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Diário Vermelho, 25
de fevereiro de 2008
Emprego: número de contratações
sobe 800% desde 2000
O número de contratações
na capital paulista foi 812,59% maior em janeiro deste ano do que no
mesmo mês de 2000, segundo apontam dados do Cadastro Geral de Emprego
e Desemprego (Caged) do Ministério do Trabalho. O número
de admissões no mês passado foi de 22.897 na cidade, ante
2.509 no mesmo mês de 2000. Na história das medições
do Caged, nunca se contratou tanto em um mês de janeiro.
De acordo com o Ministério, é um sinal claro de que as empresas
estão precisando de mão-de-obra. E, caso os indicadores econômicos
do Brasil se mantenham estáveis, a projeção aponta para
o crescimento no número de admissões ao longo deste ano.
Para o Estado de São Paulo, o crescimento desde 2000 é menor,
mas os números absolutos são significativos. No mês passado,
foram 65.112 contratações, ante 14.515 do mesmo período
de 2000, um aumento de 348,5%.
O otimismo para acreditar em um desempenho ainda melhor ao longo do ano é o
aquecimento do mercado de trabalho em decorrência do crescimento econômico
brasileiro. Das pouco mais de 65 mil vagas criadas no Estado em janeiro, 30.655
foram para a indústria de transformação - com destaque
para os setores de produção de alimentos e bebidas e metalurgias. “Muitas
empresas estão aumentando o volume de produção e, para
isso, é preciso contratar”, disse o presidente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), Eleno José Bezerra.
No setor automobilístico, por exemplo, a Fiat vai investir na criação
de um laboratório de segurança, para realizar testes de impacto
no Brasil (em vez de mandar os modelos para a Itália). A General Motors
pretende ampliar os laboratórios de ruídos e vibração
e o campo de provas em Indaiatuba. Esses investimentos podem gerar mais contratações.
Também no mês passado, as empresas de administração
de imóveis criaram 11.760 postos de trabalho e, ao longo do ano, o crescimento
deve continuar. O motivo é que os bancos estão ampliando o volume
de recursos destinados aos financiamentos residenciais. Somente a Caixa Econômica
Federal pretende aplicar pelo menos R$ 5,7 bilhões para os consumidores.
Conseqüentemente, o aumento no total de financiamentos pode gerar novas
vagas para corretores e divulgadores de empreendimentos, por exemplo.
A expansão do mercado imobiliário também gerou a contratação
de 13.269 pessoas para os canteiros da construção civil. “Este
será um ano de contratação de mão-de-obra qualificada,
como técnicos em geral, e profissionais com nível superior, como
engenheiros e arquitetos”, afirma o coordenador de pesquisas e remuneração
da Catho Online, Mário Fagundes.
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O ESTADO DE SÃO PAULO,
25 de fevereiro de 2008 | Economia
Trabalhadores da construção
fazem greve em Salvador
TIAGO DÉCIMO - Agencia Estado
SALVADOR - Os trabalhadores da construção civil de Salvador entraram
em greve hoje. Os sindicatos da categoria reivindicam reajuste salarial de
14%, entre outros benefícios, como concessão de cesta básica
aos empregados.
Eles alegam que o crescimento
do setor na capital baiana justifica os pedidos e afirmam que a paralisação
será mantida enquanto os pedidos não forem atendidos. Os
trabalhadores fazem protestos em alguns dos principais canteiros de obras
da cidade, como nas estruturas do Shopping Paralela e do bairro planejado
de Alphaville. Os construtores ainda não se pronunciaram sobre
a paralisação.
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O ESTADO DE SÃO PAULO, 25 de fevereiro
de 2008 | Nacional
'Não sou presidenciável',
diz Tarso Genro sobre eleições 2010
Ministro da Justiça diz que os ministros
com maior exposição pública podem ser candidatos à sucessão
de Lula
Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo
RIO - O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que não é presidenciável
e desautorizou colegas de partido a lançar seu nome à sucessão
do presidente Lula. "Não sou presidenciável e proíbo
meus companheiros de mencionar meu nome. Não estou preocupado e peço
que os companheiros não veiculem meu nome porque isso só atrapalha
o meu trabalho como ministro da Justiça", disse Tarso, após
participar esta manhã do lançamento do livro Falcão: Mulheres
e o Tráfico no presídio feminino Talavera Bruce, em Bangu, na
zona oeste do Rio.
O ministro afirmou que os ministros com maior exposição pública
podem ser candidatos à sucessão presidencial desde que o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva sinalize neste sentido.
" Entendo que nós que somos ministros do presidente Lula devemos
nos mover politicamente à medida que o presidente abrir um movimento em
relação a isso, na composição de uma nova frente
política a partir de 2008", disse Tarso a jornalistas após
visitar um presídio feminino em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro.
O petista defendeu que os ministros "devem se mover politicamente à medida
que o presidente abrir um movimento em relação a isso, na composição
de uma nova frente política a partir de 2008".]
(Com Reuters)
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 25 de fevereiro de 2008 | Brasil
Múcio defende permanência
de Lupi no governo
RENATA GIRALDI
A Comissão de Ética
Pública se reúne nesta segunda-feira para analisar mais
uma denúncia de irregularidade envolvendo auxiliares diretos do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O alvo das análises é o
ministro Carlos Lupi (Trabalho), que é suspeito de ter firmado
convênios que favoreciam o PDT --partido que preside.
O ministro José Múcio
Monteiro (Relações Institucionais) evitou entrar na polêmica,
mas saiu em defesa do colega. Segundo Múcio, Lupi atua com imparcialidade
no Ministério do Trabalho.
"Em outros países,
a presidência de um partido credencia a indicação
para um ministério. Ele [Lupi, no ministério], atende a
todos os partidos de forma suprapartidária", afirmou Múcio.
Na semana passada, a Folha informou
que pelo menos 12 convênios assinados pelo Ministério do
Trabalho autorizaram a destinação de R$ 50 milhões
a entidades e pessoas ligadas a políticos do PDT. O valor representa
quase a metade da verba disponibilizada para treinamento de mão-de-obra
em 30 convênios.
Há também verba
de R$ 14,7 milhões a duas entidades (DataBrasil e Inesp) parceiras
da Força Sindical, presidida por Paulo Pereira da Silva, o Paulinho
(PDT-SP). O ministério e as entidades negam qualquer favorecimento.
Incompatibilidade
No final do ano passado, Lupi
foi analisado pela Comissão de Ética Pública envolvendo
outra denúncia. Em dezembro, a comissão concluiu que o
ministro não poderia acumular o cargo de presidente nacional do
PDT e as funções no governo. Lupi reagiu e pediu uma avaliação
da AGU (Advocacia Geral da União) sobre o caso.
Lula já recebeu a recomendação
da AGU, mas ainda aguarda o parecer final da AGU --o que não tem
data para ocorrer. Para Lupi, não há incompatibilidade
alguma em presidir o PDT e manter-se ministro.
Mudanças
Nesta segunda-feira, a Comissão
de Ética de Pública deve formalizar a troca de presidentes:
sai o ex-ministro da Fazenda Marcílio Marques Moreira e entra
o ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Sepúlveda Pertence.
Também pertencem à comissão
o ex-presidente da OAB Hermann Assis Baeta, o padre e ex-assessor da
CNBB José Ernanne Pinheiro, e o advogado especialista em direitos
humanos Roberto de Figueiredo Caldas.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
25 de fevereiro de 2008
Suspensa atividade comercial de madeireiras
do Pará
As madeireiras responsáveis pelos tumultos que impediram no início
da semana passada uma operação contra o comércio ilegal
de madeira em Tailândia, nordeste do Pará, serão excluídas
por dois meses do sistema eletrônico que controla o transporte e o armazenamento
de produtos florestais, o que, na prática, impede as empresas de exercerem
qualquer atividade comercial no período.
Em decisão liminar, a
juíza Hind Gassan Kayath, da 2ª Vara Federal em Belém,
permitiu na sexta-feira (22/2), que o Ibama (Instituto Brasileiro do
Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) bloqueie a inscrição
das madeireiras no sistema.
A solicitação
foi feita à Justiça pelo instituto e pelo MPF (Ministério
Público Federal) no Pará. As empresas suspensas do sistema
são as serrarias Primavera, Catarinense, GM Sufredini, Tailaminasplac
e Taiplac.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
25 de fevereiro de 2008
Empresa pode deduzir despesa de refeição
de funcionários sem limite de custo
A 2ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) considerou ilegal
os atos que fixaram valores máximos para as refeições
individuais como condição para a empresa ter direito ao incentivo
fiscal pelas despesas com alimentação dos trabalhadores.
No recurso especial interposto
contra a Pirelli Companhia Industrial Brasileira, a Fazenda Nacional
sustentou que os limites estabelecidos pela Portaria Interministerial
nº 326/77 e pela Instrução Normativa da Secretaria
da Receita Federal nº 143/86 devem ser observados para efeito do
incentivo fiscal relativo ao PAT (Programa de Alimentação
do Trabalhador).
De acordo com informações
do STJ, a Pirelli defendeu a possibilidade de a empresa beneficiária
deduzir do lucro real as despesas efetuadas no referido programa, sem
a limitação de qualquer custo individual máximo
por refeição.
Segundo o relator, ministro Castro
Meira, tanto a lei quanto o decreto regulamentar estipulam que para a
concessão do incentivo são exigíveis a existência
do PAT aprovado pelo Ministério do Trabalho e o atendimento aos
requisitos legais, sem contemplar a fixação de custos máximos
para as refeições.
Acompanhando o voto do relator,
a Turma concluiu que ao fixarem custos máximos para as refeições
individuais como condição ao gozo do incentivo fiscal previsto
na Lei nº 6.321/76, a Portaria Ministerial 326/77 e a Instrução
Normativa 143/86 violaram o princípio da legalidade e da hierarquia
das leis, porque extrapolaram os limites do poder regulamentar.
“Essas limitações
estabelecidas por normas hierarquicamente inferiores restringiram a
própria lei ordinária, portanto, são ilegais,
uma vez que inovaram ao prever condições não previstas
na Lei nº 6.321/76 ou no Decreto nº 78.676/76” ressaltou
o relator, acrescentando que ato infralegal não pode restringir,
ampliar ou alterar direitos decorrentes de lei.
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Folha de São Paulo,
25 de fevereiro de 2008
País precisa de 27,7 mi de moradias
até 2020
Para FGV Projetos, esse é o número
necessário para atender crescimento das famílias e
eliminar o déficit habitacional | Ministério das Cidades
considera que cerca de 40% dos recursos necessários para atender à demanda
têm de sair de governos
FÁTIMA FERNANDES
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL O Brasil
vai precisar de 27,7 milhões de novas moradias até 2020
para dar conta de atender o crescimento das famílias, zerar o
atual déficit habitacional e acabar com cortiços e favelas.
É o que indica estudo da FGV Projetos elaborado para o SindusCon SP (Sindicato
da Indústria da Construção Civil paulista), que será apresentado
no próxima semana ao Ministério das Cidades durante as discussões
do Plano Nacional de Habitação (PlanHab).
Para chegar a esse número, a FGV considerou que, em 2020, o país
terá 21,1 milhões de novas famílias -no ano passado, eram
59,1 milhões de famílias. O cálculo prevê eliminar
as 2,431 milhões de moradias habitadas por duas ou mais famílias
e as 3,548 milhões de moradias inadequadas, como as favelas -segundo
os últimos dados da PNAD (IBGE) de 2006.
Pelos números da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério
das Cidades, o país precisa construir até 2023 cerca de 27 milhões
de novas moradias -só para atender ao crescimento das famílias,
sem considerar o déficit habitacional. A secretária Inês
Magalhães afirma que cerca de 40% dos recursos necessários para
isso têm de vir dos cofres públicos, mesma estimativa do SindusCon.
Atualmente, cerca de 1,6 milhão de moradias são construídas
por ano no país. Nos cálculos da FGV Projetos, esse número
tem de subir para 2 milhões de unidades anuais para atender a demanda
habitacional que está por vir e eliminar as moradias inadequadas.
O estudo também constatou que cerca de 70% a 75% dessas 27,7 milhões
de moradias têm de atender as famílias com renda familiar de até dez
salários mínimos, já que essa faixa de renda é a
mais carente de habitação e é a que mais cresce.
Pelo menos metade das 27,7 milhões de moradias terão de ter subsídio
ou algum tipo de apoio do governo, diz a FGV. "Pelo menos metade da demanda
habitacional prevista até 2020 precisa de subsídio direto do
Estado", diz Fernando Garcia, coordenador do Núcleo de Economia
da FGV Projetos.
Das 1,6 milhão de novas moradias construídas no ano passado,
cerca de 350 mil contaram com recursos do governo ou do FGTS (Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço), segundo Garcia. "O país precisaria
de uma política que atenda no mínimo 800 mil famílias
por ano, já", afirma Garcia.
" Habitação para a população de baixa renda
ainda não entrou na agenda do governo", afirma João Claudio
Robusti, presidente do SindusCon SP.
Para zerar o déficit habitacional atual, estimado em 8 milhões
de unidades, Robusti prevê que sejam necessários investimentos
de R$ 360 bilhões, ao custo de R$ 45 mil por imóvel.
Paulo Simão, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria
da Construção), diz que é necessário desonerar
o setor e rever a carga tributária para estimular a construção
de mais moradias. "Cerca de 35% do custo de uma habitação é formado
por imposto."
Para convencer o governo a ter uma política habitacional para as famílias
mais carentes, os empresários levarão à reunião
da próxima semana dados que mostram a importância do investimento
em habitação no crescimento.
A expansão de prazos e de crédito para o mercado de imóveis
resolve o que equivale entre 15% e 20% do déficit habitacional do país,
na avaliação de especialistas. "Para resolver o problema
de 80% do déficit habitacional tem de ter política pública",
diz Braulio Borges, da LCA Consultores.
Ele estima que entre 2008 e 2017 a demanda por financiamento deve atingir 4
milhões de imóveis, que serão financiados pelo Sistema
Financeiro de Habitação, pelo FGTS ou pela carteira hipotecária. "20%
do déficit habitacional terá condições de ser financiado
porque as famílias estão mais confiantes e há mais crédito
e prazos. Entre 2000 e 2007, a média anual de moradias financiadas era
da ordem de 30 mil unidades. Estamos projetando 400 mil unidades anuais nos
próximos dez anos", diz Borges.
Bernadete Maria Pinheiro Coury, superintendente nacional de Habitação
da Caixa Econômica Federal, informa que a instituição já está ampliando
o financiamento à população de menor poder aquisitivo.
Em 2006, 72% dos recursos aplicados foram direcionados às famílias
com renda até cinco salários mínimos. Em 2007, esse percentual
subiu para 82%.
" Estamos conseguindo com que mais famílias com renda até cinco
mínimos tenham acesso ao crédito imobiliário. No ano passado,
ampliamos o prazo de financiamento, que era de 20 a 25 anos, para 30 anos, e
os juros caíram 0,5 ponto percentual. Neste ano, o financiamento a essa
faixa de renda será ainda maior", disse ela.
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AGÊNCIA BRASIL, 25 de
fevereiro de 2008
Audiência pública vai elaborar
Plano de Qualificação da Construção Civil
Brasília - Será realizada hoje (25), em Porto Alegre (RS), audiência
pública com a participação de entidades da sociedade civil
para elaborar o Plano Setorial de Qualificação (Planseq) da Construção
Civil. O encontro começa às 14h na Superintendência Regional
do Trabalho e Emprego do estado.
Esta é a primeira audiência regional, intermediada pelo Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE), para discutir e levantar a necessidade de trabalhadores
qualificados no setor, a fim de atender as obras do Plano de Aceleração
do Crescimento (PAC) da Construção Civil.
A expectativa é formar trabalhadores de todo o país, dando prioridade às
pessoas beneficiadas pelo Bolsa-Família, do Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome (MDS). Atualmente, o programa beneficia cerca
de 11 milhões de famílias.
A audiência pública é o primeiro passo para a consolidação
do Planseq Construção Civil, que terá abrangência
nacional. Outras audiências deverão ocorrer em várias regiões.
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Agência Diap, 25 de
fevereiro de 2008
A redução da jornada
e o diversionismo
Por: João Guilherme Vargas
Netto*
Como são difíceis
as coisas! No domingo passado, dia 17 de fevereiro, a Folha de S.Paulo
em matéria assinada pelo jornalista Pedro Soares, do Rio de Janeiro,
mancheteou na capa do caderno Dinheiro que “jornada de trabalho
cai 1 hora desde 2003”.
É que o número total de horas trabalhadas semanais passou de 41,3
horas, em 2003, para 40,4 horas semanais na média, em 2007, com uma diferença
para menos, de 54 minutos, segundo pesquisas do IBGE.
Ficou, portanto, demonstrado o caráter pró-cíclico da
redução da jornada. Em uma conjuntura de desenvolvimento econômico
sustentado pelo consumo das famílias, pela produção de
bens-de-capital, com emprego e produtividade em alta e com distribuição
de renda, a redução da jornada é favorável ao quadro
positivo.
Acompanhando os números das pesquisas, outras constatações
afloram, como por exemplo, a de que a jornada média da região
metropolitana do Rio de Janeiro é a maior do país, com 41,1 horas
e a de Belo Horizonte a menor, com 38,7 horas.
Estes aspectos (e outros) retratados nas pesquisas devem ser relacionados com
os mais diferentes fatores e não obscurecem o fundamento das coisas:
os efeitos positivos da conjugação de crescimento com redução
da jornada.
Não tem, portanto, nenhuma graça, a não ser a graça
do diversionismo, o estardalhaço com que a Folha Online provocou a estéril
e histérica polêmica sobre quem trabalha mais, o carioca ou o
paulista. Ambos merecem, como todos os trabalhadores, trabalhar ainda menos.
(*) João Guilherme Vargas Netto é membro
do corpo técnico do DIAP e também consultor sindical
de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo.
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Agência
Diap, 25 de fevereiro de 2008
Os dois Brasis
Por: Maurício Rands*
Visto por conservadores,
um aparece sem rumo; outro, cada vez mais vivenciado pelos cidadãos,
experimenta os benefícios do crescimento
O visitante que desembarcasse no Brasil e seguisse o noticiário sobre
a CPI dos Cartões teria a imagem de um país em crise, mergulhado
num espetáculo de desperdício do dinheiro público. Um
outro, que procurasse conhecer o Brasil pelos seus indicadores econômicos
e sociais, teria uma visão bem mais próxima do cidadão
comum e da população em geral. De fato, no imaginário
nacional, existem dois Brasis. Um, visto pelas lentes conservadoras de quem
se pensava exclusivo artífice do progresso, aparece sem rumo e prisioneiro
de "um populismo de expectativas reduzidas". O outro, cada vez mais
vivenciado pelos cidadãos em seu cotidiano, experimenta os benefícios
do crescimento com redução da pobreza e da desigualdade.
Nos anos do governo Lula, cerca de 20 milhões de brasileiros passaram
das classes D e E para a C. O salário mínimo teve um aumento
real de 42,8%. Mais de 11 milhões de famílias passaram a ter
a renda mínima do Bolsa Família. O desemprego, de 8,2%, chegou
ao seu menor nível nos últimos anos. Em 2007, foram criados 1,6
milhão de novos empregos formais. O mês de janeiro de 2008, com
142 mil novos empregos, bateu um recorde não atingido desde 1992. Cerca
de 90% das negociações coletivas concluídas pelos sindicatos
resultaram em aumentos acima da inflação.
Em 2007, a renda total dos trabalhadores expandiu-se 6,4%, o consumo das famílias,
5,9%, e as vendas do comércio varejista, 9, 9% . O total de créditos
do sistema financeiro cresceu de 30,4% para 34,3% do PIB no último ano.
O crédito para o financiamento imobiliário para pessoa física
passou de R$ 11,7 bilhões em 2006 para R$ 19,2 bilhões em 2007.
O PAC está transformando o Brasil num canteiro de obras. São
obras de infra-estrutura logística (rodovias, ferrovias, portos, aeroportos),
energética (hidrelétricas, térmicas, petróleo,
gás natural) e social e urbana (Luz para Todos, urbanização
de favelas, saneamento etc.).
Das 2.126 obras monitoradas, 86% estão com andamento adequado, 12% exigem
cuidados, e apenas 2% estão em situação considerada preocupante.
Desde o governo Geisel, o país não tinha um plano de desenvolvimento
estratégico desse porte. Os resultados começam a ser sentidos
pela população tanto no emprego e no aumento do poder aquisitivo,
quanto no bem-estar que começa a ser gerado pela melhoria das condições
para a produção e para o consumo. A famosa placa "não
há vagas" desapareceu do cenário. Pedreiros, mestres, técnicos
e engenheiros começam a escassear no mercado de trabalho.
Há, porém, grandes desafios. A melhoria da qualidade dos serviços
públicos, sobretudo educação e saúde, bem como
dos padrões da gestão pública em geral, desponta em qualquer
lista. A violência nas grandes cidades, alimentada pela impunidade, reclama
uma atenção especial, embora já esteja em execução
o Programa Nacional de Segurança com Cidadania. O sistema tributário,
alvo de uma proposta que está sendo enviada ao Congresso, carece de
simplificação, racionalização e diminuição
da regressividade, para que se reduza e se distribua melhor a carga tributária.
A administração da Justiça precisa de urgentes reformas,
para que a certeza jurídica e a celeridade na solução
dos conflitos diminuam a impunidade que protege criminosos e corruptos. O sistema
político-eleitoral está a merecer reformas que eliminem a influência
excessiva do poder econômico, a falta de ação programática
dos partidos e a baixa eficácia decisória das instituições.
As desigualdades sociais e regionais aguardam mais avanços nas políticas
emancipatórias de combate às discriminações contra
trabalhadores, jovens, idosos, mulheres, negros, índios, homossexuais
e pessoas com deficiência. Os bons resultados da economia comportam uma
maior distribuição da renda a fim de partilhar com os trabalhadores
os benefícios do crescimento. É chegada a hora de adequar a jornada
de trabalho às 40 horas semanais praticadas na maioria dos países,
além de outras medidas que tragam mais equilíbrio entre capital
e trabalho.
Uma agenda propositiva nessa direção vai reclamar uma mudança
de atitudes que potencialize a capacidade do Estado e da sociedade para implementá-la.
Não é responsabilidade apenas do Executivo ou do Legislativo.
O Judiciário, o Ministério Público, o empresariado e o
terceiro setor podem participar de um esforço que tem tudo para ser
viável. O Brasil pode, sim, no curso de uma geração, transformar-se
em país desenvolvido e justo. Outros povos conseguiram. A depender tão
somente de nós, a nossa hora pode ter chegado.
(*) Maurício Rands (46), deputado federal pelo PT/PE, é líder
do partido na Câmara. Advogado e professor universitário, está em
seu segundo mandato. Fez especialização em direito do trabalho
na Universidade de Bari e mestrado e doutorado na Universidade de Oxford. Texto
publicado na Folha de S.Paulo em 24/02/08.
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Agência Diap, 25 de
fevereiro de 2008
O fracasso da oposição
e da imprensa
Por: Luiz Antonio Magalhães,
para o Correio da Cidadania*
1. O presidente da República
não passa de um fanfarrão corrupto, cuja popularidade só pode
ser negativa. A oposição, em franca ofensiva política,
já deveria estar preparando os termos de um pedido de impeachment.
2. A economia do país estava em vias de sofrer uma verdadeira hecatombe
por causa de uma gravíssima crise nos Estados Unidos que já ameaça
devastar o sistema capitalista e acabar com a oferta de crédito no sistema
financeiro internacional.
Permanecendo no Brasil, o marciano começaria a circular pelo país,
a conversar com as pessoas, ouvir a tal voz rouca das ruas de que falava um
ex-presidente de triste memória. Em pouco tempo, certamente começaria
a achar estranho que quase tudo o que sai na imprensa tupiniquim não
corresponde muito bem ao que ele consegue apreender no contato com a população
e na observação dos fenômenos da economia local.
Em fevereiro, o marciano começa a desconfiar que a mídia brasileira é um
tanto esquizofrênica, pois começa a ler notícias sobre
a altíssima popularidade do presidente da República e uma seqüência
de excelentes notícias para a economia nacional: geração
recorde de empregos, aumento vertiginoso na venda de automóveis, fim
da dívida externa do país, a moeda nacional apreciando e os mercados
financeiros bastante animados.
Alguém já disse que entender o Brasil não é tarefa
para amadores. De fato, nada por aqui é muito fácil. Como explicar,
tendo em vista o efusivo apoio da imprensa, o absoluto fracasso da oposição
na campanha que vem sendo realizada desde a primeira posse do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2003, para colar nele a pecha de
corrupto, inepto, beberrão e ignorante? Como explicar que, a despeito
de todo o esforço que a mídia brasileira tem realizado para reduzir
as expectativas dos brasileiros no sucesso do país, este entusiasmo
com o crescimento siga tão inabalável, de maneira a fazer a economia
girar com novos investimentos, contratação de mão-de-obra
e uma firme aposta no desenvolvimento do mercado interno?
A má vontade da imprensa brasileira com o governo Lula já é parte
da história do Brasil, embora esta história não esteja
ainda escrita, é claro. No futuro, os pesquisadores terão nos
jornais uma excelente fonte para entender o comportamento de uma elite que
resiste a largar o osso. O preconceito contra o presidente-operário,
a negação de que qualquer fato positivo no país possa
ter a mais remota relação com atos do governo, tudo isto ainda
vai ser objeto de exame mais detido pelos futuros historiadores, mesmo porque
ainda há muito por vir sob a presidência de Lula. De qualquer
forma, a marca mais forte do governo Lula até agora parece mesmo ser
o fracasso das oposições e da imprensa em tentar jogar o povão
contra o presidente. Mas este é um jogo que continua em curso.
(*) Luiz Antônio Magalhães é editor
de política do DCI e editor-assistente do Observatório
da Imprensa. Este artigo foi capturado no sítio Correio da
Cidadania.
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de fevereiro de 2008 | Economia
Mercado interno pode ter escassez
de aço em 2008
Agência Estado
Sem aumentos de capacidade produtiva previstos para este ano, as siderúrgicas
devem enfrentar dificuldades para abastecer toda a demanda do mercado interno.
A expectativa é de que as encomendas da indústria manterão
o ritmo acelerado do ano passado, esbarrando na capacidade das usinas, que
já operam a todo vapor.
Segundo estimativas do Instituto
Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), se o crescimento do
consumo de aços planos alcançar 15% este ano sobre as 11,7
milhões de toneladas do ano passado, a demanda chegará muito
perto da capacidade de produção, que é de 14 milhões
de toneladas. "Podem surgir problemas de abastecimento no segundo
semestre", disse o presidente do Inda, Christiano da Cunha Freire.
No ano passado, a limitação
da capacidade provocou uma queda significativa das exportações
de aço, que foram direcionadas para atender o crescente mercado
interno. No entanto, especialistas acreditam que essa opção
está próxima do seu limite, porque coloca em risco as relações
comerciais das siderúrgicas no mercado externo. "As vendas
internas podem chegar no máximo a 80% porque existem contratos
de longo prazo no exterior", disse o analista da Link Corretora
Leonardo Alves.
As siderúrgicas produtoras
de aços planos CSN e a Usiminas destinam 71% e 77% das vendas
para o mercado interno, respectivamente. A Gerdau, que fabrica aços
longos, separa 69% da sua produção no Brasil para o mercado
doméstico. No período acumulado dos nove primeiros meses
do ano passado, a Usiminas reduziu suas exportações em
25% para atender os clientes brasileiros. A CSN diminuiu suas vendas
internacionais em 18% no terceiro trimestre de 2007, enquanto o volume
vendido no País cresceu 21,8%. A Gerdau reduziu seus embarques
a partir do Brasil em 10,3% no ano passado.
Isso indica que as siderúrgicas
terão pouco espaço para cortar ainda mais suas exportações,
gerando dificuldades de abastecimento internamente. Nesse cenário,
as usinas e a indústria terão de apelar para as importações
de aço justamente em um momento de alta nos preços internacionais.
Desde o início do ano, o aço laminado a quente no exterior
subiu 20%, passando de US$ 660 por tonelada para US$ 800 por tonelada,
impulsionado pela demanda e pela alta dos insumos.
As importações
trarão custos muito maiores para a indústria devido aos
preços elevados e às questões logísticas.
Segundo o analista de siderurgia da Prosper Corretora, Alan Cardoso,
uma das maiores dificuldades será lidar com a necessidade de prazos
maiores para os pedidos no exterior.
A situação
só deve se normalizar com a entrada dos projetos de ampliação
das siderúrgicas, a partir do ano que vem. Mesmo assim o analista
da Socopa Daniel Lemos ressalta que as condições são
favoráveis para as usinas, que terão facilidade para
repassar a alta de custos nas atuais condições de escassez
do mercado. "A siderurgia conseguirá aumentar os preços
com maior tranqüilidade", disse.
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FOLHA DE LONDRINA, 25 de
fevereiro de 2008 | Política
Governo quer garantir aprovação
da reforma tribuária
Brasília - O governo vai dar início às conversas com a
oposição na semana que vem para tentar garantir a aprovação
da reforma tributária no Congresso Nacional nos próximos meses.
O ministro Guido Mantega (Fazenda) pretende se reunir amanhã com líderes
do DEM e PSDB na tentativa de abrir o canal de diálogo sobre a reforma
-que será enviada pelo governo ao Congresso no dia 28.
‘‘O governo vai
entregar oficialmente a proposta de reforma na quinta. O ministro José Múcio
[Relações Institucionais] está fazendo convites à oposição
[para discutir a proposta]. Queremos fazer uma reforma tributária
para o Brasil, não é uma reforma do governo. Ela só entrará em
vigor no próximo governo’’, disse.
O líder do PSDB na Câmara,
José Aníbal (SP), elogiou a iniciativa do diálogo.
‘‘É muito
positivo chamar as forças políticas para o diálogo.
Para conversar, estamos sempre abertos. É uma preliminar, o presidente
[Luiz Inácio] Lula [da Silva] deveria ter feito o mesmo sobre
a reforma política’’, disse o tucano.
Já o vice-líder
do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), adiantou que pretende apresentar
requerimentos para que sejam ouvidos pelo Congresso, além de Mantega,
representantes da Fiesp (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo), CUT (Central Única dos Trabalhadores)
e CGT (Confederação Geral do Trabalhadores), entre outras
entidades. ‘‘Temos de discutir reforma tributária
no Congresso e com a soci-edade’’, cobrou Dias.
Gabriela Guerreiro eRenata
Giraldi
Folhapress
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Folha de São Paulo,
25 de fevereiro de 2008
"Contrabando" no Orçamento dedica R$ 534 mi a emendas
Comissão do Congresso cria anexo de "prioridades" ausente
de projetos do governo | Verba para bases eleitorais entra no relatório
como "emendas do relator", mas "pais" de propostas são
congressistas e bancadas
RUBENS VALENTE
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA
A Comissão Mista do Orçamento
no Congresso, formada por 20 deputados federais e sete senadores, fez
uma série de manobras, desde setembro do ano passado, para conseguir
enxertar um anexo inteiro de "metas e prioridades" no Orçamento
da União de 2008 que não constava na proposta enviada pelo
governo federal.
O anexo provocará gastos de R$ 534 milhões em obras que atenderão
as bases eleitorais dos parlamentares. O valor entrou no relatório final
do Orçamento, apresentado na semana passada e prestes a ser votado no
Congresso, sob a denominação genérica de "emendas
do relator-geral", o deputado federal José Pimentel (PT-CE).
Contudo, documentos obtidos pela Folha revelam que o anexo é formado
por emendas parlamentares, que têm como "pais" 96 deputados
e senadores e das bancadas partidárias de 16 Estados. O deputado João
Leão (PP-BA) confirmou que a maioria das emendas do anexo veio de membros
da comissão (leia texto na pág. A5).
Os gastos do anexo não se confundem com as emendas parlamentares propriamente
ditas, que neste ano já vão abocanhar R$ 15,2 bilhões,
de um total de R$ 99 bilhões previstos em investimentos.
A estratégia da comissão, controlada pelos partidos da base aliada
(69,23% dos seus titulares são governistas), livra os parlamentares
de eventuais críticas sobre crescimento do valor destinado às
emendas -que foi de R$ 15,3 bilhões em 2007- em meio aos pesados cortes
provocados pela extinção da CPMF, e elimina os vínculos
políticos que podem ser estabelecidos entre as emendas e as obras públicas
realizadas na ponta do processo.
A polêmica sobre o anexo surge num trecho do relatório final. "Quanto à compatibilidade
entre as leis sobre orçamento, o ponto crítico deste processo
dizia respeito às metas e prioridades, que, constantes da LDO/2008,
não foram incluídas no projeto do PPA (2008-2011) nem no PLOA/2008.
No entanto, o amadurecimento do processo democrático no âmbito
do Congresso favoreceu negociações que, representadas por regras
aprovadas nos pareceres preliminares relativos a tais projetos, viabilizaram
a inclusão de grande parte das metas", escreveu Pimentel.
A reportagem apurou que as "negociações" referidas
pelo relator foram intensas pressões de deputados da comissão
que insistiram na inclusão do anexo. São deputados que há anos
integram a comissão e passaram a exigir do relator-geral mais espaços
para verbas para seus projetos e Estados.
O histórico do anexo traz as digitais dos parlamentares.
No relatório, Pimentel afirmou que as "metas e prioridades" já constavam
da LDO. A LDO antecede o Orçamento e ambos são analisados na
mesma comissão. Pimentel, contudo, não detalhou que a inclusão
do anexo à LDO também foi gestada pela mesma comissão.
Em setembro passado, o deputado João Leão era o relator do projeto
da LDO e decidiu criar o anexo. Em seu relatório, explicou que as emendas
do anexo não haviam passado pelo comitê de admissibilidade da
comissão, mas teve uma idéia. "Para a análise da
admissibilidade e aplicação das disposições da
resolução às emendas apresentadas ao Anexo de Metas e
Prioridades, na ausência da designação do Comitê de
Admissibilidade das Emendas, previsto no art. 25 da citada resolução,
contamos com o apoio do deputado Cláudio Cajado [DEM-BA], da deputada
Rose de Freitas [PMDB-ES] e do deputado Wellington Roberto [PR-PB]", escreveu
Leão.
Ao enviar a proposta do PPA [Plano Plurianual] para o período 2008-2011,
novamente o governo federal deixou de incluir as "metas e prioridades" reivindicadas
pelos deputados na LDO. E novamente, por meio de outro relatório, a
comissão incluiu as emendas. Como no caso da LDO, o relator do PPA,
Cláudio Vignatti (PT-SC), recorreu aos deputados Zé Gerardo (PMDB-CE),
Rose de Freitas e Wellington Roberto.
Os precedentes na LDO e no PPA abriram espaço para a decisão
de Pimentel de incluir o anexo no seu relatório final.
Para autorizar o relator, a comissão fez novas concessões legais.
Um parecer técnico da consultoria de Orçamento do Congresso havia
advertido, em nota de outubro passado, que o relator não tinha poderes
para apresentar tais emendas como se fossem suas. "Não cabe emenda
de relator para incluir no PPA 2008-2011 ou no PLOA/2008 [lei orçamentária]
as programações às despesas constantes do anexo de prioridades
e metas uma vez que não está caracterizada a hipótese
de correção de erro e omissões de ordem técnica
ou legal, salvo se houver autorização expressa dos pareceres
preliminares."
Mas esse inconveniente também foi eliminado. A comissão autorizou
o relator-geral a "atender prioritariamente", entre outros pontos, "as
ações constantes do Anexo de Metas e Prioridades da LDO-2008".
Ao criar o anexo, a comissão também passou por cima de uma recomendação
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em mensagem para explicar o
motivo pelo qual o anexo inexistia na LDO, o presidente afirmou: "É de
se destacar que as metas e prioridades socialmente relevantes e altamente aderentes
aos objetivos de redução de desigualdades e de aceleração
do crescimento econômico receberam incrementos expressivos em relação às
metas previstas na LDO".
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FOLHA
DE LONDRINA, 25 de fevereiro de 2008 | Política
Proposta final do orçamento pode
ser votada esta semana
Brasília- Com dois meses de atraso, a Comissão Mista de Orçamento
do Congresso pretende votar nesta semana a proposta final do Orçamento
Geral da União para 2008. Porém, a falta de consenso entre os integrantes
da comissão e também nas bancadas regionais pode levar a mais um
adiamento da votação. O esforço na comissão é para
obter um acordo e evitar mais atraso.
O presidente da comissão, senador
José Maranhão (PMDB-PB), intensificou as negociações
e os apelos aos colegas. ‘‘Não está sendo
fácil nem será simples [tentar votar a proposta na
próxima semana]. Mas o nosso esforço é para
cumprirmos o calendário e aprovarmos o texto até a
próxima sexta-feira, na comissão’’, disse.
Além das conversas com os líderes
partidários e das bancadas regionais, Maranhão marcou
de duas a três reuniões por dia de terça à sexta-feira.
Os parlamentares vão analisar os pedidos dos Estados, uma
vez que governadores e prefeitos apelam para reduzir os cortes e
ampliar a previsão de recursos.
Nestas reuniões, senadores e deputados
vão discutir os itens do relatório final apresentado
por Pimentel na última quarta-feira. No total, são
cerca de 1.500 páginas exceto, textos de erratas -acréscimos
que ele ainda não incluiu.
Proposta
Na última quarta-feira, Pimentel
apresentou seu relatório no qual sugere corte geral de R$
12,40 bilhões na busca por compensar parte da perda da arrecadação
com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF). Para chegar a esse total, o petista disse que
vai ser necessário fazer um corte linear de 20% nos recursos
do Executivo, Legislativo e Judiciário.
Pimentel sugeriu ainda cortar 10% dos programas
Bolsa-Família, na área científica e nos recursos
destinados às Forças Armadas. Mas propôs poupar
os setores da saúde, educação e segurança
pública. Segundo ele, áreas essenciais. O relator sinalizou
que poderia alterar alguns números em função
de ajustes finais que ainda estava fazendo.
Renata Giraldi
Folhapress
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Folha
de São Paulo, 25 de fevereiro de 2008
TRANSIÇÃO EM CUBA / SUCESSÃO
EM FAMÍLIA
Eleito, Raúl sinaliza mudanças
na economia
Confirmado no cargo, novo líder
diz que situação econômica é "insustentável",
mas promete consultar o irmão sobre alterações |
Novo comandante promete acabar com "proibições simples" em
breve; seu número dois será "guardião ideológico" da
revolução
Alejandro Ernesto/Efe

Confirmado no cargo, Raúl Castro discursa no Parlamento da Ilha
LAURA CAPRIGLIONE
ENVIADA ESPECIAL A HAVANA
Na Cuba pós-Castro que a burocracia comunista quer fazer crer que será realidade
daqui em diante, nada poderia ser mais emblemático do que a primeira
página do jornal oficial "Juventud Rebelde" que circulou ontem,
dia em que, depois de 49 anos de poder incontrastável, Fidel Castro,
81, foi substituído na presidência do Conselho de Estado, órgão
máximo de poder na ilha, por seu irmão Raúl Castro. Nele
se vê um exército armado de fuzis empunhados por dezenas de "Fidéis
Castros", encimados pela frase: "A Revolução necessita
agora e no porvir de muitos "Fidéis'".
E foi um "Fidel" com DNA e tudo, o irmão mais novo dele, de
76 anos, que se sentou na cadeira de presidente do Conselho de Estado, agora
como titular do cargo, eleito pela 7ª legislatura da Assembléia
Nacional do Poder Popular que se reuniu ontem. Tudo como se esperava desde
que, há anos, Fidel disse que o irmão o sucederia.
Fidel, aliás, não esteve presente na Assembléia. Mas enviou
seus votos por escrito. Votou em Raúl por certo, já que o novo
presidente, como costuma acontecer nos escrutínios de partido único,
ganhou com 100% dos votos.
Chefe das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) de Cuba, Raúl
estava no comando do país desde julho de 2006, quando, doente, Fidel
lhe passou temporariamente o poder, depois de uma cirurgia intestinal.
Mudanças
Raúl não se apresentou com o traje verde-oliva que se fundiu à imagem
do irmão, assim como a barba, que o ex-guerrilheiro disse que rasparia
no dia em que se consumasse a construção do socialismo em Cuba.
Nunca raspou os pêlos, que entretanto ficaram finos e ralos.
Só com o bigode tradicional, Raúl apareceu de terno escuro bem
cortado, gravata clara e camisa social branca, no pronunciamento que fez pela
TV oficial depois de sua eleição pelos 614 deputados reunidos
na Assembléia Nacional, no Palácio das Convenções
de Havana, em uma das mais restritas áreas da capital, o bairro de Miramar.
No total, foram 43 minutos de discurso (pouco para os padrões castristas,
de cinco horas), em que Raúl leu com voz firme texto preparado com antecedência.
Chegou a defender um Partido Comunista Cubano "mais democrático".
Mas qualquer ilusão reformista desfez-se na mesma frase, quando o novo
líder reafirmou disposição de que o partido continue a
ser o único legalizado na ilha.
Raúl qualificou de "irracionais e insustentáveis" os
preços subsidiados da "libreta" de racionamento vigente desde
a revolução de 1959, o que sugere um aumento no custo de vida
do cubano médio.
Em contrapartida, disse pretender elevar o valor dos salários, de modo
a cobrir as necessidades das famílias. "Mas isso só se conseguirá fazendo
crescer a economia" -e não precisou data para que nada ocorra.
Nem o reajuste dos preços nem o aumento de salários.
No mesmo capítulo da economia, atacou a dualidade monetária em
Cuba, pela qual coexistem duas moedas, uma (voltada para o turismo) valendo
25 vezes mais que a outra (voltada para os cubanos).
Evasivo, Raúl prometeu para as próximas semanas o início
da eliminação de proibições "mais simples" -não
disse quais-, mas salientou que outras -também não disse quais-
demorarão mais para ser levantadas, pois estão relacionadas à defesa
nacional contra agressões externas -especificamente, ele mencionou as
americanas, como esperado.
O novo presidente defendeu "uma estrutura estatal mais compacta e funcional,
com um número menor de organismos da administração central
e uma melhor distribuição das funções", com
vistas a "tornar mais eficiente a gestão do governo". O objetivo,
disse ele, é "satisfazer as necessidades básicas da população,
tanto materiais como espirituais, partindo do fortalecimento do crescimento
sustentado da economia".
Dos 614 deputados da Assembléia Nacional, pelo menos 80% nasceram ou
foram educados depois da vitória da revolução de 1959.
Mas o comando do país ficará mesmo nas mãos da velha guarda.
Além de Raúl, a eleição de José Ramón
Machado Ventura, 77, ex-combatente guerrilheiro e membro do Birô Político
do PCC, mostrou que o núcleo duro dos revolucionários não
está disposto a se aposentar. No fim da assembléia, como não
podia faltar, veio o grito "Viva Fidel". Unânime.
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de fevereiro de 2008 | Nacional
Programa vai destinar R$ 11 bilhões
para os municípios mais pobres
Agência Estado
As regiões do país
com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) receberão
a partir deste ano os principais programas do governo federal de
forma integrada. A iniciativa, denominada Territórios da
Cidadania, reunirá 135 ações de 19 ministérios
que pretendem atender em 2008 cerca de mil municípios brasileiros.
O programa de integração das ações
do governo, com investimento previsto de R$ 11,3 bilhões,
será lançado oficialmente na segunda (25) pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
A idéia é atender,
neste ano, 60 territórios e, em 2009, 120 em todo o país.
Mais de 2 milhões de famílias de agricultores familiares,
assentados da reforma agrária, quilombolas, indígenas,
famílias de pescadores e comunidades tradicionais treão
acesso às ações.
De acordo com o ministro do Desenvolvimento
Agrário, Guilherme Cassel, “o programa é um esforço
do governo federal para superar de uma vez por todas os bolsões
de pobreza que ainda persistem no meio rural brasileiro”.
Os municípios envolvidos
foram reunidos em territórios pela identidade cultural, econômica
e produtiva. Os territórios terão de dez a 30 municípios
e haverá pelo menos um em cada estado da federação.
O ministro explicou que a escolha dos municípios que irão compor
os “territórios” levou em conta, além dos índices
de IDH, regiões com maior número de assentamentos da reforma
agrária, maior concentração de agricultores familiares,
de comunidades quilombolas, de indígenas, assim como maior número
de atendidos pelo Bolsa Família. “São critérios
que indicam a concentração da pobreza”, afirmou.
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FOLHA DE LONDRINA, 25 de
fevereiro de 2008 | Política
Comissão de ética analisa
hoje situação de Lupi
Ministro do Trabalho teria assinado contrato
de cerca de R$ 15 milhões com instituição supostamente
ligada ao PDT, seu partido
São Paulo - A Comissão
de Ética Pública da Presidência da República
deverá discutir, durante reunião prevista para hoje,
denúncia de suposta irregularidade cometida pelo ministro
do Trabalho, Carlos Lupi.
O ministro teria assinado contrato
de cerca de R$ 15 milhões com o Instituto de Educação
e Pesquisa Data Brasil, uma organização supostamente ligada
ao PDT, partido do ministro.
Segundo o presidente da comissão,
Marcílio Marques Moreira, é de praxe o órgão
fazer uma análise sobre fatos que surgem nos meios de comunicação.
Em 26 de dezembro do ano passado,
a comissão encaminhou ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva documento sugerindo a demissão de Lupi por ele ocupar, simultaneamente,
o comando do Ministério do Trabalho e a presidência do PDT.
Para os integrantes da comissão, o acúmulo dos cargos é antiético
e gera conflito de interesse.
O presidente Lula ainda não
deu uma resposta. No último dia 18, ao ser questionado por jornalistas
sobre quando decidirá sobre a recomendação da comissão,
o presidente evitou comentar o assunto e mostrou-se irritado com a pergunta.
Sobre a notícia, o ministro
Carlos Lupi afirmou que não é verdadeira e voltou a dizer
que está sendo perseguido politicamente. Ele já disse também
que não pretende deixar a presidência do PDT, nem abandonar
o ministério, o que fará somente se o presidente determinar.
Folhapress
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FOLHA DE LONDRINA, 25 de
fevereiro de 2008 | Política
PPS sinaliza aliança com PSDB
para 2010
São Paulo- O presidente estadual do PPS, Roberto Freire, afirmou ontem
que o partido poderá firmar uma aliança com o PSDB na disputa
das eleições presidenciais em 2010. O anúncio foi feito
durante o encontro estadual do partido, realizado na Assembléia Legislativa
do Estado de São Paulo (Alesp), na região do Ibirapuera (zona
sul de São Paulo).
O encontro contou com cerca de
representantes de 300 municípios do Estado, entre lideranças
da sigla, e possíveis candidatos a prefeitos, vice-prefeitos e
vereadores.
O governador de São Paulo,
José Serra (PSDB), foi até o encontro e declarou interesse
na criação de alianças entre os dois partidos. Após
a passagem rápida do tucano, Freire reiterou o bom relacionamento
de seu partido com os governadores Serra (SP) e Aécio Neves (MG),
qualificando os dois políticos como alternativas dentro do PSDB.
Freire afirmou ainda que o resultado
das eleições municipais deste ano em Belo Horizonte e São
Paulo podem influenciar no resultado de uma eventual aliança em
2010.
''A eleição nas
capitais de São Paulo e Minas podem influir na eleição
de 2010, por isso é muito bom termos este relacionamento com o
Serra, assim como temos com o Aécio, em Minas. Estes dois representam
dentro do PSDB uma alternativa política para as próximas
eleições'.
O líder do PPS criticou
a política econômica do governo federal e afirmou que foi
feito 'um carnaval sobre o fim da dívida externa' e esta não
seria uma vitória real da área.
'Essa política só permanece
porque a economia mundial mudou, está num ciclo virtuoso, que
não havia na época de Fernando Henrique (Cardoso), mas
como política está esgotada há muito tempo'
Especialistas e integrantes do
partido ministraram painéis abordando temas como educação,
meio ambiente, gestão pública e legislação
e marketing eleitoral. Entre os palestrantes, destaca-se a presença
da deputada federal Luiza Erundina (PSB) e da secretária de Estado
da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro.
A secretária apresentou
as metas do governo estadual na Educação aos pré-candidatos às
prefeituras, sublinhando a necessidade de parceria entre municípios
e estado para a implantação do ensino fundamental de 9
anos até 2010 - hoje, apenas 14% dos municípios paulistas
já implementaram a medida.
Em sua fala, Maria Helena aproveitou
para criticar a falta de transparência na aplicação
do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação
Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação
(Fundeb).
Sobre a possibilidade de corte
do salário-educação no texto de reforma tributária
elaborado pelo ministro Guido Mantega (Fazenda), a secretária
foi incisiva ao dizer que sem este repasse a secretaria de Educação
não terá dinheiro para investir no Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC).
Cristiane Capuchinho
Folhapress
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Agência Diap, 25 de
fevereiro de 2008
CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS
Projeto que atualiza CTL será objeto
de debates em seminário
O deputado Cândido
Vaccarezza (PT/SP), coordenador do Grupo de Trabalho da Câmara
para consolidação das leis, decidiu realizar um seminário
para debater os efeitos do PL 1.987/07, de sua autoria, que consolida
a legislação trabalhista escrita na CLT. O seminário
acontecerá no dia 3 de abril, na Câmara dos Deputados.
O projeto já passou por uma fase de recebimento de sugestões.
Ao encerrar esse período, que durou um mês, a matéria recebeu
63 sugestões. Dessas, mais de 40 foram apresentadas pela Federação
das Indústrias do estado de Minas Gerais (Fiemg).
Diante das controvérsias em torno do projeto de lei, a OAB Nacional,
por meio de seu presidente, Cezar Britto, pediu ao autor do projeto que o retire “para
que haja o devido debate da matéria pela sociedade”.
Ao mesmo tempo, a OAB Nacional pediu também que suas seccionais nos
27 estados brasileiros critiquem e enviem sugestões ao projeto de lei.
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Agência Diap, 25 de
fevereiro de 2008
FALTA AO TRABALHO
Trabalhador poderá ter uma
folga para resolver assuntos pessoais
Nesta terça-feira (26),
a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) analisa proposta
que autoriza todo trabalhador a faltar ao serviço um dia por ano
para tratar de assuntos pessoais, sem desconto em sua remuneração.Trata-se
do PLS 23/03, do senador Paulo Paim (PT/RS). A relatora, senadora Patrícia
Saboya (PDT/CE), apresentou voto favorável à proposta.
O colegiado se rúne
na Sala 19 da Ala Alexandre Costa às 11h.
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CONSULTOR JURÍDICO,
25 de fevereiro de 2008
Crítica no Orkut
Reclamar de empresa não é motivo
para justa causa
Uma empresa de telemarketing foi condenada a pagar as verbas rescisórias
a um trabalhador demitido por justa causa. Ele foi demitido depois de criar
uma comunidade no Orkut em que expressava a sua insatisfação
com a empresa. A decisão foi tomada pela 1ª Turma do Tribunal Regional
do Trabalho da 10ª Região (DF e TO).
A empresa afirmou que o ato era
de insubordinação e um mau procedimento, já que
o empregado tinha o intuito de ferir a sua imagem. Mas, as cópias
das conversas publicadas no Orkut demonstraram que o funcionário
não atacou e nem tentou ridicularizar a empresa. Ele e os colegas
discutiram apenas a diferença entre os salários e o valor
que consta no contrato de terceirização entre a empresa
e Ministério da Previdência Social.
“O empregado transmitiu
sua opinião sobre a empresa via internet, fora do local de trabalho.
Conduta assegurada pela liberdade de opinião e de expressão”,
afirmou o juiz André Damasceno, relator do processo.
Para o juiz, a demissão
por justa causa é a penalidade mais severa que se pode dar a um
empregado. Ela pode até mesmo manchar a reputação
e dificultar sua recolocação no mercado de trabalho. Por
isso, o empregador deve apresentar prova incontestável do fato.
O que não foi feito no caso.
Damasceno ressaltou que a conduta
do empregado fora do ambiente de trabalho só poderá constituir
justa causa se repercutir na relação contratual. “Não
se pode vislumbrar no caso a figura do mau procedimento. Tampouco se
verifica ato de insubordinação”, concluiu o juiz.
Processo 00742-2007-016-10-00-0-ROPS
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CONSULTOR JURÍDICO,
25 de fevereiro de 2008
Trabalho externo
Se há controle de horário,
horas extras são devidas
Empregado que exerce atividade externa também tem direito a hora extra.
O entendimento é da 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
A Turma confirmou a decisão da Justiça do Trabalho de São
Paulo que condenou a Pepsi-Cola Engarrafadora a pagar verbas trabalhistas para
uma vendedora.
Apesar de o artigo 62 da CLT
dispor sobre a incompatibilidade de fixação de horário
para trabalhadores que exercem atividade externa, testemunhas confirmaram
que a Pepsi fiscalizava a jornada de trabalho da vendedora e a obrigava
e ir à empresa pela manhã e no período da tarde.
O relator do processo, ministro
Alberto Bresciani, considerou que se há controle de horário,
então as horas extras são devidas. A Pepsi terá de
pagar horas extras superiores à oitava diária e 44ª semanal,
e o adicional previsto na Constituição, bem como seus reflexos
legais. A decisão da 3ª Turma foi unânime.
RR-30.935-2002-900-02-00.3
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CONSULTOR JURÍDICO,
25 de fevereiro de 2008
Período do trabalho
Aposentadoria especial é regida
pela lei vigente à época
Segurado que prestou serviço em condições especiais tem
direito à aposentadoria especial, mas nos termos da legislação
vigente à época do trabalho. O entendimento é da Turma
Nacional de Uniformização da Jurisprudência dos Juizados
Especiais Federais e foi firmado no julgamento de incidente de uniformização
de jurisprudência movido pelo INSS contra acórdão da 2ª Turma
Recursal da Seção Judiciária de Santa Catarina.
A autarquia se insurgiu contra
a determinação de adotar fator de conversão 1,4
para todo o período trabalhado em condições especiais.
Segundo o INSS, o acórdão diverge de decisões do
Superior Tribunal de Justiça, que aplica a lei vigente à época
em que a atividade foi prestada. No caso, o fator de conversão
passaria a ser 1,2, pois o trabalho especial foi exercido antes do Decreto
611/92 (que regulou os benefícios da previdência social).
O ministro Gilson Dipp, presidente
da Turma, afirmou que o acórdão deve ser reformado, porque
a questão já foi decidida pela Turma de Uniformização.
No caso, segundo o minisyro, deve ser aplicado o princípio lex
tempus regit actum, em virtude do qual o desfecho da questão deve
levar em conta a lei vigente à época dos fatos. O ministro
determinou a devolução do incidente à Turma Recursal
de origem para sua devida adequação.
Processo 2005.72.95.019100-4/SC
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ÂMBITO JURÍDICO,
25 de fevereiro de 2008
Exposição esporádica à umidade
excessiva não implica insalubridade
Se as características da atividade profissional expõem a trabalhadora
a condição insalubre apenas uma vez por mês não
cabe a concessão de adicional por insalubridade. Essa é a compreensão
da 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região,
que negou provimento a recurso ordinário interposto por ex-funcionária
de supermercado contra decisão da Vara do Trabalho de Viamão.
O trabalho da autora da ação consistia na lavagem de panelas
e utensílios, o que fazia sem proteção completa, ficando
seus calçados e calças expostos à umidade. Por ter entendido
que o contato com umidade excessiva era diário, o perito técnico
concluiu existir insalubridade em grau médio. Esse laudo fundamentou
em parte o recurso, composto ainda pelo pedido de pagamento das diferenças
salariais.
Para a Juíza-Relatora, Laís Helena Jaeger Nicotti, fica claro
no depoimento da autora que a causa da exposição à umidade
excessiva – a lavagem das panelas grandes e das grades das coifas – ocorria
apenas uma vez ao mês. E essa periodicidade não dá margem à configuração
da insalubridade em grau médio, crê a magistrada, que aponta ainda
o fato de o contato com respingos d’água não atender ao
disposto no Anexo 10 da Norma Regulamentadora 15 da Portaria 3.214/78 do Ministério
do Trabalho (são insalubres as operações executadas em
locais encharcados, alagados ou com umidade excessiva).
A autora pediu também o pagamento das diferenças entre seu salário
e o salário-mínimo regional durante a vigência do contrato,
argumentando que as convenções coletivas visam proteger os associados
sem ferir uma legislação maior. De acordo com a Juíza
Laís, o Art. 1º da Lei Complementar 103/2000 (que autoriza os Estados
a instituírem piso salarial) “estabelece expressamente que o referido
piso abrange os empregados que não tenham piso salarial definido em
lei federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho”,
no que é corroborado pelo Art. 3º da Lei Estadual 12.099/2004.
Tendo em vista que a empresa observava o piso da categoria, a magistrada negou
provimento ao recurso. O julgamento aconteceu no dia 14 de fevereiro.
Proc. 00035-2006-411-04-00-7
Fonte: TRT4
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
25/02/2008
Multa do artigo 475 do CPC não se
aplica ao processo trabalhista
A aplicação, no
processo do trabalho, da norma inscrita no artigo 475 do Código
de Processo Civil, que determina multa de 10% a quem não pagar
dívida no prazo de quinze dias, levanta uma questão nova
para análise no Tribunal Superior do Trabalho. Os ministros da
Sexta Turma entenderam não ser compatível aquela regra
do processo civil com a norma trabalhista, pois, enquanto a multa do
CPC estabelece prazo de quinze dias para pagamento, o art. 880 da CLT
determina a execução em 48 horas, sob pena de penhora,
não de multa.
A decisão da Sexta Turma
foi no sentido de que a determinação de incidência
da multa em processo trabalhista viola o art. 889 da CLT, que determina
explicitamente a aplicação do processo dos executivos fiscais
aos trâmites e incidentes do processo de execução.
A aplicação do CPC, de acordo com o artigo 769 da CLT, é subsidiária:
apenas é possível quando houver omissão da CLT.
Segundo o ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, relator do recurso de revista, a desconsideração
da regra do artigo 880 da CLT criaria verdadeira confusão processual,
não só em relação ao prazo para cumprimento
da obrigação, mais dilatado no processo civil, como também
em relação à penhora. E analisa: “O julgador
deveria cindir a norma legal para utilizar o prazo de 48 horas, menor,
da CLT, com a multa disciplinada no CPC, ou aplicar o prazo do CPC, maior
que o da CLT, com a multa e a penhora”.
Origem
Tudo teve início com a
reclamação de uma escriturária admitida no Banco
América do Sul em 1989. A bancária foi promovida à função
de assistente administrativo em outubro de 2000 e, posteriormente, em
março de 2002, a gerente de pessoa física (relacionamentos).
Em maio de 2000, segundo informa na reclamação trabalhista,
o Banco América do Sul foi incorporado pelo Banco Sudameris Brasil
S.A., que passou a ser seu empregador até setembro de 2005, quando
foi dispensada. Ao ajuizar a ação, pleiteou equiparação
salarial com colega na mesma função de gerente, horas extras,
adicional de transferência e danos morais.
Na 5ª Vara do Trabalho de
João Pessoa (PB), a bancária obteve julgamento favorável
quanto ao adicional de transferência e horas extras. Ao determinar
o pagamento no prazo de 15 dias, após o trânsito em julgado
da sentença, sob pena de multa percentual de 10% sobre o montante
e constrição de bens, independentemente de mandado de citação,
o magistrado combinou o artigo 880 da CLT com o artigo 475-J do CPC.
Isso vem sendo questionado pelo banco desde o recurso ordinário.
Quando o Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região (PB)
ratificou a sentença, o Banco Sudameris Brasil S.A. recorreu ao
TST e conseguiu, agora, mudar a decisão. (RR-668/2006-005-13-40.6)
(Lourdes Tavares)

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