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Agência Câmara, 15 de março
de 2008
Projeto vincula Bolsa Família
ao salário mínimo em vigor
Edson Santos

Angela Portela: objetivo é evitar
que famílias em situação de pobreza percam
o benefício.
O Projeto de Lei 2637/07, da deputada Angela Portela (PT-RR), vincula
ao salário mínimo os valores referenciais de caracterização
de pobreza ou extrema pobreza para ter direito ao Bolsa Família.
Com a proposta, a família que se encontre em situação
de extrema pobreza vai ter direito ao benefício mensal de R$ 50,
desde que a renda per capita seja de até um sexto do salário
mínimo vigente (R$ 61,16). Atualmente a renda per capita exigida é de
até R$ 50.
Já as famílias pobres ou em situação de
extrema pobreza que tenham gestantes, crianças de até 12
anos ou adolescentes de até 15 anos vão receber o benefício
de R$ 15 por pessoa, até o limite de R$ 45 por família,
no caso de a renda per capita ser de até um terço do
salário mínimo (R$ 138,33). Hoje a renda per capita para
ter direito ao benefício é de R$ 100.
A autora argumenta que o salário mínimo aumentou significativamente
em relação aos valores referenciais do Bolsa Família,
levando "milhares" de famílias a perder os benefícios
sem que tivessem deixado a situação de pobreza ou de
extrema pobreza. Por isso, "propomos a vinculação
dos valores referenciais ao salário mínimo vigente, em
limites próximos dos valores atualmente praticados", explica.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será examinado
pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças
e Tributação; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
- PL-2637/2007
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Agência
Câmara, 15 de março de 2008
FAT poderá contribuir para
desempregado se aposentar
Diógenes Santos

Júlio Delgado: proposta é vantajosa
para o desempregado e para a Previdência
A Câmara analisa o Projeto de Lei 2624/07, do deputado
Júlio Delgado (PSB-MG), que permite ao Fundo de Amparo ao
Trabalhador (FAT) financiar a contribuição previdenciária
do trabalhador desempregado que esteja a três anos da aposentadoria.
A proposta altera a Lei 7.998/90, que institui o FAT.
Conforme o projeto, para ter direito a esse financiamento, o trabalhador
precisará autorizar o FAT a descontar o empréstimo
das futuras parcelas da aposentadoria. Para Júlio Delgado,
a medida é vantajosa para o trabalhador desempregado e para
a Previdência Social, que terá um aumento na sua receita.
Além disso, explica o deputado, o governo federal terá menos
dependentes de benefícios assistenciais mantidos pela União.
Delgado argumenta que as chances de um desempregado com mais de
50 anos retornar ao mercado de trabalho são muito pequenas.
Sem emprego, ressalta o deputado, não há renda para
pagar a contribuição mensal da Previdência
Social. "E só tem direito ao benefício da aposentadoria
aquele que paga a contribuição em dia", lembra
o autor da proposta.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), em 2006 havia 534 mil desempregados com 50 anos ou mais.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, nas comissões
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
Seguridade Social e Família; Finanças e Tributação
e Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
- PL-2624/2007
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Agência Diap, 15 de março de
2008
RESUMO DA SEMANA
Semana de vitórias para
o movimento sindical e o Governo
Sem dúvida, esta semana foi uma das mais importantes
para o movimento sindical desde a redemocratização
do País. Para o Governo, a semana também foi
de vitórias.
O balanço positivo para o movimento sindical inclui: 1) aprovação
do projeto das centrais; 2) aprovação da ampliação
da licença-maternidade no âmbito da Comissão de
Trabalho; 3) designação pela Comissão de Relações
Exteriores dos relatores dos projetos que ratificam as Convenções
151 e 158 da OIT; 4) mobilização em torno da aprovação
da PEC do Trabalho Escravo; 5) realização do movimento
nacional dos professores em favor do piso nacional; 6) sanção
da lei que limita o período de experiência; e 7) a mobilização
de aposentados para o fim do fator previdenciário.
Para o Governo, além do cumprimento do acordo com as centrais,
a comemoração inclui a aprovação da TV
Pública no Senado Federal, do Orçamento para 2008 no
Congresso, e para fechar a semana de boas notícias, o anúncio
do crescimento do PIB acima das expectativas.
Centrais sindicais
Finalmente, depois de várias semanas com a pauta trancada por
medidas provisórias, a Câmara concluiu a votação
do projeto de lei (PL 1990/07), do Executivo, que regulamenta o funcionamento
das centrais sindicais brasileiras. O projeto será enviado à sanção
presidencial.
A Câmara votou as seis emendas do Senado ao projeto das centrais,
sendo cinco aprovadas em votação simbólica. Apenas
a emenda supressiva de autoria do deputado Augusto Carvalho (PPS/DF)
foi votada nominalmente e derrotada com 234 votos favoráveis,
171 contrários e seis abstenções. A emenda condicionava
o desconto em folha da contribuição sindical compulsória à prévia
autorização individual do trabalhador. Com a derrota
da emenda, o desconto permanece automático.
Licença-maternidade
A Comissão de Trabalho da Câmara aprovou nesta semana
o projeto de lei (PL 2.513/07), que amplia de quatro para seis meses
a licença-maternidade. A matéria será ainda examinada
pelas Comissões de Finanças e Tributação;
de Seguridade Social e Família; e Constituição
e Justiça.
Convenções 151 e 158 da OIT
As Convenções 151 e 158 da OIT já têm relatores
na Comissão de Relações Exteriores da Câmara
dos Deputados. A Convenção 151 trata da negociação
coletiva no âmbito do serviço público; e a 158
diz respeito ao término da relação de trabalho
por iniciativa do empregador.
A Convenção 151, encaminhada pelo Executivo sob a Mensagem
58, será relatada pelo deputado Vieira da Cunha (PDT/RS). A
Convenção 158, Mensagem 59, tem como relator, o deputado
Júlio Delgado (PSB/MG).
Trabalho escravo
Movimentos sociais, entidades da sociedade civil, lideranças
políticas e sindicais, e representantes de grupos que defendem
os direitos humanos participaram, nesta quarta-feira (12), do "Ato
Nacional contra o Trabalho Escravo: PEC 438/01, aprovação
já!"
Os manifestantes lotaram Auditório Nereu Ramos, da Câmara
dos Deputados, para pressionar os parlamentares a concluir a apreciação
da "PEC do Trabalho Escravo", como ficou conhecida, e que
prevê o confisco de terras onde os trabalhadores são submetidos
a condições análogas à de escravo.
Piso nacional dos professores
Manifestação dos professores de todo o Brasil realizada
nesta sexta-feira (12) busca pressionar os parlamentares pela aprovação
do piso nacional para os educadores (PL 7.431/06), que foi anexado
ao PL 619/07, Executivo, que institui o piso salarial profissional
nacional para os profissionais do magistério público
da educação básica.
De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores
em Educação (CNTE), que apresentou quadro comparativo
das propostas em debate, o piso nacional ideal para os professores
seria de R$ 1.050 para professores com nível médio e
R$ 1.575 para nível superior. Para os dois casos a proposta
da Confederação é para 30 horas semanais.
Experiência profissional
O Governo sancionou na última segunda-feira (10), a Lei 11.644,
para impor um limite à exigência de comprovação
de experiência para contratação de trabalhadores.
A norma incluiu na Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT) o artigo 442-A, que diz textualmente: “Para fins de contratação,
o empregador não exigirá do candidato a emprego comprovação
de experiência prévia por tempo superior a 6 (seis) meses
no mesmo tipo de atividade”.
Fator previdenciário
Representantes de associações de aposentados estiveram
esta semana no Senado para defender a aprovação de dois
projetos de lei do senador Paulo Paim (PT/RS), PLS 58/03, que visa
recompor o poder aquisitivo de aposentadorias e pensões, e o
PLS 296/03, que acaba com o fator previdenciário.
TV Pública
Em uma sessão das mais tumultuadas do Senado, foi aprovada
na madrugada do dia 12 a criação da TV Brasil. Utilizando
de um artifício regimental, o líder do Governo rejeitou
uma MP anterior que trancava a pauta para permitir a apreciação
da TV estatal. A oposição, indignada, retirou-se do plenário,
e permitiu ao Governo aprovar a texto do substitutivo da Câmara.
A matéria foi enviada à sanção presidencial.
Orçamento 2008
O Congresso Nacional aprovou, nesta quarta-feira (12), o projeto de
lei do Orçamento para 2008 (PLN 30/07). A aprovação
só foi possível depois de um acordo entre as bancadas
que, redistribuiu R$ 534 milhões em emendas parlamentares segundo
critérios como, Fundo de Participação dos Estados
(FPE), população estadual e média das emendas
de bancada nos últimos três anos. A matéria irá à sanção
presidencial.
Crescimento do PIB
A economia brasileira cresceu 5,4% em 2007, acima das expectativas.
A equipe econômica comemorou o resultado, mas com “euforia
comedida”, seguindo recomendação do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
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NCST,
15 de março de 2008
Entidades Sindicais deverão
prestar contas ao TCU
O Plenário da Câmara aprovou as seis emendas do Senado ao
Projeto de Lei 1990/07, do Poder Executivo, que reconhece as centrais sindicais
como entidades de representação dos trabalhadores. A principal
emenda acatada mantém o desconto da contribuição sindical
obrigatória em folha de pagamento sem necessidade de autorização
do trabalhador. Portanto, a contribuição sindical está mantida,
até que venha a ser substituída por uma outra forma de custeio.
Fiscalização
Em relação à fiscalização dos recursos
repassados ao movimento sindical, o Senado também incluiu várias
entidades entre as que estarão sujeitas a auditoria do Tribunal
de Contas da União (TCU).
Além das centrais sindicais, para as quais a Câmara já havia
previsto a necessidade de prestar contas do dinheiro da contribuição
sindical, a emenda do Senado estende a obrigação aos sindicatos, às
federações e às confederações das
categorias econômicas ou profissionais ou das profissões
liberais.
Essas entidades devem prestar contas ao TCU sobre a aplicação
dos recursos vindos das contribuições de interesse das
categorias profissionais ou econômicas e de outros recursos públicos
que venham a receber.
Atenção na prestação
de contas
Agora, além de preparar as contas da entidade sindical, seja sindicato,
federação, confederaçãoo ou central, para
exame do Conselho Fiscal e deliberação em Assembléia
Geral, é preciso fazer uma outra prestação de contas
para o Tribunal de Contas da União.
Para o TCU será obrigatória a prestação de
contas dos valores arrecadados pela entidade sindical referentes à arrecadação
da contribuição sindical. Desde já é importante
que as entidades estejam adequadas para este fim.
A Nova Central alerta a todas as suas filiadas para que procurem informações
dos seus contadores ou de técnicos especializados para fins de
elaboração do relatório a ser encaminhado ao TCU.
A NCST se coloca à disposição, em Brasília,
para todas as informações necessárias.
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NCST, 15 de março de 2008
Brasil "se tornou ator econômico
de peso", diz jornal britânico
Em um sumplemento especial de 20 páginas publicado nesta sexta-feira,
o jornal britânico "The Guardian" faz um balanço
do Brasil e afirma que "mais conhecido pelo futebol, samba e sensualidade,
ele se tornou um ator econômico de peso". No caderno intitulado "terra
de contrastes", o jornal faz uma análise dos setores de economia,
agricultura, energia, saúde e cultura, além de um perfil
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da cidade de São
Paulo, que chama de "a cidade do futuro".
Segundo o "Guardian", quando se pensa "na exuberância
brasileira", a primeira coisa que vem à mente, dificilmente,
será a economia, já que o Brasil "é a terra
do Carnaval". "Mas visualize isso: um país em que
o fluxo de investimentos atingiu níveis recordes, onde a exportação
de tudo, desde soja a biocombustíveis, está aumentando
e onde a renda dos ricos e pobres está crescendo e impulsionando
um boom de crescimento."
A reportagem afirma que o Brasil "parece ter entrado em uma nova
fase de expansão sustentável que poderia, finalmente,
destrancar o vasto potencial do país".
Segundo o jornal, os números vão "de bons a espetaculares:
1,4 milhão de empregos criados todos os anos; mais de US$ 100
bilhões em reservas (que excedem a dívida externa e tornam
o Brasil credor internacional); 4,7% de inflação, o que é 'manso'
pelos padrões brasileiros; 4% de crescimento econômico,
e uma ligeira aproximação na diferença com a China.
Ah, e no ano passado o mercado de ações cresceu em 60%".
Segundo analistas ouvidos pelo "Guardian", o crescimento é equilibrado
e o país estaria menos vulnerável hoje. "Analistas
concordam que a forte demanda doméstica, a estabilidade financeira
e exportações bem distribuídas internacionalmente
oferecem alguma proteção contra o desaquecimento americano.
Quando o mundo pega uma gripe, o Brasil não mais pega uma pneumonia."
O "Guardian" destaca que agora, além do samba e jogadores
de futebol, o Brasil também exporta carros e aviões,
notadamente aviões executivos e de passageiros da Embraer, mas
afirma que apesar do crescimento, o país ainda enfrenta vastos
problemas sociais e ambientais.
"Há um lado escuro do crescimento. Ambientalistas levantam
o alarme de que o cultivo de cana e soja estão empurrando o
rebanho de gado para o norte, na Amazônia, acelerando o desmatamento.
As condições dos trabalhadores de algumas dessas plantações
já foram comparadas à escravidão."
"O crescimento ainda provocou gargalos de infra-estrutura horrendos.
Os engarrafamentos em São Paulo pioram a cada mês, os
portos não conseguem acompanhar o ritmo do volume de navios
e as viagens aéreas freqüentemente se tornam caóticas." De
acordo com políticos entrevistados pelo jornal, estes seriam
problemas normais do processo de amadurecimento do país.
O "Guardian" ainda destaca a desigualdade entre ricos e
pobres e a violência nas favelas: "A guerra de gangues e
a brutalidade policial permanecem enraizadas aqui, bem como a extrema
desigualdade. Algumas favelas, com sua legião de crianças
de rua e barracos de madeira e plástico, poderiam passar pelas
regiões mais empobrecidas da África subsaariana. Exceto
pelo fato de que helicópteros sobrevoam a região, transportando
os super-ricos para compras com hora marcada com Gucci e Jimmy Choo".
Críticos ouvidos pelo jornal ainda dizem que o crescimento
do Brasil impressiona, mas é vazio, "como um carro alegórico
de Carnaval, porque se apoia em condições globais benignas
e no crescimento do crédito doméstico enquanto foge à difícil
tarefa de construir uma economia competitiva". O Guardian conclui
comentando que o Brasil era conhecido como o país do futuro. "O
futuro ainda não chegou, mas está mais perto agora do
que já esteve em várias gerações."
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Valor
Online, 15 de março de 2008
Pesquisa: para 70% dos economistas,
EUA já vivem recessão
Economistas americanos estão cada vez mais certos
de que os EUA entraram em recessão, segundo a mais recente
pesquisa de previsões feita pelo Wall Street Journal.
Dos 51 economistas que responderam a essa questão, 36
(mais de 70%), disseram no levantamento, realizado entre os dias
7 e 11 de março, que a economia está em recessão.
Essa visão foi reforçada ontem com a divulgação
de novos dados que mostram acentuada queda nas vendas do varejo
no mês passado. "As evidências agora já não
comportam dúvida", disse Scott Anderson, do Wells
Fargo.
O Departamento do Comércio dos EUA informou ontem que
as vendas do varejo caíram 0,6% em fevereiro; se excluídas
as categorias de automóveis e autopeças, que
são mais voláteis, a queda foi de 0,2%. As quedas
refletem uma acentuada desaceleração no consumo
das famílias, que respondem por mais de 70% da atividade
econômica dos EUA, num momento em que os americanos enfrentam
uma alta dos preços de gasolina e alimentos e uma queda
no valor da casa própria e outros ativos.
O levantamento marca uma mudança vertiginosa rumo ao
pessimismo em comparação com a pesquisa anterior,
feita cinco semanas antes. Os economistas agora esperam que
a folha de pagamento de empresas cresça em média
só 9.000 vagas por mês nos próximos 12
meses. Antes se esperava aumento mensal de 48.500 vagas. Vinte
economistas esperam que as folhas de pagamento cheguem de fato
a encolher. Em média, eles previram que a taxa de desemprego
estará em 5,5% em dezembro, ante os atuais 4,8%.
O que está alimentando todo esse pessimismo? O relatório
sobre o emprego divulgado na sexta-feira, que mostrou uma perda
de 63.000 vagas em fevereiro, o segundo mês consecutivo
de queda. Vinte e nove dos 55 economistas que responderam a
essa questão disseram esperar que a economia se contraia
no atual trimestre e 25 esperam que isso aconteça no
segundo.
Os economistas, em média, prevêem crescimento
econômico pífio: só 0,1% em termos anuais
no atual trimestre, e 0,4% no segundo. Embora a definição
clássica de recessão seja a de dois trimestres
consecutivos de declínio no PIB, Stephen Stanley, do
RBS Greenwich Capital, ressaltou que o Birô Nacional
de Pesquisa Econômica (NBER, na sigla em inglês),
uma organização apartidária que é o árbitro
oficial das recessões americanas, nem sempre segue estritamente
essa definição. "Se a gente olhar a recessão
de 2001, só houve um trimestre com PIB negativo, e pode
nem haver um trimestre negativo na atual recessão",
disse ele.
Quase a metade dos economistas consultados disse que uma recessão
este ano pode ser pior que as de 2001 e 1990-91. Em meio a
tantos temores, eles esperam mais ação das autoridades
econômicas. Segundo 63%, o uso do dinheiro público
para lidar com a crise imobiliária é agora provável
ou uma certeza, enquanto em média os economistas esperam
que o Federal Reserve, o banco central, reduza a taxa básica
dos juros, dos atuais 3% para 2% até junho.
As autoridades monetárias do Fed se reúnem na
terça, e o mercado já está incorporando
a suas cotações um corte de 0,5 ponto porcentual
na taxa de juros, bem como sinalizando a probabilidade de 90%
de corte de 0,75 ponto. As autoridades não estavam,
até esta semana, convencidas da necessidade de um corte
de 0,75 ponto, dados os sinais de que a psicologia da inflação
está se deteriorando.
Mas essa opinião pode ter sido afetada pela constante
turbulência no mercado de crédito, bem como pelos
dados fracos de vendas no varejo e emprego. No mercado se diz
que essa seria uma hora arriscada de fazer um corte de juros
menor do que aquele que os investidores esperam. O Fed terá de
pesar a urgência de enfrentar a crise do crédito
contra o risco de parecer despreocupado com a inflação.
O índice de preços ao consumidor de fevereiro
será divulgado hoje e economistas consultados pela agência
de notícias Dow Jones Newswires esperam um aumento de
4,5% em relação a um ano atrás.
A maioria dos economistas espera que uma recuperação
econômica comece no segundo semestre, quando o pacote
governamental de estímulo econômico e os cortes
das taxas de juros começariam a afetar a economia. Até o
fim do ano, eles esperam que a inflação esteja
num nível desconfortavelmente alto de 2,7%, o que levanta
a questão de quando o Fed deveria começar a aumentar
os juros.
Para 84% dos economistas ouvidos, o Fed demorou para elevar
os juros em 2003 e vai querer evitar esse erro. Mesmo assim, "vai
levar algum tempo, na melhor das hipóteses, até que
o Fed possa se sentir seguro de que a situação
econômica se estabilizou", disse Bruce Kasman, do
J.P. Morgan Chase.
Uma coisa está clara: o cenário sombrio tornou
o trabalho do presidente do Fed, Ben Bernanke, menos seguro,
especialmente porque os EUA terão um novo presidente
daqui a menos de um ano. Os economistas dão a Bernanke
só 59% de chances de ser renomeado em 2010. "Se
um democrata for eleito, ele não será renomeado,
e [John] McCain também pode optar por outra pessoa",
disse David Resler, da Nomura Securities."Os problemas
aconteceram sob a batuta dele", acrescentou Ram Bhagavatula,
da Combinatorics Capital.
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Congresso em Foco, 15 de março de
2008
Reforma de apartamentos funcionais
custará R$ 110 mi
Reportagem publicada hoje (15) no Correio Braziliense
mostra que a reforma dos apartamentos funcionais da Câmara
deve custar R$ 110 milhões. No total, a Casa possui
360 apartamantos, divididos em 15 blocos. Todos são
localizados em área nobre de Brasília e são
avaliados, nas condições atuais, em R$ 700
mil.
A previsão é de que a reforma de cada apartamento custe,
segundo o jornal, pelo menos R$ 307 mil, o que eleavaria o custo dos
imóveis para cerca de R$ 1,2 milhão. O preço não
chega a ser considerado absurdo, em se tratando de apartamentos de
225 m² no centro da capital federal. Esta semana, por exemplo,
reportagem do próprio Correio Braziliense revelou que, nos próximos
meses, deve começar a construção de um novo setor
residencial em Brasília, cujo metro quadrado valeria R$ 6 mil.
As opiniões quanto à reforma, no entanto, estão
divididas. Há quem defenda que o melhor é vender os apartamentos
agora, outros argumentam que a reforma não será um disperdício,
pois os imóveis são patrimônio da União.
Além disso, a Câmara espera que, a partir da reforma,
haja uma economia a partir do que deixará de ser gasto em auxílio-moradia,
que é de R$ 3 mil por parlamentar, e em problemas pontuais que
aparecem hoje nos apartamentos funcionais que estão ocupados.
De acordo com cálculos do Correio Braziliense, nos últimos
13 anos, 146 apartamentos estiveram desocupados, em média, o
que gerou um desperdício de R$ 109 milhões no período.
Atualmente a taxa de ocupação dos apartamentos funcionais
gira em torno de 50%. No entanto, o diretor do Departamento de Habitação
da Câmara, Carlos Henrique Laranjeiras, disse ao jornal que há uma
lista de espera de parlamentares que desejam morar nos apartamentos.
Construídos há mais de 30 anos, os apartamentos funcionais
têm problemas de acabamento, tubulação, elevadores
e fachada. Segundo o que Carlos Henrique Laranjeiras explicou ao Correio,
praticamente só será possível aproveitar a estrutura
e a alvenaria dos prédios. Todo o resto terá de ser reformado.
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Gazeta
do Povo, 15 de março de 2008
Lula afirma que inflação é uma “doença
desgraçada”
Presidente lançou obras
no interior paulista e criticou os que dizem que seu governo
tem sorte
Araraquara (SP) – O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, que visitou ontem Araraquara para dar início
a duas obras do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), aproveitou a platéia de aproximadamente 500 pessoas
para fazer um discurso inflamado sobre os rumos da economia
do país, embalado pelo crescimento do PIB de 5,4%, anunciado
nesta semana. Lula afirmou que o país está vivendo “um
momento mágico’’, o melhor dos últimos
30 anos.
Eleitoreiro
Lula negou que a inauguração de obras do PAC
tenha caráter eleitoral. “O país não
parar por causa da eleição. Se eu pensasse em
eleição, não faria acordo de R$ 8 bilhões
com o governador José Serra (governador tucano de São
Paulo), de R$ 4 bilhões com o Aécio (Neves, governador
tucano de Minas). O governo não vai deixar de fazer
as coisas por causa das eleições”, disse
ele.
Lula, no entanto, advertiu para o risco da volta da inflação,
que classificou como uma “doença desgraçada’’. “Existia
entre os economistas do governo uma lógica de que o Brasil não
poderia crescer mais que 3% por ano, e nós estamos comprovando
que pode crescer 4%, 5%, 6% ao ano de forma sustentada. O que não
pode é o consumo crescer mais que a capacidade de produção
do país. Até pode, porque nós podemos importar um
pouco. Só temos que ter cuidado para que a doença desgraçada
da inflação não volte’’, afirmou.
O principal destaque do PIB em 2007 ficou por conta do consumo
das famílias, que teve alta de 6,5%. Cresceram as preocupações,
entre analistas e o próprio BC, de pressões inflacionárias
em razão da alta demanda. A autoridade monetária,
em sua última reunião, sinalizou elevar os juros.
O presidente fez questão de destacar o programa Bolsa
Família, do governo federal, que atende 11 milhões
de famílias. “Tem gente que critica, que fala
que o governo deveria fazer mais investimentos. Porque neste
país se acostumaram a achar que dinheiro que vai para
os ricos é investimento e recurso que vai para os pobres é gasto’’,
afirmou.
Lula aproveitou para fazer uma retrospectiva do seu primeiro
mandato e criticou os que dizem que seu governo tem “sorte’’. “Quando
eu assumi, alguns falaram ‘coitado do Lula, o Brasil
está quebrado’. Nós tínhamos apenas
US$ 40 bilhões em reservas e precisava pegar dinheiro
emprestado do FMI (Fundo Monetário Internacional). Hoje,
o Brasil, que desde os tempos de Cabral sempre deveu para alguém,
está com US$ 200 bilhões de reservas.’’
Segundo Lula, a tendência de crescimento da economia “vai
continuar’’. “A gente vai poder ver uma geração
vivendo os próximos 10 ou 15 anos com a economia crescendo.’’
Tempo perdido
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem, em
Ribeirão Preto (SP), que, apesar do “desconforto
grande” pelo atraso na aprovação do Orçamento,
a meta agora é a pasta recuperar o tempo perdido num
curto prazo. “Vamos andar muito mais rápido para
fazer a sanção”, comentou. “Teríamos
15 dias úteis, mas esperamos gastar no máximo
cinco.”
Ele acrescentou que, como havia um volume de empenhos no final
de 2007, isso evitou que alguma obra fosse paralisada. “Mas
foi aprovado na hora agá, para não termos problemas.” Bernardo
explicou que o desconforto ocorreu porque uma série
de projetos do PAC só poderia ser executada após
a aprovação da peça orçamentária
do governo.
Bernardo não informou como será feito o contingenciamento
dos R$ 8 bilhões que ainda faltam para cobrir o rombo
deixado pela extinção da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira
(CPMF). “Não tenho todos os dados e preciso examinar
os números.”
Troca de farpas
Marco Aurélio Mello questiona
viagens do petista
São Paulo – O presidente do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, disse ontem que
as eleições municipais antecipam a disputa política
de 2010, quando haverá eleições presidenciais.
Ao ser questionado sobre as viagens que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva vem fazendo pelo país, Mello contestou
o caráter desses deslocamentos.
“Nós sabemos que as eleições municipais
são preparatórias. Hoje (ontem) mesmo, abri um
jornal e verifiquei que o presidente empreenderá viagens
em campanha para apoiar as bases. Evidentemente, não
está fazendo isso a partir de relações
pessoais”, afirmou.
Mello também tachou o PT de “autoritário”,
ao se referir à reclamação que o partido
protocolou no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra
ele, baseada em seus comentários sobre o possível
caráter eleitoreiro de programas sociais do governo
federal.
O presidente Lula disse ontem que passará o primeiro
semestre do ano viajando e inaugurando obras pelo país. “Agora
minha vida vai ser essa. Menos tempo em Brasília, mais
tempo viajando esse país. Porque quanto mais obra, mais
emprego e mais renda (vamos ter). E melhor será a qualidade
de vida das pessoas”, disse ele.
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Gazeta do Povo, 15 de março de 2008
BRASIL | USINAS DE ALAGOAS
OIT vai receber dossiê sobre
trabalho escravo
Maceió – O procurador do Trabalho Geraldo Emediato vai elaborar
dossiê com base na fiscalização – Operação
Zumbi dos Palmares – feita por força-tarefa do Ministério
Público do Trabalho, que será enviado à Organização
Internacional do Trabalho (OIT), relatando as péssimas condições
dos trabalhadores em usinas e canaviais de Alagoas.
Emediato disse que já fiscalizou canaviais em outros estados,
mas nunca viu situação tão degradante quanto a
de Alagoas. “Em pleno século 21, os trabalhadores da cana
são submetidos a trabalho escravo e essa situação
será denunciada na próxima reunião anual da OIT”,
afirmou.
Segundo ele, o dossiê terá fotos, depoimentos e documentos
sobre a exploração da mão-de-obra nas usinas e
nas lavouras de cana-de-açúcar em Alagoas. O documento
será entregue por um representante do Ministério Público à OIT
em maio, em Genebra (Suíça).
Os procuradores do Trabalho encontraram ilegalidades que vão
da falta de registro em carteira, passando por jornadas de trabalho
muito acima da permitida por lei, sem receber horas extras; condições
insalubres; e uso de crianças e adolescentes para ajudar a família
no corte da cana, já que o pagamento é feito por produção.
A fiscalização vai até quinta-feira que vem.
Das 28 usinas de Alagoas, pelo menos 15 foram fiscalizadas pela força-tarefa
e quatro foram interditadas.
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Gazeta
do Povo, 15 de março de 2008
POLÍTICA | GOVERNO
TCU vê irregularidades na Secretaria
do Trabalho
Tribunal reconheceu desvio de finalidade
de R$ 9 milhões
por RHODRIGO DEDA
Valterci Santos/GP

Padre Roque Zimmermann (PT) foi secretário
do Trabalho até 2006
A 1.ª Câmara do Tribunal de Contas da União (TCU) reconheceu
e está cobrando uma dívida do governo do estado e de algumas
empresas privadas para com o governo federal no valor aproximado de R$
9 milhões. A decisão ocorreu após o TCU identificar
uma série de indícios de desvio de finalidade na gestão
do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) pela Secretaria Estadual do Trabalho
e Promoção Social. A decisão é preliminar
e cabe agora ao Executivo estadual apresentar defesa ao TCU, para que
o tribunal faça nova análise do caso.
A investigação do TCU no Paraná teve início
no meio do ano passado, quando os auditores da instituição
analisaram quatro convênios firmados entre 2004 e 2006
com a Secretaria do Trabalho, em que foram repassados pelo governo
federal recursos do FAT. No período, foram secretários
de Trabalho o petista Padre Roque Zimmermann e Emerson Nerone
(PHS). Além de reconhecer a dívida do governo do
estado e de empresas privadas remuneradas pelo FAT, o acórdão
do tribunal, publicado no dia 4 deste mês, converteu o
processo em Tomada de Contas Especial. Por meio desse procedimento,
há o objetivo de apurar as responsabilidades dos envolvidos.
José Gomercindo
Emerson Nerone (PHS) era diretor-geral
da Secretaria e depois tornou-se o secretário
O TCU não encontrou indícios de desvio de recursos, mas
apontou a ocorrência de uso indevido de verbas do FAT, que deveriam
ser usadas, entre outras coisas, para treinamento de trabalhadores. Entre
as possíveis irregularidades apontados pelo TCU estão pagamentos
de despesas administrativas do governo do estado com recursos destinados
ao trabalhador, como por exemplo, aluguel da própria Secretaria
do Trabalho; não comprovação de alocação
recursos referentes à contrapartida estadual nos convênios
firmados entre estado do Paraná e o Ministério do Trabalho
e Emprego, além de pagamentos indevidos a empresas privadas. O
TCU apontou também a existência de aquisição
de produtos e materiais sem qualquer relação com os objetivos
do FAT.
A Secretaria de Trabalho informou que ainda não foi notificada
e que só deve se pronunciar após ser citada pelo
TCU. Porém, o diretor-geral da Secretaria, Fernando Peppes,
destacou que as supostas irregularidades se referem à gestão
anterior
Já Padre Roque e Emerson Nerone foram procurados pela
Gazeta do Povo, mas não foram encontrados. Como o governo
também faz parte do processo, o procurador-geral do Estado,
Carlos Frederico Marés, também foi procurado pela
reportagem. Mas não foi encontrado.
Contas irregulares
Por motivos diversos da investigação realizada
pelo TCU, o Tribunal de Contas do Estado (TC) considerou irregulares
as contas de 2006 da Secretaria Estadual do Trabalho. A irregularidade
mais grave encontrada pelo TC foi o fato de a pasta não
ter pago uma dívida de R$ 57,9 milhões com a Copel,
referente ao programa Luz Fraterna. Outras irregularidades apontadas
pelo tribunal foram a transferência de recursos para municípios
que não tinham certidão negativa do TC, além
da não inclusão de dados referentes a licitações
e contratos e serviços de terceirizações
no Sistema Estadual de Informações. Essas atitudes
contrariam a Lei Orgânica do TC.
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O Estado do Paraná, 15 de março
de 2008
Sindicalizados da CUT terão
crédito da Caixa
São Paulo - A Central Única dos Trabalhadores de São
Paulo (CUT-SP) será a primeira central sindical do País
a assinar um programa que dará acesso a financiamentos habitacionais
com condições especiais aos trabalhadores sindicalizados.
A direção Caixa Econômica Federal (CEF) assina na
próxima segunda-feira o primeiro convênio desse tipo no
País.
Segundo a CUT, trabalhadores sindicalizados de 301 sindicatos do Estado
de São Paulo serão beneficiados com o convênio.
A base da Central em São Paulo atinge um contingente de 2,7
milhões de trabalhadores, mas apenas 977 mil sindicalizados
poderão ter condições especiais de financiamento.
''A idéia é que a Caixa atenda todos os trabalhadores,
mas os sindicalizados terão condições especiais'',
explicou Edilson Paula Oliveira, presidente da CUT-SP. Para entidade
sindical, será também uma forma de estimular a sindicalização.
A estimativa da Central é a de que pelo menos 10% do sindicalizados
(cerca de 97 mil trabalhadores) consigam financiamento habitacionais
a partir desse convênio. As condições básicas
do financiamento ainda não foram fechadas.
Agnaldo Brito
Agência Estado
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Folha
de São Paulo, 15 de março de 2008
PT-SP revê tática
eleitoral e admite dar a vice ao PMDB
Petistas querem evitar cenário de
2004, quando Marta rejeitou aliança com Quércia
Lula afirma que "Marta é uma boa
candidata" e que se manterá neutro no processo de
escolha de candidatos do PT às eleições
deste ano
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
Um dia após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
ter dado aval à candidatura Marta Suplicy (PT) à Prefeitura
de São Paulo, a direção do partido na capital
paulista sinalizou ontem que deverá mudar suas diretrizes
em relação ao que foi feito em 2004 e pretende
abrir as portas da sua chapa para ter o PMDB na vaga de vice.
Na eleição anterior, quando a então prefeita Marta
Suplicy foi derrotada por José Serra (PSDB), o PMDB ficou fora
de sua chapa por ter exigido o posto de vice, que acabou ocupado pelo
hoje deputado estadual Rui Falcão (PT). A "chapa puro-sangue" petista
estremeceu as relações com o ex-governador Orestes Quércia,
principal líder peemedebista no Estado.
Na ocasião, Marta disse que não confiava no PMDB a ponto
de entregar a vice, já que, a exemplo do que poderá ocorrer
em 2010, ambicionava disputar o governo de São Paulo. O presidente
do Diretório Municipal do partido na capital paulista, José Américo
Dias, afirmou que a vaga de vice será ocupada por um nome vindo
de PMDB, PR, PC do B ou PSB.
Dias deverá ser um dos coordenadores da campanha e, na condição
de responsável pelo GTE (Grupo de Trabalho Eleitoral) do PT, vem
tratando das coligações com outros partidos. " Estamos
procurando partidos que estão na coalização em torno
do governo Lula. No que depende de mim, isso deve evoluir para a questão
da vaga de vice, inclusive com o PMDB. Mas qualquer decisão será referendada
pelo PT", disse.
O grupo da ministra em São Paulo avalia, porém, que um
acordo com Quércia passará pelo Palácio do Planalto.
Uma das cartas postas à mesa inclui a transferência do controle
da Ceagesp, principal central de abastecimento do Estado, ao ex-governador
do PMDB.
Outro ponto a negociar são as chapas em cidades paulistas importantes.
Peemedebistas querem que o PT retire candidaturas com poucas chances
em favor do PMDB. Esse ponto está sendo tratado com Edinho Silva
(PT), prefeito de Araraquara, terra de Marcelo Barbieri, o principal
afilhado político de Quércia.
O ex-governador, por enquanto, tem batido na tecla de que o melhor para
o PMDB seria uma candidatura própria. Em 2004, Michel Temer foi
vice de Luiza Erundina (PSB).
Quércia também mantém diálogos com o tucano
Geraldo Alckmin, outro pré-candidato. As conversas, segundo alckmistas,
estariam em estágio avançado. Na eleição
de 2006, Alckmin, então candidato ao Planalto, foi criticado por
ter aceitado o apoio do peemedebista Anthony Garotinho (RJ).
Planalto
O presidente Lula disse ontem que se manterá neutro durante o
processo de escolha de candidatos do PT às eleições
deste ano. "Se houver dois ou três nomes, a prudência
indica que eu não devo participar."
A afirmação foi feita em Araraquara (SP), administrada
pelo petista Edinho Silva, onde Lula inaugurou uma escola e assinou ordem
de serviço para iniciar duas obras do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento). "Se um ministro quiser sair para disputar alguma
coisa, é uma decisão unilateral. O PT tem tempo para decidir
isso ainda, mas certamente o que todo mundo sabe é que Marta é uma
boa candidata."
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