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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de março de 2008 | Economia
Mínimo ainda sacrifica os aposentados
Andréa Bordinhão
Apesar de ainda enfrentar baixa
remuneração, os trabalhadores que ganham o salário
mínimo estão conseguindo, nos últimos anos, repor
a inflação e ganhar aumento real. No entanto, os aposentados
não estão sendo remunerados na mesma medida. Além
de não conseguirem aumento real são prejudicados com um índice
de inflação que não correspondem à realidade
dos seus gastos. Dados do Departamento Intersindical de Estatísticas
e Estudos Socioeconômicos (Dieese) do Paraná mostram que
no acumulado de maio de 1996 a fevereiro deste ano o salário mínimo
subiu 55% a mais que a remuneração dos aposentados.
Este ano o salário mínimo
nacional subiu 9,21% (o que equivalente a R$ 35) enquanto a aposentadoria
subiu os 5% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor
(INPC), que mede a inflação do ano. Por causa desta defasagem
o do Sindicato Nacional dos Aposentados vai pedir amanhã em reunião
no Congresso Nacional que os parlamentares tentem negociar com o governo
federal um aumento maior para os idosos. “Queremos que os aposentados
que ganham até R$ 700 por mês recebam os R$ 35 e não
apenas o INPC. Isso pelo menos recomporia o poder de compra de parte
da categoria”, defendeu o presidente do Sindicato, João
Batista Inocentini.
Dados do Instituto Nacional da
Seguridade Social (INSS) dão conta que o País tem cerca
de 25,18 milhões de aposentados. Seriam beneficiados pela medida
proposta pelo Sindicato por volta de 20 milhões do total. “Seria
um aumento em cascata. E nos próximos anos iríamos atingindo
aos poucos a parte que ganha mais do que isso”, explicou Inocentini.
Segundo o sindicalista os 5% do INPC repõem as perdas somente
de quem ganha mais de R$ 1,5 mil de aposentadoria. Apesar de a Previdência
Social ter fechado 2007 com um déficit de R$ 46 bilhões,
Inocentini defende que o que mais prejudica a arrecadação
são benefícios fiscais (empresas que não precisam
pagar alguns tributos ao INSS) e as cerca de 100 mil aposentadorias de
valor acima de R$ 2 mil.
INPC dos aposentados
O INPC é calculado
com base em diversos itens de consumo e cada um tem um peso diferente
na composição do índice. Este peso é definido
por uma média da população calculada pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) as principais
necessidades dessa média populacional têm pesos mais altos
no índice. No entanto, explica o economista do Dieese-PR, Sandro
Silva, para os aposentados alguns itens como remédios, plano
de saúde ou gastos com saúde pesam mais do que o calculado
pelo INPC. “O peso destes itens na inflação é pequeno.
Mas para os aposentados é alto”, explicou.
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ESTADÃO.COM/ SÃO
PAULO, 11 de março de 2008 | Economia
Indústria teve o melhor
janeiro desde 2005, segundo CNI
Taxas de crescimento dos indicadores
registram o melhor mês de janeiro dos últimos três
anos, diz economista
Renata Veríssimo - Agência
Estado
BRASÍLIA - A indústria de transformação apresentou
trajetória de expansão no início de 2008. Segundo os indicadores
industriais de janeiro divulgados nesta terça-feira, 11, pela Confederação
Nacional da Indústria (CNI), todos os indicadores foram positivos. O
faturamento real (vendas reais) da indústria cresceu 0,8% em janeiro
na comparação com dezembro de 2007 em termos dessazonalizados
e 10,5% na comparação com janeiro de 2007.
O economista da CNI Paulo Mol informou que as taxas de crescimento
dos indicadores industriais registraram o melhor mês de janeiro dos últimos três
anos. Segundo ele, a indústria começa 2008 com uma trajetória
bem mais favorável que em 2006 e em 2007. Para Mol, o avanço
da demanda interna e o aumento da utilização da capacidade instalada
levaram à elevação dos investimentos pelo setor industrial.
Segundo a CNI, o faturamento
da indústria acumula seis meses consecutivos de expansão.
As horas trabalhadas na produção aumentaram 0,7% em relação
a dezembro do ano passado e 7% ante janeiro de 2007. O faturamento da
indústria acumulado nos últimos seis meses encerrados em
janeiro avançou em torno de 5%.
Pelos dados da CNI, a alta do
faturamento - que reflete as vendas reais - foi puxado pelo setor automotivo,
que respondeu por um terço da expansão do mês de
janeiro. Os setores de alimentos e bebidas e máquinas e equipamentos
vêm na seqüência como os que mais contribuíram
para o aumento da receita da indústria de transformação
em janeiro.
Considerando-se todos os meses,
a CNI destaca que, no caso do faturamento, a alta de 10,5% em relação
a janeiro de 2007 é a maior taxa de expansão desde agosto
de 2004. Os três setores citados acima, juntos, também responderam
por 66% do aumento de horas trabalhadas na produção e por
65% da expansão do emprego.
Já em relação à expansão
da massa salarial, os setores que lideram são alimentos e bebida,
máquinas e equipamentos e outros equipamentos de transporte. O
setor automotivo vem em quarto lugar na composição do indicador,
junto com material eletrônico e de comunicação.
O setor de veículos automotores,
segundo os dados da CNI, foi o que teve o maior crescimento na utilização
da capacidade instalada em janeiro de 2007. A alta foi de 9,4 ponto porcentual.
O setor representou um terço do crescimento da utilização
da capacidade instalada da indústria em janeiro na comparação
com igual período do ano passado.
Alimentos e bebidas e borracha
e plástico vêm em seguida. Mas o economista Paulo Mol ressalta
que a expansão da capacidade instalada no setor de borracha e
plástico é um reflexo do avanço do setor automotivo,
que é um grande consumidor destes materiais.
Mol acredita que o uso da capacidade
instalada deve continuar em patamar elevado, mas não estima novas
intensificações. "2008 terá um crescimento
importante da atividade industrial, mas não será tanto
quanto em 2007. Por isso, a tendência é que a utilização
da capacidade instalada se mantenha estável ou um pouco declinante,
dependendo do ritmo do crescimento econômico", afirmou o economista.
Uso da capacidade
A utilização da
capacidade instalada ficou estável em janeiro ante dezembro e
cresceu 1,8 ponto porcentual na comparação com o mesmo
mês de 2007, segundo os dados da CNI. O nível de utilização
da capacidade instalada (Nuci) em janeiro deste ano, em termos dessazonalizados,
foi de 83,1%.
A CNI destaca que o indicador
da capacidade instalada se estabilizou no patamar de 83% nos últimos
cinco meses, embora tenha havido a expansão das horas trabalhadas
na produção, que é o indicadores mais relacionado à produção
industrial.
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ESTADÃO.COM/ SÃO
PAULO, 11 de março de 2008 | Economia & Negócios
''Bolsa-Família'' da indústria
sai até o fim do mês
Desonerações tributárias
não poderão ser anunciadas até que o Congresso
aprove o Orçamento da União
Silvia Amorim
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
Miguel Jorge, disse ontem que a nova política industrial será o "Bolsa-Família" do
setor de produção. "Vamos pegar tudo que há no governo
de forma desorganizada e dar uma coordenação. Será mais
ou menos o Bolsa-Família da área industrial", afirmou.
O plano será apresentado
até o fim deste mês pelo presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, segundo o ministro. Um dos principais pontos - os incentivos
fiscais para as indústrias, com redução de alíquotas
e impostos - não poderá ser definido sem a aprovação
do Orçamento da União no Congresso.
"Há uma decisão
do presidente de anunciar a nova política industrial uma semana
depois da aprovação do Orçamento", disse Jorge,
após dar a aula inaugural do curso Master em Jornalismo, em São
Paulo.
O governo, garante Jorge, terá participação
direta na busca de investimentos na nova política industrial. "Usaremos
a capacidade de compra do governo para alavancar a produção",
adiantou. A idéia é trazer para o Brasil empresas que hoje
exportam produtos estratégicos para o governo.
Há negociações
em andamento na área da saúde, mas Jorge não quis
antecipar o nome das empresas. Cálculos preliminares apontam para
um aporte de investimentos de pelo menos US$ 200 milhões em novos
negócios.
"Digamos que o Ministério
da Saúde importe 2 mil aparelhos para determinada função.
Para manutenção, é muito mais caro porque as peças
vêm de fora", explicou. "Se você consegue fazer
com que esses aparelhos sejam feitos no Brasil, você reduz os custos,
gera emprego, terá transferência de tecnologia e gera divisas
porque o País passa a exportar para toda a América Latina."
A Petrobrás terá papel
estratégico na implementação das novas diretrizes. "Por
que não fazemos navios aqui se temos estaleiros parados e fechados?
A Petrobrás contratará em breve 150 navios de apoio e a
construção se dará aqui", antecipou Jorge.
O ministro disse ainda que o
plano a ser anunciado não terá prazo de validade até o
fim do atual governo. "Não imaginemos que essa nova política
industrial acabe em 2010. Ela vale para qualquer governo."
Para o ministro, a política
industrial em vigor nunca passou de intenção. "Teve
uma tentativa de política industrial no primeiro mandato do Lula
para os cinco setores estratégicos, mas, na minha opinião,
era mais uma intenção." E criticou a condução
do tema no governo Fernando Henrique Cardoso. "Política industrial
não teve com Fernando Henrique."
CORREÇÃO
Os investimentos anunciados
pelas empresas no primeiro bimestre deste ano cresceram 28,4% em relação
a igual período de 2007, diferentemente do que foi publicado
na reportagem "Investimento no 1º bimestre cresce 46% e chega
aos R$ 90 bilhões", na página B08 da edição
de domingo.
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AGÊNCIA CÂMARA,
11 de março de 2008
Hoje
Plenário analisa projeto sobre
contribuição sindical
O reconhecimento das centrais sindicais como entidades representativas de trabalhadores é o
principal item da pauta que começa a ser discutida nesta tarde pelo
Plenário. Os deputados devem votar as emendas do Senado ao Projeto de
Lei 1990/07, do Poder Executivo, que tramita com urgência constitucional
e tranca os trabalhos juntamente com a Medida Provisória 404/07.
A principal mudança feita
pelas seis emendas dos senadores é a exclusão da exigência
de o trabalhador autorizar o desconto da contribuição sindical
obrigatória em folha de pagamento, como fora aprovado pela Câmara
na primeira passagem do projeto pela Casa.
Essa exclusão proposta
pelo Senado foi possível graças a um acordo pelo qual o
governo se comprometeu a enviar outro projeto de lei ao Congresso para
tratar das contribuições cobradas atualmente dos trabalhadores
para financiar o movimento sindical.
O novo projeto deve propor uma
forma de unificar ao máximo as diversas contribuições
pagas: o imposto sindical (equivalente a um dia de trabalho por ano),
a contribuição sindical (cobrada em dissídios),
a contribuição confederativa mensal e a mensalidade do
sindicato. O valor único teria ainda um teto.
Previdência
Antes de discutirem o PL 1990/07, os deputados têm de votar a Medida
Provisória 404/07, que amplia de cinco para dez o número de dias
de pagamento, na rede bancária, dos benefícios da Previdência
Social de até um salário mínimo. O objetivo é evitar
filas de aposentados e pensionistas.
Antes da edição
da MP, todos os benefícios eram pagos do primeiro ao quinto dia útil
do mês seguinte ao de sua competência. Permanecem nessa regra
os benefícios de valor acima de um salário mínimo.
Com a nova sistemática,
vigente desde dezembro de 2007, quem tem direito a benefício mensal
de um salário poderá recebê-lo entre o quinto dia útil
que anteceder o fim do mês de sua competência e o quinto
dia útil do mês subseqüente. Entretanto, o total de
beneficiários será distribuído proporcionalmente
entre todos os dias de pagamento.
Paraguai
Outro item que tranca a pauta é o Projeto de Lei 2105/07, que cria o
Regime de Tributação Unificada (RTU) para a importação
de mercadorias do Paraguai por via terrestre. O projeto tramita em conjunto
com o PL 1179/07, do deputado Rodovalho (DEM-DF), e permite o uso do novo regime
pelos micro e pequenos empresários participantes do Simples Nacional
(Supersimples), estipulando alíquota de 42,25% sobre o valor da compra.
O PL 1650/07 também tranca
os trabalhos e prevê incidência das mesmas alíquotas
do Imposto de Renda de pessoa física para os ganhos de transportador
autônomo do Paraguai que preste serviços a operadora brasileira
de transporte rodoviário internacional de carga.
Crédito
extraordinário
Constam ainda da pauta outras duas medidas provisórias (405/07 e 406/07),
que passarão a trancar os trabalhos nos dias 15 e 18, respectivamente.
A MP 405/07 concede crédito extraordinário de R$ 5,44 bilhões
a 20 ministérios, à Presidência da República e à Justiça
Eleitoral.
Já a MP 406/07 abre crédito
extraordinário de R$ 1,25 bilhão a vários ministérios
e à Presidência da República. No âmbito do
Ministério das Cidades, R$ 500 milhões são transferidos
ao Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) para permitir a contratação
de novas operações de arrendamento habitacional a famílias
de baixa renda, dentro da meta de R$ 3 bilhões até 2010.
A Ordem do Dia está marcada
para as 16 horas.
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FOLHA DE LONDRINA, 11 de
março de 2008
Empresas não podem exigir mais
de 6 meses de experiência
O período de experiência
exigido para contratos de trabalho não poderá ultrapassar
o período de seis meses. A lei que acrescenta novo artigo à Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) foi publicada nesta terça-feira
(11) no Diário Oficial da União (DOU) e entra em vigor
imediatamente.
"Para fins de contratação,
o empregador não exigirá do candidato a emprego comprovação
superior a seis meses no mesmo tipo de atividade", prevê o
texto sancionado pelo presidente da República, Luiz Inácio
Lula da Silva.
Agência Brasil
Redação Bonde
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CONGRESSO EM FOCO, 11 de
março de 2008
Pressão pela PEC do Trabalho
Escravo
Entidades prometem mobilizar mais de mil
pessoas para que Câmara retome votação de texto
parado desde 2004
Lúcio Lambranho
Vinte entidades voltadas para
o combate ao trabalho escravo vão testar, nesta quarta-feira (12),
seu poder de mobilização contra a bancada ruralista, que
veta, desde agosto de 2004, uma proposta de emenda à constituição
(PEC 438/01) que prevê o confisco para a reforma agrária
das terras onde for constatada a ocorrência desse tipo de crime.
O Movimento Nacional pela Aprovação
da PEC do Trabalho Escravo promete uma manifestação com
mais de mil pessoas no Congresso e pretende apresentar seus argumentos
em favor da proposta em audiência com o presidente Lula. Desde
que foi criado, em 1995, o grupo móvel de combate ao trabalho
escravo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mais de 28
mil trabalhadores rurais foram libertados.
A PEC do Trabalho Escravo (saiba
mais) já foi aprovada em dois turnos no Senado e em primeiro
turno na Câmara. Para ir a sanção presidencial
e se tornar lei, a proposta ainda precisará de mais uma rodada
de votação entre os deputados e voltar para a análise
dos senadores, pois o texto aprovado na Câmara foi alterado.
Mas além de tentar ganhar
a opinião pública em favor da aprovação da
PEC 438, as entidades terão que correr contra as declarações
do próprio presidente, que minimizou recentemente a ocorrência
de trabalho escravo em plantações de cana-de-açúcar,
e a Medida Provisória 410/07, publicada no dia 28 de dezembro
do ano passado.
Declaração polêmica
A MP 410/2007 libera as contratações
temporárias no meio rural e dispensa o registro em carteira dos
chamados safristas, trabalhadores contratados apenas durante as colheitas.
A medida provisória atendeu a uma reivindicação
da bancada ruralista, como mostrou o Congresso em Foco (leia
mais) e pode dificultar o combate ao trabalho escravo.
Durante sua visita a Campinas (SP), no último dia 5, o presidente Lula
falou sobre a libertação de trabalhadores de situações
análogas à escravidão no país. Lula falou até da
Revolução Industrial, que aconteceu na Europa durante o século
18, para relativizar os casos de trabalho escravo vinculados à produção
do setor sucroalcooleiro.
"Vira e mexe nós
estamos vendo agora eles [europeus] falarem do trabalho escravo no Brasil
sem lembrar que com o desenvolvimento deles na base do carvão
o trabalho era muito mais penoso do que o trabalho da cana-de-açúcar",
disse.
Na semana anterior às
declarações do presidente, o grupo móvel do Ministério
Público do Trabalho e Emprego (MTE) havia libertado mais de 600
trabalhadores em condições degradantes em usinas de cana-de-açúcar
em Alagoas.
"Vamos ver se a partir de
agora o Ministério do Trabalho será coerente com o pensamento
do presidente, ou se é ele quem mudará de discurso conforme
a platéia", disse na semana passada a senadora Kátia
Abreu (DEM-TO) sobre as declarações do presidente Lula.
Ontem, a senadora não retornou os recados da reportagem para tratar
do assunto.
Mas um dos principais representante
da bancada ruralista e negociador do texto aprovado em primeiro turno
na Câmara ainda em agosto de 2004, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), é cético
com relação ao tema. "Eu não posso pautar nada.
Quem pauta se essa PEC entra ou não no plenário é o
presidente da Câmara junto com os líderes", avisa Caiado.
Sobre a possibilidade de acordo
para se votar a proposta em segundo turno, o deputado goiano é também
taxativo. "Que acordo eu posso tentar fazer com mais de 20 medidas
provisórias no plenário? Como se pode pensar em acordo
se ainda não votamos a PEC dos Vereadores e não sabemos
o número de vagas para eleição de outubro",
completou.
“Dobrar de tamanho”
O líder do governo na
Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), disse ao Congresso em
Foco que o governo é "extremamente favorável" à aprovação
da PEC 438 e promete colocar o tema em discussão na "primeira
janela" da pauta da Câmara. "Tudo vai depender dos intricados
caminhos da agenda legislativa. É um tema que mexe com interesses
acima de outros e ficou parado devido ao trancamento da pauta",
avalia Fontana.
O cientista político e
assessor do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) Edélcio
Vigna acredita que a mobilização desta quarta-feira pode
cristalizar o apoio da opinião pública contra o trabalho
escravo e vencer as resistências da bancada ruralista.
"Se tiver mesmo mil pessoas
no ato, isso pode sensibilizar o presidente da Câmara. Mas o tema
só entra na pauta por decisão unânime dos líderes
dos partidos. E sobre os líderes, os ruralistas têm grande
influência principalmente no PMDB e no Democratas, mas também
no PSDB", avalia Vigna.
No seu trabalho no Inesc, Edélcio
classifica os ruralistas como a maior bancada de interesse no Congresso
com 116 deputados. "Cada um joga seu papel neste debate e essa bancada é contra
a reforma agrária. E em dias de votação pode dobrar
de tamanho, pois justa-se a ela parlamentares proprietários de
terras ou que tenham discurso conservador", diz o cientista político.
“Engavetado”
Relator da matéria na
Comissão Especial que aprovou a PEC, o deputado Tarcísio
Zimmermann (PT-RS) lembra que, mesmo conseguindo completar a votação
em segundo turno na Câmara, a proposta entrará no chamado
efeito pingue-pongue ao voltar para o Senado. A PEC aprovada pelos senadores
sofreu três grandes alterações, segundo o deputado
gaúcho.
A primeira delas foi a inclusão,
a pedido da bancada ruralista, do termo trabalho escravo urbano. A justificativa
usada pelos defensores dos proprietários rurais era de que, sem
essa palavra, o conceito de trabalho escravo ficaria restrito e estigmatizaria
os empreendedores do setor rural.
A segunda alteração
no texto retirou a inclusão dos trabalhadores vítimas de
trabalho escravo dos beneficiários diretos das propriedades infratoras
por meio de reforma agrária. O novo texto passa essas mesmas terras
para um fundo de reforma agrária administrado pelo governo federal.
Também foi introduzido na PEC dispositivo que prevê que
as benfeitorias e equipamentos das fazendas autuadas serão vendidos
e o dinheiro será destinado a um fundo de combate ao trabalho
escravo.
"Esse texto foi acordado
com os ruralistas e não sei por que razões, depois da aprovação
em primeiro turno, a bancada ruralista passou a vetar esse tema na Câmara. É preciso
colocar a PEC em votação. O que não pode é a
Câmara ficar com esse tema engavetado. É melhor ter uma
decisão contrária, já que não se tem uma
correlação de forças para aprovar a PEC", avalia
Zimmermann.
Desde janeiro de 2007, o Congresso
em Foco fez uma série de reportagens sobre o trabalho escravo
e a relação dessa prática com congressistas e doações
eleitorais. Para saber mais sobre o assunto, leia as seguintes matérias:
Caminho aberto para o
trabalho escravo
Entidades
trabalhistas lançam ofensiva contra medida provisória
que dispensa o registro em carteira dos trabalhadores rurais temporários
Doador de Aécio
na “lista suja” do trabalho escravo
Empresa
que doou R$ 33 mil para a reeleição do governador de
Minas é incluída em cadastro do Ministério do
Trabalho
Acusação
de trabalho escravo contra pai de Senna
De
acordo com o Ministério Público do Trabalho, fazenda
de empresário mantinha 82 trabalhadores em condição
análoga à de escravo
Impulso para o trabalho
escravo
Em
defesa de empresa acusada de manter 1.064 trabalhadores em condições
degradantes, senadores levam fiscais a suspender fiscalização
em todo o país
De pai para filho
Pai
de ministro do TCU é acusado de ter mantido 34 trabalhadores
sob escravidão. Pecuarista doou para campanha do ex-deputado
Política financiada
pela lista suja
Empresas
autuadas por explorar trabalhadores em condição análoga à de
escravo doaram R$ 897 mil para 25 candidatos em 2006
Acusados de trabalho
escravo financiaram 16 políticos
Empresas
autuadas doaram R$ 550 mil nas últimas eleições.
Entre os beneficiários, dois governadores, cinco deputados
federais e três senadores
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CONSULTOR JURÍDICO,
11 de março de 2008
Processo virtual
TRTs terão de enviar peças
digitalizadas para o TST
O Tribunal Superior do Trabalho aprovou ato que determina aos 24 Tribunais
Regionais do Trabalho o envio de peças processuais para o TST já digitalizadas
simultaneamente ao envio dos autos físicos. A medida tem como objetivo
agilizar a tramitação eletrônica dos processos.
Desta forma, as peças
serão integradas ao sistema de processo eletrônico utilizado
pelo TST (e-Recurso-TST) e devem dar mais agilidade e celeridade ao andamento
processual. Os TRTs têm até o dia 1° de agosto para
se adequar às novas regras.
Atualmente, quase todos os atos
processuais são preparados, no TST, em sistema digital, mas boa
parte ainda chega dos TRTs em papel. Isso faz com que o acervo de processos
existente no TST (recursos recebidos dos TRTs) aguarde em média
cinco anos para ser julgado. Para solucionar o problema, o TST desenvolveu,
em parceria com os TRTs da 4ª (RS), 9ª (PR), 12ª (SC)
e 17ª (ES) Regiões e com o Conselho Superior da Justiça
do Trabalho, o sistema e-Recurso em dois módulos: um para os Regionais
e outro para o TST.
Segundo o Tribunal Superior do
Trabalho, o sistema, já implantado, garante a segurança
na transmissão eletrônica de dados e peças processuais.
A remessa dos autos em papel será mantida até orientação
do TST em sentido contrário e caberá aos TRTs disciplinar
a digitalização das peças trazidas pelas partes.
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ÂMBITO JURÍDICO,
11 de março de 2008
Trabalhadora que engravida durante
aviso prévio tem estabilidade, mesmo se dispensada de cumpri-lo
Fonte: TRT4
A estabilidade de gestante é devida
quando a trabalhadora engravida durante os trinta dias de aviso prévio,
mesmo não cumprindo tal período no serviço. De acordo
com decisão dos Juízes da 5ª Turma do Tribunal Regional
do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS), é irrelevante o
fato do empregador ter ou não ciência da gravidez de empregada
ao despedí-la, pois para haver a proteção constitucional
da estabilidade, basta a prova da ocorrência da gravidez durante
o contrato de trabalho.
A Farmacall Medicamentos Ltda. entrou com recurso no TRT-RS contra sentença
do Juízo da 28ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, a qual condenava
a empresa a indenizar funcionária demitida. A trabalhadora foi dispensada
em 7 de agosto de 2006, sendo liberada de cumprir o aviso prévio de
trinta dias. Pouco mais de uma semana depois, entre 19 e 25 de agosto, engravidou.
O Tribunal não deu provimento ao recurso da Farmacall, mantendo a sentença
de 1° grau. Para a relatora do acórdão no Tribunal, Juíza
Berenice Messias Corrêa, ainda que a empregada tenha sido dispensada
do aviso prévio, é certo que a projeção do contrato
se deu para trinta dias após a despedida: “quando da efetiva extinção
do contrato, a trabalhadora já estava grávida, o que enseja a
proteção constitucional”, declara a Juíza. A decisão
invoca o que dispõe o artigo 10, inciso II, alínea “b” do
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT)
da Constituição Federal de 1988, o qual garante a estabilidade
da gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco
meses após o parto. A Juíza Berenice conclui afirmando que a
proteção jurídica concernente à garantia provisória
da gestante no emprego visa a proteger, sobretudo, o nascituro, assegurando
meios indispensáveis à sua subsistência: “esta é a
interpretação mais consentânea com os princípios
norteadores do direito do trabalho”, declara a Juíza. (RO 00026200702804006).
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VERMELHO, 11 de março
de 2008 | Economia
Chile: Bachelet reforma sistema de
Previdência do país
A presidente Michelle Bachelet
transforma nesta terça-feira (11) em lei a mais importante reforma
do sistema de Previdência do Chile, criado há 27 anos, em
tempos de regime militar. De forte cunho social, o novo sistema entra
em vigor em julho e pretende beneficiar uma boa parcela da população
mais pobre, com 65 anos ou mais e que estava fora do sistema, e aumentar
a concorrência no mercado de administração de fundos
de pensão, atualmente em mãos de poucas empresas.
O atual sistema de capitalização
chileno, pelo qual o trabalhador contribui com uma parte de seu salário
para sua própria aposentadoria, é diferente do sistema
brasileiro, no qual o trabalhador de hoje financia para aposentadoria
de quem já saiu do mercado. Elogiado por muitos economistas desde
sua criação, em 1981, o modelo chileno foi copiado por
vários países, como os EUA. As administradoras de fundos
de pensão (AFP), privadas, recolhem as contribuições
dos trabalhadores e aplicam os recursos. Essas operações
ajudaram a alavancar investimentos no país, com reflexos importantes
na expansão da economia. Mas, ao mesmo tempo, as AFP cobram altas
comissões de seus "clientes", que não podem trocar
de administradora.
" O sistema das AFP foi
uma reforma neoliberal da ditadura. Privatizou-se sem os marcos regulatórios
adequados", lembra o embaixador do Chile no Brasil, Álvaro
Díaz. Como resultado, diz ele, o que se vê é uma
baixa adesão ao sistema, enquanto o país envelhece a passos
rápidos, com expectativa de vida crescente. Caso fosse mantido
o atual modelo, 5% dos pensionistas receberiam apenas a pensão
mínima e 45% teriam pensão inferior à mínima
ou pensão nenhuma.
Desigualdade
A bomba-relógio foi desarmada,
e a nova lei aprovada pois a oposição (abrigada na coalizão
Alianza) concordou que era hora. "Nos anos 90 a Concertación
(coalizão que reúne partidos de centro-esquerda e centro-direita,
hoje no governo) já defendia reformas no sistema, mas não
havia maioria no Congresso", diz Díaz.
Reduzir a desigualdade de renda
(10% da população detém quase 40% da renda) foi
uma bandeira que passou a integrar o discurso da Alianza há cerca
de quatro anos. Esse movimento permitiu que a reforma no sistema de Previdência
avançasse.
O novo modelo é misto.
Mantém a capitalização gerida pelas AFP e aumenta
a participação do governo, que deve desembolsar pouco mais
de US$ 1,5 bilhão ao ano, de 2008 a 2010. A pensão básica
solidária (PBS) será concedida a cidadãos de 65
anos ou mais, da parcela mais pobre da população e que
nunca tenham contribuído para sua aposentadoria, como donas-de-casa
e trabalhadores informais. A partir de julho, eles receberão 60
mil pesos mensais (cerca de US$ 125), atingindo um ano depois o valor
máximo de 75 mil pesos (US$ 156).
A lei também cria o aporte
previdenciário solidário (APS) para chilenos de 65 anos
ou mais que tenham contribuído para sua aposentadoria, mas de
maneira insuficiente para garantir o recebimento da pensão mínima.
Este grupo, que reúne trabalhadores cuja pensão é de
no máximo 70 mil pesos (US$ 146), começará a receber
sua pensão a partir de junho de 2009. O valor vai aumentar gradativamente
até chegar ao teto de 255 mil de pesos (US$ 531) em 2012.
A lei pretende, com esses
dois tipos de pensão (PBS e APS), beneficiar inicialmente os
40% mais pobres da população. Em 2012 essa fatia cresceria
para 60%, equivalendo a cerca de 1,5 milhão de pessoas.
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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de março de 2008 | Economia
Trabalho em rede multiplica ações
do Terceiro Setor
Redação O Estado do Paraná
Para o Terceiro Setor, o significado da palavra “rede” vai além
de “entrelaçamento de fios com aberturas regulares que formam
uma espécie de tecido”. Isto porque, a partir da noção
de entrelaçamento, malha e estrutura descentralizada, a palavra rede
ganhou novos significados, passando a ser empregada em diferentes situações.
De acordo com o programa Rede
Social do Senac São Paulo, essa rede é: “um sistema
capaz de reunir e organizar pessoas e instituições de forma
igualitária e democrática, a fim de construir novos compromissos
que beneficiem a vida das comunidades”.
Assim, as redes sociais são
estruturas horizontais, sem hierarquia, nas quais as idéias de
igualdade e democracia são fundamentais. Essas redes são
formadas por organizações com algum objetivo comum a todas
que guia as discussões e a troca de informações,
aumentando o resultado das ações realizadas.
Um exemplo de instituição
social paranaense que participa de uma rede é a Ciranda - Central
de Notícias os Direitos da Infância e Adolescência.
Foi a partir da Rede ANDI (Agência de Notícias dos Direitos
da Infância) que a Ciranda foi criada, como nos conta Lilian Romão,
coordenadora de relações institucionais da Ciranda: “a
Ciranda nasceu de um projeto de rede que disseminasse notícias
sobre a infância a adolescência em cada estado do Brasil”.
Para Lilian, um dos grandes benefícios da articulação
em rede é a troca e a posterior construção de novos
conhecimentos: “um ponto importante é que o trabalho em
rede provoca a multiplicação de idéias pelo debate
constante a partir de diferentes experiências. Assim, você deixa
de ser uma única instituição sozinha pensando em
uma solução isolada, para reunir diversas mentes que procuram
ações conjuntas”.
Uma vez que as instituições
sociais que fazem parte da rede são organizações
diferentes, para ampliar o impacto das ações é preciso
uma articulação que busque soluções conjuntas,
adaptáveis à realidade de cada instituição,
como no caso da Rede ANDI (composta por 12 ONGs espalhadas pelo Brasil).
No Terceiro Setor, cada vez mais se identifica a necessidade desta colaboração
participativa como uma forma de alcançar transformações
sociais positivas na sociedade, e o que é melhor, de forma conjunta.
A sociedade é uma rede
O conceito de rede não é aplicável
somente às organizações sociais. É, na verdade,
um conceito básico da democracia. A sociedade já é uma
rede. Assim, todas as pessoas fazem parte da rede social, mas não
percebem isso porque em todas as esferas da sociedade há hierarquia.
Como afirma Augusto de Franco, da Rede Nan Dai (pessoas que cooperam
entre si para desenvolver temas relacionados ao desenvolvimento social,
redes sociais e democracia) e que, de 2001 a 2005, foi coordenador do
Programa AED (Agência de Educação para o Desenvolvimento,
vinculado à Unesco). “A rede social não é uma
forma de organização à qual as pessoas podem ou
não aderir a partir de uma decisão. Querendo ou não
todos nós estamos conectados a muitas redes (no âmbito da
nossa convivência humano-social). Pessoas conectando-se com pessoas
formam redes. É isso. Nada mais do que isso. Quando optamos conscientemente
por organizar algum tipo de ação coletiva em rede, isso
significa que estamos tentando imitar a organização básica
da sociedade”.
A articulação em
rede equivale ao exercício da democracia plena, portanto, não é uma
inovação. Nos dicionários a palavra democracia significa “o
poder que emana do povo”, mas as instituições hierarquizadas
(verticalizadas), descaracterizam a rede social.
“As principais dificuldades
para se pensar em rede decorrem do padrão centralizado ou descentralizado
que existe na sociedade, nas instituições, nas organizações. É a
mesma dificuldade para se pensar a democracia na base da sociedade e
no cotidiano do cidadão. A democracia é o organismo próprio
de uma forma de rede distribuída”, explica Augusto de Franco.
Quem quiser se articular
em rede e efetivamente exercer a democracia em seu dia-a-dia encontra
várias possibilidades. Essa pessoa pode participar dos conselhos
comunitários (que definem diretrizes orçamentárias,
planos de educação, projetos de segurança, etc.),
participar da associação de moradores do seu bairro,
atuar em alguma organização social, votar conscientemente
em candidatos do legislativo que você possa acompanhar o trabalho
de perto são algumas iniciativas para que você se “conecte” à rede
que é a sociedade.
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Diário Vermelho, 11
de março de 2008
Semana em Brasília: orçamento,
centrais sindicais e CPI dos cartões
A votação do orçamento
de 2008 e a primeira reunião da CPI mista dos cartões corporativos
são os destaques da agenda política desta semana. Na Câmara,
os deputados analisam o Projeto de Lei que reconhece as centrais sindicais
como entidades representativas.
A presidente da CPI mista dos
cartões corporativos, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), programou
para esta terça-feira (11), ainda sem horário definido,
a primeira reunião da comissão que investigará uso
dos cartões de crédito do governo federal. O início
dos trabalhos reacenderá a polêmica sobre o tema, que vinha
esfriando por causa do constante adiamento da primeira reunião.
A reunião será presidida pelo membro mais velho da CPMI, que é o
deputado Antônio Roberto (PV-MG), de 65 anos. Os integrantes da comissão
vão confirmar o nome de Marisa para presidência e do deputado
Luiz Sérgio (PT-RJ) para relatar os trabalhos.
Nesta primeira reunião, a comissão vai definir o roteiro dos
trabalhos. Presidente e relator já acordaram que as atividades precisam
começar pelos depoimentos do ministro da Controladoria Geral da União
(CGU), Jorge Hage, e do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU),
Walton Alencar, que conduzem investigações sobre os cartões.
A maior controvérsia deste início de atividades é relacionado
ao cronograma das investigações. A senadora tucana quer começar
as investigações pelas denúncias recentes, que envolvem
ministros do governo Lula, enquanto o petista defende que principiem pela ordem
cronológica da instituição dos cartões, ou seja,
pela gestão Fernando Henrique.
Aprovação das centrais
O reconhecimento das centrais
sindicais como entidades representativas é o destaque da pauta
da Câmara. Antes dessa votação, prevista para esta
terça-feira (11), os deputados precisam votar a Medida Provisória
(MP) que amplia de cinco para 10 o número de dias de pagamento,
na rede bancária, dos benefícios da Previdência Social
de até um salário mínimo.
O objetivo é evitar filas
de aposentados e pensionistas. Antes da edição da MP, todos
os benefícios eram pagos do primeiro ao quinto dia útil
do mês seguinte ao de sua competência. Permanecem nessa regra
os benefícios de valor acima de um salário mínimo.
A matéria das centrais sindicais retornou do Senado com emendas dos
senadores. A principal mudança exclui a exigência de o trabalhador
autorizar o desconto da contribuição sindical obrigatória
em folha de pagamento, como fora aprovado pela Câmara com emenda do deputado
Augusto Carvalho (PPS-DF).
Segundo o técnico da Liderança
do PCdoB na Câmara, Lécio Morais, as seis emendas ao Projeto
de Lei das centrais sindicais deverão ser votadas e aprovadas
na terça-feira.
Orçamento 2008
A apreciação do
relatório do orçamento 2008, do deputado José Pimentel
(PT-CE), está programada para quarta-feira (12), ainda sem horário
confirmado. Na terça-feira (11), os líderes se reúnem
para tentar um acordo - foram realizadas duas reuniões na semana
passada sem sucesso.
Desta vez, a líder do governo no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA),
disse que a lei orçamentária será votada com ou sem acordo.
Neste caso, o governo terá de mobilizar a base para colocar, em plenário,
o mínimo de 257 deputados e 41 senadores para viabilizar a votação.
O impasse ocorre agora quanto ao valor destinado a compensar a perda dos estados
exportadores, dotação que passou a ser fixado no orçamento
fiscal, todos os anos. O substitutivo da Comissão Mista de Orçamento
destina R$5,2 bilhões, mas representantes da oposição
reivindicam até R$20 bilhões.
Se isso acontecer, seria a primeira
vez em muitos anos que um orçamento seria votado nominalmente
no Congresso Nacional. A tradição é que a matéria
seja sempre votada por consenso e alterações sejam introduzidas,
no plenário, em votações simbólicas.
De Brasília
Com agências
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Folha de São Paulo, 11 de março
de 2008
Ministério investiga Força
e CUT com critérios distintos
As 2 centrais foram isentas de ressarcir
cofres públicos após apuração sobre
convênios | "Perdão" de R$ 15,5 mi foi dado à Força
com base em estimativa; já a CUT teve analisadas 13 pastas
de notas por conta de R$ 2,4 mi
RANIER BRAGON
ADRIANO CEOLIN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Secretaria do Ministério do Trabalho concluiu em dezembro investigação
em que se vale de dois argumentos distintos para isentar a Força Sindical
e a CUT (Central Única dos Trabalhadores) do pagamento de R$ 17,8 milhões
relativos a pendências de antigos convênios.
Força (R$ 15,5 milhões) e CUT (R$ 2,4 milhões) constam
nos registros do governo federal como "inadimplentes" sob a suspeita
de que não efetuaram contrapartidas ao dinheiro público que receberam
para qualificar trabalhadores entre os anos de 2000 e 2003.
Na investigação que realizou para, em tese, recuperar o dinheiro
para os cofres públicos, a Secretaria de Políticas Públicas
de Emprego do Ministério concluiu em 5 de dezembro que as duas centrais
realizaram as contrapartidas, decisão que tem que passar ainda pelo
crivo da CGU (Controladoria Geral da União) e do TCU (Tribunal de Contas
da União).
A conclusão da secretaria, entretanto, usa argumentos distintos para
isentar cada uma das centrais. Enquanto o "perdão" para os
R$ 2,4 milhões da CUT é baseado na análise de 13 pastas
repletas de notas fiscais que comprovariam a quitação do débito,
o "perdão" relativo aos R$ 15,5 milhões da Força
tem como base estimativa de gastos que a central teria tido para execução
dos convênios.
Isso se deu, de acordo com o relatório, por meio de "visitas por
amostragem" a oito sindicatos filiados à Força, em São
Paulo, entre os dias 11 e 15 de dezembro de 2006.
A antigo convênio de R$ 15,5 milhões coloca a Força como
a segunda entidade mais inadimplente com o governo federal, em uma lista de
mais de 500.
" Após a visita (por amostragem) realizada por essa comissão
a alguns sindicatos filiados à Força Sindical (...), foi possível
constatar que realmente a entidade pode contar com os espaços físicos
para a realização dos cursos de qualificação. Concluiu-se
que a Força Sindical (...) cumpriu com a execução da contrapartida
pactuada", diz o relatório.
A decisão foi tomada quando a secretaria era ocupada pelo ex-prefeito
de Serra (ES) Sérgio Vidigal, filiado ao PDT, partido presidido pelo
ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e composto, entre outros, pelo presidente
da Força Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva.
Todos os pedetistas ouvidos pela reportagem negam que tenha havido ingerência
política na decisão técnica do órgão.
O fato é que ela diverge de decisão anterior do próprio
ministério. Uma comissão instituída para reexaminar as
contas das centrais começou a análise em julho de 2003, quando
o ministro era o hoje governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). O trabalho abrangeu
o restante do mandato de Wagner, toda a gestão de Ricardo Berzoini (hoje
presidente do PT) e se encerrou em agosto de 2005, um mês após
Luiz Marinho (PT) assumir a função. A conclusão foi pela
necessidade de as centrais ressarcirem os cofres públicos.
A investigação do ministério ratificou acórdão
do TCU segundo o qual o ministério "aceitou prestações
de contas das centrais sindicais sem elementos que permitissem verificar o
emprego dos recursos públicos por parte das executoras". O tribunal
diz ainda haver fortes indícios de que o objeto dos convênios
não tenha sido cumprido em sua totalidade.
No voto do ministro-relator, Lincoln Magalhães da Rocha, está escrito,
por exemplo, que a auditoria do ministério constatou que "palestras
de 3 a 4 horas para 73 mil pessoas foram computadas como curso profissionalizante" e
que "5.269 treinandos participaram de mais de um curso em períodos
simultâneos".
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Folha de São Paulo, 11 de março
de 2008
Pasta diz que decisão não
foi política
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Secretaria de Políticas Públicas de Emprego do Ministério
do Trabalho negou ter havido ingerência na decisão técnica
que isentou a Força e a CUT e, sobre a distinção de tratamento,
disse que a comissão que acatou os argumentos das centrais "tem
autonomia para analisar a documentação" e "formar o
seu juízo de valor".
" Se diante da documentação apresentada pela CUT e pela Força
Sindical a comissão entendeu que foi comprovada a contrapartida, caberá apenas
ao TCU avaliar se esta conclusão está correta ou não (...).
Não houve qualquer ingerência da Força Sindical ou de qualquer
outra central na investigação".
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho
(PDT-SP), disse que não tem conhecimento sobre o relatório: "Não
sei como está lá. Só me disseram que, parece, melhoram
as contas da Força", disse: "Mas, mesmo que liberar [da inadimplência],
não vou mais fazer convênio [com a pasta]". A CUT não
comentou o assunto.
O presidente do Codefat, Luiz Fernando Emediato, indicado para a função
pela Força e que está na lista de funcionários do gabinete
de Paulinho, disse não crer que os auditores possam ser submetidos a
pressões partidárias: "Essa insinuação, além
de cruel, é um insulto e vem de quem não conhece o processo.
O processo de tomada de contas especial é feito por servidores de carreira,
que respondem com seu CPF pelos relatórios que assinam".
O secretário de Políticas Públicas de Emprego, Ezequiel
Nascimento, negou ingerência, mas disse que ainda não tomou conhecimento
do relatório. A Folha não conseguiu falar com seu antecessor,
Sérgio Vidigal, que estava no cargo quando a investigação
foi concluída.
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Folha de São Paulo,
11 de março de 2008
Lupi acusa imprensa de acumular "ódio"
Ministro repete crítica a "setores" da
mídia e afirma que "não há "possibilidade
de corrupção" na pasta sob seu comando | Sobre
saída do comando do PDT, ele afirma que só pediu licença;
reportagens sobre convênios do Trabalho, diz Lupi, têm
um viés político
Marcello Casal Jr - 27.fev.2008/Agência Brasil

Carlos Lupi, que diz não haver irregularidades em convênios
DA
SUCURSAL DO RIO
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, atacou ontem a imprensa e disse que denúncias
a ações de sua pasta são fruto de "ódio acumulado" contra
ele. Em discurso na abertura da feira de alimentos 20ª Super Rio Expofood,
no Rio, Lupi fez uma comparação do atual crescimento econômico
do país com o dos anos de regime militar e afirmou, em tom contrariado,
que "a liberdade de imprensa está aí para falar verdade
e algumas inverdades".
O ministro disse que as reportagens sobre supostas irregularidades de convênios
da pasta do Trabalho com ONGs e fundações -muitas ligadas ao
seu partido, o PDT- têm origem em "opiniões políticas".
" A gente gera [ódio], infelizmente, por pessoas que não pensam
como nós, que não gostam da gente. Geramos alguns ódios
e a esses que odeiam vou responder com mais trabalho, criação de
empregos, combate ao trabalho escravo. Com a consciência tranqüila
de quem trabalha para o bem, com honestidade e transparência", disse,
em entrevista.
Questionado sobre de onde vinha esse ódio, respondeu: "Vocês é que
devem saber mais do que eu, porque são vocês que fazem. Trabalho
pela paz e só vejo [ódio] de alguns setores [da imprensa]."
Ao ser abordado por jornalistas em um intervalo do evento, Lupi pediu gentilmente
aos repórteres que aguardassem o término da cerimônia.
Porém, ironizou: "Depois vocês vão falar mal de mim,
mesmo... Vocês não gostam de mim".
Lupi afirmou que não teme acusações. "Tenho 30 anos
de vida pública honesta, não tenho nenhum tipo de denúncia.
Afirmo que dentro do Ministério do Trabalho, sob o meu comando, não
há possibilidade de ato de corrupção."
Ele também alegou ter se afastado da presidência do PDT -medida
recomendada pelo Conselho de Ética da Presidência da República,
fato que originou a crise- para tentar diminuir resistências contra si.
" Pedi licença. Tenho mandato até 2009 [no PDT], mas tendo
em vista a incompreensão, tanto ódio acumulado, [pensei]: "Deixa
eu me licenciar para ver se esse ódio amaina"."
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Folha de São Paulo, 11 de março
de 2008
PDT: Partido não irá interferir
na intenção de Paulinho, diz presidente
O novo presidente do PDT, deputado Vieira da Cunha (RS), disse ontem que a
Força Sindical é uma entidade autônoma, sem vinculação
com o partido. Por isso, a sigla não irá interferir na intenção
do presidente da central, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho,
de processar a Folha e "O Globo". "Compete a ele tomar a decisão",
disse.
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Gazeta do Povo, 11 de março de 2008
BRASIL | PRESIDENTE
FH fez uso eleitoral do real, diz
Itamar
O ex-presidente Itamar Franco
(PMDB) afirmou que Fernando Henrique Cardoso (PSDB), seu sucessor,
assinou as cédulas do real quando ainda era ministro da
Fazenda, em 1994, mesmo sabendo que quando as cédulas circulassem
ele já não seria ministro. Itamar disse que FH fez
uso eleitoral da assinatura: “Ele cometeu uma imprudência
ao autografar cédulas do real nos comícios.” Em
nota, FH disse que assinou os moldes da nova moeda quando ainda
era ministro e debitou a acusação a um “esquecimento” de
Itamar.
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Folha de São Paulo, 11 de março
de 2008
MERCADO IMOBILIÁRIO
Governo quer criar registro único
para débitos de imóveis
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Para reduzir os riscos da compra de imóveis no Brasil, o governo pretende
enviar ao Congresso um projeto de lei para criar um mecanismo que concentre
em um único registro todas as dívidas e ônus de um imóvel.
Segundo o secretário de Política Econômica do Ministério
da Fazenda, Bernard Appy, outra prioridade será estimular o desenvolvimento
de modalidades de seguros imobiliários no país.
(JULIANA ROCHA)
|
Gazeta
do Povo, 11 de março de 2008
BRASIL | IMPOSTOS
Hauly defende que IVA seja cobrado no
destino
Tucano é cotado para comandar comissão
da reforma tributária
por ANDRÉ GONÇALVES,
correspondente
Brasília – Principal nome
da oposição para o comando da Comissão Especial
da Reforma Tributária, o deputado federal paranaense Luiz Carlos
Hauly (PSDB) prevê que a barreira para a aprovação
da proposta do governo será a implantação do Imposto
sobre Valor Adicionado Estadual (IVA-E). “A idéia é bonita,
mas como já dizia o Garrincha, faltou combinar com os ‘russos’”,
explicou o parlamentar, referindo-se aos governadores de São
Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas e Minas Gerais.
História
Para alguns especialistas, parte do caos tributário de hoje é herança
do Brasil colonial e do período em que a Família Real portuguesa
se instalou no Rio de Janeiro.
No período imperial,
a maior parte dos impostos não era cobrada pelos contratadores,
grandes comerciantes portugueses que compravam do Erário Régio
(o Tesouro Nacional de hoje) o direito de explorar algum serviço
público. O sistema gerava muito espaço para falcatruas
e desvios de verbas.
A carga tributária
nesta época também era pesada. Paga-se para utilizar
os rios, para transportar escravos do Rio de Janeiro para Minas Gerais
e para vender aqueles que conheciam algum ofício.
A mudança da Família
Real para o Brasil significou uma das principais mudanças
no sistema tributário nacional. Até então, cada
capitania encaminhava sua arrecadação para o Erário
Régio em Lisboa. Quando o Erário veio para o Rio, começou
um conflito entre algumas capitanias, que resistiam em enviar sua
arrecadação para outra capitania.
Começa aí o
embrião do que hoje chamamos de guerra fiscal entre os estados.
Em 1817, aliás, essa disputa saiu do papel e chegou às
armas. A tributação foi uma das motivações
para a Revolução Pernambucana que ocorreu naquele ano.
Os estados são os que mais se beneficiam com o atual sistema de cobrança
do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS), cobrado no local de origem em que o produto é fabricado. O IVA-E,
que substituirá o ICMS, será cobrado no destino, ou seja, prejudicaria
os exportadores líquidos – estados que vendem mais do que compram.
“Se me deixarem trabalhar,
consigo comprovar caso a caso que a cobrança no destino é a
melhor solução”, diz Hauly, em campanha pelo
posto de presidente ou relator. O tucano foi citado na semana passada
pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, como um dos cinco melhores
nomes para um dos cargos da comissão. Ele já teve a
experiência de relatar a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa,
aprovada no ano passado.
O paranaense também
apresentou individualmente outras duas propostas de reforma tributária,
em 2003 e 2007. Na avaliação dele, o segredo está em
desonerar as taxas sobre o consumo e compensar essas perdas comum
aumento dos tributos sobre renda. “Isso garantiria a inclusão
social, taxaria quem é rico em benefício dos mais pobres.
Passaríamos de um sistema ‘laborcida’ para outro ‘laborgênico’.”
A decisão sobre quem
comanda a comissão será do presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP). Alas de PMDB e PT pregam que os dois cargos
sejam divididos entre membros da base governista. Os peemedebistas
já indicaram Edinho Bez (SC) e os petistas querem Antônio
Palocci (SP). Por fora, corre Sandro Mabel (PR-GO).
A opção
por Bez será apresentada hoje a Mantega. O ministro tem
uma reunião, às 10 horas, com deputados e governadores
do PMDB sobre a reforma. “Será um encontro importante,
porque o partido mais representativo da Câmara mostrará que
está disposto a votar a reforma”, antecipa o deputado
paranaense Rodrigo Rocha Loures (PMDB), que já se candidatou
a integrar a comissão.
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Folha de São Paulo,
11 de março de 2008
Países ricos pedem ajuda de
emergentes
Presidente do BC europeu elogia "resistência" das
economias em desenvolvimento e pede que estimulem seu mercado interno
| Henrique Meirelles diz que contaminação da China
pela desaceleração nos EUA será o componente-chave
para dimensionar a crise
MARCELO NINIO
ENVIADO ESPECIAL A BASILÉIA (SUÍÇA)
Os países emergentes que
acumularam superávit nos últimos meses, como o Brasil,
devem compensar a atual desaceleração das economias desenvolvidas
e ajudar o mundo a superar as turbulências deflagradas pela crise
nos EUA, pediu ontem o presidente do BCE (Banco Central Europeu), o francês
Jean-Claude Trichet.
" No momento em que ocorre uma desaceleração no mundo industrializado, é importante
que a parte do mundo emergente que está acumulando um volume significativo
de superávit em suas contas correntes se reequilibre no sentido da demanda
interna", disse Trichet em Basiléia (Suíça), após
encontro de presidentes de BCs de vários países, entre eles o do
Brasil, Henrique Meirelles.
Resta saber, porém, como será a reação do maior
país emergente à cada vez mais provável recessão
americana. "O componente-chave é a China", disse Meirelles. "Precisamos
ver até que ponto essa desaceleração americana, quando
atingir seu grau máximo, vai de fato gerar uma desaceleração
na China e em outros países asiáticos."
A China divulgou ontem que seu superávit comercial caiu 63%, já parcialmente
influenciado pela desaceleração da economia global.
Apesar de o crescimento brasileiro estar mais sustentado na demanda interna,
Meirelles vê a possível desaceleração chinesa como
um cenário de risco ao Brasil. "O primeiro [perigo externo] são
os EUA. O segundo é a reação da China", disse, observando
que torce para que a demanda interna chinesa tenha margem para crescer e compensar
a queda das exportações aos EUA.
Segundo Trichet, os banqueiros reunidos em Basiléia bateram na mesma
tecla, considerando "apropriado" que os emergentes fortaleçam
seus mercados internos, sugerindo que a dependência em exportações,
sobretudo dos EUA, deve ser reduzida ao máximo. Para ele, a solidez
dos emergentes é hoje "um recurso precioso".
Trichet mencionou várias vezes a necessidade de que os emergentes promovam
um "reequilíbrio" em seu crescimento, privilegiando a demanda
interna, não as exportações.
" As mais recentes notícias que tivemos de parte do mundo industrializado,
e estou pensando particularmente nos EUA, está nos levando a pensar nesse
reequilíbrio", disse Trichet, que falou em nome dos banqueiros reunidos
na cidade suíça.
O presidente do BCE elogiou a "resistência" das economias emergentes
aos efeitos da crise de crédito mundial, mas disse que a inflação é hoje
um perigo global. Para Trichet, o aumento nos preços do petróleo,
dos alimentos e de outras commodities agrícolas materializou o risco
de inflação observado nos últimos meses "de uma forma
impressionante".
A inflação na zona do euro atingiu a marca de 3,2% em fevereiro,
a mais alta desde que o índice começou a ser medido na moeda
européia, em 1997, e bem acima da meta do teto ambicionado pelo BCE,
de 2%.
Em termos globais, Trichet disse que há sinais de crescimento, mas repetiu
algumas vezes a palavra "turbulência" e disse que os problemas
que a economia mundial enfrenta hoje são "significativos".
Além disso, disse esperar "certo nível de desaceleração
adiante", mas preferiu manter as previsões do FMI (Fundo Monetário
Internacional).
" Não vou recuar das atuais projeções no nível
global. Há um contínuo crescimento, com certo nível de desaceleração",
disse. No começo do ano, o FMI teve que revisar sua previsão do
crescimento mundial em 2008 para 4,1%, devido à crise americana, depois
de ter projetado em outubro uma expansão de 4,4%.
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FOLHA DE LONDRINA, 11 de
março de 2008 | Curitiba
Profissão de Risco - Trabalhadores
da saúde são os que mais se acidentam
De acordo com o Ministério do Trabalho
e do Emprego, o maior número de acidentes do trabalho, no
Paraná, ocorre dentro do atendimento hospitalar
Marcos Borges

Segundo Fanes, são comuns entre os enfermeiros problemas de coluna: ‘‘Muitos
ficam depois puxando a perna’’

Quando se pensa em profissões perigosas, o que vem logo à mente
são aquelas ligadas ao combate do crime, salvar vidas, resgates em acidentes,
construção civil, investigações ou que lidam com
produtos tóxicos. Mas, pelo menos nas estatísticas, nenhuma delas é a
que provoca mais acidentes entre trabalhadores do Paraná. O maior número
de acidentados é de profissionais do atendimento hospitalar. Médicos,
enfermeiros, auxiliares de enfermagem e demais funcionários dessas instituições
são vítimas constantes de acidentes decorrentes do exercício
da profissão.
Dados do Ministério do
Trabalho e do Emprego, em 2005 e 2006 (levantamento mais recente), mostram
que esse segmento registrou a maior quantidade de acidentes, sendo que,
em 2006, houve o aumento de 20% das notificações se comparado
ao ano anterior. Dos 36.995 acidentes com trabalhadores notificados,
em 2006, 2.401 aconteceram a profissionais do atendimento hospitalar.
Segundo a Federação dos Hospitais e Estabelecimentos dos
Serviços de Saúde do Paraná (Fehospar), existem
5 mil estabelecimentos de saúde no Paraná, dos quais 540
são hospitais e 70 deles, localizados em Curitiba - não
inclui os públicos. Só a iniciativa privada emprega 50
mil profissionais de saúde no Estado.
Diretora de relações
sindicais da Fehospar, a advogada Eliane Cornelsen acredita que o setor
talvez não seja o campeão de acidentes de trabalho, mas
aquele que comunica qualquer tipo de ocorrência e de maneira completa.
''De três anos para cá, a fiscalização da
Vigilância Sanitária ficou mais intensa e o empregador mostra
mais cuidado com a emissão da Comunicação de Acidente
de Trabalho. E a gente sabe que em outros segmentos nem todos os acidentes
são comunicados'', defende Cornelsen, pontuando que a nova legislação
da segurança e saúde no trabalho em fase de implantação
no Brasil é muito avançada, mas que a maioria dos hospitais
não terá recursos para cumpri-la.
''O atendimento hospitalar se
trata realmente de um ambiente perigoso, existem os riscos biológicos.
Hoje, se há um acidente com perfurocortantes o empregado está consciente
do perigo de contaminação. Se no passado ele escondia,
agora não esconde mais pelo medo de adquirir uma doença'',
situa. ''Ficou compreendido que para a própria segurança
do empregado e do empregador é importante a comunicação
do acidente para os órgãos competentes'', diz ela, informando
que os profissionais que mais se acidentam dentro desse universo são
os enfermeiros e a maior ocorrência de acidentes é com perfurocortantes.
A enfermeira Luiza Fanes, servidora
federal do Hospital de Clínicas (HC), acrescenta que o trabalho
''braçal'' exercido pelos profissionais de enfermagem, como suspender
pacientes, acarreta problemas de coluna, bicos-de-papagaio, hérnias®MDBO¯ ®MDNM¯e
distensões ®MDBO¯®MDNM¯musculares. ''Muitos
enfermeiros ficam, depois, puxando a perna devido a alterações
na coluna'', revela Fanes, que também é diretora do Sindicato
dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público
de Curitiba (Sinditest). Dos cerca de 500 servidores afastados, atualmente,
400 são do HC.
Em 1989, Fanes sofreu um acidente
com perfurocortante e se contaminou com Hepatite B. ''Eu era chefe do
serviço de hemodiálise de um hospital de São Paulo.
Estava retirando a agulha da veia do paciente, quando ele puxou o braço
e ela entrou no meu dedo, mesmo usando luvas. Um mês depois, comecei
a passar mal. Os exames mostraram que tinha adquirido a doença
infectocontagiosa'', relata. ''Como o acidente não foi comunicado
em até 48 horas, fui afastada e perdi 100% do meu vencimento.
Voltei para Curitiba para me tratar, junto da família, caso contrário
morreria de fome. Fiz exames periódicos e me curei da hepatite'',
desabafa.
''Sorte grande'' teve a auxiliar
de enfermagem Maria da Penha Nogueira, de 45 anos, que também
sofreu um acidente com perfurocortante, há 14 anos, no HC, mas
não se contaminou com nenhuma das doenças das quais o paciente
que atendia era portador. ''Estava atendendo um paciente com Hepatite
C, tuberculose e HIV. Precisei ministrar uma medicação
na veia dele e acabei me cortando, depois, ao desprezar a agulha utilizada.
O esparadapo grudou na luva que eu usava e a agulha me espetou. Fiz uma
sangria no dedo e o registro do acidente. Graças a Deus não
desenvolvi nenhuma doença'', lembra.
''Ainda há carência
de informações de como proceder diante de um acidente dessa
natureza. A pessoa fica paralisada e falta assistência nessa hora,
o trabalhador não sabe nem dos seus direitos. Os acidentes perduram
porque continua a situação de risco. É preciso melhorar
a orientação e a prevenção universal'', opina
Nogueira. A reportagem da FOLHA entrou em contato com a assessoria de
marketing do HC, mas não obteve retorno.
Flora Guedes
Equipe da Folha
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FOLHA DE LONDRINA, 11 de
março de 2008 | Curitiba
Norma exige prevenção
de acidentes mais eficaz
Letícia Moreira
Rafael: ‘‘Estou impossibilitado
de exercer minha profissão’’

Placa em frente ao HC indica a freqüência de acidentes
Boa parte dos acidentes no atendimento hospitalar seguramente ocorre com instrumentos
perfurocortantes, como agulhas, lâminas de bisturi, tesouras e pinças.
Quem afirma é Sérgio Silveira de Barros, chefe do setor de Saúde
e Segurança no Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho
e Emprego no Paraná.
''Mesmo usando duas luvas em
cada mão não há como se proteger. Na nova norma
regulamentadora criada pelo Ministério do Trabalho e Emprego fica
proibido a tentativa de recapsular a agulha usada, tendo que ser jogada
por inteiro dentro de um recipiente para descarte adequado'', informa.
Barros se refere à NR
32 ou Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho
em Estabelecimentos de Assistência a Saúde, que está em
vigor, e enfatiza o treinamento dos profissionais do setor para prevenção
de acidentes somada a um sistema de gestão de risco e garantia
para os trabalhadores. ''A NR 32 propõe trabalhar com planejamento,
antecipando o risco de acidentes, inovação de métodos
e equipamentos de trabalho, dando a visão sistêmica para
todos daquilo que é insalubre no ambiente hospitalar. Essas sanções
de prevenção de acidentes é uma política
de responsabilidade social, compete ao empregador desenvolvê-las
para o bem-estar da comunidade'', explica Barros.
A NR 32 orienta que os fabricantes
de perfurocortantes criem com urgência equipamentos seguros, que
diminuam os riscos na manipulação. ''Ela insiste na orientação
e em todo conjunto de vacinas preventivas de profilaxia, no caso do acidente,
coquetel de remédios e acompanhar o trabalhador para ver se não
desenvolve nenhuma patologia. Uma vez que tenha ocorrido a perfuração
ou corte é possível a contaminação por agentes
biológicos'', diz Barros, reforçando que a notificação
de acidentes é intensa no atendimento hospitalar, o que pode colaborar
para que lidere o ranking de acidentes do trabalho.
Barros lembra que os profissionais
que trabalham na radiologia, nas caldeiras que geram vapor, com os cilindros
de oxigênio, quimioterápicos, lavanderia, marcenearia e
cozinha, por exemplo, também estão expostos ao outros riscos
dentro dos hospitais. ''O tratamento direto com agentes biológicos
e outras contaminações são inúmeras dentro
dos hospitais. Um hospital é naturalmente de alto risco. Não é nosso
interesse interditar esses estabelecimentos, o que a gente faz é orientar,
notificar, autuar, multar e cobrar a legislação, buscando
diminuir as taxas de contaminações'', diz ele.
Um acidente em série,
ocorrido há quatro anos no Hospital de Clínicas, teve como
uma das vítimas o marceneiro Rafael Krasota, de 39 anos. Após
ajudar no resgate de trabalhadores terceirizados que faziam um serviço
de impermeabilização de uma caixa d'água do hospital
- e acabaram desmaiando dentro do local -, Krasota teve a saúde
prejudicada por ter ficado exposto ao produto químico. ''Quem
entrava para salvar os outros não voltava, então chamamos
os bombeiros e ajudei a quebrar a caixa d'água e a puxar os homens
com cordas'', lembra ele.
''A partir daí comecei
a ter falta de ar, porque tenho problemas cardíacos e fiquei afastado.
Fiz tratamento contínuo com remédios, até que um
exame revelou que eu tinha bronquite equistazia cística, cerca
de dois anos depois'', relata Krasota, que trabalha hoje no setor de
faturamento do HC. ''Ficou diagnosticado como uma doença ocupacional.
Estou impossibilitado de exercer minha profissão para evitar contato
com produtos químicos. Fico triste porque escolhi ser marceneiro,
mas preciso ter saúde para criar meus filhos'', pondera ele. (F.G.)
SERVIÇO
Acontece nos dias 13 e
14 de março o Simpósio de Direito Aplicado em Saúde,
no Victoria Villa Hotel. O evento, promovido pelo Sistema Fehospar
e Sidicato e Associação dos Hospiatais do Paraná,
propõe debater temas cotidianos das relações que
envolvem hospitais, instituições de saúde, seus
empregados e clientes, além do decreto que regulamenta o Nexo
Técnico Epidemiológico e as particularidades da nova
sistemática de cálculo do Fator Acidentário Previdenciário
(FAP). Alguns dos palestrantes são o desembargador do Tribunal
de Justiça do Paraná Miguel Kfouri Neto, o juiz do Trabalho
Paulo Conti e o presidente do Conselho Jurídico da Confederação
Nacional de Saúde, Alexandre Zanetti. Informações
no site www.fehospar.com.br ou pelo fone (41) 3254-1772.
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Agência Câmara,
11 de março de 2008
Educação analisa pagamento
de faculdade com FGTS
A Comissão de Educação e Cultura se reúne na quarta-feira
(12) e pode votar, entre outras propostas, o Projeto de Lei 3961/04, do Senado,
que permite a utilização dos recursos do Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço (FGTS) para pagamento de mensalidade escolar do trabalhador
ou de seus filhos dependentes de até 24 anos de idade. De acordo com
a proposta, o funcionário poderá pagar até 70% do valor
de cada parcela com os recursos do FGTS, mas o saque total não poderá ultrapassar
30% do saldo da conta vinculada. O benefício só poderá ser
utilizado para pagar cursos de educação superior.
A relatora da matéria,
deputada Maria do Rosário (PT-RS), recomenda sua aprovação
na forma de um substitutivo. Ela retira da proposta o estabelecimento
de limite de idade. Para ela, é mais adequado utilizar a definição
de dependente legal.
Rosário também
inclui no texto a obrigatoriedade de comprovar renda familiar mensal
de até seis salários mínimos para obter o benefício
e freqüência satisfatória no curso para sua renovação.
O substitutivo permite ainda a movimentação da conta do
FGTS para pagamento de débitos já contraídos junto
a instituições de educação superior ou ao
Fundo de Financiamento ao Estudante de Ensino Superior (Fies).
Ensino
médio
Outro item da pauta é o PL 1031/07, do deputado Professor Ruy Pauletti
(PSDB-RS), que cria o Programa de Concessão de Bolsas de Estudo no Ensino
Médio (ProMed) em instituições de ensino privado. De acordo
com a proposta, o programa será regulado pelo Poder Executivo e pelas
escolas privadas e gerido pelo Ministério da Educação.
Serão atendidos apenas os cidadãos que comprovem possuir baixa
renda e não consigam vagas em escolas públicas perto de casa.
A relatora, deputada Nilmar Ruiz
(DEM-TO), apresentou parecer favorável.
Magistério
A comissão poderá votar ainda o PL 1088/07, do deputado Gastão
Vieira (PMDB-MA), que institui o exame nacional de certificação
como pré-requisito para o exercício do magistério na educação
básica. De acordo com o texto, esse exame deverá ser aplicado
pela União, pelo menos uma vez ao ano, diretamente ou por meio de instituições
consideradas de elevada especialização.
A proposta, que altera
a LDB, define ainda que a obrigatoriedade de realização
do exame nacional de certificação não se aplica
aos profissionais do magistério em exercício e aos demais
diplomados nos cursos de formação inicial. O relator,
deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP), apresentou parecer pela aprovação
da proposta.
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Agência Diap, 11 de
março de 2008
CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS
OAB/DF ouve trabalhistas sobre projeto
de lei que altera CLT
A presidente da seccional do
Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Estefânia
Viveiros, encaminhou ofício à Associação
dos Advogados Trabalhistas do DF para saber o posicionamento da entidade
sobre o Projeto de Lei 1.987/07, que propõe alterações
na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
A medida foi tomada a pedido do presidente nacional da OAB, Cezar Britto, que
requereu aos presidentes das 27 Seccionais que levantem sugestões da
advocacia trabalhista sobre o tema.
As recomendações dos advogados de todo o país serão
apresentadas por Britto a deputados federais e entidades da sociedade civil
que participarem do seminário que tratará da matéria no
dia 3 de abril, na Câmara dos Deputados. O autor do projeto de lei é o
deputado federal Cândido Vaccarezza (PT/SP). (Fonte: OAB Informa)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
11/03/2008
Ex- empregados da PETROBRAS não conseguem
reintegração
A Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, em processo relatado pelo ministro Barros Levenhagen, rejeitou
recurso de ex-empregados da PETROBRAS buscavam ser reintegrados aos quadros
da empresa, sob o argumento de terem sido demitidos por sua participação
em movimentos reivindicatórios.
Em seu recurso, os empregados
alegaram ter sido dispensados em março de 1996 como punição
por terem participado de protestos, assembléias, reuniões
e outras manifestações contra a quebra do monopólio
estatal do petróleo, a política de arrocho salarial e as
perseguições internas praticadas contra os funcionários
beneficiados pela Lei nº 8.878/94, que anistiou empregados da extinta
PETROMISA.
Em 2003, a Lei nº 10.790/03
concedeu anistia aos empregados suspensos, punidos ou demitidos em virtude
de sua participação nos movimentos reivindicatórios
entre setembro de 1995 e 1996. Cientes do direito à reintegração,
os trabalhadores demitidos fizeram requerimento administrativo neste
sentido à comissão que tinha competência para analisar
e emitir parecer conclusivo sobre os pedidos de anistia, no prazo de
180 dias, o que não ocorreu.
Esse fato os levou a obter na
Justiça do Trabalho da 20ª Região (SE), a reintegração
em suas antigas funções. Contudo, o TRT/SE reformou a sentença,
por entender não haver vinculação entre as resilições
contratuais e a participação dos trabalhadores nos movimentos
paredistas. Insatisfeitos, os funcionários interpuseram recurso
de revista para o TST, mas o Regional negou seguimento. A saída
foi opor agravo de instrumento para destrancar a revista.
O entendimento do relator,
ministro Barros Levenhagen, foi de que funcionários não
foram dispensados por terem participado de movimentos paredistas, e
sim demissão sem justa causa, o que descarta afronta ao artigo
1º da Lei nº 10.790/2003. (AIRR-1306/2005-002-20-40.4)
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11/03/2008
Custas e depósitos recursais podem
ser recolhidos em bancos não oficiais
Não apenas os bancos oficiais
estão aptos a recolher o pagamento de depósitos recursais
e custas processuais na Justiça do Trabalho. Outras instituições
integrantes da Rede Arrecadadora de Receitas (RARF) também podem
fazê-lo. Com esse entendimento, a Sétima Turma do Tribunal
Superior do Trabalho reformou decisão do Tribunal Regional do
Trabalho da 3ª Região (MG), que determinava ser obrigatório
o recolhimento de depósito recursal exclusivamente pelo Banco
do Brasil ou pela Caixa Econômica Federal.
A empresa – o Banco Santander
Banespa – havia recorrido para contestar condenação
que lhe havia sido imposta em ação trabalhista, mas o TRT
rejeitou o recurso ordinário por considerá-lo irregular,
na medida em que o pagamento das custas processuais não foi efetuado
na CEF ou no Banco do Brasil. Em seguida, apelou ao TST, mediante recurso
de revista. Defendeu, preliminarmente, a nulidade do julgamento, por
considerar que a decisão do Tribunal Regional configura negativa
de prestação jurisdicional.
O relator do processo, ministro
Ives Gandra Martins Filho, considerou que, em relação às
custas processuais, o artigo 789 da CLT, que trata do assunto, não
exige que o recolhimento seja feito, exclusivamente, na CEF ou no Banco
do Brasil; e que, em relação ao depósito recursal,
a Resolução normativa 18 do TST estabelece que basta o
preenchimento correto da guia, com, pelo menos, o nome das partes, o
número do processo, a designação do juízo
por onde tramitou a ação e o valor autenticado por qualquer
banco conveniado.
Após observar que as custas
foram pagas no prazo e no valor correto, em estabelecimento conveniado,
o ministro Ives Gandra reconheceu que a decisão incorreu em ofensa
ao princípio do devido processo legal e em cerceamento do direito
de defesa. Manifestou-se, portanto, pela sua reforma, afastando a deserção
do recurso decretada pelo TRT. Mas, levando em conta a celeridade processual,
deixou de apreciar a alegada nulidade, determinando o retorno dos autos
ao TRT para que prossiga no exame do recurso ordinário da empresa,
como entender de direito. (RR 613/2007-070-03-00.6)
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LEI
Nº 11.644, DE 10 DE MARÇO DE 2008
Acrescenta
art. 442-A à Consolidação das Leis do
Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de
1o de maio de 1943, impedindo a exigência de comprovação
de experiência prévia por tempo superior a 6 (seis)
meses.
O
PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte
Lei:
Art.
1o A Consolidação das Leis do Trabalho - CLT,
aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943,
passa a vigorar acrescida do seguinte art. 442-A:
"Art.
442-A. Para fins de contratação, o empregador
não exigirá do candidato a emprego comprovação
de experiência prévia por tempo superior a 6 (seis)
meses no mesmo tipo de atividade."
Art.
2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília,
10 de março de 2008; 187o da Independência e 120o
da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Tarso genro
José Antônio Dias Toffoli
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PROJETO DE LEI Nº ,
DE 2003
(Do Sr. Inocêncio Oliveira)
Acrescenta § 2º ao
art. 445 do Decreto- Lei nº 5.452 (Consolidação
das Leis do Trabalho), impedindo a exigência de comprovação
de experiência prévia por tempo superior a seis
meses.
O
CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º O art. 445 do Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio
de 1943, passa avigorar acrescido do seguinte § 2º, remunerando-se
o atual parágrafo único para § 1º. “ § 1º ...
(atual parágrafo único)
§ 2º Para
fins de contratação, o empregador não exigirá do
candidato a emprego comprovação de xperiência
prévia por tempo superior a seis meses no mesmo tipo de
atividade.”
Art.
2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art.
3º Revogam-se as disposições em contrário.
JUSTIFICAÇÃO
O projeto de lei em tela objetiva alterar
a Consolidação
das Leis do Trabalho, CLT, com vistas a tornar mais acessível
o mercado de trabalho ao jovem brasileiro. Seu objetivo específico é limitar
a exigência de experiência prévia, para fins de contratação,
ao máximo de 6 (seis) meses. A exigência de experiência
profissional, não obstante ser um requisito para se verificar
a adequação do cidadão ao desempenho da atividade
pleiteada, tem-se colocado como barreira ao funcionamento socialmente
justo do mercado de trabalho, trazendo prejuízos ao país
hoje e no futuro. De fato, inúmeros são os relatos de pessoas
preteridas em disputas por ocupações devido a exigências
de 5 anos de experiência. Em vista do próprio ciclo de vida
do jovem, que apenas iniciou no mercado de trabalho, essas exigências
tornam inviável ao trabalhador iniciante pleitear vagas em melhores
trabalhos. Mais grave ainda é o quadro, pois a falta de experiência
hoje acaba por impedir a conquista dessa própria experiência
no futuro, erigindo-se como barreira intransponível ao avanço
profissional do jovem.
Diante
do pequeno crescimento econômico e também das muita
exigências burocráticas e tributárias que
gravam o mercado de trabalho, o que se vê expandir são índices
de desemprego e de emprego informal. Segundo dados da Pesquisa
Mensal de Emprego do IBGE, o número de desempregados em
2001 atingiu 6,19% (taxa de desemprego aberto), sendo que entre
as faixas etárias mais jovens o índice é alarmante.
O quadro abaixo representa as taxas de desemprego por faixa etária.
Quadro
I: Desemprego por Faixa Etária em 2001
Faixa Etária Taxa de Desemprego %
15-17 13,41
18-24 12,46
25-29 7,21
30-39 5,04
40-49 3,57
50-59 2,92
60-64 1,91
> = 65 1,06
________________________________________
Fonte: Mercado de Trabalho, Conjuntura e Análise, nº 18 ,
fev. 2002. IPEA.
A
fim de enfatizar os efeitos nefastos dessa condição
do mercado de trabalho claramente desfavorável para o
jovem brasileiro, deve ser dito que sua exclusão das disputas
por ocupação é tanto mais grave por ser
a falta de perspectiva o gerador da violência nas grandes
cidades e a certeza de miséria também no futuro.
Criar condições para a inserção do
jovem no futuro é, assim, tarefa inadiável que
esse projeto busca realizar.
Sala
das Sessões, em 25 de fevereiro de 2003
Deputado INOCÊNCIO OLIVEIRA
Primeiro-Vice-Presidente
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