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Gazeta do Povo, 27 de Março
de 2008
BRASIL | ELEIÇÕES 2010
Lula diz que elegerá o sucessor
em 2010
Evento é marcado por discursos com
elogios à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff
Recife – O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva deixou claro ontem, em Recife, o quanto
a eleição de 2010 o inquieta e enviou um recado para
que a oposição tire “o cavalinho da chuva” porque
ele fará o sucessor. “A oposição pensa
que vai eleger o sucessor.
Podem tirar o cavalinho da chuva, porque vamos fazer a sucessão para
continuar governando este país”, disse Lula, em um evento marcado
por desagravos à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), tida como possível
candidata do PT à disputa presidencial.
A ministra recebeu elogios de praticamente todos os que discursaram na cerimônia,
na qual foi dada a ordem de serviço para obras do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC).
O ministro Geddel Vieira Lima
confessou estar livre do machismo em virtude da convivência com
a colega, descrita por ele como uma mulher “arretada”. O
prefeito de Recife, João Paulo (PT), a chamou de “guardiã do
PAC”.
Até um morador de Jordão,
bairro da periferia de Recife, contemplado no PAC, fez referência
a Dilma no discurso, chamando-a de “mulher guerreira”. O
governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), falou da capacidade dela
de “tirar as coisas do papel”.
Conhecida por falar de modo técnico
e contido, Dilma voltou a recorrer aos números em sua fala, mas
assumiu um tom mais de “palanque político”. Dilma
comparou o PAC a uma “locomotiva” repleta de “vagões”.
Até fez uma promessa típica de campanha eleitoral, ao dizer
que o governo trabalha para Pernambuco não ter “nenhum candeeiro
aceso” até 2010, numa referência ao programa Luz para
Todos.
Terminada a cerimônia,
ela negou estar em campanha. “Estou fazendo o PAC”. Questionada
sobre como sentia o clima no Nordeste, onde a popularidade de Lula é mais
alta, recorreu à meteorologia: “Um pouco quente, né?
Estou derretendo”.
Apesar de falar na sucessão,
Lula não citou nenhum nome. Reconheceu que a disputa está “muito
longe”, mas foi claro ao atacar seus adversários: “Se
alguém pensa que vai atrapalhar o projeto de desenvolvimento deste
país, vai ter que trabalhar muito”, disse, desafiando a
oposição a comparar gestões.
“É preciso trabalhar
mais que nós e dizer ao povo o que fizeram antes de nós.
Porque já governaram, não são marinheiros de primeira
viagem.” Lula afirmou que vai percorrer todos os estados, e ironizou: “Vão
dizer: ‘Está em campanha’. Não estou. Porque
não tem eleição para presidente. Vou para a rua
ouvir discurso do povo que eu ganho muito mais”.
Depois da cerimônia,
Lula se encontrou com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
para uma viagem ao litoral sul. Os dois governantes visitariam obras
da Refinaria Abreu e Lima, resultado de parceira entre a Petrobrás
e a PDVSA, a estatal venezuelana do petróleo.
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VERMELHO,
27 de março de 2008
Trabalho com carteira assinada é recorde
no país, diz IBGE
O mês de fevereiro de 2008 mostrou
o mais alto patamar de formalização do mercado de
trabalho nas seis principais regiões metropolitanas do país
desde o início da série histórica do IBGE,
em março de 2002. O gerente da pesquisa mensal de emprego
do instituto, Cimar Azeredo, mostrou dados que revelam que, no
mês passado, o porcentual de trabalhadores formais no total
de ocupados, somando empregados com carteira assinada e funcionários
públicos, chegou a 54,6%.
O porcentual é o maior de toda a
série e também o maior entre os meses de fevereiro
de 2007 (52,9%), 2006 (52,2%), 2005 (50,7%), 2004 (50%), 2003 (51,6%)
e 2002 (52%). Segundo ele, a formalização recorde reflete
a melhoria no cenário econômico e a mudança da
estrutura no mercado de trabalho. A conseqüência da maior
formalização, segundo ele, é um aumento do poder
de compra dos trabalhadores, da contratação de crédito
e do consumo.
Tendência favorável
O aumento da taxa de desemprego para 8,7%
em fevereiro (estava em 8% em janeiro) não reverte a trajetória
favorável para o mercado de trabalho, segundo Azeredo. "Não
houve de forma alguma piora no quadro do mercado de trabalho, o que
está ocorrendo agora é um movimento sazonal",
disse.
Segundo ele, a elevação da
taxa segue um comportamento natural da série histórica,
já que a taxa normalmente cai em dezembro e sobe entre janeiro
e março. "A tendência, segundo a série histórica, é que
o ponto de inflexão da taxa seja em abril ou maio", disse.
Para Azeredo, haverá novo aumento
da taxa em março mas, pelos resultados apresentados em 2008
até o momento, o mercado de trabalho este ano poderá apresentar
um comportamento tão favorável como no ano passado. "É a
taxa mais baixa da série (iniciada em março de 2002)
para um mês de fevereiro, a desocupação está em
patamar mais baixo", sublinhou.
Rendimento
O rendimento médio real de R$ 1.189,90
dos ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do
País em fevereiro de 2008 é o maior para um mês
de fevereiro na série histórica iniciada em março
de 2002, mas ainda não atingiu os níveis de renda registrados
no ano de 2002, segundo o gerente do IBGE. No início da série,
em março daquele ano, era de R$ 1.212,30.
Segundo Azeredo, o aumento da renda apurado
em fevereiro de 2008 (1,1% ante janeiro e 2,5% ante fevereiro de
2007) responde à inflação controlada, ao aumento
do poder de compra dos trabalhadores e à maior formalização
do mercado de trabalho.
Regiões metropolitanas
A taxa de desemprego nas seis principais
regiões metropolitanas do Brasil subiu para 8,7% em fevereiro,
depois de ficar em 8%, no mês anterior, informou nesta quinta-feira
o IBGE. Em relação a fevereiro do ano passado, porém,
o índice recuou 1,2 ponto percentual.
O contingente de desocupados totalizou 2
milhões de pessoas no total das regiões pesquisadas.
Isso indica elevação de 9,1% em relação
a janeiro, e redução de 9,9% na comparação
com fevereiro de 2007.
Da redação, com agências
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ESTADÃO.COM/ SÃO
PAULO, 27 de março de 2008 | Economia
FGV: impostos são vistos como
o maior limitador do PIB
ALESSANDRA SARAIVA - Agencia
Estado
RIO - Os impostos foram citados como o principal fator limitativo de crescimento
econômico, sendo lembrado por 30,2% do total de mais de dois mil domicílios
entrevistados para cálculo do Índice de Confiança do Consumidor
(ICC) de março. A informação é do coordenador de
Análises Conjunturais do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação
Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Aloísio Campelo. Ao comentar o resultado
do ICC, ele divulgou também corte especial da Sondagem das Expectativas
do Consumidor de março, cujo tema era "obstáculos ao crescimento
econômico".
A pesquisa foi realizada em sete
capitais do País. As taxas de juros elevadas ficaram em segundo
lugar como fator limitativo ao crescimento, sendo lembrada por 22,1%
dos entrevistados, seguidas por desequilíbrio em contas públicas
(19,6%). A inflação ficou em quarto lugar (17,2% dos pesquisados);
seguida por carência de investimentos (5,3%); outros (3,7%) e nível
da taxa de câmbio (1,9%).
O corte especial da sondagem
também pesquisou entre os entrevistados fatores não econômicos
que fossem limitativos ao crescimento. Em primeiro lugar ficou a corrupção
(47,6%); seguida por nível educacional (20,6%); e saúde
pública (10,%). No caso desse último tópico, a cidade
do Rio de Janeiro impulsionou o resultado; a questão de saúde
pública foi lembrada por 23,4% dos entrevistados na capital fluminense
- sendo que, em março do ano passado, a parcela de respostas para
esse tipo de pergunta, no Rio, era de 14,8%. O economista lembrou o avanço
da dengue no Estado, no último mês, como fator de influência
no resultado. "Quando se tem algo como a dengue, diminui a quantidade
de pessoas trabalhando, que têm que pedir licença; além
disso, aumentam os recursos para o SUS, gerando mais gastos. Isso limita
o crescimento", explicou.
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VERMELHO, 27 de março
de 2008
Economia faz avaliação
positiva do governo Lula bater recorde
A avaliação do
governo Lula atingiu seu melhor desempenho desde janeiro de 2003, de
acordo com a pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira (27) pela
Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.
O índice de ótimo e bom do governo foi a 58% dos entrevistados
na atual pesquisa, ante 51% na anterior, de dezembro de 2007. Desde a
posse de Lula, somente em dezembro de 2006 a avaliação
positiva do governo chegou a patamar semelhante, 57%.
O governo recebeu avaliação
regular de 30% dos 2.002 eleitores entrevistados. Outros 11% avaliaram
o governo como péssimo ou ruim e 1% não soube responder
ou não opinou. A diferença entre o ótimo e bom e
o ruim e péssimo atingiu, na atual edição da pesquisa,
os 47 pontos percentuais, também é a maior desde janeiro
de 2003.
“Pode-se afirmar que esse
resultado expressa, neste momento, o desempenho da economia, como mostram
os indicadores de avaliação do governo no campo econômico
e a expectativa da população em relação ao
futuro”, avalia a pesquisa. “O impacto da economia no conjunto
das avaliações do governo fica ainda mais nítido
quando são observados os itens da agenda econômica”,
continua o texto da pesquisa. Em todos os itens econômicos registrou-se
crescimento da aprovação.
Quando perguntados sobre o combate à inflação,
51% disseram aprovar a estratégia do governo, ante 44% em dezembro
de 2007. Em relação aos impostos, 35% disseram aprovar,
ante 26% na pesquisa anterior. Quanto à
taxa de juros, 39% dos entrevistados aprovaram, ante 32% em dezembro passado.
A melhor avaliação foi quanto ao combate ao desemprego, em que
55% dos entrevistados disseram aprovar, ante 47% na última sondagem.
A aprovação ao
governo também teve recuperação na atual sondagem.
Ela subiu de 65% em dezembro passado para 73% neste mês. É o
segundo maior índice de aprovação desde março
de 2003, quando fora de 75%.
Outro indicador da pesquisa
CNI/Ibope que foi recorde nesta edição é a nota
média para o governo Lula. Ela ficou em 7,1, numa escala de zero
a 10. A melhor nota até então tinha sido o 7 recebido em
dezembro de 2006. A confiança ao presidente Lula se recuperou
neste mês, ao alcançar 68%, igual a dezembro de 2006. Nesse
intervalo, a confiança havia caído para em torno de 60%.
Reforma tributária e segurança
pública
A reforma tributária é considerada
muito importante por 35% dos entrevistados, enquanto 47% disseram considerá-la
importante. Para 9% dos respondentes, ela é pouco importante.
A reforma é nada importante para 4%
dos eleitores e 5% não responderam ou não opinaram.
Essa avaliação
foi influenciada, segundo a pesquisa, pela convicção de
que a reforma tributária aumentará o crescimento econômico
(para 32% dos entrevistados) e gerará mais empregos (para 35%
dos eleitores).
Para 31% dos entrevistados,
a reforma tributária fará os brasileiros pagarem menos
impostos. Para 32% deles, os brasileiros continuarão a pagar a
mesma quantidade de impostos e, para 25% dos eleitores, os contribuintes
pagarão mais impostos depois de aprovada a reforma (12% não
responderam ou não opinaram).
A segurança pública
no Brasil foi considerada ruim ou péssima pela maioria dos eleitores.
Para 22% deles, a segurança no país é ruim e, para
31%, é péssima. Apenas 3% dos entrevistados disseram avaliar
como ótima a
segurança pública, ante 15% que disseram ser boa e 29% que responderam
que é regular.
Os entrevistadores foram a campo
entre os dias 19 e 23 de março, em 141 municípios, nos
quais entrevistaram 2.002 eleitores. A margem de erro da pesquisa é de
dois pontos percentuais para baixo ou para cima e o grau de confiança é de
95%.
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VERMELHO,
27 de março de 2008
Doze milhões de brasileiros deixam
as classes D e E em 2007
As classes mais baixas da
população, D e E, deixaram de ser maioria no Brasil.
Em 2007, segundo estudo da financeira Cetelem em parceria com a Ipsos,
o número de brasileiros nas classes mais baixas era de 72,9
milhões, cerca de 39% da população. Isso significa
que 11,9 milhões de brasileiros passaram para classes mais
altas em um ano, já que, em 2006, eram 84,8 milhões
de brasileiros na base.
De acordo com o estudo,
a classe C recebeu, tanto das mais baixas (D e E) como das mais altas
(A e B), quase 20 milhões de integrantes, passando de 66,7
milhões em 2006 para 86,2 milhões em 2007, o que significa
46% da população.
grupo que está nas
classes A/B, por sua vez, reduziu de 32,8 milhões de pessoas
em 2006 para 28 milhões em 2007, o que representa 15% da população.
Segundo a Cetelem, a pesquisa
demonstra que houve diminuição na desigualdade de renda,
com uma ligeira queda da renda média das classes A/B, ascensão
de um grande contingente para a classe C e um pequeno aumento da
renda média das classes D/E.
A virada definitiva aconteceu
no ano passado, segundo a pesquisa. Em 2005, a renda média
familiar das classes A/B era R$ 2.484. Ela caiu sucessivamente para
R$ 2.325 e atingiu R$ 2.217 em 2007 --o que corresponde a uma redução
de cerca de 11%. Nas classes D/E, a renda média familiar subiu
de R$ 545 em 2005, para R$ 571 em 2006 e depois a R$ 580 em 2007,
um crescimento de pouco mais de 6%.
Já a renda média
da classe C permaneceu no mesmo patamar nesses três anos: algo
em torno de R$ 1.100. A pesquisa ressalta ainda que o número
de pessoas que passou de D/E para C teve um aumento de sua renda
média mensal de R$ 580, para os atuais R$ 1.100.
Outro destaque da pesquisa
foi a melhoria da renda disponível das classes C e D/E, aquela
que sobra após o pagamento de contas e obrigações
financeiras. A renda disponível das classes D/E foi negativa,
em 2005, em R$ 17, terminando o ano no vermelho. No entanto, em 2006,
a renda disponível ficou em pouco mais de R$ 2, subindo a
R$ 22 no ano passado.
A classe C também
registrou aumento nesse item. Ela era R$ 122 em 2005, passou para
R$ 191 em 2006 e caiu para R$ 147 em 2007. Apesar da queda de 23,04%
no último ano, quando se toma todo o período, o crescimento
foi de 20%. Apenas as classes A/B viram diminuir sua renda disponível,
caindo de R$ 632 em 2005 para R$ 506 em 2007, uma redução
de 20%.
Da redação, com
informações da Folha Online
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AGÊNCIA DIAP, 27 de
março de 2008
NEOESCRAVISMO
Lupi defende expropriação
de terra com trabalho escravo
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, defendeu hoje na Comissão de Trabalho,
a expropriação de terras onde forem encontrados trabalhadores
mantidos em condições análogas às de escravo. "Se
ficar comprovado que o trabalho escravo é recorrente na propriedade,
eu sou favorável à sua expropriação", disse
o ministro.
A Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 438/01, do ex-senador Ademir Andrade (PSB/PA) prevê essa
sanção contra os proprietários que se valerem de
trabalho escravo. No começo deste mês, o presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT/SP), garantiu que será votada ainda neste
semestre, mais especificamente em abril. A PEC aguarda votação
em segundo turno.
O deputado Vicentinho (PT/SP)
elogiou a atuação de Lupi no combate ao trabalho em condições
desumanas e citou matéria da Agência Folha sobre a liberação
de 421 trabalhadores em condições degradantes, em Quirinópolis
(GO), pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel
do Ministério do Trabalho, na quinta-feira passada (20). O Código
Penal equipara o trabalho em condições degradantes ao trabalho
forçado.
Contra-senso
Nelson Marquezelli (PTB/SP) condenou a atuação do Grupo Móvel,
que, para ele, só faz prejudicar a imagem do Brasil no exterior. "Isso
vai oficializar uma mancha enorme na reputação do Brasil. De
repente, vai acontecer o que aconteceu com a carne brasileira", afirmou. "Escravos
nós tivemos, não temos mais", disse.
O ministro do Trabalho reagiu. "Não
posso impedir uma ação que tem hoje resultados positivos,
inclusive no exterior", afirmou. "O Brasil está agindo.
Não estamos esperando os organismos internacionais vir e denunciar
o trabalho escravo", disse.
O ministro afirmou que os empresários
que querem evitar máculas eternas em seus produtos e serviços
deveriam se abster de submeter seus empregados a condições
degradantes. Ele acrescentou que o ministério tem imagens de trabalhadores
submetidos a condições subumanas que sequer podem ser divulgadas. "Seria
muito prejudicial ao Brasil", explicou.
Ação
conjugada
Lupi lembrou ainda que o Grupo Móvel compõe-se não apenas
de fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, mas também de
membros do Ministério Público, da Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB), das polícias Federal e estaduais e de organizações
não-governamentais. Além disso, só atua mediante denúncias.
Emenda
3
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT/SP), que também é presidente
da Força Sindical, pediu ao ministro do Trabalho pressa na elaboração
de uma proposta que assegure proteção aos 700 mil trabalhadores
que hoje são contratados como pessoas jurídicas. "Nós
não queremos que todo mundo se torne pessoa jurídica, mas precisamos
regulamentar a situação dos trabalhadores que já se encontram
nessa situação."
O deputado disse que a medida
seria um "meio-termo" entre à regra atual - que determina
a configuração de relação de emprego entre
a empresa e o trabalhador que é obrigado a abrir uma empresa para
manter o contrato de trabalho - e a proposta da emenda 3, que simplesmente
proíbe a configuração da relação de
empregos nesses casos, a não ser por meio de sentença judicial.
Carlos Lupi afirmou que
a regulamentação precisa ser cautelosa. "Não
podemos generalizar aquilo que deve ser exceção",
afirmou. O Congresso vai analisar vetos presidenciais amanhã,
entre eles o que barrou a emenda 3. "A base aliada não
pode derrubar um veto do presidente da República", advertiu
o ministro. Paulinho disse que, se o veto for derrubado, haverá greves
e manifestações por todo o Brasil. "Vai ser uma
guerra", avisou. (Com Agência Câmara)
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
27 de março de 2008
Prescrição declarada
de ofício é incompatível com direito do trabalho
A declaração da prescrição de ofício, sem
que as partes o peçam, como permite a nova redação do
artigo 219, parágrafo 5º do Código de Processo Civil, é inaplicável à Justiça
do Trabalho, em face da natureza alimentar dos créditos trabalhistas.
Este foi o entendimento adotado
pela 6ª Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho) no julgamento
de recurso de revista interposto pelo Sesi (Serviço Social da
Indústria), em processo movido por um ex-auxiliar de manutenção
da instituição.
Segundo informações
do tribunal, o funcionário foi contratado pelo Sesi em julho de
1990, e dispensado em fevereiro de 2006. Na reclamação
trabalhista, que tramitou em rito sumaríssimo, pediu adicional
de insalubridade por trabalhar em contato com substâncias como
cloro, sulfato de alumínio e bicarbonato de sódio no tratamento
de piscinas sem o uso de equipamentos de proteção individual,
horas extras e diferenças salariais decorrentes de equiparação
com outro funcionário.
O Sesi, em sua defesa, alegou
a prescrição de todas as parcelas anteriores a junho de
2001, uma vez que a ação foi proposta em junho de 2006.
A 3ª Vara do Trabalho de Betim (MG) julgou improcedentes todos os
pedidos, mas não se manifestou a respeito da prescrição.
No julgamento do recurso ordinário
do empregado pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 3ª Região
(Minas Gerais), a relatora votou no sentido de declarar de ofício
a prescrição com base no CPC (Código de Processo
Civil), mas foi vencida. O voto vencedor entendeu ser necessária
a interposição de recurso ordinário pelo Sesi para
o questionamento da prescrição, e o Regional considerou
devido o adicional de horas extras em todo o período trabalhado.
Ao recorrer ao TST, o Sesi sustentou
mais uma vez a prescrição de cinco anos e questionou o
fato de ela não ter sido declarada de ofício pelo TRT-MG.
Em suas razões recursais, afirmou que o pedido fora julgado totalmente
improcedente pela Vara do Trabalho, e por isso não haveria motivos
para a interposição de recurso ordinário, e apontou
como violado o artigo 219, parágrafo 5º do CPC, que prevê o
pronunciamento de ofício da prescrição quanto trazido
em defesa pela reclamada no primeiro grau, mas não renovada nas
contra-razões do recurso ordinário interposto pela outra
parte.
O relator, ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, ressaltou que a Lei nº 11.280/2006 alterou o mencionado
dispositivo do CPC, e que a CLT (Consolidação das Leis
do Trabalho) só permite a aplicação do CPC de modo
subsidiário, quando a própria CLT é omissa quanto à matéria
tratada, e desde que não haja incompatibilidade com suas normas.
“A prescrição é a
perda da pretensão pela inércia do titular no prazo que
a lei considera ideal para o exercício do direito de ação”,
definiu o ministro, em contraposição à decadência:
nesta, a finalidade é a estabilidade das relações
jurídicas no tempo, enquanto a prescrição tem a
mesma finalidade apenas entre as partes.
No entendimento do relator,
seguido por unanimidade pelos demais integrantes da Turma, “a
questão social, a hipossuficiência, a dificuldade de acesso
trazem incompatibilidade da aplicação da prescrição
de ofício pelo juiz com os princípios do Direito do Trabalho,
o que impede a aplicação subsidiária do CPC”.
Desta forma, julgou-se correta a decisão do TRT/MG de não
permitir a sua aplicação, “diante do princípio
protetor aos créditos trabalhistas, de sua natureza alimentar,
pois estaria se beneficiando o devedor em detrimento do empregado,
hipossuficiente”.
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FOLHA DE LONDRINA, 27 de
março de 2008 | Economia
Novidades para o uso do FGTS já são
válidas

As novas regras da Caixa Econômica Federal para o uso do FGTS (Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço) com relação ao pagamento
de parcelas da casa própria já estão valendo. Uma circular
foi publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira,
para formalizar as mudanças.
A principal novidade é o
aumento do limite de abatimento das parcelas. Antes existiam três
faixas de renda e a porcentagem para abater variava entre 40% e 80%.
Agora, todos os mutuários podem ter o abatimento de até 80%
no financiamento do Sistema Financeiro de habitação (SFH).
Além disso, anteriormente,
era necessário estar em dia com as prestações para
poder fazer uso desse benefício, agora, mutuários que tenham
até três prestações em atraso pode ter o abatimento
das parcelas.
No caso de amortização
ou quitação da dívida, pelas novas regras, pode
ser usado qualquer valor do FGTS, desde que seja respeitado um limite
de dois anos entre uma e outra. Até as construções
entraram na lista de mudanças.
Agência Graffo
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Folha de São Paulo,
27 de Março de 2008
Ipea prevê alta de no máximo
5,2% no PIB
Instituto ligado ao governo estima crescimento
menor da economia neste ano e aponta riscos com crise financeira
global | Projeção para a inflação é de
um aumento de até 5% neste ano, sem considerar um eventual
reajuste da gasolina, segundo o Ipea
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
O Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada), órgão ligado ao governo, estima
que a economia crescerá menos neste ano do que no ano passado.
Na Carta de Conjuntura divulgada ontem, o instituto avalia que o PIB
(Produto Interno Bruto) crescerá entre 4,2% e 5,2% em 2008. O
teto da projeção é inferior ao crescimento do ano
passado, de 5,4%.
Segundo o instituto, o ponto médio na faixa de crescimento prevista é uma
expansão de 4,7%. Para Marcelo Nonnenberg, coordenador do grupo de análises
e projeções, a contribuição negativa do setor externo,
estimada em média em -2,6% seria o principal fator a frear o crescimento.
Na prática, seria intensificado o movimento de alta das importações
superior à das exportações, em um cenário de real
apreciado e commodities com avanços mais moderados de preços.
O Ipea projeta o dólar com cotação de R$ 1,61 a R$ 1,90.
A taxa de juros ficaria em 11,25%.
A expectativa é que a demanda interna continue aquecida. O instituto
estima que o consumo das famílias crescerá de 6,1% a 6,7% neste
ano. Este seria o fator responsável pelo aumento dos investimentos,
estimado de 12,4% a 14,1%. Na carta divulgada ontem, o Ipea afirma que mais
da metade do crescimento da economia neste ano é resultado de um efeito
de "carry over" de 2,5%. Isto significa a herança estatística
de crescimento do ano passado para cá.
As projeções estão condicionadas a dois aspectos que podem
influenciar o rumo da economia brasileira: desdobramentos da crise americana
e eventual excesso de demanda interna. O Ipea avalia que a recessão
americana durará pelo menos um ano, com intensidade moderada, o que
terá impacto sobre o crescimento da economia mundial, estimado em média
em 3,5%.
Além disso, a taxa menor de crescimento dos preços de commodities
reduz o espaço ocupado pelas exportações no crescimento
da economia.
O instituto ressalta que o aumento do uso da capacidade instalada na indústria,
que atingiu patamar de 83% nos últimos meses, ainda não teve
impactos significativos na inflação, mas que o indicador deve
continuar a ser acompanhado de perto por conta das pressões de alimentos
e de um eventual aumento da gasolina.
O Ipea estima que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)
terá alta de 4% a 5% neste ano. As projeções não
incluem um eventual aumento da gasolina. Desde setembro de 2005, a Petrobras
não reajusta o combustível.
Apesar da cautela em relação ao comportamento dos preços,
Miguel Bruno, coordenador do grupo de análises e projeções,
afirmou que avaliaria como "precipitada" uma alta dos juros pelo
Banco Central porque poderia inibir o investimento no setor produtivo num momento
em que o governo se empenha para que as obras do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) deslanchem.
Indústria
O Ipea também divulgou ontem estimativa para a produção
industrial, que deverá cair 0,4% em fevereiro na comparação
com janeiro. Apesar da leve retração, o instituto avalia que
o setor continua forte, com expansão de 9,7% em relação
a fevereiro do ano passado.
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O ESTADO DO PARANÁ,
27 de março de 2008 | Economia
Projeto de capacitação
de jovens ameaçado
Elizangela Wroniski
Cerca de 60 jovens podem perder a oportunidade de se capacitarem por falta
de empresas interessadas em participar do programa federal “Escola de
Fábrica”. O dinheiro já está disponibilizado e se
nos próximos dez dias um projeto não for apresentado ao Ministério
do Trabalho, o montante será devolvido para Brasília.
Desde que o projeto teve início,
700 jovens de Curitiba e Região Metropolitana participaram do
programa e fizeram cursos nas áreas de montagem de máquinas
industriais, carpintaria, solda, torneiro mecânico, entre outros.
Ainda há recursos para formar mais 60 alunos, mas devido a falta
de interessados o montante poderá ter que ser devolvido à Brasília. “Isto é lamentável. É um
recurso que não volta e perde-se a chance de trazer para a área
de trabalho um grupo de jovens que passariam a ter uma ocupação
garantida”, comenta Orestes Woestehoff, gerente de Relações
Institucionais e Meio Ambiente do Instituto Sodetec de Desenvolvimento
Social, responsável pelos cursos.
Cada curso tem o custo de R$
30 mil e as empresas parcerias contribuem com R$ 10 mil, tendo a oportunidade
de qualificar mão-de-obra específica para as suas necessidades.
O valor pode ser reduzido do imposto de renda e a empresa recebe uma
certificação de Responsabilidade Social.
Muitos dos participantes
já saem empregados. Durante os seis meses de curso, recebem
uma bolsa auxílio no valor de R$ 150,00, mais vale transporte,
vale refeição, além de acessórios técnicos,
equipamentos, apostilas, jaleco e outros materiais. O programa é destinado à pessoas
carentes com até 21 anos de idade e não existe nenhuma
exigência de escolaridade. Além de aprender uma profissão,
os estudantes têm aulas de português, matemática,
informática, meio ambiente e cidadania. As empresas interessadas
em participar do programa podem contatar o Sedotec pelo telefone (41)
3015-0315 ou (41) 9949-6000.
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O ESTADO DO PARANÁ,
27 de março de 2008 | Nacional
121 parlamentares cassados em um ano
Redação O Estado do Paraná
Com 121 mandatos de parlamentares cassados, completou um ano, ontem, a resolução
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que disciplinou a fidelidade partidária,
garantido aos partidos os direitos sobre os mandatos.
No dia 26 de março do
ano passado, o TSE definiu que os mandatos em cargos eletivos pertencem
aos partidos, e não aos políticos eleitos. A decisão
foi ratificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em outubro e, todos
os políticos que trocaram de partido após a resolução
ficaram sujeitos à perda de mandato.
O Paraná foi o estado
que teve o maior número de mandatos requisitados. Ao todo, o Tribunal
Regional Eleitoral (TRE) recebeu 1198 processos de pedido de mandatos.
Pouco mais de 100 foram julgados até agora, com 14 cassações
até a noite de ontem. O último a perder o mandato foi Jair
Monteiro de Souza, de Santo Inácio.
O estado que mais cassou mandatos
até agora foi Pará, que já decretou a perda de mandato
de 33 vereadores. O Rio Grande do Sul cassou 27 e o Piauí 17.
Onze estados não
cassaram nenhum mandato até agora.
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Gazeta do Povo, 27 de Março
de 2008
ECONOMIA | FINANCIAMENTOS
Bancos dizem a Mantega que crédito
brasileiro é saudável
Brasília – Os maiores
bancos brasileiros trataram ontem de tranqüilizar o ministro
da Fazenda, Guido Mantega, sobre a qualidade das operações
de crédito no país. Segundo Fábio Barbosa, presidente
do ABN Amro Real e da Federação Brasileira dos Bancos
(Febraban), não há necessidade de ajustes nas medidas
em vigor hoje. “O ministro está bastante tranqüilo.
Foi mostrado que a maior parte da carteira de crédito é bem
sólida”, afirmou ele.
Compareceram também Márcio
Cypriano (Bradesco), Pedro Moreira Salles (Unibanco), Roberto Setúbal
(Itaú) e Antônio Francisco de Lima Neto (Banco do Brasil).
Na semana passada, Mantega
afirmou que gostaria de saber se os bancos têm concedido financiamento
de forma responsável. Nos últimos anos, o crédito
tem crescido a uma taxa superior a 20% ao ano.
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Gazeta do Povo, 27 de Março
de 2008
ECONOMIA | REFORMA TRIBUTÁRIA
Novo texto beneficia Rio e Paraná
por JOÃO PAULO PIMENTEL COM AGÊNCIAS
O relator do projeto de reforma tributária
na Comissão de Constituição e Justiça
da Câmara, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), decidiu alterar o texto
original do governo para atender ao pleito de seu estado. Na nova
versão, que deverá ser apresentada hoje, o Rio e outros
produtores passam a poder cobrar 2% de ICMS sobre o petróleo
vendido a outros estados. A mesma regra valerá para a energia
elétrica, o que beneficia diretamente o Paraná.
No início do mês,
o secretário da Fazenda do Paraná, Heron Arzua, tentou
apresentar proposta semelhante ao ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Na ocasião, Arzua adiantou que as bancadas paranaense e fluminense
no Congresso Nacional seriam mobilizadas para apoiar a cobrança.
Hoje, toda a tributação
sobre esses dois produtos fica integralmente com o estado onde acontece
o consumo. Nas transações interestaduais com as demais
mercadorias e serviços, a receita do ICMS é repartida entre
o estado de origem, que fica com a maior parcela, e o de destino.
A regra diferenciada para energia
e petróleo e seus derivados foi incluída na Constituição
de 1988 porque os estados produtores são poucos, e os consumidores
são todos. Em compensação, os estados produtores
ganharam direito a royalties.
A reforma tributária
propõe transferir praticamente toda a receita do ICMS para os
estados consumidores, como forma de eliminar a guerra fiscal – a
disputa entre estados para atrair empresas por meio da concessão
de benefícios tributários. O parecer de Picciani também
pede para passar do Confaz (conselho formado pelos secretários
estaduais da Fazenda) para o Senado o poder de fixar as alíquotas
do novo ICMS sobre cada mercadoria ou serviço. As duas modificações
do deputado são rejeitadas, respectivamente, pela União
e pelos estados. A votação do texto deve ficar para a
próxima semana.
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Folha
de São Paulo, 27 de Março de 2008
Planalto blinda Dilma e base impede convocação
em CPI
Por 14 a 7, aliados poupam ministra de explicar
no Congresso suposto dossiê anti-FHC
| Lula crê em interesses da oposição de minar chefe da Casa
Civil por conta de 2010 e traça operação para negar ligação
dela com o episódio
KENNEDY ALENCAR
ANDREZA MATAIS
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Palácio do Planalto
montou ontem uma operação para blindar a ministra Dilma
Rousseff (Casa Civil) no caso do suposto dossiê de gastos da
família do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002)
com verbas oficiais.
Enquanto PT e aliados impediram de manhã a convocação
de Dilma para depor na CPI dos Cartões, o ministro José Múcio
(Relações Institucionais) deu entrevista à tarde para
dizer que a ministra "não tem absolutamente nada a ver com isso".
O cordão de isolamento em torno de Dilma foi adotado porque as informações
publicadas pela revista "Veja" saíram de dentro da Casa Civil
e, segundo a Folha apurou, de uma equipe de seis pessoas com acesso a dados
sigilosos do governo.
Segundo a revista "Veja", o dossiê anti-FHC teria sido produzido
a partir de dados sigilosos disponíveis na Secretaria de Controle Interno
da Presidência da República, órgão subordinado à ministra.
Dilma determinou na terça-feira a abertura de sindicância para
apurar responsabilidades pelo vazamento de informações sigilosas
da Presidência.
Na avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
a oposição tem interesse em minar a chefe da Casa Civil, o que
seria desastroso para o governo. Por ora, discurso e ação são
de que ela é inocente e segue firme no cargo.
Lula está empenhado em proteger Dilma, em quem tem apostado como eventual
candidata à sua sucessão em 2010. Desde o episódio da
violação do sigilo do caseiro Francenildo Costa, que resultou
na queda de Antonio Palocci Filho do Ministério da Fazenda em março
de 2006, é a primeira vez que uma pessoa tão próxima a
Lula e tão poderosa no governo é ligada a um escândalo.
A Folha apurou que o Planalto espera que a temperatura política aumente
quando o governo enviar um caminhão à CPI com dados desde 1998
sobre gastos com cartões corporativos e contas tipo B (despesa justificada
por nota ou recibo depois de o servidor receber uma determinada verba).
Para a cúpula do governo, imprensa e oposição já vasculharam
a maior parte dos dados referentes ao governo Lula -estão no Portal
da Transparência desde 2004, embora parte dos gastos da Presidência
tenham sido divulgados, segundo o governo, por erro. Já os dados a partir
de 1998 pegam quatro anos de FHC e os dois primeiros de Lula.
Ou seja, o governo se prepara para tempos de embate com a oposição
numa CPI que estava em banho-maria até aqui.
Ontem foram cinco horas de bate-boca entre governo e oposição
até a derrubada do requerimento para Dilma depor na CPI por 14 a 7 votos.
O governo é maioria na comissão, o que indica que o placar deve
se repetir na votação de pedidos de abertura dos gastos sigilosos
da Presidência nos anos Lula. "Decorem o número do placar
daqui para frente", provocou a deputada Perpétua Almeida (PC do
B-AC).
Disputa na CPI
Para não sofrer nova derrota, a oposição adiou a votação
dos 48 requerimentos de informação que pedem dados reservados
de Lula, FHC e familiares, além de relatórios do TCU (Tribunal
de Contas da União), informações de contratos com Visanet
e Redecard, que administram o cartão, e sobre responsáveis pelos
gastos, entre outros. Até agora, a CPI não aprovou nenhum requerimento
de pedido de informação.
Os parlamentares da base aliada com voto na CPI foram orientados, por escrito,
a vetar 32 dos 48 requerimentos que pedem quebra de sigilo. O deputado Maurício
Quintella (PR-AL) disse que recebeu o documento da liderança do governo. "Estou
chocado com a postura truculenta da base", disse o líder do DEM
no Senado, José Agripino Maia (RN). "Fizemos um trabalho de grupo,
não tem nada de anormal", respondeu o deputado Carlos Willian (PTC-PE).
A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), disse que a ministra não
tinha nada a explicar e acusou a oposição de tentar constranger
Dilma "pelo o que ela representa hoje e pelo o que pode representar em
2010" na sucessão de Lula.
" A oposição quer desacelerar o PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) e desqualificar a ministra", acusou o relator, deputado
Luiz Sérgio (PT-RJ). "O deputado deixou claro que não tem
isenção para ser relator", criticou o deputado ACM Neto (DEM-BA).
O que motivou um contra-ataque: "Não estou aqui para receber aula
de quem quer que seja sobre como ser relator".
Diante do clima, a presidente da CPI, Marisa Serrano (PSDB-MS), decidiu adiar
os depoimentos dos ministros Orlando Silva (Esporte) e Altemir Gregolin (Pesca)
marcados para hoje, e convocar o general Jorge Félix, do GSI (Gabinete
de Segurança Institucional), para depor em 8 de abril, quando ele retorna
de férias. "A população não tem obrigação
de ver as coisas que viu aqui hoje [ontem]. A reunião foi improdutiva,
péssima, por isso suspendi a de amanhã [hoje]", disse Marisa.
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Agência Diap, 27 de
Março de 2008
TRABALHO RURAL
MP 410: "emprego sem carteira
assinada é caminho certo para ilegalidade e fraude no campo",
adverte Anamatra
O debate em torno da MP
410/07, que cria a modalidade de contrato temporário de trabalhador
rural por prazo de até dois meses dentro do período de
um ano, sem carteira de trabalho, continua vicejando controvérsias
e divergências. Agora, quem se posiciona contrariamente à medida
provisória é a Anamatrta (Associação Nacional
dos Magistrados da Justiça do Trabalho).
A entidade distribuiu hoje (26), na sessão da Comissão de Trabalho
da Câmara, manifesto “pela rejeição da MP 410/07”.
No texto, a Anamatra adverte, que “emprego sem carteira assinada é caminho
certo para ilegalidade e fraude no campo”.
A Associação adjetiva a MP de “nefasta” e também
afirma que, “abre-se a possibilidade de utilização da citada
modalidade de contratação para camuflar a contratação
ilegal de trabalhadores e, até mesmo, servir de defesa nos casos de
flagrantes de trabalho escravo ou degradante”, pontifica o manifesto.
“ A Carteira de Trabalho, devidamente anotada pelo empregador, é direito
do cidadão e não pode ser relegada a simples formalidade”,
defende.
Leitor da Agência DIAP, em Monte Azul Paulista, município do estado
de São Paulo, chama a atenção para o que a Anamatra está a
antecipar: “aqui neste setor, os patrões já descumprem
a lei de registrar a carteira, com esta lei [MP 410] eles vão nadar
de braçada, isso é uma piada, tem que registrar, não custa
nada, e é um direito de muitos anos.” (Marcos Verlaine)
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Agência Senado, 27 de Março de
2008
Contribuintes individuais poderão
ficar livres de encargos do INSS
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, nesta quarta-feira (26),
parecer favorável a projeto de lei (PLS 493/07) do senador Arthur Virgílio
(PSDB-AM) que impede a cobrança de encargos do contribuinte individual
no caso de este recolher a contribuição previdenciária
fora do prazo por não ter tido rendimentos suficientes para cobrir o
valor mínimo de recolhimento exigido pelo Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS).
Em seu relatório, o senador Adelmir Santana (DEM-DF) considerou a iniciativa
louvável e assinalou seu alcance social. Em sua opinião, a proposta
procura "corrigir a injustiça de cobrar encargos em face de uma
imposição de ordem administrativa, que é o valor mínimo
de recolhimento mensal aceito pelo INSS". Mantida a regra atual, os trabalhadores
de menor remuneração e os pequenos prestadores de serviço
continuarão a pagar juros sem qualquer chance de defesa, observou o
relator.
Já na justificação do PLS 493/07, Arthur Virgílio
afirmou não ser justo o INSS cobrar encargos sobre o pagamento em atraso,
que deixou de ser feito, não por desinteresse do contribuinte, mas pelo
fato de sua remuneração mensal ser inferior ao salário
de referência para cálculo da contribuição individual,
correspondente ao salário mínimo. Hoje, se o contribuinte individual
tiver de esperar obter ganhos suficientes para recolher o valor mínimo
exigido pelo INSS, é obrigado a pagar encargos pelo período que
deixou de fazer esse recolhimento. O PLS 493/2007 segue, agora, para exame
da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
A CAS aprovou, ainda, requerimento da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE)
solicitando audiência pública para avaliar as políticas
públicas para a juventude voltadas à capacitação
profissional e à inserção no mercado de trabalho. O debate
deve contar com representantes dos Ministérios do Trabalho, da Educação
e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
27 de março de 2008
Condenação da Renner
por ofensa em pesquisa é mantida pelo TRT
Andréia Henriques
A 1ª Turma do TRT (Tribunal
Regional do Trabalho) da 18ª Região (Goiás) manteve
decisão que condenou as Lojas Renner a indenizar uma funcionária
em R$ 11.224. Ela foi ofendida em uma pesquisa de opinião interna
da empresa, divulgada virtualmente para todos os empregados.
A vendedora, que trabalhou na
Renner de 2003 a 2007, entrou com pedido de indenização
por danos morais na 2ª Vara do Trabalho de Goiânia. De acordo
com informações do processo, a “Pesquisa de Clima
Organizacional - Renner 2006”, feita após uma reunião
em março de 2007, revelou a opinião individual sobre o
próprio desempenho e o dos demais empregados da empresa. A autora
da ação afirmou que uma pessoa fez comentários injuriosos
e difamatórios a seu respeito.
As ofensas, segundo ela, foram
colocadas à disposição de todos os empregados através
da rede de informações lançadas virtualmente. No
comentário, a vendedora foi chamada de “o câncer da
loja”, além de prostituta, mentirosa e vagabunda.
A Renner, em sua defesa, não
questionou a validade e o conteúdo das opiniões, bem como
a mencionada ampla divulgação das informações.
A empresa alegou que não tem culpa no caso, já que os supostos
comentários foram feitos por um empregado e caberia à autora
demonstrar a existência dos mesmos.
Em primeira instância,
as Lojas Renner foram condenadas a pagar indenização no
valor de R$ 11.224. As duas partes recorreram da sentença ao TRT-GO.
A vendedora pediu, sem sucesso, o aumento do valor da indenização
para R$ 20 mil.
Já a empresa pretendia
produzir prova testemunhal sobre a forma ilícita de obtenção
do formulário onde constam as ofensas. O recurso foi negado por
falhas na representação processual, ocorridas pela ausência
de juntada de procuração original ou cópia autenticada
em tempo hábil e pelo fato de que a apelação foi
subscrita por pessoa inabilitada.
A relatora do processo, juíza
convocada Marilda Jungmann, considerou que os elementos trazidos aos
autos tornaram incontroversas a existência do documento e sua ampla
divulgação no corpo da empresa, fatos que tornam a produção
de prova testemunhal, sob o prisma do primeiro grau de jurisdição,
absolutamente desnecessária.
Marilda Jungmann destacou que
a iniciativa de criar um canal de comunicação com seus
colaboradores seria válida se houvesse seleção dos
comentários divulgados, “o que jamais se confundiria com
censura, tratando-se apenas da aplicação da prática
do bom senso”.
A magistrada afirmou ainda que
opiniões como as indicadas na petição inicial “deveriam
sofrer certo tipo de punição a quem lhe deu origem, jamais
divulgação”. Segundo ela, a culpa da Renner reside
em transmitir os comentários ofensivos dirigidos à autora.
“A empresa colheu opiniões
amplas sobre o juízo de valor que fazem uns dos outros e, mais
premente que isso, permitiu a divulgação do conteúdo
desta pesquisa no corpo da empresa, o que poderia equiparar-se a um fútil
mexerico, posta a completa ausência de controle superior a fim
de tornar públicas as críticas e sugestões realmente
válidas e construtivas, invalidando as impertinentes, abusivas,
ofensivas, inescrupulosas e covardes, evitando assim o aviltamento dos
trabalhadores, por quem é responsável”, destacou
na decisão.
Última Instância entrou
em contato com a assessoria de imprensa das Lojas Renner e aguarda
retorno.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
27/03/2008
Prescrição declarada de ofício é incompatível
com Direito do Trabalho
A declaração da
prescrição de ofício, sem que as partes o peçam,
como permite a nova redação do artigo 219, parágrafo
5º do Código de Processo Civil, é inaplicável à Justiça
do Trabalho, em face da natureza alimentar dos créditos trabalhistas.
Este foi o entendimento adotado pela Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho no julgamento de recurso de revista interposto pelo Serviço
Social da Indústria – SESI, em processo movido por um ex-auxiliar
de manutenção da instituição.
O funcionário foi contratado
pelo SESI em julho de 1990, e dispensado em fevereiro de 2006. Na reclamação
trabalhista, que tramitou em rito sumaríssimo, pediu adicional
de insalubridade por trabalhar em contato com substâncias como
cloro, sulfato de alumínio e bicarbonato de sódio no tratamento
de piscinas sem o uso de equipamentos de proteção individual,
horas extras e diferenças salariais decorrentes de equiparação
com outro funcionário.
O SESI, na contestação,
alegou a prescrição de todas as parcelas anteriores a junho
de 2001, uma vez que a ação foi proposta em junho de 2006.
A 3ª Vara do Trabalho de Betim (MG) julgou improcedentes todos os
pedidos, mas não se manifestou a respeito da prescrição.
No julgamento do recurso ordinário do empregado pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 3ª Região (MG), a relatora votou
no sentido de declarar de ofício a prescrição com
base no CPC, mas foi vencida. O voto vencedor entendeu ser necessária
a interposição de recurso ordinário pelo SESI para
o questionamento da prescrição, e o TRT/MG considerou devido
o adicional de horas extras em todo o período trabalhado.
Ao recorrer ao TST, o SESI sustentou
mais uma vez a prescrição qüinqüenal e questionou
o fato de ela não ter sido declarada de ofício pelo TRT/MG.
Em suas razões recursais, afirmou que o pedido fora julgado totalmente
improcedente pela Vara do Trabalho, e por isso não haveria motivos
para a interposição de recurso ordinário, e apontou
como violado o artigo 219, parágrafo 5º do CPC, que prevê o
pronunciamento de ofício da prescrição quanto trazido
em defesa pela reclamada no primeiro grau, mas não renovada nas
contra-razões do recurso ordinário interposto pela outra
parte.
O relator, ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, ressaltou que a Lei nº 11.280/2006 alterou o mencionado
dispositivo do CPC, e que a CLT só permite a aplicação
do CPC de modo subsidiário, quando a própria CLT é omissa
quanto à matéria tratada, e desde que não haja incompatibilidade
com suas normas. “A prescrição é a perda da
pretensão pela inércia do titular no prazo que a lei considera
ideal para o exercício do direito de ação”,
definiu o ministro, em contraposição à decadência:
nesta, a finalidade é a estabilidade das relações
jurídicas no tempo, enquanto a prescrição tem a
mesma finalidade apenas entre as partes.
No entendimento do relator – seguido
por unanimidade pelos demais integrantes da Turma –, “a
questão social, a hipossuficiência, a dificuldade de acesso
trazem incompatibilidade da aplicação da prescrição
de ofício pelo juiz com os princípios do Direito do Trabalho,
o que impede a aplicação subsidiária do CPC”.
Desta forma, julgou-se correta a decisão do TRT/MG de não
permitir a sua aplicação, “diante do princípio
protetor aos créditos trabalhistas, de sua natureza alimentar,
pois estaria se beneficiando o devedor em detrimento do empregado,
hipossuficiente”. (RR-404/2006-028-03-00.6)
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27/03/2008
Início de constituição
de sindicato garante estabilidade de dirigente
O Tribunal Superior do Trabalho
vem negando recursos de empresas em processos que envolvem a estabilidade
de dirigentes sindicais eleitos para instituições ainda
não registradas no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O caso mais recente foi julgado pela Terceira Turma do TST, que manteve
a reintegração de um empregado da Sociedade Cooperativa
de Serviços Médicos de Curitiba e Região Metropolitana – Unimed
Curitiba, eleito para o cargo de secretário-geral do Sindicato
dos Empregados em Cooperativas de Serviços Médicos do Estado
do Paraná – Secoomed/PR.
A ação teve início
em maio de 2006, quando o empregado foi demitido sem justa causa e ajuizou
reclamação trabalhista contra a Unimed, na 19ª Vara
do Trabalho de Curitiba, com pedido de liminar. Ele pretendia, entre
outros pedidos, a reintegração no emprego. Seu ingresso
na empresa se deu em outubro de 1994, como auxiliar administrativo. Mais
tarde, quando exercia a função de assistente de processos
e projetos, foi eleito secretário-geral do Secoomed, criado em
fevereiro de 2005. O sindicalista informou que também era presidente
da Associação dos Funcionários da Unimed Curitiba – AFUC.
A decisão de primeiro
grau lhe foi favorável. A empresa recorreu ao Tribunal Regional
do Trabalho da 9ª Região (PR), que manteve a decisão
que determinou a reintegração do empregado à empresa.
Informou o Regional que o processo de registro do Secoomed já havia
sido iniciado, tramitava no Ministério do Trabalho, tinha ata
de assembléia de criação do sindicato e da eleição
do reclamante. O estatuto da entidade já estava registrado em
cartório e no CNPJ, além de o empregador ter sido comunicado
da existência da entidade. Entendeu assim desnecessário
o registro no órgão competente para assegurar ao empregado
a garantia no emprego.
Inconformada com o julgamento,
a empresa interpôs recurso de revista no TST, sustentando que a
falta de registro do sindicato no TEM era motivo suficiente para confirmar
a ausência de estabilidade do empregado. A relatora, ministra Rosa
Maria Weber, rejeitou o recurso e confirmou a decisão regional.
Esclareceu a relatora que, “em face do papel essencial desempenhado
pelos sindicatos na busca por melhores condições de trabalho
para os integrantes da categoria, a Constituição de 1988
elevou a nível constitucional a garantia de emprego dos dirigentes
sindicais, hoje consagrada no inciso VIII do art. 8º, de modo a
lhes proporcionar maior liberdade de atuação”.
Fazendo alusão às
lições do ministro e professor Maurício Godinho
Delgado, a ministra Rosa Weber afirmou que “a estabilidade de que
gozam os dirigentes sindicais, antes de proteger individualmente o dirigente
sindical, visa a resguardar os interesses da própria categoria,
na medida em que praticamente inviabiliza a ingerência do empregador
nas atividades do sindicato”.
A relatora informou que a questão
da estabilidade sindical vinculada ao registro no Ministério do
Trabalho já foi enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal, “no
sentido de que o registro apenas coroa o processo de instauração
de um sindicato, mas a garantia de seus dirigentes já existe,
pelo menos, desde o pedido do registro naquele órgão”.
Em várias oportunidades, o TST já se pronunciou na mesma
linha do STF, acrescentou a ministra, e concluiu afirmando que, “iniciado
o processo de constituição do sindicato, irrepreensível
a decisão que reconhece a estabilidade do respectivo secretário-geral”.
Os demais ministros votaram unanimemente com a relatora. (RR-81063-2006-028-09-00.9)

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