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Gazeta do Povo, 20 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | TRABALHO
Ano começa com criação
recorde de empregos: 142,9 mil vagas
Resultado ficou 35% acima do verificado em
2007, e governo espera mais contratações
Brasília – Embalado pelo recorde de contratações
de 2007, o mercado de trabalho formal começou 2008 registrando o melhor
saldo de empregos gerados no mês de janeiro. Segundo dados do Ministério
do Trabalho, foram criadas 142.921 vagas com carteira assinada no mês
passado. O resultado ficou 23% acima do recorde anterior, de janeiro de 2005,
e 35% acima do registrado em janeiro de 2007.
A indústria da transformação
e o setor de serviços foram os principais responsáveis
pelo desempenho do mercado. Na avaliação do ministério,
a atividade industrial continua sendo puxada pela forte demanda interna,
principalmente carros e eletrodomésticos. Isso proporcionou a
criação de 59.045 empregos formais na indústria.
No caso dos serviços,
houve a influência favorável do período de férias
escolares e dos preparativos para o Carnaval, movimentando segmentos
de hotelaria, bares e restaurantes. O setor contratou 49.077 empregados
em janeiro. A construção civil também apresentou
resultado positivo: 38.643 vagas.
Já a agropecuária
e o comércio não exibiram o mesmo vigor. No campo, as contratações
somaram 8.035 vagas – menos da metade do número verificado
em janeiro de 2007. Já o comércio encerrou o mês
com saldo negativo de postos de trabalho, fechando 14.144 vagas.
Na análise do governo,
os dados da agropecuária refletem o fim do ciclo da cana-de-açúcar
no Nordeste. A retração do mercado no comércio,
afirma o ministério, pode ser justificada pelas demissões
dos trabalhadores contratados para atender ao período de festas
de fim de ano.
Para o ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, o resultado de janeiro é uma demonstração
de que a crise internacional não trouxe impactos negativos para
a economia brasileira. Ele acredita que, neste mês, as contratações
voltarão a ultrapassar as demissões em níveis recordes,
tendência que deverá se estender até maio. “Em
junho, o ritmo diminui um pouquinho’’, declarou Lupi. Ele
reafirmou sua projeção para o ano: criação
de 1,8 milhão de vagas formais.
No ano passado, o emprego com
carteira assinada atingiu 1,617 milhão de vagas, no melhor resultado
da história do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged),
que vem sendo elaborado pelo Ministério do Trabalho desde 1992.
O cadastro reúne as informações de todas as empresas
sobre o emprego formal.
O economista da LCA Francisco
Pessoa Faria acredita que as estimativas de Lupi para 2008 sejam otimistas
em excesso. “O emprego não vai crescer em um ritmo mais
elevado que o do ano passado. Estamos esperando 1,575 milhão de
postos, segundo estimativas preliminares. E esse é um número
muito bom’’, afirma Faria.
Segundo ele, haverá uma
acomodação do nível de crescimento da indústria,
e as condições de crédito já pararam de melhorar. “O
resultado de janeiro surpreendeu e mostra que o ritmo das contratações
ainda não enfraqueceu’’, ressalva Faria, que esperava
uma geração líquida de 120 mil postos no mês
passado. “A indústria da transformação está confiante
o suficiente para continuar investindo e contratando. O resultado veio
acima do que projetávamos’’, disse.
Outro setor que surpreendeu,
para o especialista, foi a construção civil. “Já há alguns
meses isso vinha ocorrendo por conta do crédito mais barato
e a maior confiança na economia. Além disso, a queda
dos juros talvez, e digo talvez, esteja provocando uma mudança
no perfil de investimento. As pessoas estão investindo em imóveis.’’

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DEPACOM, 20 de fevereiro de 2008 | Eventos
Depacom realiza no próximo
dia 18/03 reunião em Manaus/AM
O
Depacom realiza no próximo dia 18 de março de 2008
na cidade de Manaus/AM, reunião da diretoria com a participação
de dirigentes sindicais da região e Federações
da Construção e do Mobiliário do Brasil.
Dentre as inúmeras discussões, será definida
a data e o local do próximo Congresso Nacional do departamento.
A pauta completa da reunião será encaminhada
em breve.
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Folha de São Paulo, 20 de fevereiro
de 2008
Lula diz que não tem tempo
a perder com CPI e defende o uso de cartões
DA ENVIADA A VITÓRIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que não
tem tempo a perder com a CPI dos Cartões, mas que o governo pretende
fornecer todas as informações solicitadas. Lula defendeu o uso
dos cartões corporativos como instrumento de mais transparência
nos gastos. "A CPI vai prestar um serviço à nação
porque vai aperfeiçoar o sistema de gastos do governo", disse.
Segundo o presidente, o papel do Congresso é legislar e fazer a CPI,
e o do governo, trabalhar. "Eu confesso a vocês que não tenho
tempo a perder com CPI. Nós iremos fazer tudo o que for possível
para contribuir com as informações, mas nesse momento não
quero jogar fora e não quero perder a oportunidade do bom momento que
o Brasil vive. (...) Enquanto as pessoas discutem lá em Brasília,
enquanto as pessoas fazem investigação, meu papel vai ser viajar
pelo Brasil", disse.
Lula participou ontem da cerimônia de início da obra de duplicação
de um trecho do contorno de Vitória, com investimentos de R$ 51,4 milhões
do governo federal. A obra faz parte do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento). Além disso, foi assinada uma ordem de serviço
para a implantação do sistema de esgoto sanitário de Santo
Antônio e bairros adjacentes, no âmbito do programa Saneamento
para Todos.
O presidente afirmou em discurso no Palácio Anchieta, com a presença
do governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), que não
faz distinção entre partidos para as obras do PAC e citou um
montante de cerca de R$ 8 bilhões para o governo de São Paulo,
administrado por José Serra (PSDB).
" O maquiavelismo político atrapalha muito o desenvolvimento de um
Estado ou de uma cidade", disse o presidente.
Hartung citou o resultado da última pesquisa CNT/Sensus que mostrou
uma avaliação positiva do governo de 52,7%. "O senhor é uma
força da natureza. O senhor deu conta do recado", disse.
Sem mencionar diretamente a pesquisa, Lula disse que antes do seu governo,
a Presidência era um cargo para "a elite". Ele enfatizou que é preciso
investir mais em distribuição de renda.
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Folha
de São Paulo, 20 de fevereiro de 2008
Ministério do Trabalho favorece
o PDT
Aliados do partido, presidido pelo ministro
Carlos Lupi, vão receber cerca de R$ 50 milhões para
treinar mão-de-obra jovem | Dirigentes de entidades beneficiadas
são parentes, doadores de campanha ou políticos do
próprio PDT; ministério nega preferência
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
O Ministério do Trabalho e Emprego
aprovou repasse de R$ 50 milhões a pelo menos 12 entidades
ligadas ao PDT para realizar treinamento de jovens em vários
Estados do país.
O presidente do PDT é o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e seu partido é o
maior beneficiado. O ministério aprovou 30 convênios, em um total
de R$ 111,5 milhões. Mas quase a metade do dinheiro seguirá para
12 entidades apenas, todas relacionadas ao PDT.
Alguns dos dirigentes das entidades que estão recebendo os recursos
são parentes, doadores de campanha ou amigos dos políticos do
PDT que fizeram os pedidos de verba. Outras organizações são
chefiadas pelos próprios políticos do PDT.
Os acordos foram assinados entre 30 de novembro de 2007 e 10 de janeiro passado,
e a primeira parcela dos repasses já foi feita. O valor desses 12 convênios
sobe para R$ 70 milhões se computadas verbas para bolsas destinadas
a jovens.
O Ministério do Trabalho e os beneficiados pelos convênios negam
irregularidades nos repasses ou o uso de influência política na
liberação da verba.
Mãe, cunhada
e candidato
No Maranhão, a Fedecma receberá R$ 3,1 milhões. A presidente
da entidade é Marileide Rocha, mãe do secretário da Juventude
do Estado, Weverton Rocha (PDT).
Em Alagoas, a vice-presidente do Lar São Domingos (R$ 1,8 milhão),
Maria Russo Lessa, é cunhada de Ronaldo Lessa, presidente do PDT alagoano.
Em Catanduva, interior de São Paulo, o presidente da Associação
São Vicente de Paulo, Francisco Batista de Souza, o "Careca", é o
provável candidato a vice-prefeito da cidade pelo mesmo PDT de Lupi.
A entidade vai receber R$ 3,6 milhões.
No Rio, R$ 8,1 milhões serão destinados à Fundação
Oscar Rudge, presidida por Clemilce Sanfim Carvalho, candidata a deputada federal
(derrotada) pelo PDT-RJ em 2006. A Oscar Rudge já esteve envolvida em
suspeitas de irregularidades com verbas repassadas pelo governo do Rio até 2006.
No total, os 12 convênios autorizados pelo Ministério do Trabalho
prevêem quase R$ 70 milhões para treinar 29,5 mil jovens. O custo
médio por treinado será de R$ 2.373,00. Desse total, os jovens
receberão somente uma bolsa de R$ 600,00.
Os R$ 1.773,00 restantes por jovem vão para a entidade conveniada. Em
vários casos, porém, a entidade terceirizará a realização
dos cursos.
Força Sindical
e PDT
Entre os repasses, constam ainda R$ 10,7 milhões para a DataBrasil,
que funciona dentro da sede, em São Paulo, da Força Sindical
(entidade presidida pelo pedetista Paulo Pereira da Silva, o Paulinho), e R$
4 milhões para o Inesp, parceira da Força Sindical em alguns
projetos.
Embora os dirigentes da DataBrasil e do Inesp declarem ser concorrentes entre
si no mercado de treinamento de mão-de-obra, há "atestados
de capacidade técnica" de uma entidade recomendando a outra para
fazer esse tipo de trabalho. E de ambas sendo recomendadas pela Força
Sindical.
Na semana passada, a Folha noticiou a intenção do Ministério
do Trabalho de repassar R$ 7,07 milhões à CNTM (Confederação
Nacional de Trabalhadores Metalúrgicos), também filiada à Força
Sindical de Paulinho (PDT), para recolocação de mão-de-obra
em São Paulo.
Se aprovado, o convênio representaria um custo 97% maior por trabalhador
recolocado no mercado do que o gasto hoje pelo Estado de São Paulo e
65% a mais em relação ao da prefeitura paulistana para o mesmo
serviço. Ontem, uma semana após a publicação da
reportagem, os valores do convênio foram modificados, barateando o custo.
Convênios suspeitos
Até 2002, vários convênios com verbas do Ministério
do Trabalho para treinamento e colocação de mão-de-obra
foram objeto de denúncias de irregularidades, algumas envolvendo a Força
Sindical, além de outras entidades.
Entre as suspeitas, constavam treinamentos de trabalhadores "fantasmas",
pessoas sendo treinadas no mesmo dia em Estados diferentes do país e
estruturas totalmente incompatíveis para atender ao número de
candidatos determinados nos convênios.
Após acórdão do TCU (Tribunal de Contas da União)
em 2003, esse tipo de convênio foi suspenso. Meses depois, eles acabaram
voltando e direcionados a entidades como as citadas acima, algumas relacionadas
aos órgãos que foram objeto da suspensão e investigação
-que ainda não terminou.
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Folha de São Paulo, 20 de fevereiro
de 2008
Outro lado
MTE e beneficiados negam influência política
DA REPORTAGEM LOCAL
DA AGÊNCIA FOLHA
O MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) afirma que "não
assina convênio com esse ou aquele partido político. Existem normas
a serem cumpridas". Segundo a pasta, todas as liberações
seguem os preceitos do artigo 36, inciso I, da LDO/2007, que trata da destinação
de recursos a entidades privadas sem fins lucrativos.
" Destaque-se ainda que o cronograma de desembolso encontra-se em consonância
com as fases previstas no cronograma de execução e que as liberações
da 2ª e da 3ª parcelas somente serão autorizadas após
a apresentação de conta parcial referente à primeira parcela
liberada", diz o ministério.
Ainda segundo a pasta, há exigência de licitação
na contratação de entidades executoras por parte dos organismos
conveniados.
O ministério diz também que, para dar maior transparência
a esse tipo de convênio, "está em fase final de aprimoramento
dispositivo onde a sociedade poderá consultar na página do MTE
a oferta de serviços prestados por parte das entidades conveniadas".
Micael Ferrone, presidente da DataBrasil, afirma que sua empresa presta serviços
para o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e que funciona
no mesmo prédio da Força Sindical e do sindicato mediante pagamento
de aluguel de "uns R$ 3.000". Ferrone negou que sua empresa trabalhe
com o Inesp, de quem afirmou ser "concorrente". A DataBrasil diz
ser "parceira" da Força Sindical.
Osmar Gonçalves, presidente do Inesp, diz não ter "nenhuma
relação" com a Força Sindical, embora já tenha
trabalhado para a entidade. Sobre a DataBrasil, diz que a conhece "como
concorrente". "Ela faz a mesma atividade que eu faço."
Sobre o Icep, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que "em anos
anteriores" colocou "emenda [orçamentária] pessoal
para eles". "Nunca emenda direta para entidade, mas de secretaria
de governo. No passado, já fiz pedido. Também posso ter dado
referência."
Fernanda Ferreira, da Fundação Oscar Rudge, afirma que a verba
foi pedida pela própria entidade ao ministério e que já desenvolve
outros projetos com verbas federais. "Não tem a ver com política."
A presidente da Fedecma e mãe do secretário de Estado da Juventude
(PDT-MA), Marileide Rocha, diz que "lutou bastante" para que o projeto
acontecesse no Maranhão, realizando até reuniões com pessoas
do ministério.
Gilson Lima, representante da Catalisa, diz que a entidade não tem "envolvimento
político". "Na verdade, o que a gente andou tomando conhecimento é que
o Ademir Camilo é um deputado da região."
O presidente da Brasil Voluntário, Saney Sampaio, admitiu doação
a Chico Leitoa, ex-prefeito de Timon pelo PDT. Disse que conhece Leitoa por
meio do filho dele, o deputado federal Luciano Leitoa (PSB-MA). O presidente
da ONG informou que é amigo de Luciano e trabalhou como secretário
parlamentar do deputado. Ele diz que a ONG não foi beneficiada pela
proximidade com os deputados. "O projeto era muito bom."
Lourdes Luna, secretária-executiva do grupo Mulher Maravilha, confirma
que o deputado Paulo Rubem Santiago (PDT-PE) é "colaborador" da
ONG e diz que os dois são amigos e trabalharam juntos em outra ONG.
No ano passado, para a aprovação do projeto, Luna diz que pediu
ajuda ao gabinete de Santiago.
A 1ª secretária do Lar São Domingos, Jaci Gomes Duprat,
afirma que o ex-governador de Alagoas Ronaldo Lessa (PDT) "é um
grande colaborador". "Lessa sempre fez doações."
O deputado Barbosa Neto (PDT-PR) disse que o Ciap foi uma indicação
do secretário de Estado do Trabalho, Nelson Garcia. Barbosa Neto disse
que conheceu o pessoal do Ciap na assinatura do convênio.
Procurados, os demais citados na reportagem não foram localizados ou
não responderam aos pedidos de entrevista.
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Folha de São Paulo, 20 de fevereiro
de 2008
Entidade reduz custos em 31% após
reportagem
DA REPORTAGEM LOCAL
A CNTM (Confederação Nacional de Trabalhadores Metalúrgicos)
refez plano de custos para recolocação de mão-de-obra
em São Paulo após a Folha revelar que o serviço custaria
praticamente o dobro do que é gasto pelo governo de São Paulo
para fazer o mesmo serviço.
A CNTM é filiada à Força Sindical e faria parte do trabalho
dentro da própria entidade, que é presidida por Paulinho, filiado
ao mesmo PDT que o ministro Carlos Lupi comanda.
O plano inicial da CNTM, que contava com "total apoio" de Lupi, segundo
um de seus assessores mais próximos, previa um custo unitário
de R$ 195,33 por trabalhador para a recolocação no mercado de
36.199 pessoas ao longo deste ano.
Revelado o contraste entre o que previa a CNTM em relação à prefeitura
paulistana e ao Estado de São Paulo (65% e 97% a mais, respectivamente)
no mesmo tipo de trabalho, a entidade sindical apresentou uma modificação
em seu plano.
Na prática, a CNTM acabou realizando um aumento na previsão do
total de colocados, de 36.199 para 51.000. Com a mudança desse denominador
em relação aos gastos totais previstos, o valor por trabalhador
recolocado caiu de R$ 195,33 para R$ 135,06, uma redução de custos
de 31%.
A proposta da CNTM prevê retirar da prefeitura paulistana dois de seus
seis centros de recolocação de trabalhadores em São Paulo.
A prefeitura paulistana se posicionou contra o novo convênio e também
contestou o plano da CNTM de tomar R$ 4,5 milhões para treinamento de
mão-de-obra. Se aprovado, o valor representaria quase o triplo do gasto
atual em programa realizado no convênio do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador)
com a prefeitura de São Paulo. (FCZ)
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Diário Vermelho, 20
de fevereiro de 2008
Resultado de pesquisa é "recado
para oposição", diz Ideli Salvati
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC),
líder do PT e do Bloco de Apoio ao governo no Senado, afirmou
que o resultado da pesquisa CNT/Sensus que apontou crescimento da avaliação
positiva do Governo Lula, de 46,5% em outubro de 2007 para 52,7% em fevereiro
deste ano, é resultado da aposta no crescimento sustentável
do país e um recado para quem faz oposição.
Sobre a avaliação
pessoal do presidente Lula – que passou de 61,2% para 66,8% em
igual período - Ideli disse que os dados favoráveis são
sustentados pela realidade vivida pela população.
"As pessoas, individualmente
ou coletivamente, estão se sentindo melhor e estão mais
otimistas com o governo Lula”, afirmou. E a expectativa, conforme
mostrou a pesquisa CNT/Sensus, é otimista. No emprego, a avaliação
subiu de 39,9% para 45%. A expectativa de melhora na renda mensal subiu
de 27,7% para 29,5%. Em saúde, subiu de 23,5% para 28,8%, em educação,
passou de 38,9% para 46,5%. "Até mesmo em segurança
pública a avaliação melhorou, passando de 18,5%
para 25%", disse Ideli.
Segundo a senadora, o crescimento
da avaliação positiva ao governo e ao próprio
presidente Lula, para desespero de quem faz oposição, é um
resultado que se apresenta com propostas concretas e viáveis
para melhorar a vida das pessoas e seu cotidiano. "A avaliação
positiva é um bom recado para a oposição",
afirmou. "Logo após o início do segundo mandato,
foi o próprio presidente Lula quem disse que só poderia
fazer comparações sobre a melhoria das condições
de vida das pessoas com ele mesmo", lembrou.
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Agência Diap, 20 de
fevereiro de 2008
Uma reforma tributária progressiva
Por: Altamiro Borges*
Não é apenas
no diagnóstico sobre a perversidade do sistema tributário
nacional que há consenso entre as forças progressistas.
Também nas propostas para a superação desta injustiça
histórica há inúmeros pontos de convergência.
O manifesto "por uma reforma tributária justa", divulgado
em janeiro e assinado por lideranças populares, religiosas e
por intelectuais – entre eles, Dom Tomas Balduino (CPT), Marcelo
Crivella (Igreja Universal), João Pedro Stedile (MST), Lúcia
Stumpf (UNE), José Moroni (Abong), Plínio Arruda Sampaio,
Fernando Morais, Laura Tavares e Emir Sader –, conseguiu reunir
distintas forças políticas na defesa de alguns destes
pontos comuns.
Diante do rombo anual de R$ 40 bilhões causado aos cofres públicos
com a extinção da CPMF e da sistemática ofensiva da direita
para diminuir ainda mais os tributos cobrados dos ricaços e das corporações,
o manifesto fez um apelo à mobilização urgente da sociedade.
" O Brasil precisa de uma verdadeira reforma tributária, que torne
mais eficaz o sistema de tributação. Hoje, 70% dos impostos são
cobrados sobre o consumo e apenas 30% sobre o patrimônio. É preciso
diminuir o peso sobre a população e aumentar sobre a riqueza e
a renda". Esta síntese, mesmo que genérica, expressa a demanda
de amplas forças políticas por uma reforma tributária progressista
no país.
Tributar o capital e a renda
Devido à regressividade da tributação, que penaliza principalmente
os assalariados e as camadas médias, à farra das isenções
e elisões fiscais (brechas legais) e à própria sonegação,
os ricos são os que menos pagam, proporcionalmente, impostos no Brasil.
Já na ponta da tributação direta, as alíquotas
sobre as pessoas físicas são as mais injustas do mundo.
Na Alemanha, por exemplo, os mais endinheirados chegam a pagar 42% de imposto
sobre a renda; na Dinamarca, a carga atinge 59% sobre a renda dos bilionários;
na França, 40%; até nos EUA, tão endeusados pela burguesia
nativa, o imposto de renda ainda preserva uma alíquota de 35% sobre
os mais ricos. No Brasil, o IRPF tem apenas três faixas (zero, 15% e
27,5%), uma verdadeira aberração tributária.
Um reforma progressiva deveria reduzir a tributação indireta
sobre o consumo e, para compensar a perda de receita, elevar os impostos diretos
sobre a renda e as riquezas dos bilionários. De cara, seria necessário
ampliar as faixas do imposto de renda, diminuir a alíquota dos assalariados – que
tem o desconto automático na folha de pagamento – e aumentar a
carga sobre a renda de pessoas físicas mais abastadas.
Outra medida urgente é a da regulamentação do Imposto
sobre Grandes Fortunas. Este tributo, já incorporado na maioria dos
países "civilizados", foi contemplado na Constituição
de 1988, mas até hoje não virou lei. No mesmo sentido, dever-se-ia
elevar o Imposto sobre Heranças, atingindo os mais ricos, o Imposto
de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e o Imposto Territorial
Rural (ITR) dos grandes latifundiários e dos barões do agronegócio.
Desonerar o setor produtivo
Estes últimos impostos atingem diretamente o patrimônio acumulado
em séculos de exploração. O seu aumento teria como efeito
minorar, em perspectiva, a péssima distribuição de riquezas
no país. Como argumenta Alexandre Mazza, professor de Direito Administrativo
da PUC-SP, a não regulamentação do Imposto sobre Fortunas
e o minguado Imposto sobre Heranças perpetuam o poder econômico
nas mãos dos que dominam o Brasil há mais de 500 anos.
A resistência a estes tributos da mesma elite burguesa que se traveste
de ética é brutal e conta com seus apaniguados no Congresso Nacional. "A
discussão sobre patrimônio é a primeira a ser derrubada
no plenário em qualquer tentativa de levar adiante a reforma tributária",
adverte a professora Leda Paulani.
Vários tributaristas também sugerem a redução das
taxas que incidem diretamente sobre o setor produtivo, tendo efeito nocivo
sobre a geração de empregos e renda. Muitos destes tributos são
em cascata e, no final da linha, encarecem o produto e reduzem o consumo. É o
caso do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Até a CPMF, que incidia em 72% sobre as empresas e ajudava no combate à sonegação,
tinha este efeito colateral. "Os 0,38% sobre R$ 100 numa garrafa de champanhe
do rico é igual a 0,38% sobre R$ 100 em alimentos básicos dos
pobres", alega o economista Reinaldo Gonçalves. Ácido crítico,
ele mesmo relativiza: "Por que não defender a CPMF com alíquota
progressiva?".
Ao mesmo tempo em que desonera o setor produtivo, a reforma tributária
também deveria elevar as contribuições da ditadura financeira – até como
forma de estimular que o capital seja investido na produção e
não na especulação e nos paraísos fiscais. A partir
de 1995, o governo FHC impôs várias medidas legislativas de redução
dos tributos dos bancos e rentistas.
O economista Evilásio Salvador, num artigo no Le Monde Diplomatique,
defende que sejam eliminadas de imediato tais concessões, com o fim
da isenção dos lucros e dividendos e da dedução
dos juros sobre o capital próprio. "O segmento mais beneficiado
por esta renúncia fiscal são os bancos. Só a revogação
destes dois mecanismos permitira ao governo uma arrecadação de
pelo menos R$ 10 bilhões".
Aliviar a carga dos trabalhadores
Além de penalizar os ricaços, que transformaram o país
num paraíso do consumo de alto luxo e num oásis da especulação
financeira, uma reforma progressista deveria aliviar a carga tributária
dos trabalhadores. Num minucioso estudo técnico, o Departamento Intersindical
de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) sugeriu
várias medidas para beneficiar os que produzem as riquezas da nação.
Lembra que o Brasil já teve 16 faixas do Imposto de Renda, mas que nos
anos sombrios do neoliberalismo elas foram drasticamente reduzidas – para
nove no governo Collor e para três no reinado de FHC. Neste período
a tabela também foi congelada, o que gerou perdas de 17,5% nos rendimentos
dos trabalhadores entre 1996 e 2002 e a redução do limite de
isenção.
Conforme lembra o Dieese, o governo Lula deu início à correção
do IRPF, mas a tabela continua defasada. Diante desta injustiça, ele
propõe "o aumento da faixa de isenção do IRPF com
vistas a permitir a elevação da renda disponível das famílias;
diminuição da alíquota da primeira faixa de contribuição
com o objetivo de desonerar o trabalhador de menor renda; aumento do número
de faixas de rendimentos, associando-as com alíquotas que recuperem
o caráter progressivo do imposto; criação de alíquotas
intermediárias entre os atuais 15% e 27,5% de maneira a melhor corresponder à estruturação
de renda atual; garantia de que o estabelecimento das alíquotas das
faixas de rendimentos superiores não resulte em maior evasão
fiscal".
Urgência da pressão das ruas
Num esforço para agregar as propostas de uma reforma tributária "justa",
a Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal) produziu
há alguns anos uma pauta básica de exigências.
Muitas das propostas, conforme registrou, até poderiam ser implantadas
por meio de legislação infraconstitucional, sem a necessidade
de reformas na Constituição. A pauta possui 16 itens, que ainda
permanecem atuais e indispensáveis para superar a crônica injustiça
tributária:
1 - Extinguir a tributação em cascata;
2 - Revogar a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio;
3 - Garantir que os rendimentos do capital sejam submetidos à tabela
progressiva anual;
4 - Revogar a isenção na distribuição de lucros
e dividendos;
5 - Tributar as remessas de lucros ao exterior;
6 - Corrigir regularmente a tabela progressiva do imposto de renda;
7 - Revisar e ampliar as deduções do imposto de renda da pessoa
física;
8 - Não tributar a renda mínima existencial;
9 - Isentar os alimentos da cesta básica;
10 - Recuperar a alíquota de 35% para rendas elevadas ou acentuar a
progressividade;
11 - Aumentar a tributação sobre o patrimônio rural;
12 - Não conceder anistia fiscal para as empresas;
13 - Fortalecer a fiscalização tributária;
14 - Controlar o fluxo financeiro para os paraísos fiscais;
15 - Criar uma força tarefa para combater a lavagem de dinheiro; e
16 - Combater efetivamente a sonegação.
No momento em que o presidente Lula garante que enviará uma proposta
de reforma tributária para ser debatida no Parlamento, seria interessante
consultar tais fontes. Do contrário, o Governo poderá incorrer
novamente no erro da "reforma do possível", do início
de 2003, que pecou pelo pragmatismo tacanho e pela visão tecnocrática.
Este tema mexe com poderosos interesses, que estão bem incrustados no
Parlamento. Para avançar na superação do perverso e injusto
sistema tributário, será necessário convicção
de projeto e forte pressão social. Sem o povo nas ruas, o ônus
desta reforma estratégica recairá, mais uma vez, nas costas dos
trabalhadores.
(*) Altamiro Borges é jornalista, membro
do Comitê Central do PCdoB e autor do livro "As encruzilhadas do
sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição).
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Diário Vermelho, 20 de fevereiro de
2008
Wagner Gomes: a redução
da jornada na ordem do dia
A classe trabalhadora e o movimento
sindical brasileiro acabam de ganhar um aliado de peso na luta
pela redução da jornada sem redução
de salários — bandeira que encerra um significado
histórico e tem caráter estratégico para
a maioria da sociedade.
Por Wagner Gomes*
Em reunião com os
presidentes das centrais sindicais no dia 14, no Palácio
do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou
sua solidariedade à campanha nacional unificada pela aprovação
da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 393/01), de autoria
dos senadores Inácio Arruda (PCdoB-CE) e Paulo Paim (PT-RS),
que reduz o tempo de trabalho de 44 para 40 horas semanais, num
primeiro momento, e para 35 horas posteriormente.
O apoio do presidente — que tem origem na classe operária e se
projetou politicamente nas greves que, a partir do ABC paulista, selaram o
fim do regime militar e a redemocratização do país — tende
a dar novo fôlego ao movimento, que três dias antes (11/2) reuniu
os dirigentes das centrais na Praça Ramos, em São Paulo, para
o lançamento do abaixo-assinado que será encaminhado ao Congresso
Nacional pleiteando caráter de urgência para a tramitação
da PEC 393. O objetivo é coletar mais de um milhão de assinaturas
até o 1º de Maio, que neste ano terá na redução
da jornada a sua principal bandeira.
Necessidade histórica
Sabe-se que o avanço da ciência, as revoluções tecnológicas
e a imposição de novos métodos de organização
do processo de trabalho impulsionam o crescimento da produtividade da economia,
que por sua vez se traduz na redução do tempo social de trabalho
necessário à produção das mercadorias destinadas
a satisfazer as demandas da sociedade humana.
Ou seja, se a produtividade cresceu isto significa que as empresas estão
produzindo mais do que antes a cada hora ou ao término de cada jornada
de trabalho. A conseqüência lógica de tal processo deveria
ser a redução da jornada média que cada trabalhador ou
trabalhadora deve realizar por força do contrato, formal ou informal,
firmado com o empregador.
A duração do tempo de trabalho não ficou inalterada ao
longo da história do capitalismo. As estatísticas indicam que
a jornada média sofreu uma sensível diminuição.
A classe trabalhadora brasileira, por exemplo, ingressou no século 20
labutando 16 horas diárias de domingo a domingo, sem direito a descanso
semanal remunerado e a troco de salários miseráveis.
Desde então, a jornada máxima caiu à metade e está estabelecida,
na Constituição e na CLT, em 8 horas diárias, embora em
muitos casos o expediente das horas extras esteja transformando a lei em letra
morta. Categorias como comerciários, entre outras, trabalham em média
bem mais do que as 44 horas semanais estabelecidas na Constituição,
que há 20 anos (em 1988) reduziu a jornada em 4 horas semanais.
Em certo sentido podemos afirmar que a redução da jornada é uma
necessidade histórica criada pelo próprio progresso das forças
produtivas. Todavia, cometeremos um grave erro político se daí extrairmos
a conclusão de que o próprio desenvolvimento da economia conduzirá espontaneamente
a este resultado.
Toda experiência histórica revela que a redução
da jornada só se transforma em realidade através de uma luta
enérgica da classe trabalhadora. Isto ocorre porque o capitalismo — que
se alimenta não do trabalho necessário para a reprodução
da vida social, mas daquilo que Karl Marx chamou de trabalho excedente ou mais-valia — é radicalmente
contra a redução da jornada, a menos que esta seja acompanhada
de uma diminuição proporcional dos salários, o que é inaceitável
para a classe trabalhadora.
Luta de classes
O confronto de interesses entre capital e trabalho nesse terreno transparece
nas posições das entidades que representam os dois lados. As
centrais sindicais e o conjunto do movimento representativo da classe trabalhadora,
incluindo os partidos de esquerda, estão unidos na luta pela redução
da jornada. De outro lado, entidades representativas do patronato (como a Confederação
Nacional da Indústria — CNI — e a Federação
da Indústria de São Paulo — Fiesp —, entre outras)
são frontalmente contra tal idéia e chegam a propor, pelo contrário,
o aumento do tempo de trabalho.
O neoliberalismo radicalizou as posições patronais e, em alguns
países, chegou a reverter a tendência histórica favorável à redução
da jornada. Na Alemanha, representantes do capital querem a ampliação
da jornada legal de 35 para 50 horas semanais, o que tem gerado forte indignação
e resistência dos sindicatos. Nicolas Sarkozi, líder da direita
francesa, foi eleito presidente com o lema reacionário “trabalhar
mais para ganhar mais”.
Na América Latina, felizmente, a realidade é outra. A derrota
dos partidos neoliberais e ascensão de novas forças sociais aos
governos mudaram o cenário político, de modo que a bandeira da
redução da jornada voltou à ordem do dia em muitos países.
A CTB na campanha
No Brasil, como na Venezuela, esta aspiração histórica
da classe trabalhadora, que originou o 1º de Maio, ganhou força
com as vitórias de Lula e Chávez. A possibilidade de redução
da jornada tem sido aberta pelo progresso da produtividade, que por aqui foi
notável ao longo dos últimos 20 anos da chamada Constituição
Cidadã.
Conforme disse o presidente Lula, “os avanços da modernidade,
as conquistas tecnológicas devem significar não apenas um maior
aumento de produtividade e rentabilidade, mas também servir para aumentar
as horas de lazer do trabalhador e melhorar as condições de trabalho”.
Contudo, a transformação dessa possibilidade em realidade não
se dará sem a enérgica intervenção do movimento
sindical para quebrar a intransigência patronal.
A questão interessa ao conjunto da sociedade. A experiência ensina
que, sem a redução da jornada, os ganhos de produtividade, apropriados
exclusivamente pelo capital, geram mais desemprego, mais violência, mais
insegurança social. Uma jornada de 40 horas semanais, como propõe
a PEC 393 num primeiro momento, deve abrir mais de 2 milhões de novos
postos de trabalho no mercado formal, segundo estimativas do Dieese, se for
acompanhada de uma regulação mais rigorosa e restritiva das horas
extras.
Trata-se de uma medida que vai fortalecer o mercado interno, ao ampliar o emprego
e a massa salarial, e tende a favorecer o crescimento da produtividade e a
maior qualificação profissional, já que propiciará ao
trabalhador mais tempo livre para a educação. É uma bandeira
integrada à luta por um novo projeto de desenvolvimento nacional, com
soberania e valorização do trabalho.
Por essas e outras boas razões, a CTB participa com entusiasmo da campanha
unitária das centrais e orienta toda a militância e lideranças
nas bases, neste momento, a concentrar esforços na coleta de assinaturas.
O apoio do presidente Lula veio em boa hora.
Vamos à luta!
* Wagner Gomes é presidente da Central
dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)
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Gazeta do Povo, 20 de fevereiro de 2008
ECONOMIA | PREÇOS
China tem a maior inflação
em 11 anos
Os preços ao consumidor
na China tiveram uma alta de 7,1% em janeiro, após as nevascas
no país que agravaram a situação de escassez
de alimentos. Além das pressões causadas pela situação
no suprimento de alimentos, outros fatores que podem dar mais impulso
ao índice são os preços de itens como carvão
e minério de ferro, cuja demanda vem crescendo na indústria.
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Folha de São Paulo, 20 de fevereiro
de 2008
Dólar desce ao menor valor
desde 2000
Apesar da turbulência nos mercados,
moeda americana acumula recuo de 2,48% no ano; ontem fechou vendida
a R$ 1,733 | Entre os fatores que ajudam a explicar a tendência
no câmbio, está a diferença maior entre os
juros no Brasil e nos Estados Unidos
FABRICIO VIEIRA
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
Enquanto a Bovespa ensaia uma recuperação, o mercado de câmbio
vive outra realidade. O dólar desceu ontem a seu mais baixo valor em
quase oito anos, ao fechar vendido a R$ 1,733, após recuo de 0,17%.
No acumulado do ano, a depreciação da moeda americana diante
do real já alcança os 2,48%.
Ninguém considera que a crise internacional, desencadeada pelas dificuldades
no setor imobiliário dos EUA, já foi superada. Mas quem atentar
apenas para o comportamento do real nas últimas semanas poderá ter
outra impressão. Desde março de 2000, o dólar não
operava em patamares tão baixos quanto o praticado ontem.
Alguns fatores ajudam a explicar por que a moeda norte-americana desceu aos
níveis atuais. Um deles é a diferença entre os juros praticados
no Brasil e nos países desenvolvidos, que acaba por atrair mais capital
especulativo para o mercado brasileiro.
Os juros americanos estão hoje em 3% anuais e a expectativa é que
caiam ainda mais neste semestre. Já a taxa básica brasileira
está em 11,25% e espera-se que seja mantida por um bom tempo. O investidor
estrangeiro aproveita esse cenário para captar recursos a custos mais
baixos lá fora e reaplicar em ativos brasileiros. Ele ganha duas vezes:
com o juro maior no Brasil e com a diferença entre a taxa de câmbio
de entrada e o da eventual saída.
Para Sidnei Nehme, da corretora NGO, a tese do "descolamento", pela
qual os emergentes sofreriam menos do que os países maduros em caso
de recessão nos EUA, é uma realidade para o real por conta dessa
diferença entre os juros. "Estamos vendo um descolamento total
no câmbio. Até com fluxo negativo, como aconteceu em janeiro,
o dólar cai. A única forma de conter a queda do dólar é reduzindo
os juros", disse.
Para Mário Battistel, diretor de câmbio da Fair Corretora, se
não houver uma piora no cenário internacional, a tendência
do dólar é cair ainda mais. "Não ficarei surpreso
se o patamar de R$ 1,70 for rompido."
Na mínima de ontem, o dólar foi negociado a R$ 1,728. Em meados
de janeiro, quando o mercado passou a ficar temeroso de que os EUA poderiam
ser afetados por uma recessão, o dólar chegou a ganhar terreno
diante do real, sendo negociado na máxima a R$ 1,83.
A depreciação do dólar não tem ocorrido apenas
diante da moeda brasileira. Isso tem acontecido também em relação à maioria
das moedas emergentes, como o dólar australiano e o peso chileno.
O último boletim Focus revelou que a expectativa do mercado é a
de que o dólar esteja em R$ 1,80 no fim do ano.
De sua parte, os investidores estrangeiros sinalizam estar cada vez mais mais
confiantes na apreciação do real. Isso é o que apontam
as operações que têm feito no mercado futuro de câmbio
da BM&F. Quando os investidores realizam operações que elevam
suas "posições vendidas" em dólar, indicam que
estão confiantes na depreciação da moeda americana. E
essas posições vendidas dos estrangeiros na BM&F saltaram
de US$ 200,2 milhões no dia 21 de janeiro para US$ 4,51 bilhões
agora. Ou seja, os estrangeiros têm montado cada vez mais operações
que darão lucros a eles se o dólar prosseguir em rota de desvalorização.
Nathan Blanche, sócio da Tendências Consultoria, afirma que, mesmo
assim, o dólar não deve recuar muito além do atual patamar. "O
câmbio atual é de equilíbrio. Tivemos no ano passado um
fluxo de US$ 90 bilhões. Neste ano, deve cair para US$ 35 bilhões.
Está muito mais fácil para o BC enxugar [a liquidez no câmbio].
Não espero que tenha uma pressão no câmbio de 17%, como
a valorização do real no ano passado. Isso tudo com uma variável
nova: a crise. Se houver uma apreciação, será muito pequena
em relação a R$ 1,75", disse.
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Gazeta do Povo, 20 de fevereiro
de 2008
BRASIL | AMAZÔNIA
Madeireiros impedem saída de madeira
ilegal
Fiscais sofreram ameaças quando tentaram
apreender toras
Belém – Numa afronta aos governos federal e do Pará, às
vésperas do início da Operação Guardiões
da Amazônia – de combate aos desmatamentos na maior floresta tropical
do planeta –, madeireiros de Tailândia (PA) impediram ontem, com
o uso da força, a remoção de 15 mil metros cúbicos
de madeira ilegal apreendida na semana passada e ameaçavam tocar fogo
nos caminhões enviados para o município pelo governo do Pará,
para transportar a madeira até Belém.
Insufladas por empresários
madeireiros, cerca de 10 mil pessoas impediram o transporte da madeira,
ocupando as portarias das serrarias do município e fazendo ameaças
aos fiscais que comandavam a operação de retirada das toras
cortadas ilegalmente, segundo constataram o Ibama e a Secretaria de Meio
Ambiente do Pará (Sema) na primeira etapa da operação.
Fogo em pneus
Populares chegaram a tocar fogo
em pneus jogados sobre uma das pontes da rodovia PA-150, que corta Tailândia
ao meio, para impedir que 15 caminhões contratados pelo governo
do estado transportassem as toras de madeira apreendidas que estavam
guardadas nos pátios das próprias madeireiras.
Uma equipe de fiscais da Sema
ficou durante duas horas em cárcere privado dentro da serraria
Tailaminas Plac Ltda, pertencente a Flávio Sufredini, onde foram
apreendidos 822 metros cúbicos de madeira em tora. Os fiscais
só foram resgatados após a chegada do batalhão de
choque da Polícia Militar e levados para o quartel da PM no município.
Também foram fechados
todos os acessos aos pátios das madeireiras Taiplac, Primavera
e G.M Sufredini Industrial, as que sofreram as maiores baixas na Operação
Guardiões da Amazônia. Na madeireira Taiplac, os fiscais
do Ibama encontraram mais de 5 mil metros cúbicos de toras armazenadas,
todas cortadas ilegalmente.
Desde a semana passada,
os empresários madeireiros flagrados pelo Ibama e Sema – com
milhares de toras ilegais armazenadas nos pátios de suas serrarias – vinham
insuflando a população contra a fiscalização,
denunciando “humilhação” e ameaçando
com demissões em massa caso o Ibama cumprisse a promessa de
retirar do município a madeira apreendida, suficiente para encher
500 caminhões.
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Diário
Vermelho, 20 de fevereiro de 2008
Ana Júlia: "O Pará não
vai se render aos madeireiros"
"Não cederemos às
pressões dos madeireiros. O compromisso do nosso governo é com
todo o Estado do Pará e não com aqueles que usam nosso
solo apenas para extrair riqueza e depois abandoná-lo",
reagiu a governadora do Pará, Ana Julia Carepa, ao tomar conhecimento
da manifestação dos madeireiros em Tailândia.
Na última quarta-feira
(13/2) uma megaoperação conjunta do governo do Pará e
do Instituto Nacional dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
resultou na apreensão de 10 mil metros cúbicos de madeira
ilegal, na região de Tailândia, sul do estado. Os madeireiros
bloquearam a rodovia PA-150 com o objetivo de impedir a saída
da madeira.
A operação do Ibama/Sema é apontada como a maior já realizada
na Amazônia em pátios de serrarias.
Conforme Termo de Compromisso
firmado no final de novembro do ano passado entre o Governo do Pará e
o Ibama, a madeira apreendida será leiloada e os recursos
convertidos na ampliação da capacidade de fiscalização
do Ibama e Sema. Tomando por média o metro cúbico da
madeira a R$ 300, o valor total apurado no leilão será de
no mínimo R$ 3 milhões.
Saques
Localizada às margens
da PA -150, Tailândia é apontada como um dos dez municípios
mais violentos do Brasil e reúne grande número de serrarias
e fornos para a produção de carvão, que ao lado
da pecuária de corte são os principais responsáveis
pela economia local. Ao todo são 140 serrarias cadastradas
na Sema.
Há indícios
de que as mortes comuns estão relacionadas ao crime ambiental.
O movimento dos chamados "sem-toras", quadrilha especializada
em saquear madeira em áreas públicas e privadas, tem
fortes tentáculos na região. Uma das formas de praticar
esse crime se dá por meio de invasões e grilagem de
terra para exploração ilegal de madeira.
Novas ações
O secretário de Meio
Ambiente Valmir Ortega, o diretor de Proteção Ambiental
Flávio Montiel e o superintendente do Ibama no Pará Aníbal
Picanço Júnior, informaram que as operações
integradas terão continuidade, com prioridade aos municípios
onde os ilícitos ambientais se destacam.
Um seminário promovido
pelo Ibama e Sema, que está sendo realizado em Belém,
vai definir o planejamento das ações de combate ao
desmatamento e outros crimes ambientais praticados na Amazônia.
Estão previstas pelo menos 120 dessas operações.
Ortega considera que operações,
como as realizadas em Tailândia, diminuem a sensação
de impunidade pois as pessoas e empresas autuadas terão que
responder por eventuais crimes contra o meio ambiente. Além
das penalidades legais, há risco econômico, como a perda
do acesso a crédito oficial, por exemplo.
A primeira ação
integrada com o Ibama ocorreu em janeiro passado, em Belém,
com a apreensão de 1,4 mil metros cúbicos de madeira.
Atualmente existem três
mil empresas cadastradas no Sisflora, o sistema de controle da movimentação
do setor florestal. Em 2007, o setor florestal movimentou perto de
R$ 4 bilhões em madeira legal. Boa parte saiu do Pará processada,
agregando valor para a região. A estimativa é que a
madeira ilegal tenha movimentado o mesmo volume de recursos.
Ortega explica que a dificuldade
de logística na Amazônia torna as ações
de fiscalização, monitoramento e controle mais difíceis,
o que requer grande esforço dos órgãos ambientais,
como esta operação realizada em Tailândia.
Fonte: Sema
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NCST, 20 de fevereiro de 2008
Segurados com auxílio-doença
vencendo em março têm que marcar nova perícia
Pouco mais de 21 mil trabalhadores que estão de licença médica
e ganham auxílio-doença há dois anos vão receber
carta do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informando sobre a necessidade
de marcar nova perícia para continuar com o benefício. O alerta
vale para os benefícios que vencem em março.
O segurado tem o prazo de 10 dias para marcar a consulta com o médico
do INSS, a contar da data do recebimento da correspondência. Nos casos
em que o trabalhador está impedido de se locomover, a perícia
deve ser marcada normalmente. Um representante legal do segurado tem que comparecer à agência
da Previdência Social para pedir que a perícia seja realizada
no local em que ele estiver.
A perícia médica de revisão de auxílio-doença
também pode ser marcada pelo telefone 135 ou pela internet, no endereço
www.previdencia.gov.br.
Os departamentos de recursos humanos das empresas que têm empregados
nessa situação também estão orientando-os para
que marquem a perícia, seja para prolongar o período de licença
ou para retornar ao trabalho. Quem não agendar o compromisso ou deixar
de comparecer à consulta, terá o auxílio-doença
suspenso.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
20/02/2008
Trabalhador mantém seus direitos,
mesmo que a eles renuncie
A opção feita pela
jornada de oito horas para ocupar o cargo de tesoureiro de retaguarda
na Caixa Econômica Federal é nula, por contrariar os artigos
9º e 444 da CLT e os princípios da irrenunciabilidade dos
direitos trabalhistas e da primazia da realidade. Com base nessa avaliação
da ministra Maria Cristina Peduzzi, relatora, a Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
julgou ser devido ao empregado o recebimento, como extras, da sétima
e da oitava horas diárias, após reconhecer seu direito à jornada
de seis horas, prevista no artigo 224, caput, da CLT.
A relatora destacou que, segundo
o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG), o tesoureiro
desempenhava funções meramente técnicas, sem fidúcia
especial. Ou seja, o trabalhador não exercia função
de confiança bancária, situação prevista
no mesmo artigo 224, em seu parágrafo 2º, que abre exceção à jornada
de seis horas do bancário. A premissa estabelecida pelo TRT não
pode ser alterada em instância extraordinária, de acordo
com as Súmulas nos 102, I, e 126 do TST. Então, concluiu
a ministra Peduzzi, a discussão a ser enfrentada pela SDI-1 era,
então, quanto à validade da opção do trabalhador
pelo cargo em comissão com jornada de oito horas.
No artigo 444 da CLT, o princípio
da irrenunciabilidade dispõe que as relações contratuais
de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes
interessadas em tudo que não contrarie as disposições
de proteção ao trabalho, os contratos coletivos que lhes
sejam aplicáveis e as decisões das autoridades competentes.
A relatora esclareceu ainda, quanto ao princípio da primazia da
realidade, que a orientação é no sentido de privilegiar
a prática efetiva, a par do que eventualmente tenha sido estipulado
em termos formais entre as partes. “Inclusive pela desigualdade
econômica em que se encontra perante o empregador, o trabalhador
não pode abrir mão dos direitos legalmente previstos”,
avalia a ministra, que ressaltou ter o princípio da irrenunciabilidade
o fim de proteger o empregado não apenas perante o empregador,
mas também com relação a si mesmo. O trabalhador “não
pode se despojar, ainda que por livre vontade, dos direitos que a lei
lhe assegura”, afirmou.
Admitido como auxiliar
de escritório em agosto de 1984, o empregado da CEF trabalhou
por mais de vinte anos em diversas atividades, com jornada de seis
horas. No entanto, a partir de junho de 2000, foi designado para a
função de tesoureiro de retaguarda. Foi aí que
assinou os documentos intitulados Designação/Dispensa
- Cargo em comissão e Termo de opção pela jornada
de oito horas diárias, optando pelo cargo de tesoureiro de retaguarda,
com jornada de oito horas diárias. A relatora dos embargos entende
que, mesmo tendo agido voluntariamente, ele não pode renunciar
ao direito à jornada de seis horas. (E-RR-1454/2005-103-03-40.6)
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20/02/2008
TST nega habeas corpus a depositário
infiel
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho
negou provimento a recurso ordinário em habeas corpus interposto
pelo gerente de uma empresa que se recusou a entregar veículos
penhorados para o pagamento de sentença trabalhista. A Seção
seguiu o voto do relator, ministro Pedro Paulo Manus, segundo o qual
a prisão civil do depositário infiel não tem caráter
de pena, mas de coerção, com a finalidade de fazer cumprir
a ordem de apresentação dos bens ou de seu equivalente
em dinheiro.
Na ação trabalhista,
a Dario Central de Peças Ltda. e a Dario Distribuidora de Peças
Ltda. foram condenadas a pagar R$ 59.869,47 a um ex-empregado. Como o
débito não foi quitado, foi determinada a penhora “online” de
contas bancárias e a expedição de ofícios
ao DETRAN e à Delegacia da Receita Federal para o levantamento
de bens penhoráveis.
Em janeiro de 2007, as partes
celebraram acordo no valor de R$ 5 mil. Como a quitação,
mais uma vez, não ocorreu no prazo determinado, o acordo não
foi homologado. No prosseguimento da execução, veículos
da empresa foram penhorados e adjudicados (repassados como pagamento
da dívida) ao empregado. Mas o oficial de justiça encarregado
do cumprimento do mandado de entrega relatou, nos autos, que não
localizou os bens nem o depositário infiel, que, segundo informações
do gerente, havia viajado.
Ameaçado de morte
A empresa informou que os bens
já teriam sido entregues, mas a declaração apresentada
para comprovar a alegação não foi assinada pelo
empregado, e sim pelo próprio depositário infiel. Em juízo,
o empregado afirmou que “foi ameaçado de morte e agredido
com uma cabeçada e foi obrigado a passar um recibo de entrega
dos veículos ao gerente”, e que no momento da assinatura
uma viatura da Polícia Militar acionada por sua esposa conduziu
as partes ao Distrito Policial, onde foi lavrado boletim de ocorrência.
Em virtude da não-entrega
dos bens pelo infiel depositário, a 16 ª Vara do Trabalho
de São Paulo expediu mandado de prisão do depositário
e determinou o prosseguimento da execução. O gerente então
entrou com o habeas corpus, indeferido pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região.
No recurso ao TST, o depositário
alegou não ter sido intimado para a entrega dos bens, e sustentou
a ilegalidade do ato da juíza da 16ª Vara do Trabalho que
condicionou a homologação do acordo ao pagamento das custas.
O ministro Pedro Paulo Manus negou provimento com base na “ausência
de vontade da parte de entrega dos bens, inclusive se utilizando de violência
para forçar o trabalhador a falsificar a quitação
de parte da dívida”. (ROHC-12670/2007-000-02-00.2)
(Lourdes Côrtes)

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