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Gazeta do Povo, 28 de fevereiro
de 2008
ECONOMIA | TRABALHO
Aumento no poder de compra do novo mínimo é o
menor desde 2005
Novo salário mínimo de R$ 412,42
começa a valer neste sábado, 1.º de março
São Paulo – O novo salário mínimo, de R$ 412,42,
começa a valer no sábado, dia 1.º de março, com reajuste
de 8,52% sobre o mínimo atual (R$ 380). A data, que já estava
prevista, foi confirmada pelo Ministério do Planejamento. Apesar do
reajuste ser mais elevado que o previsto inicialmente, o aumento do poder de
compra do brasileiro que recebe o mínimo será o menor desde 2005.
Para quem recebe o salário, o ganho real representa os mesmos 3,75%
referentes ao crescimento do PIB em 2006 – os ganhos chegaram a 13% na
campanha eleitoral de 2006.
O relator geral do Orçamento,
deputado José Pimentel (PT-CE), reafirmou ontem que os recursos
para atender o aumento de benefícios previdenciários e
assistenciais decorrentes do reajuste estão garantidos na proposta
orçamentária deste ano.
Elza Fiuza/ABR

Ministro do Planejamento confirmou ontem a data do reajuste.
Pimentel informou que o Executivo deverá encaminhar ao Congresso Nacional
medida provisória reajustando o valor, já que o projeto de lei
nesse sentido ainda não foi aprovado pelo Senado.
No projeto de lei encaminhado
pelo Executivo ao Congresso Nacional, a previsão para o salário
mínimo era de R$ 407,33. Porém, com a definição
da reestimativa de receitas do governo e da inflação do
ano passado, o valor será reajustado para R$ 412,42. O novo valor,
segundo o ministro Paulo Bernardo, faz parte do acordo firmado pelo governo
com as centrais sindicais. “O governo vai honrar o acordo firmado
com as centrais, embora o projeto ainda não esteja aprovado”,
destacou Bernardo.
Em nota enviada à imprensa,
a Central Única dos Trabalhadores (CUT) destaca que “a ação
do movimento sindical, através das marchas anuais que organizou
e dos processos de negociação que se seguiram, permitiu
que o salário mínimo tivesse um reajuste real acumulado
de 30,11% entre 2004 e 2007 – o mais alto das duas últimas
décadas e bastante superior ao que estabeleciam as previsões
orçamentárias oficiais e ao que defendia a equipe econômica
do governo federal”.
O projeto de lei estabelece que,
até 2011, o salário mínimo receberá correção
da inflação do Índice Nacional de Preços
ao Consumidor (INPC) acumulada desde o último aumento, acrescido
de porcentual idêntico ao do crescimento real do Produto Interno
Bruto (PIB) de dois anos antes.
Um dos maiores impactos do aumento
ocorre nas contas da Previdência Social: mais de 13 milhões
de aposentados e pensionistas recebem um salário mínimo.
Cada R$ 1 acrescentado ao valor final implica cerca de R$ 180 milhões
em gastos da União por ano.
Datas
Pelo projeto acordado entre
governo e centrais sindicais, o mês do reajuste do mínimo
será antecipado em um mês a cada ano até chegar
em 2010, quando o aumento deve ocorrer no dia 1.º de janeiro.
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UOL ECONOMIA, 28 de fevereiro
de 2008
Taxa de desemprego aumenta para 8%
em janeiro, acusa IBGE
RIO - A taxa de desemprego nacional
marcou 8% da população economicamente ativa (PEA) em janeiro
deste calendário, acima dos 7,4% verificados no mês final
de 2007. O indicador acabou, contudo, abaixo do nível registrado
em janeiro do ano passado, de 9,3%. Os números são do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O contingente de desocupados
nas seis regiões pesquisadas pelo organismo subiu 7,5% perante
dezembro do ano passado, para 1,842 milhão de pessoas. Ante janeiro
de 2007, porém, notou-se queda de 12,1%. Pela primeira vez em
um mês de janeiro, a população desocupada ficou abaixo
de 2 milhões, observou o Instituto.
O IBGE chamou atenção
ainda para o fato de que, "em janeiro de 2006, 48,5% dos desocupados
tinham pelo menos o ensino médio concluído; em janeiro
de 2007, eram 51,4% e, na última pesquisa, 53,9%".
Pelo levantamento, o total de
pessoas ocupadas ficou em 21,3 milhões, sem mudança expressiva
ante dezembro de 2007 (-0,6%, ou 120 mil pessoas), mas com acréscimo
de 3,6% ante o primeiro mês do ano passado.
(Valor Online)
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VERMELHO, 28 de fevereiro
de 2008
Salário: novo valor obedece
acordo com o movimento sindical
A ação do movimento
sindical, através das marchas anuais que organizou e dos processos
de negociação que se seguiram, permitiu que o salário
mínimo tivesse um reajuste real acumulado de 30,11% entre 2004
e 2007 - o mais alto das duas últimas décadas e bastante
superior ao que estabeleciam as previsões orçamentárias
oficiais e ao que defendia a equipe econômica do governo federal.
Por ter forçado o governo
a elevar as propostas iniciais de reajuste, o processo de valorização
do salário mínimo nos últimos anos configura, inegavelmente,
um avanço produzido pela organização dos trabalhadores.
A definição do reajuste a vigorar a partir do próximo
mês de março deve obedecer aos critérios do acordo firmado
entre as centrais e o governo no final de 2006, quando foi estabelecida uma
política de médio prazo para os reajustes.
O novo valor do salário mínimo deve corresponder ao INPC dos
11 meses transcorridos entre abril de 2007 e fevereiro de 2008, somado à variação
do PIB em 2006. É importante lembrar que o INPC de fevereiro ainda não
foi divulgado oficialmente, o que impede a antecipação precisa
do novo valor. Porém, já é possível afirmar que
o acumulado desde 2004 deve atingir 35% de reajuste real.
Conquista para o futuro
A política de valorização do salário mínimo
segue até 2011, quando está prevista a revisão do acordo
através de novo processo de negociação.
''Para a CUT, o acordo significa um importante passo para reverter o achatamento
brutal do salário mínimo nos anos 1990 e início dos anos
2000, e um dos importantes fatores do fortalecimento recente do mercado interno.
Os reajustes incidem sobre os ganhos de aproximadamente 18 milhões de
assalariados e de 17 milhões de aposentados e pensionistas. E fazem
parte da luta pelo salário mínimo necessário estimado
pelo Dieese [Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos],
de R$ 1.924,59, que devemos continuar perseguindo'', diz Artur Henrique, presidente
nacional da CUT.
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) também comemorou
o cumprimento do acordo.
“ Nós participamos dessa discussão de uma política
permanente de reajuste do salário mínimo. A questão da data
de pagamento ir diminuindo até janeiro do próximo ano foi uma medida
positiva. Porém, todos sabemos que o nosso salário mínimo
ainda está longe de ser o ideal, como inúmeras pesquisas do Dieese
já demonstraram. Mas, pelo menos podemos contar com uma política
permanente de reajuste, o que é uma grande vitória, já que
em longo prazo poderemos alcançar esse mínimo ideal. Sem dúvida,
uma grande conquista de todo movimento sindical”, disse Wagner Gomes, presidente
da CTB ao Vermelho.
Fonte: Da redação,
com informações do Portal do Mundo do Trabalho
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O GLOBO, 28 de fevereiro
de 2008
Salário mínimo paulista
só deve ser reajustado entre maio e junho
Fabiana Parajara, O Globo Online
SÃO PAULO - O salário mínimo paulista, em vigor desde
o último dia 1º de agosto, não será reajustado agora.
Nesta quarta-feira, o governo federal anunciou um novo mínimo de R$
412,40, que entra em vigor em 1º de março. Mas o reajuste estadual
ainda depende de um projeto de lei que deve ser encaminhado nos próximos
dias à Assembléia Legislativa. De acordo com a secretaria estadual
de Emprego e Relações do Trabalho, a expectativa é que
o índice de reajuste seja aprovado entre maio e junho pelos deputados.
O piso regional paulista beneficiou
cerca de 1 milhão de trabalhadores da iniciativa privada de São
Paulo quando entrou em vigor. A lei, sancionada pelo governador José Serra,
estabelece três faixas salariais: R$ 410, R$ 450 e R$ 490. Na época
de seu lançamento, todas eram superiores ao salário mínimo
nacional em vigor, de R$ 380. A partir de março, segundo a secretaria,
os trabalhadores que ganham R$ 410 passarão automaticamente a
ganhar R$ 412,40, porque vale o maior valor.
A secretaria informa que durante
mais dois ou três anos, o reajuste do piso regional terá de
ser feito por meio de projeto de lei, até que um índice
oficial seja estabelecido.
Confira as ocupações
e as faixas salariais paulistas em vigor até agora:
R$ 410,00 -
trabalhadores domésticos, serventes, trabalhadores agropecuários
e florestais, pescadores, contínuos, mensageiros e trabalhadores
de serviços de limpeza e conservação, trabalhadores
de serviços de manutenção de áreas verdes
e de logradouros públicos, auxiliares de serviços gerais
de escritório, empregados não-especializados do comércio,
da indústria e de serviços administrativos, cumins, "barboys",
lavadeiros, ascensoristas, "motoboys", trabalhadores de movimentação
e manipulação de mercadorias e materiais e trabalhadores
não-especializados de minas e pedreiras.
R$ 450,00 -
operadores de máquinas e implementos agrícolas e florestais,
de máquinas da construção civil, de mineração
e de cortar e lavrar madeira, classificadores de correspondência
e carteiros, tintureiros, barbeiros, cabeleireiros, manicures e pedicures,
dedetizadores, vendedores, trabalhadores de costura e estofadores, pedreiros,
trabalhadores de preparação de alimentos e bebidas, de
fabricação e confecção de papel e papelão,
trabalhadores em serviços de proteção e segurança
pessoal e patrimonial, trabalhadores de serviços de turismo e
hospedagem, garçons, cobradores de transportes coletivos, "barmen",
pintores, encanadores, soldadores, chapeadores, montadores de estruturas
metálicas, vidreiros e ceramistas, fiandeiros, tecelões,
tingidores, trabalhadores de curtimento, joalheiros, ourives, operadores
de máquinas de escritório, secretários, datilógrafos,
digitadores, telefonistas, operadores de telefone e de "telemarketing",
atendentes e comissários de serviços de transporte de passageiros,
trabalhadores de redes de energia e de telecomunicações,
mestres e contramestres, marceneiros, trabalhadores em usinagem de metais,
ajustadores mecânicos, montadores de máquinas, operadores
de instalações de processamento químico e supervisores
de produção e manutenção industrial;
R$ 490,00 -
administradores agropecuários e florestais, trabalhadores de
serviços de higiene e saúde, chefes de serviços
de transportes e de comunicações, supervisores de compras
e de vendas, agentes técnicos em vendas e representantes comerciais,
operadores de estação de rádio e de estação
de televisão, de equipamentos de sonorização e
de projeção cinematográfica e técnicos
em eletrônica.
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VERMELHO, 28 de fevereiro
de 2008
CPI das ONGs: trabalhos avançam,
mas oposição continua ataque
Os trabalhos da CPI (Comissão
Parlamentar de Inquérito) das ONGs (Organizações
Não-Governamentais) avançaram nesta quarta-feira (27),
avaliou o relator da comissão, senador Inácio Arruda (PCdoB-CE).
Foram aprovados 44 requerimentos convocando vários dirigentes
de ONGs para depor. Na CPI, a oposição direitista continua
disparando ataques a entidades que receberam recursos do governo Lula.
Na primeira reunião do
ano, um acordo entre oposição e governo permitiu a aprovação
de alguns requerimentos na comissão. Serão convocados o
reitor da UNB (Universidade de Brasília), Timothy Mulholland,
e o ex-presidente da Finatec (Fundação de Empreendimentos
Científicos e Tecnológicos), Antônio Manoel Dias
Henriques. Também foi aprovado o comparecimento do ex-diretor
da ONG Unitrabalho, Jorge Lorenzetti.
Os membros da CPI aprovaram ainda
requerimentos, pedindo informações a várias instituições
sobre aplicação de recursos oriundos de repasses federais.
Durante a reunião, uma
polêmica tomou conta da CPI: os requerimentos apresentados para
investigar recursos do governo federal repassados a estatais e fundações
universitárias. Para o relator, o debate foi gerado pelo amplo
leque da CPI.
“Como a CPI não
foi criada a partir de uma denúncia ou algo específico,
ela fica com o leque muito aberto. Precisamos delimitar, diz Inácio,
acrescentando que se corre o risco de achar que “tudo que não
fosse governo era ONG”.
Para o senador comunista, a retirada
dos requerimentos nesse sentido foi importante porque envolvem empreendimentos
que atuam em bolsas de valores e que têm um grande impacto na economia
brasileira. “Isso colocaria em suspeição as entidades”.
Em relação às
fundações universitárias, o parlamentar cearense
afirmou que o motivo “é porque objetivamente elas não
são ONGs, embora elas possam ser investigadas quando existir algo
bem concreto. Quando tiver uma suspeita bem concreta, bem objetiva, a
opinião do relator é que aquela fundação
deve ser investigada. Se você põe todas sobre suspeição é outro
problema de embaraço” fala Inácio.
“Foi isso que nós
buscamos resolver. Ao tirar um conjunto de fundações do
leque de investigação da CPI, você está buscando
focar mais. Não pode chegar todos os dias e jogar uma rede para
ver o que se pesca. Então isso virou uma brincadeira e não
uma CPI. Vamos focar nas denúncias, no marco regulatório.
Fica mais claro o que queremos investigar na CPI”, afirmou Inácio.
Oposição
O senador Heráclito Fortes
(DEM-PI), em entrevista aos jornalistas no início da reunião,
disse que a comissão não decolou em virtude de uma ''sabotagem''
patrocinada pelos senadores da base do governo e por poderosas ONGs.
Como tática, o senador
do DEM diz que “se o marasmo persistir, vou aconselhar o presidente
da CPI, senador Raimundo Colombo (DEM-SC), a pedir ao presidente do Senado,
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), o encerramento dos trabalhos”,
afirmou.
Apesar de defenderem a busca
de dados concretos sobre ONGs, bem como o levantamento de um maior número
de informações, e, a partir daí, descobrir atos
ilícitos cometidos pelas entidades, os senadores de direita têm
buscado aprovar requerimentos no sentido de convocar pessoas e entidades
que têm ligação com o governo Lula, sem nenhum dado
concreto de irregularidades.
Os senadores da base, há muito,
vêm denunciando a tentativa de politização da CPI.
O senador comunista Inácio afirma que, caso a oposição
tente investigar no tom de politização e busque “dar
um tom de uma base exclusivamente oposicionista à CPI, eu acho
que a oposição vai se dar muito mal”.
No início desta legislatura,
em entrevista ao Vermelho, o senador acreano, Sibá Machado (PT),
disse que a base do governo está preparada para reagir: “Se
houver qualquer tentativa nessa direção, inevitavelmente
também teremos que tomar atitudes enérgicas sobre o fato.
Mas vamos lutar muito para que isso seja evitado”.
CPI
Instalada no dia 3 de outubro
do ano passado, a CPI das ONGs já realizou 11 reuniões,
contando com a desta quarta-feira. Os últimos requerimentos aprovados
datam do dia 7 de novembro. Até agora, a comissão não
aprovou nenhum pedido de quebra de sigilo bancário de pessoas
ou entidades supostamente envolvidas em malversação de
recursos. O prazo final dos trabalhos da CPI – que pode ser prorrogado
por mais 120 dias – está marcado para o dia 12 de maio.
De Brasília
Alberto Marques
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ÂMBITO JURÍDICO,
28 de fevereiro de 2008
TRT reverte justa causa aplicada a
empregado público com quadro de alcoolismo
Com base em voto do desembargador Marcus Moura Ferreira, a 1ª Turma do
TRT-MG reverteu a justa causa aplicada a um empregado público municipal
em fase de estágio probatório, o qual tinha sido dispensado por
apresentar quadro de alcoolismo em serviço.
O reclamante foi admitido por
concurso público como trabalhador braçal pela Superintendência
de Água e Esgoto de Araguari e, ainda em fase de estágio
probatório, ocasionou um acidente de trânsito ao dirigir
alcoolizado um veículo da reclamada. Consta do processo que ameaçou
verbalmente policiais que lavraram o boletim de ocorrência, bem
como outras pessoas que serviriam de testemunha. Por esse motivo, foi-lhe
aplicada uma suspensão administrativa do serviço por 05
dias e, em seguida, instaurada uma sindicância sumária,
a qual apurou, entre outros fatos, que o reclamante fazia uso de bebidas
alcoólicas durante a sua jornada de trabalho. Esses fatos levaram à sua
dispensa por justa causa poucos dias depois, dispensa essa, mantida em
primeiro grau.
Ao decidir pela reforma da sentença,
o desembargador chama a atenção para três pontos
cruciais no caso. O primeiro deles é o fato de que o servidor
público celetista da administração direta, autárquica
ou fundacional tem direito à estabilidade prevista no artigo 41
da Constituição Federal, só podendo ser exonerado
após inquérito e formalidades legais para apuração
da sua capacidade, o que não ocorreu no caso. Na sindicância
administrativa, não foi dada ao autor a oportunidade de se defender
apropriadamente, pois ele apenas foi intimado a comparecer perante a
comissão para "prestar declarações" e
nem chegou a passar por exame médico demissional. Ademais, acrescenta,
nem mesmo a circunstância de estar o autor em estágio probatório
autoriza essa dispensa sumária, sem direito a defesa.
Outro ponto relevante, segundo
o relator, é que o reclamante sofreu dupla punição
pela falta cometida - a suspensão administrativa e, em seguida,
a dispensa por justa causa em razão da mesma falta – o que é vedado
pelo direito do trabalho.
Mas o principal fundamento para
a reversão da justa causa foi mesmo o quadro de alcoolismo apresentado
pelo autor: “O alcoolismo é doença progressiva, incurável
e fatal, que consta do Código Internacional de Doenças – ‘F10.2
- Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool
- síndrome de dependência’ - e, como tal, desafia
a antiga caracterização da dispensa por justa causa em
face da embriaguez do empregado em serviço (art. 482, f, da CLT),
eis que ele, como pessoa doente incapaz de controlar a sua compulsão
pelo consumo de álcool, deve ser encaminhado para tratamento pertinente
ao invés de ser punido” – pontua o relator.
Essa compulsão incontrolável
pela bebida, segundo salienta, leva a outras patologias, tanto no campo
clínico quanto no campo psiquiátrico. A partir desta corrente
evolução dos conceitos médicos relacionados ao alcoolismo,
surgiu no meio jurídico trabalhista o seguinte questionamento:
o alcoolismo pode continuar sendo aceito como um dos motivos para a dispensa
por justa causa do empregado, se este é vítima de uma doença
de fundo psiquiátrico sobre a qual não tem qualquer controle? “A
doutrina e a jurisprudência têm entendido que não.
De fato, esta medida apenas agravaria a situação patológica,
social, familiar e financeira do empregado, por si só bastante
vulnerável em decorrência da doença que o fragiliza” – responde
o desembargador.
Ele cita em seu voto estudos
jurídicos que defendem a derrogação da alínea "f" do
artigo 482 da CLT, pois a sua redação é anterior à declaração
da Organização Mundial de Saúde de 1967 que classificou
o alcoolismo como doença. Está, portanto superado, principalmente
porque se sabe que o trabalho é fundamental na prevenção
e na recuperação do dependente químico. Lembra o
relator que o artigo 4º, inciso II, do novo Código Civil,
classifica, entre os incapazes, relativamente a certos atos, os ébrios
habituais e os viciados em tóxicos. “Assim, mister se faz
que o empregador não se mantenha inerte em relação
ao empregado que comparece embriagado em seu local de trabalho ou que
venha causar sérios problemas pelo uso de bebidas alcoólicas,
mas também não se pode cogitar que ele seja punido com
a demissão por justa causa, devendo, ao revés, ser encaminhado
para o tratamento médico pertinente, eis que sendo portador de
uma patologia de fundo psiquiátrico não age com dolo ou
culpa” - completa. Ou seja, como a doença retira do alcoolista
a capacidade de discernimento sobre seus atos, requer tratamento e não
punição, cabendo ao empregador esse encaminhamento.
Por todos esses fundamentos,
a Turma deu provimento ao recurso do reclamante para declarar a nulidade
da sua dispensa por justa causa e para deferir sua reintegração
no emprego, com o pagamento de todos os salários vencidos, vincendos
e consectários legais até a data da efetiva reintegração,
ressalvando a possibilidade de se promover o afastamento do trabalhador
para tratamento médico, caso esta necessidade seja detectada pelo
empregador.
( nº 00813-2007-047-03-00-5
)
Fonte: TRT3
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O ESTADO DO PARANÁ,
28 de fevereiro de 2008 | Nacional
Ministro do Trabalho diz ser vítima
de perseguição política
Agência Estado
Foto: Marcello Casal
Jr/ABr
Orientado pelo governo, Carlos
Lupi defendeu-se hoje das acusações de favorecer
entidades relacionadas ao seu partido.
Pressionado pela Comissão de Ética Pública da Presidência
da República e orientado pelo governo, o ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, defendeu-se nesta quarta-feira (27) das acusações de favorecer
entidades relacionadas ao partido dele, o PDT, na realização
de convênios para qualificação e treinamento de trabalhadores. "Julgo
ser vítima de perseguição política e de uma campanha
de difamação", disse. Numa tentativa de mostrar força
e apoio, as declarações de Lupi tiveram a presença de
uma claque de parlamentares da legenda e sindicalistas.
Alvo de denúncias há semana,
somente nesta quarta-feira o ministro do Trabalho anunciou que, a partir
da próxima semana, a página do ministério na internet
(www.trabalho.gov.br) publicará a relação dos convênios,
entidades, valores e datas no que chamou de "portal da transparência".
Também foi criado um grupo de trabalho, formado por técnicos
da pasta, para fiscalizar in loco as entidades selecionadas que montarem
cursos de qualificação de jovens e adultos, no âmbito
do Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE).
Para tentar rebater as acusações
de que, desde que assumiu a pasta, em abril, teria privilegiado pedidos
de verbas para prefeituras ou entidades ligadas à sigla, o Ministério
do Trabalho relacionou um total de R$ 430 milhões em convênios
assinados ou renovados ao longo de 2007 até fevereiro de 2008
e os distribuiu por agremiações, considerando a administração
de cada governo de Estado ou prefeitura beneficiada.
Segundo a lista, ao PDT,
foram destinados R$ 14,4 milhões enquanto, para o PT, foram
R$ 96,3 milhões. Os partidos de oposição à administração
federal também foram destacados. Para o DEM, aparecem R$ 54,1
milhões e, ao PSDB, R$ 102,4 milhões. "Eu não
veto e nem discrimino ninguém, até porque a norma técnica
impede o direcionamento por partido", afirmou.
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A TARDE, 28 de fevereiro
de 2008 | Cidades
Trabalhadores da construção
civil decidem continuar em greve
João Alvarez / Agência A Tarde
Greve deixa obras paradas
Os trabalhadores da construção civil e da indústria da
construção de Salvador e da Região Metropolitana continuam
em greve, após reunião realizada na Delegacia Regional do Trabalho,
do início da tarde desta quarta.
De acordo com Florisvaldo Bispo
dos Santos, diretor do Sintracom (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria
da Construção e Madeira do Estado da Bahia), não
foi apresentada na reunião nenhuma proposta que satisfizesse a
categoria, que reivinidica reposição salarial, recebimento
de cesta básica, redução do prazo de experiência
de 90 para 30 dias, e aviso prévio indenizatório, entre
outros benefícios.
O sindicato patronal oferece
5% de reposição.
Florisvaldo disse que, diante
do impasse, os trabalhadores ficarão paralisados até o
resultado da próxima rodada de negociação. "Haverá mais
uma reunião na Delegacia Regional do Trabalho, que ainda não
foi marcada. Até lá, a greve continua.
Trinta e cinco mil trabalhadores
aderiram à paralisação, que tem quase 100% de mobilização.
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Congresso em Foco, 28 de fevereiro de 2008
Proposta tímida, pontos polêmicos
Especialistas rebatem principais pontos
da reforma tributária do governo e dizem que ela não
resolverá problema da elevada carga de impostos
Soraia Costa
Mesmo antes de chegar ao Congresso, a proposta do governo para a reforma tributária
já está causando polêmica e rendendo críticas de
especialistas em finanças e tributação. O texto da proposta
de emenda à Constituição (PEC) sobre o assunto deve ser
encaminhado aos parlamentares na tarde de hoje (28).
A idéia do governo é simplificar o sistema de tributação
principalmente sobre produtos e serviços, unificando impostos e acabando
com a guerra fiscal entre os estados. Porém, a maior reclamação
dos contribuintes – a redução da carga tributária – não é contemplada
pela proposta.
Apesar de não ter divulgado o texto final da PEC, o ministro da Fazenda,
Guido Mantega, apresentou os principais pontos da reforma para empresários,
sindicalistas e parlamentares. Nenhum desses pontos, no entanto, foi detalhado.
Em linhas gerais, a reforma tributária do governo irá unificar,
no chamado Imposto sobre Valor Adicionado Federal (IVA-F), parte dos tributos
que incidem sobre a produção. Além disso, o governo pretende
criar uma legislação e uma alíquota única para
o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS),
que hoje obedece a leis e alíquotas estaduais, transferindo sua cobrança
da origem (onde o produto é feito) para o destino (onde ele é consumido).
Outro ponto da proposta governamental diz respeito à desoneração
da folha de pagamento. Em princípio, o governo pretende acabar com a
alíquota de 2,5% do salário-educação e, em um segundo
momento, reduzir de 20% para cerca de 15% a contribuição patronal
para a Previdência Social.
“ O que falta nessa reforma é que toda a preocupação
do governo está voltada para a eficiência, mas não se fala
naquilo que deveria ser o principal foco: justiça fiscal. A carga tributária
está muito concentrada em determinados segmentos. Paga mais, quem ganha
menos. E, com isso, ninguém parece estar preocupado”, reclama o
professor de Finanças Públicas da Universidade de Brasília
(UnB) Roberto Piscitelli.
O governo rebate dizendo que, apesar do objetivo da proposta não ser
reduzir a carga tributária, a reestruturação do sistema
de tributos irá gerar uma redução a médio e longo
prazo como conseqüência.
“ Não é o objetivo dessa reforma reduzir a carga tributária.
O que se quer é um sistema mais simples e eficiente para abrir espaço
para a redução em um futuro próximo”, afirma o deputado
Pedro Eugênio (PT-PE), um dos parlamentares cotados para relatar a PEC
na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.
“ Agora é bom lembrar que, se os impostos não tiverem cumulatividade,
vai ter redução dos custos de produção. E, cedo ou
tarde, isso vai refletir no preço dos produtos e serviços na ponta”,
acredita ele.
Reforma possível
Tanto governistas quanto oposicionistas concordam que a reforma tributária
do governo pode não ser a melhor, mas que talvez seja a “possível” de
ser aprovada este ano. A idéia original do governo, quando se começou
a discutir a reforma ainda no início do primeiro mandato de Lula, era
de que apenas um imposto incidisse sobre os produtos e serviços. Na
proposta que será apresentada hoje, no entanto, eles serão quatro.
No âmbito federal, o IVA-F, absorverá o PIS/Pasep, a Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição
de Intervenção no Domínio Econômico-Combustíveis
(Cide-Combustíveis). O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI),
por outro lado, será cobrado separadamente.
No âmbito estadual, também restarão dois impostos: o novo
ICMS e o Imposto Sobre Serviços (ISS). O novo ICMS passará a
ser regido por uma legislação nacional, que determinará uma
alíquota única para cada produto.
Outra mudança é que a cobrança do tributo passaria a ser
feita no destino. Essa transferência seria realizada ao longo de oito
anos a contar da aprovação da PEC. Ou seja, se for aprovada ainda
este ano, a reforma só estaria completa em 2016.
“ Alguns poderão dizer que essa proposta é mais acanhada
do que se imaginava, o que é verdade. Por outro lado, ela é mais
realista. Tem menos obstáculos para transpor e, conseqüentemente,
mais chance de ser aprovada”, acredita o professor Roberto Piscitelli.
Para ele, é compreensível que uma mudança tão significativa
seja feita em etapas. “Vai ter uma profunda alteração da
distribuição dos recursos. Estados como São Paulo, por
exemplo, terão perdas muito grandes e precisarão ser compensados.
Fala-se de um fundo para essa compensação, mas ninguém
sabe ainda como será esse fundo”, destaca, acrescentando que a
guerra fiscal e a cumulatividade de impostos são temas de reclamações
há muito tempo por parte do setor produtivo.
“É uma boa proposta. Ela avança muito na busca de um sistema
mais justo”, defende o ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-deputado
federal Germano Rigotto (PMDB), que é o coordenador do grupo de trabalho
do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social sobre a reforma tributária.
“ Ela talvez pudesse ser mais simplificadora, mas é a reforma possível”,
diz ele. “Mesmo assim é uma boa proposta. Ela é racionalizadora
e simplificadora e, se for aprovada, será um grande avanço”,
enfatiza.
Segundo Rigotto, caso o IPI fosse mantido no IVA-F, isso poderia acarretar
problemas para o setor de informática e, particularmente, para a Zona
Franca de Manaus. “Mas vamos fazer um IPI mais seletivo”, avisa.
Quanto à desistência do governo de unificar o novo ICMS com o
ISS, o ex-governador explica que essa foi uma exigência dos grandes municípios
para aceitar a proposta.
Críticas
O maior problema da proposta do governo se esconde nos detalhes, acreditam
os especialistas, e a maior dificuldade de se avaliar a proposta agora é que
esses detalhes só serão conhecidos quando o texto da PEC for
apresentado no Congresso.
Preliminarmente, no entanto, o advogado tributarista e professor de Direito
Osiris Lopes Filho, da Universidade de Brasília (UnB), aponta algumas
dificuldades que o governo deve enfrentar.
A primeira delas é com relação à unificação
dos impostos federais no IVA-F. “A alíquota do IVA vai ser elevadíssima.
Então essa fusão que parece uma maravilha tem esse problema:
uma alíquota maior, gera maior evasão”, argumenta o ex-secretário
da Receita Federal do governo Itamar Franco.
O deputado Pedro Eugênio discorda. Ele argumenta que, ao mesmo tempo
em que a alíquota será elevada, também serão reduzidos
os tributos, eliminando-se, assim, possibilidades maiores de sonegação. “Se
todos concordam que o sistema tributário deve ser simplificado, como
conseqüência desse raciocínio percebe-se que é algo
desejável. Então esse raciocínio de que uma alíquota
maior pode assustar, é verdadeiro, mas ainda não se sabe qual
será essa alíquota e a evasão só acontece depois
de um determinado patamar”, diz ele.
De acordo com o deputado, apenas no momento de votar a proposta é que
será possível afirmar o valor da alíquota e que, caso
ela seja muito elevada, o governo poderá estudar um desconto. “Como
haverá um número menor de impostos, isso estimula o pagamento”,
contra-argumenta Pedro Eugênio.
Novo ICMS
Outra grande dúvida gerada pela proposta do governo é como será feita
a compensação das perdas causadas pela transferência da
cobrança do ICMS da origem para o destino.
Tanto parlamentares da oposição quanto tributaristas argumentam
que já houve experiências mal-sucedidas com fundos de compensação
de impostos, como a Lei Kandir (que isenta produtos e serviços destinados à exportação).
“ Esse é um ponto bastante delicado dessa reforma”, admite
o deputado Pedro Eugênio. “Vamos ter que construir mecanismos de
fundo que dê segurança e tranqüilidade para garantir que não
haverá perdas. Mas ainda não sabemos como vai ser feito”,
diz ele, acrescentando que a experiência com a Lei Kandir pode servir como
um aprendizado para se aprimorar o novo fundo.
Ainda com relação às mudanças no ICMS, o advogado
Osíris Lopes Filho questiona como o governo espera fiscalizar a migração
da cobrança do tributo para o destino, sem, com isso, perder o controle
sobre essa arrecadação.
“ Nosso país é continental e não tem uma boa fiscalização
tributária”, lembra.
Em resposta, o deputado Pedro Eugênio diz que essas questões precisarão
ser amadurecidas no Congresso, mas que a idéia do governo é fazer
a cobrança na origem e repassar os recursos para o destino.
“ Agora começa o verdadeiro debate sobre a reforma tributária.
Vamos discutir e verificar se no corpo da lei há mecanismos suficientes
para garantir a viabilidade e a mecanização da proposta”,
afirma o deputado.
Segundo ele, haverá fiscalização por amostragem para verificar
fraudes nas emissões das notas fiscais.
“ E quem emitir nota fiscal dizendo que o produto será comercializado
naquele estado, mas na verdade ele for para outro terá que ser punido
exemplarmente. Assim acredito ser possível ter uma transferência
da cobrança de forma segura”, completa.
Desoneração da folha
de pagamento
A desoneração da folha de pagamento também será contemplada
pela proposta do governo. Essa desoneração, no entanto, será feita
em etapas.
Na PEC que será enviada hoje ao Congresso, o governo propõe o
fim do salário-educação, cuja alíquota de 2,5%
incide sobre a folha. Como forma de compensar essa perda, o governo argumenta
que os recursos serão repassados do Tesouro para o Ministério
da Educação.
“ Confesso que não está clara [como será essa compensação]. É importante
ter compensação para que não se acabe com os benefícios
do salário. A desoneração deveria ser mais ampla, mas é algo
que precisa ser mais bem discutido”, destaca o deputado Pedro Eugênio.
Além do fim do salário-educação, o governo avisa
que está estudando outras formas de desoneração, mas explica
que essas serão tratadas em projetos de lei ordinária e complementar.
Entre elas, está a redução de 20% para 15% da contribuição
patronal para a previdência. Esse ponto foi, inclusive, motivo de confronto
com as centrais sindicais.
“ O governo tem que parar de se apropriar do que não é dele.
A previdência é do povo. O contribuinte paga hoje para receber o
benefício amanhã. Mas qual será o reflexo, no futuro, da
perda de arrecadação? Serão restrições para
os aposentados”, alerta Osíris Lopes Filho.
O tributarista lembra, ainda, que não adianta compensar essas perdas,
pois, no final, alguém terá de pagar a conta. “Estou cansado
de ver o sonho se tornar pesadelo”, conclui.
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Agência Diap, 28 de
fevereiro de 2008
SISTEMA TRIBURÁRIO
Conheça os principais pontos da proposta de reforma tributária
O Governo vai enviar hoje (28)
ao Congresso Nacional a proposta de emenda à Constituição
(PEC) da reforma tributária. A íntegra do texto ainda não
foi divulgada pelo Ministério da Fazenda, mas os principais pontos
já foram anunciados pelo Governo nos últimos dias em reuniões
com governadores, parlamentares da base aliada e da oposição
e setores da sociedade como lideranças sindicais e representantes
da indústria.
Conheça os principais pontos da proposta já apresentados
pelo Governo:
- Criação de um tributo único: o Imposto sobre Valor Agregado
(IVA). O objetivo é substituir a cobrança do Financiamento da
Seguridade Social (Cofins), do Programa de Integração Social
(PIS), da Contribuição de Intervenção no Domínio
Econômico (Cide-Combustível) e do salário-educação,
que seriam extintos.
- Incorporação da Contribuição Social sobre o Lucro
Líquido (CSLL) ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, para se
transformar em um único imposto sobre o lucro.
- Unificação das legislações do Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS) para acabar com a guerra fiscal. Atualmente,
cada um dos 26 estados e o Distrito Federal têm regras específicas
para o imposto. O texto também vai propor a cobrança do ICMS
no estado de destino do produto, com manutenção de apenas 2%
da alíquota do tributo no estado de origem. O Governo prevê uma
transição de até seis anos para aplicação
das novas regras para o ICMS. Um fundo de eqüalização de
receitas compensaria possíveis perdas de arrecadação em
alguns estados.
A desoneração da folha de pagamento das empresas, com redução
da contribuição patronal para o Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS), também chegou a ser apontada pelo ministro da Fazenda,
Guido Mantega, como um dos pontos da reforma. No entanto, após reunião
com centrais sindicais, o Governo decidiu conduzir a mudança na contribuição
previdenciária por meio de projeto de lei, e não na mesma PEC
da reforma tributária.
A proposta de reforma tributária prevê a manutenção
de tributos como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto
sobre Serviços (ISS), este último de competência dos municípios.
Contribuição patronal à Previdência
Na reunião das centrais sindicais, no último dia 25, com ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, os dirigentes sindicais pediram que a proposta
de reduzir a contribuição das empresas para a Previdência
saia da reforma tributária. Os sindicalistas alegaram que a desoneração
coloca em risco o pagamento de futuras aposentadorias.
Segundo os sindicalistas, o presidente Lula afirmou que a proposta não
fará parte da reforma tributária e será discutida por
mais tempo. O Governo estudava incluir na reforma um mecanismo para reduzir
o percentual pago pelos empregadores, que hoje é de 20%.
Para o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva
(PDT/SP), a redução da contribuição patronal significará uma
perda de R$ 30 bilhões para os cofres da Previdência e o Governo
ainda não apresentou uma forma de repor essa arrecadação.
" Não concordamos de jeito nenhum. O Presidente pediu para que o
ministro Guido Mantega [Fazenda] reveja essa questão. Ficou definido que
não irá para o Congresso junto com a reforma. Ele [Lula] vai se
reunir com os empresários e pontuar que essa questão precisa ser
discutida com as centrais sindicais para encontrar uma fórmula de financiamento
da Previdência”, disse, após participar de reunião
com o presidente Lula e o ministro Mantega, no Palácio do Planalto. Lula
se reuniu com os empresários nesta quarta-feira (27), no Planalto.
Não à desoneração
da folha
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique,
que também participou da reunião, alertou que o aumento da arrecadação
e do emprego formal podem não ser necessários para compensar
a desoneração da folha de pagamento.
“ Desonerar a folha de salário não pode vir apenas como um
risco que será compensado com o aumento da arrecadação e
da formalização. É preciso acompanhar essa discussão
com muita cautela, para que não se tenha um rombo nas receitas da Previdência.
Não há garantia de que vai haver contratação de emprego
formal”, disse.
“ O ministro [Guido Mantega, da Fazenda] disse que a proposta de desoneração
da folha não estará nessa proposta de emenda constitucional, mas
seria colocada em uma proposta infraconstitucional, ou seja, mais tarde”,
completou.
O presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Neto,
indagou: "Se a Previdência já é deficitária,
conforme argumentam economistas, como é possível reduzir a receita?
Queremos saber qual será a contrapartida patronal. Ficamos inseguros”.
(Com Agência Brasil)
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Gazeta Mercantil, 28 de fevereiro
de 2008
Ganho dos bancos brasileiros sobe 43%
em 2007
Os bancos brasileiros comemoram
mais uma safra de resultados recordes. Levantamento da Austin Rating
aponta que os lucros líquidos de 31 instituições
financeiras que divulgaram balanços cresceram 43,3% em 2007, para
R$ 34,4 bilhões. O retorno sobre o patrimônio aumentou de
21,2 para 24,3%.
Os ganhos foram impulsionados
pelo crescimento do crédito e das receitas com prestação
de serviços. Grandes bancos do varejo, como Bradesco, Itaú e
Unibanco, foram beneficiados ainda por receitas extraordinárias
com a venda de participações em empresas, entre elas Bovespa
e BM&F.
O Itaú divulgou aumento
de 96,7% no lucro de 2007, para R$ 8,5 bilhões, sendo R$ 1,3 bilhão
só com eventos não-recorrentes. Ganhos extraordinários
de R$ 800 milhões contribuíram para a expansão de
58,5% no resultado do Bradesco, para R$ 8,01 bilhões. No Unibanco,
o lucro aumentou 97%, para R$ 3,44 bilhões, puxado por receitas
extraordinárias de R$ 848 milhões.
Mas não foi só isso.
Todos esses bancos expandiram sua carteira de crédito acima da
média de mercado – o total de operações do
sistema financeiro cresceu 27,3% em 2007. No Bradesco, a carteira cresceu
36,5%, no Itaú, 37,3%, no Unibanco, 35,4%. A evolução
média do saldo da carteira dos 31 bancos analisados foi de 31,3%,
contribuindo para o crescimento de 27,6% dos ativos totais, para R$ 1,76
trilhão, acima do R$ 1,3 trilhão do PIB brasileiro.
Crédito em alta
Segundo o sócio da Austin
Rating, Erivelto Rodrigues, em 2007, os bancos, de maneira geral, foram
beneficiados pelo forte crescimento do crédito, especialmente
nos segmentos com margens maiores, como pessoa física e pequenas
e médias empresas. "O crédito cresceu, os spreads
permaneceram em patamar elevado, por conta do foco em nichos de maior
retorno, mas a inadimplência ficou controlada", destaca.
Aloísio Lemos, analista
do setor financeiro da corretora Ágora, acrescenta que, com a
expansão das operações de financiamento, os bancos
tiveram um ganho de escala, compensando a redução dos spreads
gerada pela queda da taxa básica de juros. Para Lemos, os esforços
para manter a qualidade da carteira também beneficiaram os resultados,
uma vez que a inadimplência ficou estável e, em alguns casos,
foi reduzida.
Nos bancos médios focados
em pequenas e médias empresas ou ainda em financiamento de veículos,
a evolução da carteira de crédito e, conseqüentemente,
dos lucros foi ainda maior. No Sofisa, por exemplo, a carteira de crédito
aumentou 186%. Além do crescimento de 103,1% do segmento de pequenas
e médias empresas, o banco retomou também no varejo, com
o financiamento de veículos. O lucro do banco cresceu 67,8%, para
R$ 76 milhões.
As operações de
crédito renderam aos bancos uma receita 11,6% maior, segundo a
média dos 31 bancos analisados. Já as receitas com prestação
de serviços, que inclui tarifas de conta-corrente, taxas de administração,
entre outros, aumentaram 15,3%, na média. Rodrigues destaca ainda
os ganhos de eficiência alcançados pelos bancos.
O índice, que mede a relação
entre despesas administrativas e receitas operacionais, caiu de 51,8%
para 49,1%, na média do setor. Para o sócio da Austin,
a queda no lucro do Banco do Brasil é fruto de despesas administrativas
e de pessoal muito altas. "A eficiência no BB deixa muito
a desejar", afirma. O BB, maior banco brasileiro em ativos, encerrou
o ano com um indicador de 63,4%, contra 46,4% do Bradesco e 44,4% do
Itaú.
Lucro do BB cai
O Banco do Brasil registrou um
lucro líquido de R$ 5,058 bilhões em 2007, resultado 16,3%
menor do que o registrado em 2006.
O presidente do BB, Antonio
Francisco de Lima Neto, afirmou ontem que o lucro da instituição
ficou abaixo dos principais bancos privados porque a carteira de crédito
não abrange todas as operações do mercado. "Não
temos o crédito imobiliário", disse. "A principal
mensagem do resultado é que estamos em recuperação
de mercado. O Banco do Brasil não tem sido negligente",
rebateu Lima Neto.
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FOLHA DE LONDRINA, 28 de
fevereiro de 2008 | Política
'Políticos são todos
corruptos', diz eleitor em pesquisa
Para brasileiros, segundo levantamento
da Justiça Eleitoral, político não trabalha
em benefício da população
São Paulo - Os eleitores brasileiros estão divididos entre céticos
e otimistas, revela uma pesquisa encomendada pela Justiça Eleitoral
ao Instituto Nexus e à Cultura Data. Os otimistas dizem que acreditam
no poder transformador do voto, já os céticos vêem o voto
como uma perda de tempo e tendem a ser contra sua obrigatoriedade. O consenso
entre os eleitores que participaram da pesquisa é de que os ''políticos
são todos corruptos'', que não fazem nada pelo povo.
Entre os pesquisados há uma
percepção geral de que a classe política não
trabalha em benefício da população e visa seus próprios
interesses. Para os entrevistados, os políticos são enganadores
- prometem muito durante a campanha e não fazem nada daquilo que
prometeram - traem e abandonam o eleitor.
Sobre o sistema político
brasileiro, a visão não é muito diferente. Os participantes
do estudo acreditam que mesmo um político sendo honesto ele terá que
se corromper para se adaptar ao sistema. Segundo a pesquisa, a mídia
parece desempenhar papel preponderante na formação da noção
de que ''todos os políticos são corruptos''.
De acordo com o estudo, o voto
tem significado positivo para a maioria dos entrevistados. Entre as principais
qualidades levantadas estão o poder de mudar, a possibilidade
de melhora, a responsabilidade, o direito de escolha e o exercício
da cidadania. Mas alguns atribuem ao voto a escolha baseada na sorte
e a sensação de perda de tempo. Outro sentimento associado
ao momento do voto é a insegurança, se a escolha que fizeram é a
mais acertada e se o candidato votado vai corresponder às suas
expectativas. O voto obrigatório foi criticado em todos os grupos.
O levantamento, realizado nos últimos
dias 25 e 26 de janeiro, foi aplicado em 12 grupos de sete a 10 pessoas
nas cinco regiões do País e abrangeu todas as classes sociais,
faixas etárias e de escolaridade.
Agência Estado
|
Folha de São Paulo, 28 de fevereiro
de 2008
Por votações, governo
dá presidência de CPI a PSDB
Vaga é cedida por PMDB; temor de
derrotas no Congresso leva governistas a buscar acordo | Marisa
Serrano presidirá comissão, com veto do PT; parlamentares
especulam que gesto do PMDB está ligado a pressão
por cargos
ANDREZA MATAIS
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de duas semanas de negociação, o PMDB aceitou ceder a
vaga de presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito)
mista dos Cartões Corporativos ao PSDB para evitar a criação
de uma segunda comissão no Senado com o mesmo objetivo e prejudicar
as votações de matérias de interesse do governo.
Os tucanos indicaram a vice-presidente do partido, senadora Marisa Serrano
(PSDB-MS), para presidir a CPI. Ligada ao ex-presidente Fernando Henrique e
ao governador de São Paulo, José Serra, ela disse que não
permitirá "pirotecnia" e negou acordo com o PT para poupar
FHC, Lula e os familiares de ambos das investigações.
Em contrapartida, a oposição desistiu de criar outra CPI e garantiu
acordo fechado no início do mês, entre o Planalto e o PSDB, de
que será uma CPI "civilizada" dos Cartões Corporativos,
sem devassa nas contas do presidente Lula e de FHC.
" PT e PSDB não querem apurar nada e o PMDB quer cargo no governo.
A CPI deveria assumir compromisso de não aceitar acordo para poupar alguns
da investigação", disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS). O
gesto do PMDB, acertado com líderes governistas, irritou a bancada do
PT na Câmara, que ameaçou retirar a indicação do deputado
Luiz Sérgio (PT-RJ) para a relatoria.
" A bancada do PT continua com a opinião que a melhor composição é a
de respeitar a proporcionalidade da bancada. Até porque ter um presidente
de um lado e um relator de outro atrapalharia", afirmou o líder do
PT, deputado Maurício Rands (PE). "O PMDB não pode usar a
CPI para barganhar cargos. O acordo é um absurdo", criticou o deputado
Marco Maia (PT-RS).
Alguns petistas defendem como alternativa a troca com o PSDB da relatoria pela
presidência. Os tucanos não aceitam. É o presidente quem
desempata votações, marca reuniões e determina o tempo
em que cada um pode se manifestar. A bancada deve se reunir hoje para discutir
o assunto. Os petistas acusaram o PMDB de ceder a vaga aos tucanos para tornar
o governo refém dos votos do partido na CPI e barganhar cargos a cada
votação de requerimento de quebra de sigilo ou convocação.
A oposição manteve o requerimento que cria uma CPI apenas no
Senado na pauta do plenário e ameaça mandar criar a comissão
a qualquer momento se houver recuo do PMDB. Líderes do governo justificaram
que sem o acordo as votações da medida provisória da TV
Pública e da reforma tributária estariam comprometidas. "Vai
dar para harmonizar o clima dos trabalhos e para discutir a reforma tributária
num melhor ambiente. Duas CPIs seria muito desgastante", disse o líder
do governo no Senado, Romero Jucá (RR).
O acordo foi fechado no Palácio do Planalto. Jucá e Fontana (RS)
se reuniram com o ministro José Múcio Monteiro (Relações
Institucionais) e avisaram que se o governo não cedesse, a oposição
cumpriria a ameaça de criar outra CPI só do Senado, além
de dificultar votações, como ocorreu com a emenda da CPMF, derrotada.
A presidente da CPI disse que a comissão deve ser instalada na próxima
semana. Até lá os partidos indicarão seus representantes.
Segundo Marisa Serrano, a CPI é um "instrumento para fiscalizar,
levantar problemas e encontrar soluções", mas ela não
opinou sobre qual deve ser o ponto de partida das investigações:
se o governo FHC ou as denúncias de uso irregular do cartão sob
Lula. Já o relator disse que vai começar pela ordem cronológica.
|
Folha de São Paulo, 28 de fevereiro
de 2008
Comissão recua e anexo de
R$ 534 mi fica no Orçamento
Parlamentares da base e da oposição
se "rebelam" contra acordo de anteontem que decidiu pela
retirada do "contrabando" do relatório | Argumento é que
anexo foi aprovado em uma sessão deliberativa; texto básico
do relatório da comissão foi aprovado ontem à noite
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Comissão de Orçamento do Congresso Nacional decidiu ontem manter
um "contrabando" de R$ 534 milhões em emendas no relatório
final, descumprindo acordo que havia sido fechado anteontem.
As emendas foram enxertadas pela comissão como "anexo de metas",
como mostrou reportagem da Folha. Elas não faziam parte da proposta
inicial enviada pelo governo e beneficiam só um grupo restrito de parlamentares.
O texto básico do relatório da Comissão de Orçamento
foi aprovado ontem à noite. Hoje serão votados os cerca de mil
destaques apresentados por congressistas, que podem alterar o texto. Concluída
a votação na comissão, o texto seguirá para o plenário
do Congresso.
No início do dia, senadores e deputados de oposição chegaram
a patrocinar um acordo. Eles decidiram retirar o anexo do relatório
final e redistribuir os recursos "contrabandeados" entre todas as
bancadas. Mas o chamado "baixo clero" da comissão rebelou-se
e conseguiu manter o anexo com o argumento de que ele foi aprovado em sessão
deliberativa.
A rebelião foi capitaneada pela base do governo e parte da oposição.
Só o PSDB votou para eliminar o anexo e cumprir o acordo. O PPS se absteve.
" Não temos compromisso com esse acordo. Um acordo pressuporia a
concordância dos partidos representados aqui na comissão",
disse o vice-líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).
O senador José Maranhão (PMDB-PB), que havia participado do acordo,
tentou se justificar. "Não houve acordo, houve um entendimento.
Mas eu sempre deixei claro que a comissão deveria concordar."
Os tucanos protestaram em vão. "O que foi conversado é que
o relator usaria os recursos do anexo para atender emendas de bancadas que
não haviam sido atendidas", disse o senador Cícero Lucena
(PSDB-PB). (FÁBIO ZANINI)
|
Folha de São Paulo,
28 de fevereiro de 2008
Relação dívida/PIB é a
menor desde 98
Arrecadação recorde e gastos
menores no início do ano levam dívida a 42,1% do PIB
em janeiro, contra 42,8% em dezembro | Superávit primário
fica em R$ 18,7 bi, recorde no mês; economista vê momento
bom para corte de impostos e de despesas públicas
NEY HAYASHI DA CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O aperto fiscal feito pelo conjunto
formado por governo federal, Estados, municípios e estatais bateu
recorde em janeiro e ajudou a reduzir a relação entre dívida
pública e PIB (Produto Interno Bruto) para o nível mais
baixo em nove anos.
A maior arrecadação e a lentidão na liberação
de gastos por parte da União são os principais fatores que explicam
esse movimento.
Segundo dados do Banco Central, o setor público acumulou um superávit
primário -economia feita para o pagamento de juros- de R$ 18,662 bilhões
no mês passado, o maior resultado já registrado em um mês
de janeiro desde o início da série estatística do BC,
em 1991.
Com o auxílio do superávit primário recorde, a relação
entre dívida e PIB caiu de 42,8% em dezembro para 42,1% em janeiro,
nível mais baixo desde dezembro de 1998.
"Foi um resultado muito
positivo", disse o chefe do Departamento Econômico do BC,
Altamir Lopes. "Um dos motivos é o dinamismo da economia,
que tem gerado uma arrecadação [de tributos] expressiva."
Além disso, afirmou Lopes, a demora do Congresso em aprovar o Orçamento
da União deste ano reduz o ritmo de gastos do governo federal, já que
algumas despesas não podem ser efetuadas antes dessa votação.
" Normalmente o ano começa com resultados muitos positivos e, com
o passar dos meses, alguns ajustes vão sendo feitos. Isso se intensificou
agora por causa da não-aprovação do Orçamento",
disse Lopes.
Para Roberto Padovani, estrategista-sênior para a América Latina
do banco WestLB, os resultados fiscais deste início do ano são
bons e abrem espaço para avanços em questões como a reforma
tributária, a redução de impostos e um controle maior
nos gastos públicos.
"É em momentos de prosperidade que se faz, por exemplo, uma reforma
tributária. Mas os sinais que o governo dá são que não
está empenhado em encaminhar esse assunto", afirmou o economista.
Padovani afirma que atualmente o mercado financeiro não tem mais preocupação
com o compromisso do Brasil com o ajuste fiscal, dúvida que, segundo
ele, foi dissipada nas eleições de 2002.
Atualmente, o foco das discussões está nos obstáculos
ao crescimento que são colocados por itens como carga tributária
e nível dos gastos públicos.
Câmbio
Já para Carlos Thadeu de Freitas, economista da CNC (Confederação
Nacional do Comércio) e ex-diretor do BC, os indicadores fiscais deste
começo de ano são positivos, mas a redução do endividamento
público poderia ser mais acelerada caso a política cambial do
governo não estivesse favorecendo a queda do dólar.
Nos últimos anos, o BC tem adquirido um grande volume de dólares
no mercado de câmbio, com o intuito de reforçar suas reservas
em moeda estrangeira. Por isso, a dívida pública sobe sempre
que o dólar cai, devido ao impacto negativo que uma valorização
do real tem sobre o saldo de divisas acumulado pelo governo.
Só no ano passado, a desvalorização do dólar provocou
um aumento de R$ 29,268 bilhões sobre o endividamento do setor público.
" Enquanto essa questão não for resolvida, a dívida
[em sua relação com o PIB] vai ficar patinando em torno do atual
patamar. Neste mês, devemos ter até um aumento", afirma. Neste
ano, a moeda dos EUA já acumula queda de 5,9%.
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Folha de São Paulo,
28 de fevereiro de 2008
IR vai diminuir para parte da população,
diz Mantega
Governo apresentará projeto de desoneração
na próxima semana, afirma ministro | Entre as medidas em estudo,
está a criação de mais duas alíquotas
de IR, de 20% e 25%, além das que existem atualmente, de 15%
e 27,5%
JULIANA ROCHA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro Guido Mantega (Fazenda)
disse que apresenta na próxima semana um projeto de desoneração
do Imposto de Renda para a pessoa física. Ele não quis
antecipar nenhum detalhe do estudo elaborado pelos técnicos do
ministério em torno do alívio da carga fiscal para os trabalhadores,
mas afirmou que uma parte da população vai pagar menos
imposto.
" Estamos estudando alguma mudança no IR. Certamente, uma parte da
população vai pagar menos. Na próxima semana, já direi
quais serão as intenções do governo em relação às
alíquotas do IR. Serão para beneficiar, para melhorar", disse.
Depois de apresentar as diretrizes da proposta de reforma tributária
para um grupo de empresários, o ministro disse que pretende colocar
na PEC (proposta de emenda constitucional) um instrumento limitador da carga
tributária, para impedir o seu aumento. Logo em seguida, admitiu que
esse mecanismo ainda não estava pronto, porque não é intenção
do governo criar amarras.
" Haverá um instrumento que estará impresso na Constituição,
porém nós ainda não temos esse mecanismo. E também
não queremos impor uma camisa-de-força", disse.
Mantega tem insistido em que o efeito da reforma será nulo para a carga
tributária. Ontem explicou que a alíquota do IVA-F (Imposto sobre
Valor Adicionado Federal) será igual à soma dos tributos a serem
unificados. O IVA-F vai substituir a PIS, a Cofins, a Cide e o salário-educação.
O mesmo vale para o IR de pessoa jurídica, que vai incorporar a CSLL
(Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).
Na segunda-feira, Mantega ouviu de líderes sindicais o pedido para que
fosse feita a desoneração do IR como uma segunda fase da reforma
tributária. Uma das sugestões foi a taxação de
heranças e grandes fortunas, o que poderia compensar a redução
de alíquotas do IR para a classe média.
Uma das medidas em estudo na Fazenda é criar duas alíquotas intermediárias
de IR, de 20% e 25%. Hoje a Receita cobra 15% para quem tem rendimento mensal
entre R$ 1.372,82 e R$ 2.743,25. E de 27,5% para quem ganha mais de R$ 2.743,25
por mês.
Elevação do IOF
Mantega justificou ontem que o governo não aumentou o IOF (Imposto sobre
Operações Financeiras) apenas para compensar o fim da CPMF, mas
também para conter a alta do consumo no país. Um dia antes, a
Receita Federal anunciara que a arrecadação de janeiro foi recorde
para o período, mesmo sem o imposto do cheque.
O ministro aproveitou para criticar os bancos, pela elevação
dos juros e do "spread" bancário. "Devo confessar que
aumentamos o IOF para a pessoa física para conter um pouco o ímpeto
do consumo, para jogar um pouco de água fria na fervura", disse. "Os
bancos aproveitaram e colocaram mais 4% no "spread". Não perderam
tempo e deram uma subidinha nos juros." Procurada, a Febraban (Federação
Brasileira dos Bancos) não se pronunciou.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
28 de fevereiro de 2008 | Nacional
Deputado propõe limite de
juros para cartões de crédito
Agência Estado
Uma proposta do deputado federal
Marco Aurélio Ubieli (PSB-SP), que tramita na Câmara,
fixa limite para a cobrança de juros e multa moratória
nas contas de cartões de crédito. O projeto determina
que a empresa de cartão de crédito pode acrescer
no máximo um ponto percentual ao mês sobre o custo
de captação da linha de crédito contratada
junto à instituição financeira. "Assim,
a taxa de juros final a ser cobrada dos usuários de cartões
de crédito deverá ficar entre 2% e 3% ao mês",
disse.
"Já na multa moratória
a ser cobrada no caso de inadimplência, o pagamento da prestação
devida não poderá exceder a 2% do valor dessa prestação,
conforme determina o Código de Proteção e Defesa
do Consumidor (Lei 8.078/90)", explicou o deputado. "Acredito
que o percentual limite proposto no projeto possibilita a remuneração
adequada para a cobertura dos custos e despesas operacionais que as empresas
assumem ao financiar o saldo devedor de seus clientes.
O deputado disse ainda que muitas
vezes há uma distorção do papel das administradoras. "Elas
se transmudam em verdadeiras instituições financeiras e
assumem, sem sequer sofrer a fiscalização do Banco Central,
as funções de um verdadeiro banco inclusive cobrando pelos
financiamentos como estes."
De acordo com assessoria
de imprensa da Câmara, o projeto de lei 2413/07 já foi
enviado para as comissões de Defesa do Consumidor de Finanças
e Tributação, de Constituição e Justiça
e de Cidadania e será analisado em caráter conclusivo.
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Agência Câmara,
28 de fevereiro de 2008
Deputada tranquiliza suecos sobre
madeira do Brasil
Elton Bomfim

Grazziotin (D): exportação não contribui
para desmatamento. Mas há possibilidade de falsificação
de certificados de manejo.
A presidente da Comissão da Amazônia, Integração
Nacional e de Desenvolvimento Regional, deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM),
assegurou hoje a parlamentares suecos que a exportação de madeira
brasileira não contribui para o desmatamento da floresta amazônica.
Porém, ela alertou para a possibilidade de falsificação
de certificados de manejo florestal. Grazziotin participou, nesta quarta-feira,
de reunião das comissões da Amazônia e de Meio Ambiente
e Desenvolvimento Sustentável com uma delegação de deputados
da Suécia que integram a Comissão de Meio Ambiente e Agricultura
do país.
Um dos principais interesses
dos suecos foi garantir que a exportação de produtos brasileiros
para o país, como carne e madeira, não implicasse desmatamento
da floresta amazônica.
Falsificação
de certificados
Conforme explicou Vanessa Grazziotin, para que a madeira chegue não
só à comunidade européia, mas a qualquer parte do mundo,
ela precisa ter um certificado de manejo florestal, comprovando que não
foi retirada ilegalmente da floresta. "O que pode ocorrer é que
certificados sejam pontualmente falsificados. Agora, tecnicamente, é impossível
mandar dentro da lei um carregamento de madeira para a comunidade européia
sem que haja a devida certificação ambiental", ressaltou.
Com relação ao
embargo à carne brasileira que vem sendo feito por países
europeus, Vanessa Grazziotin avaliou que a visita dos parlamentares suecos
poderá contribuir para que a Europa comece a ter outra visão
da qualidade da carne do País.
Modelo
de desenvolvimento
O presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Nilson Pinto (PSDB-PA),
disse acreditar que é importante para o Brasil não seguir o exemplo
europeu nas questões ambientais. "Há uma conscientização
mundial de que o modelo de desenvolvimento dos países do Hemisfério
Norte é predatório, gerador de alto consumo de energia e não
interessa ao mundo", afirmou. "Estamos lutando contra o aquecimento
global justamente por causa desse modelo predatório. Trabalhamos no
Brasil para aprender com os nossos erros, e também com os erros deles",
completou.
Segundo a embaixadora da Suécia
no Brasil, Annika Markovic, que participou da reunião, seria interessante
que parlamentares brasileiros visitassem a Suécia para dar continuidade
ao diálogo. Na avaliação dela, as relações
comerciais entre os dois países poderão avançar
a partir deste encontro.
Outros temas discutidos
foram a situação dos povos indígenas do Brasil
e a produção de álcool do País.
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FOLHA DE LONDRINA, 28 de
fevereiro de 2008 | Política
Urna identifica eleitor por
foto e digital
Divulgação

Urnas eletrônicas biométricas serão usadas em caráter
experimental em três municípios nas eleições deste
ano
Brasília - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresenta hoje as urnas
eletrônicas biométricas que serão adotadas em caráter
experimental em três municípios já nas próximas
eleições. As urnas identificarão os eleitores através
da impressão digital e de fotografia, dispensando até a apresentação
do título eleitoral e dificultando a ocorrência de fraudes. Se
o modelo for bem sucedido, a previsão é de que seja adotado em
todo o Brasil em dez anos, ao custo aproximado de R$ 200 milhões.
Na segunda-feira, o TSE iniciará o
cadastramento dos dados dos eleitores das três cidades que testarão
as novas urnas: Colorado d'Oeste (RO), Fátima do Sul (MS) e São
João Batista (SC). Até o dia 1º de abril, os eleitores
desses municípios cadastrarão suas impressões digitais
e suas fotos para serem utilizados no dia da votação.
As três cidades escolhidas
para serem as primeiras do País a adotarem o novo sistema de votação
possuem perfil eleitoral parecido, tendo colégio eleitoral variando
entre 15 mil e 18 mil eleitores. Ao todo, o TSE vai fornecer 60 kits
(20 para cada cidade). O custo estimado do cadastramento dos eleitores
das três cidades é de R$ 1 milhão por município.
A Polícia Federal também
vai ajudar o TSE no processo, cedendo 60 técnicos para o trabalho
de apoio, uma vez que eles já possuem experiência com o
trabalho de cadastramento de digitais para os novos passaportes nacionais.
Na avaliação técnica
do TSE, as urnas biométricas aumentarão a dificuldade de
uma pessoa votar ilegalmente no lugar de outra. Como a foto e as digitais
estarão cadastradas, esses dados serão confrontados automaticamente
assim que a pessoa for votar. Se as digitais não conferirem, o
voto não será autorizado. (A.E.)
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Gazeta do Povo, 28 de fevereiro
de 2008
BRASIL | AMAZÔNIA
Fracassa tentativa de apreensão
de madeira no Pará
Tailândia (PA) – As
forças federais da Operação Arco de Fogo, de
combate ao desmatamento na Amazônia, realizaram ontem em Tailândia
uma ação que não alcançou o resultado
esperado.
Soldados da Força Nacional
de Segurança, policiais federais e fiscais do Ibama entraram na
mata em busca de um carregamento de madeira ilegal feito por balsa, mas
nada acharam.
O comboio, formado por 13 carros,
passou cerca de duas horas envolvido na operação. Viajou
cinco quilômetros no asfalto e 16 quilômetros de estrada
de terra até o Rio Moju. Em vão. O grupo ficou 45 minutos
parado no local, mas a embarcação que esperavam encontrar
não estava lá. O helicóptero da PF, que podia ter
sobrevoado antes a área, só apareceu após a chegada
de policiais.
Por meio de um alto-falante instalado
em um dos carros, o comboio foi avisado para dar meia-volta e retornar à rodovia
PA-150. A cerca de três quilômetros da área urbana
de Tailândia, as forças federais entraram em uma das madeireiras
instaladas às margens da pista.
O Ibama deve informar apenas
hoje se havia irregularidade no local. Segundo o órgão,
há apenas indícios de irregularidades nas duas únicas
empresas vistoriadas em dois dias.
A Justiça Federal
no Pará determinou, em caráter liminar, que a madeira
apreendida nas duas madeireiras de Tailândia não poderá ser
leiloada até a conclusão do processo contra as empresas.
O superintendente do Ibama no Estado, Aníbal Picanço,
disse que o órgão – que espera obter R$ 4 milhões
no leilão – já recorreu.
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Agência Diap, 28 de
fevereiro de 2008
DIREITOS TRABALHISTAS
Interpretação da lei
não terá distinção de Gênero
As mulheres brasileiras não
poderão mais ser privadas de direitos legais por causa de má interpretação
das leis que garantem direitos a todos os trabalhadores - expressão
utilizada no gênero masculino, mas que engloba ambos os gêneros.
O reconhecimento dos direitos
femininos está previsto no Projeto de Lei do Senado 62/06 - Complementar,
da senadora Roseana Sarney (PMDB/MA), que recebeu nesta quarta-feira
(27) parecer favorável da Comissão de Constituição,
Justiça do Senado (CCJ).
O projeto determina que, na redação
de textos legais, "qualquer referência será entendida
como abrangendo ambos os gêneros, indistintamente, salvo quando
houver disposição expressa em contrário".
Trabalhadoras
Segundo a autora da proposta, o projeto tem o objetivo de evitar o desrespeito
a certos direitos das trabalhadoras, sob o argumento de que tais direitos apenas
beneficiam trabalhadores homens, não obstante a vedação
constitucional a tal discriminação.
Com o objetivo de corrigir a
distorção, a matéria altera a Lei Complementar 95,
de 1998, que dispõe sobre a elaboração, a redação,
a alteração e a consolidação das leis, com
o objetivo de garantir a aplicação das normas legais contra
a discriminação de gênero.
Má interpretação
Em seu relatório favorável ao projeto, a senadora Serys Slhessarenko
(PT/MT) lembrou que é comum que as trabalhadoras mulheres sejam prejudicadas
pela má interpretação da lei, que somente refere-se a
homens, embora queira abranger ambos os sexos.
“Essa é mais
uma conquista importante para as mulheres. Mais um motivo para se comemorar
o Dia Internacional da Mulher” afirmou a relatora. A matéria
passará ainda no plenário da Casa. (Com Agência
Senado)
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Agência Diap, 28 de
fevereiro de 2008
Apoio às Convenções
151 e 158 da OIT
Por: Altamiro Borges*
Numa atitude ousada e até surpreendente,
o presidente Lula anunciou na semana passada que enviará ao Congresso
Nacional o pedido de ratificação imediata das Convenções
151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A primeira institui a negociação coletiva no setor público
e a segunda proíbe as demissões imotivadas na iniciativa privada.
Caso sejam aprovadas, estas duas medidas representarão enorme avanço
nas relações trabalhistas no país, marcadas até hoje
pela vigência da ditadura das empresas. O governo Lula lançou
a bola em campo e os times adversários, capital e trabalho, já se
preparam para um embate que promete ser duro e educativo.
A ira dos empresários
O anúncio destapou o ódio do capital. Num artigo no jornal Valor,
sugestivamente intitulado ''os empresários reagem ao avanço sindical'',
dirigentes de poderosas entidades patronais voltaram a repetir a cínica
choradeira sobre os altos custos da força de trabalho no Brasil. ''Essas
normas são um retrocesso e prejudicam o ambiente de negócios'',
chiou Armando Monteiro Neto, presidente da Confederação Nacional
das Indústrias (CNI). Para ele, o presidente Lula, que teve ''bom senso
na macroeconomia'', sofreu uma ''recaída'' e voltou às suas origens
sindicais, propondo medidas que elevam os custos do trabalho e prejudicam a
competitividade das empresas capitalistas.
Ainda mais irado, o consultor de empresa José Pastore, que coordenou
o programa trabalhista do tucano Geraldo Alckmin, garantiu que o presidente
Lula deseja impor uma ''república sindical'' no país – relembrando
o velho bordão dos golpistas de 1964. Entre outras ''provas'', ele criticou
a medida provisória que legaliza as centrais, a recente decisão
do Judiciário de ampliar o poder de substituição processual
dos sindicatos e a lei 11.430 que inverte o ônus da prova no caso de
dano à saúde do trabalhador. Para ele, estas e outras medidas
são ''uma bomba atômica'' que fomentam a ação sindical
e expressam o ''socialismo legalista'' (!) que o governo Lula quer bancar no
país.
Deixando de lado as neuras da direita nativa, o texto do Valor revela que a
nata empresarial está preocupada com o fantasma do avanço da
influência sindical no parlamento e no governo. A CNI inclusive estaria
dando ''acompanhamento especial'' a projetos que afetariam a lucratividade
das empresas. ''Seus autores são parlamentares de três partidos
(PT, PCdoB e PDT) e há também o projeto do Executivo que estabelece
a política permanente de valorização do salário
mínimo''. De maneira arrogante e elitista, o presidente da Federação
das Indústrias do Rio de Janeiro, Eduardo Eugenio Gouvêa, afirma
que estes e outros projetos visam ''valorizar a incompetência''.
Uma injustiça histórica
A imediata gritaria dos empresários indica que a batalha pela ratificação
das convenções não será fácil. Ela também
confirma o reacionarismo dos patrões, talvez devido às origens
como donos de escravo. As normas da OIT, um fórum tripartite, não
têm nada de ''socialismo legalista''. Apenas disciplinam as relações
de trabalho, visando inibir o poder ditatorial das empresas. No caso da Convenção
151, ela corrige uma antiga injustiça imposta pelas forças conservadoras.
Até hoje os servidores públicos nunca tiveram o direito à negociação
coletiva, sendo vítimas da truculência de vários governos,
que sequer recebem os sindicatos do setor para discutir as suas demandas.
Para Jucélia Vargas, dirigente da Federação dos Servidores
de Santa Catarina, a ratificação desta convenção
representaria um ''marco histórico'' na organização dos
trabalhadores. Os artigos 4 e 5 garantem o direito à sindicalização,
fixando as normas de proteção contra práticas discriminação
anti-sindical. Já o artigo 8º define mecanismos para solução
de conflitos via negociação coletiva. ''Ela traz algumas garantias
para a concretização da democracia nas relações
de trabalho no setor público e representa um novo momento para o sindicalismo
que defende os servidores públicos''. Prevendo a reação
da direita, Jucélia alerta: ''O governo federal fez a sua parte. Façamos
a nossa, com unidade e mobilização, para que possamos ser vitoriosos
em mais esta etapa da batalha''.
O fim da demissão imotivada
Já a Convenção 158 da OIT mexe diretamente com os interesses
do capital. Segundo Henrique Júdice, num minucioso artigo no jornal
Correio da Cidadania, ''ela proíbe que o trabalhador seja demitido sem
motivo razoável relacionado à sua conduta, à sua capacidade
profissional ou às necessidades estruturais da empresa. Ela é mais
flexível do que o antigo regime de indenização e estabilidade
no emprego instituído por Getúlio Vargas e abolido pelo regime
de 64, mas é um enorme avanço comparado à atual legislação
brasileira, pelo qual o trabalhador pode ser demitido por qualquer motivo ou
sem motivo algum''.
''Além de proibir a demissão injustificada, ela estabelece algumas
causas que não podem ser consideradas justas: atuação
sindical, cor, religião, opiniões, gravidez ou situação
familiar. Ela proíbe também que o trabalhador seja demitido por
ter entrado na justiça contra a empresa ou por faltar ao serviço
quando doente... Assegura que todo empregado demitido terá direito de
recorrer à justiça contra a demissão. Se a empresa não
provar que a causa apontada ocorreu e que é justa, será condenada
a reintegrá-lo. No caso de demissão em massa (''corte de pessoal'',
na linguagem dos gerentes) por alegada necessidade econômica da empresa,
a Justiça poderá examinar se essa necessidade realmente existe.
Se concluir que não, poderá, igualmente, reintegrar os demitidos''.
As mentiras da mídia patronal
Escorada na manipulação da mídia, a elite empresarial
difunde a idéia de que a Convenção 158 é uma aberração
jurídica e que prejudicará o desenvolvimento do país.
Não informa, por exemplo, que esta norma da OIT já foi ratificada
por 180 países e que nenhum deles faliu por este motivo. Ela também
não confessa que a demissão imotivada é um perverso mecanismo
para estimular a rotatividade no emprego e, como efeito, rebaixar os salários – o
que prejudica o crescimento da renda, do consumo e o próprio desenvolvimento
nacional. No ano passado, 14,3 milhões de trabalhadores foram contratados
no país, mas, em compensação, 12,7 milhões foram
demitidos. Trabalhadores novos e com salários mais baixos substituíram
os mais antigos e com renda maior.
Além de estimular a rotatividade no emprego e de reduzir o poder aquisitivo
dos assalariados, a demissão imotivada é um poderoso instrumento
de inibição da organização de classe. Muitos trabalhadores
são dispensados porque se sindicalizaram ou participaram de uma assembléia.
Ela é a expressão cabal da ''ditadura nas fábricas'',
onde a democracia nunca existiu. O grande medo dos empresários é que
a ratificação da Convenção 158 encoraje a ação
coletiva e a participação dos trabalhadores nos sindicatos. Batendo
recordes de produtividade e lucratividade, o capital teme ser afetado no seu
paraíso de opulência e ser obrigado a socializar um pouco dos
lucros.
Hora da onça beber água!
Dado ao seu alto poder inflamável, a convenção 158 já foi
motivo de outras escaramuças no país. Em 1992, ela foi assinada
pelo presidente Itamar Franco e ratificada no Congresso Nacional. No entanto,
não entrou em vigor porque o Poder Judiciário – fiel aliado
do capital – declarou que ela era incompatível em virtude de uma
manobra jurídica; os tratados internacionais têm, no Brasil, o
status de lei ordinária, ao passo que a Constituição prevê que
a proteção ao trabalhador contra demissão imotivada seria
regulada em lei complementar. Na seqüência, para evitar dor de cabeça
e servir aos seus patrões, o presidente FHC simplesmente revogou a adesão
do país à Convenção.
Agora, o presidente Lula, retomando suas origens operárias, coloca novamente
a bola em jogo. A disputa será pesada e poderá ter um enorme
efeito pedagógico. As centrais sindicais (CTB, CUT, FS, UGT, CGTB e
NCST), unidas na jornada pela redução da jornada, prometem fazer
barulho em defesa destas normas. Até o PSTU, ácido opositor do
governo Lula, reconheceu que elas são positivas. Artigo do jornal Opinião
Socialista diz que ''a ratificação das convenções
significaria o direito de organização sindical aos servidores
e o fim das demissões sem justa causa''. Mas, sem perder o hábito,
ele critica Lula, ''que poderia assinar a adesão, sem necessidade de
aprovação dos parlamentares'', o que não é verdade.
De qualquer forma, chegou a hora da onça beber água!
(*) Altamiro Borges, Miro é jornalista, secretário de Comunicação
do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor
do livro "As encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi,
2ª edição)
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FOLHA DE LONDRINA, 28 de
fevereiro de 2008 | Política
Idosos podem ficar isentos de taxas
de renovação de CNH
Curitiba - A Assembléia Legislativa aprovou ontem, em primeira discussão,
um projeto de lei que isenta as pessoas com mais de 65 anos do pagamento de
taxas para a renovação da carteira nacional de habilitação
(CNH). A proposta, no entanto, ainda deve gerar discussões na Casa,
já que o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB),
questionou a isenção e chegou a afirmar que o projeto deve ser
vetado pelo governador Roberto Requião.
O fim da cobrança das
taxas para idosos foi proposto pelo presidente da Assembléia,
deputado Nelson Justus (DEM). Ele afirma que a medida segue as diretrizes
traçadas pelo Estatuto do Idoso e é ''um ato de valorização
do verdadeiro exercício da cidadania''.
Romanelli, entretanto, alegou
que a isenção poderia trazer desequilíbrio às
contas do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran) e
questionou a constitucionalidade do projeto. Apesar disso, não
impediu que ele fosse votado e nem sequer orientou a bancada a derrubar
a proposta. Atitudes tomadas, segundo ele, em respeito a Justus, que
não participava da sessão.
Romanelli afirmou ainda que,
caso o projeto seja aprovado em três discussões pela Assembléia,
deve ser vetado por Requião. As declarações foram
criticadas pelo deputado Reni Pereira (PSB), que afirmou que a Casa deve
tomar suas decisões independente de possíveis vetos do
governador. Além disso, lembrou que o Detran teve sobras de caixa
no ano passado e a isenção não traria prejuízos
ao órgão.
Rodrigo Lopes
Equipe da Folha
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FOLHA
DE LONDRINA, 28 de fevereiro de 2008 | Geral
Cassada liminar que limitava jornada de caminhoneiros
Curitiba - Foi cassada pela Justiça a liminar, concedida no final de janeiro,
que obrigou as transportadoras de todo o Brasil a limitar a carga horária
de seus motoristas em oito horas diárias, com tolerância de duas
horas extras. A liminar foi cassada com base em mandado de segurança impetrado
pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Mato Grosso (Sindmat).
Na ação que limitou a jornada, o
Ministério Público do Trabalho alegou que a principal causa
dos acidentes com carretas é o cansaço dos motoristas. Segundo
a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os caminhões estão
envolvidos em cerca de 70% dos acidentes nas rodovias federais de Mato
Grosso.
De acordo com a liminar, a fiscalização
deveria verificar os tacógrafos dos veículos, bem como exigir
a papeleta com anotação da jornada de trabalho. Os caminhoneiros
que ultrapassassem o limite estipulado seriam multados em R$ 1 mil, valor
que deveria ser pago pelas empresas.
Mas a decisão da juíza do Tribunal
Regional do Trabalho, Rosana Caldas, revogou os efeitos da liminar que
havia sido concedida pelo juiz Ângelo Cestari da Vara do Trabalho
de Rondonópolis. A juíza se baseou na Lei da Ação
Civil Pública que prevê que, nos casos de direitos e interesses
difusos, coletivos e individuais, deve ser aplicado o Código de
Defesa do Consumidor (CDC). Este código deixa claro que o foro do
Distrito Federal é o competente para danos de âmbito nacional.
No caso desta liminar, o dano relatado extrapolou os limites da jurisdição
da Vara do Trabalho de Rondonópolis e, por isso, foi suspensa.
De acordo com o Presidente do Sindicato das Empresas
de Transportes de Cargas do Paraná (Setcepar), Fernando Klein Nunes,
a questão discutida pelo Ministério Público do Trabalho
do Mato Grosso trata de uma visão parcial do problema.
Equipe da Folha
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ÂMBITO JURÍDICO,
28 de fevereiro de 2008
TNU reconhece direito de costureira
com artrose receber auxílio-doença
A Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos
Juizados Especiais Federais (TNU) deu provimento a incidente de uniformização
de jurisprudência interposto por costureira portadora de artrose no joelho
direito, que a incapacitou para a profissão, e reconheceu seu direito
ao recebimento do auxílio-doença a partir da constatação
do laudo pericial.
O pedido de uniformização
de interpretação entre as decisões da 1ª Turma
Recursal de São Paulo e da 1ª Turma Recursal da Bahia teve
origem na negativa de concessão de aposentadoria por invalidez
ou, alternativamente, auxílio-doença porque o laudo pericial
atestava incapacidade permanente, porém parcial.
Aos 49 anos, a costureira demonstrou
que sua doença, aliada à hipertensão arterial, a
tornou “inapta para exercer funções laborativas que
necessitem permanência em pé ou marcha prolongada, e a utilizar
máquinas de costura não elétricas”.
Segundo o relator do incidente,
juiz federal Marcelo Dolzany da Costa, o legislador não exige
que a incapacidade seja total. “Neste ponto, vejo que a incapacidade,
mesmo que parcial, compromete, com efeito, o desempenho pleno das atividades
da costureira”, afirma em seu voto.
Processo n° 2005.63010014461/SP
Fonte: TNU
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ÂMBITO JURÍDICO,
28 de fevereiro de 2008
TRT descaracteriza abandono de emprego
aplicado a reclamante presa
A 2ª Turma do TRT/MG afastou a justa causa por abandono de emprego aplicada
a uma reclamante que não compareceu ao trabalho porque tinha sido detida
pela polícia, permanecendo presa por quase um mês. Segundo o desembargador
Márcio Flávio Salem Vidigal, o empregado obriga-se, pelo contrato,
a uma prestação contínua de trabalho e o abandono de emprego é justamente
o descumprimento dessa obrigação. Mas esse abandono, como qualquer
outra falta, tem que ser voluntário. “Existindo um justo motivo
para o não-comparecimento do empregado ao trabalho, claro está que
faltará o elemento voluntariedade”- completa o relator do recurso
da autora.
A reclamada alegou que não
houve comunicação formal por parte da empregada, o que
justificaria a justa causa. Mas testemunhas informaram que a empresa
teve notícias da prisão pela televisão e por um
particular. “Neste caso concreto, não se pode exigir mais
da demandante, que também tentou se comunicar com seus familiares,
enviando-lhes um telegrama, a fim de que alguma providência fosse
tomada, mas não obteve êxito. Perceba-se, ainda, que a reclamante
encontrava-se privada de sua liberdade o que a impedia de se comunicar
com a empresa, não sendo correto presumir que ela tivesse alguém
que pudesse fazer isso por ela com a necessária eficiência” – pontua
o desembargador.
Assim, a Turma reverteu a dispensa
por justa causa em rompimento contratual por iniciativa do empregador,
condenando a reclamada ao pagamento das parcelas rescisórias,
como o aviso prévio, multa de 40% sobre o FGTS, férias
proporcionais, 13o salário proporcional, liberação
das guias para levantamento de fundo de garantia e seguro desemprego.
( RO nº 00477-2007-104-03-00-7
)
Fonte: TRT3
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ÂMBITO JURÍDICO,
28 de fevereiro de 2008
Manuseio de cimento dá direito
ao adicional de insalubridade
De acordo com o anexo 13, da Norma Reguladora 15, da Portaria 3214/78, do Ministério
do Trabalho, a fabricação ou o manuseio de álcalis cáusticos
enseja o pagamento do adicional de insalubridade em grau médio. Com
base neste fundamento, a 5ª Turma do TRT/MG, acompanhando voto da desembargadora
Lucilde D'Ajuda Lyra de Almeida, deu provimento ao recurso ordinário
interposto por um reclamante, inconformado com a sentença que indeferiu
o pagamento do adicional de insalubridade, apesar de exercer as funções
de pedreiro e calceteiro, quando manteve contato com a massa de cimento, que é considerado
um produto alcalino cáustico.
Segundo consta no laudo pericial,
o reclamante ficava em contato direto com a massa de cimento, utilizada
no fechamento de valas abertas na rua para a passagem de cabos telefônicos.
Os álcalis cáusticos, como o cimento, são substâncias
ou materiais alcalinos corrosivos à pele ou outros tecidos vivos.
O laudo também constatou que a reclamada não conseguiu
comprovar que forneceu ao empregado os EPI’s apropriados, que ajudam
a neutralizar o produto, como luvas impermeáveis, cremes de proteção,
entre outros, e portanto, não foram atendidos todos os requisitos
da NR 6, item 6.6.1, da portaria 3214/78, do Ministério do Trabalho.
A desembargadora ressaltou que
o Anexo 13, da NR 15, prevê que não só a fabricação,
mas também o manuseio do cimento dá ensejo ao pagamento
do adicional de insalubridade. Por esse motivo, a Turma deu provimento
ao recurso para deferir o adicional de insalubridade em grau médio
sobre o salário mínimo, bem como reflexos em 13º salário,
férias, FGTS e multa de 40%.
( nº 00862-2006-005-03-00-0
)
Fonte: TRT3
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ÂMBITO JURÍDICO,
28 de fevereiro de 2008
JT defere indenizações
a família de empregado que morreu atropelado em pátio
de manobra de ônibus
Pelo entendimento expresso em decisão da 8ª Turma do TRT-MG, o
fato de o empregado exercer cargo de chefe de tráfego e a circunstância
de ser ele membro da CIPA não exime a empregadora da responsabilidade
por acidente que levou à morte do empregado, vítima de atropelamento
no pátio da empresa de ônibus. A decisão teve como base
o voto do desembargador Márcio Ribeiro do Valle, relator do recurso
no qual a empresa manifestou seu inconformismo com a condenação
ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 40.000,00
em favor das reclamantes (companheira e filha recém-nascida do empregado
falecido), além de pensão mensal a partir da data do acidente
até a data em que o empregado completaria 65 anos de idade.
A empresa de ônibus defendia
não ter culpa pelo acidente, não sendo o caso de se aplicar
a responsabilidade objetiva, já que o trabalhador foi atropelado
por ônibus que estava sendo manobrado por outro empregado. Mas
o que caracterizou a culpa da ré, no caso, foi a ausência
de condições adequadas de segurança no ambiente
de trabalho. Foi constatado que o pátio de manobras tem baixíssima
visibilidade, sendo permitido o trânsito de pessoas a qualquer
momento, o que chega a tornar previsível a ocorrência de
um atropelamento. Até porque o motorista do ônibus executava
as manobras sem qualquer auxílio de um terceiro de fora do veículo.
Faltaram, portanto, regras básicas de segurança que, se
observadas, teriam evitado a morte do trabalhador.
“A empregadora assume os
riscos da atividade que desempenha e expõe ao trabalhador, já que é seu
dever propiciar as condições de segurança no local
de trabalho. O treinamento e a fiscalização dos procedimentos
praticados pelos empregados são deveres patronais, cabendo à empresa
a responsabilidade de selecionar e habilitar os empregados para as funções
desempenhadas” – destaca o relator.
Competia à reclamada,
no caso, demonstrar que orientava os empregados sobre normas de segurança
(por exemplo, instruir sobre o uso exclusivo do pátio e sobre
o transito seguro de pedestres no local) e fiscalizando a observância
dessas regras. Esse dever de cumprir e fazer cumprir normas de segurança
e medicina do trabalho é imposto ao empregador pela CLT, no art.
157, inciso I e, no mesmo sentido, pela Lei nº 8.213/91, art. 19,
parágrafos 1º e 3, de modo a minimizar os riscos do empregado
na execução de suas atividades.
Por esses fundamentos, a Turma
manteve a responsabilização civil da empresa de ônibus
e a sua condenação em danos morais e materiais, determinando
ainda a constituição de capital para assegurar o pagamento
da pensão mensal, nos termos do artigo 602 do CPC. E, ainda, visando
a melhor preservação dos interesses da segunda reclamante,
filha menor do trabalhador falecido, a Turma acolheu a sugestão
do Ministério Público do Trabalho e determinou - por aplicação
analógica ao disposto no artigo 1º, § 1º, da Lei
nº 6.858/80 - que os valores referentes às indenizações
a ela deferidas sejam depositados em caderneta de poupança, tornando-se
disponíveis somente depois que a menor completar dezoito anos
de idade.
( nº 01024-2006-022-03-00-0
)
Fonte: TRT3

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