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Agência
Câmara, 1º de março de 2008
Projeto estende licença-maternidade
para 180 dias
A Câmara analisa o Projeto de Lei 2513/07, do Senado, que cria o
Programa Empresa Cidadã, para estimular a prorrogação,
por 60 dias, da licença-maternidade, por meio da concessão
de incentivo fiscal. Com a proposta, a licença-maternidade passará de
120 para 180 dias. Para ter direito ao benefício, a empregada deverá requerer
a prorrogação da licença até o final do primeiro
mês após o parto. Também a mãe adotiva terá direito à prorrogação
da licença, de acordo com a proposta.
O projeto assegura à empregada o direito a remuneração
integral durante o período de prorrogação
da licença. Neste período, porém, a funcionária
não poderá exercer outra atividade remunerada. Além
disso, a criança não poderá ser mantida em
creche ou organização similar. Se for descumprida
essa exigência, a empregada perderá o direito à prorrogação
da licença.
Dedução de imposto
Ainda de acordo com o projeto, as pessoas jurídicas tributadas
com base no lucro real e as optantes pelo Sistema Integrado de Pagamentos
de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas
de Pequeno Porte (Simples) poderão deduzir, do imposto devido,
o total da remuneração integral da empregada paga nos 60
dias de prorrogação de sua licença-maternidade,
não sendo permitida a dedução como despesa operacional.
O projeto também autoriza a administração
pública, direta, indireta e fundacional, a instituir programa
que garanta prorrogação da licença-maternidade
para suas servidoras.
A autora, senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), argumenta
que o êxito do crescimento e desenvolvimento da criança,
desde a vida intra-uterina, depende fundamentalmente da criação
de vínculo afetivo adequado com a mãe, o pai e demais
membros do grupo social da família que a acolhe, nos seis
primeiros meses. "[Os seis primeiros meses] são indispensáveis
ao surgimento da criança sadia, do adolescente saudável
e do adulto solidário - emocionalmente equilibrado -, alicerces
seguros de uma sociedade pacífica, justa e produtiva",
afirma.
Tramitação
A matéria tramita em caráter conclusivo e será analisada
pelas comissões de Trabalho, de Administração e
Serviço Público; de Seguridade Social e Família;
de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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Agência
Senado, 1º de março de 2008
Governo poderá ter prazo
menor para restituir IRPF
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) analisa em decisão
terminativa, na próxima terça-feira (4), às 10h, projeto
de lei (PLS 58/06) do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) que estabelece prazo
para a restituição do Imposto de Renda da Pessoa Física
(IRPF) descontado em excesso na fonte.
De acordo com a proposição, que acrescenta parágrafo
ao artigo 13 da Lei nº 9.250/95, o saldo do imposto a restituir
deverá ser depositado na conta do contribuinte em até 90
dias, contados a partir do último dia útil do mês
fixado para a entrega da declaração de rendimentos.
No caso de atraso na restituição, o projeto determina
ainda o pagamento de multa de 10% do valor a ser restituído.
O relator da matéria, senador Francisco Dornelles (PP-RJ),
apresentou parecer favorável, com duas emendas.
Na justificação da proposta, Alvaro Dias critica
a "grande pressão" exercida pelos estados para
que se retarde ao máximo a restituição, uma
vez que ela afeta diretamente a base de cálculo dos repasses
dos fundos de participação.
A CAE vota nesta mesma reunião, também em decisão
terminativa, o PLS 300/05, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS),
que determina que a taxa de juros cobrada sobre empréstimos
consignados em folha não excedam em cinco pontos percentuais
ao ano a taxa básica da economia- a taxa Selic.
A pauta inclui ainda projeto de lei da Câmara (PLC 01/07)
que fixa um limite máximo de concentração
de chumbo permitido na fabricação de tintas imobiliárias
e de uso infantil e escolar, vernizes e materiais similares.
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Agência
Diap, 1º de março de 2008
Brasil, credor internacional
Por: Paulo Nogueira Batista
Jr.*
Na quinta-feira passada, o Banco Central anunciou um "fato inédito
em nossa história econômica": em janeiro, o país
passou à condição de credor externo em termos líquidos,
isto é, a soma das reservas internacionais e de outros ativos externos
do país ultrapassou o valor da dívida externa. A notícia
repercutiu bastante no Brasil e mesmo no exterior.
O jornal Le Monde, por exemplo, escreveu: "A performance
brasileira é histórica: pela primeira vez,
depois de dois séculos de endividamento, o Brasil
tornou-se credor. (...) Ao tornar-se credor, o Brasil melhora
ainda mais a sua imagem de país emergente, sério
e respeitado". Bem. Um subdesenvolvido nato e hereditário
como eu não resiste a elogios em francês ou
inglês. A minha vaidade nacional deu "arrancos
triunfais de cachorro atropelado", como diria Nelson
Rodrigues.
Nesta segunda-feira, o BC publicou estimativas mais precisas.
Em janeiro, a dívida externa (incluindo a dívida
de curto prazo) alcançou US$ 196,2 bilhões.
As reservas internacionais situavam-se em US$ 187,5 bilhões,
os haveres de bancos comerciais, em US$ 12,9 bilhões,
e os créditos brasileiros no exterior, em US$ 2,8
bilhões. Portanto, os ativos superavam a dívida
em US$ 7 bilhões.
Observe-se, além disso, que 70% da dívida é de
médio e longo prazos (os 30% restantes correspondem
a dívidas de curto prazo ou a dívidas de longo
prazo com vencimentos de principal nos próximos 360
dias). Já os ativos são compostos basicamente
de aplicações líquidas, imediata ou
quase imediatamente disponíveis.
É um marco, não há dúvida. Para
um país que nasceu endividado e experimentou ao longo
dos séculos 19 e 20 diversas crises de endividamento,
chegar à condição de credor não é pouca
coisa.
Mas não vamos exagerar na celebração.
O valor da dívida não inclui empréstimos
intercompanhias (US$ 48,6 bilhões em janeiro). Também
não inclui títulos públicos emitidos
no Brasil e adquiridos por não-residentes (o equivalente
a mais de US$ 42 bilhões em janeiro, segundo a CVM).
A exclusão desses componentes não é arbitrária.
Os empréstimos intercompanhias são operações
entre matrizes e filiais de empresas estrangeiras. Podem
ser vistos como uma forma de investimento direto. O segundo
componente não é propriamente dívida
externa, no sentido tradicional, pois corresponde a obrigações
constituídas em território nacional. São
classificadas como investimento de portfólio.
Isso nos conduz a outra ressalva: a dívida externa "stricto
sensu" é apenas parte do passivo externo total,
pois este inclui, além da dívida, o estoque
de investimentos diretos e de portfólio no país.
Da mesma forma, o ativo externo total do país inclui
não só as reservas e os outros dois componentes
acima mencionados mas também os investimentos diretos
e de portfólio e outras aplicações de
brasileiros no exterior. Por esses conceitos mais amplos
de passivo e ativo, o Brasil registrava um passivo externo
líquido de US$ 463 bilhões em junho de 2007,
segundo os dados mais recentes do BC.
Em resumo, a nossa condição de credor internacional
ainda é embrionária. A posição
externa do Brasil melhorou muito nos anos recentes. E os
dados divulgados pelo BC na semana passada constituem mais
um sinal dessa tendência.
O importante, agora, é cuidar para que esse avanço
não seja minado pela valorização do
real e pela deterioração da balança
comercial e do balanço de pagamentos em conta corrente.
(*) Economista e diretor-executivo do
FMI. Publicado na Folha de S.Paulo
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Agência
Diap, 1º de março de 2008
Deu a louca nos empresários
Por: João Guilherme
Vargas Netto*
A acreditar na reportagem do jornal Valor Econômico de segunda-feira,
25 de fevereiro, ''o apoio do governo ao aumento do poder dos sindicatos
está incomodando líderes empresariais''.
São listadas como medidas que “desequilibram o
jogo” os pedidos de ratificação das Convenções
151 e 158 da OIT (esta última já anteriormente
ratificada e vigente durante quatro anos no Brasil), a defesa
presidencial da redução da jornada semanal de trabalho
de 44 para 40 horas, o projeto de reconhecimento das centrais
sindicais, a Lei 11.430, de 2006, que inverte o ônus da
prova nos casos de danos à saúde do trabalhador
e a decisão do Supremo Tribunal Federal de 2007, confirmando
que os sindicatos têm amplo poder de substituição
processual, podem iniciar processos judiciais contra as empresas
mesmo sem ter autorização específica dos
trabalhadores.
O que os empresários reclamam, e com razão, é da
capacidade do movimento sindical beneficiar-se da conjuntura
econômica favorável e apresentar, de maneira unitária,
aos trabalhadores, à sociedade, ao Governo, ao Congresso
Nacional, ao Poder Judiciário e aos meios de comunicação,
uma pauta de reivindicações forte, coerente, exeqüível
e que ajude ao desenvolvimento econômico e à justiça
social.
O ínclito professor José Pastore, acostumado a
defender os pontos de vista dos empresários, já usa
a expressão “República Sindical”, tão
cara e saudosa dos golpistas de 1964, e critica o que chama de “socialismo
legalista”. E já que falamos nisso, durante a ditadura
militar um humorista dizia, ironizando, que poderíamos
acabar caindo na democracia. Do jeito que as coisas vão
e com a histeria empresarial campeando, parece que os trabalhadores
tomaram o poder...
(*) Membro do corpo técnico
do DIAP e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores
em São Paulo.
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Agência
Diap, 1º de março de 2008
RESUMO DA SEMANA
Agenda sindical se intensifica no
Congresso
A agenda do movimento sindical, encabeçada pelas centrais sindicais,
se intensifica no Congresso Nacional. Esta semana, o presidente Arlindo
Chinaglia (PT/SP), determinou a criação da comissão
especial que vai debater as propostas que versam sobre a redução
da jornada de trabalho. Para instalar a comissão, os líderes
dos partidos devem indicar os deputados para compor o colegiado. A comissão
especial será composta de 17 membros e terá um prazo de 40
sessões para apresentar seu parecer e enviar a matéria ao
plenário.
A matéria mais antiga é a proposta de emenda à Constituição
(PEC 231/95), dos ex-deputados e atuais senadores Inácio
Arruda (PCdoB/CE) e Paulo Paim (PT/RS), que reduz a jornada
máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A
PEC ainda aumenta para 75% a remuneração das
horas extras normais que hoje é de 50%. Aumento do
salário mínimo, reforma tributária,
conclusão das votações na Comissão
Mista do Orçamento 2008, escolha dos presidentes das
comissões permanentes da Câmara e CPMI dos cartões
corporativos são os destaques da semana.
Salário mínimo
O Governo anunciou e o relator-geral do orçamento, deputado José Pimentel
(PT/CE), confirmou, o aumento do salário mínimo dos atuais
R$ 380 para R$ 412,42, a partir do dia 1º de março. Antes
da reestimativa orçamentária, a previsão do novo
mínimo era de R$ 407,41. A medida provisória deverá ser
editada hoje.
Até que o Congresso aprove o projeto de lei (PLC
42/07), do Executivo, que estabelece diretrizes para a política
de valorização do salário mínimo
de 2008 a 2023, o piso nacional deverá ser reajustado
por meio de MP. A proposição determina que,
nos próximos 15 anos, os reajustes do salário
mínimo sejam calculados com base na inflação
medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor
(INPC), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), e no crescimento do Produto Interno
Bruto (PIB).
O projeto está pronto para ser votado no plenário
do Senado. Se for aprovado retornará ao exame da Câmara,
pois foi alterado pela Casa revisora.
Reforma tributária
O Executivo encaminhou nesta quinta-feira (28), a proposta de reforma
tributária para exame do Congresso Nacional. O presidente do Senado
Garibaldi Alves (PMDB/RN) disse que se houver vontade política
do Legislativo é possível aprová-la até agosto.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP),
ao receber a proposta do ministro Guido Mantega (Fazenda),
anunciou que a Casa terá um forum de discussão
com representantes da sociedade e dos governos estaduais
que funcionará simultaneamente com a comissão
especial que analisará a reforma. Esta é a
segunda reforma tributária do Governo Lula. A primeira
foi no início do primeiro mandato, que foi aprovada
em “pedaços”.
Entre outras mudanças propostas pelo Executivo com
a reforma, a PEC propõe unificar o IR e a CSLL num único
imposto; e também a Cofins, PIS, Salário Educação
e Cide no IVA-F (Imposto sobre Valor Agregado – Federal).
A proposta iniciará sua tramitação pela
Câmara, onde será examinada pela CCJ, depois
por uma comissão especial, de mérito. Disputam
a relatoria da PEC na comissão especial os deputados
Antonio Palocci (PT/SP) e Sandro Mabel (PR/GO), sendo que
o primeiro tem mais chances de vencer a disputa.
Orçamento 2008
A Comissão Mista de Orçamento concluiu, nesta quinta-feira
(28), a votação do relatório-geral ao Orçamento
2008 elaborado pelo deputado José Pimentel (PT/CE). Foram aprovados
cinco destaques para votação em separado (DVS) apresentados
pelo deputado Giovanni Queiroz (PDT/PA), que retiram R$ 289 milhões
em investimentos para o anel rodoviário da cidade de São
Paulo e para obras de quatro tribunais de Justiça em Brasília.
As verbas cortadas, no entanto, deverão ser recuperadas
na votação do relatório pelo plenário
do Congresso Nacional - prevista para a próxima quarta-feira
(5) - pois não há acordo para manter os cortes.
Os principais pontos do projeto são:
- salário mínimo de R$ 412,40 a partir de
1º de março (hoje é de R$ 380);
- recursos para a Lei Kandir orçados em R$ 5,2 bilhões,
o mesmo valor dos últimos anos;
- corte de despesas no valor de R$ 12,4 bilhões,
sendo de R$ 3,56 bilhões em gastos com pessoal, R$
6,84 bilhões em custeio e R$ 2 bilhões em investimentos;
- reserva de R$ 3,46 bilhões para reajustes neste
ano no âmbito do Executivo, o que inclui civis e militares.
Houve corte nos valores para pagamento de retroativos a 2007;
- investimento total de R$ 99,4 bilhões (incluindo
o das estatais) e despesas com servidores (ativos e inativos)
de R$ 137,6 bilhões (redução de 2% em
relação a 2007);
- rolagem da dívida pública estimada em R$
152 bilhões (redução de 0,1% em comparação
com o ano anterior); e
- autorização para os órgãos
remanejarem recursos para recompor as dotações
de programas que tiveram cortes.
Comissões permanentes
Nesta semana, os líderes partidários definiram quais as
comissões permanentes que as bancadas irão presidir neste
ano. A divisão proporcional ficou assim: o PMDB, maior bancada,
comandará quatro comissões; o PT e o DEM ficarão
com três cada um; o PSB e o PSDB, com duas cada; o PPS, PP, PTB,
PDT, PR e PSC, cada um vai dirigir uma comissão.
A CCJ foi instalada nesta quinta-feira (28), sob a presidência
de Eduardo Cunha (PMDB/RJ). As demais comissões serão
instaladas na próxima quarta-feira (5).
CPMI dos cartões corporativos
Pelo acordo firmado entre aliados e oposição, o PMDB abriu
mão da presidência da comissão em favor do PSDB,
que já indicou a senadora Marisa Serrano (MS) para o cargo. No
entanto, após a definição do acerto, o PT reivindicou
a presidência em vez da relatoria da comissão, cargo para
o qual havia indicado o deputado Luiz Sérgio (PT/RJ). Está estabelecido
o impasse.
Caso prevaleça o posicionamento do PT, o líder
do PSDB, Arthur Virgílio (AM) disse que vai então
propor uma CPI exclusiva do Senado.
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Agência
Diap, 1º de março de 2008
FAT
Mais recursos para o fundo, MTE
tem preocupação com fraudes
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, participou nesta quinta-feira
(28) da 95ª reunião do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo
ao Trabalhador (Codefat). Lupi demonstrou aos conselheiros sua preocupação
com a saúde do Fundo, cujas receitas não vêm acompanhando
o crescimento das despesas.
No ano passado foram pagos benefícios a mais de 20 milhões
de trabalhadores, sendo 6 milhões de seguro-desemprego
e 14 milhões de abono salarial. "Sabemos da importância
dos benefícios, mas precisamos coibir as fraudes no sistema",
avaliou Lupi.
Ele também reiterou a ênfase da sua gestão à qualificação
de trabalhadores. "No ano passado o país gerou mais
de 1,6 milhão de empregos. Se investirmos na qualificação
dos trabalhadores, principalmente para aqueles que recebem o
seguro-desemprego, podemos ampliar ainda mais esse número",
garantiu o ministro.
Financiamento
Na reunião, o Conselho aprovou a resolução
que dispõe sobre a programação anual de
depósitos especiais para o exercício 2008. Ao todo
serão alocados R$ 8,5 bilhões nos vários
programas de financiamento do FAT, sendo R$ 4 bilhões
em recursos novos. "A novidade é que as micro e pequenas
empresas, junto com os empreendimentos de agricultura familiar
vão receber 94,3% de todo o recurso novo", afirmou
o presidente do Conselho, Luiz Emediato.
Do montante de recursos novos o Proger Urbano, que financia
capital de giro para micros e pequenas empresas, cooperativas,
associações de produção, profissionais
liberais e trabalhadores do setor formal e informal vai receber
R$ 1,97 bilhão dos novos recursos, sendo R$ 1,93 bilhões
para investimento.
Agricultura
No Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar
(PRONAF) serão alocados outros R$ 810 milhões,
sendo R$ 660 em recursos novos. No FAT Pró-Inovação,
que estimula e desenvolve a capacidade inovadora e de geração
de tecnologias nas empresas será alocado R$ 195 milhões,
sendo R$ 180 em recursos novos.
"Nos priorizamos este ano os programas que atendem às
micro e pequenas empresas que possuem grande potencial de geração
de emprego, o financiamento de atividades produtivas e reduzimos
as linhas de crédito destinadas a capital de giro",
avaliou Emediato.
Seguro-desemprego
O Conselho também aprovou previamente nova tabela que
reajusta o valor do benefício do seguro-desemprego, que
será confirmada e entrará em vigor após
a aprovação do valor do novo salário mínimo.
De acordo com o aprovado, o valor máximo, para a média
salarial superior a R$ 1.134,77, será igual a 771,62,
não podendo ultrapassar esse valor. Ná prática,
os lotes que forem pagos após a aprovação
do mínimo, já saem com esse novo valor. (Com
informações do MTE)
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Diário
Vermelho, 1º de março de 2008
Cândido Mendes: "Lula é fenômeno
de um inconsciente coletivo"
Intelectual dos mais respeitados do país, Candido Mendes tem uma
interpretação objetiva para a popularidade, alta e quase
sempre permanente, que o presidente Lula mantém desde que assumiu
o governo há cinco anos: ela ocorre porque há um sentimento
no "Brasil destituído" de que também chegou ao
governo e ao poder junto com Lula.

Candido Mendes: satisfação
simbólica
O intelectual Candido Mendes, educador, sociólogo, ensaísta,
defensor dos direitos humanos e dos princípios da Igreja Católica,
aponta, nesta entrevista ao ex-ministro José Dirceu, aspectos fundamentais
para o que seria uma reforma universitária consistente no Brasil.
Destaca, ainda, o legado da Teologia da Libertação na construção
da democracia e a importância do controle do Judiciário. Membro
da Academia Brasileira de Letras e reitor da Universidade Candido Mendes,
o também cientista político explica, ainda, por que, na sua
avaliação, há tantos entraves a uma reforma política
no país. Membro da Comissão Brasileira de Justiça
e Paz; e presidente do Conselho Superior de Ciências Sociais, da
Unesco, Candido Mendes, aos 80 anos, conhece o Brasil tão a fundo,
que não se surpreende com aquilo que ele mesmo denomina, com relação
ao presidente Lula, de “subversiva popularidade presidencial”.
"O segredo de Lula está nesse olho no olho da
sua gente e na capacidade desta de se reconhecer nele. É como
se, com Lula, essa gente tivesse chagado ao Planalto na primeira
grande – e talvez única – saga da nossa
população", explica o professor, também
membro da Academia Brasileira de Letras, do Conselho Superior
de Ciências Sociais da UNESCO - o órgão
da ONU para o desenvolvimento da Ciência e da Educação
- e reitor da Universidade que leva o seu nome no Rio.
Nesta entrevista publicada no blog do ex-ministro e ex-deputado José Dirceu,
Candido Mendes fala ainda de um tema que motiva discussões no
Brasil inteiro no momento - a Lei de Imprensa, o poder para o bem e para
o mal concentrado nas mãos da mídia. Ele lembra que o mundo
civilizado inteiro disciplina esta matéria, que em nenhum outro
lugar destrói-se reputações impunemente e que, mesmo
países avançados nesta área, como Portugal e Espanha,
atualizam constantemente a legislação que a disciplina.
Confira
entrevista na íntegra
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Agência
Brasil, 1º de março de 2008
Segurados podem retirar na internet
comprovante para Imposto de Renda
Brasília - Os comprovantes dos segurados que recebem
a partir de R$ 500 estão disponíveis na página
da Previdência Social na internet, no atalho Extrato para
Imposto de Renda. Para ter acesso, é preciso o número
do benefício e a data de nascimento. O Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS) expediu os últimos comprovantes
para a Declaração do Imposto de Renda de pessoa
física, ano base 2007, para os beneficiários do
Rio de Janeiro e de São Paulo na última segunda-feira
(25).
Desde o dia 11 de fevereiro, foram enviados quase 8 milhões
de comprovantes para 24 estados e o Distrito Federal. O Correio
leva até dois dias úteis para entregar as correspondências
nas capitais e até três dias úteis nas demais
cidades. De acordo com a Secretaria da Receita Federal, o envio
das informações necessárias à Declaração
do Imposto de Renda deve ser feita pelos órgãos
pagadores até o último dia útil de fevereiro.
Os segurados que não receberem o extrato no endereço
informado, podem ligar para o telefone 135 da Previdência
Social. Podem também buscar o comprovante na Agência
da Previdência Social (APS) em que é mantido o benefício.
A Receita receberá as declarações entre
3 de março e 30 de abril.
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Gazeta
do Povo, 1º de março de 2008
BRASIL | REFORMA TRIBUTÁRIA
IVA pode compensar desoneração
da folha
Governo estuda incorporar salário-educação
ao IPI
Brasília – A proposta de emenda constitucional da reforma
tributária do governo já prevê como será compensada
a redução da alíquota da contribuição
patronal ao INSS, que é atualmente de 20% sobre a folha de salários.
Segundo o projeto, a contribuição poderá ser substituída
parcialmente por um aumento de alíquota do novo Imposto sobre Valor
Adicionado (IVA) federal. O IVA federal será criado pela reforma
e substituirá quatro contribuições sociais.
O fato de o texto da proposta de emenda determinar que a
compensação seja feita “por um aumento
da alíquota do imposto” pode indicar que a medida
só será colocada em prática depois que
as alíquotas iniciais do IVA federal, suficientes para
produzir uma arrecadação equivalente à das
quatro contribuições substituídas por
ele, estiverem em vigor. Qualquer compensação,
portanto, será obtida às custas do novo IVA federal.
O previsto IVA substituirá a Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), a Contribuição
para o Programa de Integração Social (PIS), a
Contribuição de Intervenção no
Domínio Econômico (Cide) – que incide sobre
os combustíveis –, e, por último, o salário-educação.
A cartilha sobre a reforma tributária, divulgada pelo
Ministério da Fazenda no mesmo dia em que a proposta
foi encaminhada ao Congresso Nacional, na quinta-feira, diz
que “para evitar que a mudança (a redução
da alíquota patronal) se reflita em um aumento do déficit
da Previdência, serão adotadas medidas – que
ainda estão em estudo – para compensar esse impacto”.
A proposta de emenda constitucional, no entanto, mostra que
o caminho já foi escolhido.
O texto da proposta do governo para a reforma afirma que a
lei definirá de quanto será o aumento do IVA
federal (ou IVA-F, como foi apelidado antes mesmo que fosse
apreciado pelo Congresso Nacional). A lei definirá também
o tamanho da redução da alíquota patronal
ao INSS, pois o texto da emenda constitucional não detalha
essa questão.
O governo preferiu propor que fosse incluída na Constituição
apenas a autorização para que a substituição
de parte da alíquota patronal ao INSS pelo aumento do
IVA-F possa ser feita, deixando o restante para ser definido
futuramente em lei.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem dito, em suas entrevistas
e nos pronunciamentos que tem feito sobre a proposta, que a
intenção do governo é reduzir a alíquota
de 20% para 14% até 2015. Essa desoneração
seria implantada ao ritmo de 1 ponto porcentual por ano.
Mantega tem dito ainda que o governo enviará ao Congresso,
num prazo de 90 dias após a promulgação
da emenda constitucional – se ela for aprovada –,
um projeto de lei que definirá todas essas regras. Este
prazo não consta do texto da proposta de emenda constitucional.
A proposta de reforma tributária abre a possibilidade
de que essa questão seja disciplinada por meio de medida
provisória, pois estabelece que ela será definida
por lei ordinária. Não há previsão
de lei complementar, no texto da proposta, nem mesmo para a
regulamentação do novo IVA federal.
Mudanças
Algumas alterações na proposta de reforma tributária
já começam a ser cogitadas pelo próprio
governo federal. O presidente da consultoria Trevisan, Antoninho
Marmo Trevisan, membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social, revelou ontem que Guido Mantega analisa
a possibilidade de incorporar o salário-educação
ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e não
ao IVA federal, como propõe o projeto.
Segundo ele, o motivo dessa mudança é diminuir
a base de incidência do IVA federal, que substituirá a
Cofins e o PIS, que incidem sobre o faturamento das empresas,
e a Contribuição de Intervenção
no Domínio Econômico (Cide), cobrada sobre os
combustíveis. Esses tributos incidem sobre praticamente
tudo que é produzido no país, de bens a serviços.
Já a base de cálculo do IPI é mais reduzida
e poderia incorporar o salário-educação
sem grandes impactos, avalia o governo. Esse imposto não
incide sobre serviços, produtos destinados à exportação,
energia elétrica, combustíveis e demais derivados
do petróleo, por exemplo.
Orçamento - “Comissão
compromete o Congresso”, diz Garibaldi
As suspeitas de irregularidades na Comissão Mista de Orçamento
provocaram atritos entre o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN),
e os parlamentares do colegiado. O senador encampou as acusações
do PSDB e anunciou que na próxima semana vai discutir com o presidente
da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), mudanças na comissão.
Em resposta aos ataques, o presidente da comissão, senador José Maranhão
(PMDB-PB), e o relator-geral, José Pimentel (PT-CE), formalizaram
uma carta de esclarecimento sobre a montagem do parecer que será votado
na quarta-feira no plenário do Congresso.
O pivô da suspeita é o anexo de metas e prioridades
constante do orçamento. O PSDB acusou, sem citar nomes
nem provas, um pe-queno grupo de parlamentares de estar manipulando
a comissão para beneficiar emendas de seu interesse.
O anexo, que prevê recursos de R$ 534 milhões
para projetos nos estados, foi aprovado como emenda de relator,
um procedimento que PSDB alegou ser irregular.
“Não podemos ficar à mercê de uma
Comissão de Orçamento que compromete o Congresso
Nacional, compromete o Senado, a Câmara, e compromete
todos os parlamentares”, disse o presidente do Senado.
Para contrapor a esse clima de suspeição, Maranhão
e Pimentel convocaram uma entrevista para esclarecer que o
Orçamento foi elaborado dentro das normas legais e que
o anexo de metas já tinha sido aprovado pelo Congresso,
por unanimidade, durante a votação do Plano Plurianual
(PPA) em novembro do ano passado.
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Folha
de São Paulo, 1º de março de 2008
Mínimo sobe 9,2% e passa
hoje a R$ 415
Ganho acima da inflação é de
4%; área econômica havia proposto R$ 414, mas Lula
decide na última hora dar mais R$ 1
Aumento representará um gasto extra
de R$ 7,45 bi para o governo federal; reajuste no próximo
ano será em fevereiro
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O salário mínimo passará a R$ 415 a partir
de hoje. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou
ontem a medida provisória que reajusta o atual piso de
R$ 380 em 9,21%. É um ganho acima da inflação
de cerca de 4% -a depender da variação do INPC
(Índice Nacional de Preços ao Consumidor) a ser
divulgado nos próximos dias.
O aumento real acumulado nos seis anos de gestão petista deverá atingir
36,97%, divididos em 25,32% entre 2003 e 2006 e 9,3% no acumulado de
2007 e 2008. Para se equiparar ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
(1995-2002), Lula precisará conceder nos próximos dois
anos aumentos reais que somem 5,50%. Nos oito anos do governo tucano,
o salário mínimo teve ganho real de 44,5%, sendo 19,67%
no primeiro mandato (1995-1998) e 20,75% no segundo (1999-2002). Em dólar,
o mínimo passará a US$ 245. Em dezembro de 2002, final
do governo FHC, era US$ 56,50.
Para as contas do governo, o novo mínimo representará gasto
adicional de R$ 7,455 bilhões neste ano. O aumento abrangerá 17,1
milhões de aposentados e pensionistas da Previdência e beneficiários
da assistência social. Além disso, o piso salarial serve
de referência para o pagamento do seguro-desemprego e o abono salarial
do PIS/Pasep.
No mercado de trabalho, o mínimo corresponde à renda de
28,1 milhões de pessoas -incluindo os segurados da Previdência,
segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de
2006. Só entre os trabalhadores com carteira assinada, existem
2,274 milhões de pessoas que ganham até um salário
mínimo.
De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Sócio-Econômicos), o salário mínimo
necessário para fazer frente às necessidades do trabalhador
seria de R$ 1.924,59.
A decisão sobre o valor do novo mínimo colocou de um lado
os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento)
e do outro Luiz Marinho (Previdência). Mantega e Bernardo haviam
fechado o valor de R$ 414.
Pelas regras de cálculo que o governo vem adotando para reajustar
o mínimo, o piso deveria passar para R$ 413,70. Essa fórmula
considera a variação da inflação pelo INPC
-estimada em 4,9%- mais o PIB de dois anos atrás -3,75%.
A equipe econômica achou melhor, no entanto, arredondar para R$
414. Ao saber da decisão, Marinho procurou Lula e o convenceu
que seria melhor fazer um arredondamento completo. O presidente autorizou
o aumento de R$ 35.
No ano passado, ao lançar o PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento), o governo definiu uma política de recomposição
do salário mínimo até 2011. Foi enviado ao Legislativo
um projeto de lei estipulando uma forma de calcular o reajuste (inflação
mais PIB de dois anos atrás). O texto prevê também
a antecipação em um mês a cada ano da data do reajuste.
Embora a proposta ainda não tenha sido aprovada pelo Congresso,
o governo vem mantendo o compromisso com essas alterações.
No ano passado, a data de reajuste -que era maio- foi antecipada em um
mês, assim como neste ano. Em 2010, chegará a janeiro.
Quando encaminhou a proposta de Orçamento ao Congresso no ano
passado, o governo projetou um aumento de R$ 407,33. Isso considerava
um INPC acumulado de 3,7% entre abril de 2007 e fevereiro deste ano.
A alta nos preços dos alimentos, principalmente, pressionou a
inflação além do esperado, jogando por terra as
estimativas do governo. O relator do Orçamento no Congresso, deputado
José Pimentel (PT-CE), refez as contas e chegou a R$ 412,40. Mas
suas projeções também foram superadas pela aceleração
dos preços.
Além do aumento do mínimo, neste mês o governo também
precisa reajustar os benefícios previdenciários acima do
piso salarial. Para esses 8 milhões de aposentadorias e pensões,
a Previdência aplica só a variação do INPC,
que deve ficar em 4,97%.
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Folha
de São Paulo, 1º de março de 2008
Confira o que muda com o novo mínimo
Além dos valores pagos a assalariados
e a aposentados, sobem as contribuições ao INSS,
o seguro-desemprego e o abono do PIS
Valor mínimo pago ao INSS subirá de
R$ 30,40 para R$ 33,20; domésticos em SP que recebem o
piso terão aumento para R$ 415
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
O novo salário mínimo de R$ 415, que entra em
vigor hoje, altera uma série de valores da economia, entre
eles o valor recebido pelos trabalhadores e pelos aposentados
e pensionistas da Previdência Social. Com o novo mínimo,
também são alteradas as contribuições
ao INSS pagas pelos trabalhadores assalariados e pelos patrões
e empregados domésticos, o seguro-desemprego e o abono
anual do PIS/Pasep.
Todos os trabalhadores que recebem o mínimo terão aumento
de 9,21% a partir de hoje, com pagamento no início de abril. Os
aposentados e pensionistas do INSS que recebem entre R$ 380 e R$ 395,36
terão aumento automático para R$ 415, com pagamento no
final deste mês (para quem tem benefícios com finais 1 a
5) e no início de abril (para finais 6 a 0).
Esse cálculo considera que os aposentados que ganham mais do que
o mínimo terão reajuste de 4,97% também a partir
de hoje -esse índice, porém, ainda não foi determinado
oficialmente pelo governo, pois depende do INPC de fevereiro, que será divulgado
pelo IBGE no próximo dia 11 (o governo estima uma taxa de 0,48%).
A Previdência informou que vai esperar a divulgação
do INPC de fevereiro para definir o índice de reajuste para quem
ganha acima do mínimo. Com o índice saindo no dia 11, haverá tempo
para o INSS preparar a folha de pagamento dos benefícios referentes
a março. Se houver atraso na divulgação, então
o pagamento poderá ser feito com base no valor atual, pagando-se
a diferença retroativa, no início de maio, com os benefícios
referentes a abril.
Contribuição maior
O aumento do mínimo também eleva o valor das contribuições
pagas ao INSS pelos trabalhadores assalariados, inclusive domésticos.
Para quem ganha o mínimo, o valor sobe de R$ 30,40 para R$ 33,20.
Se o teto da contribuição ao INSS subir 4,97%, passará dos
atuais R$ 2.894,28 para R$ 3.038,12. Com isso, o valor máximo
pago pelos assalariados que ganham R$ 3.038,12 ou mais subirá de
R$ 318,37 para R$ 334,19. O valor das contribuições muda
também para quem ganha entre R$ 415 e R$ 3.038,12. Em alguns casos,
a contribuição chega até a diminuir, pois com o
reajuste dos valores da tabela o percentual cai de 9% para 8%; em outros
casos, cai de 11% para 9%.
Os empregadores domésticos também pagarão mais.
No caso do salário mínimo, o valor da contribuição
(12%) sobe de R$ 45,60 para R$ 49,80. Considerando a situação
mais comum, em que o empregador paga também a contribuição
do doméstico, no total de 20%, o valor sobe de R$ 76 para R$ 83.
Para os trabalhadores autônomos, que pagam por carnê, a contribuição
mínima ao INSS também sobe de R$ 76 para R$ 83; a máxima,
de R$ 578,86 para R$ 607,62.
Pisos regionais
O aumento do mínimo também altera o piso salarial regional
estabelecido por alguns Estados, como é o caso de São Paulo.
Hoje, o mínimo determinado pelo governo paulista para algumas
categorias de trabalhadores (domésticos, serventes, motoboys,
entre outros) é de R$ 410. Assim, enquanto o Estado não
reajustar o mínimo paulista (isso deve ocorrer em maio), valerão
os R$ 415. Essa regra valerá para todos os Estados em que o piso
regional for inferior a R$ 415; se for superior, permanecerá em
vigor o maior dos dois valores.
Para as categorias paulistas que já ganham R$ 450 (carteiros,
tintureiros, barbeiros, cabeleireiros, manicures etc.) e R$ 490 (trabalhadores
de serviços de higiene e saúde etc.), nada muda por enquanto.
Esses trabalhadores continuarão recebendo esses valores enquanto
o piso regional paulista não for aumentado.
O seguro-desemprego também muda com o aumento do mínimo.
Ele é calculado com base nos três últimos salários
recebidos pelo trabalhador. A parcela mínima subirá para
R$ 415. Há três valores, conforme a faixa salarial média
do trabalhador desempregado. Os demais valores serão definidos
pelo Ministério do Trabalho e Emprego nos próximos dias.
Também o abono anual pago pelo PIS/Pasep subirá dos atuais
R$ 380 para R$ 415. Têm direito ao benefício anual os trabalhadores
registrados por pelo menos um mês no ano anterior que tenham recebido
até dois salários mínimos mensais.
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Folha
de São Paulo, 1º de março de 2008
Novo piso deve injetar R$ 21 bi
na economia
DA REDAÇÃO
O novo salário mínimo vai injetar cerca de R$
21 bilhões na economia brasileira nos próximos
12 meses, considerando que 45 milhões de pessoas recebem
o piso no país, de acordo com o Dieese (Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos).
O valor estipulado pelo órgão para atender as necessidades
básicas previstas na Constituição de um trabalhador
e sua família -um casal com dois filhos- era R$ 1.924,59 em janeiro.
Ainda assim, Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese,
lembra que o ganho real é maior do que o conseguido pela maioria
das categorias nas negociações sindicais.
O impacto do aumento do mínimo, diz Lúcio, é maior
nas regiões Norte e Nordeste e reflete também no rendimento
de trabalhadores autônomos, que usam o piso como referência
salarial.
Os números referentes ao ano passado não estão fechados,
mas, no primeiro semestre, só 4,3% dos acordos tiveram ganho real
acima de 4%, segundo o Dieese.
Para João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral
da Força Sindical, a fórmula de reposição
da inflação e expansão do PIB, combinada entre governo
e centrais, é uma maneira de ir aumentando o poder de compra da
população. "E acaba empurrando para cima o piso de
muitas categorias."
O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Artur Henrique,
reclama da necessidade de fixar o valor por medida provisória,
já que o projeto de lei que formalizou o acordo ainda não
foi aprovado pelo Congresso. Com relação ao valor, diz
que o salário continua em um patamar baixo mas "o que propusemos
foi a possibilidade de ter um acordo que nenhuma outra categoria tem". (TATIANA
RESENDE)
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Folha
de São Paulo, 1º de março de 2008
Lula resiste a alíquota
maior de IR
Ministério da Fazenda estuda adoção
de um percentual superior ao teto de 27,5% em vigor atualmente
Presidente quer priorizar alívio para
a classe média, o que reforça chance de criação
de alíquotas intermediárias, entre 15% (piso) e
27,5%
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar de o Ministério da Fazenda estudar a criação
de uma alíquota de IR (Imposto de Renda) das pessoas físicas
superior a 27,5%, a mais alta atualmente, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva resiste a bancar uma proposta nesse sentido. Motivo:
a intenção de Lula é alterar o IR de modo
a produzir um alívio para a classe média, o que
reforça a possibilidade de criação das alíquotas
intermediárias ao piso e ao teto atuais -respectivamente,
de 15% e 27,5%. Desde a campanha de 2006, Lula vem recebendo
sugestões de auxiliares para adotar uma medida simpática à classe
média.
Nas palavras de um ministro, se houver elevação de alíquota,
seria para uma faixa salarial "da classe alta, e não da classe
média". A Fazenda considera uma alíquota de 30% para
essa "classe alta". " Qualquer número é especulação",
disse à Folha o ministro Guido Mantega. Segundo ele, os estudos
estão em fase inicial, e não há decisão tomada.
Durante o primeiro mandato de Lula, a idéia de aumentar o número
de alíquotas e de criar uma superior a 27,5% foi estudada pela área
econômica. Além das dificuldades políticas de uma
medida assim, o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho,
disse a Lula que o efeito sobre a arrecadação poderia ser
pior que o esperado.
Segundo as razões expostas por Palocci e pela Receita no primeiro
mandato, uma alíquota superior a 27,5% poderia estimular a terceirização
de empregados, que se transformariam em pessoas jurídicas. Ou
seja, haveria menos gente para contribuir com um alíquota superior
a essa. A depender do efeito, poderia ser arrecadado menos com o tributo.
Segundo um ministro, não há ambiente político para
Lula propor aumento do IR ao Congresso neste ano. Há eleições
municipais em outubro. Mais: na reunião da cúpula do governo
na última segunda, Mantega não mencionou alíquota
superior a 27,5%. Só falou em faixas intermediárias entre
a menor e a maior alíquota atual.
Na campanha de 2002, Lula chegou a defender alíquota de 50% de
IR para pessoas físicas. "A classe média está sufocada.
Precisamos criar alíquotas mais justas, numa escala que vá de
5% a 50%", disse à época.
A declaração foi considerada um dos maiores erros do então
candidato, que abandonou a idéia. Apesar de ele ter mencionado
a alíquota de 50%, sua intenção era criar uma série
de alíquotas para cobrar menos IR dos salários menores
e mais dos vencimentos maiores.
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Folha
de São Paulo, 1º de março de 2008
Partido quer ganho até R$
30 mil isento do IR
DA REPORTAGEM LOCAL
O PR (Partido da República) vai apresentar na próxima
semana uma proposta de emenda constitucional criando um imposto
que permitiria isentar do IR os ganhos mensais até R$
30 mil e acabaria com a contribuição patronal das
empresas, de 20% sobre a folha salarial.
O novo tributo, denominado de Imposto Mínimo, implicaria a cobrança
de 0,5% sobre débitos e créditos bancários (saques
e depósitos). Seria uma nova versão da extinta CPMF, mas
não mais provisória. Seria partilhado com Estados e municípios.
Se com a alíquota de 0,38% a CPMF arrecadou R$ 36,5 bilhões
em 2007, o novo tributo, que representará 1% (a soma das alíquotas),
arrecadaria R$ 93 bilhões por ano. Esse dinheiro -acrescido de
R$ 6 bilhões pagos pelos 26 mil contribuintes que recebem mais
de R$ 30 mil mensais- seria suficiente para suprir os R$ 44 bilhões
recolhidos pelas empresas sobre a folha e os R$ 56 bilhões do
IR das pessoas físicas.
Pelo projeto do PR, a base de incidência da CPMF foi de R$ 9,6
trilhões em 2007. Como passaria a valer a partir de 1º de
janeiro de 2009, essa base seria muito maior, resultando até em
mais de R$ 100 bilhões de receita.
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Folha
de Londrina, 1º de março de 2008
SEU DIREITO
PERICULOSIDADE
Trabalho como segurança em uma casa
noturna.
Tenho direito ao adicional de periculosidade
quando for requerer a aposentadoria?
As atividades de guarda, investigador, bombeiro e, por analogia,
também as de vigilante e de segurança de estabelecimento
comercial, estavam previstas na legislação previdenciária
como sendo especiais, por serem altamente perigosas, vez que
o segurado respondia com a própria vida ao proteger a
integridade física de funcionários e clientes,
e defender o patrimônio do empregador ou de terceiro. Assim,
o segurado do sexo masculino fazia jus ao acréscimo de
40% neste tempo de serviço ao somá-lo aos demais
tempos de trabalho para fins de aposentadoria por tempo de contribuição.
Alternativamente, poderia o obreiro ter concedido em seu favor
benefício de aposentadoria especial se trabalhasse por
25 anos nesta atividade.
Grande parte dos tribunais têm decidido que para a comprovação
da especialidade da atividade de vigilante/segurança,
até 05.03.1997, basta o preenchimento pelo empregador
do formulário do INSS ‘‘Informações
Sobre Atividades Exercidas em Condições Especiais’’,
comprovando que o segurado estava exposto de modo habitual e
permanente como segurança da empresa, defendendo, com
a própria vida, a integridade física dos demais
indivíduos e o patrimônio do empregador. Mas a jurisprudência
de nossos tribunais admite ainda outros meios de prova da especialidade
deste ofício, inclusive, por prova testemunhal.
Após 05.03.1997, com a alteração da legislação,
para provar a especialidade destas funções, passou
a ser exigido laudo pericial ambiental elaborado por médico
ou engenheiro em segurança do trabalho. Este laudo deve
efetivamente demonstrar que o ofício exercido pelo segurado
no local de trabalho é perigoso, tendo em vista que este
responde de modo habitual e permanente com sua vida ao proteger
o patrimônio da empresa e a integridade de funcionários
e clientes. O laudo poderá atestar também, se houver,
a insalubridade do local. Esta prova pode ser complementada ainda
com o formulário já citado e, a partir de 2004,
com o impresso do INSS ‘‘Perfil Profissiográfico
Previdenciário’’, preenchidos pelo empregador.
Embora haja posicionamento contrário, o entendimento
dominante de nossos tribunais é de que após 28
de maio de 1998 não é mais possível a conversão
do tempo de contribuição de atividade especial
para comum, aplicando-se o adicional de 40% para obter aposentadoria
por tempo de contribuição. Porém, continua
em vigor a aposentadoria especial para o segurado que exerça
atividade perigosa, penosa ou insalubre por 25 anos de contribuição,
independentemente se trabalhou neste ofício após
esta data.
Fabio Antonio da Silva Martin, advogado
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