13 e 15 meses para se concretizarem e contribuírem para
a ampliação do parque fabril.
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UOL ECONOMIA, 08 de fevereiro
de 2008
Produção industrial cresce
6% em 2007, maior expansão em três anos
Da Redação
Em São Paulo
A produção industrial brasileira cresceu no ano passado no maior
ritmo desde 2004, estimulada principalmente pela força da demanda interna,
informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta
sexta-feira.
A alta foi de 6%, exatamente
em linha com a previsão do mercado e acima do crescimento de 2,8%
verificado em 2006. Em 2004, a expansão foi de 8,3%; em 2005,
de 3,1%.
"O desempenho industrial
de 2007 foi apoiado principalmente no aquecimento da demanda doméstica,
por conta da manutenção da expansão do crédito,
do aumento da ocupação e da renda, e da ampliação
dos investimentos", disse o IBGE em nota.
"Em 2007, o aumento da produção
foi abrangente", afirmou a instituição. As quatro
categorias de uso tiveram expansão da atividade no ano passado:
bens de capital (19,5%), bens de consumo duráveis (9,2%), bens
intermediários (4,9%) e bens de consumo semi e não duráveis
(3,4%).
Carro
dispara, fumo despenca
Houve aumento em 21 tipos de atividade, sobressaindo-se os ramos de veículos
automotores (15,2%) e de máquinas e equipamentos (17,7%). Neste segundo
segmento, as maiores altas foram de centros de usinagem, fornos de microondas,
refrigeradores e máquinas para colheita.
O pior desempenho ficou com o
setor de fumo, com recuo de 8,1% no ano passado. Em seguida vieram as
indústrias de madeira (-3,2%) e calçados e artigos de couro
(-2,2%). Materiais eletrônicos e outros e equipamentos de comunicação
também recuaram (-1,1%). O setor de edição e impressão
caiu 0,2%.
Dezembro
Em dezembro, a atividade industrial retraiu-se pelo segundo mês seguido,
em 0,6% contra novembro, mas cresceu 6,4% ante igual período de 2006.
Analistas ouvidos pela agência Reuters previam queda de 1% mês
a mês e alta de 6% na leitura anual.
Na comparação com
novembro, o destaque de retração da produção
ficou com os veículos automotores, de 6,2%. Nas categorias de
uso, a atividade de bens de consumo semi e não duráveis
teve queda de 2,1%, e a de bens de capital, de 0,2%, interrompendo quatro
taxas positivas seguidas. Já os bens intermediários e os
bens de consumo duráveis tiveram expansão de, respectivamente,
1% e 0,6%.
O IBGE revisou o dado de novembro
na comparação com outubro. Em vez de queda de 1,8%, como
foi inicialmente informado, houve recuo de 2%.
Vendas
Em relação às vendas, a Confederação Nacional
da Indústria (CNI) havia divulgado na quinta-feira (dia 8) que houve
um crescimento de 5,1% em 2007, em comparação com o ano anterior,
sendo o melhor desempenho desde 2004.
A perspectiva, segundo a CNI, é de
que a expansão continue em 2008, mesmo com a crise externa. "Os
fatores que sustentaram a indústria em 2007 devem continuar a
sustentá-la em 2008, pelo menos nos primeiros meses do ano",
afirmou a jornalistas o economista da CNI Paulo Mól.
(Com informações de
Reuters e Valor Online)
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Agência Diap, 8 de
fevereiro de 2008
JORNADA DE TRABALHO
Centrais fazem ato para coleta de
assinaturas pela redução da jornada sem redução
de salários
Na próxima segunda-feira
(11), as centrais sindicais irão realizar atos de lançamento
do abaixo-assinado nacional pela redução da jornada de
trabalho sem redução de salário. Em São Paulo,
a principal manifestação irá ocorrer na praça
Ramos de Azevedo, em frentre ao Teatro Municipal, a partir das 10h.
Os presidentes e lideranças
das centrais estarão presentes. Haverá postos de coleta
de assinaturas, panfletagem e ato político. O objetivo do abaixo-assinado,
que percorrerá todas as regiões, é reunir mais de
um milhão de assinaturas em apoio à aprovação
da redução da jornada de 44 para 40 horas semanais. Posteriormente,
as assinaturas serão entregues ao Congresso Nacional, como forma
de pressionar pela aprovação da PEC 231/01, que trata do
tema.
Manifestações
como essa devem acontecer por todo o País, a partir de segunda.
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Diário
Vermelho, 8 de fevereiro de 2008
Tarso Genro: oposição e
mídia promovem escândalo artificial
O ministro da Justiça,
Tarso Genro, contra-atacou o "desejo" da oposição
de investigar o uso de cartões corporativos no governo Lula
e a maneira como a imprensa vem tratando o assunto. Tarso saiu
em defesa da ex-ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro, classificou
o episódio como "escândalo artificial" e
disse que a oposição fracassou e tenta agora um "novo
terceiro turno". Tarso afirmou ainda que 90% dos ministros
sequer usam o cartão, como ele próprio.
" Essa cobertura está completamente equivocada. O que permitiu a
detecção desse problema foi a transparência do governo. Não
podem transformar isso em culpabilidade", afirmou.
O ministro defendeu a CPI
no Senado que o governo protocolou na quarta-feira e desafiou a oposição
a investigar os gastos dos ministérios nos últimos
dez anos. Segundo ele, é indiscutível que o controle
sobre os gastos públicos e a corrupção aumentaram
muito no governo Lula.
" Com a CPI nós vamos poder comparar quem usou com mais moderação
o recurso público para dar estrutura e apoio aos ministérios. A
oposição derrotou a CPMF para impedir o sucesso ainda maior do
governo Lula e fracassou no seu diagnóstico. Dizia que a economia do Brasil
só ia bem porque o cenário mundial era favorável. Agora
o cenário mundial está ruim, negativo, mas o Brasil continua com
sua economia estabilizada. A oposição está sem discurso
e sem proposta para o país", afirmou.
Tarso Genro considera um "exagero" o
que ocorreu com Matilde Ribeiro, mas não atribui a sua queda
a preconceito racial, como sugeriu a ex-ministra ao anunciar a renúncia
do cargo.
"Foi um exagero. A ex-ministra
não estava informada sobre o uso de cartões. A secretaria
dela não tem estrutura de controle como o meu ministério
tem. O problema dela foi aluguel de carro. A secretaria não
tem, nas cidades onde ela ia, carros para oferecer, como o meu tem.
A ministra não tirou vantagem pessoal alguma disso".
O ministro disse que é preciso
tirar desse fato uma lição positiva. Ele está convicto
de que as pessoas que usaram o cartão o fizeram sem dolo (má-fé)
e aproveitou para criticar o comportamento leviano da mídia.
Chegou a classificar alguns profissionais de imprensa de "jornalistas
da oposição".
"O uso dos cartões não é um rosário de ilegalidades. É um
avanço. A oposição está recorrendo a uma pauta artificial.
Qual o crime de se usar o cartão, não há notícia
de delito. Há equívocos e as pessoas estão dispostas a repor",
disse.
Fonte: G1
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Congresso em Foco, 8 de fevereiro de 2008
Para além de cartões
e tostões
Celso Lungaretti*
O escândalo da vez é o dos cartões corporativos, que funcionavam
como um cheque em branco concedido pelo governo federal a 11.510 privilegiados,
para adquirirem o que bem entendessem à custa do Erário.
A dinheirama desviada dos cofres públicos para bolsos privados é,
decerto, irrisória, se comparada com as negociatas que vieram à tona
no caso do mensalão. A máquina de fazer dinheiro do Zé Dirceu
era alimentada por grandes grupos empresariais, que, como contrapartida pelos
favorecimentos governamentais escusos, forneciam ao PT o argumento sonante
para a compra de apoio parlamentar e outras iniciativas visando à sua
eternização no poder.
Isso estava tão distante do universo mental dos brasileiros pobres (a
maioria) que, apesar da gravidade dos delitos constatados, não houve
clamor popular exigindo punições e o principal responsável
pelo funcionamento de tal organização criminosa não só escapou
do impeachment como acabou sendo reeleito sem maiores dificuldades, enquanto
outros óbvios culpados eram (re)conduzidos ao Congresso.
Agora, no entanto, a malversação do dinheiro público evidencia-se
até para os moradores dos grotões, daí a presteza com
que se sacrificou o primeiro bode expiatório, numa tentativa de se preservar
o restante do rebanho caprino. Tudo indica, entretanto, que a guilhotina funcionará novamente,
até que seja saciada a sede de sangue dos pagadores de impostos.
De resto, há uma pergunta que não quer calar: bastará cortarmos
cabeças para que sejam extirpadas as grandes mazelas nacionais? Um sistema
que funcionasse a contento, sem a venalidade dos políticos atuais, tiraria
o Brasil da desonrosa posição de 70º colocado no ranking
de desenvolvimento humano da ONU, atrás de Tonga e da Costa Rica?
Tudo indica que não. O custo do Estado crapuloso, perdulário
e ineficiente é apenas agravante, não causa, de nossa geração
insuficiente de riquezas e da terrível desigualdade na distribuição
de renda (um escândalo muito maior do que os episódios de corrupção!).
Temos hoje um tal entrelaçamento dos negócios, sob o capitalismo
globalizado, que as decisões fundamentais não estão mais
nas mãos dos governos. Ou estes se sujeitam a imposições
transnacionais e mantêm seus países como elos da grande corrente
ou os verão excluídos do fluxo do comércio, das novas
tecnologias e dos capitais, o que equivale a uma condenação à penúria.
Daí a persistência da mesmíssima política econômica
sob Itamar, FHC e Lula, apesar das diferenças ideológicas existentes
entre os três.
Então, se o poder político decide apenas o acessório,
não é de estranhar que se tenha transformado numa novela “contada
por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada”, como
diria Shakespeare.
A espetacularização marcha ao lado da irrelevância. Os
sucessivos escândalos entretêm e fornecem catarse às platéias,
mantendo seus olhos convenientemente longe dos palcos em que seu destino é decidido
e incapazes de compreender o funcionamento da engrenagem perversa que tritura
as esperanças do povo brasileiro.
Não se lê nos jornais e revistas, por exemplo, que o faturamento
de um único grande banco ultrapassa todo o montante de dinheiro desviado
nesses episódios que causam tanta indignação; e que bancos
são a quintessência da inutilidade e do parasitismo, a agiotagem
que não ousa dizer seu nome, em nada contribuindo para o bem comum.
A mídia, que tem enorme responsabilidade na bovinização
da opinião pública, omite também que a própria
lógica do capitalismo induz os seres humanos à ganância
e à busca do privilégio, daí a dificuldade em incutir
nos homens públicos o respeito pelo dinheiro público, bem como
as constantes transgressões a essa norma em todo o planeta.
Enquanto tivermos nossa atenção ocupada por Severinos, Renans,
Beneditas, Matildes e que tais, não estaremos refletindo sobre como
aproveitarmos melhor o potencial produtivo que hoje permitiria proporcionar-se
a cada cidadão do planeta uma existência verdadeiramente digna.
Competiria à esquerda recolocar os projetos alternativos de sociedade
no centro das discussões, pois só aos defensores do status quo
interessa o aviltamento da política, reduzida a um interminável
revolver de lama.
Mas, para tanto, a esquerda precisa ser a primeira a dar exemplo de conduta
impecável, não praticando nem compactuando com a ganância
e a busca do privilégio.
Em 1968, falava-se que os empenhados em construir um mundo novo teriam de,
paralelamente, ir construindo a si próprios como homens novos, sob pena
de contaminarem a sociedade sonhada com os vícios herdados da sociedade
execrada. É algo em que se pensar.
*Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista
em São Paulo, com longa atuação em redações
e na área de comunicação corporativa, e escritor.
Escreveu Náufrago da utopia (Geração Editorial,
2005). Mais dele em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/.
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Folha
de São Paulo, 8 de fevereiro de 2008
Transparência com cartão é menor
em SP que na União
Servidores paulistas têm 42.315 cartões
e gastaram R$ 108 milhões no ano passado
| Despesas com cartão de débito não são divulgadas
em site aberto na internet, como acontece com os gastos do governo federal
CATIA SEABRA
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
No ano passado, o governo de São Paulo destinou R$ 108.384.268,26 a
gastos efetuados por uma espécie de cartão de débito:
o cartão de pagamento de despesas. Esse sistema de adiantamento atende
a 47 diferentes classificações de despesas, da diária
de pessoal a gêneros alimentícios. Mas, diferentemente do governo
federal -que lançou um portal para registro dos gastos - o Estado não
oferece um sistema aberto com essa descrição.
Os dados são lançados no Sigeo (Sistema de Informações
Gerenciais da Execução Orçamentária), a qual somente
as bancadas de deputados na Assembléia Legislativa têm acesso.
Ainda assim, o Sigeo não descreve, necessariamente, o objeto da compra
realizada com o cartão de débito.
No dia 28 de julho do ano passado, por exemplo, foram gastos R$ 597 na Spicy,
uma loja de acessórios para casa. No sistema, o ramo de atividade está classificado
com "a definir". O item: "despesas miúdas e de pronto
pagamento". Os R$ 977 gastos no dia 4 de abril na Presentes Mickey também
recebem a mesma qualificação.
Ainda segundo o Sigeo, a Secretaria de Segurança gastou R$ 6.500,00
numa churrascaria no dia 11 de maio.
Mas, segundo o levantamento feito pela liderança do PT a pedido da Folha,
o Sigeo não esclarece o motivo do gasto.
A exemplo do governo federal, o Sigeo também não apresenta descrição
de grande volume dos gastos realizados através de saque. Segundo os
dados do Sigeo, 44,58% dos gastos -R$ 48,3 milhões- foram realizados
graças a saques.
Pelas regras fixadas pelo Estado, é permitido o saque integral do dinheiro
creditado nos cartões, por exemplo, em caso de pagamento de diárias,
verbas de representação e despesas com transportes.
O sistema lista o nome de autores de grandes saques, funcionários encarregados
de distribuir o dinheiro aos demais servidores. Mas não relata a que
serviço se referiam.
Na esfera federal, os saques representam 75,26% dos R$ 78 milhões gastos
com cartão corporativo. O serviço também não é descrito.
Mas o interessado pode conhecer, pela internet, o beneficiário do saque.
Para ter acesso aos registros do Sigeo, o interessado deve ir à biblioteca
da Assembléia Legislativa de SP. Além dos dados lançados
no Sigeo, o governo apresenta prestações ao Tribunal de Contas
do Estado (TCE).
Cada compra representa um processo no TCE, ao qual o governo deve apresentar
notas para comprovação de gastos.
O secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, lembra que qualquer um
pode fazer um requerimento de informações. No site da secretaria
de Fazenda, a prestação de contas -referente a novembro- não
tem detalhes sobre os gastos.
Em São Paulo, existem 42.315 cartões de pagamento de despesa.
Mas num modelo bem diferente do governo federal. No Estado, não são
fornecidos cartões para ocupantes do primeiro escalão.
No governo federal, são cartões de crédito passíveis
de uso para qualquer tipo de compra.
No Estado, são cartões de débito fornecidos a servidores
encarregados de compras específicas. Um cartão para combustível
só pode ser usado para esse fim. Não funciona em outro estabelecimento.
Para os produtos sujeitos à lei de licitações, há um
limite de gastos de R$ 8 mil.
Como nem todos estabelecimentos aceitam cartão, foi fixado um teto para
saques segundo a natureza de despesa.
Por exemplo, num cartão previsto para compra de gênero alimentício,
a permissão é de 20% em saques.
As despesas miúdas consumiram R$ 30,5 milhões ano passado, dos
quais cerca de R$ 20 milhões endereçados a escolas. Todo mês,
o governo credita um volume de recursos nos cartões. A prestação
de contas é mensal. "Isso não tem nada a ver com cartão
corporativo", afirmou Mauro Ricardo.
Líder do PT na Assembléia Legislativa, Simão Pedro afirma
que "não há indícios para um pedido de CPI".
Mas que investigará os gastos do Estado.
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Gazeta do Povo, 8 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | FINANCIAMENTOS
BNDES desembolsa valor recorde
de R$ 65 bilhões
Rio de Janeiro – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) liberou R$ 64,89 bilhões no ano passado. O resultado
recorde representa um aumento de 24% na comparação com os dados
de 2006. O desempenho do banco foi impulsionado pelo crescimento dos pedidos
de financiamento para projetos em infra-estrutura. O seu presidente, Luciano
Coutinho, classificou o desempenho como uma confirmação da performance
positiva da economia e da demanda firme por investimentos.
Segundo Coutinho, o orçamento
para este ano deverá ser da ordem de R$ 80 bilhões. Em
2007, o resultado do banco ficou muito próximo ao teto do orçamento,
de R$ 65 bilhões. Os dados divulgados ontem mostram que o banco
deverá emprestar mais em 2008. Os projetos aprovados em 2007 somaram
R$ 98,8 bilhões, alta de 33% em relação a 2006.
Normalmente, os recursos aprovados
para grandes projetos são liberados em etapas. As consultas, que
sinalizam o interesse do empresariado em novos investimentos, cresceram
20% e foram a R$ 126,8 bilhões.
O banco está planejando
aumentar o “funding” (substituição de uma dívida,
geralmente de curto prazo, por uma de prazo mais longo) para empréstimos
em 2009. O BNDES ainda precisa de R$ 15 bilhões para atender aos
pedidos para este ano. Segundo Coutinho, esse valor deverá ser
equacionado por uma série de medidas, já que o banco tem
uma carteira grande de renda variável.
O principal destaque em
relação aos anos anteriores foi o crescimento dos desembolsos
para a infra-estrutura, que somaram R$ 25,633 bilhões, alta
de 62% em relação a 2006. As obras do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) contribuíram para esta alta. As aprovações
para infra-estrutura somaram R$ 45,651 bilhões, com alta de
104%. Os principais projetos aprovados nessa área foram o Gasoduto
Nordeste-Sudeste (R$ 4 bilhões), o gasoduto Urucu-Manaus (R$
2,5 bilhões) e a expansão da rede da Telefônica
(R$ 2 bilhões).
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Agência Câmara,
8 de fevereiro de 2008
PEC obriga governo a cortar 16 ministérios
ou secretarias
Rogerio Lisboa disse que precisa haver um
parâmetro constitucional para definir a quantidade de ministérios.
A Câmara analisa a Proposta de
Emenda à Constituição (PEC) 172/07, do deputado
Rogerio Lisboa (DEM-RJ), que restringe o número de ministérios
e secretarias especiais no Executivo. Pela proposta, a quantidade
desses órgãos não poderá ultrapassar
o número de comissões permanentes da Câmara dos
Deputados, nem o limite superior a 20.
Atualmente, o governo tem 36
titulares com status de ministro ou secretário especial. Com isso,
o Executivo seria obrigado a cortar 16 ministérios ou secretarias.
A Constituição
de 1988 não impõe nenhum limite quanto ao número
de ministérios, órgãos ou secretarias especiais
que compõem o primeiro escalão da administração
pública federal.
Aumento
de gastos
Para o deputado, a falta de parâmetros constitucionais permite que os
governantes mudem a estrutura e a quantidade de ministérios. "Isso
leva a uma incerteza quanto à real necessidade dos mesmos, além
de um considerável aumento dos gastos públicos", reitera.
O deputado argumenta ainda que
o Brasil tem "um número bastante elevado de ministérios" em
comparação com países como a Espanha e a França
- que possuem 15 e 14, respectivamente.
Tramitação
A admissibilidade da PEC será analisada pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania. Se aprovada, a proposta será submetida
a uma comissão especial, antes de seguir para o Plenário.
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Agência Câmara,
8 de fevereiro de 2008
Gastos bancários poderão
ser deduzidos do Imposto de Renda
Gilberto Nascimento
O Projeto de Lei 2183/07, do deputado
Manato (PDT-ES), autoriza o contribuinte pessoa física a deduzir
da renda bruta anual, para efeito de cálculo do Imposto de
Renda, todas as suas despesas com tarifas e juros bancários.
Para tanto, o projeto exige que os bancos forneçam extrato
anual com o valor consolidado dessas despesas.
Segundo a proposta, o não
cumprimento da medida será punido com multa de dez vezes o valor
das tarifas e juros pagos, que serão revertidos em favor do contribuinte
prejudicado. A medida altera a Lei 9.250/95, que trata do Imposto de
Renda da Pessoa Física.
O deputado explica que o objetivo é "minimizar
os efeitos danosos" dos altos juros e tarifas que os bancos cobram
de seus correntistas. Além disso, diz Manato, o projeto contribui
para reduzir a "sanha arrecadatória" do Estado. "Trata-se
da correção de uma injustiça praticada contra os
trabalhadores, pois não se pode caracterizar como renda aquelas
importâncias que os bancos avidamente retiram de suas contas",
argumenta.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas
comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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Folha de São Paulo,
8 de fevereiro de 2008
Reserva de megacampo de Tupi pode ser
muito maior
Sócios estrangeiros da Petrobras estimam
reservas de até 30 bilhões de barris | Empresa brasileira
havia anunciado expectativa de 8 bilhões de barris; ação
da estatal sobe 3,3% com as novas estimativas
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
A produção de petróleo
do megacampo de Tupi, na bacia de Santos, pode ser muito maior do que
a anunciada. Sócia da Petrobras no projeto, a britânica
BG informou ontem, em nota, que as reservas de petróleo e gás
do campo, localizado na bacia de Santos, têm potencial para atingir
de 12 bilhões a 30 bilhões de barris.
Antes, a BG estimava as reservas entre 1,7 bilhão e 10 bilhões.
A nova estimativa da BG, que tem 25% do campo, supera as projeções
iniciais da Petrobras, que apontavam para um reservatório de 5 bilhões
a 8 bilhões de barris. As previsões da petroleira britânica
foram confirmadas pela portuguesa Galp, também sócia do empreendimento,
em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários
de Portugal. A Galp tem uma participação de 10% no projeto.
Ao todo, as reservas da Petrobras no Brasil chegam a 13,9 bilhões de
barris. Ou seja, se a estimativa de BG e Galp estiver correta, Tupi tem potencial
para até dobrar o volume de óleo e gás que poderá ser
extraído do subsolo brasileiro.
O anúncio mexeu com os papéis da Petrobras. As ações
ordinárias da petroleira brasileira tiveram alta de 3,31% ontem, num
dia em que a Bovespa fechou estável (-0,01%).
Procurada ontem, a Petrobras informou apenas que ninguém da empresa
iria comentar o conteúdo dos comunicados das suas sócias em Tupi.
A estatal brasileira é responsável pela operação
do campo. Ou seja, fica a cargo da companhia desenvolver todos os projetos
de perfuração de poços e de sistemas de produção
(plataformas).
A discrepância das estimativas da Petrobras e de suas sócias pode
ser explicada por uma diferença de critério adotado. A estatal
divulgou o volume de óleo recuperável, ou seja, possível
de ser extraído do subsolo. Já as companhias européias
anunciaram o volume total que existe sob o mar, que, em geral, não pode
ser totalmente extraído.
Maior descoberta da história da estatal, o campo está localizado
na chamada camada pré-sal, nova e promissora fronteira exploratória
do subsolo marinho brasileiro. A área se estende ao longo dos litorais
dos Estados de Santa Catarina ao Espírito Santo (bacias de Santos, Campos
e Espíritos Santo). Fica abaixo de uma espessa camada de sal -sobre
ela se concentrava até agora a exploração de petróleo
no Brasil.
Quando anunciou o tamanho estimado da descoberta de Tupi, em novembro do ano
passado, a Petrobras informou que a descoberta colocava "o Brasil como
uma das mais importantes áreas petrolíferas do mundo". A
estatal foi a única empresa do mundo a perfurar rochas na camada pré-sal.
Para estimar a reserva de até 8 bilhões de barris de Tupi, a
estatal perfurou e testou oito poços, analisando a qualidade e a quantidade
do óleo (leve, de 28 graus).
Com o objetivo de dimensionar a descoberta, a estatal programou para o segundo
semestre deste ano um teste de produção de longa duração,
com uma pequena plataforma alugada provisoriamente e capaz de extrair até 40
mil barris/dia.
Ao final de 2010, a empresa espera alugar um sistema de produção
de médio porte com capacidade de 100 mil barris/ dia, que irá operar
no campo até que a plataforma definitiva fique pronta em 2013, quando
a expectativa é atingir uma produção de 180 mil barris/dia.
Em todas as perfurações realizadas na camada pré-sal,
a estatal encontrou petróleo. No mês passado, anunciou uma grande
descoberta de gás vizinha ao campo de Tupi. Em entrevista recente, o
diretor de Exploração e Produção da Petrobras,
Guilherme Estrella, ressaltou que o sucesso exploratório nessa nova
fronteira petrolífera era de 100%.
Por esse motivo, o executivo defendeu a revisão do modelo de concessões,
a fim de a União se apropriar de uma fatia maior das reservas. Sugeriu
os mecanismos usados no Oriente médio, como os de produção
compartilhada (onde parte fica com o Estado) e de prestação de
serviços, pelo qual uma empresa é contratada para explorar o
campo e é remunerada pela empreitada.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
08/02/2008
Advogado da CEF não tem direito a
jornada especial
Advogado de empresa pública
de caráter monopolista não tem direito a jornada especial
de quatro horas. Foi o que decidiu a Quinta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho ao negar provimento a recurso de uma funcionária da
Caixa Econômica Federal de Cuiabá contra decisão
no mesmo sentido do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região
(MT).
No recurso ao TST, a advogada
alegou que o seu direito a jornada diferenciada está assegurada
no artigo 20 do Estatuto da OAB (Lei nº 8.906/94), diferentemente
do entendimento do TRT/MT, para o qual o benefício não é aplicável à reclamante
porque a Caixa é detentora, entre outros, dos monopólios
do penhor civil e das loterias. Para advogada, a CEF atua também
como banco comercial em todo o território brasileiro e compete
em igualdade de condição com as demais instituições
bancárias.
A relatora do processo na Quinta
Turma, juíza convocada Kátia Magalhães Arruda, esclareceu
que a economiária não tem direito ao regime de jornada
especial porque a Lei nº 9.527/97, artigo 4º, estabelece que
as disposições do Estatuto da OAB relativas ao advogado
empregado (Capítulo V, Título I) não se aplicam à Administração
Pública direta da União, dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios, bem como às autarquias, às fundações
instituídas pelo Poder Público, às empresas públicas
e às sociedades de economia mista.
Ademais, acrescentou a
relatora, o Supremo Tribunal Federal já declarou que as empresas
públicas e as sociedades de economia mista excluídas
da referida lei são exclusivamente as de caráter monopolista.
Sendo a CEF integrante da administração pública
indireta, “seus empregados advogados não se beneficiam
da jornada reduzida prevista na Lei 8.906/94”, concluiu a juíza,
que citou precedentes julgados na Terceira e na Quinta Turma do TST.
(RR-754-2002-900-23-00.8)
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08/02/2008
Volkswagen: PDV permite demissão
de empregado com garantia de emprego
Empregado da Volkswagen que adere
ao Programa de Demissão Voluntária – PDV não
tem o direito à reintegração mesmo quando é detentor
de garantia no emprego. A Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho
rejeitou (não conheceu) recurso contra a empresa e manteve decisão
da Justiça do Trabalho de São Paulo.
Quando de sua admissão,
em outubro de 1993, como funileiro, o empregado foi submetido a exames
médicos pré-admissionais rigorosos e considerado apto para
exercer a função. Cumpria jornada de trabalho de 14h55 às
23h36, de segunda a sexta-feira, com intervalo de uma hora para refeição
e descanso.
Ao se desligar da empresa, ajuizou
ação na justiça comum para reconhecimento da moléstia
como profissional, e obteve êxito. Alegou, na época, que
realizava durante toda a jornada de trabalho movimentos repetidos de
flexoextensão, lateralidade e abdução dos membros
superiores, sob esforço físico constante, pois era responsável
por reparos e montagens de lataria dos veículos fabricados pela
empresa. Segundo informou, teria adquirido, ao longo do contrato de trabalho,
problemas nos ombros, cotovelos e punhos.
Diante disso, requereu na 5ª Vara
do Trabalho de São Bernardo do Campo a reintegração
ao emprego em função compatível com a seqüela
da qual era portador. Alegou que não poderia ter sido demitido
sem justo motivo, porque uma das cláusulas da convenção
coletiva da categoria assegurava ao empregado acidentado a garantia de
emprego, sem prejuízo da remuneração anterior, enquanto
perdurasse a incapacidade ou até a aposentadoria. A sentença
condenou a Volkswagen a reintegrá-lo ao emprego, em função
compatível com sua deficiência, e a pagar-lhe os salários
correspondentes ao período de afastamento e seus reflexos nas
demais verbas.
A empresa recorreu ao Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), sob o argumento de
que o trabalhador aderira ao Programa de Demissão Voluntária – PDV,
e que uma de suas cláusulas autorizava a demissão de empregado
detentor da garantia de emprego nos casos de acordo mútuo entre
as partes. A decisão do Regional foi favorável à empresa,
por entender que a adesão ao PDV obsta o reconhecimento da estabilidade,
e que o desligamento se dera por iniciativa do empregado, não
se tratando, portanto, da hipótese de dispensa arbitrária.
O empregado apelou ao TST, na
tentativa de reformar a decisão. Porém, a ministra Maria
de Assis Calsing, relatora do processo, não reconheceu a alegada
contrariedade à jurisprudência do Tribunal e manteve o entendimento
do Regional. (RR-887/2002-465-02-00.3)

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