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O GLOBO, 18 de fevereiro
de 2008 | Economia
Custo da construção tem
alta de 0,37% em janeiro
Aguinaldo Novo
SÃO PAULO - O Custo Unitário Básico da Construção
Civil (CUB Representativo), calculado pelo Departamento Técnico do Sindicato
da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro
(SINDUSCON-RIO), subiu 0,37% em janeiro, índice mais uma vez inferior
ao IGP-M do período, que ficou em 1,09%. À exceção
do CUB Mão-de-Obra, todos os demais índices que compõem
o CUB Representativo variaram, com destaque para o referente a equipamentos.
Quanto aos insumos, dos 25 pesquisados,
oito apresentaram alta, com destaque para o bloco cerâmico (3,57%)
e o tubo de PVC rígido (2,38%).
- Apesar de uma significativa
aceleração, passando de 0,10% de elevação
em dezembro/2007 para 0,37% em janeiro/2008, os custos iniciam o ano
num patamar moderado - comenta Antônio Carlos Mendes Gomes, diretor-executivo
do SINDUSCON-RIO.
O novo CUB Representativo,
apurado em 31/01/08, é de R$ 753,29, soma total do CUB Materiais
(R$ 365,42), CUB Mão-de-Obra (R$ 362,51), CUB Despesas Administrativas
(R$ 23,82) e CUB Equipamentos (R$ 1,55).
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Agência Diap, 18 de
fevereiro de 2008
PLENÁRIO DA CÂMARA
Agenda está travada por quatro
MPs; PL das centrais poderá ser votados esta semana
A pauta do plenário da
Câmara continua travada por quatro medidas provisórias (MPs).
Nesta segunda-feira (18), o plenário inicia com as discussões
referentes a MP que cria a TV Brasil, a mais polêmica das medidas
desde o reinício das atividades parlamentares.
A MP 398/07, que criou a TV pública
não tinha acordo na semana passada, mas o apelo de setores da
sociedade e da base do Governo poderá sensibilizar a oposição,
que reage contra a criação da TV pública.
A medida transforma a Radiobrás
(Empresa Brasileira de Comunicação S/A) na Empresa Brasil
de Comunicação (EBC), vinculada à Secretaria de
Comunicação Social da Presidência da República.
Vários parlamentares já discutiram o tema em audiências
públicas na Casa, e foram apresentadas 138 emendas ao texto. Um
dos pontos polêmicos é o financiamento da emissora, que
terá R$ 350 milhões do Orçamento da União
em 2008.
As outras medidas que travam
a pauta são - 399/07, 400/07, 401/07 – além de
três projetos de lei com urgência constitucional, entre
eles o PL 1.990, que regulamenta o funcionamento das centrais sindicais.
A tendência é que está semana o plenário
consiga liberar a pauta das MPs e votar os aperfeiçoamentos
feitos no projeto em sua passagem pelo Senado.
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Diário
Vermelho, 18 de fevereiro de 2008
PT e PSDB: diálogo eleitoral
ou monólogo programático?
A ausência de projetos
conseqüentes e coerentes na política brasileira faz
com que velhas teses ressurjam como se saíssem do ventre
revolucionário da pós-moderníssima inteligência
da esquerda. “A aliança entre PT e PSDB, fora dos
marcos da radicalidade paulista, é a alternativa à governabilidade
de um projeto de desenvolvimento soberano”, apontam alguns
petistas ante a angustiante disputa política que Brasília
vivencia.
Por Jô Moraes*
A tal união dos contrários na esfera político-partidária,
como solução aos dolorosos conflitos que um país vive
para encontrar o seu caminho de desenvolvimento e paz não é novidade.
(A não ser em períodos pós-ditatoriais ou naqueles velhos
tempos de UDN versus PSD de saudosa memória de coerência e convicções).
Quem já não leu artigos, teses, propostas que procuravam aproximar
os social-democratas petistas aos social-democratas tucanos, nos inumeráveis
e profícuos congressos partidários ou estudos acadêmicos?
A novidade é que agora é Minas Gerais, um estado de tradição
nacionalista, a ousadia agora é mineira, a coragem “transgressora” é mineira!
O governador do PSDB, juntamente com o prefeito do PT, estão propondo
um nome, ungido pelos dois, para continuar o projeto popular encabeçado
pelo PT e outras forças populares e democráticas, ao qual o PSDB
fez oposição durante 15 anos! (Não subestimem a inteligência
do governador de Minas, o amigo que foi indicado para ser ungido prefeito foi
orientado a filiar-se no PSB, partido da base de sustentação
do Presidente Lula.
(Os eleitores que nos perdoem se não entendem, mas a confusão é universal!).
O argumento central que o prefeito e o governador apresentam é que “o
bom entendimento entre dois administradores públicos — prefeito
e governador — assegurou os avanços que a capital mineira conseguiu
nos últimos anos”. E quem estiver contra esse entendimento está contra
a cidade.
Alguém pode explicar por que Belo Horizonte não teve esses investimentos,
mesmo quando o prefeito da capital era do mesmo partido do presidente da República — diga-se
PSDB? Um era brigado com o outro, por acaso?
É evidente que “bom entendimento entre instâncias administrativas” já está garantido
na constituição e qualquer coisa em contrário é neurônio
a menos. O problema central é que não há investimentos nem
crescimento nos municípios se não houver um projeto nacional que
tenha como objetivo central o desenvolvimento soberano com distribuição
de renda. E esta não é a proposta do PSDB. O PSDB, independente
da vontade de alguns políticos a ele filiados, representa o ideário
do sistema financeiro e do grande capital, especialmente do que se situa em São
Paulo.
O Brasil e Minas precisam de investimentos produtivos, de produção
com valor agregado e de valorização do trabalho. Sob hegemonia
do sistema financeiro e do grande capital, especialmente o que se concentrou
em São Paulo, Minas não terá vez, assim como o resto do
Brasil.
O “monólogo programático” do PT X PSDB exclui o país,
a democracia, os que produzem e os que trabalham. E lembremos aqui o aprendizado
que a experiência socialista indica: “as máquinas administrativas
não devem substituir as forças políticas e sociais na
dinâmica política”. Leia-se: o prefeito e o governador,
por mais legítimas que sejam suas lideranças, não podem
substituir os partidos e as forças sociais nos processos democráticos
das escolhas políticas e representativas.
* Jô Moraes é deputada federal e presidente estadual do PCdoB-MG
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Gazeta do Povo, 18 de fevereiro
de 2008
BRASIL | A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM
Renan e Collor voltam a circular pela
Senado
Após afastamento, senadores optam
pela discrição
Brasília – Na primeira
semana de atividades após o recesso parlamentar, dois senadores
que se mantiveram afastados do foco das atividades legislativas nos últimos
meses retornaram ao Congresso. Após quatro meses de licença,
o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) marcou presença,
mas evitou circular pelo plenário da Casa, mantendo uma postura
discreta.
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL),
ao contrário, fez questão de comparecer às sessões
plenárias depois de enfrentar seis processos por quebra de decoro
parlamentar no ano passado – além de ter renunciado à presidência
do Senado.
Jose Cruz/ABR

Os senadores Renan Calheiros e Fernando Collor (na foto com José Agripino):
em comum, denúncias de corrupção e renúncia.
O peemedebista, porém, evitou se envolver nas discussões
sobre as denúncias de irregularidades no uso de cartões
corporativo do governo. Ele preferiu falar de assuntos mais amenos
nas intervenções em plenário.
Com a renúncia à presidência,
Renan começou o ano legislativo em um novo gabinete. Ao invés
da antiga sala próxima à biblioteca da Casa, mudou-se para
a ala destinada a ex-presidentes da República – considerada
o “endereço” mais nobre nos corredores do Congresso.
Collor, por sua vez, ficou afastado
do Senado para cuidar de assuntos pessoais. O senador aproveitou o período
para atender a convites de palestras que recebeu desde que assumiu a
cadeira no Legislativo. Collor retornou no ano passado ao Congresso –14
anos depois de renunciar à Presidência da República
em meio ao processo de impeachment aprovado pelos parlamentares. Logo
depois, saiu de licença.
O ex-presidente liderou, em 2007,
o ranking dos parlamentares mais ausentes no Senado. Segundo levantamento
realizado pelo site Congresso em Foco, ele não compareceu a 42,11%
das sessões plenárias realizadas na Casa Legislativa ao
longo do ano – o cálculo considera o período em que
ele ocupava uma cadeira na Casa, ou seja, antes de pedir licença
do mandato em agosto.
Estreante
Assim como Collor e Renan, o
senador Édison Lobão Filho (DEM-MA) também apareceu
no Congresso nesta semana. Estreante no cargo, o suplente do ministro
Edison Lobão (Minas e Energia) assumiu a cadeira em meio a denúncias
de sonegação de impostos, uso de laranjas e sociedade oculta
em uma empresa de bebidas. Discreto, Lobão Filho também
optou por manter-se afastado das discussões políticas na
Casa. Compareceu ao plenário, mas adiou o discurso de estréia.
Segundo ele, as atenções do Senado estão voltadas
para a criação da CPI Mista dos Cartões Corporativos – por
isso não havia espaço para o seu discurso.
O senador começou
o ano legislativo sem explicar-se sobre as denúncias. Ele também
mantém sigilo sobre o seu futuro partido político, já que
o DEM informou que não o deseja nos seus quadros. A tendência é que
o senador se filie ao PTB, uma vez que o senador Epitácio Cafeteira
(MA), a pedido presidente da legenda, Roberto Jefferson (RJ), o convidou
para ingressar nos quadros da legenda.
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Folha de São Paulo,
18 de fevereiro de 2008
CGU aponta irregularidades em gastos
de diárias da União
Relatórios mostram que há justificativas
insuficientes para viagens de servidores | Deslocamentos têm
sido marcados perto dos finais de semana por interesse pessoal de
funcionários, que não precisam comprovar gasto
RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
ANDREA MICHAEL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Relatórios da Controladoria Geral da União concluídos
em 2006 apontaram irregularidades no pagamento de diárias em diversos
ministérios e órgãos do governo federal. Segundo as conclusões
da CGU, que pesquisou por amostragem, viagens têm sido marcadas perto
dos finais de semana, por interesse pessoal de servidores, há justificativas
insuficientes para as viagens e algumas vezes as diárias foram pagas
após o cancelamento da viagem.
Mantendo uma prática histórica no serviço público,
a União não obriga o servidor a apresentar comprovantes dos gastos
das diárias, como notas fiscais ou recibos -o governo de São
Paulo adota o mesmo sistema (leia texto nesta página).
O gasto com diárias da União supera em muito o dos cartões
corporativos. Nos últimos quatro anos, somou R$ 1,72 bilhão (R$
1,53 bilhão em diárias civis, o resto em militares), enquanto
os cartões gastaram R$ 144,5 milhões no período.
O desembolso cresce ano a ano. Segundo o Portal da Transparência, site
mantido pela CGU, o valor passou de R$ 452,8 milhões, em 2006, para
R$ 487,4 milhões no ano passado -aumento de 14,4%. Em 2004, foram R$
372,7 milhões.
O pagamento é calculado com base em tabelas de preços praticados
nas cidades em que o servidor estará trabalhando. Se o servidor conseguir
economizar o dinheiro, não é obrigado a devolvê-lo. Os
documentos exigidos em troca geralmente são o cartão de embarque
ou cópia das passagens e um relatório que justifique a viagem.
"A diária tem valor fixo. Não há necessidade de comprovação
dos gastos", informou, em nota, a CGU. "O processo de pagamento das
diárias para servidores da Embratur obedece aos dispositivos do decreto
5.992/ 06, da Presidência, que não exige comprovação
de despesas de viagem", informou a Embratur.
Turismo
Alguns dos servidores que mais receberam diárias da União estão
lotados no Ministério do Turismo. A presidente da Embratur, Jeanine
Ribeiro, recebeu R$ 328 mil em diárias de 2004 a 2007. Considerando
uma média de 250 dias úteis por ano, ela recebeu o equivalente
a R$ 328 para cada dia útil de trabalho em quatro anos.
Maria Katavatis, coordenadora-geral de eventos e feiras da Embratur, recebeu
R$ 276 mil em diárias no período.
Dois altos funcionários do Ministério da Fazenda cujas funções
comportam viagens internacionais também receberam, cada um, diárias
totais de R$ 300 mil em quatro anos. Entre os recordistas no período
estão Eduardo Manhães Ribeiro, superintendente de relações
internacionais da Comissão de Valores Mobiliários, e Luiz Awazu
Pereira da Silva, que de 2004 a 2006 exerceu o cargo de secretário de
assuntos internacionais da Fazenda.
O cineasta Manoel Rangel Neto, diretor-presidente da Agência Nacional
de Cinema, obteve R$ 148,3 mil em diárias desde 2004. Orlando Senna,
diretor-geral da Empresa Brasil Comunicação, gestora da TV pública
do governo, e ex-secretário de audiovisual da Cultura, recebeu R$ 188
mil em diárias.
Em alguns casos, o Portal da Transparência não registra o nome
dos servidores. É o caso de um repasse feito em outubro de 2007 de R$
464,4 mil em diárias para o Departamento de Defesa Interna do Ministério
da Defesa. Indagado sobre o pagamento, a pasta disse que o dinheiro foi destinado
a "136 servidores que representaram o Brasil nos IV Jogos Mundiais Militares,
realizados na cidade de Hyderabad, na Índia".
O valor das diárias internacionais depende do cargo do servidor e do
destino. Normalmente vai de US$ 300 (R$ 523, ao câmbio de sexta) a US$
350 (R$ 611). Em viagens nacionais, o valor também depende do cargo
e da cidade. O mínimo é R$ 57. Ocupantes de cargos comissionados
recebem R$ 186 diários para viagens a Brasília e Manaus, por
exemplo.
Relatórios
Os relatórios da CGU relativos a 2005 apontam descontrole no uso das
diárias. Muitos servidores têm marcado as viagens para dias próximos
aos finais de semana e nas cidades onde moram, além de Brasília.
" Foi verificado na Secretaria da Receita a antecipação e/ou
postergação de deslocamento efetivadas pelo servidor, por interesse
particular, especialmente nos afastamentos que envolvem finais de semana ou feriados",
apontou o relatório.
Ao analisar as contas da CGL (Coordenadoria Geral de Logística) e da
Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) do Ministério
da Justiça, os auditores levantaram uma lista de problemas. Na CGL,
a principal "impropriedade" foi a "realização
de ressarcimentos de despesas à empresa [de conservação],
no valor de R$ 348,8 mil, em razão da concessão de diárias
e passagens a funcionários da empresa que exercem atividades terceirizadas".
Na Senasp, a CGU apontou "impropriedades detectadas nos processos de concessão
de diárias para o exterior; nas diárias a colaboradores eventuais",
entre outros problemas.
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Folha de São Paulo,
18 de fevereiro de 2008
Único legado decente de FHC é cartão,
afirma Lula
Na Antártida, presidente defende mecanismo
de gasto e elogia imprensa | Petista volta a dizer que CPI não
o incomoda e defende a qualidade da prestação de contas
do governo federal sobre cartões corporativos
Minna Kurjenluoma/Divulgação

Presidente Lula, na Antártida,
ajuda a primeira-dama, Marisa Letícia, a fechar o agasalho
para proteção do frio
EDUARDO SCOLESE
ENVIADO ESPECIAL À ANTÁRTIDA
Em entrevista ontem na base brasileira na Antártida, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva disse que o cartão corporativo foi a "única
coisa decente" criada na gestão de seu antecessor, Fernando Henrique
Cardoso (1995-2002). O petista voltou a dizer que a CPI dos Cartões
no Congresso não o incomoda. Para ele, ser contra o uso dos cartões é "no
mínimo ignorância".
" Não incomoda [a CPI dos Cartões] porque o cartão
corporativo é a coisa mais decente que foi criada ainda no governo passado
[FHC]", disse o presidente. "Aliás, durante a campanha eleitoral
de 2006, num debate, eu disse para o meu adversário [o tucano Geraldo
Alckmin] que a única coisa boa que o governo passado criou foi o cartão
corporativo."
Lula elogiou o papel da imprensa na investigação do uso do cartão.
Matilde Ribeiro pediu demissão da Secretaria Especial da Igualdade Racial
depois que a imprensa revelou que ela usou o cartão num free shop, fez
gastos durante as férias e teve despesas excessivas com aluguel de carros.
" [O cartão] permite que vocês da imprensa e permite que cidadãos
comuns em casa tenham acesso às informações que estão
colocadas no Portal da Transparência, feita pela Controladoria Geral da
República [da União]. Ou seja, é uma informação
que nós estamos prestando à sociedade, e eu fico agradecido quando
a imprensa vai atrás, procure, encontre e publique, porque a gente vai
consertando."
A seguir o presidente mencionou a "ignorância" daqueles que
são contrários ao uso do cartão. "Agora, a idéia
de que os cartões são prejudiciais é no mínimo
ignorância de quem fala. Porque os cartões são a coisa
mais moderna que existe. É uma coisa fantástica."
Questionado se a CPI deve ir a fundo nas investigações, Lula
afirmou: "Eu não sou deputado, não estou no Congresso Nacional.
A CPI deve ter como objetivo detectar o que acontece de errado e apresentar
sugestões que possam aperfeiçoar as contas públicas brasileiras.
Certamente, se a gente for analisar no Brasil, deve ter em muitos lugares aí contas
que não têm a qualidade da prestação que têm
as contas do governo federal. Queremos aprimorar o Portal da Transparência."
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Folha de São Paulo,
18 de fevereiro de 2008
Múltis do país investem
mais no exterior
Investimento de empresas brasileiras lá fora
chega a US$ 36,5 bi em 2006 e 2007, superior ao montante de 1994
a 2005 | Tendência veio para ficar, dizem analistas, por razões
como busca de se aproximar de clientes do exterior e de capital de
baixo custo
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O fenômeno da internacionalização
das empresas brasileiras se intensificou nos últimos dois anos.
Entre 2006 e 2007, os investimentos das múltis brasileiras no
exterior atingiram US$ 36,5 bilhões, mais do que essas empresas
investiram lá fora nos 12 anos anteriores. De 1994, início
da estabilização econômica, a 2005, os investimentos
diretos de brasileiros no exterior foram de US$ 30,6 bilhões.
Especialistas apostam que essa é uma tendência que veio para ficar
por várias razões. Desde o esgotamento do mercado doméstico
para algumas empresas, passando pela busca de proximidade de seus clientes,
até a procura de capital de baixo custo e fuga das barreiras protecionistas
mundo afora.
Dados arquivados no Banco Central mostram que o desejo de fincar bandeira em
solo estrangeiro não está mais restrito ao grupo das maiores
múltis brasileiras, encabeçado por Vale, Petrobras, Gerdau, Embraer
e Votorantim.
Em 2007, mais de 25 empresas fizeram investimentos no exterior, com US$ 12,135
bilhões aplicados lá fora. Os números sigilosos do BC
registram que nenhuma dessas operações superou US$ 1 bilhão,
dado que, segundo especialistas, sinaliza como cresce o interesse por se internacionalizar.
No ano anterior, o número de empresas que decidiram investir no exterior
foi menor, mas já indicava uma tendência de alta. Cerca de 15
múltis brasileiras responderam por um investimento de US$ 24,415 bilhões
em outros países.
O volume de 2006 foi excepcional por conta da compra da mineradora canadense
Inco pela Vale, operação que sozinha representou uma remessa
de US$ 13,4 bilhões como investimento produtivo.
Para 2008, a expectativa de governo e mercado é que o volume de investimento
no exterior do ano passado se repita, ficando acima de US$ 10 bilhões,
apesar da crise americana.
O economista José Roberto Mendonça de Barros analisa que o fenômeno
da internacionalização das empresas brasileiras começa
a ficar significativo em 2004, ano da fusão da cervejaria Ambev com
a belga Interbrew, mas se intensifica no ano seguinte, quando empresários "descobrem
que o dólar barato veio para ficar".
Ou seja, para compensar a desvalorização cambial, muitos empresários
nacionais decidiram não só importar componentes mais baratos
como instalar unidades no exterior.
Dados do BC mostram que de 2006 para 2007 aumentou o volume de investimentos
no exterior de múltis brasileiras do setor industrial. Saltou de US$
3,3 bilhões para US$ 5,023 bilhões, ou 43,1% de todo o movimento
registrado em 2007.
O setor de serviços, porém, liderou o ranking de investimentos
no exterior em 2007, com 54,5% do total. A atividade financeira encabeça
esse grupo de investimentos, com US$ 3,1 bilhões aplicados lá fora.
Do ponto de vista de destino do capital brasileiro, ele buscou preferencialmente
os EUA no ano passado. Foram US$ 3,5 bilhões, mais de 30% de tudo aquilo
que as múltis nacionais enviaram para o exterior como investimento.
A busca do mercado americano é uma forma de driblar as barreiras protecionistas
impostas pelo governo dos EUA.
Professor da Fundação Dom Cabral, especializada em estudos na área,
Alvaro Cyrino cita a Cutrale (suco de laranjas) e a Gerdau como múltis
brasileiras que investem forte nos EUA para contornar as altas taxas impostas
aos bens nacionais.
Apesar do ritmo mais acelerado dos investimentos brasileiros no exterior, ele
ainda está "engatinhando", na definição do presidente
da Sobeet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais), Luís
Afonso Lima.
Segundo ele, esse é um movimento bem-vindo, cuja tendência veio
para ficar, mas chegou "tardiamente" ao Brasil.
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FOLHA DE LONDRINA, 18 de
fevereiro de 2008 | Economia
Começa reavaliação
de auxílios-doença
O INSS (Instituto Nacional do Seguro
Social) começa hoje a enviar cartas de convocação
a 21.022 beneficiários para a reavaliação dos
auxílios-doença que foram concedidos há dois
anos e que expiram em março.
Desde que começou a reavaliação
do auxílio-doença, em agosto do ano passado, já foram
chamados 160.229 beneficiários.
A partir do recebimento da carta,
o beneficiário tem dez dias para agendar uma nova perícia
médica. O auxílio-doença é automaticamente
prorrogado até a data da perícia.
Caso o beneficiário não
agende ou não compareça à perícia, o auxílio-doença é cessado.
No caso de doença grave,
um representante legal do beneficiário deve ir até uma
APS (Agência da Previdência Social) para solicitar que o
perito vá ao local onde o beneficiário se encontra.
A perícia médica
pode ser agendada nas APS, pela internet (www.previdencia.gov.br) ou
pelo telefone, através da Central 135.
Folhapress
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Gazeta
do Povo, 18 de fevereiro de 2008
ECONOMIA | PREVIDÊNCIA SOCIAL
Com medidas restritivas, pagamento de auxílio-doença
diminui 12% em 2007
Brasília – Alvo de uma
série de medidas restritivas adotadas há dois anos, o auxílio-doença
pago pela Previdência Social teve uma redução de
12% em 2007 na comparação com o ano anterior, consolidando
a interrupção da trajetória explosiva que esse benefício
apresentava até 2005. O ano passado encerrou com estoque de 1,38
milhão de auxílios pagos aos trabalhadores vinculados ao
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que precisam se afastar do
trabalho por motivo de doença ou acidentes por mais de 15 dias.
Em dezembro de 2006, o estoque era de 1,57
milhão de benefícios desse tipo. O pico da curva de alta
foi em setembro de 2005, quando havia 1,66 milhão de auxílios
ativos.
Para o pesquisador do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea) Marcelo Caetano, as ações
adotadas estão no caminho “certo”, pois os números
demonstram que o crescimento na concessão desse tipo de benefício
precisava ser interrompido. “Houve anos de aumentos assustadores,
como em 2002, quando a quantidade de auxílios cresceu 48% em
relação a 2001, e em 2003, quando a elevação
bateu 28%.”
Reavaliação
O INSS começa hoje a enviar cartas de
convocação a 21.022 beneficiários para a reavaliação
dos auxílios-doença que foram concedidos há dois
anos e que expiram em março. A partir do recebimento da carta,
o beneficiário tem dez dias para agendar uma nova perícia
médica. O auxílio-doença é automaticamente
prorrogado até a data da perícia. Caso o beneficiário
não agende ou não compareça à perícia,
o auxílio-doença é cessado.
A perícia médica pode ser agendada
nas APS, pela internet (www.previdencia.gov.br) ou pelo telefone 135.
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O GLOBO, 18 de fevereiro
de 2008 | País
Orientação desobedecida
Lupi libera verba para ONG ligada à Força
Sindical um dia após parecer contrário
Flávio Freire - O Globo
SÃO PAULO - O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, assinou, no apagar
das luzes de 2007, um convênio de R$ 14,8 milhões com o Instituto
de Educação e Pesquisa DataBrasil, de qualificação
profissional, mesmo sabendo que havia parecer contrário da Consultoria
Jurídica (Conjur) do próprio ministério. Lupi, que ignorou
o documento, liberou parte da verba mesmo sem a entidade ter cumprido os "requisitos
e procedimentos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)",
segundo a Consultoria Jurídica do ministério. Além disso,
o plano de trabalho não fora aprovado, e o DataBrasil estaria em situação
financeira desfavorável, o que deveria inviabilizar o processo. É o
que mostra 'O Globo' em reportagem neste sábado.
O Instituto DataBrasil funciona
no mesmo prédio onde está a sede da Força Sindical,
central presidida pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP),
o Paulinho, considerado um dos homens mais próximos do ministro
Lupi, também presidente nacional do partido. Fontes ligadas à Força
Sindical disseram que o presidente do DataBrasil, Mikael Ferrone, é amigo
de João Pedro de Moura, sindicalista acusado, juntamente com Paulinho,
de superfaturar em R$ 1 milhão a compra da fazenda Ceres, no interior
de São Paulo, para uso da central.
O parecer do setor jurídico
do ministério foi entregue a Lupi em 26 de dezembro. Mesmo assim,
no dia seguinte, segundo publicação no Diário Oficial
da União, a primeira parcela do convênio (R$ 1.071.614)
foi depositada na conta-poupança do instituto, como confirmou
nesta sexta a 'O Globo' o próprio Mikael Ferrone, ligado à Força
Sindical.
O Ministério do Trabalho
informou na noite de sexta-feira, em nota oficial, que o parecer da consultoria
jurídica é "rotineiro e comum", e que não
inviabiliza o convênio firmado com o Instituto de Educação
e Pesquisa DataBrasil. Diz o ministério: "Existem apenas
'ressalvas' no decorrer do parecer, não 'recomendações
negativas'".
Segundo a nota, o parecer
pediu que o processo retornasse à área técnica
responsável para que pendências fossem sanadas. O parecer
da consultoria jurídica foi assinado em 26 de dezembro, e o
dinheiro foi liberado no dia seguinte.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
18 de fevereiro de 2008
MPT pode destinar R$ 80 mil para erradicar
trabalho degradante em lixões
Para incentivar a elaboração de um plano de gestão de
resíduos sólidos e coleta seletiva em 16 cidades do Norte de
Minas, o MPT (Ministério Público do Trabalho) propôs ao
Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Integrado da Micro-região
da Serra Geral de Minas (União Geral) a destinação de
R$ 80 mil, provenientes de um acordo judicial firmado em ação
civil pública ajuizada pelo MPT.
"A empresa devedora desta
quantia teria que fazer o recolhimento ao FAT, mas entendemos que, direcionada
para o consórcio de municípios, a verba estará sendo
bem utilizada e vai gerar benefícios imediatos para a população",
esclareceu a procuradora do Trabalho Virgínia Leite Henrique,
que coordena um projeto de combate ao trabalho infantil em lixões
no Norte de Minas.
Uma das ações do
projeto foi implementada em janeiro, quando 12 municípios do Norte
de Minas foram convocados a assinar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta)
se comprometendo a acabar com lixões e promover a coleta seletiva.
Onze municípios concordaram em assinar o documento, mas a falta
de verba foi apontada como o maior entrave.
Para receber os R$ 80 mil, o
consórcio terá que cumprir condições fixadas
pelo MPT. "Nossa primeira exigência é a de que o União
Geral invista no projeto outros R$ 40 mil em recursos próprios.
Exigimos também que os oito Municípios integrantes do consórcio,
que não assinaram o TAC por recusa ou por não convocação
para a audiência de janeiro, o façam agora", explicou
Virgínia Henrique.
"É nosso objetivo
que a questão do lixo seja gerida de modo racional, resultando
na eliminação de condições degradantes e
trabalho irregular de crianças e adolescentes e em menor impacto
ambiental", afirmaram as procuradoras Virgínia Henrique e
Advane Moreira, que assinaram a proposta enviada ao consórcio.
O Consórcio União
Geral tem até o próximo dia 1° para se manifestar sobre
a proposta. Ele foi constituído no fim de 2007, pelos prefeitos
de 16 Municípios do Alto-Médio São Francisco, com
o objetivo de captar recursos e encontrar alternativas para os problemas
da região.
Entenda
o caso
No dia 17 de janeiro, uma audiência pública em Montes Claros reuniu
12 municípios do Norte de Minas investigados por permitir trabalho em
lixões, inclusive de menores de idade.
Para garantir a erradicação
da atividade insalubre, dez deles se comprometeram a realizar estudos
ambientais e substituir os lixões municipais por aterros controlados,
em cronograma definido pelo MPT, além de cadastrar as famílias
que vivem de restos do lixo em programas de coleta seletiva.
Os municípios de
Itacarambi, Manga, Januária, Matias Cardoso, Catuti, Gameleiras,
Janaúba, Serranópolis de Minas,Capitão Enéas
e Jaíba assinaram termos de ajustamento de conduta com o Ministério
Público do Trabalho e têm até o fim de fevereiro
para erradicar o trabalho degradante em lixões. A informação é do
site do MPT.

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