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Folha de São Paulo, 17 de março
de 2008
Opinião do jornal Folha de
São Paulo sobre a Contribuição Sindical
Sindicalismo esperto
COMO PREVISTO , a Câmara dos Deputados voltou atrás e decidiu
recriar o chamado imposto sindical, a contribuição compulsória
correspondente a um dia de salário por ano cobrada de todos os trabalhadores
com carteira assinada. Ela irriga os sindicatos com uma verba anual da ordem
de R$ 1 bilhão.
O tributo chegou a ser extinto em projeto de lei aprovado na Câmara em
outubro passado, mas, após forte pressão de sindicatos e do governo,
o dispositivo foi fulminado primeiro pelos senadores e agora pelos deputados.
Até aqui, apenas se desperdiçou uma excelente oportunidade de
fazer avançar o sindicalismo brasileiro, livrando-o da tutela do Estado
-medida que, vale registrar, contava com o apoio da CUT até sua ascensão às
proximidades do poder. Só que o duvidoso consórcio entre governo,
parlamentares e sindicalistas ameaça ir além e já ultima
um novo projeto de lei que investe contra o bolso do trabalhador.
O logro atende pelo nome de "contribuição negocial",
que pretende unificar o imposto sindical e a taxa assistencial. A primeira
esparrela está no fato de que a taxa assistencial, ao contrário
da contribuição sindical, não é obrigatória,
podendo o trabalhador recusar-se a pagá-la. Na unificação,
ao menos para efeitos práticos, a obrigatoriedade seria estendida a
ambas.
E não é só. Pelo que se discute, o valor da contribuição
negocial seria definido em assembléias das categorias -que são
controladas pelos sindicatos-, mas pago por todos os trabalhadores, sindicalizados
ou não.
Sindicatos saudáveis se constroem longe da sombra do Estado e de benesses
paraoficiais oferecidas a lideranças que rapidamente se encastelam na
máquina sindical e passam a representar muito mais seus próprios
interesses do que os da categoria.
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ESTADÃO.COM/ SÃO
PAULO, 17 de março de 2008 | Economia
Dieese: 96% conseguiram repor inflação
nos salários
ANNE WARTH - Agencia Estado
SÃO PAULO - Quase a totalidade (96%) das 715 negociações
salariais acompanhadas pelo Departamento Intersindical de Estatísticas
e Estudos Socioeconômicos (Dieese) asseguraram no ano passado a incorporação,
no mínimo, das perdas ocorridas desde a data-base anterior. Este é o
quarto ano consecutivo que em mais de 70% das negociações analisadas
houve a reposição segundo a inflação medida pelo Índice
Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Entre 2006 e 2007, a inflação
média acumulada foi inferior a 4%. Das 715 negociações,
apenas em 29 a inflação do período não foi reposta.
O número de categorias
que obteve aumento real de salário, ou seja, reajuste superior à variação
do INPC, também foi bastante elevada: 88%, ou 627 das negociações,
apontaram aumento real. Esse índice, próximo do de 2006
(86%), é o melhor resultado de toda a série histórica.
Desse total, cerca de 70% apontaram aumento real de 1%. Somente 6% das
categorias conquistaram aumento acima de 3%.
Setores
Entre os setores, os melhores
resultados foram obtidos pela indústria. Do total, 94% das categorias
tiveram aumento real acima do INPC. No comércio, o porcentual
chegou a 85%, e no setor de serviços, a 81% das negociações.
Na avaliação do
Dieese, esse resultado tem ligação direta com os baixos
níveis de inflação registrados nos últimos
anos. "À medida que o INPC acumulado se reduz, aumenta a
proporção de negociações com reajustes iguais
ou superiores a esse índice", cita a entidade.
Esta mudança no padrão
de comportamento dos reajustes salariais ocorreu entre 2003 e 2004. De
acordo com o Dieese, neste período, o INPC médio caiu de
17,4% para 6,6%, e o porcentual de reajustes iguais ou superiores a esse índice
saltou de 42% para 81%.
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CONGRESSO EM FOCO, 17 de
março de 2008
Pauta trancada e ameaça de obstrução
A pauta da Câmara começa trancada por três medidas provisórias.
Duas delas tratam da abertura de crédito extraordinário para
o Executivo e a Justiça Eleitoral. A outra, 385/07, prevê a aposentadoria
por idade para o agricultor eventual.
Embora o líder do governo
na Casa, deputado Henrique Fontana (PMDB-RS), tenha feito um apelo à oposição
para que as propostas sejam votadas rapidamente, o mais provável é que
a pauta seja obstruída e nada seja votado esta semana.
Após a conturbada votação
da MP que criou a TV Brasil, realizada na última terça-feira
(11), a oposição garantiu que não irá votar
mais nada até que haja uma regulação do trâmite
das medidas provisórias.
"Não vamos votar
nada até outubro", disse o primeiro vice-líder do
DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO).
No dia 22, outras 11 MPs passarão
a trancar a pauta. Além destas entrarão outras quatro até 14
de abril. Portanto, os deputados precisarão votar 17 medidas provisórias
antes de conseguirem discutir outras propostas consideradas prioritárias,
como a PEC da Reforma Tributária, a PEC do Trabalho Escravo, entre
outras.
No Senado, a pauta também
está trancada por quatro projetos de lei de conversão e
duas medidas provisórias. O PLV 3/08 refere-se a crédito
extraordinário de R$ 359,5 milhões para os ministérios
dos Transportes, do Meio Ambiente e da Integração Nacional.
Já a MP 402/07 creditou R$ 1,65 bilhão a vários órgãos
do Executivo. (Soraia Costa)
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AGÊNCIA DIAP, 17 de
março de 2008
ELEIÇÕES 2008
TSE divulga prazos de desincompatibilizações
para o pleito municipal
Futuros candidatos devem respeitar
prazo para desincompatibilização ou podem ficar inelegíveis.
Governador que quiser concorrer à prefeitura deve deixar o
cargo até 5 de abril; os ministros, até 5 de junho;
os servidores públicos em geral que quiseram disputar uma
vaga para prefeito ou vereador devem se licenciar até 5 de
julho
Qualquer brasileiro que estiver
no pleno exercício de seus direitos políticos, em dia com
a Justiça Eleitoral, filiado a partido político e tiver
mais de 18 ou 21 anos pode concorrer, respectivamente, a uma vaga de
vereador ou prefeito no pleito de 5 de outubro. A Constituição
Federal impede, no entanto, a candidatura dos analfabetos, dos estrangeiros,
e daqueles que estejam prestando serviço militar obrigatório,
e dos inelegíveis.
Os inelegíveis para a
eleição municipal, de acordo com o parágrafo 5º,
do artigo 14, da Constituição, são o cônjuge
do prefeito e os parentes consangüíneos ou afins, até o
segundo grau ou por adoção que pretendem concorrer na mesma
cidade do chefe do Executivo. A regra também vale para quem tiver
substituído o prefeito dentro dos seis meses anteriores à eleição,
salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
O candidato também pode
ser decretado inelegível se cometer infrações previstas
na Lei Complementar 64/90 (Lei das Inelegibilidades) ou não sair
do cargo que ocupa no prazo determinado por esta norma.
Prefeitos
Os prefeitos que estão exercendo o primeiro mandato não precisam
deixar o cargo para concorrer à reeleição. Os parlamentares
que querem concorrer à prefeitura também não precisam
sair do Congresso Nacional nem das Assembléias Legislativas, tampouco
das Câmaras Municipais. Os profissionais que têm atividades divulgadas
na mídia, como atores e jogadores de futebol também não
precisam interromper suas atividades para se candidatar a prefeito.
Outros chefes do Executivo, como
governador, por exemplo, que quiserem concorrer à prefeitura,
devem deixar a atual função seis meses antes da eleição,
ou seja, até 5 de abril deste ano. O vice-governador e vice-prefeito
que não substituiu o titular nos seis meses anteriores ao pleito
nem o sucedeu não precisa sair do cargo para concorrer a prefeito.
Em 5 de junho deste ano, quatro
meses antes da eleição, devem sair de seus postos aqueles
que almejam uma vaga de prefeito e são ministros de Estado; membros
do Ministério Público; defensores públicos; magistrados;
os militares em geral; os secretários estaduais e municipais;
os que ocupam a presidência, a diretoria ou a superintendência
de autarquia ou empresa pública; os que são chefes de órgãos
de assessoramento direto, civil e militar da Presidência da República
e os dirigentes sindicais; entre outros.
A três meses do pleito
municipal, ou seja, em 5 de julho, quem tem de se afastar dos respectivos
cargos para concorrer à prefeitura são os servidores públicos
em geral, estatutários ou não, dos órgãos
da administração direta ou indireta da União, estados,
Distrito Federal e municípios. Os servidores da Justiça
Eleitoral não podem ser filiados a partidos políticos,
por isso, têm de se afastar do cargo um ano antes do pleito para
se filiar e não podem voltar a seus cargos efetivos se quiserem
concorrer a algum mandato.
Dirigente
sindical
O dirigente sindical que quiser disputar as eleições para prefeito
ou vereador terá que se licenciar do cargo que ocupa no sindicato quatro
meses antes das eleições, ou seja, até 5 de junho. O mesmo
serve para os membros do conselho fiscal do sindicato.
O afastamento é temporário
e não implica em renúncia. Se o nome do pré-candidato
não for aprovado nas prévias partidárias - se for
o caso - ou na convenção, ele ou ela poderá voltar
ao posto no sindicato que antes ocupava, com todas as prerrogativas.
Vereadores
Assim como para prefeito, os parlamentares que pretendem se candidatar a vereador
não precisam se afastar de suas funções. Os servidores
públicos devem obedecer à mesma regra para prefeito, ou seja,
deixar seus cargos nos três meses que antecedem a eleição.
Outros prazos, no entanto, são
diferentes. Os ministros de Estado, membros do Ministério Público,
defensores públicos, magistrados, secretários estaduais
e municipais devem sair de suas funções nos seis meses
anteriores à eleição para vereador, e não
apenas a quatro meses como determina a LC 64/90 para os que querem concorrer
a chefe do Executivo municipal.
Lei das
Inelegibilidades
A Lei das Inelegibilidades foi aprovada por determinação do parágrafo
9º da Constituição Federal, para proteger a probidade administrativa,
a moralidade para o exercício de mandato considerada a vida pregressa
do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra
a influência do poder econômico ou do abuso do exercício
de função, cargo ou emprego na administração direta
ou indireta.
Levantamento do TSE
Com respaldo na Lei das Inelegibilidades e em sua jurisprudência (decisões
anteriores), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agrupou vários prazos
para desincompatibilização aos quais os candidatos devem obedecer
para não se tornarem inelegíveis. Há ocupantes de cargos
públicos que não precisaram interromper seus ofícios,
mas os prazos para desincompatibilização variam, em regra, de
seis a três meses antes do pleito. (Fonte:
Com TSE)
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GAZETA ONLINEA, 17 de março
de 2008
ES: Trabalhadores da construção
civil paralisam atividades em Vila Velha e fazem protesto
Redação Gazeta Rádios
e Internet
Os trabalhadores de empresas
de construção civil paralisaram as atividades e realizaram
protesto, na manhã desta segunda-feira (17), em Vila Velha. Os
manifestantes partiram de dois pontos da orla do município, em
Coqueiral de Itaparica e na Praia da Costa.
Em caminhada em direção
ao bairro Itapoã, onde devem se reunir para tratar dos rumos do
protesto, os manifestantes pedem e ameaçam os colegas de trabalho
que atuam em obras no local para que se juntem à paralisação.
Os trabalhadores reivindicam pagamento de participação
nos resultados, de acordo com Convenção Coletiva de Trabalho
da categoria.
O trânsito foi temporariamente
interrompido durante a manifestação na orla de Coqueiral
de Itaparica. De acordo com o Sindicato dos Trabalhandores da Construção
Civil (Sintraconst), a greve por enquanto fica restrita a Vila Velha,
concentrada em construtoras de Coqueiral de Itaparica, Itapoã e
Praia da Costa.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
17 de março de 2008
Justiça do Trabalho pode decretar
hipoteca judiciária, diz TST
A Justiça do Trabalho pode decretar a hipoteca judiciária de
bens prevista no artigo 466 do Código de Processo Civil para garantir
a execução de débito trabalhista em andamento, independentemente
de solicitação das partes.
Com esse entendimento, a 7ª Turma
do TST (Tribunal Superior do Trabalho) negou provimento a um recurso
em que a Empresa Valadarense de Transportes Coletivos contesta o fato
de o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 3ª Região (Minas
Gerais) ter determinado a hipoteca de imóveis de sua propriedade,
para garantir a execução de valor correspondente à condenação
que lhe fora imposta.
Em ação movida
por um grupo de ex-empregados, por meio do Sindicato dos Trabalhadores
em Transportes Rodoviários de Governador Valadares, a empresa
foi condenada ao pagamento de diferenças salariais, incluindo
verbas referentes ao intervalo intrajornada e a honorários advocatícios.
Após a interposição
de recursos de ambas as partes, o TRT-MG, além de manter a condenação,
decretou a hipoteca judiciária de imóveis da empresa, correspondentes
ao valor da condenação, até o seu pagamento.
A empresa então apelou
ao TST alegando que a hipoteca judiciária apenas se justifica
nos casos que o réu, ao sofrer a condenação, venha
a dificultar, inviabilizar ou impossibilitar sua execução.
Também sustentou a tese
de que o artigo 466, do Código de Processo Civil, usado como fundamento
para a decisão do Regional, não se aplicaria ao processo
em questão, pois além de as verbas trabalhistas constituírem
crédito privilegiado, em razão de sua natureza alimentar,
a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) possui norma
específica para garantir seu pagamento. Outro argumento da empresa é que
a hipoteca judiciária, sendo apenas um dos efeitos da sentença
de primeiro grau, não poderia ser decretada em segunda instância.
E finalizou argumentando que a hipoteca não poderia ter sido decretada,
pois não foi requerida pela parte, na petição inicial.
O relator da matéria,
ministro Ives Gandra Martins Filho, iniciou seu voto analisando a aplicabilidade
do artigo 466 do Código de Processo Civil, nos processos de execução
em geral e, em particular, na Justiça do Trabalho. Segundo sua
avaliação, “a própria sentença vale
como título constitutivo da hipoteca judiciária e os bens
com ela gravados ficam vinculados à dívida trabalhista,
de forma que, mesmo se vendidos ou doados, podem ser retomados judicialmente
para a satisfação do crédito do reclamante”.
Assim, conclui o ministro, havendo condenação, automaticamente
se constitui a hipoteca judiciária, que incidirá sobre
os bens do devedor, até o seu pagamento.
Conforme informa o TST,
Ives Gandra assegura que, sendo um instituto processual de ordem pública,
cujo objetivo é impedir o dilapidação dos bens
do réu e garantir a execução do débito,
a penhora pode ser decretada pelo juiz, independentemente de ter sido
requerida pela parte.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
17/03/2008
Paraná: HSBC é condenado por
não comunicar acidentes de trabalho
A Quinta Turma do Tribunal Regional do Trabalho
da 9ª Região (PR), em votação unânime,
negou provimento a recurso ordinário interposto pelo HSBC Bank
Brasil S.A. Banco Múltiplo, em ação civil pública
(ACP), contra condenação no valor de R$ 500 mil em dano
moral coletivo, imposta pela 7ª Vara do Trabalho de Curitiba. A
ACP foi ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho da
9ª Região (PR) e pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos
Bancários e Financiários de Curitiba e Região diante
do fato de que o HSBC se recusava a emitir Comunicação
de Acidente do Trabalho (CAT) para os empregados acometidos ou com suspeita
de LER/DORT. A decisão tem abrangência nacional.
Além da indenização e da
obrigação de emitir as guias, a sentença determinou
que o banco a suspenda a rescisão contratual e emita a CAT quando
houver dúvida sobre a saúde do trabalhador, até que
seja realizada perícia no INSS para a verificação
da incapacidade para o trabalho e o nexo causal. A documentação
constante dos autos indica que diversos empregados foram demitidos com
histórico de LER/DORT, e alguns deles conseguiram reintegração
por via judicial.
Em seu recurso ao Tribunal Regional, o banco
alegou existir “elevada carga política na demanda” e
reclamou de expressões supostamente injuriosas utilizadas pelos
autores da ACP, pedindo que fossem retiradas do processo. Sustentou que
a LER/DORT é doença multicausal que requer investigação
ampla dos hábitos pessoais e ocupacionais do paciente, e que não
estaria legalmente obrigado a comunicar a doença em caso de mera
suspeita ou quando não concordar com a sua existência. “Cabe
ao empregador emitir a CAT apenas quando diagnosticada a doença
ocupacional, e não cabe ao empregador firmar tal diagnóstico”,
afirmam as razões recursais.
O relator do recurso ordinário, juiz Rubens Edgard Tiemann, destacou
em seu voto a obrigatoriedade de a instituição bancária
emitir a CAT em todos os casos de suspeita de LER/DORT. “A necessidade
de comunicação do acidente do trabalho em situação
de mera suspeita de doença decorre da dicção do art. 169
da CLT”, observou. “Não cabe a restrição que
o banco pretende dar a esse dispositivo legal, porque a melhor interpretação
que se deve dar à norma é aquela que atende ao seu fim social
e às exigências do bem comum, aqui consubstanciados na proteção à saúde
do trabalhador e na garantia do benefício previdenciário.” Descartou
também o argumento de que a emissão de CAT pela empresa presume
o reconhecimento do nexo da doença com o trabalho, uma vez que o fato
tem de ser atestado pelo perito previdenciário.
O juiz Rubens Tiemann lembrou, ainda, que a Lei
nº 11.430/06 presume o nexo causal entre grande parte das doenças
intituladas como LER/DORT e o trabalho em instituições
bancárias, o que justificaria ainda mais a obrigatoriedade de
emissão da CAT em caso de suspeita de doença ocupacional.
A lei prevê também que é do empregador o ônus
da prova quanto à não-caracterização da enfermidade
como tal.
Abrangência nacional
A abrangência nacional dada pelo TRT/PR à decisão
baseia-se na aplicação do art. 103 do Código de
Defesa do Consumidor. Segundo o voto do relator, “entendimento
contrário inibiria o objetivo principal do processo coletivo,
voltado a proteger amplo número de pessoas que se enquadram ou
venham a se enquadrar na situação sub judice, contribuindo
para a realização do inegável interesse social envolvido
pela lesão em massa, de forma a evitar a multiplicação
de demandas individuais”.
Quanto ao dano moral coletivo, o juiz frisou
que as condições adequadas de saúde no ambiente
de trabalho, visando à prevenção de LER/DORT, assim
como o direito ao benefício previdenciário são garantias
de ordem pública asseguradas pela ordem jurídica a todos
os trabalhadores. “Considerando a relevância desses bens
e a amplitude coletiva das práticas ilícitas pelo empregador, é clara
a lesão a interesses transindividuais pertencentes à coletividade
dos trabalhadores, ultrapassando os interesses meramente individuais
das pessoas lesadas”, afirmou. O dano moral se caracteriza também,
no caso, pela “ofensa a outro valor caro à personalidade
(honra subjetiva) dos trabalhadores, qual seja, a íntima expectativa
de lealdade e tratamento justo pela dedicação devotada
ao trabalho”. Para o relator, “não se pode desconsiderar
o sentimento de menosprezo dos trabalhadores portadores de doença
ocupacional que se vêem ‘descartados’ por não
mais servirem aos interesses do empregador, especialmente quando o dano
físico tem origem no trabalho em benefício deste”.
Sobre o valor da indenização, igualmente
questionado pelo HSBC, o TRT/PR considerou-o adequado, ante o poder econômico
do banco. “Além do aspecto ressarcitório, que fica
satisfeito pela destinação dada ao valor objeto da condenação,
a condenação tem caráter punitivo e o intuito de
desestimular a reiteração da conduta”, concluiu o
relator. A indenização, como ocorre nos casos de dano moral
coletivo, reverterá ao Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT,
vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego. (TRT-PR-RO-98905-2004-007-09-00-9).
(Fonte: TRT da 9ª Região)
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O ESTADO DO PARANÁ,
17 de março de 2008 | Economia
Inflação é destaque
isolado entre indicadores da semana
Agência Estado
A agenda doméstica da próxima semana reserva uma quantidade reduzida
de divulgações relacionadas ao cenário macroeconômico.
Depois de um período repleto de anúncios importantes e de grande
impacto, como do Produto Interno Bruto (PIB) de 2007 e da ata da reunião
de março do Comitê de Política Monetária (Copom),
a nova semana abriga, em sua maioria, indicadores de inflação
e ainda conta com o feriado da Sexta-feira Santa para esvaziá-la.
Na segunda-feira (17), a Fundação
Getúlio Vargas (FGV) divulgará dois indicadores: o IGP-10
de março e o IPC-S da segunda quadrissemana do mesmo mês.
Para o primeiro, que subiu 0,80% em fevereiro, as expectativas são
de uma continuidade na tendência de desaceleração,
que vem sendo mostrada pelos IGPs em 2008, por conta, especialmente,
dos menores preços dos itens agropecuários do atacado.
Quanto ao segundo, os especialistas
prevêem uma taxa sem maiores sustos, girando em torno do que foi
observado no primeiro levantamento do mês, quando avançou
0,11% ante variação zero de fevereiro, com os grupos Alimentação
e Habitação exercendo uma briga de forças, para
baixo e para cima, respectivamente.
Na terça-feira (18), não
há divulgação prevista e, na quarta-feira (19) a
FGV anuncia a segunda prévia do IGP-M de março. Em fevereiro,
o indicador subiu 0,53%, após apresentar alta de 0,42% no primeiro
decêndio e variação de 0,46% na segunda prévia.
No primeiro decêndio de março, variou 0,34% e também
teve como destaque a alta cada vez menor dos preços agrícolas
do atacado.
Também na quarta-feira,
a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe)
apresentará o IPC da segunda quadrissemana de março. O
indicador paulistano, que avançou 0,22% na primeira medição
do mês ante alta de 0,19% de fevereiro, tende a mostrar como agentes
principais os grupos Habitação, Transportes e Alimentação.
Enquanto os dois primeiros devem manter a tendência de alta, há uma
indefinição em relação aos alimentos, que
reduziram a deflação, de 0,15% para 0,10%, na primeira
quadrissemana.
Vale lembrar que, na segunda-feira,
o mercado financeiro aguarda as tradicionais divulgações
da pesquisa Focus do Banco Central, a partir das 8h30, e do resultado
parcial de março da balança comercial brasileira, a partir
das 11 horas, quando o Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior (MDIC) mostrará o desempenho referente à segunda
semana do mês.
Para o levantamento do BC, a
expectativa é saber se as medianas, principalmente, em relação
ao IPCA, continuarão encostando na meta central de inflação,
de 4,50%. Quanto à balança, o mercado financeiro estará atento
para saber se o déficit de US$ 159 milhões da primeira
parcial é algo pontual ou uma tendência para o mês.
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FOLHA DE LONDRINA, 17 de
março de 2008 | Economia
Novo pacote vai estimular obras de
infra-estrutura
Brasília- O governo prepara medidas para ampliar a desoneração
tributária sobre investimentos em infra-estrutura. Se elas forem implementadas,
a compra ou aluguel de máquinas e equipamentos para a construção
de portos privativos ficará livre da cobrança da Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da contribuição
ao Programa de Integração Social (PIS), pois esses empreendimentos
serão incluídos no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento
da Infra-Estrutura (Reidi). Estão em estudo também a possibilidade
de o regime abranger um maior número de equipamentos e ser ''destravado''.
A informação é da
Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias
de Base (Abdib), que nos últimos seis meses trabalhou junto com
a área técnica do governo para tentar aperfeiçoar
do novo regime. ''Boa parte dos nossos pleitos serão ajustados'',
disse ao Estado o vice-presidente executivo da entidade, Ralph Lima Terra.
Ele espera o anúncio das medidas para os próximos dias.
Lançado em janeiro do
ano passado como um dos principais instrumentos do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) para os investimentos privados, o Reidi suspende
a cobrança do PIS e da Cofins na compra de máquinas e equipamentos
novos, material de construção e serviços relacionados
com obras de infra-estrutura. Para ter acesso a esse benefício,
porém, o projeto tem de ser inscrito no Reidi, o que depende da
aprovação do ministério relacionado.
Aí está o principal
nó do programa. A falta de entrosamento entre a Receita Federal
e os diversos ministérios, a falta de regulamentação
e o excesso de burocracia dificultaram o acesso das empresas. Em um ano
e dois meses de existência, o Reidi só conseguiu beneficiar
cinco projetos na área de energia: as usinas térmicas de
Iacanga, São Martinho e Sykué I, a pequena central elétrica
de Bocaiúva e os aproveitamentos hidrelétricos de Caçu
e Barra dos Coqueiros.
Na área de Transportes,
porém, o regime não está sequer regulamentado. Por
isso, nenhum projeto foi aceito, embora os concessionários da
Fernão Dias e da Régis Bittencourt, por exemplo, tenham
levado em conta os benefícios do Reidi para calcular o preço
do pedágio. Para a Abdib, foram detectados dez pontos críticos
no funcionamento do programa. ''A partir do decreto que sairá nos
próximos dias, cada ministério terá de cumprir uma
série de etapas administrativas'', comentou Terra. ''Nem todos
os problemas serão resolvidos, mas vai melhorar.''
Lu Aiko Otta
Agência Estado
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Gazeta do Povo, 17 de março
de 2008
ECONOMIA | IMPOSTO DE RENDA
Leão afia as garras para vigiar
o contribuinte
Receita federal dispõe de pelo menos
14 ferramentas para verificar dados em declaração
por CINTHIA SCHEFFER
Ano a ano a Receita Federal torna mais
rigorosa a declaração anual do Imposto de Renda e fecha
o cerco contra fraudes e sonegações. Cada centavo informado
pelo contribuinte está sob o olhar atento do Leão.
Segundo a própria Receita, praticamente todos os campos do
documento podem hoje ser checados com informações prestadas
por empregadores, instituições financeiras, imobiliárias
e profissionais liberais, entre outros. Ao todo, são pelo
menos 14 bancos de informações disponíveis para
verificação dos dados.
“ Não existe mais aquele pensamento de ‘não vou declarar
isso porque a Receita nem vai saber’. As coisas estão cada vez mais
sendo analisadas”, alerta e sócia da área de assessoria à pessoa
física da Ernst &Young, Tânia Baraldi. “É uma invasão
de privacidade cada vez maior que, a princípio, pode amedrontar. Mas,
para quem faz tudo certo, não há problema nenhum.”
Tânia lembra que a Receita
se aprimorou muito nos últimos anos e, por isso, o melhor é declarar
de forma correta e estar atento a todas as informações. “Não
vale a pena correr o risco de, no futuro, ser chamado para prestar esclarecimentos.
Se houver algo errado, o contribuinte vai ter que pagar a diferença,
e com multa e juros.”
A primeira e mais simples conferência é feita
entre a declaração anual de IRPF e a Declaração
do Imposto Retido na Fonte (Dirf), enviada pelas empresas empregadoras à Receita
Federal. “Os números têm que bater nos centavos”,
enfatiza Tânia.
Mas a conferência se estende
por vários outros campos da declaração. Com as informações
prestadas pelas imobiliárias, por exemplo, o Fisco pode acompanhar
os rendimentos recebidos com locação de imóveis
e também a evolução do patrimônio de cada
contribuinte. “Quando você informa os bens que tinha no último
dia de cada ano, a Receita tem uma fotografia do seu patrimônio
naquele momento. Para fazer um filme da sua vida fiscal, ela usa esses
dados complementares”, compara Tânia.
Para o advogado tributarista
Waldir Gomes Júnior, a arrecadação de tributos federais
está batendo recordes neste início de ano, mesmo com o
fim da CPMF, devido justamente ao aprimoramento do sistema de informação
da Receita Federal. “Isso ocorre sobretudo com o avanço
cada vez maior dos recursos da tecnologia, que permitem uma série
de cruzamentos nas informações que são prestadas
pelas pessoas físicas e jurídicas.”
Um dos exemplos de como a Receita
está apertando o cerco é o aumento do rigor em relação à Declaração
de Operações com Cartões de Crédito (Decred).
A partir desse ano, semestralmente as administradoras terão que
informar as operações efetuadas que ultrapassem os R$ 5
mil.
Obrigatoriedade
O prazo para prestação
de contas com o Fisco é 30 de abril. Devem enviar declaração
aqueles brasileiros que tiveram rendimentos tributáveis acima
de R$ 15.764,28 ou não-tributáveis superiores a R$ 40
mil. Também é obrigado a declarar quem tinha bens em
seu nome em 31 de dezembro do ano passado, com valor acima de R$ 80
mil, participou de quadro societário de empresa ou, ainda, realizou
operações em bolsa.

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O ESTADO DO PARANÁ,
17 de março de 2008 | Nacional
Dilma prevê apoio "genérico" a
candidatos aliados
Agência Estado
A ministra-chefe da Casa Civil,
Dilma Rousseff, acredita que o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva vai apoiar "de forma genérica" os candidatos
do PT e da base aliada para as prefeituras neste ano, sem subir
aos palanques. "O presidente sempre mantém uma atitude
distante e respeitosa da eleição e até onde
percebo ele não terá uma participação
direta, de fazer campanha", comentou, neste domingo, ao votar
na prévia que definiu o candidato do PT à prefeitura
de Porto Alegre.
A própria Dilma também
não se comprometeu a participar da campanha. "Minha agenda é muito
pesada", esquivou-se. "Mas sempre que puder darei uma ajuda
ao candidato que o partido escolher, previu, referindo-se a eventuais
dias de folga, como neste domingo.
Segundo a ministra, o PT está resgatando
sua história de luta social e compromisso com a ética,
ao mesmo tempo em que ficou "mais maduro, mais calejado" para
governar capitais como Porto Alegre e São Paulo, entre outras, "com
uma política similar à que é feita no governo federal".
Dilma abriu seu voto no ex-ministro
do Desenvolvimento Agrário Miguel Rosseto para a candidatura do
partido à prefeitura de Porto Alegre. Justificou a escolha pela
experiência de Rossetto, que fazia a articulação
administrativa como vice-governador de Olívio Dutra, entre 1999
e 2002, quando ela era secretária de Energia, Minas e Comunicações.
A ministra também elogiou
a deputada federal Maria do Rosário, que disputou a candidatura
com Rossetto, como uma liderança que chegará aos cargos
majoritários. "Mas acredito que há fila na política
e que as pessoas têm que esperar a sua hora", comentou. "A
dela chegará, tenho certeza absoluta".
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Folha de São Paulo,
17 de março de 2008
Eleitorado se afasta e siglas dizem
buscar "bandeiras"
Segundo Datafolha, eleitores "sem partido" subiram
de 42% a 54% em cinco anos | Siglas dizem tentar chegar mais perto
de eleitores; para presidente do DEM, desafio é fazer que
pessoas "saibam o que o partido representa"
FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL
Os principais partidos brasileiros dizem que agora estão em busca de
bandeiras que os aproximem mais dos eleitores.
Segundo dados do Eseb (Estudo Eleitoral Brasileiro, feito pela Unicamp), de
2002 a 2006 caiu de 40% para 29% o percentual do eleitorado que identificava
algum partido político como representativo de sua maneira de pensar.
O número de eleitores que disseram gostar pelo menos um pouco de um
partido caiu de 48% a 33%.
Já o Datafolha mostra que, em maio de 2002, o percentual de eleitores
que não se identificava com nenhum partido atingia 42%. Na época,
PT (23%), PMDB (10%), PFL e PSDB (ambos com 5%) eram os mais citados. Na última
pesquisa, em novembro de 2007, os eleitores "sem partido" somavam
54% -12 pontos percentuais a mais. A preferência pelo PT havia caído
para 18%, e a do PMDB, oscilado para 8%. O PSDB chegou a 8%, mas o DEM caiu
a 2%.
Neste ano, mesmo o PMDB, um partido historicamente fragmentado, fala em discurso
afinado. Apostilas e DVDs com aulas sobre história do PMDB serão
apresentados a militantes e candidatos. Um documento, o "MDB/ PMDB, uma
sigla de respeito", foi escrito para firmar as 15 bandeiras do partido,
como "a felicidade é o direito de todo cidadão" e "política
com a verdade e a honestidade".
José Eduardo Cardozo, secretário-geral do PT, diz que "há ilhas
de indivíduos políticos sem construções partidárias".
Para ele, o PT "tem que ser mais criativo". Ricardo Berzoini, presidente
do PT, diz que "existe obviamente uma credibilidade abaixo do desejável
na média do sistema partidário".
Ele vê uma troca no perfil do eleitorado petista. "Tem um ganho
expressivo por conta do desempenho do governo federal, mas também de
prefeituras e governos estaduais nossos. Por outro lado, teve a imagem afetada
pela crise, porque provocou um questionamento no sentido ético",
afirma.
" Hoje o PT tem uma força no Nordeste que há 15 anos nem sonhava
ter. Em regiões onde o impacto das políticas do governo foi menor,
muitas vezes o questionamento ético supera a força das realizações.
Depende muito da região é do estrato social", complementa
o presidente do PT.
Um ponto do Eseb que chamou a atenção de especialistas foi a
queda na diferenciação entre partidos. Em 2002, o eleitorado
via dois pólos opostos (PT, PDT e PTB contra PSDB, PFL e PMDB), mas
em 2006 a diferenciação já era muito menor.
Alunos
O deputado Eliseu Padilha (RS), presidente da Fundação Ulisses
Guimarães, organiza as aulas peemedebistas, que serão preparadas
por professores da UnB (Universidade de Brasília). O Rio Grande do Sul é o
primeiro a ter aulas obrigatórias. Lá a expectativa é de
40 mil alunos em 2008. "Se há a unificação do discurso,
você torna o militante mais apto para o proselitismo político.
Vai falar sobre o que ele sabe", diz Padilha.
Presidente do DEM, o deputado federal Rodrigo Maia (RJ) diz que o partido,
em sua "refundação", tenta fazer "escolhas que
deixem claro para um nicho de eleitor, de classe média mais urbana,
que têm uma representação clara".
Para o deputado, o DEM fez "uma defesa de um seguimento da sociedade que
estava carente e que já estava achando que todos partidos eram iguais,
que, no final, todo mundo se entendia [no Congresso]".
Maia complementa que o desafio "é fazer que as pessoas saibam o
que o partido representa e o que o partido representa".
Vice-presidente do PSB, Roberto Amaral diz que a crise partidária é "insuflada
no Brasil pela imprensa e por uma crise ideológica". "Uma
das coisas graves é a gelatina. Nossa primeira movimentação
foi constituir um bloco de esquerda. A partir desse bloco, vamos fazer uma
campanha, lançar um programa comum e vamos rodar o país levando
esse programa."
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Folha de São Paulo,
17 de março de 2008
Governo quer lançar "carteira
eletrônica"
Cartão magnético com informações
trabalhistas substituirá versão em papel; mudança
deve começar em maio em 6 Estados | Troca será gradual,
pois há quase 30 milhões de pessoas com carteira assinada;
foco é combater fraudes e cortar despesas com benefícios
CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
O Ministério do Trabalho planeja lançar em 1º de maio o
cartão eletrônico que substituirá a carteira profissional
de trabalho em papel -que completa 76 anos neste mês. A idéia é apresentar
o cartão durante as festas comemorativas pelo Dia do Trabalho das principais
centrais sindicais do país.
O projeto, ainda em elaboração na área técnica
do ministério, prevê a substituição gradual das
carteiras em papel. O governo já sabe que não há como
trocar de uma só vez os documentos de pelo menos 29 milhões de
brasileiros com carteira assinada no país que constam na base de dados
do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do ministério.
Sem falar que cada trabalhador pode ter mais de uma carteira, o que eleva para
mais de 60 milhões o número de carteiras de trabalho emitidas.
Os cartões eletrônicos devem ser inicialmente implementados em
seis Estados (SP, RJ, MG e mais três das regiões Norte e Nordeste)
em substituição a parte dos 6 milhões de novos documentos
emitidos a cada ano, segundo estima o ministério. Só no Estado
de São Paulo foi emitido 1,129 milhão de carteiras no ano passado.
" A carteira é um documento simbólico, que já foi inclusive
usada como atestado de bons antecedentes. Mas hoje traz problemas. O trabalhador
precisa entregar o documento original para a Previdência Social, por exemplo,
ao pedir a contagem do tempo para aposentadoria. E corre o risco de perder o
documento. Seria um avanço conseguir reunir a base de dados do Ministério
do Trabalho e da Previdência", diz Luis Carlos Moro, advogado trabalhista.
O que está em estudo, por enquanto, é que a carteira reúna
informações só da área trabalhista -como dados
de admissão e demissão, tempo de serviço, abono salarial
e seguro-desemprego. Com o cartão, o governo quer atualizar informações
dos trabalhadores com mais agilidade para aperfeiçoar o pagamento de
benefícios e, assim, economizar recursos.
Hoje, as informações do Caged são atualizadas no prazo
de 37 dias -porque a lei determina que as empresas informem dados referentes
a contratações e demissões até o dia 7 do mês
subseqüente. Esse prazo dificulta, por exemplo, saber se um trabalhador
que foi demitido e tem direito ao seguro-desemprego já retornou ao mercado
de trabalho e deveria, portanto, ter o benefício suspenso.
No ano passado, o governo gastou R$ 12,49 bilhões só com o pagamento
de seguro-desemprego -21% a mais do que em 2006. A previsão para este
ano é gastar cerca de R$ 15 bilhões.
Agilidade
" Com o cartão, pode haver desburocratização e agilidade
nos serviços, o que é positivo. É preciso, entretanto, discutir
a inclusão de dados previdenciários nesse novo documento. Vamos
pedir uma reunião das centrais com o governo para discutir isso",
diz Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores).
" O que não pode haver é custo para o trabalhador", afirma
Wagner Gomes, presidente da CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do
Brasil), central recém-criada. Armando Monteiro Neto, presidente da CNI
(Confederação Nacional da Indústria), diz não ver
barreiras à modernização. "As empresas poderão
se adaptar."
Empresas de tecnologia de informação dizem que, do ponto de vista
tecnológico, não é complicado criar o cartão eletrônico,
mas requer tempo para as empresas adaptarem seus sistemas. "Vejo mais
problemas na logística. O país terá de conviver com dois
modelos -o eletrônico e o papel- por um tempo", diz Luis Marques
de Azevedo, sócio da Hint Consultoria. Para ele, o governo poderia embutir
no novo cartão dados pessoais do trabalhador, como os do título
de eleitor e até mesmo de saúde. Nos países nórdicos,
afirma, os trabalhadores possuem um cartão que reúne dados dos
sistemas previdenciário e de saúde.
A Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de SP) avalia
que um dos benefícios será o combate a fraudes. "Casos como
os de falsas carteiras e desvio de valores do FGTS e outras contribuições
poderiam ser detectados rapidamente. O trabalhador passaria a ser um fiscal
de seus direitos", diz Luis Antonio Flora, diretor da assessoria jurídica
da entidade.
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Folha de São Paulo, 17 de março
de 2008
Centrais dizem que projeto gera disputa
política
DA REPORTAGEM LOCAL
Sindicalistas afirmam que o projeto de modernização da carteira
de trabalho gerou uma disputa entre o Ministério do Trabalho, comandado
por Carlos Lupi, e Marcílio Marques Moreira, integrante da Comissão
de Ética Pública da Presidência da República, que
deixou o cargo de presidente no final do mês passado. Marques Moreira
questionava o fato de Lupi acumular dois cargos -o de ministro e o de presidente
nacional do PDT.
Há quatro meses a comissão recomendou ao presidente Lula a remoção
de Lupi do ministério ou sua saída da presidência do PDT,
por entender que havia conflito de interesses. O ministro deixou o comando
do partido no início deste mês.
Em apoio a Lupi, quatro centrais sindicais (Força Sindical, UGT, CGTB
e Nova Central) divulgaram nota em dezembro em que questionavam o fato de Marques
Moreira pertencer ao conselho da American Banknote, empresa que fez carteiras
em papel para o ministério.
" Não faz o menor sentido. Pertenço ao conselho da empresa
desde 1994, mas o conselho não toma conhecimento dos pequenos negócios
da empresa. Só de grandes negócios, como aquisições
e fusões", afirma Marques Moreira. "O contrato foi ganho em
pregão eletrônico. Nem sabia que havia esse contrato. O valor não
chega a 2% do faturamento da empresa."
Carlos Affonso D'Albuquerque, diretor de relações com investidores
da American Banknote, diz que a empresa fabricou somente um lote de 2,5 milhões
de unidades em um contrato de R$ 5,1 milhões. "A empresa venceu
uma concorrência. Esse é nosso "business". E se houver
concorrência para produzir o cartão magnético, a empresa
também irá participar."
O ministério não informou quando deverá ser aberta a licitação
para o cartão eletrônico, que deve substituir a carteira, porque
o projeto de modernização ainda está em fase de elaboração.
(CR e FF)
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O ESTADO DO PARANÁ,
17 de março de 2008 | Nacional
Municípios gastaram média
de R$ 2 mil/ano por aluno
Agência Estado
Os municípios brasileiros
estão cumprindo a obrigação prevista na Constituição
de aplicarem na educação um mínimo de 25%
do total da receita proveniente de tributos, já incluídas
as transferências oriundas de impostos. Além do cumprimento
dessa obrigação constitucional, o nível de
gasto médio dos municípios por aluno, em 2006, foi
de cerca de R$ 2 mil. Nas grandes capitais foi de R$ 2.874, em
média. Os dados fazem parte da radiografia sobre investimentos
dos municípios em educação, divulgada pela
edição 2007 da revista Multi Cidades e elaborada
pela consultoria Aequus.
De acordo com a mostra, em 2006
os municípios brasileiros destinaram ao setor de educação
cerca de R$ 45 bilhões. Das cidades brasileiras, as que mais investiram
neste setor foram as mais importantes capitais da região Sudeste,
levando em conta neste cálculo a relação direta
desses gastos com a receita total do município: São Paulo,
com aplicação em 2006 em educação de R$ 3,7
bilhões; Rio de Janeiro, com R$ 1,61 bilhão; e Belo Horizonte,
com R$ 543,6 milhões.
Os dados divulgados pela revista
Multi Cidades indicam que em 2006 houve crescimento médio de 11%
no volume de gastos dos municípios com o setor educação,
com recursos adicionais de R$ 4 56 bilhões em relação
ao ano anterior. Este crescimento registrado em 2006 foi reproduzido
em todas as regiões do País, Norte (18%), Nordeste (13,5%)
e Centro-Oeste (12,0%), Sudeste (9,4%) e Sul (9,2%).
O estudo indica que a região
Nordeste é a que apresenta o maior contingente de alunos na rede
municipal do País (9,2 milhões) e o menor gasto por aluno,
R$ 1.212. Já o maior gasto médio por aluno, de R$ 2.879,
foi registrado na região Sudeste, que possui o segundo contingente
de alunos no ensino fundamental na rede municipal do País (7,5
milhões). Apesar dos dados indicarem crescimento nos investimentos
dos municípios com educação, a realidade mostra
que o nível de ensino continua em baixa.
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O ESTADO DO PARANÁ,
17 de março de 2008 | Política
Tribunal de Contas da União
vê erros em uso do FAT no Paraná
Roger Pereira
Os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) reconheceram irregularidades
da ordem de R$ 9 milhões em repasses do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT) ao governo do Estado do Paraná através de convênios
firmados entre o Ministério do Trabalho e Emprego e a Secretaria do
Trabalho do Estado, firmados em 2004 para a capacitação e inserção
no mercado de trabalho de jovens de famílias de baixa renda.
Na sessão do último
dia 4, o pleno do TCU decidiu converter em tomada de contas especial
o processo que versa sobre a fiscalização realizada no
governo do Paraná sobre os recursos repassados pela União
através do FAT. Segundo a fiscalização, foram encontradas
diversas irregularidades na aplicação dos recursos, que
deveriam ser utilizados integralmente em benefício dos trabalhadores.
O TCU comprovou a utilização
de recursos do FAT para pagamento de contas (aluguel, água, telefone)
da secretaria, pagamento indevido a empresas privadas, aquisição
de produtos e materiais estranhos ao objeto do convênio e não
comprovação da contrapartida estadual no convênio.
Na época dos convênios o secretário estadual do Trabalho
era Padre Roque Zimermmann. Segundo a assessoria do Tribunal de Contas
da União, os responsáveis serão, brevemente, citados
para apresentação de seus elementos de defesa.
De acordo com o acórdão
do tribunal, caberá à Secretaria de Políticas Públicas
de Emprego do Ministério do Trabalho e Emprego encaminhar a comprovação
das alegações dos responsáveis “e caso contrário,
instaure a competente tomada de contas especial no sentido do ressarcimento
devido pelos responsáveis”. Cópias da deliberação
já foram encaminhadas ao ministério e à Procuradoria
da República do Paraná para possíveis providências.
O ex-secretário
Padre Roque Zimermmann não foi encontrado ontem pela reportagem,
mas, no mês passado, ao ser questionado sobre possíveis
irregularidades no FAT, que, na época giravam em torno de R$
10 milhões, ele declarou que esse sequer foi o orçamento
que teve à disposição, via FAT, durante todo o
período em que foi secretário. “Isso só pode
ser uma brincadeira. O pessoal do TCU deve estar maluco. Nós
jamais recebemos R$ 10 milhões através do FAT. O total
não chegou nem perto disso. Recebíamos entre R$ 1 milhão
e R$ 2 milhões por ano”, declarou. Padre Roque foi secretário
do Trabalho de Requião entre janeiro de 2003 e março
de 2006.
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FOLHA DE LONDRINA, 17 de
março de 2008 | Opinião
Crescendo demanda por profissionais
técnicos
O desemprego no Brasil é mais presente no círculo daqueles que
pouco sabem fazer, e por não terem qualificação, são
descartados. Mas se os pretendentes a trabalho são capacitados, encontram
emprego com mais facilidade. Neste espaço de opinião mostrou-se,
algum tempo atrás, que as indústrias do Estado de São
Paulo não encontravam o número necessário de técnicos
especializados, nas mais diferentes áreas, por isso elas próprias
passaram a formá-los. Mesmo as escolas profissionalizantes não
os estavam fornecendo na quantidade e na qualidade dsejadas.
Ontem, falando a este Jornal,
o ex-presidente do extinto Sine, hoje Agência do Trabalhador, Mauro
Viecilli (atual presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina),
cita exemplo de Curitiba e declara que existem vagas de trabalho não
preenchidas por falta de qualificação profissional dos
candidatos. São centenas de pessoas que poderiam estar numa situação
melhor – ele diz – se estivessem aptas para as funções
disponibilizadas. Referindo-se a Londrina, afirma que se houvesse na
cidade duas mil pessoas que falassem inglês e dominassem a linguagem
Cobol (da área de informática), todas elas estariam empregadas.
Ele ressalta que a cidade está se robustecendo como pólo
tecnológico e isto vai requerer mais e mais mão-de-obra
técnica. Tendo entre suas funções atrair indústrias
para Londrina, ele adverte que é necessário, também,
supri-las de trabalhadores qualificados. Se, por um lado, ocorre um déficit
dessa gente especializada, demonstrando que a cidade precisa atender
a a essa demanda, a informação é alentadora por
revelar que há vagas de trabalho.
Sabe-se que nem todos os formados
em curso superior encontram trabalho imediato, por isso há que
se encontrar uma forma de equilíbrio na produção
de profissionais. Certos técnicos podem auferir, hoje, ganhos
melhores que os possuidores de diploma universitário. Eles têm
também mais oportunidades no mercado de trabalho.
Um exemplo, na área
da contabilidade, é que o egresso de curso superior tem dificuldade
em encontrar trabalho, pela sua formação acadêmica
nem sempre compatível com a realidade dos escritórios
e empresas. Isto exige um longo tempo de adaptação. Na
verdade tal ocorre em todas as modalidades de aprendizado superior.
Essas informações resultam na conclusão de que
a formação técnica, nos cursos profissionalizantes, é um
caminho largo para a obtenção de emprego, e alertam para
a necessidade de investir mais nesse tipo de qualificação.
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Folha de São Paulo, 17 de março
de 2008
Dieese divulga balanço de
negociações salariais em 2007
Agência Brasil
São Paulo - O Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese) divulga hoje (17), em São Paulo, os resultados
das negociações de reajustes salariais realizadas
em 2007, reunidas pelo Sistema de Acompanhamento de Salários.
Para a realização do balanço, foram analisados 715 documentos
referentes a acordos e convenções coletivas de categorias da
indústria, comércio e serviços, das diferentes regiões
do país.
A divulgação contará com a participação
de representantes das centrais sindicais e de dirigentes sindicais de São
Paulo. Os resultados do levantamento serão apresentados a partir das
9h30, no Sindicato dos Engenheiros do estado, no bairro Bela Vista.
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Agência Diap, 17 de março de 2008
CONTA-SALÁRIO
Trabalhador poderá escolher
banco e agência onde serão depositados seu salário
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado poderá apreciar,
nesta quarta-feira (19), o PLS 340/04, do senador Aloizio Mercadante (PT/SP).
A posposta confere aos empregados o direito de escolher a instituição
financeira e a agência bancária em que os empregadores depositarão
sua remuneração. A proposta altera o artigo 464 da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT). O relator da matéria na Comissão é o
senador Inácio Arruda (PCdoB/CE).
O projeto tem caráter terminativo, isto é, se aprovado no colegiado
e não houver recurso contra a decisão, o texto poderá ser
encaminhado direto para exame da Câmara.
A reunião acontecerá no plenário 09, da ala Alexandre
Costa, do Senado Federal, às 11h.
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CONSULTOR JURÍDICO,
17 de março de 2008
Nova era
Justiça do Trabalho já está 90%
informatizada
Já está em fase de conclusão a implantação
da Rede Corporativa de Longa Distância da Justiça do Trabalho,
uma das metas do Conselho Superior da Justiça do Trabalho para a área
de informatização de todo o Judiciário trabalhista. Até o
final de março, mais de 90% dos 24 Tribunais Regionais do Trabalho estarão
interligados a suas respectivas varas e outras unidades administrativas remotas,
através da nova rede, por onde trafegarão dados e voz. Em meados
de abril, segundo o cronograma informado pela Embratel, a implantação
estará concluída.
A operadora já concluiu
a ativação de quatro segmentos: TRT da 4ª (RS), 10ª (DF),
18ª (GO), 19 ( AL), 21ª (RN), 23ª (MT) e 24ª (MS)
Regiões. O TRT-4 emitiu o aceite provisório no dia 4 de
março e, desde então, sua rede encontra-se em pleno funcionamento.
Os outros regionais devem fazer o mesmo nos próximos dias. Foi
previsto um período de funcionamento experimental de 90 dias,
logo após o aceite provisório, para que a operadora corrija
todos os problemas que porventura ocorram antes do aceite definitivo.
Para que a topologia da Rede
Corporativa esteja completa, resta a implantação do chamado “backbone
principal”, que interligará o Tribunal Superior do Trabalho às
sedes dos TRTs. A rede será o meio pelo qual trafegarão
os serviços de videoconferência e de transmissão
de dados e voz, e os sistemas e-Doc, Carta Precatória Eletrônica,
Suap (acompanhamento processual), ensino à distância e os
demais sistemas de gestão integrada da informação
da Justiça do Trabalho.
A criação
de uma rede corporativa para a interligação de todos
os órgãos da Justiça do Trabalho no país
começou a tomar forma em 2005, quando foi elaborado o projeto
técnico. Em novembro de 2006, a Embratel venceu a licitação
feita pelo TST para a implantação, e, em agosto de 2007,
o contrato foi assinado. O projeto prevê a implantação
de 25 redes ao todo. O ambiente de teste que está em fase de
conclusão abrange as 24 redes ou backbones regionais, que atenderão
aos 24 TRTs e suas Varas do Trabalho. A execução do projeto
coube a um grupo de trabalho composto pelos TRTs da 2ª (SP), 4ª (RS),
5ª (BA), 14ª (RO), 15ª (Campinas) e 23ª (MT) Regiões,
sob a coordenação do TST.

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