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Agência Senado, 9 de
março de 2008
Paulo Paim vai ao Planalto
pedir recomposição das aposentadorias

O senador Paulo Paim (PT-RS) participa, nesta segunda-feira (10), no
Palácio do Planalto, de reunião da bancada do PT com o
governo, ocasião em que defenderá a votação
urgente, pelo plenário do Senado, de dois projetos de sua autoria:
o PLS 58/03, que recompõe o poder aquisitivo dos benefícios
de aposentados e pensionistas, e o PLS 296/03, que acaba com o fator
previdenciário, um redutor no cálculo dos benefícios
da Previdência.
O senador informou também que exigirá do Congresso a
deliberação sobre o veto que, em 2006, impediu o reajuste
em 16,7% dos benefícios de aposentados e pensionistas. De acordo
com Paulo Paim, os que se beneficiariam desse reajuste já estavam
prejudicados pelo fator previdenciário e, com o veto, descobriram
que o reajuste concedido a eles não chegava a um terço
do oferecido ao salário mínimo .
Paim afirmou que a votação dos dois projetos de lei
e a derrubada desse veto serão capazes de sanar grave crise
enfrentada por mais de 25 milhões de aposentados e pensionistas
do país. Ele disse esperar derrubar o fator previdenciário
ainda em 2008. Também observou que, apesar de ter iniciado praticamente
sozinho a luta em favor da recuperação do poder aquisitivo
de aposentados e pensionistas, descobriu que hoje não faz mais
uma caminhada solitária.
- Hoje, estão aqui comigo uns 30 parlamentares que também
querem mudar o fator previdenciário. A diferença entre
aquela época e agora é que aumentou a indignação.
Os preços dos remédios e dos planos de saúde,
assim como o custo de vida aumentaram em percentuais muito superiores
ao do reajuste de aposentadorias e pensões. E isso é muito
humilhante para os idosos - afirmou.
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Diário Vermelho, 9
de março de 2008
Disputas locais ameaçam
aliança nacional entre DEM e PSDB
Juntos na oposição ao governo Lula em Brasília,
DEM e PSDB devem seguir caminhos separados nas eleições
de 2008, para prefeito, e de 2010, para presidente. O apoio entusiasmado
da cúpula tucana à candidatura do deputado Fernando Gabeira
a prefeito do Rio, é apenas mais um golpe, e não o mais
forte, na aliança demo-tucana. Problemas em São Paulo,
no Pará e no Rio Grande do Sul também estremecem as relações
dos dois maiores partidos de direita do Brasil.
Identificado nas pesquisas de opinião como o partido mais à direita
do espectro político, o PSDB aposta em Gabeira no Rio numa tentativa
de firmar a imagem de centro-esquerda. Ao Democratas não resta
outra opção a não ser tentar se constituir ele mesmo
uma opção. Uma alternativa do centro para a direita e nesse
espectro viabilizar uma candidatura presidencial, segundo diz seu presidente,
Rodrigo Maia.
“A gente não sabe mais com quem está dormindo”,
desabafou Rodrigo Maia. “Sabemos que o PT está do outro
lado. Mas, às vezes, a gente dorme com o PSDB e acorda com o
inimigo.”
Oficialmente, o DEM considera natural a decisão tucana. É a
estratégia deles , disse Maia. Na prática, o aliado nas
empreitadas vitoriosas de 1994 e 1998, com a eleição
e reeleição de Fernando Henrique Cardoso, atravessam
um período de forte turbulência nas relações.
O DEM crê que o PSDB não perde oportunidade para lhe passar
a rasteira.
“ Ficou claro que o projeto do PSDB não é coletivo,
mas de submissão. E a maioria dos nossos vai preferir outro
caminho no futuro”, disse o presidente do DEM.
Que caminho é esse? “Hoje, há 70% de probabilidade
de termos uma candidatura própria à presidência;
20% de apoiarmos um candidato do PSDB; e 10% de chances de fazermos
uma composição com o Ciro”, afirmou Maia.
Problemas à vontade
O fim da coligação entre as duas siglas na eleição
para prefeito de São Paulo, inevitável desde que o ex-governador
Geraldo Alckmin exigiu ser candidato, foi o golpe mais duro na aliança.
Nesta semana, Alckmin e Kassab voltaram a conversar sobre as eleições.
Apesar do ceticismo demonstrado pelo ex-governador quanto à viabilidade
de uma aliança entre PSDB e DEM no primeiro turno em São
Paulo, ele disse que os esforços nesse sentido continuam. Caso
um acordo não seja possível, as duas legendas poderiam
se unir no segundo turno. Mas não se sabe se o tom da disputa
será amistoso ao ponto de viabilizar uma união no segundo
turno.
A desavença em São Paulo, seguida agora da decisão
do PSDB de apoiar Gabeira no Rio parece ser apenas aponta do iceberg
que gelou a aliança direitista. O afastamento, na verdade, é bem
maior: os dirigentes Democratas não são capazes de mencionar
uma só prefeitura capital em que estejam juntos com o PSDB na
eleição.
Na realidade, há dificuldades para a aliança até mesmo
em cidades onde tudo indicava uma parceria. Esse é o caso, por
exemplo, de Belém do Pará, onde a candidata do Democratas,
Valéria Pires Franco, está bem situada nas pesquisas
de opinião, bem próxima do atual prefeito. Mas o ex-governador
tucano Simão Jatene, que aparece nas últimas posições,
deve se lançar candidato. Mas o PSDB também contabiliza
afrontas Democratas: é o caso do Rio Grande do Sul, onde o vice
demista de Yeda Crusius, Paulo Afonso Feijó (DEM), faz oposição
ao governo desde algumas semanas após a posse dos dois.
No final de fevereiro, ele voltou à carga. Em depoimento à Comissão
de Serviços Públicos da Assembléia Legislativa,
Feijó criou mais um constrangimento para a governadora ao voltar
a fazer acusações contra a gestão do Banco do
Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul).
Entre uma série de frases que servirão de munição à oposição,
Feijó disse que, diante do que sabe sobre irregularidades, terá de
afastar o presidente do banco, Fernando Lemos, se assumir o governo
em alguma ausência de Yeda, para não ser acusado de prevaricação.
A governadora Yeda Crusius não escondeu sua irritação
pelos constrangimentos causados por um "aliado". Num breve
comentário sobre o depoimento, nem citou o nome do vice-governador. "Esse
senhor age de forma irresponsável", afirmou.
Cesar Maia x Serra
No blog que mantém na internet, o prefeito do Rio, César
Maia, foi preciso no diagnóstico do que levou o PSDB a apoiar
Gabeira, mas segundo tucanos errou ao atribuir a decisão a uma
parcela do partido. Na verdade, todos os cardeais tucanos se manifestaram
favoravelmente à aliança e estão empenhadas em
convencer o deputado Otávio Leite a desistir da candidatura
própria: Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Aécio
Neves e o presidente do partido, Sérgio Guerra.
Maia atribui a aposta tucana ao PSDB de São Paulo, ligado ao
governador José Serra, o mesmo que em 2002 teria levado ao fim
da aliança entre PSDB e o então PFL: A rasteira dada
no PFL em 2000 na composição da mesa da Câmara
de Deputados foi o primeiro passo , diz o blog do prefeito na internet
- refere-se à eleição de Aécio Neves para
presidente da Câmara, apesar de um acordo vigente à época
segundo a qual o PSDB tinha o presidente, e PMDB e PFL dividiriam as
duas Casas do Congresso (Jader Baralho foi eleito para o Senado).
O segundo passo revelado por Maia revela a extensão da crise
entre os antigos aliados: Foi o desmonte da candidatura do PFL a presidente
em 2002, com uma operação da PF orquestrada pelo mesmo
grupo . A sucessão de eventos culminou com a chapa PSDB (Serra)-PMDB
para a Presidência, em 2002, na sucessão da dupla FHC-Marco
Maciel.
Até agora César, que é amigo de José Serra,
nunca acusara o grupo do governador de São Paulo pela operação
da Polícia Federal que apreendeu R$ 1,3 milhão no escritório
da atual senadora Roseana Sarney. Em seu livro de memória, o
jurista Saulo Ramos, que foi ministro de José Sarney, diz que
o dinheiro se destinava ao pagamento de despesas da pré-campanha
presidencial de Roseana, que à época deslanchava nas
pesquisas.
Da redação,
com agências
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Força Sindical, 9
de março de 2008
Trabalhadores da Construção
Civil fazem paralisação em São Paulo
Escrito por Assessoria de
Imprensa da Força Sindical
O Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de São
Paulo (Sintracon-SP), realizou durante a manhã da última
sexta-feira (07/03) diversas mobilizações nos canteiros
de obras da capital paulista.
Segundo o presidente do sindicato, Antônio de Sousa Ramalho,
as manifestações fazem parte das ações
que serão realizadas pela campanha salarial da categoria. "Estamos
indo aos canteiros de obra para explicar para os trabalhadores quais
serão as reivindicações que faremos aos patrões
este ano", disse Ramalho.
"O setor da construção obteve ótimos resultados
em 2007. É justo que os trabalhadores tenham um reajuste digno
e iremos lutar por isso", completa o dirigente.
Na pauta de reivindicações deste ano a categoria reivindica
entre outras coisas um reajuste salarial de 10%, redução
da jornada de trabalho e que as empresas paguem 100% do valor dos planos
de saúde. A data-base da categoria é 1º de maio.
O sindicato tem em sua base 225 mil trabalhadores.
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Agência Brasil, 9 de
março de 2008
Receita suspende 7,9
milhões de CPFs não-declarados
Hugo Costa
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A Receita Federal anunciou a suspensão de
7,9 milhões de inscrições do Cadastro de Pessoa
Física (CPF). Quem não declarou Imposto de Renda Pessoa
Física nem fez a declaração de isento nos últimos
dois anos foi punido. O número de documentos suspensos é menor
do que o do ano passado, quando a Receita bloqueou 8,27 milhões
de inscrições.
Segundo a Receita, além das pessoas que tiveram o cadastro
suspenso, cerca de 21,6 milhões de contribuintes estão
com o CPF pendente de regularização por não terem
apresentado declaração no último ano. As consultas
para verificar a situação do cadastro estão disponíveis
na página da Receita na internet. O endereço é o www.receita.fazenda.gov.br.
O serviço também é oferecido pelo telefone 0300-789-0300.
Quem teve o CPF suspenso pode resolver a situação a
qualquer momento. Os isentos de Imposto de Renda (IR) devem ir às
agências do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e dos Correios
e pagar uma taxa de R$ 5,50. Os contribuintes obrigados a declarar
o IR devem entregar as declarações atrasadas para ter
o documento regularizado.
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Gazeta do Povo, 9 de março
de 2008
BRASIL | JUSTIÇA
Ações
em massa ameaçam a imprensa
Deputado, ligado à força
Sindical, alega que jornais prejudicaram a entidade com a
publicação de denúncias
por CAROLINE OLINDA COM AGÊNCIAS
José Cruz/ABr

Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) começa
a estudar estratégia para instalar ações contra
jornais amanhã
Curitiba – As ações em massa dos fiéis da
Igreja Universal do Reino de Deus contra os jornais “Folha de S.
Paulo”, “Extra” e “A Tarde” fizeram escola.
Amanhã, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o
Paulinho da Força, começa a analisar com seus advogados
a intenção da Força Sindical de fazer um movimento
semelhante.
O deputado argumenta que a Força Sindical foi prejudicada em
todo o país pelas reportagens veiculadas na “Folha de
S. Paulo” e em “O Globo” que denunciam possíveis
irregularidades em 12 convênios do Ministério do Trabalho
com organizações não-governamentais supostamente
ligadas à Força Sindical e a pessoas do PDT.
O deputado rebate as denúncias. Ele afirma que a Força
Sindical não tem convênios com o governo desde 2002 e
que o repasse de recursos para a Confederação Nacional
dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) era apenas uma proposta.
A princípio, segundo Paulinho, devem ser movidas cerca de
20 ações contra os dois jornais. “Nós vamos
mover algumas ações pelos presidentes das centrais dos
estados que estão sendo prejudicados por essas matérias.
Se mesmo assim elas (as matérias) não pararem, nós
vamos aumentar o número de ações”, explica
o deputado. Ele garante que o número de ações
em todo o Brasil pode chegar a 2 mil.
Paulinho afirma que entrar na Justiça contra os jornais foi
a única forma que a Força Sindical e ele encontraram
para se defender contra as acusações que, diz, são
indevidas. “Todos os dias tem gente me cobrando e eu tenho de
ficar explicando. Como vou me defender? A ‘Folha’ vai para
todo o país. É um dano irreparável. Não
tem dinheiro que pague. Eu queria apenas poder me defender”,
argumenta.
Segundo o advogado da “Folha de S. Paulo”, Orlando Molina,
as declarações do parlamentar na imprensa “são
prova de que ele quer impedir o cidadão de conhecer a verdade”.
Na opinião do advogado, o parlamentar parece querer fazer “um
uso indevido do judiciário como uma forma de censurar o jornal
e tentar impedir a Folha de mostrar o que apurou.” Molina afirma
que o jornal já está preparado para se defender das ações
que o deputado prometeu mover contra o veículo.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello afirmou
que, se houver evidências de que esses processos são abusivos,
o Código de Processo Civil pode ser usado para reprimi-los.
O texto obriga que as partes incluídas num processo devem “proceder
com lealdade e boa-fé”. Do contrário, podem ser
punidos com multas. “O que o sistema jurídico não
admite nem tolera é o abuso do direito de demandar. O Código
de Processo Civil estabelece sanções legais para quem
abusar desse direito”.
Segundo o advogado constitucionalista Paulo Schier, todo cidadão
tem direito de entrar com uma demanda judicial contra uma reportagem
veiculada na imprensa em que ele tenha se sentido ofendido ou prejudicado.
Ele lembra, no entanto, que tentar inibir o trabalho do jornalista
por meio de processos judiciais caracteriza um uso indevido do direito
de ação. “Quando isso acontece, ele está usando
um direito dele para obter uma finalidade que não é legítima,
que é de estabelecer uma coação”, comenta.
Além da coação, o advogado também lembra
que atitudes para tentar inibir a liberdade do jornalismo também
atentam contra o direito de informação garantido ao cidadão
pela Constituição Federal.
Judiciário
De 1.000 a 2.000 ações podem ser movidas por membros da
Força Sindical contra os jornais “Folha de S. Paulo” e “O
Globo”, ameaçou o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP)
na última quinta-feira.
65 processos contra a “Folha de S. Paulo” e a jornalista
Elvira Lobato foram movidos pela Igreja Universal e seus fiéis
entre dezembro e janeiro deste ano.
11 das 63 ações movidas por fiéis da Igreja Universal
contra a “Folha” já foram julgadas improcedentes
pela Justiça.
Se as ações movidas pelo fiéis da Igreja Universal
contra os jornais e se as novas ameaças de processos contra “Folha
de S. Paulo” e “O Globo” significarão uma retração
do trabalho de investigação da imprensa ainda é uma
dúvida na opinião do diretor da Associação
Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Plinio Antônio
Bortolott. Segundo ele, ainda é cedo para dizer qual será o
efeito dessas ações no jornalismo. O represnetante de Abraji
lembra, no entanto, “que o temor dentro da imprensa nunca é bom”.
Já no entendimento do diretor da Federação Nacional
dos Jornais (Fenaj), José Carlos Tórvis, essas ações
são de fato uma forma de “inibir a liberdade de imprensa”.
Para ele, os principais prejudicados por esses movimentos são
os jornais menores, “que se sentem inibidos em fazer matérias
tratando de determinados assuntos”.
OEA
A Fenaj deve levar a ameaça do deputado Paulinho de processar
os jornais à Organização dos Estados Americanos
(OEA) amanhã. De acordo com o presidente da Federação,
Sérgio Murilo, o vice-presidente da entidade, Celso Schörder,
vai relatar à OEA os casos que envolvem tentativas de cercear
a liberdade de expressão no Brasil, entre eles as declarações
de Paulinho e as ações da Igreja Universal do Reino de
Deus. “Se ações desse tipo continuarem, a sociedade
será prejudicada, já que o cidadão terá cerceado
seu direito de ser informado”, analisa Murilo.
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Gazeta do Povo, 9 de março
de 2008
ECONOMIA | MERCADO IMOBILIÁRIO
Fuja do aluguel
Financiamento com prazo maior
e juro menor revigora lançamento de imóveis
por ROSANA FÉLIX
Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo
“O que vou pagar de prestação
do financiamento vai ser quase a mesma coisa que o aluguel”,
diz Keliston Kovalski
Você mora de aluguel? Em caso positivo, fique sabendo que você está na
mira das instituições financeiras e construtoras, que estão
ampliando as opções de empréstimo e os lançamentos
de obras residenciais. Todo esforço delas é para que as
prestações sejam equivalentes ao que é pago por
um imóvel alugado.
O sonho de comprar o primeiro “apê” está virando
realidade para milhares de pessoas, e a tendência é que
esse movimento continue neste ano. Considerando apenas os imóveis
novos, Curitiba deve ter, pelo menos, 7 mil licenças de construção
para moradias com até 75 metros quadrados de área total.
No ano passado, foram liberados alvarás para cerca de 5 mil
unidades de até 75 metros quadrados em Curitiba, 35% do total,
de acordo com dados do Sindicato da Indústria da Construção
Civil (Sinduscon). O porcentual neste ano deve se manter estável,
segundo o vice-presidente da entidade, Normando Antônio Baú.
Os 14 mil alvarás concedidos no ano passado representam alta
de 22% em relação a 2006. O setor estima um aumento semelhante
para 2008. Entre os empreendimentos que ficaram prontos no ano passado
(7.621 unidades), 30% eram de moradias com até 50 metros quadrados.
Outras 884 unidades (12%) têm entre 51 e 75 metros quadrados.
“Não só a gente, mas todas as incorporadoras vêem
como a grande alavanca dos próximos anos esse segmento mais
econômico, do primeiro imóvel”, diz Luiz Augusto
Brenner Rose, diretor comercial da Lopes Dirani, consultora e intermediadora
de lançamentos imobiliários. O mercado “popular” deve
representar 50% dos empreendimentos comercializados pela empresa em
2008.
O diretor comercial da Dimensão Personal (empresa que negocia
os imóveis da construtora paulista Abyara no Sul do Brasil),
Luís Augusto Angelis, conta que se surpreendeu com o perfil
dos compradores do empreendimento Botânica, no Cristo Rei. O
residencial, composto de 560 apartamentos em cinco torres, têm
apartamentos com 218 a 348 metros quadrados, todos com pelo menos duas
vagas na garagem. Cerca de 300 unidades já foram comercializadas,
das quais 50% para pessoas que ainda não tinham imóvel
próprio. “Esse empreendimento não tem foco nas
pessoas que estão adquirindo o primeiro imóvel, mas realmente
houve uma grande procura por clientes dessa linha.”
A Abyara deve lançar obras voltadas para o segmento mais popular
neste ano, mas os detalhes ainda são mantidos em sigilo. Outra
construtora que deve se lançar no mercado econômico de
Curitiba neste ano é a Fit, subsidiária da paulista Gafisa.
A informação não foi confirmada oficialmente pela
empresa.
Mais prazo
De acordo com o gerente regional de Habitação da Caixa
em Curitiba, Gueber Roberto Laux, a ampliação do prazo
de financiamento foi fundamental para incentivar as pessoas a adquirirem
o primeiro imóvel. “O prazo de 30 anos tem esse fator
positivo. Apesar de longo, permite que a prestação fique
mais baixa, às vezes até abaixo do valor do aluguel de
um imóvel semelhante. Com a vantagem de permitir a construção
de um patrimônio”, diz.
Laux também cita o crescimento da massa salarial brasileira
e a estabilidade econômica como promotores do volume de financiamentos.
Dados da Caixa mostram que os mutuários têm cumprido seu
papel. A taxa de inadimplência de 90 dias no Paraná é de
2,45% (4,2% no país). “Nunca tivemos valores tão
baixos. Isso dá mais segurança para os bancos.”
Mudança
Na semana passada, o gerente de loja da Vivo Keliston Kovalski começou
a fazer a mudança para o apartamento recém-adquirido.
Ele, que tem 21 anos, pagava aluguel até então. “O
que vou pagar de prestação do financiamento vai ser quase
a mesma coisa que o aluguel. Eu já tinha tentado comprar um
imóvel há dois anos, mas não aprovaram o meu cadastro
porque era muito novo.” O imóvel tem 57 metros quadrados
e um quarto. “Financiei R$ 62 mil. O apartamento não é muito
grande, mas é muito bonito e agora é meu.”
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Gazeta do Povo, 9 de março
de 2008
ECONOMIA | SAÚDE NO
TRABALHO
Ouça os conselhos
do fonoaudiólogo
Ambientes com ruído
exigem uso de protetor auricular
por MARCO SANCHOTENE, com a colaboração
de Marina Gallucci
Muita gente gosta de trabalhar com uma musiquinha de fundo. Se é possível,
nada mais agradável. Agora, imagine o trabalho, às vezes
por horas, próximo a uma turbina de avião ou de uma máquina
industrial de grande porte e barulhenta. A proteção para
locais com ruído é obrigatória, mas não cabem
só à empresa os cuidados com a proteção auditiva.
O funcionário deve fazer sua parte, para não ficar com
algum grau de surdez, a chamada Perda Auditiva Induzida por Ruído
(Pair).
De acordo com a fonoaudióloga Carla Barcellos, da Clínica
Frischmann Aisengart, a exposição constante ao ruído
causa perda auditiva irreversível, geralmente em ambos os ouvidos.
Audição abafada, tontura e zumbido são os sintomas
mais aparentes. “Mas também podem ocorrer efeitos não-auditivos,
como distúrbios do sono, nervosismo, dor de cabeça e
alterações gastrointestinais”, diz. Essa é a
resposta do corpo humano ao ruído, que nada mais é do
que um som que causa sensação desagradável, como
define Carla. Funcionários de fábricas, operadores de
teleatendimento e motoristas (que não podem utilizar protetores)
são os que mais apresentam a Pair. “Mas existem vários
segmentos onde há risco. Um cabeleireiro que usa muito o secador,
por exemplo.”
Para descobrir se há algum problema com a audição
causado por ruído, basta consultar um fonoaudiólogo.
As empresas costumam fazer um exame na admissão e outros periodicamente,
de acordo com o nível de risco a que está submetido o
profissional. “Muitos só fazem o exame por obrigação”,
conta Carla. “E mesmo com o uso do protetor, há cuidados
que se deve ter”. Segundo ela, existe um protetor específico
para cada tipo de exposição, e cabe ao usuário
cuidar e manusear de forma correta o famoso equipamento de proteção
individual (EPI). Além de fazer exames periodicamente, o trabalhador
deve cuidar para não manusear o protetor com as mãos
sujas, evitar ao máximo retirá-los, guardá-los
na embalagem, mantê-los limpos e trocá-los quando necessário.
Existem protetores pequenos, que são usados no canal do ouvido,
e outros maiores, parecidos com fones de ouvidos grandes. Em alguns
casos, é necessário usar os dois tipos ao mesmo tempo.
Conforme a norma regulamentadora 15 do Ministério do Trabalho,
que trata de atividades insalubres, a máxima exposição
diária permitida sem proteção é de 8 horas
para ruídos contínuos de 85 decibéis (dB) – igual
ao motor de um carro – e 7 minutos para 115 dB – equivalente
a um avião decolando.
Para o diretor do Centro Estadual de Saúde do Trabalhador (CEST),
David Claret Bueno, o ambiente de trabalho adequado é o que
não tem ruídos. “Equipamentos barulhentos, como
máquinas, devem ser enclausurados, para ter isolamento acústico.
O EPI deve ser usado só em situações em que não
há outra solução”, opina.
O técnico de segurança do trabalho da indústria
de autopeças Faurecia, Júnior Mauricio Rotta, também
diz que o ideal é enclausurar equipamentos barulhentos, mas
que isso nem sempre é possível ou viável economicamente. “O
próprio fabricante deveria fazer o isolamento, mas mesmo equipamentos
importados não vêm protegidos”, diz. De acordo com
ele, o profissional de segurança do trabalho avalia quais máquinas
devem receber o isolamento para evitar a Pair nos funcionários.
Quando há risco, no entanto, o uso do EPI é sempre recomendado. “Fazemos
treinamento para mostrar como usar o protetor e por que usá-lo.
Nós criamos uma cultura de prevenção. Um funcionário
policia o outro”, explica Rotta, ele mesmo obrigado a usar o
protetor durante o expediente, pois precisa andar por todos os ambientes
da fábrica, em Quatro Barras, na região metropolitana
de Curitiba.
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Gazeta do Povo, 9 de março
de 2008
MUNDO | BRASIL X ESPANHA
Lula endurece discurso
e cobra reciprocidade
Evcaristo Sá/AFP

Lula reclamou da atitude da imigração
espanhola
Brasília, Rio de Janeiro, Salvador – A expulsão de
sete espanhóis no Aeroporto de Salvador, na última quinta-feira,
foi uma retaliação do governo à decisão de
autoridades espanholas de deportar 30 brasileiros retidos no Aeroporto
de Barajas, em Madri. A relação entre o tratamento dado
aos espanhóis no Brasil e o que os brasileiros receberam na Espanha
foi confirmada por integrantes do governo na sexta-feira, no Itamaraty
e no Palácio do Planalto.
À noite do mesmo dia, o Ministério das Relações
Exteriores confirmou que, se a Espanha e outros países da União
Européia não mudarem o tratamento dado aos viajantes
brasileiros, o governo também adotará as rigorosas regras
de Schengen para aceitar a entrada de europeus no Brasil, usando o
princípio da reciprocidade. Nas regras de Schengen estão
os critérios, alguns subjetivos, usados pelas autoridades espanholas
para expulsar brasileiros.
O endurecimento do discurso contra o governo espanhol foi determinado
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria considerado
deplorável o tratamento dispensado a brasileiros em aeroportos
da Espanha nos últimos meses, mesmo depois de reiteradas reclamações
do Itamaraty. Na sexta-feira, no Rio de Janeiro, Lula reclamou da atitude
da imigração espanhola. Cobrou do governo espanhol reciprocidade
de tratamento, lembrando que, no passado, o Brasil recebeu de braços
abertos os pobres espanhóis.
O presidente vinculou a crise com os espanhóis às eleições
naquele país e disse que, se dependesse dos partidos conservadores,
a Europa seria fechada aos pobres. O presidente socialista José Luis
Rodriguez Zapatero concorre, na Espanha, com o conservador Mariano
Rajoy, do Partido Popular (PP). “A questão eleitoral na
Espanha pode ter aguçado o tema. Essa eleição
termina domingo e espero que, na próxima semana, já tenha
contato com quem for eleito presidente de governo da Espanha para conversar,
porque não é possível que a gente tenha brasileiros
sendo proibidos de entrar na Espanha”, declarou Lula, que reiterou
que cobrará reciprocidade do futuro governante espanhol: “A única
coisa que peço é que todos os países do mundo
tratem os brasileiros em seus países como nós os tratamos
aqui. Tratamos portugueses, espanhóis, japoneses e quem mais
você possa imaginar com muita deferência. Os brasileiros
estão de braços abertos para ser carinhosos.”
Pelas normas de Schengen, estrangeiros só podem entrar em países
da União Européia ao apresentar passaporte com no mínimo
seis meses de validade, passagem de ida e volta, comprovante de pagamento
de hotel ou outro local de hospedagem, o equivalente a 60 euros por
dia de permanência prevista ou cartão de crédito
internacional. Exige-se ainda seguro médico internacional com
cobertura de pelo menos 30 mil euros. “No plano diplomático,
já usamos todas as armas disponíveis. Mas ainda temos
uma: são as normas de Schengen. É o princípio
da reciprocidade “, advertiu o subsecretário-geral de
Comunidades Brasileiras no Exterior, Otto Agripino Maia.
São esses requisitos que o governo passaria a exigir de europeus,
principalmente espanhóis. Hoje, o ingresso em território
brasileiro está condicionado a apresentação de
passaporte, quantia equivalente a US$ 50 por dia de permanência
e a mera indicação do local de hospedagem. Em geral,
as autoridades só conferem o passaporte.
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O Estado do Paraná,
9 de março de 2008
Direito e Justiça
A revista do TRT-PR
e a Escola de Administração Judiciária
Edésio Passos
“A Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 9.ª Região
alcança uma nova e importante etapa em sua trajetória.
A partir do volume 56, a publicação desta Revista está a
cargo da EAJ Escola de Administração Judiciária.
Com a missão de proporcionar aos magistrados e servidores desta
Corte, uma formação inicial e continuada, capaz de implementar
níveis mais elevados de eficiência em todas as atividades
relativas à prestação jurisdicional, a EAJ pretende
utilizar esta Revista como instrumento de difusão do conhecimento
jurídico-trabalhista” afirma o desembargador federal Ney
José de Freitas, diretor da EAJ, na abertura da apresentação
do n.º 59, ano 32, de julho/dezembro de 2007 da Revista do TRT-PR.
A revista é um dos orgulho dos magistrados do trabalho da nona
Região e de todos aqueles que trabalham no fortalecimento dos
estudos jurídicos entre nós. Já editada no ano
de 1976 pela primeira vez, atualmente, segundo a avaliação
da Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível
Superior, organismo do MEC, obteve a nota máxima. O Conselho
Administrativo da EAJ está composto pelos desembargadores Federais
Ney José de Freitas (diretor), Arnor Lima Neto (vice-diretor),
Célio Horst Waldraff (coordenador), juíza Odete Grasselli
(vice-coordenadora), desembargadora Federal Rosemarie Diedrichs Pimpão,
juízes Paulo Ricardo Pozzolo e Luciano Augusto de Toledo Coelho.
O número em circulação conta com a produção
e diagramação de Dorilis França Dutra/Elizabeth
Zimmermann e catalogação de Sônia Regina Locatelli.
Apresenta, inicialmente, a composição do Tribunal Tribunal
Pleno, Órgão Especial, Seção Especializada
e Turmas de Julgamento, das Varas do Trabalho com seus Juízes
Titulares em Curitiba e interior do Paraná e a nominata dos
juízes Substitutos. No campo doutrinário, a Revista divulga
vinte artigos em suas alentadas 509 páginas, com a abordagem
multidisciplinar, mas com ênfase dos modernos temas do Direito
do Trabalho nacional e internacional, de autoria de Odete Grasselli
(Mulher), Silvana Souza Netto Mandalozzo/Andréa Cristina Martins/Lúcia
Cortes da Costa/Márcio Pochmann (A Necessidade de Proteção
aos Trabalhadores Catadores de Materiais Recicláveis no Brasil),
Bráulio Gabriel Gusmão (A Lei 11.232/2005 e sua repercussão
no Direito Processual do Trabalho. Efeitos Práticos), Mauro
Vasni Paroski (Reflexões sobre a morosidade e o assédio
processual na Justiça do Trabalho), Ana Paula Sefrin Saladini
(Trabalho, medo e sofrimento: Considerações acerca do
assédio moral), Emília Simeão Albino Sako/Cláudia
Regina Umpierre dos Santos/ Elda Chiapetti/Marilda de Lourdes Prebianca
(Multa de 10% pelo não cumprimento espontâneo da obrigação
de pagar quantia certa, de fazer, não-fazer e entrega de coisa
certa, fixada em sentença ou liquidação Exigibilidade
no Processo do Trabalho Sentença Líquida e Sentença
Ilíquida), Rafael Gustavo Palumbo (Os Direitos patrimoniais
e morais do fotógrafo empregado), José Vinicius de S.Rocha
(Breve Crítica ao Princípio da Motivação
das Decisões Judiciais), Ricardo José Fernandes de Campos
(Trabalho Escravo: A dignidade da pessoa humana e a caracterização
do trabalho em condições análogas às de
escravo. Servidão por dívida: “Truck System”.
Aliciamento e transporte de trabalhadores: responsabilidade do empregador
e do intermediador. Responsabilidade penal, administrativa e penal.
O papel do Brasil no combate ao Trabalho Escravo), Mônica Sette
Lopes (Precedentes e Tópica:Soluções como Problemas),
Rubem Dias do Nascimento Junior (Razoável duração
da execução celeridade como imposição constitucional),
Márcia Novaes Guedes (Anomalias da Justiça do Trabalho),
Cássio Everaldo Meyer Barbuda (Salário utilidade: fim
da fórmula “pelo” e “para” o trabalho
Desvinculação do salário para fins de garantia
de direitos marginais do conjunto dos trabalhadores), Alberto Emiliano
de Oliveira Neto (O princípio da liberdade sindical e sua plena
aplicação ao ordenamento jurídico brasileiro),
Ricardo Tadeu Marques da Fonseca (Libras no Judiciário:Um débito
social), Edésio Passos (Reflexões sobre as contradições
no mundo do trabalho e as reformas sindical e trabalhista), Karine
Carvalho dos Santos Melo (A Concretização das proteções
constitucionais antidiscriminatórias no trabalho da mulher),
Erika Maeoka (Os desafios do Direito do Trabalho no contexto da expansão
do comércio internacional), Fábio Freitas Minardi (A
aplicação da teoria da eficácia horizontal dos
direitos fundamentais nas relações de índole trabalhista)
e Dariane Marques Martinelli (Arbitragem no Direito Coletivo do Trabalho).
A capa é ilustrada com a fotografia da obra “Mural do
Trabalho”, belo painel executado pelo artista plástico
Jairo Fernando Culau, servidor do TRT, exposto na sede do Tribunal.
Mensagens à Revista pelo e-mail periodico@trt9.gov.br.
A Convenção 158 da OIT: A Convenção
n.º 158, da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), de 1982, trata do Término da Relação de
Trabalho por iniciativa do Empregador (vide a íntegra da Convenção
na página do Diap). Foi ratificada pelo governo brasileiro em
1995 e vigorou no país em 05 de janeiro de 1996 mas, em seguida,
o próprio governo do presidente Fernando Henrique Cardoso depositou
denúncia na OIT, dando por terminada a aplicação
no Brasil a partir de 20 de novembro de 1997. O Ministério do
Trabalho e Emprego, em outubro de 2007, fez consulta à Comissão
Tripartide de Relações Exteriores, com o pronunciamento
favorável das Centrais Sindicais de Trabalhadores ao reexame
da questão. Já as entidades sindicais de empregadores
manifestaram-se que há conflito do texto da Convenção
com o FGTS e que haveria impacto negativo no mercado de trabalho. A
referida CTRE, entretanto, recomendou ao presidente da República
o envio da mensagem ao Congresso Nacional, o que foi efetivado pela
mensagem n.º 58, de 14 de fevereiro de 2008 para a ratificação
e incorporação da Convenção ao ordenamento
jurídico nacional. Assim, o texto da Convenção
será debatido na Câmara dos Deputados e Senado e submetido à aprovação
ou rejeição em ambas as Casas. Dentre as várias
disposições constantes da Convenção n.º 158
destacamos (1) Justificação para a rescisão contratual:
Art. 4.º - “Não se dará término à relação
de trabalho de um trabalhador a menos que exista para isso uma causa
justificada relacionada com sua capacidade ou seu comportamento ou
baseada nas necessidades de funcionamento da empresa, estabelecimento
ou serviço” (2) Prova Art. 9.º, a: “Caberá ao
empregador o ônus da prova da existência de uma causa justificada
para o término, tal como foi definido no artigo 4.º da
presente Convenção” (3) Término da relação
de trabalho por motivos econômicos, tecnológicos, estruturais
ou análogos: Art.13, a “proporcionar aos representantes
dos trabalhadores interessados, em tempo oportuno, informações
pertinentes, incluindo os motivos dos términos previstos, o
número e categorias de trabalhadores suscetíveis de serem
afetados e o período durante o qual se procederia a esses términos”.
As entidades sindicais de trabalhadores terão, nesta fase de
análise pelo Congresso Nacional, a responsabilidade da ampla
divulgação da Convenção n.º 158, seus
reflexos na legislação nacional e no mercado de trabalho,
visando fixar, com clareza, as vantagens e desvantagens da norma internacional
que já vigorou por alguns meses em nosso país e, agora,
volta a ser foco do importante debate sobre a proteção
do emprego.
Salário mínimo: A política econômica
e social do presidente Luiz Inácio Lula da Silva incluiu, desde
seu primeiro governo, o crescimento da massa salarial no país,
visando alavancar o crescimento da renda em geral e o conjunto da economia,
tendo em conta atingir, preferencialmente, os trabalhadores que percebem
o salário mínimo. Neste sentido, a fixação
e antecipação para 1.º de março (MP 421)
da vigência do novo valor para R$ 415,00 mensal, R$ 13,83 o dia
e R$ 1,89 a hora, estão calcadas nessas diretrizes. Os parâmetros
para essa fixação foram o INPC de 4,96% (abril-07 a fevereiro-08)
e a variação do PIB em 2006 em 3,65%, mas o arredondamento
do reajuste atinge 9,21%. Devem ser injetados cerca de 20 bilhões
de reais na economia e o impacto nas contas da previdência social
será de cerca de 7 bilhões/ano, com o atendimento de
cerca de 13 milhões de aposentados que recebem esse valor mínimo
mensal, além de um universo aproximado de 30 milhões
de trabalhadores. Vale, em dólar a R$ 1,70, cerca de 244 dólares.
Lembro-me, ainda como deputado federal no início na década
de 90, que nossa luta na Câmara dos Deputados, em especial do
hoje senador Paulo Paim, era pela fixação de um salário
mínimo correspondente a 100 dólares, pois em 95 valia
109 dólares, em 99 era de 81 dólares, em 2003 de 119
dólares. Paim, em artigo na Folha de S.Paulo, reproduzido na
página do Diap, afirma: “há anos, quando defendia
um salário mínimo que ultrapassasse os 100 dólares,
fui chamado de sonhador e demagogo, que alegavam que a economia do
país seria afetada. Que desemprego, inflação,
taxa de juros e o próprio risco Brasil cresceriam. Que as Prefeituras
quebrariam. O tempo provou o contrário”. Paim defende
a extensão do reajuste a todos os aposentados e pensionistas.
No Paraná, agora as entidades sindicais de trabalhadores buscam
a fixação de reajuste igual ou superior nos valores na
lei estadual do piso salarial profissional, atualmente variando de
R$ 462,00 a R$ 475,20, devendo ser fixado entre 502 a 520 reais. Pretende
o governo federal fixar a renovação do salário
mínimo em fevereiro de 2009 e em janeiro de 2010.
Carta a Lula: Dirigentes das Federações
e Sindicatos de Trabalhadores do Paraná encaminharam carta ao
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendendo a permanência
do sistema confederativo do artigo 8.º da CF/88, o reconhecimento
das Centrais Sindicais e da manutenção da contribuição
sindical obrigatória. Destacam, no texto da missiva, que “como
o País pode existir sem os Estados e os Estados sem seus Municípios?
Cada qual com sua autonomia e recursos (impostos garantidos), como
define a Constituição. Assim é o sistema confederativo:
confederações e suas respectivas Federações
e seus respectivos Sindicatos. É fundamental para os trabalhadores,
a manutenção do sistema confederativo e seu custeio,
como hoje constitucionalmente nos é assegurado. Seria uma dolorosa
tristeza e retrocesso para os trabalhadores se Vossa Excelência
fosse induzido a dissolvê-lo, atendendo aos interesses de poucos
contra a forma e sistema que favorece a muitos. Sua história
passada nos faz acreditar que tal mencionada circunstância não
acontecerá. Confiamos que nos vindouros livros de História
sua gloriosa passagem pelo sindicalismo, será consolidada de
igual forma como o “Presidente dos Trabalhadores”, que
manteve a estrutura organizacional dos mesmos, reiterando a existência,
como hoje a lei estabelece sem qualquer alteração ao
sistema confederativo”.
Jornada de trabalho dos motoristas: De primeira grandeza
as decisões, debates e ações ligadas à questão
da jornada de trabalho dos motoristas, a que nos reportaremos em novo
texto. Mas, desde já, é importante conhecer os termos
da decisão do juiz dr.Angelo Henrique Peres Cestari, da 1.ª Vara
do Trabalho de Rondonópolis, que concedeu liminar ao pedido
do Ministério Público do Trabalho da 23.ª Região
na ação civil pública ajuizada contra as entidades
sindicais patronais do setor econômico (vide autos 01372.2007.021.23.00.3).
Merece registro, ainda, para entendimento da matéria, o despacho
da juíza convocada do TRT - 23.ª Região, dra. Rosana
Caldas, cassando a liminar e considerando competente o foro do Distrito
Federal para exame do pedido (autos 00043.2008.000.2300.5). Visando
esclarecer pontos da questão, a Confederação Nacional
dos Trabalhadores em Transportes Terrestres-CNTTT, publicou boletim
especial que pode ser solicitado em Curitiba à Fetropar (imprensa@fetropar.org.br).
Dano moral: Controvertida e retrógrada a posição
do TST sobre dano moral relativo a LER/DORT expressa no acórdão
da sétima turma da lavra do ministro Ives Gandra Martins Filho,
ao reformar decisão do TRT - 4.ª, nos seguintes termos
da ementa: “Indenização por dano moral. Acidente
de Trabalho. Doenças Osteomoleculares relacionadas com o trabalho.
Não demonstração de culpa da reclamada. 1. O Regional
concluiu que era devida a indenização por danos morais
pleiteada na inicial, porquanto a responsabilidade da reclamada era
objetiva, presumindo-se sua culpa, de vez que não provada. 2.
Responsabilidade é o instituto que liga alguém às
conseqüências do ato que pratica, ou seja, é a obrigação
de responder pelas conseqüências jurídicas decorrentes
do ato praticado, cujos pressupostos são o dano experimentado
pelo ofendido, a ação ou a omissão do causador,
o nexo de causalidade e a culpa ou o dolo. 3. No caso dos autos, verifica-se
que foi demonstrado apenas o dano sofrido pela Obreira e o nexo de
causalidade entre a doença manifestada e o exercício
das atividades funcionais da Obreira, restando expressamente no acórdão
vergastado a presunção de culpa, corolário da
adoção da teoria do risco objetivo, contrariando a jurisprudência
desta Corte, a qual tem adotado o entendimento de que a responsabilidade,
nessas hipóteses, é subjetiva, restando inafastável
a necessidade de submissão do caso concreto à verificação
da existência de culpa ou do dolo na conduta patronal a título
de reparação do dano, na esteira do art. 7.º, XXVII,
da CF”. Verifica-se, pois, o retrocesso da decisão ao
negar a aplicação da teoria do risco objetivo nas relações
de trabalho como, acertadamente, haviam decidido o juiz da Vara do
Trabalho de Santa Cruz do Sul e o Tribunal da 4.ª Região
condenando a Philip Morris Brasil a indenizar em R$ 26 mil, empregada
auxiliar de produção admitida em 1993 que, por desempenhar
as funções de empacotadeira, com trabalhos repetitivos,
foi acometida de lesão nos braços, caracterizando acidente
do trabalho (autos RR 01612.2005.731.04.00.6).
Anote: A Escola de Direito da Fundação
Getúlio Vargas realizará, a partir do segundo semestre,
mestrado de Direito e Desenvolvimento Social, Político e Econômico
(www.direitogv.com.br) *** Curso sobre “Noções
fundamentais de Direito Previdenciário”, com a advogada
e mestra Melissa Folmann, dias 14 e 15 de março, em Curitiba,
Centro de Treinamento LEX-PR (inscrições: 041.2169.1556).
“Condenem-me, não importa. A história
de absolverá” (frase final da defesa de Fidel Castro
perante o Tribunal de Exceção de Cuba que julgou os
revolucionários que atacaram o quartel de Moncada, em 1953. “A
história me absolverá”, edição
Alfa-Omega, tradução de Pedro Pomar).
Edésio Passos é advogado e
ex-deputado federal (PT/PR).
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Folha de São Paulo,
9 de março de 2008
Alta do PIB alcança
expansão das empresas
Depois de anos crescendo muito
abaixo do setor produtivo, economia converge para taxa de
expansão das companhias
Commodities puxaram começo de recuperação
das empresas, seguidas pelo setor financeiro e depois pelo consumo
das famílias
Reuters

Caminhão na mina de minério
de ferro de Sossego, da Vale, uma das empresas que deram impulso
ao atual ciclo de crescimento
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
Há uma China em gestação dentro do Brasil, com
taxas de crescimento anual que passam de 10% ao ano, pelo menos desde
2001. Uma elite de grandes empresas brasileiras consegue o feito mesmo
com o crescimento baixo do passado recente do país, que só no
ano passado ultrapassou os 5%. A novidade é que a expansão
do PIB chegou à altura do avanço das empresas que iniciaram
o mais recente ciclo de crescimento.
Estudo da consultoria Economática mostra que, enquanto o PIB crescia
em torno de 3% nos últimos anos, as empresas abertas brasileiras
do setor produtivo tinham aumento vigoroso de mais de 6% em suas receitas.
Com uma expansão do PIB entre 5,2% e 5,3% -o IBGE divulga na quarta
o dado oficial-, esses dois mundos voltam a se aproximar. Ou seja, o
crescimento vigoroso se espalha pela economia.
" Em longo prazo, o país não pode crescer só no atacado.
Essas diferenças tendem a se reequilibrar. Tudo isso agora converge para
um crescimento mais próximo e generalizado", disse Fernando Exel,
presidente da Economática.
Para Exel, há um "parentesco distante" entre o crescimento
do PIB e o aumento da receita das empresas, que permite a comparação
entre esses dois universos. Ele lembra que as primeiras empresas brasileiras
de "crescimento chinês" foram exportadoras de commodities.
Depois, vieram os bancos e as empresas de serviços financeiros.
Na avaliação de Exel, a queda nos juros possibilitou a
expansão do crédito, que agora chega ao consumo das famílias
e se tornou um dos motores da expansão do PIB.
No levantamento, as empresas do setor varejista elevaram suas receitas
em 13,32% em 2007 -o dobro da expansão de 6% esperada pela LCA
Consultores e de 6,1% projetada pela Tendências para o consumo
das famílias. No estudo, o investimento das maiores empresas -excluindo
a Vale, que comprou a canadense Inco por US$ 15 bilhões- cresceu
10%, pouco menos que os 13,5% previstos pela LCA e os 13,4% da Tendências
para a expansão do nível de investimento do país.
O estudo leva em conta cerca de cem empresas de capital aberto que já divulgaram
seus resultados de 2007, mas desconsidera os bancos. Também exclui
companhias que passaram por mudanças relevantes, como fusões
e cisões.
" As grandes empresas são mais eficientes e mais rápidas para
perceber essas oportunidades de crescimento. O setor privado brasileiro é muito
competente. Veja a Vale, que foi estatal durante anos, aonde ela foi parar [após
a privatização]? Tem a Embraer, também. O capitalismo brasileiro,
do ponto de vista microeconômico, é muito eficiente. A dinâmica
nossa é toda privada. A única coisa que o governo fez foi acumular
reservas e manter o controle da inflação", diz o ex-ministro
Luiz Carlos Mendonça de Barros.
" Na história, as grandes empresas têm um papel fundamental
para mover o crescimento e explicar algumas arrancadas. Em geral, as grandes
empresas têm entre seus fornecedores pequenas e médias. Em alguns
setores, as grandes cresciam mais que o PIB, mas estavam voltadas ou para a exportação
ou para segmentos específicos. O que temos agora é um crescimento
interno baseado no consumo das famílias. Todos os setores têm de
crescer para dar [expansão de] 5%", diz João Sicsú,
diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea.
Motor chinês
Fora das fronteiras brasileiras, o motor da recuperação
do PIB no início da década veio das exportações,
especialmente de commodities minerais e energéticas. A partir
de 2001, a China precisou importar insumos para suprir seu parque industrial.
A escalada no preço de commodities depois contaminou os alimentos,
de que o Brasil é também produtor.
Para o país, a mudança trouxe uma enxurrada de dólares,
reequilibrou a taxa de câmbio, aumentou a confiança na economia,
possibilitou a queda nos juros, aumentou o investimento privado e permitiu
a expansão do crédito.
" A indústria brasileira começou a se olhar como fonte de
oferta para concorrer no mercado interno. Isso tem um efeito importante sobre
a inflação e permitiu ao BC baixar os juros. Os bancos começaram
a expandir o crédito. A combinação do aquecimento industrial
com salário, emprego e crédito provocou um boom do consumo, que
estamos vivendo hoje", diz Mendonça de Barros.
Para o ex-ministro Delfim Netto, as importações tiveram
um papel fundamental para alavancar a competitividade da empresas nacionais
voltadas ao mercado interno."As importações trazem
a competitividade, novas tecnologias, novos produtos, novos nichos, criam
necessidades e abrem a possibilidade de que os empresários nacionais
passem a produzir também. As exportações são
o instrumento para pagar as importações. Isso é que é processo
de substituição de importação."
Os economistas temem um desaquecimento na China como fator para desestabilizar
o atual ciclo. "A inflação chinesa pode levar a um
aumento nos juros que pode frear a economia, com reflexos no preço
das commodities. Como máquina produtiva, o Brasil caminha com
seriíssimos problemas. Falta implementar uma agenda de reformas
para ganhar competitividade", disse Exel.
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