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Folha de São Paulo, 21 de fevereiro
de 2008
Comissão vai analisar suspeitas
contra Lupi
Ao menos três casos envolvendo suposto
favorecimento a políticos do PDT pelo Ministério
do Trabalho serão avaliados | Comissão de Ética
Pública se reúne na próxima segunda; o Planalto
não considera, por ora, a possibilidade de saída
de Lupi do governo
DA REPORTAGEM LOCAL
A Comissão de Ética Pública do governo federal analisará na
próxima segunda-feira as suspeitas de favorecimento a políticos
do PDT pelo Ministério do Trabalho. A pasta é comandada por Carlos
Lupi, que também é presidente do partido.
Ao menos três casos envolvendo suspeitas de favorecimento da pasta a
pessoas e entidades ligadas ao PDT serão analisados. Dois são
baseados em reportagens da Folha e um terceiro relativo a assunto levantado
pelo jornal "O Globo".
A Folha de ontem noticiou que pelo menos 12 convênios assinados pelo
Ministério do Trabalho autorizaram a destinação de R$
50 milhões a entidades e pessoas ligadas a políticos do PDT.
O valor representa quase a metade da verba disponibilizada para treinamento
de mão-de-obra em 30 convênios.
Em alguns casos, os representantes das entidades são parentes, amigos
ou doadores de campanha de políticos do PDT.
Há também verba de R$ 14,7 milhões a duas entidades (DataBrasil
e Inesp) parceiras da Força Sindical, presidida por Paulo Pereira da
Silva, o Paulinho, filiado ao PDT.
O ministério e as entidades beneficiadas negam qualquer favorecimento
aos citados.
Há dez dias, a Folha também noticiou que outra entidade ligada à Força
Sindical, a CNTM (Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos)
pleiteava convênio no ministério para recolocar mão-de-obra
em São Paulo a um custo quase 100% maior do que o gasto pelo governo
paulista para a realização do mesmo trabalho.
O ministério apoiava o convênio, o que gerou reações
do governo do Estado e da prefeitura paulistana, que também recoloca
mão-de-obra na capital. A proposta da CNTM prevê retirar da prefeitura
dois dos seis postos de recolocação de trabalhadores em São
Paulo.
Na terça, uma semana após a publicação da reportagem,
o projeto da CNTM foi alterado, e o custo, reduzido em 31%.
Já a reportagem do "Globo", publicada no sábado, levantou
suspeitas da validade de convênio de R$ 10,7 milhões entre o Trabalho
e a DataBrasil.
Segundo o presidente da Comissão de Ética, Marcílio Marques
Moreira, na segunda será decidida a "admissibilidade" de os
três casos serem objeto de ação aprofundada do órgão.
Em 23 de dezembro de 2007, a comissão recomendou ao presidente Luiz
Inácio Lula da Silva a remoção de Lupi do ministério
ou sua saída da presidência do PDT, pois entende haver conflito
de interesses.
Por ora, o Planalto não considera a possibilidade de saída de
Lupi do governo. Avaliou como insuficiente para miná-lo a revelação
da Folha de que sob sua gestão foram beneficiadas com convênios
entidades vinculadas ao seu partido.
Na avaliação da cúpula do governo, esse caso deve, por
enquanto, ficar na alçada da Comissão de Ética Pública.
A assessoria do ministro informou ontem que ele não iria se pronunciar
sobre o assunto.
A comissão existe desde 2000. Marcílio assumiu em 2002, na gestão
FHC, e foi reconduzido ao cargo por Lula, em 2005, para mais três anos.
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Folha de São Paulo, 21 de fevereiro
de 2008
Prestação de contas
de Serra em 2002 contraria dados do PSDB
Partido havia negado que gastos com empresa,
considerada fantasma pela Receita, referiam-se a atividades de
campanha; governador não se pronuncia
LEONARDO SOUZA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
O comitê da campanha de José Serra à Presidência
em 2002 declarou gastos com a empresa Gold Stone Publicidade e Propaganda no
valor de R$ 251 mil.
Conforme a Folha publicou anteontem, a Delegacia da Receita Federal de Brasília
manteve entendimento de que a Gold Stone nunca existiu fisicamente, nunca pagou
um centavo de imposto e que o partido não comprovou a efetiva prestação
de determinados serviços pela empresa -ou seja, a Gold Stone é fantasma,
e as notas referentes a esses serviços, frias.
Segundo prestação de contas apresentada ao Tribunal Superior
Eleitoral, foram dois pagamentos: em agosto (R$ 100 mil) e setembro (R$ 151
mil).
Em nota divulgada anteontem, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra
(PE), afirmou que as despesas com a Gold Stone mencionadas na auditoria diziam
respeito a atividades de responsabilidade do partido antes do período
eleitoral, e não da campanha.
Ontem, o senador confirmou que a campanha de Serra também contratou
a Gold Stone, mas disse que os serviços (e as notas fiscais às
quais se referem) são outros e que estão devidamente comprovados
na Justiça Eleitoral. "São duas coisas diferentes. Não
são as mesmas notas", afirmou.
Ontem, a assessoria do governador José Serra (SP) informou que não
se manifestaria sobre o assunto alegando que a responsabilidade é do
partido.
Segundo auditoria da Receita nas contas do PSDB, a Gold Stone emitiu em 2002
quatro notas, no valor somado de R$ 276 mil, para o PSDB e a campanha de Serra.
Não há menção a outras notas da empresa.
O comitê financeiro da campanha de Serra era presidido por Márcio
Fortes, secretário-geral do PSDB. Desativada desde janeiro de 1996,
a Marka Serviços de Engenharia, pertencente a Fortes, também
emitiu notas para o PSDB. Procurado ontem, Fortes não foi encontrado.
Sobre gastos anteriores à campanha, Fortes declarou que "as explicações
já foram dadas, o serviço foi feito, não tem nenhum problema".
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Agência Diap, 21 de
fevereiro de 2008
UNIDADE POLÍTICA
Defesa das reformas democráticas
une partidos de esquerda
O ato de lançamento
da Campanha em Defesa das Reformas Democráticas, na tarde/noite
desta quarta-feira (20), em Brasília, reuniu cinco partidos
políticos – PSB, PCdoB, PT, PDT e PRB – representa
a retomada do fio da história brasileira iniciada em 1950. Os
oradores – presidentes e líderes dos partidos políticos – destacaram
a importância da unidade das legendas em torno das reformas necessárias
ao desenvolvimento do País.
O presidente do PCdoB, Renato Rabelo - o primeiro orador e o que fez o discurso
mais longo - disse que "essa iniciativa de se discutir as reformas democráticas
tem sentido político importante para os partidos de esquerda e progressistas
e para o Governo do presidente Lula”. Segundo ele, "a luta pelas
reformas democráticas – em um país de grandes desigualdades
sociais e regionais, discriminações e dependências - comparado
aos diversos períodos da nossa história, em que teve momentos
de ascenso e descenso, é a expressão no campo político
dessa realidade estrutural".
Para o senador Cristovam Buarque (PDT/DF), a luta deveria ser para que a escola
do filho do trabalhador seja a mesma escola da filha do patrão. Ele,
que foi recebido com o canto de "parabéns pra você",
disse que nós estamos aqui porque temos um lado, que é diferente
da elite brasileira que defende a continuação do que se tem desde
o começo do nosso País. "Vamos procurar a causa comum que
nos faz igual apesar das siglas diferentes" e estendeu os parabéns
a todos os presentes, "porque somos diferentes, sonhamos e sabemos o nosso
lado".
A deputada Jô Moraes (MG), que falou em nome da bancada do PCdoB – a última
a falar na solenidade que foi marcada por um grande número de oradores – foi
breve. Ela disse que "cabe a nós, líderes desta Casa, nos
transformarmos em instrumentos regimentais e legais da força transformadora
que cada um de vocês traz para as ruas na mobilização em
torno dessas reformas", acrescentando que "temos convicção
de que somos capazes de nos unir em torno de projeto de desenvolvimento que
leve este País a dias melhores".
A parlamentar comunista disse ainda que "se soma às reformas, desafios
maiores, inclusive os que entravam o desenvolvimento do País – as
taxas de juros e superávit primário", mas enfatizou a certeza
da "construção de um núcleo de convicção
que compreende que para enfrentar desafios de desenvolvimento, a unidade em
torno de uma plataforma é fundamental".
Luta de muitos anos
Para Renato Rabelo, a luta por reformas estruturais no País "começa
nos anos 1950 e chega ao apogeu com o ex-presidente João Goulart e as
forças avançadas da época, que assumem a luta pelas reformas
de base. O golpe militar de 1964 trunca essa luta que crescia e se expandia
e mobilizava contingentes cada vez maiores do nosso povo. Reaparece essa luta
com a redemocratização do País e fim do regime militar.
A Constituição de 1988 já reflete e expressa sentimentos
e anseios dessa reformas democráticas que é mais uma vez truncada
com os governos neoliberais, que perpassou a década de 1990".
Ele destacou que "a eleição de Lula abre um novo ciclo político
do País e abre caminho para que as reformas sejam aplicadas levando
em conta as condições concretas do nosso País. Mas as
mudanças exigem luta e pode até dizer que é luta de reformas
e contra-reformas", citando o exemplo da reforma trabalhista, de flexibilizar
as relações de trabalho, como contra-reforma ou anti-reforma.
O dirigente comunista disse ainda que "os partidos de esquerda devem ter
como plataforma reformas democráticas e lutar por elas". Ele lembrou
também o compromisso dos partidos da base do Governo "de se contrapor
a agenda negativa imposta pela oposição com uma agenda positiva
e propositiva de reformas democráticas que atendam os interesses do
povo".
Preparando o caminho
O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), destacou as mudanças
que estão sendo feitas pelo Governo Lula. Mas ressaltou que "por
mais felizes que possamos estar com os resultados alcançados, não
estamos satisfeitos, porque o Brasil é um País tão desigual
que apenas um governo com dois mandatos não é capaz de superar
todas as desigualdades".
Ele vê na iniciativa de lutar pelas reformas democráticas "o
caminho para preparar o País para este século que imporá mais
desafios", afirmando que "vai empenhar o PT para que possamos viabilizar
uma agenda comum, uma aliança programática, uma mobilização
popular, que vai sustentar nosso projeto, que é dar continuidade as
mudanças promovidas pelo Governo Lula e que são mudanças
que estão sendo aprovadas pelo povo".
Palavras de apoio
Os representantes do PSB, senador Renato Casagrande (ES) e o líder do
partido na Câmara, Rodrigo Rollemberg (DF), também discursaram.
Casagrande fez também um longo discurso, em que ressaltou as dificuldades
do andamento dos trabalhos legislativos impostas pela atuação
da oposição, que produz crises para evitar o avanço das
reformas iniciadas pelo Governo Lula.
Na esteira da fala do companheiro de partido, Rollemberg destacou a importância
da pauta positiva que representa a defesa das reformas democráticas.
Acrescentando o empenho que os socialistas têm e terão, junto
com as demais legendas progressistas, para lutar pelo que considera avanços
para o País.
Kleber Verde, do PRN, manifestou o desejo do seu partido de se engajar na campanha
e disse que "fazemos com consciência histórica da necessidade
dessas transformações para viver em um País justo, soberano
e igualitário". Ele elogiou a iniciativa do evento de buscar apoio
dos partidos e a participação do povo, adiantando que as reformas
pretendidas "vão ser favoráveis ao povo brasileiro".
O deputado Vieira da Cunha (RS), líder do PDT na Câmara, também
lembrou o ex-presidente João Goulart, "que pregava as mesmas reformas
que hoje discutimos para o desenvolvimento do País". E fez coro
com as palavras do colega de legenda – senador Cristovam Buarque – destacando
a necessidade e importância da reforma educacional.
Pelo PT também falou o líder na Câmara, Maurício
Rands (PE), que disse estar orgulhoso pela mobilização dos partidos
de esquerda pelas mudanças iniciadas no Governo Lula. "Os partidos
de esquerda, que têm compromisso em construir o socialismo, devem discutir
reformas emancipatórias, que é o que nos unifica, o valor da
igualdade e a radicalização da democracia", afirmou. (Fonte:
Portal Vermelho)
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Folha de São Paulo,
21 de fevereiro de 2008
Economia da AL está em declínio,
aponta sondagem
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Apesar da crise nos Estados Unidos,
a economia da América Latina vive um momento de "declínio",
mas não ainda de recessão, aponta Sondagem Econômica
do IFO (Instituto para Pesquisa Econômica da Universidade de Munique,
na sigla em inglês), divulgado ontem, no Rio de Janeiro, pela FGV
(Fundação Getulio Vargas).
Segundo a pesquisa, o índice de clima econômico da região
cedeu de 5,6 pontos em outubro de 2007 para 5,2 pontos em janeiro deste ano.
Está, porém, acima de 5, o que representa ainda um quadro positivo.
A piora se deveu às expectativas futuras, cujo índice recuou
de 4,7 para 4,1 pontos -neste caso, os especialistas já esperam uma
recessão nos próximos meses por conta da crise norte-americana,
diz a FGV.
Já a avaliação sobre a situação atual se
manteve praticamente estável: saiu de 6,4 pontos em outubro para 6,3
em janeiro passado.
A sondagem ouviu 124 especialistas da AL, mensurando a opinião por meio
de pontos: 1 para respostas que indicam piora, 5 para as que apontam situação
similar e 9 para as que sinalizam melhora. É feita uma média
das respostas.
Segundo Lia Vals, economista da FGV, a região está agora mais "blindada" contra
crises, com mais reservas e indicadores econômicos melhores.
Entre os países da região, o Brasil vive uma situação
confortável, com níveis recordes de reservas e menor dependência
do setor externo para crescer, diz a FGV. Talvez por isso o país seja
um dos mais bem avaliados da região: o índice de clima econômico
(6,4) é o quarto mais alto, ao lado do do Paraguai.
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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de fevereiro de 2008 | Economia
Brasil preparado para portabilidade
Cintia Végas
A partir de março do
próximo ano, de acordo com a resolução 460 da Anatel
(Agência Nacional de Telecomunicações), começa
a valer no Brasil a portabilidade numérica dentro da telefonia
celular. Com isso, os números de celulares irão passar
a pertencer aos clientes e não mais às empresas de telefonia,
que já começam a adotar medidas para se adaptar à mudança.
Ontem, o assunto foi tema de
um encontro do comitê de telecomunicações da Amcham-Curitiba
(Câmara Americana de Comércio). Segundo um dos participantes
do evento, o engenheiro em telecomunicações da Embratel
(Empresa Brasileira de Telecomunicações) Adílson
Pogan, já em dezembro deste ano será feita uma implantação
prévia da portabilidade em algumas regiões brasileiras.
No Paraná, isto deve ser realizado na região de Londrina.
“A implantação
prévia servirá para que as empresas possam prever os impactos
da portabilidade. Em função da mudança, elas já estão
na fase de implantação de equipamentos e testes em rede.
A portabilidade deve exigir um investimento alto por parte das operadoras
de telefonia celular. Porém, o valor deve variar bastante de empresa
para empresa, assim como o tempo de retorno do dinheiro investido”,
comenta.
As empresas também já começam
a se preparar comercialmente para a mudança. Isto implica em uma
análise das oportunidades e ameaças que a implantação
da portabilidade deve trazer. “Com o vigor da portabilidade, as
empresas poderão buscar clientes de outras operadoras. Porém,
também terão suas próprias carteiras de clientes
ameaçadas. Isto deve aumentar a competitividade dentro do setor
de telefonia celular, gerando ganhos aos clientes.”
De acordo com Adílson,
a portabilidade foi adotada pela primeira vez em 1997, em Singapura.
Hoje, ela já vigora na comunidade européia, nos Estados
Unidos, África do Sul, Canadá, entre uma série
de outros países. No Brasil, as discussões relativas
ao assunto começaram há cerca de cinco anos. Entretanto,
a complexidade da rede fez com que as mesmas tivessem que ser amadurecidas
antes de se decidir pela implantação.
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Gazeta do Povo, 21 de fevereiro
de 2008
BRASIL | MENSALÃO
Jefferson arrola como testemunhas Lula, Aécio e FHC
Rio – O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva encabeça a lista de 33 testemunhas que o ex-deputado Roberto
Jefferson (PTB-RJ) indicou para serem ouvidas em sua defesa prévia no
processo do mensalão, apresentada terça-feira à Justiça.
No documento, além de Lula são arrolados como testemunhas outros
nomes de peso na política, como o da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma
Rousseff, o do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o do
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Jefferson se declara inocente
dos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro.
Ele teve o mandato cassado por causa das denúncias e é um
dos 40 réus no inquérito criminal que corre no Supremo
Tribunal Federal (STF) sobre o mensalão.
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Gazeta do Povo, 21 de fevereiro
de 2008
BRASIL | PAC
Traficantes indicam quem disputará emprego
no Rio
Programa deve criar 1,5 mil postos de trabalho
em Manguinhos
Rio de Janeiro – Traficantes de drogas de Manguinhos estariam pré-selecionando
os moradores que podem fazer o cadastro para emprego nas obras do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC) na comunidade. De acordo com
reportagem da Rádio CBN, a denúncia teria sido feita por moradores
do local, que estariam sendo impedidos de entrar na fila para fazer a inscrição,
que termina na sexta-feira. Ainda de acordo com a Rádio CBN, os traficantes
estariam vigiando quem entra ou não na fila, para ter certeza que só quem
eles selecionaram está se inscrevendo. O PAC deve gerar em todo o Complexo
de Manguinhos cerca de 1.500 vagas de emprego.
Ontem, terceiro dia de inscrições,
desde a manhã cerca de 800 pessoas já estavam na fila do
cadastro para no posto da Secretaria de Trabalhos, na quadra da escola
de samba Unidos de Manguinhos. Para agilizar o atendimento, desde a terça-feira
o governo aumentou o número de atendentes de nove para 15.
Logo no primeiro dia de inscrições,
na segunda-feira, o atendimento precisou ser encerrado mais cedo por
causa de um tiroteio entre policiais e traficantes. Um dos disparos atingiu
o trailer onde eram feitas as inscrições e destruiu um
computador, e os estilhaços atingiram as costas de um dos sete
atendentes. Apesar disso, a Secretaria Estadual de Trabalho e Renda não
solicitou reforço no policiamento. Na terça-feira, o comandante
de Policiamento da Capital, Marcus Jardim, visitou o local e afirmou
que o tiroteio era um fato isolado e pontual.
O PAC vai contar com o reforço
do policiamento nas comunidades beneficiadas pelas obras e até a
Marinha vai apoiar a polícia durante a implementação
do programa. Na semana passada, 7 mil policiais, bombeiros e agentes
penitenciários já haviam se inscrito para o Programa Bolsa
Formação, destinado à qualificação
profissional para quem for atuar nas comunidades durante as obras.
As obras do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC) só devem começar
no dia 7 de março na Favela de Manguinhos, na zona norte do
Rio, mas já alteram a rotina dos moradores da comunidade. Pelo
projeto, serão construídos centros de integração,
postos de saúde, duas escolas de ensino médio, uma padrão
e outra de referência, uma biblioteca pública, uma escola
técnica e duas creches de ensino infantil. No total, 1.871 casas
serão demolidas.
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Gazeta do Povo, 21 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | PREVISÃO
Banco Central dos EUA vê cenário
pior
São Paulo – O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados
Unidos) informou que persistem os riscos de desaceleração da
economia do país, apesar dos últimos cortes nos juros, e reduziu
a sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). O banco
central dos Estados Unidos estima agora que a economia do país crescerá entre
1,3% e 2% neste ano – em outubro do ano passado, previa uma expansão
de 1,8% a 2,5%.
“Sem sinais de estabilização
do setor imobiliário e com as condições financeiras
ainda não estabilizadas, o Fomc [comitê do BC americano
que define os juros] concordou que os riscos negativos para o crescimento
continuam inalterados depois dessa ação”, afirma
a ata da reunião do Fed nos dias 29 e 30 de janeiro. Nessa ocasião,
o banco central dos EUA cortou os juros em 0,50 ponto porcentual, para
3%. Uma semana antes, o órgão havia reduzido a taxa em
0,75 ponto porcentual em encontro extraordinário – o primeiro
desde 2001.
Ontem também foram
divulgados os dados da inflação ao consumidor (CPI),
que apontaram alta de 0,4% no mês passado. Nos 12 meses encerrados
em janeiro, o índice subiu 4,3% – muito acima da meta
do Fed, que é de inflação de até 2%.
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Folha
de São Paulo, 21 de fevereiro de 2008
TRANSIÇÃO EM CUBA / RELAÇÃO
COM OS EUA
Congresso chamará Casa Branca
para rever embargo
Iniciativa é de democrata e conta
com apoio cada vez maior na bancada opositora
| Em questionário de 2003, Obama defendeu o fim da política, que
chamou de "isolacionista"; peso da Flórida vai contra mudança
Alejandro Ernesto/Efe

A frota pré-revolucionária
cubana sob cartaz contra a "agressão" americana em Havana;
embargo foi resposta a nacionalizações, em 1962
SÉRGIO DÁVILA
ENVIADO ESPECIAL A MIAMI (FLÓRIDA)
O Congresso americano deve chamar funcionários do governo de George
W. Bush para explicar a atual política do país em relação
a Cuba. O objetivo da ação, liderada pelo democrata Howard Berman,
da Califórnia, é rever o embargo econômico, financeiro
e comercial imposto pelos Estados Unidos à ilha desde 1962.
" Queremos ouvir representantes do governo e especialistas de fora para
ter a dimensão do impacto da renúncia de Fidel e para rever a política
dos EUA em relação à ilha", disse Berman, presidente
interino da Comissão de Relações Exteriores da Câmara
dos Representantes. Para ele, a renúncia do ditador cubano aos cargos
no Executivo da ilha, anuncida anteontem, é "uma excelente oportunidade
para o país injetar criatividade e novas idéias" nas relações
com o vizinho.
Entre os chamados a testemunhar devem estar o secretário do Comércio
dos EUA, Carlos Gutiérrez, o único cubano-americano do gabinete
de Bush e ferrenho defensor do embargo, Thomas Shannon, número 1 para
a América Latina do Departamento de Estado, e Caleb McCarry, chefe da
Comissão de Assistência para uma Cuba Livre, criada em 2003, com
orçamento de US$ 80 milhões.
Berman não está sozinho. Anteontem, 104 congressistas mandaram
carta à secretária de Estado, Condoleezza Rice, pedindo "revisão
completa" da política. Entre os signatários, está o
republicano Jeff Flake, do Arizona. "Se esse novo capítulo [nas
relações bilaterais] vai ser aberto, depende grandemente de uma
nova abordagem de Cuba pelo governo dos Estados Unidos", disse ele.
No Senado, a corrente começa a ganhar força. "O embargo é uma
das políticas externas mais ineficazes e de resultados mais negativos
da história", disse o democrata e ex-pré-candidato à Presidência
Chris Dodd. O fim da medida dependeria de mudanças na atual lei, que
só seriam aprovadas por maioria, o que os democratas têm em ambas
as Casas.
Por fim, há o lobby do negócio. Empresas de infra-estrutura e
turismo e a agroindústria fazem cada vez mais pressão política
para que seja permitida a entrada num país de 11 milhões de pessoas
que fica a apenas 145 km da Flórida.
Ainda assim, qualquer mudança, se houver, não deve ser para já. "Não
espere um fim do embargo para esse ano", disse à Folha Brian Latell,
autor de uma das principais biografias de Raúl Castro, "After Fidel".
" Pode sair no ano que vem, dependendo de quem for eleito presidente e da
relação dele ou dela com o Congresso."
Peso da Flórida
De fato, o assunto é espinhoso por diversos motivos para os três
candidatos na corrida sucessória de Bush. John McCain ganhou as primárias
da Flórida após importante apoio do governador local, Charlie
Crist, que é a favor do embargo. Nas eleições de novembro,
o Estado voltará a exercer seu peso eleitoral, alimentado pela comunidade
cubano-americana, calculada em 500 mil pessoas.
Já os democratas Barack Obama e Hillary Clinton ainda brigam pelos delegados
das primárias do Estado -sem efeito pois realizadas antes da data determinada
pela direção do partido, apesar de vencidas pela ex-primeira-dama.
Uma vitória aqui em novembro pode ser decisiva, como mostrou a eleição
de Bush em 2000.
Esse foi um dos motivos que levou os três a se manifestar sobre o assunto.
McCain deu mostras de que seguirá a política de Bush; Hillary
ficou mais ao centro, pedindo que primeiro o governo de Cuba faça mudanças,
e Obama foi o mais receptivo a um diálogo.
Obama havia sido mais explícito num questionário que o então
candidato ao senado por Illinois respondeu em 2003. À pergunta "você apoia
o Ato Helms-Burton [que endurece ainda mais o embargo]", respondeu: "Não,
essa legislação só faz de nossos aliados adversários
e perpetua nossa política externa isolacionista".
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Folha de São Paulo, 21 de fevereiro
de 2008
Conflito impede apreensão
de madeira ilegal no Pará
Manifestantes pró-madeireiros enfrentaram
policiais na cidade de Tailândia | Grupo encurralou fiscais,
incendiou carro e barrou a saída de toras confiscadas pelo
Ibama; governo diz que não desistirá da operação
JOSÉ EDUARDO RONDON
DA AGÊNCIA FOLHA
Servidores do Ibama e da Secretaria do Meio Ambiente do Pará interromperam
a operação de fiscalização contra a extração
ilegal de madeira que realizavam na região de Tailândia (218 km
de Belém), após uma série de protestos de madeireiros.
Anteontem houve confronto entre policiais militares e manifestantes.
A suspensão temporária dos trabalhos ocorreu em razão
da falta de segurança para as equipes de fiscalização
que estão na região, segundo a Secretaria do Meio Ambiente do
Pará.
Durante os protestos, anteontem, uma equipe de fiscais dos governos federal
e estadual foi impedida pelos manifestantes de sair de uma serraria. Os servidores
só conseguiram deixar o local após a chegada da Polícia
Militar.
Enquanto os fiscais permaneciam no interior da serraria, um grupo de pessoas
tentou invadir o local para tentar atear fogo ao caminhão que deveria
retirar a madeira ilegal apreendida na empresa.
Em outros pontos da cidade, policiais militares e moradores entraram em confronto.
Balas de borracha foram disparadas. Um carro foi incendiado. Não houve
informações de feridos.
" A tropa de choque foi agredida com pedras e revidou com munição
de borracha", disse o tenente-coronel Luís Barbosa, da Polícia
Militar do Pará.
Quatro pessoas foram presas ontem sob suspeita de participação
em atos de vandalismo ocorridos na cidade.
A reportagem não conseguiu contato com representantes dos madeireiros
ontem.
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis)
do Pará disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que a operação
de fiscalização será retomada, mas, por medida de segurança,
não haverá anúncio de quando os fiscais retornarão à região
de Tailândia.
Desde a semana passada, cerca de 13 mil metros cúbicos de madeira extraída
irregularmente foram apreendidos em fiscalizações no município.
Os madeireiros, com o apoio de parte da população, fizeram os
protestos para evitar que a madeira apreendida fosse retirada da cidade pelos
fiscais.
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), disse anteontem
que o governo não irá retroceder na retirada da madeira de Tailândia. "Pode
demorar 15, 40, 60 dias, mas vamos retirar", afirmou.
Segundo ela, que fez críticas a madeireiros da região, as ações
que o grupo tem promovido "não irão intimidar" o governo. "Eu
não vou colocar em risco a vida de ninguém. Não vou deixar
que inocentes morram por irresponsabilidade de pessoas que estão acostumadas
a viver na ilegalidade."
Após as equipes do Ibama e da Secretaria do Meio Ambiente deixarem o
município na terça-feira, as manifestações contrárias à operação
se encerraram. Na tarde de ontem cerca de 200 policiais militares estavam no
município, segundo estimativa da Secretaria da Segurança Pública
do Pará.
A secretaria informou, via assessoria de imprensa, que até o final da
tarde de ontem o governo do Estado não havia requisitado ao governo
federal apoio para o retorno da operação de fiscalização
na região.
A Polícia Federal, em Brasília, disse que seu contingente de
policiais federais no Pará está de prontidão caso seja
necessária a participação na operação em
Tailândia.
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Folha de São Paulo, 21 de fevereiro
de 2008
PREVIDÊNCIA SOCIAL
PF desarticula grupo acusado de
fraude de R$ 14 mi ao INSS
DA AGÊNCIA FOLHA, EM
MANAUS
Uma força-tarefa da Previdência Social e da Polícia Federal
desarticulou ontem, em Manaus (AM), uma organização criminosa
suspeita de fraudar, nos últimos oito meses, 43 benefícios de
auxílio-doença e aposentadoria por invalidez, no valor total
de R$ 14 milhões.
Dez pessoas foram presas temporariamente, cinco médicos, dois servidores
do INSS e três acusados de intermediar o esquema.
A fraude foi descoberta em maio de 2007. Até janeiro deste ano, R$ 1,2
milhão foram sacados pela quadrilha das contas da Previdência. "Como
a maioria dos benefícios era vitalício, o prejuízo poderia
chegar a R$ 14 milhões", disse André Fidelis, gerente regional
do INSS em Brasília.
O delegado Josafá Batista Reis, da Delegacia de Repressão a Crimes
Previdenciários, disse que as fraudes aconteciam nas agências
do INSS. Segundo ele, os beneficiários foram aliciados por intermediários,
que ofereciam vantagens para recebimento das aposentadorias ou auxílio-doença
entre R$ 1.500 e R$ 20 mil. A documentação era falsificada pelos
médicos e peritos.
A PF do Amazonas não revelou o nome dos 43 beneficiários do esquema
porque não concluiu as investigações. Todos são
suspeitos de formação de quadrilha, estelionato, corrupção
passiva e ativa, falsificação de documentos e prevaricação.
(KÁTIA BRASIL)
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Agência Câmara,
21 de fevereiro de 2008
Projeto prevê exame de próstata
para trabalhadores
Edson Santos

Clodovil: por falha na prevenção, milhares de mortes
ocorrem a cada ano
O Projeto de Lei 2374/07, do deputado Clodovil Hernandes (PR-SP), inclui entre
os exames que devem ser oferecidos ao trabalhador, por conta do empregador,
o exame de próstata para homens a partir dos 40 anos de idade. Segundo
a proposta, caso o exame apresente resultado positivo, o trabalhador deverá receber
o tratamento psicológico necessário.
O projeto altera a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT - Decreto-Lei 5.452/43), que hoje estabelece
a realização de exame médico, por conta do empregador,
na ocasião da demissão e da admissão do funcionário
e também periodicamente. Um dos objetivos desses exames é verificar
a capacidade ou aptidão física e mental do empregado para
a função que deva exercer. Entre eles, geralmente se incluem
a medição da pressão arterial e hemograma.
Segundo o deputado, seu propósito é ampliar
a prevenção do câncer da próstata. "Atualmente,
essa prevenção enfrenta graves empecilhos, o que provoca
milhares de mortes a cada ano", diz Clodovil. Ele cita as dificuldades
de acesso que os homens encontram para esse tipo de exame, além
do medo e do preconceito que o cercam.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será examinado pelas
Comissões de Seguridade Social e Família; de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
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CONSULTOR JURÍDICO,
21 de fevereiro de 2008
União sem defesa
Sindicalistas da AGU ameaçam
deixar cargos de chefia
por Aline Pinheiro
Depois de 35 dias de greve, os
advogados públicos federais que acumulam postos como dirigentes
em órgãos sindicais da carreira com cargos administrativos
no órgão ensaiam um pedido coletivo de afastamento dos
cargos comissionados que ocupam na Advocacia Geral da União. A
idéia surgiu na assembléia do grupo no dia 14 de fevereiro,
no Distrito Federal, e foi ratificada pelas assembléias estaduais.
Já foram, inclusive, encaminhados modelos de pedidos de exoneração
coletiva e de “termo de compromisso ético de não
assunção de encargo, cargo comissionado ou função
gratificada” para o Fórum Nacional da Advocacia Pública
Federal.
A idéia do grupo é reunir
a assinatura de todos os advogados públicos em cargos comissionados
até sexta-feira da próxima semana (29/2). Depois, o pedido
coletivo de demissão seria encaminhado à diretoria da Advocacia-Geral
da União.
Em razão da greve, na
noite desta terça-feira (19/2), o procurador-geral da União
Luiz Henrique Martins dos Anjos perdeu o cargo. Jefferson Caruso Guedes
foi nomeado, nesta quarta-feira (20/2), o novo PGU.
A origem da greve estaria em
um acordo de reajuste salarial não cumprido pelo governo: um aumento
salarial de 25% a partir de novembro do ano passado. Mas ganhou força
por outras razões. Uma delas foi a intensificação
de disputas internas entre os grupos vitaminados pela politização
da carreira. Na esteira desse processo, começaram a se suceder
atritos com ministérios num quadro em que o principal cliente
da Advocacia Pública ficou em segundo plano. O confronto foi estabelecido.
A AGU é responsável
pela defesa dos cofres públicos em mais de 20 milhões de
processos. A maior parte (60% das ações), segundo apurou
o jornal Valor Econômico, é de demandas dos próprios
servidores públicos que cobram benefícios e reajustes salariais.
O salário inicial do advogado da União é maior que
o do presidente da República (R$ 12 mil contra R$ 11 mil de Lula)
O poder de pressão
dos guardiões do erário é grande. A golpes de
greves, eles conseguiram a aprovação do projeto que reajusta
as carreiras e cria uma elevação progressiva do salário
inicial, de R$ 7,8 mil, em 2006, para R$ 17 mil, em 2009. O objetivo é justamente
evitar a saída de advogados concursados para outras carreiras,
como Ministério Público e magistratura federal, onde
a remuneração inicial é de R$ 21 mil. E também
para o setor privado, onde um advogado experiente em um grande escritório
recebe pelo menos R$ 20 mil, valor multiplicado caso ele se torne sócio.
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CONSULTOR JURÍDICO,
21 de fevereiro de 2008
Presos ao trabalho
MPF denuncia quatro pessoas por trabalho
escravo em GO
O Ministério Público Federal no Distrito Federal denunciou à Justiça
quatro pessoas acusadas de submeter trabalhadores à condição
de escravos no município de Cabeceiras (GO). Elas devem responder por
aliciamento de trabalhadores, exploração de trabalho escravo
e frustração de direito trabalhista. As penas podem chegar a
oito anos de prisão, além de multa.
O Ministério do Trabalho
conta que, em fevereiro de 2000, já havia constatado que o fazendeiro
Wilson Batista mantinha em sua propriedade mais de 200 pessoas em condições
degradantes. Elas teriam sido trazidas de Minas Gerais em três ônibus
e na carroceria de um caminhão por gatos contratados pelo fazendeiro.
Entre os aliciados, estavam índios e crianças.
De acordo com a denúncia,
as instalações do alojamento onde o grupo vivia eram péssimas.
Não havia colchões para todos e os sanitários não
funcionavam. Além da sujeira e do mau-cheiro, as marmitas fornecidas
muitas vezes estavam estragadas, diz o MPF.
Segundo a denúncia, os
trabalhadores foram aliciados com a promessa de que o pagamento seria
feito quinzenalmente. Eles receberiam entre R$ 7 e R$ 10 por tarefa cumprida.
Ao chegarem à fazenda, porém, foram informados de que o
dinheiro seria pago apenas depois da colheita, que dura aproximadamente
dois meses.
Sem dinheiro, os trabalhadores
foram obrigados a se endividar com um dos "gatos" para ter
acesso a produtos de higiene como pasta de dente, sabonete, etc., conta
o MPF. As mercadorias eram vendidas a preços acima do valor de
mercado. Diante das dívidas contraídas, os lavradores eram
impedidos de deixar a fazenda.
Além de Wilson Batista,
foram denunciados José Caetano Barbosa (Zé do Firmo),
Antônio Almeida Nogueira (Netão) e uma quarta pessoa conhecida
como Edvaldo, ainda não localizada. A denúncia será analisada
pela Vara Única da Subseção Judiciária
de Luziânia (DF).
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NCST, 21 de fevereiro de
2008
Perda de vasilhames de empresa não
dá direito a desconto em salário
A 4ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 3ª Região
(Minas Gerais) manteve sentença que condenou uma empregadora a restituir
a um funcionário os valores descontados indevidamente do seu salário
pela perda de vasilhames da empresa.
De acordo com o relator do recurso,
juiz convocado José Eduardo de Resende Chaves Júnior, os
descontos nos salários do autor relativos à perda de vasilhames
por quebra ou furto não são legais, ainda que isto esteja
previsto no contrato de trabalho, pois essa previsão não
se sobrepõe à lei. Ele lembra que o artigo 462 da CLT (Consolidação
das Leis do Trabalho) veda expressamente ao empregador efetuar qualquer
desconto nos salários do empregado, “salvo quando este resultar
de adiantamentos, de dispositivos de lei ou de contrato coletivo”.
De acordo com informações
do regional, o juiz ressaltou também que não havia provas
contundentes de que qualquer vale ou adiantamento tenha sido repassado
ao trabalhador, como alegado pela empresa no recurso. “A pretensão
de não devolver os descontos indevidos não tem amparo,
especialmente quando observar-se que o risco econômico é da
empresa”, frisou o relator, negando provimento ao recurso.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
21/02/2008
Salário efetivo será base
para cálculo de adicional de insalubridade
Fixar como base de cálculo
do adicional de insalubridade o salário recebido pelo trabalhador
que ajuizou a ação. Esse foi o resultado de embargos em
recurso de revista julgados pela Seção Especializada em
Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho,
depois de o processo ter passado pelo Supremo Tribunal Federal. Ao apreciar
recurso extraordinário, o STF observou que sua jurisprudência
impede a adoção do salário mínimo como base
de cálculo para qualquer outra relação jurídica
de caráter pecuniário, em observância ao inciso IV
do artigo 7º da Constituição Federal.
O STF determinou, ainda, que
o TST estabelecesse novo parâmetro para o cálculo do adicional.
Com essa decisão, a SDI-1 teve de aplicar, por analogia, a Súmula
nº 191 do TST, disciplinadora do adicional de periculosidade. Segundo
análise da relatora, ministra Maria de Assis Calsing, não
havia nenhuma informação no processo sobre a percepção
de salário profissional ou normativo (situação em
que é fixado um salário-base para a categoria), hipótese
de que trata a Súmula nº 17 do TST. A solução,
então, foi estabelecer a apuração do adicional de
insalubridade sobre o salário recebido pelo empregado.
Antes de ir ao STF, o processo
passou pela Quinta Turma do TST, que decidiu ser o salário mínimo
a base para o cálculo da insalubridade, conforme a Orientação
Jurisprudencial nº 2 da SDI-1 e do artigo 192 da CLT. O trabalhador
recorreu à SDI-1, que manteve a decisão. O caso foi então
levado ao Supremo Tribunal Federal pelo empregado da Companhia Siderúrgica
de Tubarão (CST).
O processo
Admitido na CST como anotador
de pesagem de matérias-primas em agosto de 1989, o empregado não
recebia adicional de insalubridade porque, segundo a empresa, o trabalho
era salubre. Posteriormente, passou a exercer a função
de operador de equipamentos de tratamento de coque (carvão). Nessa
nova situação, recebeu o adicional em grau máximo
(40%) sobre o salário mínimo, conforme laudos técnicos
da Delegacia Regional do Trabalho.
Dispensado em abril de 1995,
o trabalhador pleiteou na 7ª Vara do Trabalho de Vitória
(ES) o recebimento do adicional de insalubridade calculado sobre sua
remuneração, e não sobre o salário mínimo,
e ainda horas extras e reajustes salariais referentes a planos econômicos.
O juiz julgou procedente o pedido quanto ao adicional de insalubridade
e concedeu-lhe as diferenças e reflexos resultantes do cálculo
sobre a remuneração do trabalhador, e não mais sobre
o salário mínimo, a partir de 1º de junho de 1993.
Alguns dos demais pedidos foram julgados improcedentes.
Trabalhador e empresa recorreram
ao Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES), que
concedeu diferenças do Plano Collor ao empregado e negou provimento
ao recurso da CST quanto ao adicional de insalubridade. A empresa recorreu,
e a Quinta Turma alterou a sentença, fixando como base de cálculo
o salário mínimo. (E-RR-482613/1998.3)
(Lourdes Tavares)
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21/02/2008
Dano moral por doença profissional
exige comprovação de culpa da empresa
Ao reformar a decisão
do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), a Sétima
Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em processo contra a Philip Morris
Brasil Indústria e Comércio Ltda., entendeu não
haver comprovação de culpa da empresa que justificasse
sua condenação em dano moral relativo à aquisição
de distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT)
de ex-empregada da empresa.
Admitida em 1993 como auxiliar
de produção, a empregada, posteriormente, passou a operadora
de máquina II – empacotadeira. Na inicial, afirmou que,
ao ser contratada, gozava de perfeita saúde, mas ao desempenhar
tarefas que exigiam utilização repetitiva, continuada e
forçada dos membros superiores, com postura inadequada e submetida
a constantes tensões, foi acometida de doença ocupacional,
quadro compatível com DORT.
Quando as dores intensas nos
braços tornaram difícil a execução das tarefas,
a empregada iniciou tratamento, submetendo-se a sessões de fisioterapia
combinadas ao uso de medicação. Houve relativa melhora
do quadro, mas a empresa, segundo a trabalhadora, não tomou providências
para evitar o agravamento do distúrbio. Foi afastada do trabalho
e passou a receber auxílio-doença do INSS e, em 2002, aposentada
por invalidez.
Sentindo-se lesada, a empregada
ajuizou a ação requerendo indenização por
danos morais e materiais. A 1ª Vara do Trabalho de Santa Cruz do
Sul (RS) julgou o pedido procedente, em parte, e condenou a empresa a
pagar indenização por danos morais decorrentes de acidente
de trabalho no valor de R$ 26 mil. O TRT/RS manteve a condenação.
Baseando-se em laudos médicos apresentados pela Phillip Morris,
o Regional concluiu pela existência de nexo causal entre o trabalho
e a doença, e considerou desnecessária a realização
de perícia médica – que não foi requerida
pela empresa anteriormente sob a alegação de que a comprovação
pericial caberia à empregada.
Por discordar da decisão
e com o objetivo de revertê-la, a empresa recorreu ao TST. Sustentou
que, para a condenação em dano moral, não basta
a comprovação do dano e da relação entre
a doença e o trabalho: seria preciso comprovar também a
culpa, que no caso foi apenas presumida. Não teria ficado provado,
também, o prejuízo à honra e à imagem da
trabalhadora.
Responsabilidade subjetiva
O relator do recurso, ministro
Ives Gandra Martins Filho, observou que, no caso, verificou-se apenas
a existência do dano (a doença) e o nexo de causalidade
entre este e as atividades executadas. “Embora a doutrina esteja
dividida entre as correntes da responsabilidade objetiva e subjetiva
a jurisprudência tem adotado a teoria subjetiva, submetendo o caso
concreto à verificação da existência de culpa
ou dolo na conduta patronal”, afirmou, citando precedentes da Primeira,
da Segunda e da Quarta Turmas do TST.
“Na forma em que foram
colocados os fatos pelo TRT/RS, não há como se atribuir
responsabilidade à empresa pelos danos morais e materiais com
base em presunção de culpa, de vez que não provada”,
concluiu. Por unanimidade, a Turma julgou improcedentes os pedidos e
absolveu a empresa da condenação. (RR-1612/2005-731-04-00.6)
(Lourdes Côrtes)

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