 |
Agência Diap, 16 de março de
2008
BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS
Chinaglia apóia aumento
acima da inflação para aposentados
Ao participar de encontro na última quarta-feira
(12) com os presidentes da Força Sindical, deputado
Paulo Pereira da Silva (PDT/SP), e do Sindicato Nacional
dos Aposentados, João Batista Inocentini, o presidente
da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP), apoiou o pedido
de reajuste de R$ 35 para as aposentadorias de até R$
700.
Segundo Chinaglia, há espaço para atender à reivindicação
dos aposentados. De acordo com o presidente, não há nada
mais justo do que ajudá-los a ter condições de
comprar remédios e outros itens básicos para a sobrevivência. "Eles
apresentaram argumentos que me convenceram. E mais: quando eles propõem
que todos recebam, nesta faixa (R$ 700), R$ 35; e a partir daí que
incidam os 5% do INPC, eles estão evitando que, por ano, em
média 700 a 900 mil aposentados que ganham acima do salário
mínimo caiam para o nível do salário mínimo”.
De acordo com Paulo Pereira da Silva, o ideal seria dar o mesmo aumento
do salário mínimo, mas o Governo teria problemas em conceder
esse percentual, e por isso os sindicalistas apresentaram uma proposta
intermediária. "Hoje, 17 milhões de trabalhadores
aposentados ganham salário mínimo. Acima disso são
8 milhões. Então, queremos pelo menos preservar esses
8 milhões, porque daqui a pouco está todo mundo ganhando
salário mínimo."
O reajuste dos aposentados que recebem mais de um salário mínimo
ainda deve ser encaminhado ao Congresso por meio de medida provisória,
com aumento de acordo com o INPC.
Acima do mínimo
O próximo pagamento que os aposentados e pensionistas que ganham
acima do salário-mínimo receberem já estará acrescido
do percentual de 5% correspondente ao índice que o Governo determinou
ter sido o aumento do custo de vida medido pelo INPC nos últimos
onze meses.
Apesar dos prognósticos apontarem para 4,97%, os responsáveis
pelo aumento, para mostrarem que suas intenções são
atender às reivindicações de resgatar o poder
de compra dos aposentados e pensionistas tinham quando da concessão
do benefício, resolveram aumentar mais 0,03%, o que representa,
para quem ganha R$ 1.000 mais R$ 0,30, que significa para os governantes,
um substancial aumento.
Com esse aumento, o máximo que o INSS paga ao segurado passou
a ser R$ 3.038,99. Nunca é demais lembrar que o salário-mínimo
foi reajustado em 9,21%, o que significa que há uma defasagem
nos contracheques dos aposentados. Se essa política de reajustes
diferenciados continuar, em 2030, todos os aposentados e pensionistas
estarão recebendo um salário-mínimo.
Alternativa
O Sindicato Nacional dos Aposentados realizou, em conjunto com o Dieese,
estudos referentes ao que está acontecendo com os benefícios
dos aposentados e pensionistas que recebem acima do salário-mínimo.
A conclusão a que chegaram é que, enquanto quem recebe
um salário-mínimo tem o mesmo reajuste dado ao mínimo,
os que recebem mais têm o reajuste baseado no índice do
INPC.
Com isso, quem ganha um pouco acima desse piso, acaba sendo "arrastado" para
esse patamar. Exemplo: até o recente aumento do mínimo,
seu valor era R$ 380; quem recebia de benefício de até R$
395,24, ou seja, R$ 15,24 acima do piso, como teve um reajuste de 5%,
passou a receber o equivalente ao salário-mínimo atualizado
R$ 415, mesmo valor que será paga a quem ganhava R$ 395,24.
Para evitar que em cada reajuste aumente o número dos que são "puxados" para
o mínimo, surgiu a presente proposta que se baseia no seguinte:
o mesmo valor aplicado ao aumento do mínimo será repassado
para as aposentadorias com valores até R$ 700. Por que só até R$
700? Pelo simples motivo de quem ganha acima desse valor com os 5%
de reajuste terão aumento maior dos citados R$ 35.
Atual reajuste
Essa regra vale apenas para o atual reajuste. Para os demais, novos cálculos
serão realizados levando-se em consideração que
nenhum benefício receberá abaixo do valor que será dado
ao mínimo. O Sindicato sabe que essa não será a
fórmula que resolverá de vez o problema da defasagem, mas
ajudará, e muito, esses segurados que atualmente são os
mais penalizados em todos os reajustes.
Esta proposta também foi entregue aos ministros da Previdência,
Luiz Marinho, e do Trabalho, Carlos Lupi, e encaminhada ainda ao presidente
do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN). Para finalizar, é importante
lembrar que esta proposta atinge mais de 3,5 milhões cujos contracheques
variam de R$ 380 a R$ 395,24. Os que recebem até R$ 380 são
cerca de 17 milhões.
|
Agência Diap, 16 de março de
2008
TAXA SELIC
Skaf: "Retomada do aumento
da taxa de juros é injustificável"
“Ao se referir à ata do Copom divulgada
na última quinta-feira (13), Paulo Skaf, presidente
da Federação e Centro das Indústrias
do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), salientou que, “no
Brasil, tudo é motivo para elevar os juros. Os Estados
Unidos, que são o centro da crise, estão baixando
suas taxas, enquanto se mantêm aqui as mais altas do
mundo e, como se não bastasse, ainda se sinaliza a
disposição de retomar seu aumento. Não
há coerência nisso”.
Reiterando não haver motivos para a elevação
da Selic, Skaf explicou: “Os índices de inflação
estão se acomodando e as expectativas do IPCA encontram-se dentro
da meta. Além disso, os preços industriais estão
abaixo da média do IPCA e não há escassez de mercadorias,
pois o setor privado está investindo fortemente na ampliação
da oferta. Isto é comprovado pelo expressivo crescimento da
produção e importação de bens de capital,
que foi de 20% em 2007”.
|
Correio
Braziliense, 16 de março de 2008
INFORMALIDADE
MP dispensa empregador rural pessoa
física de registrar a mão-de-obra
Inspirado por grandes produtores e apresentado por entidade de trabalhadores,
texto dispensa empregador rural pessoa física de registrar a mão-de-obra
e pode facilitar trabalho escravo
Ainda neste mês, os deputados federais irão apreciar
uma medida provisória assinada, além do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, pelos ministros da Previdência,
Luiz Marinho, e do Trabalho, Carlos Lupi. Feita sob encomenda,
paradoxalmente a pedido da Confederação Nacional
dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a MP 410/07 amplia
a informalidade dos contratos rurais de curta duração.
Na avaliação dos próprios técnicos
do Ministério do Trabalho, que assinaram dois pareceres
contrários à MP, a proposta traz um conjunto de
medidas “radicais e devastadoras” capazes de incentivar
até mesmo o trabalho escravo no campo.
Por pressão do lobby ruralista no Congresso, as duas
notas técnicas do Ministério do Trabalho alertando
para as graves conseqüências da MP, assinadas por
servidores da Secretaria de Inspeção do Trabalho
em novembro e dezembro do ano passado, foram ignoradas por Lupi
e Marinho. Ao editar a MP, eles dispensaram os produtores rurais
(pessoas físicas) de assinar a carteira de trabalho e
de anotar no livro e na ficha de registro de empregados os contratos
de menos de dois meses.
“Teremos como resultado a legalização da
informalidade nas relações de trabalho no meio
rural. Tudo o que hoje se combate como fruto da informalidade
(trabalho escravo, degradante e negação do conjunto
de direitos trabalhistas) estará sacramentado”,
alarma a nota número 317, encaminhada dois dias antes
de a MP ser editada, em 28 de dezembro do ano passado.
O auditor-fiscal do trabalho Marcelo Campos e o secretário
de Inspeção substituto, Leonardo Oliveira, responsáveis
por um dos alertas contra a MP, lembram que a contratação
por curto período no campo já está prevista
na legislação, com os chamados contratos de safra.
Ponderam ainda que existe um grupo de trabalho, criado em 2007
a pedido do movimento Grito da Terra, para discutir novas formas
de se firmarem contratos para o trabalho rural.
Prejuízos
As advertências fizeram questão de apontar todos
os potenciais prejudicados com a MP. “O envio ao Congresso
Nacional de medida provisória com o conteúdo sugerido
trará graves prejuízos aos trabalhadores, à inspeção
do trabalho e, finalmente, provocará um desgaste na imagem
deste ministério, não somente pelo simbolismo representado
pela CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social) bem
como pelo método de encaminhamento da proposta”,
avisam os autores do segundo parecer.
O secretário de Relações do Trabalho do
MTE, Luiz Antonio Medeiros, afirma que a proposta conta com o
apoio dos representantes dos trabalhadores rurais. “Até agora
não recebi nenhuma reclamação”, diz,
justificando por que não levou em conta as duas notas
técnicas do próprio ministério. Fundador
da Força Sindical, Medeiros argumenta que ele, como trabalhador,
não gostaria de ter a carteira assinada por uma semana
apenas e, depois, por um mês. “Estamos desburocratizando
um processo”, avalia.
Em outras ocasiões críticas do excesso de medidas
provisórias, a bancada ruralista vibrou com a MP. “Essa
proposta vem para resolver um problema. Em plantações
de cebola, erva-mate e alho, cuja colheita não dura mais
que uma semana, nem os trabalhadores querem assinar a carteira.
Já tínhamos pedido providências para o problema
ao ministro Lupi”, observa o deputado Valdir Colatto (PMDB/SC),
presidente da bancada ruralista no Congresso.
Contudo, até mesmo um dos principais sindicalistas do
partido de Lupi, Paulinho da Força (PDT/SP), colocou-se
contra um dos artigos da MP. Ele foi o primeiro a apresentar
emenda suprimindo a parte do texto que desobriga a assinatura
da carteira de trabalho. “O desconhecimento generalizado
da mais elementar regra do direito trabalhista, a que determina
o preenchimento da Carteira de Trabalho e Previdência Social,
promovido por quase todos os empregadores da área, deve
ser combatido pelo poder público, em vez de legitimado”,
justificou. Ele pondera que os chamados “bóias-frias”,
com as mudanças propostas pela MP, não poderão
sequer “sonhar em alcançar o mesmo tratamento que é assegurado
a outros trabalhadores”.
Mudanças no texto
O presidente da Contag, Manoel dos Santos, diz que o texto da
MP será modificado pelo relator Assis do Couto (PT/PR).
Uma das mudanças vai exigir a assinatura da carteira,
exceto quando o contrato for firmado por convenção
coletiva, por meio dos sindicatos, centrais ou cooperativas. “Reconheço
que as críticas à MP ajudaram na redação
final. Hoje os sindicatos ainda não estão preparados
para a tarefa. Mas se não houver a lei, eles nunca vão
conseguir assumir a missão”, afirma Santos.
As mudanças no mais polêmico artigo — que
desobriga a assinatura da carteira para contratos menores que
dois meses — fazem sentido, se levado em conta o passado
do relator da MP. Em fevereiro deste ano, durante discurso no
plenário da Câmara, Assis do Couto explicou a própria
origem. “Sou um pequeno agricultor lá do interior
do Paraná, que chegou a este parlamento depois de caminhadas
no movimento sindical”, disse da tribuna.
|
Portal Terra, 16 de março de 2008
Bolsa Família: modelo
para América Latina, segundo Hillary
Segundo lugar na corrida democrata para conquistar a indicação
do partido nas eleições gerais dos Estados Unidos em novembro,
a pré-candidata Hillary Clinton guarda em seu programa de governo
uma referência ao governo do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva: apoiará o programa Bolsa Família caso seja eleita.
A menção ao programa, uma das principais bandeiras sociais
do governo Lula, é encarada pela ex-primeira-dama como prioridade
para diminuir a pobreza no continente. Em sua plataforma eleitoral
para a América Latina, Hillary escreve, na primeira pessoa,
sobre a necessidade de reconstruir as relações de seu
país com as nações da região.
" Eu vou apoiar programas que dão às famílias
poder para construírem seus próprios futuros, como o
Bolsa Família do Brasil", afirma a senadora de Nova York. "Essas
idéias de combate à pobreza podem ser colocadas em prática
aqui, na nossa casa", acrescenta.
" Isso significa um reconhecimento da importância do Brasil
e apoio à sua agenda social. O apoio dela ao Bolsa Família
mostra que os programas sociais do governo são mais criticados
no Brasil do que fora", afirma Cristina Pecequilo, doutora em
Política Internacional pela USP e especialista em eleições
nos EUA.
As palavras de Hillary têm também uma motivação
estratégica. A população de origem hispânica
nos EUA já atinge a marca dos 15% neste ano e é a faixa
do eleitorado que mais cresce naquele país. A campanha de Hillary
não estava imediatamente disponível para explicar os
detalhes do apoio ao Bolsa Família. Proposta semelhante não
foi encontrada no programa oficial do pré-candidato Barack Obama,
líder das primárias do partido.
|
Diário Vermelho, 16 de março
de 2008
Brasil entrou em nova fase
de crescimento, diz Mantega
O Brasil entrou em outro ciclo de crescimento. Vai privilegiar as exportações
dos produtos manufaturados, em vez de se concentrar majoritariamente
em commodities, e desestimular a entrada de capitais financeiros especulativos.
A análise é do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para
quem o fato de o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro ter crescido
5,4% em 2007 joga por terra a teoria dos limites do PIB potencial, segundo
a qual o Brasil não poderia avançar além dos 3%,
porque correria o risco de ver a inflação disparar.
Em entrevista a Márcia Pinheiro, publicada na edição
desta semana da revista Carta Capital, o ministro deixa claro que opta
pelo modelo de desenvolvimento exportador asiático, ao estimular
as vendas externas das empresas brasileiras. E não hesita em dar
um recado: se o pacote não surtir efeito, vai reforçar
a munição.
Leia abaixo a íntegra da entrevista:
A previsão de déficit em conta corrente do
país neste ano foi decisiva para a adoção das
medidas para frear a valorização do real?
É uma visão estratégica do que deve ser a economia brasileira
no futuro. Nós demos uma reviravolta quando assumi a Fazenda, ao privilegiar
a conta comercial. O Brasil trabalhou para ser um protagonista no mercado internacional.
Conquistamos, assim, o superávit comercial e abrimos caminho para fortalecer
as contas externas. Pudemos aproveitar o bom momento da economia mundial, a partir
de uma nova política de comércio exterior, e criamos as condições
para diminuir a nossa vulnerabilidade. O segundo passo importante foi reforçar
as reservas do País. Passamos a ter outro espaço no cenário
internacional: ser mais confiável e seguro. Um terceiro momento foi o
fortalecimento do mercado interno. A economia brasileira passou a ter dois eixos:
externo e interno. Nos últimos dois anos, o eixo interno se fortaleceu
muito.
Em razão do aumento do crédito, salário
mínimo e programas sociais.
Houve aumento do emprego e da massa salarial, uma política de
salário mínimo agressiva, programas sociais do governo
e uma revolução no crédito.
O crescimento do crédito no Brasil está dentro
dos limites prudenciais?
Sim. O nível de endividamento no País era muito baixo.
Apenas tiramos um atraso, que foi um dos alimentadores do chamado mercado
de massa que se consolida hoje no País. Mesmo com o cenário
internacional ruim agora, não queremos perder o eixo comercial.
Se olharmos vários países, nos últimos 20 anos,
dá para separar aqueles que decidiram seguir um caminho forte
no comércio exterior e os outros que privilegiaram a conta de
capitais. No primeiro grupo, estão os emergentes asiáticos,
que ganharam market share. Nos anos 90, o Brasil escolheu o caminho da
conta de capitais. O Fernando Henrique queria pautar o desenvolvimento
a partir do investimento estrangeiro, por meio de capitais financeiros.
Para fazer isso, usou juro muito alto para atrair dólares, com
câmbio artificial, que estourou a conta comercial. Nossa estratégia é oposta.
Queremos beneficiar a conta comercial, que fez a felicidade da China
e da Coréia, por exemplo.
Mas o fortalecimento do mercado interno está,
de certa forma, fragilizando a balança comercial, com
o aumento de importações.
O crescimento maior da economia resulta em mais importações.
Isso leva à redução do saldo comercial e à diminuição
da conta corrente. Agora, é o momento de dar um novo impulso às
exportações, de modo a manter o equilíbrio.
Qual é a equação para essa estratégia?
A política industrial está sendo reformatada, de modo a
privilegiar as exportações de manufaturados. O desejável é que
as empresas tenham um pé no mercado interno e outro no externo,
porque isso cria sinergia e complementação. Esse processo
passa pela reforma tributária, para a redução de
custos e o aumento da competitividade. O governo dará competitividade
financeira, tributária e de infra-estrutura. Pela via financeira,
concederemos financiamento a taxas menores. Na política industrial,
haverá linhas de crédito mais baixas para as exportações. É uma
nova política. Agora, teremos um viés exportador. A competitividade
tributária virá pela reforma e a de infra-estrutura, pelas
obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC).
Que papel têm as medidas anunciadas na quarta-feira
12 pelo CMN?
Elas vieram exatamente para fortalecer as exportações.
São fundamentalmente três iniciativas. Primeiro, retirar
o IOF das exportações. Como incide duas vezes, porque replicamos
a CPMF, haverá uma desoneração de aproximadamente
0,76%. Em segundo lugar, suprimimos a chamada cobertura cambial: 100%
dos dólares obtidos pelos exportadores agora poderão ficar
no exterior.
Há quem alegue ser a medida inócua,
pois os 30% que eram permitidos ficar no exterior nunca foram
plenamente atingidos.
Depende da empresa. Para muitas, é preciso ter recursos lá fora
e deixar de pagar o custo de trazer os recursos, arcar com taxas e voltar
a remetê-los para o exterior. Isso é definitivamente bom
para os exportadores. Mesmo porque não teremos a vida toda esse
diferencial de juro interno e externo de hoje. Muitos dos recursos que
você mencionou voltam para se aproveitar das condições
financeiras. Amanhã, não será assim.
Pela postura do Banco Central, o amanhã parece
estar tão longe.
O amanhã um dia chega. Como cantava o Chico, “amanhã vai
ser outro dia”. Ainda temos o juro mais alto do planeta, mas isso
vai mudar.
E o objetivo da terceira medida?
Colocamos um Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)
de 1,5% sobre as aplicações financeiras em portfólio.
Ou seja, em renda fixa e em títulos do Tesouro Nacional. Quanto
menos tempo o investidor ficar aqui, mais ele vai perder. É importante
ressaltar que não incidirá IOF sobre operações
em Bolsa, investimento direto, empréstimos para empresas e derivativos
de renda variável.
Na prática, a Fazenda está contornando
o problema da alta taxa básica de juro?
Exato. É como se eu estivesse baixando o juro. As medidas visam
diminuir as operações de arbitragem (recursos que entram
no Brasil apenas para aproveitar a remuneração elevada).
Também queremos equiparar os investidores externos com os internos.
Os estrangeiros tinham uma vantagem em relação aos brasileiros,
que pagam Imposto de Renda.
Não voltará a alíquota de IR para
estrangeiros que comprem títulos do governo?
Nós estamos compensando o IR com o IOF. Porque o IR de 15% incidia
apenas sobre o rendimento do título e o IOF, sobre todo o capital
que entra. O Imposto de Renda é mais complicado, porque obedece à anualidade.
O processo termina nessas medidas?
Não vamos colocar um IOF pesado agora. Mas ele é móvel
e poderá ser alterado a qualquer hora, se não surtir resultado. É regulatório
e não arrecadatório.
Haverá impacto no câmbio na curto prazo?
Acredito que sim. Hoje o dólar está derretendo, o que prejudica
a exportação de manufaturados. As medidas são uma
sinalização de que o governo não assistirá impassível
ao derretimento do dólar.
Existe um Plano B se não houver o efeito esperado?
O IOF vai de zero a infinito. Se for o caso, podemos mexer. Mas não
queremos nenhum efeito bombástico. Mesmo porque toda a nossa política
econômica é muito prudente.
O PIB brasileiro cresceu 5,4% em 2007. Como o senhor espera
que se comporte a partir de agora?
Teremos um ano muito favorável. A economia brasileira está num
bom ritmo. Está rodando de 5,5% a 6% hoje. Mesmo que sofra algum
rescaldo da crise internacional, que é forte, tem condições
de chegar ao fim do ano com um crescimento de 5%.
O que significa um crescimento acima de 5% sem inflação?
Joga por terra a teoria do PIB potencial (quanto um país pode
crescer sem pressões inflacionárias). A conta feita pelos
conservadores pega o histórico do crescimento e a capacidade ociosa
da indústria. Eles concluem que é possível crescer
2,5% ou 3% ao ano e só. É uma análise estática
e retrospectiva. Eles não conseguem avaliar o potencial da economia
brasileira. São, em geral, pessoas que têm pavor do crescimento.
Existe um segmento de economistas que sofre de “crescimentofobia”.
Eles acham que crescer é ruim, porque inevitavelmente provoca
inflação.
O Brasil pode crescer mais do que o intervalo entre 5% e
6% ao ano?
Devagar, pode. Não neste ano. Mas nada impede que alcancemos os
7% ou 8% em 2009 ou 2010.
O senhor acredita na tese do descolamento da economia brasileira
da crise externa?
Estamos descolados. Por enquanto. Claro que ninguém sabe o que
vai acontecer. Mas, até o momento, estamos ilesos. Há um
conjunto de países emergentes descolados. Nós não
estamos sozinhos. Estamos acompanhados de China, Índia, Rússia
e muitas nações da América Latina.
Com as medidas para o câmbio, dá tempo para
virar o jogo e não haver déficit nas contas externas
neste ano?
Não se trata de virar o jogo. Ainda temos uma equação
virtuosa. Era esperado que a balança comercial tivesse um saldo
menos vultoso. Temos de nos preocupar agora com o dinamismo das exportações
de manufaturados. Não deixar o setor produtivo nacional se acomodar
com o mercado interno. Mesmo porque hoje a economia é globalizada.
Não é possível ser campeão em um só mercado. É preciso
ser forte em vários simultaneamente.
|
Gazeta
do Povo, 16 de março de 2008
BRASIL | INFRA-ESTRUTURA
População tem mais
acesso a serviços básicos, mas fila de espera cresce
Ampliação de serviços
de esgoto, água, eletricidade e telefonia não supre
a demanda nacional
São Paulo – Um estudo da Associação Brasileira
da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), que cruza dados
do IBGE e mostra a evolução do atendimento à população
mais pobre – renda domiciliar de até três salários
mínimos –, revela que o Brasil ampliou o acesso à estrutura
básica de forma geral, mas, ao mesmo tempo, tem deixado crescer
muito a fila de espera dos mais carentes.
Foram analisados, entre 1999 e 2006, quatro serviços
básicos: rede de esgoto, abastecimento de água,
rede elétrica e telefonia. A boa notícia é que,
de modo geral, há mais brasileiros atendidos em relação
ao total da população. Alguns serviços
tiveram sua abrangência nitidamente ampliada, como energia
elétrica e telefonia.
Antônio Costa/Arquivo Gazeta
do Povo

Apesar de a coleta de esgoto ter
sido ampliada, mais da metade da população
não tem acesso.
No entanto, há hoje no Brasil uma fila com 95,6 milhões
de pessoas sem acesso adequado ao serviço de coleta de esgoto.
Desses, 59,2 milhões têm renda familiar doméstica
de até três salários mínimos (61,9%). Em 1999,
a fila tinha 90,1 milhões de pessoas. Os mais pobres, dentro desse
contingente, somavam 45,9 milhões – o equivalente a 51%.
Ou seja, a diferença hoje é de dez pontos porcentuais de
mais pobres sem acesso a redes de esgoto.
Na média, em todos os setores analisados, o índice
de atendimento em relação ao total da população
melhorou. Na coleta de esgoto, 56,5% dos brasileiros não
tinham acesso adequado em 1999, contra 51,3% em 2006. Já a
eletricidade não chega, atualmente, para apenas 2,7%
da população, contra 5,8% em 1999 – possivelmente
por causa do programa governamental Luz Para Todos, avalia
o presidente da Abdib, Paulo Godoy. Da mesma forma, 64,1% dos
brasileiros não tinham telefone próprio em 1999,
contra 25,7% em 2006. A diferença, segundo Godoy, pode
ter sido fomentada pela concorrência no setor.
O nó do problema está mesmo entre os mais pobres.
O estudo da Abdib mostra que a proporção de pessoas
pobres na fila de espera – como ocorreu na coleta de
esgoto – cresceu em todos os quatro serviços analisados.
A pesquisa não estabeleceu uma geografia exata das
carências de estrutura, mas as comparações
com outros levantamentos demonstram que elas se concentram
nas áreas mais pobres, como Norte e Nordeste, e também
nas grandes periferias urbanas das regiões mais desenvolvidas.
|
Gazeta do Povo, 16 de março de 2008
ECONOMIA | TRABALHO
Rais deve ser entregue até 28 de
março
Brasília – O prazo para a entrega da declaração
da Relação Anual de Informações Sociais (Rais)
ano-base 2007 termina em 28 de março. O programa gerador da declaração
da Rais (GDRAIS), contendo o manual explicativo e o layout da declaração,
está disponível na página do Ministério do
Trabalho e Emprego (www.mte.gov.br) ou em www.rais.gov.br. A Rais é um
censo anual do mercado formal de trabalho. A partir dela é possível
obter informações sobre o tipo de vínculo, remuneração,
grau de instrução, data de nascimento e nacionalidade dos
trabalhadores. Em relação aos estabelecimentos, a Rais
possibilita a obtenção de dados sobre o tipo de atividade
econômica, a variação nos diferentes setores da economia
e o tamanho das empresas. A entrega da RAIS é obrigatória
para todos os estabelecimentos em território nacional.
|
Gazeta do Povo, 16 de março de 2008
POLÍTICA | ELEIÇÕES
Mensaleiro será candidato no
Norte do Paraná
Ex-deputado federal José Borba
tentará voltar à política, elegendo-se prefeito
de jandaia do sul
O ex-deputado federal paranaense José Borba, que renunciou ao
mandato para evitar a cassação durante o escândalo
do mensalão, pretende recomeçar sua trajetória política
na eleição deste ano. Ele saiu do PMDB, partido do qual
foi líder na Câmara dos Deputados, e filiou-se ao PP. Agora, é pré-candidato à prefeitura
de Jandaia do Sul, município de 22 mil habitantes no Norte do
estado. “Meu domicílio eleitoral sempre foi Jandaia do Sul
e estou conversando com vários partidos para estruturar a candidatura”,
diz ele.
Borba tentará ocupar o mesmo cargo que já exerceu entre
1989 e 1992. A reconquista da prefeitura de Jandaia do Sul, porém,
deve ser apenas um trampolim para seu retorno à Câmara
Federal. Ele pretende concorrer a deputado federal na eleição
de 2010. Essa pretensão, aliás, não chega a ser
nenhuma surpresa. Mesmo sem mandato, Borba manteve escritório
político em Brasília e continua com trânsito livre
nos bastidores do poder. Chega inclusive a negociar a liberação
das emendas que havia proposto quando ainda era parlamentar.
A possibilidade de Borba se tornar prefeito e depois concorrer à Câmara
está animando diversos postulantes à candidatura de vice-prefeito
na chapa de Borba – mesmo com o desgaste que a aliança
com um “mensaleiro” possa causar na imagem de seu companheiro
de chapa. O cálculo é que, se Borba se elege prefeito
e, depois, volta à Câmara, deixará a prefeitura
para o vice.
O principal dos postulantes ao cargo de vice seria o ex-vereador e
ex-candidato a deputado estadual Cyr Albiéri (PDT). Ele, porém,
desconversa sobre um eventual acordo e diz que qualquer decisão
sobre isso deve ser discutida pelo partido.
A candidatura de José Borba também já movimenta
as rodas de conversa e gera muita polêmica na pacata Jandaia
do Sul. Alguns eleitores opinam que será difícil Borba
se eleger devido ao escândalo do mensalão. “Dizem
que nada ficou comprovado ainda. Mas a coisa toda é muito suspeita”,
afirma o caminhoneiro Dercílio Gomes.
A desconfiança da população na possível
eleição de Borba tem precedente. Em 2004, José Borba,
tentou emplacar seu filho, Fábio Borba, como prefeito. A empreitada
foi frustrada. O eleito foi o agrônomo Moacir Bruzon (PSC), radialista
e ex-aliado de Borba. Na época, Borba tinha muita força
em Brasília: ainda exercia seu mandato de deputado federal,
era o líder o PMDB na Câmara Federal e tinha contato direto
com o presidente Lula.
|
Gazeta
do Povo, 16 de março de 2008
POLÍTICA | ELEIÇÕES
Sete congressistas paranaenses querem
concorrer
por ANDRÉ GONÇALVES
E FERNANDO MARTINS
Dentre os 30 deputados federais paranaenses e 3 senadores do estado, pelo
menos 7 têm pretensão de disputar as prefeituras das duas
maiores cidades paranaenses, Curitiba e Londrina. São pré-candidatos
na capital os deputados Ratinho Júnior (PSC), Marcelo Almeida (PMDB)
e Rodrigo Rocha Loures (PMDB). Para Londrina, devem estar na disputa os
deputados André Vargas (PT), Barbosa Neto (PDT) e Luiz Carlos Hauly
(PSDB).
Em Curitiba, porém, é possível que
nenhum dos três parlamentares federais efetivamente
saia candidato. Ratinho Júnior ainda se diz indeciso
sobre a participação na campanha. Já Marcelo
Almeida e Rodrigo Rocha Loures, ambos do PMDB, terão
de disputar a candidatura com outros três pré-candidatos
do partido. Um deles, o deputado estadual Stephanes Júnior,
aparentemente concorre em igualdade de condições.
Mas os outros dois – o ex-prefeito Rafael Greca e,
principalmente, o reitor da Universidade Federal do Paraná,
Carlos Augusto Moreira Júnior – no momento
estão muito mais fortes dentro do partido. Moreira é o
candidato da preferência do governador Roberto Requião
(PMDB). Mas Greca conta com o apoio de vários deputados
estaduais do partido e de importantes lideranças
do PMDB em Curitiba.
Já em Londrina, a possibilidade de haver uma disputa
com três deputados federais é muito grande.
E a briga londrinense poderia ser ainda maior, não
fosse a desistência da candidatura do quarto representante
da cidade no Congresso Nacional, o deputado federal Alex
Canziani (PTB). Dentre os três pré-candidatos
londrinenses, apenas o petista cogita se licenciar do cargo
para dedicar-se exclusivamente à eleição.
Outros deputados federais do Paraná também
foram cotados para disputar prefeituras de importantes
cidades do estado. Alfredo Kaefer (PSDB) esteve na bolsa
de apostas como possível candidato a prefeito de
Cascavel. Cézar Silvestri (PPS), de Guarapuava.
E Ricardo Barros (PP), de Maringá. Porém,
eles não devem concorrer.
Paralisia
De acordo com levantamento realizado no fim do ano passado
pelo site Congresso em Foco, especializado em notícias
do parlamento brasileiro, praticamente um de cada cinco
deputados federais do país pretendia concorrer nas
eleições deste ano. Mais precisamente, 133
dos 513 deputados federais. “Isso com certeza vai
prejudicar votações importantes, como a reforma
tributária”, diz o cientista político
e professor da Universidade de Brasília, Leonardo
Barreto.
|
Gazeta do Povo, 16 de março de 2008
POLÍTICA | ELEIÇÕES
Um quarto dos deputados tentará se
eleger prefeito
Na assembléia, 15 dos
54 parlamentares são pré-candidatos
por CAIO CASTRO LIMA
Quinze dos 54 deputados estaduais do Paraná – pouco mais
que um quarto dos parlamentares – pretendem disputar a eleição
deste ano para o cargo de prefeito. Mas deixar o salário de cerca
de R$ 12 mil, mais mordomias como verbas de gabinete que podem chegar
a R$ 27 mil mensais na Assembléia Legislativa, só se for
para administrar um cidade de grande porte. Não por acaso, eles
devem concorrer à prefeitura de seis grandes municípios
do estado: Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel
e Foz do Iguaçu.
O “abandono” do conforto da Assembléia tem um
motivo, bem explicado pelo deputado Jocelito Canto (PTB), pré-candidato à prefeitura
de Ponta Grossa: “Prefeito manda; deputado pede, vive com o pires
na mão”.
Há ainda outra razão que leva um deputado a sonhar em
se tornar prefeito: a visibilidade política. Na Assembléia
Legislativa, são 54 parlamentares – diversos deles da
mesma região, o que os leva, muitas vezes, a ter de dividir
os louros das conquistas (obtenção de verbas estaduais)
com adversários políticos. Para eles, portanto, é melhor
brilhar sozinho. No município, afinal, a autoridade máxima é o
prefeito e é mais fácil atender melhor a população
local (e conquistar a simpatia do eleitorado).
“Por comodidade, conforto e salário, é melhor
ser deputado”, diz Antônio Belinati (PP), que já foi
prefeito de Londrina por três vezes e vai tentar a prefeitura
novamente. “Mas temos de ser submissos à vontade da população”,
acrescenta ele, afirmando que a prefeitura de Londrina atravessa um
de seus piores momentos e que, por isso, ele quer ajudá-la a
superar os problemas. “Sempre fomos a segunda cidade em receita
do estado. Atualmente, estamos na quinta posição. Para
mim, ficar na Assembléia poderia ser mais tranqüilo. Mas
quero o desafio de unir e reerguer Londrina. Ser prefeito com o caixa
vazio e com contas a pagar não é bom, mas amo a cidade
e quero fazer algo por ela.”
Outro que pretende voltar a ser prefeito de uma cidade que já administrou é Jocelito
Canto. Ele foi o chefe do Executivo de Ponta Grossa por quatro anos. “A
volta de um ex-prefeito é muito bom para uma cidade. Quando
se é prefeito de primeiro mandato, comete-se muitos erros, por
inexperiência e por ser um pouco afoito”, diz ele, admitindo
que o fato de ganhar notoriedade e visibilidade política também
influenciam na opção por ser prefeito. O petebista, porém,
garante que quer fazer o bem sem olhar a quem. “Com um orçamento
próprio nas mãos, você consegue fazer mais pela
cidade e até pela região”, afirma Jocelito.
Já o deputado estadual Reni Pereira (PSB), pré-candidato
a prefeito de Foz do Iguaçu, apresenta outro argumento para
concorrer à cadeira de prefeito. De acordo com ele, seu grupo
político local, que o apoiou na eleição para deputado,
precisa de alguém concorrendo à prefeitura para puxar
votos também para a Câmara Municipal. A candidatura de
um cidadão a um cargo majoritário atrai um maior número
de votos para os candidatos nas chapas proporcionais. Ou seja, um candidato
a prefeito, sendo uma espécie de líder, puxa votos para
o partido e os que sonham em ser vereador.
“Em Foz, tenho um grupo que quer alguém com um nome de
peso disputando a eleição. Assim, mesmo com o candidato
a prefeito não se elegendo, o grupo ganha mais visibilidade
e espaço eleitoral e tem mais chances de fazer uma maior número
de vereadores”, explica Reni.
Assim como os demais colegas deputados, Reni Pereira também
considera que ser prefeito dá mais visibilidade, a palavra mágica
na vida dos políticos. “Ainda mais prefeito de Foz, que é uma
cidade com visibilidade estadual e até nacional. O chefe do
Executivo local tem peso até no processo sucessório estadual
e nacional. A projeção política é muito
grande.”
Reni, no entanto, para não ser diferente dos demais, acha que
pode exercer uma função social não só pela
população de Foz do Iguaçu, mas também
pelo cidadãos de toda a região e do estado. “Nunca
fui prefeito, mas penso que tem como se fazer uma trabalho mais técnico
no município e, assim, melhorar a economia da cidade e a vida
das pessoas.”
Quem quer concorrer
Veja quem são os 15 deputados que querem concorrer e qual cidade
eles pretendem comandar:
Carlos Simões (PR) – Curitiba
Fábio Camargo (PTB) – Curitiba
Osmar Bertoldi (DEM) – Curitiba
Stephanes Jr. (PMDB) – Curitiba
Antônio Belinati (PP) – Londrina
Luiz E. Cheida (PMDB) – Londrina
Jocelito Canto (PTB) – Ponta Grossa
Marcelo Rangel (PPS) – Ponta Grossa
Péricles Holleben de Melo (PT) – Ponta Grossa
Plauto Miró Guimarães (DEM) – Ponta Grossa
Chico Noroeste (PR) – Foz do Iguaçu
Dobrandino da Silva (PMDB) – Foz do Iguaçu
Reni Pereira (PSB) – Foz do Iguaçu
Ênio Verri (PT) – está licenciado e assumiu como
secretário estadual do Planejamento – Maringá
Edgar Bueno (PDT) – Cascavel
|
Folha de Londrina, 16 de março de
2008
Oposicionistas abandonam discursos
e elogiam Lula
Brasília - Em contraste com o discurso da oposição
sustentado sobretudo no Congresso, pelo país afora proliferam
exemplos de oposicionistas ''subindo no palanque'' do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva. Sob o pretexto de acompanharem lançamentos
de obras e programas voltados a suas regiões de origem, políticos
do DEM e do PSDB, por vezes, contrariam posições defendidas
por seus comandos nacionais.
Terça-feira passada, por exemplo, na inauguração
de barragem no interior de Tocantins, o prefeito de Porto Alegre do
Tocantins, Adeljon Nepomuceno de Carvalho (DEM), entre um elogio e
outro, fez praticamente uma apologia ao terceiro mandato do presidente.
O prefeito demonstrou o seu ''pragmatismo'', ao falar sobre a relação
com o governo federal. ''A gente que está aqui (cerca de 350
km de Palmas) depende das boas ações dos governantes.
Nestes momentos, a gente não tem de ver o partido e sim o desempenho
de quem está na linha de frente.'' No mesmo evento estava a
deputada federal Nilmar Ruiz (DEM-TO). A deputada refuta o apoio à Lula.
Explica que, em Tocantins, os democratas são aliados do governador
Marcelo Miranda (PMDB), e que, portanto, estava no evento ao lado do
governador.
''Para os prefeitos, de forma geral, a parceria com os governos do
Estado e o federal é fundamental. Os prefeitos estão
longe da política nacional, estão preocupados com questões
locais'', justifica. Ruiz deve disputar a prefeitura de Palmas este
ano. Na eleição de 2006, o presidente Lula, com quem
a deputada dividiu o palanque na terça-feira, obteve 72,3% dos
votos na cidade.
Líder do DEM na Câmara, o deputado ACM Neto (BA) nega
ruídos na posição do partido no plano federal
e nos municípios. ''É uma voz isolada (a defesa do prefeito
de Porto Alegre do Tocantins), que não fala pelo partido. Prefeitos
e governadores têm posição institucional, o que
não tem nada a ver com apoio político ou eleitoral''.
Ele afirma, também, que não há nenhum ''enfraquecimento
interno'' nas posições do partido. ''Nossas diretrizes
são apoiadas pelas bases'', garante.
No ninho tucano, também aparecem contradições.
No final de fevereiro, durante lançamento do Territórios
da Cidadania no Palácio do Planalto, o governador de Alagoas,
Teotônio Vilela Filho (PSDB), não só estava presente
como discursou, elogiando as ações de Lula. Dias depois,
o partido do governador, aliado ao DEM, entrou com ação
na Justiça contra o programa, tachado de ''eleitoreiro''. O
lançamento regional do programa em Quixadá (CE) também
teve a presença de prefeitos tucanos. O presidente do partido,
senador Sérgio Guerra (PE), não vê problemas na
relação. ''Relacionamento com o presidente da República
não compromete ninguém. Ele é nosso adversário,
não nosso inimigo'', disse.
Letícia Sander
Folhapress
|
O
Estado do Paraná, 16 de março de 2008
Tabela do IR não é ajustada
conforme o salário
Andréa Bordinhão
Foto: Daniel Derevecki

Sandro Silva: aumento no número de alíquotas.
Há alguns anos os trabalhadores brasileiros já conseguem
aumento salarial mínimo para repor a inflação anual
e algumas categorias, inclusive, obtém aumento real. No entanto,
o reajuste da tabela do Imposto de Renda (IR) não acompanhou os
aumentos salariais.
Um cálculo feito pelo Departamento Intersindical de Estatísticas
e Estudos Sócio-econômicos (Dieese) do Paraná mostra
que de janeiro de 1996 a fevereiro deste ano o Índice Nacional
de Preços ao Consumidor (INPC) base de cálculo da inflação
acumulou em 125,14% enquanto a tabela do IR acumulou em apenas 52,44%
no mesmo período.
A tabela do IR estipula um valor máximo de ganho que é isento
de pagamento de imposto. Acima disso entra nas alíquotas de pagamento
de 15% ou 27,5%. A correção anual da tabela faz com que
esse valor máximo suba. Portanto, se a pessoa tem aumento salarial
continua pagando a mesma quantidade de imposto. “De 1996 a 2001
a tabela do IR não foi corrigida. Além disso, nos últimos
anos a quantidade alíquotas diminuiu (em 1994, por exemplo, tinham
três índices de desconto, sendo que o primeiro era menor
que atualmente). Isso onera a classe média”, explicou o
economista do Dieese-PR, Sandro Silva. Por isso, defendeu, “o aumento
do número de alíquotas do IR deve entrar na discussão
da reforma tributária”.
Para compensar parte da defasagem entre a alta da tabela do IR e do
INPC, em 2002 o governo federal fez um reajuste de 17,5% no valor mínimo
de pagamento do imposto. Já em 2005 houve novo reajuste de 10%,
seguindo de 8% em 2006 percentuais acima do INPC da época. A partir
de então as centrais sindicais fizeram um acordo com a União
de manter o índice de reajuste de 4,5% todos os anos até 2010.
Silva calcula, com base na tabela para 2008, que se atualmente houvesse
equiparidade entre os aumentos do INPC e da tabela do IR pagaria imposto
de 15% quem ganhasse mais de R$ 2027,53 e pagaria a alíquota de
27% quem recebesse mais de R$ 4.051,56.
Salário mínimo
A alta salarial mais relevante no Brasil recentemente foi a do salário
mínimo. Acima da inflação de 4,99%, o mínimo
nacional aumento em 9,21% em relação ao ano passado. Porém,
especialistas garantem que isto não afeta no pagamento de imposto
de renda. Isso porque dificilmente as categorias que ganham salários
acima da faixa de desconto têm seus rendimentos medidos em número
de salários. “Os reajustes são pela tabela do INPC.
Porque se a pessoa ganha cinco salários, terá reajuste
do índice do mínimo, que é maior que a inflação”,
explicou o presidente da Federação dos Contabilistas do
Paraná, Divanzir Chiminacio.
|
O Estado do Paraná, 16 de março
de 2008
Mercado imobiliário
está em alta em Curitiba
Mara Andrich
Foto: Arquivo
Construção civil mobilizada
para atender ao consumo.
O mercado imobiliário em Curitiba está em expansão.
No ano passado, a quantidade de áreas liberadas para novas construções
aumentou 37%, em comparação com 2006. O número inclui
as construções residenciais e não residenciais.
Enquanto em 2006 foram liberados pela Prefeitura 1.671.251 metros
quadrados, em 2007 o número chegou a 2.286.501. No que se refere
aos empreendimentos verticais, foi verificado um crescimento de 108%
no mesmo período, passando de 1.182 unidades em 2006 para 3.927,
no ano passado. A pesquisa foi realizada pelo Sindicato da Indústria
da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR).
Para o presidente do Sinduscon-PR, Hamilton Franck, a melhoria no
mercado imobiliário se deve ao crescimento e à estabilidade
da economia. “Com isso os bancos passaram a fazer mais financiamentos,
com aumento de prazos e juros baixos. Hoje temos juros civilizados,
de 6% a 12% ao ano”, comentou. Se houve um aumento na quantidade
de alvarás emitidos, foi verificado, em contrapartida, uma diminuição
de 27% na conclusão das unidades de um ano para outro. Segundo
a pesquisa, enquanto em 2006 foram concluídos 1.438.896 metros
quadrados, no ano passado a quantidade foi de 1.050.657 metros. “Isto
ocorre porque uma obra leva de dois a três anos para ser concluída,
depois do licenciamento”, comentou Franck.
No que se refere às unidades residenciais e não residenciais,
o acréscimo de um ano para outro foi de 22%. Em 2006 foram liberados
para construção 11.661 unidades. No ano passado, foram
14.248. A maior parte das áreas liberadas foi utilizada para
construção de residências. De 2006 para 2007 foi
verificado um aumento de 49% nas áreas liberadas para residenciais.
Para o diretor do Departamento de Controle de Edificações
da Secretaria Municipal de Urbanismo, Walter da Silva, o aquecimento
no mercado imobiliário traz várias vantagens para a cidade.
Uma delas é geração de empregos. “Não
só para a elite, mas também para as classes que mais
precisam, como a dos pedreiros, por exemplo”, comentou. Silva
destacou que o aumento de áreas construídas faz com que
diminuam os terrenos baldios, que são uma ameaça à saúde
e à segurança pública. “Muitos terrenos
são abandonados pelos proprietários e acabam se tornando
chamariz para marginais ou vetores de doenças, como o mosquito
da dengue”, afirmou.
A pesquisa do Sinduscon também revelou um aumento significativo
na quantidade de imóveis residenciais com até três
pavimentos. Do total de 12.638 unidades residenciais liberadas para
construção no ano passado, 8.298 (ou 66% delas) estão
incluídas nesse perfil. O aumento no número de imóveis
com área entre 101 e 150 metros quadrados também foi
verificado: em 2007 foram 23% mais imóveis deste tipo do que
em 2006.
|
O Estado do Paraná, 16 de março
de 2008
Direito e Justiça
As contribuições
financeiras assistenciais aos sindicatos (I)
Edésio Passos
Os acordos e convenções coletivas de trabalho têm
fixado (1) contribuições financeiras assistenciais das
empresas aos sindicatos e (2) contribuições financeiras
assistenciais dos trabalhadores, associados ou não associados,
em favor das entidades sindicais dos trabalhadores, sendo estas com
ou sem direito de oposição do trabalhador não
associado.
Examinaremos, nestas primeiras observações, a questão
da contribuição financeira da empresa ao sindicato profissional,
recente tema apresentado ao Ministro do Trabalho e Emprego Carlos Lupi
pelas entidades sindicais paranaenses em decorrência das ações
civis públicas movidas pelo Ministério Público
do Trabalho no Paraná. No próximo artigo, abordaremos
a questão da cláusula de oposição face às
contribuições assistenciais dos trabalhadores não
associados ao sindicato.
No que se refere à contribuição empresarial ao
sindicato, sem desconto no salário do trabalhador, alguns Procuradores
do Trabalho no Paraná, respaldados por decisões de juízes
de Varas do Trabalho e do TRT do Paraná, afirmam que o Sindicato
sofre ingerência dos empregadores em decorrência da fixação
das referidas contribuições financeiras.
Trata-se, em geral, de afirmação destituída de
qualquer comprovação, além de se constituir em
ofensa direta aos dirigentes sindicais obreiros de que seriam objeto
dessa ingerência. Ao não explicitar e não individualizar
a origem de tais ingerências, referidos Procuradores não
apresentam dado fundamental ao deslinde de possíveis ações
civis públicas pelas quais requerem a nulidade da cláusula
ou a impossibilidade da mesma em ser firmada, nem dados concretos que
justifiquem a concessão de antecipação da tutela
ou procedência do pedido pelos magistrados do trabalho, com pesadas
multas aos sindicatos (uma delas, nos autos ACPU1090/2008) atinge a
quinhentos mil reais...)
Confessa, em uma das ações civis públicas, um
dos Procuradores do Trabalho, que “nesse passo, cláusula
de instrumento coletivo que institui contribuições, sob
qualquer modalidade e/ou nomenclatura adotada, a serem custeadas pelo
empregador em prol do sindicato profissional, pressupõe, sem
adentrar no mérito da real intenção das partes,
a ingerência da classe patronal sobre a obreira, advinda da situação
de dependência financeira”. Ora, se não se adentra à real
intenção das partes, trata-se de mera ilação,
destituída de fundamento fático, comprobatório
de efetiva ingerência das empresas na entidade profissional.
Referidos Procuradores do Trabalho citam a Convenção
nº 98 da Organização Internacional do Trabalho,
promulgada pelo Decreto n.º 33.196/53, que especifica que “serão
particularmente identificados a atos de ingerência, nos termos
do presente artigo, medidas destinadas a provocar a criação
de organizações de trabalhadores dominadas por um empregador
ou uma organização de empregadores, ou a manter organizações
de trabalhadores por outros meios financeiros, com o fim de colocar
essas organizações sob controle de um empregador ou de
uma organização de empregadores”.
Em contrapartida, alegam as entidades sindicais que, em decorrência
das contribuições financeiras empresariais, não
há qualquer controle dos empregadores sobre os sindicatos, não
há qualquer prova apresentada que justifique a alegação
dos Procuradores do Trabalho, nem sustente as medidas cautelares e
as ações civis públicas deferidas pelos magistrados
do trabalho.
Eis que, segundo os dirigentes sindicais, o simples recebimento de
contribuição financeira não determina, automaticamente,
a sujeição do Sindicato aos empregadores e não
existe qualquer fato que venha a dar ensejo a tal sujeição.
Ademais, as contribuições são destinadas a setores
educacionais, assistenciais, médico-odontológico, previdenciário,
entre outras finalidades sociais.
Dizem, ainda, que ao ser requerida a medida judicial e ao ser a mesma
concedida, está sendo ferida a liberdade constitucional sindical,
eis que não pode haver ingerência do MPT sem qualquer
prova de controle do patronato sobre o sindicato profissional.
Alguns aspectos doutrinários Visando contribuir para o entendimento
da matéria, consultamos três textos que analisam a questão.
O primeiro, “A Sustentação Financeira dos Sindicatos”,
do Prof. José Pastore, publicado no jornal O Estado de S.Paulo,
edição de 20/5/2003, onde exemplifica a existência
das contribuições financeiras das empresas em favor dos
sindicatos profissionais da Europa, afirmando: “Ocorre que os
sindicatos de trabalhadores na Europa, além de receberem as
contribuições de solidariedade, são alimentados
com recursos generosos, do governo e das empresas”. Um dos referenciais é o “Code
du Travail”, a CLT francesa, onde no art.434-8, “os empregadores
com mais de 50 empregados são obrigados a manter os “comitês
de empresa” e ceder local, mobiliário, equipamento, meios
de comunicação, etc, para o bom funcionamento daquelas
unidades”. Diz, ainda, o ilustre professor Pastore que “além
disso, eles têm que pagar aos comitês um mínimo
de 0,2% da folha de salários, fixado em lei, ou um outro valor,
acertado no contrato coletivo de trabalho. Na prática, o percentual
tem variado entre 0,5% e 2% - nas grandes empresas chega a 5% da folha
de salários (Patrick Duncombe, Le Comite d’Enterprise
dans le Cadre Européen, Paris: Hermesnet, 1998)”. Já no
caso da Espanha, esclarece: “Além disso (das contribuições
financeiras do governo), incrivel(!), recebem recursos das empresas:
créditos horários para atividade sindical, ajuda às
comissões intra-empresariais, atividades educacionais, esportivas,
culturais e outras”.
O segundo, “Recursos financeiros dos Sindicatos” (Itália,
Suécia, Inglaterra, Alemanha, Bélgica e França)”,
do professor Ariovaldo Santos, da Universidade Estadual de Londrina
e Doutor em Sociologia e Ciências Sociais-Paris, divulgado em
seminário sobre o tema (ariovald(@)uel.br), analisa detalhamente,
com base em extensa bibliografia dos países europeus citados,
os recursos advindos do poder público e das empresas em favor
das entidades sindicais. O terceiro texto, “Notas sobre o financiamento
indireto dos Sindicatos”, também do professor Ariovaldo
Santos, especifica a situação na Argentina, citando o
Correo Sindical Mercosul, de 5/7/2005, com documento publicado no jornal
O Clarin sob o título “Las empresas acuerdam renovar los
aportes especiales a grêmios”. Transcreve, ainda, a opinião
do historiador e sociólogo Júlio Gódio, do Instituto
de Mundo del Trabajo, que afirma: “las contribuiciones y aportes
acordados em los convenios son uma practica tradicionai, no sólo
em la Argentina. No es um condicionante em la negociación del
convenio, sino um reconocimiento del papel que tiene el sindicalismo
em la gestión del convenio del trabajo (...) si bien el problema
es cómo se usan esos fondos, hay sectores que promuevem la desconfianza
sobre el destino de esos recursos para debilitar al sindicalismo”.
Acórdãos do TST
Recentes decisões do Tribunal Superior do Trabalho Acórdãos
publicados em 8 de setembro de 2006 e 2 de março de 2007, Proc.
ROAA 28017/2001, SDC confirmam o direito das partes contratantes em
Acordo Coletivo de Trabalho entre o Sindicato dos Trabalhadores em
Transportes Rodoviários de Londrina e a empresa Viação
Garcia Ltda. - em fixarem contribuição patronal em favor
da entidade sindical dos trabalhadores, pela validade da cláusula
normativa, sendo improcedente o pedido de nulidade do Ministério
Público do Trabalho, como expresso na ementa, sendo relator
o Ministro Milton de Moura França:
“CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA” OBRIGAÇÃO
DA EMPRESA E NÃO DOS EMPREGADOS - VALIDADE - (RECURSO ADESIVO
DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO). A cláusula
instituiu contribuição confederativa a ser calculada
sobre os salários, mas não sobre eles incidente, ao dispor
expressamente que é a empresa que a recolherá e que “tal
pagamento não implica em reconhecimento, pela EMPRESA, DO DIREITO
DE COBRAR A CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA”. Não
onerando os salários dos empregados sindicalizados nem os dos
não-sindicalizados, a cláusula sob exame encontra-se
dentro do âmbito da livre disposição dos atores
sociais. Não há contrariedade ao Precedente n.º 119
da SDC do TST, nem sequer violação dos arts. 5.º,
XX, e 8.º, V, da Constituição da República.
Inteligência do art. 7.º, XXVI, da Constituição
da República. Recurso ordinário adesivo do Ministério
Público do Trabalho não provido”.
Anteriormente, em ação proposta pelo Sindicato dos Trabalhadores
em Empresas de Transportes Rodoviários de Cargas do Paraná (Sintracarp),
o Tribunal Superior do Trabalho se pronunciou sobre a legalidade da
contribuição permanente recolhida pelas empresas a entidade
sindical profissional face a cláusula de Convenção
Coletiva de Trabalho (“Proc. ED-RR n.º 580142/1999, publicado
no DJU - 18/2/2005, Juiz Convocado Luiz Antonio Lazarim, Relator):
“Tratando-se de contribuição convencionada entre
as entidades sindicais representativas das categorias profissional
e econômica, na qual ficou estabelecido que a empresa está obrigada
ao recolhimento da taxa de contribuição em favor do sindicato
obreiro, sem qualquer desconto nos salários dos empregados,
não há que se cogitar acerca da ofensa ao art. 8.º,
inc. IV, da CF/88, porquanto a hipótese dos autos não
se refere à contribuição, a que alude o citado
preceito constitucional. Não se está a discutir uma condição
imposta pelo Sindicato representativo da categoria profissional, às
empresas da correspondente categoria econômica, mas sim, cláusula
resultante do ajuste entre os Sindicatos respectivos, do que resulta
a inocorrência de violação à literalidade
da prerrogativa prevista no art. 513, e, da Consolidação
das Leis do Trabalho. O artigo 8.º, inciso IV, da CF, não
encerra todas receitas que podem ser auferidas pelas entidades Sindicais,
razão pela qual, não há como se constatar o malferimento
do citado preceito constitucional, pelo fato da cláusula sub
judice, não corresponder às contribuições
neste artigo relacionadas. Em sede de recurso de revista o que se aprecia é a
violação à literalidade das normas legais e constitucionais
invocadas, sendo, portanto, restrita a cognição da matéria,
nesta instância extraordinária. Embargos declaratórios
acolhidos para prestar esclarecimentos”.
Acórdãos dos TRTs
No mesmo sentido, o E. TRT da 3.ª Região, decidiu pela
legalidade de cláusula de contribuição financeira
das empresas em favor da entidade sindical dos trabalhadores, acórdão
publicado na Revista LTr, volume 71, abril de 2007:
“Ementa: SINDICATO. PRINCÍPIO DA LIBERDADE-DELIBERAÇÃO
ASSEMBLEIAL. TAXA ASSISTENCIAL.CLÁUSULA NORMATIVA DE NATUREZA
OBRIGACIONAL. VINCULAÇÃO INCONDICIONAL DAS EMPRESAS INTEGRANTES
DA CORRESPONDENTE ATIVIDADE ECONÔMICA.O mais importante e talvez
até o único e verdadeiro princípio do Direito
Sindical, também denominado de Direito Coletivo do Trabalho, é o
da liberdade dos sindicatos. A liberdade é, por conseguinte,
a célula-tronco do sindicalismo, cuja atuação
irradia efeitos sobre os contratos individuais de seus representados
coletivamente. Trata-se da mesma liberdade, que, segundo a poética
visão de Vinícius de Moraes, não admite limitações:
ou ela existe ou ela não existe. Vale dizer: quem define a forma
de atuação do sindicato é a maioria da categoria,
que tanto mais representativa será quanto maior for a participação
de seus membros.Assim, se se pretende um sindicalismo livre, principalmente
das amarras do Estado, deve-se dar-lhe muitas asas, cujos horizontes
serão dimensionados pelas assembléias, que, soberanas,devem
assumir responsabilidades por suas decisões majoritárias.
Assim, quanto mais participativas forem as assembléias, mais
democráticas serão as suas deliberações,
calcadas na verdadeira e autêntica vontade da categoria, que
lhe dá corpo e alma e traça o seu destino. O verdadeiro,
o autêntico, o sindicato livre e democrático não
se contenta com seus cofres cheios de dinheiro e com as assembléias
vazias. A sua legitimação decorre da participação
ativa dos membros da categoria que representa, que é, em essência,
o que lhe outorga autoridade em suas ações em favor da
classe. A instituição de taxa assistencial pela via do
instrumento normativo, com respaldo em assembléia devidamente
convocada, é legítima e se insere no âmbito do
princípio da liberdade sindical. As cláusulas normativas
que prevêem a cobrança de contribuição,
sob a denominação de cláusula assistencial, a
ser recolhida pelas empresas, possuem conteúdo obrigacional,
do qual não podem se eximir as empresas representadas,pouco
importando a sua participação ou não na assembléia
perante a qual foram alinhavados os contornos da negociação
coletiva. Portanto, a empresa pertencente à atividade econômica,
por simetria e as vezes artificial acondicionamento legal, está obrigada
ao seu cumprimento, porque representada pelo sindicato correspondente à categoria
econômica, da qual participa e integra por imposição
da lei (inteligência do disposto na letra “e”, do
art. 513 da CLT). (TRTMG, 4.ª Turma, Proc. 00563-2006-013-03-00-1,
relator Des. Luiz Otávio Linhares Renault e revisor Des. Júlio
Bernardo do Carmo, publicado em 16/12/2006).
Também o E.TRT 2.ª Região examinou a questão,
fixando a seguinte ementa:
“RECURSO ORDINÁRIO. AÇÃO DE CUMPRIMENTO.
Contribuição assistencial patronal prevista em cláusula
de convenção coletiva de trabalho. Encontra-se revestida
de legitimidade a cobrança de contribuição assistencial
patronal em favor do sindicato profissional, abrangendo tanto os associados
como os não-associados, nos termos da convenção
coletiva de trabalho. Não há falar em inobservância
ao princípio constitucional da liberdade de associação.
A oposição da empresa somente seria possível no
caso de existir previsão expressa na forma que instituiu a contribuição.
Hipótese em que não se aplica o precedente normativo
n.º 119 do C. TST, tendo em vista tratar-se de contribuição
devida pelas empresas, e não pelos trabalhadores, ao sindicato
profissional. Recurso ao qual se dá provimento” (TRT SP
01637 2005 025 02 00 1 Relatora Juíza Wilma Nogueira de Araújo
Vaz da Silva Publicação DJSP 14/7/2006).
Vide, ainda, sobre a mesma matéria, acórdão 2005002176
TRT 2.ª - tendo como relator o juiz Nelson Nazar. E o acórdão
20050799643-TRT 2.ª - sobre a contribuição financeira
da empresa destinada a programas de treinamento e requalificação
profissional pelo sindicato.
Edésio Passos é advogado e
ex-deputado federal(PT/PR). E-mail: edesiopassos@terra.com.br
|
Última
Instância, 16 de março de 2008
Supremo deve decidir sobre desconto
em folha de contribuição sindical
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira
(11/3) as seis emendas do Senado ao Projeto de Lei 1990/07, do Poder Executivo,
que reconhece as centrais sindicais como entidades de representação
dos trabalhadores. A principal mantém o desconto da contribuição
sindical obrigatória em folha de pagamento sem autorização
do trabalhador. O projeto vai à sanção presidencial,
mas a palavra final sobre a questão deve vir do STF (Supremo Tribunal
Federal).
A necessidade de autorização do empregado para
o desconto em folha foi aprovada pela Câmara na primeira
passagem do projeto pela Casa, em outubro de 2007, quando os
deputados acataram emenda do deputado Augusto Carvalho (PPS-DF),
que legalizava as centrais sindicais, tornando facultativo aos
trabalhadores o pagamento da contribuição sindical.
Na época, foram 215 votos a favor da emenda, 161 contra
e 7 abstenções. Nesta terça, 234 deputados
votaram a favor do desconto em folha e 171 optaram pela necessidade
de autorização. Outros seis deputados se abstiveram.
Com a mudança de placar, Carvalho lamentou a mudança
acertada no Senado e mantida pela Câmara. Para o deputado,
o imposto sindical é “um resquício da Era
Vargas, uma fonte para todo o tipo de desvios”.
A contribuição, no entanto, pode ser derrubada
pelo Supremo pela ADPF (argüição de descumprimento
de preceito fundamental) 126, ajuizada em dezembro pelo PPS (Partido
Popular Socialista).
O partido pede que o plenário declare a ilegalidade da
medida, prevista nos artigos 579, 582, 583 e 587 da CLT (Consolidação
das Leis do Trabalho) que, segundo o partido, afrontam os preceitos
fundamentais da Constituição Federal. O relator é o
ministro Celso de Mello.
O presidente nacional do partido, Roberto Freire, e Augusto
Carvalho foram pessoalmente ao Supremo ajuizar a ação.
De acordo com Carvalho, cerca de R$ 1,3 bi por ano deixa de entrar
na economia e sai do bolso dos assalariados e do caixa das empresas,
para o imposto.
A ação “é uma resposta à articulação
do governo Lula com sindicalistas, que pressionam o Congresso
Nacional para que a obrigatoriedade do pagamento do imposto seja
mantida”, afirmou Carvalho. “A Constituição
diz claramente que ninguém é obrigado a filiar-se
ou a manter-se filiado a sindicato.”
Proposta
Outra emenda aprovada limita a vigência dos artigos da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) sobre contribuição sindical
até que uma lei discipline a chamada “contribuição
negocial”, vinculada à negociação coletiva
e à aprovação em assembléia geral da categoria.
Em relação à fiscalização
dos recursos repassados ao movimento sindical, o Senado também
incluiu várias entidades entre as que estarão sujeitas
a auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União).
Além das centrais sindicais, para as quais a Câmara
já havia previsto a necessidade de prestar contas do dinheiro
da contribuição sindical, a emenda do Senado estende
a obrigação aos sindicatos, às federações
e às confederações das categorias econômicas
ou profissionais ou das profissões liberais.
Essas entidades devem prestar contas ao TCU sobre a aplicação
dos recursos vindos das contribuições de interesse
das categorias profissionais ou econômicas e de outros
recursos públicos que venham a receber.
O Senado retirou do texto da Câmara a necessidade de o
sindicato de trabalhadores indicar, ao Ministério do Trabalho,
a federação e a confederação a que
estiver filiado como beneficiárias da parcela da contribuição
sindical que lhes cabe. A indicação permanece somente
para as centrais sindicais.
Para evitar problemas de interpretação do texto
legal, fica preservada a paridade da representação
de trabalhadores e empregadores nos fóruns, colegiados
e demais organismos em que as centrais sindicais poderão
atuar como representantes dos interesses dos trabalhadores.
A mudança foi necessária porque o projeto determina
que as centrais sindicais poderão indicar representantes
seguindo os seus respectivos índices de representatividade
ou mediante acordo entre elas.
A última emenda acatada pela Câmara muda a definição
de uma das atribuições das centrais sindicais.
Em vez de “exercerem” a representação
dos trabalhadores por meio das organizações sindicais
a elas filiadas, as centrais deverão coordenar essa representação.
|