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Agência Câmara,
23 de fevereiro de 2008
Proposta permite retomada de
showmício em campanha
J. Batista
Edigar Mão Branca defende
que os partidos escolham como gastar seus recursos, dentro
dos limites permitidos.
O Projeto de Lei 2432/07, do deputado Edigar Mão Branca (PV-BA),
altera a Lei Eleitoral (9.504/97) para voltar a permitir a realização
dos chamados showmícios durante as campanhas eleitorais. Esse
tipo de propaganda nas campanhas foi proibido pela Lei 11.300/06, com
o objetivo de reduzir os custos.
Na opinião de Mão Branca, não há porque
manter a vedação. "Se adotados os limites
máximos de gastos permitidos, deve-se deixar a critério
dos partidos a escolha das despesas que lhes pareçam
mais adequadas", defende. Desse modo, segundo ele, não
haverá quebra do equilíbrio entre as legendas,
apenas maior flexibilidade no tipo de propaganda que cada
uma poderá adotar.
O deputado afirma ainda que a música é grande
geradora de emprego e renda. "Salvador, por exemplo,
capital do meu estado, tem hoje mais de um milhão
de pessoas envolvidas com música", diz. Em sua
concepção, manter a legislação
atual seria discriminar esses profissionais. "Afinal,
na época das eleições, profissionais
de todas as áreas trabalham. Menos os músicos",
sustenta.
Tramitação
Tramitando em regime de prioridade, o projeto terá análise
conjunta com o PL 5710/05, do ex-deputado Nilton Capixaba, que proíbe
a produção de espetáculos musicais, o uso de outdoors
e a distribuição de brindes nas campanhas políticas.
Essa proposta, por sua vez, tramita apensada ao PL 5678/05,
do ex-deputado Durval Orlato, que proíbe o uso de
outdoors, regulamenta a distribuição de material
de publicidade, e reduz para 60 dias o período de
campanha eleitoral. Hoje a duração é de
90 dias. Os projetos serão analisados pela Comissão
de Constituição e Justiça e de Cidadania
antes de serem votados pelo Plenário.
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Agência Câmara,
23 de fevereiro de 2008
Licença-paternidade
pode passar para 30 dias
Otávio Praxedes
Maria do Rosário ressalta
a necessidade da presença do pai nos primeiros dias
de vida de um recém-nascido.
A licença-paternidade pode aumentar dos atuais 5 para 30 dias.
Essa proposta consta do Projeto de Lei 2430/07, da deputada Maria do
Rosário (PT-RS). O texto regulamenta o artigo 7º da Constituição
Federal, altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT
- Decreto-Lei nº 5.452/43) e modifica a Lei 8.112/90, que instituiu
o regime jurídico dos servidores públicos.
O projeto define que o pai trabalhador terá direito
a 30 dias consecutivos de licença, por ocasião
do nascimento do filho. A deputada ainda estendeu o benefício
ao pai adotante, que terá direito também à licença
a contar da data de adoção da criança.
O benefício abrange trabalhadores regidos pela CLT
e os servidores públicos.
Falta de regulamentação
Maria do Rosário lembra que a Constituição Federal,
no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias,
prevê que o prazo da licença-paternidade será de
cinco dias, até que uma nova lei venha disciplinar o benefício.
Com relação aos trabalhadores regidos pela CLT, o direito à licença-paternidade
também aguarda regulamentação.
"Enquanto isso, vem sendo aplicada a citada regra constitucional
de natureza transitória", lembra a deputada.
Maria do Rosário afirma que o projeto apresentado
pretende disciplinar o direito contido na Constituição.
Integração da família
A deputada argumenta que os primeiros dias de vida de um recém-nascido
e, nos casos de crianças adotadas, as primeiras semanas de convivência
com a família adotante demandam uma união familiar no
sentido de estreitar laços, criar vínculos e promover
o convívio e a integração da criança e
seus pais.
"A ausência paterna sobrecarrega a mãe,
que se encontra no delicado período puerperal, cuja
duração é de 30 a 45 dias após
o parto, com limitações físicas e carências
psíquicas", explica a deputada. O mesmo vale,
segundo ela, para a mãe adotante, que se encontra
em fase de adaptação à nova realidade
familiar e demanda a presença e a participação
ativa do pai adotante no desenvolvimento da criança.
Tramitação
A proposta tramita apensada ao PL 4402/04, da ex-deputada Jandira Feghali,
que por sua vez tramita em conjunto com outros projetos, que tratam
da licença-paternidade. A matéria está pronta
para ser analisada pelo Plenário.
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Agência Câmara,
23 de fevereiro de 2008
Trabalhador poderá decidir
se paga contribuição sindical
Gilberto Nascimento
Para Augusto Carvalho, a contribuição é um
imposto e simboliza a dependência sindical frente ao
Estado.
O Projeto de Lei 2424/07, do deputado Augusto Carvalho (PPS-DF), condiciona
o recolhimento da contribuição sindical à prévia
autorização do trabalhador. A proposta altera a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT - Decreto-Lei 5.452/43), que atualmente determina
a obrigatoriedade do recolhimento anual dessa contribuição.
Augusto Carvalho foi autor de emenda, com o mesmo objetivo
dessa proposta, ao PL 1990/07, que legaliza as centrais sindicais.
O projeto foi aprovado pela Câmara em outubro de 2007,
mas o dispositivo foi derrubado no Senado. A proposta está de
novo em análise na Câmara, que poderá restabelecer
o texto aprovado anteriormente.
A contribuição sindical é devida por
todos aqueles que participarem de uma determinada categoria
econômica ou profissional do setor privado ou de uma
profissão liberal. Ela é recolhida de uma só vez,
anualmente. No caso dos trabalhadores, equivale a um dia
de trabalho, qualquer que seja a forma de remuneração.
Para os empregadores, é calculada proporcionalmente
ao capital social da firma ou empresa, mediante a aplicação
de alíquotas que vão de 0,02% a 0,08%, em uma
tabela progressiva.
Autonomia
O autor da proposta lembra que a plena autonomia sindical é "das
mais justas e antigas" reivindicações da sociedade
brasileira. Ele observa que a Constituição de 1988 pretendeu
estatuir essa autonomia. "E o fez de maneira quase perfeita, quando
excluiu a intervenção do Estado na criação
de qualquer entidade sindical. Sucede que essa autonomia não
chegou, contudo, a ser plena, vez que foi mantida a contribuição
sindical prevista na CLT."
A contribuição - "de fato, um imposto",
na opinião de Carvalho - é cobrada e distribuída
entre sindicatos (60%), federações (15%) e
confederações (5%), ficando os restantes 20%
entregues ao governo, por meio da Conta Especial Emprego/Salário
do Ministério do Trabalho.
"É fato que se tentou, no processo constituinte,
a eliminação desse imposto extravagante, símbolo
maior da dependência sindical frente ao aparato do
Estado. Não alcançamos êxito", lamenta
o parlamentar. Seu objetivo, acrescenta, "é garantir
espontaneidade aos empregados, empregadores e trabalhadores
autônomos e avulsos, condicionando o desconto da contribuição
sindical à autorização individual dos
contribuintes".
Tramitação
O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas
comissões de Trabalho, de Administração e Serviço
Público; de Finanças e Tributação; e de
Constituição e Justiça e de Cidadania.
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Agência Câmara,
23 de fevereiro de 2008
Proposta dispensa obrigatoriedade
do exame da OAB
Edson Santos
Bolsonaro: exigência inconstitucional
O Projeto de Lei 2426/07, do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), prevê o
fim da obrigatoriedade de aprovação no exame da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB) para que o bacharel em Direito possa exercer
a profissão de advogado. Atualmente, se não for aprovado
no exame, o candidato não pode advogar.
Bolsonaro afirma que, de acordo com a Constituição,
só as faculdades reconhecidas pelo Ministério
da Educação (MEC) podem qualificar os alunos
para o exercício da profissão. Ele considera,
portanto, que é inconstitucional a exigência
de aprovação do exame da OAB, prevista no Estatuto
da Advocacia (Lei 8.906/94).
Exercício da advocacia
Além do exame de ordem, o Estatuto da Advocacia estabelece como
exigência para exercer a profissão:
- capacidade civil;
- diploma ou certidão de graduação em Direito,
obtido em instituição de ensino oficialmente autorizada
e credenciada;
- título de eleitor e quitação do serviço
militar, se brasileiro;
- não exercer atividade incompatível com a advocacia;
- idoneidade moral atestada pelo Conselho da OAB, comprovando que o
candidato não teve nenhuma condenação;
- prestar compromisso perante o Conselho da OAB.
Tramitação
O projeto foi apensado ao PL 5054/05. Os projetos tramitam em caráter
conclusivo na Comissão de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
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Agência Diap, 23
de fevereiro de 2008
CARTA DE 88
Câmara avaliará artigos
não regulamentados da Constituição
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP),
vai criar uma comissão para analisar todos os artigos
ainda não regulamentados da Constituição
de 1988. Chinaglia fez o anúncio no último
dia 12 de fevereiro ao inaugurar o Portal da Constituição
Cidadã, disponível no site da Câmara.
O presidente informou que o deputado Michel Temer (PMDB/SP)
coordenará uma comissão de ex-presidentes
da Casa para tratar da regulamentação da
Constituição. A relatoria caberá ao
deputado João Paulo Cunha (PT/SP), que presidiu
a Câmara em 2003 e 2004.
Os ex-presidentes Ibsen Pinheiro (PMDB/SP), Aldo Rebelo
(PCdoB/SP) e Inocêncio Oliveira (PR/PE) também
participarão da comissão, além do
deputado Cândido Vaccarezza (PT/SP), que coordena
o Grupo de Trabalho para Consolidação das
Leis. Chinaglia convidou ainda para integrar o grupo o
ex-presidente do Congresso e ex-vice-presidente da Assembléia
Nacional Constituinte, Mauro Benevides (PMDB/CE).
Segundo o presidente da Câmara, ainda poderão
contribuir com o trabalho os líderes e os demais
deputados, por meio de sugestões para inclusão
de outros temas e materiais no portal, além de darem
seus próprios depoimentos sobre a Constituinte.
Novo portal
O portal traz o texto da Constituição em vários
formatos, a linha do tempo da Assembléia Nacional Constituinte
(1987-88), artigos e vídeos, biografias de todos os parlamentares
e discursos, e informações para o público infanto-juvenil,
além dos artigos sujeitos a regulamentação.
Chinaglia explicou que o portal, um dos eventos da comemoração
dos 20 anos da Constituição, poderá ser
atualizado pelos parlamentares. Ao longo do ano, novos
conteúdos serão incorporados, como a reprodução
de documentos originais produzidos pela Constituinte no
plenário, nas comissões, nas subcomissões
e na Mesa Diretora. O portal será uma fonte para
pesquisadores, historiadores, jornalistas e estudantes.
(Fonte: Agência Câmara)
Conheça
o portal da Constituição Cidadã
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Agência Diap, 23
de fevereiro de 2008
ENERGIA ELÉTRICA
Famílias que consomem
até 220 kwh/mês têm direito à Tarifa
Social
Desconto pode chegar a até 65%
do valor da tarifa normal
Desde maio do ano passado, uma liminar expedida pelo Tribunal Regional
Federal garantiu que todas as famílias que consomem até 220
kwh/mês de energia elétrica, podem receber os descontos
referentes a Tarifa Social Baixa Renda na conta de luz, sem precisar
estar cadastrado em algum programa social do governo. Para isso, basta
entregar uma autodeclaração na distribuidora de energia
elétrica da região.
Por falta de informação e divulgação
da liminar, muitas pessoas não estão usufruindo
desse benefício, que pode chegar a ajudar 18 milhões
de famílias. “Verificamos que todas as concessionárias
e distribuidoras de energia elétrica foram notificadas
e orientadas pela Aneel (Agência Nacional de Energia
Elétrica) a cumprirem a decisão judicial
(por meio do ofício circular 560/2007). No entanto,
as empresas têm buscado abafar a notícia,
para evitar que as famílias com direito possam se
autodeclarar”, denunciou Marco Antônio Trierveiller,
da coordenação do Movimento dos Atingidos
por Barragens (MAB).
O MAB considera a decisão judicial uma vitória
dos trabalhadores, que exigiram esse direito com a campanha
pela redução do preço da luz. O movimento
também sugere que as famílias se organizem
em associação de moradores, igrejas e sindicatos
para exigirem esse direito e denunciar se ele não
estiver sendo cumprido.
No entanto, “mesmo com a Tarifa Social, o preço
da luz é um roubo. As empresas continuam pagando
menos pela energia do que os trabalhadores” avalia
Trierveiller. A Alcoa e a Vale, por exemplo, possuem indústrias
de alumínio e ferro no Maranhão e no Pará e
desde 1984 recebem energia subsidiada da Eletronorte, pagando
menos de cinco centavos por KW.
De quanto é o desconto?
A tarifa social ou de baixa renda varia de local para local. Os descontos
na conta de luz podem variar 10% a 65% do valor da tarifa normal. Por
exemplo, um consumidor da distribuidora RGE-RS, que consumir 100kw
de energia em um determinado mês, pagaria normalmente R$ 46,7
na conta de luz. Com a Tarifa Social, a conta diminuiria para R$ 24,
33.
Como conseguir a Tarifa Social?
Para todas as famílias que consomem menos de 80 kwh/mês,
o reconhecimento pela distribuidora de energia elétrica deve
ser emitido de forma automátiica nas contas de luz, não
havendo necessidade nenhuma de comprovação de baixa renda.
Para as famílias cujo consumo situa-se na faixa
de 80 kwh/mês até no máximo 220 kwh/mês
o enquadramento na Tarifa Social se dá seguindo
as seguintes orientações:
- O gasto de energia da família não pode
ultrapassar o chamado “limite regional máximo”.
A Aneel definiu uma tabela que apresenta os limites para
cada Estado (por exemplo: em RS, SC e PR o limite máximo é 160
kwh/mês; em SP é 220 kwh/mês). As ligações
devem ser monofásicas.
- Para quem está dentro deste limite e ainda não
está cadastrado na concessionária, basta
entregar inicialmente um documento chamado “Autodeclaração”.
Este documento deve ser assinado pelo responsável
pela conta da energia e deve ser entregue na distribuidora
da região. Depois de entregue, a empresa é obrigada
a colocar imediatamente estas novas famílias cadastradas
como beneficiárias da Tarifa Social Baixa Renda.
Não há data limite para apresentar novas
autodeclarações.
- A decisão é de abrangência nacional,
ou seja, em todos os estados as famílias podem se
autodeclarar.
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Agência Diap, 23
de fevereiro de 2008
RESUMO DA SEMANA
Brasil se livra da dívida
externa e passa de devedor a credor
Esta, sem dúvida, foi uma semana de muito trabalho.
Só interrompido pela morte do senador Jonas Pinheiro
(DEM/MT), na última quarta-feira (20). O fato do momento é a
notícia, divulgada com pompa e circunstância,
pelo Banco Central, que as reservas cambiais brasileiras
são suficientes para pagar a dívida externa
do País.
Merece destaque ainda o lançamento da campanha
por reformas democráticas, encabeçado pelos
partidos de esquerda com assento no Parlamento – PT,
PCdoB, PSB, PDT e PRB. A eleição dos novos
líderes partidários na Câmara; a posse
do novo secretário especial de Políticas
de Promoção de Igualdade Racial (Seppir),
Edson Santos; e a divulgação do relatório
do orçamento 2008. É relevante destacam também
que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, divulgou nesta
semana, a bases da reforma tributária a ser encaminhada
para exame do Congresso Nacional.
Por fim, os integrantes do Forum Nacional de Previdência
Social entregaram, nesta quinta-feira (21), o relatório
dos debates travados no colegiado e concluíram que
as discussões devem continuar, pois não há consenso
sobre os pontos centrais do sistema previdenciário
brasileiro.
A entrega do relatório final do orçamento
2008, pelo deputado José Pimentel (PT/CE), aconteceu
nesta quarta-feira (20).
Dívida externa
Nesta quinta-feira (21), o Banco Central anunciou que as reversas cambiais
brasileiras são suficientes para pagar a dívida externa
e ainda haverá sobras. Isto quer dizer, segundo o BC, que o
País sai de uma condição de devedor e passa a
credor. Mais: este fato melhora a percepção dos investidores
externos sobre a economia nacional, o que contribui com a estabilidade
econômica.
Trata-se de fato histórico, pois é a primeira
vez que o Brasil atinge esse patamar econômico. Isto
se deve a dois fatores básicos, ainda segundo o
BC, que é o aumento das exportações
e a entrada recorde de divisas.
Reformas democráticas
O ato de lançamento da Campanha em Defesa das Reformas Democráticas,
na tarde/noite desta quarta-feira (20), em Brasília, reuniu
cinco partidos políticos – PSB, PCdoB, PT, PDT e PRB – representa
a retomada do fio da história brasileira iniciada em 1950.
Os oradores – presidentes e líderes dos partidos
políticos – destacaram a importância
da unidade das legendas em torno das reformas necessárias
ao desenvolvimento do País. Essas reformas foram
truncadas em 1964 pelo golpe militar e estão na
ordem do dia da agenda nacional – reforma política,
tributária, da educação, agrária
e também pela democratização dos meios
de comunicação.
Igualdade racial
Nesta quarta-feira (20), o presidente Lula empossou o novo ministro
da Igualdade Racial. O deputado federal Edson Santos (PT/RJ) ocupa
agora a Secretaria Especial de Políticas de Promoção
da Igualdade Racial, antes comandada por Matilde Ribeira, que saiu
em razão da "crise dos cartões corporativos".
A ex-ministra Matilde Ribeiro pediu demissão do
cargo após uma insidiosa campanha da imprensa por
supostas irregularidades no uso do cartão corporativo
do Governo. Ao dar posse ao novo ministro, o presidente
Lula da Silva classificou como “erro administrativo” o
suposto mau uso do cartão pela ex-ministra, e completou, “ela
não cometeu um crime”.
Reforma tributária
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou no início da
noite desta quarta-feira (20), ao sair de uma reunião com empresários
na sede da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), que apresentará na próxima quinta-feira (28),
ao Congresso Nacional a proposta do Governo de reforma tributária.
O tema é complexo e ainda há muitas dúvidas
sobre ele. O presidente da CNI, deputado Armando Monteiro
Neto (PTB/PE), diverge das bases da proposta e a base aliada
no Congresso recebeu positivamente o anuncio que o Governo
encaminhará a matéria na próxima semana.
Previdência Social
O debate acerca do tema está inconcluso, pois nos pontos centrais
há dissenso – idade mínima e o tempo de contribuição – esta é a
conclusão dos membros do Forum Nacional de Previdência
Nacional, que entregaram o relatório dos trabalhos do forum
nesta quinta-feira (21) ao presidente Lula.
A idade mínima e o tempo de contribuição
dos trabalhadores foram pontos em que não houve
consenso. Os empresários querem aumentar gradualmente
a idade mínima para aposentadoria, até chegar
a 67 anos para homens e 62 para mulheres. Hoje, não
se exige idade mínima pra aposentadoria pelo Regime
Geral de Previdência Social (RGPS) do INSS.
Assim, para se aposentar pelo regime Geral basta ter 35
anos de contribuição, se homem; e, 30, se
mulher. Somente na hipótese de aposentadoria proporcional
se exige idade mínima – 53 anos (homem) e
48 (mulher), mais pedágio (40%), que é um
acréscimo sobre o tempo de serviço para aposentadoria
integral.
Orçamento 2008
O relator-geral do orçamento 2008, deputado José Pimentel
(PT/CE), entregou o seu relatório nesta quarta-feira
(20) e houve surpresas positivas. Saúde e Educação
sofreram cortes menores que os previstos.
A Comissão Mista irá realizar dez reuniões
na próxima semana, entre ordinárias e extraordinárias,
para votar o relatório final à proposta orçamentária
deste ano. As reuniões seguirão de terça
(26) a sexta-feira (29). Nesse intervalo, o presidente
da comissão, senador José Maranhão
(PMDB/PB), tentará emplacar a proposta no plenário
do Congresso.
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Agência Diap, 23
de fevereiro de 2008
IMPOSTO DE RENDA
Receita Federal do Brasil divulga
as novas regras do IRPF
A Receita Federal do Brasil definiu as regras e prazos para a entrega
da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física
de 2008 (ano-base 2007). Para esse ano não ocorreram muitas modificações
em relação ao do ano passado. Assim, as principais novidades
não terão grande impacto na elaboração da “prestação
de contas ao leão”.
Segundo o diretor executivo da Confirp Consultoria Contábil,
Richard Domingos, “a obrigatoriedade de informar
o número do recibo da declaração
entregue no ano passado 0e uma restrição
maior para a entrega por formulário de papel (que
não correspondia nem a 2% do total de declarações),
já eram esperadas e não terão nenhum
impacto como maior demora na elaboração
ou na entrega”. Domingos informa que quem perdeu
o número de recibo terá que pedir diretamente à Receita
Federal.
Segundo a Receita Federal, a entrega da declaração
começa em 3 de março e vai até o
dia 30 de abril. Os programas para download serão
disponibilizados a partir das 8h do dia 3 no site da
Receita (www.receita.fazenda.gov.br). A expectativa é que
24,5 milhões de pessoas enviem o documento neste
ano, ante cerca de 23,5 milhões em 2007.
É obrigado a entregar a declaração:
- quem obteve rendimentos tributáveis acima de
R$ 15.764,28;
- quem recebeu rendimentos isentos, não-tributáveis
ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 40
mil;
- quem obteve receita bruta da atividade rural acima
de R$ 78.821,40;
- quem teve patrimônio superior a R$ 80 mil;
- quem realizou operações em bolsa de
valores, de mercadorias, de futuro e assemelhadas passou à condição
de residente no Brasil;
- quem participou do quadro societário de empresa,
inclusive inativa, como titular, sócio ou cooperado;
e
- quem realizou em qualquer mês do ano calendário
alienação de bens ou direito em que foi
apurado ganho de capital sujeito a incidência do
imposto, mesmo que tenha optado pela isenção
pela aplicação do produto da venda na aquisição
de imóveis residenciais.
A multa para quem entregar após o prazo alcança
1% ao mês do valor devido, sendo que a multa mínima
será de R$ 165,74 e a máxima, de 20% do
débito.
Principais cuidados
É importante o contribuinte não cometer erros na hora de preencher
o formulário, evitando cair na “malha fina”. Segundo a Receita
Federal, entre os principais motivos para reter as declarações
estão: a omissão de renda (própria ou de dependentes), divergências
nos dados de despesas médicas e falta de declaração de renda
proveniente de aluguel de imóveis.
Um dos principais fatores que levam as pessoas a cometerem
esses erros é a pressa de entregar as declarações,
para receber antes a restituição, ou o
fato de deixarem esse trabalho para a última hora. “Basta
um pequeno erro de digitação para que o
cidadão possa ter uma grande dor de cabeça”,
explica Richard Domingos.
Nos últimos anos a Receita vem aperfeiçoando
formas de cruzamento de dados para localizar possíveis
erros e tentativas de sonegação de impostos.
Domingos lembra que há casos em que contribuintes,
propositalmente ou não, informam valores equivocados
do IRPF e quando a Receita cruza os dados informados
com outras declarações a que ela tem acesso
(como é o caso da Declaração de
Imposto Retido na Fonte (Dirf), entregue pelas empresas)
o cidadão pode entrar em apuros.
Outro erro comum ocorre quando o contribuinte obtém
aumento de capital e esses dados não batem com
seu movimento financeiro, ou quando informa rendimento
mensal em desacordo com a CPMF apurada (a partir do próximo
ano a DIMOF entrará no lugar da CPMF). “Esses
são equívocos que levam os cidadãos
a cair na malha fina, o que muitas vezes não ocorre
por má fé. Bem por isso temos um software
que faz uma avaliação crítica das
declarações de nossos clientes, antes de
enviarmos as mesmas à Receita”, conta Domingos.
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Diário Vermelho,
23 de fevereiro de 2008
TCU conclui que não houve "uso
eleitoral" do Bolsa Família
Relatório de acompanhamento do TCU (Tribunal de Contas da União)
concluiu que o governo Lula não fez uso eleitoral do programa
Bolsa Família em 2006, ao contrário do que afirmavam opositores
do presidente e parcela da chamada grande imprensa.
"
No plano nacional, não há evidências
de favorecimento a partido político nem descumprimento
de normas relativas à execução orçamentária
e financeira no processo de expansão do programa que
pudessem caracterizar desvio de finalidade para utilização
do programa visando a fins eleitoreiros”, diz um trecho
do relatório.
O documento informa, ainda, que o Bolsa Família
atendeu cidades administradas por todos os grandes partidos
do país.
“O percentual de cobertura e o número de
benefícios do programa nos municípios administrados
pelos quatro maiores partidos políticos brasileiros
não apresentaram diferenças significativas,
em que pesem discrepâncias existentes em algumas
localidades específicas", afirma o parecer.
De acordo com o TCU, pode ter havido usos locais do projeto
como ferramenta eleitoral, mas não uma aplicação
generalizada como publicidade política.
Com informações da Agência
Estado.
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Diário Vermelho,
23 de fevereiro de 2008
Sociólogo explicita principais
divergências entre CUT e CTB
Com a fundação da Central dos Trabalhadores e
Trabalhadoras do Brasil (CTB), em dezembro passado, se intensifica
o debate em inúmeros sindicatos sobre a filiação à CTB.
Entre eles, está o Sindicato dos Sociólogos de São
Paulo (Sinsesp) que abriu um espaço especial em seu Boletim
nº 8 (de 22 de fevereiro) para tratar do tema. O primeiro artigo
sobre a polêmica é do presidente do Sinsesp, Lejeune Mato
Grosso Xavier de Carvalho, que defende a desfiliação
do sindicato da CUT e a filiação a nova central. Com
muitos argumentos, e até uma tabela, o sociólogo explicita
em seu artigo as diferenças fundamentais entre uma central e
outra.
Leia abaixo o artigo na íntegra.
As principais divergências
entre CUT e CTB
Por Lejeune Mato Grosso Xavier
de Carvalho
O Brasil vem vivendo desde meados de 2007, um processo
de modificações profundas na sua estrutura
de centrais sindicais. É antigo o desejo dessas
organizações que venham a ser legalizadas
e que possam representar parcelas dos trabalhadores brasileiros.
A primeira central a se constituir e se organizar no Brasil,
nos tempos mais recentes foi a Central Única dos
Trabalhadores, a CUT, fundada em 1983, fruto da realização
da 1ª Conclat (Conferência Nacional das Classes
Trabalhadores) realizada em 1981, que indicou a Comissão
Nacional Pró-CUT, que era, até então
ampla e contemplava todas as correntes e forças
do sindicalismo brasileiro.
A CUT, logo de cara, já não se mostrou nem única
e nem ampla, pois excluía de sua estrutura expressivas
parcelas do chamado sindicalismo oficial, a que era muito
comum chamar de “pelegos”. Em função
disso, veio o racha inevitável. As parcelas de confederações
e federações oficiais tomaram outro rumo
e em 1986, surge a segunda maior central no país,
a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT).
A Corrente Sindical Classista, por onde atuavam no movimento
sindical brasileiro os comunistas do PCdoB, decidem ir
para essa central mais ampla.
Essas duas centrais sindicais reinaram sozinhas por muitos
e muitos anos. Ocorre que na elaboração da
Constituinte de 1988, ambas tinham poucos anos de vida
e não eram ainda fortes, conhecidas e respeitadas.
Nesse sentido, prevaleceu a força dos lobbies sindicais
das confederações encasteladas no topo da
pirâmide sindical em Brasília. Assim, o Artigo
8º da Constituição Federal manteve as
três questões mais caras para nosso sindicalismo:
a unicidade sindical (uma entidade por categoria, tomando
como base um município), as finanças compulsórias
(com a manutenção da contribuição
sindical, além de uma segunda receita que ficou
constitucionalizada) e o sindicalismo de categoria profissional.
Além disso, manteve o chamado sistema confederativo,
ou seja, não constitucionalizou as centrais, que
acabaram ficando fora da estrutura piramidal do sindicalismo
brasileiro.
A vida da CSC dentro da CGT foi efêmera, durando
pouco mais de dois anos. A CSC tem sua fundação
em um encontro realizado em 1989 na Unicamp. A decisão
tomada de ingressar na CUT foi feita no histórico
encontro do Rio de Janeiro, na UFRJ. O ingresso formal
deu-se no Congresso de 1992. Assim, a Corrente Classista
co-habitou com a CUT por exatos 15 longos anos, até 2007.
Foram anos positivos, de boa convivência, mas marcados
por muitas diferenças.
As três divergências centrais
São muitas as divergências. A primeira delas
e talvez a mais importante seja a questão do plurisindicalismo,
ou seja, na defesa da assinatura da Convenção
87 da Organização Internacional do Trabalho
(OIT). A CUT nasce e incorpora em seus estatutos a defesa
dessa Convenção. Em uma mesma categoria em
uma mesma cidade, podem existir quantos sindicatos de trabalhadores
for possível. Basta que se reúna um número
mínimo de trabalhadores em assembléia e já se
pode fundar uma entidade. Ora esse modelo foi implantado
no Japão no pós 2º Guerra e resulta
um país pequeno com quase 80 mil sindicatos! Por
lá, pode-se ter vários sindicatos em uma
mesma empresa.
Defender a fragmentação do sindicalismo,
a sua pulverização, a multiplicidade de entidades
nas campanhas é negar na prática a unidade
e a luta dos trabalhadores. O sindicato ser único
não significa que ele não seja plural nas
idéias. Os patrões sempre estiveram reunidos
em um único sindicato. O caso mais emblemático é a
própria Fiesp, que é uma espécie de
central sindical dos industriais paulistas e é única,
unitária e unida politicamente.
A segunda grande divergência são as receitas
compulsórias. Vive-se num mundo em que os impostos
são fundamentais para se realizar benfeitorias para
a população, oferecer serviços públicos
de boa qualidade. Só tem uma coisa muito antiga
quanto a própria sociedade humana: são os
impostos. É verdade que a compulsoriedade de receitas
sem uma estrutura democrática onde as minorias e
uma oposição possam um dia ganhar as eleições,
leva à criação de uma casta sindical
e à hegemonia de certos grupos, afastados do contato
com as bases.
No entanto, ao diagnosticar corretamente a questão
da compulsoriedade das receitas e as conseqüências
que isso gera, ao apresentar a sua proposta alternativa
de extinção dessa contribuição,
a CUT cometia um erro histórico. Seria como se um
médico, que diagnostica corretamente uma doença,
mas ao prescrever um medicamento, mataria o paciente. Retirar
todas as receitas compulsórias de uma entidade é matar
a imensa maioria dos sindicatos brasileiros. Assim, a proposta
correta teria sido sim democratizar a estrutura sindical.
Como dizem os tributaristas, “imposto bom é imposto
velho”, não tem contestações.
Fala-se em mais de 50 decisões e jurisprudências
no STF que a contribuição sindical é devido
por todos os trabalhadores e não só pelos
associados da entidade.
Tenho dito em palestras e conferências sindicais,
que o sindicalismo deve se sustentar com três fontes
de receitas, oriundas exclusivamente dos trabalhadores.
Essas três fontes, não devem ultrapassar a
1,5% ao mês do salário total dos trabalhadores
da base do sindicato ao mês (ou 18% ao ano de um
salário). A primeira fonte e mais importante do
ponto de vista de sua consciência de categoria é a
mensalidade sindical. No Brasil de cada cem trabalhadores
registrados, apenas 18, em média, optam por se associar
a uma entidade sindical. Isso significa dizer que os outros
82 acham que suas vidas devem ficar melhor se passarem
longe do seu sindicato representativo. Mas, sabemos que
são pouquíssimos os sindicato de trabalhadores
privados que vivem com mensalidade.
As outras duas fontes devem ser compulsórias, sendo
que uma delas chamada de Contribuição Sindical,
criada com a CLT há 65 anos, é referente
a um dia de trabalho de todos os assalariados privados
e é descontado no mês de março (profissionais
liberais a pagam em fevereiro, diretamente para o seu sindicato
de categoria). Essa contribuição (diferente
de imposto), ainda que compulsória, de todos e sem
oposição, tem fim específico, determinado
e serve para sustentar a estrutura sindical.
A terceira e última fonte (e devemos nos esforçar
para unificar a nomenclatura de todas as fontes independente
da categoria a que pertençamos), deve ser também
ela compulsória, mas decidia em um valor percentual
adotado em assembléia de trabalhadores, sendo limitado
por lei ultrapassar determinado percentual do salário
do trabalhador. Também aqui não deve ter
oposição e ser descontado de todo, mesmo
que não haja acordo e o julgamento vá a dissídio
coletivo num tribunal. Essa fonte deve custear especialmente
as lutas dos trabalhadores e suas campanhas salariais,
formação sindical.
Sem contribuição sindical
não há sindicatos
Estudos realizados de várias formas e oriundos
de várias fontes diferentes indicam que, em números
redondos, se a contribuição sindical acabasse,
em torno de 60% dos sindicatos no país ou fechariam
ou passariam a ter imensas dificuldades de sobrevivência.
No ano de 2007, o país fechou com uma arrecadação
anual de um trilhão de reais só de impostos.
Os tributaristas identificam ao todo (nas três esferas
de poder), 57 tipos de impostos pagos no país (claro
que não existem pessoas que paguem todos eles).
A arrecadação federal, estadual e municipal,
alcança quase a 40% do PIB em impostos (e não
que isso seja ruim, mas eles são mal arrecadados,
mas esse é outro assunto). A contribuição
sindical compulsória de um dia de trabalho equivale
a um bilhão de reais, ou seja, um milésimo
de toda a arrecadação tributária brasileira!
Mas, os neoliberais estão inconformados com isso
e querem tirar esse um milésimo. Fazem uma defesa
tão apaixonada disso que parece que são os
verdadeiros defensores dos trabalhadores brasileiros, quando
na verdade tramam para matar milhares de entidades.
Durante a tentativa de reforma sindical de 2003 e 2004
patrocinada pelo primeiro mandato de Lula, a CUT e alguns
de seus luminares levantaram uma estranha tese – neoliberal
total de meu ponto de vista – de associar receitas
sindicais à combatividade e luta de uma entidade.
Assim, durante uma campanha salarial, um sindicato combativo
aprova um índice em assembléia e, por lei,
teria garantia que esse percentual fosse descontado de
todos os trabalhadores de sua base. Os que não lutam,
não negociam, não assinam acordos coletivos,
possivelmente pelegos, estariam fadados a morrer ou se
transformar em ONGs. Que tese esdrúxula. Muitas
vezes um acordo não é firmado não
por falta de negociação e luta, mas por intransigência
dos patrões.
Essa tese se valesse para as cidades, estados e para o
governo federal estaríamos fritos. Seria como se
disséssemos assim para o futuro prefeito que vai
tomar posse em 1º de janeiro de 2009: olha você só poderá usar
e administrar as receitas oriundas do IPTU e ISS (os principais
impostos municipais) se fizer uma boa gestão. Ora
quem julga isso? A mesma coisa com governadores com os
impostos ICMS e IPVA e os governo federal com o IR e o
IPI. A questão central, como disse acima não
está no fato das receitas serem compulsórias.
O mais importante, teria sido essa a grande conquista da
reforma de 2003/2004, seria a democratização
da estrutura sindical (claro, não é nosso
objeto de análise, mas teríamos chegado a
um consenso maior de pontos a serem avançados e
acordados com todas as centrais e confederação,
que incluiria a organização por local de
trabalho).
Organização por ramo ou
categoria?
Por fim, a terceira divergência, também bastante
profunda entre as duas principais concepções
sindicais no Brasil. A questão do sindicalismo de
ramo em contraposição ao de categoria. Primeiramente
algumas definições sobre o significado de
cada coisa.
Podemos definir “Ramo de Atividade” como um
sub-setor, uma sub-área de um setor econômico,
um ramo produtivo da economia de um determinado grande
setor. São atividades econômicas produtivas
e vinculadas à produção e reprodução
de capital.
Já categoria profissional podemos dizer que é o
trabalho dos que produzem a riqueza, “pela similitude
de condições de exercício da profissão
ou do trabalho em comum, e dos que exercem profissões
ou funções diferenciadas, por força
de estatuto profissional, ou em conseqüência
de condições singulares de vida, em situação
de emprego na mesma atividade econômica privada ou
pública, ou em atividades econômicas similares,
paradigmáticas, ou conexas, constitui a formação
social denominada categoria profissional” .
A definição de categoria profissional dada
pela CLT é em seu artigo 511, § 2º é: “a
similitude de condições de vida oriunda da
profissão ou trabalho em comum, em situação
de emprego na mesma atividade econômica ou em atividades
econômicas similares ou conexas, compõe a
expressão social elementar compreendida como categoria
profissional”.
A CLT de 1º de maio de 1943, que este ano completará 65
anos, menciona outro tipo de categoria profissional, mais
específica e dá a eles o nome de “categoria
diferenciada”, cuja definição é a
seguinte: “Categoria profissional diferenciada é a
que se forma dos empregados que exerçam profissões
ou funções diferenciadas por força
de estatuto profissional especial ou em conseqüência
de condições de vida singulares” (parágrafo
3º do mesmo artigo).
Há imensa complexidade do trabalho não só no
Brasil, mas no mundo. Temos em nosso país 228 profissões
regulamentadas, das quais apenas 26 possuem órgãos
fiscalizadores do seu exercício profissional, a
saber: Músicos, Engenheiros (junto com Arquitetos,
Agrônomos e Geógrafos), Técnicos de
Radiologia, Representantes Comerciais, Administração,
Biblioteconomia, Biomedicina, Corretores de Imóveis,
Enfermagem, Fisioterapia (junto com terapia Ocupacional),
Medicina, Nutricionistas, Advogados, Relações
Públicas, Química, Serviço Social,
Biologia, Economia, Farmácia, Fonoaudiologia, Medicina
Veterinário, Odontologia, Psicologia, educação
Física e Estatística.
Todas as demais 202 profissões buscam em sindicatos
específicos, suas formas de se organizarem e protegerem
seus direitos. Esses profissionais exercem trabalhos previstos
em leis, possuem responsabilidades diferenciadas e são
punidos quando cometem erros. Quando um metalúrgico
erra na produção de um carro, o consumidor
processa a montadora pelo erro, mas quando um médico
comete um erro, ele se vê pessoalmente responsabilizado
por isso.
Assim, quero dar um exemplo de uma metalúrgica,
para ficarmos num ramo expressivo de produção
(e ao mesmo tempo categoria profissional). Trabalham em
uma montadora vários tipos de trabalhadores e nela
atuam vários sindicatos. Sem falar dos profissionais
liberais que já demos exemplo do médico,
temos as secretárias, os motoristas entre outros.
Pode-se introduzir aqui o conceito de “Sindicato
preponderante”, que envolve várias categorias. É um
debate que precisa ser feito.
Assim, a proposta de sindicato de ramo, ainda que correta
historicamente, ela é inviável no atual estágio
de consciência dos trabalhadores que é ainda,
quando muito, de categoria profissional e não de
classe. O corporativismo é muito forte. Mesmo entre
os metalúrgicos isso tem problemas. Têm alguns
operários, como o nosso próprio presidente
da República que, muitas vezes, se apresenta como “torneiro
mecânico” e não metalúrgico.
Outros falam que são “ferramenteiros”,
que era considerada a elite da categoria. Esses são
ofícios de uma mesma categoria.
Assim, pedir que um médico se sinta metalúrgico é um
erro. O que temos que fazer é conscientizar esse
médico, como todos os outros trabalhadores, não
a se sentirem metalúrgicos, mas a que realizem campanhas
conjuntas e unificadas com todos os sindicatos envolvidos
em uma mesma empresa.
Temos dito que o ramo, a organização por
ramo, se realiza em plano superior, em uma federação.
Vejam o exemplo dos transportes. Trabalhadores em transportes
poderiam se organizar em um mesmo sindicato. Até sem
considerar os três níveis de transportes,
como terra, água e ar, como conciliar um sindicato único
de trabalhadores em transportes terrestres na cidade de
São Paulo, por exemplo? Praticamente impossível.
Teriam que se associar em uma mesma entidade, condutores
de veículos, metroviários, ferroviários,
taxistas e motoboys. E para não bastar, todos os
sindicatos que reúnem os patrões são
diferentes, ou seja, não estão em uma única
entidade patronal do lado de lá do balcão.
Ou seja, eles teriam que fazer pelo menos cinco campanhas
de qualquer forma, sem garantia de unificação
geral. A unificação ocorre quando se dá no
plano federativo e as campanhas podem e deveriam ser de
base estadual e mesmo nacional.
Outras divergências existentes
Uma delas diz respeito à questão da democratização
interna na entidade. Em entidades do tipo central, que
são a cúpula de parte do sindicalismo em
um país, ter uma diretoria proporcional aos votos
que uma chapa recebe de delegados em um congresso é saudável,
democrático e garante, com base em votos, uma expressão
de correntes que possam ter tido baixa votação
em termos percentuais num determinado congresso. Uma espécie
de eleição proporcional, como funciona no
Brasil as eleições para a Câmara dos
Deputados.
Ocorre que há dois tipos de proporcionalidade no
movimento sindical brasileiro. Uma deles é a chamada
proporcionalidade direta de uma entidade. Uma chapa, por
exemplo, pode ter tido 60% dos votos e outra 40%. Supondo
uma central com cem dirigentes, a vencedora ficaria com
maioria de 60 cargos e a derrotada com 40. Ora, a proporcionalidade
direta faz com que de uma só vez, a vencedora escolha,
ao seu bel prazer, os 60 principais e mais importantes
cargos da central e a perdedora, com os meros restantes
40, provavelmente sem nenhum de expressão. Esse é o
atual modelo estatutário da CUT hoje.
A CTB defende outro modelo, a que chamamos de proporcionalidade
qualificada. Pelo mesmo exemplo acima, a chapa vencedora
escolheria os primeiros seis cargos, passando-se a perdedora
os restantes quatro cargos e assim sucessivamente até todas
as vagas serem preenchidas. É muito mais democrática.
Mas, a CUT não aceita isso, porque significaria
ter dado para a CSC no último congresso, o cargo
de Secretário-Geral e a Secretaria Internacional.
Há também a questão da filiação
internacional em jogo e isso sempre foi polêmico
para parcelas expressivas do sindicalismo brasileiro. A
CSC sempre se colocou contra a filiação da
CUT ao campo da CIOSL (que se unificou com a CMT – Confederação
Mundial do Trabalho, ligada à Igreja e criou a CIS – Confederação
Internacional Sindical). Essa Central Sindical Internacional
sempre fez o jogo do imperialismo norte-americano, apoiou
Hitler na 2º Guerra, é a favor do bloqueio
econômico a Cuba, apoiou as duas guerras contra o
Iraque, apóia a ALCA entre outros posicionamentos
ruins e polêmicos, nenhum pouco classista. É uma
central do campo do capitalismo. De outro lado, ainda que
sem contar com a mesma força e prestígio,
temos a Federação Sindical Mundial, que agora
vem se fortalecendo no cenário sindical mundial.
No caso da CTB, ela já surge fundada em dezembro
passado em Belo Horizonte, com decisão tomada de
filiação á FSM.
Publicamos abaixo, um quadro resumido das principais divergências
existentes entre a CUT e a recém criada Central
dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) (www.cttb.org.br).
Defendo pessoalmente o fortalecimento da CTB e a filiação
do nosso Sindicato a ela e fazemos hoje campanha para que
um maior número de entidades de base sejam filiados
a essa nova central sindical, classista, democrática
e de luta.

Fonte: Boletim Nº 8 do Sinsesp
|
Agência Brasil, 23
de fevereiro de 2008
Madeira descartada vira móvel
ecológico em município de Mato Grosso
Paula Michnik
Da Rádio Nacional da Amazônia
Brasília - Madeiras queimadas, troncos e galhos
que são colhidos na mata ou descartados por madeireiros
e agricultores estão sendo utilizados na fabricação
de moveis rústicos no município de Sinop
no Mato Grosso.
A idéia nasceu há oito anos, quando Israel
Pereira, artesão de uma associação
de Sinop, resolveu aproveitar a madeira que era jogada
fora ou que iria ser queimada. Para fabricar seus móveis
e comercializar suas peças, Pereira montou uma empresa,
que emprega sua mulher, seu filho e mais dois funcionários.
Por semana, são produzidos em média seis
móveis, que são vendidos em feiras ou por
encomenda. A empresa de móveis ecológicos
atende todo o Brasil e fatura cerca de R$ 3 mil por mês.
Segundo o artesão, todos os móveis têm
certificado e nota fiscal emitida pelo Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos naturais Renováveis
(Ibama). Ele afirma que o negócio poderia beneficiar
mais pessoas que quisessem trabalhar com madeira descartada.
De acordo com Pereira, o problema é que falta incentivo
do governo para os artesãos do estado. "É preciso
um incentivo maior do governo, porque você vai ao
Nordeste, você vai a Goiás, você vai
a Minas Gerais e já tem reconhecimento, o artesão
lá é já é respeitado. Aqui
na nossa região nós não temos reconhecimento
do governo. Não tem incentivo."
|
Agência Brasil, 23
de fevereiro de 2008
Juros mais baixos no exterior
não compensam pagamento total da dívida, diz
professora
Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O custo do dinheiro no exterior é mais
baixo do que no Brasil, ou seja, paga-se menos juros para
pegar empréstimos. Por isso, não valeria
a pena o governo e as empresas pagarem toda a dívida
externa. A avaliação é da professora
do Departamento de Economia da Universidade Estadual do
Rio de Janeiro (Uerj), Maria Beatriz David. Ontem (21),
o Banco Central informou que o Brasil passou a ser credor
externo, uma vez que as reservas internacionais e outros
ativos, dinheiro aplicado, são maiores do que a
dívida externa.
“Hoje é mais barato pegar dinheiro lá fora
do que pegar dinheiro aqui. Por isso, mesmo com esse grau
de reservas, não valeria a pena o governo brasileiro,
nem as empresas, quitar tudo o que devem”, explicou
Maria Beatriz, hoje (22), em entrevista à Rádio
Nacional.
De acordo com a professora, é necessário
atenção quanto à dívida interna
do país. “Esse fato [o Brasil como credor
externo] é bom, mas não significa que não
temos mais dívidas. O grande problema do país
hoje é o equacionamento da dívida interna,
ao contrário dos anos 80, quando o que pesava era
a dívida externa”.
Para Maria Beatriz, o caminho para resolver o problema
da dívida interna é diminuir drasticamente
o nível das taxas de juros, “que é mais
do que o dobro da taxa de juros do mercado internacional”.
“Aquele sonhado país qualificado sem riscos
depende também do equacionamento da dívida
interna”, acrescentou, referindo-se à obtenção
da avaliação de investment grade (grau de
investimento), reconhecimento internacional baseado em
melhorias dos indicadores socioconômicos. A classificação é feita
por agências de risco, depois de constatarem que
o país oferece segurança aos investidores.
Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a transformação
do Brasil de devedor para credor significa que o país tem agora
um papel de protagonista no cenário internacional, porque acumula
recursos, o que o torna mais próximo de obter a avaliação
de grau de investimento.
Para o economista Raul Velloso, o país fez o dever
de casa no que diz respeito ao setor externo, mas ele também
ressaltou a importância de ajustes nas contas da
administração pública. “Mas
devíamos ter aproveitado essa maré mansa
e fazer ajustes nas contas do governo. O temor é que
sejamos forçados a fazer alguma correção
quando a situação externa estiver pior. Uma
coisa é, com sobra de caixa no seu bolso, fazer
ajustes nos gastos da sua família, outra coisa é querer
fazer o mesmo ajuste quando o seu caixa está apertado.
Aí tudo mundo na sua casa vai reclamar muito”.
|
Gazeta do Povo, 23 de fevereiro
de 2008
BRASIL | SESSÃO CONJUNTA
Congresso deve votar vetos
presidenciais na próxima semana
São Paulo – Em meio às disputas
pelo comando na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito
(CPMI) dos Cartões Corporativos e da discussão
sobre uma CPI exclusiva no Senado para tratar do assunto,
senadores e deputados devem, também, votar na próxima
semana alguns vetos presidenciais. Há sessão
do Congresso Nacional convocada para quarta-feira com esse
objetivo.
Ao todo, são 65 vetos em 13 mensagens que serão
analisados pela força-tarefa montada por Câmara
e Senado para votar os mais de 800 vetos que estão
parados aguardando votação no Congresso.
Entre os vetos parciais que serão analisados
estão os que tratam do Sistema Nacional de Políticas
Públicas sobre Drogas e do Sistema Nacional de
Prevenção, Fiscalização e
Repressão ao Furto e Roubo de Veículos
e Cargas. Há acordo para a manutenção
desses vetos.
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Gazeta do Povo, 23 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | TRIBUTOS
Fazenda estuda desoneração
do Imposto de Renda
Brasília – O ministério da Fazenda estuda promover
uma desoneração no Imposto de Renda Pessoa Física
(IRPF), segundo uma fonte do governo. Os estudos ainda estão em
fase de elaboração, mas as idéias variam de inserir
uma ou mais alíquotas entre as que vigoram hoje, até reduzir
as alíquotas atualmente vigentes.
A tabela em vigor hoje tem apenas duas alíquotas:
15%, para quem ganha entre R$ 1,372 mil e R$ 2,743 mil,
e 27,5% para os que têm renda mensal acima de R$
2,743 mil. Uma das idéias preliminares, que ainda
não se tornou proposta dentro do governo, seria
criar uma alíquota intermediária de 20%
e reduzir a de 27,5%, que incide sobre os salários
mais altos, para 25%.
Vale lembrar que a alíquota de 27,5%, quando
foi instituída, tinha caráter temporário
e deveria retornar a 25%. Mas, como é usual na
história tributária brasileira, virou permanente.
A efetivação dessa eventual desoneração,
que beneficiaria diretamente a classe média brasileira,
ainda depende dos cálculos sobre o impacto na
arrecadação, que neste ano já conta
com uma frustração importante por conta
do fim da CPMF.
O martelo ainda não está batido nessa
questão. Mas, segundo a fonte, o ministro da Fazenda,
Guido Mantega, tem dado sinais de que pretende acelerar
esse processo de desoneração do IRPF.
É possível que a idéia já seja
encaminhada junto com a reforma tributária, que
será enviada quinta-feira ao Congresso Nacional,
embora possa ser feita por projeto de lei, não
necessitando de uma emenda constitucional.
Se lançada em conjunto, o governo estaria dando
uma sinalização de que a reforma tributária
também conteria um benefício direto ao
trabalhador, o que angariaria o apoio de sindicatos e
parlamentares ligados ao movimento sindical.
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Gazeta do Povo, 23 de
fevereiro de 2008
ECONOMIA | CONTAS EXTERNAS
Um pouco de dívida é até saudável,
diz Bernardo
Segundo o ministro, ser credor
internacional “não é meta”
por CRISTINA RIOS
Apesar de ter conquistado a posição de credor externo
pela primeira vez na história, ter uma dívida líquida
negativa não é prioridade para o governo federal, segundo
o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo
Bernardo. “Um pouco de dívida é até saudável”,
disse ontem em Curitiba, logo depois de participar da reunião
dos Integrantes do Conselho Nacional de Secretários Estaduais
de Planejamento (Conseplan).
A declaração foi feita um dia depois de
o Banco Central divulgar um relatório que mostra
que, pela primeira vez, a dívida externa total líquida – diferença
entre a dívida externa bruta e os ativos do país
no exterior (principalmente as reservas internacionais) – é negativa.
Na prática, significa que o país tem caixa
suficiente para zerar toda a sua dívida internacional
pública e privada. “Trata-se de um indicador
importante porque o Brasil tem um histórico de endividamento,
mas não é meta ter dívida negativa.
O importante é a sustentabilidade no pagamento”,
comentou o ministro. “Se daqui a pouco tivermos uma
dívida líquida de R$ 10 bilhões, não
será problema”, disse, ao lembrar que boa
parte da dívida externa brasileira refere-se a compromissos
do setor privado.
A dívida líquida externa passou de US$ 165,2
bilhões no início de 2003 para os US$ 4,3
bilhões estimados ao fim de 2007. No primeiro mês
de 2008, o Banco Central projeta que esse montante tenha
ficado negativo em mais de US$ 4 bilhões.
Paulo Bernardo confirma que a posição de
credor líquido coloca o Brasil a um passo da conquista
do grau de investimento pelas agências de risco e
diz que isso deve elevar o crédito para empresas
brasileiras lá fora. Vale lembrar lembrar que a
situação da dívida externa não é algo “estanque” e
poderá mudar em algumas semanas, principalmente
com a aposta de compra da mineradora Xtrata pela Vale.
A aquisição implicaria tomada de empréstimos
da empresa brasileira em moeda estrangeira. Calcula-se
que, se for confirmada, a dívida externa poderá aumentar
em pelo menos US$ 50 bilhões. Nessa conta, o Brasil
precisaria aumentar suas reservas em pelo menos US$ 46
bilhões para não voltar a ser devedor líquido.
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Gazeta do Povo, 23 de fevereiro
de 2008
POLÍTICA | ELEIÇÕES
Mudança na lei acaba
com campanha eleitoral em muros
Em Curitiba, pintar mensagens
será proibido mesmo com autorização
do morador
por DANIELA NEVES
As eleições municipais em Curitiba podem ser mais “limpas” do
que na maior parte das grandes cidades brasileiras. Se os cartazes
e outdoors já estavam limitados pela legislação
eleitoral, agora são os muros que devem ficar de fora das campanhas.
A resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que
vai normatizar a propaganda de campanha deste ano deve definir que
as leis municipais de urbanismo prevalecem sobre a resolução
federal. Em Curitiba, uma lei e um decreto municipal proíbem
propaganda em muros.
O texto da resolução deve ser apresentado
pelo ministro Ari Pargendler, do TSE, até o fim
do mês. A sugestão sobre as leis municipais
foi apresentada ao ministro pelo secretário municipal
de Assuntos Institucionais de Curitiba, Nilso Sguarezi.
De acordo com o secretário, o ministro disse na
semana passada, em audiência pública, que
vai acatar a idéia. “Ele já fez constar
da minuta da resolução que a legislação
municipal prevalecerá”, disse Sguarezi.
Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Proibição: TSE
já anunciou informalmente nova regra para eleição
de 2008
As eleições de 2006 já diminuíram a propaganda
de rua. Outdoors são limitados e placas em terrenos particulares
têm medição máxima de 2 x 2 metros. Pela
resolução que normatizava as eleições de
2006, porém, pintar muros com nomes e números de candidatos
era permitido, desde que com a devida autorização pelo
proprietário. Os candidatos precisam retirar a propaganda 30
dias após o dia das eleições, o que de fato não
acontece.
Um rápido giro pela reportagem da Gazeta do Povo
no início de janeiro mostrou sete endereços
em Curitiba, localizados em diversos bairros da cidade,
onde muros continuavam ostentando propagandas de candidatos
relativas a 2004 e 2006. Uma delas, no bairro Portão,
era do então candidato a prefeito Beto Richa (PSDB)
em 2004. A propaganda foi retirada somente em janeiro deste
ano, logo após a publicação da reportagem. “Se
permitirem eu pinto de novo, mas só com propaganda
do Beto Richa, porque gosto dele”, disse a proprietária
do muro, Jerônima Ribeiro, funcionária pública
aposentada.
Na semana passada, o vereador Tico Kuzma (PSB) foi avisado
que um muro com propaganda eleitoral dele, também
de 2004, permanecia pintado. “Não tinha como
controlar todos os muros. Estava combinado com um pintor
que ele cobriria a propaganda logo após as eleições
e ele não pintou”, disse o vereador. Nesta
semana, Kuzma registrou um compromisso em cartório
de que não pintará muros nestas eleições.
A atitude do vereador pode não servir para nada
se o TSE confirmar na resolução que as leis
municipais sobre propaganda devem ser levadas em conta
na época eleitoral. Pela lei municipal 11.095 de
2004, que abrange o Código de Postura e Normas de
Curitiba, os muros até poderiam ser pintados com
autorização do proprietário. Mas o
decreto nº 1.033 de 2007, que passou a valer em 9
de fevereiro deste ano, a publicidade em muros é vedada. “Pode
ser uma propriedade particular, mas está está na
parte externa e agride o cidadão. Tem que proibir
porque neste caso não é possível disciplinar”,
disse Sguarezzi.
|
Gazeta do Povo, 23 de fevereiro
de 2008
POLÍTICA | PESQUISA
Espaços alugados por
até R$ 1 mil
por DANIELA NEVES
Uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Bares
e Restaurantes (Abrabar) em Curitiba mostrou que um muro na capital
pode ser “alugado” por até R$ 1 mil para três
meses, na época de campanha eleitoral. A Abrabar apresentou,
em outubro do ano passado, para a Câmara Municipal de Curitiba,
um projeto de iniciativa popular que prevê a proibição
de propagandas eleitorais em muros na capital.
Antes de apresentar o projeto, a entidade procurou donos
de muros pintados e pintores para saber como funciona o
comércio ilegal de cessão de muros. A pesquisa
foi feita de maneira informal, já que vender o espaço
privado para publicidade pode ser considerado compra de
voto.
O presidente da Abrabar, Fábio Aguayo, diz que
o objetivo da proposta é reduzir a poluição
visual da cidade na época das eleições
e também permitir igualdade de condições
para todos os candidatos. “Os candidatos oferecem
valores altos para os muros e ganha aquele que oferece
mais. Isso é abuso do poder econômico”,
disse. O projeto tramita na Câmara, na Comissão
de Participação Legislativa, independentemente
da resolução do TSE para a propaganda eleitoral
deste ano.
Se o TSE decidir que vale a lei municipal, Aguayo lembra
que as cidades da região metropolitana não
proíbem propaganda em muros, o que pode fazer com
que os “compradores de muro” invadam os municípios
vizinhos, principalmente nas vias que dão acesso à capital,
para pintar propaganda de candidatos a prefeito e vereador
em Curitiba.
|
O Estado do Paraná,
23 de fevereiro de 2008
Produção industrial
subiu 8,5% em janeiro, estima Ipea
Agência Estado
O indicador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
de produção industrial mensal aponta um crescimento de
8,5% em janeiro, com intervalo de confiança entre 7,4% e 9,6%.
O indicador Ipea busca antecipar qual será o resultado da pesquisa
feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
para o mesmo período.
A previsão é feita com base nos dados de
fluxo de veículos pesados em rodovias concedidas,
carga de energia, produção de papelão
e de veículos. Para isso, o Ipea usa informações
divulgadas pela Associação Brasileira de
Concessionárias de Rodovias (ABCR), consultoria
Tendências, Operador Nacional do Sistema Elétrico,
Associação Brasileira do Papelão Ondulado
(ABPO) e Associação Nacional dos Fabricantes
de Veículos Automotores (Anfavea).
"Dentre os indicadores setoriais, o maior destaque
ficou por conta da indústria automotiva, que apresentou
crescimento interanual de 24,2%", diz o boletim "Indicador
Ipea de produção indústria mensal" divulgado
pelo Ipea. "Este resultado é reflexo de uma
demanda ainda aquecida, associada a níveis de estoques
abaixo do desejado", segundo o texto.
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Folha de São Paulo,
23 de fevereiro de 2008
PARÁ
Governo prepara megaoperação
para retirada de madeira ilegal
FÁBIO GUIBU, DA AGÊNCIA FOLHA, EM TAILÂNDIA
MATHEUS PICHONELLI, DA AGÊNCIA FOLHA
O governo do Pará prepara uma megaoperação
para retirada da madeira extraída ilegalmente e
apreendida, no início da semana, em Tailândia
(218 km de Belém). O trabalho foi suspenso na terça,
devido a confronto entre policiais e cerca de mil pessoas
contrárias à fiscalização.
O comando da tropa de intervenção da Polícia Militar
informou que, desta vez, está preparado para conter manifestações
envolvendo até 20 mil pessoas, o equivalente a quase um terço
dos 67 mil habitantes da cidade. No conflito do início da semana,
uma ponte foi interditada com toras incendiadas. Manifestantes depredaram
o fórum da cidade e retiveram um grupo de fiscais.
Ontem, os 200 policiais da elite da PM, deslocados de Belém
para Tailândia, deram uma demonstração pública
de força, na tentativa de desestimular novos protestos. Com
coletes à prova de balas, escudos, armas pesadas -como metralhadoras-
e de efeito moral, PMs passaram o dia enfileirados em locais de grande
movimentação.
Homens do serviço de inteligência da PM se infiltraram
entre moradores, para detectar eventuais mobilizações.
Até o início da noite, não foi registrado confronto.
Segundo a Sema (Secretaria Estadual do Meio Ambiente), a retirada dos
13 mil metros cúbicos de madeira apreendidos -suficiente para
lotar mais de 700 caminhões- só será iniciada
após trabalho de pacificação.
Um leilão com a madeira apreendida será promovido pelo
governo, o que deve render aos cofres públicos pelo menos R$
4 milhões, segundo estimativa. Metade do valor deve ser revertida
em ações de requalificação profissional,
e outra parte, para custear as operações e equipar agentes
fiscalizadores.
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Folha de São Paulo,
23 de fevereiro de 2008
REAL FORTE:
DÓLAR BARATO FAZ O SALÁRIO MÍNIMO VALER US$ 222
A valorização do real fez o valor do salário mínimo
atingir novo nível recorde quando medido em dólares.
Ontem, com o dólar a R$ 1,7070, o salário mínimo
subiu para US$ 222,61.
A cotação do dólar ontem foi a menor desde o R$
1,7020 de 26 de maio de 1999. Como comparação, o mínimo
de ontem em dólares é quase dez vezes (9,79) o de janeiro
de 1965, de US$ 22,74 -um dos menores valores, em dólares, até hoje.
Se o provável valor do mínimo a partir de março
(R$ 412,40) já estivesse em vigor, ele equivaleria ontem a US$
241,59.
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Folha de São Paulo,
23 de fevereiro de 2008
País precisa voltar
a se endividar, diz Lula
Um dia após Banco Central
anunciar que país "zerou" dívida
externa, presidente defende gastos em infra-estrutura
Em discurso improvisado no Congresso
argentino, presidente afirma que momento é positivo
para investir em obras
ADRIANA KÜCHLER
DE BUENOS AIRES
Um dia depois de o Banco Central anunciar que o país "zerou" a
sua dívida externa, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva afirmou ontem em Buenos Aires que o país
deve voltar a se endividar. " Precisamos aproveitar
uma situação, se não privilegiada,
melhor, para começar a nos endividar. Não
para gastar dinheiro à toa, para gastar em infra-estrutura,
para facilitar o desenvolvimento da América do Sul",
afirmou Lula em discurso improvisado ao Congresso Nacional
da Argentina, como parte da programação de
sua visita oficial a Buenos Aires para firmar acordos com
o vizinho.
" O Brasil deixou de ser devedor internacional para ser credor internacional",
disse Lula em declaração que rendeu aplausos no Congresso. "Ou
seja, em 500 anos de história, nós fomos devedores. Apenas a partir
de ontem, a gente passou a ter mais reservas que nossa dívida pública
e privada."
Lula se referia à informação divulgada anteontem
pelo BC de que os ativos do governo e do setor privado registrados
no exterior no fim de janeiro superavam em US$ 4 bilhões o valor
de todas as dívidas contraídas em outros países.
Na prática, isso significa que o Brasil está mais preparado
para enfrentar possíveis turbulências econômicas
no mercado internacional e menos dependente dos fluxos internacionais
de capital -com isso, ganharia mais confiança do mercado financeiro.
Em seguida, Lula afirmou que o momento é positivo para investir
em obras. "Quantas pontes precisamos construir? Quantas hidrelétricas
precisamos construir? Quantas ferrovias precisamos construir para que
a gente possa acreditar que o século 21 é o século
dos países que não tiveram sorte ou oportunidade no século
20?", disse o presidente, após concluir que o endividamento
para gerar investimentos em infra-estrutura é benéfico
para o país.
Ricos e pobres
No discurso, Lula também falou sobre a questão energética,
um problema "mundial e muito delicado", que, segundo ele,
tem como uma de suas principais causas o fato de os países ricos
não cumprirem com os protocolos assinados nos fóruns
multilaterais, como o Protocolo de Kyoto.
Sobre a Rodada Doha, disse que Brasil e Argentina devem trabalhar juntos
e que "não há saída individual". "Juntos
seremos mais fortes para enfrentar o protecionismo que ameaça
um acordo justo na rodada."
Após firmar uma série de acordos com a presidente da
Argentina, Cristina Kirchner, que visam "superar a inércia
burocrática", Lula falou ao Congresso sobre o que motiva
o Brasil a investir nas relações com o país vizinho,
que "foi uma das principais economias do mundo no começo
do século passado", chegou quase ao fundo do poço
e se recuperou.
No almoço oferecido ao presidente, Cristina também teceu
elogios ao Brasil e ao colega e afirmou que o vínculo com o
país e a região ajudou que a Argentina não entrasse
em uma crise a partir de uma crise mundial pela primeira vez em muito
tempo.
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Folha de São Paulo,
23 de fevereiro de 2008
Centrais criticam proposta de fim do
salário-educação
Sindicalistas se reúnem com
Mantega e Lula na segunda para discutir reforma tributária
CUT e Força querem manutenção
da receita garantida por contribuição à educação;
UGT vê avanço em desonerar folha salarial
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
As centrais sindicais consideram "preocupante" o
fim do salário-educação, como prevê a
proposta de reforma tributária apresentada anteontem
pelo governo federal, e querem mais detalhes sobre como a
receita arrecadada com essa contribuição -cerca
de R$ 7 bilhões em 2007- será mantida.
Na segunda-feira, sindicalistas se reúnem com o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
em Brasília, para discutir a PEC (proposta de emenda constitucional)
da reforma tributária e ter acesso a mais detalhes do projeto.
O salário-educação é uma contribuição
que incide sobre a folha de pagamento das empresas -a alíquota é de
2,5%. Ao acabar com essa contribuição, o governo espera
contribuir para a desoneração da folha reivindicada pelo
setor produtivo.
" O governo vai acabar com o salário-educação e colocar
o que no lugar? Esse dinheiro é usado justamente para atender os filhos
dos trabalhadores que não têm acesso a escolas privadas", diz
João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força
Sindical. A CUT (Central Única dos Trabalhadores) tem a mesma preocupação. "Não
está claro se, ao retirar o salário-educação da folha
de pagamento, os recursos serão mantidos para os Estados e os municípios.
Queremos mais detalhes", diz Artur Henrique, presidente da CUT.
Outra preocupação, diz o sindicalista, é saber
se será mantida a receita, garantida para a seguridade social,
prevista em tributos que serão unificados, como PIS e Cofins.
Hoje, a União tem quatro tributos sobre o consumo -PIS, Cofins,
IPI e Cide-, com alíquotas que variam por setor. Uma das propostas
da PEC é criar o IVA (Imposto sobre Valor Agregado) federal
e unificar a tributação com alíquotas que mantenham
a arrecadação.
" A Constituição Federal garante que parte dos recursos seja
destinada para assistência social, saúde e previdência. Se
os tributos forem unificados no IVA, Imposto sobre Valor Agregado, o repasse
será garantido na mesma proporção?", questiona o sindicalista.
Para a UGT (União Geral dos Trabalhadores), entretanto, é positiva
a idéia de acabar com o salário-educação. "Contribuições
sobre a folha encarecem o custo do trabalhador para as empresas e isso
impede que elas paguem melhores salários e empreguem mais gente",
diz Ricardo Patah, presidente da UGT, que é resultado da fusão
de três centrais -CGT, SDS e CAT. "O que precisa ser feito é uma
discussão ampla, um PAC voltado para educação."
CUT e Força Sindical reconhecem que a proposta de reforma traz
pontos positivos, como a unificação de impostos e a simplificação
do sistema tributário no país.
" Unificar as alíquotas do ICMS cobradas pelos Estados é muito
importante porque dá condições de acabar com a guerra fiscal
que também prejudica o trabalhador", diz Juruna. "Uma empresa
fecha as portas em um Estado e demite os funcionários para ir atrás
de incentivos fiscais. Só que, ao contratar em outro Estado, paga salários
muito mais baixos. Portanto o trabalhador sofre diretamente as conseqüências
dessa guerra fiscal."
Patah, entretanto, diz que o governo deveria ter criado um imposto
federal único.
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