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Agência Câmara, 17 de fevereiro
de 2008
Empresa que comprar carvão
ilegal poderá ser punida
Sônia Baiocchi

Juvenil: "A omissão legislativa,
neste momento, fará com que outros estados venham a se tornar
a Minas Gerais de hoje."
A Câmara analisa o Projeto de Lei 2340/07, do deputado Juvenil
(PRTB-MG), que responsabiliza solidariamente as empresas que distribuem
ou utilizam carvão vegetal de carvoarias ilegais. O objetivo
da proposta, segundo o autor, é evitar desmatamento e preservar
o meio ambiente. "É fato notório que as matas
nativas mineiras já foram dizimadas. Hoje, as indústrias
buscam carvão vegetal na Bahia, Mato Grosso do Sul e Pará.
A omissão legislativa, neste momento, fará com que
outros estados venham a se tornar a Minas Gerais de hoje", argumenta.
Pelo projeto, as empresas que usam carvão vegetal também
responderão pelas transgressões das leis ambientais
praticadas por seus fornecedores. Elas serão obrigadas a manter
cadastro dos fornecedores, com o objetivo de comprovar a origem do
carvão.
De acordo com o autor, o projeto contribuirá para que as
indústrias de ferro-gusa e outros segmentos que utilizam o
carvão vegetal sejam rigorosos na escolha de seus fornecedores,
evitando aqueles que estão na ilegalidade.
Tramitação
A matéria tramita em caráter conclusivo, e será examinada
pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável;
de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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Diário Vermelho, 17 de fevereiro
de 2008
Analistas alertam: cartão
corporativo não pode pautar o país
A discussão sobre o uso dos cartões corporativos é importante
e deve ser apurada com rigor pelos organismos competentes, mas o tema
deve ser tratado com serenidade e não pode pautar o debate nacional.
A opinião é de Fábio Wanderley Reis, cientista
político e professor emérito da Universidade Federal
de Minas Gerais, de Fábio Konder Comparato, professor titular
aposentado da Faculdade de Direito da USP, e do filósofo Denis
Lerrer Rosenfield.
Conforme reportagem de Lilian Christofoletti para a Folha de S.Paulo
deste domingo (17), analistas vêem exagero na cobertura da
imprensa. "É um problema autêntico saber se existe
uso impróprio de verba pública. Mas deveria existir
um equilíbrio justamente para impedir que essa discussão
resulte em conseqüências negativas sobre algo que, a princípio,
me parece perfeitamente razoável e positivo, como o uso de
cartões, o que favorece a transparência", diz Reis.
Rosenfield acrescenta: "Tapioca? Jantar com a delegação
chinesa? Meu Deus, isso é patrulhamento moralista. No caso dos
cartões, a discussão não deveria estar na tapioca,
no colchão ou no jantar, isso é absolutamente irrelevante,
mas nos saques que não são contabilizados em lugar nenhum."
" Filtramos um mosquito e engolimos um camelo", afirma Comparato, para
quem o escândalo criou uma nuvem de fumaça para outras questões
importantes para o país. "A utilização de dinheiro
público deve ser em benefício do interesse público. Mas
fazemos um escândalo a respeito dos abusos no uso do cartão e dispensamos
a discussão de outros casos de apropriação de bem público,
caso das reservas florestais e do rio São Francisco. Dois pesos, duas
medidas."
Reis critica a cobertura da imprensa. "A imprensa tende a ecoar,
de uma forma um tanto exacerbada, o que quer e o que corresponde a
uma certa imagem negativa da atividade política, em conexão
com a idéia de corrupção."
Entre os entrevistados, Comparato foi o único a desaprovar o
uso de cartão corporativo. Para o professor, o emprego do dinheiro
público deve ser dificultado, nunca facilitado com cartões
distribuídos entre vários funcionários. O caminho,
afirma, está no retorno das verbas de representação
- a autoridade recebe um valor fixo.
Um ponto convergente entre os estudiosos é a necessidade de
ampliar a transparência do uso do dinheiro público, o
que incluiu até mesmo os gastos do presidente e seus familiares.
Eles criticaram o argumento do governo de que o sigilo dos gastos da
Presidência é uma questão de segurança nacional.
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Diário Vermelho, 17 de fevereiro
de 2008
Collor articula candidatura
presidencial para 2010
O senador e ex-presidente Fernando
Collor monta equipe para disputar a eleição
de 2010. Sua nova bandeira é o parlamentarismo,
segundo matéria publicada na edição
desta semana da revista Isto é.
Leia abaixo a reprodução da reportagem:
Acredite! Collor tenta voltar à Presidência
Em outubro do ano passado, o senador Fernando Collor (PTB-AL) reuniu
a sua equipe em seu gabinete e anunciou que tiraria uma licença
de quatro meses. “A pauta daqui nos próximos meses não
me interessa”, disse ele, no seu estilo seco costumeiro. Collor
referia-se ao fato de que o Senado seguiria até o final do
ano discutindo a cassação do mandato do então
presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL). Ao voltar ao Senado
no início da semana passada e deparar novamente com discussões
sobre improbidade – a CPI dos cartões corporativos –,
Collor ficou furioso: “Isso aqui continua não me interessando!” Protagonista
do primeiro escândalo político após a redemocratização
do País, tudo o que Collor deseja é passar o mais longe
possível de novos escândalos. No período em que
ficou fora do Senado, ele tratou de pavimentar um caminho que em
muitos aspectos se assemelha ao que o levou à Presidência
da República em 1989: construir em torno de si uma bandeira
nacional que o leve de volta, em 2010, ao posto do qual foi catapultado
com o impeachment em 1992. Quase 20 anos atrás, era o combate
aos “marajás” do serviço público;
agora, é a defesa da implantação do regime parlamentarista
no Brasil.
A imagem de “caçador de marajás” de 1989
era algo artificial, uma maquiagem baseada em pesquisas e na intuição
do que poderia atrair votos na primeira eleição presidencial
após a redemocratização. Tanto que a era Collor
foi sinônimo de ostentação, gravatas, uísques
e carros importados, e um esquema milionário de arrecadação
financeira a cargo de seu tesoureiro, Paulo César Farias,
o PC. Agora, a defesa do parlamentarismo parece ter o mesmo propósito.
Se a imagem da mordomia era algo forte no imaginário do eleitorado
há quase 20 anos, agora Collor avalia que o que incomoda é a
sensação de permanente instabilidade política,
com escândalos sucessivos. Em 1989, ele era o jovem, desconectado
dos esquemas políticos tradicionais, que podia, assim, mudar
a situação. Agora, ele quer construir a imagem do homem
calejado, que foi vítima dessa instabilidade política
e da pauta de escândalos que, agora, pode ter a solução
para o problema. Com a vantagem de ser – ou, pelo menos, parecer
ser – tão desconectado quanto antes dos esquemas políticos
tradicionais. E que quer voltar ao poder para abrir mão dele,
trocando a centralização presidencialista pelo parlamentarismo. “O
presidencialismo que exercemos no Brasil é sinônimo
de crise”, afirma Collor.
Para ajudá-lo na construção da sua estratégia,
o senador alagoano ainda conta com a estrutura da Presidência
da República. Como ex-presidente, ele tem direito a dois assessores
que o acompanham. Collor escolheu o general da reserva Sávio
Costa, militar da área de inteligência que, na época
em que Collor era presidente, organizava os espetáculos semanais
que ele fazia ao subir a rampa do Palácio do Planalto, e o
diplomata Márcio Cambraia, que o auxilia na área internacional.
Collor primeiro imaginou que poderia chamar a atenção
para si a partir do próprio Senado. Apresentou uma emenda
estabelecendo o parlamentarismo que tramita na Comissão de
Constituição e Justiça do Senado. Engajou-se
numa frente parlamentarista. Bolou uma cartilha com uma história
em quadrinhos explicando o sistema de governo, cujos fotolitos disponibiliza
de graça para qualquer político interessado em editá-
la. Criou um programa de rádio que envia também gratuitamente
para rádios ligadas a políticos em todo o país
explicações sobre o parlamentarismo. No final do ano
passado, quando viu que o Senado talvez não fosse o cenário
ideal para expandir a idéia, Collor tirou licença e
saiu viajando pelo País. Fez vários encontros pequenos,
reuniões com políticos locais em todos os Estados.
Encontros ainda discretos, com o objetivo de se apresentar e construir
alianças.
Collor e o presidente do PTB, o deputado cassado Roberto Jefferson,
avaliam que a ausência de Lula nas eleições de
2010 tirará delas a polarização entre PT e PSDB
que aconteceu nos últimos pleitos. Uma situação
que pode construir um cenário semelhante ao de 1989, com 14
candidatos à Presidência e pelo menos cinco que apresentaram
chance real de se eleger (Collor, Lula,Leonel Brizola, Mário
Covas e Afif Domingos). Esse cenário permitiu que um candidato
de um partido pequeno e sem estrutura vencesse. Em 2010, pode se repetir
o mesmo. A avaliação é que, com o recall de já ter
sido presidente, Collor sairia para a disputa com um patamar de 15%.
Numa eleição mais pulverizada, pode ser um bom trampolim.
Ele sabe, porém, que, ao contrário de 1989, agora a rejeição
de grande parte do eleitorado será contra ele. Esse é seu
maior obstáculo.
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Diário Vermelho, 17 de fevereiro
de 2008
Crescimento industrial
uruguaio foi de 9,6% em 2007
A indústria manufatureira uruguaia cresceu 9,6% em 2007 e deve
registrar uma alta de 7% este ano, segundo um relatório do Instituto
Nacional de Estatística publicado neste sábado (16).
O estudo afirma que dois fatores que estimularam o crescimento nos
dois últimos meses de 2007 foram o início de operação
da fábrica de celulose da finlandesa Botnia e a consolidação
da produção de uma bebida muito popular em uma zona
franca em Colônia, no sudoeste do Uruguai.
No parque industrial uruguaio houve uma queda de produção
na refinaria de petróleo da estatal Ancap, a única
que realiza a atividade no país. Segundo o jornal "El
País", a produção física industrial
cresceu 10,93% em 2006; 13,8% em 2005; e 21,1% em 2004. Em dezembro
de 2007 o aumento da produção industrial foi de 7,5%,
sem incluir a refinaria de petróleo.
Paralelamente, fontes do Ministério de Indústrias
destacaram o aumento do investimento em maquinaria durante 2007,
o que representa o maior crescimento do setor. Um relatório
da Câmara de Indústrias calculou que o investimento
na indústria cresceu 35% ao longo de 2007.
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Diário Vermelho, 17 de fevereiro
de 2008
A globalização
e sua contribuição para o trabalho forçado
O trabalho forçado é alimentado
pelo modelo de globalização adotado no mundo,
em que a competitividade incentiva uma constante redução
nos custos do trabalho. Com isso, leva para baixo as condições
de emprego, culminando na imposição do trabalho
forçado – e de um sistema para suprir esse
tipo de mão-de-obra. O que acontece em países
pobres ou ricos. Esse foi um dos temas discutidos no painel "Demanda
por trabalho forçado e exploração
sexual - como e por que isso alimenta o tráfico
de seres humanos".
Por Leonardo Sakamoto, do Repórter Brasil
O evento foi parte do "Fórum de Viena", organizado
pela Iniciativa Global das Nações Unidas para o Combate
ao Tráfico de Seres Humanos (UN.Gift), que está sendo
realizado entre os dias 13 e 15 na capital austríaca. Estão
presentes especialistas, entidades internacionais, governos, sociedade
civil, mídia e o setor empresarial para discutir como combater
o problema.
Nicola Phillips, professora de economia política da Universidade
de Manchester, defendeu que o tráfico de pessoas para exploração
econômica e sexual está relacionado ao modelo de globalização
e de capitalismo que o mundo adota.
De acordo com ela, esse modelo é baseado em um entendimento
de competitividade nos negócios que pressiona por uma redução
constante nos custos do trabalho. Empregadores tentam flexibilizar
ao máximo as leis e relações trabalhistas para
lucrar com isso e, ao mesmo tempo, atender uma procura por produtos
cada vez mais baratos por parte dos consumidores.
A pobreza, que torna populações vulneráveis
socialmente, garante oferta de mão-de-obra para o tráfico
- ao passo que a demanda por essa força de trabalho legitima
esse tráfico de pessoas, atraindo intermediários (como
os "gatos" no Brasil). Em resumo, de acordo com Phillips, "a
sistemática desregulação do mercado de trabalho
facilita o surgimento de trabalho forçado". Para atuar
no problema, deve-se atuar tanto na oferta desse tipo de mão-de-obra
quanto na demanda. No combate à pobreza e no modelo de desenvolvimento
que queremos.
Simon Steyne, responsável pelo departamento de relações
exteriores da TUC, central sindical britânica, trouxe a situação
do trabalho forçado no Reino Unido para a discussão: "A
economia do país depende de imigrantes - que vão fazer
serviços como faxineiros, empregados domésticos, trabalhadores
do sexo. Precisa de trabalho barato, flexível e explorável
para essas funções". Dessa forma, a globalização
de mercados, que traz lucros para alguns e pobreza muitos, apresenta
uma de suas piores faces nos países ricos.
Esses imigrantes são os mais sujeitos ao trabalho forçado,
e como não possuem documentação legal não
conseguem ir atrás dos seus direitos - situação
parecida com os imigrantes ilegais bolivianos que trabalham de forma
degradante em pequenas oficinas de costura da cidade de São
Paulo. Até as formas de coerção da liberdade
se parecem entre si: manter cativo através de um endividamento
ilegal, fazer ameaças ou usar da violência e utilizar
o fantasma da deportação para que o sujeito permaneça
no serviço.
Para Steyne, o tráfico de pessoas é um componente,
uma etapa do trabalho forçado, e não o contrário.
Considerando dessa forma, coloca-se em posição de destaque
a utilização final do traficado e não o processo
que levou ao deslocamento - ou seja - plantar, colher, limpar, construir,
costurar algo para alguém - que pode, assim, ser reconhecido
para uma efetiva punição.
Commodities
O embaixador Mark Lagon, responsável pelo escritório
de combate ao tráfico de pessoas do Departamento de Estado norte-americano,
informou que o Departamento de Trabalho está elaborando uma
lista de produtos que podem conter trabalho forçado em suas
cadeias de produção. Essa ferramenta deve ser usada para
ajudar no combate ao problema, identificando os setores de produção
mais afetados em cada país e forçando países a
agirem. Mas também como um alerta aos importadores nos Estados
Unidos para ficarem de olho nesses produtos.
A criação e implantação dessa lista é conhecida
há algum tempo e causa preocupação entre os
empresários de outros países. Pelo o que é possível
perceber, mesmo dentro do poder executivo ou do legislativo dos EUA
não há um consenso sobre quais ações
adotar a partir desse instrumento. A versão mais corrente é que
sirva de referência para ajudar no combate ao tráfico
e ao trabalho forçado. Mas também há defensores
de que ele seja utilizada para restrições comerciais.
Durante um evento realizado no Congresso norte-americano em novembro
do ano passado, congressistas e representantes do poder executivo
de lá elogiaram as ações brasileiras no combate
ao trabalho escravo, citando como exemplo a "lista suja" -
cadastro do governo federal que publica o nome dos empregadores que
utilizam esse tipo de mão-de-obra. Além das ações
de alguns bancos e empresas, que têm cortado de seus financiados
e fornecedores os que utilizaram trabalho escravo. Em outras palavras,
no Brasil já temos um instrumento que garante um corte seletivo
e cirúrgico - a "lista suja" - tornando desnecessário
erguer barreiras comerciais a setores inteiros. Falta ele ser adotado
de forma abrangente.
Esse foi um dos temas abordados na apresentação de
Andréa Bolzon, coordenadora nacional do projeto de combate
ao trabalho escravo da Organização Internacional do
Trabalho no Brasil. Ela mostrou como o trabalho escravo tem sido
utilizado na expansão da fronteira agrícola brasileira,
principalmente na região amazônica, em atividades que
vão da extração de madeira à produção
de carvão e abertura ou limpeza de áreas para a implantação
de fazendas de gado, de soja, algodão, entre outros produtos.
Bolzon discorreu sobre ações que vêm sendo tomadas
no Brasil para atuar junto à demanda por esse tipo de trabalhadores,
com destaque para o Pacto Nacional pela Erradicação
do Trabalho Escravo. O acordo envolve, hoje, mais de 100 empresas
nacionais e multinacionais que se comprometeram a combater o trabalho
escravo em suas cadeias de fornecedores, seja deixando de comprar
de fazendas da "lista suja", seja conscientizando frigoríficos
e indústrias a não comprarem do cadastro do governo.
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Agência Diap, 17 de fevereiro de
2008
O gesto do envio ao Congresso
das Convenções da OIT
Por: Antônio Augusto
de Queiroz*
O presidente Lula, num gesto simbólico, encaminhou para ratificação
do Congresso duas importantes convenções da OIT: 151,
sobre negociação coletiva no serviço público,
e 158, sobre a proibição da demissão imotivada
do trabalhador.
A Convenção 151, sobre negociação coletiva
no serviço público, para que tenha efetividade no Brasil
depende de alteração no texto constitucional, por força
do princípio da legalidade na Administração Pública.
Ou seja, enquanto não for alterado o artigo 37 da Constituição,
a negociação que implique aumento de despesa só terá validade
após ser transformada em lei pelo Congresso Nacional.
A iniciativa, portanto, é um gesto importante no sentido da
necessidade de institucionalizar a negociação coletiva
no serviço público, mas é insuficiente para atingir
esse objetivo plenamente.
De qualquer modo é uma demonstração de boa vontade
e disposição para criar a cultura da negociação
coletiva, permitindo aos sindicatos cobrarem dos prefeitos, governadores
e do presidente República pelo menos a definição
de data-base para reajuste, além de estimular a adoção
de um sistema de autocomposição, no qual o que vier a
ser pactuado se constitua em lei das partes, como ocorre no setor privado.
Já a Convenção 158 da OIT, relativa ao término
da relação de trabalho por iniciativa do empregador,
estabelece princípios e enunciados que devem ser observados
para efeito de despedida do trabalhador por iniciativa do empregador.
Trata-se de importante convenção - já foi ratificada
pelo Congresso em 1992 e denunciada por FHC em 1996 - que inibe a dispensa
de empregados a menos que exista causa justificada relacionada à capacidade,
comportamento ou necessidade de funcionamento da empresa, estabelecimento
ou serviço, conforme seu artigo 4º.
O setor patronal, contrário à Convenção,
certamente terá algum tipo de resistência, seja alegando
que a regulamentação da matéria depende de lei
complementar, nos termos do inciso I do artigo 7º da Constituição,
seja condicionando sua vigência à revogação
da multa de 40% que incide sobre o FGTS em dispensa sem justa causa,
conforme estabelece o artigo 10 do Ato das Disposições
Transitórias da Constituição.
De fato, o inciso I do artigo 7º da Constituição
garante “relação de emprego protegida contra despedida
imotivada ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização
compensatória, dentre outros direitos”, e o artigo 10
do Ato das Disposições Transitórias diz que, até que
seja regulamentado esse dispositivo, a multa por dispensa passa de
10% para 40% do saldo do FGTS.
O texto constitucional garante “proteção contra
despedida imotivada” e “indenização compensatória,
entre outros direitos”. Portanto, não há incompatibilidade
entre proteção e indenização, mesmo nos
casos em que for autorizada ou justifica a demissão, bastando
que a lei complementar explicite isto.
Embora as regras impositivas estejam reservadas à lei complementar,
nada impede que uma convenção internacional, que têm
status de lei ordinária, possa estabelecer princípios
que pautem a conduta dos empregadores na relação com
seus empregados, recomendando que as dispensas só sejam aceitáveis
quando socialmente justificadas.
Além disto, a despedida arbitrária ou imotivada do trabalhador,
cuja remuneração possui natureza alimentar, é uma
agressão aos direitos humanos e, segundo o parágrafo
3º do artigo 5º da Constituição Federal:
“ Os tratados e convenções internacionais sobre direitos
humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos,
por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às
emendas constitucionais”.
Assim, bastaria que o Congresso aprovasse o convênio nos termos
do artigo 5º da Constituição para superar quaisquer
questionamentos quanto a eficácia da convenção
contra a dispensa imotivada.
As iniciativas presidenciais, embora não gerem efeitos práticos
imediatos – tanto porque ainda dependem da aprovação
do Congresso, quanto porque os convênios não são
auto-aplicáveis – são muito louváveis, porquanto
sinalizam a disposição do Governo de enfrentar esses
dois temas.
(*) Antônio Augusto de
Queiroz é jornalista, analista político
e Diretor de Documentação do DIAP – Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar.
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Agência Brasil, 17 de fevereiro de
2008
Pesquisa aponta que jovens
querem conciliar trabalho e educação
Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A necessidade de aproximar a educação
e a qualificação profissional, e a de conciliar o estudo
com o trabalho, estão entre as principais preocupações
dos jovens da América do Sul. A conclusão é de
pesquisa feita em seis países da região pelo Instituto
Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase)
e pelo Instituto de Estudos Formação e Assessoria em
Políticas Sociais (Pólis).
A pesquisa, realizada principalmente com jovens de organizações
e movimentos sociais, foi feita por meio de entrevistas e grupos
de discussão. No ano passado, foram ouvidas 960 pessoas na
Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.
De acordo com a antropóloga Regina Novaes, consultora do
Ibase, o estudo aponta a necessidade de encontrar formas para os
jovens poderem estudar sem deixar de trabalhar. “Por exemplo,
no caso dos jovens rurais, a questão da sazonalidade, das
demandas da agricultura, por que não ter currículos
que se adeqüem a isso?”, questiona a consultora.
A socióloga Helena Abramo, que fez a supervisão técnica
da pesquisa no Brasil, disse que para permitir essa conciliação
são necessárias medidas no âmbito da educação
e do trabalho. “Uma jornada de trabalho que permita conciliar
com outra jornada, um trabalho que não seja tão estafante
e uma educação que reconheça o jovem como trabalhador
e que permita esse diálogo.”
Os trabalhadores do setor de telemarketing, com 72,5% de jovens
entre 15 e 29 anos, são um exemplo da busca por essa dupla
jornada. Por isso, o Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing
(Sintratel) de São Paulo fez parte da pesquisa. Segundo Abramo,
o setor foi escolhido por ser considerado um dos nichos de trabalho
para os jovens.
O presidente do Sintratel, Marco Aurélio Coelho de Oliveira,
informou que grande parte dos trabalhadores do setor está fazendo
um curso superior, já que a profissão exige ensino
médio completo. “O telemarketing acaba servindo como
um trabalho para pagar a faculdade”, constatou. Mas, segundo
ele, devido à competitividade do mercado de trabalho, muitos
jovens já têm que trabalhar em dois empregos.
Para Regina Novaes, embora a educação esteja em diferentes
patamares nos países em que as entrevistas foram feitas, todos
os jovens ouvidos expressaram o desejo de ter uma educação
mais ligada às mudanças que vêm ocorrendo no
mundo. "Uma educação de qualidade, não
apenas formal, uma escolaridade que garanta o diploma, mas que garanta
também o aprendizado nos moldes do século 21, que responda às
necessidades do mercado de trabalho”, explicou.
A pesquisa conclui também que a demanda dos jovens não é apenas
por trabalho, mas, sobretudo por um “trabalho decente, melhor
que o que têm conseguido encontrar”, destacou Abramo.
Outras demandas comuns estão na área do transporte.
Segundo Novaes, "o que se percebe é que tanto as diferenças
entre os jovens rurais e urbanos como a geografia das grandes cidades,
que separa a periferia do centro, têm conseqüências
para a educação, para o trabalho e para a cultura”,
que aparece na pesquisa como uma demanda associada à educação
de qualidade na cidade e no campo.
Regina Novaes destacou ainda a preocupação dos jovens
com a segurança e com o meio ambiente: "Essa geração
já reconhece a questão do desenvolvimento sustentável
e tem medo de um futuro sem água, com a camada de ozônio
prejudicada. É uma geração que, mais do que
as outras, tem essas questões ambientais mais próximas
em termos de segurança e de futuro.”
O relatório final da pesquisa será apresentado amanhã (18),
durante a posse do novo Conselho Nacional de Juventude. Uma versão
provisória já havia sido divulgada em dezembro, durante
a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, no Uruguai.
A antropóloga acrescentou que o objetivo do estudo é influenciar
as políticas públicas para a juventude nos seis países
pesquisados. “Vamos continuar tentando dialogar com os gestores
públicos, que já estão encarregados de projetos
voltados para a juventude e precisam ouvir essas informações
para qualificar melhor a sua ação.”
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Folha de São Paulo, 17 de fevereiro
de 2008
Alckmin e Marta mantêm
frente na corrida paulistana
Segundo Datafolha, tucano tem
29%, e petista, 25%; Kassab seria o escolhido de 12%
Pesquisa deve transferir do ex-governador para
o atual prefeito a pressão política decorrente das
incertezas sobre a aliança PSDB-DEM
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
A menos de oito meses das eleições -e para desgosto
do prefeito Gilberto Kassab (DEM)-, o ex-governador Geraldo Alckmin
(PSDB) e a ministra Marta Suplicy (PT) mantêm-se hoje como
os favoritos na corrida pela Prefeitura de São Paulo, revela
a primeira pesquisa Datafolha do ano.
No cenário que inclui o nome de Kassab, Alckmin conta com
29% das intenções de voto e tem ligeira vantagem sobre
Marta, que aparece com 25%. Como a margem de erros é de três
pontos percentuais, para mais ou para menos, os dois estão
tecnicamente empatados. Kassab, por sua vez, tem 12% da preferência
e está tecnicamente empatado com Paulo Maluf (PP) e Luiza
Erundina (PSB). Maluf tem 10%. Ela, 8%.
O Datafolha entrevistou 1.092 pessoas no dia 14. Em comparação à pesquisa
anterior -realizada entre 26 e 29 de novembro-, o resultado tende
a transferir para Kassab a pressão política que estava
sobre os ombros de Alckmin. O lançamento das duas candidaturas
significaria o rompimento da aliança PSDB-DEM na cidade.
O tucano, que sofrera queda de quatro pontos percentuais de agosto
para novembro, oscilou três pontos para cima na última
pesquisa. Marta teve uma variação positiva de um ponto.
Já Kassab sofreu uma oscilação negativa de um
ponto. Em relação a novembro, a diferença de
Alckmin para Kassab passou de 13 para 17 pontos.
A pressão sobre Kassab pode ficar maior após análise
dos cinco cenários apresentados pelo instituto. Chamando atenção
para quem perde e ganha com a exclusão dos potenciais candidatos,
o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, ressalta que "o
eleitorado de Alckmin e o de Kassab têm perfil semelhante".
Em sua opinião, "saindo juntos, eles dividem os votos.
Isso beneficia Marta".
Segundo a pesquisa, Alckmin só fica isolado na liderança,
descolando-se de Marta, no cenário em que Kassab está fora
do páreo. Sem Kassab, Alckmin chega a 34% das intenções
de voto, seis pontos à frente de Marta, que tem 28%.
"Nesse cenário, Alckmin sobe cinco pontos, de 29% para
34%, e se isola na liderança", afirma Paulino. Alckmin
também lidera sozinho quando Marta é substituída
pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT). Nessa simulação,
o tucano obtém 33%, contra 16% de Kassab. Também nesse
caso, Kassab aparece em empate técnico com Erundina (14%)
e Maluf (12%)."Sem Marta, a Erundina é a maior beneficiada.
Sobe de 8% para 14%", destaca Paulino.
Marta assume a liderança quando Alckmin é excluído
da disputa. Com 32% das intenções de voto, ela fica
13 pontos à frente de Kassab (19%). Maluf e Erundina dividem
o terceiro lugar, com 13% e 10% da preferência respectivamente.
Também aí Kassab sofre uma oscilação
negativa de um ponto, em comparação a novembro.
Não há alterações significativas no cenário
em que é excluído o nome de Maluf -nunca testado anteriormente.
Apesar da redução da vantagem de Alckmin sobre Marta,
os dois continuam empatados. Nesse caso, o tucano tem 30% contra 28%
de Marta. O prefeito Kassab aparece com 13%, empatado com Erundina
(9%).
Pela segunda vez consecutiva, a pesquisa registra uma perda de Alckmin
entre os eleitores mais escolarizados. De agosto para cá,
Alckmin passou de 43% para 32% entre os eleitores com nível
superior -em relação à última pesquisa,
encolheu cinco pontos. Na comparação com novembro,
Kassab evoluiu cinco pontos nessa faixa do eleitorado e está com
19%. Marta oscilou dois pontos para cima e aparece com 17%.
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Folha de São Paulo, 17 de fevereiro
de 2008
Lula e FHC se acomodaram
com o patrimonialismo
Presidenciável diz faltar "projeto" a
petista, admite voto em Aécio e critica Serra
Lula Marques/Folha Imagem

Ciro Gomes concede entrevista na quinta-feira
em seu gabinete, em Brasília
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
PRESIDENCIÁVEL DO campo governista mais forte nas pesquisas
sobre a sucessão de 2010, Ciro Gomes, 50, diz que falta "projeto
estratégico" a Luiz Inácio Lula da Silva, mas
que "o Brasil melhorou" na gestão do petista. Ciro
(PSB-CE) afirma que Lula e o antecessor, Fernando Henrique Cardoso
(PSDB), contemporizaram com o patrimonialismo. "Tive uma conversa
explícita com FHC, reclamando do excesso de concessões
e da frouxidão moral a pretexto da sustentação
no Congresso. Ele disse: "Você é muito jovem e
um dia vai se sentar aqui. Verá que caiu o presidente que
não contemporizou com o patrimonialismo". Fiquei chocado.
No governo Lula, vi um pouco de novo a mesma coisa."
FOLHA - FHC estabilizou a economia e deu início
a uma rede de proteção social. Lula manteve a estabilidade,
ampliou os gastos com os mais pobres e lançou plano de investimentos
em infra-estrutura que ainda é incógnita. Quais seriam
as prioridades do próximo governo?
CIRO GOMES - Discordo da formulação
da pergunta. Houve uma lavagem cerebral no Brasil protagonizada pelo
Fernando Henrique. O governo Itamar Franco fez a estabilização
com a fundação do real. Itamar foi jogado na lata do
lixo, como se tivesse sido um presidente exótico, quando foi
uma passagem benfazeja pela Presidência.
FOLHA - FHC não teve méritos?
CIRO - Sem FHC não teria havido o real,
como também sem o Itamar não teria havido. As pessoas
acham que tenho animosidade particular. Nenhuma. Quando FHC tomou
posse, havia uma dívida pública equivalente a cerca
de 38% do PIB. Ele deixou essa relação em 58% do PIB.
Explodiu a dívida, aumentou muito a carga tributária,
deprimiu a taxa de investimento aos menores valores desde a 2ª Guerra
Mundial e levou o país ao colapso, inclusive na caricatura
trágica do apagão.
FOLHA - O governo dele tem saldo positivo na história?
CIRO - Ele pessoalmente tem. O governo é um
desastre sem precedente na história.
FOLHA - Quais devem ser os próximos passos
do país?
CIRO - Falta ao Brasil um projeto estratégico.
Percebo avanços importantes, conceituais com Lula. Por isso,
o apóio.
FOLHA - Falta ao governo Lula um projeto estratégico?
CIRO - Ao Brasil.
FOLHA - Ao Brasil ou a Lula?
CIRO - Ao Brasil e ao governo Lula, evidentemente.
Temos um privilégio hoje: a intuição de Lula,
o compromisso verdadeiro com a causa nacional, com a causa dos mais
pobres. Esses dois valores, que parecem uma abstração,
embrionam um conjunto de valores coerente com o projeto nacional
com o qual sonho. O Brasil melhorou com Lula, mas há muita
debilidade institucional. Há dependência da vontade
do Lula, da presença pessoal dele.
FOLHA - Resuma esse projeto.
CIRO - Construir com começo, meio e fim
uma economia política que tenha algumas clarezas. A produção
brasileira não dispõe, mesmo no melhor momento dos últimos
20 anos, de condições simétricas às do
empreendedor global para competir no mundo e no Brasil. A taxa de
juros é global? Não estou falando que devemos revogar
o capitalismo. Mas não tem conversa, o Brasil não superará o
hiato tecnológico sem intervenção direta do
Estado. No macro, a meta estratégica é liderar um esforço
de elevação do nível interno de poupança.
No micro, recuperar o Estado nas suas funcionalidades vitais. Isso
foi satanizado. Nossas estradas e nossos portos estão arrebentados.
O Brasil tem uma das mais agudas concentrações de renda
do mundo organizado. Vai se resolver pelo espontaneísmo das
forças de mercado?
FOLHA - É possível formar uma maioria
no Congresso para implementar esse projeto?
CIRO - Possível, sim. Vejo interlocução
no PSDB e em parte do DEM, sendo eu do campo hostil a eles na política.
Tive uma conversa explícita com FHC, reclamando do excesso
de concessões e da frouxidão moral a pretexto da sustentação
no Congresso. Lá pelas tantas, ele me disse: "Você é muito
jovem e um dia vai se sentar aqui. Verá que caiu o presidente
que não contemporizou com o patrimonialismo". Ele usou
essa expressão. Fiquei muito chocado. No governo Lula, vi
um pouco de novo a mesma coisa. Me incomodei muito.
FOLHA - Lula também contemporizou com o
patrimonialismo?
CIRO - É o que estou lhe dizendo. Não
deveríamos aceitá-lo, deveríamos manter sempre
disciplina crítica contra isso, mas devemos reconhecer que é um
traço da realidade. Como atenuar? Governo vai ter sempre corrupção.
Vai ter sempre oposição pedindo uma CPI com a perspectiva
de desmoralizar o governo para obter efeitos eleitorais. Isso tudo é normal.
Não acho normal isso dominar 100% as energias do país,
especialmente da imprensa.
A responsável não é a imprensa. A responsabilidade é dos
políticos. Porém, a imprensa ajuda ao espetacularizar
o escândalo, ao novelizar o escândalo. Não estou
dizendo que o escândalo não deva ser tratado. Deve ser
tratado duramente, mas não pode monopolizar as atenções
da sociedade brasileira se temos tais e tantas questões graves.
Advogo que o modelo tributário, o modelo previdenciário,
o marco central de economia política e a questão da
institucionalidade política devam ser temas que fiquem fora
do mundanismo do dia-a-dia do governo governando e oposição
oposicionando. Em certos momentos, é profundamente democrático
e não significa enquadramento do Congresso, convocar a população
para mediar determinadas questões, com plebiscitos e referendos.
FOLHA - Qual dos três pré-candidatos à presidência
dos EUA seria melhor para o Brasil, os democratas Barack
Obama e Hillary Clinton ou o republicano John McCain?
CIRO - Há contradição entre
a minha simpatia e o que a tradição histórica
demonstra. Para a economia brasileira, os republicanos têm
sido menos hostis, um pouco menos protecionistas. O padrão
de consumo que os EUA têm está matando o planeta. Uma
lógica assentada no combustível fóssil e no
automóvel não é sustentável. A idéia
de uma ação unilateral de guerras preventivas choca-se
com a busca de uma ordem mundial amparada na paz. Os dois democratas
estão mais comprometidos com essa visão, melhor para
o planeta. Não disfarço minha simpatia pelos dois,
mas McCain é figura bastante interessante. A ultradireita
americana, neopentecostal e belicista, está meio sem representação
nessas eleições.
FOLHA - Tem simpatia por um?
CIRO - Tenho, mas não digo. Vá que
eu me eleja um dia presidente, tenho de tratar com um deles com o
maior respeito.
FOLHA - O sr. é favorável ao fim
da reeleição e a um mandato presidencial de cinco anos?
CIRO - Seria melhor para o Brasil. Há tendência
de abuso por quem está no poder.
FOLHA - Lula prega que a aliança dos partidos
da base com candidatura única em 2010 seria mais eficaz para
derrotar a oposição. Concorda?
CIRO - Concordo.
FOLHA - É viável uma coalizão
com PT, PMDB e PSB?
CIRO - Muito improvável.
FOLHA - Serão lançados dois ou mais
nomes do campo hoje lulista?
CIRO - Muito provável.
FOLHA - O sr. hoje é o nome do campo governista
que está mais bem posicionado. Quais os critérios para
definir os candidatos?
CIRO - Pesquisa hoje é muito mais uma forma
de notoriedade do que voto sedimentado. Mesmo na data, quando pesquisa
tem tendência mais reveladora, é um critério
despolitizado. Os critérios devem ser quem tem mais clareza
da tarefa que se impõe ao sucessor de Lula e quem é mais
viável.
FOLHA - Admite ser vice?
CIRO - Admito ser qualquer coisa. Não fui
ministro do Lula com a maior honra?
FOLHA - Na hipótese de Aécio Neves
ingressar no PMDB e de o partido integrar uma coalizão governista
em 2010 com apoio de Lula e do PT, ele poderia ser o cabeça
de chapa?
CIRO - Aécio é uma das grandes e
boas novidades que a democracia brasileira está produzindo.
Falta a ele uma vivência nacional. Nada que o talento, o espírito
público e o carisma dele não supram rapidamente. Votaria
nele em uma certa circunstância tranqüilamente.
FOLHA - Comporia chapa com ele?
CIRO - Não é provável. Ele é do
PSDB. Pertenço comovidamente ao arco de sustentação
do governo Lula.
FOLHA - Se ele fosse para o PMDB?
CIRO - Não acredito.
FOLHA - No caso dos cartões corporativos,
o governo diz que a oposição faz luta política.
Já a oposição vê um novo escândalo
de corrupção.
CIRO - É um tema vulgar, desagradável.
Há erros que devem ser pesquisados pelos órgãos
institucionais que já estão fazendo o seu trabalho. É um
caso que terá menos peso na vida do país. É tão
fortemente artificial que não vai colar. Não se acha
todo dia um mensalão.
FOLHA - A oposição está tentando
achar um mensalão?
CIRO - Claro. Setores da oposição
adoram isso, porque simplifica o debate. O PSDB aqui na Câmara
começou o debate da CPMF indo para a tribuna defender a contribuição,
falando de coerência. E terminou o debate no Senado com o PSDB
inteiro votando contra. Estão desarvorados, perdidos, num
mato sem cachorro. Parte dos defeitos graves do governo Lula são
similitudes com eles. Os tucanos dizem: vamos examinar os cartões.
Então o governo diz: desde 1998. Acabou a CPI.
FOLHA - Por que o sr. não gosta de José Serra
e vice-versa?
CIRO - É um homem de valor, porém
sem escrúpulos. Eu era muito amigo dele. Quando eu governava
o Ceará, ele era o cara de maior mérito na bancada
do PSDB. Por excesso de méritos, porque ele é muito
qualificado intelectualmente, ninguém tolerava a idéia
de o Serra ser líder da bancada. Porque não conversava
com ninguém, não cumprimentava ninguém. É arrogante,
prepotente, só ele sabe a verdade. FHC vivia esculhambando
o Serra. O esporte preferido de FHC ainda é falar mal do Serra
na intimidade.
Outro dia soube que um jornal distribuído gratuitamente no metrô de
São Paulo pôs lá entre aspas que eu achava que
o Serra não gostava de pobre. E, se fosse negro e nordestino,
pior. Resultado: processo.
FOLHA - O sr. disse isso?
CIRO - Que eu me lembre, não. Que ele não
gosta de pobre, eu sei. Posso responder a 50 processos, mas isso é uma
opinião política. Ele pode dizer: o Ciro é feio.
Qual o problema? Nunca processei ele. Mas processa para me constranger,
obrigar a contratar advogado, perder dinheiro, penhorar meu salário,
como ele fez. Ele penhorou agora o meu salário, mas a Justiça
mandou devolver. Passei um mês sem dinheiro para pagar as contas,
porque só tenho essa fonte de renda.
FOLHA - Por que o sr. não tem boa relação
com a imprensa, sobretudo a escrita?
CIRO - Minha relação é boa. Como acho que a imprensa
presta grande serviço ao criticar, a imprensa também
tem de ter tolerância ao ser criticada.
FOLHA - Quais suas críticas?
CIRO - Primeiro, é nepotista. Lamento, mas
são cinco famílias que controlam a grande imprensa
do país. Isso não quer dizer que não tenho apreço
e respeito por pessoas dessas famílias. Muitos têm espírito
público. Tenho saudade do sr. Frias [Octavio Frias de Oliveira,
publisher da Folha, morto em 29 de abril do ano passado]. Eu ia almoçar
com ele duas, três vezes por ano. Ele adorava minhas maluquices.
Ele perguntava, eu respondia. Ríamos para caramba. Tenho respeito
e boa relação com outras pessoas da imprensa, mas a
imprensa brasileira não é neutra. É conservadora.
Vamos tratar isso como? Mais imprensa, mais liberdade de imprensa.
FOLHA - Em 2002, o sr. chegou a liderar as pesquisas.
Dois episódios simbólicos, quando chamou de burro um
ouvinte de uma rádio e afirmou que a função
de sua mulher, Patrícia Pillar, na campanha era dormir com
o sr., foram determinantes para não ir ao segundo turno?
CIRO - Foram duas das maiores besteiras das muitas
que eu já fiz na vida. Nenhuma delas alcançou um centavo
do dinheiro público. Me arrependo muito, mas aprendi amargamente.
Não me perdôo. Mereci a repulsa dos eleitores porque
não é sintoma de bom presidente.
FOLHA - Considera-se preparado hoje para ser presidente?
CIRO - Estou muito mais maduro do que jamais estive.
FOLHA - Um temperamento difícil não é um
obstáculo para chegar à Presidência e, uma vez
lá, não poderá estimular crises?
CIRO - Pode ser. Já disse e vou repetir,
agora com muita mais serenidade e moderação. Não
quero vender a alma para ser presidente. Sou uma pessoa indignada
e quero morrer assim.
FOLHA - O sr. falou que temperança é boa
para um presidente.
CIRO - Mais do que boa, é necessária.
Aprendi com Lula.
FOLHA - Terá temperança?
CIRO - Só o tempo vai dizer.
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Folha de São Paulo, 17 de fevereiro
de 2008
Jornada de trabalho cai
1 hora desde 2003
Especialistas creditam redução à expansão
do número de vagas geradas, da renda e da formalização
e a um maior rigor na fiscalização
Em 2007, jornada média era de 40,4 horas
semanais, ante 41,3 horas quatro anos antes; formais trabalham mais
que os sem-carteira
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Os brasileiros das principais metrópoles do país ganharam
quase uma hora semanal nos últimos quatro anos para se dedicarem
ao lazer, ao cuidado da casa e dos filhos ou ao estudo, entre outras
atividades. É que o número total de horas trabalhadas
semanais está em declínio: passou de 41,3 horas, em
2003, para 40,4 horas semanais, na média, de 2007. A diferença
(0,9 hora) corresponde a uma redução de 54 minutos.
Em 2006, a jornada média era de 40,5 horas por semana, segundo
dados da Pesquisa Mensal de Emprego, do IBGE, obtidos pela Folha.
De 2006 para 2007, a queda sofreu uma freada e representou apenas
seis minutos.
Especialistas apontam vários motivos para a redução
das horas trabalhadas: expansão do número de vagas geradas,
da renda e da formalização e mais rigor na fiscalização.
Segundo Cimar Azeredo Pereira, gerente da pesquisa do IBGE, a fiscalização
evoluiu nos últimos anos, reprimindo abusos de empregadores.
Ele diz que o aumento da formalização também
ajudou. É que os trabalhadores com carteira estão sujeitos às
regras e têm uma jornada mais regular do que os informais.
Os trabalhadores com carteira ainda trabalham mais horas que os
informais. A jornada daquele contingente baixou de 43,6 horas semanais
em 2003 para 43,2 horas em 2007 -era de 43,3 horas em 2006. A dos
sem-carteira cedeu de 41,4 horas semanais em 2003 para 40,8 em 2007.
Em 2006, o grupo trabalhava 41,1 horas.
Azeredo Pereira diz que, entre os sem-carteira, há perfis muito
distintos de trabalhadores, inclusive aqueles que têm apenas
uma jornada parcial, por poucas horas, e são contratados por
empreitadas. Por isso, sua jornada média é menor.
O gerente do IBGE acredita que os com carga horária maior
(e que precisam trabalhar por uma jornada completa) migraram para
empregos formais, cuja oferta cresceu nos últimos anos.
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Folha de São Paulo, 17 de fevereiro
de 2008
Renda maior diminui jornada,
afirma IBGE
DA SUCURSAL DO RIO
Professor do Instituto de Economia da Unicamp, Claudio Dedecca diz
que a redução das horas trabalhadas "não é significativa" e
está limitada a algumas categorias. Ele também não
acredita que se sustente em 2008, quando o país deve registrar
o segundo ano seguido de forte crescimento econômico.
"Já existiam informações de aumento das
horas extras e de retorno de turnos aos sábados em 2007. Um
exemplo típico é o da indústria automobilística.
Acho que essa curva [de horas trabalhadas] tenderá a imbicar
para cima."
Dedecca afirma ainda que cada vez mais surge a figura da "jornada
invisível", ou seja, as tarefas levadas pelo trabalhadores
para serem feitas em casa. Isso "marca" a diminuição
captada pelo IBGE.
Renda
Para Cimar Azeredo Pereira, gerente da pesquisa do IBGE, outra hipótese
para a redução do número de horas trabalhadas é a
expansão da renda. "O aumento do poder de compra permite
que as pessoas trabalhem menos", afirma. Lygia Cesar, economista
da MCM, concorda: "Ao ganharem mais, as pessoas podem se dar
ao luxo de trabalhar menos tempo".
Para Francisco Pessoa, economista da LCA, essa possibilidade, em
tese, existe, mas ressalva que o avanço do rendimento não
foi tão significativo. Segundo o IBGE, a renda cresceu 7,7%
de 2003 a 2007, embora não tenha ainda recuperado o valor
de 2002, período anterior à crise pré-eleitoral
que resultou na recessão de 2003.
O economista da LCA diz não acreditar que trabalhadores sem
carteira com jornadas menores tenham migrado para empregos formais
com jornada maior.
Cesar, da MCM, afirma que a menor jornada está relacionada
ao aquecimento da economia, que fez gerar postos de trabalho. Num
primeiro momento da recuperação econômica, afirma,
as empresas ampliaram as horas trabalhadas. Ao observarem, porém,
que a reação era firme, decidiram abrir novas vagas,
o que reduziu as horas dos empregados já contratados.
"Desde 2004, a economia vive uma fase de recuperação.
Uma redução da jornada num momento de geração
maior de postos de trabalho é condizente com essa situação",
afirma. De 2003 a 2007, o número de pessoas ocupadas nas seis
regiões cresceu 11,9%, de acordo com o IBGE.
A Justiça do Trabalho, de acordo com Pereira, do IBGE, também
se tornou mais célere e eficiente, o que fez mais pessoas "procurarem
seus direitos". Com isso, afirma, as empresas evitam estender
a jornada sem as contrapartidas legais (que são onerosas).
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Folha de São Paulo, 17 de fevereiro
de 2008
SUSTENTO GARANTIDO
Variação
salarial média ficou pouco acima da inflação
Entre os setores, comércio
registra o maior aumento
MARIA CAROLINA NOMURA
DA REPORTAGEM LOCAL
Se o holerite mostrou um aumento de salário em 2007, mas
o acréscimo pareceu não ter rendido no bolso, a culpa
pode ser não só do empregador ou das convenções
trabalhistas. Segundo a pesquisa Bolsa de Salários, feita
pelo Datafolha, a variação salarial média foi
de 5,03% em 2007. A inflação acumulada no ano foi de
4,38%, de acordo com o IPC-Fipe (Índice de Preços ao
Consumidor do Município de São Paulo, calculado pela
Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).
Dessa maneira, o ganho real do trabalhador foi de 0,65 pontos percentuais
(menor do que em 2006, quando a inflação acumulada
foi de 2,55%, segundo o IPC-Fipe, e a variação salarial
foi de 4,9%). Salomão Quadros, coordenador de análises
econômicas da FGV (Fundação Getulio Vargas),
ressalta que, em 2007, houve ganho real, mas a inflação
baixa não se sustentou.
Para o professor do laboratório de finanças da FIA
(Fundação Instituto de Administração)
José Roberto Saboya, os reajustes estiveram aquém do
esperado, mas os salários devem continuar crescendo, em razão
do melhor desempenho da economia brasileira.
Maior aumento
Algumas ocupações tiveram aumentos mais expressivos.
O crescimento da indústria e da construção civil
e a demanda por profissionais de nível técnico e operacional
impulsionaram o reajuste das categorias ligadas àqueles setores.
Operador de torno-revólver, por exemplo, foi a função
que recebeu o maior aumento, de 10,59%, seguida por ajudante de pedreiro,
com 10,06%. "Funções de escritório não
se beneficiaram dos bônus como o alto escalão e não
tiveram a mesma demanda que profissões técnicas",
afirma Saboya.
Segundo o Datafolha, as menores variações médias
ficaram para os grupos de ocupações de nível
superior, 4,45%. Entre as profissões que ficaram muito abaixo
do índice da inflação está a de programador
de materiais, 0,76% (leia mais à pág. 3).
Altas vendas
O comércio foi o setor que apresentou melhor desempenho,
6,18%, seguido pela indústria, 5,94%. "O setor cresceu
8% no último trimestre de 2007", afirma Quadros, da FGV.
Para Fernanda Della Rosa, diretora de assuntos econômicos
da Federação do Comércio do Estado de São
Paulo, a explicação está no acesso ao crédito,
bastante utilizado no segmento de bens duráveis. Vittorio
Rossi Jr., presidente da concessionária Primo Rossi, faz coro. "A
indústria automobilística estava estagnada desde 1997.
Em 2007, houve um aumento expressivo no faturamento."
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Folha de São Paulo, 17 de fevereiro
de 2008
MICRO E PEQUENAS:
Estudo do Sebrae-SP aponta
aumento nos salários
O estudo "Indicadores Sebrae-SP" (Serviço Brasileiro
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) apontou que o gasto médio
com salários dos empregados das micro e pequenas empresas em
2007 foi o mais alto em dez anos e correspondeu a 13% mais do que o
valor registrado em 2006.
O setor de serviços aumentou em 3% o número de pessoas
ocupadas, principalmente em restaurantes e hotéis. Estima-se
que em 2007 tenham sido criados 5,6 milhões de postos de trabalho
nas MPEs de São Paulo.
Entre essas empresas, comércio foi a vedete do crescimento.
Segundo o estudo, feito com 2.700 MPEs, o aumento de 8,6% do faturamento
em relação a 2006 foi puxado pelo varejo de alimentos
e de vestuário.
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Gazeta do Povo, 17 de fevereiro de 2008
ECONOMIA | PREVIDÊNCIA
Mudança na lei abre espaço
para revisão de aposentadorias a partir de 1999
Cerca de 330 mil paranaenses podem
ter sido prejudicados por alteração no cálculo
do benefício
por CINTHIA SCHEFFER
Ao completar 65 anos, o administrador de empresas José Santana
entrou com seu pedido de aposentadoria. O benefício foi autorizado
em julho passado e, desde então, ele recebe mensalmente um
salário mínimo. O valor definido pelo INSS, no entanto,
causou estranheza. “Desde aquela época, percebi que
não era justo. Mas não sabia o motivo.” A estimativa
de Santana era receber cerca de R$ 2,7 mil. A explicação
da diferença veio após um pedido de ajuda na Associação
em Defesa dos Consumidores e Contribuintes (Adec). “Como me
aposentei por idade, o INSS aplicou o fator previdenciário.
Isso reduziu meu benefício”, diz o aposentado, que entrou
na Justiça pedindo a revisão da aposentadoria.
O que ocorreu com Santana, segundo o diretor da entidade, Mário
Miyasaki, pode ter acontecido também com outros milhares de
beneficiários do INSS que entraram com pedido de aposentadoria
por idade. De acordo com a legislação brasileira, os
homens podem se aposentar aos 65 anos e mulheres aos 60, independente
do tempo de contribuição. A estimativa da Adec é de
que, no Paraná, cerca de 330 mil pessoas se enquadrem nessa
situação. No país todo o número pode
chegar a 7 milhões.

Aposentados aguardam atendimento no INSS: revisão do benefício
deve ser pedida na Justiça.
De acordo com Miyasaki, as leis que regulamentam a Previdência
Social sofreram muitas alterações e, com elas, mudaram
os critérios para concessão do benefício. “As
divergências também ocorrem porque, muitas vezes, o INSS
não leva em conta a lei da época da contribuição
ao analisar os pedidos, e sim, a lei vigente no período da concessão”,
diz. “Isso pode significar menos dinheiro para o aposentado.”
A divergência mais comum, diz Miyasaki, é justamente
a que ocorreu com Santana: a aplicação do fator previdenciário,
fórmula que leva em conta a expectativa de vida do contribuinte
e serve para estimular as pessoas a se aposentar mais tarde. Porém,
Miyasaky diz que ele não é obrigatório e o contribuinte
pode ter direito a não aplicá-lo, caso isso reduza
sua remuneração. “Mas o que ocorre hoje é que
o INSS simplesmente aplica a fórmula. Mesmo que isso diminua
o benefício.”
A advogada Rafaela Lirôa, especialista em direito previdenciário,
confirma que a aplicação é feita em todos os
casos, mas diz que o sistema do INSS não tem como fazer diferente.
Rafaela explica que as diferenças ocorrem porque quando foi
criado o fator também houve uma mudança na média
salarial usada para o cálculo do benefício. Antes da
mudança, eram considerados os 36 últimos salários
do requerente. Com a mudança, a Previdência passou a
levar em conta os 80 maiores salários da pessoa, recebidos
de julho de 1994 em diante.
Com isso, quem teve redução de salário depois
daquele ano, teve o benefício puxado para baixo. “Aquele
que vai se aposentar por idade não pode ser prejudicado pela
mudança na lei, se contribuía antes de ela ocorrer.” A
argumentação, nesse caso, se baseia no princípio
do direito adquirido.
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Gazeta do Povo, 17 de fevereiro de 2008
ECONOMIA | BALANÇO
R$ 22 bilhões é lucro
demais?
Ganhos de quatro grandes instituições
financeiras saltaram 76% entre 2006 e 2007
por FERNANDO JASPER
Os quatro grandes bancos brasileiros que já publicaram seus
balanços anuais acumularam um lucro líquido de R$ 21,8
bilhões em 2007. No ano em que a inflação ficou
em cerca de 4,5% e o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro se expandiu
pouco mais de 5%, o ganho conjunto de Itaú, Bradesco, Unibanco
e Santander superou em 76% os resultados do ano anterior. A cada rodada
de demonstrativos financeiros, especialmente do Bradesco e do Itaú – as
maiores instituições privadas, que vêm se acostumando
a divulgar números recordes –, brasileiros voltam a se
manifestar contra ganhos que facilmente chegam à casa dos 10
dígitos e cada vez mais têm sido chamados de “exorbitantes”, “despudorados”, “obscenos” e
outros adjetivos pouco abonadores.
“Um setor que tem de ter entre suas prioridades o fomento à economia
e ao desenvolvimento passou a ser o espoliador de todos nós”,
escreveu, em artigo enviado à imprensa, a advogada trabalhista
Sylvia Romano, de São Paulo. “Um setor como o financeiro
não está gratificando, mas achacando, ou melhor dizendo,
roubando de seus correntistas.” A opinião da advogada é compartilhada
por milhares – talvez milhões – de brasileiros,
mas está longe de ser unanimidade entre economistas que acompanham
de perto os resultados do sistema financeiro.
A lucratividade dos bancos:

As justificativas para os lucros recordes vão desde a conjuntura
macroeconômica favorável – principalmente a forte
expansão do crédito, facilitada pela queda dos juros – até a
excelência do sistema bancário brasileiro, tido como um
dos mais avançados do mundo. Alguns lembram que, do ponto de
vista conceitual, é difícil classificar um lucro de “excessivo” ou “exagerado” e
que, para o bem de todos os correntistas, é muito melhor o banco
ganhar do que perder dinheiro. Vale lembrar que, por serem muito cautelosos
na escolha de suas aplicações, os banqueiros tupiniquins
não sofreram qualquer arranhão com os títulos
hipotecários podres dos Estados Unidos – que desencadearam
uma crise devastadora para alguns dos bancos mais tradicionais do Primeiro
Mundo.
“Quando o restaurante da esquina tem prejuízo, quem
perde é o dono, os funcionários e seus credores. Quando
o banco tem prejuízo, perde todo o país. Ter bancos
saudáveis é fantástico”, aponta o doutor
em finanças comportamentais Jurandir Sell Macedo Júnior,
professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “Os
bancos têm fama de vilões, mas eles trabalham com o
próprio mercado, como qualquer empresa. E o mercado não é moral”,
acrescenta Carlos Cleto, professor de macroeconomia da Unifae, de
Curitiba.
Dono do maior lucro do sistema bancário nos últimos
20 anos – R$ 8,474 bilhões, montante que é o
décimo maior já obtido por uma empresa brasileira –,
o Itaú desembolsou uma parte microscópica desse valor
na semana passada, para publicar quatro páginas de anúncios
em todos os jornais de grande circulação do país,
lembrando que “o Itaú ganha quando todo mundo ganha”.
O que o banco não disse é que ele e seus concorrentes
também saem ganhando quando nem todo mundo tem o que comemorar. “Precisamos
lembrar que, mesmo nos momentos em que a economia brasileira cresceu
pouco, os bancos também lucraram alto. Na década de
80, por exemplo, o Brasil conviveu com economia estagnada e inflacionada,
mas eles não perderam dinheiro. Pelo contrário”,
aponta o economista Sandro Silva, do Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PR).
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Gazeta do Povo, 17 de fevereiro de 2008
IMÓVEIS | POUPANÇA
Financiamento imobiliário
terá juros de 8,4%
8,4% ao ano. Esta é a menor taxa de juros que será aplicada
nos financiamentos imobiliários com recursos da poupança
em 2008 e é válida para imóveis de até R$
130 mil. O índice é resultado de uma redução
de até 1,50% em relação aos menores valores cobrados
em 2007, anunciada pela Caixa Econômica Federal na última
quarta-feira para incentivar o mercado. A redução terá efeito
cascata e baixará também os juros para financiamentos
de imóveis mais caros.
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Folha de Londrina, 17 de fevereiro de 2008
Petrobras deve se tornar em breve
a 5 do ranking
Rio - Maior empresa brasileira, a Petrobras pode chegar ao posto de
quinta maior companhia de energia do mundo antes do previsto. O planejamento
estratégico da companhia, divulgado no ano passado, impunha
como meta atingir a quinta posição em 2020. Há duas
semanas, porém, a consultoria americana PFC Energy colocou a
estatal brasileira no sexto lugar entre as empresas de energia com
maior valor de mercado, um crescimento impressionante em relação
ao 11º lugar obtido no ranking do ano passado.
A relação não inclui empresas estatais não
listadas em bolsas de valores, o que exclui algumas companhias de
países árabes, mas dá uma dimensão do
tamanho da petroleira brasileira em relação a seus
pares. Em uma disputa incluindo empresas de capital fechado, a Petrobras
ocupava a 15 colocação no ano passado, segundo a revista
especializada ''Petroleum Inteligence Weekly''. O ritmo de crescimento
pode ser maior nos próximos anos, à medida que a companhia
consiga confirmar o potencial da Bacia de Santos.
A descoberta de reservas gigantes na região, por sinal, foi
fator determinante para a ascensão da Petrobras no ranking
da PFC de 2007, no qual a estatal brasileira ultrapassou companhias
tradicionais como a francesa Total e a britânica BP. Estimativas
preliminares indicam a existência de até 100 bilhões
de barris de petróleo e gás natural, o que confere à estatal
enorme potencial para os próximos anos. Em relatório
recente, o banco Credit Suisse diz que as ações da
empresa podem valorizar até 35%, caso as expectativas se confirmem.
Especialistas lembram, porém, que o movimento de expansão
da companhia é anterior às descobertas abaixo da camada
de sal, ganhando maior intensidade após a abertura do mercado
brasileiro de petróleo, em 1997. Com a perspectiva de perder
algum espaço no Brasil, a companhia partiu para vôos
mais altos no exterior, ampliando sua área de atuação.
Além disso, melhorias na gestão da companhia foram
um dos principais focos da direção indicada pelo segundo
governo Fernando Henrique Cardoso.
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O Estado do Paraná, 17 de fevereiro
de 2008
Para consumidor, desemprego é a
maior preocupação
O aumento do desemprego é apontado pelos consumidores como o
principal fator que poderia afetar o desempenho da economia brasileira
este ano. De cinco alternativas apresentadas, o desemprego foi citado
por 55% dos mil brasileiros entrevistados pela pesquisa Pulso Brasil,
da Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp) em parceria com o instituto Ipsos Public Affairs. Em
seguida, vieram o aumento da inflação, com 36% das respostas,
e a elevação dos juros, apontada por 35% dos entrevistados.
Para a Fiesp, pode-se inferir dos resultados otimistas para 2008
que quem está empregado não teme a perda do emprego
e quem está desempregado está mais confiante em conseguir
uma colocação. A opinião de que o desemprego é o
maior fator de risco para o desempenho econômico este ano foi
compartilhada por 65% dos entrevistados com escolaridade até o
primário. Esse número cai para 45% entre os que iniciaram
o curso superior.
Apesar de noticiada com grande destaque pelos meios de comunicação,
a crise americana é considerada um fator de risco por apenas
17% dos entrevistados. Na avaliação da Fiesp, isso
sugere que, no momento , não há indícios de
que o consumidor vai alterar seu comportamento ou mesmo suas expectativas
por conta da crise externa. A pesquisa foi feita entre os dias 23
e 30 do mês passado, em 70 cidades e 9 regiões metropolitanas.
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O Estado do Paraná, 17 de fevereiro
de 2008
Analistas vêem alta
de 7% na indústria
O otimismo dos empresários é confirmado por consultorias
como a MB Associados e a LCA, cujas projeções apontam
para um crescimento entre 6,5% e 7% da produção industrial
neste primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período
do ano passado. Para o mês de janeiro, a MB estima uma expansão
de 9,3% ante o mesmo mês do ano passado.
“Podemos chegar ao final de março com a indústria
acumulando crescimento de cerca de 6,8% em 12 meses, o que mostra
a tendência ainda positiva do setor neste começo de
ano”, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. Vale
acredita que o cenário deve continuar positivo até meados
do ano e a partir do segundo semestre desacelerar gradualmente.
Para o economista Bráulio Borges, da LCA Consultores, o crescimento
no trimestre só não será maior porque o crescimento
das vendas da indústria automobilística está mais
moderado. O setor vem crescendo num ritmo de 20% ao ano, ante 60%
até meados do ano passado. “Era um ritmo absurdamente
forte, que agora passou a ser bastante forte”. As montadoras
respondem por 10% da produção industrial no País.
“Os empresários estão bem mais otimistas do
que estavam no início de 2007”, diz Flávio Castelo
Branco, gerente-executivo de Política Econômica da Confederação
Nacional da Indústria (CNI). No Grupo Orsa, um dos principais
fabricantes de embalagens de papelão ondulado, as operações
cresceram 4% em janeiro, em relação ao mesmo mês
de 2007. Em relação a dezembro, a alta foi de 10%.
“Os negócios estão firmes em todos os segmentos,
de alimentos e produtos de higiene e limpeza até eletroeletrônicos”,
diz Sérgio Amoroso, presidente do Grupo. “Ninguém
tem demonstrado intenção de reduzir o ritmo dos pedidos”.
A Semp Toshiba, um dos maiores fabricantes de aparelhos de imagem
e som no País, produziu e vendeu em janeiro 10% mais que no
ano passado. Segundo a direção da empresa, a fábrica
de Manaus trabalha no mesmo ritmo de produção de aparelhos
de DVD e TVs de Plasma e LCD do no fim de 2007.
No setor de não-tecidos, que abastece segmentos como calçados,
construção civil, automóveis e higiene e limpeza,
a expectativa é de que haja crescimento de 8% a 10% este ano.
“Nosso setor está diretamente ligado ao poder aquisitivo
da população. E o mercado interno continua forte, mesmo
com crise lá fora”, afirma o secretário-executivo
da Associação Brasileira de Não-tecidos e Tecidos
Técnicos (Abint), Jorge Saito. Segundo ele, os números
de janeiro mostram que o ritmo dessa indústria segue o do
fim do ano passado. “As máquinas estão rodando
em um contínuo.”
Boa parte do otimismo vêm pela aposta dos empresários
na entrada de mais brasileiros no mercado de consumo. Cerca de 40%
da produção de não-tecidos abastece indústrias
de bens descartáveis como absorventes higiênicos, fraldas
e lenços umedecidos de limpeza. Em 2007, o segmento cresceu
12%,enquanto o setor como um todo aumentou 10%.
Alguns indicadores também confirmam que as decisões
empresariais e dos consumidores brasileiros não parecem ter
sido afetadas pela crise internacional. Um bom exemplo é a
produção de veículos, que em janeiro cresceu
14,7% em relação a dezembro passado. Na comparação
com janeiro de 2007, a variação chegou a 24,2%.
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O Estado do Paraná, 17 de fevereiro
de 2008
Receita anuncia regras
para IRPF 2008 na segunda-feira
A Receita Federal vai anunciar na segunda-feira as regras para entrega
da declaração do Imposto de renda da Pessoa Física
2008 (ano-base 2007). O anúncio será feito às
15 horas, pelo supervisor nacional do Imposto de Renda da Receita Federal,
Joaquim Adir, no Auditório do Ministério da Fazenda,
em Brasília.
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O Estado do Paraná, 17 de fevereiro
de 2008
Direito e Justiça
Um resgate necessário:
Conferência Estadual do Trabalho no Paraná
Edésio Passos
A Conferência Estadual do Trabalho no Paraná foi ato
preparatório ao Fórum Nacional do Trabalho, organizada
e efetivada a partir de maio de 2003, sob direção geral
do dr. Geraldo Serathiuk, então Delegado Regional do Trabalho
no Paraná. Participei como Mediador da Conferência e
a Relatora foi a professora dra. Aldacy Rachid Coutinho, da Universidade
Federal do Paraná, responsável pela elaboração
do relatório-síntese divulgado em 7 de agosto de 2003.
Esta a quarta parte do Relatório.
“Legislação Processual do Trabalho
10) Propõem-se a alteração da legislação
trabalhista em relação ao direito processual do trabalho
no seguinte sentido:
- Recomenda-se a alteração do artigo 109, inciso XII,
da Constituição Federal, para ampliar a competência
dos Juízes Federais para processar e julgar as causas que
envolvam falências, quando, a critério do Ministério
Público Federal, prevalecerem interesses da União,
autarquias federais ou de empregados.
- Recomenda-se a alteração do artigo 114, da Constituição
Federal, ampliando a competência da Justiça do Trabalho
para apreciar controvérsias que envolvam funcionários
públicos, independentemente do regime jurídico adotado,
acidente de trabalho e aqueles resultantes da atividade sindical,
assim como divergências entre entidades sindicais.
- Sugere-se que seja definida a competência da Justiça
do Trabalho para aplicação de multas administrativas
cabíveis na hipótese em que não houver acordo
e o juiz ordenar que a Secretaria efetue as anotações
na CTPS do autor, uma vez transitada em julgado.
- Sugere-se que seja ampliada a competência da Justiça
do Trabalho para que seja realizada a cobrança judicial perante
as Varas do Trabalho dos valores inscritos decorrentes da aplicação
de multas administrativas, promovida pelo Ministério Público
do Trabalho, seguindo o procedimento previsto para o processo de
execução, no Capítulo V, do Título X,
da CLT.
- Sugere-se que seja definir a competência da Justiça
do Trabalho para impor multas e demais penalidades relativas aos
atos de sua competência, devendo, aquelas previstas na legislação
do trabalho para as infrações apuradas no curso dos
processos, ser aplicadas na sentença, sendo que havendo a
imposição de penalidades ou multas na sentença,
o seu valor integral deverá ser acrescido ao valor do depósito
recursal, sob pena de não ser admitido o recurso.
- Sugere-se a extinção do Tribunal Superior do Trabalho,
permanecendo apenas o Tribunal Regional do Trabalho como última
instância na área trabalhista.
- Sugere-se que seja instituída a função de
profissional-técnico, com representação sindical,
para auxiliar o Juiz do Trabalho nas audiências de conciliação
prévia.
- Sugere-se sejam aplicadas integralmente as disposições
do art. 133, da Constituição Federal, inclusive às
disposições do art. 1.º, § 1.º, da Lei
n.º 8.906/94 e art. 20, do CPC.
- Recomenda-se o não cabimento de recurso ordinário
contra questão exclusivamente de fato, em procedimento sumaríssimo,
com alteração do artigo 895, parágrafo 3.º,
da CLT.
- Recomenda-se seja permitido ao Juiz do Tribunal Regional do Trabalho
que receber o recurso de Revista possa declará-lo meramente
protelatório.
- Há consenso que seja determinada que na hipótese
em que o Tribunal Regional do Trabalho reconhecer relação
de emprego ou afastar prescrição pronunciada pelo juízo
de primeiro grau, julgará, na mesma sessão os demais
pedidos formulados no processo.
- Sugere-se a extinção da possibilidade de interposição
de recurso perante o Tribunal Superior do Trabalho nos julgamentos
de dissídios coletivos.
- Recomenda-se seja expressamente revogado o efeito suspensivo da
eficácia das decisões nos processos de dissídios
coletivos.
- Sugere-se que as sentenças prolatadas nos processos de
dissídios coletivos terão plena vigência a partir
da data do julgamento e poderão ser executadas, de imediato,
pela via judicial.
- Há consenso no sentido de que sejam alteradas as disposições
do art. 840, da CLT, passando a ter a seguinte redação:
As ações deverão ser apresentadas obrigatoriamente
por escrito, sendo que após ser devidamente registrada e autuada
pela Secretaria, a parte contrária será citada para
a apresentação de defesa no prazo de 15 (quinze) dias
em secretaria, sendo após designada audiência de conciliação
e instrução.
- Há consenso que seja garantida a identidade física
do juiz, determinando que somente proferirá a sentença
o juiz que houver colhido a prova oral, salvo se estiver convocado,
licenciado, afastado por qualquer motivo por período superior
a 60 dias, promovido ou aposentado, casos em que passará os
autos ao seu sucessor, salvo na hipótese de adoção
de processo eletrônico. Considerar-se-á em dia para
efeito de remoção, o juiz que já houver proferido
todas as sentenças a que estiver vinculado.
- Sugere-se não mais seja permitida reclamação
verbal.
- Sugere-se seja prevista que na petição inicial deverá necessariamente
constar a proposta do Autor para acordo.
- Sugere-se a alteração do artigo 825, da CLT, para
determinar que a audiência apenas será adiada por ausência
de testemunha que, comprovadamente convidada, deixar de comparecer.
Não comparecendo a testemunha intimada, o juiz poderá determinar
sua imediata condução coercitiva. É facultado à parte
arrolar a testemunha com antecedência mínima de 15 (quinze)
dias da audiência, devendo indicar corretamente o nome e o
respectivo endereço, sob cominação de preclusão.
- Recomenda-se que seja proposta que a omissão injustificada
por parte da Ré de cumprir determinação judicial
de apresentação dos registros de horário importe
em presunção de veracidade da jornada de trabalho alegada
na petição inicial, a qual pode ser elidida por prova
em contrário, acrescentando um artigo 825-B, da CLT.
- Recomenda-se que, em caso de acordo em juízo, devidamente
homologado e não cumprido, seguir-se-á imediatamente
a penhora, sem qualquer intimação ao executado, com
alteração do artigo 880-A, parágrafo 3.º,
da CLT.
- Sugere-se que, ao invés restar determinado na sentença
que concluir pela procedência dos pedidos o prazo e as condições
para o seu cumprimento, seja previsto que toda sentença que
tiver como objeto obrigação de pagar indicará o
exato valor da condenação e que antes de publicar a
sentença, o juiz encaminhará os autos para contador
que, no prazo máximo de 15 (quinze) dias, prorrogáveis,
elaborará os cálculos de liquidação que
serão homologados pelo juiz e farão parte da sentença,
alterando-se o artigo 832, parágrafo 1.º, da CLT.
- Recomenda-se seja permitido que não se tratando de obrigação
de pagar quantia certa, o Juiz ou presidente do Tribunal, requerida
a execução, mandará expedir mandado de citação
ao executado, a fim de que cumpra a decisão ou o acordo no
prazo, pelo modo e sob as cominações estabelecidas
e, na hipótese de obrigação de pagar quantia
certa, o Juiz ou Tribunal, quando da homologação dos
cálculos, intimará o executado, para que pague ou garanta
a execução em 5 dias, sob pena de penhora, sendo que
se o executado advogado constituído nos autos, a intimação
será feita através deste e não o tendo, a intimação
será efetuada via postal.
- Sugere-se que o procurador judicial do autor poderá juntar
nos autos o contrato de prestação de serviços,
celebrado com seu constituinte, com a finalidade de que lhe seja
reservado do crédito o valor dos honorários, com a
devida retenção relativa ao imposto de renda, na forma
da lei.
- Propor que para a efetivação da tutela específica
ou para obtenção do resultado prático equivalente,
possa o juiz, de ofício ou a requerimento, determinar as medidas
necessárias, tais como a busca e apreensão, remoção
de pessoas e coisas, desfazimento de obras, impedimento de atividade
nociva, além de requisição de força policial,
acrescentando um artigo 763-A, na CLT.
- Recomenda-se a determinação de que os juros de mora
serão devidos em dobro a partir da intimação
do executado para pagar, na hipótese em que não ocorrer
o pagamento ou a nomeação de bens a penhora.
- Sugere-se a extinção do procedimento sumaríssimo
no processo do trabalho.
- Sugere-se que seja revogada a Lei n.º 9.958/00, que cria
Comissões de Conciliação Prévia.
11) Em relação às normas de inspeção
do trabalho:
- Há consenso em torno da necessidade de incremento e fortalecimento
da ação fiscalizatória do Ministério
do Trabalho e Emprego e da atuação do Ministério
Público do Trabalho, de sorte a que a legislação
trabalhista seja efetivamente observada durante a vigência
do contrato de trabalho, reduzindo-se, assim, o número de
demandas na Justiça do Trabalho.
- Há consenso que deve ser fortalecida a fiscalização
do trabalho, mediante uma garantia e ampliação das
prerrogativas legais, melhoria das condições de trabalho
e aumento do efetivo de auditores do trabalho.
- Há consenso que deve ser criada norma flexibilizadora da
fiscalização do trabalho, no sentido de se abster da
autuação quando se deparar com irregularidades sanáveis,
desde que regularizadas pelo infrator em prazo razoável e
seja na ocasião da primeira visita. O instituto aplicar-se-ia
a todas as empresas, independente de seu porte.
- Há consenso que deve ser aumentado o valor da multa por
descumprimento da legislação trabalhista, em particular
para a assinatura da Carteira de Trabalho e Previdência Social
e o registro obrigatório do empregado. Devem ser ampliadas
as condições e estrutura das Delegacias Regionais do
Trabalho para efetiva fiscalização das condições
de trabalho.
- Há consenso que devem ser substituídas as formas
de registro de empregados existentes por uma forma de registro eletrônico
centralizado no TEM, nos moldes do CAGED.
12) A Convenção n.º 158 da OIT (garantia
em face da despedida arbitrária ou sem motivação
técnica, econômica, tecnológica ou disciplinar)
deve ser ratificada?
- Recomenda-se a retomada da ratificação da Convenção
158, da OIT, inclusive mediante lei complementar, com aplicação
imediata e regulamentação do art. 7.º, inciso
I, da CF/88 através de lei complementar, revogando o Decreto
n.º 2.100, de 20 de dezembro de 1996 (garantia em face da despedida
arbitrária ou sem motivação técnica,
econômica, tecnológica ou disciplinar).
13) O artigo 7.º da Constituição Federal
deve ser mantido na íntegra ou sofrer alterações?
Nesta hipótese, quais são os dispositivos que devem
ser alterados?
- Há consenso no sentido de que o artigo 7.º da Constituição
Federal deve ser mantido na íntegra.
- Caso venha a ser alterado o artigo 7.º, da CF, sugere a minoria
que a) estabeleça claramente o conceito e a definição
do que seja “hora in itinere”; b) no inciso XVI passe
o adicional de horas extras a ser de no mínimo 100%; c) no
inciso XXIX, seja alterada a prescrição quanto a créditos
resultantes das relações de trabalho, sem prazo prescricional
para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois
anos após a extinção do contrato de trabalho.
- Recomenda a maioria a alteração do inciso XIII,
do artigo 7.º, para que seja adotada jornada de trabalho para
40 horas semanais sem redução de salários e
benefícios.
14) Quais são os instrumentos da OIT ainda não
ratificados pelo Brasil, relativos aos direitos individuais do
trabalho, que deveriam ser ratificados?
- Sugere-se a ratificação e adoção das
Convenções 87 (liberdade sindical e proteção
do direito sindical), 98 (direito de sindicalização
e negociação coletiva), 135 (proteção
aos representantes dos trabalhadores), 151 (Relação
do trabalho na administração pública) e 158
(término da relação de trabalho por iniciativa
do empregador) da OIT e 156 (trabalhadores com responsabilidades
familiares).
- Recomenda-se a criação de mecanismo nacional efetivo
de implementação e fiscalização das Convenções
da OIT ratificadas pelo Brasil.
15) As Normas de Saúde e Segurança e a inspeção
das condições e meio ambiente de trabalho devem ser
prerrogativas de exclusividade da União, por intermédio
do Ministério do Trabalho e Emprego?
- É ponto de consenso que as Normas de Saúde e Segurança
e a inspeção das condições e meio ambiente
de trabalho, inclusive com aplicação de multas, devem
ser prerrogativas de exclusividade da União, por intermédio
do Ministério do Trabalho e Emprego, com aumento significativo
de Auditores do Trabalho, pelo que deve o poder público garantir
a melhoria da estrutura (material, instrumentos, pessoal, etc.) para
uma atuação efetiva das Delegacias, Sub Delegacias
e Agências de Atendimentos.
- É sugestão que em caso de infrações à legislação
em matéria de segurança e saúde do trabalhador
comprovadas no curso de processo judicial, para as quais houver previsão
de multa administrativa, deverá ser imposta pelo Juiz na sentença,
se desde logo houver condições suficientes para tanto.
- Sugere-se que o profissional responsável pela elaboração
do PPRA ou PCMSO deve efetuar a verificação da sua
implementação, devendo notificar, até o término
do prazo de um ano do programa, ao órgão do Ministério
do Trabalho, em caso de descumprimento, pela empresa, do cronograma
de implementação, sob pena de multa.
- Sugere-se que deva constar do PCMSO justificativa técnica
dos exames complementares solicitados”.
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
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Última Instância, 17 de fevereiro
de 2008
Deixar de pagar salário
gera indenização por danos morais
Não pagar salário por mais de três meses não
retrata simples falta de pagamento de direitos trabalhistas, mas situação
constrangedora e extremamente grave capaz de gerar indenização
por danos morais. Com esse entendimento, o juiz da 13ª Vara do
Trabalho de Goiânia Ari Pedro Lorenzetti condenou a Santa Casa
de Misericórdia de Goiânia a pagar indenização
por danos morais a uma técnica de enfermagem, no valor de R$
3.000.
Segundo informações do TRT (Tribunal Regional do Trabalho)
de Goiás, a empregada deixou de receber seus salários
por cinco meses, o que culminou com a rescisão indireta do
pacto laboral. A instituição alegou motivo de força
maior por ter deixado de pagar salários, pois depende de repasses
mensais do Estado. O magistrado, por sua vez, considerou que a reclamada
ao assumir uma atividade, também se responsabilizou pelos
riscos do inadimplemento do Estado.
“O só fato de a reclamada não haver obtido os
recursos com que contava para levar adiante suas atividades não
pode jamais ser considerado motivo de força maior, pois, do
contrário, fácil seria transferir ao trabalhador os
riscos do empreendimento”, afirmou o juiz.
Em sua decisão, Lorenzetti ainda ressaltou que a falta de
pagamento de salário, verba reconhecida constitucionalmente
como tendo natureza alimentar, é causa de ofensa à dignidade
do empregado, uma vez que ele fica abandonado à própria
sorte, sem ter, pelo menos, uma perspectiva de solução.
“Embora a reclamada seja uma instituição filantrópica,
não se pode exigir que a reclamante também o seja.
Para esta, pelo menos é o que se deve presumir, o trabalho é fonte
de sustento, e não ato de filantropia”, concluiu.
Processo nº 37/2008
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