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DIÁRIO DO GRANDE ABC,
06 de março de 2008 | Economia
Pesquisa
Construção civil está otimista
em 2008
Os empresários brasileiros do setor de construção civil
nunca estiveram tão otimistas quanto neste ano. Uma pesquisa realizada
pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado
de São Paulo (Sinduscon-SP), em parceria com a Fundação
Getúlio Vargas, chegou pela primeira vez aos 60 pontos no índice
de confiança para os próximos meses no ramo imobiliário.
“Nunca tivemos um otimismo
tão grande, chegando nesse patamar. O empresário acredita
que o que foi idealizado em 2007 será concretizado neste ano”,
explica Eduardo Zaidan, diretor de economia da entidade.
Segundo o levantamento feito
com base nas expectativas para o futuro, 61,1% dos empresários
da construção civil apostam em um bom desempenho para os
próximos seis meses. Em relação a última
pesquisa trimestral, o nível de confiança subiu 2,1% e
na comparação com fevereiro do ano passado, esse avanço
foi de 12,2%. No Estado de São Paulo, o índice de confiança
também ficou em 60,5 pontos percentuais, 2,1% a mais do que o
verificado no mesmo período do ano passado.
A percepção quanto
ao volume de negócios e a rentabilidade também reafirmam
o cenário otimista, com crescimento de 21,2% e 14,1%, respectivamente,
em relação ao mesmo mês de 2007. Para Zaidan, esse
otimismo também é justificado pelo bom momento da economia
nacional, principalmente diante da crise econômica norte-americana. “A
crise dos Estados Unidos não tem relação direta
com a construção civil, mas pode afetar a economia nacional,
o que poderia prejudicar o setor”, comenta.
O diretor acredita que o empresariado
está vendo a economia brasileira mais sólida e mais preparada
para enfrentar uma crise externa. “Acho que temos mais chance de
atravessar esse período sem grandes turbulências. A expectativa é de
que a construção civil cresça 10% neste ano”,
afirma. A pesquisa ouviu 238 empresários do setor.
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ÂMBITO JURÍDICO,
06 de março de 2008
Criar leis e definir papel da mulher
são desafios na América Latina, diz pesquisadora
Criar leis, fazer com que as normas existentes sejam observadas e, principalmente,
mudar o entendimento sobre qual é o papel e a posição
das mulheres na sociedade. Na opinião da pesquisadora adjunta do Centro
de Estudos Comparados das Américas (Cepac) da Universidade de Brasília
(UnB), Mireya Suarez, esses são os principais desafios a serem enfrentados
no que diz respeito aos direitos das mulheres na América Latina.
Ainda assim, a professora afirma
que já se avançou muito. “Basicamente porque o problema
foi colocado e hoje ninguém que se respeite vai dizer, 'balela,
as mulheres estão falando de nada', todo mundo hoje aceita que
há culturalmente um problema na sociedade e que deve ser corrigido.”
Entre os avanços obtidos,
Mireya Suarez cita a criação das delegacias especializadas
no atendimento às mulheres e dos programas de Saúde Integral
da Mulher, que tinham como objetivo dar atendimento focado em problemas
tipicamente femininos. "Mas, de maneira geral, [esses programas]
não tiveram o sucesso que teve a delegacia, simplesmente porque
nossos países são países com problemas para universalizar
a saúde”.
A professora ainda destaca a
criação de leis que combatem a violência contra a
mulher, particularmente a doméstica, mas faz a ressalva de que
as leis nem sempre são aplicadas adequadamente. “Esse é um
problema que não é somente na América Latina, mas
certamente aqui é maior por causa das grandes diferenças
de classe e étnicas, que criam um estado de instabilidade e conflito,
onde as mulheres acabam apanhando mais”, afirmou, em entrevista à Agência
Brasil.
Um exemplo de violência
contra a mulher é o caso de Ciudad Juárez, no México.
De 1993 até 2001, segundo relatório da Comissão
Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), foram assassinadas mais de
200 mulheres, todas de forma violenta.
Na opinião da professora,
a localização da cidade na fronteira com os Estados Unidos é um
dos fatores que podem explicar os números. Mireya Suarez, no entanto,
acrescenta que essa é uma situação que não
se limita à cidade mexicana, mas acontece em diversas regiões
de fronteira no continente. “Há algo que chamou atenção
em Ciudad Juárez porque o movimento conseguiu mobilizar, mas a
violência contra as mulheres é algo que não conseguiu
ser superado”, afirma.
Apesar dos problemas apontados,
a professora acredita que o movimento feminista na América Latina é forte
e bem articulado internacionalmente. “As redes feministas, principalmente
de mulheres negras e de mulheres indígenas, são poderosas”,
diz.
A pesquisadora explica que as
indígenas tiveram mais sucesso pela identidade cultural mais forte,
mas que as negras são mais incisivas na crítica social,
dando destaque à organização das mulheres negras
do Caribe. “Há uma luta de mulheres negras que é diferente
da luta das mulheres feministas. Elas são feministas também,
trabalham pelos direitos das mulheres, mas argumentam que além
de ser mulheres, são negras”, destaca.
Ana Luiza Zenker
Fonte: ABr
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ÂMBITO JURÍDICO,
06 de março de 2008
Igualdade entre homens e mulheres está longe de ser alcançada,
avalia ativista
Apesar de a Constituição Federal de 1988 definir que homens e
mulheres são iguais em direitos e obrigações, esse princípio
ainda está muito longe de ser alcançado, avalia a coordenadora-geral
do Instituto Feminista para a Democracia (SOS Corpo), a socióloga Maria
Betânia Ávila.
“A gente tem uma igualdade
formal, algumas coisa mudaram, mas as mulheres ainda são profundamente
discriminadas e desiguais no mercado de trabalho”, ressalta. A
socióloga defende que, na prática, também é preciso
avançar nas áreas de combate à violência contra
a mulher e saúde.
Para ela, houve conquistas importantes
no que se refere à criação de mecanismos legais
para combater a violência, "mas ela ainda é uma realidade
muito cruel para as mulheres no país”. Ela acrescenta que “as
mulheres ainda têm muita dificuldade de acesso aos serviços
de saúde no cotidiano e isso é uma marca da desigualdade”.
A sócia fundadora do Centro
Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) Gilda Cabral, concorda que,
em termos legais, foram obtidos avanços importantes, especialmente
na campanha em defesa dos direitos da mulheres durante a Assembléia
Nacional Constituinte, entre 1986 e 1988. “Na lei já temos
muitos direitos, precisamos é conseguir esses direitos na vida,
para acabar com a discriminação e as diferenças
que ainda há”, afirmou, em entrevista à Agência
Brasil.
Gilda Cabral diz que uma das
poucas questões em que ainda não há nem mesmo legislação é a
legalização do aborto. “Fora esse aspecto, em que
ainda há uma mistura de estado laico com a igreja, crenças
religiosas, que não permitem à mulher essa liberdade, você tem
grandes avanços, mas a sociedade e os governos não têm
ainda as políticas públicas e os equipamentos necessários
para garantir essa igualdade.”
A diretora da organização
não-governamental (ONG) Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação
e Ação (Cepia), Jaqueline Pitanguy, lembra que, na década
de 1980, quando foi aprovada a nova Constituição, as conquistas
em termos de direitos da mulher colocaram o Brasil em posição
de vanguarda.
De acordo com a diretora, essa
posição permitiu ao Brasil defender propostas avançadas
nas diversas conferências realizadas pelas Nações
Unidas na década de 1990, como a de Direitos Humanos em Viena
(Áustria), em 1993, a de População e Desenvolvimento
no Cairo (Egito), em 1994, e a de Direitos da Mulher, em Pequim (China),
em 1995.
“Em todas essas conferências
o Brasil teve uma posição muito avançada, foi inclusive
uma referência não só para países da América
Latina, mas para vários outros países, porque lá as
delegações oficiais, governamentais, podiam apoiar propostas
avançadas, pois nós já tínhamos de uma certa
forma feito o dever de casa aqui em 1988”, afirma.
Para Jaqueline Pitanguy, o Brasil
continuou avançando nos últimos 20 anos, mas de forma desigual. “Nós
não avançamos da mesma forma em todas as áreas,
mesmo porque as pressões são muito diferentes; por exemplo,
acredito que no campo da saúde reprodutiva nós não
avançamos tanto quanto deveríamos.”
Nessa área, ela diz que
falta mais esclarecimento sobre a contracepção de emergência,
a esterilização como um direito da mulher e até mesmo
o aborto.
Ana Luiza Zenker
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ÂMBITO JURÍDICO,
06 de março de 2008
Troca de partido poderá gerar
inelegibilidade por 4 anos
O Projeto de Lei Complementar (PLP) 119/07, do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS),
torna inelegível, pelo prazo de quatro anos, o detentor de mandato eletivo
que trocar de partido. O projeto modifica a Lei Complementar 64/90, que trata
da inelegibilidade. A legislação vigente não prevê qualquer
punição específica para a troca de partido.
No ano passado, no entanto, o
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) editou norma, confirmada pelo Supremo
Tribunal Federal, de que os mandatos pertencem aos partidos e que a infidelidade é uma
hipótese para cassação de parlamentar. Com a decisão,
os partidos passaram a ter o direito de requerer as vagas dos deputados
que migraram para outras siglas a partir de 27 de março de 2007.
Atualmente, tramitam em todo o País ações judiciais,
propostas pelos partidos, para recuperar vagas de parlamentares que deixaram
seus quadros.
Reeleição
proibida
O projeto de Pompeo de Mattos não prevê a perda do mandato, apenas
a inelegibilidade por quatro anos - o que, na prática, significa a proibição
de concorrer à reeleição. Além de regulamentar
a troca de partido por parlamentares, o projeto estende a medida para os detentores
de mandatos executivos - prefeitos, governadores e presidente da República.
O direito ao contraditório
e à ampla defesa são assegurados pelo projeto. O político
poderá alegar, na Justiça Eleitoral, ter trocado de partido
em razão da legenda ter descumprido seu programa ou estatuto,
ou ainda por ter sido vítima de perseguição política.
Essas duas situações, de acordo com o projeto, justificariam
a troca de partido.
Pompeo de Mattos afirma que decidiu
apresentar o projeto por entender que essa questão deve ser definida
pelo Legislativo e não pelo Judiciário. Ele lembra que
o sistema político brasileiro desestimula o vinculo ideológico
com os partidos e acaba fazendo com que os parlamentares sejam mais ligados
a interesses comunitários, regionais, sindicais, sociais ou religiosos.
Nesse contexto, segundo ele, é injusto atribuir caráter
pejorativo ao comportamento do parlamentar que se alinha ao governo a
fim de, por exemplo, obter recursos para sua região ou comunidade. "Isso
nada tem de escuso, é uma obrigação do eleito, sobre
a qual é cobrado implacavelmente", argumenta o deputado.
Poder
de usurpação
A decisão da Justiça Eleitoral, segundo o deputado, partiu da
premissa de que o parlamentar que troca de partido usurpa o mandato. Na opinião
de Pompeo de Mattos, o que a Justiça fez, no entanto, representa apenas
transferir de mãos o direito de usurpação. "Agora é o
partido que poderá facilmente livrar-se de um parlamentar incômodo,
trocando-o por um mais palatável; cria-se um sistema no qual os caciques
do partido passam a ser os donos dos mandatos, sujeitando os eleitos às
suas vontades, sob pena da perda de mandato" - critica o deputado.
O projeto, de acordo com Pompeo
de Mattos, é uma solução melhor para o problema,
na medida em que "garante o equilíbrio das relações
dentro dos partidos e acaba de vez com o troca-troca". "O objetivo
do projeto é estimular a fidelidade partidária, pois não
interessará ao parlamentar abandonar a sigla, uma vez que a sanção
da inelegibilidade é fatal para o político, em qualquer
circunstância; e, para o partido, o projeto garante os mandatos
conquistados nas urnas", sustenta o deputado.
Tramitação
Sujeito à votação do Plenário, o projeto será analisado
pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
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PL-119/2007
Luiz Cláudio Pinheiro
Fonte: Ag. Câmara
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ÂMBITO
JURÍDICO, 06 de março de 2008
Maior de 21 anos poderá receber
pensão por morte de pais
O Projeto de Lei 2483/07, do deputado Cristiano Matheus (PMDB-AL), assegura ao
filho não emancipado com 21 anos de idade ou mais, com dependência
econômica comprovada, o direito à pensão por morte dos pais,
pelo período de seis meses. Atualmente, segundo a Lei de Benefícios
da Seguridade Social (8.213/91), a pensão por morte é paga apenas
aos filhos menores de 21 anos no caso de falecimento dos pais. A proposta modifica
essa lei.
Na opinião do deputado, o atual mecanismo
prejudica os jovens com 21 anos ou mais que também ficam sem
condições econômicas necessárias para concluir
seus estudos e se inserir no mercado de trabalho. Segundo Matheus,
ao receber uma pensão, ainda que por apenas seis meses, o jovem
terá um tempo mínimo para reorganizar sua vida.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas
comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças
e Tributação; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
-
PL-2483/2007
Luiz carlos Pinheiro
Fonte: Ag. Câmara
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
06 de março de 2008
Ação contra tomadora
de serviços deve ser julgada pela Justiça do Trabalho
A 2ª Seção do STJ (Superior Tribunal de Justiça)
alterou o entendimento quanto ao julgamento de ações de indenização
de empregado de empresa terceirizada contra a companhia tomadora dos serviços,
quando o fato for decorrente da relação de trabalho. Nesses casos,
a competência é da Justiça do Trabalho. O entendimento
adequa a jurisprudência do tribunal à mudança estabelecida
pela reforma do Judiciário de 2004
Seguindo o voto da ministra Nancy
Andrighi, relatora da ação, adotou-se um conceito jurídico
mais abrangente, que contempla a relação entre o empregado
da empresa terceirizada e da companhia tomadora de serviço, sempre
que essa relação tiver conexão com o trabalho por
ele desempenhado.
De acordo com informações
do STJ, a ministra destacou, ainda, o julgamento de outro conflito de
competência realizado no ano passado, que havia aplicado essa interpretação
para o caso de indenização por dano moral decorrente de
assédio sexual, ainda que a vítima trabalhasse em empresa
terceirizada e a ação fosse ajuizada contra um superior
hierárquico da empresa tomadora de serviços.
A redação dada
ao artigo 114 da Constituição pela Emenda Constitucional
nº 45 estabeleceu que cabe à Justiça do Trabalho processar
e julgar as ações de indenização por dano
moral ou patrimonial decorrentes da “relação de trabalho”,
no lugar da expressão anterior “relação de
emprego”.
No caso em análise, um
vigilante terceirizado teria sido caluniado por prepostos da empresa à qual
prestava serviços em Volta Redonda (RJ). Ele afirma que, após
a companhia ter sofrido uma tentativa de roubo, a diretoria teria comentado
com vários funcionários que ele seria um dos participantes
do episódio. O empregado terceirizado teria passado a ser tachado
de “ladrão” pelos funcionários, recebendo críticas
e brincadeiras. Por fim, a empresa tomadora de serviços requereu à contratante
a demissão do vigilante, o que ocorreu.
A ação foi ajuizada
na Justiça estadual em junho de 2004, que declinou da competência
para a Justiça do Trabalho em razão da Emenda Constitucional
nº 45. Alegando existir incerteza quanto à competência,
a Justiça trabalhista suscitou o conflito de competência
no STJ. A ministra Nancy Andrighi concluiu que, como a ação
de indenização ainda não foi julgada em primeiro
grau, a competência é da Justiça do Trabalho.
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ÂMBITO JURÍDICO,
06 de março de 2008
Empresa de transporte de valores é condenada
por revistar empregada
Em acórdão proferido pela Quarta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho, de relatoria do ministro Barros Levenhagen, a empresa Protege S/A – Proteção
e Transporte de Valores, do Rio de Janeiro, foi condenada a indenizar uma auxiliar
de tesouraria por sujeitá-la a revistas íntimas diárias.
A auxiliar de tesouraria foi
contratada em 1999. Entre janeiro de 1999 e setembro de 2000, segundo
seu relato, foi submetida a situação constrangedora, em
virtude das revistas íntimas feitas, diariamente, no banheiro
feminino, inicialmente por funcionárias que prestavam serviços
de vigilância, e, posteriormente pelas próprias empregadas
da Protege.
Tal fato levou-a requerer, judicialmente,
indenização por danos morais, entre outras verbas. Diante
do não-reconhecimento do pedido pela 25ª Vara do Trabalho,
a empregada recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ). O Regional, porém, entendeu que a revista íntima
realizada por pessoa do mesmo sexo não se constitui em prática
vexatória, considerada a natureza do trabalho. Considerou também
o fato de a única testemunha apresentada pela trabalhadora ter
dito que jamais presenciara qualquer comentário indecoroso a seu
respeito, e manteve a decisão de primeiro grau.
Inconformada, a empregada recorreu
ao TST por meio de recurso de revista. Alegou que a revista íntima,
além de violar a honra e intimidade do trabalhador, garantidas
pela Constituição Federal, é vedada expressamente
pela Consolidação das Leis do Trabalho.
O ministro Barros Levenhagen
ressaltou que o artigo 373-A, inciso V, da CLT “contém norma
incisiva sobre a proibição de o empregador ou preposto
proceder a revistas íntimas nas empregadas ou funcionárias”,
e que a infringência a esse dispositivo constitui “ofensa à sua
dignidade e intimidade como indivíduos, reforçando a convicção
sobre a caracterização do dano moral do artigo 5º,
inciso X da Constituição Federal.” O relator lembrou
que a jurisprudência do TST é no sentido de qualificar como
dano moral a realização de revista pessoal de controle
ou ato equivalente, e citou vários precedentes. A indenização
foi arbitrada no valor de R$ 3 mil, com a finalidade, também,
de coibir a prática. (RR-58/2004-025-01-40.0)
(Lourdes Côrtes)
Fonte: TST
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ÂMBITO JURÍDICO,
06 de março de 2008
É ilegal pagamento proporcional
de adicional de periculosidade
Pelo teor de decisão da 5ª Turma do TRT-MG, com base em voto do
juiz convocado Rodrigo Ribeiro Bueno, não existe previsão legal
que autorize o pagamento do adicional de periculosidade proporcional ao tempo
de exposição ao agente perigoso.
No caso, a reclamada alegava
ser indevido o adicional de periculosidade porque a atividade do autor
no abastecimento de veículos era eventual, não fazendo
parte dos seus afazeres cotidianos. Se, em todo caso, fosse deferido
o adicional, sustentava que este deveria ser pago proporcionalmente ao
tempo de contato com o agente de risco.
Mas o laudo pericial demonstrou
que, de cinco a seis dias por mês, o autor abastecia veículos
da empresa com inflamáveis (gasolina e álcool), gastando
nessa atividade cerca de uma hora. “A Súmula nº 364,
I, do TST, exclui da caracterização da periculosidade tão-somente
a exposição em caráter eventual, isto é,
aquela fortuita ou por tempo extremamente reduzido” – destaca
o relator, ressaltando que este não é o caso dos autos,
porque o autor trabalhava na empresa há 08 anos e, durante todo
esse período, se sujeitava permanentemente a condições
de risco, ainda que essa atividade perigosa não ocupasse toda
a sua jornada de trabalho. Até porque, os acidentes podem acontecer
a qualquer momento.
“Ademais, o artigo 195
da CLT não autoriza o pagamento do adicional de periculosidade
proporcionalmente ao tempo de exposição ao risco e, conforme
o entendimento firmado na Súmula 361 do TST: ‘O trabalho
exercido em condições perigosas, embora de forma intermitente,
dá direito ao empregado a receber o adicional de periculosidade
de forma integral, tendo em vista que a Lei 7369/85 não estabeleceu
qualquer proporcionalidade em relação ao seu pagamento” – conclui.
( RO nº 00858-2007-029-03-00-4
)
Fonte: TRT3
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JORNAL O GLOBO, 06 de março
de 2008 | Economia
Moody's vê sólido crescimento
de construção civil no Brasil
Reuters/Brasil Online
SÃO PAULO (Reuters) - O setor de construção civil no Brasil
terá um sólido crescimento no próximos anos, com o ambiente
favorecendo chances de realização de fusões e aquisições
na indústria, afirma um relatório da Moody's Investors Service,
divulgado nesta quarta-feira.
Esse crescimento depende, contudo,
de uma expansão econômica contínua, taxas de juros
estáveis e oferecimento de financiamento imobiliário cada
vez mais amplo aos interessados em adquirir um imóvel, informou
a agência de classificação de risco.
"O governo trabalha para
tornar as leis do setor menos rígidas em várias frentes
e melhorar o ambiente macroeconômico, e um grande déficit
de moradias levou a uma grande disponibilidade de financiamento imobiliários
para os compradores de imóveis", afirmou o analista do setor
de construção civil da Moody's, Soummo Mukherjee.
"Estamos também vendo
cada vez mais bancos e construtoras trabalhando juntos para melhorar
o leque de financiamentos imobiliários", acrescentou o analista.
A Moody's observa que este setor
no Brasil ainda é muito fragmentado, sem nenhuma empresa detendo
mais de 8 por cento do mercado, e que isso abre possibilidades para movimentações
no segmento.
"Dado o alto grau de financiamento
necessário às construtoras, a dificuldade de se levantar
capital e as vantagens de se ter um negócio de larga escala, esperamos
ver uma série de fusões e aquisições no setor
nos próximos anos", afirma o analista no relatório.
(Por Rodolfo Barbosa)
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JORNAL DA MIDIA, 06 de março
de 2008
Estádio
Greve na construção civil
pode afetar obras em Pituaçu
Salvador - Para não afetar o cronograma das obras do Estádio
de Pituaçu, previstas para serem concluídas em junho, a Companhia
de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Conder) está mantendo contatos com
os representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil (Sintracon) para ressaltar a importância das obras, paralisadas
há cinco dias por causa da greve no setor. O movimento dos operários
em todos os canteiros de obras da cidade é fruto das negociações
da categoria com o Sindicato da Indústria da Construção
Civil (Sinduscon), por conta da data-base para discussão de melhorias
trabalhistas.
A greve foi iniciada há onze
dias, mas só passou a atingir as obras do estádio depois
dos piquetes realizados pelo sindicato no último final de semana.
São, no total, cinco empreiteiras trabalhando no local, sob a
coordenação da Conder. “Apesar do esforço
da Conder, a greve dos trabalhadores é fruto de uma negociação
normal de data-base e, agora, só nos resta torcer, tentando intermediar
dentro do possível, para que o acordo entre o sindicato patronal
e dos trabalhadores seja efetivado o quanto antes”, disse, nesta
quarta-feira (5), o assessor da Conder, Aristides Batista.
A diretoria da Conder teme que
as negociações acabem se estendendo, comprometendo o andamento
das obras. Com a interdição da Fonte Nova, por problemas
de infra-estrutura, o governo estadual está investindo R$ 22 milhões
na reforma do Estádio de Pituaçu para receber jogos de
grande porte, a exemplo das partidas da Série B do Campeonato
Brasileiro de Futebol.
Inaugurado em 1979, o estádio
terá sua capacidade ampliada de 13 mil para 32 mil lugares. A
estrutura também estava desgastada, sem manutenção,
com ferragens corroídas e desníveis na arquibancada. A
grama do estádio também será toda renovada. Até o
início da greve, as obras estavam seguindo o cronograma normal
previsto.
O projeto, que segue rigorosamente
as normas do Estatuto do Torcedor, prevê ainda intervenções
na área do entorno do estádio, a exemplo da duplicação
da Avenida Pinto de Aguiar, desde a saída da Paralela até a
Universidade Católica. Serão construídas também
passarelas para que os torcedores possam estacionar no Centro Administrativo
e atravessar para o novo estádio. As intervenções
ainda prevêem a proteção da área ambiental
do Parque de Pituaçu.
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O
ESTADO DO PARANÁ, 06 de março de 2008 | Economia
Salário mínimo sobe 15%
no Paraná
Redação O Estado do
Paraná
Foto: SECS

Secretário Nelson Garcia, com sindicalistas: estímulo à economia.
O governo do Estado anunciou ontem que o salário mínimo regional
terá um reajuste de 15% a partir do dia 1.º de maio, passando dos
atuais R$ 462 a R$ 475,20, para entre R$ 527 e R$ 547,80, dependendo da categoria.
A proposta será enviada à Assembléia Legislativa do Paraná,
para apreciação e votação pelos deputados.
Na semana passada o governo federal concedeu
reajuste de 8,5% no salário mínimo nacional, passando
de R$ 380 para R$ 415 a partir do dia 1.º de março. O
piso regional, se aprovado, será 32% maior que o nacional.
Na semana passada, quando
o governo federal anunciou o reajuste no salário nacional,
o secretário do Emprego, Trabalho e Promoção
Social, Nelson Garcia, já acenava com um aumento maior no
Paraná. Segundo o secretário, o novo valor será positivo
para a economia paranaense na medida em que deve gerar mais empregos. “Com
um salário maior, o paranaense pode comprar mais, o empresário
produz mais e o número de empregos aumenta”, afirmou
o secretário. Garcia afirmou ainda que o valor do novo salário
mínimo deve servir de parâmetro para as convenções
coletivas de trabalho e impulsionar o piso salarial de outras categorias.
O cálculo para chegar
ao novo valor levou em conta a produtividade no Estado, o aumento
do Produto Interno Bruto (PIB) e a perda do poder de compra do trabalhador
(representada pela inflação no ano de 2007 no Paraná).
Impacto
Na opinião do diretor
do Ipardes, José Moraes Neto, o Estado tem condições
econômicas para elevar o salário, pois, segundo ele,
o crescimento do PIB aqui é maior do que no Brasil. Segundo
ele, em 2006 mais de 78 mil pessoas recebiam até um salário
mínimo nacional, sendo que dessas 6 mil recebiam menos do
que os R$ 380 até então estabelecidos pelo governo
federal, e questionou: “Imagine, o impacto que R$ 100,00 a
mais no salário de cada uma dessas 78 mil pessoas vai causar
na economia”.
Sobre o impacto do novo valor
estabelecido para o salário mínimo regional para o
empregador, o governador Roberto Requião disse que não
vai prejudicar o empresário. “Com a redução
do ICMS, o governo do Paraná aumentou a produtividade e o
lucro das pequenas empresas e elas não vão sofrer com
o aumento porque terão tempo para se preparar.”
O presidente da Federação
dos Trabalhadores em Alimentação e secretário
da Federação dos Trabalhadores do Paraná, Ernane
Garcia Ferreira, compartilhou da opinião do secretário
do Trabalho. Para ele, o novo valor “empurra” o valor
dos salários de quem recebe piso por categoria. Segundo ele,
na indústria da alimentação o mínimo
regional foi responsável por negociações melhores
para os trabalhadores da indústria canavieira. Com o aumento
do salário no campo, explica Ferreira, os trabalhadores das
fábricas de transformação de cana conseguiram
negociar um reajuste de 17% no piso salarial (depois de dois anos
sem aumento).
O piso regional vale
para as classes que não têm piso estabelecido em acordo
por convenção coletiva de trabalho, como as empregadas
domésticas e os trabalhadores da agricultura, por exemplo.
Além de secretários e dirigentes sindicais, também
estiveram presente na reunião que definiu o novo mínimo
regional representantes da Central Única dos Trabalhadores
(CUT), da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), da
Força Sindical, da Nova Central Sindical, da Federação
dos Trabalhadores do Comércio e da Central dos Trabalhadores
do Brasil (CTB).
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Folha de São Paulo, 6 de março
de 2008
Homens, minoria entre os desempregados,
passam menos tempo em busca de trabalho
DA REDAÇÃO
Além de serem maioria entre os desempregados brasileiros (56,4%), as
mulheres passam mais tempo buscando uma colocação no mercado
de trabalho do que os homens, segundo levantamento do Dieese.
Na região metropolitana de Salvador, foram, em média, 73 semanas
em 2007, contra 62 dos homens. Na região com menor tempo de procura,
Porto Alegre, elas precisaram de 36 semanas para se recolocar no mercado de
trabalho -os homens, cinco a menos. Em São Paulo, o período também
foi equilibrado, com a mesma diferença contra o sexo feminino, que levou
50 semanas para arranjar um emprego.
De acordo com Lúcia Garcia, coordenadora do sistema PED, em cerca de
dois terços das famílias as mulheres não são a
provedora principal da casa, por isso "podem se dar ao luxo" de passar
mais tempo em busca da ocupação mais adequada ao seu perfil.
Essa, porém, é apenas uma das explicações.
Elas, que já representam 46,7% da força de trabalho nas regiões
metropolitanas pesquisadas, ainda enfrentam a discriminação dos
empregadores, principalmente aquelas em idade reprodutiva e com filhos. Para
aumentar a competitividade, diz Lúcia, o número de anos de estudo
delas é maior.
Na avaliação do rendimento, o Distrito Federal tem a maior diferença
entre os sexos. Uma mulher ganha 74,6% do que um homem recebe por hora.
Analisando os números da Rais e trazendo a valores presentes, Fábio
Romão, economista da LCA Consultores, aponta que o rendimento médio
das mulheres cresceu mais (3,6%) do que o dos homens (1%) no mercado formal
na comparação de 2006 (últimos dados) com 2001. A diferença
entre os sexos também diminuiu, pois em 2006 elas ganhavam 82,7% do
salário de seus concorrentes homens, contra 80,7% em 2001. (TR)
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Folha de São Paulo,
6 de março de 2008
Alta no emprego beneficia menos a mulher
Taxa de desemprego caiu para ambos os sexos
em 2007, em relação a 2006, mas redução
foi maior entre os homens | Diferença se deve ao perfil dos
postos de trabalho abertos no ano passado, com destaque para a construção
civil e a indústria
Paula Huven - 18.fev.08/Folha Imagem

Mulheres disputam vaga de pedreiro no Rio; ocupação é tradicionalmente "reduto" masculino
TATIANA RESENDE
DA REDAÇÃO
Embora a taxa de desemprego tenha
caído para ambos os sexos em 2007, a expansão no número
de vagas criadas beneficiou mais os homens do que as mulheres devido
ao perfil dos postos abertos.
Pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos) mostrou que a taxa masculina caiu em ritmo mais acelerado
do que a feminina em todas as regiões metropolitanas pesquisadas (São
Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Distrito Federal, Salvador), com exceção
do Recife, onde o decréscimo foi menor para os homens.
Segundo Lúcia Garcia, coordenadora do sistema PED (Pesquisa de Emprego
e Desemprego) do órgão, houve estabilidade na pressão
das mulheres no mercado de trabalho, o que contribuiu para a redução
na taxa. Porém, associado a isso, as oportunidades se concentraram na
construção civil, na indústria e nos segmentos do setor
de serviços mais ligados à produção, áreas
tradicionalmente dominadas por homens.
" A sociedade designa lugares culturalmente ocupados pelas mulheres",
afirma, referindo-se a profissões como professoras do ensino fundamental,
enfermeiras e domésticas.
Em Belo Horizonte, foi registrada a maior diferença entre a taxa de
desemprego feminina (15,9%) e a masculina (8,9%), mas foi em São Paulo,
onde os números são respectivamente 17,8% (menor taxa desde 97)
e 12,3%, que o dado chamou mais a atenção dos pesquisadores.
"É a maior diferença dos últimos 19 anos", diz
Marcia Guerra, pesquisadora da Fundação Seade (Sistema Estadual
de Análise de Dados).
Nível
de ocupação
Isso se deve a uma expansão maior no ano passado, com relação
a 2006, do nível de ocupação masculino (3%), que chegou
a ser o dobro do feminino (1,5%). "Ainda assim, é o nono ano consecutivo
em que há crescimento", destaca Marcia, lembrando ainda que, em
2007, apenas 29,7% das vagas criadas foram ocupadas por mulheres, contra 62%
no ano anterior e 60,4% em 2005.
Na divisão por faixa etária, a maior diminuição
na taxa de desemprego está no intervalo entre 40 e 49 anos, com queda
de 8,6%. O mesmo grupo teve alta na participação no mercado de
trabalho. Na faixa entre 10 e 17 anos, foi registrada a segunda maior retração
(5,7%), mas nesse caso a redução se deve à diminuição
de jovens procurando emprego. "Elas podem estar investindo mais em educação,
adiando a entrada no mercado", analisa.
2008
Para este ano, Fábio Romão, economista da LCA Consultores, prevê uma
continuidade no aumento de empregos formais superior ao da ocupação
em geral, "o que já vem acontecendo desde 2005".
No entanto, construção civil e indústria devem continuar
puxando a abertura de postos, o que significa que os homens tendem a permanecer
em vantagem na disputa pelas vagas.
Na opinião da coordenadora do PED, é necessário implementar
políticas de estímulo a segmentos tradicionalmente dominados
pelas mulheres, com programas de educação infantil, por exemplo. "É preciso
haver intervenção pública. Naturalmente, o mercado não
resolve esse problema."
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O ESTADO DO PARANÁ,
06 de março de 2008 | Economia
Governo quer destinar 30% dos postos
de trabalho do PAC para mulheres
Carolina Pimentel/Agência
Brasil
Brasília - O governo
quer destinar 30% das vagas de trabalho criadas com o Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC) para as mulheres.
Essa é uma das metas do 2º Plano Nacional de Políticas
para as Mulheres, lançado nesta quarta-feira (5) pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Lula, será preciso
convencer empresários para que contratem homens e mulheres que
vivem nas regiões onde as obras serão feitas.
“É muito importante
que a gente conscientize os empresários também para que
eles contratem de lá. E que os governos estaduais e municipais
contribuam para que a gente possa ajudar na formação e
na qualificação daquelas pessoas”, disse Lula.
Outra meta é elevar em
30% o número de empregadas domésticas com carteira assinada.
O presidente destacou a resistência das classes média e
alta em contratar na formalidade.
“É um problema
de um amplo segmento da sociedade brasileira que tem empregada doméstica
e não registra em carteira, não faz as coisas direito.
A lei já existe. O que precisamos agora é um trabalho
forte de convencer essas pessoas que é mais saudável
para a relação com a sua empregada e para o país
se ele cumprir com todos os requisitos, como se tivesse contratando
uma funcionária de verdade e não um quebra-galho”,
afirmou.
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Folha de São Paulo, 6 de março
de 2008
Lupi planeja deixar comando do PDT,
que já controla pasta
Ministro do Trabalho só anunciará decisão
de sair da presidência na próxima semana | Postos-chave
de ministério foram loteados entre vice-presidentes, ex-deputado
e tesoureiro da sigla; Lupi diz se amparar na Constituição
JULIANNA SOFIA
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A licença do ministro Carlos Lupi da presidência do PDT não
alterará a forma de atuação da sigla dentro do Ministério
do Trabalho. Desde que assumiu a pasta, em abril do ano passado, Lupi loteou
os postos-chave do ministério com integrantes da máquina do PDT.
Lupi reuniu-se ontem com a Executiva do partido e parlamentares e definiu a
estratégia para deixar o comando do PDT. A decisão deve ser anunciada
até o início da próxima semana, depois que ele tiver uma
conversa com o novo presidente da Comissão de Ética Pública,
Sepúlveda Pertence. A comissão considerou incompatível
a permanência dele na presidência do PDT e no ministério.
No Trabalho, a secretaria com o maior orçamento, a de Políticas
Públicas de Emprego, é chefiada por Ezequiel Nascimento, um dos
vice-presidentes do PDT no Distrito Federal. A SPPE é responsável
pelo controle do pagamento bilionário do seguro-desemprego e do abono
salarial a trabalhadores.
Além disso, as atribuições da secretaria incluem a liberação
e o acompanhamento dos convênios da pasta com prefeituras, governos estaduais
e ONGs. Esses convênios são o foco de denúncias contra
Lupi, por favorecimento do PDT.
A Secretaria Executiva do ministério também é ocupada
por um pedetista, o ex-deputado André Figueiredo, integrante do Diretório
Nacional do PDT. Ele substitui o ex-governador de Alagoas Ronaldo Lessa, que
deixou a vaga, mas não o ministério. Vice-presidente regional
do partido, ele é um dos assessores especiais de Lupi.
Marcelo Panella, tesoureiro do PDT, é outro a exercer funções
na pasta. Como chefe-de-gabinete, tem sob sua supervisão a agenda diária
de Lupi, inclusive a seleção de pessoas a serem recebidas em
audiência.
Outro nome oriundo do PDT é o de Renato Ludwig de Souza -atual diretor
do Departamento de Políticas de Trabalho e Emprego para a Juventude.
Procurado pela Folha, o Ministério do Trabalho informou por nota que,
conforme a Constituição, os cargos em comissão do ministério "são
de livre provimento do titular da pasta, no caso o ministro Carlos Lupi".
O ministério acrescentou que existem 434 cargos dessa natureza e que
respeita a cota obrigatória de 75% a ser preenchida por servidores de
carreira. A nota cita o artigo 5º da Constituição: "Ninguém
será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de
convicção filosófica ou política".
Apesar de ter ingressado no ministério antes da chegada de Lupi, o sindicalista
Luiz Antônio de Medeiros ocupa a Secretaria de Relações
do Trabalho com o apoio do ministro. Sua defesa, porém, vem sobretudo
da Força Sindical, cujo presidente é Paulo Pereira da Silva (PDT).
Medeiros foi o antecessor de Paulinho no comando da central e fundador da entidade.
A vaga dele é contabilizada na cota de Lula, que lhe entregou o posto
como gratidão por sua atuação na reeleição.
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Folha de São Paulo, 6 de março
de 2008
Sigla controla 18 superintendências
regionais
DA REPORTAGEM LOCAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Ao deixar a presidência do PDT, o ministro Carlos Lupi não deixará o
partido fora do ministério. Levantamento da Folha aponta que, dos 27
superintendentes regionais -cargo mais alto do ministério nos Estados-,
Lupi trocou 21. Desses, ao menos 18 são filiados ou indicados por alguém
do PDT.
Entre os beneficiados com cargos há membros da cúpula do PDT
nos Estados e candidatos derrotados nas eleições de 2004 e 2006.
A mudança nas chefias foi acompanhada por um aumento do poder de atuação
da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) -antiga Delegacia
Regional do Trabalho (DRT).
Em janeiro deste ano, o presidente Lula e o ministro Lupi assinaram o decreto
nº 6.341, que atribui à SRTE a responsabilidade pela "execução,
supervisão e monitoramento" de todas as políticas públicas
do Ministério do Trabalho, inclusive dos convênios que teriam
sido firmados para favorecer entidades ligadas ao PDT.
Até então, a principal função do órgão
era fiscalizar as condições de saúde e ambiente do trabalhador
e intermediar negociações trabalhistas. "Antes éramos
o braço do Ministério do Trabalho nos Estados, hoje somos o próprio
ministério", diz Lucíola Rodrigues Jaime, superintendente
regional de São Paulo, que não é do PDT.
O ministro, que nega as acusações, cancelou alguns convênios
e prometeu o retorno dos recursos destinados às entidades ao erário.
Em nota, o Ministério do Trabalho informou que os cargos são
de livre provimento e que o órgão respeita a cota obrigatória
de 75% a ser preenchida por servidores de carreira. A assessoria não
respondeu às perguntas na sexta.
São filiados ao PDT os superintendentes de Alagoas, Amapá, Amazonas,
Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul,
Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de
Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e Tocantins. Na
Bahia, Norma Nascimento Pereira não é filiada, mas foi indicada
pelo deputado federal Severiano Alves (PDT). "O fato de ser um cargo político
não interfere em nosso trabalho", diz o superintendente da Paraíba,
Inácio Machado de Souza. Três meses após ser indicado,
ele se filiou: "Concordei com a ideologia do PDT, não teve pressão".
Do Acre, Manoel Rodrigues de Souza Neto, 49, do PV, é um dos poucos
remanescentes da gestão anterior a Lupi: "Nunca toquei nesse assunto
com o ministro. Enquanto isso, eu vou ficando". (LILIAN
CHRISTOFOLETTI E JULIANNA SOFIA)
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Folha de São Paulo, 6 de março
de 2008
Presidente da Força Sindical
diz que vai processar jornais
Paulinho ameaça mover de 1.000 a
2.000 ações no país em resposta a reportagens
sobre os repasses de verbas federais | Deputado afirma que Força
não possui convênios com a pasta do Trabalho e que
seu objetivo é "dar um trabalho desgraçado" à imprensa
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva
(PDT-SP), o Paulinho, disse que irá processar a Folha e "O Globo" em
20 Estados do país por causa da série de reportagens que os dois
veículos publicaram sobre o repasse de verbas do Ministério do
Trabalho para entidades ligadas à central, repetindo estratégia
utilizada pela Igreja Universal do Reino de Deus.
Segundo ele, se o número de ações não for suficiente
para que os jornais interrompam as reportagens sobre o repasse de dinheiro
do Ministério do Trabalho, comandado por Carlos Lupi (PDT), para as
entidades ligadas à Força, os sindicalistas irão ingressar
de 1.000 a 2.000 ações em todo o país: "A Igreja
Universal vai ser fichinha".
A decisão foi anunciada em reunião da Executiva Nacional do PDT
com o ministro Carlos Lupi e confirmada à Folha pelo deputado: "Estamos
fazendo apenas 20 ações contra a Folha e "O Globo".
Liguei para vários jornalistas para explicar que a Força não
tem convênio com o Ministério do Trabalho e outros ministérios
do governo. E, todos os dias, os jornais citam o meu nome e o da Força.
Como eles não ouviram, decidi consultar amigos sindicalistas que estão
se sentindo ofendidos e vão entrar com ações em várias
partes do Brasil", afirmou.
Paulinho disse que sua intenção não é ganhar as
ações na Justiça, mas "dar trabalho" para os
dois veículos. "Pode perder, não tem problema. Vou dar um
trabalho desgraçado para eles. Meu negócio é dar trabalho
para eles. Não é nem ganhar. É só para eles aprenderem
a respeitar as pessoas. Eu estou fazendo apenas 20. Se não parar, vou
fazer de 1.000 a 2.000 ações contra eles no Brasil inteiro",
ameaçou.
Fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus moveram mais de 60 ações
contra a Folha e a jornalista Elvira Lobato, alegando que se sentiram ofendidos
por um trecho da reportagem "Universal chega aos 30 anos com império
empresarial", publicada em dezembro.
Há questionamentos sobre 12 convênios do ministério com
entidades e pessoas ligadas ao PDT. A Folha divulgou que a pasta pretendia
repassar R$ 7 milhões à CNTM (Confederação Nacional
dos Trabalhadores Metalúrgicos), ligada à Força Sindical,
para recolocar mão-de-obra em São Paulo.
O valor seria 97% maior que o gasto pelo governo paulista, e comissões
do Estado e da prefeitura votaram contra o convênio. A decisão
final cabe ao Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador).
Ministério e entidades negam favorecimento.
Paulinho preside a Força desde 1999. Antes, presidiu o Sindicato dos
Metalúrgicos de SP (desde 1994). Em 2002, foi candidato a vice-presidente
pelo PTB na chapa de Ciro Gomes e, em 2004, a prefeito de São Paulo
pelo PDT.
(ANDREZA MATAIS e SÉRGIO LIMA)
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Gazeta do Povo, 6 de março
de 2008
ECONOMIA | JUROS
BC mantém Selic, mas já sugere
alta
Brasília – O Comitê de Política Monetária
(Copom) decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 11,25% ao ano,
pela quarta vez consecutiva. A decisão, unânime e sem viés,
veio acompanhada de uma pequena alteração no tradicional comunicado
divulgado após a reunião, mas que pode sinalizar a retomada da
alta dos juros muito em breve, segundo os analistas.
A mudança foi a inclusão
da palavra “atentamente” ao texto da reunião de janeiro. “Avaliando
a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação,
o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 11,25% ao ano,
sem viés. O Comitê irá monitorar atentamente a evolução
do cenário macroeconômico até sua próxima
reunião, para então definir os próximos passos na
sua estratégia de política monetária.”
Diante da sutil mudança,
os economistas não descartam o início do ciclo de aperto
monetário a partir da próxima reunião, em abril.
O cenário deverá ficar mais claro a partir da quinta-feira
que vem, quando o BC divulga a ata da reunião de ontem e expõe
todos os seus argumentos para a manutenção da Selic nos
níveis atuais. “Acreditamos que o Copom mantenha o discurso
duro na ata de quinta-feira, já que os fatores de risco para a
trajetória futura da inflação continuam”,
afirma o economista da Concórdia Corretora, Elson Teles.
Antes mesmo de terminar a reunião,
o mercado futuro já apontava para uma possível alta dos
juros. Para abril, as projeções indicam Selic em 11,5%,
ou seja, alta de 0,25 ponto porcentual, afirma o economista da corretora
López León, Flávio Serrano. Segundo ele, os dados
do mercado mostram que em dezembro a taxa estaria em 12,5%.
A Federação
e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp
e Ciesp) e a Confederação Nacional da Indústria
(CNI) voltaram a criticar, na noite de ontem, a decisão do Copom
em manter inalterada a taxa de juros pela quarta reunião consecutiva. “Há cerca
de três anos e meio a Fiesp e o Ciesp têm, reiteradas vezes,
manifestado – sempre sob argumentação técnica – a
sua discordância quanto às ações do Copom
no que diz respeito às taxas de juros praticadas no Brasil”,
afirma comunicado conjunto. Pedindo desculpas pela “monotonia” dos
argumentos, as entidades ressaltaram que o país pratica a maior
taxa de juros do planeta.
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Gazeta do Povo, 6 de março
de 2008
BRASIL | URNAS
TSE divulga últimas regras para
a eleição municipal de 2008
São Paulo – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou as últimas
instruções para as eleições municipais de outubro.
Segundo o TSE, o primeiro turno das eleições para prefeito, vice-prefeito
e vereador será realizado no dia 5 de outubro. O segundo turno está marcado
para o dia 26 de outubro em municípios com mais de 200 mil eleitores
no caso de nenhum dos candidatos alcançar a maioria absoluta.
A resolução 22.718/2008
regulamenta a propaganda eleitoral e atribui ao juiz eleitoral da comarca
a competência para tomar todas as providências relacionadas à publicidade
dos candidatos, assim como para julgar representações e
reclamações.
Essa resolução
estabelece o dia 6 de julho como o início da propaganda eleitoral.
Para a divulgação de pré-candidaturas será permitida
propaganda interna nos partidos para indicação dos candidatos,
inclusive mediante a afixação de faixas e cartazes em
local próximo da convenção. A publicidade paga
em rádio ou na televisão continuam proibidas, assim como
a propaganda em bens públicos ou de uso comum.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
06 de março de 2008
Horário eleitoral começa
em 19 de agosto
Marcos Sergio Silva
A propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio começa em 19
de agosto e deve terminar em 2 de outubro, três dias antes das eleições.
A orientação faz parte do pacote de normas que o TSE (Tribunal
Superior Eleitoral) divulgou hoje (5/03) e sai no “Diário da Justiça”,
em sua versão eletrônica, na sexta-feira (7/03).
Segundo a resolução,
as emissoras devem reservar dois períodos de 30 minutos para os
candidatos a prefeito (segundas, quartas e sextas) e a vereador (terças,
quintas e sábados). Os horários estipulados são
os das 7h às 7h30 e das 12h às 12h30 para as rádios
e das 13h às 13h30 e das 20h30 às 21h para as TVs.
A divisão de tempo deverá ocorrer
da seguinte forma: um terço do horário dividido entre todos
os partidos e dois terços proporcionais às bancadas na
Câmara dos Deputados, como já ocorre normalmente. A representação é a
corrente na data da última eleição —ou seja,
outubro de 2006.
A campanha eleitoral começa
oficialmente em 6 de julho. Até lá, é proibido qualquer
tipo de propaganda. A Internet, por exemplo, deve atender a essas recomendações —os
sites devem sair do ar na antevéspera da eleição.
Como “Última Instância” havia
adiantado, a propaganda eleitoral não depende, no caso de São
Paulo, da Lei Cidade Limpa, que impõe restrições à publicidade
externa no município. De acordo com o TSE, a legislação
eleitoral sobrepõe qualquer ordem municipal. Nesse caso, as propriedades
privadas poderão apresentar cartazes ou faixas desde que atendam
a recomendação da Justiça Eleitoral, que limita
em 4m2 essas peças. Até mesmo bonecos e anúncios
móveis poderão ser colocados.
Outdoors, camisetas, chaveiros
e bonés continuam proibidos pela lei eleitoral, assim como os “showmícios”.
Os candidatos podem usar e abusar do som em comícios das 8h à 0h —e
o Psiu, programa da Prefeitura de São Paulo que limita o barulho,
não poderá intervir.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
06 de março de 2008
Vice pode ser candidato a prefeito,
mas sem direito à reeleição
O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral deu conformidade em parte à consulta
feita pelo deputado Odair Cunha (PT-MG) sobre sucessão municipal.
O parlamentar fez dois questionamentos à Corte
Eleitoral: “Pode um hipotético vice-prefeito que tenha substituído
o titular ininterruptamente nos seis meses anteriores ao pleito, candidatar-se
ao cargo de prefeito municipal no pleito subseqüente?” foi
respondida afirmativamente pelo ministro José Delgado (foto),
que citou precedente no mesmo sentido.
Já a segunda questão
formulada pelo deputado foi respondida negativamente pelo relator, que
também citou outro precedente do TSE como embasamento para seu
voto. A questão, formulada pelo deputado Odair Cunha é complementar à primeira
argüição: “Poderá este candidato, na
forma da hipótese anterior (que substitui o titular nos seis meses
anteriores ao pleito, de forma contínua e ininterrupta), uma vez
eleito prefeito municipal, disputar as eleições majoritárias
municipais subseqüente, ou seja, ser reeleito?”
O ministro José Delgado
lembrou que no segundo caso, o prefeito eleito, que já havia
exercido o cargo interinamente, em substituição ao titular,
não poderá se candidatar mais uma vez como titular, caso
que configuraria o terceiro mandato subseqüente, hipótese
vedada pela legislação eleitoral.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
06 de março de 2008
Terceiro mandato consecutivo não é permitido,
reitera TSE
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) respondeu de forma negativa ao questionamento
formulado pelo PSL (Partido Social Liberal) sobre a eventual disputa de um
terceiro mandato consecutivo por representante do Executivo (prefeito, vice-prefeito,
governador, vice-governador, presidente ou vice-presidente), considerando que “o
mandato pertence ao partido, e não a pessoa”.
A decisão foi unânime,
nos termos do voto do relator da Consulta 1492, ministro José Delgado,
que conheceu e respondeu negativamente à indagação
nas três situações hipotéticas colocadas pelo
PSL: de candidatura pelo mesmo partido político, de candidatura
por outro partido político e de candidatura por nova agremiação
partidária resultante de fusão.
O Diretório Nacional do
PSL protocolou no Tribunal Superior Eleitoral a seguinte indagação: “Caso
um prefeito ou vice-prefeito, um governador ou vice-governador, presidente
ou vice-presidente, já se encontrem a exercer um segundo mandato
consecutivo, e tendo em vista que o mandato pertence ao partido e não
a pessoa, tal representante do Executivo poderá disputar um terceiro
mandato consecutivo pelo mesmo partido?”
“E em caso negativo, observando
mais uma vez que o mandato pertence ao partido e não a pessoa,
caso esta mesma pessoa tenha se elegido por duas vezes consecutivas ao
cargo de prefeito ou vice-prefeito, governador ou vice-governador, presidente
ou vice-presidente, poderá esta mesma pessoa vir a disputar um
terceiro mandato consecutivo caso esteja filiado a um outro partido político?”,
questiona o Partido Social Liberal.
O partido reiterou a observação
de que “o mandato pertence ao partido, e não a pessoa” para
perguntar novamente se “e em caso negativo, observando novamente
que o mandato pertence ao partido e não a pessoa, caso um prefeito
ou vice-prefeito, um governador ou vice-governador, presidente ou vice-presidente,
já se encontrem a exercer um segundo mandato consecutivo, e o
seu partido venha a se fundir com um outro partido, poderá tal
pessoa disputar um terceiro mandato consecutivo, agora pela nova agremiação
partidária?”
O delegado nacional do Partido
Social Liberal, José Geraldo Forte, formalizou os questionamentos
alegando o objetivo de “dirimir dúvidas com relação à autonomia
dos partidos diante das novas decisões sobre fidelidade partidária”.
Para fazer as indagações, ele ponderou: “Tendo em
vista que recentemente esta Corte decidiu que os mandatos de cargos proporcionais,
tais como: vereador, deputado estadual e federal, bem como os de cargos
majoritários, tais como: prefeito e vice-prefeito, governador
e vice-governador, senador e seus dois suplentes, presidente e vice-presidente
da República, pertencem ao partido; diante de tal visão
jurídica, esta Corte homenageou o partido ao declarar que a saída
de um prefeito ou governador ou presidente do partido que o elegeu acarretará por
conseqüência a perda de seu mandato, ficando claro a supremacia
partidária em detrimento da pessoa; tendo em vista que é permitido
que haja reeleições sem limites para cargos proporcionais
tais como: vereadores, deputados estaduais e federais; tendo em vista
que também há reeleições ilimitadas para
os senadores e seus suplentes, cargo majoritário em face de representar
em número de três cada Estado da federação
brasileira".
Legislação
De acordo com o artigo 23, inciso
XII, do Código Eleitoral, cabe ao TSE responder às consultas
sobre matéria eleitoral, feitas em tese por autoridade com jurisdição
federal ou órgão nacional de partido político. A
consulta não tem caráter vinculante, mas pode servir de
suporte para as razões do julgador.
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O ESTADO DO PARANÁ,
06 de março de 2008 | Nacional
Diárias para ministros devem
ficar entre R$ 400 e R$ 450, diz Paulo Bernardo
Sabrina Craide/Agência Brasil
Brasília - O valor das diárias que o governo pretende implementar
para cobrir os gastos de viagem dos ministros deve ficar entre R$ 400 e R$
450. A informação foi dada nesta quarta-feira (5) pelo ministro
do Planejamento, Paulo Bernardo. Ele disse que o governo está fazendo
um estudo sobre os preços de hotéis e de alimentação
para chegar a um valor final. A análise também levará em
conta as diárias dos poderes Legislativo e Judiciário.
Segundo Paulo Bernardo, a decisão
sobre as diárias para os ministros deve sair ainda nesta semana.
As diárias devem substituir o uso dos cartões corporativos
durante viagens.
O ministro também reclamou
da demora do Congresso Nacional em votar a proposta orçamentária
para 2008. Segundo ele, se o orçamento não for votado logo,
o governo vai ter de começar a editar medidas provisórias.
“Temos dois meses de atraso.
Já passou o Natal, o Ano Novo, vai chegar a Semana Santa e eu
preciso ter um orçamento. Ou nós vamos ter um orçamento,
ou vamos ter de fazer medidas provisórias para resolver o problema
dos projetos que estão em vias de serem parados por causa do orçamento”,
disse o ministro citando obras na área de transportes e o projeto
da transposição do São Francisco.
“Muitos dos nossos projetos
de investimento estão sendo tocados com o que empenhamos do orçamento
do ano passado. Isso tem limite. Várias obras que estão
sendo tocadas e com um bom ritmo de andamento poderão ter que
parar”.
O ministro também
disse que o governo está elaborando um sistema para que as notas
fiscais que comprovam os gastos feitos pelos ministérios sejam
incluídas na prestação de contas do governo na
internet. Segundo ele, isso deve estar funcionando em 90 dias.
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FOLHA DE LONDRINA, 06 de
março de 2008 | Política
Bernardo ameaça parlamentares
com 'enxurrada de MPs'
Brasília - O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) disse ontem que
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode editar uma série
de medidas provisórias se o Congresso demorar para votar a proposta
do Orçamento de 2008. Segundo ele, novos atrasos na votação
da proposta orçamentária afetarão vários projetos
em curso no pais, como as obras de transposição do rio São
Francisco.
''Os parlamentares sabem quando
esgotam as brigas. O nosso problema é que há um atraso
de dois meses. Eu preciso ter um Orçamento ou então vai
ser necessário fazer MP para poder colocar os projetos em andamento'',
disse o ministro, após cerimônia no Palácio do Planalto
em homenagem ao Dia das Mulheres.
Segundo Bernardo, há uma
série de obras ameaçadas, como as que se referem à transposição
do rio São Francisco e as incluídas nos programas dos ministérios
dos Transportes e Cidades.
O ministro disse que sabe que
há um excesso de MPs no Congresso. Mas sem o Orçamento,
diz ele, o governo não tem condições de administrar
os programas planejados. ''Se for votado hoje (ontem), dá para
escapar da enxurrada de MPs. Nós sabemos que o Congresso tem o
seu ritmo, nós respeitamos. Mas é preciso votar o Orçamento'',
disse Bernardo.
Na tentativa de votar a proposta
orçamentária, Lula orientou os ministros Paulo Bernardo
e José Múcio Monteiro (Relações Institucionais)
a buscarem um acordo no Congresso. Bernardo evitou opinar sobre a exclusão
do anexo ''contrabandeado'' no Orçamento, no valor de R$ 534 milhões.
''Este é um assunto dos deputados e senadores'', disse Bernardo,
referindo-se ao anexo.
Ao longo do dia, Múcio
e Bernardo conversaram com os presidentes da Câmara e do Senado,
além dos líderes do governo nas duas Casas e também
dos partidos aliados que apóiam o Planalto. (Renata Giraldi/Folhapress)
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Folha de São Paulo, 6 de março
de 2008
Buffett se torna o mais rico do mundo
e Gates cai para 3º
Megainvestidor tem US$ 62 bi, ante US$
60 bi do mexicano Slim; dono da Microsoft deixa topo do ranking
da "Forbes" após 13 anos | Quatro indianos aparecem
entre os dez mais ricos do mundo; Rússia só perde
para os Estados Unidos em número de bilionários
DA REDAÇÃO
Nem o americano Bill Gates nem o mexicano Carlos Slim. O homem mais rico do
mundo é o megainvestidor americano Warren Buffett, com uma fortuna de
US$ 62 bilhões, segundo a lista da revista "Forbes".
Nos últimos meses, várias publicações, como a revista "Fortune",
vinham dizendo que Slim tinha a maior fortuna global, mas nenhuma apostava
em Buffett, que já era considerado o terceiro mais rico. Porém
a sua fortuna avançou US$ 10 bilhões entre a lista de 2007 e
a deste ano e superou a de Gates e a do mexicano.
Slim, que no Brasil é dono da Claro (telefonia celular) e da Embratel
(telefonia fixa) e possui participação na Net (TV a cabo), agora é o
segundo colocado, com US$ 60 bilhões -US$ 11 bilhões mais que
no ano passado. Gates, que aparecia havia 13 no topo do ranking da "Forbes",
teve um avanço de US$ 2 bilhões e era agora é o terceiro.
De acordo com a revista, Gates só não continua na liderança
devido à desvalorização das ações da Microsoft
desde a oferta pelo Yahoo!. Os papéis da companhia caíram cerca
de 10% entre 31 de janeiro, um dia antes da proposta pela rival, e 11 de fevereiro,
quando a "Forbes" encerrou os cálculos. Cerca de metade da
sua fortuna provém da Microsoft.
Outra novidade no ranking é o crescimento da fortuna dos bilionários
das emergentes Rússia e Índia. Esta conta com quatro representantes
entre os dez mais ricos, mais que qualquer outro país -no ano passado,
havia apenas um. Lakshmi Mittal ganhou uma posição e agora é o
quarto, seguido por Mukesh Ambani, que mais que dobrou sua fortuna do ano passado
para cá. No total, há 53 indianos com pelo menos US$ 1 bilhão,
ante 36 em 2007.
A Rússia tem agora um entre os dez mais ricos: Oleg Deripaska, dono
da Rusal, a maior produtora de alumínio mundial, saltou da 40ª para
a 9ª posição. São 87 russos na lista (34 a mais que
em 2007 e só atrás dos EUA), 7 entre os 25 primeiros.
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Folha de São Paulo, 6 de março
de 2008
Ermírio é o nº 1
do país; Eike entra na lista
DA REDAÇÃO
O Brasil voltou a ter um representante entre os cem homens mais ricos do mundo.
O empresário Antônio Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim,
aparece na 77ª colocação no ranking da "Forbes".
A presença de Eike Batista foi outra novidade da lista.
Antônio Ermírio e família contam agora com uma fortuna
de US$ 10 bilhões e ganharam 149 posições em relação
ao ranking anterior, quando tinham US$ 3,9 bilhões. Segundo a revista,
o aumento se deveu à alta no preço das commodities.
A última vez em que o Brasil teve representante entre os cem primeiros
foi em 2006, quando os irmãos Joseph e Moise Safra apareciam na 69ª posição.
Joseph é o segundo brasileiro mais rico na lista deste ano e o 101º do
mundo. Moise é o 412º no geral.
Com US$ 6,6 bilhões, o terceiro brasileiro é Eike Batista, que
aparece na lista pela primeira vez. Ele vendeu parte da MMX para a mineradora
Anglo American por US$ 5,5 bilhões. Jayme Garfinkel, da seguradora Porto
Seguro, com US$ 1,4 bilhão, é o outro brasileiro que não
aparecia em 2007.
Com a ausência dos quatro irmãos Constantino, da Gol, o número
de brasileiros caiu de 20 para 18, mas o valor médio das fortunas subiu
de US$ 2,31 bilhões para US$ 3,62 bilhões.
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FOLHA DE LONDRINA, 06 de
março de 2008 | Cidades
DRT vai criar material lúdico
para prevenir acidentes
Em 2007 foram fiscalizadas 1.513 obras no
Estado
Arquivo FOLHA/27-02-2008

Delegacia do Trabalho quer alertar operários para a importância
dos equipamentos de proteção
As quatro mortes registradas entre trabalhadores da construção
civil em Londrina nos dois primeiros meses do ano levaram a Superintendência
Regional do Trabalho e Emprego no Paraná a intensificar medidas para
diminuir os acidentes no setor. Entre elas está a divulgação
maciça nos canteiros de obra de uma história em quadrinhos que
vai alertar os operários para a importância do uso de equipamentos
de proteção individual (EPIs) e de estar regularmente empregado.
O material deve ser lançado e distribuído inicialmente em Londrina,
e posteriormente em todo o Estado.
No início da próxima
semana devem ser definidos os parceiros da iniciativa. Segundo o superintendente
regional do Trabalho e Emprego, João Graça, o texto deverá ser
redigido de maneira lúdica, mostrando aos trabalhadores que em
caso de acidente só estará amparado pela lei quem estiver
devidamente registrado e os principais reflexos da informalidade. O Sindicato
da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-PR),
a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da
Construção e do Mobiliário do Paraná (Fetraconspar)
e o Ministério Público do Trabalho devem ser alguns dos
parceiros do projeto.
Graça informa ainda que
em 2008 as Delegacias Regionais do Trabalho (DRTs) devem dar ênfase
aos segmentos que mais têm registrado irregularidades, entre eles
os do mobiliário e da construção civil. De acordo
com o superintendente em 2007 foram fiscalizadas 1.513 obras no Estado,
onde trabalhavam mais de 52 mil trabalhadores. Destes, 2.444 estavam
em situação irregular. A maioria (2.158 trabalhadores)
não apresentava registro em carteira; 32 eram menores de idade
e o restante (254) trabalhava sem equipamentos de proteção
individual.
Outra iniciativa visando diminuir
a negligência na construção civil vem do Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS), que começou a analisar os casos
de pensões alimentícias concedidas por decorrência
de morte em acidente de trabalho, aposentadorias por invalidez e auxílios-doença.
Nos casos em que ficar constatada irregularidade por parte da empresas
contratantes, o órgão vai entrar na justiça com
ações regressivas, pedindo ressarcimento aos cofres públicos
dos benefícios concedidos às famílias das vítimas.
Segundo o procurador federal
Marcus Alexandre Alves, a Procuradoria de Londrina já analisou
100 dos 128 casos de pensões concedidas entre os anos de 2002
e 2007. ''Foram constatados cinco casos de negligência por parte
da empresa. A maioria dos casos são de acidentes no trânsito,
que não são, portanto, acidentes típicos de trabalho.
Mas é só o começo do nosso trabalho'', informa o
procurador. Alves ressalta que o objetivo da iniciativa, feita em parceria
com o Ministério do Trabalho, é incentivar as empresas
a cumprir as normas de segurança no trabalho e com isso diminuir
o número de acidentes. ''Este trabalho começou na Procuradoria
de Manaus (AM) e está sendo incentivado em todo o País.''
Silvana Leão
Reportagem Local
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A TARDE, 06 de março
de 2008 | Cidades
Negligência de empresas é desafio à DRT
ADILSON FONSÊCA, do A Tarde e Redação
Xando Pereira/Agência A Tarde

A construção civil está entre as principais atividades
onde a segurança está mais vulnerável
A morte do garoto Jefferson Ramos, de 14 anos, vítima de queimadura
no fabrico clandestino de fogos, em Santo Antônio de Jesus, na última
terça-feira, 4, revela a dimensão do prejuízo causado
pelas precárias condições de trabalho, a falta de fiscalização
e as subnotificações de acidentes de trabalho, além da
existência de um número desconhecido de empresas irregulares que
atuam na Bahia.
Sem dados precisos, a Delegacia
Regional do Trabalho (DRT) tem dificuldade de coibir a ação
ilegal desses empresários. São apenas 147 fiscais para
atuar em todo o Estado, e que, segundo o órgão, fazem cerca
de 18 mil inspeções por ano. A média de empresas
que recebem autos de infração suscetíveis para ações
de interdições ou embargos, a maioria deles no ramo da
construção civil, no entanto, é muito baixa: são
apenas 15 por mês.
Ainda assim, só em casos
extremos essas ações são feitas, como explica o
auditor fiscal do trabalho e coordenador do setor de Segurança
e Saúde da DRT-Bahia, Maurício Macedo.
Como se não bastasse a
pouca estrutura de fiscalização, as ações
que resultam em processos se arrastam na Justiça, a exemplo de
quando houve a explosão de uma tenda de fabrico clandestino de
fogos em 2001, também na cidade de Santo Antônio de Jesus,
quando 63 pessoas morreram e, mais recentemente, no episódio que
resultou na morte de um operário em um forno da siderúrgica
Gerdau, em Simões Filho, há pouco mais de um ano.
No caso de Santo Antônio
de Jesus, por exemplo, o processo envolve não só a DRT,
mas também o Ministério do Exército, Ministério
Público do Trabalho e a prefeitura municipal. E, no caso da Gerdau,
cabe agora à Justiça decidir pela indenização
ou não da família da vítima. “Normalmente,
quando a DRT faz uma inspeção, a não ser em casos
extremos, que resulte em interdição imediata do equipamento,
como no caso da Gerdau, a empresa tem um prazo não superior a
60 dias para se ajustar às normas”, diz, Macedo.
Estatísticas – De
cada 127 trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho na Bahia,
em 2006, um morreu. A proporção de mortes em relação
ao número de acidentes de trabalho supera mesmo São Paulo
e Minas Gerais, que, em números absolutos, têm mais trabalhadores
acidentados que a Bahia. São Paulo registrou naquele ano 188.477
acidentes com 644 óbitos, média que não supera a
da Bahia (uma morte para cada 127 acidentes).
Até 2006, quando foi feita
a última atualização desses dados pelo Ministério
do Trabalho e Emprego, era de 2,5 mil a média de trabalhadores
mortos vítimas de acidentes de trabalho por ano no Brasil, quer
seja no trajeto de casa para o trabalho, no próprio ambiente de
trabalho ou vítimas de doenças ocupacionais. Na Bahia,
em 2006, 121 pessoas morreram e outras 687 ficaram incapacitadas permanentemente
por causa desses acidentes. Os dados referentes a 2007 ainda estão
sendo fechados pela DRT, com base nas informações colhidas
das sete regionais no Estado.
Usar o capacete, luvas, botas, óculos
protetores e todos os demais itens que formam o conjunto de Equipamentos
de Proteção Individual (EPI) é essencial e obrigatório
em qualquer ambiente de trabalho que ofereça riscos. A não-observância
desses requisitos pode resultar em lesões graves ao trabalhador
e até mesmo à morte.
Procedimentos – Segundo
a DRT, a fiscalização é feita à cada dois
meses, tomando por base o cadastro de empresas registradas na Junta Comercial
do Estado (Juceb) e as denúncias feitas por trabalhadores. Quando
uma empresa é autuada, ela pode receber uma multa mínima
de R$ 500, normalmente por falta de registro legal. A partir daí,
os valores são definidos pela Justiça do Trabalho, com
base nos relatórios feitos pelos auditores fiscais e que são
encaminhados ao Ministério Público do Trabalho, que instaura
inquérito.
Este ano a DRT está elaborando
14 projetos de atuação da fiscalização em
setores específicos da economia, com ênfase para as atividades
agrícolas (colheita de cana-de-açúcar e café,
por exemplo) e a construção civil. “A implantação
de planos de manejo de riscos por parte das empresas, é um fator
preponderante para diminuir os riscos de acidentes”, explica o
auditor.
Para o vice-presidente do Sindicato
da Indústria da Construção Civil, (Sinduscon), Carlos
Alberto Lima, um dos grandes entraves da fiscalização é a
existência de um grande número de empresas irregulares que
atuam, principalmente, no interior do Estado. O setor da construção
civil emprega 85 mil trabalhadores formais na Bahia, mas, para cada trabalhador
regularizado, existem pelo menos dois que atuam de forma irregular. Há 140
empresas filiadas ao Sinduscon, mas a entidade acredita que o número
de empresas irregulares no Estado seja bem superior.
Para o diretor do sindicato
dos trabalhadores nos ramos Petroquímicos e Petrolíferos
na Bahia, Delsuc Gomes Júnior, além do não-cumprimento
das normas de trabalho, como jornada excessiva e ausência de
equipamentos de proteção individual, muitas empresas
sonegam informações sobre os acidentes de trabalho.
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O DOCUMENTO, 06 de março
de 2008
Melhor condição de trabalho é debatido
na Câmara de Cuiabá
Várzea Grande
Da Assessoria
Durante Tribuna Livre da sessão
ordinária da manhã desta terça-feira (04) na Câmara
Municipal de Cuiabá, Creuza Márcia de Oliveira, presidente
do bairro Novo Paraíso II, falou sobre as dificuldades de seu
bairro e solicitou o apoio dos vereadores para interceder pela comunidade
e Círio Nunes da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores
na Indústria da Construção Civil de Cuiabá,
explicitou as condições de trabalho da categoria.
Círio Nunes da Silva,
presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção
Civil de Cuiabá, luta pela melhoria do salário dos trabalhadores
e por melhores condições de trabalho. Círio luta
principalmente pelo cumprimento dos acordos firmados entre trabalhadores
e empresas durante convenção anual realizada entre os meses
de março e maio, onde são elaboradas cláusulas contratuais
regulamentando salário, carga horária entre outros.
Segundo Círio, falta atuação
da Delegacia Regional do trabalho (DRT). O sindicalista argumenta que
o sindicato não dá conta de fiscalizar todos os canteiros
de obras e não tem o poder de punir, por isso é importante
ações da DRT. “A maioria das empresas fornecem os
equipamentos de segurança necessários, mas há aquelas
que não fornecem toda a segurança e alguém tem que
fiscalizar isso”, afirmou.
O presidente do Sindicato afirma
que o salário do trabalhador da construção civil
vem sendo achatado desde a conversão do Cruzeiro Real para o URV
(nome provisório dado à moeda antes do Cruzado Novo). Hoje
o salário de um servente de pedreiro é de R$ 400,40, menor
que o novo salário mínimo. O sindicato pede aumento de
30%, elevando o salário para R$700. O sindicalista afirma que
se não tiver um reajuste salarial satisfatório entrará com
um dissídio coletivo, ou seja, sem acordo entre as partes o judiciário
irá decidir o que é justo.
Creuza Márcia de Oliveira,
presidente do bairro Novo Paraíso II, disse que seu bairro é muito
precário e quase não tem infra-estrutura. Este precisa
urgentemente de rede de esgoto, porque corre à céu aberto
expondo crianças a riscos para a saúde. Necessita também
de coleta de lixo, pois o caminhão não passa no bairro
por causa das vias com desníveis. Há moradores em área
de risco que podem desabar a qualquer momento. De acordo com a presidente
do bairro, uma casa já caiu em buraco, fruto de erosão
das chuvas. Outro problema colocado por Creuza é o da água
que não chega às casas que estão em níveis
mais altos. O bairro não tem linhas de ônibus, iluminação
pública, asfaltamento, escolas, creches, igreja.
O bairro Novo Paraíso
II necessita de regularização fundiária para que
os moradores possam usufruir de investimentos de infra-estrutura. Segundo
a presidente do bairro esse foi o argumento usado pelo prefeito Wilson
Santos para não incluir o bairro nas obras do Plano de Aceleração
do Crescimento (PAC). “Peço que os problemas do bairro
não sejam esquecidos e que o Poder Público interceda
junto à nossa comunidade para regularizar esta situação
e peço que façam investimentos. Acredito que se a comunidade
também vota apesar de não viver em área regularizada,
então ela têm direito a esses benefícios”,
afirmou.
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Agência Diap, 6 de
março de 2008
MOVIMENTO SINDICAL
Acordo adia para próxima semana
votação do PL das Centrais
Após a aprovação
da última medida provisória que trancava a pauta da Câmara
dos Deputados (MP 403/07), um acordo entre os líderes deixou para
terça-feira (11) a apreciação do projeto de lei
1.990/07 que regulamenta as centrais sindicais.
Depois da aprovação
do texto da MP, os deputados aprovaram um destaque para votação
em separado (DVS) do PMDB. Dessa forma ficou garantido um prazo de 24
meses, a contar da regulamentação da medida. A intenção
do DVS é para que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
(ECT), possa concluir as licitações do serviço de
franquia postal já concedidas.
O Plenário também
votou a Medida Provisória 402/07, que concede crédito
extraordinário de R$ 1,64 bilhão a diversos ministérios.
As duas medidas serão analisadas agora pelo Senado Federal.
(André Santos)
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ÂMBITO JURÍDICO,
06 de março de 2008
Projeto habilita sindicatos a mover
ação civil pública
O Projeto de Lei 2422/07, do deputado Efraim Filho (DEM-PB), reconhece explicitamente
a possibilidade de as entidades sindicais utilizarem a ação civil
pública para reparar danos e prejuízos ocorridos nas relações
de trabalho. Pelo projeto, as convenções e acordos coletivos
celebrados pelos sindicatos, para tutela aos direitos trabalhistas, terão
força de título executivo extrajudicial, para execução
coletiva na Justiça do Trabalho.
O deputado lembra que a legitimação
das entidades sindicais para promover a ação civil pública
já consta da doutrina e da jurisprudência brasileiras, mas
ainda não está contemplada na lei. Segundo Efraim Filho,
essa omissão "contribui para a perpetuação
do dissenso nos diversos juízos do País, restringe o acesso
dos trabalhadores à Justiça, eleva o número de recursos
e incentiva a proliferação de demandas individuais que
congestionam o Judiciário".
A proposta altera a Lei 7.347/85,
que disciplina a ação civil pública de responsabilidade
por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e a direitos
de valor artístico, estético, histórico, turístico
e paisagístico.
Processamento
O projeto também especifica normas para o processamento da ação
na Justiça do Trabalho. Pela proposta, poderá ser ajuizada ação
cautelar (utilizada para antecipar os efeitos da decisão judicial, antes
do seu julgamento). Essa ação deverá observar o contraditório
e poderá requerer nos próprios autos a antecipação
de tutela, objetivando evitar dano aos sujeitos de relação do
trabalho.
Na ação para defesa
dos direitos transindividuais (coletivos), os trabalhadores poderão,
individualmente, habilitar-se como assistentes, preservado sempre o caráter
coletivo da ação. Fica vedado o desmembramento em ações
individuais, ainda que na fase de execução.
O projeto estabelece ainda prazo
de dez dias para que o Ministério Público comunique a instauração
do inquérito civil ao juiz da comarca na qual ocorrer a investigação,
de forma a haver cooperação no procedimento. "Muitas
vezes as provas de que necessita o Ministério Público já estão
produzidas em inúmeras ações individuais, podendo
ser encaminhadas pelo juiz", explica o deputado.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas
comissões de Trabalho, de Administração e Serviço
Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
-
PL-2422/2007
Luiz CLáudio Pinheiro
Fonte: Ag. Câmara
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ÂMBITO JURÍDICO,
06 de março de 2008
Trabalhador deve ser filiado a sindicato
da cidade na qual trabalha
Um ex-empregado de transportadora sediada em Três Rios (Rio de Janeiro)
ganhou na Justiça o direito de receber os benefícios decorrentes
de convenção coletiva firmada pelos sindicatos de trabalhadores
e transportadoras sediadas em Brasília. A Terceira Turma do TRT 10ª Região
decidiu que, apesar de o empregado ter recolhido contribuição
sindical para outra entidade que não o representa - sindicato em Três
Rios - o fato não modifica o seu enquadramento sindical, que deveria
ser feito em Brasília, cidade na qual trabalhava.
"Ao trabalhador compete
a escolha quanto à filiação ao sindicato representativo
da categoria a que pertence, mas não lhe cabe a eleição
do sindicato que lhe aprouver", ressaltou a juíza Marcia
Mazoni, relatora do processo. Segundo ela o enquadramento sindical não
se sujeita à vontade dos empregados ou empregadores. Ele deve
ser feito com base no local de trabalho. Em consonância, o artigo
611 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) dispõe
que devem ser aplicadas aos empregados as convenções coletivas
firmadas pelos sindicatos das categorias profissional e econômica
com base territorial no local de trabalho.
Os juízes concluíram
que a convenção a ser aplicada no caso deve ser a de Brasília,
e não a dos sindicatos de Três Rios. A decisão garantiu
ao trabalhador o direito a tíquetes-refeição e diárias
semanais referentes a todo o período do contrato de trabalho.
(Terceira Turma - Processo 00870-2007-016-10-00-4)
Fonte: TRT10
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CONSULTOR JURÍDICO,
06 de março de 2008
Serviço no campo
Declaração de sindicato é prova
material de trabalho
Contrato de parceria agrícola e declaração de sindicato
de trabalhadores rurais são provas de serviço no campo. O entendimento é do
ministro Gilson Dipp. Ele decidiu que a Turma Recursal do Paraná deve
julgar novamente um processo sobre trabalho rural, com base na declaração
do sindicato considerada como início de prova material do serviço
prestado.
Para o ministro, a declaração
do sindicato, ainda que não homologada pelo INSS ou pelo Ministério
Público, constitui início razoável de prova material
do trabalho rural.
Ele se baseou nas jurisprudências
da Turma Nacional e do Superior Tribunal de Justiça, que afirma
que esses tipos de documentos são prova material de trabalho rural,
mesmo que não contemplem a totalidade do período trabalhado.
O entendimento, já consolidado
pela Turma Nacional de Uniformização da Jurisprudência
dos Juizados Especiais Federais, baseou a decisão do ministro.
Ele admitiu o incidente de uniformização contra acórdão
da 2ª Turma Recursal da Seção Judiciária do
Paraná, que rejeitou a declaração como início
de prova.
Processo 2005.70.95.003742-4/PR
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ÂMBITO JURÍDICO,
06 de março de 2008
Não incide INSS sobre indenização
de lanche não concedido pela empresa
A 7ª Turma do TRT-MG negou provimento a recurso ordinário, no qual
o INSS pleiteava o recolhimento da contribuição previdenciária
sobre a parcela de indenização de lanche paga pelo empregador.
A União Federal argumentava que a parcela em questão não
está excluída do salário-de-contribuição
previsto no inciso I, do artigo 28, da Lei n. 8.212/91, e que o pagamento em
dinheiro, não subordinado às regras dos programas oficiais, traz
como conseqüência a integração da verba ao salário,
conforme previsão contida no artigo 214, parágrafo 10, do Regulamento
da Previdência Social.
A parcela indenização
de lanche foi inserida entre as verbas que compuseram o acordo firmado
entre as partes, já que a convenção coletiva assegura
o fornecimento de lanche gratuito ao empregado que cumpre mais de duas
horas extras por dia. Segundo esclarece a juíza convocada Maristela Íris
da Silva Malheiros, relatora do recurso, pela lei previdenciária,
a parcela in natura integra o salário-de-contribuição,
só se configurando exceção quando a verba é paga
de acordo com os programas de alimentação aprovados pelos
ministérios do Trabalho e da Previdência Social. Só que,
no caso específico, as cláusulas convencionais deixam claro
que o fornecimento do lanche tem o objetivo de facilitar a prestação
de serviço em regime de horas extras. “Portanto, o benefício é concedido
para o trabalho e não pelo trabalho, sendo por isso induvidosa
a natureza indenizatória da referida verba”, frisou a relatora.
Portanto, a Turma manteve a decisão
que atribuiu à verba intitulada “indenização
de lanche” o caráter indenizatório, negando provimento
ao recurso do INSS.
( RO nº 00740-2006-014-03-00-6
)
Fonte: TRT3
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ÂMBITO JURÍDICO,
06 de março de 2008
JT defere uma hora extra diária
a vigia que almoçava no próprio local de trabalho
Se não há possibilidade de o empregado se ausentar da empresa
durante o intervalo para refeição e descanso, é devido
o pagamento de uma hora extra por dia, pela supressão do repouso previsto
no artigo 71 da CLT. A decisão é da 8ª Turma do TRT-MG,
com base no voto do juiz convocado Paulo Maurício Ribeiro Pires, negando
provimento a recurso ordinário da empresa.
A reclamada alegou que o empregado,
que exercia a função de vigia, usufruía efetivamente
da pausa. Só que o intervalo não era registrado no cartão
de ponto, fato que por si só não pode levar à condenação
em horas extras, pois não é obrigatório esse registro.
No mais, se o reclamante dizia não fazer hora de almoço,
seria seu o ônus de provar tal alegação. De qualquer
forma, o autor poderia fazer jus a, no máximo, 50 minutos extras,
já que ele próprio declarou que tinha de 5 a 10 minutos
para almoçar.
Mas, ao contrário do que
afirmou a ré, ficou comprovado pelos depoimentos das testemunhas
que o reclamante não tinha liberdade para usufruir do descanso
legal para o almoço, ficando à disposição
da reclamada durante as refeições, já que não
havia outro vigia no mesmo horário para revezar com ele.
O relator salientou que a não
obrigatoriedade de registro do intervalo intrajornada não significa
que ele possa ser suprimido: “Até porque, se alimentar no
próprio local de trabalho não atinge a finalidade do descanso,
que visa garantir a higidez física e mental aos trabalhadores”-
completa. O juiz também considerou que a pausa de 5 a 10 minutos
que o reclamante tinha para almoçar não leva ao reconhecimento
de apenas 50 minutos extras, uma vez provado que estes minutos eram gastos
para fazer a refeição no próprio local de trabalho,
desvirtuando a natureza do instituto.
( RO nº 00378-2007-031-03-00-0
)
Fonte: TRT3
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CONSULTOR JURÍDICO,
06 de março de 2008
Pequenas indústrias
TRT reconhece legitimidade de representação
do Simpi
A 2ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP),
por unanimidade, reconheceu legitimidade de representação do
Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo
(Simpi). Na ação, o Sindicato da Indústria de Joalherias
e Bijuterias de São Paulo (Sindijóias), filiado e financiado
pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp),
pedia a anulação dos atos que constituíram o Simpi no
Registro Civil e Ministério do Trabalho, bem como a dissolução
da entidade.
O juiz Luiz Carlos Godói
(relator) decidiu pela improcedência do pedido. Ele salientou que
não foram demonstradas nenhuma irregularidade que justificasse
a dissolução do sindicato.
“O ordenamento jurídico
só permite a dissolução compulsória de uma
associação, como são os sindicatos quando ‘promover
atividade ilícita ou imoral’ (art. 670, do CPC de 1939,
em vigor na conformidade do art. 1218, inciso VII, do Código de
Processo Civil de 1973)”, sustenta o acórdão publicado.
De acordo com a decisão,
não constitui atividade ilícita a criação
de organização sindical de categoria econômica. “Se
não há amparo para pleitear a anulação dos
atos constitutivos, menos há para determinar ao Registro Civil
ou ao Ministério do Trabalho a anulação do respectivo
registro”, concluiu a 2ª Turma.
O Simpi foi constituído
legalmente em 1989, na esteira da Constituição, e representa
hoje cerca de 200 mil empresas industriais paulistas. Em 1994, mediante
um acordo judicial firmado com a Fiesp, o sindicato passou a ser filiado
a seus quadros como representante da categoria da micro e pequena indústria
com até 50 empregados cada.
Mas, em 2005, após
ter alcançado o registro sindical no Ministério do Trabalho,
a Fiesp rompeu unilateralmente o acordo e passou a manejar ações
na Justiça contra o Simpi.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
06/03/2008
Empresa de transporte de valores é condenada
por revistar empregada
Em acórdão proferido
pela Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, de relatoria do ministro
Barros Levenhagen, a empresa Protege S/A – Proteção
e Transporte de Valores, do Rio de Janeiro, foi condenada a indenizar
uma auxiliar de tesouraria por sujeitá-la a revistas íntimas
diárias.
A auxiliar de tesouraria foi
contratada em 1999. Entre janeiro de 1999 e setembro de 2000, segundo
seu relato, foi submetida a situação constrangedora, em
virtude das revistas íntimas feitas, diariamente, no banheiro
feminino, inicialmente por funcionárias que prestavam serviços
de vigilância, e, posteriormente pelas próprias empregadas
da Protege.
Tal fato levou-a requerer, judicialmente,
indenização por danos morais, entre outras verbas. Diante
do não-reconhecimento do pedido pela 25ª Vara do Trabalho,
a empregada recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ). O Regional, porém, entendeu que a revista íntima
realizada por pessoa do mesmo sexo não se constitui em prática
vexatória, considerada a natureza do trabalho. Considerou também
o fato de a única testemunha apresentada pela trabalhadora ter
dito que jamais presenciara qualquer comentário indecoroso a seu
respeito, e manteve a decisão de primeiro grau.
Inconformada, a empregada recorreu
ao TST por meio de recurso de revista. Alegou que a revista íntima,
além de violar a honra e intimidade do trabalhador, garantidas
pela Constituição Federal, é vedada expressamente
pela Consolidação das Leis do Trabalho.
O ministro Barros Levenhagen
ressaltou que o artigo 373-A, inciso V, da CLT “contém
norma incisiva sobre a proibição de o empregador ou preposto
proceder a revistas íntimas nas empregadas ou funcionárias”,
e que a infringência a esse dispositivo constitui “ofensa à sua
dignidade e intimidade como indivíduos, reforçando a
convicção sobre a caracterização do dano
moral do artigo 5º, inciso X da Constituição Federal.” O
relator lembrou que a jurisprudência do TST é no sentido
de qualificar como dano moral a realização de revista
pessoal de controle ou ato equivalente, e citou vários precedentes.
A indenização foi arbitrada no valor de R$ 3 mil, com
a finalidade, também, de coibir a prática. (RR-58/2004-025-01-40.0)
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IG é responsabilizado por débitos
trabalhistas do portal Super11
A Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho manteve decisão da Justiça do Trabalho
da 2ª Região (SP) que responsabilizou o IG – Internet
Group do Brasil pelo cumprimento dos direitos trabalhistas de um empregado
do portal Super11. O trabalhador foi contratado anteriormente a uma negociação
entre as duas empresas, na qual os principais bens do Super11, constituídos
pelo seu acervo de clientes e usuários, foram cedidos ao IG.
Segundo o relator do processo
na Turma, ministro Guilherme Caputo Bastos, a cessão do “valioso
patrimônio” do Super11 ao IG não pode prejudicar os
empregados. “Sempre que tal cessão vier comprometer a satisfação
das dívidas laborais, ter-se-á por operada a sucessão
trabalhista”, afirmou. É a teoria da despersonalização
do empregador, segundo a qual são os bens materiais e imateriais
do empreendimento que respondem pelas dívidas trabalhistas, independentemente
da personalidade de quem explore o patrimônio. Uma vez transferidos
tais bens, as obrigações neles afiançadas os acompanham.
Contratado em maio de 2000,
o empregado foi surpreendido com o fechamento da empresa em setembro
do
mesmo ano. “Quando os funcionários chegaram para trabalhar
no dia 11 daquele mês, encontraram apenas um aviso na porta do
edifício, notificando-os do encerramento das atividades da empresa”,
afirmou. Cerca de 120 funcionários ficaram desempregados, sem
receber seus direitos, inclusive salários atrasados. O fato foi
divulgado amplamente na imprensa brasileira. As informações
constam da ação interposta pelo reclamante na 7ª Vara
do Trabalho de São Paulo, em 2001. A decisão lhe foi favorável.
Insatisfeita com o julgamento
e com o fato de o Tribunal Regional ter arquivado o seu processo, o
IG recorreu ao TST em agravo de instrumento, pretendendo o destrancamento
do recurso. A Sétima Turma deu-lhe seguimento e, no julgamento,
manteve o entendimento do Regional. Segundo o acórdão do
TRT/SP, “as empresas tinham em comum o fato de serem provedoras
gratuitas de acesso à Internet. Um dia, uma das empresas, em dificuldade
financeira, decide fechar as portas (especialmente aos empregados, e
sem pagá-los). Dois dias após, concorda em ceder o acesso
de todos os usuários e visitantes ao site do concorrente. Recebe
pela cessão, mas nada paga aos funcionários. A outra empresa,
enquanto isso, permanece com todos os acessos da concorrente por um ano,
captando clientes e expandindo sua participação no mercado,
sem se importunar com os direitos trabalhistas sonegados”.
Ao acessar o portal do Super11,
esclareceu o ministro Caputo Bastos, os clientes e usuários eram
automaticamente redirecionados ao sítio do IG, o que lhe possibilitou
aumentar o número de visitantes e, conseqüentemente, expandir
sua participação no mercado publicitário. Embora
prestem serviço gratuito, aqueles provedores são empresas
que objetivam o lucro, sendo os seus clientes e visitantes que lhes
garantem a receita.
“Uma vez alienado esse
ativo, mesmo temporariamente, é evidente que as finanças
da empresa tenham ficado comprometidas e afetados os contratos de trabalho
firmados, até então garantidos virtualmente por todo o
fundo de comércio. No plano geral, os direitos adquiridos pelos
trabalhadores devem estar assegurados, não lhes importa a absorção
do patrimônio do empregador por outra empresa”, informou
o relator.
O ministro Caputo Bastos decidiu
no mesmo sentido do que julgou a Terceira Turma em processo de relatoria
do ministro Alberto Bresciani, em que figuravam os mesmos provedores.
O processo foi julgado em dezembro de 2006 e publicado em fevereiro de
2007. (RR-39775/2002-902-02-40.5)

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