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Diário Vermelho,
23 de março de 2008
Veja fabrica dossiê e
diz que foi governo quem o fez
A revista Veja soltou em sua edição deste final de semana
mais uma de suas "criativas" reportagens, que trazem documentos
obtidos de fonte não revelada e que a revista diz, sem apresentar
uma mísera prova, ter sido o governo quem preparou. Com a "denúncia" a
revista tenta alcançar três objetivos: transformar a corrupção
do governo FHC em mera chantagem petista; forçar a CPI dos Cartões
a entregar para a imprensa os dados sigilosos da Presidência da
República e desgastar a imagem da ministra Dilma Roussef, da Casa
Civil.
A revista, famosa por inventar reportagens
inverídicas e trabalhar com documentos de origem duvidosa,
alega que teve acesso a um suposto dossiê que teria sido preparado
pelo governo para intimidar a oposição na CPI dos Cartões
Corporativos. O suposto dossiê traz informações
sobre os gastos com suprimento de fundos durante o governo Fernando
Henrique. Cita gastos com caviar, champagne, viagens e outras futilidades
que são citadas apenas para escamotear o real objetivo da
reportagem: acusar o governo Lula de chantagista.
Como costuma fazer quando o assunto é delicado e pode comprometer
a revista, já que as "acusações" carecem
de qualquer tipo de prova, a Veja deu apenas uma singela chamada no
topo da capa para a reportagem. A capa mesmo foi dedicada a outro assunto
--o desmatamento da Amazônia-- que a revista menospreza mas resolveu
tratar para defender os interesses empresariais que rondam a floresta.
Já sobre o suposto dossiê, a revista diz com todas as
letras que o documento ao qual teve acesso foi "construído
dentro do Palácio do Planalto, usado pelos assessores do presidente
na CPI em tom de ameaça e vazado pelos petistas como estratégia
de intimidação". Mas não apresenta nenhuma
mísera prova ou indício para sustentar estas afirmações.
A revista também mente ao dizer que foi esta suposta intimidação
que permitiu a divisão de cargos na CPI, com o PT ficando com
a relatoria e o PSDB com a presidência. Além de não
ter lógica ---afinal para que o governo cederia um posto à oposição
se tinha informações para atacá-la durante a CPI?
--- a hipóstese de Veja também esbarra num elemento que
no jornalismo sério é fundamental, mas na Veja faz tempo
que não é levado em conta: o fato. E o fato concreto é que
a negociação dos postos na CPI dos Cartões foi amplamente
discutida no Congresso e só permitiu que o PSDB ocupasse a presidência
da comissão graças à atuação do líder
do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
A maior parte das informações "reveladas" por
Veja sobre os gastos da gestão FHC já foram divulgadas
em outros veículos de comunicação nas últimas
semanas. O suposto dossiê pode, portanto, ter sido uma invenção
da própria revista com dados colhidos na imprensa, no Portal
da Transparência e até mesmo com funcionários do
governo que tiveram acesso a estas informações. A Veja
sabe, de experiência própria, que informações
podem ser compradas. O dossiê, se é que existe, pode ainda
ser obra de pessoas interessadas em desgastar o governo.
Infelizmente, a revista usa a legislação que protege
suas fontes para esconder quem "vazou" as tais informações
que a Veja alega ser um dossiê preparado pelo governo. Esta informação
poderia ajudar o Ministério Público a descobrir se houve
realmente intenção de chantagear a oposição.
Os dados não batem
Em nota, a Casa Civil disse hoje que "o que a revista apresenta
são fragmentos extraídos de uma base de dados do sistema
informatizado de acompanhamento do suprimento de fundos (Suprim)".
O sistema foi criado por orientação do TCU (Tribunal
de Contas da União) para que fossem estabelecidos mecanismos
que dessem maior transparência ao acompanhamento dos gastos.
O Suprim começou a ser alimentado em 2005. O processo de alimentação
retroagiu para 2004 e 2003 e agora estariam sendo digitalizados os
documentos dos três anos citados na reportagem da Veja. A Casa
Civil também contesta os valores de gastos apresentados pela
revista: "Nos três anos referidos pela matéria, o
gasto médio anual em suprimento de fundos da Presidência
da República não ultrapassa a R$ 3,6 milhões de
reais em valores nominais."
Estratégia funcionou para blindar Serra
A "denúncia" de Veja é muito semelhante à estratégia
usada em outro episódio, que a própria revista cita na
reportagem deste final de semana. O episódio ocorreu durante
a campanha de 2006 e a imprensa conseguiu transformar o corrupto em
vítima e, assim, neutralizar a acusação. Trata-se
do dossiê preparado pela família Vendoim, donos da Planam,
com sérias acusações contra o governador de São
Paulo, José Serra. Quando foi ministro da Saúde, Serra
teria convivido, dentro do Ministério da Saúde, com um
esquema de corrupção envolvendo a compra de ambulâncias.
Os Vedoins colocaram as informações sobre este esquema
num dossiê e tentaram vendê-lo para tucanos (que tinham
interesse na papelada para escondê-la) e para petistas, que tinham
interesse no dossiê para desmascarar Serra, se fosse preciso,
durante a campanha para o governo de São Paulo, em 2006.
Por uma destas coincidências que de coincidência não
tem nada, a polícia acabou flagrando pessoas ligadas ao PT negociando
a aquisição do dossiê. Foi a senha para que a grande
mídia, toda comprometida com a campanha tucana, passasse a acusar
petistas de tentar chantagear Serra e o PSDB. A partir daí e
com a ajuda dos próprios petistas que caíram nessa armadilha,
passou-se a discutir apenas a suposta "chantagem" e nada
mais foi falado sobre o conteúdo do dossiê. Até hoje,
a opinião pública está sem saber até onde
ia o envolvimento de Serra com a corrupção no Ministério
da Saúde. Da história toda, restou apenas a vitória
eleitoral de Serra e o apelido de "aloprados" para os petistas
envolvidos no episódio.
Desta vez, a Veja tenta ser a ponta de lança de um estratagema
semelhante. Busca jogar as chamas de seu denuncismo sobre o Palácio
do Planalto na esperança de que o governo passe para a defensiva
e, assim, qualquer denúncia que surja contra o governo FHC durante
a CPI dos cartões venha carimbada como "chantagem".
Outros dois objetivos da reportagem, que a própria Veja deixou
claro, são o de forçar a CPI a divulgar informações
sobre gastos da Presidência da República e envolver a
ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, no embróglio. Os dados
sobre os gastos da Presidência são protegidos pois podem
colocar em risco a segurança do presidente e de sua família.
Mas a oposição tem a esperança de, com eles, criar
factóides para tentar desgastar a imagem do presidente Lula.
A presidente da CPI, Marisa Serrano (PSDB-GO) já entendeu
a mensagem e disse que a oposição usará a repercussão
da reportagem de Veja para exigir a abertura das contas secretas do
governo e convocar a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). "Se
o sigilo foi aberto para um lado, temos que abrir para o outro. "Se
o sigilo foi aberto para um lado, temos que abrir para o outro. Agora
os governistas não têm mais desculpa", afirmou a
tucana, que prometeu pôr em votação na quarta-feira
a convocação de Dilma.
Resta saber se, a exemplo de 2006, o governo vai novamente cair na
arapuca preparada pelo pasquim dos Civita.
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Congresso em Foco, 23 de março de
2008
Governo nega chantagem em CPI
dos Cartões
O ministro das Relações Institucionais
da Presidência da República, José Múcio
Monteiro, negou hoje (22) que o governo tenha produzido um
dossiê contra a gestão de Fernando Henrique
Cardoso para intimidar a oposição na CPI dos
Cartões – como noticiou a revista Veja . A Casa
Civil promete investigar o vazamento de informações.
Segundo a revista, o Palácio do Planalto levantou dados sobre
as contas “B”, antecessoras dos cartõs corporativos
no governo anterior, para mostrar que os tucanos também fizeram
muitas despesas sigilosas, inclusive de FHC e da ex-primeira-dama, Ruth
Cardoso. Agora oposição promete exigir a divulgação
dos gastos sigilosos de Lula, da primeira-dama, Marisa Letícia,
e dos ministros de Estado.
Em entrevista ao Congresso em Foco, na tarde deste sábado, Múcio
afirmou que o governo Lula não tem disposição de
afrontar ninguém. “O espírito não é ameaça. É esclarecer.
O governo tem consciência que tanto esse quanto o outro governo
fizeram gastos com responsabilidades”, disse ele.
Apesar disso, Múcio negou que os dados tenham sido levantados. “Quem
tem isso é o arquivo da Presidência”, afirmou o ministro.
O deputado Marco Maia (PT-RS) também defende que não há intenção
de constranger ninguém na CPI. “O governo estava preparando
isso para mostrar à CPI.” Ele não crê em dossiê. “O
governo queria informar isso à CPI caso a informação
fosse requisitada”, insistiu Maia.
O deputado disse que defende a divulgação de dados tanto
do governo Lula quanto do governo FHC – desde que não sejam
considerados “sigilosos”. A compra de vinhos, por exemplo,
estaria liberada, na visão de Maia. Informações
sobre a segurança do presidente e sua família não
poderia ser expostas, de acordo com o petista.
“Criminosos”
Ligado ao ex-presidente Fernando Henrique, o líder do PSDB, Arthur
Virgílio (AM), condenou energicamente a produção
do dossiê com informações sigilosas da gestão
anterior. “Os métodos deles são sórdidos. É a
mesma cabeça do dossiê Vedoin [feito nas últimas
eleições para vincular o nome de José Serra à máfia
dos sanguessugas]”, afirmou. “Essa gente no governo é perigosa.
Esses petistas são criminosos”, disparou.
Virgílio disse que, na segunda-feira (24) à noite, o assunto
vai ser discutido pelas lideranças do partido. Ele adiantou que
a bancada do PSDB na CPI vai pedir todos os gastos com cartões
corporativos do presidente Lula, da primeira-dama e dos ministros de
estado. “É um tiro pela culatra. Se deram [informações]
da dona Ruth, eu quero saber da dona Marisa. O PSDB vai pedir os dados
sigilosos de tudo”, criticou o senador.
Os tucanos ainda prometem ir ao Ministério Público pedir
investigação sobre o vazamento das informações.
Aécio
Virgílio quer fazer um alerta aos seus colegas de partido que
querem fazer alianças com o PT, especialmente Aécio Neves,
governador de Minas Gerais, que costura uma aliança com petistas
para disputar a prefeitura de Belo Horizonte. “Vamos lembrar o
Aécio o tipo de gente com quem ele está lidando.”
O líder tucano diz que o conteúdo do dossiê não
o preocupa e não compromete o governo FHC. Segundo ele, o Tribunal
de Contas e o Ministério Público poderão averigüar
isso. “Esses dados comprometeram eles [os governistas]”,
contra-atacou Virgílio.
A reportagem deixou recados com assessores e no telefone do relator da
CPI dos Cartões, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), mas não
obteve retorno. Também tentou, sem sucesso, falar com outros govenistas
na comissão, mas não conseguiu. (Eduardo Militão)
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Diário Vermelho, 23 de março
de 2008
OAB e CNBB relançam
movimento por reforma política
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Confederação
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) marcaram para dia 15
de abril a primeira reunião de um movimento que pedirá pela
reforma política no País.
Segundo o presidente do Conselho Federal da OAB, Cezar Britto, os
projetos "tratarão dos seguintes temas: mudança
das regras para escolha do suplente de senador, fim da reeleição
para o Executivo, dar ao eleitor o direito de cassar o mandato do eleito
que trair as promessas de campanha e instituir o financiamento público
das campanhas".
" O movimento pretende apresentar quatro projetos de iniciativa
popular para mudar o sistema político e eleitoral Brasileiro",
afirmou Britto, em notícia publicada no site da OAB.
Ele disse que a população precisa compreender que precisa
se mobilizar em defesa de seus objetivos e gerir o seu próprio
destino. "Isso está expresso na Constituição
Federal", disse. "A melhor forma de exigir é a mobilização
popular, é levar para a população a idéia
de que ela pode mudar o País”.
A assessoria da OAB informou que os temas que comporão os
quatro projetos poderão sofrer alterações. Para
a reunião do movimento, também foi convocada a União
Nacional dos Estudantes (UNE), entre outras entidades de todo País.
As informações são do site da OAB.
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Agência Brasil, 23 de março
de 2008
Brasil não está blindado
contra crise norte-americana, afirma economista
Ana Luiza Zenker
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A crise que começou no mercado imobiliário
dos Estados Unidos e já atinge o setor financeiro pode atingir
o Brasil. É o que afirma o professor de economia da Universidade
de Brasília (UnB) Vander Mendes. Em entrevista à Agência
Brasil, Mendes disse que desde 2002 o Brasil se beneficiou com uma
bolha ascendente das especulações financeiras no mercado
mundial.
“Agora esse mercado começa a ter problemas de honrar
seus compromissos e conseqüentemente o Brasil não vai ficar
de fora, assim como ele se beneficiou agora também ele vai ter
que pagar por isso”, afirmou.
O professor Vander Mendes disse que a atual crise pode, sim, gerar
conseqüências parecidas com as vistas na crise de 1929,
que resultou na Grande Depressão. O professor acredita, no entanto,
que os efeitos sociais podem não ser tão fortes.
“É de se esperar alguma recessão econômica?
Talvez sim, principalmente na economia americana, mas talvez nem todas
as economias vão ter as mesmas conseqüências, no
nível inflacionário, de desemprego, ou seja, talvez as
conseqüências sejam mais no nível financeiro”,
afirmou.
Isso, no entanto, não significa que a sociedade não
deva sentir a crise. Mendes argumentou que se os governos permitirem
que os bancos percam o que ganharam até agora, os efeitos sociais
vão aparecer. “Infelizmente o mercado globalizado é assim,
quando se ganha, poucos ganham, os banqueiros ganham, mas quando se
perde, não só os banqueiros que perdem”, disse.
Para neutralizar esses problemas, o professor ressalta a atuação
do Estado e dos bancos centrais, não só pontualmente,
como tem feito o governo dos Estados Unidos, como também intervenções
coordenadas de bancos centrais de diferentes países. Esse tipo
de atuação pode minimizar as conseqüências
internacionais, pois também há bancos de países
europeus – e mesmo de outros continentes – com negócios
no mercado imobiliário norte-americano, ressaltou Mendes.
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Agência Brasil, 23 de março
de 2008
Desperdício diário
de água é suficiente para abastecer 38 milhões
de pessoas
Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Diariamente nas capitais brasileiras o desperdício
de água potável equivale a 2.500 piscinas olímpicas
(em média 2,5 milhões de litros de água). E a
culpa neste caso, não é do consumidor. A perda de cerca
de seis bilhões de litros – o suficiente para abastecer
38 milhões de pessoas – acontece entre a retirada dos
mananciais e a chegada às torneiras.
Os números fazem parte de um relatório do Instituto
Socioambiental (ISA), que traça um panorama do alcance de sistemas
de saneamento básico e do volume de desperdício de águas
no país. De acordo uma das coordenadoras do ISA Marussia Whately,
as perdas são causadas por vazamento nas redes de abastecimento,
sub-medição nos hidrômetros e fraudes.
“ A maioria das capitais – 15 das 27 – perdem mais
da metade da água produzida”, de acordo com o relatório.
Porto Velho, capital de Rondônia, é a campeã em
desperdício, com 78,8% de perda. As cidades de Rio Branco, de
Manaus e de Belém também têm índices superiores
a 70%. O desperdício nessas capitais seria suficiente para abastecer
quase cinco milhões de habitantes.
De acordo com a superintendente de Produção de Água
da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Tânia
Baylão, a redução de desperdício passa
por garantia de investimentos nas redes e atendimento rápido
de notificações de vazamentos.
“ Combater a perda tem que ser uma diretriz básica,
temos inclusive uma linha de financiamento prioritária para
isso”. O Distrito Federal é a unidade da federação
com o menor registro de perda na distribuição, com 27,3%.
Além da perda na distribuição, o relatório
também apresenta um mapa do consumo doméstico de água
e mostra que a média nacional, de 150 litros per capita, está 40
litros acima do recomendado pela Organização das Nações
Unidas (ONU). Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória,
o consumo ultrapassa 220 litros por dia.
“ Infelizmente, o brasileiro acha que como temos bastante água
no Brasil, não é preciso economizar. Pelo contrário,
temos regiões em que se você dividir o volume de água
pela população, podemos considerá-las como áreas
de déficit hídrico, como São Paulo e Rio de Janeiro,
por exemplo”, explicou o chefe das assessorias da Agência
Nacional de Águas (ANA), Antônio Félix Domingues.
A representante do ISA Marussia Whately aponta a conta de água
conjunta em condomínios residenciais como uma das causas do
alto consumo em regiões urbanas. “O usuário acaba
não tendo o mesmo cuidado com o aumento do consumo de água
assim como tem com a conta de luz”, compara. Ela defende que “pequenas
transformações em hábitos diários podem
gerar grandes mudança” e acredita que a conscientização é uma
das ferramentas para diminuir o desperdício.
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Gazeta do Povo, 23 de março de 2008
BRASIL | ELEIÇÕES
Políticos preparam-se
para travar batalha no YouTube
Gafes, momentos históricos
e propaganda partidária já circulam na rede
São Paulo – Um curioso baú digital está ajudando
a reverter o ditado de que o brasileiro tem memória curta para
a política. Após a febre do Orkut e dos blogs, cresce agora
o compartilhamento de vídeos na internet, sobretudo no site YouTube.
Quase tudo foi incluído lá pelos internautas: gafes, momentos
históricos, propaganda partidária e ideologia para todos
os gostos. De olho no interesse crescente pela nova mídia, políticos
aprendem gradativamente a desvendá-la e marqueteiros buscam a
melhor maneira de infiltrar seus patrões na rede.
Um consulta por palavra-chave mostra a invasão de temas políticos
no YouTube. Há 1.600 vídeos disponíveis com referência
ao presidente Lula. A vaia na abertura do Pan, no Rio, é um
deles. Também pode ser vista uma mensagem de Lula, antes do
segundo turno de 2006: “Alô companheiros que navegam no
Orkut, muito obrigado pelo apoio.” Foi vista 111 mil vezes. O
choro da ministra Dilma Rousseff, no último dia 11, já está na
rede e foi visto 110 vezes.
Veja quem já caiu na rede
• O presidente Lula aparece em 1.600 vídeos
disponíveis.
• O choro da ministra Dilma Rousseff está no
YouTube e já teve mais de cem acessos.
• A famosa frase – “relaxa e goza” – da
ministra do Turismo, Marta Suplicy, pode ser vista na rede.
• O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, é um
dos mais atendos à era digital: já “postou” 260
vídeos.
• O deputado Ciro Gomes aparece em vídeo gravado
pela TV Senado, quando bateu boca com d. Luiz e a atriz Letícia
Sabatella.
A lista de vídeos e áudios disponíveis é grande
e exige filtragem: mensalão (664 arquivos), Diretas-já (105),
Tancredo Neves (134), operações da Polícia Federal
(115), Paulo Maluf (353) e Movimento dos Sem-Terra, com 2.170 itens.
A interatividade é grande: é possível comentar o
vídeo, recomendá-lo a amigos, dar nota e verificar o número
de acessos. Há muito humor e até algumas agressões “postadas” pelos
internautas mais exaltados.
Denunciada pelo Ministério Público por participar da
destruição de 1 milhão de mudas na Aracruz Celulose,
há 2 anos, a líder Luciana Passinato aparece num documentário. “As
mulheres da Via Campesina escolheram esse local porque é uma
das grandes ameaças do agronegócio”, diz ela. Em
outro vídeo, a Aracruz se defende e garante ter investido “milhões
de dólares” nas comunidades locais e em educação.
A polêmica transposição do Rio São Francisco é tema
de 167 vídeos. O líder do MST João Pedro Stedile,
por exemplo, aparece dando apoio ao bispo de Barra (BA), d. Luiz Flávio
Cappio, que fez duas greves de fome contra o projeto. “Essa obra é a
que mais vai gastar cimento no mundo nos próximos 3 anos”,
diz. Já o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) aparece em vídeo
gravado em 14 de fevereiro, pela TV Senado, quando bateu boca com d.
Luiz e a atriz Letícia Sabatella. Para ele, está em jogo “o
abastecimento de 12 milhões de pessoas”.
Os escândalos não foram esquecidos. Dá para conferir
as acusações do então deputado Roberto Jefferson
(PTB-RJ) na CPI do Mensalão e o discurso de Renan Calheiros
(PMDB-AL), ao entregar o cargo de presidente do Senado, após
150 dias de desgaste. As gafes também estão lá:
a “bengalada” no então ministro José Dirceu
(PT-SP), enquanto enfrentava processo de cassação; a
famosa frase – “relaxa e goza” – da ministra
do Turismo, Marta Suplicy; e o governador José Serra (PSDB)
se atrapalhando ao dar nota ao governo FHC, no Programa do Jô.
Um dos mais atentos à era digital é o prefeito do Rio,
Cesar Maia, que já “postou” 260 vídeos. “Trata-se
de ampliar e diversificar os instrumentos de comunicação
e interatividade”, explicou ele à reportagem, por e-mail.
Os marqueteiros também estão atentos. “É uma
convergência total e absoluta, o exercício da democracia
plena”, ressaltou Dante Matiussi, que teve sua TV Mercadante
barrada pela Justiça Eleitoral na última eleição.
Agora espera regras mais claras.
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O Estado do Paraná, 23 de março
de 2008
Brasil está confortável
em relação ao petróleo, diz especialista
O Brasil ficará em situação confortável
no curto prazo perante o comportamento do petróleo,
na avaliação de Edmilson Moutinho dos Santos,
professor associado do Instituto de Eletrotécnica
e Energia da Universidade de São Paulo. Ele considera
que o País se beneficiará da condição
de produtor e exportador e destaca que, internamente, o preço
da gasolina não tem sido reajustado na velocidade
e intensidade da média internacional.
Santos entende que "o País é um grande produtor
e até exportador". "Enquanto vendedor, está na
vantagem. Por outro lado, o aumento (de preços) pode se refletir
aqui, embora um pouco menos e não com a mesma rapidez lá de
fora. No curto prazo o Brasil estará bem". Ele participou
de reunião do comitê estratégico de Energia da
Câmara Americana de São Paulo (Amcham) segundo nota publicada
no site www.amcham.com.br.
De acordo com o professor, em relação ao óleo
combustível para navios, o Brasil segue o preço internacional.
Já quanto ao diesel, a Petrobras vem controlando o preço
em real para conter a inflação. "A Petrobras tem
segurado a subida aqui em alguns momentos, embora na média dos últimos
anos tenha seguido a tendência mundial", explica. Segundo
ele, no caso da gasolina, os preços em real sempre foram menores
do que a média praticada fora. "A gasolina é muito
populista, afeta votos. Os preços sempre estiveram abaixo da
média internacional, embora ocorram reajustes graduais ao longo
do tempo", explicou. Recentemente, acrescenta Santos, o etanol
se tornou outro fator a segurar o preço da gasolina. Com a ampliação
da produção do biocombustível e dificuldades para
vendas externas, o preço do etanol ficou atrativo ao consumidor
brasileiro.
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O Estado do Paraná, 23 de março
de 2008
Direito e Justiça
As contribuições
financeiras assistenciais aos sindicatos (2)
Edésio Passos
No artigo da edição anterior deste Direito e Justiça,
abordamos a legalidade e oportunidade das contribuições
financeiras das empresas em favor das entidades sindicais de trabalhadores.
Neste segundo texto, examinaremos o posicionamento do Supremo Tribunal
Federal em decidir pela legalidade da contribuição financeira
de todos os trabalhadores representados pelo Sindicato, desde que haja,
na cláusula do acordo ou da convenção coletiva
de trabalho, a possibilidade de oposição do trabalhador
não associado. Entretanto, muitos julgados ainda mantêm
a legalidade de referidas cláusulas, mesmo sem o direito de
oposição do não-associado.
Em várias cláusulas de acordos e convenções
coletivas de trabalho estão em conformidade com recente decisão
do Supremo Tribunal Federal (RE 461.451.1.SP - Ministro Relator EROS
GRAU, Ac.publicado no DJU em 5/5/2006). A decisão do STF é a
seguinte:
“Agravo Regimental no Recurso Extraordinário. Contribuição
Confederativa. Compulsoriedade. Inexistência. 1. A contribuição
confederativa instituída pela assembléia geral somente é devida
por aqueles filiados ao sindicato da categoria. É inconstitucional
a exigência da referida contribuição de quem a
ele não é filiado. 2. Contribuição assistencial
estipulada em convenção coletiva. Sujeição
do desconto em folha à autorização ou à não
oposição do trabalhador. Precedente. Agravo regimental
não provido”. (AG REG N.º REX 461.451-1 SP STF, acórdão
publicado na Revista Decisório Trabalhista, VI/06, n.º 143,
págs. 117 a 120).
No corpo do Acórdão, está expresso: “Nesse
sentido é a jurisprudência do Supremo: “contribuição
assistencial estipulada em convenção coletiva sujeição
ao desconto em folha à autorização ou à não
oposição do trabalhador, que não ofende à Constituição” (RE
n.º 220.120, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ
de 22/5/98)”.
Assim, nos termos do acórdão do STF, nas cláusulas
assistenciais com a previsão de direito de oposição
do trabalhador não-associado, não há qualquer
dúvida da legalidade e constitucionalidade, inseridas nos instrumentos
coletivos de trabalho com plena eficácia e validade no mundo
jurídico como determina o art. 7.º inc. XXVI da CF e anuídas
pelo sindicato patronal respectivo.
Acórdão do TST
Os Ministros da I Subseção I Especializada em Dissídios
Individuais do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade, fixaram
o mesmo princípio, ou seja, da validade da cláusula que
contenha o direito de oposição do empregado, como se
verifica na ementa seguinte:
“TST ER 606962 1999 - DJU 27/5/2005 Relator Ministro JOSÉ LUCIANO
DE CASTILHO PEREIRA: - CONTRIBUIÇÃO ASSISTENCIAL CONFEDERATIVA
- VIOLAÇÃO DO ART.896 DA CLT. A contribuição
assistencial pode ser cobrada dos empregados não associados,
desde que a esses se assegure o direito de oposição.
Mas, neste processo, esta questão não está colocada.
Portanto, a afirmação de que tal contribuição
só pode ser efetivada de empregados associados, não afronta
texto constitucional”.
No corpo acórdão está acentuado:
“Não obstante isto, todos os empregados das empresas
da categoria são beneficiados pelas normas coletivas e, portanto,
todos deveriam contribuir para a entidade que viabilizou e conquistou
os objetivos. Necessário, entretanto, para que seja válida
a cláusula, é que seja assegurada a oposição
dos empregados não sindicalizados”.
Esta posição, unânime, do TST, em Seção
Especializada, está adequada à orientação
do E. STF.
Acórdãos dos TRTs
O E.TRT 2.ª Região, sobre o direito de oposição,
decidiu:
“Contribuição assistencial. Abrangência.
Direito de Oposição. É lícita a cláusula
normativa que prevê a contribuição assistencial
de filiados e não-filiados ao sindicato da categoria, devendo,
entretanto, assegurar ao trabalhador o direito prévio de oposição
ao correspondente desconto. A extemporaneidade ou ausência de
manifestação expressa do empregado autoriza a dedução
da parcela, que deverá ser repassada pela empresa ao sindicato.
Ação de cumprimento julgada parcialmente procedente” (TRT
SP 02980190238/1998 4.ª Turma Ac. 02990171716 - Relatora Juíza
Sonia Maria Prince Franzini DJSP 30/4/1999)
O E. TRT da 23.ª Região fixou, em longo acórdão,
a linha mestra da questão do direito de oposição,
em decisão publicada no Diário da Justiça de Mato
Grosso, edição nº5939, publicado em 23/6/2000 e
circulação em 26/6/2000:
“CONTRIBUIÇÃO ASSISTENCIAL. CLÁUSULAS CONVENCIONAIS.
LEGITIMIDADE. GARANTIDA OPOSIÇÃO PRÉVIA DO TRABALHADOR
SINDICALIZADO OU NÃO. Em consonância com a orientação
do Supremo Tribunal Federal, cláusula de acordo ou convenção
que impõe o recolhimento de contribuição assistencial
tanto a empregados sindicalizados como a não sindicalizados
somente pode ser considerada legítimas se garantir o direito
de oposição ao desconto da parcela a todos os empregados
da categoria, indistintamente. Se assim não o for, a cláusula
atenta contra o comando constitucional previsto no art. 7.º, VI,
da C.F., que constitui um dos direitos inalienáveis do trabalhador,
que é a garantia à irredutibilidade salarial. No caso
em tela, as cláusulas que instituiram a contribuição
assistencial aos trabalhadores da categoria do Sindicato recorrente,
filiados ou não à entidade sindical, não lhes
oportunizou direito de se manifestarem favorável ou desfavoravelmente
aos descontos respectivos, por isso tais cláusulas revestem-se
de nulidade, visto que deixaram de observar preceito constitucional
traduzido pelo princípio da irredutibilidade salarial (art.
7.º, inciso VI, da CF.)” (TRT MT RO 3519/99 - Acórdão
T.P. 1238/2000 - Relator Juiz João Carlos - DJMT 23/6/2000 -
na íntegra do site do TRT).
Também o E. TRT de Minas Gerais decidiu que:
“TAXA ASSISTENCIAL. LICITUDE. Desde que conste dos respectivos
instrumentos normativos previsão da possibilidade de oposição
pelo empregado, é lícita a instituição
da taxa assistencial, na forma da lei, mesmo que implique desconto
nos salários de empregados associados ou não, em favor
do Sindicato” (TRTMG RO 11.932/1998 - 3.ª Turma - Relatora
Juíza NANCI DE MELO E SILVA - Publicado no DJMG em 7 de abril
de 1999, página 21).
Ainda o E. TRT da 15.ª Região, decidiu:
“CONTRIBUIÇÃO ASSISTENCIAL. DESCONTO. VALIDADE.
A contribuição assistencial não guarda relação
com a confederativa prevista pelo artigo 8.º inciso IV, da Constituição
Federal. Obrigatório o desconto ajustado em norma coletiva,
desde que não comprovada a oposição, oportuna,
do trabalhador ao desconto. Precedente 119 do C. TST. Precedente do
STF. RE n.º 88.022-SP (RTJ 86/898) - RE 220.700-RS rel. Ministro
Octavio Gallotti, 6.10.98”).
Cláusulas sem direito de oposição
No sentido do direito do Sindicato em estabelecer cláusula
assistencial relativamente a todos os trabalhadores, mesmo que não
houvesse o direito de oposição do empregado, persiste
abundante jurisprudência é abundante, como as indicadas
a seguir:
“CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA E ASSISTENCIAL. VALIDADE
DA CLÁUSULA NORMATIVA. Os instrumentos normativos do trabalho
têm a natureza jurídica de lei delegada. É livre
a contratação desde que não contravenha as disposições
legais e as decisões das autoridades (teorias contratualistas
e institucionalistas). A contribuição confederativa ou
assistencial é autorizada pela Constituição Republicana
(inc. IV, art. 8.º,CF). A assembléia geral da categoria é soberana
para decidir a pauta de negociação coletiva e deliberar
sobre a forma de custeio desse processo de negociação,
palco em que o obreiro, como integrante da categoria profissional,
deve manifestar seu inconformismo em relação às
deliberações tomadas pela categoria. A cláusula
normativa produzida com observância de processo legislativo previsto é válida
e eficaz” (TRT 2.ª Região - Proc. 02960448051/1996
- 6.ª Turma - Ac. 02970641504 - Relator Juiz Gézio Duarte
Medrado - publicado DJSP 28/11/1997)
No mesmo sentido, decisão do E. TRT 2.ª Região:
“CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA E ASSISTENCIAL - AÇÃO
ANULATÓRIA DE CLÁUSULA CONVENCIONAL - IMPROCEDÊNCIA.
As normas coletivas resultam de negociações coletivas,
constituindo, segundo definição de MÔNICA SETTE
LOPES, “reflexo negociado do confronto direto das vontades dos
sujeitos representados pelas partes negociadoras e de seus interesses
antagônicos” (in “Revista Trabalho & Doutrina”,
n.º 13, Editora Saraiva, São Paulo, junho de 1997, p. 22).
Em respeito à autonomia da vontade das partes, especialmente à autonomia
da vontade dos sindicatos, devem prevalecer as condições
acordadas, salvo se houver violação de liberdade individual
ou coletiva ou dos direitos individuais indisponíveis dos trabalhadores,
o que não ocorre com as cláusulas que estabelecem a contribuição
confederativa e a assistencial” (Proc. 20196 2002 000 02 00 8
- Ano 2002 - SDC - Acórdão n.º 2003001105 - Relator
Juiz Floriano Vaz da Silva DJSP 6/6/2003).
Ainda do E. TRT 2.ª Região:
“CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA/ASSISTENCIAL. Vinculação
da categoria como um todo, independentemente de filiação
sindical. A organização sindical adotada pela Constituição
manteve a categoria como núcleo, atribuindo aos sindicatos a
defesa de seus interesses e direitos, coletivos e individuais, inclusive
na esfera administrativa e judicial (art. 8.º, III). Para sua
sustentação financeira, a partir da estruturação
confederativa, conferem-se poderes à assembléia geral
para a fixação da contribuição de custeio,
a cargo da categoria como um todo, quanto profissional (art. 8.º,
IV). Categoria profissional, na definição do art. 511,
parágrafo 2.º da CLT é o conjunto de pessoas, que
tem condições de vida oriunda da profissão ou
trabalho em comum, em situação de emprego na mesma atividade
econômica ou em atividades econômicas similares ou conexas.
Se é assim, se categoria constitui a coletividade, filiada ou
não a sindicato, capaz de justificar os efeitos erga omnes dos
instrumentos normativos, tem a mesma dimensão para obrigá-la
a contribuir para o custeio de sua organização de classe” (TRT
2.ª Região Proc. 2001 0070502 8.ª Turma Relator Juiz
José Carlos da Silva Arouca, DOE SP 23/4/2002).
Também do E. TRT da 2.ª Região:
“CONTRIBUIÇÃO ASSISTENCIAL. ASSOCIADOS E NÃO
ASSOCIADOS. A contribuição assistencial fixada em norma
coletiva, é devida por todos os integrantes da categoria e não
somente pelos associados da entidade sindical, pois as vantagens conquistadas
beneficiam a todos, não sendo lícito gozar desses direitos
e procurar escusar-se do cumprimento das obrigações.
Considerar-se que os não filiados não devem sofrer o
desconto seria o mesmo que incitá-los a não se filiar
sob a vantagem de não arcarem com o débito, sendo que,
ao contrário, não pode o sindicato deixar de preservar
os direitos de todos os trabalhadores da categoria, indistintamente,
já que é seu dever defendê-los” (TRT 2.ª Região
6.ª Turma Proc 01352 2002 064 02 00 0 Relator Juiz Valdir Florindo
- DOE SP 19/9/2003)
A legalidade das taxas assistenciais está definida
por Acórdãos do TRT 4ª Região:
“CONTRIBUIÇÃO ASSISTENCIAL -A previsão
de contribuição assistencial em normas coletivas negociadas
situa-se dentro dos limites em que é permitida a transação
de vontades coletivas das categorias e abrange todos os integrantes
das categorias econômica e profissional” (TRT RO 00007.005/00.8
- Relator Juiz Raul Zoratto Sanvicente - DJRS 12/12/2003 -
“CONTRIBUIÇÃO ASSISTENCIAL. A instituição
e a cobrança da contribuição assistencial encontram
respaldo legal na alínea ‘e’ do artigo 513 da CLT,
que confere aos sindicatos o poder de impor contribuições
aos participantes das categorias profissionais e econômicas,
não prevalecendo mais a distinção entre associados
e não associados que vigia anteriormente à Constituição
Federal/88. Sendo inequívoca a natureza compulsória da
contribuição assistencial no âmbito da totalidade
da categoria econômica ou profissional abrangida pela norma coletiva
que a instituiu, não há falar em devolução
dos descontos a tal título efetuados no salário do empregado.
Recurso provido” (TRT RS 01395 2004 018 04 00 6 - Relatora Juíza
CLEUSA REGINA HALFEN - Publicado no DJRS em 5 de junho de 2007).
“CONTRIBUIÇÃO ASSISTENCIAL. As normas coletivas
devem ser cumpridas, não podendo os empregados apenas usufruir
as vantagens, sem arcar com as obrigações nelas estabelecidas.
Assim, as contribuições assistenciais previstas nas normas
coletivas são devidas por todos os empregados da reclamada integrantes
da categoria do sindicato autor” (Proc. N.º 01084.771/01-2(RO).
6.ª Turma TRT 4.ª Reg - Relatora Juíza IRIS LIMA DE
MORAES - Publicado DJ 27/10/2003).
“CONTRIBUIÇÃO ASSISTENCIAL. Legitima a cobrança
de contribuição assistencial em favor do sindicato profissional
abrangendo tanto os associados como os não associados quando
assim previsto expressamente em norma coletiva. Provimento negado” (Proc.
N.º 00900.403/01-2 (RO) - TRT 4.ª Reg - 3.ª Turma -
Relatora Juíza EURÍDICE JOSEFINA BAZO TORRES - Publicado
DJ 24/11/2003).
“DESCONTO DE CONTRIBUIÇÃO ASSISTENCIAL. OPOSIÇÃO
DE NÃO ASSOCIADOS AO SINDICATO PROFISSIONAL. Não existe
qualquer atentado à liberdade individual de associação,
pois não se está obrigando o empregado a filiar-se a
sindicato profissional ou contribuir regularmente para seu sustento
econômico, mas simplesmente reconhecendo seu dever de ajudar
a suportar parte das despesas havidas pelo sindicato em função
da negociação coletiva, retribuindo assim, ainda que
minimamente, os benefícios que lhe proporcionou a atuação
sindical” (Proc. N.º 010116.771/01-0(RO) - TRT 4.ª Reg.
1.ª Turma - Juiz Relator LUIZ ALBERTO DE VARGAS - Publicado DJ
28/11/2003).
Edésio Passos é advogado e
ex-deputado federal (PT/PR). E-mail: edesiopassos@terra.com.br
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Folha de São Paulo, 23 de março
de 2008
Lula dribla veto e libera verbas a 1.800 obras antes da eleição
Lei proíbe repasse
nos três meses que antecedem o pleito para não
desequilibrar disputa
Lista é liderada por obras de saneamento,
urbanização de favelas e construção de
casas, projetos capazes de influir na decisão do eleitor
MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo Lula driblou o veto da legislação eleitoral
a repasses de recursos federais para obras novas nos três meses
que antecedem a escolha dos prefeitos e, sem alarde, listou por decreto
quase 1.800 ações do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) que terão seus gastos liberados na reta final
das eleições.
A lista é liderada por obras de saneamento, urbanização
de favelas e construção de moradias para a população
de baixa renda -projetos com potencial para influenciar o eleitor, conforme
integrantes do governo reconheceram à Folha.
" Se influencia o eleitor? Tomara que influencie", diz Geddel Vieira
Lima (Integração Nacional). O ministro assumiu o contra-ataque à oposição,
que recorreu ao Supremo Tribunal Federal contra os gastos.
Diante do risco de obras do PAC só começarem a sair do
papel depois das eleições de outubro, o governo buscou
respaldo legal para contornar as restrições a gastos impostas
pela Lei Eleitoral. O repasse considerado "voluntário" de
recursos da União a Estados e municípios -sujeito às
restrições da legislação eleitoral- passou
a ser tratado como transferência "obrigatória" no
caso de projetos prioritários.
Critérios do Planalto
As obras são selecionadas a critério exclusivo do Palácio
do Planalto. E a lista dos projetos promovidos à nova categoria
de gastos deverá crescer nos próximos dias, com a edição
de mais um decreto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
segundo apurou a Folha.
A equipe da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), coordenadora do PAC,
não informou o volume de dinheiro a ser repassado aos municípios
em obras novas no período eleitoral. Mas uma pesquisa no Siafi
(sistema informatizado de acompanhamento de gastos da União) indica
que as obras selecionadas do PAC poderão consumir mais de R$ 2,5
bilhões somente em 2008.
A Folha levou em conta gastos já comprometidos no Orçamento
do ano passado, mas ainda sem o desembolso de dinheiro. Os projetos sem
restrições de despesas a partir de julho alcançarão
mais de mil municípios, estima a Funasa (Fundação
Nacional de Saúde), responsável por projetos de saneamento
em cidades pequenas.
O Ministério das Cidades listou 158 municípios com obras
contratadas de habitação, de urbanização
de favelas, de abastecimento de água e de esgotamento sanitário.
Foram contemplados todos os grandes centros urbanos -nos quais o resultado
da disputa tem mais peso nas negociações para a sucessão
presidencial em 2010.
Canteiro de obras
A pasta se encarrega do saneamento em cidades de mais de 50 mil habitantes
e terá presença em regiões metropolitanas, beneficiadas
também com obras em favelas e a construção de moradias.
A extensa lista de ações com gastos liberados nas Cidades
inclui trechos dos metrôs de Fortaleza e de Salvador.
A pouco mais de três meses da data limite para a "transferência
voluntária" de recursos da União estabelecida pela
legislação eleitoral, o banco de dados das Cidades não
registrava, até terça passada, nenhuma obra do pacote formalmente
iniciada, apesar da assinatura de ordens de serviço em sucessivas
solenidades.
A Lei Eleitoral não foi mencionada, sete meses atrás, quando
o presidente editou medida provisória que dava ao governo o poder
de escolher obras do PAC que seriam objeto de transferência obrigatória
de verbas federais. Na ocasião, a justificativa foi garantir "o
adequado grau de priorização" das obras do PAC, sobretudo
em habitação e saneamento.
Mas o principal temor do governo era não poder levar adiante as
obras no segundo semestre do ano. Estava em jogo a promessa de Lula e
de Dilma de converter o país num "canteiro de obras" no
segundo mandato.
Em artigo destinado a impedir "condutas tendentes a afetar a igualdade
de oportunidades entre candidatos nos pleitos", a Lei Eleitoral
proíbe a transferência voluntária de verbas da União
nos três meses que antecedem o pleito.
Além de repasses determinados pela Constituição
ou por leis específicas, só ficam autorizados nesse período
pagamentos de obras ou serviços em andamento e destinados a atender
situações de emergência.
A saída encontrada pelo governo foi criar uma nova regra legal,
que autoriza o presidente a selecionar ações do PAC que
teriam seus gastos liberados.
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Folha de São Paulo, 23 de março
de 2008
Presidenciável, Ciro
já não é unanimidade dentro de seu partido
Presidente nacional do PSB, governador
Eduardo Campos avalia a possibilidade de integrar chapa à sucessão
de Lula
Neto de Arraes, Campos carrega o sonho de ser eleito
vice-presidente em 2010 em chapa com José Serra, Aécio
Neves ou até Dilma Rousseff
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Reza a sabedoria popular que o perigo às vezes surge de onde
menos se espera. Presidenciável do campo lulista mais forte
nas pesquisas sobre a sucessão de 2010, o deputado federal Ciro
Gomes (CE) corre risco de sofrer uma decepção dentro
de seu próprio partido, o PSB.
Presidente nacional do PSB, o governador Eduardo Campos (PE) alimenta
o sonho de ser candidato a vice-presidente em 2010. Segundo a Folha apurou,
ele cogita ser vice até de um inimigo figadal de Ciro, o governador
José Serra (PSDB-SP).
Outras opções são coadjuvar uma eventual chapa presidencial
encabeçada pelo governador de Minas, o tucano Aécio Neves,
ou ser vice de um petista que tenha o suporte do presidente Lula. Campos
controla com mão-de-ferro o PSB, partido que herdou do avô,
Miguel Arraes, que morreu em 2005.
Ciro já admitiu à Folha ser vice de um petista e fez gestos
de aproximação com Aécio. Se o destino do PSB em
2010 for coajduvar um candidato a presidente, Campos avalia que ele,
e não Ciro, poderia ser o companheiro de chapa.
Em 2006, quando Lula flertou com a idéia de trocar o candidato
a vice -José Alencar (PRB) já estava doente-, Campos atuou
nos bastidores para tentar obter a vaga. Chegou a jogar contra a possibilidade
de Ciro assumir o posto, hipótese aventada, que morreu quando
Lula confirmou Alencar.
Em retaliação, Campos manobrou para que o PSB não
integrasse formalmente a aliança para reeleger Lula. Quis deixar
aberta uma porta para entendimento com o tucano Geraldo Alckmin, derrotado
em 2006.
Em conversas reservadas, Campos já disse que o PSB poderia indicar
o vice do PSDB, seja o postulante Serra ou Aécio. A ponte com
Serra foi pavimentada pelo deputado e ex-presidente da Câmara Aldo
Rebelo (PC do B-SP). Os palmeirenses Serra e Aldo são amigos.
No início de março, na festa de 30 anos de vida pública
de Aldo, Campos e Serra se encontraram. Duas semanas depois, a convite
de Campos, Serra foi a Pernambuco assistir à encenação
da "Paixão de Cristo".
Serra fez um giro recente pelo Nordeste que incluiu até encontro
com Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro e governador do Ceará.
Com cerca de 30% de intenção de voto na região,
Serra quer dar atenção ao Nordeste para se vacinar contra
a crítica de que seria um político mais preocupado com
São Paulo do que o Brasil. Aécio prega que seria hora de
São Paulo não eleger o próximo presidente.
Mais: Campos e Aldo se queixam do PT. Dizem que os petistas tratam com
desdém os aliados históricos. Exemplo: apoiado por Campos
e Ciro, Aldo foi derrotado pelo PT quando tentou se reeleger presidente
da Câmara em 2007. Aldo convenceu Campos de que seus partidos não
devem descartar a possibilidade de aliança com Serra, um político
com trajetória de esquerda. O principal obstáculo a esse
entendimento é justamente Ciro, que tem cerca de 20% nas pesquisas.
Mas Campos e Aldo avaliam que, se um petista alcançar taxa semelhante
nas pesquisas, Lula poderá desconsiderar a hipótese de
apoiar Ciro.
Outras opções de futuro político para Campos estão
ligadas ao destino do PT e de Lula. Se o presidente estiver forte para
bancar a eventual candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff,
Campos seria alternativa de vice. O flerte com a oposição
ajuda Campos a assustar o PT caso queira tentar a reeleição
ao governo de Pernambuco em 2010. Petistas planejam lançar o prefeito
de Recife, João Paulo, ao governo.
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Folha de São Paulo, 23 de março
de 2008
Restrição ao crédito
pode atingir baixa renda
Diminuição do número
de prestações pesará mais para as classes
C, D e E
Para segmento da população com menor
poder aquisitivo, valor e quantidade de parcelas contam mais que os
juros na hora do crediário
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Na festa do crédito, eles são os convidados especiais.
O governo, o anfitrião, estendeu tapete vermelho e comemora
a chegada dos beneficiários dos seus próprios programas,
como o Bolsa Família, dos trabalhadores da informalidade e de
milhares de outras pessoas que estavam excluídos do mercado
de consumo.
Afinal, agrupados nas classes C, D e E, com renda familiar até R$
2.800 por mês, estima-se que eles representem 85% das famílias
brasileiras, movimentem R$ 550 bilhões -metade da renda nacional-,
já respondam por cerca de 25% do volume de empréstimos
concedidos às pessoas físicas e tenham ajudado a sustentar
o crescimento de 5,4% em 2007.
Quem não está muito confortável com tamanha movimentação é o
Banco Central. No papel de segurança da festa, ficou com a responsabilidade
de garantir a normalidade e de enquadrar os excessos. No entanto, esses
convidados -gente como a empregada doméstica Altiva Fernandes
de Souza, 39, o vigia Orliam Oliveira, 38, e a diarista Gorete dos Santos,
43- pouco respondem ao seu comando.
Empolgados com a possibilidade de entrar numa loja e levar para casa
bens há muito tempo desejados e a que eles dificilmente teriam
acesso sem "a facilidade do pagamento parcelado", eles não
sabem o que é a taxa Selic (referência de juros para economia)
e não se preocupam se ela caiu, subiu ou se irá permanecer
em 11,25% anuais ao longo de 2008 por causa "da confusão
nos Estados Unidos".
Também não sabem que os alertas conservadores da ata do
Copom (Comitê de Política Monetária do BC) fizeram
os juros futuros (projetados para março do ano que vem) subirem
0,5 ponto percentual. Como, na prática, são essas taxas
que impactam o custo dos empréstimos concedidos pelos bancos,
pelas financeiras e pelo varejo no curto prazo, essa foi uma das formas
escolhidas pelo Banco Central para atingir o público das compras
a crédito.
Com isso, agora, o Ministério da Fazenda estuda medidas para tentar
desacelerar o ritmo de concessão dos financiamentos no país.
E o foco das propostas em discussão atingirá, sobretudo,
as classes de menor renda, já que a idéia é diminuir
o número de prestações oferecidas pelos bancos e
instituições de crédito.
De olho nas parcelas
A matemática desses consumidores é bem simples. "Na
verdade, a gente olha o valor do bem no Ponto Frio, nas Casas Bahia e
em outras lojas e faz a comparação para ver quem oferece
mais vantagem, a melhor prestação", diz Altiva Fernandes
de Souza. "Não compro em qualquer lugar. Olho a qualidade,
o preço à vista e quanto fica a parcela no cartão.
Faço, no máximo, em dez vezes", diz Gorete dos Santos.
Para essa população, juros são calculados em reais,
equivalem à diferença entre o total das parcelas que serão
pagas e o preço à vista da mercadoria e são toleráveis
desde que, no final das contas, o valor desembolsado não ultrapasse
o dobro do preço à vista. A regra, no entanto, é flexível
e pode não ser aplicada a bens mais caros como geladeiras ou aquele
sofá dos sonhos.
De acordo com dados obtidos em instituições de crédito
para baixa renda, mais de 70% dessas pessoas concordam com Altiva e Gorete.
O que conta na hora de fazer o crediário é o valor e a
quantidade de parcelas. Menos de 10% dizem se incomodar com o percentual
de taxa de juros.
Novo mercado
Como é um mercado novo, em que os próprios bancos estão
aprendendo a trabalhar, é difícil obter estatísticas
exatas. Quem as tem guarda a sete chaves porque elas são consideradas
informações estratégicas num mercado intensamente
disputado.
" Há um grande mercado a explorar. As classes de maior renda já estão
bem assistidas. É preciso desenvolver produtos de crédito para
baixa renda", afirma Gilberto Salomão, diretor-geral do Lemon Bank,
instituição lançada em 2002 voltada para pessoas com menor
renda familiar.
O desafio? "Ter modelos que asseguram baixa inadimplência.
Hoje, ela está dois pontos acima da média do sistema",
completa Salomão. Criado para emprestar para pessoas que nunca
tiveram conta bancária, não têm uma renda constante
e cujo histórico de crédito é desconhecido do sistema
financeiro, o BPB (Banco Popular do Brasil), vinculado ao Banco do Brasil,
chegou a registrar atrasos em mais de 30% de suas operações.
Foi reformulado, reduziu a inadimplência para 20% e, agora, luta
para deixar essa taxa em um dígito e sair do prejuízo. "Essa é uma
população que não tem sensibilidade à taxa
de juros porque está começando a consumir agora. Com o
aumento do crédito e da concorrência, isso deverá pesar
mais. Estamos ainda na primeira fase", afirma Robson Rocha, presidente
do BPB.
Na avaliação dele, essas pessoas representam um mercado
bilionário de consumo, e o setor financeiro já percebeu.
Por isso, é natural que o BC esteja preocupado com o crescimento
dessa massa de crédito.
Para Haroldo Torres, diretor do instituto de pesquisa Data Popular, como
o nível de escolaridade no Brasil é baixo, a educação
financeira deverá demorar mais tempo para surtir o efeito desejado
pelo Banco Central. "Não é simples para essas pessoas.
Discutir juros em percentual ao ano não faz parte da vida delas."
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