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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de março de 2008 | Economia
Construção civil vai
puxar crescimento do país em 2008, diz ministra
Agência Brasil
A construção civil
vai puxar o crescimento do país em 2008 e dar densidade a esse
crescimento, que é “crucial diante da da situação
internacional”. A avaliação é da ministra-chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Para ela, o Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) é uma garantia de Produto Interno Bruto (PIB – a
soma das riquezas produzidas no país) crescente, porque é um
programa de investimento que atende a demanda do setor publico e dos
investimento privados.
“O PAC efetiva o projeto
de infra-estrutura da construção civil pesada. Vamos ter
obra de saneamento e habitação em todos estados e mesmo
nas pequenas cidades. Vamos ter gasodutos saindo de quase todas a regiões”.
Segundo Dilma, os projetos do
PAC tiveram um nível de maturação ao longo de 21007
e agora vão “desaguar” em 2008.
Dilma Rousseff participa do encontro
Rodada de Negócios com o Governo Brasileiro, promovido pelo jornal
inglês The Economist. A ministra fez a palestra Planos do Governo:
dos Projetos à Implementação. O encontro é fechado à imprensa.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também fará uma palestra
com o tema Perspectivas Econômicas Frente a uma Retração
Econômica Global.
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ESTADÃO.COM/ SÃO
PAULO, 14 de março de 2008 | Economia
Consumo não pode crescer acima
da produção, diz Lula
'Se crescermos muito, teremos de volta a
doença desgraçada que é a inflação',
diz o presidente
GUSTAVO PORTO - Agencia Estado
ARARAQUARA, SP - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou nesta
sexta-feira, 14, que o consumo do País não pode crescer acima
da capacidade produtiva e defendeu mais investimentos em fábricas para
suprir a demanda doméstica.
" Se crescermos muito e não houver investimentos em novas fábricas,
teremos de volta a doença desgraçada que é a inflação",
disse Lula, durante evento de inauguração de uma escola em Araraquara
(SP) e assinatura de contratos para obras do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) na cidade.
Lula voltou a falar que
o Brasil vive o melhor momento dos últimos 30 anos e que o Produto
Interno Bruto (PIB) brasileiro pode continuar crescendo até 6%
ao ano, desde que não haja uma expansão do consumo acima
da oferta. Em 2007, o crescimento da economia brasileira foi de 5,4%.
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ESTADÃO.COM/ SÃO
PAULO, 14 de março de 2008 | Economia
Atualização de aposentadoria
ganha urgência no Senado
AE - Agencia Estado
BRASÍLIA - O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN),
decidiu conceder tramitação em regime de urgência ao projeto
de lei do senador Paulo Paim (PT-RS) que recompõe o poder aquisitivo
das aposentadorias e pensões pagas pela Previdência Social aos
seus segurados. Pelo projeto, cada benefício previdenciário será corrigido
para que alcance o mesmo valor - em salários mínimos - que tinha
no momento de sua concessão.
Paim estima que o custo da correção
ficará em R$ 4 bilhões por ano e criticou as projeções
do governo de que o custo superaria os R$ 10 bilhões. Embora preocupada
com o projeto, a área econômica ainda não se manifestou
sobre o assunto ou divulgou suas projeções sobre o custo
dessa correção dos benefícios previdenciários.
O projeto de Paim estava parado
na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) desde
março de 2003, à espera de um parecer. A liderança
do governo não deixou que ele andasse. Na última terça-feira,
a pedido de Garibaldi, o projeto foi remetido à mesa do Senado
para ser colocado em votação. ?Ele me disse que, assim
que a pauta for desobstruída, com a votação das
medidas provisórias, o projeto será colocado em votação?,
informou Paim. As informações
são do jornal O Estado de S. Paulo.
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NCST, 14 de março
de 2008
Classe média brasileira paga IR
mais alto da América do Sul
A classe média brasileira é a que mais paga imposto sobre a renda
entre os países da América do Sul. É o que mostra um levantamento
feito pela consultoria Ernst & Young, com base na comparação
do valor salarial a partir do qual o cidadão brasileiro começa
a pagar a alíquota máxima aplicada pela Receita Federal, de 27,5%.
Foram pesquisados os salários
equivalentes a R$ 2.743,25 em sete países, além do Brasil. "O
objetivo do estudo foi avaliar o peso da alíquota máxima,
de 27,5%, sobre o cidadão de classe média que vive com
um salário na casa de R$ 3 mil. Outros países possuem alíquotas
máximas até superiores à nossa, mas elas incidem
sobre a renda dos cidadãos mais ricos", explica Frederico
Good God, gerente sênior da área de consultoria tributária
da Ernst & Young.
Dessa maneira, enquanto
uma pessoa que recebe R$ 2.743,25 no Brasil repassa 27,5% de seu salário
para o governo, quem recebe quantia equivalente na Colômbia paga
19%. A diferença é ainda maior em relação
a países como Peru (onde quem recebe salário equivalente
paga 15%) e Bolívia (13%). A maior discrepância encontra-se
na comparação com o Chile, onde quem ganha salário
equivalente desembolsa 5% - sendo a alíquota máxima de
40% -, e com a Venezuela, onde esse mesmo cidadão se enquadraria
na faixa de isenção. O país que mais se aproxima
da realidade tributária brasileira é a Argentina, com
uma alíquota de 27% sobre essa faixa salarial - embora a alíquota
máxima seja de 35%.
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AGÊNCIA DIAP, 14 de
março de 2008
PUBLICAÇÃO
MTE lança nova edição
do Anuário da Qualificação Social e Profissional
A nova edição traz informações
sobre mercado de trabalho dos jovens, educação profissional
de nível médio por unidades da federação,a
movimentação de pessoal por grau de escolaridade e educação
especial
Foi realizada na manhã desta quarta-feira (12), a solenidade de lançamento
da nova edição do Anuário da Qualificação
Social e Profissional 2007. O material foi elaborado pelo Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria
com o Departamento de Qualificação do Ministério do Trabalho
e Emprego (MTE) e traz um conjunto de dados sobre a realidade social e profissional
do Brasil referentes à qualificação.
Importância da publicação
Segundo o ministro do Trabalho
e Emprego, Carlos Lupi, o anuário é de fundamental importância
para o desenvolvimento do País que demanda profissionais bem qualificados.
Lupi acredita que o Brasil baterá novos
recordes em 2008, com crescimento econômico de 6% e criação
de 1,8 milhão de novos empregos, e afirma que "a qualificação
continuará sendo prioridade" na gestão do MTE. Para
o ministro, o anuário vai servir de base também para o
desenvolvimento de vários projetos do Ministério da Educação
(MEC) na área de qualificação profissional.
Novidades
Para o Diretor técnico
do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, o anuário 2007 traz informações
novas, se comparado ao anuário do ano passado: mercado de trabalho
dos jovens; educação profissional de nível médio
por unidades da federação; a movimentação
de pessoal por grau de escolaridade e educação especial. "Incluímos
também dados sobre pessoas portadoras de deficiência física,
uma demanda feita pelo próprio ministro do Trabalho em 2006",
completa Ganz.
O anuário
A publicação reúne
dados sobre a qualificação social e profissional e objetiva
servir de subsídio aos atores sociais e gestores de políticas
públicas de emprego, trabalho e renda. O documento agrega indicadores,
tabelas e gráficos como de educação, entidades e
cursos e supre a carência de dados que até então
não existiam no segmento.
O anuário está dividido
em Trabalho e Educação: Características dos Trabalhadores
e da População e Qualificação Social e Profissional
no Brasil. Esta última reúne informações
relacionadas à oferta de cursos de qualificação
no País.
O lançamento aconteceu
no auditório do MTE, em Brasília, e contou com a presença
do secretário de Políticas Públicas do Ministério,
Ezequiel Nascimento, de deputados e representantes de empresas voltadas à qualificação
profissional. (Com MTE; íntertítulos
do DIAP)
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NCST, 14 de março
de 2008
Deputados aprovam dedução
do IR de compra da casa própria
A Comissão de Desenvolvimento Urbano aprovou na quarta-feira (12) o
Projeto de Lei 2124/07, do deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), que permite ao
contribuinte deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa
Física (IRPF) os pagamentos efetuados na compra de imóveis. O
benefício só pode ser usado para aquisição de moradia
própria, e desde que este seja o único imóvel do contribuinte.
A dedução poderá ser
utilizada em caso de pagamento de imóvel em construção
ou na aquisição de imóvel com financiamento. Ainda
segundo a proposta, o contribuinte que deixar de utilizar o imóvel
como sua residência ou de seus dependentes, dentro do prazo de
cinco anos da aquisição, ou vender o imóvel no mesmo
prazo, perderá o direito à dedução, com multa
de 30% e demais encargos legais sobre os valores deduzidos.
Moradias
precárias
Otávio Leite citou estudo do Ministério das Cidades, publicado
no ano passado, segundo o qual cerca de 12,3 milhões de brasileiros
vivem em mais de 3 milhões de palafitas, cortiços, favelas e
outras moradias precárias nas principais metrópoles do País.
O trabalho, segundo ele, servirá de base para a formulação
de plano nacional que deve fixar metas para os próximos 15 anos, principalmente
voltados à reurbanização de áreas precárias
por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Por outro lado, lembra o deputado,
a renda média da população, especialmente das classes
menos favorecidas e da classe média, não acompanha a valorização
do setor imobiliário nos grandes centros urbanos brasileiros.
Para ele, permitir que as famílias usem o IRPF para ajudar na
compra da casa própria vai ao encontro do que diz o artigo 6° da
Constituição, segundo o qual a moradia é um direito
fundamental do cidadão.
Financiamento
O relator do projeto, deputado Eliene Lima (PP-MT), acredita que a proposta
traz um enorme benefício para as famílias assalariadas de baixa
renda e renda média. "Com essa dedução, as famílias
passam a comprometer um percentual menor da sua renda com a aquisição
do imóvel, facilitando o financiamento", disse.
Tramitação
O projeto ainda será analisado, em caráter conclusivo, pelas
comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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AGÊNCIA DIAP, 14 de
março de 2008
DIREITOS TRABALHISTAS
Mesmo durante aviso prévio,
trabalhadora gestante tem estabilidade, decide TRT/RS
A estabilidade de gestante é devida quando a trabalhadora engravida
durante os trinta dias de aviso prévio, mesmo não cumprindo tal
período no serviço. De acordo com decisão dos Juízes
da 5ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(TRT/RS), é irrelevante o fato de o empregador ter ou não ciência
da gravidez de empregada ao despedí-la, pois para haver a proteção
constitucional da estabilidade, basta a prova da ocorrência da gravidez
durante o contrato de trabalho.
A Farmacall Medicamentos Ltda.
entrou com recurso no TRT/RS contra sentença do Juízo da
28ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, a qual condenava a empresa
a indenizar funcionária demitida. A trabalhadora foi dispensada
em 7 de agosto de 2006, sendo liberada de cumprir o aviso prévio
de trinta dias. Pouco mais de uma semana depois, entre 19 e 25 de agosto,
engravidou.
O Tribunal não deu provimento
ao recurso da Farmacall, mantendo a sentença de 1° grau. Para
a relatora do acórdão no Tribunal, Juíza Berenice
Messias Corrêa, ainda que a empregada tenha sido dispensada do
aviso prévio, é certo que a projeção do contrato
se deu para trinta dias após a despedida: “quando da efetiva
extinção do contrato, a trabalhadora já estava grávida,
o que enseja a proteção constitucional”, declara
a Juíza.
Constituição
A decisão invoca o que
dispõe o artigo 10, inciso II, alínea “b” do
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
(ADCT) da Constituição Federal de 1988, o qual garante
a estabilidade da gestante, desde a confirmação da gravidez
até cinco meses após o parto.
A Juíza Berenice
conclui afirmando que a proteção jurídica concernente à garantia
provisória da gestante no emprego visa a proteger, sobretudo,
o nascituro, assegurando meios indispensáveis à sua subsistência: “esta é a
interpretação mais consentânea com os princípios
norteadores do direito do trabalho”, declara a Juíza. (Fonte:
TRT 4º Região - Porto Alegre/RS)
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AGÊNCIA DIAP, 14 de
março de 2008
BENEFÍCIO
Viação e Transporte
rejeita substituir vale-transporte por dinheiro
Foi aprovado na noite desta
quarta-feira (12) o relatório do deputado federal Marco
Maia (PT/RS) que preserva o vale-transporte em tíquetes
aos trabalhadores. Marco Maia foi o relator do PL 617/03, do ex-deputado
Murilo Zauith (DEM/MS), que previa a possibilidade de pagar em
dinheiro vivo o benefício do vale-transporte. O voto do
relator, contrário ao projeto de lei, foi aprovado por unanimidade
na reunião da Comissão de Viação e
Transportes.
Em sua defesa, o deputado afirma
que são indiscutíveis os benefícios do vale-transporte
no Brasil para todos os envolvidos: empregador, trabalhador e operador
do transporte coletivo. "O empregador mantém o nível
de produção de sua empresa, ao garantir condições
para a presença de seus empregados", afirma.
O parlamentar lembra que o uso
dos tíquetes nos deslocamentos casa-trabalho-casa constitui um
complemento de renda importante para o trabalhador num cenário
onde os reajustes salariais são pouco freqüentes. Além
do mais, reforça Maia "o operador do transporte coletivo é beneficiado
com o aporte regular de recurso significativo à receita da empresa,
como também por favorecer à prestação do
serviço ao agilizar a passagem do usuário pela catraca,
reduzir a evasão de divisas e desestimular a prática de
furtos ao cobrador”.
Tendência à distorção
Em sua defesa da manutenção do vale-transporte em tíquetes,
Marco Maia alega que "muito provavelmente, o pagamento em espécie
do valor do vale-transporte distorceria a sua utilização, uma
vez que o montante recebido tenderia a ser incorporado ao orçamento
doméstico para a cobertura do conjunto das despesas familiares. Tal
procedimento resultaria em faltas ao trabalho e nos prejuízos delas
decorrentes, tanto para o trabalhador, quanto para o empregador”.
Marco Maia justifica que nos
vinte anos de existência, o Vale-transporte consolidou-se como
política pública e qualificou o direito do trabalhador
no deslocamento de sua residência ao trabalho e vice-versa.
"O Vale-transporte é inegavelmente
uma conquista social e econômica dos trabalhadores e passou a ser
compreendido como uma política pública mais ampla, sendo
assumida por outros setores sociais", afirma Marco Maia.
“Descaracterizar
a finalidade”
"Querer transformar o em dinheiro a ser acrescido ao salário do trabalhador é descaracterizar
a finalidade desta política pública que ganha gradativo reconhecimento
de sua eficácia e torna-se medida de referência para outros âmbitos",
frisa Marco Maia.
O deputado refuta a justificativa
apresentada para esta substituição - facilitar o pagamento
do benefício, evitando o manuseio físico de grande volume
que, como valor, fica susceptível a furto. "O dinheiro, como
moeda, estando no bolso do trabalhador ou na responsabilidade do empregador,
também está exposto a estes riscos", completa.
Para Marco Maia, com a permanência
do "ganham os trabalhadores, pois tem a garantia do deslocamento
de forma antecipada e melhor orientada; ganham as empresas públicas,
pois têm a garantia da utilização planejada; e, mais
ainda, ganham outros segmentos que gradativamente encontram nesta medida
uma possibilidade de conquista na ampliação de seus direitos
sociais", afirma.
Tramitação
O projeto ainda será examinado pelas Comissões de Trabalho; e
de Constituição e Justiça, antes de ser votado pelo plenário
da Câmara. (Marcos Verlaine, com assessoria do relator)
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ÂMBITO JURÍDICO,
14 de março de 2008
Empresa com débito previdenciário
pode ficar sem alvará
Fonte: Ag. Câmara
A Comissão de Seguridade
Social e Família aprovou, na quarta-feira (12), o Projeto de Lei
1258/07, do Senado, que exige a apresentação de certidão
negativa de débitos junto à Previdência Social para
a concessão ou renovação de alvará de localização
das empresas. De acordo com o relator, deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG),
a medida pode ajudar a recuperar dívidas que, em 2006, eram da
ordem R$ 4,4 milhões, cerca de 3% do total de débitos na
Previdência.
O deputado argumenta ainda que,
para promover o equilíbrio na Previdência Social, as medidas
adotadas até agora centraram-se em tornar as regras de acesso
aos benefícios mais rígidas. "É necessário
adotar outras alternativas para solucionar o problema por meio do aumento
da receita e não apenas da redução de direitos dos
trabalhadores", afirma.
Tramitação
Tramitando em regime de prioridade, o projeto ainda será analisado,
em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
-
PL-1258/2007
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ÂMBITO JURÍDICO,
14 de março de 2008
Em caso de falência fraudulenta,
execução prossegue na própria JT
Fonte: TRT3
Pelo teor de decisão expressa
da 3ª Turma do TRT-MG, não se determina a habilitação
do crédito trabalhista no juízo falimentar quando se verifica
que a falência decretada foi fruto de fraude perpetrada pelos sócios.
Nesse caso, aplica-se a teoria da despersonalização da
pessoa jurídica e a execução prossegue na própria
Justiça do Trabalho, investindo contra o patrimônio particular
dos sócios.
“É certo que ao
juízo da falência devem concorrer todos os credores do devedor
comum (art. 23 do DL-7661/45), conquanto se tratar de legítima
decretação de falência, o que não restou demonstrado
na hipótese dos autos” – frisa o desembargador César
Pereira da Silva Machado Júnior, relator do agravo de petição
interposto pelo reclamante.
No caso, após inúmeras
tentativas frustradas de cumprimento da execução, o ex-empregado
entrou com pedido para que a execução se voltasse contra
os sócios de empresas constituídas em conluio com os sócios
das executadas. Logo em seguida, a Massa Falida da empresa executada
apresentou cópia da falência decretada pela 22ª Vara
Cível de São Paulo, requerendo a habilitação
dos créditos do reclamante junto ao juízo falimentar.
Ocorre que o Ministério
Público do Rio de Janeiro, com fundamento em Inquérito
Civil Público, ajuizou Ação Civil Pública
contra as empresas executadas, seus sócios comuns e outras empresas
do mesmo grupo, tendo sido apurado que os proprietários de todas
essas empresas são os mesmos, com evidentes laços de parentesco,
sendo que algumas funcionavam apenas como fachada, sem qualquer maquinário,
com o objetivo único de ocultar o patrimônio da ré e
dificultar a ação dos credores e da fiscalização.
O Ministério Público concluiu, então, que “não
se tratou de mera transferência de patrimônio entre empresas
de mesmos sócios, mas de insolvência planejada, a fim de
frustrar os direitos dos credores da 1ª Ré”.
“É de se estranhar
que, em uma execução iniciada em 1993, somente nos idos
de 2007 venha a executada alegar a falência decretada em 2004” – destaca
o relator, concluindo pela evidência de fraude e determinando o
prosseguimento da execução contra os bens dos sócios
das empresas envolvidas.
( AP nº 01488-1993-018-03-00-2
)
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ÂMBITO JURÍDICO,
14 de março de 2008
Crédito trabalhista tem preferência
sobre Fisco
Fonte: TRT3
Decisão recente da 8ª Turma
do TRT-MG determinou a penhora sobre veículos que já se
encontravam penhorados em execução fiscal. Quem explica é a
desembargadora relatora, Cleube de Freitas Pereira: “Na disputa
entre credores fiscal e trabalhista, em que a garantia dos créditos
tenha recaído sobre o mesmo bem penhorado, ressalta a preferência
do crédito trabalhista, a teor do artigo 186, do Código
Tributário Nacional. É que o crédito trabalhista
possui natureza alimentar e detém privilégio especialíssimo,
sobrepondo-se inclusive ao de natureza tributária”.
O juiz da Vara Trabalhista havia
desconstituído a penhora por considerar que a constrição
determinada pelo credor tributário havia sido anterior à do
juízo trabalhista. Mas a desembargadora entende que a regra do
artigo 711, do CPC - pela qual, havendo várias penhoras sobre
um mesmo bem, a preferência será de quem primeiro tiver
iniciado a execução - também obedece à ordem
dos créditos estabelecida no artigo 186 do CTN. Ou seja, só é aplicada
quando inexistem direitos preferenciais, como determina a segunda parte
do mesmo artigo 711.
Segundo salienta a relatora,
a doutrina é pacífica no sentido de que o crédito
tributário tem preferência sobre qualquer outro, à exceção
daqueles decorrentes da legislação do trabalho. “Este
aspecto alcança maior relevância e enfatiza a legitimidade
da execução, tal como se processa, pois o crédito
de natureza fiscal é menos privilegiado que o trabalhista, daí porque
deve ceder frente a este” – conclui, dando provimento ao
agravo de petição do reclamante para manter a penhora sobre
os veículos em questão.
( AP nº 00358-2007-064-03-00-0
)
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O GLOBO, 14 de março
de 2008 | Economia
Economia "subterrânea" representa
40,23% do PIB brasileiro
Valor Online
SÃO PAULO - A economia subterrânea, semelhante à informalidade,
atingiu no Brasil no ano passado patamar equivalente a 40,23% do Produto Interno
Bruto (PIB), segundo estimativa do professor austríaco, Friedrich Schneider,
catedrático da universidade de Linz. Para ele, o patamar está bem
acima do observado em países como a Grécia, onde a informalidade
gira em torno de 25% do PIB, Itália e Espanha, ao redor de 20%, França,
Alemanha e Holanda, com 10% e Estados Unidos e Suíça, com 8%.
De acordo com Schneider, que é especialista
em economia subterrânea, o pico da participação da
informalidade no Brasil foi em 2004, com fatia equivalente a 42,60% do
PIB. O professor afirma que para se chegar ao patamar de 20,71%, verificado
em 1995, o Brasil precisa de reformas mais profundas nas questões
tributária e previdenciária.
Mesmo sem as reformas a economia
subterrânea no país deve cair por causa do crescimento do
PIB, que acaba trazendo mais pessoas para a formalidade, pondera Schneider,
que prevê fatia de 39,42% do PIB para a economia subterrânea
este ano.
O consultor do Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID), Vito Tanzi, lembra que parte dos 40% de informalidade
projetados para a economia informal acaba sendo captada pelas contas
do PIB. Segundo ele, se toda a economia subterrânea estivesse fora
das contas nacionais, o Brasil seria um país muito mais rico.
Schneider e Tanzi participaram
hoje do seminário internacional Economia Subterrânea - Causas
e Conseqüências, promovido pelo Instituto Brasileiro de Ética
Concorrencial (Etco), no Rio de Janeiro.
(Rafael Rosas | Valor Online)
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de
março de 2008 | Política
Mesmo com corte no Orçamento,
governo mantém investimentos
Peça orçamentária
de 2008 aprovada quarta-feira prevê arrecadação
de R$ 36,47 bi em impostos; quase o valor total perdido com fim
da CPMF

Brasília - O Orçamento Geral da União de 2008 aprovado
pelo Congresso no final de noite de quarta-feira prevê o aumento de R$
8,5 bilhões nos investimentos diretos do governo federal mesmo após
a extinção da CPMF (Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira) no final do ano passado. O aumento é consequência
da arrecadação de impostos prevista para 2008, que após
reestimativa do governo chega a R$ 36,47 bilhões - quase o valor total
perdido com o fim da CPMF, que é de R$ 39,29 bilhões.
O senador Francisco Dornelles
(PP-RJ), integrante da Comissão Mista de Orçamento, prevê que
a arrecadação do Imposto de Importação ficará em
R$ 750 milhões acima do projetado no início do ano. Por
conta disso, reivindicações apresentadas por governistas
e pela oposição acabaram contempladas na proposta orçamentária
- como o reforço à área da agricultura sem a retirada
de recursos previstos na Lei Kandir.
Mesmo com o aumento previsto
de arrecadação, o Congresso teve que autorizar o corte
de R$ 12,2 bilhões no Orçamento após o fim da CPMF
para compensar as receitas e despesas previstas na peça orçamentária.
Na prática, os cortes vão atingir principalmente a máquina
pública federal, que ficou com menos R$ 6,77 bilhões após
os cortes.
A proposta orçamentária
também prevê cortes de R$ 3,48 bilhões na área
de pessoal, medida que atinge diretamente o número de vagas a
serem abertas este ano por meio de concursos públicos. O deputado
José Pimentel (PT-CE), relator do Orçamento, reconheceu
que a posse de servidores aprovados em concursos públicos poderá ser
postergada após os cortes na área de pessoal.
''Na peça orçamentária
havia sido prevista a realização de 56.348 concursos públicos
neste exercício. Estamos mantendo essa quantidade e distribuindo-a
ao longo do tempo, de maneira que, em 2008, possa-se dar posse ao mesmo
número de servidores públicos previstos. A posse, porém,
não seria durante todo o ano, mas, no máximo, em seis meses.
Ou então programada para 2008 e 2009'', afirmou.
Parlamentares da bancada da saúde
criticaram a reestimativa dos gastos orçamentários para
o setor com o argumento de que terão menos recursos em 2008. ''É o
pior Orçamento para a saúde. Na metade do ano, faltarão
recursos. O relator não reavaliou a situação. Não
houve abertura, não houve discussão. Parece que o SUS (Sistema Único
de Saúde) não faz bem ao Brasil, faz bem às corporações
públicas, às corporações internas, mas à vida,
não'', reagiu o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS).
Pimentel, por sua vez, negou
que a saúde tenha prejuízos com o Orçamento aprovado
pelo Congresso. ''Na área da saúde, cumprimos integralmente
a Emenda Constitucional nº 29, aportando R$ 48,46 bilhões
para essa finalidade e mantendo também, na totalidade, os recursos
que vieram na peça orçamentária para a Educação'',
rebateu o relator.
O deputado Ricardo Barros (PP-PR),
integrante da Comissão Mista de Orçamento, disse acreditar
que os recursos para a saúde serão recompostos ao longo
do ano. ''É natural que a agricultura tenha perdido alguma coisa,
que a saúde e os ministérios, de modo geral, tenham sofrido
cortes, mas isso será resolvido durante o ano, porque a arrecadação
está crescendo em função do crescimento econômico
do país'', disse.
Pimentel reconheceu que a peça
orçamentária não foi a ''ideal'' após o fim
da CPMF, mas disse que seu objetivo foi minimizar ao máximo os
impactos nos principais setores contemplados no Orçamento. ''Tivemos
o cuidado de fazer um conjunto de conversas, de reuniões, de debates,
de diálogos, de maneira que construímos essa peça
orçamentária fazendo todos esses ajustes após a
frustração do corte da CPMF. Esses setores não estão
satisfeitos, mas, dada a nova realidade, estão aceitando as alterações'',
disse.
Gabriela Guerreiro
Folhapress
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Agência Diap, 14 de
março de 2008
Efeitos da pressão sindical
no Governo Lula
Por: Antônio Augusto de Queiroz*
Parece fora de qualquer dúvida
que o Governo do presidente Lula, comparativamente com gestões
anteriores, vem mantendo uma relação mais respeitosa e
mais ativa com o movimento sindical, particularmente com as centrais
sindicais. O número de iniciativas governamentais por pressão
sindical, assim como a participação da representação
laboral nos órgãos colegiados onde seus interesses são
objeto de análise, é ilustrativo do que se afirma.
Nestes primeiros cinco anos de mandato, pode-se mencionar 10 gestos do Governo
para com o movimento sindical: 1) retirada do Congresso do projeto de flexibilização
da CLT; 2) veto à Emenda 3 da Super Receita; 3) aumento real do salário
mínimo; 4) correção da tabela do imposto de renda; 5)
MP do comércio aos domingos; 6) projeto de reconhecimento das centrais
sindicais; 7) envio ao Congresso das convenções 151 e 158 da
OIT; 8) decreto de participação sindical no Sistema “S”;
9) realização de concursos e reajuste salarial dos servidores;
e 10) compromisso de participação da representação
dos trabalhadores nos conselhos das empresas estatais.
Este elenco de iniciativas e compromissos governamentais, entretanto, não
transforma o Governo Lula na “república sindicalista”, como
costuma acusar os setores retrógrados da sociedade. Se compararmos as
bondades para com os salariados e as vantagens e garantias asseguradas ao setor
empresarial, além de crédito subsidiado no BNDES e incentivos
e renúncias fiscais, é capaz de os empresários terem levado
mais. Só como ilustração o Governo apoiou a Lei de Falência
e a Lei Geral da Pequena e Microempresas, editou a MP do Bem, desonerou as
exportações, entre outras medidas relevantes.
E, para usar um chavão do presidente, “nunca na história
deste país” as empresas e os bancos lucraram tanto. É justo
que os trabalhadores, que sempre pagaram a conta, aproveitem o bom momento
da economia e a presença de um aliado na Presidência da República
para recuperar perdas acumuladas, além de avançar em novas conquistas,
entre elas a redução da jornada de trabalho, sem redução
de salário.
(*) Jornalista, analista político e Diretor de Documentação
do DIAP – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar.
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Agência Diap, 14 de
março de 2008
NA CONTRAMÃO
OAB Nacional critica manutenção
da contribuição sindical, diz que é grave erro
histórico
O presidente nacional da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, criticou ontem (12) duramente
a manutenção da contribuição sindical compulsória
para os trabalhadores assalariados, aprovada na noite da última
terça-feira (11), e afirmou que, ao se manter essa compulsoriedade,
cometeu-se um grave erro histórico para o País.
“ A contribuição sindical ainda é uma imposição
ao trabalhador que desestimula a ação sindical. Espero que um dia
deixe de existir e que Sindicato de Empregado ou Patronal tenha retribuição
pela ação e não premiação obrigatória",
afirmou o presidente nacional da OAB.
Britto explicou que a contribuição sindical – que corresponde
anualmente a um dia de trabalho do empregado, sindicalizado ou não – surgiu
no Brasil como uma forma de contribuição retributiva para dirigentes
sindicais que eram permissos e colaboravam com o Estado. Exatamente por essa
razão, segundo o presidente nacional da OAB, recebiam do Estado benefícios
de uma remuneração obrigatória, não precisando
trabalhar em defesa da categoria, porque já estava garantida a sobrevivência
de sua entidade.
Já quanto ao reconhecimento das centrais sindicais no Brasil, aprovado
também na noite de ontem, Britto considerou uma vitória da liberdade
sindical e disse que esse reconhecimento tem validade histórica para
o País. “Há muito que o Estado brasileiro já deveria
ter regularizado a representação máxima dos trabalhadores,
reconhecendo a sua capacidade de organização, mobilização
e poder de reivindicação”.
A seguir a íntegra do comentário feito pelo presidente nacional
da OAB, Cezar Britto, sobre o reconhecimento das centrais e a manutenção
da contribuição sindical obrigatória:
" A decisão de se reconhecer as centrais sindicais é um avanço, é uma
vitória da liberdade sindical assegurada na Constituição
Federal. Há muito que o Estado brasileiro já deveria ter regularizado
a representação máxima dos trabalhadores, reconhecendo a
sua capacidade de organização, mobilização e poder
de reivindicação.
O reconhecimento das centrais sindicais tem uma validade histórica para
o Brasil. Porém, na mesma propositura comete-se um grave erro histórico:
o da manutenção da contribuição compulsória.
A contribuição sindical surge no Brasil como uma forma de contribuição
retributiva àqueles dirigentes sindicais, que eram permissos e que colaboravam
com o Estado e por isso mesmo recebiam do Estado benefícios de uma remuneração
obrigatória e que não precisava trabalhar em defesa da categoria,
porque já estava garantida a sobrevivência de sua entidade.
O imposto sindical, nome originário da contribuição, era
combatido por Sindicatos mais ativos, por este vício de origem. Entendo
eu, que não modificou a compreensão do passado, como é compreendido
hoje. A contribuição sindical ainda é uma imposição
ao trabalhador que desestimula a ação sindical. Espero que um
dia deixe de existir e que Sindicato de Empregado ou Patronal tenha retribuição
pela ação e não premiação obrigatória”.
(Fonte: Direito do Estado)
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Diário Vermelho, 14
de março de 2008
Boicote legislativo pode prejudicar
a imagem da oposição
A oposição de direita
(DEM e PSDB), auxiliada por parlamentares do PSOL e do PPS, resolveu
promover um boicote geral às atividades do Congresso Nacional,
obstruindo principalmente a votação de medidas provisórias,
sejam elas quais forem. Muitas destas MPs tratam de reajuste salarial
e destinação de verbas para projetos importantes que atingem
milhares de pessoas. Se caducarem, as verbas não saem e restará aos
prejudicados apontar de quem foi a culpa: se do governo ou da oposição.
A tática oposicionista tem a intenção declarada de promover
uma mudança na legislação que trata das medidas provisórias,
limitando seu emprego pelo presidente da República a casos de urgência
e relevância. É um objetivo compartilhado até mesmo pela
base aliada. Mas o objetivo não declarado --porém óbvio--
da oposição é o de imobilizar o executivo federal e, com
isso, tentar atingir a imagem do governo Lula.
Nesta quinta-feira, o senador Agripino Maia, líder do DEM, confirmou
a obstrução: "Nós temos uma barricada armada contra
Medidas Provisórias". E o líder do PSDB, Arthur Virgílio,
foi ainda mais enfático e declarou: "Se der para aprovar, deu,
se não deu, dane-se".
Mas, ao que tudo indica, não é o governo e sim a própria
oposição quem mais tende a se "danar" com esta política
de obstruções que o líder do governo na Câmara,
Henrique Fontana (PT-RS), qualificou muito bem como ''irracional''.
Ao boicotar as atividades do
Congresso e deixar que as medidas provisórias percam a validade,
a oposição estará contrariando diversos interesses
setoriais. Pois, apesar dos próprios governistas concordarem que
o número de MPs precisa diminuir, não se nega que boa parte
das medidas provisórias são editadas para resolver problemas
emergenciais que afetam setores e parcelas importantes da população.
Exemplo disso é a medida
provisória que o governo deve editar nos próximos dias
concedendo aumento salarial para 11 categorias de servidores. Estes trabalhadores
não estão dispostos a esperar os trâmites ordinários
do legislativo para terem seu aumento concedido e, por isso, precisam
da MP, que tramita mais rápido. Mas se a oposição
se mantiver firme em sua tática de obstrução ao
ponto de fazer com que a MP que aumenta os salários dos servidores
perca eficácia, terá que arcar com o custo político
de ter impedido que 800 mil pessoas --formadores de opinião--
recebam o justo aumento salarial.
Outros exemplos: o Senado recebeu
da Câmara dos Deputados, nesta quinta-feira (13), duas medidas
provisórias e quatro projetos de lei de conversão - proposições
que já chegam com o prazo de 45 dias para apreciação
pelo Congresso Nacional esgotado. Já aprovadas pela Câmara,
as matérias passam a sobrestar imediatamente todas as deliberações
da Casa. A primeira medida provisória (MP 400/07) concede crédito
extraordinário de R$ 20 milhões à Presidência
da República para aplicar na Empresa Brasil de Comunicação
(EBC). Até aí tudo bem para a oposição. Se
a verba da ECB não sair, os oposicionistas, no máximo,
vão conseguir aumentar o ódio que os profissionais de comunicação
ligados à ECB já nutrem por demos, tucanos e linhas auxiliares
da oposição. O problema maior reside no fato de que esta
mesma MP destina R$ 30 milhões ao Ministério da Saúde
para campanhas educativas relacionadas ao combate da dengue e da Aids.
Estaria a oposição disposta a ser reponsabilizada pelo
aumento dos casos de dengue e de Aids no país?
Outro projeto que depende da
aprovação urgente do legislativo é o PLV 4/08, proveniente
da MP 401/07, que reajusta a remuneração dos integrantes
da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito
Federal, bem como dos delegados e policiais civis do DF. Mais uma vez,
um importante naco da população de Brasília será prejudicada
pela obstrução oposicionista se a MP caducar.
Isso sem falar na MP do salário mínimo. O direto do Diap, Antônio
Augusto de Queiroz, lembra que o projeto de lei de reajuste do mínimo,
enviado ao Congresso após negociação com as centrais sindicais,
está parado em alguma gaveta do Senado, desde 18 de junho de 2007. O
presidente, para honrar o compromisso de antecipar sua vigência para
março, teve que editar uma medida provisória, porque o Senado,
após a Câmara haver aprovado a matéria com relativa agilidade,
não delibera sobre o tema, que aguarda uma manifestação
da Casa há nove meses.
Se a obstrução da oposição impedir o aumento do
salário mínimo, será difícil para os oposicionistas
jogarem a culpa toda no governo, mesmo com a cumplicidade de sempre da grande
mídia.
Enfim, se a base aliada
não conseguir fazer valer sua maioria no Congresso e permitir
que as MPs sejam anuladas por decurso de prazo, restará ao governo
ter a coragem de apontar os parlamentares da oposição
como os responsáveis, ou melhor dizendo, os irresponsáveis
que atrapalharam a solução de problemas importantes que
a Nação reclama.
Cláudio Gonzalez,
com agências
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Congresso em Foco, 14 de março de 2008
Eleição de vereadores
ainda é incógnita
Líderes descartam votar PEC que
muda critérios para o Legislativo municipal e empurram
decisão sobre número de cadeiras em disputa para
o TSE
Soraia Costa
A menos de sete meses das eleições municipais, os partidos ainda
não sabem quantas serão as vagas em disputa nas câmaras
municipais de todo o país este ano. Isso porque, se a proposta de emenda à Constituição
(PEC 333/2004) que redefine o número de vereadores por municípios
não for aprovada pelo Congresso até 30 de junho, caberá ao
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar a quantidade de cadeiras que estarão
em jogo no dia 5 de outubro.
Conhecida como PEC dos Vereadores, a proposta, elaborada inicialmente pelo
deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) e que recebeu emendas dos deputados Vitor
Penido (DEM-MG) e Mário Heringer (PDT-MG), vem justamente corrigir distorções
deixadas pela resolução do TSE, de 2004, que reduziu o número
de vereadores de 60.276 para 51.875, mas não alterou os recursos repassados às
câmaras municipais.
Os deputados propõem que o número de vereadores seja reestabelecido
tendo como base a população do município, mas que, mesmo
assim, os recursos destinados a eles sejam reduzidos.
“ Nossa expectativa é que o presidente da Câmara coloque a
proposta em votação até 10 de abril. O grande problema são
as medidas provisórias”, afirma o deputado Vitor Penido (DEM-MG),
um dos articuladores da PEC e coordenador da Frente Parlamentar Municipalista.
Os líderes partidários, no entanto, já praticamente descartaram
a hipótese de a proposta ser votada este ano, apesar de essa ter sido
uma das proposições incluídas na lista de prioridades
apresentada pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), no
final de 2007.
“É um projeto importante, mas acho difícil votar na Câmara
e no Senado até 30 de junho. Mesmo assim, vamos tentar”, garantiu
Chinaglia ao Congresso em Foco.
Há ainda quem duvide que ela chegue a entrar em votação
algum dia. “Se não votar agora, essa PEC acaba. Ela é um
rabicho da reforma política e só será debatida se tiver
efeitos imediatos”, acredita o deputado Rocha Loures (PMDB-PR), que é um
dos vice-líderes de seu partido.
Consenso
O grande problema da resolução editada pelo TSE é que
ela reduziu o número de vereadores, mas não alterou o orçamento
das câmaras municipais. Além disso, o teto de vereadores por município
era muito semelhante para cidades com grandes diferenças populacionais.
A PEC 333/2004 foi então elaborada para tentar corrigir essas distorções.
Embora tenham sido feitas modificações no texto original, os
articuladores da proposição já chegaram a um consenso
quanto ao número de vereadores que pretendem defender. No entanto, ainda
há discordância quanto aos percentuais de redução
de recursos.
“ Não queremos aumentar o número de vereadores, apenas que
retorne ao número que tinha antes da resolução do TSE”,
afirma o presidente da União dos Vereadores do Brasil, Bento Batista (PTB-PR),
que é vereador do município de Juranda (PR).
Bento Batista argumenta, no entanto, que o percentual de redução
que está sendo defendido pelos parlamentares irá comprometer
as relações de independência entre o Legislativo e o Executivo
locais.
“ A proposta do deputado Vitor Penido é um absurdo. Em câmaras
menores será impossível trabalhar. Mas apoiamos a proposta inicial
do deputado Pompeo de Mattos”, declara o vereador.
Atualmente o teto constitucional para o repasse às câmaras municipais é de
8% do orçamento para os municípios com até 100 mil habitantes,
de 7% para os municípios de 100 mil a 300 mil habitantes, de 6% para
os com faixa populacional entre 300 mil e 500 mil habitantes, e de 5% para
os municípios com mais de 500 mil habitantes.
No texto original da PEC, nas cidades com até 100 mil habitantes, o
teto do repasse seria reduzido para 7,5%, e teria percentual máximo
de 4% para as cidades com mais de 3 milhões de pessoas.
Esses números, no entanto, já foram descartados. Embora a distribuição
das faixas populacionais e dos tetos de recursos para cada uma delas ainda
não esteja fechado, os deputados estão trabalhando com repasse
máximo de 5% para os municípios que arrecadam anualmente até R$
10 milhões.
“ Mas o mais importante é que o número de vereadores já está fechado.
Abrindo uma janela para a votação, o acordo quanto aos percentuais
de recurso se fecha. A janela será a senha para fechar o acordo”,
garante Pompeo de Mattos.
A necessidade de que haja uma redução maior do que o 0,5% previsto
inicialmente na PEC, no entanto, já foi aceita pelo deputado.
“É preciso cortar mais. E é bom que fique claro que estamos
cortando gordura e não musculatura”, garante o parlamentar gaúcho,
acrescentando que, embora a proposta vá “apertar” os orçamentos
das câmaras municipais, não inviabilizará os trabalhos dos
vereadores.
Dificuldades
Para começar a valer, a PEC precisa ser aprovada em dois turnos na Câmara
e em outros dois no Senado. Por isso, para que tenha efeitos nas eleições
deste ano, a proposta tem de ser submetida a votação até meados
de abril na primeira Casa. Do contrário, não haverá tempo
hábil para se votar antes de 30 de junho, data do último dia
de prazo para que os partidos realizem suas convenções e indiquem
seus candidatos.
Caso a proposta não seja aprovada até a data-limite, o TSE terá de
dizer, também até 30 de junho, qual o número de vagas
para vereadores. Se não houver uma manifestação do tribunal,
a resolução de 2004 continuará valendo. A possibilidade
de se aprovar a PEC a tempo, no entanto, é praticamente nula.
A pauta da Câmara será trancada por 17 medidas provisórias
até abril. Além das duas que trancam a pauta no momento, 11 MPs
bloquearão a Ordem do Dia a partir de 22 de março e outras quatro
trancarão a pauta nos dias 31 de março, 5, 11 e 14 de abril.
“ Acho difícil votar essa proposta para este ano. Quando abrir uma
janela, tem muitas coisas importantes para serem votadas”, disse o líder
do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), citando como projetos prioritários
a PEC do Trabalho Escravo, o Estatuto da Igualdade Racial e a PEC da Defensoria
Pública.
Além disso, para que uma janela seja aberta na pauta, será preciso
que a oposição desista da idéia de obstruir os trabalhos,
conforme a ameaça feita após a aprovação da MP
da TV Pública na última terça-feira (11).
“ Acho pouco provável que se vote [a PEC dos Vereadores]”,
disse o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), um dos vice-líderes
de seu partido. “Nossa prioridade é regulamentar a tramitação
de medidas provisórias e só abriremos janelas para votar essa regulamentação
das MPs”, garantiu ele.
Para tentar convencer a oposição a liberar a pauta, o líder
do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), avisou que irá ouvir
as lideranças oposicionistas antes de definir as prioridades.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de votação da PEC dos
Vereadores até junho, o 1º vice-líder do DEM na Câmara,
deputado Ronaldo Caiado (GO), foi enfático: “Não queremos
janelas e não vamos votar nada até outubro”.
Último esforço
Como último esforço para que a PEC dos Vereadores seja aprovada
a tempo para valer nas eleições deste ano, o autor do projeto,
deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), avisou que irá pedir o apoio junto
ao presidente da Câmara.
“ Se essa PEC não for aprovada, perde-se a representatividade popular
nos municípios médios do país. Isso porque os que têm
menos de 30 mil e mais de 500 mil habitantes praticamente não foram afetados
com a resolução do TSE. Mas nesses municípios médios,
como o número de vagas caiu, para se eleger vereador vai custar uma fortuna.
Dessa maneira, lideranças de bairro, mulheres e negros poderão
praticamente desistir da disputa. Porque a porta será estreita demais
para quem é considerado minoria”, lamenta Pompeo de Mattos.
“ Além disso, perdem os cidadãos, pois a aprovação
da PEC geraria uma economia de 40% a 50% do que é gasto hoje. Então
perde o contribuinte que está pagando uma conta alta. Essa é uma
PEC cidadã que recupera a representatividade e ganha na economicidade”,
acrescenta o deputado.
|
O
ESTADO DO PARANÁ, 14 de março de 2008 | Política
Dirceu vê grandes chances de Lula
eleger sucessor
Roger Pereira
O ex-ministro da Casa
Civil José Dirceu (PT) disse, ontem, que os resultados das
eleições municipais de outubro servirão de
parâmetro para a sucessão presidencial de 2010, quando
o PT tentará fazer o sucessor do presidente Lula. José Dirceu
esteve em Curitiba, onde palestrou aos filiados do PT do Paraná sobre
a atual conjuntura política brasileira.
Em entrevista coletiva que
antecedeu a palestra, Dirceu disse acreditar que o PT conseguirá aumentar
o número de prefeitos e vereadores em municípios importantes,
para ter uma base forte nas eleições de 2010. Ele acredita
numa polarização entre PT e PSDB na próxima
disputa presidencial, mas vê grandes chances de o governo Lula
eleger seu sucessor. “O segredo para a eleição
do sucessor de Lula será a aliança PT-PMDB. Com o PSDB
dividido (entre Aécio Neves e José Serra), vejo grandes
chances de ganharmos as eleições se estivermos aliados
ao maior partido do país”, disse Dirceu.
Como nomes para 2010, Dirceu
disse aprovar a opção inicial por sua substituta na
Casa Civil, Dilma Rousseff, mas revelou que o partido tem outras
opções que poderão ser lançadas conforme
o cenário no ano do pleito: Tarso Genro, Patrus Ananias, Jacques
Wágner e Eduardo Suplicy.
Cassado de seu mandato na
Câmara Federal por denúncias de envolvimento no escândalo
do mensalão e inelegível até 2015, Dirceu disse
que continua atuando politicamente, na militância do PT, mas
de forma mais discreta. “Não tenho mandato e nem cargo
no PT, assim posso dedicar-me a minha vida pessoal, meus trabalhos
de consultoria e minha defesa no processo em que sou réu,
no Supremo Tribunal Federal (STF)”, revelou.
Sobre seu processo, o antigo
homem forte do governo Lula disse estar “sereno e seguro” quanto à inocência. “Se
for um julgamento técnico, com base na Constituição,
serei inocentado. Se for um julgamento político, acontecerá como
ocorreu na Câmara”, disse.
Dirceu também opinou
sobre a escolha de Gleisi Hoffmann para candidata do partido em Curitiba. “É um
excelente nome, com experiência de administração
em Londrina, na Itaipu e um excelente resultado nas eleições
de 2006.” Ele disse não concordar com a tese de que
o prefeito Beto Richa (PSDB) é invencível e já deu
uma alfinetada em tom de campanha. “Com todos os problemas
de trânsito e violência que vi nesses dois dias em Curitiba,
acredito que teremos um bom debate aqui”, declarou.
O presidente estadual
do PSDB, Valdir Rossoni, respondeu às críticas de
Dirceu. “Ele não é a pessoa moralmente avalizada
para fazer críticas à administração
de Curitiba. Sobre os problemas de violência, ele pode perguntar
a seu companheiro Requião. Sobre outros assuntos, esperamos
encontrá-lo para debater nos palanques”, disse.
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Gazeta do Povo, 14 de março de 2008
ECONOMIA | MERCADO 1
Dólar vai a R$ 1,69 com minipacote
As medidas anunciadas na quarta-feira
pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, a fim de tentar conter
a desvalorização da moeda americana fizeram o dólar
comercial subir 1,01% ontem, para R$ 1,692. Mas seu efeito foi
mais psicológico que prático, pois, para especialistas,
o pacote indica mudança na atitude do governo, que até o
momento dizia que não iria interferir nas cotações.
O nervosismo que atingiu os mercados internacionais e contaminou
o doméstico na primeira metade do expediente contribuiu
para levar o dólar até o valor máximo de R$
1,713.
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Gazeta do Povo, 14 de março
de 2008
ECONOMIA | IMÓVEIS
Fevereiro bate recorde em financiamento
São Paulo – Os financiamentos
imobiliários com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança
e Empréstimo (SBPE) cresceram 121,8% em fevereiro ante o mesmo
mês do ano passado, totalizando R$ 1,963 bilhão, segundo
a Associação Brasileira das Entidades de Crédito
Imobiliário e Poupança (Abecip).
O número de imóveis
financiados no mês passado aumentou 90,4%, para 18,9 mil unidades.
Tanto em volume financeiro quanto em unidades, o financiamento imobiliário
foi recorde para o mês de fevereiro desde o início do Plano
Real, em 1994.
Bimestre
No acumulado do primeiro bimestre
do ano, foram financiadas 36 mil unidades. O número ficou próximo
ao registrado em todo o ano de 2003, quando o financiamento atingiu 36,4
mil unidades. No acumulado de janeiro e fevereiro, os financiamentos
somaram R$ 3,585 bilhões, com expansão de 125,6% ante o
mesmo período do ano passado.
No acumulado de 12 meses,
o montante financiado cresceu 103,3%, para R$ 20,278 bilhões,
o equivalente a 213,3 mil unidades.
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Gazeta do Povo, 14 de março
de 2008
ECONOMIA | POLÍTICA MONETÁRIA
Juro deve ficar mais alto em abril
para conter inflação
Ata do Copom deixa clara intenção
do BC de aumentar a taxa Selic
Brasília – Preocupado
com o crescimento do consumo numa velocidade mais rápida do
que a capacidade de a economia aumentar a oferta de bens e serviços,
o Banco Central (BC) deixou claro ontem, na ata do Comitê de
Política Monetária (Copom), que é cada vez mais
iminente o risco de um aumento da taxa de juros para conter o impacto
do aquecimento da demanda nos preços. A confissão do
BC, de que foi considerada a possibilidade de elevação
dos juros na reunião da semana passada, alimentou as expectativas
de que a taxa Selic poderá subir já em abril.
Com viés agressivo e ainda
mais conservador, a ata revelou que o aumento dos juros foi cogitado
para reduzir o “descompasso” entre o ritmo do crescimento
da demanda e da oferta, movimento que pode desencadear pressões
inflacionárias com repasse de preços, inclusive de serviços.
A ata do Copom diz que o país vive hoje uma “demanda doméstica
robusta”, que “não mostra sinais de arrefecimento” nem
mesmo na passagem de 2007 para 2008.
Segundo o documento, a elevação
dos juros poderia contribuir para reforçar a “ancoragem
das expectativas”, ou seja, evitar que as projeções
do IPCA se afastem da trajetória de metas fixadas não só para
este ano, mas também para o médio prazo. Para o Copom, é relevante
o risco de o crescimento dessa demanda comprometer o cenário positivo
para a inflação. Por isso, advertiu, é preciso prudência.
“Entretanto, prevaleceu
o entendimento de que, neste momento, o balanço de riscos para
a trajetória de inflação justificaria a manutenção
da taxa básica no seu patamar atual”, explicou a ata sobre
a decisão de manter os juros inalterados em 11,25% ao ano. O Copom
alertou, no entanto, que a expansão da demanda se acelerou neste
início do ano e pode ficar ainda mais robusta com o aumento dos
gastos do governo (transferências governamentais) e o efeito defasado
na atividade econômica dos cortes de juros realizados em 2007.
O BC advertiu ainda na ata que
o crescimento dos investimentos não tem sido suficiente para conter
o aumento do uso da capacidade instalada da indústria. O recado
do BC na ata, divulgado em meio a turbulências geradas com a crise
externa e à repercussão negativa das medidas cambiais anunciadas
na véspera pelo Ministério da Fazenda, contribuiu para
a disparada dos juros futuros e reforçou o nervosismo.
Analistas
Os investidores reviram as suas
projeções, mas a aposta de que os juros vão aumentar
imediatamente – em abril, quando o Copom volta a se reunir – ainda
não é unânime. “A economia tem crescido em
ritmo mais forte que o suportado. Isso tem elevado gradualmente as expectativas
de inflação”, disse o economista-chefe do Banco Safra,
Eduardo de Faria Carvalho. Para ele, a Selic começará a
subir no próximo mês e deve terminar o ano em 13,25%, valor
dois pontos porcentuais superior ao observado atualmente.
O consultor de análises
econômicas do Itaú, Joel Bogdnaski, acredita que o juro
deve subir entre 1 ponto e 1,5 ponto até o final do ano. Para
o economista do Safra, a elevação da Selic em até 2
pontos porcentuais deve levar a economia para “ritmo mais sustentável
de crescimento”, que deve variar entre 4,5% e 5% ao ano. “Se
olharmos os números do quarto trimestre, o PIB cresceu, na margem,
algo próximo de 6%. E a atividade registrada no começo
do ano mostra que esse ritmo pode ter se acelerado”, explica.

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FOLHA DE LONDRINA, 14 de
março de 2008 | Política
Governo reajusta salário de
800 mil servidores
Brasília - O governo vai encaminhar na próxima semana ao Congresso
Nacional uma medida provisória fixando reajustes salariais para 11 categorias,
que juntas somam quase 800 mil servidores. Os aumentos de salários já haviam
sido negociados no ano passado, mas o envio da proposta ao Congresso foi suspenso
por causa da extinção da CPMF a partir de janeiro deste ano.
Depois de uma reunião ontem entre o ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo, e representantes dos servidores, ficou acertado que os acordos serão
mantidos, mas os prazos para implementação dos reajustes serão
ampliados para minimizar o impacto no Orçamento. Os reajustes se darão
entre 2008 e 2010.
''Ficou compatível com
as condições que nós temos no Orçamento'',
afirmou Paulo Bernardo. Segundo ele, o governo tem R$ 3,5 bilhões
este ano para serem gastos com reajustes salariais. Os acordos fechados
com estas 11 categorias somam R$ 2,1 bilhões. Pelos acordos iniciais,
algumas categorias já deveriam ter recebido aumentos salariais
em dezembro de 2007 e em janeiro deste ano, mas o governo refez os cronogramas
de implementação jogando os prazos para frente.
O ministro informou que ainda
existem pendências com outras categorias, como os militares. Bernardo
disse que assumiu o compromisso de conversar com o ministro da Defesa,
Nelson Jobim, sobre o reajuste dos militares após a aprovação
do Orçamento, que ocorreu ontem à noite. ''Até estranhei
que ele não me ligou hoje ainda, mas nós vamos conversar,
com certeza'', disse o ministro. ''Mas há também algumas
categorias civis'', ressaltou Bernardo.
Segundo o Ministério do
Planejamento, ainda estão em negociação acordos
com os servidores da Polícia Rodoviária Federal, Ministério
da Fazenda, Banco Central, Receita Federal, Advocacia-Geral da União
e Imprensa Nacional, além dos médicos peritos.
Bernardo afirmou que, se algum
desses acordos for concluído até segunda-feira, poderá entrar
na mesma medida provisória com os reajustes das 11 categorias.
Segundo ele, o governo está promovendo os reajustes por medida
provisória para poder incluí-los já na folha de
pagamento de março.
Renata Verissimo
Agência Estado
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Agência Diap, 14 de
março de 2008
MANIFESTAÇÃO
Entidades farão ato público
pela aprovação das Convenções 151 e 158
Várias entidades representativas
dos servidores públicos - Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais
da Receita Federal), Fasubra (Federação de Sindicatos de
Trabalhadores das Universidades Brasileiras), Sinait (Sindicato Nacional
dos Auditores-Fiscais do Trabalho), Fenafisp (Federação
Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil) e Sindireceita
(Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal
do Brasil) - se reuniram ontem (12) para organizar manifestação
do funcionalismo federal, estadual e municipal no próximo dia
26, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.
A manifestação terá como eixos principais a ratificação
das Convenções 151 e 158 da OIT (Organização Internacional
do Trabalho) pelo Congresso Nacional, a manutenção das negociações
com o Governo e a preservação dos acordos e compromissos assinados
por ele.
A Convenção 151 trata das relações trabalhistas
entre o Governo e os servidores e a 158 defende os trabalhadores de demissão
imotivada, abrangendo todos os ramos da atividade econômica e todos os
trabalhadores assalariados. (Fonte: Unafisco)
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Folha de São Paulo, 14 de março
de 2008
DESMATAMENTO
Operação do
Ibama apreende madeira ilegal em GO, RS e SP
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis)
apreendeu ontem 200 metros cúbicos de castanheira -árvore ameaçada
de extinção- em Goiânia, outros 780 metros cúbicos
de madeira comercializada sem licença, no Rio Grande do Sul, além
de dois contêineres, no porto de Santos (SP).
Esses foram os primeiros resultados da operação "Guardiães
da Amazônia", iniciada ontem com alvo em São Paulo, Paraná,
Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás. O primeiro balanço
da operação será divulgado na segunda-feira, mas só em
barreiras policiais em estradas, o saldo de apreensão de madeira ilegalmente
comercializada é de 20 caminhões.
A iniciativa faz parte do combate ao desmatamento na Amazônia, que registrou
ritmo acelerado no final do ano passado e no início deste ano. "A
operação segue por tempo indeterminado e poderá embargar
madeireiras que apresentem mais de 10% de produto de origem ilegal", afirmou
o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Flávio Montiel.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
14/03/2008
Equiparação salarial não é devida
em caso de substituição
Não há previsão
legal de pagamento do mesmo salário quando um trabalhador é promovido
para substituir outro que foi demitido. Com este fundamento, a Sétima
Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em processo relatado pelo ministro
Ives Gandra Martins Filho, manteve decisão da Justiça do
Trabalho da 4ª Região (RS) que negou pedido de equiparação
salarial a uma empregada da empresa de laticínios MUMU Alimentos
Ltda.
Contratada em 1998 como auxiliar
de fábrica, a trabalhadora exerceu outras funções
até sua demissão, ocorrida em 2002. A empregada ajuizou
então reclamação na Vara do Trabalho de Viamão
(RS), alegando ter sido promovida à função de supervisora
de laticínios/acabamento sem, porém, receber remuneração
equivalente à empregada que a antecedeu na função.
A Vara do Trabalho de Viamão
negou a equiparação pretendida. A sentença foi mantida
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), ao
verificar que a auxiliar foi promovida justamente devido à dispensa
da supervisora apresentada como paradigma, para substituí-la.
O Regional considerou não ter sido preenchido um dos requisitos
para a equiparação salarial, que é a simultaneidade
na prestação de serviços entre o paradigma e o trabalhador
que requer equiparação. Nessa circunstância, considerou
não haver o direito a receber o mesmo salário da empregada
dispensada.
Ao recorrer, a trabalhadora insistiu
no direito às diferenças, pois preenchia o requisito necessário à equiparação:
desempenho da mesma função do paradigma com diferença
de tempo de serviço não superior a dois anos, conforme
o artigo 461, parágrafo 1º, da CLT.
O ministro Ives Gandra observou
que a tese do TRT da necessidade de simultaneidade no exercício
das funções “traduz interpretação razoável
da legislação apontada como violada”. O artigo 461,
parágrafo 1º da CLT “não endossa ou rejeita
a tese da simultaneidade. “Não havendo quadro de carreira
na empresa, não há obrigação legal de pagamento
do mesmo salário para o substituto que sucede o empregado dispensado”,
concluiu. (RR-673/2004-411-04-00.6)
(Lourdes Côrtes)
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14/03/2008
Acordo coletivo não pode subtrair
direitos assegurados por lei
Com o entendimento de que direitos
assegurados por lei não podem ser subtraídos por meio de
acordo coletivo de trabalho, a Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho
rejeitou recurso das Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S. A. – Usiminas
contra a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região
(MG) que condenou a empresa a pagar a um empregado as verbas relativas
a minutos excedentes da sua jornada.
Em abril de 2004, o empregado
reclamou na 3ª Vara do Trabalho de Coronel Fabriciano (MG) que,
em média, iniciava seu trabalho 25 minutos antes do horário
formal e o encerrava 30 minutos após o fim do expediente. Alegou
que desde a contratação, em 1981, na função
de eletricista de manutenção e liderança, até ser
dispensado sem justa causa, em 2003, não recebeu os valores correspondentes
a esse tempo extraordinário.
Com a decisão favorável
em parte ao empregado, ambas as partes recorreram. O TRT/MG decidiu acrescentar à condenação
o pagamento das verbas relativas aos minutos excedentes, durante todo
o período não prescrito, e negou recurso adesivo da empresa,
mas aceitou seus embargos para determinar que, na apuração
dos minutos devidos ao empregado, fosse observado o limite de 55 minutos
diários.
Não conformando com a
decisão regional, a Usiminas recorreu ao TST pedindo a exclusão
da condenação das parcelas das horas extras. Alegou que
os minutos anteriores e posteriores à jornada, para efeito de
horas extras, deveriam ser desconsiderados nos moldes do que fora estabelecido
em acordo coletivo. Segundo a Usiminas, “a negociação
coletiva foi uma alternativa legal para se resolver o problema, uma vez
que os empregados sempre entravam ou saíam do pátio da
empresa fora do horário normal, a fim de se utilizarem de serviços
dentro do complexo industrial como lanchonete, posto médico, posto
telefônico, postos bancários e outros, todos à disposição
dos trabalhadores”.
O relator do processo na Sexta
Turma, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, destacou que “não
há como se reconhecer a legalidade de cláusula de acordo
coletivo prevendo tolerância de 45 minutos antes e 30 depois do
horário de trabalho, para marcação de ponto, pois
não se pode dar prevalência a negociação que
subtraia direitos assegurados por lei, ainda que celebrada coletivamente,
sobretudo quando esta se contrapõe a norma mais benéfica
(artigos 4º e 58, § 1º, da CLT)”.
Observou o relator que a jurisprudência
do Tribunal, fundamentada na sua Súmula 366, estabelece que “não
serão descontadas nem computadas como jornada extraordinária
as variações de horário do registro de ponto não
excedentes de cinco minutos, observado o limite máximo de dez
minutos diários. Se ultrapassado esse limite, será considerada
como extra a totalidade do tempo que exceder a jornada normal”.
A Súmula leva em conta que o empregado necessita de um tempo razoável
não só para a troca de uniforme como também para
a anotação de entrada e saída em registro manual,
mecânico ou eletrônico. “Os cinco minutos”, esclareceu
o ministro, “são tolerados diante da impossibilidade de
todos os empregados registrarem o ponto mecânico ao mesmo tempo”.
Segundo o ministro Aloysio Veiga,
o fato de a norma coletiva prever um limite de tolerância maior
não altera esse raciocínio, pois a Constituição,
ao mesmo tempo em que garante a eficácia das convenções
e acordos coletivos, assegura condições mínimas
de trabalho ao empregado. “A flexibilização atribuída à norma
coletiva serviu para ampliar, por via transversa, a jornada de trabalho,
não considerando como hora extraordinária o tempo em que
o trabalhador ficou à disposição da empresa”,
concluiu. (RR-430/2004-089-03-00.2)

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