 |
Agência Diap, 2 de março de
2008
PISO CONSTITUCIONAL
Para Dieese, salário mínimo
devia ser de R$ 1.924,59
Apesar de o valor ser superior ao previsto no projeto de lei
enviado pelo Executivo ao Congresso Nacional, o novo salário
mínimo, de R$ 415, ainda é inferior ao necessário
para cobrir os custos de uma família, como está previsto
na Constituição, aponta pesquisa do Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Pelo
estudo, o salário mínimo no início deste ano
deveria ser de R$ 1.924,59.
“Isso é uma estimativa de quanto deveria ser o salário
mínimo para haver uma reposição de força
de trabalho digna”, afirmou José Maurício Soares,
economista do Dieese.
No Artigo 7º, Inciso IV, Capítulo II (Dos Direitos Sociais),
a Constituição define salário mínimo como
aquele “capaz de atender às suas necessidades vitais básicas
e às de sua família, como moradia, alimentação,
educação, saúde, lazer, vestuário, higiene,
transporte e previdência social”.
Segundo o economista do Dieese, para se chegar a esse valor foi pesquisado
o gasto médio do terço da população brasileira
com menor renda. Além disso, considerou-se uma família
composta por dois adultos e duas crianças que, juntas, consumiriam
o equivalente a um adulto. “Com base na Pesquisa de Orçamento
Familiar (POF) que fizemos, a distribuição dos gastos
no terço de renda inferior tem 35,71% do total com alimentação”,
afirmou Soares.
Dessa forma, o salário necessário seria aquele em que
três cestas básicas (suficientes para alimentar dois adultos
e duas crianças) representariam 35,71% de seu valor. No início
do Plano Real, há 14 anos, com um salário mínimo
não era possível se comprar uma cesta básica.
O salário mínimo atual chega próximo ao valor
de duas cestas básicas.
Soares explicou que isso se deve à queda da inflação
a partir do Plano Real: “Como a inflação era decrescente,
acabava-se dando um reajuste maior do que o índice do final
do ano. E nos últimos anos é um aumento definido com
as centrais sindicais, num projeto de lei que deve vigorar, mas ainda
não foi votado no Senado”.
O reajuste do salário mínimo, definido por medida provisória,
foi calculado levando em conta a variação da inflação,
medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC),
e o índice de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB)
medido dois anos antes do reajuste. No caso atual, o índice
de aumento real do salário mínimo deveria ser de 3,7%,
proporcional ao crescimento do PIB do ano de 2006. (Fonte:
Agência Brasil)
|
Diário Vermelho, 2 de março
de 2008
Paim, otimista, festeja mínimo
de US$ 245 e quer mais
Diz a canção interpretada por Ana Carolina: "É isso
aí...há quem acredite em milagres, há quem cometa
maldades, há quem não saiba dizer a verdade". Há anos,
quando defendia um salário mínimo que ultrapassasse os
US$ 100, fui chamado de sonhador e demagogo, pois alegavam que a economia
do país seria afetada. Que desemprego, inflação,
taxa de juros e o próprio risco Brasil cresceriam. Que as prefeituras
quebrariam. O tempo provou o contrário.
Por Paulo Paim, na Folha de S.Paulo*
No fim de 2002, o salário mínimo equivalia a US$ 56.
Ontem, passou de R$ 380 para R$ 415. Convertendo o valor para a moeda
norte-americana, teremos um salário equivalente a US$ 245. Ou
seja, 4,3 vezes maior do que o de 2002. Perseguiremos sempre o valor
constitucional, hoje em torno de US$ 1.000.
Vejam como é o destino. Ao contrário do que diziam alguns,
nossa economia vai muito bem, obrigado. A arrecadação da
Receita Federal no mês passado ultrapassou em R$ 10 bilhões
o previsto. Em termos de reservas internacionais, o Banco Central anunciou
que temos US$ 203,19 bilhões em caixa. Se o país desejar,
pode pagar à vista a dívida externa (US$ 196 bilhões)
e ainda assim nos sobrarão US$ 7 bilhões.
Temos hoje mais 8 milhões de pessoas com carteira assinada e a
taxa de desemprego é a menor da década. A taxa de juros,
a inflação e o risco Brasil estão em um dos patamares
mais baixos da história, e ainda nos livramos do FMI. As prefeituras
não quebraram. E no ano passado, conseguiram o desejado aumento
de 1% do Fundo de Participação dos Municípios.
Assim, o tempo volta a mostrar que eu estava certo quando defendia investimentos
no mínimo, pois ele é o melhor instrumento de distribuição
de renda. Um estudo divulgado no segundo semestre de 2007 pelo Instituto
de Economia da UFRJ mostra que nos últimos dez anos o mínimo
obteve ganho real, acima da inflação, equivalente a 45%.
Isso significou uma diminuição de mais da metade da desigualdade
social registrada no período.
O salário mínimo tem impacto em toda a sociedade. Cerca
de 50 milhões de pessoas o recebem. Se cada uma delas tiver
um dependente -e em geral esse número é maior-, serão
100 milhões de pessoas atingidas. Brasileiros que, ao ganhar
mais, podem melhorar alimentação, educação,
lazer, saúde, entre outras coisas. Comprando mais, ganham os
assalariados e o próprio comércio, os empreendedores.
Investir no mínimo não é apenas uma questão
econômica, mas também social.
Refuto a afirmação de que a Previdência está falida.
Se isso fosse verdade, não teria sido proposto reduzir a contribuição
previdenciária dos empregadores de 20% para 14%, o que equivaleria
a uma renúncia de R$ 4 bilhões por ano. Poderíamos
reduzir a contribuição do empregador sobre a folha, até acima
do proposto, desde que transferíssemos essa contribuição
para o lucro ou faturamento, tal como propus no PLS (projeto de lei
do Senado) 205/04. Deveríamos também aprovar a proposta
de emenda constitucional 24/07, de nossa autoria, que proíbe
destinar para outros fins os recursos da seguridade social.
A Anfip demonstrou que em dez anos mais de R$ 100 bilhões da
seguridade foram destinados a outras áreas. O projeto de lei
complementar 42/ 08 -negociado pelo Executivo e o movimento sindical
e que teve por base nosso relatório na Comissão Mista
do Salário Mínimo- garante a inflação (INPC)
mais a variação do PIB até 2023. Aprovamos na
Comissão de Assuntos Sociais do Senado emenda de nossa autoria
que estende esse direito a todas as aposentadorias e pensões.
A proposta está em regime de urgência para votação
no plenário da Casa.
É fato que o salário mínimo avançou, mas
há uma lacuna a completar: todos os aposentados e pensionistas
têm de receber o mesmo percentual de reajuste concedido a ele.
Espero que o Congresso tenha sensibilidade para aprovar também
o PLS 58/03, que pretende resgatar o poder aquisitivo de aposentadorias
e pensões, e o PLS 296/03, que extingue o fator previdenciário. É preciso
que todos entendam que esse fator reduz as aposentadorias em até 40%.
Com ele, num futuro próximo, todos receberão apenas um
salário mínimo. Isso é inadmissível.
Sou um otimista, creio que o pessimista é um derrotado por
antecipação. O futuro do país não depende
de sorte, mas de escolhas. Como diz a canção: "Um
vendedor de flores ensina seus filhos a escolher seus amores".
Vamos ensinar nossos filhos a fazerem suas escolhas, pois delas dependem
o futuro do país. É isso...
* Senador (PT-RS), presidente da Comissão
de Direitos Humanos do Senado; fonte: Folha de S.Paulo
|
Agência Brasil, 2 de março de
2008
Para Fiesp, indústria
com mão-de-obra menos qualificada terá mais
gasto com novo mínimo
Danilo Macedo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - No setor industrial, o impacto do aumento do salário
mínimo – que a partir de hoje (1º) passa a ser de
R$ 415 – varia entre os segmentos. As empresas com mão-de-obra
menos qualificada terão mais gastos, já as mais tradicionais
não sofrerão com o reajuste. A avaliação é do
economista da Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp), André Rebelo, que afirma que além
da maioria dos trabalhadores da indústria organizada receberem
mais do que o salário mínimo, o aumento do consumo das
famílias não irá representar tantos ganhos para
o setor, se comparado com o montante que a indústria movimenta
anualmente.
“Dá um certo alento, gera uma certa melhoria na demanda,
mas estamos falando de um aumento de R$ 20 bilhões por ano.
A produção industrial é de R$ 1 trilhão.”
Rebelo, que é diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos
Econômicos da Fiesp, afirma que o pagamento do salário
mínimo está restrito a atividades de trabalho menos qualificadas,
como os segmentos de móveis, madeira, calçados e confecções.
Ele aponta que esses são os setores que podem ter aumento de
custos por causa do reajuste do salário mínimo.
“ A indústria organizada paga salários superiores ao salário
mínimo, de tal forma que ela não tem aumento de custo com o salário
mínimo e se beneficia do aumento [do salário mínimo] pelo
aumento do consumo das famílias.”
“Alguns especialistas dizem que o aumento do salário
mínimo não é o melhor instrumento de distribuição
de renda, mas dado que ele existe, é uma força que gera
demanda por produtos industriais também”, afirmou.
O especialista da Fiesp explica que o aumento do consumo tem relação
com o ganho real dos assalariados. Apesar do aumento do salário
ter sido de 9,2%, o ganho real mínimo é proporcional ao
crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos atrás,
que foi de 3,7%. Para Rebelo, como o PIB vem crescendo, os próximos
aumentos reais serão maiores e, conseqüentemente, o aumento
do consumo também.
|
Gazeta do Povo, 2 de março de 2008
ECONOMIA | IMPOSTO DE RENDA
A partir de amanhã, Receita
começa a receber 24,5 milhões de declarações
No Paraná, 1,57 milhão
de contribuintes devem prestar contas ao Fisco até 30 de abril
por CINTHIA SCHEFFER
A partir de amanhã, 24,5 milhões de brasileiros devem fazer
a sua declaração de ajuste do Imposto de Renda (IR) 2008
(ano-base 2007) – entre eles, 1,57 milhão de paranaenses.
O IR é o principal tributo federal do país. Só no
ano passado, a arrecadação dos cofres públicos com
o imposto foi de R$ 160,137 bilhões, sendo R$ 76,62 bilhões
por meio de retenção na fonte sobre rendimentos de trabalho.
Até o dia 30 de abril, o contribuinte terá exatos 59 dias
para ajustar as contas com o Leão.
Confira os documentos necessários
para preenchimento da declaração de Imposto de
Renda:
O programa da Receita Federal estará disponível no site www.receita.fazenda.gov.br a
partir das 8 horas com uma série de pequenas mudanças que
devem tornar a declaração ainda mais rigorosa. A partir
deste ano, por exemplo, o contribuinte será obrigado a informar
o número do CPF dos seus dependentes maiores de 18 anos – até 2007,
o teto era de 21 anos. Da mesma forma, será obrigatório
informar o CPF ou o CNPJ dos beneficiários de pagamentos e doações. “Sem
a informação desse número, o contribuinte não
pode usar o valor como forma de dedução. O sistema não
aceita que ele transmita a declaração”, diz a supervisora
do IR no Paraná, Cláudia do Nascimento Thomaz. “Vale
lembrar também que ele deve informar os rendimentos dos dependentes,
mesmo os não-tributáveis. A gente teve, no ano passado,
muitos casos de pessoas que caíram em malha porque informaram
somente os seus próprios rendimentos.”
O consultor Cléber Busch, da IOB, lembra que o valor dos rendimentos
tributáveis dos dependentes é somado aos do titular e
considerado no cálculo do imposto. “No campo específico,
o contribuinte deve declarar a data de nascimento e o CPF do dependente.
Com esse dado, se esse dependente já estiver trabalhando, a
Receita Federal vai poder verificar os rendimentos que tem e se constam
na declaração.”
Além disso, a partir deste ano será obrigatório
informar o número do recibo de entrega da última declaração.
Quem perdeu esse número precisa ir pessoalmente até a
Receita Federal para solicitá-lo.
Neste ano também, o programa da Receita Federal vai perguntar
se o contribuinte mudou de endereço desde a última declaração.
E, no momento de envio da declaração, o contribuinte
será informado de eventuais pendências com a Receita. “Se
isso ocorrer, a orientação é que o contribuinte
entre no site para verificar qual é a pendência”,
explica a supervisora do IR.
A entrega da declaração é obrigatória
para o contribuinte que recebeu rendimentos tributáveis superiores
a R$ 15.764,28 no ano passado, ou rendimentos isentos e não-tributáveis,
ou tributados exclusivamente na fonte, superiores a R$ 40 mil, e para
quem tinha posse ou propriedade em 31 de dezembro com valor superior
a R$ 80 mil.
Neste ano não existirá mais a declaração
on-line, direto no site da Receita. As informações devem
ser enviadas com o programa Receitanet. O contribuinte também
pode entregar a declaração em formulário de papel
ou em disquete.
|
Gazeta do Povo, 2 de março de 2008
ECONOMIA | ENTREVISTA
“A Receita Federal consegue checar
todos os campos da declaração”
Restrições para entrega
em formulário de papel são para incentivar o uso da
internet, considerada mais segura
por CINTHIA SCHEFFER
A cada ano, a Receita Federal vem incluindo novas regras na declaração
de Imposto de Renda, com o objetivo de diminuir ao máximo a possibilidade
de fraudes. A supervisora do Imposto de Renda para os estados do Paraná e
Santa Catarina, Cláudia do Nascimento Thomaz, diz que, com os
dados exigidos hoje, é possível cruzar praticamente todas
as informações declaradas nos campos do programa. Em entrevista à Gazeta
do Povo, no entanto, a supervisora diz que as mudanças não
têm levado mais pessoas à malha fina porque o contribuinte
está atento às regras.
Por que a Receita Federal passou a exigir o número
do recibo de entrega da declaração? O que muda para
o contribuinte?
Para o contribuinte não muda nada. A mudança é uma
questão de segurança. Só o próprio declarante
e a Receita têm o número do recibo. Isso significa que ninguém
poderá enviar a declaração com o CPF dele. No ano
passado a informação era opcional. Agora passamos a exigi-lo
para que o contribuinte tenha essa garantia de que ninguém vai
enviar as informações por ele.
Por que a Receita aumentou as restrições para
entrega da declaração em formulário de papel?
Com essas restrições, queremos levar o contribuinte a fazer
a declaração pela internet, que é muito mais fácil,
mais seguro e mais rápido. O próprio sistema calcula o
valor do imposto e, inclusive, se é mais vantajoso fazer a declaração
completa ou simplificada. Ano passado, menos de um 1% dos contribuintes
entregou a declaração em papel.
As mudanças feitas ao longo deste ano tornaram a declaração
ainda mais rigorosa...
A Receita Federal já vem sendo muito rigorosa há alguns
anos. A Receita Federal faz tudo que você possa imaginar para cruzar
informações. Desde informações de imobiliária,
operações de cartão de crédito e toda a movimentação
financeira dos bancos, por exemplo. Todas essas orientações
que damos é no sentido de facilitar o preenchimento da declaração.
Sempre lembrando da necessidade de prestar informações
verídicas, porque qualquer dado que não bata pode levar
o consumidor à malha fina. A Receita Federal consegue checar praticamente
todos os campos da declaração.
Essas mudanças, para ampliar as formas de confirmar
as informações, têm feito com que mais pessoas
caiam na malha fina?
Pelo contrário. Temos observado que as pessoas estão aumentando
o cuidado ao fazer a sua declaração, o que facilita para
o contribuinte e para a Receita. É bom lembrar também que
o contribuinte que percebeu que enviou alguma informação
errada pode, a qualquer momento, fazer a correção. Ninguém
precisa se apavorar. O importante é passar as informações
corretas. No caso dos médicos, por exemplo, só informar
um valor efetivamente pago, por um serviço realmente realizado.
Porque se houver alguma divergência, além do profissional
liberal e do contribuinte terem que se explicar à Receita Federal
em um processo de malha, os dois podem ainda responder a um processo
penal, se observarmos fraude.
|
Gazeta do Povo, 2 de março de 2008
ECONOMIA | GUERRA FISCAL
Concorrência à chinesa
já levou 15 fábricas e 1,8 mil empregos
Estados vizinhos atraem confecções
paranaenses com salário e imposto baixos
por CRISTINA RIOS
Fabricantes de confecções do Paraná estão
transferindo fábricas para o Mato Grosso e o Mato Grosso do
Sul atraídas por incentivos fiscais. Além de oferecer
galpões e infra-estrutura, os dois estados estão concedendo
descontos de ICMS que vão de 67% a 100%. Com foco na redução
de custos, as empresas estão partindo para o chamado modelo
chinês de produção, buscando também locais
onde os sindicatos são menos organizados e os salários
menores.
Saiba mais sobre empresas do setor do
vestuário:
Pelo menos 15 empresas da região de Londrina já fecharam
as portas e se mudaram para o Mato Grosso, com demissão de 1,8
mil pessoas no Paraná, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores
da Indústria do Vestuário de Londrina (Sintvest), José Ricardo
Leite. A evasão atinge diversos segmentos do setor de vestuário,
de camisarias à fabricação de jeans.
Na região de Maringá (Norte Pioneiro), um dos principais
pólos de vestuário do estado, as empresas não
estão transferindo fábricas, mas optando por abrir filiais
em Mato Grosso. De acordo com Raul Cândido, presidente do sindicato
dos trabalhadores da indústria do vestuário de Maringá,
três empresas, que atuam nos segmentos de uniformes, material
esportivo e jeans, abriram recentemente unidades em municípios
como Rio Verde, Primavera e Rondonópolis, com geração
de cerca de 300 empregos.
“O receio é de que na seqüência essas empresas
transfiram toda a produção para o Mato Grosso”,
diz Cândido. De acordo com ele, o salário médio
na região de Maringá é de R$ 600. Em Mato Grosso,
a remuneração é de cerca de R$ 400.
O mais grave é que muitas dessas empresas trabalham no limite
da informalidade. “Elas fecham aqui, não cumprem compromissos
trabalhistas e abrem com outra razão social no estado vizinho.
Por isso é difícil mapear de maneira mais profunda esse
movimento. Mas ele vem se intensificando nos últimos dois anos”,
alerta Leite, do Sintvest.
Considerado o segundo maior produtor de vestuário e têxtil
do país, atrás apenas de São Paulo, o Paraná tem
cerca de 4,6 mil empresas no setor, a maior parte de pequeno e médio
porte. De acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese), desconsiderando-se a construção
civil, a indústria têxtil e de vestuário é a
terceira que mais emprega no estado – atrás dos setores
de alimentos, bebidas e álcool e de madeira e mobiliário.
A mão-de-obra feminina representa 90% do total, que somente
na cadeia do vestuário está estimada em 50 mil pessoas.
E é justamente atrás de geração de emprego
que os outros estados estão de olho. Representantes do Mato
Grosso e do Mato Grosso do Sul têm procurado diretamente as empresas
paranaenses para oferecer incentivos. “O setor de vestuário é estratégico
para o estado diversificar sua economia, até agora muito centrada
na agropecuária”, confirma José Francisco Veloso
Ribeiro, presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário
do Mato Grosso do Sul. De acordo com ele, quatro novas empresas estão
em fase de instalação na capital Campo Grande, com geração
de 1,2 mil empregos. É um esforço conjunto. “Os
muncípios doam áreas em comodato, concedem isenção
de impostos e o estado propicia descontos de até 67% no ICMS”,
afirma. Desde 2000, foram R$ 200 milhões em investimentos no
setor.
Em Mato Grosso, o cenário se repete. “Estamos negociando
com várias empresas”, diz a presidente do Sindicato da
Indústria do Vestuário do estado, Claudia Fagotti. A
intenção é agregar valor para a cadeia do algodão,
que é forte no estado e já atraiu empresas como a cearense
Santana Textiles. A fábrica vai dobrar a capacidade de produção,
de 1,5 milhão para 3 milhões de metros lineares de jeans.
Para isso, o governo dá desconto de 85% a 100% no ICMS. “Hoje
alíquota máxima é de 2,5%”, diz Claudia.
No Paraná, o ICMS é de 12% e segundo o secretário
da Fazenda, Heron Arzua, o governo do estado não foi procurado
pelo setor sobre o assunto. “Se formos, vamos avaliar”,
afirma.
Até algum tempo atrás, era o Nordeste que oferecia incentivo,
mas muitas empresas paranaenses não transferiam linhas porque
a logística de distribuição, principalmente para
São Paulo, era desfavorável, com impacto nos custos do
frete. Mas agora, são estados mais próximos. “Basta
cruzar a divisa”, diz Veloso Ribeiro, do Mato Grosso do Sul.
De acordo com ele, os alvos das empresas paranaenses no estado vizinho
são municípios como Naviraí e Mundo Novo.
|
Gazeta do Povo, 2 de março de 2008
POLÍTICA | GESTÃO PÚBLICA
“Nada mais jurássico do
que um carimbo”
Máquina oficial precisa reduzir
os custos com burocracia, dizem especialistas
por MARCIO RENATO DOS SANTOS E DANIELA NEVES
A frase do título desta reportagem é do professor de Economia
da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Renato Pianowski, e resume
aquilo que se pensa sobre burocracia. Pianowski sonha com uma sociedade
menos burocratizada, mais ágil e eficiente. Isso seria possível?
Resumidamente, burocracia é um conceito de gestão que
foi pensado como modelo racional para resolver os problemas por meio
de regras, sem considerações pessoais, contando com um
corpo técnico especializado. Mas, com o tempo, virou sinônimo
de papel, carimbo e processos demorados. Esse seria o “conceito
negativo” de burocracia.
Para o professor de Administração Pública da
Unifae, Daniel Rossi, uma empresa pública, com sua complexidade
e tamanho, dificilmente conseguirá sair do modelo burocrático
e optar por um mais flexível. E no Brasil isso é ainda
mais difícil pelo receio de práticas corruptas. “Se
em um país são solicitadas duas cópias, no Brasil
são quatro. Na Inglaterra, por exemplo, não há cartórios.
Aqui, em qualquer processo é preciso passar por cartório,
para ter alguém que confirme que a assinatura é verdadeira”,
diz o professor.
O professor de Ciências Econômicas da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Christian Luiz
da Silva, acredita que a burocracia é uma necessidade gerada
pela sociedade. “Se a corrupção não fosse
tão alta, a burocracia não seria necessária. Se
todos cumprissem a palavra, não seria necessária essa
quantidade de papéis, de comprovações.”,
diz.
Ele ainda considera que no Judiciário a burocracia é maior,
como a reportagem da Gazeta do Povo constatou, com dados do site Gestão
do Dinheiro Público. “No Judiciário, há mais
burocracia, mais morosidade, arquivamentos de processos, trâmites
mil. Se demora muito, nem vem ao caso. O que pergunto é se é eficiente
mesmo tanta burocracia”, diz.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção
Paraná, Alberto de Paula Machado, acredita que a internet deve
ser a mola propulsora para a desburocratização do Judiciário. “A
Justiça está impregnada de burocracia. No entanto, acredito
que em dez anos serão extintos os processos de papel”,
diz.
Marcelo Curado, professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR),
também diz acreditar que a informática venha a reduzir
o processo burocrático, pelo menos o que envolve papéis,
carimbos e autenticações. “É mais do que
urgente que se diminua o gasto com burocracia. Nas empresas há enxugamento,
reduzindo o quadro funcional, o uso de papel e de outros recursos,
e o serviço funciona melhor. Por que não fazem o mesmo
no serviço público?”, diz.
Pianowski defende a idéia de que a burocracia se torne sinônimo
de facilitação, e não o que, para ele, atualmente é a
mais perfeita tradução de burocracia: “enrolação”. “A
máquina pública deveria ser enxuta, operante e barata.
Mas é o contrário: superadiposa, inoperante e caríssima”,
diz. Pianowski lembra que o aparato oficial também foi criado
para abrigar familiares dos governantes, o que, para ele, é um
dos males de todo serviço público. “Tem de arrumar
um posto para o irmão, para o sobrinho e para a esposa. Daí,
criam funções e ‘dá-lhe’ papel e carimbo.
Assim não dá”, diz.
|
O Estado do Paraná, 2 de março
de 2008
Massa de renda familiar brasileira
supera R$ 1 trilhão
A massa de renda das famílias brasileiras cresceu
quase 20% nos últimos dois anos e levou o Brasil a
subir no ranking mundial de consumo. Esse número corresponde
a um acréscimo de R$ 194 bilhões na soma da
renda de todas as famílias no País em relação
a 2005, já descontada a inflação. Esse é o
resultado de um estudo da consultoria MB Associados, que
usou como base os dados mais recentes (2006) da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Principal indicador da capacidade de consumo da população,
a massa de renda do conjunto das famílias do País chegou
a R$ 1 168 trilhão em 2007, estima a MB. Em 2005, era de R$
975 milhões. A diferença entre esses dois valores é explicada
pela forte recuperação da renda e do emprego. Para este
ano, a estimativa é de crescimento de 7,9% na massa de renda,
para R$ 1 260 trilhão. Com isso, o aumento entre 2005 e 2008
seria de 29%.
Não foi por acaso que o Brasil já se tornou um dos maiores
mercados de consumo do mundo para vários produtos. Em volume
de vendas de automóveis, o País é o oitavo colocado.
Com um mercado de 10,7 milhões de computadores em 2007, segundo
a consultoria IDC, o Brasil já ocupa o quinto lugar no ranking
mundial de PCs. O País é ainda o terceiro maior consumidor
de Coca-Cola, também o terceiro de cosméticos no mundo
e o quarto de chocolate.
|
O Estado do Paraná, 2 de março
de 2008
Receita Federal fornecerá número
de recibo do IR pela internet
Para evitar filas, a Receita Federal vai fornecer
o número do recibo do envio da declaração
do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) de 2007
pela internet. Para ter acesso ao número do recibo,
o contribuinte terá que responder a um grupo de perguntas
com informações pessoais. O número do
recibo passou a ser exigido pela Receita para o envio da
declaração do Imposto de Renda (IRPF) deste
ano. A novidade, anunciada na semana retrasada, foi mal recebida
porque a Receita Federal tinha obrigado o contribuinte que
perdeu número do recibo a ir pessoalmente a uma unidade
da Receita para obtê-lo.
O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro chegou
a pedir a suspensão da obrigatoriedade e enviou uma recomendação à Receita
Federal alertando que o órgão poderia responder a uma
ação judicial caso mantivesse a exigência. O sistema
de consulta está em fase final de teste e será colocado à disposição
na quarta ou quinta-feira desta semana, informou o coordenador nacional
do Programa de Imposto de Renda da Receita, Joaquim Adir. O número
e o tipo de perguntas ainda serão definidos pela Receita. Segundo
Adir, serão perguntas que só o próprio contribuinte
que está requerendo a informação terá condições
de responder.
O coordenador minimizou a ação do MP, justificando que
o sistema de consulta já fazia parte da estratégia da
Receita, caso houvesse uma demanda grande de contribuintes nas unidades
da Receita. O MP do Rio, no entanto, tinha dado o prazo até a
sexta-feira passada para o Fisco informar que medidas tomaria para
atender a recomendação. O prazo de entrega começa
nesta segunda-feira e termina em 30 de abril. A cópia do programa
só estará disponível no site da Receita na internet
a partir das 8h. A Receita espera receber aproximadamente 24,5 milhões
de declarações. É obrigado a apresentar a declaração
quem tiver recebido no ano passado rendimentos cuja soma foi superior
a R$ 15.764,28.
A obrigatoriedade da apresentação do número de
recibo da declaração do ano anterior, segundo a Receita,
tem caráter educativo e visa a estimular uma maior integração
do contribuinte com o Fisco. A intenção do Fisco é formar
a cultura do contribuinte de olhar o seu extrato do Imposto de Renda.
Com o número do recibo, o contribuinte pode a qualquer momento
verificar junto à Receita, pela internet, como está o
processamento da sua declaração e pendências.
|
Folha de São Paulo, 2 de março
de 2008
Verbas do Trabalho abastecem
entidades relacionadas ao PDT
Dirigentes de quatro entidades recomendam
os "concorrentes" em licitações
Três dessas entidades têm a Força
Sindical, ligada ao PDT, como avalista; elas negam irregularidades
nos convênios da pasta de Lupi
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
Quatro entidades "concorrentes" na mesma área e competidoras
em licitações públicas receberam verbas do MTE
(Ministério do Trabalho e Emprego) para treinar mão-de-obra
tendo seus dirigentes como avalistas uns dos outros. Em comum, três
dessas quatro entidades também foram recomendadas em atestados
pela Força Sindical, ligada ao PDT presidido pelo ministro Carlos
Lupi (MTE). Duas delas funcionam no edifício-sede da Força,
presidida por Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, deputado federal
também pelo PDT.
Em alguns casos, duas ou mais dessas entidades (DataBrasil, Ibepec, Inesp
e Catalisa) receberam verbas do MTE no mesmo dia para fazer o mesmo tipo
de trabalho em locais diferentes. Em outro caso, uma aparece como "convenente" do
MTE, mas a "executora" apontada é a outra. Os valores
repassados a algumas dessas entidades também são, em alguns
casos, proporcionalmente maiores aos despendidos a outras organizações
que atuam na mesma área.
Representantes de DataBrasil, Ibepec e Catalisa negam qualquer irregularidade.
Já o Inesp, a Força Sindical e o MTE não responderam
aos pedidos de esclarecimentos da Folha. Para poder receber verbas do
MTE, essas entidades devem apresentar ao menos três "atestados
de capacitação técnica". No caso de DataBrasil,
Ibepec, Inesp e Catalisa, elas o fazem recomendando-se entre si: uma "atesta" a
outra.
Apesar das parcerias em alguns trabalhos e dos atestados entre elas,
as quatro também entram em separado como concorrentes em licitações
do setor público para treinar mão-de-obra com verbas do
MTE. No caso de DataBrasil e Ibepec, que já participaram da mesma
licitação individualmente, o representante da primeira
consta como membro do corpo diretivo da segunda.
Repasses
No dia 31 de dezembro, por exemplo, a DataBrasil assinou convênio
de R$ 530,8 mil com o MTE para qualificação de pessoal.
Mas, pelo convênio, consta o representante da Catalisa como "executor" do
programa. No mesmo dia 31, a DataBrasil assinou mais três contratos:
R$ 1,8 milhão; R$ 1,3 milhão e R$ 631 mil. Convênios
de DataBrasil e Catalisa nesse dia somaram R$ 4,3 milhões, segundo
o "Diário Oficial da União".
No dia 27 de dezembro de 2007, a DataBrasil já havia assinado
outro contrato no valor total de R$ 1,1 milhão para qualificação.
No mesmo dia e para a mesma coisa, o Inesp assinou contrato de R$ 428,7
mil. Naquele mesmo dia e também para o mesmo tipo de serviço,
a Catalisa fechou acordo no valor de R$ 697,3 mil. Os valores desses
convênios do dia 27 referem-se apenas à primeira parcela
do total que poderia vir a ser liberado pelo MTE, que chegaria a R$ 25
milhões.
Os valores repassados a algumas dessas quatro entidades também
são maiores, proporcionalmente, do que os destinados a outras
concorrentes. Para o programa Primeiro Emprego, por exemplo, a DataBrasil
receberia R$ 10,7 milhões para qualificar 6.840 jovens (R$ 1.566,68
por jovem). E o Inesp, R$ 4 milhões para 2.500 (R$ 1.630,00 por
jovem).
Como comparação, a Avepema, que faz o mesmo tipo de serviço
em São Paulo, onde DataBrasil e Inesp atuam, recebeu R$ 7 milhões
para treinar 5.000 (R$ 1.400,00 por jovem). Caso recebesse a verba destinada à DataBrasil,
o programa da Avepema poderia qualificar, por meio do Primeiro Emprego,
814 jovens a mais que a DataBrasil. Em relação à verba
para o Inesp, seriam 411 a mais.
|
Folha de São Paulo, 2 de março
de 2008
Lula dá aval a pacto
em MG de olho em 2010
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O acordo entre o petista Fernando Pimentel e o tucano Aécio
Neves tem a bênção do presidente Lula. De olho
em 2010, ele autorizou pessoalmente o prefeito de Belo Horizonte a
fechar um entendimento com o governador na disputa pelo comando da
capital mineira.
O sinal verde foi dado em um almoço no Palácio da Alvorada,
em janeiro, logo após o balanço de um ano do PAC (Programa
de Aceleração do Crescimento). Sob a justificativa de que "vamos
precisar do Aécio" e de que o nome sugerido como candidato é da "nossa
base", Lula liberou Pimentel, sinalizando que aposta na divisão
no ninho tucano para fazer seu sucessor.
Os três fazem seus movimentos mirando 2010. Lula tenta atrair Aécio
para seu campo na sucessão; o governador busca aliados para construir
sua candidatura ao Planalto; e o prefeito sonha com o lugar do tucano
mineiro. Na tentativa de viabilizar esse arranjo, Aécio e Pimentel
foram buscar no PSB o candidato de consenso para a Prefeitura de BH:
Márcio Lacerda, ex-assessor do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e
hoje secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais.
No início do ano, quando as negociações avançaram,
Fernando Pimentel decidiu consultar o presidente. "Eu não
sou louco de fazer um acordo desse sem aprovação do Lula",
confidenciou a amigos. Ele esteve em Brasília no dia do balanço
de um ano do PAC, 22 de janeiro. Acabou convidado para um almoço
no Alvorada.
Em uma mesa com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Franklin Martins
(Comunicação) e o chefe do gabinete particular da Presidência,
Gilberto Carvalho, Lula falou do acordo desejado por Pimentel e deu seu
aval. Primeiro, comentou que os dois ministros petistas de Minas, Patrus
Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretaria Geral), não
serão candidatos. Em seguida, disse que não via motivos
para vetar o entendimento com Aécio.
Márcio Lacerda trabalhou no governo como secretário-executivo
de Ciro no Ministério da Integração Nacional. Deixou
o cargo depois de seu nome ser mencionado no escândalo do mensalão
como tendo recebido dinheiro de Delúbio Soares. Os recursos, porém,
não eram para ele, mas para o publicitário da campanha
de Ciro ao Planalto.
Filiado há pouco ao PSB, Lacerda é aprovado pelo Diretório
Municipal do PT, controlado pelo prefeito, mas não agrada ao Diretório
Estadual do partido. Mas o prefeito não acredita numa intervenção
do Diretório Nacional do partido em Belo Horizonte para solucionar
um impasse. Confia no fato de ter obtido o aval de Lula e no interesse
presidencial em manter um canal com o governador mineiro.
Lula está convencido de que José Serra será o candidato
tucano em 2010 e que o tucano mineiro pode sair insatisfeito do processo
de escolha do PSDB. Daí sua frase "vamos precisar do Aécio",
durante a conversa no Alvorada. No ano passado, Lula insistiu com Aécio
para que ele se transferisse para o PMDB. Para fugir de uma punição
da Justiça eleitoral, como a perda do mandato, Lula chegou a lhe
sugerir, numa viagem a Minas, que deveria renunciar no final de 2009,
deixando no comando o vice de confiança, Antonio Anastasia.
|