 |
FOLHA DE LONDRINA, 24 de
março de 2008 | Política
Lula cobra lealdade da base aliada
para garantir MPs
No encontro do conselho político,
presidente pedirá explicações sobre a aliança
momentânea de parlamentares governistas com opositores
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrará hoje
de presidentes de partidos e líderes da base aliada lealdade na disputa
que trava com a oposição para não alterar as regras de
tramitação das medidas provisórias. No encontro do conselho
político, no Palácio do Planalto, ele pedirá explicações
sobre a aliança momentânea de parlamentares governistas com opositores
para obstruir a pauta de votações e impedir a análise
de MPs enviadas pelo governo. Enquanto tenta derrubar a proposta que enfraquece
as medidas provisórias, instrumento de governo que não depende
de análise prévia do Congresso para entrar em vigor, o Planalto
quer acabar com rebeliões na base aliada visando postos na Câmara.
É o caso da bancada do
PR, partido aliado, que decidiu ajudar a oposição trancar
a pauta para exigir que o deputado Sandro Mabel (GO) seja indicado relator
da comissão especial da reforma tributária. O PT insiste
no nome do deputado Antonio Palocci (SP). Setores do PMDB também
estão em disputa pela vaga.
Durante todo o dia, Lula terá reuniões
e audiências para discutir as mudanças nas regras de tramitação
das medidas provisórias. Ele discutirá o assunto na reunião
da manhã da coordenação política, que reúne
os ministros mais influentes do governo, no encontro com os presidentes
de partidos, logo depois, e numa terceira, no início da noite,
com o ministro de Relações Institucionais, José Múcio,
e líderes aliados.
O ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo, deverá despachar boa parte do dia no Planalto. Ele tentará agilizar
a análise e os ajustes do texto da proposta orçamentária
2008, aprovado pelo Congresso na semana passada. Lula quer sancionar
o mais breve possível a proposta, o que deve ocorrer hoje ou terça-feira,
segundo assessores. A complexidade do texto, porém, pode alterar
as previsões do Palácio.
A sanção rápida
do Orçamento, na análise do governo, dispensará o
envio ao Legislativo de uma série de medidas provisórias
nas próximas semanas, para liberação de créditos
suplementares. Uma dessas medidas libera R$ 3 bilhões para obras
de transposição do Rio São Francisco, prevista no
Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Além de
não aumentar o número de MPs paradas na Câmara, diante
da obstrução feita pelos opositores, o governo avalia que
novas medidas só acirrarão os ânimos no Congresso.
O líder do governo no
Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que, nos encontros de amanhã,
o presidente apresentará à base aliada a posição
do Planalto. ''O governo quer que as medidas provisórias continuem
sendo instrumentos de governabilidade'', afirmou. ''É isso que
o presidente irá dizer aos líderes aliados, sem cobranças.''
Leonencio Nossa e
Luciana Nunes Leal
Agência Estado
|
O ESTADO DE SÃO PAULO,
24 de março de 2008 | Notas & Informações
Empregos formais
Em fevereiro foram criados
no País 204.963 empregos com carteira
assinada. No primeiro bimestre, o número de empregados no mercado
formal aumentou 347.884. De 2003 para cá, já são
6.616.552 novos empregos formais, isto é, com registro em carteira,
cobertura previdenciária e garantias trabalhistas como férias,
descanso remunerado e 13º salário. É um auspicioso
registro da melhora das condições de trabalho no País.
Em geral, para a mesma função, o trabalhador formal,
além de dispor de mais segurança no emprego, recebe remuneração
mais alta do que a obtida pelo trabalhador informal.
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi,
acredita que, em 2008, será criado
1,8 milhão de empregos formais. Não é uma previsão
exagerada. Nos últimos 12 meses, foi aberto 1,711 milhão
de postos de trabalho com carteira assinada. E o ritmo de crescimento
do mercado formal vem se acelerando. Se o ritmo de criação
de empregos formais (admissões menos desligamentos) dos dois
primeiros meses for mantido durante todo o ano, a previsão do
ministro será superada com alguma folga.
A geração de empregos formais vem batendo recordes sucessivos.
O número de postos de trabalho criados no mês passado é 38%
maior do que o de igual mês de 2007 e o maior, para fevereiro,
de toda a série de estatísticas baseadas no Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O total de empregos formais
criados no primeiro bimestre do ano é 37% maior do que o total
de empregos com carteira assinada criados nos dois primeiros meses
de 2007. É também o maior da série de estatísticas
do Caged para o primeiro bimestre.
O dinamismo do mercado de trabalho se
espalha por todos os setores de atividade econômica. O setor que registra o maior crescimento
porcentual do emprego no período de 12 meses encerrado em fevereiro é o
de construção civil. Com a geração de 225.742
empregos formais nesse período, o total de empregados com carteira
assinada na construção civil aumentou 16,4% em 12 meses.
Esse resultado é uma conseqüência dos estímulos
oferecidos pelo governo para dinamizar a construção civil
e facilitar o acesso à casa própria. Tradicional empregadora
de mão-de-obra informal e de baixa qualificação,
a construção civil está agora contratando cada
vez mais trabalhadores com carteira assinada.
O segundo maior crescimento em 12 meses
foi registrado na indústria
de transformação, com alta de 6,6%. O saldo entre admissões
e demissões ficou em 430.521 novos empregos. Na indústria
de transformação estão os empregos que, em média,
oferecem salários mais altos e exigem melhor qualificação
profissional.
Outros setores registraram crescimento
inferior ao dos dois citados. Mas seus resultados são bons. No comércio, o aumento
foi de 6,5% em 12 meses; na indústria extrativa mineral, de
5,7%; e no setor de serviços, de 5,4%. Três setores tiveram
crescimento inferior à média do mercado: administração
pública, com aumento de 2,89%; serviços industriais de
utilidade pública, 2,65%; e agropecuária, 1,02%.
Embora inferior ao aumento médio do mercado, o crescimento
do emprego em 2008 na administração pública acentua
uma tendência que se observa desde 2003, o primeiro ano do governo
Lula. Trata-se do aumento do número de empregados do setor público.
No primeiro bimestre deste ano, os três níveis de governo
contrataram 15.435 pessoas. Nos 12 meses encerrados em fevereiro foram
19.047 pessoas.
Os dados do Caged não separam as contratações
por nível de governo (municipal, estadual e federal). Dados
sobre a evolução do quadro do funcionalismo federal e
dos gastos da União com a folha de pessoal de 2003 para cá sugerem
que o governo central é o maior responsável pelas contratações
no setor público. No primeiro governo Lula (2003-2006), por
exemplo, as contratações líquidas (admissões
menos demissões) somaram 118,4 mil servidores, praticamente
o triplo do que foi contratado nos oito anos do governo Fernando Henrique
Cardoso.
Essas contratações ajudam a melhorar as estatísticas
do Caged. Mas, com o inchaço da máquina e os aumentos
generosos que vem concedendo ao funcionalismo, o governo Lula impõe
custos cada vez mais pesados aos contribuintes.
|
CORREIO DO BRASIL, 24 de
março de 2008
A legalização
das centrais sindicais
Por Altamiro Borges - de São Paulo
Finalmente, a Câmara Federal aprovou o projeto de lei 1.990/07,
que reconhece legalmente as centrais como entidades gerais de representação
dos trabalhadores. Os deputados acataram as seis emendas votadas no
Senado. A principal delas mantém o desconto da contribuição
sindical na folha de pagamento, sem a necessidade da sua autorização
prévia. Esta imposição, que visava asfixiar financeiramente
as entidades, fora incluída como contrabando na primeira passagem
da matéria pela casa, em outubro de 2007, a partir de emenda
do deputado Augusto Carvalho (PPS-DF), um ex-sindicalista que renegou
seu passado. Agora, 234 deputados votaram pelo desconto automático
e 171 optaram pela autorização prévia.
O projeto segue para sanção presidencial, o que não
deve causar surpresas, já que ele foi enviado pelo governo Lula.
Com isso, o sindicalismo brasileiro conquista uma vitória histórica.
Desde o decreto 19.770, baixado por Getúlio Vargas em 1931,
que reconheceu os sindicatos no país, que a estrutura horizontal
era proibida como forma de se evitar a unidade de classe dos trabalhadores.
Mesmo em períodos de maior democracia, as centrais nunca tiveram
o seu reconhecimento legal. Na Constituinte de 1988, velhos entulhos
autoritários foram enterrados, como o que permitia a intervenção
do Estado nos sindicatos, mas as centrais continuaram proibidas. A
bancada patronal também impediu qualquer avanço na organização
sindical no local de trabalho.
Critérios de representatividade
Pelo projeto aprovado, as centrais passam
a ter personalidade jurídica
e têm assegurado o direito de representar legalmente os trabalhadores
em fóruns, colegiados e demais organismos. Elas não substituem
os sindicatos, federações e confederações
nas negociações coletivas, mas terão papel político
de negociar direitos mais gerais da classe. Para ser reconhecida, ela
deve cumprir alguns requisitos, como filiação de no mínimo
100 sindicatos distribuídos nas cinco regiões, filiação
de sindicatos em no mínimo cinco setores de atividade e filiação
no sindicato de sua estrutura de no mínimo 5% dos sindicalizados
em âmbito nacional no primeiro ano, devendo atingir 7% em dois
anos. Das 17 “centrais” existentes, menos de seis atingem
estes critérios de representatividade.
A aprovação do projeto de lei 1990/07, após intensa
e prolongada pressão, foi comemorada pela maioria das centrais – apenas
a Conlutas rechaçou esta conquista histórica. Para Wagner
Gomes, presidente da recém-fundada Central dos Trabalhadores
do Brasil (CBT), “hoje é um dia de festa para o sindicalismo.
Por sua atuação, era imprescindível o reconhecimento
jurídico das centrais”. Já Artur Henrique, presidente
da CUT, avalia que “a aprovação do projeto é um
importante passo para maiores mudanças na estrutura sindical”,
e Ricardo Patah, da União Geral de Trabalhadores (UGT), comemorou
a “maturidade do sindicalismo, que deixou de lado suas diferenças
em nome das conquistas para os trabalhadores”. A Força
Sindical e a CGTB também festejaram a vitória.
A batalha do reconhecimento
Concluída esta etapa da legalização, a batalha
agora é pela filiação dos sindicatos às
centrais para garantir o seu reconhecimento. A CTB, criada em dezembro
passado, garante que já alcançou os requisitos básicos,
mas está empenhada em ampliar a sua representatividade. Ela
possui mais de 100 sindicatos filiados, mas pretende atingir cerca
de 500 até abril. “O desafio agora é concentrar
todas as energias na filiação. Há um amplo espaço
para o crescimento da CTB”, afirma Wagner Gomes. CUT, Força
Sindical, UGT e Nova Central também já teriam assegurado
este direito.
Além da batalha pelo reconhecimento, existem outras pendengas.
Uma delas é sobre o sistema de custeio. O projeto fixa que as
centrais terão direito a 10% da contribuição sindical,
mas que será definida uma nova regra de financiamento. Há consenso
sobre um único tributo, a contribuição negocial,
mas há divergências sobre as regras de transição.
A CUT defende a extinção abrupta da contribuição
sindical, o que pode levar à falência milhares de entidades.
Com este mesmo viés liberal, ela insiste na tese do fim da unicidade.
Como se nota, há muita dor de cabeça pela frente.
Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central
do PCdoB e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora
Anita Garibaldi, 2ª edição).
|
O ESTADO DO PARANÁ, 24
de março de 2008 | Política
Candidato deve ter site
exclusivo de campanha
Agência Estado
Os
candidatos às eleições municipais de 5 de
outubro poderão divulgar propaganda eleitoral somente a partir
de 6 de julho. A propaganda gratuita no rádio e na TV será transmitida
de 19 de agosto a 2 de outubro. Essas regras estão na Resolução
22.718 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que trazem algumas alterações
em relação a 2006. Uma das novidades é sobre a
propaganda eleitoral por meio da internet, que só será permitida
em página do candidato destinada exclusivamente à campanha
eleitoral. A página poderá ser mantida até 3 de
outubro.
A resolução as punições de cassação
de registro e inelegibilidade impostas nos casos de uso indevido de
meio de comunicação e abusos e excessos na divulgação
de opinião favorável a candidato, partido ou coligação,
que antes só atingiam matérias da imprensa escrita, foram
estendidas à reprodução virtual do jornal na internet.
Outra alteração trazida é sobre o tamanho das
placas, cartazes, pinturas ou inscrições em bens particulares.
O TSE disciplinou que o tamanho máximo para este tipo de propaganda é de
4 metros quadrados. Quem desrespeitar essa norma pode pagar multa que
varia de R$ 5.320,50 a R$ 15.961,50. Uma regra sobre debates também
foi alterada. Quando não havia acordo entre os veículos
de comunicação e os candidatos, era assegurada a participação
de candidatos dos partidos políticos com representação
na Câmara dos Deputados. Agora, a resolução determina
que a representação de cada partido é aquela resultante
da eleição.
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA, 24 de
março de 2008
Regras sobre o enquadramento
sindical dos empregados
Aparecida Tokumi Hashimoto
Toda empresa que exerce atividade econômica, independentemente
de possuir empregados, integra automaticamente a categoria econômica
correspondente àqueles que empreendem atividades idênticas,
similares ou conexas, conforme artigo 511, 1º, da Consolidação
das Leis do Trabalho: “A solidariedade de interesses econômicos
dos que empreendem atividades idênticas, similares ou conexas
constitui o vínculo social básico que se denomina categoria
econômica”. E são representados por um sindicato
ou federação, de acordo com o artigo 570 da CLT: “Os
sindicatos constituir-se-ão, normalmente, por categorias econômicas
ou profissionais específicas, na conformidade da discriminação
do quadro das atividades e profissões...”
Da interpretação conjugada dos artigos 511 e seguintes
da CLT, depreende-se que o enquadramento sindical da empresa se dá pelo
simples exercício de atividade econômica idêntica,
similar ou conexa ao de outras empresas, independentemente de qualquer
manifestação da vontade ou de formalização
perante a entidade sindical respectiva ou de possuir empregados.
As empresas de determinada categoria
econômica que não
estão organizadas em sindicato são representadas pela
Federação e, na falta desta, pela respectiva confederação
(artigos 616 e 618, da CLT).
Da mesma forma que as empresas, os empregados
que gozam de condições
de vida similares oriundas da profissão ou trabalho em comum,
em situação de emprego na mesma atividade econômica
ou em atividades econômicas similares ou conexas, compõem
uma categoria profissional (artigo 511, § 2º, da CLT). Por
outras palavras, “a categoria profissional é constituída
pelos trabalhadores que, como empregados ou em caráter autônomo,
prestam serviços em atividades componentes da mesma categoria
econômica” (Magano, Octavio Bueno. Direito Coletivo do
Trabalho. 2ª edição. São Paulo. LTr, p. 89).
O enquadramento e a vinculação sindical se dão
pelo local da prestação de serviços, tanto em
relação à categoria econômica, quanto em
relação à categoria profissional. Assim, cada
estabelecimento (matriz, filial, sucursal, agência etc.) deve
sofrer o enquadramento sindical específico de acordo com a base
territorial onde se encontra. Por exemplo, se uma empresa exerce atividade
econômica industrial em uma base territorial e em outra, atividade
de comercialização de seus produtos, os empregados se
vinculam ao sindicato representativo da categoria profissional de cada
base territorial, conforme a atividade econômica praticada nos
respectivos estabelecimentos onde laboram.
Para o enquadramento sindical dos empregados
também é necessário
levar em consideração a atividade preponderante da empresa.
Isso porque se a empresa exercer várias atividades econômicas,
o enquadramento sindical se faz pela atividade preponderante. Já se
não houver atividade preponderante, os empregados serão
enquadrados na categoria profissional equivalente a cada atividade
econômica da empresa.
Há empregados que, por exercerem “profissões ou
funções diferenciadas por força de estatuto profissional
especial ou em conseqüência de condições de
vida singulares” (artigo 511, § 3º, da CLT), integram
categoria diferenciada. Alguns exemplos: aeronautas, aeroviários,
engenheiros, motoristas, propagandistas, propagandistas-vendedores
e vendedores de produtos farmacêuticos, publicitários,
técnicos de segurança, secretárias, vendedores
e viajantes de comércio etc. Em relação a tais
empregados, a empregadora está obrigada a observar a norma coletiva
da categoria diferenciada, exceto se não tiver participado diretamente
da sua celebração ou através de órgão
de classe de sua categoria.
Portanto, o enquadramento sindical dos
empregados se dá pela
atividade principal da empregadora, salvo os pertencentes a categoria
profissional diferenciada.
Vale lembrar que, no Brasil, em razão do princípio da
unicidade sindical, o enquadramento sindical se faz exclusivamente
por categoria profissional ou econômica, que deve ser única
na base territorial.
As convenções e acordos coletivos que devem ser observados
pelas partes contratantes são aqueles que abrangem a base territorial
onde os empregados efetivamente prestam serviços, ainda que
contratados em outra localidade. Nesse sentido, há o seguinte
julgado:
“
Contrato. Norma coletiva. Empregado contratado na matriz e que presta
serviços em outro Estado. O fato de o trabalhador haver sido
contratado na matriz da empresa no Rio de Janeiro para prestar serviços
na filial de São Paulo não o vincula à matriz
para efeitos de aplicação de norma coletiva. O trabalhador
será regido pela norma coletiva da base territorial em que presta
serviços. A praxe utilizada pela empresa não encontra
prestígio no tecido legal.” (Processo 02950252855/1995 – TRT
2ª Região, 5ª Turma, relator juiz Francisco Antonio
de Oliveira, DOESP 30/09/1996)
Se o empregado for transferido definitivamente para outra localidade
de prestação de serviços (ainda que não
haja mudança de domicílio), que se encontre sob a representação
de outra entidade sindical profissional, cessará a aplicação
da norma coletiva da antiga localidade. Já se o empregado
for transferido provisoriamente para outra localidade, continuará vinculado
ao sindicato profissional de origem e às normas coletiva por
ela pactuadas. Isso porque a sede do empregado continuará a
mesma, sendo alterado o local de trabalho apenas momentaneamente.
|
NCST, 24 de março de 2008
Alta do real força
aumento de jornada de trabalho de brasileiros que moram no exterior
A valorização do real nos últimos anos foi sentida
diretamente no bolso e no suor de muitos brasileiros que moram fora do
país e que se mantêm atentos ao câmbio e suas oscilações.
Para garantir o envio de remessas, muitos
brasileiros tiveram de aumentar a jornada de trabalho para compensar
a valorização do real
frente a moedas como a libra, o euro e o dólar.
O real quase dobrou de valor em relação ao dólar
nos últimos cinco anos, com alta de 99,5% entre 2003 e 2007. Dados
da consultoria Economática indicam que, nesse período,
o dólar vendido no Brasil passou de R$ 3,53, em 2002, para R$
1,77 no último dia do ano passado. Continua abaixo de R$ 2 desde
então.
"A situação está muito complicada, principalmente
para quem sustenta família no Brasil e precisa se sustentar no
exterior, o que não é fácil. Temos uma cliente que
manda dinheiro para a mãe e para os dois filhos em Minas. Não
só está trabalhando mais como trocou um quarto que alugava
sozinha por uma vaga em um quarto com outras três brasileiras",
disse à BBC a gerente de uma agência de envio de remessas
em Londres.
Jornada de trabalho
Para o chef de cozinha Alex Occhi, que
chegou a Londres em 2004, a mudança
foi significativa: ele passou a trabalhar cerca de 20 horas a mais por
semana em 2007 para compensar a cotação.
Em 2006, ainda entusiasmado com o dinheiro
que conseguia economizar trabalhando na cozinha de um grande centro
de entretenimento, Alex decidiu
comprar seu primeiro apartamento em São Caetano, no Estado de
São Paulo.
No entanto, com a alta da moeda brasileira
em 2007, Alex teve de aumentar o volume de trabalho para conseguir
ganhar, em libras, o correspondente
aos R$ 4.000 mensais da parcela do imóvel.
"Em 2007, cheguei a trabalhar de 80 a 85 horas por semana para
conseguir enviar o dinheiro e ainda viver aqui. E neste ano não
melhorou muito", disse Occhi à BBC.
Alex afirma que, apesar do crescimento
econômico no Brasil, a
situação fora do país ainda é melhor. "A
cotação está muito baixa e tem de melhorar, mas
aqui as coisas ainda estão mais fáceis do que no Brasil.
Vou ficar fora pelo menos mais um ano até terminar de pagar o
apartamento", afirmou.
Remessas
Em Londres, onde estimativas indicam que
há cerca de 160 mil
brasileiros, a alta do real observada no ano passado se refletiu em uma
diminuição no número de remessas enviadas pelos
imigrantes.
Segundo algumas das principais agências de envio de dinheiro da
capital inglesa, o número de remessas feitas por brasileiros durante
2007 diminuiu em relação a 2006. O gerente de uma destas
agências disse à BBC que a queda foi de cerca de 15% e que
não há sinais de aumento nos primeiros meses de 2008.
Carlos Mellinger, presidente da Associação Brasileira
no Reino Unido (Abras), afirmou que, entre os brasileiros que procuram
a instituição, muitos comentaram que tiveram que trabalhar
mais para compensar a defasagem.
"Com a alta do real, os brasileiros estão trabalhando mais
para conseguir juntar mesmo dinheiro que estavam acostumados a enviar
para casa", afirmou Mellinger à BBC.
Ele afirmou ainda que, apesar da alta do
real, a situação
dos imigrantes brasileiros na Inglaterra ainda é muito diferente
daqueles que residem nos Estados Unidos.
"Além do câmbio,
nos Estados Unidos, houve uma recessão
e, naturalmente, esse processo afastou os brasileiros. Já aqui
no Reino Unido, a economia continua forte, os brasileiros continuam conseguindo
emprego e por isso são menos afetados", disse.
|
CONSULTOR JURÍDICO, 24
de março de 2008
Mecanismo de coação
Ministros do TST mantêm prisão de depositário
infiel
Mesmo depois de o Supremo Tribunal Federal sinalizar que deve derrubar
a prisão de depositário infiel, o Tribunal Superior do Trabalho
decidiu em sentido oposto. Os ministros rejeitaram recurso em Habeas Corpus
contra a decretação da prisão civil de um depositário
infiel. De acordo com o processo, o depositário se recusou a entregar
os bens que lhe foram confiados para saldar dívida trabalhista,
apesar de insistentes determinações do juiz de primeira instância.
A Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-2), do TST, entendeu que a prisão, nesse caso, não
se caracteriza como pena, mas como meio de coação, a fim
de obrigar o depositário a cumprir a determinação
judicial. Para o relator do recurso, ministro Pedro Paulo Manus, foi
correta a expedição de ordem de prisão. Enquanto
isso, o Supremo caminha para permitir a prisão civil apenas para
o devedor de pensão alimentícia. Já são oito
votos a favor dessa posição.
O caso
A fase de execução do processo teve início em janeiro
de 2002. Os bens confiados ao depositário eram: uma câmara
fria e 30 freezers horizontais. Diante das determinações
judiciais, o executado informou que os itens não poderiam ser
entregues ao leiloeiro. Motivos alegados: alguns estavam no litoral norte
do Rio Grande do Sul, outros se deterioraram com o tempo, dois foram
roubados e, ainda, outros dois ficaram penhorados em outro processo trabalhista.
De acordo com ele, apenas dois poderiam
ser entregues. O depositário
solicitou mais prazo apesar de todo o tempo que já lhe havia sido
concedido. No entanto, conforme informações prestadas pelo
juiz titular da 1ª Vara do Trabalho de Novo Hamburgo (RS), que determinou
a prisão do depositário, nenhuma das alegações
do devedor foi comprovada.
No Habeas Corpus, o depositário alegou que propôs várias
vezes substituição da penhora e a proposta foi rejeitada
pelo juiz “sem ao menos ser ouvido o credor”. As razões
do pedido foram baseadas no Pacto de San José da Costa Rica, do
qual o Brasil é signatário, que impede a prisão
por dívida. A defesa questionou, ainda, a legalidade do ato diante
da ausência de possibilidade de defesa do depositário, uma
vez que o mandado de prisão foi expedido prontamente, sem o devido
processo legal. Por fim, pediu-se o direito ao cumprimento da pena separadamente
dos demais presos e em regime de albergue.
O pedido de liminar foi aceito. Mas, após as informações
prestadas pela primeira instância, foi cassada pelo Tribunal Regional
do Trabalho da 4ª Região (RS), que deferiu apenas o cumprimento
da prisão civil em local especial da cadeia pública. Em
mais uma tentativa, foi ajuizado Recurso Ordinário ao TST com
a tese de ilegalidade da prisão.
O ministro Pedro Paulo Manus, ao analisar
o recurso, entendeu que ficou demonstrada a falta de vontade do depositário na entrega dos bens.
Para ele, deve ser mantida a decisão que mandou efetuar a prisão.
Além disso, o relator julgou que o depositário deveria
ter cumprido a obrigação de devolução dos
bens cuja guarda lhe fora confiada, ou requerer a substituição
dos bens penhorados. Quanto a este ponto, o ministro Manus ressaltou
que a tentativa de substituição foi frustrada porque o
depositário sequer demonstrou a propriedade do bem arrolado capaz
de tomar o lugar daqueles que deveriam ter sido apresentados.
Posição do STF
A sinalização do Supremo foi dada no dia 12 de março.
Os ministros não definiram a questão por conta de pedido
de vista do ministro Menezes Direito. O entendimento está sendo
firmado em três recursos que julgam se o devedor em alienação
fiduciária pode ser equiparado ao depositário infiel. Para
este último, há previsão constitucional de prisão
civil, assim como para o devedor de pensão alimentícia.
No entanto, há tratados internacionais que permitem a prisão
civil apenas em caso de inadimplência de pensão alimentícia.
Os ministros discutem qual a hierarquia desses tratados.
Em um voto lido durante quase duas horas,
o ministro Celso de Mello, que havia pedido vista na última sessão de julgamento,
mudou a sua posição. Ele se posicionou contra a prisão
do depositário infiel. Celso de Mello relembrou votos que o ministro
Marco Aurélio vem proferindo há tempos contra a prisão
do depositário infiel. Qualificou os votos de Marco Aurélio
como precursores de uma nova mentalidade que está surgindo no
Supremo.
O ministro Celso de Mello lembrou que o
Pacto de São José da
Costa Rica sobre Direitos Humanos, ratificado pelo Brasil em 1992, proíbe
a prisão civil por dívida, excetuado a do devedor de pensão
alimentícia. O mesmo, segundo ele, ocorre com o Pacto Internacional
sobre Direitos Civis e Políticos, patrocinado em 1966 pela ONU,
ao qual o Brasil aderiu em 1990. Em seu artigo 11, ele dispõe: “Ninguém
poderá ser preso apenas por não poder cumprir com uma obrigação
contratual”. Até a Declaração Americana dos
Direitos da Pessoa Humana, firmada em 1948, em Bogotá (Colômbia),
com a participação do Brasil, já previa esta proibição,
disse o ministro.
Ele observou que a Conferência Mundial sobre Direitos Humanos,
que aconteceu em Viena (Áustria), em 1993, com participação
ativa da delegação brasileira, então chefiada pelo
ex-ministro da Justiça e ministro aposentado do STF Maurício
Corrêa, preconizou o fim da prisão civil por dívida.
ROHC-2015/2007-000-04-00.5
|
FOLHA DE LONDRINA, 24 de
março de 2008 | Política
Congresso tem 127 pré-candidatos
Brasília - Um quarto dos deputados é pré-candidato nas
eleições municipais de 5 de outubro. A maioria das 127 candidaturas
da Câmara é de parlamentares da base aliada: 89 contra 38 oposicionistas.
No Senado, apenas 3 dos 81 senadores lançaram seus nomes para as eleições
deste ano. Apesar de um em cada quatro deputados se posicionar como pré-candidato,
a expectativa é de que somente metade desses parlamentares entrará na
corrida municipal. Na prática, dos 127, somente 60 ou 70 devem realmente
disputar as eleições.
Sem chances de vitória,
mas com a certeza de que continuarão com o mandato quer de deputado
quer de senador, alguns vão participar da disputa apenas para
firmar seus nomes para as eleições de 2010. No mundo político é o
chamado ''recall'' para as próximas eleições. Mesmo
sendo uma prática comum entre os parlamentares, raramente alguém
assume publicamente que a candidatura a uma das mais de cinco mil prefeituras
brasileiras funciona, na prática, como espécie de campanha
antecipada para renovar o mandato de deputado dois anos depois.
Pré-candidato a prefeito
de São Paulo, o senador Romeu Tuma (PTB) é um dos poucos
a reconhecer que o lançamento de seu nome na corrida municipal
ajuda a pavimentar a sua campanha de 2010, quando pretende concorrer
novamente ao Senado, caso não seja bem-sucedido este ano. ''A
candidatura à prefeitura ajuda a manter a nossa imagem na cabeça
dos eleitores'', diz Tuma. E se perder a eleição? ''Não
tem problema. Isso vai ajudar a minha candidatura em 2010 ao Senado'',
admite, sem constrangimento.
Estreante em eleições
municipais, o minúsculo PSOL adotou como estratégia o lançamento
das candidaturas de seus três deputados federais. À exceção
de Luciana Genro (RS), que pode ter um bom desempenho em Porto Alegre,
os deputados Chico Alencar (RJ) e Ivan Valente (SP) vão disputar
as Prefeituras do Rio e de São Paulo, respectivamente, com o intuito
de consolidar o nome do partido. Aproveitam para também firmar
na cabeça dos eleitores seus nomes para 2010, quando tentarão
novamente uma cadeira na Câmara.
A candidatura de parlamentares às
prefeituras com o intuito exclusivo de se cacifar para a eleição
seguinte é vista como uma faca de dois gumes. ''Quem só se
candidata para deixar um recall à próxima eleição
corre o risco de ver o tiro sair pela culatra. Pode acabar ficando com
a marca de perdedor'', afirma o líder do PTB na Câmara,
Jovair Arantes (GO), pré-candidato a prefeito de Goiânia.
''Derrota é derrota. Além disso, eleição é muito
desgastante'', resume o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), duas vezes derrotado à Presidência
da República.
Eugênia Lopes
Agência Estado
|
Folha
de São Paulo, 24 de março de 2008
Consumo da baixa renda pressiona grandes
empresas
Companhias têm de criar produtos voltados às
classes C, D e E, que já são 50% do mercado | Ameaçados
pelo avanço de marcas mais "populares", fabricantes
estão tendo de fazer com que seu produto "caiba no bolso" desse
público
Filipe Redondo - 19.mar.08/Folha Imagem

Loja de calçados Mundial,
reformada para agradar à classe C
JULIO WIZIACK
DA REPORTAGEM LOCAL
A explosão de consumidores
de baixa renda nos últimos cinco anos está colocando em
xeque as grandes empresas no Brasil. Antes, elas determinavam o consumo
dos clientes, principalmente os de renda mais alta. Agora, são
os consumidores de baixa renda que definirão os rumos dos negócios.
" Quem não estiver alinhado com essa realidade provavelmente estará fora
do mercado nos próximos anos", afirma Ivan Zurita, presidente da
Nestlé no Brasil, que investiu R$ 300 milhões nos últimos
três anos para criar uma divisão destinada à baixa renda.
Segundo a consultoria Data Popular, as classes C, D e E já respondem
por metade do consumo nacional, já que sua renda é destinada
integralmente aos gastos familiares. Sozinha, a classe C é responsável
por 30% do consumo. Há cinco anos, a participação das
três classes sociais era de 48%.
" A classe C foi a que registrou maior expansão da renda," diz
o demógrafo Haroldo Torres, diretor da Data Popular. Entre 2002 e 2007,
ela teve um acréscimo de renda de R$ 79,5 bilhões. Nas classes
D e E, esse ganho foi de R$ 38,7 bilhões.
Os critérios de classe adotados pela Data Popular são os mesmos
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que levam
em conta a faixa salarial. Entretanto os pesquisadores da consultoria ajustaram
os dados de renda até julho de 2007 porque, no período considerado,
o salário subiu acima da inflação.
Limitações
Apesar das potencialidades, as grandes empresas resistem à baixa renda.
André Torreta, diretor da A Ponte, empresa que faz pesquisa de mercado
na baixa renda, considera que o preconceito é a maior barreira.
" Muitas companhias temem destruir sua marca ao vender um produto das classes
A e B para a classe C", afirma Torreta. "Mas elas sabem que serão
forçadas a entrar nesse ramo."
A Folha apurou que há empresas enfrentando crises internas. A líder
no segmento de beleza estaria diante de um dilema: seus produtos, destinados
para as classes A e B, invadiram os lares de baixa renda há dois anos.
Sem uma estratégia de marketing e propaganda adequada para esse público,
ela acabou perdendo terreno para a sua principal concorrente, que ajustou sua
operação de venda, conquistando os clientes de menor poder aquisitivo.
Um consultor que pede para não ser identificado afirma que a Deca, que
desenvolve artigos para redes hidráulicas, poderia estar faturando mais
se tivesse criado produtos para a baixa renda. Agora, ela se depara com a perda
de vendas para a Docol.
Um levantamento inédito da consultoria BCG (The Boston Consulting Group)
revela que, no longo prazo, as grandes corporações poderão
não sobreviver à expansão da baixa renda, caso persistam
com o mesmo modelo de negócio.
" As empresas têm de fazer seus produtos caberem no bolso dos mais
pobres", afirma Jorg Funk, diretor da BCG. "É verdade que as
classes A e B continuarão comprando, mas, a partir de agora, o crescimento
das vendas depende das classes C, D e E."
Para fazer o estudo, a BCG realizou 15 mil entrevistas no mundo. No Brasil,
foram 2.000 entrevistas em todas as regiões do país. "Fomos
até em favelas para conhecer os hábitos de compra dos brasileiros",
diz Funk. "Esse consumidor busca qualidade."
É por isso que redes como a Mundial, que vende calçados em São
Paulo, estão investindo na sofisticação para a baixa renda.
Para isso, eles contrataram a construtora Souza Lima, que fez restaurantes e
lojas de grife no bairro nobre dos Jardins, para "repaginar" suas unidades
localizadas nas regiões da periferia.
|
Agência Diap, 24 de
março de 2008
AGENDA PATRONAL
CNI lança "Agenda Legislativa
da Indústria 2008" nesta terça-feira (25)
A Confederação
Nacional da Indústria (CNI) lança a “Agenda Legislativa
da Indústria 2008”, em Brasília. Trata-se da 13a
edição da publicação que expõe as
teses, as demandas e a linha de conduta da indústria ante os temas
essenciais em discussão no Congresso Nacional.
A Agenda Legislativa da Indústria é um instrumento de comunicação
do setor industrial com os poderes constituídos, sobretudo o Congresso
Nacional. Criada em 1996, é elaborada anualmente, com a participação
das federações de indústrias, das associações
de indústrias de âmbito nacional e dos conselhos temáticos
da CNI.
Serviço:
Quando: terça-feira (25)
Onde: sede da CNI em Brasília (SBN Q. 1 - Bloco C - Ed. Roberto Simonsen)
Hora: 12 horas
|
Diário Vermelho, 24
de março de 2008
Lula e a eleição de 2010:
''Estou trabalhando para ganhar''
“Se alguém acha
que pelo fato de eu não ter candidato nós não vamos
ganhar as eleições, pode começar a se preocupar
porque eu estou trabalhando para a gente ganhar as eleições.
Não é à toa que impediram a aprovação
da CPMF”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em
entrevista à TV Gazeta. Lula disse que tem “muita vontade” de
fazer o sucessor, descartou uma aliança PT-PSDB e um contágio
do Brasil pela crise americana.
A entrevista para Maria Lydia Flandoli, do programa Em Questão, foi
gravada durante a semana e levada ao ar neste domingo (23) às 23h45.
O presidente ressaltou que é contra a reeleição e que
vai lançar um candidato para sua sucessão. ''Sou contra o terceiro
mandato. Mais do que ético, é um valor democrático. A
gente não pode brincar com a democracia. [Em 2006], fui candidato porque
a lei [que permitiu a reeleição] foi aprovada. Mas não
fui eu quem aprovei'', disse.
Defesa de um candidato da base
Questionado se a ministra Dilma
Roussef (Casa Civil) seria a candidata governista à sucessão,
o presidente limitou-se a repetir que ainda não tem candidato
e disse que discutirá com os partidos da base, após as
eleições municipais, os nomes à sucessão
presidencial. ''Eu não tenho candidato porque eu trabalho com
a seguinte idéia: acho que a base que sustenta o governo hoje
tem que lançar uma candidatura'', completou.
Lula reiterou que a oposição
impediu a aprovação da prorrogação da CPMF
(Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira), em dezembro, para prejudicar eleitoralmente o governo. “A
CPMF significava R$ 120 bilhões a mais em três anos. Imagine
o que a gente poderia fazer neste país”, disse Lula. Ele
afirmou, no entanto, que as obras serão cumpridas porque “a
economia está crescendo”.
Aliança PT-PSDB: hoje, impossível
Lula disse achar “impossível” que
a aliança PT-PSDB, que vem sendo articulada pelo governador mineiro,
Aécio Neves (PSDB), e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel
(PT), seja reproduzida ''hoje'' em outros estados.
“Eu diria que hoje é impossível.
O fato de o Aécio Neves estar fazendo um acordo com o prefeito
Pimentel não significa que seja aceito pelo PT”, disse Lula
na entrevista. Segundo o presidente, “teoricamente era para o PT
ter uma belíssima relação com o PSDB”.
“Tenho uma boa relação
com [o governador de SP, José] Serra, Aécio, com todos
os governadores do PSDB e trato eles com todo o carinho. Estou fazendo
com o Serra o que o [ex-presidente] Fernando Henrique não fez
com o [ex-governador de SP] Mário Covas”, disse. “Não
há possibilidade de não ser amigo de quem está governando.”
Economia sem ''plano B''
Durante a entrevista, Lula afirmou
ainda que “os Estados Unidos precisam assumir a responsabilidade
de debelar a crise o quanto antes para não jogar nas costas dos
países em desenvolvimento os prejuízos”.
O presidente ressaltou que o
Brasil não tem participação na crise imobiliária
norte-americana e que o país está na situação “mais
confortável que já esteve em qualquer outro momento da
história”.
Questionado se teria um “plano
B” para o risco de o país ser afetado, Lula disse que não
trabalha com plano B. “Temos muita coisa para acontecer de bom
no Brasil ainda”, disse.
''Ponto de equilíbrio'' para
as MPs
O presidente disse esperar que
o Congresso encontre encontre “a melhor forma” para que “o
fato de o governo precisar emitir medidas provisórias não
seja um desconforto para o Congresso Nacional”.
''Eu quero que o Congresso encontre
a melhor forma [de trabalho] para que o governo não precise editar
medida provisória. Estou convencido de que o Congresso está correto
quando defende o direito de ter liberdade legislativa, mas é preciso
achar o ponto de equilíbrio, para que nem o Congresso deixe de
cumprir sua função, nem o governo deixe de governar”,
disse Lula.
Ele admitiu, contudo, que ''quem
estiver na cadeira de presidente sempre vai adorar as MPs, porque quando
aprovada, ela passa a valer'', afirmou.
''Ofendido'' com deportações
Na entrevista, que durou cerca
de 35 minutos, Lula também disse ter se sentido “ofendido” com
a deportação de brasileiros em aeroportos na Espanha e
afirmou concordar com a medida adotada pelo país de também
deportar turistas espanhós em aeroportos brasileiros.
“Obviamente que se um país,
seja a Espanha ou qualquer outro, começa a perseguir brasileiros,
temos que defender os brasileiros”, disse o petista, que destacou
ainda a “relação estratégica” que o
país mantém com a Espanha e os esforços dos governos
dos dois países para que a situação seja normalizada.
No fim da entrevista, Lula agradeceu
e revelou o que pretende fazer quando deixar a Presidência. ''Estou
pedindo a Deus para esse dia chegar. Não vou parar de fazer política,
está no meu sangue. Mas não quero mais aquela militância
que tive na construção do PT'', afirmou. ''Que deus ajude
quem vier depois de mim e que faça muito melhor.''
Da redação, com
agências
|
Diário Vermelho, 24
de março de 2008
Angola cresce uma vez e meia mais depressa
que a China
Há um milagre angolano
que se opera desde o fim da guerra civil, em abril de 2002. Nos seis
anos desde então, o PIB (Produto Interno Bruto) do país
cresceu inacreditáveis 104,2%. No ano passado o índice
foi de 16,3%. E a previsão para 2008 é de 16,2%. É uma
vez e meia o crescimento da China. O fenômeno, único na África,
tem muito a ver com a explosão dos preços do petróleo,
mas não apenas. Sua chave principal é a paz.

* Estimativa; fonte: Banco mundial
Na Conferência Internacional de Tóquio para o Desenvolvimento
de África, que se concluiu nesta sexta-feira (21), no Gabão,
a ministra angolana do Planejamento, Ana Dias Lourenço, revelou o segredo
do milagre em seu país. "Ela mostra que a paz e a estabilidade
política são factores fundamentais, porque só depois da
assinatura dos Acordos de Paz, em 2002, foi possível estabilizar a economia,
começar o processo de reconstrução das infra-estruturas,
e criar um enquadramento atrativo para o investimento", afirmou.
Antes de 2002, Angola viveu 27 anos consecutivos de luta armada: primeiro a
guerrilha contra o colonialismo português (1961-1975) e em seguida a
guerra civil, estimulada pelo regime racista da vizinha África do Sul.
Até hoje as feridas da guerra estão abertas, influenciando inclusive
a economia, como os campos minados que entravam o desenvolvimento agrícola.
Produção de óleo
iguala a do Brasil
O boom dos preços do petróleo
coincidiu com o acordo de paz, entre o governo do MPLA (a ex-guerrilha
anticolonial) e os rebeldes da Unita (ex-aliados dos sul-africanos).
O país apostou firme na exploração de suas ricas
reserva. No fim do ano passado a extração de óleo
chegou a 1,9 milhão de barris-dia, equivalente à do Brasil.
As reservas de óleo angolanas são de quase 18 bilhões
de barris, superiores às brasileiras mesmo incluindo-se o potencial
estimado do campo de Tupi.
Desde 2006 Angola entrou na Opep
(Associação de Países Exportadores de Petróleo).
A produção petrolífera angolana é a segunda
maior da África subsaariana, perdendo apenas para a da Nigéria.
Setor não petrolífero é o
que mais cresce
É certo que o petróleo
tem um peso desmesurado no milagre angolano. Em 2007 ele representou
90% das exportações, 50% do PIB e 80% da arrecadação
de impostos. Mas existe um esforço consciente para impulsionar
os outros ramos econômicos. E uma crença de que chegou a
hora do setor não petrolífero. O governo angolano calcula
que o índice de crescimento deste último, no ano passado,
alcançou 19,5%, contra "modestos" 13,3% de aumento da
produção de petróleo.
A agricultura e os serviços
têm tido "crescimento muito acima do programado". Na área
agrícola, as medidas decisivas são a desminagem, a introdução
de sistemas de irrigação e também a reinserção
sócio-econômica das populações deslocadas
pela guerra. A construção civil avança em ritmo
febril. A taxa de desemprego mantém-se alta, 25,2%, apesar de
ter recuado 4 pontos percentuais em relação a 2005.
A ministra Ana Dias defendeu
em Libreville que o crescimento de dois dígitos foi causado também
pelo petróleo, mas "sobretudo, pelas boas práticas
de gestão, escolha de políticas públicas que convergem
com as de redução da pobreza, o aumento da produção
e do desenvolvimento interno e de um vasto programa de reconstrução
e modernização de infra-estruturas que permite o crescimento
de outros setores da economia afastados do petróleo".
Angola declinou a oferta de um
acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional) para monitorar
a recuperação econômica do pós-guerra. Em
contrapartgida, aderiu com entusiasmo à idéia das parcerias
público-privadas (PPP), tomada do Brasil, embora não tenha
prosperado aqui. O biocombustivel é outra área em que Angola
se beneficia da experiência brasileira.
Presença brasileira
O capital brasileiro participa,
embora tardiamente, do boom angolano. Não existem estatísticas
exatas sobre a participação de brasileiros e de empresas
brasileiras na economia angolana, mas a Associação de Empresários
e Executivos Brasileiros em Angola (Aebran), fundada em 2003, calcula
que é superior a US$ 5 bilhões, oquase 10% do PIB do país.
A Petrobras está em Angola
há 28 anos, mas só no ano passado decidiu priorizar o país.
Grandes empreiteiras como a Norberto Odebrecht, a Camargo Corrêa
e a Queiróz Galvão têm feito negócios da China
em Angola.
A embaixada do Brasil em Luanda
estima que são cerca de dez mil brasileiros no país. Mas,
segundo empresários brasileiros em Angola, computados os legais
e os ilegais, o número não é inferior a 25 mil em
uma população oficialmente estimada em cerca de 15 milhões
de habitantes.
Da redação, com agências
|
Agência Diap, 24 de
março de 2008
PREVIDÊNCIA SOCIAL
Compensação dos benefícios
do INSS com os do Tesouro em discussão
A Comissão de Seguridade
Social e Família da Câmara dos Deputados aprecia o PL
898/99, do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB/PR). A matéria revoga
dispositivos da Lei 9.796, de 5 de maio de 1999, que dispõe
sobre a compensação financeira entre o Regime Geral de
Previdência Social e os regimes de previdência dos servidores
da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios
nos casos de contagem recíproca do tempo de contribuição
para efeito de aposentadoria.
O relator da proposta na Comissão é o deputado Arnaldo Faria
de Sá (PTB/SP) e seu parecer é pela aprovação da
matéria.
O colegiado se reúne nesta quarta-feira (26), às 9h30, no plenário
7, do anexo II da Câmara do Deputados.
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
24/03/2008
Recurso sem identificação
do advogado não tem validade
Entre as chamadas irregularidades
processuais, a falta de identificação do advogado (nome
e inscrição na OAB) na petição é fator
decisivo para invalidar recurso na Justiça do Trabalho. Este foi
o caso de um recurso de revista, recentemente julgado pela Sétima
Turma do Tribunal Superior do Trabalho. Trata-se de ação
movida contra a Petrobras por um ex-empregado, que apelou ao TST no intuito
de rever decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região
(Bahia).
O recurso de revista do autor
foi rejeitado pelo relator, ministro Pedro Paulo Manus, pelo fato de
conter apenas uma rubrica – e não a identificação
do advogado que o subscreveu. O ministro considera que essa exigência
deve ser cumprida no ato da insurgência, ou seja, no momento em
que o recurso é protocolado no TST. E destaca que não há condições
para restabelecer a validade do ato posteriormente, não sendo
aplicável, portanto, a aplicação do artigo 13 do
Código do Processo Civil, nestes casos.
Nem mesmo o fato de a identificação
do advogado constar da ação original é suficiente
para afastar a irregularidade decorrente da sua ausência no recurso
protocolado no TST. “Assim, se a parte não se empenhou para
sanar o não cumprimento dessa exigência legal, não
cabe ao magistrado fazê-lo”, concluiu o relator.

|
 |
| |
O
SECRETÁRIO DE RELAÇÕES DO TRABALHO, no uso
de suas atribuições legais e com fundamento na Portaria
nº. 343 de 04 de maio de 2000 e alterações posteriores
resolve dar publicidade do exame de admissibilidade da seguinte impugnação
apresentada, SOBRESTANDO os seguintes pedidos registro sindical e
de alteração estatutária até que o Ministério
do Trabalho e Emprego seja notificado do inteiro teor do acordo ou
da sentença final, que encerre definitivamente a controvérsia
entre impugnado e impugnante.
Nome SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS
INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO
E DO MOBILIÁRIO DE BETIM, IBIRITÉ, SARZEDO, MÁRIO
CAMPOS, ESMERALDAS, IGARAPÉ, SÃO JOAQUIM DE BICAS,
JUATUBA E MATEUS LEME-MG.
Impugnação acolhida 46000.013068/2007-34
Impugnação não acolhida 46000.013197/2007-22
Fundamento NOTA TÉCNICA/CGRS/SRT/DIAN/Nº 134/2008
|
|
 |
| |
O
SECRETÁRIO DE RELAÇÕES DO TRABALHO, no uso
de suas atribuições legais e com fundamento na
Portaria nº. 343 de 04 de maio de 2000 e alterações
posteriores resolve dar publicidade do exame de admissibilidade
da seguinte impugnação apresentada, SOBRESTANDO os seguintes pedidos registro sindical e de alteração
estatutária até que o Ministério do Trabalho
e Emprego seja notificado do inteiro teor do acordo ou da sentença
final, que encerre definitivamente a controvérsia entre
impugnado e impugnante.
Impugnado 46000.005208/2007-09?
Nome "SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DA
CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DE SANTOS",
SP
Impugnação acolhida 46000.019831/2007-31, 46000.021885/2007-66 e 46000.021635/2007-26
Fundamento NOTA TÉCNICA/CGRS/SRT/DIAN/Nº 135/2008
Impugnado 46000.029296/2006-45
|
|