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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de março de 2008 | Economia
Alta do salário mínimo
ajudou a ampliar inflação, segundo FGV
Agência Estado
Os preços de serviços
subiram 1,55% nas principais capitais do País na terceira quadrissemana
de março (últimos 30 dias encerrados em 22/3), conforme
apurou a Fundação Getúlio Vargas (FGV), por meio
do Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S). A
taxa do grupo Serviços foi superior à verificada na segunda
quadrissemana (30 dias terminados em 15/3), de 1,29%, e ao resultado
do primeiro levantamento do mês (30 dias até 7/3), de 1,17%.
O coordenador do IPC-S, Paulo
Picchetti, afirmou que o aumento recente autorizado pelo governo federal
para o salário mínimo, de R$ 380,00 para R$ 415,00, também
teria ajudado a inflacionar alguns serviços que são prestados à população
nas sete capitais onde o indicador é apurado, São Paulo,
Rio de Janeiro, Brasília Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador
e Recife. No início deste mês, quando o reajuste entrou
em vigor, ele já havia antecipado a possibilidade deste impacto
no grupo, que encerrou fevereiro com uma variação de 0,96%
após subir 3,18% em janeiro.
O grupo Serviços vem sendo
monitorado mais atentamente por especialistas desde o ano passado. A
análise geral é de que os preços do grupo passaram
a refletir com maior intensidade a melhora da condição
de vida do brasileiro, por conta do aumento do poder aquisitivo e do
próprio cenário mais confortável da inflação
no País, que geram uma maior demanda por itens não-comercializáveis.
O aumento do salário mínimo
seria apenas mais um ingrediente para este cenário. "Além
das variações que já vinham acontecendo para os
itens do grupo, tivemos exemplos de alta nos serviços de empregada
doméstica", comentou Picchetti, que, no entanto, não
demonstrou uma grande preocupação com o comportamento destes
preços. "Está dentro do esperado", avaliou.
Na terceira quadrissemana de
março, o item líder do grupo em contribuição
de alta para o IPC-S foi Refeição em Restaurante, que subiu
1,36% e contribuiu com 0,02 ponto porcentual da inflação
geral de 0,23%. Na seqüência, no ranking de representatividade,
vieram as altas de Tarifa de Passagem Aérea (7,57%) e Show Musical
(3,63%).
Quanto aos itens com impacto
gerado pelo aumento do salário mínimo, o de maior contribuição
para o índice geral ficou por conta de Profissional Para Reparos
de Residência, com uma alta de 1,23%. Na seqüência,
vieram Empregada Doméstica Mensalista (0 65%), Emprega Doméstica
Diarista (0,83%), Dentista (0,47%), Serviços de Reparo de Automóvel
(0,33%) e Médico (0,89%).
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de março de 2008 | Nacional
Senadores questionam critérios
de contagem populacional nos municípios
Agência Senado
A queda na renda em municípios
brasileiros, resultado de cálculos de contagem populacional realizados
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), motivou
protestos de diversos senadores, durante reunião técnica
na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) com o presidente
do IBGE, Eduardo Pereira Nunes. O economista foi questionado pelos senadores
Flexa Ribeiro (PSB-PA), Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Antônio
Carlos Valadares (PSB-SE). Para Valadares, há "inflexibilidade" dos
métodos adotados pelo órgão.
Eduardo Nunes explicou que o
país ainda convive com importantes movimentos migratórios,
que resultaram na redução populacional e conseqüente
redução na parcela do Fundo de Participação
de Municípios em 444 cidades, mas também resultaram no
aumento de população e de renda em 1.700 municípios.
Para aprofundar o assunto, a CAE aprovou requerimento para a realização
de audiência pública sobre critérios de contagem
populacional, utilizados pelo IBGE.
Também participaram
do debate na CAE os senadores João Tenório (PSDB-AL)
e Eduardo Suplicy (PT-SP). Antes de encerrar a reunião técnica,
o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), presidente da CAE, elogiou o
trabalho realizado por Eduardo Nunes e destacou que, "pela primeira
vez em 60 anos, a taxa de crescimento do país é maior
que a taxa de inflação".
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 25 de março de 2008 | Dinheiro
Serra anunciará mínimo
maior que o de Lula em São Paulo
MÔNICA BERGAMO
Colunista da Folha
O governador de São Paulo,
José Serra (PSDB), deve anunciar ainda hoje um novo valor para
o salário mínimo de São Paulo, que hoje é de
R$ 410.
Mais uma vez, Serra estabelecerá um
valor maior que o salário mínimo determinado pelo presidente
Lula para todo o país.
O mínimo de Lula saltou
de R$ 380 para R$ 415. O mínimo de Serra passará dos atuais
R$ 410 para cerca de R$ 450 --o valor exato está sendo guardado
a sete chaves, já que o governador faz questão de anunciar
pessoalmente a medida.
O novo mínimo paulista,
que vale para a iniciativa privada, deve beneficiar cerca de 1 milhão
de trabalhadores que recebem o piso no Estado.
A lei nº 12.640, assinada
por José Serra em 11 de julho de 2006, determina que os pisos
estaduais não são pagos aos trabalhadores que tenham
outros pisos definidos em lei federal, convenção ou acordo
coletivo, aos servidores públicos estaduais e municipais, bem
como aos contratos de aprendizagem, que continuam fixados com base
no valor do mínimo nacional.
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 25 de março de 2008 | Dinheiro
Sindicatos querem PIB como referência
para reajuste de salários
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
A mesa de negociação
salarial deverá contar com um novo elemento neste ano: o PIB (Produto
Interno Bruto). Em tempos de inflação em baixa, o índice
de preços perde força como referência para o reajuste
e, agora, os sindicalistas querem que seja levada em consideração
a expansão da economia do país --a exemplo do que ocorreu
no salário mínimo federal deste ano.
Em 2007, o índice de expansão
do PIB foi de 5,4%, ultrapassando o do INPC (Índice Nacional de
Preços ao Consumidor), que ficou em 3,9%.
"O crescimento econômico é favorável à negociação,
mas não está se traduzindo na relação entre
o PIB e o salário. O percentual do PIB não está na
mesa, mas pode vir a estar. Pode ser uma sugestão, já que
o ganho real dos salários está abaixo do PIB desde 2004",
afirmou José Silvestre Prado de Oliveira, supervisor do Dieese
(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
"O aumento real do salário
deve estar vinculado ao crescimento econômico, que é importante,
mas com distribuição de renda", disse Carlos Cordeiro,
secretário geral da Contraf (Confederação Nacional
dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), ligada à CUT (Central Única
dos Trabalhadores).
Segundo divulgou nesta segunda-feira
o Dieese, 96% das negociações salariais realizadas em 2007
asseguraram, no mínimo, a incorporação das perdas
ocorridas com a inflação --medida pelo INPC (Índice
Nacional de Preços ao Consumidor) ocorridas desde a data-base
anterior.
"A inflação
continua sendo uma variável determinante para a concessão
de reajuste. Quanto menor a inflação, menor é o
repasse e maior é a proporção de negociações
com reajustes iguais ou superiores ao índice", explica Oliveira.
Entre 2003 e 2004, por exemplo,
o INPC médio caiu de 17,4% para 6,6% e o percentual de reajustes
iguais ou acima desse índice saltou de 42% para 81%. Em 2005,
quando o índice de preços do IBGE médio correspondeu
a 6%, quase 90% das negociações asseguraram resultados
positivos. Em 2006 e 2007, com inflação médica acumulada
inferior a 4%, quase a totalidade das negociações assegurou
percentuais de reajustes idênticos ou superiores ao INPC.
"Há uma nítida
influência da inflação sobre a negociação
dos reajustes salariais, o mesmo não ocorre em relação
ao PIB. Coloca-se a necessidade de incorporar o patamar de crescimento
ao salário e à mesa de negociação",
explicou Oliveira.
Conforme o Dieese, comparando-se
os ganhos reais obtidos nos últimos quatro anos com a taxa de
expansão do PIB referente ao ano anterior, somente em 2004 (quando
o índice foi de 1,1% em 2003), a proporção de negociações
saltou de 42,3% (em 2003) para 80,9% (em 2004) com reajuste igual ou
acima do INPC. Nos anos posteriores, a variação do PIB
oscilou entre 3% e 6% e a proporção de negociações
que conquistaram aumentos reais manteve o mesmo patamar.
"É neste momento
que se deve pautar a necessidade de repartição dos ganhos
de produtividade, através da qual os trabalhadores terão
a oportunidade de elevar o patamar salarial vigente, profundamente rebaixado
nas últimas três décadas", informa o Dieese.
Impacto sobre 2008
Para as negociações
a serem realizadas neste ano, o Dieese projeta quadro semelhante de
reajustes ao do ano passado, já que a inflação
projetada é semelhante. Caso o PIB do país --com variação
prevista entre 4,5% e 5% para 2008-- seja considerado na negociação,
Francisco Oliveira, coordenador de pesquisas do Dieese, cogita um impacto
positivo maior sobre os salários. "Pode ter impacto por
ser um PIB elevado, mas como a influência é maior da inflação,
pelo menos o INPC deverá estar garantido", disse.
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de março de 2008 | Economia
Crédito no País cresce
27,9% em 12 meses até fevereiro
Operações de crédito
mantêm elevação; ministro da Fazenda demonstra
preocupação com ritmo de alta
Agência Estado e Reuters
BRASÍLIA - As operações de crédito oferecidas pelo
sistema financeiro continuam crescendo no País, segundo informações
divulgadas pelo Banco Central nesta terça-feira, 25. Apenas no mês
de fevereiro, a alta foi de 1,1% em relação a janeiro, acumulando
expansão de 27,9% nos últimos 12 meses. Com a alta, o volume
total do crédito atingiu o equivalente a 34,8% do Produto Interno Bruto
(PIB) do País. Apesar disso, de acordo com os dados, a inadimplência
ficou praticamente estável no mês, mostrando que o crescimento
no crédito não amplia o número de inadimplentes.
Levando em conta apenas as operações com recursos livres, cujas
taxas são definidas sem a interferência do governo, o volume em
outubro somou R$ 679,1 bilhões, o equivalente a 24,8% do PIB.
A taxa de inadimplência caiu levemente em fevereiro, de 4,4% para 4,3%,
permanecendo quase estável. No acumulado de 12 meses até o mês
passado, o porcentual de operações com débitos em atraso
superior a 90 dias caiu 0,7 ponto.
Na segunda-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, demonstrou preocupação
com o ritmo de crescimento do crédito no País e disse que pretende
se reunir com representantes dos bancos esta semana para verificar se os patamares
atuais de financiamento são seguros.
Juros
A taxa média de juros cobrada pelos bancos oscilou para 37,4% ao ano
no mês passado, frente a 37,3% em janeiro. Nas operações
para as pessoas físicas, o juro médio subiu de 48,8% para 49%
anuais. Em 12 meses, a taxa média recuou 1,8 ponto. Nas linhas de crédito
para as pessoas jurídicas, a taxa também subiu, de 24,7% para
24,8%. Em 12 meses, essas linhas acumulam redução de 1,2 ponto.
A elevação
dos juros acompanha a subida do spread bancário - diferença
entre a taxa de captação dos bancos e a cobrada dos clientes
-, que subiu para 26 pontos percentuais, ante 25,7 pontos no mês
anterior.
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CUT, 25 de março de
2008
Pagar dívida da casa com FGTS
fica mais fácil
Caixa oficializa novas regras. Qualquer mutuário,
mesmo inadimplente, poderá abater até 80% da prestação
com o FGTS.
A Caixa Econômica Federal publicou ontem uma circular no "Diário
Oficial" da União formalizando as mudanças nas regras para
o saque do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar
a dívida ou abater parcelas de financiamento imobiliário.
Uma das mudanças é o
aumento do limite para abatimento das parcelas usando o FGTS. Antes,
existiam três faixas de renda, com percentuais diferentes de abatimento,
que variavam conforme o comprometimento da renda. Em alguns casos, era
possível abater apenas 40% das prestações. Agora,
com a mudança, não há mais divisão por faixas
de renda e, para todos, foi estipulado o limite de 80%.
Outra alteração é que,
antes, para usar os recursos da conta vinculada para o abatimento das
prestações, era preciso estar rigorosamente em dia com
as prestações. Essa regra foi flexibilizada pelo Conselho
Curador do FGTS e, agora, mutuários com até três
prestações atrasadas também podem usar o FGTS para
o abatimento das parcelas.
Segundo o gerente nacional do
FGTS, José Maria de Oliveira Leão, isso foi possível
porque o SFH (Sistema Financeiro de Habitação) trabalha
com um conceito diferente de inadimplência. "Para o SFH, não é considerado
inadimplente, para fins de execução de contrato de financiamento
imobiliário, quem tem até três prestações
em atraso", disse.
O uso do FGTS para amortizar
ou liquidar o saldo devedor também teve alteração.
Antes, para usar o saldo, era necessário ter, no mínimo, o equivalente
ao valor de 12 prestações na conta do FGTS.
O conselho tirou essa limitação
e, agora, qualquer valor pode ser utilizado na amortização
ou liquidação de dívida, desde que seja observado
o intervalo de dois anos entre uma amortização e outra.
Construção
O trabalhador também poderá usar a grana do FGTS
para pagar as parcelas do imóvel durante a construção.
O saque da conta vinculada será em parcela única. O banco
que fizer o saque do dinheiro será o responsável por entregar
o dinheiro do FGTS à empresa responsável pela obra.
Segundo a Caixa, como as regras já estavam em vigor neste ano, todas
as instituições foram orientadas. O que ocorreu agora, com a
circular, foi a oficialização das mudanças -o que deve
facilitar a vida dos mutuários que forem aos bancos.
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DIAP, 25 de março
de 2008
EDUCAÇÃO PARA O TRABALHO
Falta de ensino fundamental compromete
qualificação do trabalhador, aponta diagnóstico
Cerca de 42% da população ativa — de 15 a 64 anos — do
estado de São Paulo não completou o ensino fundamental. A constatação
faz parte do Diagnóstico para o Programa Estadual de Qualificação
Profissional, divulgado na última quarta-feira (19), pela Secretaria
Estadual do Emprego e Relações do Trabalho (Sert), na capital
paulista.
De acordo com a pesquisa encomendada
pela Sert para a Fundação Sistema Estadual de Análise
de Dados (Seade), esse é o ponto crítico e determinante
do aumento do desemprego no estado, já que impede a qualificação
profissional.
Segundo o secretário estadual
de Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos,
a falta de ensino fundamental é sinônimo de desemprego. “Hoje
os jovens estão mais bem embasados do que os mais velhos. Então,
o desemprego é dos mais velhos em funções muito
simples porque hoje o que se pede é mão-de-obra qualificada
para as mais diversas profissões. A grande dificuldade da qualificação é que
eles não sabem escrever, ler e contar direito. Para qualquer profissão,
a pessoa precisa saber fazer essas três coisas”.
Construção
civil
Segundo a pesquisa, em 2007, em todas as regiões do estado, a construção
civil foi o setor que mais demandou mão-de-obra, com crescimento de
18,3% no número de vagas. Em seguida vem comércio com 7,1%, indústria
com 6,1% e serviços com 4,9%. A agropecuária cresceu 0,6% na
criação de novas vagas.
As ocupações com
maior expansão entre os homens foram as de servente de obras,
alimentador de linha de produção e faxineiro. As ocupações
com pior desempenho foram: trabalhador da cultura da cana-de-açúcar,
supervisor administrativo, trabalhador agropecuário e vigia. Entre
as mulheres, as ocupações que mais criaram vagas foram
alimentador de linha de produção, operador de telemarketing
e atendente de lanchonete. Supervisor administrativo e inspetor de alunos
de escola pública tiveram desempenho negativo.
O estudo mostrou ainda que há demanda
por 159 mil vagas de cursos de qualificação, de acordo
com dados obtidos em 89 oficinas de trabalho feitas em cidades com mais
de 100 mil habitantes. Em 43 das 89 oficinas foi registrada a necessidade
de oferecer cursos de qualificação ou requalificação
para pedreiros. Entre as funções com mais necessidade de
qualificação estão também recepcionista,
vendedor do comércio varejista, garçom e soldador, entre
outras.
Qualificação profissional
O secretário de Emprego
e Relações do Trabalho reforçou que por conta do
resultado da pesquisa, o estado irá oferecer cursos que deverão
estar voltados para qualificação profissional com reforço
no ensino fundamental. “De 200 horas pelo menos 120 horas de ensino
básico para diminuir esse desemprego que vai se tornar endêmico
por falta de qualificação”, disse Afif Domingos.
A idéia é trabalhar
com as instituições que já existem como o Centro
Paula Souza, de ensino profissionalizante no estado, o Sistema S e o
Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow
da Fonseca (Cefet). “Eles têm infra-estrutura instalada e
o corpo técnico preparado para absorver as necessidades”.
O governador em exercício,
Alberto Goldman ressaltou que a administração estadual
vai começar a preparar professores para requalificar as pessoas
que não têm oportunidade para se incorporar no mercado de
trabalho.
“Percebemos que há fontes
de recursos de várias ordens, públicas e privadas, atuando
na área de formação profissional. Nós precisamos
começar a pensar em como vamos construir um sistema mais articulado
para que não se perca tantos recursos como parece quem vem acontecendo”.
(Fonte: Agência Brasil; intertítulos do DIAP)
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DIAP, 25 de março
de 2008
DIREITO À MATERNIDADE
Auxílio-creche: direito da trabalhadora
Toda empresa que possua estabelecimentos
com mais de 30 empregadas com idade superior a 16 anos é obrigada
a manter local onde as mães possam dar assistência aos
seus filhos no período de amamentação
A proteção à maternidade é um
direito constitucionalmente garantido aos trabalhadores e a existência
de creche custeada pela empresa ou o pagamento do auxílio-creche
se enquadra dentro desse espírito de proteção da
Constituição. Toda empresa que possua estabelecimentos
com mais de 30 empregadas com idade superior a 16 anos é obrigada
a manter local apropriado onde seja permitido às trabalhadoras-mães
guardar sob vigilância e assistência os seus filhos no período
de amamentação, que vai desde o nascimento aos seis meses
do bebê.
O auxílio-creche ou reembolso
creche - é um valor que a empresa repassa diretamente às
empregadas, de forma a não ser obrigada a manter uma creche. Nesse
caso, o benefício deve ser concedido a toda empregada-mãe,
independentemente do número de empregadas no estabelecimento,
e deve ser objeto de negociação coletiva.
Caso a mãe queira deixar
seu bebê com uma babá, não há na legislação
previsão legal quanto a esse benefício. Porém, nada
impede que a convenção ou acordo coletivo autorize a trabalhadora
a usar o valor do benefício para pagamento de uma babá.
O valor deve custear integralmente as despesas efetuadas com o pagamento
da creche, que será de livre escolha da empregada-mãe,
pelo menos até os seis meses de idade da criança, nas condições,
prazos e valor estipulados em acordo ou convenção coletiva.
As convenções e acordos coletivos de trabalho estabelecerão
o valor do auxílio-creche e, se for o caso, o valor do auxílio-babá.
O reembolso-creche deverá ser
efetuado até o 3º dia útil da entrega do comprovante
das despesas efetuadas, pela empregada-mãe, com a mensalidade
da creche. A creche pode se localizar na própria empresa ou em
outros locais, contratados mediante convênio entre a empresa e
entidades públicas ou privadas, sendo as despesas custeadas direta
e integralmente pela empresa.
Amamentação
O período de amamentação vai do nascimento até pelo
menos seis meses de idade, mas as convenções e acordos coletivos
firmados pelos sindicatos poderão estipular um período maior.
Legalmente o auxílio-creche é concedido apenas às empregadas-mães.
Mas as convenções e acordos coletivos negociados pelos sindicatos
podem, eventualmente, estender esse direito aos pais.
Para o diretor do departamento
de Fiscalização do Trabalho, do Ministério do Trabalho
e Emprego (MTE), Leonardo Soares, "apesar de ser uma obrigação
da empresa, o benefício também é um investimento,
pois influencia positivamente na produtividade da trabalhadora, que poderá se
concentrar integralmente em suas atividades, pois sabe que seu filho
está num local em que receberá cuidados adequados. Além
disso, demonstra o compromisso da empresa com a busca da qualidade de
vida de seus empregados e o seu compromisso social".
Dever
do empregador
A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), em seu artigo 389,
parágrafo 1º, estabelece que toda empresa que possua estabelecimento
em que trabalharem pelo menos 30 mulheres com mais de 16 anos de idade deverão
ter local apropriado onde seja permitido às empregadas guardar sob vigilância
e assistência os seus filhos no período da amamentação.
Nos termos da Portaria 3.296/1986,
do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a empresa poderá,
em substituição à exigência contida no parágrafo
1º, do artigo 389, da CLT, adotar o sistema de reembolso-creche.
As empresas e empregadores deverão
dar ciência às trabalhadoras da existência do sistema
e dos procedimentos necessários para a utilização
do benefício, que poderão variar conforme a categoria/empresa,
fixando avisos em locais visíveis e de fácil acesso para
os empregados. As Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego
(SRTE) devem ser comunicadas pelas empresas da adoção do
sistema de reembolso-creche, remetendo-lhe cópia do documento
explicativo disponibilizado aos seus empregados.
Sendo uma obrigação
legalmente imposta ao empregador, o Ministério do Trabalho e Emprego
tem o dever de fiscalizar o seu cumprimento. O auditor-fiscal do trabalho,
ao fiscalizar uma empresa, verifica o número de mulheres no estabelecimento
e, sendo obrigatória a existência de creche, observa a implantação
ou o pagamento do auxílio-creche. Nesse procedimento, é garantido
pela lei o acesso do auditor a todas as dependências da empresa,
independentemente de prévio aviso, podendo inclusive conversar
com as trabalhadoras.
Multa
Em caso de descumprimento da lei, a empresa poderá ser multada no valor
de R$ 80,51 a R$ 805,09 por situação irregular. (Fonte: MTE)
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de março de 2008 | Economia
Ipea prevê mais 7,5 milhões
de empregos até 2010
Agência Estado
O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio
Pochmann, afirmou que se o Brasil mantiver um ritmo de crescimento médio
de 5% entre 2008 e 2010 serão criados 7,5 milhões de empregos.
Nesse contexto, o País dobrará a sua participação
na geração de postos de trabalho em todo o planeta, pois é hoje
de 2,7% e passaria a colaborar com 5,6%. "O mundo gera por ano 45 milhões
de empregos e o Brasil estará criando 2 5 milhões de postos de
trabalho. Serão 200 mil empregos a mais que o contingente de 2,3 milhões
de pessoas que ingressam no mercado por ano", comentou.
De acordo com Pochmann, dos 7,5
milhões de empregos que poderão ser criados no próximo
triênio, 30% virão da indústria, 41% devem vir do
setor de serviços, 20% devem ser gerados no comércio, e
o setor agropecuário deve ficar com uma fatia de 4 9%. Daquele
total, 3,5 milhões de postos de trabalho receberão até três
salários mínimos, enquanto 1,8 milhão de novas vagas
registrarão uma remuneração de até seis salários
mínimos. Cerca de 1,5 milhão de trabalhadores nos novos
empregos receberão de seis a doze salários e 700 mil pessoas
deverão ganhar mais que 12 salários mínimos.
Como o País deve registrar
uma demanda elevada por obras de infra-estrutura para fazer frente à velocidade
de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o presidente do Ipea afirmou
que o Brasil deve precisar de 250 mil novos engenheiros neste período. "Ao
considerar o número que engenheiros que se formam por ano, teremos
um déficit de 172 mil profissionais", comentou . Segundo
Pochmann, o Brasil começa a enfrentar o "bom problema" de
ter carência de profissionais especializados, o que não
ocorria desde a primeira metade da década de 1970.
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Folha de São Paulo,
25 de março de 2008
TENDÊNCIAS/DEBATES
FAT: verdades e equívocos
LUIZ FERNANDO EMEDIATO
Especialistas puderam ver que
eu estava cumprindo com minhas obrigações. Leitores comuns
foram induzidos a crer o contrário
UTILIZO ESTE espaço gentilmente cedido pela Folha para esclarecer as
reportagens que o jornal publicou e que envolveram minha pessoa, como presidente
do Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador).
Segundo a Folha, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, estaria privilegiando
entidades "ligadas" ao partido e à Força Sindical,
presidida pelo deputado pedetista Paulo Pereira da Silva, ao qual presto serviços
como consultor. Eu, como presidente do Codefat, estaria usando o cargo para
ajudar os dois.
Não sou filiado ao PDT nem sindicalista e não tenho procuração
para defender o ministro, mas posso provar que ele não privilegiou o
PDT e a Força Sindical com recursos do FAT. Esses convênios são
assinados também por mim e limitaram-se, em sua maioria, a renovações
de convênios de gestões anteriores. Uma única entidade "ligada" à Força
era uma escola que trabalha para governos, empresas privadas e sindicatos.
O fato de ter alugado salas de aula em sindicatos filiados à Força
levou ao equívoco.
Quando assinei uma resolução (a 560, do Codefat) autorizando
o MTE a fazer convênios não só com Estados e municípios,
mas também com organizações não-governamentais,
eu o fiz após a proposta ser aprovada pelos conselheiros presentes.
Não foi uma decisão minha e o objetivo era deixar a resolução
de acordo com a lei, que desde 1965 permite tais convênios.
Convênios são mecanismos pelos quais a União faz parcerias
com Estados, municípios e organizações não-governamentais.
Por ato discricionário da União, o Ministério do Trabalho,
por exemplo, repassa recursos para quem se oferece e é considerado capaz
de prestar um serviço de qualidade e que atenda às necessidades
do país. Não se trata de uma licitação para contratar,
mas da escolha de um parceiro, com interesse mútuo e de acordo com a
lei.
A Folha, induzida a erro por fonte a meu ver pouco idônea, afirma que
uma dessas entidades proponentes de convênio -a Confederação
Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos, CNTM, filiada à Força
Sindical- apresentou ao MTE proposta com custo equivalente a quase o dobro
do praticado pelo governo de São Paulo.
Trata-se de erro grosseiro e brutal.
Primeiro, seria preciso identificar o verdadeiro custo dos serviços
prestados pelo governo paulista, que repassa obrigações para
vários municípios, os quais, por sua vez, aportam recursos financeiros
próprios. Recomendei ao MTE -como é minha obrigação,
como gestor do FAT- que esses custos sejam apurados.
O que a CNTM quer é retomar a gestão plena, e não só parcial,
como ocorre agora, de dois postos públicos de atendimento a desempregados
criados em 1998 pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo
e cuja gestão financeira foi transferida em 2005 para a Prefeitura de
São Paulo, experiência que se revelou danosa em virtude de conflitos
políticos até então inexistentes. Os postos funcionam
em prédios do sindicato, no qual o FAT muito investiu.
A gestão da prefeitura levou à queda na qualidade dos serviços
prestados pela equipe que, desde 1998, é dirigida por técnicos
do sindicato dos metalúrgicos, filiado à CNTM. Essa operação
foi mantida por termo de cooperação assinado entre o então
prefeito José Serra e a Força Sindical, com vigência até junho
de 2009. O que se pretende e se estuda é transferir para a entidade
sindical a execução total do convênio, com os mesmos custos
praticados hoje.
Outro equivoco da Folha é afirmar que entidades como a CNTM estão
impedidas de conveniar. As entidades que estão temporariamente impedidas
são as centrais sindicais e a Fiesp (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo), cujas contas com o MTE estão sendo revistas.
Estão impedidas da mesma forma que estariam os governos dos Estados
de São Paulo, Sergipe e Maranhão, entre outros, que não
tiveram suas contas aprovadas nos últimos anos, mas recorreram ao STF
para continuar conveniando e conseguiram liminar nesse sentido. As centrais
sindicais e a Fiesp não recorreram à Justiça para garantir
o mesmo procedimento.
Por fim, informo que em sua próxima reunião, em abril, o Codefat
aprovará resolução determinando ao MTE procedimentos de
extremo rigor para a realização de convênios tanto com
entes públicos quanto privados. Creio que isso blindará o Codefat
e o MTE contra a ação dos que usam o Estado para fazer negócios
ou criam ONGs podres com o mesmo objetivo.
Quero manifestar minha tristeza por ter exposta na Folha minha correspondência
pessoal por e-mail, como se eu estivesse praticando uma irregularidade. Especialistas
puderam ver que eu estava cumprindo com minhas obrigações e exercendo
o meu direito. Leitores comuns foram induzidos a crer o contrário, o
que causou irreparáveis prejuízos à minha reputação.
Agradeço à Folha a oportunidade de publicar este artigo, mas
só isso não repara o prejuízo causado.
No entanto, não reclamarei mais, esgotando aqui essa triste polêmica.
LUIZ FERNANDO EMEDIATO, 56, ganhador do Prêmio
Esso de Jornalismo em 1982, é escritor, sócio-proprietário
das editoras Geração Editorial e Jardim dos Livros, cotista da
empresa Ativa, promotora de crédito, consultor de políticas públicas,
conselheiro da Força Sindical e presidente do Codefat (Conselho Deliberativo
do Fundo de Amparo ao Trabalhador).
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de março de 2008 | Nacional
Lula se diz "indignado" com
críticas ao PAC
Por Milton F. da Rocha Filho
Em seu programa semanal de rádio, "Café com o Presidente",
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se disse "indignado" com
as acusações de que o Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) seria eleitoreiro. "O governo não está disputando
eleição alguma. Não tem eleição para presidente
da República e não tem eleição para governador. É um
programa que o governo federal anunciou com dois anos de antecedência
e esse dinheiro agora está gerando aquilo que nós queríamos
que ele gerasse: emprego e melhoria na vida das pessoas", afirmou.
"Quando vamos a uma cidade,
eu não quero saber se o prefeito é candidato à reeleição,
se o prefeito é do PFL, se o prefeito é do PT ou do PSDB",
argumentou Lula. E disse que vai continuar viajando pelo País. "Acho
que é imprescindível que o povo tenha esses investimentos
começando a produzir os efeitos agora", justificou.
O presidente lembrou que a partir
de junho não poderão mais ser assinados convênios
com os Estados. "Mas os convênios que já foram feitos
antes de junho terão de ser executados porque é um absurdo
imaginar que as prefeituras têm de parar", disse. "Eu
estou andando e vou continuar andando o Brasil para dizer para o povo
que o Brasil está dando certo, vai dar certo e por muito tempo."
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Gazeta do Povo, 25 de março
de 2008
BRASIL | PLANEJAMENTO
Lula sanciona Orçamento de
2008
Fim da CPMF levou governo a refazer cálculos;
corte foi de R$ 12,4 bilhões
Brasília – O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem o Orçamento
Geral da União de 2008 sem vetos ao texto aprovado pelo
Congresso Nacional. A sanção ocorre com quase quatro
meses de atraso, depois que o governo foi obrigado a recalcular
sua estimativa de gastos neste ano com o fim da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Câmara - MPs trancando pauta sobem de 3 para 14 no fim de semana
A Câmara dos Deputados começou a semana com 14 medidas provisórias
trancando a pauta de votações. Só no sábado, 11
MPs passaram a bloquear a pauta. De acordo com dados da Secretaria Geral da
Mesa Diretora, essa situação vem ocorrendo desde o início
da abertura do ano legislativo, no dia 6 de fevereiro, e é piorada pelas
obstruções a votações. Somente em duas sessões
a pauta não esteve trancada.
Na primeira sessão de votações da Câmara, no dia
11 de fevereiro, sete MPs trancavam a pauta e apenas uma foi votada nesse dia.
Na última sessão plenária antes do feriadão de
Páscoa, no dia 19, três medidas estavam trancando a pauta.
Atualmente, uma comissão especial da Câmara analisa proposta de
emenda à Constituição que trata da mudança no trâmite
de medidas provisórias. Entre as mudanças reivindicadas pelos
parlamentares está o não-trancamento da pauta pela MP, mas o
ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência
da República, José Múcio Monteiro, defendeu na última
semana a manutenção das regras atuais. Para o ministro, caso
a medida provisória não tranque mais a pauta, ela perde seu sentido
de relevância e urgência e pode acabar preterida, perdendo a validade.
A decisão sobre o trancamento está nas mãos do relator
da matéria na comissão especial, deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ).
Na semana passada, o deputado apresentou seu relatório preliminar comissão
e propôs o não-trancamento da pauta. O relatório final
sobre a matéria será apresentado no dia 3 de abril.
O Orçamento prevê despesas de R$ 1,423 trilhão ao longo
de 2008. O valor inclui o corte de R$ 12,4 bilhões no texto após
a nova estimativa do governo para os gastos de 2008, provocada pelo fim da
CPMF. A expectativa, no entanto, é que o governo divulgue nos próximos
dias um contingenciamento à proposta orçamentária – com
cortes estimados em até R$ 8 bilhões pelo governo.
Na prática, os cortes
vão atingir principalmente a máquina pública federal,
que ficou com R$ 6,77 bilhões a menos após o fim da CPMF.
A proposta orçamentária também prevê cortes
de R$ 3,48 bilhões na área de pessoal, medida que atinge
diretamente o número de vagas a serem abertas neste ano por meio
de concursos públicos.
Apesar do esperado contingenciamento,
a peça orçamentária prevê o aumento de R$
8,5 bilhões nos investimentos diretos do governo federal mesmo
após a extinção da CPMF. O aumento é conseqüência
da arrecadação de impostos prevista para 2008, que após
reestimativa do governo chega a R$ 36,47 bilhões – quase
o valor total perdido com o fim da CPMF, que é de R$ 39,29 bilhões.
MPs
Lula e os ministros que participaram
ontem da reunião do grupo de coordenação política,
no Palácio do Planalto, disseram que é necessário
um equilíbrio entre os interesses dos parlamentares e os do Executivo
na questão das medidas provisórias (MPs). Segundo relatos
dos participantes, Lula e os ministros destacaram que o Congresso precisa
ter a sua agenda, mas o governo não pode ficar imobilizado. Na
semana passada, o presidente declarou que é “impossível” governar
sem MPs.
O debate sobre as mudanças
nas regras das MPs foi iniciado pelo presidente da Câmara, Arlindo
Chinaglia (PT-SP), que instalou, em 13 de fevereiro, uma comissão
especial com a função de propor mudanças na tramitação
e edição das medidas. São duas as principais queixas
no Congresso: excesso de MPs – adiando outros debates importantes
e votações de projetos de lei – e o trancamento da
pauta quando a medida não é votada, no prazo de 45 dias.
Ao abrir a discussão, Chinaglia declarou que a principal alteração
deveria ser justamente o fim do bloqueio das votações,
aquilo que o governo tenta impedir a qualquer custo.
Apertar
as regras para as MPs, criadas originariamente para a adoção
de medidas de urgência e relevância, é meta também
do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). “O problema é fazer
com que não tranquem a pauta”, destacou ele, ao endossar
a posição do colega na Câmara. O relator da comissão,
Leonardo Picciani (PMDB-RJ), já apresentou texto sugerindo essa
mudança. O governo reagiu rápido, mobilizando parlamentares
aliados, com propostas alternativas, que recuperam o instrumento de
bloqueio da pauta.
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Agência Câmara,
25 de março de 2008
Base aliada poderá usar peso
da maioria para votar MPs
Edson Santos

Henrique Fontana: "Nós preferimos o diálogo,
mas o governo tem que procurar usar a sua maioria."
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo às lideranças
da base governista no Congresso Nacional para votar as medidas provisórias
que estão na pauta. O apelo foi feito durante a reunião do Conselho
Político, na noite desta segunda-feira, no Palácio do Planalto.
Segundo o líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana
(PT-RS), a orientação do presidente é de que, caso não
haja acordo com a oposição pelo fim das obstruções,
os aliados façam valer a sua maioria.
"Nós sempre preferimos
o diálogo, a composição e a negociação.
Agora, é evidente que, se a oposição opta por um
caminho de obstrução irracional - há MPs que são
alvo de consenso absoluto e a própria oposição reconhece
-, neste caso o governo tem de procurar usar a sua maioria para garantir
a liberação da pauta da Câmara e do Senado",
argumentou.
Henrique Fontana garantiu que
a base governista está unida e marcará presença
no plenário da Câmara nesta terça (25) e na quarta-feira
(26). Segundo ele, a indefinição sobre os nomes para a
presidência e a relatoria da proposta de reforma tributária
(PEC 233/08) em comissão especial não deve prejudicar essa
coesão.
Alternativas
para MPs
Durante a reunião desta segunda-feira, o presidente Lula, o ministro
das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro,
e os parlamentares discutiram alternativas quanto ao trâmite das MPs.
Uma das propostas vistas com simpatia pelos participantes é a possibilidade
de a maioria dos deputados ou senadores decidir que uma MP que esteja trancando
a pauta possa ter a sua apreciação adiada momentaneamente. Com
isso, seria aberto espaço para a votação de algum projeto
de lei.
O líder do PR, deputado
Luciano Castro (RR), é um dos que consideram a idéia viável. "Isso é interessante,
pois haveria mais flexibilidade e mais velocidade na tramitação
das medidas provisórias", avaliou.
Com boa parte das 14 medidas
provisórias que hoje trancam a pauta da Câmara é relativa
a créditos extraordinários, o presidente Lula e os líderes
também trataram de uma alternativa para que essas MPs não
prejudiquem o trabalho legislativo. Uma das opções seria
deixar que a Comissão Mista de Orçamento e o plenário
do Congresso Nacional deliberassem sobre essas matérias. Outro
caminho seria adotar um mecanismo que obrigasse os parlamentares a
votar as suplementações orçamentárias antes
de entrarem em recesso.
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Gazeta do Povo, 25 de março
de 2008
BRASIL | SUCESSÃO PRESIDENCIAL
Jaques Wagner diz que Dilma pode ser
candidata do PT
São Paulo – O governador
da Bahia, Jaques Wagner (PT), disse ontem que o nome da ministra
Dilma Rousseff (Casa Civil) está mais bem avaliado dentro
do PT que o seu para a disputa à sucessão presidencial
em 2010. Wagner amenizou as críticas sobre a “falta
de jogo político” da ministra e elogiou sua forma de
trabalhar.
“É uma admirável
gestora. Sei como foi importante esse jeito dela. Muitas vezes duro,
que muita gente se choca, mas objetivo e empresarial. Alguns dizem que
falta jogo político, mas isso a gente vai construindo na caminhada”,
disse ontem, durante almoço-debate promovido pelo Grupo de Líderes
Empresariais (Lide), em São Paulo.
O governador falou que se sentiria
orgulhoso em dirigir o país se fosse escolhido candidato do PT
mas declarou que a disputa presidencial não está em sua
agenda por enquanto. “Minha agenda agora é Bahia. Você só se
credencia para novas tarefas quando cumpre corretamente as que lhe deram.
Não adianta eu falar para a frente se eu não cumprir a
minha tarefa.”
Wagner justificou que seu
nome está sendo lembrado pelo partido devido a seu desempenho
nas eleições de 2006.
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Agência Diap, 25 de
março de 2008
Atuação legislativa,
crise política e MPs
Por: Antônio Augusto de Queiroz*
A produção legislativa
em 2007, excluídas as matérias orçamentárias,
foi maior que nos anos de 2005 e 2006 e rigorosamente igual à de
2003, também primeiro ano de mandato do presidente Lula: 124 leis.
Os dados são do relatório da Presidência do Senado,
que publica uma série histórica do número de leis
aprovadas pelas duas Casas do Congresso desde 1985. Sendo assim, em que
a crise política ou mesmo as MPs podem ter influenciado no desempenho
dos deputados e senadores?
Vamos aos dados. No período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de
2007, 198 proposições foram transformadas em lei, sendo 81 oriundas
de projetos de lei, 52 de medidas provisórias e 65 de projeto de lei
do Congresso Nacional. Desse total, 74 tratam de temas orçamentários,
restando 124, que cuidam de outras matérias, que serão objeto
de análise neste artigo.
Do total de leis de 2007, excluídas as de natureza orçamentária,
68 foram de iniciativa do Poder Executivo, sendo 25 oriundas de projetos de
lei e 43 de medidas provisórias, e 52 de iniciativa de parlamentares,
sendo 28 propostas por senadores e 24 por deputados. Quatro foram de iniciativa
do Poder Judiciário. Estatisticamente, considerando as 124 leis não
orçamentárias, o Congresso teve a iniciativa de 42,6% das leis,
contra 54,4% oriundas do Poder Executivo.
As matérias orçamentárias, que de iniciativa privativa
do Executivo, são veiculadas por medidas provisórias e por projetos
de lei do Congresso (PLN), estes apreciados em sessão conjunta das duas
Casas do Legislativo. São três os tipos de créditos: os
adicionais, desmembrados em especiais e suplementares, e os extraordinários.
Somente este último, que pode ser veiculado por MP, poderá bloquear
a pauta da Câmara ou do Senado. Os PLNs são apreciados pelo Congresso
Nacional, em sessão conjunta, envolvendo Câmara e Senado como
instância decisória única.
O Congresso Nacional, como instância única, só tem deliberado
em sessão extraordinária, já que existem 141 projetos
de leis, alguns desde 1984, com 884 vetos pendentes de apreciação
e, segundo o parágrafo 6º do artigo 66 da Constituição,
passados 30 dias sem apreciação em sessão ordinária
do Congresso, ficam sobrestadas (suspensas) todas as demais proposições
até sua votação final.
Se
a média anual de leis tem sido a mesma de antes, durante e
após as crises políticas no Governo Lula, inclusive
em relação às leis oriundas de medidas provisórias,
o que explicaria atribuir-se agora o bloqueio da pauta às
medidas provisórias ou às crises políticas?
Parece que o que está acontecendo é uma maior disputa em torno
das matérias em votação, com a oposição
promovendo uma obstrução ostensiva; mas isto não tem resultado
em paralisia do processo decisório, tampouco na redução
do número de leis aprovadas, pelo menos é isso que os dados da
série histórica do Senado indicam.
Os dados sobre produção legislativa, documentado pelo relatório
de atividades da Presidência do Senado, recomendam uma maior reflexão
sobre os responsáveis pela má imagem do Congresso. Atribuir-se
a crise de imagem do Congresso apenas às MPs ou à crise política
parece insuficiente.
(*) Jornalista, analista político e Diretor de Documentação
do DIAP
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Gazeta do Povo, 25 de março
de 2008
ECONOMIA | FINANCIAMENTO
Mantega nega intenção
de restringir crédito para veículos
Bancos e varejo de automóveis garantem
que contratos longos são seguros
por ROSANA FÉLIX COM AGÊNCIAS
As instituições financeiras
consideram muito forte a possibilidade de o governo federal adotar
medidas de restrição ao crédito, apesar de o
ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter negado essa intenção
ontem. Mantega afirmou que o governo quer assegurar o crescimento
estruturado da economia por meio do estímulo aos investimentos,
mas representantes do setor vêem a possibilidade de restrição
como alternativa ao aumento da taxa de juros.
Segundo Mantega, a preocupação
do governo federal é saber se os bancos têm concedido financiamento
de forma responsável. “Não vamos tomar nenhuma medida.
Não vamos limitar o número de prestações.
Apenas vamos saber se os bancos estão agindo de forma responsável
na liberação do crédito.”
Durante o feriado, fontes do
Ministério da Fazenda sinalizaram que haveria limite de 36 meses
para o financiamento de automóveis, que hoje podem ser parcelados
em até 99 vezes. A medida contribuiria para evitar pressões
inflacionárias e reduziria as chances de o Comitê de Política
Monetária (Copom) elevar a taxa básica de juros, a Selic,
que está em 11,25% ao ano.
Roosewelt Pinheiro/Agência Senado

“Não vamos limitar o número de prestações.
Apenas vamos saber se os bancos estão agindo de forma responsável
na liberação do crédito.” Guido Mantega, ministro
da Fazenda.
Para o economista Hugo Eduardo
Mezza Pinto, além de se preocupar com a inflação,
o governo federal deveria reduzir os prazos longos de financiamento para
evitar uma crise no sistema financeiro brasileiro semelhante à que
ocorreu nos Estados Unidos, com os títulos hipotecários
de alto risco.
O ministro se reúne amanhã com
representantes de instituições financeiras, para avaliar
a segurança de financiamentos muito longos. Mantega avalia que
a expansão das operações de crédito tem permitido
o crescimento da economia, mas quer evitar uma aceleração.
Outra preocupação é com o crescimento equilibrado
da economia. O ministro irá conversar com os setores aquecidos,
como o automotivo e siderúrgico, e avaliar se eles têm condições
de ampliar os investimentos para atender à demanda futura.
Restrições
“Para mim, as restrições
vão ocorrer”, diz o presidente da Associação
Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento
e Investimento (Acrefi), Érico Sodré Quirino Ferreira.
Segundo ele, os financiamentos longos são conseqüência
da estabilidade econômica, e o aumento do consumo era bastante
previsível. “Mas tenho a convicção de que
o crédito no Brasil é dado com muita cautela. O fato de
os prazos serem alongados não é sinal de imprudência,
muito pelo contrário. Ao ajustar o valor das parcelas ao bolso
do consumidor, vemos a inadimplência cair”, pondera. A Febraban,
que representa os bancos, disse que só se pronunciará após
a reunião com Mantega.
De acordo com o diretor regional
da Fenabrave (que congrega concessionárias e revendedores) no
Paraná, Luís Antonio Sebben, o governo deve se preocupar
em investir em infra-estrutura, para que as empresas aumentem a oferta
de produtos, evitando as pressões inflacionárias. Cerca
de 70% das vendas financiadas de veículos novos e usados são
para pagamento em prazos acima de 36 meses. Se o governo decidisse limitar
as prestações a, no máximo, três anos, causaria “forte
retração nos negócios”, informa a Associação
Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). Segundo a entidade,
o prazo médio de financiamento de carros novos no Brasil é de
42 meses.

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Gazeta do Povo, 25 de março
de 2008
ECONOMIA | ENTREVISTA
Carro financiado é o “subprime” local
Para os economistas Hugo Eduardo
Mezza Pinto, Artur Coelho e Paulo Vagner Ferreira, professores da
Universidade Positivo e das Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba,
o financiamento de automóveis no Brasil pode ser considerado
uma espécie de “subprime” (créditos de
segunda linha). Eles comparam a modalidade de crédito brasileira
com a crise hipotecária dos Estados Unidos, causada pelos
empréstimos imobiliários de alto risco.
Gazeta do Povo – O
financiamento de automóveis pode ser considerado semelhante
ao “subprime” norte-americano?
Hugo Eduardo Meza Pinto – De
2000 a 2005, o número de pessoas que chega à nova classe
média (com renda de R$ 12 mil a R$ 45 mil anuais) aumentou 50%.
Essa nova classe média foi induzida a elevar seu consumo, especialmente
no setor automotivo, que começou a oferecer prazos longos de financiamento.
Mas será que a pessoa vai conseguir pagar, em oito anos, um bem
que até lá estará bastante desvalorizado?
O consumo está sendo
induzido pelo governo?
O problema ocorre quando há elevação
da renda ao mesmo tempo em que o crédito é farto. Você junta
a fome com a vontade de comer. Esse é o mesmo cenário que
gerou a crise nos Estados Unidos. Há crédito fácil
mesmo para quem não comprove capacidade de pagamento e para consumidores
vulneráveis às oscilações do desempenho da
economia.
Mas as financeiras no
Brasil não fazem uma análise completa dos tomadores de
crédito?
O que nos preocupa é o
volume de recursos lastreados em veículos financiados. Há mais
de R$ 5 bilhões nessa posição, nos Fundos de Investimento
em Direitos Creditórios (FIDC), papéis que servem para
captar dinheiro que sustentará o crédito a consumidores
e empresas. Quanto mais o mercado de automóveis cresce, maiores
são as emissões de FIDCs, que podem ser considerados subprimes,
pois são papéis de risco. (RF)
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de março de 2008 | Nacional
INSS pagará o novo salário
mínimo a aposentados e pensionistas
Morillo Carvalho - Agência
Brasil
Os 17 milhões de aposentados e pensionistas cujo benefício tem
valor de até um salário mínimo começam a receber
R$ 415 a partir desta terça-feira (25), do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS). O novo valor é retroativo ao dia 1º, quando o reajuste
entrou em vigor.
Desde dezembro, o pagamento a 8,5 milhões de aposentados é feito
antecipadamente, por causa de um acordo para diminuir as filas nas agências
bancárias, firmado entre a Federação Brasileira dos Bancos
(Febraban) e a Previdência Social.
Na terça (25), o INSS
efetuará o depósito aos beneficiários com cartão
de final 1 e o pagamento prossegue até dia 31, para os de finais
2, 3, 4 e 5.
Os demais beneficiários – cujos
cartões têm número final de 6 a 0 – receberão
o pagamento entre os dias 1º e 7 de abril. Para saber quando o benefício
será pago, o dígito do cartão deve ser desconsiderado.
Por meio de sua assessoria de
imprensa, a Febraban informou que ainda não é possível
saber se o acordo resolveu o problema da espera, uma vez que não
faz análise sistemática do tamanho das filas nos bancos.
O INSS tira dúvidas
sobre o pagamento por telefone: ao ligar para o 135, o beneficiário
deve informar o número do benefício ou o Número
de Identificação do Trabalhador (NIT), que consta do
cartão de pagamento.
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Agência Diap, 25
de março de 2008
CRÍTICA
CUT contesta editorial do "Valor" sobre
reforma sindical
Na edição desta
segunda (24), o jornal Valor Econômico publicou editorial intitulado "A
administração não pode ser refém do sindicalismo".
O presidente da CUT enviou carta ao jornal em resposta ao texto.
" O artigo do Valor Econômico peca especialmente ao listar medidas
que teriam sido barradas pelo movimento sindical. A CUT não impediu a
reforma sindical mas, ao contrário, lutou muito por ela especialmente
durante o Forum Nacional do Trabalho, a despeito de resistências vindas,
inclusive, das entidades empresariais. Chegamos a um projeto de consenso e, então,
a proposta encalhou no Congresso Nacional e lá permanece. Isso não
nos impede de continuarmos construindo alternativas para modernizar a estrutura
sindical brasileira – o fim do imposto, como se verá adiante, é um
dos passos dessa caminhada", diz um dos trechos da carta.
Em outro momento, a carta da CUT critica o jornal por chamar de descabida a
lei parovada que regulamentou as centrais sindicais.
" Outra afirmação que merece repúdio é a de
que a eleição de representantes dos trabalhadores para participar
dos conselhos de administração das estatais é uma idéia
descabida. Para nós, ampliar a democracia e o controle social da gestão
pública são valores fundamentais. No setor privado, aliás,
a eleição de representantes dos trabalhadores para os conselhos
já acontece em diversas empresas". (Fonte: Assessoria de imprensa
da CUT)
Leia a carta assinada por Artur:
“É verdade que o movimento sindical tem registrado conquistas importantes,
fruto de mobilização, capacidade de proposição e
de negociação. Isso mostra acertos de nossas lutas.
O jornal Valor Econômico cita como exemplos dessas conquistas a política
de valorização do salário mínimo, que a pressão
do movimento sindical nos últimos cinco anos fez resultar no maior poder
de compra do mínimo nos últimos 40 anos, e a correção
da tabela do Imposto de Renda. Temos orgulho desses avanços que beneficiam
milhões de brasileiros, grande parte deles não filiada a sindicatos.
Consideramos positivo que a imprensa, de alguma maneira, lembre-se de nos vincular
a esses fatos e de registrar que resultam de nossa busca por um desenvolvimento
econômico sustentável, que valorize os trabalhadores, distribua
renda e fortaleça o mercado interno.
Isso não significa, nem de longe, que os sindicatos são os maiores
beneficiados no governo Lula. Salário mínimo valorizado e redução
na carga do Imposto de Renda beneficiam os trabalhadores.
A economia cresce como um todo. A elevação do Produto Interno
Bruto (PIB) em 2007 atingiu 5,4%, o maior desde 2004, equivalente a R$ 2,6
trilhões. O comércio varejista obteve em 2007 o melhor resultado
desde o início da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, em 2001.
A taxa de volume de vendas ficou em 9,6% se comparada ao ano de 2006, e de
11,8% para a receita nominal de vendas. A indústria registrou expansão
de 4,9% em 2007, puxada pela indústria de transformação.
Tais resultados se devem em grande parte à elevação de
renda que o movimento sindical ajudou, e muito, a construir. Ainda há o
setor bancário, que em 2007 novamente superou o lucro de anos anteriores.
O artigo do Valor Econômico peca especialmente ao listar medidas que
teriam sido barradas pelo movimento sindical. A CUT não impediu a reforma
sindical mas, ao contrário, lutou muito por ela especialmente durante
o Fórum Nacional do Trabalho, a despeito de resistências vindas,
inclusive, das entidades empresariais. Chegamos a um projeto de consenso e,
então, a proposta encalhou no Congresso Nacional e lá permanece.
Isso não nos impede de continuarmos construindo alternativas para modernizar
a estrutura sindical brasileira – o fim do imposto, como se verá adiante, é um
dos passos dessa caminhada.
Não é justo, tampouco, afirmar que barramos a desoneração
da folha de pagamento. Os próprios jornais afirmaram, quando da apresentação
da proposta de reforma do governo, que o movimento sindical se opôs,
isso sim, à diminuição linear, pura e simples, da contribuição
patronal para a Seguridade Social. O que propomos, há muito, é que
a contribuição se dê sobre o faturamento e não mais
sobre a folha, o que desonerará setores produtivos e que geram muitos
empregos, protegendo ao mesmo tempo as receitas da Seguridade.
Queremos a desoneração da folha e mudanças na estrutura
tributária que beneficiem o setor produtivo. Temos mais propostas para
tanto e estamos abertos ao diálogo para consolidar a mudança
necessária.
Já as conquistas recentes dos servidores federais – que o Valor
classifica como tratamento ‘a pão-de-ló’ – não
são benesses, mas respostas a uma ação sindical constante
e frutos do entendimento de que é preciso reorganizar e valorizar o
serviço público como formas de fortalecer o papel do Estado num
processo de desenvolvimento. Quanto às greves nos últimos anos,
esclarecemos que não se deram por ambiente mais favorável que
em outras épocas – se assim fosse, o número de paralisações
no serviço público teria sido diminuto em outras gestões.
Nesse sentido, reafirmamos ser uma tolice inútil e autoritária
a defesa de uma lei antigreve, em qualquer setor. A negociação
coletiva permanente, que será consolidada a partir da ratificação
da Convenção 151, é a maneira civilizada e madura de aprimorar
a relação entre os governos e seus trabalhadores. Com a participação
de usuários no sistema de negociação – como defende
a CUT –, a medida vai aperfeiçoar o serviço público
e valorizar os servidores e os demais contribuintes.
Outra afirmação que merece repúdio é a de que a
eleição de representantes dos trabalhadores para participar dos
conselhos de administração das estatais é uma idéia
descabida. Para nós, ampliar a democracia e o controle social da gestão
pública são valores fundamentais. No setor privado, aliás,
a eleição de representantes dos trabalhadores para os conselhos
já acontece em diversas empresas.
Por fim, a citada atualização da Consolidação das
Leis do Trabalho. Reafirmamos que atualização não pode
ser confundida com maior precarização das relações
de trabalho ou retirada de direitos. Números recentes da economia mostram
23 trimestres de crescimento contínuo andando lado a lado com recordes
na geração de empregos formais, confirmando que direitos trabalhistas
combinam com desenvolvimento.
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Agência Câmara,
25 de março de 2008
Projeto prevê reversão
de aposentadorias do INSS
Laycer Tomaz

Verde: objetivo é garantir a renúncia ao benefício
recebido para se ter direito a outro mais vantajoso.
O Projeto de Lei 2682/07, do deputado Cleber Verde (PRB-MA), permite aos aposentados
do regime geral da Previdência Social renunciar ao benefício a
qualquer tempo. Pela proposta, nessa hipótese o beneficiado não
terá de restituir nada à Previdência e poderá recomeçar
a contagem do tempo de serviço para ter direito à aposentadoria
integral ou para aumentar a base de cálculo necessária à aposentadoria
proporcional.
De acordo com Cleber Verde, embora
não seja vedada na legislação, a reversão
da aposentadoria vem sendo negada pelo Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS). O deputado esclarece que a pretensão da proposta não é permitir
a acumulação de benefícios, mas garantir a renúncia
ao benefício atualmente recebido para se ter direito ao recebimento
de outro, no mesmo regime mas em condições mais vantajosas.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter
conclusivo, será analisado pelas comissões de Seguridade
Social e Família; de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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NCST, 25 de março
de 2008
Audiência pública discute
redução da jornada de trabalho
A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço
Público realiza na quinta-feira (27) audiência pública
para debater o Projeto de Lei 7663/06, do deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA),
que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A audiência
foi sugerida pelo relator da proposta, deputado Roberto Santiago (PV-SP).
O projeto também modifica
regras trabalhistas referentes a horas extras, adicional noturno e tempo
de intervalo de trabalho. O texto prevê, por exemplo, que o valor
da hora extra deverá ser pelo menos 50% superior ao da hora normal,
para a primeira hora, e 100% para as restantes. Atualmente, a Consolidação
das Leis do Trabalho (Decreto Lei 5.452/43) exige que o valor da hora
suplementar seja pelo menos 20% superior ao da hora normal.
Outra mudança prevista é o
aumento de 20% para 35% no acréscimo de remuneração
da hora noturna em relação à hora diurna.
Foram
convidados para a audiência:
- o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP);
- o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
deputado Armando Monteiro (PTB-PE);
- o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT),
Clésio Andrade;
- o presidente da Confederação Nacional das Instituições
Financeiras (CNF), Gabriel Jorge Ferreira;
- o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária
do Brasil (CNA), Fábio de Salles Meirelles;
- o presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC),
Antônio José Domingues de Oliveira Santos;
- o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, Antônio
Fernandes dos Santos Neto;
- o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique
da Silva Santos;
- o presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores, José Calixto
Ramos;
- o presidente da União Geral dos Trabalhadores, Ricardo Patah;
- o presidente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese), João Vicente Silva Cayres;
- o presidente do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap),
Celso Napolitano;
- o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB),
Wagner Gomes.
A reunião está marcada
para as 10 horas, no plenário 12.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
25 de março de 2008
Blitz do MPT vê trabalho infantil
em lavoura de tomate em SP
Uma ação do MPT (Ministério Público do Trabalho),
representado pelos procuradores Éder Sivers e João Batista Martins
César, do Ofício de Sorocaba (SP), em conjunto com auditores
fiscais do Ministério do Trabalho e agentes da Polícia Federal,
realizada na região de Itapeva, resultou em dezenas de autos de infração
e na constatação de trabalho infantil e adolescente, além
de precárias condições de saúde e segurança,
principalmente em relação à aplicação de
agrotóxicos sem o cuidado com a contaminação ambiental
e dos trabalhadores.
Na região de Guapiara,
foram fiscalizadas seis propriedades rurais arrendadas por produtores
que promovem contratos verbais de falsa parceria e não registram
empregados. Os trabalhadores pulverizam as plantações sem
roupas adequadas, luvas e máscaras, requisitos mínimos
para evitar a intoxicação pelos produtos altamente nocivos.
Crianças e adolescentes são usados para a colheita e seleção
do produto, e correm para se esconder assim que chega a fiscalização.
O produtor Eduardo Toshoki Kido,
arrendatário da fazenda Chaparral, contratou um motoqueiro que
se antecipa à presença dos fiscais para mandar os trabalhadores
se esconderem. A tática só não impediu que um adolescente
de 16 anos fosse flagrado porque a moto atolou e o informante não
conseguiu avisar a tempo. Kido não soube explicar a razão
de os trabalhadores se esconderem. Próximo à plantação,
há colônia de casas precárias construídas
com madeira para abrigar as famílias.
No sítio Rossi, de Edson
Rossi, quatro trabalhadores foram encontrados sem registro em carteira,
e o lavrador Agnaldo Martins, que trabalha há 12 anos na propriedade,
disse que trabalha com registro "um ano sim, outro não".
O esquema é organizado para recebimento do seguro-desemprego.
Depois de vencido o prazo do benefício, o empregado é contratado
novamente.
A pulverização
da lavoura é feita simultaneamente à colheita. Pelo cheiro
de veneno e pequenos calçados abandonados ao lado de caixas cheias
de tomate, foi possível perceber que as crianças fugiram
contaminadas e descalças. Os trabalhadores almoçam sem
lavar as mãos e com a roupa impregnada de veneno. Os trabalhadores
moram no que chamam de "acampamento": um grupo de casas semelhantes
a barracos, feitas de compensado e lixa industrial.
Estranha
parceria
No sítio Matarazzo, arrendado de Sandra Matarazzo por Jorge Leite da
Rosa, foram encontrados cerca de 18 trabalhadores, entre eles um adolescente
de 15 anos e uma criança de nove. Todos estavam selecionando tomates
em um barracão ao lado da sede. Jorge da Rosa explicou que arrendou
as terras e fez contrato de parceria com mais três arrendatários,
que seriam três famílias que produzem, colhem, pagam as despesas
e ficam com o lucro (cerca de R$ 350 mensais por família).
Mas pequenos detalhes desvendam
a fraude: um dos arrendatários é irmão de Jorge
Rosa e fornece notas fiscais de outra propriedade onde também
tem plantação. E o mais interessante: a proprietária
das terras, Sandra Matarazzo, é companheira de Jorge Rosa. Ou
seja, ele arrendou as terras da própria mulher, segundo o Ministério
Público do Trabalho.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
25 de março de 2008
Justiça suspende ações
trabalhistas contra a Vale no Pará
A Justiça do Trabalho
de Parauapebas (PA) determinou a suspensão das milhares
de reclamações trabalhistas individuais ajuizadas
contra a Companhia Vale do Rio Doce e empresas que lhe prestam
serviço. O motivo é a ação civil pública
com a qual o Ministério Público do Trabalho espera
garantir os direitos trabalhistas reclamados de forma coletiva
e mais rápida.
Nas ações, os trabalhadores
fazem basicamente dois pedidos: o pagamento de horas "in itinere" e
das horas excedentes à sexta hora trabalhada no sistema de turno
ininterrupto de revezamento.
O juiz Jônatas dos Santos
Andrade suspendeu as ações individuais ainda não
julgadas com base nos princípios da segurança jurídica,
da economia processual e da razoável duração do
processo. O magistrado afirmou os milhares de processos estão
em vias de inviabilizar o Judiciário Trabalhista na província
mineral de Carajás.
"O que se busca é uma
forma de solução massiva de uma lesão coletiva que
se arrasta há alguns anos sem solução à vista,
sem prejuízo do processamento e do julgamento das demais ações
de cunho individual", explicou Jônatas Andrade.
As duas Varas do Trabalho de
Parauapebas receberam, nos anos de 2006 e 2007, cerca de 8.000 ações
idênticas contra empresas terceirizadas da Vale do Rio Doce. A
previsão para 2008 é a de que esse número ultrapasse
as 10 mil ações.
A Vale não paga e não
permite que as empresas que lhe prestam serviço computem na jornada
de trabalho o tempo que os trabalhadores gastam no deslocamento da portaria
até o efetivo local de trabalho (minas de Carajás e Sossego) —aproximadamente
duas horas para ir e para voltar.
Embora a Justiça do Trabalho
reconheça o direito do trabalhador às horas de percurso
como tempo efetivamente trabalhado, em acordos coletivos firmados na
região de Carajás os sindicatos abrem mão do pagamento.
Por sua vez, a defesa da Vale
insiste em que o local de trabalho é de fácil acesso e
servido por transporte público regular, embora inspeção
judicial requerida pelo MPT tenha apontado que os trabalhadores são
transportados em condução fornecida pelas rés (CVRD
e empresas contratadas) e o local não é urbano, pois está cercado
de mata virgem.
No despacho em que suspendeu
a tramitação das ações individuais, o juiz
Jônatas Andrade enfatiza que vinha concedendo antecipação
de tutela aos trabalhadores reconhecendo o direito pleiteado com base
na inspeção judicial. Em audiências nas duas Varas
do Trabalho da cidade, os trabalhadores têm aderido à ação
coletiva ou desistido dos seus pedidos individuais.
Na ação civil pública
ajuizada pelos procuradores do Trabalho do Ofício de Marabá (PA) —Francisco
Cruz, José Adílson Pereira da Costa e Marcos Duanne Barbosa
de Almeida— pedem ainda que a Vale e as empresas sejam condenadas
a pagar R$ 109 milhões de indenização por dano moral
coletivo, sendo R$ 100 milhões pela Vale e R$ 200 mil por terceirizada.
Outro lado
Em nota, a Vale do Rio Doce afirma
que celebra anualmente Acordos Coletivos de Trabalho com os sindicatos
profissionais que representam os seus empregados, estipulando vantagens
e condições de trabalho, gerando direitos e obrigações
que, em seu conjunto, são favoráveis aos empregados. De
acordo com o comunicado, nos acordos coletivos vigentes, estão
previstas cláusulas sobre transporte coletivo entre o local de
trabalho e o de residência do empregado, sendo que os Tribunais
Trabalhistas reconhecem a validade da negociação destes
temas.
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ÂMBITO JURÍDICO,
25 de março de 2008
Redução da capacidade
laboral dá direito ao auxílio-acidente
A condição para
o recebimento do auxílio-acidente é a comprovação
de que as lesões decorrentes do acidente sofrido impliquem na
redução da capacidade para o trabalho que o segurado habitualmente
exercia. Com esse entendimento, a Sexta Câmara Cível do
Tribunal de Justiça negou provimento ao recurso interposto pelo
Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e manteve decisão de
Primeira Instância que condenou o órgão federal a
implantar o auxílio-acidente a partir da data da cessação
do benefício de auxílio-doença (processo nº.
96826/2007).
No recurso, o INSS sustentou
que, tendo sido constatada a redução da capacidade laboral
somente pela perícia judicial, fica evidente que a data da juntada
do respectivo laudo em juízo deve ser considerada como termo inicial
para pagamento das parcelas em atraso. Além disso, o INSS requereu
a reforma da sentença, com a improcedência da ação
ou, no caso do improvimento do recurso, que o INSS fosse autorizado a
descontar dos valores devidos aqueles pagos a título de auxílio-doença,
por todo o período em que tenha havido concomitância de
benefícios incompatíveis.
Contudo, segundo o relator do
recurso, juiz substituto de Segundo Grau, Marcelo Souza de Barros, do
exame da lei com o laudo e as demais provas produzidas, ficam evidenciados
os pressupostos para a concessão do benefício pleiteado.
Ficou comprovado, portanto, a redução da capacidade funcional
e a existência de nexo causal entre o acidente e a diminuição
da referida capacidade.
O magistrado destacou que a trabalhadora
sofreu o acidente no trajeto de casa para o trabalho, tendo permanecido
com seqüela de fratura da coluna vertebral, ficando com sua capacidade
laboral reduzida. Ele observou ainda que a perícia confirmou que
as lesões traumáticas da coluna lombar sofridas pela autora
são definitivamente incapacitantes e em conseqüência
do acidente. O magistrado disse que o direito ao auxílio-acidente
surgiu em razão da incapacidade permanente adquirida pela apelada
em relação ao trabalho que exercia.
O juiz Marcelo de Barros explicou
que o auxílio-acidente tem natureza indenizatória e objetiva
recompor, o quanto for possível, o padrão de rendimento
do segurado na atividade, tendo em vista o natural decréscimo
remuneratório decorrente dessa situação. Conforme
o magistrado, se estava sendo pago o auxílio-doença, o
termo inicial para pagamento do auxílio-acidente é o dia
seguinte ao da cessação daquele benefício.
A autora da ação
sofreu uma queda dentro do ônibus no trajeto para o trabalho. Em
decorrência do acidente, ocorrido em dezembro de 1996, ela fraturou
a coluna lombar, quando passou a receber provisoriamente o auxílio-doença
do INSS. O benefício foi suspenso após ela receber alta
da perícia daquele Instituto, ocasião em que foi demitida
da empresa. Por conta disso, ela postulou o benefício previdenciário
de auxílio-doença acidentário.
Também participaram
do julgamento os desembargadores Mariano Alonso Ribeiro Travassos (revisor)
e Juracy Persiani (vogal).
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
25/03/2008
Empresa pagará diferença de
salário reduzido de engenheiro
Um engenheiro contratado
pela Portinari Empreendimentos Educacionais Ltda., de Salvador, vai
receber as diferenças salariais correspondentes ao período
em que a empresa reduziu o seu salário sob a justificativa de
que ele passou a exercer atividades de menor responsabilidade. A decisão é da
Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao julgar recurso do
empregado contra acórdão do Tribunal Regional do Trabalho
da 5ª Região (BA) que não viu ilegalidade no ato
e lhe negou o recebimento das diferenças salariais.
A reclamação trabalhista foi ajuizada pelo engenheiro em novembro
de 2001, na 32ª Vara do Trabalho de Salvador, na qual informou que começou
a trabalhar na empresa em agosto de 1995, em 1996 teve o salário reduzido
e, em setembro de 2001, foi despedido. A Vara e o Tribunal Regional julgaram
não haver ilegalidade na redução salarial, porque o reclamante
era engenheiro responsável por uma construção de grande
porte e, com o fim da obra, em setembro de 1996, permaneceu na empresa exercendo
outras atividades, tais como encarregado de manutenção, de reformas,
da segurança, entre outras, que condizem com salário de menor
valor.
Diferentemente, a Quinta Turma do TST entendeu que a irredutibilidade salarial é assegurada
por preceito constitucional, que só admite exceção mediante
convenção ou acordo coletivo, o que não se ajusta ao presente
caso, que trata de redução salarial devido à “mudança
nas atividades executadas”. A Turma considerou que, quando a obra terminou,
a Portinari deveria ter dispensado o engenheiro e não tê-lo mantido
em outras funções.
A Quinta Turma julgou, então, que a decisão regional violou os
artigos 7º, VI, da Constituição da República e 468
da CLT, motivo pelo qual deu provimento ao recurso de revista do empregado,
para acrescer à condenação as diferenças salariais
decorrentes da redução salarial, observada a prescrição
parcial reconhecida na sentença de primeiro grau.
Não concordando com a decisão, a Portinari interpôs uma
ação rescisória (para modificar decisão transitada
em julgado), com pedido de tutela antecipada, pretendendo desconstituir a sentença
turmária. A ação foi julgada improcedente pelo relator
do processo na Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI II), ministro Ives Gandra Martins Filho, e a decisão da Quinta
Turma confirmada.
Informou o relator que, independentemente do resultado da questão prescricional, “melhor
sorte não socorreria” a empresa, porque a jurisprudência
do TST (Súmula nº 409) preceitua que “não procede
ação rescisória calcada em violação do artigo
7º, XXIX, da Constituição, quando a questão envolve
discussão sobre a espécie de prazo prescricional aplicável
aos créditos trabalhistas, se total ou parcial, porque a matéria
tem índole infraconstitucional, construída, na Justiça
do Trabalho, no plano jurisprudencial”.
Em seu voto, o ministro Ives rejeitou as preliminares, julgou improcedente
os pedidos anunciados na ação rescisória, revogou a liminar
que havia concedido e determinou que fossem notificados com urgência
o Tribunal Regional e a 32ª Vara do Trabalho de Salvador. Os demais ministros
da SDI II votaram unanimemente em favor do acórdão do relator.
(AR-173943/2006-000-00-00.9)
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25/03/2008
Norma coletiva não impede concessão
de adicional de periculosidade
Acordo coletivo estabelecia mapeamento
das áreas de trabalho em que seria devido o adicional de periculosidade
e escalonava percentuais diferenciados para cada uma. Por essa norma,
empregado da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) que fazia manutenção
de locomotivas a cerca de dois metros de um tanque contendo doze mil
litros de óleo diesel não teria direito ao adicional, apesar
de, na execução do serviço, o trabalhador manter
contato permanente com inflamáveis, utilizar maçarico,
solda elétrica, fogo e outros agentes, como tiner, querosene e óleo
diesel. De acordo com a Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
o funcionário tem direito à parcela, porque a regulamentação
legal se sobrepõe à norma coletiva.
Admitido em setembro de 1976
, o trabalhador foi demitido sem justa causa em novembro de 1997, quando
recebia o salário de R$1.119,36. Ele passou a executar o serviço
de manutenção de locomotivas em condições
de periculosidade a partir de janeiro de 1993, mas nunca recebeu o respectivo
adicional. A questão chegou ao TST porque, no acordo coletivo,
o lugar de trabalho do empregado não figurava entre os locais
estabelecidos como periculosos no mapeamento de áreas de risco.
A 7ª Vara do Trabalho de
Vitória indeferiu o pedido do adicional feito pelo trabalhador,
mas o Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES) acabou
por concedê-lo. No recurso ao TST, a empresa alega a validade da
norma coletiva para não pagar o adicional e aponta violação
do artigo 7º, inciso XXVI, da Constituição Federal
de 1988 na decisão do TRT. No entanto, para a Segunda Turma do
TST, não se pode, por meio de norma coletiva, acabar com o pagamento
do adicional de periculosidade quando o trabalhador atua em condições
estabelecidas pela norma legal como periculosas.
Ao julgar o recurso de revista,
a Turma manteve a decisão regional quanto à concessão
do adicional, mas limitou a base de cálculo ao salário
básico do trabalhador, modificando o entendimento do TRT, que
mandava pagar sobre toda a remuneração. Segundo o relator,
ministro José Simpliciano Fontes de F. Fernandes, não pode
ser válida a cláusula de norma coletiva que contrarie a
disposição legal expressa, que regulamenta a classificação
das atividades perigosas.
Assim, como os acordos ou convenções
coletivas não podem renunciar a direitos trabalhistas indisponíveis, é inválida
a cláusula normativa defendida no apelo da Vale do Rio Doce, que
nega o direito ao adicional de periculosidade. Para o ministro José Simpliciano,
não se trata de desrespeitar o contido em norma coletiva, mas
de “fixar os limites da flexibilização de direitos
trabalhistas por meio de acordos e convenções coletivas”.
(RR-158/1999-007-17-00.5)
(Lourdes Tavares)

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