 |
VERMELHO, 13 de fevereiro
de 2008 | Movimentos
Centrais sindicais elegem três
temas para negociar em Brasília
Reconhecimento das centrais sindicais,
redução da jornada de trabalho e ratificação
de normas da Convenção da OIT são os três
temas que trazem as centrais sindicais esta semana à Brasília.
Os líderes sindicais começaram a chegar nesta terça-feira
(12) para contatos com os governistas e a oposição
na Câmara. Eles querem convencer os deputados a votarem a favor
do projeto de reconhecimento das centrais sindicais como foi aprovado
no Senado.
O anúncio foi feito pelo deputado Paulinho da Força (PDT-SP),
que divulgou a agenda dos líderes sindicais. Nesta quarta-feira (13),
eles terão reunião com os líderes da base aliada e, em
seguida, farão contatos – o conhecido corpo-a-corpo – com
deputados da oposição, para sensibilizá-los para aprovação
do projeto das centrais sindicais garantindo a manutenção da
cobrança do imposto sindcial.
" O projeto de legalização
das centrais sindicais é o oitavo da pauta e deve ser votado na
próxima semana, pretendemos a partir de hoje explicar aos líderes – da
base e da oposição – a importância de aprovar
essa legalização e de votar no projeto que foi votado no
Senado, que fez as modificações que as centrais gostariam
que fosse feitas desejam", afirmou o parlamentar.
Os líderes sindicais, que lançaram
nesta segunda-feira (11), em São Paulo, a campanha pela redução
da jornada de trabalho, vão aproveitar para recolher assinaturas
para o abaixo assinado que apoia o projeto dos senadores Inácio
Arruda (PCdoB-CE) e Paulo Paim (PT-SP) pela redução da
jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
Segundo Paulinho da Força, a campanha
será desenvolvida por meio de manifestações e paralisações
pelo país até o dia 1o de Maio, quando serão entregues
as assinaturas no Congresso Nacional, "com grandes manifestações
pelo País", ressalta.
Na quinta-feira (14), o Presidente Lula vai
assinar, em solenidade no Palácio do Planalto, uma menção
de envio para o Congresso ratificando a Convenção 151 e
158 da OIT, que o Brasil é signatário desde 1940, mas não
cumpre. Em seguida, as centrais sindicais e um ministro da área
vão entregar o documento aos presidentes da Câmara, Arlindo
Chinaglia (PT-SP) e do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN).
A Convenção 151 da OIT se refere
a garantias a toda organização que tenha por fim promover
e defender os interesses dos trabalhadores da função pública.
E a 158 dá garantias aos trabalhadores da iniciativa privada. "São
duas medidas bastante polêmicas e exatamente por isso não
andaram há mais de 50 anos", explica o parlamentar
Quatro por um
O projeto de reconchecimento das centrais sindicais
que saiu da Câmara acabava com o imposto sindical e determinava
que o Tribunal de Contas da União (TCU) fiscalizaria as contas
das centrais. No Senado, o acordo feito entre parlamentares e sindicalistas
restabelece a cobrança do imposto sindical e mantêm a fiscalização.
Segundo Paulinho da Força, "fizemos
acordo para que o governo mande projeto criando novas contribuições
sindicais", explicando que pela proposta – já pronta – as
três contribuições existentes hoje – o imposto
sindical, o assistencial e a contribuição confederativa – serão
substituídas por um única.
" Nós estamos acertando com o ministro
(do Trabalho, Carlos Lupi) uma contribuição para substituir
todas as contribuições, aprovada em assembléia na época
do dissídio e descontada de todos os trabalhadores que forem beneficiados
pelo acordo". Sobre o valor existem várias propostas, mas
o parlamentar defende que o Ministério envie a proposta sem estabelecer
o valor, que deve ser decidido no Congresso, "até para dar
margem de negociação e evitar polêmica", afirmou.
Jornada menor
A Proposta de Emenda à Constituição
que reduz a jornada de trabalho é de autoria do senador Inácio
Arruda e se encontra na Mesa da Câmara dos Deputados aguardando
a criação da Comissão Especial exigida pelo regimento
interno da Casa para apreciação de emendas. O presidente
da Câmara garantiu, durante reunião de líderes realizada
na tarde desta segunda-feira (11), que a Comissão Especial será instalada.
O autor da proposta cita o estudo do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)
para justificar a proposta. A redução da jornada de trabalho
de 44 para 40 horas semanais (uma queda de 9,09%) poderia gerar 2,25
milhões de postos de trabalhos no País.
O deputado Paulinho da Força reforça
o argumento de que a redução da jornada de trabalho significa
a criação de dois milhões de empregos. Ele avalia
que de 1988 para cá, quando a Constituição reduziu
de 48 para 44 horas semanais a jornada de trabalho, a produção
produção triplicou e os trabalhadores diminuíram,
resultado da automação das empresas.
Ele citou o exemplo da Wolkswagem, que tinha
44 mil trabalhadores e hoje tem 12 mil e a produção quadruplicou. "Os
trabalhadores não foram beneficiados pela tecnologia", denuncia,
destacando que a discussão sobre o assunto deve envolver o Congresso,
governo e empresariado.
O parlamentar sugere que o governo apresente,
dentro da proposta de reforma tributária, um item de redução
de imposto para garantir a redução da jornada de trabalho
sem redução de salário. Segundo ele ainda, a perda
inicial da arrecadação seria compensada com a arrecadação
com os novos trabalhadores.
De Brasília
Márcia Xavier
|
UOL
ECONOMIA, 13 de fevereiro de 2008
Emprego na indústria avança
2,2% em 2007, maior alta em seis anos
RIO - O nível de emprego na indústria
nacional subiu 2,2% no ano passado, com elevação no
contingente de trabalhadores nas 14 áreas investigadas e em
12 dos 18 setores analisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) na Pesquisa Industrial Mensal de Empregos
e Salários. Foi a taxa mais alta da série histórica
do estudo, que teve início em 2001, destacou o organismo.
No mês de dezembro de 2007, porém, houve queda de 0,5%
no patamar do emprego, na série livre de ajustes sazonais.
No ano passado, nas áreas onde ocorreram
ampliação do quadro de empregados, as influências
mais expressivas partiram de São Paulo (3,5%), com a taxa
mais elevada, Paraná (3,1%), região Nordeste (1,4%)
e Minas Gerais (1,5%).
Na média nacional por setor, aqueles
que mais contrataram foram os meios de transporte, produtos de metal
e máquinas e equipamentos, com crescimento de 7,7%, 7,3% e
7%, respectivamente, além de alimentos e bebidas, com elevação
de 4% no quadro de pessoal.
No confronto dezembro de 2007 com o mês
final de 2006, o emprego na indústria aumentou 3,5%. Nesse
confronto, 12 dos 14 locais estudados e 12 dos 18 segmentos avaliados
ampliaram o contingente de trabalhadores.
"São Paulo (5,6%), Paraná (5,5%),
região Norte e Centro-Oeste (3,6%) e Minas Gerais (2,8%) figuram
com as contribuições mais significativas para o total
do país. Nesses estados, o contingente de trabalhadores aumentou
principalmente nos segmentos produtores de bens de consumo duráveis
(automóveis e eletrodomésticos), de bens de capital,
além de setores tipicamente exportadores, particularmente
de commodities alimentares", ressaltou o IBGE em nota em sua
página eletrônica.
(Valor Online)
|
UOL ECONOMIA, 13 de fevereiro
de 2008
Desemprego cai para o menor nível
desde 1998, diz pesquisa
Da Redação
Em São Paulo
A taxa de desemprego caiu de 14,6%, em novembro, para 14,2%, em dezembro, segundo
pesquisa da Fundação Seade e do Dieese (Departamento Intersindical
de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos). O número é o
menor desde que o levantamento começou a ser feito, em janeiro de 1998.
O estudo abrange seis regiões
metropolitanas do país: Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife,
Salvador, São Paulo e Distrito Federal.
Na média de 2007, a taxa
ficou em 15,5%, ante 16,8% em 2006. O contingente de desempregados estimado
no ano foi de 3 milhões, 180 mil a menos do que em 2006. Em dezembro,
esse contingente ficou em 2,8 milhões de pessoas, 87 mil a menos
do que no mês anterior.
No ano, foram gerados 553 mil
novos postos de trabalho, número mais do que suficiente para absorver
a quantidade de pessoas que entraram no mercado de trabalho (374 mil)
e reduzir o contingente de desempregados em 180 mil. O contingente de
ocupados foi estimado em 16,4 milhões de pessoas.
Em dezembro, o nível de
ocupação cresceu 0,8%. O número de postos de trabalho
gerados (128 mil) superou o de pessoas que entraram no mercado de trabalho
(42 mil), reduzindo o contingente de desempregados em 87 mil pessoas.
O total de ocupados nas seis regiões passou a ser estimado em
16,9 milhões pessoas.
Renda
e setores
Entre outubro e novembro de 2007, o rendimento médio real dos ocupados
não variou, e o dos assalariados permaneceu relativamente estável
(queda de 0,2%). Em termos monetários, seus valores corresponderam a
R$ 1.075 e R$ 1.149, respectivamente.
A Construção Civil
apresentou as maiores taxas de crescimento no nível ocupacional
nas regiões pesquisadas. A Indústria teve desempenho modesto
no total das regiões (1,8%), mas foi especialmente dinâmica
em Belo Horizonte (9,8%) e Salvador (7,5%) e manteve-se relativamente
estável em São Paulo (-0,3%), a região com o maior
contingente de ocupados no segmento.
O Comércio apresentou
o segundo melhor desempenho no conjunto das regiões (5,1%): no
Distrito Federal verificou-se a sua maior taxa de crescimento (7,2%)
e, em Porto Alegre, a menor (-0,4%). O nível de ocupação
nos Serviços cresceu em todas as regiões, a taxas que variaram
entre 2,5%, em São Paulo, e 7,4%, em Salvador.
|
FOLHA
DE SÃO PAULO, 13 de fevereiro de 2008 | Dinheiro
Caixa reduz juro para financiar imóveis
Maior diminuição ocorreu para residências
com valor acima de R$ 350 mil; prazo para amortização foi
ampliado para 30 anos
| Taxa de juros do banco deve ficar no máximo em 10,48% ao ano, contra
11,84% em 2007; balanço aponta recorde de financiamentos
VERENA FORNETTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A Caixa Econômica
Federal anunciou redução das taxas de juros para o
financiamento de imóveis residenciais novos ou usados com
recursos da poupança. A redução mais significativa
foi feita para imóveis com valor acima de R$ 350 mil ou com
valor financiado superior a R$ 245 mil, com queda de 1,36 ponto percentual.
" Criamos condições mais atrativas de taxa de juros, prazo
de financiamento e cota de financiamento para a classe média", disse
Bernadete Coury, superintendente nacional de habitação da Caixa.
Todas as faixas de valor de imóveis financiados com recursos da poupança
tiveram diminuição da taxa de juros anual. Neste ano, a taxa
de juros nominal deve variar de 8,09% a 10,48%. No ano passado, a variação
era de 8,65% a 11,84%.
Outra mudança é que os imóveis avaliados em mais de R$
350 mil terão prazo maior de amortização (redução
gradual da dívida), de 180 meses para 360 meses. Nesses casos, a cota
de financiamento do imóvel passa de 70 para 80%.
Para facilitar o acesso ao financiamento, o banco diz que criará em
sete Estados postos especiais para atender construtoras. Para pessoas físicas,
em 825 postos de atendimento, o banco começa a oferecer "ilhas
de habitação", que são guichês que, segundo
a Caixa, terão capacidade para atender até dez pessoas ao mesmo
tempo. As ilhas estão situadas em agências que respondem por cerca
de 80% do volume do crédito imobiliário do país.
Segundo Jorge Hereda, vice-presidente de habitação da Caixa,
neste ano os juros para os imóveis mais valiosos tiveram redução
superior aos imóveis com valor mais baixo porque em 2007 estes já haviam
tido queda significativa.
Hereda afirma que o
banco reduziu os juros porque caíram a taxa de inadimplência
e o volume de perdas nos financiamentos. Em 2001, os atrasos superiores
a 90 dias chegaram a 12,5%, e, no ano passado, recuaram para 4,2%.
" A Caixa tem uma carteira de 1,8 milhão de clientes em habitação
e avaliou que a qualidade da carteira está melhor", diz.
Ontem, a Caixa anunciou financiamento recorde de habitação e
de projetos de saneamento e infra-estrutura no ano passado. Destinou R$ 21,5
bilhões para habitação e R$ 15,7 bilhões para as
outras duas modalidades, totalizando R$ 37,2 bilhões em 2007, o que
representa o maior valor contratado em dez anos.
De acordo com o banco, 1 milhão de famílias foram atendidas em
2007 e 82% delas tinham renda mensal de até cinco salários mínimos.
Em 2008, a Caixa terá orçamento inicial de R$ 25,9 bilhões
para financiamento de habitação, saneamento e infra-estrutura.
Um levantamento feito pela instituição mostra que, no ano passado,
jovens de até 30 anos foram os principais clientes do financiamento
de habitação do banco. Esse público foi responsável
por 36% dos financiamentos feitos pela Caixa em 2007. Mais da metade desses
jovens prefere financiar imóveis na planta. Os imóveis novos
prontos são escolhidos por 15%, e os usados, por 30%.
|
FOLHA
DE SÃO PAULO, 13 de fevereiro de 2008 | Dinheiro
SP rejeita convênio do Codefat
com entidade da Força Sindical
Proposta de confederação de trabalhadores
elevaria em 65% o custo de colocação de mão-de-obra
na capital e em 97% em relação ao gasto pelo Estado
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
A Prefeitura de São
Paulo se posicionou ontem "absolutamente contrária" à proposta
da CNTM (Confederação Nacional de Trabalhadores Metalúrgicos),
filiada à Força Sindical, de assumir dois centros de
treinamento e colocação de mão-de-obra na capital.
A proposta foi apresentada pela CNTM ao Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo
de Amparo ao Trabalhador) e retiraria da prefeitura dois de seus seis centros
de recolocação de trabalhadores em São Paulo.
Se aprovado, o convênio representaria um custo 97% maior por trabalhador
recolocado no mercado do que o gasto hoje pelo Estado de São Paulo.
Em relação à própria prefeitura, o aumento seria
de 65%. Hoje, a prefeitura gasta R$ 118,20 por trabalhador recolocado. Pela
proposta da CNTM, o valor saltaria para R$ 195,33.
A prefeitura paulistana também questionou, citando reportagem da Folha
publicada na segunda-feira, o volume de dinheiro que o Codefat pretende repassar à CNTM.
Diz a nota oficial da prefeitura: "A Secretaria Municipal do Trabalho
recebe um repasse anual do Ministério do Trabalho de R$ 7,02 milhões
para administrar seis CATs (Centros de Atendimento ao Trabalhador) e mais uma
unidade no bairro da Luz, centro, a ser inaugurada em breve (...) A CNTM propõe
administrar apenas dois CATs ao custo de R$ 7,07 milhões, consumindo
assim todos os recursos federais destinados às unidades dos CATs restantes".
A prefeitura também contestou o plano da CNTM de tomar R$ 4,5 milhões
para treinamento de mão-de-obra, "quase o triplo do valor atual
desse mesmo programa no convênio do FAT com a prefeitura".
O governo do Estado, que deveria analisar a proposta em reunião hoje,
tirou o tema da pauta, seguindo a prefeitura.
O Estado de São Paulo também faz o trabalho de recolocação
de mão-de-obra, mas a um custo menor que o proposto pela CNTM (R$ 99,25,
contra R$ 195,33).
A realização de um eventual convênio entre Codefat e CNTM
só foi possível após assinatura de resolução
em novembro. Vários convênios do tipo estavam suspensos havia
anos por suspeitas de irregularidades, inclusive com envolvimento da Força
Sindical.
Ontem, a Comissão de Ética do governo federal, presidida por
Marcílio Marques Moreira, que é contrario à permanência
de Carlos Lupi (Trabalho) no cargo por ele presidir o PDT, afirmou que o convênio
Codefat-CNTM será objeto de análise durante sua próxima
reunião, marcada para o dia 25.
|
FOLHA
DE SÃO PAULO, 13 de fevereiro de 2008 | Dinheiro
BNDES diz que priorizará infra-estrutura
e o PAC
Governo quer garantir recursos ao programa, apesar
de cortes orçamentários | Coutinho sinaliza que banco pode
vender ações de sua carteira para elevar oferta de crédito;
infra-estrutura tem demanda de R$ 40 bi
JULIANA ROCHA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo estabeleceu
que os investimentos em infra-estrutura serão prioridade do
BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
neste ano, no caso de faltar recursos no orçamento do banco
para atender a toda a demanda por crédito. O presidente da
instituição, Luciano Coutinho, elencou em segundo lugar
na lista de prioridades os investimentos (financiamento de máquinas
e equipamentos), seguidos pelos projetos de inovação
tecnológica.
Apesar da dificuldade para conseguir mais recursos, Coutinho afirmou que não
vai faltar dinheiro para investimentos neste ano. Lembrou que o banco tem uma
farta carteira de ações, o que sinaliza que pode vender alguns
ativos para conseguir mais dinheiro.
" Temos discutido dentro do banco e com o Ministério da Fazenda.
Estamos tomando como prioridade infra-estrutura e, dentro disso, o PAC [Programa
de Aceleração de Crescimento] é prioritário para
a oferta de recursos do banco", afirmou ele.
Só a demanda por financiamentos em infra-estrutura para 2008 soma R$
40 bilhões. O valor representa 80% dos R$ 52,5 bilhões que o
banco tem disponível no orçamento deste ano até agora.
Significa, portanto, que sobrariam só 20% dos recursos para indústria,
agricultura e empresas de serviços e comércio. A demanda total
por financiamentos em todas as áreas é de R$ 80 bilhões.
No início do ano, o Tesouro Nacional autorizou um empréstimo
de R$ 12,5 bilhões ao BNDES, mas não definiu as condições,
como taxas de juros. O dinheiro ainda não chegou ao caixa do banco de
fomento. A expectativa é que isso aconteça até abril,
se não houver um impedimento legal.
Logo depois da autorização do empréstimo, o DEM entrou
com recurso no Supremo para suspender a medida, com a justificativa de que
os juros devem ser definidos pelo Congresso, e não pelo governo. Coutinho
negou que os recursos do Tesouro representem uma forma de subsídio para
o banco.
"É [um empréstimo] feito pela melhor taxa. Vamos receber um
empréstimo pelo custo marginal de captação do Tesouro. Claro
que vou pedir a melhor taxa, mas não é subsídio", disse.
O presidente do BNDES esteve reunido ontem com o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, para tentar mais uma vez uma solução para os R$ 15 bilhões
que ainda faltarão para completar o orçamento do banco, mesmo
depois que o Tesouro liberar o empréstimo.
" Estamos providenciando mais recursos ao BNDES, que está em um momento
muito bom porque os investimentos no país estão acelerados",
disse Mantega, ao final da reunião.
|
DIAP, 13 de fevereiro de
2008
LIDERANÇAS PARTIDÁRIAS
Caras novas no comando das bancadas
partidárias na Câmara
Com a retomada do ano legislativo, caras novas irão assumir postos de
comando das bancadas dos principais partidos na Câmara. Nesta terça-feira
(12), por aclamação, a bancada do PT na Câmara conduziu
o deputado Maurício Rands (PE) à liderança do PT na Casa.
Fato raro na bancada, não houve disputa.
Após ser confirmado no posto, o deputado afirmou que há diversas
propostas em pauta na Câmara que coincidem com as prioridades do PT.
Ele destacou as PECs do Trabalho Escravo (438/01) e que trata da redução
da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais (231/95).
Rands está no exercício do segundo mandato na Câmara, ele
ganhou maior projeção em 2005, quando assumiu papel de destaque
na defesa do Governo Lula na CPI dos Correios. Filiado ao PT desde 1990, o
deputado é professor universitário e advogado, com doutorado
em Relações do Trabalho pela Universidade de Oxford, da Inglaterra.
O parlamentar disse que a escolha por aclamação mostra que a
bancada está unida. O desafio neste ano, segundo ele, será estreitar
as relações da bancada com o Poder Executivo, já que o
PT é o principal partido de sustentação do Governo Lula.
O deputado afirmou que tanto o Executivo quanto os parlamentares ganham com
esse estreitamento. "Os laços sociais dos parlamentares do PT podem
dar legitimidade ao Governo, com a maior participação na elaboração
de políticas públicas”.
No início do ano, Rands disse que o Governo hesitou nas negociações
quanto à prorrogação da Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF). Na opinião dele,
para evitar novas derrotas, o Planalto deve intensificar o diálogo com
a base aliada e, em especial, com o PT. "Muitas vezes, as dificuldades
de votação são motivadas por um certo sentimento dos parlamentares
de que nem sempre eles têm os canais de diálogo com os ministérios,
com o Executivo, devidamente lubrificados", argumentou.
Maurício Rands assume
o cargo no lugar do deputado Luiz Sérgio (RJ), que atuou como
líder em 2007. Para o ex-líder, a unidade demonstrada na
escolha de Rands é um bom sinal depois do processo de eleição
direta do partido (PED) que renovou as direções estaduais
e o diretório nacional da legenda. Ele destacou a atuação
do partido na CPI da Crise Aérea e na análise das medidas
que viabilizaram o PAC como pontos fortes sob sua liderança.
Amanhã, às 10 horas,
haverá reunião da bancada para definir os vice-líderes
do partido e as comissões que o PT deseja presidir na Câmara.
Outros partidos
Dos quatro grandes partidos na Casa, PMDB, PT, DEM e PSDB, apenas o primeiro
optou pela recondução do líder com Henrique Eduardo Alves
(PMDB/RN), que continuará à frente da legenda por mais este ano.
O DEM adiou para a próxima
terça-feira (19) a escolha do novo líder do partido, que
vai substituir Onyx Lorenzoni (RS). A tendência é que o
escolhido seja o deputado ACM Neto (BA). "Estamos trabalhando e
próximos de chegar a um consenso", declarou Lorenzoni. O
partido estabeleceu que o mandato dos futuros líderes será de
um ano.
A disputa mais acirrada é no PSDB. De olho na eleição
municipal de São Paulo, dois grupos paulistas disputam a liderança
no voto dos 57 deputados em reunião de bancada marcada para amanhã.
José Aníbal é o candidato preferido do ex-governador Geraldo
Alckmin, que trabalha por sua candidatura à Prefeitura. Do outro lado
está Arnaldo Madeira, que foi líder do governo Fernando Henrique
Cardoso e é ligado ao atual governador José Serra.
Enquanto nos grandes partidos a troca prevalece, nos médios a tendência é a
recondução. Jovair Arantes (GO) continuará orientando
os colegas do PTB e Luciano Castro (RR) permanece a frente do PR. No PP, em
reunião da bancada na tarde de hoje, Mário Negromonte (BA) foi
reconduzido à liderança.
O bloco de esquerda, formado por PSB, PDT e PCdoB e partidos menores, adota
a lógica da rotatividade. Agora é a vez do PCdoB escolher quem
será o comandante da bancada de 77 deputados. O partido ainda não
definiu quem terá a missão. No PSB, a tendência é a
continuidade de Márcio França (SP), enquanto o PDT deve escolher
amanhã entre Miro Teixeira (RJ), Severiano Alves (RJ), Ademir Camilo
(MG) e Mário Heringer (MG).
A deputada Sandra Rosado (PSB/RN) foi eleita a nova coordenadora da Bancada
Feminina na Câmara, em substituição à deputada Luiza
Erundina (PSB/SP).
De acordo com Sandra Rosado, sua principal luta vai ser pela maior participação
das mulheres nas comissões, nas relatorias e na Mesa Diretora da Câmara.
(Com informações do Vermelho e Agência Câmara)
|
CONGRESSO EM FOCO, 13 de
fevereiro de 2008
Senado aprova projeto que afasta senador
investigado
Na primeira ordem do dia de 2008,
o Senado aprovou os projetos de resolução 37 e 40 de
2007, que dispõem sobre o afastamento preventivo de senadores
que ocupam função administrativa (membros de comissão,
Mesa Diretora e corregedor), em caso de representação
contra eles movida por fato sujeito à perda de mandato. Os
projetos, que tramitavam em conjunto, serão reencaminhados à comissão
de origem para redação final e promulgação
e entram em vigor no dia 1º de março.
A relativamente rápida
aprovação da matéria foi marcada por discordâncias
em relação à forma de afastamento do senador sob
investigação. O senador Tião Viana (PT-AC) lembrou
que o impasse estaria no fato de que a Mesa Diretora não poderia
encaminhar a representação contra o acusado. Contudo, Pedro
Simon (PMDB-RS) lembrou que o Supremo Tribunal Federal já processa
parlamentares mesmo sem a anuência do Congresso.
A votação remeteu à crise
institucional que teve como protagonista o ex-presidente da Casa Renan
Calheiros (PMDB-AL) que, com seis denúncias para responder diante
de seus pares, resistiu por meses na cadeira da Presidência. No
dia 11 de setembro de 2007, entretanto, ele se afastou do posto, para
renunciar definitivamente depois do agravamento de sua situação,
em 4 de dezembro do ano passado (leia).
Liberdade e condenação
O líder do PSB no Senado,
Renato Casagrande (ES), concorda com Simon. “Essa obrigatoriedade
do afastamento diminui o constrangimento e dá mais liberdade para
os parlamentares trabalharem nas investigações”,
defendeu.
Não é o que pensa
Almeida Lima (PMDB-SE), único senador contrario à aprovação
da matéria. Um dos mais ferrenhos defensores de Renan Calheiros,
Almeida Lima disse que o afastamento seria uma "condenação
antecipada". "Essa mudança é o mesmo que condenar
uma pessoa julgamento. Primeiro, temos que investigar para depois aplicarmos
uma pena”, argumentou.
Justiça e Gana
Primeiro item da pauta, o substitutivo
ao projeto de lei complementar 06/2005 também foi aprovado hoje
com relativa rapidez. Proveniente da Câmara, o substitutivo revoga
o artigo 475 do Código de Processo Civil e elimina a obrigatoriedade
do chamado duplo grau de jurisdição em sentenças
desfavoráveis à administração pública,
mas apenas em causas que envolvam até 500 salários mínimos.
O objetivo, de acordo com a autor do projeto, deputado Maurício
Rands (PT-PE), é tornar mais eficazes as decisões monocráticas
e reduzir o acúmulo de processos nos tribunais. O projeto volta
para a Câmara depois das alterações dos senadores.
Outro item aprovado foi o projeto
de decreto legislativo 221/2007 (oriundo da Câmara), que considera
um acordo internacional entre Brasil e Gana. Trata-se do Acordo sobre
Serviços Aéreos entre o Brasil e a República de
Gana, firmado em Acra, capital daquele país africano, em 12 de
abril de 2005. O objetivo é aprimorar as relações
de aviação comercial entre as duas nações,
bem como facilitar o transporte de carga para o país africano,
destino problemático das exportações brasileiros
devido aos problemas do sistema aéreo.
Melhoras
Durante a primeira sessão
ordinária do ano, os senadores prestaram votos de melhora ao
senador Jonas Pinheiro (DEM-MT), que sofreu um infarto no domingo à noite
e está há dois dias internado na UTI de um hospital em
Cuiabá (leia).
(Fábio Góis)
|
FOLHA DE LONDRINA, 13 de
fevereiro de 2008 | Política
TSE determina propaganda eleitoral
a partir de 6 de julho
São Paulo - O ministro Ari Pargendler, do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), convocou para amanhã a audiência pública sobre as
eleições de 2008 para receber sugestões de partidos políticos
e pessoas interessadas. A propaganda eleitoral será permitida somente
a partir de 6 de julho. A propaganda partidária gratuita não
será veiculada após o dia 1º de julho deste ano. A violação
pode resultar em multa.
O ministro, relator dos atos
preparatórios para a eleição municipal de outubro,
elaborou o documento inicial sobre propaganda eleitoral e condutas vedadas
a agentes públicos em campanha eleitoral; escolha e registro de
candidatos e arrecadação e aplicação de recursos
por candidatos e comitês. Desde 48 horas antes até 24 horas
depois da eleição, é proibido veicular propaganda
política na internet, rádio ou qualquer canal de TV. Nesse
período, também é proibida a realização
de comícios ou reuniões públicas. Em páginas
de provedores de serviços de acesso à internet não
será admitido nenhum tipo de propaganda eleitoral, em período
algum.
As emissoras de rádio
ou TV poderão transmitir debates de candidatos a cargos majoritário
ou proporcional desde que obedeçam regras definidas por meio de
acordo firmado por partidos políticos e coligações
com candidato ao pleito e a emissora de rádio ou TV interessada
na realização do evento. O acordo deve ser homologado pelo
juiz eleitoral. O debate não poderá ultrapassar o horário
de meia-noite do dia 2 de outubro de 2008, para candidatos ao primeiro
turno, e 24 de outubro de 2008, no caso de segundo turno. Os pré-candidatos
poderão participar de entrevistas, debates e encontros antes de
6 de julho de 2008 desde que não exponham propostas de campanha.
Agência Estado
|
AGÊNCIA CÂMARA,
13 de fevereiro de 2008
Governo enviará projeto sobre
contribuição sindical única
Luiz Alves

Paulo Pereira da Silva: proposta chegará ao Congresso até o final
deste mês.
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) informou hoje que, até o
final de fevereiro, o Ministério do Trabalho, comandado por seu partido,
deve enviar ao Congresso um projeto de lei que modificará a cobrança
das contribuições sindicais. A idéia, segundo ele, é unificar
o imposto sindical (equivalente a um dia de trabalho por ano), a contribuição
sindical (cobrada em dissídios), a contribuição confederativa
(que é mensal), e a mensalidade do sindicato em apenas uma contribuição.
A Força Sindical quer
que o valor máximo dessa contribuição única
seja discutido no Congresso, mas outras centrais sindicais defendem que
o projeto do Executivo já defina esse teto. A contribuição única
ainda teria que ser aprovada em assembléia e seria cobrada de
todos os trabalhadores beneficiados por acordos coletivos.
Texto
alterado
Paulo Pereira da Silva voltou a defender a manutenção do texto
do Senado ao Projeto de Lei 1990/07, que legaliza o funcionamento das centrais
sindicais. Os senadores rejeitaram a emenda da Câmara que estabelecia
que o desconto do imposto ou contribuição sindical na folha de
pagamento do empregado, pago todo mês de março, só poderia
ser feito quando autorizado individualmente pelo trabalhador. O projeto terá de
ser revisto pela Câmara.
O deputado Augusto Carvalho (PPS-DF),
autor da emenda que acaba com o imposto sindical, quer manter o texto
da Câmara. "Há 70 anos discute-se o fim do imposto
sindical neste País. É uma invenção tipicamente
brasileira. Só no Brasil o sindicato precisa que o governo meta
a mão no bolso do trabalhador para financiar as suas entidades",
reclama.
Amanhã, às 10 horas,
o deputado se reunirá com líderes da base aliada para discutir
o assunto.
Convenções
da OIT
Paulo Pereira da Silva disse ainda que, nesta quinta-feira (14), o governo
deve enviar ao Congresso as convenções 151 e 158 da Organização
Internacional do Trabalho. A primeira garante direitos aos servidores públicos,
como a fixação de data-base. A outra restringe as demissões
sem justa causa a casos de piora na situação econômica
dos empregadores.
De acordo com o parlamentar paulista,
a mudança é polêmica. "Na nossa Constituição,
está escrito que aquela multa de 40% do FGTS [Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço] teria valor até quando fosse aprovada
essa convenção. Então, os trabalhadores vão
ter que decidir se querem a garantia do emprego ou se querem a multa
do fundo.
O parlamentar acredita que isso
irá provocar debates e discordâncias. "O FGTS, de certa
maneira, virou uma coisa importante para os trabalhadores e as pessoas
não querem abrir mão disso", avalia.
Abaixo-assinado
Os sindicalistas ainda divulgaram um abaixo-assinado para a redução
da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais. As assinaturas estão
sendo recolhidas em todo o País e serão entregues no Congresso
no dia 1º de maio. De acordo com o deputado, a proposta pode gerar 2 milhões
de empregos.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
13 de fevereiro de 2008 | Economia
Novas regras para telefonia celular
entram em vigor
Redação com agências
Entram em vigor hoje para mais
de 120 milhões de usuários de telefones celulares,
as novas regras de relacionamento entre operadoras e clientes, que
ampliam os direitos dos usuários e estabelecem obrigações
mais rígidas para as prestadoras do serviço. O objetivo
da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações)
com o novo regulamento, é melhorar a qualidade dos serviços
prestados e a relação entre cliente e operadora. As
empresas tiveram seis meses para se adaptar às novas exigências
e podem ser multadas pela Anatel se deixarem de cumprir alguma obrigação.
Um dos principais benefícios
para os clientes será a sobrevida dada aos créditos do
celular pré-pago. A cada recarga, os créditos antigos são
revalidados. Com as novas regras, a validade dos cartões foi duplicada.
Além dos atuais cartões, que têm créditos
com validade de 90 dias, as empresas serão obrigadas a oferecer
cartões de 180 dias. A medida atende a grande parte dos usuários
de telefone celular, uma vez que 96 milhões de clientes usam essa
modalidade de pagamento (pré-pago). O cliente também ganha
o direito de parcelar o pagamento de ligações que forem
cobradas com atraso de 60 dias. Antes, esse prazo era de 90 dias.
Outro benefício para o
consumidor é a garantia de que os valores cobrados indevidamente,
e pagos, terão que ser devolvidos em dobro, com juros e correção
monetária. Esta devolução poderá ser feita
na próxima conta, no caso dos celulares pós-pagos, ou em
créditos, para os pré-pagos.
Atendimento
A Anatel também quer combater
o longo tempo de espera para o cliente ser atendido pelos call centers
das empresas, problema que lidera os rankings de reclamações
dos Procons. As operadoras serão obrigadas a fazer o atendimento
pessoal ao consumidor em suas lojas. Para isso, até 2010, as companhias
telefônicas terão que abrir 1.000 novas lojas de atendimento
pessoal e outras 800 lojas até 2012.
O novo regulamento estabelece
prazo de 24 horas para a empresa desativar o celular quando o cliente
pedir o cancelamento do serviço. Hoje, não existe esse
prazo, e há casos em que as operadoras demoram meses para fazer
o cancelamento. Caso a empresa não cumpra o prazo de 24 horas,
isso será considerado falta grave e ela poderá ser multada.
A multa máxima da Anatel por descumprimento de obrigações é de
R$ 30 milhões.
O cliente também ganhou
mais prazo para resolver eventuais débitos antes de ter o celular
cortado por falta de pagamento: com 15 dias de atraso, o cliente não
poderá fazer chamadas a partir de seu aparelho; com 45 dias de
atraso, o serviço é suspenso; e, com 90 dias, a empresa
pode cancelar o contrato.
Inadimplência
No caso de inadimplência,
o nome do cliente não pode ser enviado para os órgãos
de sistema de proteção ao crédito antes da rescisão
do contrato. E, depois da rescisão, o cliente tem que ser avisado
com antecedência de 15 dias sobre a remessa de seu nome a esses órgãos.
Outra nova medida do regulamento
prevê que os clientes poderão ficar com o mesmo número
de celular, se, eventualmente, mudarem de plano de serviço dentro
da mesma operadora, como por exemplo do pós-pago para o pré-pago.
Se o cliente trocar de operadora, a empresa antiga terá que informar
o novo número pelo prazo de 60 dias. A portabilidade plena, que
permite ao cliente continuar com o número de telefone mesmo mudando
de operadora virá somente no ano que vem.
Chamadas de emergência
As ligações para
serviços de emergência - como Polícia e Bombeiros
- serão gratuitas, mesmo quando o cliente estiver fora da área
de sua operadora. As empresas não poderão cobrar tarifa
de roaming para este tipo de telefonema.
Informações
As operadoras de telefonia
celular informam que estarão, a partir de hoje, em todos os
seus pontos de venda, distribuindo cartazes com as informações
sobre direitos dos consumidores.
'
|
O ESTADO DO PARANÁ,
13 de fevereiro de 2008 | Nacional
Em encontro com Lula, Sarkozy defende
entrada do Brasil no G8
Alex Rodrigues / Agência
Brasil
Wilson Dias / Abr

Lula e Sarkozy disseram concordar em pontos como a entrada de países
emergentes G8.
São Jorge do Oiapoque (Guiana Francesa) - Ao se reunirem nesta terça-feira
(12) no município de São Jorge do Oiapoque, na Guiana Francesa,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, da França,
disseram concordar em pontos como a entrada de países emergentes G8,
grupo que reúne os sete países mais ricos, mais a Rússia.
“O G8 precisa tornar-se
algo mais que isso. Afinal, mesmo se não quisermos pensar em mais
ninguém, é preciso considerar que existe uma China, uma Índia,
um Brasil, uma África do Sul, países em ascensão
que tem incidência na economia mundial, como tem os oito países
que hoje integram o G8", disse Lula.
Segundo Lula, o Brasil e a França
concordaram em democratizar os órgãos internacionais multilaterais,
como a Organização das Nações Unidas (ONU)
e o Fundo Monetário Internacional (FMI). "É preciso
pensar no século 21, não [com base] no modelo do século
20", afirmou o presidente brasileiro. “Estamos convencidos
de que uma instituição como o FMI precisa começar
a pensar mais em desenvolvimento e menos em ajuste fiscal.”
Ao destacar a importância
econômica do Brasil, Sarkozy defendeu que o G8 aceite o ingresso
de pelo menos outros cinco países. "O mundo precisa que o
Brasil ocupe o lugar que é seu", afirmou o presidente francês. "Também
quero reafirmar o desejo de que o G8 se torne G13.”
Sarkozy defendeu ainda o ingresso
do Brasil no Conselho de Segurança da ONU. “A França
deseja que o Brasil seja parte do Conselho Mundial de Segurança
da ONU", declarou. "É inconcebível imaginar que
se possa falar nas principais questões mundiais, sem consultar
um único país africano, um só país da América
do Sul, como se estes dois continentes nem existissem."
Sarkozy também disse estar
disposta a transferir a tecnologia necessária para que ao menos
um submarino do tipo Scorpen seja construído no Brasil. De acordo
com o chefe de Estado francês, apesar de o Scorpen ser uma embarcação
convencional, a fabricação permitiria ao Brasil desenvolver
o próprio submarino nuclear.
"Eu disse ao presidente
Lula que estamos dispostos a fazer com que um dos submarinos Scorpen
seja fabricado aqui [no Brasil]", comentou Sarkozy. "Quanto
aos caças e helicópteros também estamos dispostos
a organizar a transferência de tecnologias para que sejam fabricados
no Brasil".
O presidente francês, no
entanto, destacou que a parceria não deve se restringir à entrega
de material militar: "Nossa missão vai muito além.
Queremos atuar, refletir, construir e intervir juntos. Não existem
quaisquer tabus. O Brasil é uma grande potência democrática,
que pensa sobre seu direito à segurança, um direito legítimo. É um
país amigo da França e estamos totalmente dispostos a trabalhar
juntos".
Alegando que Brasil e França
desejam construir uma nova fase nas relações, Lula comentou
que a parceria entre os dois países não se limitará à construção
da ponte ou à aquisição de equipamentos militares. "Penso
que é importante termos uma compreensão um pouco mais
ampla dessa nova fase que a França e Brasil estão querendo
construir. Pretendemos firmar um acordo de cooperação
muito mais amplo", concluiu Lula.
|
FOLHA
DE SÃO PAULO, 13 de fevereiro de 2008 | Dinheiro
EM EXPANSÃO
PIB da Argentina cresce acima
de 8% pelo 5º ano
DE BUENOS AIRES
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner,
anunciou na segunda-feira à noite que o PIB (Produto Interno
Bruto) do país cresceu 8,7% no ano passado. Com o resultado,
a Argentina registra crescimento superior a 8% pelo quinto ano
seguido.
O anúncio foi feito durante a assinatura de um acordo que beneficia
produtores de vinhos e antecipou a divulgação oficial do dado
pelo Indec (o IBGE argentino).
Para a presidente, que assumiu em 10 de dezembro de 2007, "são
números importantes, mas não são unicamente entrada de
divisas, e sim um crescimento que começa a ser sentido por todos os
argentinos que voltaram a ter trabalho e a consumir".
Ao contrário do índice de inflação, questionado
pelo FMI e que, segundo especialistas, seria duas ou três vezes maior
do que os dados oficiais, o índice de crescimento não é questionado,
mas pode ser menor do que o anunciado devido à alta dos preços.
|
NCST, 13 de fevereiro de
2008
Terceirização internacional
reduz direitos dos trabalhadores, diz estudo
A subcontratação de trabalhadores por empresas com sede em outros
países, a chamada terceirização transnacional, impõe
o “padrão de emprego asiático”, marcado pela alta
rotatividade, baixa remuneração e longa jornada de trabalho.
A análise consta da pesquisa A Transnacionalização da
Terceirização na Contratação do Trabalho, apresentada
hoje (12) pelo economista e pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp)
Marcio Pochmann, atual presidente do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea).
Com base em dados de instituições como Banco Mundial, Organização
das Nações Unidas (ONU) e Organização Internacional
do Trabalho (OIT), Pochmann traçou um histórico da subcontratação
de serviços, desde a experiência colonial, com empresas estrangeiras
para atender aos interesses das metrópoles, até o papel das atuais
companhias transnacionais de contratação de mão-de-obra,
responsáveis pela colocação de 9,3 milhões de pessoas
no mercado de trabalho em 2006 em 33 países pesquisados.
O fenômeno da terceirização
transnacional vem se expandindo e tende a aumentar, principalmente no
setor de prestação de serviços, segundo o estudo.
A pesquisa cita organizações como a Nike, fabricante de
artigos esportivos. Dos 600 mil trabalhadores da empresa em 51 países,
apenas 24 mil são diretamente contratados – quase 95% de
terceirização. A estimativa, segundo o estudo de Pochmann, é que
6,7 milhões de novas ocupações anuais sejam criadas
pela terceirização transnacional nos próximos dez
anos.
No entanto, uma tendência
da terceirização transnacional que está se consolidando é a
redução dos custos trabalhistas, que resulta na informalidade
e na falta de cobertura previdenciária dos empregados. Na avaliação
de Pochmann, a subcontratação internacional influencia
significativamente o padrão de remuneração da mão-de-obra,
pressiona os custos de contratação e de proteção
dos riscos do exercício do trabalho.
“Esse tipo de terceirização
da mão-de-obra não se apresenta como imperativo de modernização
das condições gerais da produção no início
do século 21. Pelo contrário, pode assemelhar-se, guardada
a devida proporção, ao retrocesso das conquistas alcançadas
até o momento”, aponta o especialista.
O estudo sugere o fortalecimento
da regulação pública nas questões trabalhistas
não apenas dentro de cada país, mas em nível internacional.
A pesquisa também levanta a necessidade de mudança na
forma de atuação dos sindicatos. “O sindicalismo
opera como se as economias mantivessem a atuação quase
exclusiva no espaço nacional e termina por fragilizar ainda
mais a função da barganha coletiva junto aos empregadores
patronais”, avalia Pochmann.
|
NCST, 13 de fevereiro de 2008
Previdência para funcionários
pode variar de acordo com cargo
Uma questão recorrente no meio jurídico previdenciário
atual consiste na obrigatoriedade de que planos de Previdência Privada
sejam oferecidos a todos os empregados da empresa. Existe tal obrigação? É evidente
que neste artigo não vamos apresentar apenas a lei e perfunctoriamente
fazer asserção. As análises pontuais e topológicas
da lei não são suficientes para explicar o contexto. A sistemática é o
que nos importa.
Os planos de benefícios de caráter previdenciário estão
dentro de um contexto de liberalidade das empresas para com seus empregados.
Prova disso são os incentivos fiscais e o componente de exclusão
do campo trabalhista que tais planos acarretam. O artigo 202 da Constituição
Federal ressalta que tais planos não têm vinculação
com o contrato de trabalho. A CLT foi alterada em 2001 no mesmo sentido de
excluir Previdência Privada do salário. E a Lei 8.212 isenta de
tributação ao INSS as contribuições do empregador
a Previdência Privada dos empregados.
Tudo isso mostra que o Estado e o legislador querem incentivar empregadores
a efetuarem liberalidades em nome de seu colaboradores, pelos motivos de apoio
de proteção social da Previdência Privada sobre o Regime
Geral estatal e aumento de poupança interna.
As relações jurídicas previdenciárias se apresentam
de forma autônoma. As conseqüências, entretanto, podem influenciar
em relações jurídicas tangenciais, criando, modificando
ou extinguindo direitos.
A proteção social da Previdência Privada se reflete no
prisma do oferecimento dos planos, evitando discriminação. A
lei corrobora tal afirmação. Para que os planos de benefícios
tenham caráter previdenciário há um requisito muito relevante:
os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos
os empregados dos patrocinadores (artigo 16 da Lei Complementar 109).
A Constituição Federal, no âmbito do artigo 194, inicia
a regulamentação específica, arrolando princípios
expressões inerentes à Previdência Privada[1]. O artigo
202 da Constituição Federal elenca os requisitos gerais, atribuindo
relevância: à autonomia, à transparência, à facultatividade
e à residualidade ancilar (complementar/suplementar).
A Lei Complementar 109/01, na forma da diretriz contida no parágrafo
1º do artigo 202 da Constituição Federal, tratou das normas
específicas de caracterização dos planos previdenciários
privados.
Tanto participantes quanto assistidos envolvidos nos planos de Previdência
Privada figuram na facultatividade contratual; estão no plano por seu
livre alvedrio. O plano pode ser oferecido ao empregado e este pode ou não
aderir ao plano.
Cabe aqui uma breve distinção entre participantes e assistidos:
Participante é a pessoa física que adere a um plano previdenciário
privado, por meio de contrato de adesão, devendo se submeter ao regulamento
específico do plano. É o equivalente ao segurado da Previdência
Social.
Não se confunde participante com assistido.
O termo participante advém do cognato em inglês “participant”;
mais uma influência norte-americana.
Assistida é a pessoa física que está recebendo o benefício
da Previdência Privada; é o participante ou seu beneficiário
em gozo de benefício de prestação continuada. (pode ser
participante ou beneficiário por ele escolhido).
O participante equivale ao segurado na Previdência Social, Na presciência
do art. 8º da Lei Complementar nº 109/01, participante é toda
a pessoa física que aderir aos planos de benefícios; e assistido “o
participante ou seu beneficiário em gozo de benefício de prestação
continuada”. O beneficiário é escolhido pelo livre-arbítrio
do participante, dentro do que estiver estipulado no regulamento do plano e
no contrato de adesão.
A autonomia também foi respeitada, pois a gestão do plano, bem
como as hipóteses concessórias são desvinculadas da Previdência
Social. Essa autonomia retrata a residualidade do plano. O objetivo do plano é suplementar
aposentadorias conferidas pela Previdência Social, agindo como forma
de proteção residual.
A questão do empregador contribuir ou não para planos de Previdência
Privada em nome de seus empregados é fator de mera liberalidade e política
de RH. Se contribuir dentro de certos critérios haverá isenção
tributária, por exemplo.
Especificamente sobre o plano aberto coletivo, tal plano deve ter por objetivo
a garantia de benefícios previdenciários a pessoas físicas
vinculadas, direta ou indiretamente, à pessoa jurídica contratante.
Essa pessoa jurídica contratante tem plena liberdade para contribuir
ou somente criar o plano para seus empregados.
Esta liberdade é corroborada inclusive por normas administrativas. A
resolução 139 do CNSP, v.g., estabelece alguns conceitos em seu
art. 5º:
“ Averbadora: pessoa jurídica que propõe a contratação
de plano coletivo, ficando investida de poderes de representação,
exclusivamente para contratá-lo com a EAPC, sem participar do custeio;
Instituidora: pessoa jurídica que propõe a contratação
de plano coletivo e que está investida de poderes de representação,
exclusivamente para contratá-lo com a EAPC, e que participa, total ou
parcialmente, do custeio”. (grifamos).
Como o princípio é a liberalidade da empresa, e o artigo 202
da CF diz que a Previdência Privada é facultativa, a flexibilidade
do sistema permite que haja contribuições pautadas em determinados
eventos a serem determinados nos contratos de Previdência Privada.
Logo, é perfeitamente plausível e dentro do ordenamento jurídico
apresentado a alternativa de a empresa pactuar suas contribuições
de acordo com evento financeiro.
A empresa é responsável pela vantagem de contratar o plano coletivo
para seus empregados. Isso é um mérito para a empresa, mesmo
que ela não contribua com nada, pois seus colaboradores poderão
ter um plano coletivo com taxas de administração e de carregamento
mais baixas, além de acesso a investimentos em fundos mais atrativos
(em relação a simples planos individuais).
Entidade aberta de Previdência Privada é pessoa jurídica
de direito privado que comercializa planos de previdência acessíveis,
em princípio, a qualquer pessoa. Porém, pode haver certas limitações,
pois os planos coletivos são acessíveis a pessoas físicas
vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante.
Nos planos abertos individuais (oferecidos pelas entidades abertas), o participante
não precisará possuir vínculo algum[2].
Segundo o artigo 36 da Lei Complementar 109/01, entidades abertas são
obrigatoriamente sociedades anônimas. Bancos, instituições
financeiras e seguradoras são exemplos de pessoas jurídicas que
podem oferecer tais planos, mas nada impede a criação de sociedade
anônima com objeto social exclusivo de oferecimento de planos abertos.
Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas se
dividem em (art. 26, I e II, da Lei Complementar 109/01):
— individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas;
— coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários
a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica
contratante.
Nos planos abertos coletivos (que podem ser contratados por uma ou várias
pessoas jurídicas), o vínculo indireto se refere aos casos em
que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano
previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas
a suas filiadas. Grupo econômico pode contratar um plano para seus empregados,
que aderem se quiser. Tal plano pode até ser inserido no contrato de
trabalho.
Esses grupos de pessoas podem ser formados por uma ou mais categorias específicas
de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas,
controladas ou subsidiárias, e por membros de associações
legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista,
e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos (art.
26, parágrafos 1º, 2º e 3º, da Lei Complementar 109/01).
O alcance grupal amplo é incentivo à criação desses
planos coletivos, que possibilitam a obtenção de taxa de administração
e corretagem reduzidas, assim como rendimentos financeiros superiores junto às
entidades, devido às facilidades e do poder econômico da aglutinação
de pessoas.
A Lei Complementar 109/01 equipara à condição de empregados
e associados os diretores conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros
dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. A implantação
de um plano coletivo será celebrada mediante contrato.
É vedada à entidade aberta a contratação de plano
coletivo com pessoa jurídica cujo objetivo principal seja estipular, em
nome de terceiros, planos de benefícios coletivos (art. 26, parágrafos
4º, 5º e 6º). Quejanda triangulação contratual viria
a desvirtuar o principal desígnio da Previdência Privada, que é a
garantia dos benefícios contratados.
Nos planos coletivos, diferentemente dos planos individuais, a empresa empregadora
contrata o plano, podendo custeá-lo integralmente, parcialmente ou,
até, não contribuir. Havendo a participação da
empresa no custeio, o acúmulo de capital é maior, refletindo
nos rendimentos dos participantes. A iniciativa do empregador em criar um plano
para seus empregados (liberalidade) gera frutos na produtividade dos empregados,
que têm um incentivo a mais para trabalhar, sabendo da existência
de plano previdenciário em seu nome por causa da empregadora.
Mesmo com a perda do vínculo entre a pessoa jurídica contratante
e o participante que tenham contratado plano coletivo, poderá haver
autopatrocínio, onde deverá ser oferecido a este trabalhador
participante que rescindiu o contrato de trabalho o direito de permanecer no
quadro de participantes do plano coletivo da entidade aberta. Este participante
tem o direito de permanência no mesmo plano ou a possibilidade de ingresso
em plano individual equivalente (portabilidade ou migração).
O objeto da relação jurídica de proteção
previdenciária mantém liame com o fato gerador da relação
(contingência social), pois se constitui em meio de saneamento da situação
social representada no fato jurídico, isto é, em forma de cessação
da contingência social que acomete o sujeito ativo da relação.[3]
Este também é o entendimento de Ilídio das Neves:
“ Como sabemos, a finalidade essencial das prestações consiste
(nos regimes contributivos) em compensar, tanto quanto possível, em função
da natureza da eventualidade e da prioridade que lhe for atribuída na
cobertura dos riscos sociais, a perda ou redução dos rendimentos
do trabalho de que o beneficiário era titular.”[4]
O benefício previdenciário privado, diferentemente do serviço, é prestação
de “dar”. O objeto da obrigação é definido,
pois, necessariamente, tem de consistir em “[...] atribuición
patrimonial em dinero [...]”.[5] Os benefícios se apresentam,
destarte, num certo quantum, que “[...] representa ou pode representar
a taxa de substituição relativamente às remunerações
de referência”.[6]
O valor do benefício traduz o resultado indireto da contingência,
pois revela a perda patrimonial gerada pela ocorrência do fato jurídico.
A aferição do valor da prestação não se
dá por estimativa subjetiva “[...] de la mayor o menor efectividad
de la necesidad, [...]”,[7] mas através de formas objetivas legalmente
previstas.
O aspecto objetivo da norma jurídica tem como escopo “[...] dimensionar
a intensidade do comportamento inserido no núcleo do fato jurídico,
[...]”.[8] A base de cálculo é fator de extrema relevância
a essa quantificação, visto que, diferentemente da alíquota,
relaciona-se com fator subjetivo ligado ao critério material.
A necessidade social gerada pela contingência é o elemento que
substancia a proteção. Esta, portanto, existe em favor daquela,
ou melhor, em circunstância do seu saneamento, comprovado ou presumido.
A base de cálculo de apuração do valor da prestação é elemento
paralelo à necessidade, visto ser o responsável pelo seu dimensionamento.
A base de cálculo seria, assim, dimensão quantitativa de saneamento
do estado de necessidade, isto é, de manutenção do status
quo ante relativo à ocorrência da contingência social geradora.
|
O
ESTADO DO PARANÁ, 13 de fevereiro de 2008 | Economia
Aposentados com direito a revisão
de benefício
Elizangela Wroniski
Todas as pessoas que
se aposentaram por idade depois de novembro de 1999 podem tentar
uma revisão da aposentadoria para aumentar o valor que recebem.
Segundo o diretor-presidente da Associação em Defesa
dos Consumidores e Contribuintes (Adec), Mário Miyasaki,
juizados especiais da Justiça Federal do Rio Grande do Sul
já julgaram o pedido procedente.
O Brasil conta hoje com 25
milhões de aposentados, sendo que pelo menos 7 milhões
se aposentaram por idade. No Estado, este número é de
330 mil. Mário explica que em 1999 o governo implantou o fator
previdenciário, que estimula as pessoas a se aposentarem mais
tarde. “Quanto mais cedo se aposentam, menos ganham”,
falou.
No entanto, Mário
diz que a mesma lei afirma que a aplicação do mecanismo é facultativo
para quem se aposenta por idade. O problema é que o Instituto
Nacional de Previdência Social (INSS) vem usando de forma sistemática
para todas as pessoas. “Quem não aceitar pode recorrer
na Justiça”, falou.
Cálculos feitos pela
ADEC mostram que, em média, cada um dos seus 12 mil associados
teria direito a receber cerca de R$ 10.600 referentes a perdas que
tiveram nos últimos cinco anos. Segundo ele, há casos
em que os valores das aposentadorias subiram consideravelmente, alguns
aumentaram em cinco vezes. No Estado nenhuma ação foi
julgada ainda.
A ADEC orienta os interessados
a procurarem a intuição que analisa gratuitamente
os documentos para verificar se o aposentado tem direito a revisão.
Os interessados podem obter mais informações pelo
telefone (41) 40630-9999.
|
CONSULTOR JURÍDICO,
13 de fevereiro de 2008
Início da cobrança
Contribuição não
pode ser cobrada no ano em que é criada
O recolhimento de contribuições sociais somente pode ser exigido
no ano seguinte ao de sua instituição. O esclarecimento foi feito
nesta terça-feira (12/2) pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal.
Os ministros acolheram parcialmente Embargos de Declaração da
Leroy Merlin, que questionava o recolhimento da contribuição
social instituída pelo artigo 1º da Lei Complementar 110/01 referente
ao ano de 2001.
Trata-se da contribuição
social devida pelos empregadores em caso de despedida de empregado sem
justa causa, com alíquota de 10% sobre o montante de todos os
depósitos devidos referentes ao FGTS durante a vigência
do contrato de trabalho.
A União recorreu ao Supremo
Tribunal Federal depois que o STJ negou subida de Recurso Extraordinário.
Nele, a União contestou decisão de segunda instância,
que havia afastado a cobrança da contribuição no
exercício de 2001.
A União pretendia a aplicação
do parágrafo 6º do artigo 195 da Constituição
Federal, que autoriza a cobrança das contribuições
sociais 90 dias depois de sua instituição.
O STJ, no entanto, considerou
que a contribuição em causa não é para a
seguridade social, mas, sim, contribuição social geral.
Portanto, segundo o tribunal, se aplica o princípio da anterioridade,
previsto no artigo 150, inciso III, "b", da Constituição,
ficando vedada a cobrança dessas contribuições no
mesmo exercício financeiro em que tenha sido publicada a lei que
as instituiu.
O caso, finalmente, chegou ao
Supremo por meio de Agravo de Instrumento. Nesta terça-feira,
a 2ª Turma julgou Embargos de Declaração apresentados
nesse agravo. A Leroy Merlin alegou que havia omissão, na decisão
do agravo, por falta de pronunciamento quanto à aplicabilidade
do princípio da anterioridade à contribuição
social instituída pelo artigo 1º da Lei 110/01.
O relator do processo na 2ª Turma,
ministro Gilmar Mendes, lembrou que, “no presente caso, firmou-se
a orientação no sentido da não exigibilidade das
contribuições sociais antes de 1º de janeiro de 2002”.
Por isso, com apoio dos demais membros presentes à sessão,
ele acolheu os embargos tão somente para esclarecer que as contribuições
sociais só podem ser exigidas no exercício seguinte àquele
em que foi publicada a norma legal que as instituiu.
AI 631.654
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
13 de fevereiro de 2008
Empresas devem ter reserva financeira
para ações trabalhistas
Marina Diana
Evitar reclamações
trabalhistas não é uma tarefa fácil para a maioria
das empresas. Além do acompanhamento diário nas alterações
da legislação, a classe empresarial também precisa
fazer uma reserva financeira para arcar com os gastos de um litígio
na Justiça.
Por isso, as ações
trabalhistas são, atualmente, um dos principais problemas financeiros
das empresas brasileiras. Mas essas condenações podem ser
evitadas se a empresa realizar um planejamento de recursos humanos e
jurídico, que siga as normas e leis vigentes.
De acordo com um levantamento
do TST (Tribunal Superior do Trabalho), cerca de 2 milhões de
processos trabalhistas deram entrada no Judiciário em 2006. O
balanço do ano passado ainda não foi contabilizado pelo
tribunal, mas estima-se que deve continuar com a mesma média.
Micro e pequenas empresas são
as que mais sofrem no bolso. Isso porque não costumam estar ‘preparadas’ para
arcar com essas demandas judiciais. A consultora jurídica do Sebrae-SP
(Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São
Paulo) Sandra Regina Fiorentini afirma que alguns empresários
chegam a quebrar financeiramente quando o valor pedido é muito
alto.
“Micros não podem
correr esse tipo de risco. A margem de lucro geralmente é estreita
e eles não costumam inserir no preço possíveis custos
com impactos trabalhistas”, diz.
A especialista explica que muitos
empresários, para tentar suprir esse custo extra, preferem deixar
de cumprir a lei. Mas a alternativa pode ser um tiro no pé. Isso
porque a saída pode gerar, além da ação trabalhista,
uma fiscalização por parte do Ministério Público
do Trabalho resultando até no fechamento do estabelecimento.
“Quando ocorre um acidente
com um funcionário sem registro, ou seja, aquele que não
em que o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) não cobre, é a
empresa quem ficará responsável pela pensão vitalícia,
tanto em caso de morte como invalidez. Isso é um prejuízo
muito maior do que uma reclamação trabalhista”, afirma
a representante do Sebrae.
Barato sai caro
Para ser vitorioso em processos na Justiça do Trabalho evitando perdas
e desestimulando os conflitos judiciais, o empregador pode utilizar medidas
fáceis, principalmente quando adota condutas que atendam não
apenas o que regulamenta a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)
mas também decretos, portarias, normas regulamentares, convenções
e acordos coletivos.
A advogada especialista em direito
do trabalho Aparecida Tokumi Hashimoto, sócia do escritório
Granadeiro Guimarães Advogados, afirma que por mais que as empresas
paguem tudo em dia, ainda assim funcionários que se sentirem injustiçados
vão entrar com ação na Justiça.
“A relação
entre empregador e funcionário não é fácil.
Muitos acham que ingressar com ação de assédio
moral se torna uma forma fácil de ganhar dinheiro. A Justiça
está fixando valores menores para causas desse tipo visando
desestimular essas ações. Ninguém consegue fazer
tudo certo, mas pode chegar o mais próximo possível e,
assim, diminuir o dano causado por um litígio trabalhista”,
recomenda.
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
13/02/2008
Honorários advocatícios: JT é competente
para julgar ação
A ação de cobrança
de honorários advocatícios, oriunda da relação
de trabalho entre cliente e advogado, deve ser postulada na Justiça
do Trabalho. Esse foi o entendimento da Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho em processo movido por advogado contra cliente,
empregado do Banco do Brasil.
O bancário contratou o
advogado em 19/10/1999 para representá-lo em reclamação
trabalhista contra o banco, em processo que tramita na Vara do Trabalho
de São Jerônimo (RS). Os honorários advocatícios
foram ajustados em 25% do valor bruto a ser recebido por ele quando da
liquidação do processo. Em agosto de 2000, o advogado formalizou
contrato com outra advogada, em que ficou ajustado que, dos 25% referentes
aos honorários que receberia na ação, 22% seriam
dele e os 3% restantes seriam dela. Todavia, o cliente o destituiu da
ação e, juntamente com a advogada, lhe disse que não
mais pagaria o valor combinado pelos serviços prestados.
Desta maneira, a fim de evitar
prejuízo ainda maior, o advogado entrou com pedido de antecipação
de tutela na Vara do Trabalho de São Jerônimo, em que requereu
a determinação da reserva dos honorários advocatícios
no percentual de 22%, conforme combinado com o cliente e a advogada.
Contudo, a Vara entendeu que a Justiça do Trabalho é incompetente
para julgar a ação e extinguiu o processo sem julgamento
do mérito.
Mesmo entendimento manteve o
Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), sob o argumento
de que a relação havida entre o advogado e a advogada,
para a qual o primeiro substabeleceu poderes a ele outorgados, é de
natureza civil, enquanto a relação ente ele e o bancário
caracteriza-se como de consumo. Assim, a Justiça do Trabalho seria
incompetente para julgar o processo.
O advogado interpôs recurso,
no TST, postulando a reforma do julgado quanto à competência
da Justiça do Trabalho para o julgamento da ação
de cobrança de honorários advocatícios, decorrentes
de sua atuação profissional. O relator do processo, ministro
Ives Gandra Martins Filho, acolheu o recurso e entendeu que a Justiça
do Trabalho é competente para julgar a referida ação,
com base no disposto no artigo 114 da Constituição, ampliado
pela Emenda Constitucional nº 45/2004 (Reforma do Judiciário).
Por unanimidade, a Turma determinou o retorno do processo à Vara
de São Jerônimo, para que prossiga o julgamento. (RR-1280/2006-451-04-00.0)
(Lourdes Côrtes)

|