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Agência Senado, 9 de
fevereiro de 2008
CAS vota projeto que permite
a empregados escolher banco para recebimento de salário
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) analisa em decisão
terminativa, nesta quarta-feira (13), às 11h, o projeto de lei
do Senado (PLS 340/2004), de autoria do senador Aloizio Mercadante (PT-SP),
que confere aos empregados o direito de escolher a instituição
financeira e a agência em que os empregadores depositarão
sua remuneração.
Segundo as regras vigentes, cabe à empresa escolher o banco
no qual os seus empregados receberão os seus salários
e demais rendimentos. Por isso, os empregados, ao assinar o contrato
de trabalho, são obrigados a renunciar à sua livre escolha
quanto à instituição financeira com a qual desejam
operar. Tal renúncia somente pode ser contornada por meio do
pagamento de tarifas de transferência interbancária.
Em sua justificação, Mercadante alerta para as distorções
causadas no mercado bancário pela sistemática atual de
pagamentos de salários utilizada pelas empresas. De acordo com
o senador paulista, "a mais importante delas é o aumento
descabido do poder demercado dos bancos, que, protegidos pelo mercado
cativo que os empregados representam, sentem-se à vontade para
exorbitar nas tarifas e no spread praticado em seus empréstimos".
A matéria, com voto favorável do senador Inácio
Arruda (PCdoB-CE), altera o artigo 464 da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT).
O colegiado deverá apreciar também o Projeto de Lei
da Câmara (PLC 42/2007), de autoria do Executivo, que dispõe
sobre o valor do salário mínimo a partir de 2007 e estabelece
diretrizes para a sua política de valorização
de 2008 a 2023. Outra matéria a ser analisada é o PLS
nº 345/2007 que limita em 20% da remuneração ou
do benefício disponível o desconto de pagamento de valores
referentes a empréstimos e financiamentos a idosos que percebam
até três salários mínimos.
Constam ainda da pauta da CAS várias propostas que tornam obrigatório
o oferecimento de exames médicos de vista e auditivos, entre
outros, a crianças do ensino fundamental e a neonatais.
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Agência Diap, 9 de
fevereiro de 2008
RESUMO DA SEMANA
Congresso retoma atividades;
pauta da Câmara está travada por MPs
Esta semana, o Congresso Nacional retomou as atividades
parlamentares, mas sem votações, pois a pauta
da Câmara está bloqueada por seis medidas provisórias
e três projetos de lei em regime de urgência
constitucional. No Senado, a pauta não está travada,
entretanto a agenda de votações só será definida
na próxima terça-feira (11), em reunião
do presidente da Casa, Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN), com
os líderes partidários.
No plano do debate sindical, a novidade foi a decisão do ministro-relator,
Celso de Mello, sobre a ação que o PPS move contra a
contribuição sindical. Celso de Mello, antes de oferecer
parecer sobre a demanda, quer ouvir a Advocacia-Geral da União
(AGU) e até o presidente da República. O tema é controverso
e o ministro não quer emitir parecer que possa ferir preceitos
constitucionais. O prazo legal para essa oitiva é de cinco dias.
Ainda no plano sindical, outra novidade é o lançamento
hoje (08), em Brasília, de uma nova central sindical de trabalhadores.
Trata-se da Central Sindical de Profissionais (CSP). A iniciativa é da
Confederação Nacional das Profissões Liberais
(CNPL). Na carta de princípios, a CSP se denomina “classista
e democrática”, que nasce da “necessidade de representação
própria sentida por profissionais liberais e autônomos
em todo território nacional”.
No imbróglio da CPI dos cartões corporativos do Governo,
a comissão ganha força no Senado, pois a base aliada
na Casa é minoritária e a pauta está livre para
que os partidos da oposição – DEM, PSDB e PSol – possam
fazer este movimento sem prejuízo da agenda de votações,
que ainda será definida.
Para evitar mais constrangimentos, o Governo saiu na frente e propôs
a CPI, inclusive para investigar como foram os gatos em 2001, quando
o cartão foi implantado no Governo, no final do segundo mandato
do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Se a oposição
conseguir viabilizar seus planos e com a ajuda da imprensa, esta segunda
sessão legislativa nasce comprometida, porque em geral a primeira
coisa que acontece quando se instala um CPI é implodir a pauta
de votações.
Dois destaques
É relevante destacar dois eventos que acontecerão na próxima
semana. O primeiro abaixo-assinado pela redução da jornada de trabalho,
encabeçado pelas centrais sindicais. O movimento defende a redução
da jornada de trabalho, sem redução do salário e benefícios.
Os atos de lançamento ocorrerão em todo o País, dando continuidade à Campanha
Nacional Unificada pela Redução da Jornada de Trabalho, iniciada
pelas centrais em janeiro. O evento será na próxima terça-feira
(11), em São Paulo.
Outro evento que merece destaque é o ato de lançamento
da Campanha em Defesa das Reformas Democráticas: Tributária,
Política, da Educação, Urbana, Agrária
e Democratização da Mídia. O ato quer marcar a
mobilização pelas reformas democráticas como prioridade
na agenda políticas de 2008. O movimento é articulado
pelos partidos de esquerda.
O lançamento da campanha será na próxima quarta-feira
(20), quando cinco partidos políticos - PCdoB, PDT, PSB, PT
e PR – reunirão filiados, militantes e amigos comprometidos
com as mudanças sugeridas para o País, em ato que se
realizará no auditório Nereu Ramos da Câmara dos
Deputados. Está confirmada a presença dos presidentes
e líderes dos partidos organizadores.
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Agência Diap, 9 de
fevereiro de 2008
MOVIMENTO SINDICAL
Profissionais liberais e autônomos
fundam central sindical
Os profissioais liberais e autônomos do País
decidiram, por meio de sua entidade máxima, a Confederação
Nacional das Profissões Liberais (CNPL) fundar uma
central sindical que defenda os interesses das várias
profissões que compõem sua base representativa.
De acordo com a Confederação, os trabalhadores liberais
e autônomos do País estavam sem uma representação
nas centrais já existentes, “há mais de dois anos
a categoria procurava uma central que atendesse as reivindicações
dos profissionais liberais”, comenta Luiz Sérgio, coordenador
da Central Sindical de Profissionais (CSP), denominação
da nova central que passará a ocupar o cenário do movimento
sindical.
A CSP será lançada oficialmente nesta sexta-feira (08),
após decisão da categoria. O ato político que
dará vida a reivindicação dos profissionais liberais
será no hotel Meliá Confort, em Brasília. Segundo
informações dos dirigentes sindicais presentes em Brasília,
a entidade deverá contar com filiação imediata
de sete federações e 30 sindicatos. (André Santos)
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Agência Diap, 9 de
fevereiro de 2008
CUSTEIO SINDICAL
Relator da ação
do PPS contra a contribuição sindical quer
ouvir AGU sobre a demanda
O relator da ação constitucional de
Argüição de Descumprimento de Preceito
Fundamental (ADPF), que questiona a compulsoriedade da contribuição
sindical, de autoria do Partido Popular Socialista (PPS),
ministro Celso de Mello, quer mais tempo para oferecer parecer
sobre essa demanda.
O ministro deu um despacho, com base na Lei 9.882/99, parágrafo
2º, que determina que “o relator poderá ouvir os órgãos
ou autoridades responsáveis pelo ato questionado, bem como o
Advogado-Geral da União ou o Procurador-Geral da República,
no prazo comum de cinco dias.” (Marcos
Verlaine)
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Diário Vermelho, 9
de fevereiro de 2008
Eleições 2008:
oposição e mídia continuarão
com ofensiva
A oposição e a mídia partidarizada
de direita devem insistir numa agenda negativa para o país
em 2008. Essa é a avaliação do líder
do PCdoB no Senado, Inácio Arruda (CE). Segundo o
senador, o grande avanço da esquerda no país,
seja em estados ou em municípios, que historicamente
eram dominados pela direita, está “amedrontando” os
partidos conservadores.
Neste ano de 2008, ano de eleições municipais, a direita
intensificou sua ofensiva para barrar esse crescimento, e consequentemente,
o desenvolvimento do país. “As bancadas dos democratas
e dos tucanos vão agir para criar, muitas vezes de forma artificial,
enormes obstáculos para uma ação de governo proativa
em defesa do Brasil”.
O senador lembra que, nos dois mandatos do presidente Lula, a direita
e a mídia conservadora comportaram-se de forma golpista, desvirtuando
os grandes debates. Com a posição do governo no segundo
mandato, de assumir mais responsabilidades com as questões que
são do interesse em todos os setores, essa ofensiva se agravou. “A
oposição bastante reacionária, no seu papel conservador,
quase que repetindo as posições daquela direita mais
atrasada que nós vimos no país no período de 50,
60, até o golpe militar, está tentando de toda sorte
criar condições para desestabilizar o governo”.
Para o comunista, conseguir dar uma noção de política
de estado a uma série de programas no campo social foi um dos
maiores avanços do segundo mandato do Governo Lula. Todos esses
programas, segundo Inácio, culminaram com o anúncio do
Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). “Com
investimentos significativos em áreas importantes. Isso dá uma
certa pujança ao desenvolvimento econômico brasileiro,
que mesmo com essa crise que estamos assistindo no Estados Unidos,
você tem o estado brasileiro em condições de dar
uma avançada maior, crescer mais. Esse é o fato mais
significativo”.
O resultado disso, segundo o parlamentar cearense, é que “tanto
a mídia mais conservadora e a oposição, vinculadas
diretamente, tem se batido em encontrar os meios de como deixa-lo (PAC)
fora do debate, ou só faze-lo quando for para destratar o projeto,
o PAC. Passando a investir em outras questões que possam criar
uma espécie de divisionismo frente à população”.
Esse tipo de posicionamento, na opinião do senador, prejudica
a população. “A direita brasileira sempre trabalhou
com a idéia que o desenvolvimento deve servir a concentração
da riqueza e nunca a distribuição, nunca a um crescimento
com desenvolvimento”.
Inácio lamenta que a direita continue agindo assim. O senador
faz um alerta: “Eles vão avançar nisso, principalmente
o pessoal do PFL, hoje democratas, que colocam como centro o problema
da questão da ética, da moral, os gastos do governo com
os ministros, daqui a pouco o gasto do Congresso Nacional”.
O senador acha que todas essas questões devem ser tratadas,
mas nem todas são questões centrais. “A questão
central é que você tem o PAC, que tem repercussão
nos estados e nos municípios. Cada estado pode enumerar 10 obras
de impacto no seu estado que estão sendo feitas com recursos
transferidos da União. Às vezes com 100% desses recursos
e outras com uma contrapartida do estado que nunca chegam a montantes
superiores a 30%”.
Irresponsabilidade x responsabilidade
Entre as diversas investidas da direita contra o governo no ano de
2007, a não aprovação da CPMF está entre
as mais irresponsáveis, avalia Inácio. “O gasto
de 40 bilhões na área de saúde é considerado
uma gastança por essa elite que não precisa do setor
público para ter atendimento de saúde”.
Inácio lembra que “quem usa a saúde pública é a
população mais pobre, os que não têm renda
nenhuma ou que têm salários baixos. É a população
que é atendida pelo SUS, pelos hospitais públicos, que
precisam do acesso ao medicamento, às vacinas. E tudo isso é feito
com recursos do tesouro nacional que é destinado para todos
os estados. Todos estados foram absolutamente, de forma criminosa,
prejudicados pela ação, especialmente, da oposição”.
Inácio afirma que o PCdoB sente-se bastante tranqüilo
para falar sobre o tema CPMF. O senador lembra que o seu partido, no
governo do tucano, Fernando Henrique Cardoso, votou a favor duas vezes,
tanto na aprovação como na prorrogação,
da CPMF. “Nós não tínhamos nenhum compromisso
com o governo FHC, mas tínhamos compromisso com a população
brasileira”.
“No caso da oposição atual, eles não têm
compromisso nem com o Governo Lula, e nem com o povo brasileiro”.
O comunista explica que “a direita quer apenas uma política
restrita aos interesses da grande elite econômica brasileira.
Ela não consegue enxergar que as possibilidades de crescimento,
de desenvolvimento do país, elas são muito melhores quando
você dá uma oportunidade maior ao povo brasileiro”.
Eleições 2008
A ofensiva continuará, alerta Inácio, “principalmente
porque é um ano político”. Ele percebe que “há uma
batalha de fundo. Os partidos da base do governo, principalmente o
PCdoB, que pela primeira vez vai participar com um grande número
de candidatos, lançarão candidatos em quase todos os
municípios do país”.
“O esforço que temos que promover é avançar
nos espaços que sempre foram dominados pela direita brasileira
e isso vai ensejar um embate muito grande”, conclama Inácio.
De Brasília
Alberto Marques
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Agência Brasil, 9 de
fevereiro de 2008
Trabalhador pode acessar saldo
atualizado do FGTS na internet
Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Os trabalhadores que quiserem ter acesso ao saldo
diário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)
pela internet devem ir a uma agência da Caixa Econômica
Federal (CEF) para solicitar senha.
Segundo a Caixa, é preciso levar a Carteira de Trabalho ou
de Identidade e o número do PIS/Pasep. Os trabalhadores que
têm o Cartão do Cidadão, mas não cadastraram
a senha, também devem ir a uma agência da Caixa com o
cartão e a identidade ou Carteira de Trabalho e solicitar o
cadastramento. Depois de conseguir a senha, é necessário
cadastrá-la no site da Caixa.
Desde o dia 31 de janeiro, o banco está com o site de consultas
ao FGTS reformulado e com saldo atualizado diariamente, desde que as
contas estejam com os dados cadastrais corretos.
Segundo o gerente nacional de Pagamentos do FGTS da Caixa, Henrique
José Santana, a idéia é dar segurança no
acesso e permitir ao trabalhador acompanhar se são feitos os
depósitos na conta. “A partir do momento em que o trabalhador
tem o saldo do dia, potencializa a ação de ele ser o
próprio fiscal da sua conta vinculada”.
De acordo com Santana, outra mudança foi na base de contas
disponíveis para a consulta, que aumentou de 80 milhões
para 135 milhões.
Além de acessar o saldo e extrato pela internet, o trabalhador
recebe bimensalmente os dados em casa. No site, é possível,
inclusive, atualizar os dados cadastrais, como o endereço para
receber correspondência.
Segundo a Caixa, a estimativa é de que, no mínimo, 34,5
milhões de trabalhadores estejam aptos à utilização
dos serviços do FGTS na internet. Santana esclareceu que não é necessário
ser correntista da Caixa para ter acesso ao serviço, e que a
senha de acesso à conta corrente não tem vínculo
com os dados do FGTS.
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Gazeta do Povo, 9 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | TRABALHO
Cem mil paralisarão
atividades para defender redução de jornada
no Brasil
São Paulo – Na próxima segunda-feira, as principais
centrais sindicais do país – Central Única dos Trabalhadores
(CUT), Força Sindical e União Geral dos Trabalhadores (UGT) – se
reúnem no centro da capital paulista para lançar um movimento
para a redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas
semanais para 40 horas semanais, sem diminuição de salários.
Cerca de cem mil trabalhadores devem paralisar suas atividades por
duas horas em 31 municípios do estado de São Paulo, na
capital e no interior, em apoio à mobilização.
O objetivo é coletar cerca de 1,5 milhão de assinaturas,
quantidade necessária para apresentar um projeto de lei de iniciativa
popular sobre a proposta ao Congresso já no início de
2009. Os trabalhadores defendem uma discussão entre trabalhadores,
empresários e governo em um fórum a ser instalado.
Os trabalhadores argumentam que a redução da jornada
semanal sem diminuição de salários não
gera custos adicionais devido aos avanços tecnológicos,
que possibilitaram que a produtividade aumentasse 150% nos últimos
15 anos, enquanto que, no mesmo período, o poder de compra dos
trabalhadores se manteve e a quantidade de pessoas empregadas diminuiu
consideravelmente.
“A tecnologia é para o bem da humanidade como um todo
ou para a concentração de renda de alguns?”, questiona
um dos líderes do movimento na direção nacional
da CUT, Aparecido Donizete da Silva, coordenador da Confederação
Nacional dos Químicos. Silva argumenta que o fim das horas extras
possibilitaria a contratação de novos empregados sem
aumento de gastos. Para as centrais, os trabalhadores precisam ter
mais tempo disponível para se dedicar a treinamento, qualificação,
lazer e saúde.
Já os empresários são contra as mudanças
e sugerem que a proposta é um aumento salarial disfarçado.
Para eles, qualquer redução na jornada de trabalho passa
necessariamente por uma diminuição salarial, e uma paralisação
de atividades para apoiar a proposta é considerada inaceitável.
“Isso é um aumento camuflado. Somos contra, porque aumenta
o custo das empresas, diminui a competitividade e não traz benefícios
reais ao trabalhador”, critica o diretor do Departamento Sindical
da Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp), Roberto Della Manna. A indústria defende que
não há como discutir o assunto sem antes aprovar as reformas
trabalhista e sindical no Congresso. O diretor diz ainda que a produtividade
da indústria brasileira precisa aumentar ainda mais para fazer
frente aos baixos preços dos produtos importados.
Divergências à parte, ao menos em um ponto tanto trabalhadores
quanto empresários concordam. É improvável que
a redução da jornada de trabalho gere uma quantidade
significativa de novos empregos. “Novos empregos serão
gerados, mas não serão suficientes para acabar com o
desemprego no país”, admite Silva.
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Gazeta do Povo, 9 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | INDÚSTRIA
IBGE prevê cenário
favorável em 2008
Se a crise nos EUA não
atrapalhar, setor industrial brasileiro deve registrar mais
um ano de crescimento
Rio de Janeiro – A comemoração dos bons resultados
de 2007 não desviou a atenção dos economistas
para as perspectivas da indústria em 2008. Silvio Sales, do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), disse
que os resultados do último trimestre do ano passado e os indicadores
já conhecidos para o início deste ano “sugerem
que a indústria está entrando em 2008 num quadro favorável”.
Otimista, o consultor do Iedi, Julio Sérgio Gomes de Almeida,
acredita que o setor apresentará um crescimento de “pelo
menos” 6% em 2008. Essa expectativa só será frustrada,
segundo ele, caso ocorra aumento nos juros (taxa Selic) ou um agravamento
da crise mundial. O argumento de Gomes de Almeida, assim como o de
Sales, é de que a indústria chegou turbinada ao quarto
trimestre do ano passado, quando registrou crescimento de 8% ante igual
período do ano anterior. Essa aceleração foi observada
em todas as categorias, sobretudo em bens de capital (24% no período
de outubro a dezembro, ante o quarto trimestre de 2006).
Por outro lado, economistas de bancos como o Bradesco e Unibanco e
da consultoria LCA projetam uma expansão de 5% para 2008. Os
argumentos diferem. Bráulio Borges, da LCA, cita os possíveis
efeitos, no Brasil, da desaceleração da economia dos
Estados Unidos como impedimento para uma elevação maior.
Já os analistas do Bradesco comentam, em relatório, que
o ritmo da indústria deverá se manter bastante forte
no primeiro semestre, mas entre julho e dezembro o setor manufatureiro
deve diminuir o ritmo por causa de alguns fatores, como menor expansão
da massa salarial e os efeitos de uma base de comparação
mais elevada, representada pela magnitude dos resultados de 2007.
Giovanna Rocca, do Unibanco, também citou a elevada base do
ano passado e sublinhou que, ainda que menor do que o verificado no
ano passado, o crescimento previsto para 2008 é significativo
para o setor industrial.
Desaceleração
Mesmo que os dados do último trimestre de 2007 tenham sido
muito fortes, Sales admite que houve uma desaceleração
no crescimento do setor no último bimestre. Na comparação
com o mês anterior, houve queda de 0,6% na produção
em dezembro, depois de um recuo de 2% assinalado em novembro ante outubro.
Segundo Sales, essas quedas podem refletir o “pico” da
produção apurado em outubro, quando houve um aumento
de 3,3% ante setembro. Ele destacou que os dados na margem de dezembro “não
sinalizam nenhuma reversão na trajetória de crescimento
da atividade industrial” e acentuou que está mantida a
tendência de crescimento. “A desaceleração
no final do ano não significa inflexão”, declarou.
Na comparação com dezembro de 2006, a produção
aumentou 6,4% no último mês do ano passado.
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Gazeta do Povo, 9 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | TRANSPORTES
Trabalhadores não querem
greve
A Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários
do Estado do Paraná (Fetropar) divulgou nota ontem defendendo
o controle da jornada dos caminhoneiros e a decisão da Justiça
do Trabalho do Mato Grosso que, desde 21 de janeiro, limitou em 8 horas
a carga diária de trabalho para os profissionais.
Na quarta-feira, a Federação das Empresas de Transporte
de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) anunciou que, se a
medida continuar em vigor, as empresas pretendem fazer uma greve por
tempo indeterminado. “Esta ameaça de greve dos patrões
vai contra uma decisão judicial legítima que visa a cumprir
a legislação trabalhista e diminuir os acidentes nas estradas.
O controle de jornada é totalmente viável a partir do registro
do tacógrafo, papeleta ou do monitoramento via satélite”,
disse o presidente da Fetropar, Epitácio Antonio dos Santos, em
nota enviada à imprensa. A nota da Fetropar faz coro à posição
do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam),
que também é contra a paralisação. A entidade
afirmou que é contra a decisão judicial, mas não
vai fazer greve, por acreditar que ela é mais prejudicial para
a categoria do que a delimitação da carga horária.
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Folha de São Paulo,
9 de fevereiro de 2008
SÃO PAULO
Vereador é cassado
por ter chamado colega de "Clodovil"
DA AGÊNCIA FOLHA
Um vereador de General Salgado (SP) teve o mandato cassado na noite
de anteontem por quebra do decoro porque chamou um colega, durante
discussão em plenário, de "Clodovil". A cassação
ocorreu após ter sido instaurada uma comissão processante
na Câmara Municipal.
Segundo o presidente da comissão, Marco Antônio Gato (PSB),
o vereador Célio Gambi (PDT) "comparou" seu colega Marcos
Alencar (PTB) ao deputado federal Clodovil Hernandes (PR-SP) no ano passado: "Entendemos
que teve conotação pejorativa. O plenário é para
se discutir projetos, não para discutir a vida pessoal dos vereadores",
disse Gato.
Alencar elogiou a medida adotada pela Câmara: "Sou pai de
família, tenho uma filha de quatro anos". Já Gambi
disse que ele fora ofendido por Alencar: "Quem me chamou de homossexual
foi o Marcão. Por ele estar sempre nervoso, falei que ele era
igual ao Clodovil, mas no sentido de ser explosivo".
A assessoria de Clodovil Hernandes informou que ele não comentaria
o caso. (JOSÉ EDUARDO RONDON)
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Folha de São Paulo,
9 de fevereiro de 2008
Pré-candidatos na Câmara
gastam R$ 940 mil nas férias
Valor foi pago a 105 deputados em verba
indenizatória durante o recesso de janeiro
"Verba de gabinete" de R$ 15 mil por mês
foi criada para ajudar o deputado em seu Estado, ressarcindo despesas
como aluguel
SILVIO NAVARRO, MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Um grupo de 105 deputados que admite interesse em disputar prefeituras
nas eleições de outubro gastou R$ 938 mil em verba indenizatória
nas "férias" do Congresso. O valor corresponde a 30%
do total pago pela Câmara em "verba de gabinete" em
janeiro (R$ 3,1 milhões).
Desses 105, 63 (60%) gastaram, durante o recesso, quantias que vão
de R$ 500 até R$ 15 mil (teto mensal da verba) com despesas que
podem ser usadas para promover a imagem: "divulgação
da atividade parlamentar" ou "consultorias e pesquisas".
Foram gastos R$ 370,2 mil nessas duas rúbricas.
Os dados levantados pela Folha constam da prestação de
contas dos parlamentares de janeiro. A discriminação do
tipo de despesa é de acesso público, mas a Câmara
não fornece as notas fiscais dos gastos nem faz análise
delas -proíbe apenas recibos sem valor fiscal vendidos em papelaria.
Criada em 2001, a "verba de gabinete" de R$ 15 mil mensais é destinada
a dar suporte ao deputado em seu Estado, ressarcindo despesas de aluguel
de escritório, gasolina, internet, entre outros. No ano, cada
um deles tem direito a R$ 180 mil. Caso o parlamentar extrapole ou não
atinja esse teto em algum mês, há uma "compensação" nos
meses seguintes.
Segundo consulta às lideranças dos partidos na Casa, ao
menos 150 deputados pleiteiam ir às urnas em outubro disputar
vagas para prefeito. Desses, 105 usaram a verba no mês passado. "Há uma
faixa cinzenta onde começa o interesse eleitoral e onde termina
o interesse de divulgação do mandato", disse o líder
do PDT, Miro Teixeira (RJ), a favor do fim da verba. "Candidato
que não é parlamentar sai em desvantagem sobre aqueles
que já são deputados", afirmou.
A lista de quem mais usou a verba é encabeçada por Gonzaga
Patriota (PSB-PE), que pretende concorrer à Prefeitura de Petrolina:
R$ 18,8 mil, sendo R$ 5.000 para divulgar o mandato. Nem o deputado nem
sua assessoria foram localizados. O deputado Fernando de Fabinho (DEM),
que concorrerá em Feira de Santana (BA), usou R$ 15,1 mil da verba,
sendo R$ 9.434 em promoção do mandato. Seu gabinete diz
que ele usou os recursos em um boletim do seu mandato.
Paulo Rubem Santiago (PDT-PE), que vai disputar a Prefeitura de Jaboatão
dos Guararapes, gastou R$ 15,9 mil da verba. Ele disse que os recursos
foram usados para ajudar na locomoção de grupos de maracatu
que se apresentaram no Estado. A assessoria dele complementou dizendo
que voltou a circular um informativo do mandato, mas negou que seja pré-campanha.
Pré-candidata do PT em Porto Alegre, Maria do Rosário usou
R$ 15 mil em janeiro, sendo R$ 4.960 em divulgação do mandato
e R$ 2.490,76 em pesquisas e consultorias. A assessoria dela alegou que
ela mantém um jornal semestral. Edson Santos (PT), que pleiteia
disputar a eleição no Rio, gastou R$ 15.380,12. Desse valor,
R$ 1.500 foram para divulgação e R$ 5.000 em consultoria.
Ele disse que os R$ 1.500 são para manter seu site.
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Folha de São Paulo,
9 de fevereiro de 2008
PREÇOS
Ano começa com
inflação menor, mas acima da de 2007
CIRILO JUNIOR
DA FOLHA ONLINE, NO RIO
O resultado do IGP-DI (Índice Geral de Preços -Disponibilidade
Interna) de janeiro, que registrou alta de 0,99%, indica que a inflação
medida pelo índice já está consolidada em um patamar
mais elevado do que o verificado no início de 2007, ainda que
haja influências sazonais. A avaliação é do
economista Salomão Quadros, do Ibre (Instituto Brasileiro de
Economia), da FGV.
Segundo ele, as seguidas pressões inflacionárias dos alimentos
e das commodities, principalmente no segundo semestre de 2007, colocaram
a inflação em outro estágio.
O IGP-DI de janeiro mostra desaceleração em relação
a dezembro, quando o índice havia subido 1,47%. Para Quadros,
há espaço para que a inflação caia ainda
mais. Ele pondera, no entanto, que nos próximos meses o índice
dificilmente voltará aos patamares constatados no início
de 2007.
Em janeiro do ano passado, o IGP-DI teve alta de 0,43%, desacelerando
para 0,23% no mês seguinte e chegando a 0,14% em abril. Quadros
explicou que a inflação acumulada nos últimos 12
meses -alta de 8,49%- está bem acima da verificada há um
ano, quando não passava de 3,49%.
" O que tem de ser observado é qual será o teto mínimo
dessa inflação. Ela está caindo devagar. Daqui a dois meses,
deve estar ainda mais baixa, mas ainda acima do índice do ano passado.
O IPA (Índice de Preços por Atacado) de janeiro desacelerou
para 1,08%, depois de alta de 1,9% em dezembro. Vilões da inflação
em 2007, os preços dos alimentos aumentaram 1,6% em janeiro (4,27%
em dezembro).
O destaque ficou por conta do feijão, que, depois de subir 27,22%
em dezembro, aumentou 2,48% em janeiro. Também subiram menos a
carne bovina -4,45% em dezembro e 0,38% em janeiro- e a carne suína
-alta de 8,34% e queda de 1,01%.
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Revista Consultor Jurídico,
9 de fevereiro de 2008
Falta de licença
Madeireira é obrigada
a suspender atividades
O juiz Gabriel da Silveira Matos, titular da 2ª Vara da Comarca
de Nova Mutum (MT), determinou a suspensão das atividades da empresa
Indústria e Comércio de Madeiras Ranchão. A empresa
trabalhava na região sem licenciamento ambiental do Estado. A
multa por descumprimento é R$ 10 mil por dia.
Matos determinou, ainda, que seja expedido Mandado para lacrar o estabelecimento,
caso a empresa funcione sem licença devida. Ele se baseou no
artigo 60, da Lei 9.605/98. A pena para quem “construir, reformar,
ampliar, instalar ou fazer funcionar, em qualquer parte do território
nacional, estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente
poluidores, sem licença ou autorização dos órgãos
ambientais competentes, ou contrariando as normas legais e regulamentares
pertinentes” é de um a seis meses de prisão ou
multa. Ou ainda ambas as penas.
Segundo a Justiça, a livre iniciativa é constitucionalmente
garantida, prevista no artigo 5º, inciso XIII da CF, porém
determinadas atividades dependem de autorização legal. “A
própria Constituição estabelece como princípio
limitador da livre iniciativa e da ordem econômica a defesa do
meio ambiente (artigo 170, VI da CF)”, ressaltou. Ele explicou
que a legislação infraconstitucional estabelece obrigatoriedade
de licença prévia para exploração de recursos
ambientais.
A ação foi ajuizada pelo Ministério Público
por causa da atuação da empresa na zona rural de Nova
Mutum. Após a investigação, constatou-se que a
empresa era registrada na Junta Comercial, mas até 2005 não
tinha obtido licença ambiental embora estive operando normalmente.
A empresa tem o prazo de 15 dias para contestação, sob
pena de revelia.
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