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Agência Diap, 26 de
março de 2008
AGENDA PATRONAL
CNI lança agenda legislativa
e propõe pauta mínima ao Congresso
Ao lançar hoje (25), a
13ª edição da “Agenda Legislativa da Indústria”,
a Confederação Nacional da Indústria (CNI) propôs
uma “pauta mínima”, que “será de ação
sistemática e ambiciosa por parte da CNI e seus parceiros na criação
de condições para a conclusão da votação
dessas matérias dentro do menor prazo, se possível, ainda,
em 2008”, disse o presidente da entidade, deputado Armando Monteiro
Neto (PTB/PE).
A “pauta mínima” da indústria é composta por
quatorze proposições e tem como vértice a reforma tributária
(PEC 233/08), passa pelo PLS 646/99, do ex-senador Jorge Bornhausen, que institui
o código de defesa do contribuinte, o PL 3.337/04, do Executivo, que
trata de um novo marco legal para as agências reguladoras; o PLP 126/07,
do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB/PR), que define novas regras para o Simples
Nacional; o PLP 8/03, do deputado Maurício Rands (PT/PE), que regulamenta
o inciso I do artigo 7º da CF, que protege a relação de
emprego contra a despedida arbitrária ou sem justa causa; e o PL 4.330/04,
do deputado Sandro Mabel (PR/GO), que trata de prestação de serviços à terceiros,
entre outros.
A lista de proposições prioritárias da CNI para 2008 destaca
13 matérias, sendo 12 com posicionamento convergente ou convergente
com ressalvas, e apenas uma matéria divergente.
À altura do povo
Estiveram no evento, os presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP),
e do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN). O presidente da Câmara
criticou a quantidade de medidas provisórias, que sufocam a Casa. “A
Câmara votou apenas uma das prioridades de sua agenda [PL 1.990/07, centrais
sindicais], depois de oito meses”, lembrou.
Chinaglia disse que há “disposição da Câmara
e do Senado para fazer com que o Congresso Nacional esteja à altura
de representar o povo brasileiro”. E indagou: “Se não acreditamos
na proposta popular, como poderemos representar o povo brasileiro”. Ao
se referir sobre a proposta de reforma tributária enviada ao Congresso
pelo Executivo pontuou que a reforma precisa tratar de distribuição
de renda.
Sobre as divergências em torno do tema, Chinaglia disse que “no
Congresso Nacional, o que faz a diferença são as nossas diferenças” para
dizer que não serão os entrechoques de idéias que inviabilizarão
o debate e votação da matéria no Congresso.
Pauta do Congresso
Ao falar, Garibaldi Alves não poupou críticas ao Governo pela
emissão de medidas provisórias, mas também disse que ao
receber a agenda da CNI também entregaria a do Congresso aos empresários, “na
confiança, que há na confluência e sintonia” das
agendas.
Ao criticar a submissão do Congresso ao Governo, Garibaldi lembrou que
existem hoje no Legislativo 895 artigos de lei vetados pelo presidente da República,
que os congressistas não conseguem votar. Dessa forma, “não
podemos dizer que vamos votar a agenda da CNI, se não conseguimos votar
os vetos presidenciais e as medidas provisórias”, apontou a contradição.
Garibaldi também falou sobre a reforma tributária do Governo.
Ele disse que “a proposta não é ideal, mas é uma
proposta realista e sensata”. Disse também que a reforma é uma
agenda para 50 anos. E agregou: “Ou assumimos a reforma tributária
ou ela não sairá do papel”.
A agenda
A “Agenda Legislativa da Indústria 2008” está na
13ª edição, e expõe as teses, as demandas e a linha
de conduta da indústria ante os temas essenciais em discussão
no Congresso Nacional.
A agenda é um instrumento de comunicação do setor industrial
com os poderes constituídos, sobretudo o Congresso Nacional. Criada
em 1996 é elaborada anualmente, com a participação das
federações de indústrias, das associações
de indústrias de âmbito nacional e dos conselhos temáticos
da CNI. (Marcos Verlaine)
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ESTADÃO.COM/ SÃO
PAULO, 26 de março de 2008 | Economia
Desemprego no Brasil sobe a 14,5%
em fevereiro-Seade/Dieese
REUTERS
SÃO PAULO - A taxa de desemprego no Brasil subiu em fevereiro, para
14,5 por cento, ante 14,2 por cento em janeiro, mostrou uma pesquisa do Seade
e do Dieese nesta quarta-feira.
O contingente de desempregados
nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelos institutos ficou
em 2,853 milhões de pessoas no mês passado, 50 mil a mais
que em janeiro.
O rendimento médio dos
trabalhadores ocupados teve variação negativa de 0,4 por
cento, para 1.088 reais, e a renda dos assalariados caiu 0,6 por cento,
para 1.160 reais.
O emprego aumentou em todos os
setores pesquisados: Serviços (+5,4 por cento), Construção
civil (+14,3 por cento), Indústria (+3,9 por cento) e Comércio
(+2,6 por cento).
As regiões apuradas são
Distrito Federal, Salvador, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte e São
Paulo.
O Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) divulgará seu índice de desemprego
no país na quinta-feira.
O Seade e o Dieese acrescentaram
que na região metropolitana de São Paulo, a taxa de desemprego
ficou estável em 13,6 por cento em fevereiro.
Segundo os institutos, o movimento
surpreendeu, já que nessa época do ano a taxa costuma subir.
(Reportagem de Vanessa Stelzer)
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NCST, 26 de março
de 2008
Ipea prevê crescimento brasileiro
entre 4,2% e 5,2% neste ano
A primeira Carta de Conjuntura de 2008, divulgada hoje (26) pelo Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê entre 4,2% e 5,2% o
crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a soma das riquezas produzidas
no país em 2008.
No ano passado, a última Carta de Conjuntura divulgada em dezembro previa
crescimento do 5,2% para o PIB de 2007, enquanto o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) apurou 5,4% de crescimento.
Segundo o documento do Ipea,
os percentuais do consumo privado para este ano vai variar entre 6,1%%
e 6,7% e o consumo do governo, entre 3% e 3,5%. A inflação
medida pelo IPCA (índice oficial) deve ficar entre 4% e 5%. Esta é a
primeira vez que o Ipea divulga a previsão em faixas.
A próxima carta de conjuntura
deve ser divulgada em junho.
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NCST, 26 de março
de 2008
Governo e oposição
não chegam a acordo para votar MPs
Governo e oposição não chegaram a um acordo para alterar
o rito de tramitação das medidas provisórias no Congresso
na reunião realizada ontem à noite na residência oficial
da Presidência da Câmara. O encontro foi mais uma iniciativa do
presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, para negociar o fim da obstrução
promovida pela oposição na Câmara em protesto contra o
excesso de MPs editadas pelo governo.
Os líderes que participaram
da reunião acreditam que um acordo sobre o tema é possível,
mas detalhes pontuais como o aumento do prazo de vigência das MPs
e a restrição dos assuntos que poderiam ser tratados impediram
o consenso em torno de uma proposta.
Urgência
e relevância
O líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), disse que o governo
não vai liderar a discussão do tema e está "apenas
acompanhando" o debate. Ele adiantou, no entanto, que uma proposta da
oposição que a base do governo não aceita é a intenção
de preestabelecer os assuntos que cumpririam os critérios constitucionais
de urgência e relevância para serem tratados por MPs. Caso essa
tendência prevaleça, assuntos como abertura de créditos
extraordinários, criação de cargos ou aumento de salário
do servidor não poderiam ser temas de MPs.
Em relação à abertura
de créditos extraordinários, Casagrande defende que elas
sejam votadas, em caráter conclusivo, pela Comissão Mista
de Orçamento. Elas iriam para o Plenário do Congresso apenas
se algum parlamentar apresentar recurso. "É uma matéria
orçamentária, deve ser votada pela comissão e pelo
Plenário do Congresso", justificou.
Admissibilidade
Segundo o senador capixaba, o governo estaria disposto a negociar
a análise da admissibilidade pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara ou do Senado ou
de ambas as Casas; a restrição da MP a um único
tema; e a ampliação do prazo de sua vigência dos
atuais 120 dias para até 205 dias, conforme algumas propostas
em análise pelo relator da emenda constitucional que altera o
rito das MPs, deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ). "Não
aceitaremos nada que altere a vigência das MPs", reagiu o
líder do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA).
Créditos
extraordinários
O líder do PPS na Câmara, deputado Fernando Coruja (SC), afirmou
que o principal ponto de divergência são as MPs sobre créditos
extraordinários orçamentários. Alguns parlamentares defendem
que eles se transformem em projetos de lei e passem apenas pela Comissão
Mista de Orçamento.
Coruja adiantou que o PPS defende
o fim das MPs sobre esse tema e que os créditos realmente extraordinários
sejam feitos por decreto do presidente, "pois não adianta
votar MP para crédito, porque o dinheiro já foi gasto pelo
governo". No caso dos créditos suplementares, as MPs continuariam
passando pela Comissão de Orçamento e pelo Plenário,
mas com limite menor de tempo.
Ele disse ainda que a proposta
de as MPs deixarem de trancar a pauta, tornando-se o primeiro item de
votação, já é quase consenso, mas a oposição
discorda do aumento do prazo de vigência das MPs.
O presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia, deve voltar a discutir hoje um acordo para as votações
em plenário, antes da Ordem
do Dia.
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ESTADÃO.COM/ SÃO
PAULO, 26 de março de 2008 | Economia
Crédito deve chegar a 40% do
PIB
Banco Central não vê nenhuma
ameaça nesse volume e lembra que índice é até maior
em outros países
Fernando Nakagawa, BRASÍLIA
A despeito da preocupação do governo, o crédito continua
em expansão. Em fevereiro, aumentou 1,1% ante janeiro e atingiu R$ 957,5
bilhões, equivalente a 34,9% do Produto Interno Bruto (PIB), maior marca
desde maio de 1995. O Banco Central (BC) estima que chegue a 40% do PIB até o
fim do ano.
Veja
a íntegra do relatório do BC
A avaliação do
ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que empréstimos podem estar
evoluindo de forma inadequada, com prazos cada vez maiores, não
ecoou no BC. Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir
Lopes, o aumento do volume de empréstimos tem ocorrido de forma
adequada.
Ao anunciar os dados de fevereiro,
ontem, Altamir disse que as operações de crédito
têm apresentado "taxas razoáveis" e "bastante
confortáveis" de crescimento e os indicadores que poderiam
preocupar, como os da inadimplência, estão "bem comportados".
O principal ponto da preocupação
de Mantega é o prazo das operações de crédito
ao consumo. De acordo com os dados do BC, no caso dos veículos,
o prazo médio manteve-se em 594 dias. Para outros bens, houve
ligeira alta, de 201 para 203 dias, de janeiro para fevereiro.
Considerando a média de
todas as operações do sistema financeiro, em fevereiro
o prazo médio caiu pela primeira vez desde setembro de 2005. Na
comparação entre janeiro e fevereiro, os empréstimos
tiveram, na média, dois dias a menos: 369 dias corridos, o equivalente
a 12,3 meses.
Para Altamir, o crescimento previsto
de mais de cinco pontos porcentuais do PIB até o fim do ano não
preocupa. "Mesmo com esse crescimento, o patamar não é elevado
se compararmos com economias similares à do Brasil", disse.
Segundo o BC, Malásia
e Tailândia, por exemplo, têm volume de crédito equivalente
a mais de 80% do PIB. No Chile, a relação supera 50%. Há países
em que ultrapassa os 100%, caso da Alemanha, do Reino Unido e do Japão.
Outro motivo para a avaliação
positiva é que a inadimplência continua baixa. Em fevereiro,
4,3% dos empréstimos apresentavam atraso superior a 90 dias. O
porcentual é ligeiramente menor que o de janeiro, de 4,4%. No
caso das pessoas físicas, a taxa de fevereiro manteve-se nos mesmos
7,1% de janeiro e ficou abaixo dos 7,3% de fevereiro de 2007. "O
número vem sendo constante e a inadimplência está bastante
comportada", disse Altamir.
"O crédito tem crescido
porque temos estabilidade de preços e alta do emprego e da renda;
não parece haver nenhuma bolha", diz o chefe do Departamento
de Economia da Escola Superior de Propaganda e Marketing, José Francisco
de Moraes. "Isso permitiu que os bancos voltassem a cumprir a sua
função no Brasil, que é emprestar. Mais eficiente
que limitar o prazo do crédito é controlar o gasto público,
que tem aumentado e capta boa parte dos recursos que deveriam ser emprestados
para a produção e consumo."
JUROS
Em fevereiro, o crédito
cresceu mesmo com a leve elevação dos juros. A taxa nos
bancos, considerando a média de todas as operações,
subiu 0,1 ponto porcentual, para 37,4% anuais. É a mais alta desde
abril de 2007. Nas operações para pessoas físicas,
o aumento foi de 0,2 ponto, para 49% ao ano. Nas linhas para as empresas,
a subida foi de 0,1 ponto, para 24,8%.
Altamir Lopes explica que isso
ainda reflete o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF), no início de janeiro, como forma de compensar
parte das perdas do governo com o fim da CPMF. Ele observa, porém,
que a subida das taxas foi interrompida em março.
Dados preliminares mostram que
o juro médio voltou a cair após dois meses seguidos de
alta. Até o dia 12, a taxa caiu 0,2 ponto neste mês, para
37,2% ao ano. A redução ajudou a manter o ritmo de crescimento
do crédito. Nesse período, a carteira de empréstimos
teve expansão de 2%.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
26 de março de 2008
Idade não é restrição
para financiamento imobiliário junto à Caixa, diz TRF
A 6ª Turma do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região
manteve decisão da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária
do Maranhão que assegurou a possibilidade de que um beneficiário
de 65 anos firme contrato de arrendamento residencial com a Caixa Econômica
Federal, independentemente de sua idade.
A Caixa havia proibido o beneficiário
de contrair empréstimo de financiamento em razão de sua
idade. Embora houvesse sido selecionado para participar do PAR (Programa
de Arrendamento Residencial), ao apresentar a documentação
exigida, ele foi informado de que não poderia contrair o empréstimo.
O argumento da Caixa foi de que,
somada sua idade aos 15 anos do financiamento pretendido, o prazo limite
da cobertura securitária, 80 anos, seria excedido.
Segundo informações
do TRF, o juiz federal José Valterson de Lima, que julgou a ação
na primeira instância, considerou procedente o pedido, e o processo
foi para o TRF em razão de remessa oficial, caso em que a União
perde na primeira instância e, mesmo não havendo apelação,
a controvérsia fica sujeita a reexame necessário pela segunda
instância.
No TRF, o relator do processo,
desembargador Federal Daniel Paes Ribeiro, observou que a Lei nº 10.188/2001,
que instituiu o PAR, não trata de limite etário para a
participação no programa. Segundo o relator, o ato, "além
de aparentemente criar direito novo, com vulneração dos
princípios da reserva de lei (exigência de idade máxima
de 80 anos para obter o empréstimo) e da isonomia, afronta o postulado
de amparo ao idoso estabelecido no artigo 230 da Constituição
Federal."
Em seu voto, o relator
também afirmou que o beneficiário, na época da
solicitação do financiamento, contava com apenas 63 anos,
o que afastaria, em todo o caso, o impedimento criado pela autarquia.
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AGÊNCIA DIAP, 26 de
março de 2008
BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS
Começa pagamento de aposentadorias
e pensões com novo mínimo
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) iniciou nesta terça-feira
(25) o pagamento dos benefícios dos 25,3 milhões de segurados.
Metade dos 17 milhões de aposentados, pensionistas e demais segurados
que recebem até um salário mínimo serão os primeiros
a ter creditados os benefícios já com o reajuste do piso nacional
(R$ 415) retroativo ao dia 1º de março.
No primeiro dia, recebem os segurados
que têm cartão de pagamento com final um, desconsiderando-se
o dígito.
Desta quarta-feira (26) a sexta
(28) a na segunda-feira da próxima semana (31), recebem, respectivamente,
os beneficiários que ganham o piso e têm cartão de
pagamento de finais dois, três, quatro e cinco, desconsiderando-se
o dígito, totalizando 8,5 milhões de segurados que, desde
dezembro do ano passado, tiveram os pagamentos antecipados em cinco dias.
Entre os dias 1º e 7 de
abril, serão pagos os benefícios dos demais segurados,
tanto do que ganham até um salário mínimo e têm
cartão de pagamento de seis a zero, quanto dos que recebem acima
do piso nacional.
Os beneficiários
poderão tirar dúvidas sobre o pagamento na Central 135.
Ao ligar, ele deve ter em mãos o número do benefício
ou o Número de Identificação do Trabalhador (NIT).
Na internet, o usuário poderá saber o dia exato do pagamento
ao procurar o link "Pagamento de Benefícios". (Fonte:
Previdência Social)
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FOLHA DE LONDRINA, 26 de março
de 2008
BB perde ação trabalhista
de quase R$ 400 milhões
A maior instituição financeira do País, o Banco do Brasil
(BB), corre o risco de perder ações bilionárias na Justiça
trabalhista, o que dilapidaria o seu patrimônio em R$ 14 bilhões
- quase três vezes o lucro de R$ 5,1 bilhões que teve em 2007.
Um grande passo para isso foi dado ontem com uma decisão do Tribunal
Superior do Trabalho (TST), que rejeitou uma ação rescisória
apresentada pelo Ministério Público do Trabalho.
A decisão, aprovada por
unanimidade, significa que o banco terá de pagar cerca de R$ 400
milhões para 385 funcionários do BB do Amazonas. O ministro
do TST Antonio José de Barros Levenhagem não acatou ação
rescisória movida pelo Ministério Público do Trabalho,
que pretendia anular a decisão alegando que houve conluio de advogados
do Banco do Brasil - tidos como beneficiários da decisão
- com o sindicato dos bancários do Amazonas. Segundo o MP, os
advogados atrasaram as ações, deixando correr o prazo propositadamente,
para que o banco perdesse a causa.
"Por mais elevado
que seja o valor da causa, a segurança jurídica está acima
de tudo", completou o ministro. Esses funcionários entraram
na Justiça em 1988, pedindo que lhes fosse pago o Adicional
de Caráter Pessoal (ACP), que havia sido dado a funcionários
do Banco Central. O BB recusou, alegando que o ACP havia sido uma compensação
dada aos funcionários do BC, por terem perdido direito às
horas extras. Ainda cabe recurso da decisão de ontem ao Supremo
Tribunal Federal (STF). Projeções feitas por advogados
do Banco do Brasil prevêem o pagamento de cerca de R$ 1 milhão
a cada um dos funcionários de Manaus.
Agência Estado
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NCST, 26 de março
de 2008
Ensino médio incompleto não
barra ingresso em faculdade
A norma disposta no artigo 208, da Constituição Federal, que
assegura o acesso do candidato em curso superior mediante a comprovada “capacidade
de cada um”, deve prevalecer sobre a regra contida na Lei de Diretrizes
e Bases da Educação Nacional — artigo 44 da Lei 9.394/96,
que diz que o aluno só pode ingressar depois de concluir o ensino médio.
Com esse entendimento, a 1ª Câmara
Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve, por
unanimidade, decisão de primeira instância que assegurou
a um aluno aprovado no vestibular o ingresso em uma universidade privada
de Cuiabá, mesmo sem concluir o ensino médio.
No recurso, a universidade solicitou
a nulidade do posicionamento de primeira instância. Alegou incompetência
absoluta da Justiça Estadual sobre a matéria, já que
a instituição exerce suas atividades por delegação
do Ministério da Educação e Cultura, que é órgão
federal. A universidade sustentou, ainda, a legalidade da exigência
da conclusão do Ensino Médio como requisito para o ingresso
em curso superior.
De acordo com o relator, juiz
substituto Alberto Pampado Neto, é de competência da Justiça
Estadual toda e qualquer ação proposta em relação
a instituição privada de ensino em razão da ausência
da União, entidade autárquica ou empresa pública
federal, como interessadas, na condição de autoras, rés,
assistentes ou oponentes, nos termos do disposto no artigo 109, I, da
Constituição Federal.
O relator usou jurisprudência
firmada por tribunais superiores para analisar o recurso. Ele explicou,
ainda, que tanto essa questão quanto a exigência de conclusão
do ensino médio como pré-requisito para ingresso em curso
superior, "é tormentosa" na doutrina e jurisprudência,
havendo manifestações dos tribunais em ambos os sentidos.
Por fim, ao negar o recurso, o juiz ressaltou que o próprio
TJ-MT já se manifestou sobre os dois assuntos.
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Diário Vermelho, 26
de março de 2008
Le Monde: Brasil encara crise mundial
com "bela serenidade"
Frente à crise financeira
internacional, o Brasil vem dando mostras de uma bela serenidade. Acima
de tudo, o país se considera atualmente capaz de resistir aos
perigos vindos do exterior. A 10ª economia do mundo – entre
a do Canadá e a da Rússia – está vivendo
um período muito favorável que inspira confiança
tanto aos seus parceiros quanto a ela mesma. Além disso, o seu
crescimento, robusto e equilibrado, ingressou num processo virtuoso.
Por Jean-Pierre Langellier, do Le
Monde
O produto interno bruto (PIB)
progrediu em 5,4% em 2007, contra 3,7% em 2006. Esta foi a segunda boa
notícia do ano depois do anúncio, no final de fevereiro,
de que o Brasil se tornara credor. O Brasil é a nação
emergente que mais aumentou as suas reservas de câmbio em 2007.
O nível das suas reservas – cujo montante tornou-se superior
aos das suas dívidas externas, pública e privada – lhe
garante um confortável colchão de divisas que o protege
dos sobressaltos do mercado.
É o comércio exterior
que vem puxando este crescimento. O mercado mundial, cujo protagonista
mais dinâmico é a China, vem registrando fortes aumentos
da demanda em produtos agrícolas e em matérias-primas,
as quais o Brasil produz em abundância e que lhe garantem os dois
terços dos seus dividendos: carne bovina, soja, minério
de ferro e etanol, entre outros.
Diferentemente da Venezuela,
cuja riqueza provém quase que exclusivamente do petróleo,
o Brasil conseguiu diversificar as suas exportações. Ele
também ampliou o leque dos seus clientes. Os Estados Unidos absorvem
apenas 15% das suas vendas – o que equivale a pouco mais de 2%
de seu PIB, não mais. Por comparação, o México
vende 80% dos seus produtos ao seu vizinho do Norte. A China, por sua
vez, compra 10% das exportações do Brasil – ou seja,
cinco vezes mais do que dois anos atrás, e mais do que a vizinha
Argentina.
Sob a coordenação
do Banco Central, que atua de maneira autônoma e transparente,
a instauração em 1999 de uma taxa de câmbio flutuante
entre a moeda local, o real, e o dólar facilitou o controle da
inflação, que foi reduzida para 4,5% em 2007. O real viu
o seu valor duplicar em cinco anos em relação à moeda
americana. Quanto à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa),
a sua valorização foi multiplicada por dez desde 2002,
registrando um aumento de 60% em 2007.
Dinamismo interno
Neste processo, o Brasil também
passou a ser fortalecido por um dinamismo interno baseado num forte crescimento
da demanda dos consumidores e das empresas. Em 1999, as taxas de juros
haviam alcançado um recorde, de 45%. Atualmente, elas estão
fixadas em 11,25%, ou seja, em 7% em termos reais. Uma taxa desta importância
ainda seria enorme para muitos países, mas este não é o
caso aqui. Esta redução drástica fez florescer o
crédito e estimulou o consumo (+ 6,5%), sobretudo nos setores
da construção civil, automobilístico e da informática.
A confiança do governo
na boa evolução futura da economia vem sendo temperada
por uma prudência legítima. Isso porque dois perigos estão
se aproximando. Em primeiro lugar, a balança das contas correntes
registrou em 2007 um ligeiro déficit que foi provocado pela diferença
- do simples para o dobro - entre as exportações e as importações.
Para atenderem à demanda interna, as empresas aumentaram consideravelmente
as suas importações a preços competitivos, graças à valorização
do real, e venderam menos para o exterior, aonde as suas margens vêm
sendo prejudicadas por esta mesma valorização da sua moeda.
As autoridades brasileiras acabam de tomar medidas financeiras destinadas
a estimular as exportações, e a tornar o país menos
atraente para os capitais especulativos que estimulam a valorização
do real.
A inflação constitui
o segundo perigo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva a considera
como a pior inimiga dos brasileiros mais pobres, dos quais ele diz defender
a causa. O fato de ele ter controlado a inflação contribuiu
para a sua reeleição em 2006 e permitiu-lhe redistribuir
parte da riqueza para milhões de famílias, por meio de
programas sociais. O chefe do Estado prefere apostar na meta de um crescimento
mais modesto, que não traga embutido o retorno da inflação.
Esta ameaça permanecerá contida enquanto o aumento dos
investimentos for superior àquele da demanda, o que foi o caso
em 2007. Contudo, os investimentos, que representam 18% do PIB, permanecem
nitidamente inferiores àqueles registrados na China (40%) ou na Índia
(35%).
Para tornar o seu crescimento
duradouro, o Brasil precisará enfrentar problemas fundamentais
cuja solução é tanto política quanto econômica.
Ele precisará reduzir a dívida interna do Estado, promovendo
apertos nas despesas públicas. Ele também precisará desenvolver
as suas infra-estruturas, aliviar o seu sistema de impostos e simplificar
a sua burocracia. Ou, em outras palavras, diminuir aquilo que os investidores
aqui chamam de "o custo Brasil".
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O ESTADO DE SÃO PAULO,
26 de março de 2008 | Economia & Negócios
Mínimo paulista vai a R$ 450
Novo piso precisa passar pela Assembléia
para vigorar em maio
Rosangela Dolis
A partir de maio, as faixas do
piso salarial do Estado de São Paulo vão subir para R$
450 (piso I), R$ 475 (II) e R$ 505 (III) - cada piso se refere a um conjunto
de categorias profissionais. A proposta foi encaminhada ontem à Assembléia
Legislativa pelo governador José Serra (PSDB), por meio de projeto
de lei. Os valores atuais dos três pisos são R$ 410, R$
450 e R$ 490, respectivamente. “O projeto vai em caráter
de urgência. Dá tempo perfeitamente para aprová-lo.
Acho muito difícil que algum deputado não o aceite, ninguém
vai ser espírito de porco para adiar a entrada em vigor do piso”,
disse Serra.
Os reajustes propostos são
de 9,76% (piso I), 5,56% (II) e 3,06% (III). Para Serra, a absorção
dos reajustes vai ser tranqüila. “A economia está crescendo
e esse segmento precisa de maior aumento.” No Estado, cerca de
1 milhão de pessoas recebem os pisos.
Na prática, para o piso
I, o governo do Estado seguiu o reajuste dado pelo governo federal ao
salário mínimo em março - o aumento foi de 9,21%,
de R$ 380 para R$ 415. Segundo Serra, “o piso sempre será um
pouco maior que o salário mínimo nacional, que é uma
referência. São Paulo tem condições de pagar
um pouco mais.”
A Central Única dos Trabalhadores
(CUT) discorda dos reajustes propostos. Em nota, afirma que quer discutir
uma nova política de reajustes na Assembléia, “pois
a que foi apresentada não suprirá as necessidades do trabalhador”,
e critica a diferenciação dos reajustes por faixas. Ressalta,
ainda, que a variação da cesta básica na capital
foi de 17,2% de agosto de 2007 a fevereiro de 2008, “enquanto os
aumentos dos pisos não atingem esse valor”.
O piso regional entrou em vigor
no Estado em agosto de 2007. Estudos preliminares indicam que colaborou
para a elevação do salário médio.
Com o aumento do mínimo
nacional em março, o piso I regional pulou automaticamente de
R$ 410 para R$ 415, porque ninguém pode receber menos que o
piso nacional. Nessa faixa estão as categorias como domésticos,
serventes, contínuos, etc. O piso beneficia trabalhadores não
protegidos por lei federal, convenção ou acordo coletivo
de trabalho e não se aplica a servidores municipais e estaduais
e aposentadorias e pensões.
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Congresso em Foco, 26 de março de 2008
O xadrez de Aécio
O que impressiona no jogo de Aécio é a
sua sofisticação e complexidade. Ele move diversas
peças ao mesmo tempo
Rudolfo Lago*
É clássica a história de Garrincha com o técnico
da Seleção Brasileira, Vicente Feola. Como minha especialidade
não é exatamente o futebol, posso errar o momento, o jogo e o adversário.
Mas parece que foi antes do jogo contra a União Soviética, na Copa
de 58. O fato é que Feola fazia uma longa e complicadíssima preleção
sobre como o time deveria fazer para parar o adversário, para avançar
sobre sua defesa, para chegar ao gol e vencer a partida. Ao final, Garrinha,
com sua costumeira singeleza, soltou a pergunta óbvia: “Tudo muito
bonito, seu Feola. Mas o senhor já combinou isso tudo aí com o
adversário”?
A famosa frase de Garrincha vem à lembrança após a decisão
tomada anteontem pela Executiva Nacional do PT. A priori, não há veto
algum a que o partido faça uma aliança local com seus adversários
no plano nacional, notadamente PSDB e DEM. Mas as associações
terão de ter o aval da direção nacional. E onde o PT sentir
que a aliança esconde por trás algum movimento que interfira
nos planos do partido para a sucessão do presidente Lula em 2010, a
união pode ser vetada.
É uma decisão que vale para todo mundo, mas que foi tomada tendo
em vista um único destino certo: Belo Horizonte e a aliança com
o PSDB do governador Aécio Neves para eleger seu secretário Márcio
Lacerda, do PSB. Aprovada a aliança, Aécio moverá a sua
primeira peça importante no xadrez que montou para tentar chegar a presidente
da República em 2010. O problema de Aécio é que o PT também
percebeu o seu jogo. E pode reagir a ele. É a história de Garrincha.
Não que tudo o que Aécio idealizou tenha ido por terra com essa
simples decisão tomada pela Executiva do PT. O que há de impressionante
para quem gosta de política no xadrez montado por Aécio é a
sua sofisticação e complexidade. Aécio move ao mesmo tempo
uma diversidade de peças. Estabelece pontos de contatos numa série
de partidos. Tem plano A, plano B, plano C, plano D ... Do modo como joga,
fará com que, qualquer que seja o resultado final de seus movimentos,
a eleição de 2010 passe necessariamente por ele.
Há formas diversas de se jogar o jogo da política. Há políticos,
como Lula, que preferem o contato direto com o povo. São mestres no
corpo-a-corpo. Imbatíveis no efeito que provocam ao falar à população.
Seus palcos são os comícios, as assembléias, as inaugurações
ao ar livre. Há outros que buscam trabalhar na linha racional do que
propõem para as suas administrações, para o amadurecimento
das idéias e propostas que passaram a vida estudando. José Serra
pode ser enquadrado aí.
Há os que apostam na ousadia e na surpresa que permita grandes realizações
que deixem a sua marca para sempre, como Juscelino Kubitschek e Brasília.
E há aqueles que são especialistas no jogo da política
pequena, dos acertos entre engravatados, nas salas refrigeradas dos palácios
e sedes dos partidos políticos. Na capacidade de composição,
de conciliação de interesses, na formação dos conchavos
e alianças. Ninguém no Brasil foi melhor nisso que Tancredo Neves.
E ninguém hoje é melhor discípulo de Tancredo que seu
neto Aécio Neves.
O jogo ideal de Aécio passeia por uma constatação que é hoje
consenso no meio político. A polarização PT X PSDB tornou-se
um problema político sério pelas suas características.
Não se trata de uma polarização ideológica. Os
dois partidos não têm grandes diferenças quanto à forma
como pensam a tarefa de administrar o país. Como não há praticamente
debate algum nesse aspecto, a disputa partiu para um complicado campo moral.
Um campo onde nenhum dos dois partidos consegue mais apresentar-se como vestal
pura, numa linha do “eu faço, mas fulano fazia mais feio do que
eu”. Onde cada uma das duas matronas, já com a pureza completamente
perdida, empenha-se em desnudar a outra, a explicitar suas vergonhas. E fica
o país assistindo a esse constrangedor show de pornografia política,
cada vez mais descrente nos políticos e nas suas instituições.
Aécio apresenta-se como alguém capaz de superar essa polarização.
Prega que ela só existe na raiz paulista da fundação dos
dois partidos. É em São Paulo que PT e PSDB não conseguem
coabitar. Esse problema não existe em Minas nem nos outros Estados.
Belo Horizonte seria o embrião de uma nova etapa que poderia desaguar
em 2010 numa coalizão de centro-esquerda, com Aécio à frente.
O PSDB se aliaria ao PT, aos seus aliados tradicionais de esquerda (PSB e PCdoB)
e ao PMDB.
Como há um campo ideológico em comum no qual esses partidos podem
transitar, Aécio acredita que poderia dispensar a ajuda dos partidos
fisiológicos de ocasião, tipo PTB e PR, e fugir do toma-lá-dá-cá.
Como nesse campo não cabe o DEM – ele tem pontos de contato à direita
com o PSDB e o PMDB, mas não tem identificação alguma
com os partidos de esquerda –, é assim que vai se esfarelando
a aliança entre os dois partidos de oposição. O DEM não
cabe no jogo de Aécio, e Aécio estimula o afastamento entre o
DEM e o PSDB.
Resumido acima, eis aí o Plano A de Aécio. Como demonstrou o
PT na reunião da Executiva, ele dar certo não depende apenas
de Aécio. Mas como ele implica ações de contato com vários
partidos e agentes políticos, é assim que Aécio vai se
tornando uma referência fundamental para a eleição de 2010,
mesmo que, ao final, ele não consiga tornar-se candidato.
Primeiro, obviamente, passará por ele a decisão de quem será candidato
pelo PSDB. E, então, passará por ele a posição
que será tomada pelo DEM: com Serra, os democratas serão aliados,
com ele, não. Se Aécio deixar o PSDB e for para o PMDB, o que
parece ser seu Plano B, a peça peemedebista se moverá de um jeito.
Se ele não for, vai se mover de outro. Se for concretizada a aliança
com o PT em Belo Horizonte para eleger um candidato do PSB, ficará estabelecido
um compromisso com os socialistas. Que irá determinar que movimento
fará o deputado Ciro Gomes. Vice de Aécio? Segunda opção
da base governista como candidato à Presidência?
E, finalmente, chega-se ao próprio PT. O partido tem a força
do governo Lula a seu favor, mas nenhum candidato forte no páreo. A
primeira a ser testada, Dilma Rousseff, patina. A mãe do PAC não
conseguiu empolgar sequer a sua base eleitoral no Rio Grande do Sul – perdeu
na disputa local que estabeleceu a deputada Maria do Rosário como candidata à prefeitura
de Porto Alegre. Não sendo Dilma, quem parece ter condições
de entrar na disputa? Essa falta de candidatos pode empolgar Lula a encampar
o discurso de Aécio do início de uma nova etapa política
que supere a polarização PT X PSDB? Isso vai depender do cálculo
que Lula fará quanto ao melhor cenário para levá-lo de
volta ao poder em 2014. Mas aí já é assunto para um outro
comentário.
* Jornalista há 21 anos, Rudolfo Lago, Prêmio Esso de Reportagem
em 2000, foi repórter político de algumas das principais redações
de Brasília. Hoje, é editor especial da revista IstoÉ.
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de março de 2008 | Nacional
Lula assina MP da Regularização
Fundiária na Amazônia
Agência Estado
No momento em que discute com o Congresso a redução da edição
de medidas provisórias (MPs), o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva realizou nesta terça-feira (25) uma cerimônia no Palácio
do Planalto para a assinatura de uma MP que permite a regularização
fundiária de terras na Amazônia de áreas de até 1.500
hectares (15 milhões de metros quadrados). "Eu estou assinando
esta MP atendendo a um pleito dos parlamentares", justificou, na conversa
com os congressistas da Amazônia, após a solenidade, conforme
relatou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "Foi
um pedido da base do governo na Câmara e no Senado", insistiu Lula
com os deputados e senadores da região.
Segundo Jucá, na fala,
ele defendeu também a importância da regulamentação
da questão das MPs e da necessidade de elas serem melhor formatadas,
com o que governo concorda. De acordo com o líder do governo no
Senado, Lula reafirmou ainda que é preciso que o Legislativo leve
adiante e vote a reforma tributária, que considera "muito
importante" para o País. "O Congresso precisa levar
a cabo a reforma tributária", afirmou o presidente aos parlamentares.
"O presidente disse que
era uma MP do Congresso, que era uma MP que todos pediram, uma questão
da Amazônia, que nós vínhamos reivindicando há tempos
e ele estava atendendo a um pleito, na verdade, da base do governo na
Câmara e no Senado", prosseguiu Jucá, destacando a
importância da medida. O líder do PR na Câmara, Luciano
Castro (RR), emendou: "Eu até brinquei com ele que vamos
inaugurar um novo período de MPs porque ele estava há quase
30 dias sem assinar estas medidas. Ele ficou rindo e fez questão
de dizer que assinava porque os parlamentares pediram e era um consenso
no Congresso.
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Agência Diap, 26 de
março de 2008
MOVIMENTO SINDICAL
PSol realiza 1ª conferência
sindical em Luziânia (GO)
Com a finalidade de formular
uma política sindical coletiva, o PSol realiza a 1ª conferência
para organizar a atuação comum no interior da futura central
sindical – Conlutas e Intersindical, e ainda elaborar diretrizes
para orientar a atuação da militância no movimento
sindical.
A conferência acontece no Centro de Treinamento Educacional da CNTI em
Luziânia (GO), nos dias 27 e 28 de março e na pauta serão
debatidos os temas: conjuntura nacional e internacional, debate sobre concepção
e prática sindical, calendário de debates sobre concepção
e práticas sindicais.
Na oportunidade, o PSol vai realizar um censo para possibilitar a intervenção
política nas futuras mobilizações sindicais, como também
constituir comissões sindicais em todos os estados.
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Folha de São Paulo, 26 de março
de 2008
Rico não paga Imposto de Renda
no país, diz Appy
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O secretário de Política Econômica do Ministério
da Fazenda, Bernard Appy, disse ontem que "rico não paga Imposto
de Renda" no Brasil.
A declaração foi feita em seminário sobre a reforma tributária
em um dos anexos da Câmara dos Deputados. A platéia era formada,
principalmente, por advogados tributaristas. Apesar das críticas, Appy
disse que o governo não está preparando a criação
de um imposto sobre grandes fortunas.
O secretário disse que os ricos encontram outras formas de prestar contas
ao fisco. A mais comum é abrir uma empresa. Em vez de pagar IR, o contribuinte
recolhe o imposto sobre o rendimento na forma de lucro presumido. As alíquotas
do imposto pago por micro e pequenas empresas são mais baixas que as
do IR, entre 15% e 27,5%, que incidem sobre o rendimento bruto mensal.
Appy lembrou que esse mecanismo foi amplamente discutido durante a tramitação
da emenda 3, por isso o dispositivo encontrou tanta resistência. "O
rico não paga IR porque ele faz de outras formas. Ele constitui uma
empresa", disse.
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de março de 2008 | Economia
Wal-Mart se volta para a baixa renda
Andréa Bordinhão
Foto: Chuniti Kawamura

Wal-Mart: foco nas classes menos favorecidas.
Investimento nas classes de baixa renda. Este deve ser o principal foco da
rede de supermercados Wal-Mart, que detém nove bandeiras em 313 unidades
em todo o País, nos próximos anos. A rede anunciou no final do
ano passado 36 novas lojas em todo Brasil com investimentos de R$ 1,2 bilhão.
Ainda não há cronogramas
de entrega dos novos supermercados e a empresa não divulga os
locais onde serão implantados. Entretanto, o presidente do Wal-Mart
Brasil, Hector Núñez, afirmou ontem em São Paulo
que a empresa pretende ampliar com maior ênfase a rede popular,
voltada para as classes de consumo C, D, E. O Paraná tem atualmente
40 lojas da rede, sendo apenas duas de bandeira popular. O Estado vai
entrar no cronograma de ampliação nos próximos anos.
“As bandeiras Todo Dia
e Maxxi (supermercados populares da rede) terão um percentual
mais preponderante na expansão”, limitou-se a dizer Núñez.
Ele explicou que por questões estratégicas o Wal-Mart não
pode divulgar em quais cidades serão as novas lojas e nem quais
serão as bandeiras. O presidente da rede no Brasil afirmou que
hoje o setor popular representa pouco menos de 10% do faturamento da
empresa e, apesar de também preferir não citar números,
garantiu que o plano da rede é aumentar significativamente este
percentual.
Ontem aconteceu em São
Paulo o Fórum Wal-Mart de Varejo. Especialistas em baixa renda
e executivos da empresa do Nordeste do País, da América
Central e do México trouxeram as experiências bem-sucedidas
das redes populares.
A rede popular do Wal-Mart tem
sua concentração principal em dois estados nordestinos.
O vice-presidente de operações Nordeste do Wal-Mart Brasil,
Marcos Ambrosano, lembrou que nos próximos anos o Brasil deve
dobrar o número de pessoas que se enquadram nas classes C, D,
E. Atualmente, segundo ele, aproximadamente de 60 milhões de pessoas
no País se enquadram nesta faixa e até 2015 este número
deve chegar a 120 milhões. “Cerca de 70% dos consumidores
no Brasil hoje são de baixa renda. E é um mercado em crescimento”,
afirmou. Entre as características destas lojas com preços
mais baixos estão a diminuição dos custos com construções
mais simples, menos funcionários, investimentos em marcas específicas
ou próprias e localização em áreas populosas.
É preciso conhecer o interesse
do consumidor
Especialista renomado em baixa
renda e autor do livro Capitalismo na Encruzilhada, o professor da Universidade
Cornell (EUA), Stuart Hart, defende que as grandes empresas devem se
aproximar das comunidades mais pobres para saber como devem investir. “As
empresas têm que partir da premissa que devem vender não
só que eles precisam, mas o que eles querem. E para isso é preciso
primeiro conhecer essa população”, afirmou.
Hart contou experiências
bem sucedidas de empresas que se inseriram na comunidade antes de tentar
vender um produto no local. Assim, segundo ele, é possível
ver primeiro as necessidades dessas pessoas e integrá-las em projetos
que ajudem a desenvolver o que precisam e depois introduzir o produto. “É preciso
trazer os dois juntos”, explicou. Para o professor deve funcionar
mais ou menos como antes da Revolução Industrial, quando
a comunidade decidia o que precisava consumir e não o contrário.
A teoria do professor chama-se
Protocolo da Base da Pirâmide. Isto é, um sistema voltado àqueles
que estão na base da pirâmide social e criado com base
nas necessidades dessas pessoas. E ele chama atenção
para o crescimento das camadas da população que compõem
as faixas de baixa renda. “Atualmente temos 4 bilhões
de pessoas no mundo do total de 6 bilhões têm baixa renda.
Destas 1,5 bilhão vivem em favelas”.
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de março de 2008 | Política
Paim e Unger discutem novas relações
trabalhistas
Agência Senado
O senador Paulo Paim (PT-RS) e o ministro do Núcleo de Assuntos Estratégicos,
Mangabeira Unger, reuniram-se nesta terça-feira (25) com o objetivo
de planejar atividades no âmbito do Legislativo para tratar de um novo
modelo de relações entre o capital e o trabalho no Brasil.
O encontro é o primeiro
de uma série que Mangabeira Unger pretende realizar no Congresso
Nacional. O ministro tem mantido conversações com todos
os setores do governo visando apresentar um novo modelo de desenvolvimento.
Em conjunto com as maiores centrais sindicais do país, Mangabeira
Unger pretende focar essa iniciativa em três assuntos principais:
o fim do trabalho informal, a participação dos salários
na renda nacional e uma mudança no regime sindical.
Na próxima reunião
da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), Paim apresentará requerimento
solicitando a criação de uma comissão mista especial
para tratar das novas relações de trabalho no país.
O senador pedirá também que os líderes dos partidos
indiquem representantes para compor a comissão especial.
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FOLHA DE LONDRINA, 26 de
março de 2008 | Opinião
Senai buscando melhorar mão-de-obra
Sistema governamental é um fardo pesado
que tem de ser carregado pela atividade privada
Não deixa de ser uma boa notícia a de que escasseiam trabalhadores
formados nas áreas técnicas, no Brasil - porque isto significa
que existem possibilidades de emprego - embora denigra um pouco o sistema escolar
de preparação de mão-de-obra, que além de não
produzi-la com a suficiência necessária não proporciona
grande qualidade profissional. Esse alerta foi feito recentemente pelos industriais
do Estado de São Paulo, que por isso estão eles mesmos adicionando
treinamentos em suas próprias empresas. Com toda certeza as escolas
profissionalizantes irão se aperfeiçoando em função
dessa denúncia.
Por estes dias leu-se neste
Jornal que o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai)
pretende investir R$ 1 bilhão no Paraná para formar 100
mil profissionais nos próximos quatro anos. A iniciativa foi anunciada
pela Confederação Nacional da Indústria (mantedora
do Senai), que pretende aplicar R$ 10 bilhões para lançar
no mercado 16 milhões de trabalhadores especializados em todo
o País. Esse investimento é conseqüência do
aumento da demanda no setor industrial e, por extensão, também
no de serviços. Existem hoje no Paraná 30 mil indústrias
e 30 unidades do Senai, e uma grande procura por trabalhadores especializados,
que não exigem necessariamente formação universitária
mas cursos gabaritados para o segmento técnico, principalmente.
Mas de todo o modo deve-se valorizar
a implantação fundamental de universidades tecnológicas,
que caminham paralelas com todo o gênero de cursos profissionalizantes.
Conforme declara a direção do Senai no Paraná, os
novos ventos da economia exigem profissionais de formação
superior e também os não-universitários, e por isso
a instituição anuncia a ampliação dos 400
cursos que oferece e a criação de novos - os de meio ambiente
e celuloso e papel - em fase de legalização. Os cursos
do Senai paranaense atendem às necessidades apontadas pelos industriais
do Estado.
Há um visível
crescimento econômico no Brasil, e isso tem pouco de mérito
governamental e sim da iniciativa privada. Na verdade o Governo atrapalha
muito, pela excessiva carga tributária, pela legislação
anacrônica, pelo emaranhado burocrático e pela baixa participação
na parte que lhe compete. Ao invés de ser uma alavanca, o sistema
governamental é um fardo pesado que tem de ser arrastado e sustentado
pela atividade privada. Mesmo enfrentando todas essas dificuldades,
o arrojo dos empresários toma a dianteira e vai fazendo progressos.
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de março de 2008 | Opinião
Aposentadorias e mínimo
Editorial do Jornal O Estado do Paraná
Espera-se para a próxima segunda-feira uma portaria do ministro da Previdência,
Luiz Marinho, e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, aumentando as pensões
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para quem ganha acima de um salário
mínimo em apenas 5%. O salário mínimo foi aumentado em
9,21%. A diferença menor, para quem ganha mais que um salário
mínimo, aumenta a defasagem. Quem logra aposentar-se, no Brasil, pelo
sistema previdenciário, recebe a cada ano menos do que deveria receber
se as regras aplicadas fossem iguais às do salário mínimo.
A verdade é que o reajuste
das aposentadorias e, conseqüentemente, das pensões pagas
pela Previdência é aleatório. O quantum resulta da
vontade (ou má vontade) das autoridades. A desculpa para pagar
sempre pouco, bem menos do que seria razoável, é que os
cofres do INSS não agüentariam reajustes maiores. Ou seja,
não agüentariam valores justos. Com a majoração
que será fixada pela portaria referida, quem ganha o máximo
atual, de R$ 2.894,28, passará a ganhar R$ 3.038,99.
Convenhamos que é muito
pouco e, em relação aos trabalhadores de classe média,
por vezes não cobre sequer despesas inescapáveis como aluguel
ou prestação da casa própria, pagamento de luz, água
e assistência à saúde. Isto para não falar
nos itens também obrigatórios de despesas como alimentação,
vestuário, educação, etc.
Há, no Brasil, um esforço
para aumentar a previdência privada complementar, de forma a que
esses aposentados e pensionistas tenham ganhos suficientes para manter
um nível de vida digno. Mas estamos longe de concretizar esse
objetivo, mesmo porque com os baixos salários percebidos por quem
se candidata a tão baixas aposentadorias e pensões, pouco
ou nada sobra para investir nesses fundos previdenciários privados.
No Congresso Nacional, lá pelas
bandas do Senado, há vozes se levantando pelo estabelecimento
de regras fixas para os reajustes das aposentadorias e pensões
superiores a um salário mínimo. Entendem os líderes
do PSDB, senador Arthur Virgílio, e do DEM, senador José Agripino
Maia, que as regras adotadas para a fixação do salário
mínimo nacional devem também ser aplicadas aos reajustes
de quem precebe acima do mínimo. A idéia é que não
fique na vontade arbitrária das autoridades a fixação
do quantum, mas que ele seja a soma do crescimento do Produto Interno
Bruto (PIB) nacional mais a inflação. Isso garantiria,
no caso atual, um aumento de 9,21% para os aposentados e pensionistas
que percebem acima do mínimo e não mais os minguados 5%.
Isto porque de 9,21% é a majoração do salário
mínimo.
A regra reivindicada não
corrigiria a defasagem já verificada ao longo de anos de reajustes
achatados. Mas seria um caminho para fazer-se justiça. Ou menos
injustiça. O salário mínimo, que nos últimos
anos tem tido um tratamento melhor do que o que logrou receber em anos
anteriores, continua insuficiente e, portanto, mais insuficiente ainda
os benefícios previdenciários para quem ganha acima dele.
Prova disto é que, desde que permitido por lei, o salário
mínimo regional começa a ser adotado por vários
Estados da Federação. É o caso do Paraná e
também o de São Paulo, maior mercado de trabalho do País.
O governador paulista José Serra acaba de anunciar um salário
mínimo bem superior ao que é pago nacionalmente.
O problema das aposentadorias
e pensões defasadas, sejam as de um salário mínimo,
sejam as maiores, continua e pelo visto continuará enquanto
o problema estiver atado ao caixa da Previdência, sempre deficitário.
Nos últimos tempos, o governo tem insistido em resolver o problema
ampliando o universo de contribuintes através da inclusão
no sistema dos milhões de trabalhadores que estão no
mercado informal. É um caminho, embora não seja o caminho,
pois outras providências precisam ser tomadas. Uma delas é,
evidentemente, atacar a sonegação. Outra é a racionalização
do sistema que, volta e meia, apresenta impropriedades que levam a
desperdícios, quando não corrupção em que
o INSS é a vítima. E se ele é a vítima,
vítimas continuam sendo todos os trabalhadores brasileiros.
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Agência Câmara,
26 de março de 2008
INSS pede nova fonte para cobrir desoneração
da folha
Edson Santos

Desoneração da folha e incentivos fiscais dominaram
debates sobre reforma tributária.
A redução da contribuição patronal ao Regime Geral
de Previdência Social (RGPS), prevista na reforma tributária (PEC
233/08), poderá reduzir a arrecadação do sistema e ampliar
o déficit previdenciário, que no ano passado chegou a R$ 46 bilhões.
O alerta foi feito na tarde desta
terça-feira pelo presidente do Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS), Marco Antônio de Oliveira, no seminário da Associação
Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip),
realizado na Câmara, que discutiu a reforma enviada pelo Executivo.
Para evitar que a desoneração
da folha afete as contas do RGPS, Oliveira defendeu a inclusão,
na PEC, de uma fonte alternativa de recursos para o regime, e a vinculação
destes ao sistema previdenciário, para evitar que a nova receita
seja usada também para outros fins. "A perda é bastante
substantiva. Corremos o risco de ver aumentar o déficit da Previdência",
disse.
Estudo
Ele citou um estudo realizado pela Secretaria de Previdência Social em
2007, com base em dados do ano anterior, que mostra que cada ponto percentual
de redução da contribuição patronal (que é de
20% sobre a folha de pagamento da empresa) retira R$ 3,1 bilhões do
RGPS. Em seis anos, a perda de arrecadação chega a R$ 18,6 bilhões.
Esse é o prazo que a PEC prevê para a redução gradual
da alíquota patronal.
Segundo Oliveira, os ganhos oriundos
do aumento da massa salarial e do índice de formalidade das empresas
- frutos do avanço da economia - não seriam suficientes
para cobrir a perda com a redução da contribuição
empresarial. Por isso, ele defendeu que a desoneração,
caso seja mesmo colocada em prática, seja feita de modo gradual,
sempre mirando o desempenho fiscal do RGPS.
Regulamentação
O presidente do INSS também mostrou preocupação com outro
ponto da PEC 233/08, que deixa para uma lei ordinária a redução
da contribuição patronal. Para ele, há o risco de o preceito
constitucional nunca ser regulamentado, o que criaria um "vácuo
jurídico", com potencial negativo sobre o futuro do regime previdenciário.
A desoneração
da folha de pagamento é a principal bandeira empresarial na
reforma tributária. Pela PEC, o Executivo deverá encaminhar
ao Congresso, no prazo de 90 dias após a aprovação
da reforma, projeto de lei implementando a redução. O
texto da proposta não explicita esse ponto, mas o governo informou
que pretende reduzir a alíquota de 20% para 14%.
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Folha de São Paulo, 26 de março
de 2008
PARÁ
Madeireiras foram multadas em R$
23 milhões, diz Ibama
DA AGÊNCIA FOLHA
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis)
informou ontem que aplicou R$ 23 milhões em multas a madeireiras de
Tailândia (218 km de Belém) desde o início da Operação
Arco de Fogo, em fevereiro.
Segundo o órgão, nenhum outro município recebeu um valor
tão alto de multas neste ano. A equipe já apreendeu cerca de
23 mil metros cúbicos de madeira, que serão levados a Belém
e leiloados.
Foram destruídos mais de 1.170 fornos de carvão durante as ações.
Ainda segundo o órgão, foram lavrados cem autos de infração,
52 termos de embargo, 74 termos de apreensão e depósito nos estabelecimentos
onde foram encontradas irregularidades.
O Ibama informou ainda que vistoriou ao menos 53 estabelecimentos, entre madeireiras,
carvoarias e casas. Todos foram multados por alguma irregularidade.
Ontem, ninguém atendeu o telefone na sede do Sindimata (Sindicato das
Indústrias Madeireiras de Tailândia) para comentar as ações
do Ibama.
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CONSULTOR JURÍDICO,
26 de março de 2008
Imposto para estrangeiros
Tributos variam de acordo com o perfil do trabalhador
por Cláudia Petit Cardoso
Recente estudo do Ministério
do Trabalho e Emprego demonstrou um crescimento das autorizações
de trabalho temporárias e permanentes de estrangeiros no Brasil.
O número de autorizações de trabalho temporárias
concedidas a estrangeiros passou de 18.878 em 2004 para 26.873 no ano
passado. Esse visto dá direito a até dois anos de trabalho
no Brasil. As autorizações permanentes subiram de 1.284
para 2.615. As questões tributárias que envolvem esses
profissionais são cercadas de muitas dúvidas.
Do total de vistos permanentes
em 2007, 51,9% foram para investidores pessoa física, que vêm
realizar atividades produtivas. Administradores, diretores, gerentes
e executivos são 34,04% e outros profissionais, 14,84%, segundo
o levantamento. Campeões no número de autorizações
permanentes em 2007, os investidores pessoa física vieram principalmente
da Itália, da Espanha, de Portugal, da Noruega e dos EUA.
No Brasil, o expatriado é o
cidadão transferido de empresa estrangeira para trabalhar no país.
Existe uma série de cuidados a serem analisados e identificados
na entrada e saída do país, além do acompanhamento
necessário perante os órgãos competentes. Para fins
tributários é importante saber qual é a condição
do cidadão pessoa física, ou seja, se ele pode ser considerado
residente ou não residente.
Existem algumas definições
para residente. Residente é a pessoa física que resida
no Brasil em caráter permanente, ou que se ausente para prestar
serviços como assalariada a autarquias ou repartições
do governo brasileiro no exterior, ou que ingresse no Brasil com visto
permanente, na data da chegada.
Pode ser considerada residente
também a pessoa física que ingresse no Brasil com visto
temporário para trabalhar, com vínculo empregatício,
na data da chegada. Ainda pode ser considerada residente, a pessoa física
que ingresse no Brasil com visto temporário, na data da obtenção
de visto permanente ou de vínculo empregatício, se ocorrida
antes de completar 184 dias, consecutivos ou não, de permanência
no Brasil, dentro de um período de até doze meses.
A pessoa física que se
ausente do Brasil em caráter temporário ou se retire em
caráter permanente do território nacional, sem entregar
a Declaração de Saída Definitiva do País
durante os primeiros doze meses consecutivos de ausência, também é considerada
residente.
Os não-residentes são
pessoas físicas que não residem no Brasil em caráter
permanente e não se enquadram em qualquer das hipóteses
de residência. Os não-residentes podem ser aqueles que se
retiram em caráter permanente do território nacional, exceto
se não tiver entregado a Declaração de Saída —residência
nos primeiros doze meses da ausência—, ou aqueles que ingressem
no Brasil para prestar serviços como funcionária de órgão
de governo estrangeiro situado no país, exceto no caso de retorno
com ânimo definitivo.
Pode ser considerada não-residente
também a pessoa física que ingresse no Brasil com visto
temporário e permaneça até 183 dias consecutivos
ou não, em um período de até doze meses. Outra característica
do não residente é o ingresso no Brasil com visto temporário
até o dia anterior ao da obtenção de visto permanente
ou de vínculo empregatício, se ocorrida antes de completar
184 dias, consecutivos ou não, de permanência no Brasil,
dentro de um período de até doze meses.
Aquele que se ausentar do Brasil
em caráter temporário, a partir do dia seguinte em que
complete doze meses consecutivos de ausência, também é um
não-residente.
As definições acima
são importantes porque quando caracterizada a condição
de residente no Brasil, os rendimentos são tributados como os
de residente no país. Os rendimentos oriundos de fontes do exterior
estão sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão)
e na Declaração de Ajuste Anual.
Os rendimentos recebidos do exterior,
antes de caracterizada a condição de residente no País,
não estão sujeitos à tributação no
Brasil.
No caso de existência
de acordo internacional ou de legislação que permita
a reciprocidade, o tratamento fiscal é aquele pactuado entre
o Brasil e o país contratante, com o fim de evitar a dupla tributação
internacional da renda, ou o definido na legislação que
permita a reciprocidade de tratamento fiscal sobre os ganhos e os impostos
em ambos os países. É importante analisar cada caso individualmente,
tendo em vista a peculiaridade das situações.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
26/03/2008
Assembléia-geral não tem poder
para normatizar reajuste salarial, diz TST
Resoluções em assembléia-geral
de trabalhadores não criam regras jurídicas entre as partes,
não possuem caráter normativo e, portanto, não podem
fixar reajustes salariais, pois esse poder é conferido apenas às
convenções, acordos e sentenças coletivas. Com esse
entendimento, a Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho
rejeitou recurso de uma empresa contra decisão que considerou
indevida a não-aplicação de reajuste, baseada em
deliberação dos próprios trabalhadores em assembléia-geral.
A questão remonta à convenção
coletiva firmada pela categoria dos professores, relativa à data-base
de 2003 que, em uma de suas cláusulas, prevê que os estabelecimentos
de ensino que comprovassem a inviabilidade econômico-financeira
ficariam isentos de aplicar o reajuste anual. A mesma norma previa que
a negociação referente ao reajuste seria homologada pelo
sindicado profissional após aprovação pela assembléia-geral
dos profissionais interessados, devidamente convocados pelo seu órgão
de classe.
Com base nessas condições,
o Sistema Barddal de Ensino Ltda., de Santa Catarina, questionou a sentença
que lhe obrigara a aplicar o reajuste, sob o argumento de que os próprios
trabalhadores “aceitaram” a não-concessão de
reajuste salarial referente à data-base de 2003. No entanto, ao
julgar a questão, a Justiça do Trabalho da 12ª Região
(SC) considerou que, se a empresa tinha condições econômicas
peculiares, deveria ter pactuado com o sindicato da categoria mediante
acordo coletivo, pois a simples ata da de assembléia não
pode cumprir essa finalidade.
Inconformada com a decisão,
a empresa interpôs recurso de revista, em que afirma que a condenação
estaria equivocada quanto à necessidade de acordo coletivo específico
para decidir a ausência de reajuste salarial. Em seu entendimento,
a convenção coletiva juntada aos autos autoriza a concessão
do reajuste zero, por deliberação de assembléia-geral
dos trabalhadores interessados. Essa mesma tese foi reiterada em agravo
de instrumento no TST, após o TRT/SC haver negado seguimento ao
recurso de revista.
O relator, ministro Pedro Paulo
Manus, rejeitou o agravo. Para ele, o cerne do conflito está na
apropriação normativa da convenção coletiva
pela ata da assembléia-geral. Após demonstrar que a decisão
do TRT/SC não contraria a norma coletiva, pois o reajuste zero
não foi pactuado na convenção vigente em 2003, o
ministro destaca que o poder normativo não pode ser transferido
para a assembléia-geral dos profissionais interessados, que não
tem poderes para deliberar sobre as condições de trabalho
da categoria e, por conseguinte, sobre os reajustes salariais.
Para concluir, Pedro Paulo
Manus assegura que a decisão do TRT não retira a força
da convenção coletiva, mas, ao contrário, a fortalece,
na medida em que coíbe qualquer transferência do poder
que lhe é conferido pelo texto constitucional. (AIRR-692/2004-014-12-40.0)
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26/03/2008
Perícia contábil pode comprovar
justa causa de demissão da Shell
Processo de ex-empregada da Shell
Brasil S.A. demitida por justa causa, acusada de improbidade, retornará a
Vara de Trabalho de São Paulo para realização de
perícia contábil solicitada pela empresa e negada na fase
de instrução. O retorno à primeira instância
para produção de prova pericial foi determinado anteriormente
pela Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho e agora mantido
pela Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-1) ao julgar embargos da Shell.
A trabalhadora começou
sua carreira na empresa, como secretária, em maio de 1979. Em
abril de 1991, tornou-se encarregada de serviços administrativos
e, em março de 1992, passou a chefe de serviços administrativos.
Ao despedi-la por justa causa, a Shell acusou-a da prática de
atos de improbidade e indisciplina, com base no artigo 482, alíneas “a” e “h”,
da CLT. Segundo a empregadora, a funcionária teria autorizado
pagamentos de compras não realizadas, efetuadas sempre no mesmo
fornecedor, com aprovação de pagamento sem conferir os
valores e com diversidade de preços, apesar de se tratar dos mesmos
produtos.
Ao ajuizar ação
trabalhista, a ex-funcionária pleiteou o pagamento das verbas
rescisórias referentes à demissão sem justa causa,
dizendo-se injustiçada, usando como argumentos os 15 anos de dedicação
profissional e as promoções por merecimento. A empresa
contestou que a demissão ocorreu após a realização
de auditoria que teria demonstrado os atos de improbidade e indisciplina
praticados. Em juízo, a Shell requereu a realização
de perícia contábil para demonstrar os atos que justificariam
a demissão.
No entanto, a juíza da
58ª Vara do Trabalho de São Paulo considerou ser desnecessária
a prova pericial para apuração dos procedimentos de compra,
aferição de materiais, deveres e responsabilidades da reclamante,
porque iria retardar ainda mais o feito. Para a magistrada, essas questões
foram esclarecidas pelos depoimentos prestados e documentos apresentados,
sendo suficientes para a formação de sua convicção,
e julgou procedente, em parte, o pedido da trabalhadora. A Shell foi,
então, condenada a pagar verbas rescisórias como os 40%
sobre o FGTS e indenização equivalente ao seguro desemprego.
A empresa, alegando cerceamento
de defesa quanto ao indeferimento do pedido de perícia contábil,
recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP),
que considerou que a Shell, apesar de afirmar que a rescisão contratual
foi precedida de rigorosa auditoria, não juntou aos autos documentos
comprobatórios, autorizando a conclusão de que não
havia efetivamente a necessidade de realização de prova
pericial contábil.
O Tribunal Regional ressaltou,
ainda, que o indeferimento da prova pericial não configura cerceamento
de defesa, pois o artigo 420, inciso II, do Código de Processo
Civil dispõe que o juiz indeferirá a perícia quando
for desnecessária em vista de outras provas produzidas, o que
era o caso, segundo o TRT/SP, ante a prova testemunhal apresentada pela
Shell. Em relação à justa causa, o Regional entendeu
acertada a sentença quanto à inexistência de provas
da prática dos atos atribuídos à empregada, impossibilitando,
assim, o reconhecimento da rescisão contratual por justa causa.
Inconformada com o acórdão
regional, a empresa recorreu ao TST, alegando negativa de prestação
jurisdicional. A Primeira Turma, então, considerou ter havido
cerceamento de defesa e anulou o processo a partir do indeferimento da
perícia, determinando o retorno à Vara do Trabalho para
a produção da prova. A decisão provocou recurso
de embargos por parte da trabalhadora, mas a SDI-1 manteve o entendimento
da Turma, pois julgou que o reconhecimento do cerceamento de defesa está fundamentado
no acórdão regional onde consta que o juiz de primeiro
grau indeferiu a produção de prova e, posteriormente, condenou
a parte que a requerera precisamente por falta de provas. (E-RR-492455/1998.5)

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