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Agência
Brasil, 26 de fevereiro de 2008
Centrais sindicais defendem permanência
de Lupi no Ministério do Trabalho
Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Cinco centrais sindicais apresentaram hoje (25) ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva um manifesto em apoio ao ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, acusado de beneficiar uma organização supostamente
ligada ao PDT, partido do ministro.
“Carlos Lupi está sendo vítima
de uma explícita campanha difamatória, sofrendo uma implacável
perseguição política”, diz o documento divulgado
pelo presidente da força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
Também assinam o manifesto a Nova Central Sindical,
a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), a União Geral dos Trabalhadores
(UGT) e a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).
Os sindicalistas defendem a atuação de
Carlos Lupi e seu comprometimento com a pasta e pedem a permanência dele
no cargo. “O ministro Lupi tem defendido os trabalhadores”, justificou
Paulinho após distribuir o documento à imprensa. “É toda
uma armação para tentar derrubar o ministro Lupi e, por isso,
o movimento sindical saiu em defesa do ministro e não vamos deixar derrubá-lo”,
frisou.
Os sindicalistas estiveram hoje (25) no Palácio
do Planalto para debater a reforma tributária com o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao mesmo
tempo em que a Comissão de Ética Pública da Presidência
da República analisava denúncia de que Lupi teria assinado contrato
de cerca de R$ 15 milhões com o Instituto de Educação
e Pesquisa Data Brasil.
Os integrantes da comissão - que já haviam
recomendado o afastamento de Lupi do governo por conflito de interesses – decidiram
pedir esclarecimentos do ministro sobre a suposta irregularidade administrativa.
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DIAP, 26 de fevereiro de
2008
REFORMA TRIBUTÁRIA
Centrais defendem Previdência Social
na discussão com Mantega
Em reunião nesta segunda-feira (25) com o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, as centrais sindicais defenderam a contribuição
previdenciária por parte dos empresários. A proposta inicial
de desoneração da folha de pagamento foi duramente criticada
pelos dirigentes sindicais e o Governo voltou atrás e deve repensar
essa questão.
De acordo com a assessoria do
ministro da Fazenda, Guido Mantega, a perda com a desoneração
da folha, no caso da Previdência Social seria de R$ 24 bi e seria
compensada pelo Tesouro Nacional.
O ministro e sua equipe apostam
no crescimento no número de empregos formais e conseqüentemente
numa maior arrecadação para os cofres da previdência.
A proposta determina que os atuais 20% descontados do INSS cairiam para
14%.
Futuro
Para os dirigentes sindicais
a saída não pode ser a desoneração única
e simples da folha de pagamento. A preocupação dos representantes
dos trabalhadores é com o futuro da folha de pagamento do INSS.
O Presidente que participou somente
do final da reunião concordou com as ponderações
dos dirigentes sindicais e pediu que a proposta seja revista com mais
calma. Com o alerta de Lula, é possível que a redução
da alíquota fique fora da reforma tributária e seja discutida
posteriormente em forma de um projeto de lei.
Jornada de trabalho
O tema que vem sendo a bandeira
número um do movimento sindical, a redução da jornada
de trabalho, sem a redução de salário, foi também
tema da reunião. Os dirigentes cobram a parte dos empresários
para que a geração de empregos seja efetivada, e a redução é uma
das ações nesse sentido.
Os empresários nem sempre
conseguem um acordo que possa beneficiar os trabalhadores. Entre eles,
compensar a redução da contribuição patronal
e redução da jornada. Mas a idéia nem sempre é bem
vista no meio empresarial, que quer manter seus lucros e diminuir seus
custos.
Educação
Já a contribuição
do salário educação da folha de pagamentos foi retirada
da proposta, consensualmente entre o Governo e as centrais. Na proposta
do Governo, a alíquota de 2,5% sobre a folha de pagamentos paga
pelas empresas deixará de existir.
O ministro garantiu que
o Ministério da Educação não perderá recursos,
já que essa conta será paga pelo Tesouro Nacional. (André Santos)
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CONGRESSO EM FOCO, 26 de
fevereiro de 2008
Caminho aberto para o trabalho escravo
Entidades trabalhistas lançam ofensiva
contra medida provisória que dispensa o registro em carteira
dos trabalhadores rurais temporários
Lúcio Lambranho
De forma discreta, o governo
atendeu a um pedido da bancada ruralista no Congresso e embutiu numa
medida provisória que trata de financiamento e previdência
rural dispositivo que pode dificultar o combate ao trabalho escravo.
Publicada no Diário Oficial
da União em 28 de dezembro, a MP 410/07 libera as contratações
temporárias no meio rural e dispensa o registro em carteira dos
chamados safristas, trabalhadores contratados apenas durante as colheitas.
Entidades representativas de
trabalhadores e procuradores do Ministério Público do Trabalho
(MPT) afirmam que, caso as novas regras sejam aprovadas, poderão
ser inviabilizadas as ações do grupo móvel de combate
ao trabalho escravo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Mais do que isso, alegam que a mudança pode incentivar a exploração
desse tipo de mão-de-obra.
Desde 2005, 621 ações
de combate ao trabalho escravo libertaram mais de 27 mil trabalhadores
em todo o país. Procurado pelo Congresso em Foco, o MTE não
quis se pronunciar sobre o assunto, apesar de a MP ter a assinatura do
ministro da pasta, Carlos Lupi, presidente do PDT. Procurada pela reportagem,
a Casa Civil da Presidência da República também se
esquivou das perguntas sobre a MP. Limitou-se a dizer que as justificativas
deveriam ser apresentadas pelo MTE.
Na justificativa da medida provisória,
na há nenhuma menção à primeira parte da
norma, a polêmica contratação temporária no
meio rural. As mudanças na Lei 5.889/73, que permitiriam esse
modelo contratação, são citadas apenas nas três
primeiras linhas do documento, assinado por Lupi e pelo ministro da Previdência,
Luiz Marinho.
Por outro lado, em 23 tópicos,
são feitas considerações sobre a segunda parte da
MP, que contém alterações sobre a aposentadoria
dos trabalhadores rurais. Parlamentares ligados à questão
agrária disseram ao site que o Ministério do Trabalho não
foi sequer consultado pelo Palácio do Planalto antes de a medida
provisória ser publicada.
Atropelo
Além de contrariar o MTE,
o governo atropelou um projeto de lei que trata do mesmo tema e que está pronto
para votação no plenário da Câmara. Trata-se
do PL 1367/2007, de autoria do deputado Márcio Reinaldo Moreira
(PP-MG), integrante da bancada ruralista.
As duas propostas são
semelhantes. A única diferença entre o projeto do deputado
mineiro e a medida provisória é o tempo de enquadramento
para o chamado trabalho de pequeno prazo. A MP permite a contratação
sem carteira assinada por até dois meses de trabalho continuado
no período de um ano. Já o projeto de lei de Márcio
Reinaldo amplia essa possibilidade para três meses. O Congresso
em Foco tentou contato com o deputado do PP, mas não houve retorno.
O procurador do MPT em Barreiras,
oeste da Bahia, Luciano Leivas, acredita que a dispensa de anotação
na carteira de trabalho dos safristas pode comprometer o trabalho de
fiscalização do grupo móvel do MTE. “Essa
desobrigação pode incentivar o trabalho escravo”,
avalia o procurador.
Incidência alta
A primeira unidade da Justiça
do Trabalho chegou a essa região baiana de grande produção
de grãos em agosto de 2006. Até então, todos os
casos eram julgados em Salvador. De lá pra cá, 80% das
17 ações civis públicas em tramitação
na corte diziam respeito a denúncias de trabalho escravo, estima
Leivas.
No oeste da Bahia, como mostrou
com exclusividade o Congresso em Foco no último dia 12, o pai
do tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna e outros dois sócios
de um mega-empreendimento rural de mais de 6 mil hectares são
acusados de explorar trabalho escravo.
A notícia de que 82 trabalhadores
foram resgatados da fazenda Campo Aberto ganhou repercussão e
nacional e internacional, sendo publicada inclusive no principal jornal
de esportes da Itália, La Gazzetta dello Sport. Os sócios
e os advogados do empreendimento negam a denúncia.
"Sem urgência"
A vice-presidente da Associação
Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), Juliana Vignoli, acredita
que a medida provisória dificulta e pode até impedir a
fiscalização do grupo móvel de trabalho escravo
do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). "O projeto tem
relevância, mas não tem urgência para ser tratado
por medida provisória. Isso retira da população
o direito de debater o tema", afirma a procuradora do Ministério
Público do Trabalho (MPT).
Para Juliana Vignoli, que acompanhou
ações do grupo móvel no Pará e em Minas Gerais,
o principal prejuízo trazido pela MP 410/2007 é a desobrigação
de anotação nas carteiras de trabalho dos safristas ou
trabalhadores temporários. "A maioria dos trabalhadores retirados
das fazendas em ações do grupo móvel não
tinha carteira em 20 ou 30 anos de trabalho. Isso pode ser ainda ampliado
com a medida provisória", diz.
A ANPT está mobilizando
outras entidades ligadas à questão trabalhista para tentar
derrubar a proposta do governo. Também são contra a medida
provisória a Associação Nacional dos Magistrados
da Justiça do Trabalho (Anamatra) e o Sindicato Nacional dos Auditores
Fiscais do Trabalho (Sinait). A mobilização envolve ainda
a Federação da Agricultura Familiar (FAF), a Federação
dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (FERAESP)
e a regional paulista da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
"Dispensado de quaisquer
registros, o empregador certamente ficará tentado a não
formalizar (leia-se legalizar) tais contratos de pequeno prazo e até outros
de duração maior, podendo sempre alegar que a contratação é recente.
Isso prejudicará todo o esforço de legalização
das relações laborais no campo, afetando o combate ao trabalho
escravo, degradante e superexplorado", diz nota da ANPT.
Emendas
Antes mesmo de começar
a tramitar na Câmara, a MP 410/2007 já recebeu 45 emendas
na comissão mista do Congresso responsável por receber
as medidas provisórias encaminhadas pela Casa Civil. O item passa
a trancar a pauta, ou seja, a impedir a votação de outras
proposições no plenário a partir do dia 22.
Pelas regras regimentais, o colegiado
deveria se reunir periodicamente para discutir a proposta com um relator.
Mas até agora, ninguém foi indicado para relatar a matéria.
Além disso, a comissão não se reúne desde
a chegada das medidas provisórias do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC).
Uma das emendas feitas à MP
410 foi proposta pelo senador José Nery (Psol-PA), que defende
a derrubada da proposta do governo. "Essa alteração
na legislação trabalhista no meio rural é contra
todos os esforços, inclusive do governo, contra o trabalho escravo. É um
contra-senso algo desse tipo ser proposto sem discussão com o
Ministério do Trabalho e no final do ano passado, quando o Congresso
já estava de recesso", ataca o senador do Psol.
Na avaliação de
José Nery, a MP é uma "afronta" aos direitos
do trabalhador. "A melhor contribuição que o Congresso
pode dar é rejeitar essa medida provisória e aprovar a
PEC do Trabalho Escravo", considera.
PEC esquecida
A proposta de emenda à Constituição à qual
o senador do Psol se refere é a PEC 438/2001, parada na Mesa Diretora
da Câmara desde abril de 2007 e que tramita na Casa há seis
anos.
O texto-base da PEC, aprovado
em primeiro turno na Câmara em 2004, prevê que as propriedades
rurais e urbanas em que forem localizadas culturas ilegais de plantas
psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo
serão desapropriadas e destinadas à reforma agrária
e a programas de habitação popular. Não caberia
indenização ao proprietário, após sentença
judicial transitada em julgado, ou seja, quando não couber mais
recurso.
A proposta também determina
que os bens de valor apreendidos, decorrentes da prática de trabalho
escravo, rural ou urbano, serão destinados a um fundo especial,
cuja aplicação dos recursos será disciplinada por
lei infraconstitucional.
A PEC é uma das bandeiras
dos movimentos sociais ligados à questão agrária
e de setores do governo que estão à frente de ações
de combate ao trabalho escravo. No dia 12 de março, entidades
como a Via Campesina, que tem o Movimento dos Sem Terra (MST) com um
de seus principais articuladores, farão um ato nacional pela aprovação
da PEC 438/2001.
"Excesso de proteção"
A polêmica MP 410 é responsável
por uma proeza: está fazendo a senadora Kátia Abreu (DEM-TO),
uma das principais articuladoras da derrubada da CPMF no Senado, apoiar
uma iniciativa do Palácio do Planalto.
"É absurda essa vinculação
com o trabalho escravo. A MP é o primeiro passo para a desburocratização
sem perda de direitos. O excesso de proteção, assim como
pode ocorrer com nossos filhos, é prejudicial ao trabalhador",
compara a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), uma das principais lideranças
dos ruralistas no Senado e autora de cinco emendas ao texto do governo.
Uma das sugestões dela
prevê o aumento de dois para três meses do prazo para a contratação
de trabalhadores rurais temporários sem o registro em carteira
assinada. Kátia argumenta que algumas culturas, como a da cana-de-açúcar,
necessitam desse período mínimo para a colheita. "Eu
mesmo fiquei com gente acampada na minha fazenda por três meses",
afirma.
Em outra emenda, a senadora do
Democratas estende a possibilidade de contratação temporária
sem registro em carteira a pessoas jurídicas, empresas agropecuárias
e agroindústrias.
"Eu trabalho para a maioria
dos produtores rurais. O trabalho escravo é uma execeção.
Além disso, os proprietários acusados estão se defendendo
na Justiça. O Ministério do Trabalho não é dono
da verdade absoluta", acredita a senadora.
Ex-líder do DEM na Câmara,
o deputado Onyx Lorenzoni (RS) diverge frontalmente da colega de partido
nesse caso. O deputado gaúcho acredita que a anotação
na carteira de trabalho dos safristas não pode ser dispensada.
Além de fazer uma emenda
obrigando a anotação da carteira, Onyx também pede
a estabilidade no emprego temporário de gestantes, líderes
sindicais e trabalhadores acidentados.
O deputado também
quer que o prazo estipulado para a sazonalidade seja de 90 dias em
vez dos dois meses propostos pelo governo. A emenda nº 18 também
prevê que o período para o enquadramento do safrista seja
de seis meses, e não de um ano, como prevê o texto enviado
pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). "Não
existe trabalho escravo com anotação em carteira. O registro
em carteira não pode ser dispensado, portanto, em nenhuma hipótese",
disse Onyx ao site.
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ESTADÃO.COM/ SÃO
PAULO, 26 de fevereiro de 2008 | Economia
Siemens vai cortar 6,8 mil funcionários
de telecomunicações
Plano de redução envolve o
fechamento ou venda da fábrica em Curitiba, com 470 funcionários
Efe
BERLIM - O grupo tecnológico alemão Siemens anunciou nesta terça-feira,
26, um plano de redução de 3,8 mil empregos e transferência
de outros 3 mil em todo o mundo em sua divisão de telecomunicações,
para sanar as finanças. O plano envolve o fechamento ou venda da fábrica
em Curitiba, com 470 funcionários.
Em comunicado, a empresa afirma
que dos 3,8 mil postos de trabalho que serão extintos, 2 mil estão
na Alemanha. Ao mesmo tempo, a Siemens quer transferir a empresas externas
outros 3 mil empregos - dos quais 1.200 estão na Alemanha - e
ainda tenta vender ou encontrar sócios para sua fábrica
em Tessalônica (Grécia), com 270 empregados, ou mesmo fechá-la,
a exemplo da unidade de Curitiba.
A companhia também quer
vender os call centers na Argentina, Chile, Colômbia, Equador e
Peru, nos quais trabalham 1.100 pessoas e que não fazem parte
das atividades principais da Siemens Enterprise Communications (SEN).
A Siemens abandonará a produção própria em sua
unidade de telecomunicações SEN e para isso venderá ou
encontrará um sócio para sua fábrica alemã de Leipzig
(leste do país), que atualmente tem 530 empregados, e na divisão
de cabos de telecomunicações, com 60 trabalhadores.
Ao mesmo tempo, o grupo alemão
tenta transferir a uma companhia externa do setor de tecnologia da informação
570 empregados de vendas diretas a clientes de sistemas pequenos e médios.
A Siemens admitiu que acelerou
seu processo de reestruturação devido às mudanças
ocorridas no negócio de telecomunicações, provocadas
pela entrada no mercado de companhias que operam por meio da internet.
As medidas de pessoal fazem
parte de um conjunto de atividades com as quais a Siemens pretende
transformar a sua divisão de telecomunicações
em um produtor de software e soluções. A companhia alemã também
deseja se expandir em mercados em crescimento como Rússia e
China.
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CONSULTOR JURÍDICO,
26 de fevereiro de 2008
Mera cópia
Assinatura digitalizada em recurso
ao TST é inválida
Assinatura escaneada não é válida no mundo jurídico.
O entendimento é da 2ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
A Turma considerou irregular um recurso apresentado pela Telemar Norte Leste.
A sentença que condenou a empresa a pagar dívidas trabalhistas
foi restabelecida pelos julgadores.
De acordo com os ministros, a
assinatura digitalizada por meio de scanner gera simplesmente uma cópia,
procedimento não regulamentado. Vale a assinatura digital, de
acordo com a Instrução Normativa 30/07 do TST, emitida
pelo ICP-Brasil, com uso de cartão e senha.
O ministro Renato de Lacerda
Paiva, relator do caso, considerou que na assinatura digitalizada existe
risco de a reprodução ser utilizada por outra pessoa. Motivo:
o documento não vem assinado por próprio punho. Ele esclareceu
que a Lei 9.800/1999, que permite a transmissão de peças
ao Poder Judiciário por meio eletrônico, não se aplica à assinatura
digitalizada.
“Se a lei facultou a utilização
de sistemas de transmissão de dados para a prática de atos
processuais dependentes de petição escrita, o fez com a
ressalva da certificação digital e da posterior apresentação
dos documentos originais em juízo, de modo a se assegurar sua
legitimidade”, concluiu o relator.
História processual
Contratada pela Telemar Norte
Leste, a Help Phone Comércio e Serviços Telefônicos
admitiu, em outubro de 2000, sete cabistas para trabalhar de segunda
a domingo, incluindo feriados, com apenas duas folgas mensais, das 7h30 às
19h, com uma hora de intervalo. Em dezembro, segundo informaram os trabalhadores
na petição inicial, foram despedidos sem justa causa e
sem receber verbas rescisórias. Em juízo, pediram o reconhecimento
da responsabilidade subsidiária da Telemar e o pagamento de, entre
outras parcelas, horas extras, domingos e feriados em dobro, saldo de
salário de dezembro, regularização e liberação
de FGTS mais 40% e aviso prévio.
A 3ª Vara do Trabalho de
Salvador (BA) foi favorável aos cabistas. Ambas as empresas foram
condenadas: a Help Phone, à revelia, por não ter comparecido à audiência,
e a Telemar, como devedora subsidiária. A Telemar recorreu ao
Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (BA) com Recurso
Ordinário feito com assinatura digitalizada. O TRT aceitou o documento.
Assim, a empresa de telefonia foi excluída da ação.
Os cabistas apelaram ao TST.
Alegaram a irregularidade na representação da Telemar.
O argumento foi o de que houve violação do artigo 830 da
CLT. Segundo esse artigo, “o documento oferecido para prova só será aceito
se estiver no original ou em certidão autêntica, ou quando
conferida a respectiva pública-forma ou cópia perante o
juiz ou tribunal”. A 2ª Turma acolheu o argumento.
RR-1.051/2002-003-05-40.5
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO (ON LINE), 26 de fevereiro de 2008 | Pensata
Ética à brasileira (agora
sabemos)
O assunto da coluna anterior,
sobre suspeitas de desvio de dinheiro público envolvendo verbas
do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), resultou em uma
economia de mais de R$ 2 milhões para os contribuintes.
Usando verbas do Codefat (dinheiro
dos trabalhadores), o MTE insistia em um convênio com entidade
sindical filiada à Força Sindical que custaria R$ 7 milhões
para recolocar trabalhadores no mercado.
Havia duas suspeitas graves:
1) O MTE é presidido por
Carlos Lupi, ministro do Trabalho e presidente do PDT. A entidade sindical
a ser beneficiada é vinculada à Força Sindical,
presidida por Paulo Pereira da Silva, deputado federal pelo PDT.
2) O custo por trabalhador a
ser recolocado no mercado pelo convênio era quase 100% maior do
que o gasto pelo Estado de São Paulo para fazer o mesmo serviço.
Apontadas as suspeitas em reportagem
da Folha, a prefeitura paulistana e o Estado se posicionaram contra.
O MTE teve de recuar.
Inicialmente, o convênio
entre o ministério de Lupi e a entidade da Força Sindical
gastaria R$ 195,33 por trabalhador recolocado em São Paulo. Revistos
os números a partir da denúncia, o custo caiu a R$ 135,06.
A mágica foi possível
porque o total de trabalhadores a ser recolocado aumentou milagrosamente:
de 36.199 para 51.000. Se de fato o convênio entre o MTE e o sindicato
da Força Sindical chegar aos 51.000 recolocados, a economia para
o erário será superior a R$ 2 milhões ante a previsão
inicial.
A pergunta que não quer
calar: para onde iriam os R$ 2 milhões a mais da proposta inicial?
Outra apuração
revelou que pelo menos R$ 70 milhões do MTE estão sendo
dirigidos a 12 entidades ligadas ao PDT de Carlos Lupi. Os beneficiados
são doadores de campanha, parentes ou amigos filiados ao PDT.
Algumas das entidades beneficiadas são suspeitas de desvios no
passado. Mesmo assim, estão recebendo a verba, que foi prontamente
repassada a pedido de pessoas também ligadas ao PDT.
Outra pergunta: se o convênio
citado acima continha um superfaturamento explícito, o que garante
que os demais (de R$ 70 milhões) não estejam incorrendo
na mesma prática?
Como dito na coluna anterior,
a Comissão de Ética Pública do governo federal já pediu
ao presidente Lula a saída do ministro Carlos Lupi do MTE (ou
da presidência do PDT) por ver conflito de interesses.
Lula continua ignorando o assunto,
como sempre, quando se trata de ética em seu governo. Nesse caso,
cabe aos membros da Comissão de Ética uma atitude mais
contundente. Seus membros já ameaçam renunciar caso nada
seja feito. Mas não o fizeram até agora.
Com isso, a Comissão de Ética
corre o grave risco de ficar totalmente desmoralizada e sem sentido.
Se condena algo e nada acontece, não serve para nada.
Nesta semana, a comissão
promete reavaliar o assunto. Seus próximos passos serão
decisivos para que o país conheça (ou reconheça)
o tipo de ética pública permitida por aqui. Desta vez,
o padrão será definido justamente pelos escolhidos para
defini-lo.
*
Para conhecimento 1:
São membros da Comissão
de Ética Pública: Marcílio Marques Moreira (presidente),
Hermann Assis Baeta, José Ernanne Pinheiro, Roberto de Figueiredo
Caldas e José Paulo Sepúlveda Pertence.
Para conhecimento 2:
Artigo 4º do decreto presidencial
que criou a comissão: "Eventuais despesas com a execução
do disposto neste Decreto, inclusive as decorrentes de deslocamentos
dos membros da Comissão de Ética, correrão à conta
da Presidência da República."
As informações
abaixo foram conhecidas poucas horas após a publicação
da coluna:
Para conhecimento 3:
No início da noite desta
segunda-feira (25.fev.), o presidente da Comissão de Ética
Pública, Marcílio Marques Moreira, deixou o cargo. Mas
não a comissão _o que é incrível. Eticamente,
só ele pode explicar os motivos reais. Marcílio transmitiu
o posto a outro membro do órgão, Sepúlveda Pertence,
ex-ministro do STF. Mas continuará tendo suas "eventuais
despesas" pagas pelo governo.
Para conhecimento 4:
O caso todo é ridículo,
asqueroso. Logo, um serviço aos leitores:
Site da Comissão de Ética Pública:
http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/cepub/sobre/
Para falar com a comissão:
http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/cepub/fale_com/falecom/FaleCom_view
Fernando Canzian, 40, é repórter
especial da Folha. Foi secretário de Redação,
editor de Brasil e do Painel e correspondente em Washington e Nova
York. Ganhou um Prêmio Esso em 2006.
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24HORAS NEWS/ MATO GROSSO, 26 de fevereiro
de 2008 | Economia
Nova Central Sindical de Trabalhadores é lançada
em Mato Grosso
Redação 24HorasNews
A Nova Central Sindical dos
Trabalhadores (NCST) foi lançada estadualmente nesta segunda-feira
(25.02). Com uma ideologia sindical de unicidade, a NCST já tem
adesão da Federação dos Trabalhadores na Indústria
de Mato Grosso (FITEMT), da Confederação Nacional
dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade do Estado de Mato
Grosso (CONTRATUH-MT) e da Federação dos Trabalhadores
em Turismo e Hospitalidade do Estado de Mato Grosso (FETRATUH-MT).
A cerimônia de lançamento, que ocorreu no Hotel Bandeirantes,
contou com a presença do presidente da NCST nacional, Sr. José Calixto
Ramos, e reuniu grandes líderes das causas trabalhistas como o secretário
da NCST nacional. Sr. Moacyr Roberto Tesch Auersvaldo, o presidente da NCST
estadual, Dr. Divino Márquez Braga, o presidente da FETIEMT, Ronei Lima,
e o presidente do Sindicato dos Enfermeiros de Mato Grosso, Djamir Souza Soares.
Durante o encontro, Calixto fez a leitura do edital de convocação
aos trabalhadores, dando início aos trabalhos de formação
da diretoria da NCST estadual e aprovação do estatuto.
O presidente da FETIEMT, Ronei Lima, lembrou que 62% dos sindicatos não
fazem parte de nenhuma central e o quanto isso enfraquece os trabalhadores. "Um
grande número de trabalhadores esta aderindo à Nova Central,
o que significa que esta ela está sendo vista como um instrumento de
defesa dos trabalhadores." Ele falou ainda de bandeiras defendidas pela
NCST. "É necessário que lutemos por jornadas de 40 horas
semanais e pela defesa de direitos com o 13° e férias. Estão
tirando nossos direitos a cada dia, precisamos impedir situações
como a reforma trabalhista e a reforma sindical", concluiu Ronei.
Segundo Calixto, a NCST já está presente em 13 estados e não
possuí vinculação partidária e nem governamental. "Nós
começamos a estruturação da Central nas bases sindicais,
visitamos 16 estados no início dos trabalhos. Essa ação
foi de vital importância, pois atende às necessidades de cada
estado e município especificamente". Ele acrescentou que as centrais
estaduais vêm para solidificar a Central Nacional. "A NCST não é para
disputar com as outras centrais, mas para somar nas lutas quando possível.
Quando não houver convergência nas aspirações lutaremos
pelo que acreditamos".
Para Moacyr Tesch, a Central faz parte da história pessoal de cada um
de seus integrantes e não tem pensamento de cúpula. "Os
trabalhadores têm necessidades locais. É por essa razão
que lutas como a negociação coletiva devem ser realizadas dentro
dos sindicatos". Moacyr afirmou ainda que a criação de um
piso salarial estadual e a valorização dos sindicatos são
bandeiras defendidas pela NCST. "A NCST tem grande peso nas resoluções
dos trabalhadores", continuou ele. "Somos uma pedra no sapato daqueles
que procuram massacrar a classe trabalhadora, porque temos capacidade de resposta
e somos uma Central combativa, ao contrário de outras centrais, em que
a ideologia sindical morreu".
Os líderes comentaram a situação em que se encontra a
classe trabalhadora que, além de ser massacrada pelo patronato, precisa
ainda defender-se muitas vezes do próprio Ministério Público,
que não se sabe de que lado está. "A impressão que
temos é que instrumentos públicos que deveriam estar do nosso
lado estão contra. A Delegacia Regional do Trabalho está inerte
e, se for pra prejudicar o trabalhador, o Ministério do Trabalho está pronto",
defendeu Djamir Souza Soares.
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GAZETA MERCANTIL, 26 de fevereiro de 2008
CUT e Força Sindical na mira
das investigações no Senado
Brasília, 26 de Fevereiro de 2008 - O cerco da Comissão Parlamentar
de Inquérito (CPI) do Senado às organizações não-governamentais
(ONG) começa a incomodar os Ministérios do Trabalho, Saúde,
Planejamento e Desenvolvimento Agrário. Entidades sem fins lucrativos
que recebem recursos dos ministérios são investigadas pela comissão
porque configuram na lista de instituições consideradas inadimplentes
pela Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, são 40 convênios,
de centrais sindicais, organizações representativas de índios
e institutos de pesquisa, considerados em situação irregular,
que movimentaram R$ 4,8 bilhões entre 1999 e 2006.
Os principais problemas identificados são: indícios de desvio
de recursos, falta de documentos, não cumprimento de contrapartidas,
atraso na prestação de contas e irregularidades na execução
financeira. Os técnicos da CPI, no entanto, ainda terminaram de examinar
toda a documentação para saber se existem sinais que comprovem
a má utilização de verbas públicas pelas instituições. "Como
há indícios de irregularidades apontados pela CGU e os contratos
apresentam valores exorbitantes é fundamental que a CPI redobre os cuidados
sobre estes convênios. Não pode haver blindagem de nenhum setor
na CPI", afirma o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), integrante da
comissão de investigação.
As auditorias da CGU chamam atenção, por exemplo, de convênios
firmados pelo Ministério do Trabalho com a Força Sindical (FS),
Central Única dos Trabalhadores (CUT), Associação Nacional
de Sindicatos Social-Democratas (SDS), Instituto Cultural do Trabalho (ICT).
As entidades não cumpriram as contrapartidas contratuais, mas receberam
R$ 261,2 milhões nos últimos sete anos.
A Força Sindical tem o convênio de maior valor dentre as listadas:
R$ 121,2 milhões, mas não apresentou todas as ações
contratadas com o ministério. Entre 2000 e 2002, a Força enfrentou
restrições da CGU por ter sido identificado que em seus cursos
profissionalizantes milhares de trabalhadores teriam participado de aulas técnicas
em períodos simultâneos e em diferentes municípios.
Saúde
Entre o material analisado pela CPI foi detectado que três dessas entidades
foram apontadas em relatórios de tomada de contas especial do Tribunal
de Contas da União (TCU) por indícios de desvios de recursos
públicos. Uma delas é a ONG Urihi - Saúde Yanomami de
Roraima. Convênios fechados pela organização com o Ministério
da Saúde, por meio da Funasa, num valor total de R$33,8 milhões
apresentam irregularidades, como na aquisição dos bens e serviços.
A Urihi teria realizado mero procedimento de cotação de preços,
sem qualquer divulgação na imprensa oficial ou da praça
e sem verificação da habilitação dos fornecedores.
Nos contratos com a Coordenação da União das Nações
e Povos Indígenas de Rondônia, norte de Mato Grosso e sul do Amazonas, "foram
realizados procedimentos de cotação simulados com nove empresas,
pequenas ou fantasmas, indicando possível direcionamento e cotações
muito próximas, com preços sempre pouco acima da cotação
vencedora, forjando competição", diz o relatório
do TCU.
O presidente da CPI das ONG, senador Raimundo Colombo (DEM-SC), diz que todas
as incertezas que pesam sob as ONG estão em análise. Colombo
destaca que os trabalhos da comissão estão na fase final e, agora,
o importante é emplacar a quebra do sigilo bancário e fiscal
de todas ONG e entidades sem fins lucrativos que apresentaram indícios
de irregularidades.
" A CPI hoje tem estudos, evidências, ela anda por si só. Trabalhamos
muito em janeiro e fevereiro, com reuniões internas. A fase mais difícil
passou e a mais importante está chegando", avaliou o senador do DEM
de Santa Catarina.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág.
9)(Márcio Falcão)
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GAZETA MERCANTIL, 26 de fevereiro
de 2008
Construção: Bom momento
do setor atrai estrangeiros ao Brasil
O bom momento atual da economia brasileira, principalmente da construção
civil, tem despertado o interesse de empresas de vários países
em nosso mercado. Prova disso, é a crescente participação
de expositores estrangeiros nas feiras do setor, mais precisamente na Concrete
Show South America. As empresas internacionais já representam 20% dos
expositores da feira, um crescimento de 200% em comparação com
a edição anterior. Organizada pela Sienna Interlink, a feira
acontece de 27 a 29 de agosto, no Transamérica Expo, em São Paulo.
A seis meses da Concrete Show
South America 2008, 37 empresas internacionais já fecharam contrato
e serão expositoras da segunda edição da feira.
Para Claudia Godoy, diretora da Sienna Interlink, o expressivo crescimento
confirma a importância da feira no cenário sul-americano. "O
aumento da participação de empresas estrangeiras, além
de confirmar o papel da feira, revela que o Brasil está na mira
dos investidores internacionais, o que fortalece a economia nacional",
diz em nota Claudia Godoy.
A feira que se consolidou como
maior evento de tecnologia sobre concreto na América do Sul, receberá a
Forsa, Vortex, Bibko, Somero, Mep, entre outras empresas vindas de oito
paises, como Estados Unidos, Alemanha, Itália, China, Japão,
Coréia, Colômbia e Argentina. Ao todo, serão mais
de 200 empresas líderes de mercado que apresentarão as
principais novidades do setor da construção civil. Neste
ano a feira ocupará uma área de 17 mil m², 42% maior
que 2007. Marcaram presença na primeira edição da
feira mais de 10 mil profissionais ligados ao setor e a expectativa para
2008 é de 12 mil visitantes. (Redação - Agência
JB Online)
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CORREIO DA BAHIA, 26 de fevereiro
de 2008 | Aqui Salvador
Protesto de operários da construção
civil pára trânsito
Categoria exige reajuste salarial de 14%
e deflagra greve por tempo indeterminado
Flávio Costa
Os trabalhadores da construção civil paralisaram, ontem pela
manhã, o trânsito de quatro avenidas de Salvador - Paralela, ACM,
Barros Reis e 7 de Setembro. Este foi o saldo do primeiro dia de greve por
tempo indeterminado da categoria, que reivindica aumento salarial de 14%. O
Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção
e da Madeira do Estado da Bahia (Sintracom) promete novos protestos. Já os
donos de construtoras afirmam que quem aderir ao movimento não receberá pelos
dias parados.
As passeatas tiveram início
nos canteiros de obras localizados em diversos pontos da cidade: Avenida
Paralela, Barra, Costa Azul, Estrada Velha do Aeroporto, Parque da Cidade,
Brotas, Rio Vermelho, Vitória e centro. O Sintracom estima que
existam 150 construções em andamento na capital. Pelo menos
a metade estaria paralisada, de acordo com o Sindicato das Empresas de
Construção Civil do Estado da Bahia (Sinduscon). A Delegacia
Regional de Trabalho (DRT) vai tentar uma solução para
o impasse, numa reunião com os representantes das duas classes
marcada para hoje, às 15h, na sede da delegacia, na Carlos Gomes.
Após se organizarem nos
canteiros, os manifestantes saíram para as ruas com o objetivo
de, ao atrapalhar o tráfego, chamar a atenção para
as reivindicações das classes. “Todo mundo tem o
direito de se manifestar, mas não prejudicar a vida dos outros”,
reclamava, apressado, o taxista Cláudio Dantas, 35 anos. Por volta
10h, ele dirigia na Paralela, sentido Iguatemi, quando dois grupos de
operários já haviam “fechado” a avenida há mais
de uma hora.
O primeiro protesto aconteceu
na frente da construção do condomínio Alphaville
2, da Alphaville Urbanismo. Os manifestantes chegaram a ocupar toda a
extensão da pista, no sentido Iguatemi, e o engarrafamento se
estendeu, por pelo menos cinco quilômetros, de acordo com agentes
da Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET). Boa
parte dos que trabalhavam no canteiro do Shopping Paralela se juntou
aos colegas grevistas. Mais adiante, na saída da Paralela, em
direção à Avenida ACM, cerca de 50 operários
também fecharam o acesso aos carros – apenas os motoqueiros
conseguiam escapar ao cerco. “Os patrões não querem
pagar por aquilo que é o nosso direito”, dizia o ferreiro
C.F.C., 28 anos, que trabalha na obra de um prédio residencial
no bairro do Costa Azul.
O grupo, do qual C.F.C. fazia
parte, entrou pela Avenida Barros Reis e seguiu para o Campo Grande,
acompanhado por policias militares e agentes da SET. A muito custo, eles
liberaram parte da pista para os veículos, mas toda região
entre a Rótula do Abacaxi e a Paralela estava com o trânsito
comprometido. Perto do meio-dia , foi realizada a maior e a última
passeata do dia, do Campo Grande até o Largo de São Bento,
na Avenida 7 de Setembro. “Esta greve não vai durar um,
dois dias”, avisa o presidente do Sintracom, Raimundo Brito.
***
Denúncia de indicação
política
Ex-operários das obras
do metrô de Salvador e militantes do Sindicato dos Trabalhadores
da Construção Pesada e Indústrias da Bahia (Sintepav)
protestaram em frente ao canteiro central da construção,
na Rótula do Abacaxi. Eles acusam a Companhia de Transportes de
Salvador (CTS) e Consórcio Metrosal (Siemens, Camargo Corrêa
e Andrade Gutierrez) de contratarem novos trabalhadores através
de “indicação política”.
As obras da chamada primeira
etapa do metrô – Lapa e Acesso Norte – estão
sendo retomadas aos poucos. Em dezembro, cerca de 800 operários
perderam o emprego. Com a garantia da liberação de R$495
milhões para a conclusão da linha completa até o
bairro Pirajá, com previsão para setembro de 2010, um total
de 400 funcionários será contratado até o final
desta semana. “É um ano eleitoral e os que estão
conseguindo emprego são apadrinhados de encarregados ou recebe
recomendações de vereadores para a vaga”, acusa o
assessor da presidência da Sintepav, Vágner Bastos. A entidade
ameaça paralisar a retomada das obras a partir da próxima
semana.
O secretário municipal
de Transportes e Infra-Estrutura, Pedro Dantas, respondeu às acusações
do sindicato: “Eles têm que trazer provas do que estão
afirmando. Eu não posso obrigar o Consórcio Metrosal a
contratar de acordo com os critérios do sindicato”.
Atualmente, estão em
andamento obras no túnel, elevados e vias em superfície,
além de intervenções nas estações
da Lapa, Campo da Pólvora, Brotas, Bonocô e acesso norte.
Por ser metade do traçado inicial, o primeiro trecho foi apelidado
de metrô calça-curta. A expectativa é que a linha
total de 12,5km – entre a Lapa e a Estação irajá – tenha
capacidade para transportar 200 mil passageiros por dia. O Consórcio
Metrosal não se pronunciou sobre o assunto.
***
Décima rodada de negociações
Nove rodadas de negociações
não foram suficientes para que os representantes do capital e
do trabalho do ramo da construção civil chegassem a um
consenso. Os patrões consideram elevado o índice de reajuste
exigido pelo Sintracom – 14%. O piso do operário qualificado é de
R$700,18. O décimo encontro entre o Sintracom e o Sinduscon, que
acontece hoje, será mediado pela DRT.
A entidade, ligada à Central Única
dos Trabalhadores, reivindica ainda a inclusão de uma cesta básica
nos vencimentos a redução do tempo de experiência
de 90 dias para 30 dias. “O setor foi o que mais cresceu no ano
passado e as empresas continuam com a prática de demitir trabalhadores
a cada três meses para não ter que arcar com despesas trabalhistas”,
declarou o presidente do Sintracom, Raimundo Brito.
Dados do Ministério do
Trabalho indicam que houve uma expansão de 11,25% na criação
de empregos formais no ramo da construção civil na Bahia – um
total de 9.499 de carteiras assinadas. As vendas do mercado mobiliário
subiram 5%, no terceiro semestre de 2007, último a ter os números
divulgados pela Associação de Dirigentes de Empresas do
Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA).
O vice-presidente do Sinduscon,
Carlos Alberto Matos Vieira Lima, classificou de “absurda” a
proposta dos representantes dos operários. “Em nenhum setor
da economia do país há reajustes salariais de dois dígitos”.
A entidade ofereceu 4,2%, mas a proposta pode chegar a 6%. “É o
máximo que podemos oferecer”, acrescenta. Ele negou que
as empresas de construção civil estejam demitindo funcionários
de maneira irregular.
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Agência Diap, 26 de
fevereiro de 2008
MOVIMENTO SINDICAL
Chinaglia cria comissão que
vai debater PEC de redução da jornada de trabalho
O presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT/SP), criou nesta segunda-feira (25), na Casa,
a comissão especial que vai deliberar sobre a proposta de redução
da jornada de trabalho. A proposta de emenda à Constituição
(PEC), do ex-deputado e atual senador Inácio Arruda (PCdoB/CE),
reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
A PEC ainda aumenta para 100% a remuneração das horas
extras normais que hoje é de 50%. As horas extras laboradas
nos finais de semana aumentam para 200%.
A comissão especial será composta de 17 membros e terá um
prazo de 40 sessões para apresentar seu parecer e enviar a matéria
ao plenário. Os líderes devem indicar os membros de suas bancadas
ainda nesta semana. A PEC é uma das prioridades desta sessão
legislativa e faz parte da agenda positiva do movimento sindical no Congresso
Nacional.
A decisão da direção da Câmara mereceu elogios do
deputado Chico Lopes (PCdoB/CE), em discurso no plenário da Casa. "Quero
parabenizar a direção da Casa, por intermédio da Mesa,
que anunciou a criação da comissão especial para discutir
a redução da jornada de trabalho de 40 horas semanais. Isso é um
avanço, isso é positivo, é assim, com políticas
afirmativas, que a Câmara dos Deputados entra na discussão de
matérias de interesse do povo", afirmou o parlamentar.
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Agência Diap, 26 de fevereiro de 2008
O Brasil e o mistério das
duas dívidas
Por: Lecio Morais*
A notícia de que em janeiro o Brasil alcançou a posição
de país liquidamente credor revela um fato que além de auspicioso é também
inédito. O acumulado de nossas reservas internacionais é suficiente
para pagar hoje toda a dívida externa pública e privada a vencer.
Porém, logo muitos analistas quiseram tirar desta fonte lições
que nada têm a ver com a realidade dos fatos.
A primeira suposta lição é a de que a posição
alcançada é um mérito da política macroeconômica
ortodoxa herdada dos anos noventa, que o Governo Lula teria tido a sabedoria
de manter. A segunda é que agora o Governo Lula deve fazer com a dívida
pública interna o que conseguiu com a externa – reduzi-la mediante
o corte da despesa estatal, considerada grande e desnecessária. Esses
analistas apontam para a trajetória dos títulos da dívida
interna, que, ao contrário da externa, vem crescendo aceleradamente
nos últimos anos, segundo eles, graças ao aumento incessante
das despesas.
Vejamos por que essas duas pretendidas lições a serem tiradas
na nossa recém conquistada posição de credor líquido
não procedem.
Um fenômeno mundial
O acúmulo de divisas por parte de grandes países considerados
do Terceiro Mundo (ou que pelo menos nunca fizeram parte do Primeiro Mundo) é um
fenômeno mundial que tomou ímpeto nos anos 90, coincidindo com
a primeira grande fase expansionista da economia dos EUA após as críticas
décadas de 70 e 80. Numa primeira fase, beneficiaram-se do mercado interno
americano especialmente as economias do Leste Asiático. Porém,
foi na segunda fase de expansão e prosperidade – iniciada em 2003
após a recessão da chamada crise da “nova economia” – que
a tendência se consolidou e alastrou a fartura e o acúmulo de
dólares por grandes e médios países periféricos
de todo o mundo. Mesmo aqueles países dessa categoria que não
lograram eliminar liquidamente sua posição devedora, como o México
e a Argentina, viram a sua dívida líquida externa reduzir-se
substancialmente.
O fluxo de dólares para essas economias advém dos superávits
em conta corrente e dos investimentos produtivos e das aplicações
em carteira (ações e títulos de renda fixa internos).
Os benefícios da acumulação de reservas atingiram países
com políticas macroeconômicas e bases econômicas bastante
distintas, como Rússia, China, África do Sul, Índia, México
ou Brasil. Logo, não seria possível, no caso brasileiro, responsabilizar
a nossa política macroeconômica ortodoxa pela conquista da posição
credora. O único ponto em comum de todos esses países é a
valorização de suas moedas nacionais frente ao dólar,
o que vem ocorrendo em maior ou menor grau com todos (inclusive a China, que
desde 2005, teve o yuan valorizado em cerca de 8%).
Para entender o que aconteceu com o Brasil agora é preciso, portanto,
examinar o que se passa no sistema capitalista mundial liderado pelos Estados
Unidos e não o suposto mérito da política monetária
engendrada mimeticamente por nossos tecnocratas do Banco Central.
E o que está a acontecer no sistema capitalista mundial é algo
de profundo e importante, que pode mudar nossa visão de futuro, não
só a respeito do mundo como da nossa estratégia e projeto de
Nação. Não há aqui espaço para essa discussão,
mas poderíamos resumir essa transformação do sistema mundial
como segue.
Os EUA, com sua hegemonia política e econômica até então
incontrastável, começou a sofrer forte desgaste na década
de 70. Isso se revelou na crise do dólar de 1971-73, que resultou na
quebra unilateral dos acordos de Bretton Woods, nos dois choques do petróleo,
na derrota e retirada do Pentágono do Vietnam e nas perdas de países
para revoluções tão diferentes como a do Irã e
a da Nicarágua.
A bem sucedida saída dessa situação adversa – a
globalização produtiva e financeira – teve, entretanto,
como contrapartida, transformar os EUA, primeiro, de maior país credor
no maior devedor do mundo; e, segundo, no início dos anos 90, fazer
com que o valor das propriedades de estrangeiros em seu território fosse
maior do que a das propriedades americanas no mundo. A posição
credora do país hegemônico em dívida e patrimônio
se inverteu.
Outra mudança fundamental no sistema mundial a partir da globalização
foi o intenso deslocamento produtivo. Primeiro a indústria ligeira,
logo a indústria pesada e também a de maior conteúdo tecnológico
se transferiram dos países desenvolvidos para o Leste Asiático,
a Índia e outras partes do mundo. Ao mesmo tempo a oferta de força
de trabalho disponibilizada por esses países (especialmente China e Índia)
duplicou, causando um forte rebaixamento nos salários, um aumento da
exploração e a precarização das relações
de trabalho.
Os EUA resguardaram para sua economia alguns setores de alta tecnologia – basicamente
os ligados a armamento – o controle sobre boa parte da rede mundial de
distribuição de mercadorias e o domínio financeiro sobre
o mercado de capitais, praticado por meio das grandes bolsas americanas e pelo
privilégio de emitir a moeda internacional, o dólar.
A onda do dólar farto
Logo o intenso deslocamento produtivo foi tornando endógeno, interno,
os fatores de crescimento econômico desses países periféricos,
o que vem tornando precário o controle dos EUA e dos países centrais
sobre a dinâmica capitalista mundial. Ao mesmo tempo, os EUA vêm
fracassando em liderar o mundo para reformas que sustentem a liberação
comercial e em manter a estabilidade da moeda internacional. O valor do dólar
declina constantemente. Isto faz com que a capacidade consumidora dos EUA,
ao tempo que centraliza a dinâmica mundial do capitalismo, também
exerça uma forte pressão sobre o valor e o preço das mercadorias
importadas, lançando assim um imposto invisível sobre o resto
do mundo.
A verdade é que, longe de indicar uma “democratização” da
riqueza global, essa onda de fartura de dólar pode estar indicando um
tempo de graves crises, derrocada do comércio internacional e desorganização
do sistema capitalista internacional pela simples falta de um centro hegemônico
coordenador, imperialista ou não.
Em decorrência desse fenômeno complexo, que indica o lento declínio
da autoridade americana, os países da periferia ou semiperiferia vêm
se abarrotando de reservas em dólar. A política monetária
praticada internamente pelo Brasil em nada, ou quase nada, vem contribuindo
para esse crescimento das reservas.
Por fim, é importante afirmar que a passagem do Brasil à posição
de credor líquido deve ser comemorada enquanto valor simbólico.
A elevada reserva atual, na verdade, não garante tanto. O problema é que,
apesar disso, também cresceu muito o nosso passivo líquido externo
(dívida externa líquida mais investimentos externos no Brasil
e menos investimentos brasileiros no exterior): ele se elevou em US$ 200 bilhões
desde 2003 (de US$ 272 bilhões para US$ 472 bilhões), muito mais
que as festejadas reservas. Só os investimentos em carteira de estrangeiros
aumentaram de US$ 151 bilhões para US$ 400 bilhões, sendo 120
bilhões em ações na Bovespa e mais US$ 41 bilhões
em títulos de renda fixa.
Esse patrimônio de grande liquidez pode ser retirado do país à vontade
por seus proprietários estrangeiros (ou brasileiros com fundos ilegais
no exterior). Logo, o que realmente dá segurança ao país
não são as reservas, mas sim a capacidade de gerar saldo em conta
corrente – exatamente aquilo que a política monetária que
ajuda a valorizar o Real prejudica.
Dívida interna e ortodoxia macroeconômica
Entretanto, nossa política macroeconômica – monetária
e fiscal – tem realmente alguma responsabilidade pela forma como acontece
no Brasil este fenômeno mundial de acúmulo de reservas. Diferente
de outros países igualmente beneficiados, o Brasil é aquele onde
tem crescido mais fortemente a dívida pública interna e onde
a moeda nacional mais se valorizou.
Diferente do que afirmam os analistas conservadores, nossa dívida em
títulos vem crescendo porque nossas reservas em dólar aumentam
e não por causa da despesa pública. A responsável por
isso é uma política monetária que mantém continuamente
altas taxas de juros reais e restringe fortemente a oferta de crédito
e o gasto público, pela aplicação continuada de uma política
fiscal de grandes superávits primários.
As altas taxas de juros, mantidas mesmo quando as taxas internacionais estão
em queda, fazem do país o paraíso da especulação,
que recebe não só investimentos produtivos (diretos), mas também
muitas aplicações especulativas em ações e títulos.
Aliado à entrada de dólares, o investimento estrangeiro vem ampliando
as reservas, mas também implicando em uma grande emissão de títulos
federais para “esterilizar” o meio circulante dos reais constantemente
emitidos para fazer o câmbio. Os títulos assim emitidos a juros
altos são comprados pelos aplicadores para aumentar seu patrimônio,
como contrapartida dos dólares que incham nossas reservas. O pior é que
os títulos emitidos custam ao Tesouro Nacional pelo menos 11,2% ao ano,
enquanto os dólares da reserva só rendem cerca de 3%. A diferença é bancada
pela emissão de mais títulos e pela maior necessidade de superávit
primário no orçamento público. É uma máquina
infernal de produzir dívida pública criando, em contrapartida,
patrimônio financeiro privado.
A criação dessa dívida pública em decorrência
da entrada de dólares não é inevitável. Ela só ocorre
porque a política monetária é também muito restritiva
e não permite que os reais assim gerados circulem na economia financiando
a produção e aumentando o consumo. Em resumo, se as taxas de
juros não fossem tão altas, a atração do ganho
fácil não nos traria tantos dólares, e se a política
fosse mais expansiva, mesmo assim haveria mais reais circulando e menos dívida
pública para sufocar o Estado brasileiro.
Este é o mistério das duas dívidas. A política
macroeconômica ortodoxa não tem mérito na nossa nova posição
de credor líquido – notícia que merece tanta comemoração
quanto cautela com o futuro do mundo. Mas tem grande responsabilidade na elevação
da dívida pública federal. Pretender que se gaste menos em investimento
e serviços públicos para facilitar ainda mais a constituição
de riqueza financeira às custas do endividamento público é mais
do que um desserviço à nação. É uma tentativa
empulhação criminosa.
(*) Economista, mestre em Ciência Política,
especialista em plano e orçamentos públicos e assessor técnico
da Liderança do PCdoB na Câmara dos Deputados.
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NCST, 26 de fevereiro de
2008
Centrais querem tirar da reforma tributária
redução da contribuição patronal à Previdência
As centrais sindicais pediram ontme (25) ao presidente Luiz Inácio Lula
da Silva que a proposta de reduzir a contribuição das empresas
para a Previdência saia da reforma tributária, que será encaminhada
ao Congresso Nacional na quinta-feira (28). Os sindicalistas alegam que a desoneração
coloca em risco o pagamento de futuras aposentadorias.
Segundo os sindicalistas, o presidente
Lula afirmou que a proposta não fará parte da reforma tributária
e será discutida por mais tempo. O governo estudava incluir na
reforma um mecanismo para reduzir o percentual pago pelos empregadores,
que hoje é de 20%.
Para os dirigentes sindicais,
a redução da contribuição patronal significará uma
perda de R$ 30 bilhões para os cofres da Previdência e o
governo ainda não apresentou uma forma de repor essa arrecadação.
"Não concordamos
de jeito nenhum. O presidente pediu para que o ministro Guido Mantega
[Fazenda] reveja essa questão. Ficou definido que não irá para
o Congresso junto com a reforma. Ele [presidente Lula] vai se reunir
com os empresários e pontuar que essa questão precisa ser
discutida com as centrais sindicais para encontrar uma fórmula
de financiamento da Previdência”.
Sindicalistas ainda alertam que
o aumento da arrecadação e do emprego formal podem não
ser necessários para compensar a desoneração da
folha de pagamento.
“Desonerar a folha de salário
não pode vir apenas como um risco que será compensado com
o aumento da arrecadação e da formalização. É preciso
acompanhar essa discussão com muita cautela, para que não
se tenha um rombo nas receitas da Previdência. Não há garantia
de que vai haver contratação de emprego formal”,
disseram.
“O ministro [Guido Mantega,
da Fazenda] disse que a proposta de desoneração da folha
não estará nessa proposta de emenda constitucional, mas
seria colocada em uma proposta infraconstitucional, ou seja, mais tarde”.
"Se a Previdência
já é deficitária, conforme argumentam economistas,
como é possível reduzir a receita? Queremos saber qual
será a contrapartida patronal. Ficamos inseguros.”
O ministro Guido Mantega
e o presidente Lula concordaram em estudar mais a proposta, informou
o Palácio do Planalto. Na quarta-feira (27), será a vez
de os empresários opinarem sobre a reforma.
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Folha
de São Paulo, 26 de fevereiro de 2008
Desoneração da folha fica
fora da reforma
Pressionado por centrais, Lula deve retirar
de pacote tributário proposta que reduziria contribuição
previdenciária de empresas | Sindicalistas querem a garantia
de que a perda de arrecadação previdenciária
seja coberta com receitas de outros tributos
JULIANA ROCHA
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Pressionado pelas centrais
sindicais, o governo recuou e deverá retirar do pacote
da reforma tributária -que será encaminhada ao
Congresso depois de amanhã- a desoneração
da folha de salários das empresas. Em reunião ontem
com os sindicalistas, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva pediu ao ministro Guido Mantega (Fazenda) que ampliasse
a discussão sobre o assunto antes de enviar uma proposta
ao Legislativo, disseram sindicalistas que participaram do encontro.
A desoneração da folha seria o principal atrativo oferecido pelo
governo ao setor produtivo na reforma tributária. A proposta desenhada
pela Fazenda previa que, a partir de 2010, haveria redução de
um ponto percentual na atual alíquota de 20% da contribuição
previdenciária recolhida pelas empresas, chegando a 14%. Isso custaria
R$ 25 bilhões para o governo e seria compensado, de acordo com Mantega,
pelo crescimento econômico e pelo aumento do emprego formal.
" Não podemos confiar, a economia vive um sobe-e-desce. Não
podemos aprovar uma reforma para tirar direito dos aposentados no futuro. É preciso
encontrar formas de compensação", disse o presidente da Força
Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP). "A desoneração
da folha não pode ser um risco para criar um rombo nas receitas da Previdência",
acrescentou o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Artur
Henrique.
Sem
compensação
O que mais desagradou aos representantes dos trabalhadores na desoneração
da folha de pessoal foi o fato de não haver nenhuma previsão
de compensação por meio de outros tributos. Eles querem a garantia
de que a perda de arrecadação previdenciária seja coberta
com receitas de outros tributos. A CUT defende a transferência da tributação
para o faturamento.
Segundo relato dos sindicalistas, o projeto de lei para garantir a desoneração
da folha só deverá ser encaminhado depois da aprovação
da emenda constitucional com as mudanças tributárias. Seria uma
segunda etapa da reforma, de acordo com o relato de sindicalistas. Mas a equipe
econômica tenta fechar um projeto para ser enviado ao Congresso com a
PEC (proposta de emenda constitucional) da reforma tributária. Mantega
não falou após a reunião.
Imposto de Renda
Essa segunda etapa ainda incluiria a desoneração do Imposto de
Renda da pessoa física. Na reunião, a CUT pediu que o alívio
de impostos para a classe média seja contemplado. As centrais pressionaram
o ministro para que desse uma resposta clara sobre a redução
das alíquotas do IR. Contrariado, Mantega respondeu: "Vamos reduzir
o IR".
O alívio da carga de impostos para pessoas físicas seria enviada
ao Congresso na forma de projeto de lei. A principal saída para desonerar
a classe média em estudo na Fazenda é a criação
de duas alíquotas intermediárias do IR, de 20% e 25%. Hoje, são
duas as faixas de alíquotas cobradas pela Receita Federal: de 15%, para
quem tem rendimentos mensais entre R$ 1.372,82 e R$ 2.743,25, e de 27,5%, para
quem tem rendimentos superiores a R$ 2.743,25.
A receita com Imposto de Renda da pessoa física em 2007 foi de R$ 13,9
bilhões, 54% a mais que no ano anterior, já descontada a inflação.
A proposta de reforma tributária prevê a unificação
das alíquotas do ICMS dos Estados e a transferência da cobrança
da origem para o destino. PIS, Cofins e Cide serão fundidos em um único
tributo, que será chamado de IVA-F (Imposto sobre Valor Agregado Federal).
A CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) será inserida
no Imposto de Renda da pessoa jurídica.
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Diário Vermelho, 26
de fevereiro de 2008
Lula lança novo programa social
e deixa oposição incomodada
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que não tem "pressa" para
acabar com o programa Bolsa Família. A declaração
foi feita no Palácio da Planalto durante a solenidade de lançamento
nacional do Programa Territórios da Cidadania, que prevê investimentos
de mais de R$ 11 bilhões para redução da pobreza
no meio rural. A oposição de direita, indiferente para
o alcance social do programa, teme que a satisfação popular
com os investimentos se transforme em apoio político ao governo
Lula e já se articula para boicotar o programa.
"Eu não tenho pressa
de acabar com o Bolsa-Família", declarou o presidente Lula,
ressaltando que esse programa só acabará no dia que a sociedade
construir uma política de distribuição de renda.
Segundo o presidente, o programa
Territórios da Cidadania prevê investimentos de R$ 11,3
bilhões de reais em 2008 para superar a pobreza no meio rural
e prevê ações de forma integrada em 60 territórios
neste ano e outros 120 em 2009, em todo o País.
Lula ressaltou ainda que acredita
que este novo programa fará a complementação do
bolsa-família, além de conseguir definitivamente que "essa
gente" tenha vez no Brasil. A iniciativa reunirá 135 ações
voltadas para o desenvolvimento regional e a garantia de direitos sociais,
beneficiando 24 milhões de brasileiros.
O presidente pediu também
ao Senado e à Câmara urgência na votação
de projetos ligados ao programa Territórios da Cidadania. "Quero
pedir ao Senado e à Camara que a hora que as coisas forem chegando
aí, que dizem respeito ao território da cidadania, que
votem porque o país depende disso para se transformar em uma grande
nação", afirmou.
Oposição não
quer que dê certo
Com medo da repercussão
social que o programa poderá ter, a oposição já busca
argumentos para tentar desqualificar os investimentos programados pelo
Territórios da Cidadania.
DEM e PSDB ameaçam recorrer à Justiça
Eleitoral para questionar o programa. "É um programa 100%
eleitoreiro. A política social do governo deveria ser solucionada
a partir do Ministério do Combate à Fome. Mas o que estamos
vendo é que o governo pulveriza o assistencialismo para que cada
ministério tenha o seu quinhão", disse o presidente
do DEM, Rodrigo Maia (RJ).
O objetivo do programa é executar
ações para reduzir as desigualdades sociais e promover
o desenvolvimento por meio de projetos já em execução.
A oposição, porém, afirma que as medidas têm
como objetivo repassar recursos a municípios em que o governo
pretende eleger candidatos.
No programa, há 135 ações
que tratam de desenvolvimento regional e de garantia de direitos sociais
em 958 municípios --em 60 áreas com menor IDH (Índice
de Desenvolvimento Humano) do país.
No total, a previsão do
programa é beneficiar 24 milhões de pessoas envolvidas,
incluindo comunidades rurais, indígenas, quilombolas e pescadores.
As ações envolvem 19 ministérios em projetos que
vão desde a construção de estradas ao incentivo
industrial e agrícola.
"Alavancador e permanente"
O presidente do Senado, Garibaldi
Alves Filho (PMDB-RR), disse não acreditar que o programa Territórios
da Cidadania seja uma manobra do governo para a eleger o maior número
de candidatos no pleito deste ano. "O presidente da República
não fará um investimento dessa ordem para ter um resultado
desse tipo. Vai fazer um investimento para ter um resultado efetivamente
positivo, de melhoria das condições de vida da população",
disse Garibaldi.
Do lado do governo, os defensores
do programa também se pronunciaram. A senadora Roseana Sarney
(PMDB-MA), lembrou que as várias ações do programa
serão executadas em parceria do governo federal com os governos
estaduais e municipais.
O objetivo do programa, informou
a senadora, é promover o desenvolvimento regional sustentável
associado à garantia dos direitos sociais nas regiões do
país "que mais precisam", ou seja, 60 territórios
que têm os menores índices de desenvolvimento humano (IDH)
do país. Assim, disse Roseana Sarney, o Territórios da
Cidadania levará desenvolvimento econômico em conjunto com
programas básicos de cidadania.
"O programa combina diferentes
ações para reduzir as desigualdades sociais e promover
um desenvolvimento harmonioso e sustentável. Portanto, realmente
alavancador e permanente", disse a senadora.
Com investimentos de R$ 11,3
bilhões previstos para 2008, registrou Roseana, mais de 2 milhões
de famílias poderão ser beneficiadas, entre elas, populações
quilombolas e indígenas, famílias de pescadores, agricultores
familiares e comunidades tradicionais. Já em 2009 o programa deve
ser ampliado para 120 territórios com baixos IDH, acrescentou.
De acordo com Roseana Sarney,
o programa envolverá diversos ministérios e compreenderá,
também, a ampliação de ações já existentes,
como os programas Saúde da Família, Farmácia Popular
e Brasil Sorridente, além de aumento dos financiamentos do Programa
Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
Só para o estado do Maranhão,
disse Roseana Sarney, o Programa Territórios da Cidadania destinará R$
933 milhões para desenvolver quatro territórios: Cocais,
Baixo Parnaíba, Lençóis Maranhenses/Munim e Vale
do Itapecuru, ou seja, 55 dos 217 municípios do estado.
"Esse programa, portanto, é um
momento especial de esperança para os maranhenses e brasileiros
e, em particular, para todos nós que sonhamos com um Brasil
melhor e mais igual para todos", concluiu Roseana Sarney.
Da redação,
com agências
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Folha de São Paulo,
26 de fevereiro de 2008
PARTIDOS
Para Aécio, PSDB e PT
não devem ser "inimigos"
JULIANA ROCHA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governador de Minas Gerais,
o tucano Aécio Neves, disse ontem que o PT e o PSDB não
devem ser partidos "inimigos". Aécio admitiu que regionalmente
essa aliança já está sendo testada, embora os tucanos
façam oposição ao governo Lula.
" O PSDB e o PT não precisam ser inimigos declarados por toda a vida.
Nós, que já temos identidade em tantas questões, em especial
nas econômicas, quem sabe não podemos estar juntos na construção
de um grande projeto futuro. Em Minas Gerais, estamos conversando", disse
ele, após uma reunião com o ministro Guido Mantega para discutir
o projeto da reforma tributária.
Há duas semanas, Aécio e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando
Pimentel (PT), firmaram aliança para lançar um candidato comum à prefeitura
da capital neste ano. O escolhido seria o secretário de Desenvolvimento
Econômico do governo do Estado, Márcio Lacerda (PSB). Em troca,
o tucano apoiaria o prefeito petista como candidato para sucedê-lo.
" [A proximidade com Pimentel] não devia assustar. Devia alegrar
[os partidos]. O Brasil precisa viver uma fase mais madura. Precisamos buscar
alianças onde existem identidades. Acho que o possível entendimento
em torno de um projeto de desenvolvimento para Belo Horizonte pode ser uma sinalização",
disse. Aécio negou que esteja em busca do apoio eleitoral de Lula.
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Agência Câmara,
26 de fevereiro de 2008
Congresso vai analisar vetos presidenciais
na quarta-feira
O Congresso Nacional se reúne na quarta-feira (27), às 11 horas,
para analisar vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 13 propostas
aprovadas por deputados e senadores. Os vetos podem ser derrubados ou mantidos
pelo Congresso.
A pauta da sessão inclui
o veto ao Projeto de Lei 3152/97, do Senado, que trata da profissão
de jornalista. A proposta transferia do Ministério do Trabalho
para a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) a atribuição
de realizar o registro profissional.
Esse projeto foi vetado em julho
de 1999. Na ocasião, a Presidência da República considerou
que o texto poderia servir como instrumento de coerção
para obrigar os profissionais da imprensa a se filiarem à Fenaj.
Outro item que poderá ser
analisado é o veto parcial ao Projeto de Lei Complementar 188/04,
do Senado, transformado na Lei Complementar 117/04. A proposta trata
da organização das Forças Armadas. O item vetado
permitia o uso de arma fora do horário de expediente. A explicação
para o veto é que essa previsão já está disciplinada
em outra lei.
Biodiesel
Também está pronto para análise o veto parcial ao Projeto
de Lei de Conversão 60/04 (oriundo da MP 214/04), que trata da introdução
do biodiesel na matriz energética brasileira.
Foram vetados dois artigos: o
que exigia que o Banco do Brasil, o Banco do Nordeste e o Banco da Amazônia
criassem linhas de crédito específicas para o cultivo de
oleaginosas; e o que obrigava o BNDES a criar linha de crédito
para o financiamento de unidades industriais de produção
de biodiesel. Esse veto ocorreu porque os projetos relacionados à administração
federal devem ser de iniciativa privativa do presidente da República.
Também poderá ser
analisado veto parcial ao Projeto de Lei 2915/04, do Senado, que permite às
parturientes a presença de acompanhante durante o trabalho de
parto, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
A Presidência vetou a previsão de crime de responsabilidade
para quem descumprisse as normas do projeto.
O motivo alegado pela Presidência
foi que o dispositivo não tem respaldo constitucional. O projeto
foi aprovado pelo Congresso em março de 2005 e transformado na
Lei 11.108/05.
Apoio
de Chinaglia
O presidente da Mesa do Congresso, senador Garibaldi Alves, lembrou que obteve
o apoio do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, para incluir a análise
dos vetos na pauta. "Os vetos estão há muito tempo paralisados
no Congresso Nacional. Nós contamos com o apoio do presidente da Câmara,
que foi decisivo, e vamos começar essa votação",
disse. A última vez em que o Congresso se reuniu para analisar vetos
foi em dezembro de 2005.
Na sessão do Congresso
de quinta-feira passada (21), Garibaldi Alves instalou uma comissão
mista para analisar e proferir pareceres sobre vetos presidenciais de
2007. A comissão terá até o dia 12 de março
para proferir seu parecer.
A sessão de quarta-feira
do Congresso será realizada no Plenário da Câmara.
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Agência Câmara,
26 de fevereiro de 2008
Alienação de imóveis
poderá financiar fundo de habitação
Laycer Tomaz

Pretto: "Facilitar o acesso do cidadão à habitação
digna deve ser uma das prioridades da ação estatal."
O Projeto de Lei 2460/07, do deputado Adão Pretto (PT-RS), destina ao
Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) metade
dos recursos resultantes da alienação dos imóveis recebidos
pela União em pagamento de dívidas. "Facilitar o acesso
do cidadão à habitação digna deve ser uma das prioridades
da ação estatal", argumenta o deputado.
Adão Pretto explica que
a finalidade do projeto é permitir que esses recursos, pertencentes à União,
sejam usados para ampliar os investimentos públicos em programas
habitacionais voltados para as pessoas carentes e de baixa renda.
Créditos
tributários
O deputado explica também que, para evitar qualquer inconstitucionalidade,
o projeto não abrange os imóveis recebidos como pagamento de
créditos tributários e previdenciários. Isso porque a
receita relativa a esses imóveis já possui uma outra destinação
constitucional expressa.
A fixação do percentual
de 50% para a destinação desses recursos ao FNHIS, diz
ainda Adão Pretto, visa atender aos princípios constitucionais
da eficiência e da proporcionalidade. "A administração
pública precisa ter uma margem de discricionariedade (arbítrio)
para definir o emprego de seu patrimônio", ressalta o parlamentar.
Tramitação
Sujeito a análise em caráter
conclusivo, o projeto será examinado pelas comissões de
Desenvolvimento Urbano; de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
26 de fevereiro de 2008
MPT entra com ação contra
financeira Losango por discriminação
A Losango Promotora de Vendas, empresa do grupo HSBC, é ré em
ação civil pública ajuizada pelo procurador do Trabalho
do Ofício de Bauru (SP), José Fernando Ruiz Maturana, por não
reconhecer a condição de bancários de seus empregados
e por discriminar de trabalhadores com restrição de crédito
no sistema SPC/Serasa ou que tenham movido ações judiciais.
Ação pede a condenação
da empresa ao pagamento de R$ 5 milhões por dano moral coletivo.
Procurada, a Losango informou que não comenta ações
judiciais.
De acordo com o Ministério
Público, a ação originou-se de denúncia anônima
sobre várias irregularidades trabalhistas na forma de pressão
e assédio moral, além de excesso de jornada sem pagamento
de horas extras, constantes ameaças de demissão pelo eventual
lançamento do nome do trabalhador na lista dos devedores do sistema
SPC/Serasa.
Embora não tenha sido
completamente caracterizado o assédio moral nas investigações
feitas pelo Ministério Público do Trabalho, foram comprovadas
irregularidades e abuso de direito diretamente relacionados à conduta
da empresa, por não reconhecer a condição de bancários
de seus empregados e por condicionar a contratação e a
continuidade do contrato de trabalho à inexistência de restrições
de crédito.
Em audiência administrativa,
os representantes da empresa revelaram que os trabalhadores são
prestadores de serviço que, ao serem entrevistados para fins de
contratação pela empresa que faz a seleção
prévia dos currículos, são investigados quanto a
possíveis restrições de crédito. Ao assinar
o contrato, cada trabalhador selecionado assina um termo de responsabilidade
atestando não ter restrição de crédito ou
ações de qualquer espécie.
Para o procurador Maturana, os
procedimentos adotados pela empresa são "absurdos". "Sendo
uma financeira, seus funcionários não podem ser enquadrados
na categoria geral de prestadores de serviço, e ´ações
de quaisquer espécie´, envolve mover reclamações
trabalhistas, discutir judicialmente a cobrança indevida de uma
conta de telefone ou de luz, esclarecer questão ligada ao pagamento
do imposto de renda, discutir a inscrição indevida de nome
no SPC, o que é inadmissível", disse.
Ainda segundo o procurador, a
empresa está agindo maliciosamente ao deixar de aplicar a convenção
coletiva dos financiários/bancários, com o único
intuito de burlar as normas trabalhistas, em especial as disposições
referentes à jornada de trabalho e conquistas econômicas
alcançadas pela categoria. No pedido de liminar, o procurador
requereu que a empresa seja obrigada a observar a jornada de seis horas
diárias e aplicar os pisos salariais e previsões normativas
dos empregados em estabelecimentos bancários.
A ação pede que
a Losango se abstenha de utilizar banco de dados com informações
judiciais e creditícias relativas a empregados ou candidatos a
emprego, selecionados diretamente ou através de recrutamento feito
por terceiros a seu mando.
O MPT quer também
que a empresa deixe de exigir de candidatos a emprego a assinatura
de "termo de declaração e de comprometimento" ou
qualquer documento para atestar a inexistência de restrições
cadastrais ou ações judiciais.

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