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Folha de São Paulo,
12 de fevereiro de 2008
Mínimo deve subir para ao menos
R$ 412
Salário terá no próximo
mês reajuste superior ao previsto pelo governo; mesmo assim,
poder de compra será o menor desde 2005 | Inflação
registrada pelo INPC superou previsões no Orçamento;
proposta inicial era elevar o valor do mínimo de R$ 380 para
R$ 407
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O salário mínimo
terá neste ano um reajuste superior ao previsto originalmente
pelo governo e deverá subir para pelo menos R$ 412 a partir do
próximo mês. Hoje está em R$ 380. Mesmo com a nova
conta, porém, o aumento do poder de compra do mínimo será o
menor desde 2005.
Pela regra proposta no ano passado pelo governo Luiz Inácio Lula da
Silva, o reajuste deve ser igual à variação da inflação
medida pelo INPC mais o crescimento da economia contabilizado dois anos antes.
A revisão dos indicadores para o Orçamento de 2008, divulgada
ontem pelo Congresso, aponta que a inflação ultrapassará as
previsões anteriores.
Quando elaborou o projeto de lei orçamentária, em agosto passado,
estimava-se um mínimo de exatos R$ 407,33, a partir de um INPC acumulado
de 3,7% entre abril de 2007 e fevereiro deste ano. Com a recente aceleração
dos preços, resultado, principalmente, da alta dos alimentos, a nova
previsão subiu para 4,6%.
A nova taxa força o governo a acrescentar R$ 5,07 ao valor do mínimo,
o que significará mais gastos com previdência, assistência
social e seguro-desemprego. Cada R$ 1 acrescentado ao mínimo significa
cerca de R$ 180 milhões em gastos da União por ano.
Para quem recebe o mínimo, porém, o ganho real são os
mesmos 3,75% referentes ao crescimento do Produto Interno Bruto em 2006, um
meio termo entre os magros índices do início de seu governo e
a bonança dos últimos anos.
Na primeira metade do primeiro mandato, Lula concedeu reajustes reais que somaram
apenas 2,4%. Depois, com folga na economia e dificuldades na seara política,
os ganhos do salário mínimo dispararam, chegando a 13% na campanha
eleitoral de 2006.
A nova estimativa para o mínimo tornou mais problemático o corte
de gastos a ser anunciado hoje pelo relator do Orçamento, deputado José Pimentel
(PT-CE), para compensar a derrubada da CPMF. Embora a regra de reajuste proposta
ainda não tenha sido convertida em lei, para o governo petista seria
muito difícil politicamente adotar um critério menos vantajoso
para o aumento.
Dependendo dos números da inflação em fevereiro, a conta
pode sair maior. Se usadas as estimativas dos analistas de mercado para a variação
dos preços, o mínimo subiria para R$ 413,54 -e a praxe do governo
tem sido a de arredondar para cima e usar valores múltiplos de dez.
Como as despesas vinculadas ao salário são obrigatórias,
será necessário cortar em outras áreas.
Ainda assim, o corte total a ser divulgado hoje será menor que os R$
20 bilhões mencionados pelo governo, graças à nova estimativa
de arrecadação concluída ontem pelo senador Francisco
Dornelles (PP-RJ).
Mesmo sem os R$ 38 bilhões da CPMF, os números de Dornelles indicam
receita total de R$ 686,8 bilhões neste ano, R$ 4,1 bilhões acima
do previsto no projeto do governo. Descontados os recursos compartilhados com
Estados e municípios, há uma perda modesta para a União,
de R$ 2,7 bilhões.
"O Executivo tradicionalmente subestima a arrecadação",
disse Dornelles, ex-ministro da Fazenda e ex-secretário da Receita Federal.
O corte necessário dependerá das despesas que deputados e senadores
quiserem incluir no Orçamento com as chamadas emendas parlamentares.
Ontem previam-se emendas de ao menos R$ 12 bilhões.
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CFT/PR , 12 de fevereiro
de 2008
Qual é o único imposto
existente na constituição que ainda não é cobrado?
Luiz Robson Mota

A maioria esmagadora da população brasileira não sabe
responder a essa pergunta. Infelizmente, muitos parlamentares e jornalistas
também não, mas o fato é de que existe um imposto previsto
na Constituição da República Federativa do Brasil, desde
1988, que nunca foi regulamentado.
Surpreso? Muitos podem pensar: Em tempos de discussões sobre a prorrogação
da CPMF, do aumento da alíquota do IOF e da CSLL, como pode existir
um imposto que nunca foi cobrado pelo governo!? Afinal, somos todos conhecedores
da fúria arrecadadora do fisco e das deficiências estatais, tão
proclamadas na hora de justificar a criação e o aumento de impostos.
O professor Osíris de Azevedo Lopes Filho criticou veementemente o fato
de um imposto provisório (IMPF) ter se tornado uma contribuição
provisória (CPMF), que quase se eternizou no cenário tributário.
No entanto, essa tem sido uma prática comum adotada pela maioria dos
governantes. Em nível municipal, cite-se a atrocidade feita com a taxa
de iluminação pública (TIP), depois de julgada inconstitucional
por não atender ao requisito da divisibilidade (art. 145, II, CF), foi
convertida em contribuição (CIP), que não necessita atender
aos mesmos requisitos da taxa. Portanto, bastou alterar a nomenclatura de um
tributo para legitimar a sua cobrança.
Feitas essas breves considerações, voltemos ao tema principal:
O imposto existente na Constituição Federal que ainda não é cobrado
chama-se Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF). Esse tributo encontra previsão
no artigo 153, inciso VIII, da CFB/88. Todavia, pelo próprio nome, o
leitor pode deduzir por que esse imposto ainda não foi regulamentado, é porque
os mais abastados desse país são políticos e banqueiros,
ambos comandantes do processo legislativo brasileiro.
Em 5/10/2008, a nossa amada Constituição completará 20
anos, mas ainda parece muito distante o dia em que esse imposto virá a
ser cobrado. Na verdade, é bem provável que ele fique somente
no papel ou, então, seja objeto de uma emenda com o fim de fulminá-lo
do Texto Maior, pois foi exatamente isso o que aconteceu com a limitação
dos juros em 12% ao ano.
Em 2003, já no governo Lula, foi aprovada a Emenda Constitucional n.º 40
que revogou o § 3.º do art. 192 da Constituição, retirando
a referida limitação, sem nunca ter sido regulamentada. Mais
uma vez os bancos venceram e o povo perdeu. É por isso que os juros
do cheque especial ou do cartão de crédito já chegaram
aos patamares de 12% ao mês, enquanto deveria ser de apenas 1%.
Outro ponto que coopera para o “aborto” do IGF é o fato
de que o povo tem escolhido somente milionários para representá-lo
no Congresso Nacional. A bancada do PR é a 2.ª mais rica do Congresso,
perdendo tão somente para o DF.
Assim, vemos o povo paranaense entregando o ouro ao bandido. Pessoas que tem
patrimônio pessoal de R$ 8,25 milhões nunca votarão um
projeto para regulamentar o IGF. Não é preciso nenhuma pesquisa
para saber que pessoas assim jamais enfrentaram uma fila em hospital ou escola
pública.
Destarte, não sei se posso concordar com a máxima de que o povo
está mais consciente do seu voto, porque o que vemos é a criação
de uma oligarquia e não de uma democracia. Todavia, cumpre-nos esclarecer
e ao povo decidir. Porém, desde já, agradeço a Deus por
existir um meio de comunicação onde possamos divulgar essas preciosas
informações e deixar clara a nossa insignificante indignação.
Luiz Robson Mota é advogado tributarista.
Pós-Graduado pela Escola Estadual de Magistratura do Estado
do Paraná. Mestrando da PUC/PR
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Folha de São Paulo, 12 de fevereiro
de 2008
Mais beneficiados
Convênios para qualificar mão-de-obra,
geridos pelo Ministério do Trabalho, precisam melhorar seus
controles
O SISTEMA Público de Emprego, Trabalho e Renda (SPETR), gerido pelo
Ministério do Trabalho com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador),
tem como objetivo qualificar trabalhadores e colocá-los no mercado de
trabalho.
Por meio da resolução nº 560, de 28 de novembro de 2007,
o Codefat (Conselho Deliberativo do FAT) ampliou as instituições
responsáveis pela execução das ações do
Sistema de Emprego. Além dos órgãos dos governos estaduais,
do Distrito Federal, das capitais e dos municípios com mais de 200 mil
habitantes, foi permitida a celebração de convênios com
entidades privadas sem fins lucrativos (artigo 5º). As organizações
candidatas devem submeter projetos "à aprovação das
respectivas comissões municipais de emprego e às comissões
estaduais".
Com a economia em expansão e as empresas contratando mais, fica cada
vez mais evidente a importância dessas ações, diante da
carência de mão-de-obra qualificada no país. Infelizmente,
a má gestão e as suspeitas de desvios de recursos continuam a
solapar a eficiência e a credibilidade das estruturas criadas para atender,
com dinheiro público, a essa crescente demanda.
Segundo reportagem publicada ontem nesta Folha, uma entidade ligada à Força
Sindical, com dois grandes centros de mão-de-obra, poderá receber
R$ 13,5 milhões para treinamento e colocação de trabalhadores
em São Paulo. O gasto com colocação por beneficiado seria
de R$ 195,33 -quase o dobro do montante despendido em 2007 pelos 205 centros
do governo paulista e conveniados com prefeituras na mesma finalidade.
É possível que os custos para treinar mão-de-obra sejam
um pouco mais baixos para entidades públicas, pois elas não têm
de arcar com aluguéis e, em certos casos, com funcionários. Mas,
se o serviço prestado é o mesmo, se a colocação no
mercado de trabalho se dará da mesma maneira, é obviamente preferível
alocar o dinheiro dos contribuintes onde mais cidadãos serão beneficiados.
Não se pode, ademais, menosprezar o histórico de desconfiança
sobre esses convênios para empregar e treinar trabalhadores. Alvos de
várias suspeitas de desvio de finalidade e de recursos, submetidas a
um péssimo controle sobre o uso do dinheiro repassado, tais parcerias
vinham sendo evitadas nos últimos anos.
Se o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), pretende retomar essas operações,
no mínimo precisa apresentar novas medidas de controle para dificultar
o mau uso do dinheiro público. Um modo simples de efetuar essas alterações
seria exigir que os custos apresentados pelos candidatos a parceiros sejam
semelhantes aos menores atualmente praticados.
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MARACAJU NEWS, 12 de fevereiro
de 2008 | Geral
Trabalhadores da construção
civil pedem 20% de aumento
Campo Grande
Trabalhadores da construção
civil cobram reajuste de 20% para vigorar a partir de 1º de março,
data base da categoria. O índice reivindicado está acima
da inflação, mas foi definido como forma de compensar as
perdas dos últimos 13 anos, explica o Sindicato dos Trabalhadores
na Indústria da Construção Civil e do Mobiliário
de Campo Grande.
Em 1995 o piso salarial de um pedreiro equivalia a 2.2 salário, o que
hoje significaria R$ 836,00. Mas o valor praticado atualmente é de R$
555,00 conforme a Convenção Coletiva de Trabalho, que vigora
até 28 de fevereiro e que equivale a 1.45 salário mínimo.
A remuneração é considerada injusta pela categoria, principalmente
porque o setor está aquecido.
A solicitação
já foi encaminha ao sindicato patronal. “Devemos lembrar
que a convenção coletiva é uma via de mão
dupla, ou seja, os dois lados devem ser beneficiados com esse acordo
válido por um ano”, comentou o presidente do Sindicato
dos Trabalhadores da construção Civil, Samuel da Silva
Freitas.
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FOLHA DE LONDRINA, 12 de
fevereiro de 2008 | Economia
Mercado financeiro espera inflação
mais alta em 2008
Brasília - Os analistas do mercado financeiro ajustaram para cima as
previsões em relação à inflação deste
ano. A expectativa é que o Índice de Preços ao Consumidor
(IPCA) fique em 4,45% em 2008, contra 4,44% no levantamento anterior, segundo
o boletim Focus do Banco Central.
Esse índice é utilizado
pelo governo no sistema de metas de inflação, que tem como
centro da meta 4,5%, com margem de tolerância dois pontos percentuais
para cima ou para baixo.
A previsão para o IGP-DI
(Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna) subiu
de 4,90% para 5,05%. Já o do IGP-M (Índice Geral de Preços
do Mercado) foi elevado de 5,04% para 5,06%.
Em relação aos
juros, os analistas mantiveram a previsão de que a Selic irá terminar
o ano do jeito que começou, em 11,25% ao ano. Para 2009, a aposta é que
a Selic chegue a 10,25% ao ano.
Os analistas esperam ainda que
o PIB (Produto Interno Bruto) tenha uma expansão de 4,50% neste
ano e que a produção industrial cresça 5%, mesmas
projeções do levantamento anterior.
Para 2008, a expectativa é que
US$ 30 bilhões em investimentos estrangeiros entrem no país,
contra os US$ 28 bilhões esperados anteriormente.
A expectativa para a balança
comercial é que ela termine o ano com o saldo positivo em US$
30 bilhões. Já o dólar, segundos os analistas, deve
chegar a dezembro cotado a R$ 1,80.
Ana Paula Ribeiro
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O ESTADO DO PARANÁ,
12 de fevereiro de 2008 | Economia
Prazo para sacar PIS vai até 30
de junho
Redação Tribuna
do Paraná
Os trabalhadores com direito
ao abono do PIS, no valor de um salário mínimo, têm
até 30 de junho para sacar o valor.
Por desinformação,
todos os anos milhares perdem o benefício. Dos 11,91 milhões
que têm direito, 688,09 mil trabalhadores ainda não sacaram
o correspondente a R$ 261,47 milhões.
Antes de ir aos locais de atendimento, é importante
o trabalhador verificar primeiro se recebeu ou não os benefícios
antecipadamente, por meio de crédito em conta. Para se certificar,
basta olhar os extratos bancários de julho e novembro de 2007
e, também, os contracheques dos salários de julho, agosto
ou setembro do ano passado.
O abono pode ser retirado
com o cartão do cidadão e senha nas máquinas de
auto-atendimento, casas lotéricas e Caixa Aqui, inclusive em
fins de semana. Quem não tem o cartão do cidadão
deve procurar uma agência da Caixa e levar documentos de identidade
e comprovante de inscrição no PIS.
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Folha de São Paulo,
12 de fevereiro de 2008
Acordo evita "devassa" em
contas de Lula e FHC na CPI
Base governista e oposição
concordam com comissão mista e investigação
desde 1998 | Objetivo é que apurações sobre
cartões corporativos não aprofundem gastos do presidente
e do tucano, preservando seus familiares
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Palácio do Planalto fechou um acordo com o PSDB na busca de uma CPI "controlada" dos
Cartões Corporativos. A idéia é evitar uma devassa nas
contas do presidente Lula e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o que
pode esfriar as investigações.
Enquanto o governo cedeu, admitindo uma comissão mista -na Câmara
e Senado-, o PSDB aceitou que a investigação ocorra a partir
de 1998, englobando cinco anos do governo FHC.
O acordo, fechado entre o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR),
e o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), quase ruiu após uma troca de
telefonemas do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), com Fernando
Henrique. O ex-presidente se irritou com a ampliação do foco
das investigações. No final do dia, porém, Guerra admitiu
que havia sido fechado um acordo.
"Eu acho que a CPI não deve fazer uma devassa na vida dos presidentes
[Lula e FHC]. Não deve, por exemplo, chegar aos familiares, em coisas
pessoais deles" disse Sampaio.
O ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais)
entrou em contato no domingo com Sérgio Guerra, procurando um entendimento
para a criação de uma "CPI civilizada", que não
tenha o único intuito de investigar os gastos presidenciais de Lula
e de FHC.
Do lado tucano, o ministro ouviu não ser interesse do partido fazer
uma devassa nas contas do petista, mas uma investigação profunda
sobre o uso dos cartões.
Segundo a Folha apurou, o governo espera contar com os tucanos para evitar
que uma investigação dos gastos de Lula e FHC cheguem a detalhes,
revelando por exemplo o que é consumido no Palácio da Alvorada.
O Planalto sabe, porém, que enfrentará dificuldades nessas negociações.
Afinal, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), é totalmente
refratário a um entendimento com o governo.
Na cúpula tucana, a avaliação foi que Carlos Sampaio agiu
precipitadamente por dois motivos: 1) não se preocupou em consultar
FHC nem a direção do partido; 2) permitiu que, com a participação
da Câmara, o governo controle a comissão, indicando presidente
e relator.
Presidência
com PMDB
Com maioria folgada na Câmara, o governo pretende deixar a presidência
da CPI nas mãos de um peemedebista aliado e indicar um deputado do PT
para a relatoria. A oposição não aceita e sugere o nome
do senador Renato Casagrande (PSB-ES), considerado "independente".
Para convencer Jucá a aceitar a CPI mista, Sampaio disse ao governista
que o seu requerimento permitiria que as investigações atingissem
os cinco últimos anos do governo FHC, abrangendo os cartões e
as chamadas contas "tipo B" (depósitos feitos nas contas dos
servidores e sacados, com posterior apresentação de notas).
" Expliquei ao senador Jucá que a justificativa do requerimento incluiria
a data de criação do decreto 2809/1998, portanto atingindo o governo
do presidente FHC", disse Sampaio. "Ele ficou satisfeito e decidiu
retirar o pedido que havia feito para uma CPI somente no Senado", completou
o tucano.
E-mail
Além da conversa no gabinete do líder do governo, Sampaio enviou
um e-mail com o texto da proposta, lembrando decisão do ex-ministro
do STF (Supremo Tribunal Federal) Paulo Brossard, que determina que "CPIs
podem aprofundar suas investigações em relação
a fatos correlatos, não especificados no requerimento de sua instalação".
Os termos do acordo feito pelo deputado provocaram irritação. "Conosco,
não há nada fechado. Isso é acordo da Câmara",
disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). "Isso terá de ser
discutido pelos líderes da oposição no Senado", completou.
" Não temos o que temer", disse o presidente do PSDB, senador
Sérgio Guerra (PE).
Depois, em entrevista, o senador tucano disse que o acordo fechado teria de
ser discutido pelo líder do partido no Senado, Arthur Virgílio. "Eu
quero ouvi-lo antes de qualquer coisa", afirmou.
Distante das divergências no Senado, o líder do PSDB na Câmara,
Antonio Carlos Pannunzio (SP), já recolhia assinaturas para o requerimento
de Carlos Sampaio.
" Vamos superar qualquer mal-entendido. A CPI é positiva para a sociedade,
vamos investigar", disse Pannunzio sobre o desentendimento com o Senado.
(VALDO CRUZ, ADRIANO CEOLIN, SILVIO NAVARRO
E MARIA CLARA CABRAL)
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Congresso
em Foco, 12 de fevereiro de 2008
CPI chapa-branca não existe, diz
Sampaio
O autor do requerimento da
CPI mista dos cartões corporativos, deputado Carlos Sampaio
(PSDB-SP), disse agora há pouco que não acredita que
a comissão corra o risco de ser "chapa-branca" (ou
seja, favorável aos interesses do governo).
" CPI chapa-branca dentro de um contexto de CPI mista não existe,
porque a pressão vem da sociedade, da imprensa. Portanto, por mais que
queiram blindar este ou aquele governo, não adianta: os requerimentos
vão sendo aprovados porque os parlamentares, minimamente, se sentem constrangidos
sabendo que a sociedade está acompanhando", disse Sampaio.
O deputado tucano negou a existência de acordo para que não fossem
investigados os gastos nos governos de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz
Inácio Lula da Silva. E disse também que as despesas da conta "B" serão
determinantes para a investigações no governo tucano. A chamada "conta
B" se refere aos gastos da Presidência da República a partir
da criação do cartão corporativo do governo federal, em
1998. Entretanto, o cartão só começou a viger em 2001,
e os gastos institucionais neste espaço de três anos são
denominados "conta B".
" Existe uma relação direta entre conta 'B' e cartão
corporativo", disse Sampaio, afirmando que é exatamente essa relação
que vai gerar a investigação no âmbito da CPI. "A investigação
não vai poupar ninguém. Quem errou vai ter de responder pelos seus
atos."
Mais cedo, líderes oposicionistas reclamaram da postura do deputado
Carlos Sampaio, que anunciou um acordo entre governo e oposição
para instalar uma CPI mista, com a condição de que fossem investigados
os gastos com cartão corporativo desde 1998.
Insônia
A declarações de Sampaio foram dadas pouco antes de o deputado
encontrar o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), um
dos principais críticos da retroação da CPI ao governo
FHC. "Não há fato determinado [à época do
governo FHC] que justifique essa investigação", argumentou
Virgílio.
" Vamos investigar tudo aquilo que venha de um fato concreto, determinado,
envolvendo qualquer governo, este ou o governo do presidente Fernando Henrique.
Mas sejamos bem claros: vamos investigar denúncias que se referem a mais
um abuso e mais uma corrupção no governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva", atacou o senador, pronunciando pausadamente o nome de Lula.
Virgílio lembrou que o supracitado "fato determinado" foi
uma referência constante durante o carnaval. "Fatos concretos nós
temos às dúzias. A imprensa passou o carnaval todo dando mais
destaque à roubalheira do cartão corporativo do que à Juliana
Paes e às demais rainhas de bateria. Essa é a lamentável
verdade", disse o tucano, que acompanhou o carnaval (e o noticiário)
brasileiro de Portugal, onde passava férias.
O líder tucano descartou a "morte" da CPI já em seu
nascedouro, hipótese levantada depois do acordo anunciado hoje entre
oposição e governo . "Se isso tira o sono do governo, então
ele pode não dormir porque não vai deixar de haver CPI. Houve
abuso e corrupção com o dinheiro público em cartões
corporativos. Nós vamos começar a investigação
por aí", alertou. (Fábio Góis)
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Gazeta do Povo, 12 de fevereiro
de 2008
BRASIL | CPI DOS CARTÕES
Acordo não agrada à oposição
nem a aliados
DEM e PSDB aceitam investigar gastos da gestão
FH
Brasília – O acordo
fechado entre o líder do governo no senado, Romero Jucá (PMDB-RR),
e o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), para criação
de uma CPI mista que vai investigar os gastos com os cartões
corporativos e suprimentos de fundos do governo federal desde 1998
conseguiu desagradar tanto a setores da base aliada quanto da oposição,
mas a expectativa é que ele seja mantido.
No acordo, enquanto o governo
cedeu e aceitou que a CPI seja mista e não apenas no Senado, DEM
e PSDB aceitaram incluir nas investigações gastos do governo
do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso com as chamadas “contas
B” – que posteriormente foram substituídas, em parte,
por cartões corporativos.
O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, disse que conversou com Sampaio
e este informou que tentaria uma negociação, mas o presidente
da sigla não esperava que já saísse um acordo definitivo.
Apesar de frisar que não há acordo sem ouvir os senadores, Sérgio
Guerra não parece disposto a propor o rompimento.
O líder do DEM, senador
José Agripino Maia (RN), também não gostou do fechamento
do acordo sem passar pelos líderes no Senado, mas não deu
sinais de que vai propor o rompimento do acordo. Agripino, no entanto,
mandou um recado para o governo, que não abre mão de ficar
com a presidência e a relatoria da comissão, já que
tem maioria nas duas Casas. Ele quer que Carlos Sampaio, autor do requerimento
de criação da CPI, fique com uma das funções
de comando.
Na base aliada, o deputado Ciro
Gomes (PSB-CE) criticou o acordo, afirmando que não assinará nenhum
pedido de CPI. “Acho esse negócio de CPI ridículo,
uma obsessão besta de quem quer aparecer”, afirmou.
O líder do PR, Luciano
Castro (RR), uniu-se ao coro e criticou o acordo entre Jucá e
Sampaio: “Eu sou contra a CPI. O que o governo tem que fazer é usar
os órgãos de fiscalização e punir os que
fizeram mau uso do cartão”, disse.
Em meio às denúncias,
o grupo de coordenação política do Planalto avaliou
ontem que os cartões são eficientes no controle de gastos
públicos. No encontro, que durou pouco mais de duas horas, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o relato de que os cartões
podem ser mantidos sem riscos ao governo por ser considerados “transparentes” pelos
ministros que os administram. O grupo de ministros também avaliou
como positiva a iniciativa de instalação de CPI. A cúpula
do governo avalia que “não há o que temer” nas
apurações.
O chefe de Gabinete do presidente
Lula, Gilberto Carvalho, disse ontem que as denúncias a respeito
de uso indevido dos cartões corporativos não configuram
nenhum escândalo, conforme afirmou o presidente do Tribunal de
Justiça do Estado de São Paulo, Roberto Antônio Vallim
Bellocchi, na abertura do Ano Judiciário, na capital paulista. “Não
vejo escândalo. Vejo erros que foram cometidos e que vão
ajudar, inclusive, pedagogicamente a uma prática melhor de governo”,
disse ele.
Alvaro
vê “entendimento estranho”
Principal articulador para a criação de uma CPI mista dos cartões
corporativos até a semana passada, o senador paranaense Alvaro Dias
(PSDB) ficou decepcionado com o acordo entre governo e oposição
para a instalação da comissão. Ele defendia que as investigações
ficassem restritas ao governo Lula (2003-2008), mas a negociação
entre partidos ampliou o inquérito também aos últimos
cinco anos da gestão Fernando Henrique Cardoso (1998-2002). “Do
jeito que está, essa CPI passa a idéia de um entendimento estranho”,
afirmou.
O tucano chegou a coletar assinaturas
para uma CPI mista para abranger só a administração
petista, mas desistiu ontem. Ele declarou que é contra a investigação
do período FH porque não foi apontado nenhum fato determinado
dessa época. Os cartões corporativos são utilizados
desde 2002 e, antes, a prática era o uso das contas tipo B, na
qual o pagamento era feito mediante comprovante de despesa.
Para Alvaro, a CPI começará sem
foco. “Quem quer investigar demais, acaba não investigando
nada”, diz. Ele usou como argumento uma resposta dada pela ministra
da Casa Civil, Dilma Rousseff, quando há dois anos o Senado solicitou
informações sobre despesas da Presidência da República,
entre 2003 e 2005. “Ela (Dilma) disse que era impossível
mandar porque eram 23 mil notas fiscais e 100 mil páginas de prestação
de contas. Imagine quantos contêineres vamos precisar para apurar
dez anos.”
André Gonçalves,
correspondente
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FOLHA DE LONDRINA, 12 de
fevereiro de 2008 | Geral
Horário de verão termina
no próximo fim de semana
São Paulo- Terminará no próximo fim de semana mais uma
edição do horário de verão, que teve início
no dia 14 de outubro do ano passado. À meia-noite de sábado (16)
- zero hora de domingo (17) -, os relógios deverão ser atrasados
em uma hora nas regiões sul, sudeste e centro-oeste - o norte e o nordeste
do País não entraram no esquema.
No começo desta edição
do horário de verão, o Ministério de Minas e Energia
previa uma economia de mais de 2.000 MW, o que significaria uma redução
no consumo no horário de pico entre 4% e 5%. O resultado oficial,
no entanto, deverá ser divulgado nos próximos dias.
O horário de verão
foi adotado pela primeira vez no Brasil em 1931 e teve duração
de cinco meses. Até 1967, a mudança no horário foi
decretada nove vezes. Desde 1985, porém, o esquema vem sendo repetido
sem interrupções, com diferenças somente nos Estados
atingidos e no tempo de duração.
No período de 2006 para
2007, o horário de verão se iniciou no dia 05 de novembro
de 2006, em razão das eleições gerais naquele ano,
e se estendeu por 112 dias, período menor, portanto, do que entre
2007 e 2008.
Paulo R. Zulino
Agência Estado
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ÂMBITO JURÍDICO,
12 de fevereiro de 2008
União se compromete a acabar
com terceirização ilegal
Um acordo homologado pela juíza do Trabalho da 17ª Vara do Trabalho
de Brasília, Rejane Maria Wagnitz, pretende por fim à terceirização
ilegal praticada pela União. O ministro do Planejamento Paulo Bernardo
Silva e o Advogado-Geral da União José Antônio Dias Toffoli
assinaram um termo de conciliação judicial proposto pelo Ministério
Público do Trabalho (MPT).
O acordo prevê a substituição,
até julho de 2009, de pelo menos 30% do pessoal terceirizado de
forma irregular. Outros 30% serão dispensados até dezembro
do mesmo ano e o restante do pessoal até dezembro de 2010. Serão
rescindidos todos os contratos de prestação de serviços
que não estejam de acordo com o disposto no decreto nº 2271,
de 7 de junho de 1997. Pela decreto, a terceirização é permitida
apenas para trabalhadores de atividades de conservação,
limpeza, segurança, vigilância, transportes, informática,
copeiragem, recepção, reprografia, telecomunicações
e manutenção de prédios.
"Este acordo reduzirá muito
o número de ações na Justiça do Trabalho" garantiu
o juiz titular da 17ª Vara do Trabalho Paulo Henrique Blair, que
acompanhou as negociações desde que foram iniciadas, em
2006. Para o juiz, o acordo levará a União a utilizar a
terceirização apenas nos limites juridicamente corretos.
O acordo prevê ainda que
agentes públicos responderão de forma solidária
caso contratem ou permitam que terceiros firmem contratos de prestação
de serviços irregulares. A multa foi estipulada em R$1mil por
trabalhador. "Pode parecer pequena, mas se levarmos em conta que
dezenas de milhares de trabalhadores encontram-se hoje contratados irregularmente
pela União, este valor é enorme", afirmou o juiz Paulo
Blair.
A expectativa do procurador do
Trabalho que propôs a ação civil pública,
Fábio Leal Cardoso, é que o acordo seja cumprido. Já que
não foram enfrentados obstáculos durante a negociação. "A
União está consciente de que este problema deve ser resolvido",
afirmou. Para ele, o maior problema foi o estabelecimento de um cronograma
que atendesse às necessidades da União e às expectativas
do MPT.
O Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão tem até 31 de julho deste ano
para concluir estudo que demonstre as reais necessidades da força
de trabalho realizada pelos terceirizados em todo o âmbito da administração
pública direta.
Fonte: TRT10
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ÂMBITO JURÍDICO,
12 de fevereiro de 2008
Tribunal Arbitral não pode
homologar rescisão de contrato de trabalho
Tribunais arbitrais não podem homologar rescisões de contratos
de trabalho ou realizar quaisquer atos referentes às questões
individuais trabalhistas. A Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro acolheu
pedido do Ministério Público do Trabalho, feito em ação
civil pública contra a Sociedade Brasileira de Conciliação
- Tribunal de Justiça Arbitral Águia de Haia.
Segundo o MPT, a entidade pratica
atos irregulares não só pelo fato de não ser órgão
legítimo para homologação como também por
usar mecanismos que, aparentemente, demonstravam que a atividade era
oficial. A entidade foi condenada ainda ao pagamento de R$ 500 mil a
títulos de danos morais coletivos.
A denúncia chegou ao MPT
por intermédio do Ministério Público do Estado,
que informou sobre o funcionamento do tribunal arbitral como órgão
homologador de rescisões de contrato de trabalho. O procurador
do Trabalho Patrick Maia Merísio instaurou representação
para investigar o caso.
Cerca de 150 cópias de "sentenças" arbitrais
foram anexadas à investigação. Segundo o procurador,
os documentos eram expedidos em papel timbrado, com simulação
do brasão de armas da República com o objetivo de demonstrar
que a atividade era oficial.
Os documentos também faziam
referência ao Ministério do Trabalho, uma vez que no cabeçalho
estava escrito "Tribunal de Justiça Arbitral Águia
de Haia - 1ª Sub-Delegacia Regional de Santa Cruz".
"As sentenças eram
padronizadas, tratavam sempre de rescisão de contrato de trabalho
e demissão sem justa causa, possibilitando plena e geral quitação
para todos os efeitos legais. Isso viola a CLT, no seu artigo 477, que
dispõe que a quitação extrajudicial só pode
ser dada por parcela", explicou Merísio.
Além disso, esclareceu
o procurador, a Lei de Arbitragem não permite a utilização
deste instituto para dirimir conflitos individuais trabalhistas. "É importante
que empresas e trabalhadores saibam que a arbitragem sobre direitos trabalhistas
indisponíveis é ilícita", alertou o procurador
do Trabalho.
Merísio explicou ainda
que somente os termos de conciliação firmados perante as
Comissões de Conciliação Prévia têm
validade executiva na Justiça do Trabalho, o que não acontece
com a sentença arbitral, cuja validade se dá somente na
esfera civil. "A própria jurisprudência já firmou
entendimento referente à impossibilidade da arbitragem para resolver
conflitos individuais trabalhistas", acrescentou.
Com base nas informações
e dados colhidos, o Ministério Público do Trabalho ajuizou
ação civil pública, com pedido de tutela antecipada,
para que a Sociedade Brasileira de Conciliação - Tribunal
de Justiça Arbitral Águia de Haia fosse impedida de homologar
rescisão de contrato de trabalho individual.
Foi concedida a antecipação
de tutela pela 53ª Vara do Trabalho. A juíza Juliana Castelo
Branco proferiu sentença e confirmou a ilicitude da atuação
do Tribunal Arbitral.
Fonte: PRT1
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ÂMBITO JURÍDICO,
12 de fevereiro de 2008
TRT mantém multa contra Telemar
por não restabelecer plano de saúde de empregada
aposentada
O TRT de Minas Gerais, por sua 5ª Turma, acatando os fundamentos da relatora,
juíza convocada Adriana Goulart de Sena, negou provimento a agravo de
petição de uma empresa telefônica (Telemar Norte Leste
S/A), mantendo a sua condenação ao pagamento da multa mensal
de R$500,00 por descumprimento de obrigação de fazer imposta
em sentença. No caso, a empresa foi intimada diversas vezes para comprovar
o restabelecimento da assistência médica, odontológica
e farmacêutica à reclamante, nas mesmas condições
anteriormente concedidas, seja através da própria TELEMED ou
pela contratação de outro plano de saúde equivalente,
mas não atendeu à determinação judicial.
No entendimento da relatora,
embora conste no processo a informação de que o plano Telemed
foi extinto e substituído por outro similar, a empresa não
demonstrou o restabelecimento da assistência farmacêutica à reclamante,
nem comprovou a equivalência entre o antigo e o novo plano. Ao
contrário, os documentos anexados deixam claro que a lista de
serviços não cobertos no novo benefício é bem
mais extensa que a do antigo plano empresarial.
Assim, uma vez que a reclamada
não cumpriu a obrigação imposta, a Turma manteve
a condenação da empresa ao pagamento da multa fixada na
sentença. Consta ainda da decisão a advertência de
que, caso continue agindo com a nítida intenção
de retardar o processo, a empresa poderá ainda ser multada por
ato atentatório à dignidade da Justiça (artigo 601
do CPC).
(
AP nº 01102-2001-114-03-00-6 )
Fonte: TRT3
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
12 de fevereiro de 2008
Justiça bloqueia R$ 2 milhões
de indústria que descumpriu acordo
Marina Diana
Deixar de cumprir as determinações
estabelecidas em um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) fez com que
a Justiça determinasse o bloqueio imediato dos valores havidos
em conta corrente da empresa ou dos sócios da Versatti Indústria
e Comércio de Confecções. O montante chega a R$
2.265.302,73. A empresa afirma que vai recorrer.
Em decisão proferida no
dia 31 de janeiro deste ano, o juiz da 89ª Vara do Trabalho de São
Paulo, Marcos Neves Fava, determinou, ainda, a lacração
do estabelecimento, que só será reconsiderada mediante
o depósito do valor mencionado em sentença. A ação
foi movida pelo MPT (Ministério Público do Trabalho de
São Paulo.
O acordo foi firmado com o MPT-SP
em 2001. Na época, a Versatti era acusada de inúmeras irregularidades
em sua linha de produção. O Termo de Ajustamento de Conduta
pretendia corrigir os impasses trabalhistas, mas, segundo consta na sentença,
o termo não foi cumprido. A empresa alegou, no curso do processo,
que cumpriu o Termo.
“Em juízo, o responsável
pela executada disse-me que não só havia cumprido os termos
do ajuste, como que não contava mais com empregados, senão
poucos (...). Mentiu!. Os termos da vistoria são, para dizer o
mínimo, assustadores”, afirmou o magistrado. “Os empregados — que
não são apenas ‘alguns’, mas somam mais de
300 trabalhadores — se expõe a risco iminente porque o ambiente
laboral se encontra em total desconformidade com as mais rudimentares
normas de saúde e segurança do trabalho (...). A situação é periclitante”,
diz o magistrado.
No entendimento do juiz, a assinatura
do TAC é uma confissão da empresa de que existiam irregularidades
para com os trabalhadores. “A executada fez pouco caso, menoscabou
o compromisso que assinou (...) O objetivo desta execução
não é, pois, a satisfação do pagamento da
multa prevista pelo título, mas, ao lado desta exigência,
o cumprimento efetivo da obrigação”.
O valor, se depositado, a princípio,
fica em juízo para depois ser repassado a um fundo social ou à Santa
Casa de Misericórdia.
Valor
alto
Última Instância entrou em contato com a sede da indústria
Opera Rock, em São Paulo, que também responde pela Versatti. A
reportagem falou com a assessoria de imprensa que, na seqüência, encaminhou
a ligação para Carlos Leite, que afirmou ser o responsável
pelo setor de recursos humanos da empresa Versatti.
Ele disse que a Versatti vai
recorrer da decisão porque o valor “não condiz” com
a realidade. Afirmou também a existência do acordo firmado
há oito anos e que uma nova reunião acontecerá ainda
nesta semana com o Ministério Público do Trabalho de São
Paulo para renegociar a condição da empresa e “firmar
um novo TAC”.
A informação
sobre a reunião, no entanto, não foi confirmada pela
assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho
de São Paulo.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
12 de fevereiro de 2008
Valisère assina TAC para inibir
violações trabalhistas
A Valclub Indústria e Comércio de Confecções Ltda.,
empresa controlada pela Valisère, com sede em Amparo (SP), firmou TAC
(Termo de Ajustamento de Conduta) com 31 itens de adequação do
meio ambiente de trabalho e atendimento à legislação trabalhista.
Segundo informações
do MPT, uma diligência realizada na empresa em 24 de janeiro encontrou
dezenas de irregularidades trabalhistas, que variam de assédio
moral para obtenção de quotas de produção à falta
de conforto térmico. Dentre as irregularidades apontadas estavam
a ausência de programas de prevenção e falta especificação
quanto aos riscos e produtos químicos utilizados.
A ação foi fruto
de um trabalho conjunto do procurador Nei Messias Vieira, da Procuradoria
Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP), integrantes
do Centro de Referência de Saúde do Trabalhador e do auditor
fiscal Antonio Carlos Avancini, do Ministério do Trabalho.
Ainda de acordo com o MPT, acidentes
de trabalho não estavam sendo comunicados e foram constatadas
irregularidades e ilegalidades no banco de horas, além de trabalho
extraordinário sem remuneração.
No TAC assinado, a Valclub se
comprometeu a adequar todas as atividades e promover os programas de
proteção da saúde dos trabalhadores, sob pena de
multa, pelo não cumprimento de cada um dos 31 itens, em valores
que variam de R$ 1.000 a R$ 10 mil a cada violação constatada,
sem prejuízo de renovação da aplicação
da multa, caso não seja imediatamente sanada a irregularidade
ou seja a irregularidade mantida ou repetida.
Última Instância
buscou a assessoria de imprensa da Valisère, mas não
conseguiu contato até o momento.
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Folha de São Paulo, 12 de fevereiro
de 2008
CRISE
Ford pode demitir até 9.000 nos EUA
DA BLOOMBERG
A Ford, terceira maior montadora mundial, poderá fechar cerca de 9.000
postos de trabalho em fábricas nos Estados Unidos por meio de planos
de demissão voluntária.
Os cortes viriam se somar aos 33,6 mil funcionários sindicalizados que
deixaram a empresa por meio de planos de demissão voluntária
e de antecipação de aposentadorias adotados em 2006 e 2007, quando
a Ford teve um prejuízo de US$ 15 bilhões.
Cortes adicionais poderão ajudar a Ford a voltar à lucratividade
por meio da aceleração da contratação de novos
funcionários, que deverão receber cerca de metade do salário
dos empregados atuais.
A Ford não tem uma estimativa sobre quantos funcionários aceitarão
os planos de demissão, que foram propostos para um primeiro grupo de
empregados no mês passado.
O número de funcionários da Ford na América do Norte caiu
de 99,5 mil para 64 mil entre os anos de 2005 e 2007.

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