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Diário Vermelho, 27
de fevereiro de 2008
Luta pela redução
da jornada de trabalho avança na Câmara
A Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) que reduz a jornada de trabalho, de autoria do senador Inácio
Arruda (PCdoB-CE), está a cada dia mais perto de se tornar lei.
A criação da comissão especial que irá apreciar
a proposta, nesta segunda-feira (25), representa um passo a mais na luta
que começou em 1995. Para o senador comunista, a aprovação
da matéria vai exigir muita mobilização dos trabalhadores
e convencimento dos parlamentares. Ele considera a luta como difícil
enfrentamento entre o capital e o trabalho.
"Não é luta
de esquina. É central no âmbito da disputa entre capital
e trabalho", afirma, acrescentando que "precisa de articulação
com bancadas maiores e partidos da base para votarem favoravelmente à emenda
constitucional".
Inácio lembra que a redução da jornada de trabalho é uma
bandeira no mundo todo, apoiada inclusive pela Organização Internacional
de Trabalho (OIT): "Não basta o crescimento econômico. Ao
lado dele deve haver a redução da jornada que permita a geração
de emprego mais condizente com as necessidades do povo brasileiro".
Se aprovada pela comissão especial, a matéria segue para apreciação
no Plenário da Câmara dos Deputados, em dois turnos de votação.
A Proposta do senador Inácio Arruda é de redução
de 44 para 40 horas a jornada de trabalho semanal, no primeiro ano; e para
35 horas, dois anos depois da primeira redução. A PEC ainda aumenta
para 75% a remuneração das horas extras que hoje é de
50%.
Abaixo-assinado
A PEC – uma bandeira da Organização Internacional do Trabalho
(OIT) e que recebe o apoio das centrais sindicais – está sendo
objeto de um abaixo-assinado, cujas assinaturas estão sendo colhidas
em atos realizados nos estados brasileiros. A campanha foi lançada,
no mês passado, em ato realizado em São Paulo.
Até o dia 1o de maio, quando está prevista a realização
de um grande ato em Brasília, deverão ser colhidas cerca de cinco
milhões de assinaturas em favor da redução da jornada
de trabalho.
O principal fundamento da Campanha é que a redução da
jornada de trabalho vai criar novos postos de trabalho. Os organizadores da
Campanha utilizam cálculos do Dieese (Departamento Intersindical de
Estudos Socioeconômicos) na defesa da redução da jornada
de trabalho. De acordo com os cálculos, a redução teria
o impacto potencial de gerar em torno de 2,2 milhões novos postos de
trabalho no país.
" Desde a constituição de 1988 não há a redução
da jornada de trabalho no Brasil, com exceção das obtidas em acordos
ou convenções coletivas. Enquanto países como a França,
Espanha, Estados Unidos e, inclusive a nossa vizinha, Argentina já conquistaram
jornadas de trabalho reduzidas, aqui o patronato ainda emperra nossa luta",
explicou Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras
do Brasil (CTB).
De Brasília
Márcia Xavier
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Folha de São Paulo, 27 de fevereiro
de 2008
SONDAGEM
Situação financeira
da família piora, indica avaliação da FGV
DA FOLHA ONLINE
O ICC (Índice de Confiança do Consumidor) da FGV (Fundação
Getulio Vargas), composto por cinco quesitos contidos na Sondagem de Expectativas
do Consumidor, teve ligeiro recuo neste mês, passando de 117,2 para 116,7
pontos.
Houve piora na avaliação dos consumidores sobre a situação
financeira de sua família: a parcela dos que a consideram "boa"caiu
de 20,2% para 17,6%; já a proporção dos que a avaliam
como "ruim" aumentou de 12,5% para 13,7%.
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G1, 27 de fevereiro de 2008
| concursos e emprego / estudo
Pessoas com mais escolaridade esperam
mais por emprego, diz Dieese
Com o aumento da oferta de vagas, quem tem
mais estudo ficou mais exigente. | Mulheres ficam, em média,
dois meses a mais na fila do que os homens.
Uma pesquisa do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)
sobre a espera na fila do emprego mostrou que os brasileiros com mais
escolaridade passam mais tempo na busca por um trabalho. Com o aumento
da oferta de vagas, quem tem mais estudo ficou mais exigente.
Na Região Metropolitana
de Belo Horizonte, o trabalhador gasta, em média, 12 meses até conseguir
uma ocupação. Mais que em São Paulo (11 meses) e
em Porto Alegre (8 meses). No Distrito Federal (14 meses) e em Salvador
(16 meses), a espera é ainda maior.
O levantamento do Dieese mostra
que esse tempo de busca vem diminuindo desde 2004. Mas em um ritmo menor
que o da taxa de desemprego. De acordo com o estudo, a explicação é que
muita gente se qualificou mais para atuar em setores da economia em que
a oferta de vagas de trabalho cresceu menos.
A pesquisa mostra ainda que as
mulheres ficam, em média, dois meses a mais na fila do que os
homens. Segundo o Dieese, como têm grau de escolaridade maior,
elas acabam escolhendo mais, raramente agarram a primeira oportunidade.
“Geralmente, o homem ocupa
um papel de chefia e ele, uma vez desempregado, ele tende a se ocupar
na primeira ocupação que ele encontra. Por isso, o tempo
de propcura dele é menor”, explicou o economista do Dieese,
Mário Rodarte.
A assistente administrativa Marina
Braga Cabral ficou quase dois anos desempregada. E diz que recusou muita
proposta até encontrar o que sonhava.
“Agora vou correr
atrás, voltar pra faculdade, fazer cursos extras, aprimorar
cada dia mais. Para pegar cada vez mais experiência, para crescer
dentro da empresa”, disse Marina Cabral.
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Agência Câmara,
27 de fevereiro de 2008
Sindicalistas convencem governo a não
alterar contribuição
A pedido de sindicalistas, o governo federal não vai incluir medidas
de desoneração fiscal na reforma tributária que deve encaminhar
ao Congresso Nacional nesta semana. Representantes de sete centrais sindicais
se reuniram nesta segunda-feira com o presidente Lula e o ministro do Fazenda,
Guido Mantega, no Palácio do Planalto.
O Executivo pretendia incluir
um mecanismo de redução progressiva da contribuição
empresarial à Previdência, que cairia de 20% para 14% em
6 anos. Segundo o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente
da Força Sindical, os sindicalistas não concordam com os
argumentos do governo.
Compensação
O Planalto alega que o crescimento econômico provocaria aumento na arrecadação,
que compensaria a redução tributária. Paulo Pereira da
Silva acha que, se não houver garantia de reposição, os
aposentados poderão ser prejudicados no futuro.
A Central Única dos Trabalhadores
(CUT) cobrou do governo que a diminuição da contribuição
patronal para a Seguridade Social não resulte, no médio
e longo prazo, em diminuição das receitas do sistema previdenciário
público e universal. A CUT disse que espera que a reforma venha
a favorecer o setor produtivo, como forma de ampliar a geração
de empregos formais, e taxar mais o setor financeiro e especulativo.
Primeira
etapa
O presidente e o ministro confirmaram que, nesta primeira etapa, a reforma
vai se concentrar na simplificação da cobrança de tributos
e em medidas para acabar com a guerra fiscal entre o estados.
As centrais também
pediram a correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa
Física, mas Lula e Mantega ainda não têm uma definição
a respeito do assunto.
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Diário Vermelho, 27
de fevereiro de 2008
Lula explica a operários por
que "não pode errar"
Em discurso para operários
metalúrgicos do Rio de Janeiro nesta terça-feira (26),
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que "não
pode errar", porque "quando eu sair da Presidência da
República, não vou para Paris ou para Londres, eu vou voltar
para São Bernardo, morar a 800 metros do Sindicato". Aplaudido,
cumprimentado, ele elogiou o "mais versátil e mais criativo".
Mas a imprensa só registrou o trecho da fala de Lula que usou
o termo "porrada".

Lula cumprimenta trabalhadores da siderúrgica em Santa Cruz
O encontro ocorreu no canteiro de obras do complexo siderúrgico
ThyssenKrupp CSA, instalado no Distrito Industrial de Santa Cruz, na
zona oeste do Rio de Janeiro. Estavam presentes altos executivos da multinacional
alemã, como o seu presidente, Karl-Ulrich Köhler, mas o grosso
do público era formado por milhares de operários. Lula, à vontade,
distribuiu cumprimentos e explicou porque, em nome da classe, não
pode errar.
Lembranças de sindicalista
"Qualquer governante deste
país pode errar. Se ele errar, depois ele vai sair do governo,
vai passar oito meses na Europa estudando, vai dar aula não sei
onde e depois entra outro que erra. Eu dizia: eu não posso errar.
Por que eu não posso errar? Porque eu tenho consciência
de que, ao deixar a Presidência da República, os meus amigos
verdadeiros são o conjunto dos trabalhadores brasileiros, que
me ajudou a chegar à Presidência da República",
afirmou.
E mais adiante: "Quando
eu sair da Presidência da República, não vou para
Paris ou para Londres, eu vou voltar para São Bernardo, morar
a 800 metros do Sindicato (dos Metalúrgicos do ABC, que ele presidiu
três décadas atrás). E recordou p tempo "em
que eu fazia assembléias na porta das empresas no ABC, às
5 horas da manhã, para 40 mil pessoas na porta da Volkswagen,
para 20 mil na porta da Ford, para 18 mil na porta da Mercedes".
O mais versátil e criativo
Lula assegurou ao "nosso
companheiro Köhler" que "não existe, na face da
Terra, trabalhador mais versátil e mais criativo do que o trabalhador
brasileiro" e que "esse é o maior patrimônio". "Eu
tenho depoimentos às dezenas, de empresários estrangeiros,
que depois de estarem funcionando no Brasil por dois ou três anos,
me dizem textualmente, empresas que têm 157 plantas espalhadas
pelo mundo, algumas alemãs, inclusive: 'De todas as plantas que
a gente tem no mundo, o trabalhador mais criativo e o mais produtivo é exatamente
o trabalhador brasileiro'”, relatou.
Considerada uma das maiores produtoras
de aço do mundo, a ThyssenKrupp Steel participa da siderúrgica
no Rio com 90% dos recursos. A Vale do Rio Doce, responsável pelo
fornecimento de minério de ferro, entra com 10%. O valor do empreendimento é de
R$ 8 bilhões, sendo R$ 1,48 bilhão financiados pelo Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Mídia se concentrou na "porrada"
A cobertura dos grandes portais
de notícias na internet se concentrou, em ordem unida, em um trecho
onde o presidente usou o termo "porrada". O Dicionário
Houaiss indica que se trata de um "regionalismo" de "uso
informal", mas também "tabuísmo", significando "pancada,
bordoada".
Lula empregou o termo ao anunciar
que visitaria o Complexo do Alemão e defender que, para combater
o crime não basta fazer intervenções policiais. "Se
porrada educasse as pessoas, bandido saía da cadeia santo. O ser
humano vive à procura de oportunidades, se o Estado não
oferece, se as empresas não oferecem, se as prefeituras não
oferecem, o crime organizado oferece, a bandidagem oferece", disse
o presidente.
Da redação, com
agências
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O ESTADO DO PARANÁ,
27 de fevereiro de 2008 | Nacional
Lula diz que governo preparou País
para "2º grito de liberdade"
Agência Estado
Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Lula disse duvidar que outro presidente faria o aperto fiscal que ele alegou
ter feito ao chegar ao governo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira
(26) que preparou "a casa para a gente (o País) dar o segundo grito
de liberdade" e disse que quer ser respeitado "enquanto nação
e na nossa soberania". Em discurso na inauguração da nova
fábrica de pneus da francesa Michelin no Rio, Lula criticou o Fundo
Monetário Internacional (FMI) e disse duvidar que outro presidente faria
o aperto fiscal que ele alegou ter feito ao chegar ao governo, em 2003.
"O FMI tinha US$ 15,9 bilhões
depositados na conta do Brasil com uma espada na cabeça do governo.
Era como se mesmo depois da morte de Tiradentes e da Independência
em 1822, a gente não tivesse independência. O que fizemos:
vamos preparar a casa para a gente dar o segundo grito de liberdade e
dissemos, não precisamos mais de vocês, pega os (US$) 15,9
bi de vocês, tchau e bênção. Vamos cuidar do
nosso próprio nariz com os nossos erros e os nossos acertos",
afirmou o presidente.
Em seguida, Lula citou o fato
de o Brasil ter hoje reservas maiores do que a dívida externa
e declarou: "Hoje, com muita humildade, podemos transitar no mundo
não de nariz em pé, mas de cabeça erguida. Queremos
ser respeitados enquanto nação e na nossa soberania, nós
decidimos o que queremos, como queremos e quando fazemos as coisas. É importante
as pessoas perceberem que tem muita gente dando palpite. Ao longo dos últimos
anos todos os analistas econômicos quebraram a cara".
No discurso, Lula citou
ainda a crise das hipotecas de segunda linha (subprime) nos Estados
Unidos e afirmou que o banco americano Citibank "'tomou na cara'
10 bilhões (de dólares) porque especulava".
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O ESTADO DO PARANÁ, 27 de fevereiro
de 2008 | Economia
Salário mínimo de R$ 412,40
passa a valer em março
Agência Estado
O novo salário mínimo negociado pelo governo, no valor de R$
412 40, será implementado a partir de 1º de março. A informação
foi dada nesta terça-feira (26) pelo o ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo, em entrevista nesta terça-feira ao Programa Agência
Estado no Ar, transmitido pela Rede Eldorado.
O ministro acrescentou
que o montante foi negociado com as centrais sindicais e comentou o
critério utilizado no cálculo da nova proposta. "Nós
estamos nos comprometendo a anualmente corrigir o salário mínimo
com base no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos
anteriores e mais a variação da inflação",
explicou.
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Agência Diap, 27 de
fevereiro de 2008
ADIAMENTO
Análise de vetos pelo Congresso é transferida
para o dia 6
Em reunião na noite desta
terça-feira (26), os presidentes do Senado, Garibaldi Alves Filho
(PMDB/RN), e da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP), decidiram adiar
para a quinta-feira da próxima semana, dia 6, às 9h30,
a sessão do Congresso destinada à análise de vetos
presidenciais.
Essa sessão estava prevista para acontecer nesta quarta-feira (27),
mas foi adiada devido à necessidade de a Comissão Mista de Orçamento
votar o mais rapidamente possível a proposta orçamentária
deste ano.
Garibaldi explicou que a comissão não pode funcionar ao mesmo
tempo em que o plenário do Congresso. Segundo ele, a idéia é que
a votação do Orçamento seja concluída nesta semana
na comissão e também no plenário do Congresso.
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Folha de São Paulo,
27 de fevereiro de 2008
Arrecadação cresce 18%
mesmo sem CPMF
Rachid, da Receita Federal, diz que ganho
em janeiro foi "atípico" e que ainda não
vê novo patamar de arrecadação | Crescimento
econômico, com lucros em alta e maior formalização
do emprego, turbinam resultado; ganho com IR de bancos sobe 149%
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
No primeiro mês sem a cobrança
da extinta CPMF, a arrecadação do governo federal aumentou
em níveis muito superiores aos da inflação e do
crescimento da economia.
Recorde para um mês de janeiro, a receita foi de R$ 62,6 bilhões,
uma expansão de 20% acima da inflação em relação
ao mesmo período do ano passado -ou de 18,3%, se descontada a arrecadação
residual da extinta contribuição sobre movimentação
financeira.
Em valores absolutos, o caixa do governo foi reforçado, num único
mês, em R$ 9,6 bilhões, excluindo da conta os R$ 875 milhões
em recolhimentos remanescentes da CPMF. É praticamente toda a arrecadação
adicional estimada pelo governo para todo o ano com a melhora da economia.
A perda estimada com o fim da CPMF é de R$ 39,3 bilhões no ano.
Ao anunciar o resultado, a maior preocupação do secretário
da Receita Federal, Jorge Rachid, foi qualificar o desempenho do mês
como "atípico", ou seja, decorrente de fatores que não
se repetirão ao longo do ano. "Não tenho nenhum elemento
para afirmar que tenha havido uma mudança de patamar [na arrecadação]."
Os números mais elevados vieram dos tributos incidentes sobre os lucros
das empresas, naturalmente afetados pela expansão da atividade econômica
no final do ano passado. Só o Imposto de Renda cobrado dos bancos e
instituições financeiras, no entanto, teve, na comparação
com janeiro de 2007, alta de 148,7%, sem que tenha havido mudança de
alíquotas ou base de cálculo no período.
A CSLL (tributo sobre o lucro) cobrada do setor financeiro cresceu outros 133,5%,
mesmo sem ter ainda entrado em vigor o aumento da alíquota do setor
de 9% para 15%, fixado para compensar a extinção da CPMF e sujeito
ao período de 90 dias para a cobrança efetiva.
Principal fonte de arrecadação no mês, o Imposto de Renda
teve aumento real total de 46,4%, praticamente igual ao da CSLL. Trata-se de
um percentual muito superior ao do crescimento do PIB estimado para 2007, na
casa dos 5%.
Segundo a Receita, os valores mostram um comportamento extraordinário:
Rachid mencionou casos de empresas que elevaram seu pagamento de IR em até 500%.
Não foi apresentada uma explicação detalhada para os números,
mas citadas razões como a venda de participações acionárias,
especialmente no setor de mineração, e a antecipação
do recolhimento, que pode ser feito até março.
Ainda que o desempenho dos tributos sobre o lucro possa, nas palavras de Rachid, "fugir à normalidade",
todos os principais impostos e contribuições apresentaram ganhos
de arrecadação superiores à expansão da economia
-e nem todos os casos são explicáveis por fenômenos atípicos.
A receita da Previdência Social, por exemplo, subiu 16,6% acima da inflação
(IPCA), provavelmente graças à formalização de
empregados, resultante do bom momento econômico e da implantação
da nova lei para micro e pequenas empresas.
O dólar barato, que estimula importações, também
contribuiu para alta real de 29,1% do arrecadado sobre os importados. O aumento
do consumo produziu altas fortes no ganho com Cofins e IPI -só nos automóveis,
o arrecadado com o IPI aumentou 34,2%.
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Folha de São Paulo,
27 de fevereiro de 2008
INSS vê perdas com contribuição
patronal menor
DA FOLHA ONLINE
O secretário de Previdência Social, Helmut Schwarzer, afirmou
que a redução da contribuição patronal ao INSS
ainda está em fase de discussões e que é prematuro afirmar
que fará parte da reforma tributária. "É preciso
fazer o debate. É precipitado falar qualquer coisa agora. A ordem do
presidente Lula é a de continuar avaliando esse assunto", afirmou.
A proposta inicial é reduzir a alíquota de contribuição
patronal à Previdência, que hoje é de 20% sobre a folha
de salário. A alíquota seria reduzida em um ponto percentual
por ano a partir de 2010 e, em 2016, chegaria a 14%.
Segundo ele, com base nos dados de 2006, cada ponto percentual da alíquota
patronal significa R$ 3,1 bilhões. Como esse proposta, o impacto nas
cotas da Previdência seria de R$ 20 bilhões, diz ele.
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Agência Diap, 27 de
fevereiro de 2008
ESCLARECIMENTOS
CUT critica manipulação
da mídia sobre reforma tributária
Nas audiências realizadas
nesta segunda-feira (25) com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e
com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para analisar a proposta
governamental de reforma tributária, a Central Única dos
Trabalhadores reafirmou a importância da desoneração
e da simplificação da estrutura de impostos no Brasil.
Muito diferente, portanto, do que O Globo, desta terça (26) estampou
ao dizer que movimento sindical se posicionou contra a desoneração
da folha de pagamentos.
''Esse tipo de abordagem de alguns jornais não é pura pressa
ou leviandade. É mais que isso. É fingir ignorância para
tentar amplificar uma mentira'', dispara o presidente da CUT, Artur Henrique.
Na verdade, o que a CUT afirmou é que é preciso ter calma na
análise da desoneração previdenciária para os empregadores.
A proposta apresentada pelo governo prevê que a contribuição
patronal cairá 1% ao ano, a partir de 2010, até que chegue em
14%. Do modo como está formulada, a proposta tem caráter linear.
Todos os grupos empresariais serão beneficiados, mesmo aqueles que privilegiam
a especulação financeira. Do ponto de vista do estímulo
ao emprego, a proposta é tímida, segundo avaliação
dos dirigentes.
Propostas
A CUT também cobrou do governo que as mudanças precisam, acima
de tudo:
- aliviar os brasileiros que ganham menos, já que a estrutura tributária
brasileira de hoje é altamente regressiva, ou seja, quem ganha menos
paga mais e quem ganha mais, paga menos. ''É claro que a CUT defende
mudanças na estrutura de impostos no Brasil, mas desde que a estrutura
se torne progressiva'', explica o presidente da CUT, Artur Henrique;
- favorecer o setor produtivo, como forma de ampliar a geração
de empregos formais, e taxar mais o setor financeiro e especulativo, que ganha
muito mas produz e emprega pouco;
- garantir que a diminuição da contribuição patronal
para a Seguridade Social não resulte, no médio e longo prazo,
em diminuição das receitas do sistema previdenciário público
e universal.
''A CUT já apresentou uma proposta consistente para a estrutura de arrecadação
previdenciária. O governo já a conhece bem, basta abrir os olhos
e aproveitá-la. Nós sempre defendemos que a contribuição
patronal para a Previdência Social se dê sobre o faturamento, e
não sobre a folha de pagamento. Com essa mudança, as empresas
que mais contratam trabalhadores conquistariam desoneração tributária – o
que estimularia a geração de mais empregos com carteira assinada
e elevaria a tributação de grupos que ganham muito mais do que
empregam, notadamente os que compõem o sistema financeiro e especuladores
em geral'', afirma Artur Henrique, presidente da Central.
Limitações
Na opinião dos dirigentes cutistas que participaram das reuniões
de segunda há avanços na proposta apresentada pelo governo, tais
como simplificação e entraves à guerra fiscal. Mas, do
ponto de vista dos trabalhadores, não basta.
''Há lacunas que não podem ser desprezadas. O governo ainda não
respondeu à reivindicação de mudança na tabela
do Imposto de Renda. Exigimos que aumente o número de assalariados livres
desse imposto, com a ampliação das faixas de isenção'',
acrescentou Quintino Severo, secretário-geral da entidade.
Nada foi dito pelo governo em relação a outras duas propostas,
a de criação do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) e Imposto
sobre Herança (IH).
Seguridade Social
Mas o risco maior é o de queda nas receitas da Seguridade Social. ''É insuficiente,
e perigoso, dizer que essa parcela cairá paulatinamente ao longo dos
anos sem garantir que a mudança resultará em, no mínimo,
maior ganho de recursos para o sistema previdenciário público
e universal'', afirma Artur. Ele destaca, ainda, que qualquer alteração
na contribuição à Seguridade Social exige mudança
infraconstitucional, pois é matéria de lei ordinária.
''O trâmite legislativo exigirá que o assunto seja estudado e
votado depois que o governo enviar sua proposta de reforma tributária
através de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional). Até por
sabermos disso, defendemos que a idéia seja mais bem avaliada e que
incorpore as propostas da CUT'' explica ele. ''Esse detalhe nada desprezível
foi ‘esquecido’ pelos jornais'', afirma.
Outro ponto da proposta governamental que exige mais detalhamento e garantias,
na visão da CUT, é o fim do salário-educação
sobre a folha de pagamento.
''A mudança não pode gerar diminuição dos repasses
da educação pública para estados e municípios'',
completa Quintino Severo. Estiveram presentes à audiência também
os diretores executivos José Lopes Feijóo, Lúcia Reis
e Carlos Henrique de Oliveira – ambos coordenadores do Escritório
de Brasília -, do secretário nacional de Finanças Jacy
Afonso, do presidente da Contag Manoel José dos Santos e do coordenador
da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CUT, Temístocles Marcelos.
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Agência Câmara,
27 de fevereiro de 2008
Oposição diz que vai
colaborar com reforma tributária
Após reunião dos líderes
oposicionistas com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta terça-feira,
o líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP),
disse que o seu partido vai colaborar com a discussão da reforma
tributária.
Segundo José Aníbal,
haverá um dispositivo na reforma - que será enviada nesta
quinta-feira (28) ao Congresso - que vetará aumento de carga tributária
por causa da adoção do novo Imposto sobre Valor Agregado
(IVA) federal, que vai substituir tributos que incidem sobre a produção.
Já o líder do DEM,
deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), esclareceu que o
governo não recuou na intenção de enviar uma proposta
de desoneração da folha de pagamento das empresas como
teria sido anunciado ontem. A idéia é deixar as alterações,
se for o caso, para o Congresso. "Se o governo começar a
fazer alterações na proposta antes de encaminhá-la,
a reforma tributária não vai avançar. Existem pressões
de todos os lados, que são naturais. Agora, o debate e as alterações
têm de ser feitas no Congresso Nacional quando a proposta for encaminhada."
Redivisão
do bolo
O líder explicou ainda que o DEM quer a redução da carga
tributária e uma redivisão do bolo da arrecadação
federal. O líder do PPS, deputado Fernando Coruja (SC), disse que apenas
questionou se a reforma tributária desta vez é para valer. "A
pergunta que eu fiz ao ministro foi a seguinte: Essa proposta é para
valer ou é apenas mais uma para - como foi feito por outros governos
- disfarçar uma crise que está acontecendo no Congresso agora
com os cartões corporativos? Ele disse que é para valer. Vamos
esperar para ver."
Para o líder do governo,
deputado Henrique Fontana (PT-RS), a proposta foi bem recebida pela oposição
porque trata dos temas centrais. "A reforma tributária é para
dar ao País uma nova estrutura tributária que vai valer
a partir de 2010. Ou seja, estamos reformando para as gerações
futuras."
Contribuição
previdenciária
O deputado José Aníbal apóia a reivindicação
dos sindicalistas que estiveram reunidos com o presidente Lula. Ele também é contrário
a mudanças na contribuição previdenciária patronal
que gerem insegurança quanto ao pagamento de aposentadorias e pensões
no futuro.
A líder do Psol, deputada
Luciana Genro (RS), destacou a falta de projetos de regulamentação
do Imposto sobre Grandes Fortunas e a necessidade de retorno da taxação
dos investimentos feitos por estrangeiros no mercado financeiro brasileiro.
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Gazeta do Povo, 27 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | TRIBUTOS
Pressão de diversas frentes
já ameaça fatiar reforma tributária
Projeto será enviado amanhã ao
Congresso, mas proposta original deve cair por terra
por CRISTINA RIOS
A reforma tributária será enviada amanhã ao Congresso
Nacional, mas o governo federal já percebeu que não será uma
batalha fácil aprovar os pontos polêmicos da proposta. Os lobbies
das centrais sindicais, de setores empresariais e de estados já ameaçam
colocar por terra o projeto original e “fatiar” a reforma.
“Se aprovada, será uma
reforma bem mais restrita do que a que foi apresentada até agora,
que, por sua vez, já é bem menos ampla que a que vinha
sendo discutida no ano passado”, diz Gilberto Luiz do Amaral, presidente
do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).
Um dos pontos sensíveis é a redução da contribuição
patronal à Previdência Social, que tem forte resistência
das centrais sindicais. Na segunda-feira, as centrais sindicais chegaram a
pedir que essa desoneração fosse retirada da proposta porque
temem que a seguridade social perca recursos, o que daria margem para uma reforma
previdenciária daqui a alguns anos.
A proposta do governo é reduzir
a alíquota de contribuição patronal à Previdência,
que hoje é de 20% sobre a folha de salário. A alíquota
seria reduzida em um ponto percentual por ano a partir de 2010 e, em
2016, chegaria a 14%. Com isso, o governo abriria mão de cerca
de R$ 30 bilhões e atenderia a uma reivindicação
antiga dos empresários.
Apesar da gritaria das centrais
sindicais, o governo decidiu manter esse tema no âmbito da reforma
tributária. A desoneração será discutida,
mas não fará parte da Proposta de Emenda Constitucional
(PEC) porque não é tema constitucional. Ela virá por
meio de um projeto de lei específico.
O presidente da Central Única
dos Trabalhadores (CUT) no Paraná, Roni Anderson Barbosa, diz
que o segmento quer que o cálculo seja feito com base no faturamento
das empresas e que sejam ampliadas as faixas de alíquotas e de
isenção do Imposto de Renda.
A idéia dos sindicalistas
contraria interesses dos empresários, que são favoráveis à desoneração
da folha como estímulo ao setor produtivo. Para o presidente da
Federação das Indústrias do Paraná (Fiep),
Rodrigo Rocha Loures, no entanto, é preciso discutir maneiras
para reduzir a carga tributária e implantar uma reforma fiscal. “Há chances,
pela primeira vez, de que a proposta seja vista de forma sistêmica
e seja aprovada”, diz. Para Flavio Berti, professor de direito
tributário da Universidade Positivo, “aprovar a reforma,
com as atuais amarras corporativistas, é uma utopia”. Na
avaliação dele, os lobbies devem definir o tamanho da reforma
que será aprovada. “Foram os mesmos lobbies, dos empresários,
do próprio governo federal, das grandes empresas e dos setores
ligados aos trabalhadores, que não permitiram que a reforma, que
vem sendo discutida desde 1991, saísse do papel. Não há nenhum
indicador de que o caso agora seja diferente.”
Na base do lobby
Trabalhadores, empresas e estados prometem uma guerra sem fim para defender
seus pontos-de-vista em relação à reforma tributária.
Conheça alguns pontos mais polêmicos:
Centrais Sindicais – Não
aceitam a redução da contribuição patronal à Previdência
Social. Querem que a desoneração seja retirada da proposta
porque temem que a seguridade social perca recursos, o que daria margem
para uma reforma previdenciária daqui a alguns anos. A proposta é de
que desoneração não seja calculada com base no salário,
mas no faturamento das empresas.
Empresários – São
favoráveis à desoneração da folha, de 20%
para 14%, e pedem o fim do salário-educação. Mas
querem que a reforma contemple também redução da
carga tributária, o que não está previsto no projeto.
Exigem ainda a implantação da reforma fiscal.
Estados – São
contra o fim do salário-educação, pago pelas empresas
com alíquota de 2,5% e que sustenta 60% do orçamento do
Ministério da Educação (MEC). Esse recurso banca,
por exemplo, construção de escolas, a distribuição
de merendas e transporte escolar. Também reclamam da perda de
receita com o a implantação do Imposto sobre Valor Agregado
(IVA) estadual, que substituirá do Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS) e será cobrado no destino.
Os estados que “exportam” para outras unidades da federação
querem compensações.
Guerra Fiscal – Estados
do Nordeste e do Centro-Oeste que usavam o ICMS como ferramenta de
incentivos para atrair indústrias acreditam que a criação
de um fundo de desenvolvimento regional é insuficiente para
reduzir as perdas com o fim da guerra fiscal.
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Gazeta do Povo, 27 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | REFORMA TRIBUTÁRIA
Estados ‘perdedores’ devem
resistir
Os estados prometem ser outra pedra no sapato do governo federal na aprovação
da reforma tributária, principalmente aqueles que devem perder receita
de arrecadação com a cobrança do Imposto sobre Valor Agregado
(IVA) estadual no destino e serão afetados pelo fim da guerra fiscal.
O fim do do salário-educação, pago pelas empresas com
alíquota de 2,5% e que sustenta 60% do orçamento do Ministério
da Educação (MEC), também enfrenta resistência dos
estados.
“A grande questão
da reforma tributária no Brasil sempre esteve centrada no embate
entre a sociedade, que reivindica um sistema tributário menos
oneroso e mais simplificado, e a ânsia dos governos para arrecadar
mais”, diz Gilberto Luiz do Amaral, presidente do Instituto Brasileiro
de Planejamento Tributário (IBPT). Para os estados, até agora
também falta transparência por parte do governo em esclarecer
como funcionarão o fundo de desenvolvimento regional, que promete
diminuir as perdas com o fim da guerra fiscal, e a compensação
dos estados que perderão arrecadação com a cobrança
no IVA somente no destino.
Jorge Woll/Arquivo/Gazeta do Povo

Amaral, do IBPT: governo pode tentar reeditar a CPMF.
Entre os estados mais afetados
estão São Paulo e Rio de Janeiro. O Paraná tem equilíbrio
entre o que vende e o que compra de outros estados.
Para Amaral, as próprias
intenções do governo não estão claras em
relação à reforma. “Não sabemos se,
no caso de encontrar forte resistência na aprovação
das mudanças, o governo não opte simplesmente por reeditar
a CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira]”, aposta.
Ontem o projeto de reforma foi
apresentado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, aos presidentes
e aos líderes dos partidos de oposição e hoje pela
manhã será mostrado a empresários em Brasília.
Na reunião com a oposição, o ministro garantiu que
a proposta terá um dispositivo que impedirá que as mudanças
acarretem aumento da carga tributária, mas não detalhou
como esse mecanismo irá funcionar.
O projeto de reforma tem
como principal destaque a desoneração da folha de pagamento,
com a suspensão da cobrança das empresas do salário-educação.
Também vai reduzir gradativamente a contribuição
das empresas ao INSS. A reforma cria ainda o Imposto de Valor Agregado
(IVA) federal, que reunirá o PIS/Pasep, Cofins e Cide. O ICMS
estadual será unificado no IVA dos estados. (CR)
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Gazeta do Povo, 27 de fevereiro
de 2008
IMÓVEIS | MOBILIÁRIO
Móveis com mais tecnologia
Demanda por peças mais baratas aumenta
venda de um novo tipo de painel de madeira
por FABIANE ZIOLLA MENEZES
A demanda por móveis populares provocada, principalmente, pela retomada
da construção civil, está puxando as vendas de uma matéria-prima, à base
de madeira, introduzida há pouco mais de um ano no Brasil: o painel
MDP (sigla em inglês, que quer dizer Painel de Partículas de Média
Densidade). Segundo a Associação Brasileira da Indústria
de Painéis de Madeira (Abipa), que reúne as sete maiores empresas
do ramo, o crescimento em 2007 foi de 1,8%, porém a expectativa para
este ano é ainda maior: um aumento em torno de 6%.
Tecnologia mais nova que o MDF
(Painel de Fibras de Média Densidade), o MDP é mais barato
para ser produzido. Segundo a fabricante Berneck, indústria instalada
em Araucária, para a fabricação de um metro cúbico
de MDF gasta-se 30% mais de madeira e resina, três vezes mais energia
elétrica, além de mais energia térmica que o MDP.
Esse custo menor do MDP tem resultado
na procura do material por indústrias de móveis e marceneiros
em geral, principalmente os fabricantes de móveis populares. “Há uma
tendência da utilização cada vez maior do MDP pela
indústria moveleira do Paraná e do país em geral
por causa do seu custo mais baixo”, afirma o presidente do Sindicato
da Indústria do Mobiliário e Marcenaria do Estado do Paraná (Simov),
Constantino Bezeruska.
Segundo os fabricantes, o MDP
não é melhor nem pior que o MDF. Apesar de ter maior resistência à umidade
e proporcionar melhor fixação de parafusos, o MDP não
permite cantos arrendondados e entalhes. Já o MDF, apesar de mais
caro, permite, além de ser também o mais indicado para
a produção de peças de espessura fina. No fim, os
dois painéis são complementares, cada um sendo usado para
um propósito na fabricação de um móvel. O
barateamento do produto final está no uso do MDP, de custo menor,
nos lugares em que ele é ideal. Nas revendas de painéis,
o MDF varia de 3 a 30 mm de espessura, com custo de R$ 34 a R$ 219. Já o
MDP, que começa com uma espessura maior, varia de 10 a 25 mm,
tem valores entre R$ 60 e R$ 123. As medidas dos painéis é de
2,75 metros por 1,83 metro.
O uso conjunto dos dois painéis
está levando todas as fabricantes dos produtos a investir na produção
dos dois tipos. “Quem só tinha o MDP vai começar
a fabricar também o MDF e vice-versa. Todas as sete fabricantes
terão os dois tipos até 2010”, explica a superintendente
executiva da Abipa, Rosane Dill Donati.
A aposta no setor de construção
civil e no investimento de diversificação das fábricas
está levando a associação a prever um crescimento
de 6% nas vendas de MDP e 17% nas de MDF para 2008. “O MDF deve
crescer mais por causa das novas linhas (unidades de produção)
da Berneck e da Satipel que passarão a funcionar este ano”,
diz Rosane.
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Congresso em Foco, 27 de fevereiro de 2008
A falsa idéia do grau de investimento
“ Toda idéia falsa termina
em sangue, mas é sempre o sangue alheio” (Albert
Camus)
Osvaldo Martins Rizzo*
No início dos anos 90, como hoje, a economia dos EUA cambaleava. Após
ouvir de um alto assessor os planos pró-mercados do governo do presidente
mexicano Carlos Salinas, o acadêmico norte-americano Samuel Huntington
exclamou: “Incrível! Parece que vocês querem mudar o México
de uma nação latino-americana em um país norte-americano”.
Ao que o assessor presidencial respondeu: “Exato. É precisamente
o que queremos, mas obviamente não podemos dizê-lo em público”.
Desnecessário lembrar o ruinoso fim que teve esse governo. Seguindo
o receituário neoliberal, Salinas adotou um errático regime cambial – fazendo
do México o fugaz paraíso da classe média perdulária
consumidora de carrões importados e viagens internacionais – que
obrigou seu sucessor, Ernesto Zedillo, a desvalorizar o peso ao tomar posse,
e a pedir dinheiro emprestado aos organismos internacionais de crédito
para honrar os compromissos de curto prazo, pois o déficit nas contas
externas havia sugado rapidamente as reservas cambiais. A grave crise que se
seguiu contaminou outros países pelo chamado “efeito tequila”.
Essa tendência à “macaquice intelectual” – a
trivial adoção de idéias alheias isentas das condições
locais – constitui-se numa característica presente na maioria
dos países que formam a periferia da economia mundial presunçosamente
chamados de “emergentes”. Exceções são raras.
Na crise asiática de 1.997, por exemplo, Cingapura foi o único
país que se recusou a cumprir os ditames da comunidade econômica
internacional, sendo também o que melhor e mais rapidamente se recuperou
do colapso.
As autoridades brasileiras, no geral, são fiéis discípulas
desse rol de idéias alienígenas que, em última instância,
visa apenas a eternizar o padrão da exploração mundial
do trabalho e dos ganhos de capital decorrentes. Esse sistema impõe às
nações periféricas a dura tarefa de exportar commodities,
serviços baratos e manufaturados de baixo valor agregado, sem ameaçar
a hegemonia tecnológica/financeira dos países ricos.
No momento, assiste-se ao preâmbulo da obtenção do supervalorizado
grau de investimento (investment grade) que, para muitos, representa a panacéia
solucionadora de todos os males que oprimem o brasileiro comum desde os baixos
salários até a crescente violência urbana, além
da erradicação da dengue.
Mas, afinal, qual o significado de que um país está ranqueado
como investment grade?
Em apertada síntese, essa classificação espelha apenas
a opinião de agências internacionais de análise de risco
de crédito de que aumentou a capacidade do país honrar suas dívidas
em moeda estrangeira. Ou seja, cai a probabilidade que se dê o calote
na dívida externa, como fez Sarney em 1.987 e o ministro Mantega dizia
que faria antes de ocupar cargos públicos e mudar de idéia.
Porém, quanta credibilidade restou a essas agências após
o fiasco de terem dado o grau de investimento para a dívida hipotecária
norte-americana que, agora se sabe, é um grande estoque de papéis
podres? O fato de a Comissão Européia decidir investigar essas
classificadoras –antecipadamente remuneradas pelas próprias empresas
e instituições que avaliam – não destrói
irremediavelmente a reputação dessas mercenárias serviçais
dos grandes especuladores que podem jogar a economia dos EUA numa recessão,
arrastando o resto do mundo junto? Pra que festejar o recebimento de um título
outorgado por inconfidentes?
Deveras, promover ao grau de investimento os bônus do governo brasileiro
pode até aumentar o ingresso de capitais de longo prazo, mas também
os especulativos conhecidos como “colondrinas” que, ante o sinal
de crise, voam para longe. Ao fugir, esse hot money suga as reservas cambiais
fazendo com que os brasileiros voltem a sangrar para equilibrar as contas externas,
como fizeram no segundo governo FHC.
A história ensina que nenhum país se desenvolveu com capital
externo. Obter o grau de investimento pouco melhorará a vida do cidadão
médio, mas pode piorá-la muito. Há anos, o México
tem essa graduação. Mesmo assim, 20% da população
mexicana tentam sobreviver ganhando menos de US$ 2 por dia e, anualmente, cerca
de 400.000 mexicanos fogem para os EUA em busca de condições
decentes de vida.
As autoridades brasileiras que estão celebrando a promoção
ao investment grade apenas repetem o retrógrado lema celebrado na frase
de John Maynard Keynes: “A sabedoria mundial conservadora ensina que é melhor
falhar de modo convencional do que ser bem sucedido de forma não convencional”.
*Osvaldo Martins Rizzo é engenheiro
e ex-conselheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES).
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
fevereiro de 2008 | Geral
Brasil é corrupto, violento
e racista, diz relatório da ONU
Documento alerta que País não
cumpriu recomendações feitas em 2005 visando a adoção
de medidas para proteção dos direitos humanos
Genebra- O Brasil precisa solucionar com urgência a questão da
violência e da desigualdade social no país. O alerta é da
Organização das Nações Unidas (ONU), que acaba
de preparar o primeiro raio X completo feito sobre a situação
dos direitos humanos no Brasil, destacando problemas como corrupção,
desigualdade social, racismo, tortura e impunidade. O documento alerta ainda
que Brasil não cumpriu as recomendações feitas pela entidade.
A ONU, em 2005, deu um ano para o país adotar medidas para a proteção
dos direitos humanos. Dois anos depois, o governo ainda não respondeu à ONU
o que fará para lidar com os problemas.
O raio X faz parte de uma nova
estratégia do órgão de avaliar a situação
de cada país, e o Brasil será um dos primeiros a ser examinado.
O documento será debatido na plenária da ONU em abril e,
até lá, o governo terá de se preparar para dar respostas
aos problemas. O exame reúne relatórios preparados pela
ONU desde 2001 sobre o Brasil e faz um balanço geral da situação
no país, considerada como preocupante.
Segundo o documento, em 2005,
a ONU fez uma série de recomendações ao país
diante da crise na proteção aos direitos humanos. Entre
as medidas solicitadas estavam o tratamento da impunidade no sistema
judiciário, o problema da expulsão de indígenas
de suas terras, o fim da tortura e superlotação nas prisões
e assassinatos extrajudiciais. De acordo com o órgão, o
Brasil deveria ter fornecido as informações em 2006. Mas
até agora nada foi apresentado.
Em todo o documento, a violência
no país surge como um fator que vem atingindo um número
cada vez maior de pessoas e violando os direitos humanos das formas mais
diversas. Para a ONU, um dos desafios para o governo é como manter
a população segura. ''A violência em todas as idades
aumentou na última década, transformando o assunto em um
dos mais sérios desafios enfrentados pelo país. Os homicídios
de adolescentes entre 15 e 19 anos aumentaram quatro vezes nas últimas
duas décadas, atingindo 7,9 mil em 2003'', afirmou o Unicef em
sua contribuição para o documento da ONU.
Segundo o relatório, o
número total de homicídios no Brasil por ano poderia ser
de até 50 mil e a violência seria a principal causa de morte
para pessoas entre 15 e 44 anos de idade. Impunidade, guerra entre gangues
e violência policial estão entre os principais fatores desses índices
alarmantes.
O raio X ainda destaca o uso
da tortura generalizada como uma prática para obter confissões
em prisões e alerta que muitos juízes não classificam
esses atos como tortura, preferindo apenas citar ''abuso de poder''.
Nas prisões, o documento alerta que a ocupação seria
três vezes maior do que a capacidade das instalações
e pede o fim imediato da ''superlotação endêmica''
e das ''condições desumanas'' em que são mantidos
os prisioneiros.
Uma das formas de atacar a violência
e esses problemas seria a reforma urgente do sistema judiciário,
o que acabaria contribuindo para lidar com a impunidade e a corrupção.
Para a ONU, a reforma tem amplas condições de ser realizada.
Jamil Chade
Agência Estado
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Gazeta do Povo, 27 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | MERCADOS
Dólar fecha abaixo de R$ 1,70 pela
1.ª vez desde 1999
São Paulo – O dólar fechou o dia de ontem abaixo de R$
1,70 pela primeira vez desde maio de 1999, derrubado por operações
de investidores atraídos pelos juros relativamente altos do Brasil,
por entrada de recursos e pelo bom desempenho dos mercados internacionais.
A moeda norte-americana recuou 1,29%, para encerrar o dia a R$ 1,684. Foi a
sétima queda consecutiva do dólar – a mais longa série
negativa desde novembro de 2005.
Segundo analistas, a principal
razão para a baixa do dólar é a diferença
entre os juros no Brasil e no exterior, que alimenta as chamadas operações
de arbitragem. A taxa básica de juros local é de 11,25%
ao ano, enquanto a norte-americana está em 3%.
“Está todo mundo
vindo para cá”, disse Júlio César Vogeler,
operador de câmbio da corretora Didier Levy. “Existe uma
confiança muito grande na economia brasileira.”
O mercado externo também
ajudou nesta sessão. Mesmo com dados preocupantes sobre inflação,
as bolsas de valores em Nova Iorque operavam em alta de cerca de 1% no
meio da tarde.
“A grande dúvida
no momento não é se o dólar cairá, mas sim
até onde cairá sem se tornar um relevante problema para
o qual o Banco Central do Brasil não dispõe de estratégias
técnicas”, avaliou em relatório o diretor-executivo
da NGO Corretora, Sidnei Nehme.
Fim do mês
Segundo ele, os instrumentos
que o BC usa atualmente – leilões de swap reverso e de compra
de dólares no mercado à vista – não só não
evitam a queda do dólar como podem ajudar a alimentá-la.
Quando o BC compra mais do que o excedente de dólares no mercado,
explicou o analista em relatório recente, os bancos têm
espaço para aumentar suas operações de arbitragem.
Isso explica porque o dólar
continuou a cair mesmo com o déficit em transações
correntes de janeiro e no saldo semanal da balança comercial.
De acordo com Vogeler, o mercado pouco repercutiu essas notícias,
que poderiam justificar uma alta da moeda.
O movimento pode se agravar
nos próximos dias, quando é definida a taxa de dólar
usada no vencimento de contratos futuros. Como muitos agentes estão
aumentando as posições vendidas em dólar, pode
haver uma pressão adicional para a queda da moeda norte-americana.
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CORREIO DA BAHIA, 27 de fevereiro
de 2008
Acordo pode finalizar hoje greve da
construção civil
Categoria leva para mesa de negociações
proposta de reajuste salarial entre 10% e 12%
Maíra Portela e Jairo Costa Júnior
A greve da construção civil em Salvador e Camaçari pode
terminar hoje, após mais uma rodada de negociações sobre
o acordo salarial. Duas reuniões estão agendadas, uma pela manhã e
outra à tarde, com a presença da Delegacia Regional do Trabalho
(DRT), patronato e os sindicatos que representam a categoria em ambas as cidades.
Apesar de os trabalhadores estarem confiantes no término da paralisação,
os donos de construtoras ainda demonstram rejeição quanto aos índices
de reajuste solicitados – 12% na capital baiana e 10% em Camaçari.
Por conta da indefinição, mais de cem grandes obras estão
paralisadas em Salvador e Região Metropolitana. Amanhã, haverá outra
reunião no Pólo Petroquímico, às 6h, para informar
se o acordo foi firmado ou não.
Na manhã de ontem, uma
assembléia convocada pelo Sindicato dos trabalhadores da Construção
Civil de Camaçari (Sindticcc) reuniu milhares de trabalhadores
nas avenidas do Pólo Petroquímico de Camaçari. A
categoria rejeitou outras propostas oferecidas pelo patronato e fechou
o pedido de reajuste em 10%, além do abono pelos dias parados.
Os trabalhadores ainda solicitam 4,83% de ganho real para amenizar a
inflação de 2008. Por enquanto, a Justiça do Trabalho
ainda não decidiu sobre a legalidade da greve.
O diretor do sindicato Ademilton
Borges explicou que em 2007 o reajuste foi de 6%, mas como a inflação
foi de 5,17%, eles receberam apenas 0.83%. “O Sinduscon-Ba (Sindicato
da Indústria da Construção Civil da Bahia) propôs
os mesmos 6% do ano passado e recusamos”, contou. A proposta da
DRT foi imediatamente eliminada. O órgão propôs 5,17%
para cobrir a inflação do ano de 2007, a partir de 1o de
janeiro deste ano, e 6% a partir de 1o de abril. Já a sugestão
do Sindticcc foi um reajuste de 8% e o abono dos dias parados, também
vetado.
Camaçari -
Atualmente, existem 25 mil trabalhadores na construção
civil de Camaçari. Desde a última quinta-feira, a categoria
está paralisada. Muitos funcionários temem perder o emprego
por conta das ameaças das empresas da construção
civil. Só com os cinco dias de greve, Ademilton Borges estima
que a região do petróleo e o Pólo Petroquímico
do município, assim como a orla da Linha Verde – Praia do
Forte, Sauípe e Guarajuba – estejam com as obras sem funcionamento.
O vice-presidente do Sinduscon-BA,
Carlos Alberto Matos Vieira Lima, destacou que espera finalizar a greve
nas duas cidades nas reuniões de hoje, mas salientou que os índices
de aumento pedidos pelos trabalhadores do setor dificilmente serão
aceitos pelos donos das construtoras. “Acho os percentuais de 10%
e 12% absurdos. Além disso, eles reivindicam outros itens, que
elevariam os salários a patamares muito altos”, ressaltou.
Lima disse ainda não possuir uma estimativa dos prejuízos
causados pela greve em Camaçari, que entra hoje no quinto dia,
e de Salvador, cuja paralisação foi iniciada anteontem.
Questionado sobre o que o patronato
está disposto a levar para mesa de negociações,
Lima informou que o principal trunfo é a proposta de aumento escalonado
de 8% para serventes, 7,5% para ajudantes e 6% para os pedreiros, carpinteiros,
eletricistas e demais profissionais qualificados da construção
civil. “Mas esse reajuste seria em abril. De janeiro a março,
a intenção é dar um aumento de 5,17%”, assinalou.
Lima afirmou que a greve paralisou grandes obras em curso na capital
e região metropolitana. Nos últimos dois anos, o setor
imobiliário é o que mais cresce na Bahia, e o estado é o
terceiro no ranking brasileiro da construção civil.
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Gazeta do Povo, 27 de fevereiro
de 2008
BRASIL | AMAZÔNIA
Agentes devem levar 2 meses na fiscalização
de madeireiras
Tailândia (PA) – No ritmo que começou – e apesar do
impressionante aparato bélico e dos 300 agentes envolvidos diretamente
na ação, a maior já realizada no país para conter
o desmatamento na Amazônia –, a Operação Arco de
Fogo pode demorar pelo menos dois meses só para fazer a fiscalização
nas 90 madeireiras de Tailândia. O gargalo está justamente no
Ibama, órgão responsável por fazer a verificação
da papelada das empresas.
O Ibama levou o dia todo ontem
para olhar os documentos de uma única madeireira, a DK, uma empresa
de pequeno a médio porte. Descobriu que ela tem licença
ambiental para trabalhar e cadastro técnico federal. É uma
das 21 que têm licença, pois outras 69 não contam
com a documentação. Na DK, o Ibama encontrou cerca de mil
metros cúbicos de madeira sem origem. Por isso, deverá aplicar
uma multa na empresa, que varia entre R$ 100 mil e R$ 200 mil, informou
Bruno Versiani, coordenador da operação pelo lado do Ibama.
Versiani disse que não
está preocupado com a demora no trabalho. “Não tenho
pressa. Esse é um tipo de coisa que não permite erros”.
Depois da fase de Tailândia,
a operação será estendida para os nove estados
da Amazônia Legal – Acre, Amapá, Amazonas, Mato
Grosso, oeste do Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima
e Tocantins.
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SENADO FEDERAL, 27 de fevereiro
de 2008
PRESIDÊNCIA / Homenagem aos Aposentados
Garibaldi: quanto mais o trabalhador
vive, maior a perda ao aposentar-se
Primeiro orador da sessão de
homenagem ao Dia Nacional do Aposentado, o presidente do Senado,
Garibaldi Alves, observou que, paradoxalmente, hoje, quanto maior
for a expectativa de vida do trabalhador, maior será a sua
perda salarial depois que se aposentar. Ele pediu uma discussão
madura a respeito dessa questão, porque considera a perda
dos aposentados incompatível com os índices de crescimento
do Brasil.

- Um país que cresce como o nosso, que vem tendo expectativa de crescimento
ainda maior, se Deus quiser, não pode deixar para trás aqueles
que tanto contribuíram, que tanto lutaram para que a realidade de hoje
fosse uma realidade como essa.
Ao lado do senador Paulo Paim
(PT-RS), que ele definiu como infatigável incentivador da luta
em favor dos aposentados, e do ministro da Previdência Social,
Luiz Marinho, Garibaldi Alves disse que o Senado está consciente
dos problemas enfrentados e da luta dos aposentados para eliminar a defasagem
que existe hoje entre a política de recuperação
do salário mínimo e a política de recuperação
dos seus proventos.
- O ministro, mais do que ninguém,
tem-se dedicado a fazer com que possamos ter finalmente uma política
previdenciária que será o grande passo para que possamos
dizer que este é um país justo. Isso acontecerá na
hora em que pudermos dar a Cesar o que é de Cesar, dar aos aposentados
o que merecem os aposentados.
Garibaldi Alves sublinhou a vontade
dos senadores de aprovarem normas legais capazes de eliminar essa defasagem
salarial da qual a maioria dos aposentados se queixa. Ele disse que uma
das metas da instituição é agir para assegurar,
aos que não podem mais trabalhar, vida digna, respeito e reconhecimento.
Na opinião do senador,
a data em que se homenageiam os aposentados serve, acima de tudo, para
uma grande reflexão sobre o desafio que a situação
deles hoje representa para o país. Mas o presidente do Senado
também alertou:
- Nós sabemos que, entre
o discurso e a prática, às vezes, temos uma dificuldade
muito grande, dificuldade essa que só poderá ser superada
se nós não perdermos essa capacidade de indignação
com a situação dos aposentados, mas também de mobilização
como os senhores estão fazendo. E também com o estabelecimento
de um diálogo que não venha exigir do governo aquilo que
ele não possa conceder.
Teresa Cardoso / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência
Senado)
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
fevereiro de 2008 | Economia
Sentenças judiciais elevam
déficit da Previdência
Brasília - Uma concentração de pagamentos de sentenças
judiciais levou o déficit nas contas da Previdência Social para
R$ 5,08 bilhões em janeiro passado, uma alta de 30,7% em relação
a janeiro de 2007. Decisões da Justiça Federal, que mandaram
o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) reajustar valores de benefícios
previdenciários somaram R$ 2,43 bilhões no mês passado.
O secretário de Políticas
de Previdência Social, Helmut Schwarzer, informou que esse valor
representa quase a metade de toda a previsão de gastos com ações
judiciais para este ano. A expectativa do secretário é que
o restante da despesa seja diluído ao longo dos próximos
meses, que, dessa forma, não registrariam déficits tão
elevados quanto o de janeiro.
''Deveremos agora ter meses com
pouco mais e outros com pouco menos da média de mensal de R$ 250
milhões em precatórios (sentenças judiciais sem
recurso)'', afirmou o secretário. O valor total das execuções é repassado
pelo Conselho Nacional de Justiça ao Ministério do Planejamento,
responsável pela programação de quando esses pagamentos
serão feitos. Para este ano, a previsão é que o
INSS gaste mais R$ 5,16 bilhões para honrar os valores corrigidos
por determinação da Justiça.
Isabel Sobral
Agência Estado
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Agência Diap, 27 de
fevereiro de 2008
AGENDA SOCIAL
Plano de saúde, empréstimos
consignados e conta-salário na pauta da CAS
A Comissão de Assuntos
Sociais (CAS) se reúne nesta quarta-feira (27) para analisar proposições
em sua pauta. A primeira é o substitutivo a quatro projetos de
lei que alteram a lei dos planos e seguros privados de assistência à saúde
(Lei 9.656/98), a fim de permitir, entre outros benefícios, a
contratação de coberturas reduzidas.
Outra proposta em pauta é o
PLS 340/04, do senador Aloizio Mercadante (PT/SP), que confere aos empregados
o direito de escolher a instituição financeira e a agência
bancária em que os empregadores depositarão o salário
do empregaod. A proposta altera o artigo 464 da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT). O relator da matéria na Comissão é o
senador Inácio Arruda (PCdoB/CE).
O projeto tem caráter terminativo, isto é, se aprovado no colegiado
e não houver recurso contra a decisão, o texto poderá ser
encaminhado direto para exame da Câmara.
Aposentados
O colegiado analisará ainda a proposta do senador Paulo Paim (PT/RS),
que limita em 20% da remuneração do idoso que ganha até três
salários mínimos pelo Instituto Nacional de Seguridade Social
(INSS), o desconto de pagamento de valores referentes a empréstimos,
financiamentos e operações de arrendamento mercantil consignadas.
O projeto determina, ainda, que
sempre que o titular do benefício declarar expressamente não
ter realizado qualquer das operações referidas, os descontos
em folha serão suspensos imediatamente, cabendo às instituições
financeiras contestar e comprovar sua contratação pelo
segurado.
Outra proposição
nesse sentido, do senador Valdir Raupp (PLS 276/07), permite ao titular
do benefício do INSS solicitar o bloqueio de seu registro, para
impedir descontos decorrentes de operação de crédito
consignado. A matéria irá à Comissão de Assuntos
Econômicos (CAE).
A reunião acontecerá no
plenário 09, da ala Alexandre Costa, do Senado Federal, às
11h.
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Diário Vermelho, 27
de fevereiro de 2008
CTB quer articulação
para evitar fim da multa de 40% do FGTS
O envio da mensagem do presidente
Luis Inácio Lula da Silva pedindo a ratificação
da Convenção 158 da Organização Internacional
do Trabalho (OIT) despertou uma polêmica: como fica a multa de
40% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)?
Segundo o assessor jurídico
da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Renan
Arrais, a brecha está no artigo 10º das Disposições
Transitórias da Constituição, que garante a multa
ao estabelecer a relação de emprego protegida contra
despedida arbitrária ou sem justa causa mas faz menção à possibilidade
de uma lei complementar regulamentando o assunto.
“ Algumas entidades patronais vêm divulgando que a Convenção
158 seria essa proteção e que, por conseqüência, a multa
retornaria ao percentual de 10% — como era antes da Constituição
de 1988”, explica Renan Arrais.
Segundo o presidente da CTB, Wagner Gomes, a idéia da Convenção
158 é aumentar os direitos dos trabalhadores e não retirá-los. “É fundamental
uma articulação no Congresso Nacional que impeça o fim
da multa após a ratificação da 158”, diz ele.
Centrais se mobilizam
A Força Sindical e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) também
já se posicionaram sobre o assunto.
“ Nós já estamos articulando (a defesa da multa no Congresso
Nacional), já falei com o líder do PT e com outros líderes
na Câmara dos Deputados sobre a possibilidade de a gente acrescentar essa
condição na análise da legislação", diz
Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical e deputado
federal (PDT-SP).
Segundo a secretária nacional de Comunicação da CUT, Rosane
Bertotti, essa é uma questão “imexível” neste
momento.
“É um direito dos trabalhadores conquistado, e a ratificação
da Convenção 158, para a CUT, tem que ser acompanhada sem esta
posição de um ou outro”, afirma. Para Wagner Gomes, a articulação
no Congresso Nacional precisa se ampla e unitária. “Como disse o
presidente Lula quando anunciou a mensagem sobre a Convenção 158,
as centrais não precisam se gostar, se amar, mas os interesses da classe
trabalhadora são mais unificadores que as poucas divergências que
temos”, diz ele.
Defesas sociais
Wagner Gomes explica não há razão para se tentar acabar
com a multa. Ele avalia que o setor patronal pode tentar eliminá-la
com a velha desculpa do custo elevado da mão-de-obra.
“ O fato é que o trabalho no Brasil sempre foi uma componente leve
no custo fixo das empresas, dando espaço a uma injusta distribuição
de renda”, afirma. “Os patrões enriquecem, enquanto a parte
dos salários no produto interno bruto fica sistematicamente abaixo dos
50%; nos países industrializados, essa parcela varia em torno dos 70%
e pode chegar até os 75%”, ressalta.
Para Wagner Gomes, culpar as regras que buscam minimamente proteger o trabalhador
por um suposto “custo Brasil” é cinismo.
“ A maioria dos trabalhadores ganha uma miséria e os patrões
podem colocar qualquer um na rua com apenas um mês de aviso prévio”,
afirma. O que há, segundo o presidente da CTB, são manobras para
insinuar que os benefícios sociais são um risco para a sobrevivência
das empresas.
“É uma perversidade acenar com esse tipo de ônus para tirar
defesas sociais, como a multa do FGTS, por que isso significa cortar um meio
de sobrevivência do trabalhador justamente quando ele mais precisa”,
finaliza.
Fonte: Assessoria de imprensa da CTB
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
27 de fevereiro de 2008
Metrô do DF terá que pagar
indenização de R$ 50 mil a operário acidentado
Um operário que sofreu queimaduras de terceiro grau quando realizava
reparos na rede elétrica de um túnel do metrô do Distrito
Federal vai receber indenização de R$ 50mil por danos morais
estéticos.
A determinação é da
1ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 10ª Região
(Distrito Federal e Tocantins), que considerou o Consórcio Construtor
CMT e a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal – Metrô-DF – responsáveis
pelo acidente. A decisão mantém sentença da 3ª Vara
do Trabalho de Taguatinga, da lavra da juíza Nara Cinda Alvarez
Borges.
De acordo com informações
do regional, o supervisor do operário acidentado admitiu que o
mandou executar os reparos de modo precário. A rede geral de energia
não foi desligada (conforme determina a Norma Regulamentadora
10 do Ministério do Trabalho e Emprego), e não havia iluminação
suficiente no local. O empregado trabalhava apenas com a iluminação
de um facho de luz de lanterna.
Segundo o juiz relator do processo,
Ricardo Alencar Machado, o Consórcio tem responsabilidade objetiva
pelo acidente uma vez que foi constatado o dano e o nexo causal, já que
as atividades desenvolvidas pelos empregados são de risco, conforme
NR-16 e NR-10 do Ministério do Trabalho.
Os juízes da 1ª Turma
mantiveram, ainda, a condenação subsidiária do
Metrô porque, apesar de haver terceirizado o serviço de
eletricidade, a administração pública tem o dever
de acompanhar, supervisionar e fiscalizar o serviço contratado. "Nesse
caso aplica-se a teoria da culpa presumida" ressaltou o juiz Ricardo
Machado. Ele explica que, para se isentar da responsabilidade, o Metrô deveria
comprovar ações de vigilância quanto ao cumprimento
das normas de proteção do trabalhador – o que não
foi feito no processo.
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de fevereiro de 2008
Ato involuntário
Flatulência não é motivo
para demissão, diz TRT-SP
por Daniel Roncaglia
Um funcionário que tenha
o hábito de soltar gases durante o expediente pode ser demitido
por justa causa? A sonora dúvida mereceu a atenção
dos juízes da 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da
2ª Região (São Paulo) em uma reclamação
trabalhista julgada em dezembro de 2007.
A espirituosa resposta do juiz
Ricardo Artur Costa e Trigueiros (relator) mostrou que, mesmo não
seguindo as regras do bom costume, a flatulência é um ato
que independe da vontade da pessoa e, por isso, não pode ter reflexos
sobre o contrato de trabalho.
“A eliminação
involuntária, conquanto possa gerar constrangimentos e, até mesmo,
piadas e brincadeiras, não há de ter reflexo para a vida
contratual. Desse modo, não se tem como presumir má-fé por
parte da empregada, quanto ao ocorrido, restando insubsistente, por injusta
e abusiva, a advertência pespegada, e bem assim, a justa causa
que lhe sobreveio”, argumentou Trigueiros. E completou: “o
organismo tem que expelir os flatos, e é de experiência
comum a todos que, nem sempre pode haver controle da pessoa sobre tais
emanações”.
O juiz Trigueiros explicou que “a
flatulência constitui uma reação orgânica natural à ingestão
de ar e de determinados alimentos com alto teor de fermentação,
os quais, combinados com elementos diversos, presentes no corpo humano,
resultam em gases que se acumulam no tubo digestivo e necessitam ser
expelidos, via oral ou anal, respectivamente sob a forma de eructação
(arroto) e flatos (ventosidade, pum)”.
Apesar de sua tolerante posição,
o juiz faz uma ressalta. Em algumas hipóteses, flatos barulhentos
e intencionais podem ensejar em uma justa causa. “Sua propulsão
só pode ser debitada aos responsáveis quando comprovadamente
provocada, ultrapassando assim o limite do razoável. A imposição
deliberada aos circunstantes, dos ardores da flora intestinal, pode configurar,
no limite, incontinência de conduta, passível de punição
pelo empregador”, ensina o juiz.
Para embasar cientificamente
seu voto, Trigueiros faz um estudo sobre o tema. Recorre a artigo do
médico Dráuzio Varella para mostrar que a flatulência
não significa doença. Segundo o médico, um adulto
pode soltar gases vinte vezes por dia. “Expelir gases é algo
absolutamente natural e, ainda por cima, ocorre mais vezes em pessoas
que adotam dietas mais saudáveis. Desse modo a flatulência
tanto pode estar associada à reação de organismos
sadios, sendo sinal de saúde”, argumenta o juiz.
O juiz cita, inclusive, uma passagem
do livro “O Xangô de Baker Street”, do humorista Jô Soares,
para afirmar que os gases nem sempre são tolerados pelas convenções
sociais. No livro, uma comprometedora flatulência de Dom Pedro
II é assumida prontamente pelo personagem Rodrigo Modesto Tavares.
Pelo heroísmo do súdito, o imperador lhe concede o título
de Visconde de Ibituaçu (Vento Grande, em tupi-guarani).
A irrelevância da questão é comentada
pelo próprio juiz no início de seu voto. Ele lembra que
a Justiça não pode se ocupar de “miuçalhas” (de
minimis non curat pretor). No entanto, ele justifica seu trabalho afirmando
que, nas relações de emprego, pequenas arbitrariedades
podem se tornar precedentes perigosos.
O voto demonstra que a questão
da flatulência não é o único problema entre
a empregada e a empresa. Ela foi acusada de conversar imoralidades com
uma colega de trabalho. Mas o fato não foi comprovado. “A
prova oral colhida demonstrou que a reclamante conversava sobre problemas
pessoais da colega com a filha e o namorado desta, estando a autora a
aconselhá-la”, anotou o juiz.
Segundo os autos, a empregadora
tratava a funcionária com excesso de autoritarismo, lembrado os
ambientes militares. “Através da oitiva de suas testemunhas
trazidas a Juízo, as quais confirmaram que havia animosidades
contra a reclamante, tanto por parte da sócia como da superior
hierárquica, que tratavam-na com excessivo rigor.” A atitude
da empresa valeu à funcionária uma indenização
por danos morais de R$ 10 mil.
Processo 0.129.020.052.420.200-9
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NCST, 27 de fevereiro de 2008
Entidade sem fim lucrativo não
precisa pagar IPTU e ISS
As entidades sem fins lucrativos gozam de imunidade tanto em relação
ao IPTU quanto ao ISS. O entendimento foi reafirmado pela 2ª Turma do
Supremo Tribunal Federal que, por unanimidade, manteve liminar que livrava
a Sociedade Hospitalar de Caridade de Taquara, no Rio Grande do Sul, do pagamento
dos impostos.
O relator, ministro Gilmar Mendes, argumentou que, se a entidade é imune à cobrança
de tributos federais, existe a plausibilidade para sê-lo, também,
em relação aos municipais.
O ministro que o STF já firmou jurisprudência no sentido de que
as entidades sem fins lucrativos gozam de imunidade tanto em relação
ao recolhimento do IPTU quanto do ISS, em conformidade com o disposto no artigo
5º, inciso VI, letra c, da Constituição Federal. Ele foi
acompanhado por unanimidade.
AC 1.864
Revista Consultor Jurídico
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de fevereiro de 2008
Demissão em massa
Não cabe MS para questionar
saída de celetistas
por Lilian Matsuura
Se a relação entre
as partes é de empregador-empregado e não de administrador
público-administrado, não cabe Mandado de Segurança
para questionar a demissão em massa. Assim, a questão deve
ser julgada em Ação Ordinária. A conclusão é do
juiz da 73ª Vara do Trabalho de São Paulo, Otávio
Augusto Machado de Oliveira.
Com isso, o juiz manteve o ato
do superintendente do Instituto de Assistência Médica ao
Servidor Público Estadual, que afastou 206 celetistas aposentados.
O Instituto foi defendido pela Procuradoria-Geral do Estado de São
Paulo. Na ação, os servidores, representados por sindicatos
e associações da classe, pediaram a reintegração
ao posto de trabalho.
“O impetrado demitiu os
substituídos processuais agindo de acordo com seu poder diretivo,
poder este inerente aos empregadores”, decidiu o juiz. Para ele,
a relação entre as partes é de empregador-empregado,
o que é ratificado pelo fato de a causa estar sendo analisada
pela Justiça especializada.
Diante desta constatação,
por falta de interesse processual, o juiz extinguiu sem julgamento
do mérito a ação proposta pelo Sindicato dos Médicos
de São Paulo, pelo Sindicato dos Trabalhadores Públicos
na Saúde e pela Associação dos Médicos
do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público
Estadual. A sentença é do dia 15 de fevereiro.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
27/02/2008
Servidor celetista é reintegrado
após ser dispensado no estágio probatório
Servidor celetista admitido por
concurso público, mesmo que em estágio probatório,
não pode ser dispensado sem inquérito ou sem as formalidades
legais de apuração de sua incapacidade. Por esse princípio,
a Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve sentença
que determinou a reintegração e o pagamento dos salários
de servidor do Município de Santa Bárbara d’Oeste
(SP). De acordo com os ministros integrantes da Turma, o entendimento
das instâncias anteriores não contraria em sua literalidade
o artigo 41, parágrafo 1º, da Constituição
Federal.
Esse dispositivo da Constituição
estabelece que são estáveis, após três anos
de efetivo exercício, os servidores nomeados para cargo de provimento
efetivo em virtude de concurso público. Acrescenta, ainda, que
o servidor estável só perderá o cargo em virtude
de sentença judicial transitada em julgado. A jurisprudência
do TST, concretizada na Súmula nº 390, inciso I, confere
estabilidade também ao servidor público celetista integrante
da administração direta, autárquica ou fundacional,
nos termos do artigo 41 da Constituição.
Em seu parágrafo 4º,
o mesmo artigo exige como condição para a estabilidade
uma avaliação especial de desempenho por comissão
instituída para essa finalidade. Decisão de outro processo
sobre o mesmo tema concluiu ser exigível, então, para sua
dispensa, uma avaliação especial de desempenho que o declare
inapto. Tal procedimento não foi efetuado pelo Município
de Santa Bárbara d’Oeste. O servidor foi demitido sem ser
comprovada motivação justa.
Em seu recurso de revista, o
município alegou que o ente público que opta por contratar
servidores sob o regime da CLT se submete a ele por inteiro, equiparando-se
ao empregador privado. Afirmou que a estabilidade prevista no art. 41
da Constituição Federal refere-se aos servidores ocupantes
de cargos públicos. Aos ocupantes de empregos públicos,
como é o caso do autor, regidos pela CLT, aplica-se o art. 19
do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
(ADCT). O empregador sustentou, ainda, no recurso ao TST, que o art.
41 da Constituição não prevê a realização
de procedimento administrativo, ou sequer de motivação,
na hipótese de dispensa de servidor em estágio probatório,
mas sim, na dispensa de servidor estável, ou seja, que já ultrapassou
o período probatório.
O servidor foi admitido, após
concurso público, para a função de ajudante geral
em outubro de 2001 e dispensado em janeiro de 2004. Não havia
cumprido o período de três anos do estágio probatório.
Para o ministro Horácio de Senna Pires, relator do recurso de
revista, o fato de o trabalhador ser empregado público celetista
e não haver completado, integralmente, o período referente
ao estágio probatório não afasta a necessidade de
motivação para a sua dispensa, ao contrário do que
alegou o município. (RR-1051/2002-003-05-40.5)
(Lourdes Tavares)

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