 |
Diário Vermelho,
24 de fevereiro de 2008
Reforma tributária chega
ao Congresso Nacional nesta quinta
Chega ao Congresso Nacional na próxima semana a proposta
de reforma tributária do governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentou o anteprojeto
da reforma em reunião do Conselho Político do Governo,
no Palácio do Planalto. Entre os objetivos do projeto, consta
o fim da guerra fiscal, a garantia do desenvolvimento regional e a
desoneração da folha de pagamentos, para facilitar a
contratação de mão-de-obra com carteira assinada.
Para dar fim à guerra fiscal e simplificar a arrecadação,
serão criados dois impostos únicos: um Imposto
sobre Valor Agregado (IVA) federal e outro estadual. Esses
impostos vão substituir os tributos que hoje incidem
sobre a produção, como PIS, Cofins, Cide
e ICMS. A proposta prevê a criação
de um fundo nacional de desenvolvimento regional que vai
compensar os estados que perderem arrecadação
com o fim do ICMS.
De acordo com o relator do PPA (2008-2011), deputado Cláudio
Vignatti (PT-SC), sucessivos governos vêm tentando
a reforma tributária, mas não encontraram
um momento tão propício, em termos econômicos,
para realizá-la.
Segundo ele, o crescimento da economia deixa os estados
e municípios mais propensos a negociar a melhoria
do sistema. "A guerra fiscal entre os estados é um
jogo de soma zero, em que todos perdem", disse. Vignatti
defende a racionalização dos impostos com
medidas que tornem mais justa a tributação
e o combate à sonegação com aumento
da fiscalização e melhoria dos métodos
de cobrança.
|
Diário Vermelho,
24 de fevereiro de 2008
Brasil e Argentina abolirão
dólar para trocas comerciais
A partir do segundo semestre deste ano, Brasil e Argentina
deverão começar a abolir o dólar das trocas comerciais.
A previsão é do ministro das Relações Exteriores,
Celso Amorim. "Em breve, haverá os primeiros testes sobre
a operacionalidade do sistema", disse o ministro em Buenos Aires.
Amorim acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na
visita ao país com o objetivo de firmar vários acordos
de cooperação.
Segundo o ministro, a utilização de moedas locais - real
e peso - nessas transações é a primeira etapa para
a adoção de uma moeda comum. Inicialmente, as operações
em moedas locais serão limitadas. "Talvez em termos de valor
ou volume de comércio não seja, de pronto, a maior parte
do comércio, mas será a maior parte das operações.
Isso já vai ajudar, desde logo, muitas empresas pequenas e médias
a negociarem", avaliou.
Os dois governos anunciaram na última sexta-feira
a intensificação da cooperação
na área de energia. A futura parceria poderá ser
científica e até industrial, antecipou Celso
Amorim. "Tudo é para fins pacíficos,
nesta linha de tentar diminuir os problemas energéticos
que existem", disse o ministro. Para ele, a adoção
de novas fontes é um dos caminhos para superar a
escassez de energia da região.
A iniciativa foi elogiada por parlamentares da bancada
petista. Na avaliação do deputado Nilson
Mourão (PT-AC), as transações comerciais
entre os dois países, sem o uso da moeda norte-americana, é um
grande avanço. "Essa modalidade de transação
comercial valoriza as moedas nacionais e fortalece a economia
dos dois países", afirmou. Mourão também
considerou um grande avanço os acordos que serão
assinados na área de cooperação em
energia nuclear.
Para o deputado Carlito Merss (PT-SC), a decisão
dos dois países é estratégica e deverá surtir ótimos
resultados. "O mundo já começa a se
organizar em moedas únicas de negociação
comercial, a exemplo do Euro, que hoje é uma das
moedas mais valorizadas do mundo. Esperamos que essa iniciativa
seja o primeiro passo para a criação de uma
moeda única para os países do Mercosul, e,
quem sabe, no futuro, para toda a América Latina",
destacou. Carlito sugere que a nova moeda leve o nome de
América.
|
Agência Brasil, 24
de fevereiro de 2008
Construção civil
em São Paulo poderia empregar 14 mil pessoas com deficiência
Vinicius Konchinski
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - Dados do Sindicato da Indústria
da Construção Civil do Estado de São
Paulo (SindusCon-SP) apontam que 682 empresas filiadas
têm mais de 100 empregados e, portanto, devem ter
no mínimo 2% do seu quadro de funcionários
preenchido por portadores de deficiência.
Mas, fiscalizações da Superintendência
Regional do Trabalho e Emprego do estado de São
Paulo (SRTE-SP) realizadas em 282 empresas do setor mostraram
que elas empregam, atualmente, 1.900 deficientes, quando
deveriam empregar 9.900. Segundo a superintendência,
se todas as 682 empresas se adequarem à lei, 14
mil pessoas com deficiência serão empregadas
no estado.
Pactos firmados com sindicatos patronais são a
alternativa encontrada pela SRTE-SP para a inclusão
de pessoas com deficiência no mercado. Desde 2005,
o órgão já assinou acordos com mais
de dez entidades e apresenta resultados, segundo Lucíola
Rodrigues Jaime, superintendente responsável pela
fiscalização das empresas paulistas.
Lucíola Jaime afirma que, até o final do
ano passado, 79.479 pessoas com deficiência estavam
trabalhando com carteira assinada no estado. O número
representa cerca de 43% das 185.818 vagas que obrigatoriamente
deveriam ser preenchidas por deficientes. Ainda segundo
ela, 60% das empresas com mais de 100 funcionários
sediadas em São Paulo cumprem a Lei de Cotas.
"Várias empresas do setor já foram
multadas. Agora, têm dois anos para se adequar. Se
não cumprirem as metas, serão multadas novamente",
alerta.
Todos os acordos feitos pela SRTE-SP têm o mesmo
formato: empresas filiadas a sindicatos aderem ao pacto
e têm até dois anos para que pelo menos 50%
das vagas destinadas a deficientes sejam preenchidas. Para
compensar o prazo dado para adequação, os
empresários se comprometem a organizar bancos de
dados com informações de deficientes interessados
em trabalhar, qualificar essas pessoas para que ocupem
as vagas e realizar campanhas contra o preconceito e a
discriminação.
"O pacto é o embrião de um trabalho
de inclusão”, diz o diretor de Relações
Capital Trabalho do SindusCon, Haruo Ishikawa, organizador
do grupo de trabalho formado no sindicato para a discussão
do acordo. “Durante dois anos, realizaremos uma série
de atividades para saber quem são essas pessoas
[com deficiência], onde estão e se querem
trabalhar”.
|
Agência Brasil, 24
de fevereiro de 2008
Dois terços das vagas
de trabalho para pessoas com deficiência não
são preenchidas
Vinicius Konchinski
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - Duas a cada três vagas de trabalho
que, de acordo com a Lei de Cotas (8.213/91), deveriam
ser ocupadas por pessoas com deficiência não
estão preenchidas. A informação é do
assessor de fiscalização do Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE), Rogério Lopes Costa
Reis. Ele afirmou que, 17 anos após o início
da obrigatoriedade da inclusão de deficientes no
quadro de funcionários de empresas que têm
mais de cem funcionários, “um terço
das vagas para deficientes estão preenchidas no
Brasil”.
Reis disse ainda que, por “inconsistência
nos dados”, o ministério não divulga
o número de postos para deficientes em aberto nem
o total de empresas irregulares quanto ao cumprimento das
cotas. Admitiu, no entanto, que na maioria dos casos a
lei não é cumprida.
O motivo, segundo ele, é principalmente o preconceito
dos empresários, mas também a ineficiência
da fiscalização do Poder Executivo. “De
1991 a 1999, o governo nunca exigiu o cumprimento da Lei”,
admitiu.
“A origem da lei é previdenciária,
da época em que o MTE e o Ministério da Previdência
trabalhavam juntos, em 1991. Depois do desmembramento dos órgãos
não ficou decidido quem era competente de fiscalizar.
Isso só ocorreu em 99, quando foi editado em decreto
[3.289/99] que determinou que a competência era do
MTE", explicou.
Segundo ele, em 2000 foram planejadas as primeiras ações
de fiscalização e, desde então, começaram
a surtir os primeiros resultados. Dados do ministério
apontam que em 2007 foram contratadas 22.314 pessoas com
deficiência em todo país, 12% a mais que em
2006.
Costa Reis considera que os resultados das ações
do MTE são positivos, mas disse que o ideal é que
a fiscalização não fosse necessária.
Para ele, é importante uma mudança na postura
do empresariado. “O que mais impede a contratação
dos deficientes é o preconceito dos empresários.
Eles acham que os funcionários [com deficiência]
podem prejudicar esteticamente a empresa ou não
desempenhar as funções delegadas a eles.
Acham também que vão gastar muito com as
adaptações necessárias para receber
os deficientes”, diz.
Pela Lei de Cotas, toda empresa com 100 e 200 empregados
deve reservar 2% das suas vagas de emprego aos portadores
de deficiência. Se a empresa tem até 500 empregados,
o percentual da reserva sobe para 3%; com até mil,
para 4%; e de 1.001 em diante, 5%. Empresas que não
cumprem a norma estão sujeitas à multa, que
varia entre R$ 1.195,13 a R$ 119.512,33.
|
Agência Brasil, 24
de fevereiro de 2008
Obesidade pode gerar distinção
no mercado de trabalho
Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil
Wilson Dias/Abr

Pesquisa revelou que obesidade
mórbida cresceu 255% entre a população
brasileira nas últimas quatro décadas.
As mulheres são as que mais sofrem com o problema
Brasília - Além dos prejuízos gerados à saúde
e a qualidade de vida das pessoas, a obesidade vem gerando uma série
prejuízos também no mercado de trabalho, segundo informações
do endocrinologista Márcio Mancini, presidente da Associação
para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).
Segundo ele, pesquisas internacionais revelam que quanto
mais obeso o indivíduo, menor a chance de conseguir
um emprego e, quando o consegue, o salário é menor
do que o de uma pessoa magra.
A advogada Michele Trindade, de 26 anos, moradora de Brasília,
já pesou 130 quilos antes de passar por uma cirurgia
de redução de estômago. Ela conta que
viveu discriminação no mercado de trabalho
ao participar de uma seleção para estágio. “Depois
de passar pela entrevista eu fui contratada, mas o chefe
disse que quando viu minha foto no currículo pensou:
'nossa, essa menina é muito gorda, deve ser preguiçosa,'
mas como um amigo meu tinha falado muito bem de mim, resolveu
arriscar”.
De acordo com o endocrinologista, a distinção
entre obesos e magros no mercado de trabalho pode ser observada
também pelos dados que apontam a incidência
maior dos primeiros em funções básicas. “Na
diretoria se vê que há mais pessoas magras
que obesas e à medida que se vai baixando na categoria,
chegando até o último escalão, dos
operários, vai aumentando o número de obesos.
Nas categorias mais básicas você tem menos
magros e mais obesos e nas categorias mais privilegiadas
ocorre o contrário”.
Segundo ele, uma das explicações para isso é o
menor acesso à informação das pessoas
de classes mais baixas. “De fato a obesidade está aumentando
mais nas classes sócio-econômicas menos privilegiadas
e está tendendo a estabilizar ou reduzir nas classes
mais altas” avaliou.
Mancini ressaltou, no entanto, que os números podem
estar refletindo também uma seleção
do mercado de trabalho que exclui pessoas obesas de funções
de destaque.
“Você tem dois indivíduos igualmente
qualificados que vão procurar emprego para ser diretor
de uma empresa. O obeso é visto como menos capaz,
com menos força-de-vontade, mais preguiçoso,
com rendimento menor, o que não pode ser afirmado,
mas essas qualidades pejorativas são passadas pelo
estado de obesidade”, afirmou.
Márcio Mancini destacou que os obesos não
podem ser discriminados, mas que o ideal é promover
a saúde da população e reduzir a obesidade. “Às
vezes vemos nos outros países uma luta pelo aumento
do tamanho nos acentos dos aviões ou das catracas
de ônibus. Os americanos vêm aumentando o tamanho
dos porta-copos dos carros para adaptá-los à embalagens
maiores de refrigerantes. Existe um meio termo para tudo,
mas devemos lutar contra a obesidade e não para
adaptar o ambiente para termos cada vez mais obesos”,
considerou.
De acordo com o médico, estudos norte-americanos
mostram que quanto mais obeso o profissional, maior o número
de licenças médicas, mais dias de ausência
ao trabalho por ano e mais precoce a aposentadoria.
O mecânico aposentado Valter de Macedo Junior, de
48 anos, morador de Praia Grande, litoral paulista, é um
exemplo desse problema. Aos 42 anos, pesando 220 quilos,
ele precisou parar de trabalhar, não só pelas
grandes dificuldades de locomoção como pelas
doenças que surgiram com excesso de peso. ”Não
tinha mais jeito. Problemas vasculares com feridas nas
pernas, pressão alta, diabetes. Acabei aposentado
por problemas vasculares” conta.
|
Gazeta do Povo, 24 de fevereiro
de 2008
BRASIL | CÂMARA
Fim do nepotismo vira prioridade
Após 12 anos de tramitação,
Arlindo Chinaglia (PT-SP) promete votar Proposta que proíbe
contratação de parentes em 2008
por ANDRÉ GONÇALVES,
correspondente
Brasília – Após 12 anos de tramitação,
a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que proíbe o nepotismo
no serviço público pode ser votada em 2008. Ela encabeça
uma lista de 20 prioridades apresentadas neste mês pelo presidente
da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP). O tema seria
o primeiro assunto da “agenda positiva” defendida por líderes
partidários para melhorar a imagem do Congresso Nacional, mas
está atrás de 20 medidas provisórias e quatro
projetos com urgência urgentíssima que trancam a pauta
até 20 de março. J Batista/AG Câmara

Presidente da Câmara
defende a votação da PEC do Nepotismo,
primeiro assunto da “agenda positiva” defendida
por líderes para melhorar a imagem do Congresso
A PEC proíbe que ocupantes de cargos públicos nos três
poderes e no Ministério Público contratem parentes sem
concurso público até terceiro grau. Ou seja, prefeitos,
governadores, presidente, vereadores, deputados, senadores, juízes
e promotores não podem dar emprego a pais, filhos, netos, sogros,
cônjuges, irmãos, tios, sobrinhos e cunhados. Em teoria,
isso já estaria explícito no princípio de impessoalidade
na gestão pública, previsto na Constituição,
mas não é cumprido por vários políticos.
Casos famosos
A falta de legislação específica
alimenta casos famosos, como o do governador Roberto Requião
(PMDB), que emprega a esposa, dois irmãos e dois
sobrinhos na administração do estado. Embora
o caso seja alvo de uma ação do Ministério
Público, ele ainda não foi obrigado e não
demonstra qualquer intenção de demiti-los.
O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), enfrenta processo
similar por ter nomeado o irmão e a esposa como
secretários.
A discussão sobre a necessidade de uma lei antinepotismo
ganhou corpo na semana passada, quando o procurador-geral
de Justiça de São Paulo, Rodrigo Pinho, mandou
arquivar inquéritos abertos contra quatro conselheiros
do Tribunal de Contas do estado que nomearam parentes.
Pinho liderava a causa contra a prática nas instituições
públicas paulistas. Ele deixa o cargo em março
e as decisões beneficiam dois ex-colegas, um deles
também ex-procurador-geral.
O deputado federal Carlos Manato (PDT-ES) foi o presidente
de uma comissão especial que debateu a PEC em 2005.
Segundo Manato, ela esteve próxima de ser votada
em novembro do ano passado, mas emperrou porque a base
governista entrou em obstrução por causa
da CPMF. “A proposta é agora a de número
25 da pauta. Depende de vontade política e de um
desejo pessoal do presidente Chinaglia levá-la ao
plenário”, diz o pedetista.
Apesar do otimismo, Manato não tem convicção
total de que a PEC, enfim, irá desencalhar. A dúvida é compartilhada
por dois professores de ciências políticas
da Universidade de Brasília. “A idéia é boa,
mas a chance de tramitar e ser aprovada 2008 é muito
reduzida, porque o ano legislativo vai acabar quando começarem
as campanhas para prefeito. É um desafio”,
diz David Fleischer, doutor em política pela Universidade
da Flórida (EUA).
Leonardo Barreto destaca que a aprovação
de uma PEC, principalmente quando trata de temas polêmicos,
exige a mobilização de todo Congresso Nacional. “A
proposta é especial e difícil porque mexe
com um dos traços mais tradicionais da política
brasileira: a perspectiva patrimonialista de nomear parentes
para fazer com que a família tome conta daquilo
que é público”, afirma.
Apesar de estar pronta para votação, a principal
dificuldade de tramitação será reunir
quórum e conseguir a maioria de três quintos
dos deputados. Além disso, é necessária
a realização de dois turnos, tanto na Câmara
quando no Senado. “Pode parecer complicado porque
estamos em ano eleitoral, só que a lei contra o
nepotismo terá de ser aprovada agora ou depois.
Acabar com a contratação de parentes é um
tema amadurecido na cabeça da imprensa e do eleitor”,
aponta Barreto.
|
Gazeta do Povo, 24 de
fevereiro de 2008
BRASIL | CÂMARA
PEC não evita troca
de favores
por ANDRÉ GONÇALVES
A PEC que supostamente acabaria com a contratação de
parentes sem concurso no serviço público vai a votação
com várias brechas. Ela não veda o nepotismo cruzado
entre poderes. Um prefeito (membro do Poder Executivo), por exemplo,
continuaria podendo contratar o irmão de um deputado (membro
do Poder Legislativo).
O fim desse cruzamento também estaria restrito
aos poderes e suas instâncias. Ou seja, seria ilegal
apenas a contratação de um parente de senador
em qualquer setor do Congresso Nacional, mas não
na Assembléia Legislativa de seu estado de origem.
Isso permite, no caso paranaense, que o filho do governador
Roberto Requião (PMDB), o advogado Maurício
Requião, continue trabalhando sem concurso no gabinete
do deputado federal Rodrigo Rocha Loures.
“O trabalho que fizemos foi muito proveitoso. É claro
que tivemos de negociar, se não fizéssemos
concessões nem adiantaria levar para votação”,
diz o deputado Carlos Manato.
No acordo para amenizar a PEC, também foi descartada
a “quarentena”, proibição de
contratação de parentes até três
anos depois que o detentor do cargo público deixou
o posto. A nova regra, se aprovada, também não
atinge funcionários das agências reguladoras. “Por
outro lado, compramos a briga e conseguimos estender a
proibição de parentes de segundo para o terceiro
grau do texto original”, diz Manato.
O que muda
Contratação – A PEC
proíbe a contratação de parentes até terceiro
grau sem concurso público nos três poderes
e no Ministério Público. A regra não
vale para as agências reguladoras, como Anac e Anatel.
Parentesco – Estão incluídos
na proibição pais, filhos, netos, sogros,
cônjuges, irmãos, tios, sobrinhos e cunhados
do detentor do cargo público.
Cruzamento – Só estaria
proibida a contratação de familiares no mesmo
poder (exemplo: Legislativo para Legislativo) e instância
(exemplo: federal para federal). Segue permitido o nepotismo
cruzado entre poderes (exemplo: Executivo para Legislativo).
|
Gazeta do Povo, 24 de
fevereiro de 2008
BRASIL | CÂMARA
Dois deputados federais paranaenses
confirmam contratação de parentes
por ANDRÉ GONÇALVES
Dois deputados federais do Paraná admitem que têm parentes
nomeados em seus gabinetes ou escritórios regionais. Nélson
Meurer (PP) emprega a mulher de um irmão e Luiz Carlos Setim (DEM),
a esposa. Em uma enquete feita com 18 dos 30 parlamentares do estado
na Câmara, apenas os dois disseram que votarão contra a
PEC que proíbe o nepotismo.
Cada parlamentar pode contratar até 25 assessores
sem concurso público e gastar por mês até R$
50,8 mil com todos esses salários. A Câmara
não divulga a lista desses funcionários.
Um estudo feito pelo jornal Folha de S. Paulo no ano
passado apontou que havia 68 parentes de até terceiro
grau de deputados nomeados.
Outra pesquisa, do Correio Braziliense, apontava 61.
Nas contas do deputado federal Carlos Manato (PDT-ES)
eles seriam “apenas” 40. “A Câmara
não divulga as informações oficialmente
para não expor os funcionários, mas a PEC
vai corrigir essas distorções”, afirma.
Embora admita a contratação da cunhada,
Meurer ficou constrangido ao tratar o assunto. Segundo
ele, proibir o nepotismo tornaria os parentes de políticos “pessoas
de segunda classe”. “Isso você pode
colocar, mas não voltar atrás e dizer que
o deputado tem a cunhada dele empregada... Não
cita que vai arrumar confusão”, disse.
Setim explica que é contra a proibição
total de contratação de parentes. “Não
concordo com a voracidade daqueles que dizem que se for
parente é gente ruim? Tem os parentes que trabalham
e muito.” Caso a legislação proíba
que sua esposa continue no cargo, ele afirma que irá exonerá-la. “Mas
ela vai continuar trabalhando para mim. Só que
de graça.”
|
Gazeta do Povo, 24 de fevereiro
de 2008
BRASIL | GOVERNO
Os segredos da popularidade
de Lula
Programas sociais e bom momento
da economia garantem alta aceitação do atual
presidente da república
por CAROLINE OLINDA
Curitiba – Não há escândalo
de cartão corporativo ou surto de febre amarela
que derrube a popularidade do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Em meio a um governo turbulento, que há muito
tempo não sabe o que é navegar por águas
calmas, o presidente Lula reina absoluto. Com um índice
de 66,8% de aprovação pessoal e de 52,7%
de aprovação do seu governo, Lula nunca foi
tão querido pela população nesses
cinco anos em que está no comando do país
como é hoje.
O segredo para Lula ser tão popular – mesmo
em tempos de crises espinhosas – está na sua “política
social, no comportamento do país no cenário
internacional e, principalmente, no bom momento da política
econômica”, afirma a professora de Ciências
Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Luciana Veiga. Segundo a professora, o eleitor é muito
pragmático. Para ele, diz Luciana, enquanto a economia
estiver bem e a sua situação econômica
melhor do que estava no governo anterior, nada mais importa.
Na opinião do cientista político da Universidade de Brasília
(UnB) Lúcio de Brito Castelo Branco, a base de sustentação
da popularidade de Lula está nos programas de transferência
de renda, principalmente o Bolsa Família, um dos carros-chefes
do governo. “A maioria das pessoas avalia bem o presidente Lula
por causa das bolsas, a esmola distribuída pelo governo”,
diz.
A pesquisa CNT/Sensus divulgada na semana passada indica
que a aprovação do presidente é maior,
quanto menor é a renda familiar do entrevistado.
Entre as pessoas com renda mensal de até um salário
mínimo, o índice de aprovação
de Lula é de 81,4%. Ainda segundo a pesquisa, a
Região Nordeste – o destino de quase 50% dos
recursos do Bolsa Família – é onde
Lula apresenta o maior índice de aprovação,
81,3%.
O consultor político Hélio Doyle considera
o Bolsa Família um sucesso de popularidade porque
os resultados do programa são percebidos não
só por quem recebe o benefício. “Essa
política cria uma dinâmica na economia de
maneira que várias pessoas se beneficiam. Quem antes
não ganhava coisa alguma, passa a receber um pouco
e a consumir. Isso se reflete num aumento de faturamento
do mercadinho da esquina, que passa a comprar mais da grande
rede de supermercados e assim se cria uma cadeia que tende
a render popularidade ao governo”, comenta.
Castelo Branco, porém, critíca o programa
e outras medidas do governo que considera assistencialistas. “Elas
são anestésicos de grande eficácia,
que cegam a população mais pobre e viciam
o povo que já está acostumado a votar em
troca de benefícios”, afirma o professor.
Luciana observa, no entanto, que o Bolsa Família
tem conseguido fazer um inserção social no
país. “Claro que seria muito mais desejável
que nós tivéssemos projetos de distribuição
de renda mais profundos, mas pelo menos se está fazendo
algo sobre essa questão da redistribuição
de renda no Brasil”. Além da importância
do Bolsa Família, a professora também chama
atenção para programas sociais como o ProUni “que
conseguem envolver e cativar uma grande massa”.
Os programas de transferência de renda e outras
políticas sociais do governo são, para Luciana
Veiga, os grandes causadores da mudança da base
eleitoral do PT. “O perfil de quem se identificava
e votava no PT em 2002 mudou radicalmente nesses quatro
anos. Em 2002, você tinha um homem urbano, com o
segundo grau completo e uma renda de classe média.
Hoje, temos, predominantemente, mulheres de classe baixa
e com o nível de escolaridade que só vai
até a quarta série. Isso é reflexo
da política social que o governo vem mantendo”,
explica.
Carisma
Além da política social e do bom desempenho
da economia, o presidente Lula conta com seu carisma para
manter os bons índices de popularidade. “Lula
adquiriu um capital de imagem muito positivo depois das
eleições, criando uma empatia muito grande
com setores importantes da população e por
isso se mantém tão popular”, afirma
Hélio Doyle. Na opinião dele, o presidente
rompeu com o parâmetro de que só pessoas nascidas
em famílias ricas chegam ao poder. “Ele conseguiu
mostrar que é possível governar o país
mesmo vindo de uma classe mais baixa”.
Para Luciana, a questão da origem social do presidente
e a maneira como ele fala, muito próximo ao palavreado
do povo, ajuda a criar uma identificação
da população com Lula. “O que faz com
que as pessoas perdoem os seus erros com mais facilidade”.
A professora destaca que o presidente assume uma personalidade
dúbia no imaginário da população. “Para
o povo, o presidente é forte porque superou todos
os obstáculos e chegou ao poder, mas é fraco
diante dos empresários representantes de setores
tradicionais”. Com isso, segundo Luciana, Lula consegue
jogar com a opinião da população e
parecer sempre distante das crises que abalam o governo.
Essa blindagem de Lula contra as crises também
se deve à política de comunicação
adotada pelo seu governo e ao sistema presidencialista
brasileiro, que costuma descolar do presidente os atos
negativos praticados por seu ministros e pelo segundo escalão. “Quando
ocorre algo negativo, a tendência é jogar
a culpa para outras pessoas. Mas quando acontece um fato
positivo, a vantagem sempre é voltada para o lado
do presidente”, avalia Doyle.
|
Gazeta do Povo, 24 de fevereiro
de 2008
BRASIL | GOVERNO
Falta de carisma de Dilma é problema
para PT
por CAROLINE OLINDA
Ela é a dama de ferro da política brasileira. Substituiu
o ex-ministro José Dirceu na chefia da Casa-Civil em meio à crise
política que abateu o governo Lula em 2005 e desde então é o
braço direito do presidente, sendo considerada um símbolo
de eficiência e seriedade. Porém, nem com tanta importância
no governo, a ministra Dilma Rousseff, consegue alcançar índices
de popularidade dignos de uma provável candidata do PT a eleição
presidencial de 2010.
A pesquisa CNT/Sensus aponta a derrota de Dilma em qualquer
um dos cenários apresentados pelo levantamento. Na
votação espontânea – em que o entrevistado
escolhe em quem votaria para presidente sem que lhe sejam
dadas opções – ela nem mesmo aparece
entre os cotados.
José Cruz/ABr

Possível candidata do PT
em 2010, a ministra Dilma Rousseff é impopular
A falta de carisma da ministra é a principal explicação
para os resultados que, na opinião do consultor político
Hélio Doyle, também indicam o tamanho do risco que o
PT correria ao lançar Dilma como candidata na próxima
eleição presidencial. “Se o PT insistir em Dilma
Rousseff, vai ser a maior derrota do partido em todos os tempos. O
Lula não transfere os seus votos para ela”, afirma.
Para a professora do departamento de Ciências Sociais
da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Luciana Veiga,
o papel da desagradável do governo, da pessoa que
dá as notícias ruins e enfrenta a imprensa
nos momentos de crise sobrou para Dilma e isso pesa contra
a imagem da ministra. “Ela faz o papel do homem da
casa do governo Lula. É Dilma quem recebe as pedradas
do governo e o Lula é protegido por essa situação.
Ele nunca dá informação desagradável”,
comenta Luciana.
Se falta carisma à ministra, também faltam
nomes de peso para o PT lançar como candidatos à presidência
em 2010. Na opinião de Doyle, o partido não
tem candidatos fortes o bastante para garantir uma candidatura
própria nas próximas eleições
presidencias. Segundo ele, a única solução
para o PT, nesse caso, seria apoiar a candidatura de alguém
da base aliada. “O nome mais forte hoje da ba-se governista é Ciro
Gomes e ele não seria eleito sem o apoio do PT.”
|
Gazeta do Povo, 24 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | PORTOS
Madeira paraguaia agora sai
por SC
País vizinho quer
recuperar movimento em Paranaguá, mas troca de rota
reduziu ainda mais os embarques
por CARLOS OHARA
Paranaguá – Funcionário público do governo
paraguaio, Luis Rafael Rabery conhece todos os trâmites do porto
franco de seu país instalado no litoral paranaense desde a década
de 80. Depois de transferências para outros escritórios
da ANNP, ele retornou há pouco tempo a Paranaguá para
tentar reerguer o local, aumentando a movimentação de
cargas. A meta, no entanto, está difícil de ser alcançada.
Sem muitas esperanças de recuperar o antigo patamar
das exportações de grãos, Rabery quer
ampliar a importação e exportação
industrial. Pretende também utilizar o espaço
junto ao escritório da ANNP, com capacidade para
armazenagem de 600 contêineres, e uma construção
equipada com câmara fria, onde podem ser depositados
20 contêineres. O equipamento foi instalado há dois
anos, para atender à operação de uma
empresa de sucos do Paraguai que pretendia exportar através
de Paranaguá. No entanto, como a companhia mudou
a rota em seguida, o local nunca foi usado e está sem
manutenção.
Apesar dos planos de recuperação, no fim
de 2007 Rabery enfrentou um novo declínio na movimentação
de mercadorias em Paranaguá. Madeireiros paraguaios,
que exportam para o Canadá e Estados Unidos e ainda
movimentavam o porto franco, passaram a enviar cerca de
3,5 mil metros cúbicos de lâminas de madeira
e parquete (pisos de madeira) pelo porto de São
Francisco do Sul, em Santa Catarina. A carga é exportada
em 90 contêineres por mês.
Nesse caso, a mudança de rota não foi definida
pelos paraguaios, e sim por armadores que decidiram alterar
a rota conhecida como Serviço Samba – roteiro
semanal operado pelo consórcio composto pela Hamburg
Sud, CSAV Group, CMA-CGM e Maruba. O Samba, que fazia escala
no Paraná até dezembro, transporta contêineres
em uma rota entre os Estados Unidos e a América
do Sul. A escala paranaense foi transferida para o porto
de São Francisco.
“Jamais poderia supor que chegaríamos à atual
situação”, lamenta Rabery, que na semana
passada se reuniu com a Receita Federal e a direção
do porto em Santa Catarina para autorizar o embarque no
porto catarinense a partir do escritório da ANNP
em Paranaguá.
|
Gazeta do Povo, 24 de fevereiro
de 2008
MUNDO | TRANSIÇÃO
Em uma sessão histórica,
Cuba conhece hoje o sucessor de Fidel
Raúl Castro e Carlos
Lage são dois dos mais cotados para a Presidência
da ilha
Havana – Numa sessão histórica, no
centro de convenções do Hotel Palco, em Havana,
os 614 deputados da Assembléia Nacional cubana,
eleitos em janeiro, marcam hoje, oficialmente, a saída
de Fidel Castro da presidência de Cuba – cargo
que ocupa desde o triunfo de sua revolução,
em 1959. A decisão de retirar-se da chefia do Estado
foi anunciada pelo próprio Fidel, em carta divulgada
pelo jornal oficial Granma, na terça-feira.
Saiba mais sobre a estrutura
governamental cubana

Três das mais importantes figuras do regime são apontadas
como favoritas para assumir o posto: Raúl Castro, irmão
de Fidel, que já exerce a função de presidente
desde o fim de julho de 2006 – quando o líder anunciou
seu afastamento do poder para tratar uma grave doença no intestino –,
o vice-presidente, Carlos Lage, de 56 anos, e o ministro das Relações
Exteriores, Felipe Pérez Roque, de 42. Os dois últimos
são integrantes de uma geração de dirigentes do
Partido Comunista que nasceu ou foi educada após a revolução.
EFE

Herança de uma era: frases
estampadas nos muros de Havana evidenciam a popularidade
de Fidel Castro, que renunciou ao poder após quase
cinco décadas
Na opinião de "cubanólogos" que vivem no exterior,
a eventual escolha de Lage ou de Pérez Roque poderia ser interpretada
como um sinal da disposição do regime comunista de promover
algumas mudanças, principalmente nos rumos da abalada economia
da ilha.
No entanto, entre os cubanos que receberam com eloqüente
silêncio a decisão de Fidel de deixar definitivamente
a presidência, há pouca expectativa de ajustes
significativos, seja quem for o presidente escolhido hoje.
A razão para a descrença dos cubanos em
mudanças reais a partir da eleição
de hoje reside no fato de o chamado núcleo duro
do partido ter permanecido imutável e monolítico
há décadas. Pérez Roque, que apesar
de jovem já integra o establishment do regime há mais
de dez anos, foi o último "quadro" a emergir
com algum destaque no PC.
Os personagens conhecidos como a "jovem guarda do
regime" – entre os quais se incluem Lage e Pérez
Roque – têm convicções políticas
e econômicas tão ortodoxas quanto a do próprio
Fidel.
Outro ponto que leva ao desânimo aqueles que torcem
por mudanças é a constatação
de que Fidel renunciou ao cargo de presidente, mas não
abandonou o governo. Eleito deputado em janeiro, é bem
provável que ele seja escolhido hoje como um dos
31 membros do Conselho de Estado.
"Basicamente, o que os cubanos querem é ganhar
mais dinheiro", afirma José Luis Alonso, professor
da Escola de Economia e Administração de
Havana. "Como o país está sufocado por
um bloqueio (americano) há quatro décadas,
não há como o Estado atender a essa aspiração.
E se não podem ganhar dinheiro do Estado, resta
aos cubanos ganhar dinheiro prestando serviço para
os turistas, que trazem moeda forte para o país."
|
Gazeta do Povo, 24 de fevereiro
de 2008
MUNDO | TRANSIÇÃO
"Onda de liberdade" não
dá direito a discordar do regime
Havana – Liberdade, "pero no mucho". É assim a
onda das liberdades individuais vivida por Cuba – e que pode ser
embalada pela renúncia de Fidel Castro. São permitidos
casamento gay, cirurgias para troca de sexo, dólares na carteira,
consultas populares, internet livre, autorização para viajar
e até John Lennon virando nome de praça. Por outro lado,
ainda não se cogita a liberdade de discordar do regime comunista
cubano. É o que avaliam especialistas.
"Não assistimos a uma revolução
cultural no sentido chinês, mas sim no sentido
cubano, o que é muito diferente", diz o venezuelano
Rafael Villa, professor do Instituto de Relações
Internacionais e do Departamento de Ciências Políticas
da Universidade de São Paulo (USP).
Para o especialista, o chamado "relaxamento cultural" de
Cuba – cuja cultura tem sido homofóbica – causa
poucos problemas ao regime e jamais atingirá sua
essência, que é o controle político
exercido pelo partido sobre a sociedade cubana.
Controle
Segundo Villa, a "revolução cultural
cubana" pode ser inclusive uma forma de se manter
o controle sobre a sociedade e mandar, ao mesmo tempo,
sinais de boa convivência ao mundo globalizado.
Para o historiador argentino Osvaldo Coggiola, autor
de livros sobre revoluções comunistas e
professor da USP, Cuba vive uma revolução
cultural às avessas. Ele frisa que, ao contrário
de Mao Tsé-tung, Fidel decidiu preparar sua sucessão
e tem todas as mudanças planejadas. Mas, de acordo
com Coggiola, apesar de escolher um destino diferente
do de Mao e sua Revolução Cultural, Fidel
escolheu uma saída quase à chinesa:
"As mudanças serão, de certa forma,
mais ao estilo chinês, preservadas as diferenças,
claro. Fazem alguma abertura econômica, mas sem
qualquer abertura política", afirma Coggiola.
|
Folha de Londrina, 24 de
fevereiro de 2008
SUCESSÃO PRESIDENCIAL
Lula só escolherá 'herdeiro'
em 2009
Sem candidato natural do PT à sucessão
em 2010, presidente quer viajar pelo País e pôr à prova
no mínimo seis nomes
Fabio Rodrigues Pozzembom/ABr

Lula, após pesquisa que mostra sua alta popularidade: ‘‘Não
vou benzer ninguém agora’’
Brasília - Sem
candidato natural do PT à sua sucessão, em
2010, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva só pretende
entrar no jogo para ungir um herdeiro ''a partir'' do ano
que vem. Antes, quer pôr à prova no mínimo
seis nomes. O teste incluirá viagens pelo País
ao lado do postulante e o exame de como cada um se comporta
na defesa do governo. ''Eu não vou benzer ninguém
agora'', disse Lula a auxiliares, no início da semana,
depois de ver os resultados da pesquisa CNT-Sensus, que
mostra que sua popularidade ainda é intransferível.
O presidente observa o desempenho de possíveis candidatos
não apenas na seara do PT, mas também em outros
partidos da base aliada, como o PMDB e o PSB. Está bem
impressionado, por exemplo, com a performance do deputado
Ciro Gomes (PSB-CE), ex-ministro da Integração
Nacional.
Nas simulações feitas até agora, Ciro
perderia a eleição presidencial para o governador
de São Paulo, José Serra (PSDB), mas não
faria feio. Além disso, no diagnóstico do Planalto,
se a disputa com os tucanos for marcada por cruzados de direita,
pode ser conveniente para Lula usar o estilo agressivo do
ex-governador cearense.
Gerente do governo, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma
Rousseff, é hoje a favorita do presidente nas fileiras
do PT. Mas Lula admite que falta a ela mais malícia
política. Para adquirir ''jogo de cintura'', Dilma
chegou a ganhar um bambolê de dirigentes do PMDB, em
janeiro, logo depois da posse do ministro de Minas e Energia,
Edison Lobão.
''Estou treinando com o bambolê, mas até agora
não adiantou nada'', brincou a ministra, que é coordenadora
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),
ao comentar com alguns amigos o entusiasmo pelas aulas de
Pilates. Acompanhados de rigorosa dieta, os exercícios
fizeram a chefe da Casa Civil emagrecer dez quilos nos últimos
meses.
Apesar do aval de Lula e do regime político a que
se impôs, com participações em cerimônias
populares, como a Festa da Uva - visitada por ela na quinta-feira,
em Caxias do Sul (RS) -, Dilma não conta com apoio
fechado do PT, partido ao qual se filiou apenas no fim de
1999, após passagem pelo PDT. Além dela, o
presidente garantiu a auxiliares, na semana passada, que
ainda examinará o potencial dos ministros Patrus Ananias
(Desenvolvimento Social), Marta Suplicy (Turismo) e Tarso
Genro (Justiça).
Desidratação
Na prática, porém, Lula quer mesmo que Marta
seja candidata à Prefeitura de São Paulo na
disputa deste ano. Para enquadrar os discípulos da
ministra do Turismo e cortar suas asas, uma articulação
de bastidores que passou pelo Planalto desidratou o time
martista na montagem da Executiva Nacional do PT, eleita
no início deste mês.
O movimento fortaleceu o grupo de Tarso, que conseguiu emplacar
o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP) na secretaria-geral
do partido. Os aliados de Marta queriam o deputado Jilmar
Tatto (SP)no posto.
Peemedebistas
Ao contrário de 1989, quando rejeitou o apoio do
PMDB de Ulysses Guimarães no segundo turno da eleição
presidencial e foi derrotado por Fernando Collor, o presidente
faz, agora, constantes afagos ao partido. Os peemedebistas
já conquistaram seis ministérios no governo.
Dependendo do andar da carruagem, Lula terá à sua
disposição também um nome do PMDB para
sua sucessão, o ministro da Defesa, Nelson Jobim,
que não esconde a intenção de concorrer à Presidência.
A todos com quem conversa, no entanto, Lula tem insistido
em que não tomará nenhuma iniciativa este ano
para não antecipar o fim do governo.
Vera Rosa
Agência Estado
|
O Estado do Paraná,
24 de fevereiro de 2008
Direito e Justiça
Um resgate necessário:
Conferência Estadual do Trabalho no Paraná:
Legislação Processual do Trabalho (5)
Edésio Passos
A Conferência Estadual do Trabalho no Paraná foi
ato preparatório ao Fórum Nacional do Trabalho,
organizada e efetivada a partir de maio de 2003, sob direção
geral do dr. Geraldo Serathiuk, então Delegado Regional
do Trabalho no Paraná. Participei como Mediador
da Conferência e a Relatora foi a professora dra.
Aldacy Rachid Coutinho, da Universidade Federal do Paraná,
responsável pela elaboração do relatório-síntese
divulgado em 7 de agosto de 2003. Esta a quinta parte do
Relatório.
“Legislação processual
do trabalho"
16) O acompanhamento de fiscalização
deve ser objeto de um marco legal e/ou cláusulas
de convenção e acordo coletivo? O que deve
figurar na lei e o que poderia ser objeto de negociação
coletiva?
- Sugere-se que deva ser assegurado pelo marco legal,
sempre que necessário, o acompanhamento dos sindicatos
de trabalhadores e membros da Cipa à atividade de
fiscalização na área de Segurança
e Saúde do Trabalhador.
- Sugere-se, ainda, o acompanhamento da fiscalização
deve ser objeto de amparo legal, sendo facultado aos representantes
dos trabalhadores (sindicatos e membros da Cipa) o referido
acompanhamento.
- Recomenda-se, entretanto, que o representante do sindicato que acompanhar
a fiscalização deverá possuir qualificação
na área de segurança e saúde do trabalho. - Há consenso
no sentido de que seja obrigatório o atendimento das condições
de Segurança e Saúde, pelas Normas Regulamentadoras (NRs),
por todos os órgãos públicos.
- Recomenda-se que as Normas de Segurança e Saúde devam
abranger todos os trabalhadores, independentemente do regime de trabalho
a que estão ligados.
17) A legislação trabalhista, incluindo
as questões de saúde e segurança
no trabalho, deverá ser adequada ao princípio
da negociação coletiva, podendo ser ajustada
entre as partes, diante das peculiaridades dos setores?
- Recomenda-se que o Ministério do Trabalho e Emprego
deve buscar apoio de todos os setores da sociedade com
objetivo de melhorar o meio ambiente de trabalho.
- Resultou de consenso a manutenção da consulta
pública prévia antes da promulgação
de novas normas.
- Sugere-se, por minoria, que o previsto nas Normas de Segurança
e Saúde poderá ser incluído em acordo coletivo,
desde que sejam cumpridos os princípios nelas contidos e que
não haja prejuízos referentes ao tema, relativos a integridade
do trabalhador.
- É consenso que as normas de segurança e saúde
do trabalho devem figurar na lei, sendo que eventuais omissões
podem ser objeto de negociação coletiva e desde que não
colida com direitos constitucionais dos trabalhadores.
18) O controle sobre Equipamentos de Proteção
Individual EPI, registro de profissionais e serviços
deverá continuar sob responsabilidade do Ministério
do Trabalho e Emprego?
- Sugere-se que o registro de profissionais deverá permanecer
com o Ministério do Trabalho e Emprego, efetuado
pelo Departamento de Segurança e Saúde do
Trabalho, com processo iniciado através das Delegacias
Regionais do Trabalho, até que seja instalado o
seu respectivo Conselho Profissional. -
Recomenda-se a criação de Comissão para tratar
das questões de proteção em máquinas e
equipamentos, analisando a proteção aos trabalhadores,
sugerindo, determinando e aprovando os artifícios dos produtos
no mercado.
- Sugere-se que os equipamentos de proteção individual
EPI deverão permanecer na competência do Ministério
do Trabalho e Emprego a emissão de certificado de aprovação
(C.A.); outros órgãos e instituições capacitadas
credenciados (ex. universidades ou Inmetro) poderão realizar
ensaios e testes necessários.
- Sugere-se o registro do serviço especializado em segurança
e saúde do trabalho (SESMT) deverá permanecer na DRT,
como forma de garantir o controle e a fiscalização.
Composição de conflitos
4. A Comissão Temática
4 tratou da Organização administrativa e
judiciária e da Composição de conflitos,
abordando as temáticas da solução
de conflitos individuais e coletivos, instrumentos de conciliação,
mediação e arbitragem e papel do Ministério
do Trabalho e Emprego e da Justiça do Trabalho.
19) O poder normativo da Justiça do Trabalho
deve ser mantido, extinto ou revisto? Em caso de revisão,
quais são os aspectos do poder normativo que devem
ser revistos?
- Foi ponto de consenso que o poder normativo da Justiça
do Trabalho deve ser revisto para limitar o poder do presidente
do TST, que em caso de concessão de efeito suspensivo,
deverá manter vigente as cláusulas já acordadas
e convencionadas e, ainda, que deve ser revisto para que
sejam respeitados os limites da lide, para que analisem
somente os pontos postos à sua apreciação.
20) Quais devem ser os meios voluntários
e compulsórios de composição de
conflitos coletivos? Em que situação cada
um deles seria aplicável?
- Obteve consenso a proposta de incentivar formas voluntárias
de solução de conflitos coletivos tais como
negociação, mediação, arbitragem,
bem como a formação de comissões de
conciliação prévia trabalhista, criando-se
regulamento para a fiscalização do funcionamento
das mesmas.
- Foi consenso a utilização facultativa
da arbitragem para decidir conflitos coletivos.
- Foi consenso a necessidade de incentivar, nos dissídios
coletivos, a prática da arbitragem prevista no artigo
114 da Constituição Federal de 1988.
21) Os meios de solução de conflitos
coletivos devem ser exclusivamente públicos e/ou
privados? Quais situações e condicionantes
deveriam se aplicar aos meios privados?
- Foi consenso que as condicionantes para delimitar as
formas de solução de conflitos privados ficarão
a critério da negociação coletiva
por meio da convenção coletiva ou acordo
coletivo, sendo que o número de árbitros,
sua escolha e os limites da sua atribuição
e rito processual deverá ser discutido e fixado
diretamente pelas partes envolvidas.
22) Quais devem ser os meios de solução
de conflitos individuais de trabalho?
- Foi consenso a proposta que devem ser incentivadas e
adotadas alternativas de resolução de conflitos
individuais tais como Comissões de Conciliação
Prévia, desde que sejam aprimoradas com a participação
dos sindicatos.
- É ponto de consenso a manutenção
da atual competência do Poder Judiciário Trabalhista
para processar e julgar os conflitos individuais de trabalho,
singulares ou plúrimos, com a necessidade de profundas
alterações na sua estrutura funcional e nos
ritos processuais vigentes para obter seu aprimoramento
e celeridade processual.
- Por unanimidade propôs-se a aceitação
de forma ampla da substituição processual
pelo sindicato na Justiça do Trabalho.
- Por maioria propõe-se a ampliação
da competência em razão da matéria
dos juizes e Tribunais do Trabalho, incluindo, tais como:
previdenciária, acidente do trabalho e embora não
diretamente baseada em lei trabalhista, como ilícitos
criminais em virtude de questões trabalhistas, a
ação de despejos de empregado e que fazia
jus a utilidade-habitação.
- Recomenda-se, por maioria, a extensão à Justiça
do Trabalho da competência material para julgar toda
e qualquer demanda envolvendo relação de
trabalho, mesmo que não configurado o vínculo
empregatício, abrangidos os servidores públicos.
- Obteve consenso a proposta de que as Comissões
de Conciliação Prévia devem ser mantidas,
desde que sejam aprimoradas e, ainda, que deva ser obrigatório
o comparecimento dos empregadores, implicando o não
comparecimento em aplicação de penalidade.
Recomenda-se, por maioria, que a aplicação
de penalidade ao empregador pelo não comparecimento
junto à Comissão de Conciliação
Prévia seja revertida em favor do trabalhador e
sugere-se, pela minoria, seja revertida à própria
Comissão de Conciliação.
- Recomenda-se, por maioria, a não obrigatoriedade
da presença do advogado nas Comissões de
Conciliação Prévia para nenhuma das
partes; no entanto, foi posição minoritária,
digna de registro e apontada como sugestão, a obrigatoriedade
da presença do advogado do trabalhador nas Comissões
de Conciliação Prévia.
- É recomendação que o trabalhador,
quando houver reclamação, primeiramente deve
submetê-la à Comissão de Conciliação
Prévia de sua categoria. Sugere-se a implantação
de Comissões de Conciliação Prévia
dentro da empresa, conforme o que já estabelece
a legislação vigente.
- Recomenda-se, por maioria, que os acordos firmados nas
Comissões de Conciliação Prévia
não devem ter eficácia liberatória
geral, isto é, não dar quitação
geral e total do contrato de trabalho, mas apenas em relação às
parcelas discutidas e acordadas. Foi sugerido, no entanto,
que a quitação da demanda, quando realizada,
seja em conformidade ao que estabelece a legislação
atual.
- É sugestão que em caso de dolo, os conciliadores
poderão responder solidariamente com as entidades
sindicais instituidoras da Comissão de Conciliação
Prévia pela reparação dos danos morais
ou materiais causada às partes ou a terceiros, além
de multa sobre o montante do valor acordado, sem prejuízo
das sanções penais aplicáveis.
No tocante ao papel do Ministério do Trabalho
e Emprego e da Justiça do Trabalho:
- Foi consenso a necessidade de implementar um controle
externo das funções administrativas do Poder
Judiciário.
- Obteve consenso a proposta de interiorizar e fortalecer
a ação do Ministério Público
do Trabalho e Ministério do Trabalho e Emprego.
- Foi consenso a não homologação
dos termos de rescisão de contrato de trabalho pelo
Ministério do Trabalho e Emprego, exceto quando
não houver sindicato da categoria naquela localidade
ou em caso de recusa de entidade sindical.
- Recomenda-se, por maioria, a atribuição
de força de título executivo extrajudicial
aos termos de acordo, conciliação ou ajuste
de conduta firmada perante o Ministério do Trabalho
e Emprego.
- A posição majoritária propõe
a aplicação de juros compostos na correção
dos débitos trabalhistas, como forma de tornar eficaz
e agilizar a execução das sentenças
a fim do devedor quitar mais rapidamente as verbas trabalhistas.
Em relação à negociação
coletiva e instrumentos normativos, foram apresentadas:
- Sugestão para que sejam estendidas às
convenções coletivas dos funcionários
públicos os mesmos direitos inerentes às
da iniciativa privada.
- Em posição minoritária proposta
de prevalência do negociado sobre o legislado, desde
que mantidos os princípios constitucionais, quanto
a limites da negociação coletiva.
Outras formas de trabalho
5. A Comissão Temática
5, intitulada Outras formas de Trabalho, abordou tanto
a temática Micro e Pequenas Empresas e Outras formas
de trabalho que contempla o Cooperativismo e empreendedorismo,
a informalidade e trabalho atípico e a especificidade
da microempresa, quanto a Qualificação e
certificação profissional.
23) Quais são os parâmetros no âmbito
da legislação trabalhista que devem ser
adotados no caso do trabalho cooperativado, do associativismo
e das pequenas e microempresas?
- Por consenso, também, propõe-se, como
importância vital para a sobrevivência empresarial
destes empreendedores, o aprimoramento dos programas existentes
relativos à capacitação profissional,
incubação de pequenas e microempresas, crédito
e tecnologia, de execução pelo Sebrae, Senac,
Senai, CEF, BB, BNDES, etc.
- Recomenda-se o apoio e o estímulo ao cooperativismo
de produção e serviços, com proibição
de cessão de mão-de-obra.
- Recomenda-se que no empreendedorismo social seja adotado como princípio
que o trabalho não se subordina ao capital e reafirma que a
elaboração de uma legislação própria
para o cooperativismo foi uma atitude sábia, já que a
CLT deve tratar somente do que diz respeito ao trabalho subordinado.
- Entende-se, por maioria, que é de vital importância
para a construção e consolidação
de um vigoroso cooperativismo popular solidário
no Brasil, a criação de programas especiais
de formação profissional, incubação
de cooperativas, crédito, tecnologia, aumento da
escolaridade e alfabetização, por parte do
poder público federal, estadual, municipal. Programas
estes mantidos através do emprego de recursos públicos
administrados pela CEF, BB, BNDES, Banco Social, Bancos
do Povo, Sistemas de Cooperativas de Créditos, etc,
e de execução obrigatória pelo Sebrae,
Senac, Senai, Sescoop e outros entes públicos, em
parceria com entidades da sociedade civil organizada, tais
como Universidades, Centrais Sindicais, etc”.
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
|
Folha de São Paulo,
24 de fevereiro de 2008
Contribuinte sem o número
do recibo do IR tem de ir à Receita
Quem perdeu disquete ou não
tirou cópia do recibo não poderá transmitir
declaração deste ano pela internet; dado sai
na hora
Interessado não deve perder tempo
e procurar unidades da Receita o mais rápido possível;
basta levar CPF e documento de identidade
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
O contribuinte que não tiver o número do recibo
de entrega da declaração do Imposto de Renda
do ano passado não deve perder tempo: ele precisa
ir a uma unidade da Receita Federal para obtê-lo. Sem
o número, ele não conseguirá entregar
a declaração deste ano pela internet -a entrega
vai de 3 de março a 30 de abril.
A obrigatoriedade de mencionar o número do recibo de entrega
de 2007 é uma das principais novidades determinadas pela Receita
para que os contribuintes façam a declaração deste
ano (em 2007, a indicação do número do recibo
de 2006 era opcional).
Não há como saber quantos contribuintes que entregaram
pela internet em 2007 (foram 22,9 milhões) não têm
mais o número do recibo de entrega. Esse número ficou
gravado, no momento do envio da declaração, no disquete
ou no computador usado pelo contribuinte. Por precaução,
ele deveria ter guardado o disquete e ao menos uma cópia impressa
da declaração e do recibo de entrega.
Segundo o supervisor nacional do Imposto de Renda, Joaquim Adir, a
Receita está preparada para atender a demanda dos contribuintes
que necessitarem obter o número do recibo de 2007. "Achamos
que não haverá corrida de contribuintes em busca desses
números."
Diante da impossibilidade de saber quantos contribuintes estão
nessa situação e pelo fato de a Receita ter adotado uma
situação de obrigatoriedade para a entrega da declaração,
Adir é prudente. "Se houver uma procura muito grande, vamos
repensar [a obrigatoriedade da exigência do número]. Não
vamos fechar a porta aos contribuintes que eventualmente perderam o
número."
A advogada Elisabeth Libertuci, do escritório Libertuci Advogados
Associados, entende que a exigência do número do recibo
deveria continuar sendo opcional, como em 2007. "Um número
do ano anterior não pode impedir a entrega. Essa exigência
pode atrapalhar a vida do contribuinte."
Adir defende a exigência da Receita. "O número do
recibo de entrega é muito mais de interesse do declarante. Ele
deve ter cuidado com ele, assim como tem, por exemplo, com uma senha
do cartão bancário."
Unidades
Na capital paulista os contribuintes dispõem de seis unidades
da Receita para obter o número do recibo (ver os endereços
no quadro acima). O número do recibo é fornecido no ato
ao contribuinte. Para obtê-lo, o interessado deve ir a qualquer
das unidades com o CPF e o documento de identidade. No caso de constituir
um procurador, este deverá levar a procuração,
o CPF e um documento de identidade.
Adir diz que as mudanças feitas na declaração
nos últimos anos visam melhorar a qualidade da informação
prestada pelo contribuinte e, ao mesmo tempo, garantir maior segurança
no envio das mesmas.
A exigência do número do recibo impede que outra pessoa
possa enviar uma declaração falsa à Receita. Como
o número do recibo é composto por dez algarismos, é impossível
que alguém consiga acertar a seqüência e enviar uma
declaração em nome de outra. Por isso, Adir recomenda
que o contribuinte não deixe de guardar o disquete com todas
as informações e também uma cópia da declaração
e do recibo de entrega.
CPF após 18 anos
Outra novidade no programa do IR deste ano é a obrigatoriedade
de o titular mencionar o número do CPF dos dependentes com 18
anos completados até o final do ano passado. Como em 2007 essa
exigência valia só para os maiores de 21 anos, é provável
que muitos contribuintes com mais de 18 anos ainda não tenham
o CPF.
O documento é obtido nas agências do Banco do Brasil,
da Caixa Econômica Federal ou dos Correios. O custo é de
R$ 5,50. No site da Receita o interessado encontra a relação
de documentos necessários para cada situação (menor
de 16 anos ou incapaz; maior de 16 e menor de 18 anos; maior de 18
e menor de 70 anos etc.).
Adir diz que a obtenção do documento é rápida
-no máximo uma semana após o pedido o número poderá ser
consultado no site da Receita (Consulta Atendimento de Solicitação).
Pendências
A partir deste ano, o contribuinte que tiver pendências com a
Receita receberá essa informação no rodapé do
recibo de entrega. Segundo Adir, a informação englobará só as
pendências sobre o IR, abrangendo os últimos cinco exercícios.
Para Libertuci, essa informação não deveria vir
impressa no recibo.
"
Isso pode causar constrangimentos ao contribuinte que tiver
de fornecer cópia da declaração a
algum órgão por qualquer necessidade." Adir
diz que não haverá constrangimento, uma vez
que "o recibo de entrega é do contribuinte
e não precisará ser mostrado ou entregue
a ninguém".
|
Folha de São Paulo,
24 de fevereiro de 2008
Empresas têm até sexta
para entregar dados ao contribuinte
DA REPORTAGEM LOCAL
As empresas têm até a próxima sexta-feira,
dia 29 deste mês, para entregar a seus funcionários
o Informe de Rendimentos de 2007. Esse documento será usado
pelos contribuintes para fazer as declarações
do Imposto de Renda deste ano e enviá-las à Receita.
O informe deve conter, entre outros valores, o total dos salários
pagos em 2007, o IR retido na fonte (se for o caso) e a contribuição
paga à Previdência Social. A multa é de R$ 41,43
por documento não entregue, entregue fora do prazo ou com informações
incorretas.
Para os aposentados e pensionistas do INSS, a Previdência Social
está enviando mais de 8 milhões de documentos. Receberão
os que ganham mais de R$ 500 por mês.
As informações contidas no Informe de Rendimentos são
cruzadas com as fornecidas pelas empresas na Dirf, cujo prazo de entrega
terminou dia 15. Caso a Receita encontre divergências, a declaração é retida
em malha até que as partes solucionem as pendências.
O beneficiário de rendimentos pode consultar as informações
referentes ao seu número de inscrição no CPF ou
CNPJ, mediante acesso ao e-CAC (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte),
disponível no site da Receita, com o uso de certificado digital
válido.
Informe de bancos
Na sexta também termina o prazo para que os bancos enviem os
informes com os dados das aplicações financeiras de seus
clientes. O documento deve conter os saldos em conta corrente, poupança
e outras aplicações ao final de 2006 e de 2007. Também
deve conter a CPMF retida em 2007. (MC)
|
Última Instância,
24 de fevereiro de 2008
Incapacidade para trabalho
deve ser comprovada por perícia, diz TJ-MT
Para fazer jus à aposentadoria por invalidez, é necessária
a prova de que a doença do empregado teve origem no ambiente de
trabalho e de que a prestação de serviço deixou
o empregado incapacitado para o trabalho, total ou parcialmente, através
da perícia médica.
Esse foi o entendimento da 3ª Câmara Cível
do TJ-MT (Tribunal de Justiça de Mato Grosso), que
negou provimento ao recurso interposto por uma atendente
de enfermagem que tentou, sem êxito, reverter decisão
de primeira instância que indeferiu o pedido de tutela
antecipada a fim de que ela passasse a receber aposentadoria
por invalidez.
Para o relator do recurso, desembargador Evandro Stábile,
a mulher não comprovou a hipótese utilizada
como fundamento do pedido, ou seja, incapacidade laboral
decorrente do vírus hepatite C. Além disso,
como a perícia médica não proferiu parecer
favorável à autora da ação, o
magistrado afirmou que a decisão monocrática
deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.
No recurso, segundo informou o tribunal, a atendente de
enfermagem sustentou, em síntese, que é atendente
de enfermagem desde dezembro de 1986 e que em 1990 adquiriu
o vírus da hepatite C durante a execução
de seu trabalho. Contudo, no exame médico pericial
ao qual ela foi submetida foi constatada capacidade para
o trabalho. Posteriormente, ela pleiteou reconsideração
da perícia médica, não obtendo resposta
até o momento.
"Constata-se que não houve reconhecimento da
incapacidade laborativa no âmbito administrativo, conforme
se observa a perícia médica, o que dificulta
a concessão da antecipação de tutela,
mesmo porque, a Lei nº 8.213/91 exige a redução
da capacidade laborativa para que haja a concessão
do benefício", destacou o magistrado em seu voto.
De acordo com o desembargador, o artigo 42 da Lei nº 8.213/1991
estabelece que "a aposentadoria por invalidez, uma vez
cumprida, quando for o caso, a carência exigida, será devida
ao segurado que, estando ou não em gozo de auxílio-doença,
for considerado incapaz e insusceptível de reabilitação
para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência,
e ser-lhe-á paga enquanto permanecer nesta condição".
Para o desembargador, o perigo da demora alegado pela atendente
não foi demonstrado, visto que ela ficou doente em
1990 e, somente em 2007, pediu o requerimento administrativo
junto ao INSS.
|
Última Instância,
24 de fevereiro de 2008
Sadia assina TAC se comprometendo
a melhorar ambiente de trabalho
A Sadia firmou TAC (termo de ajustamento de conduta) com o MPT (Ministério
Público do Trabalho), no qual se compromete a implementar melhorias
no ambiente de trabalho de suas unidades produtivas situadas nas cidades
paranaenses de Toledo, Cascavel, Ponta Grossa, Francisco Beltrão
e Dois Vizinhos (Paraná) para evitar o surgimento e o agravamento
de doenças ocupacionais de seus trabalhadores.
As medidas impostas pelo MPT partiram da constatação
de que um número considerável de trabalhadores
estão sendo afastados do trabalho em decorrência
de patologias que correspondem a doenças osteomusculares
ligadas ao trabalho. Na unidade de Toledo, há mais
de 7.000 empregados que trabalham na área de produção,
onde serão implementadas as melhorias.
Segundo informações do MPT, o TAC foi assinado
por representantes da empresa perante a procuradora do Trabalho
do oficio de Toledo, Cinthia Passari von Ammon, e do procurador
do Trabalho do ofício de Cascavel, Enoque Ribeiro
dos Santos.
A empresa tem 90 dias para apresentar ao MPT um cronograma
de ações que viabilizem a realização
de melhorias para as situações que evidenciam
riscos ergonômicos em prejuízo da saúde
dos trabalhadores, e mais 12 meses para implementá-las.
Medidas
Nas atividades da empresa em que há exigência postural,
repetitividade e sobrecarga muscular, deverão ser instituídas
pausas regulares, rodízios e alternância da postura, objetivando
a recuperação física e mental dos trabalhadores.
O acompanhamento das medidas será feito pelo MPT
e, em caso de descumprimento das obrigações
assumidas, a empresa pagará multa no valor de R$ 50
mil por cláusula, a ser revertida ao FAT (Fundo de
Amparo ao Trabalhador).
Segundo a procuradora do Trabalho Cinthia Passari von Ammon,
o meio ambiente do trabalho - quando se apresenta saudável
e adequado às exigências legais -, impede a
ocorrência de acidentes de trabalho e o surgimento
de doenças, evitando prejuízos à saúde
e à integridade física dos trabalhadores e,
em última instância, aos cofres públicos,
pela concessão de auxílio-acidente diante da
necessidade de afastamento do trabalhador.
|