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Agência Câmara,
28 de março de 2008
Patrões e empregados divergem
sobre redução de jornada
Edson Santos

Representantes das empresas e dos trabalhadores analisam relação
entre redução da carga horária e competitividade.
Representantes de entidades patronais e de centrais sindicais divergiram, nesta
quinta-feira, sobre a proposta de redução da jornada de trabalho
de 44 para 40 horas semanais - um dos principais pontos do Projeto de Lei 7663/06,
do deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), discutido em audiência na Comissão
de Trabalho, de Administração e Serviço Público.
Para o relator da matéria, deputado Roberto Santiago (PV-SP), que sugeriu
o debate, a redução da jornada melhorará o nível
de empregabilidade no País.
Já o advogado e consultor
da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Dagoberto
Lima Godoy criticou a eventual redução linear por meio
de lei e disse que ela deve ser feita por meio de convenções
e acordos coletivos. Segundo Godoy, isso permitirá que apenas
os setores mais competitivos reduzam a duração máxima
da jornada de trabalho.
Entretanto, Daniel Almeida ressaltou
não haver conflito entre o texto e a Constituição,
que estabelece a jornada máxima de 44 horas semanais. Para Almeida,
essa duração não pode ser aumentada por legislação
infraconstitucional, mas nada impede que seja reduzida por lei ordinária.
Negociação
coletiva
O representante da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)
Mário Teixeira ponderou que a redução da jornada não
impede que as empresas mais competitivas rebaixem esse patamar por meio de
negociação coletiva. Para a advogada Adriana Giuntini, da Confederação
Nacional do Transporte (CNT), entretanto, a eventual redução
da jornada por meio de lei vai "petrificar" as relações
trabalhistas.
Na avaliação do
representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Carlos
Henrique de Oliveira, pelo menos dois fatores permitem a redução
da jornada de trabalho no Brasil: a conjuntura econômica favorável
e o quadro de novas tecnologias e métodos organizacionais dos
recursos produtivos.
O deputado Tarcísio Zimmermann
(PT-RS) complementou que a redução da jornada promoveria
uma redistribuição de renda. Na opinião do presidente
da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça
do Trabalho (Anamatra), Claúdio José Montesso, há espaço
para a redução da jornada, mas a medida só vai gerar
novos empregos se for restringida a prestação de horas
extras.
Aumento
da produtividade
Para o presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores, José Calixto
Ramos, as possíveis perdas das empresas com a redução
da jornada serão compensadas com o aumento da produtividade, pois, em
sua avaliação, com mais tempo para a família e o lazer,
o trabalhador terá melhor desempenho profissional.
Dagoberto Godoy, da CNI, contestou
o raciocínio argumentando que não é a jornada de
trabalho que toma tempo do empregado, mas a qualidade do sistema de transporte
no Brasil. No Rio de Janeiro, o trabalhador gasta em média 7 horas
por semana com transporte, exemplificou.
Apropriação
de ganhos
O secretário de Políticas Públicas da União Geral
dos Trabalhadores, Valdir Vicente de Barros, defendeu investimentos em formação
tecnológica dos trabalhadores para aumentar a produtividade. Já o
presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antônio
dos Santos Neto, destacou que os ganhos de produtividade registrados nos últimos
anos foram apropriados em sua totalidade pela classe patronal. A redução
da jornada, segundo ele, seria uma forma de assegurar ao trabalhador um benefício
em razão do aumento da lucratividade das empresas.
O presidente da Comissão
de Trabalho, deputado Pedro Fernandes (PTB-MA), discordou da avaliação. É o
Estado, segundo ele, que tem se apropriado da maior parte dos rendimentos
auferidos pelas empresas com o aumento da produtividade, pois elevou
a carga tributária, que hoje supera 37% do Produto Interno Bruto
(PIB).
Na avaliação
do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), a discussão sobre a
redução da jornada de trabalho está ultrapassada
e deveria ser substituída pelo debate sobre a criação
de mecanismos para assegurar a produtividade. Em algumas empresas,
afirmou, os funcionários responsáveis por excelentes
resultados não precisam se submeter a nenhum tipo de controle
de jornada.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
28 de março de 2008 | Cotidiano
Quase 1,5 milhão de menores
de 14 anos trabalhavam no Brasil em 2006
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Cerca de 1,5 milhão de
crianças e adolescentes com idade entre 5 e 13 anos trabalham
no país, o que infringe a legislação brasileira,
que determina que só podem trabalhar maiores de 14 anos. Mesmo
assim, a população de 14 e 15 anos só podem exercer
a atividade de aprendiz.
O IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística) apurou que 237 mil crianças
de 5 a 9 anos estavam trabalhando em 2006. Isso equivale a 1,4% da população
total de 5 a 9 anos de idade. Entre os jovens de 10 a 13 anos, 1,2 milhão
trabalhavam naquele ano, o equivalente a 8,2% de toda essa faixa etária.
Mais 1,3 milhão de adolescentes
de 14 ou 15 anos exerciam alguma profissão em 2006, e 2,4 milhões
de pessoas inseridas no mercado de trabalho tinham 16 ou 17 anos.
Na faixa dos 5 aos 13 anos, o
trabalho infantil não exerce influência em relação à freqüência
escolar. Entre os que trabalhavam nessa idade, 95,5% iam à escola.
Entre as crianças não-ocupadas, 95,3% tinham presença
constante nos estudos.
Entre 14 e 15 anos, 84,2% das
pessoas ocupadas freqüentavam escola. Já entre os adolescentes
não-ocupados nessa idade, 93,7% estudavam regularmente. Para os
adolescente de 16 e 17 anos, 70,8% dos que trabalhavam iam à escola,
e 82,4% dos que não exerciam alguma profissão freqüentavam
normalmente a escola.
Segundo o IBGE, 57% da população
de 5 a 13 anos ocupada exerce atividades não-remuneradas. Isso
não significa necessariamente que seja trabalho escravo, já que
muitos desses jovens exercem atividades dentro da própria família.
Os não-remunerados entre
14 e 15 anos representavam 41,5% do total do contingente dessa faixa
etária. Entre os trabalhadores de 16 e 17 anos, 21% não
recebiam, enquanto que 4,4% não eram remunerados entre os maiores
de 18 anos. A maior parte das crianças e adolescentes que não
eram remunerados exerciam atividades ligadas ao setor agrícola.
A média de horas trabalhadas
semanalmente entre os jovens de 5 a 17 anos em 2006 era de 26 horas.
A média dos adultos é de 41,1 horas semanais.
O salário médio
dos jovens entre 5 e 17 anos de idade era de R$ 210. Entre os homens,
a média era de R$ 225, e as mulheres recebiam R$ 186 médios.
De todas as crianças e adolescentes trabalhadoras, 77% moravam
em domicílios cujo rendimento mensal domiciliar per capita era
menor do que um salário mínimo.
Dos menores de idade pesquisados, 57,4% não receberam qualquer tipo
de treinamento ou orientação para evitar acidentes ou doenças
nas atividades diárias. Ainda assim, 94,7% das crianças e adolescentes
entre 5 e 17 anos não tiveram machucados ou doenças em função
do trabalho.
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VERMELHO, 28 de março
de 2008
Mercosul terá instituto de políticas
sobre direitos humanos
O ministro da Secretaria Especial
dos Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo
Vannuchi, informou que a antiga sede da Escola de Mecânica da Armada
(Esma), na Argentina, vai abrigar o Instituto de Políticas Públicas
em Direitos Humanos do Mercosul e Países Associados.
"Esse instituto buscará estudar,
comparar e harmonizar as leis de cada país na área de direitos
humanos, a resposta às violações de direitos humanos
e o tema do combate à impunidade”.
Vannuchi chefiou a delegação
brasileira na 11ª Reunião das Altas Autoridades Competentes
em Direitos Humanos e Chancelarias do Mercosul e Estados Associados.
O encontro terminou ontem (27), em Buenos Aires.
Entre 1976 e 1983, período
mais duro da ditadura militar argentina, a Esma, que era ligada à Marinha,
foi usada como centro de detenção e tortura de presos políticos.
Organizações de
direitos humanos estimam a morte e o desaparecimento de 30 mil pessoas
nos 26 anos de ditadura no país. Dados oficiais falam em 18 mil
mortos e desaparecidos.
"É muito importante
esse marco simbólico neste local, que no passado foi um centro
de violência e ódio. E agora é um centro de elaboração
das políticas de direitos humanos, não apenas relacionadas
com os temas do direito à memória, à verdade e à justiça,
mas com todos os temas”.
O instituto será coordenado
por representantes dos quatro países do Mercosul – Argentina,
Brasil, Paraguai e Uruguai –, além da Venezuela, cuja adesão
ao bloco está em vias de se concretizar.
Direitos dos deficientes
Vannuchi disse também
que uma antiga reivindicação brasileira foi acolhida pelos
participantes do encontro: a criação de um grupo de trabalho
para discutir temas relacionados aos direitos dos deficientes. O grupo
já deverá estar constituído na próxima reunião
do grupo, em julho próximo.
De acordo com ele, a idéia é tornar
o tema comum a todos os países do Mercosul. Questões relacionadas à acessibilidade
urbana, preconceitos na convivência com deficientes, desde a escola
até o mercado de trabalho, barreiras humanas e de atitude farão
parte das discussões.
"É a troca de experiências
entre os países que têm legislação mais avançada
e os demais países. Assim, vamos construindo cada vez mais um
Mercosul que harmoniza os avanços e se centra nos compromissos
de respeito aos direitos humanos”.
Fonte: Agência Brasil
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Congresso em Foco, 28 de março de 2008
Por que os salários são
baixos
Osvaldo Martins Rizzo*
Desarrumada pelas altas do petróleo na década de 70, a economia
dos EUA viveu um período de estagflação com a inflação
anual beirando os 15%. Nixon tabelou preços e salários. Uma forte
recessão baixou os preços. Mas foi durante os anos 80 – na
gestão do republicano Ronald Reagan (ex-ator de Hollywood) – que
a economia norte-americana sofreu uma importante mudança estrutural.
As teorias neoliberais da Escola de Chicago foram aplicadas para mudar o principal
foco da política econômica que passou a ser a alta artificial
dos preços dos ativos, e não mais a preservação
do poder aquisitivo dos salários reais. Antes da sideral alta dos preços
do petróleo, a keynesiana ação governamental buscava o
pleno emprego e a real alta da remuneração do trabalho como contrapartida
aos ganhos empresariais da produtividade obreira, um desenvolvimento sustentado
e socialmente justo.
A doutrina liberal/monetarista prega que moeda na mão do povo infla
os preços. Para contê-los, o presidente/ator escolheu o que favorecia
aos interesses do grande capital. Deveras, o que reduz a inflação é o
excesso de oferta. Reprimir a demanda só adia o fenômeno. Ao estagnar
os salários e subir os preços dos ativos, concentrando riqueza,
Reagan gerou o embrião das várias “bolhas” que se
seguiram (dos imóveis; dos junk bonds; das empresas ponto-com; das hipotecas;
etc). A próxima bolha a explodir será a das commodities que viraram
ativo financeiro especulativo deixando de ser simples matéria-prima.
Para se reeleger e eleger seu sucessor (Bush pai), o ator/presidente trocou
o ganho real dos salários pelo farto crédito ao consumo. O eleitor
médio foi tapeado com a ilusão de que prosperava quando, contabilmente,
empobrecia. O auto-sustentável ciclo keynesiano foi mudado para o rito
neoliberal do endividamento crescente da população, alegrando
banqueiros ávidos pelos lucros obtidos ao emprestarem dinheiro caro
para as pessoas comprarem qualquer coisa. O sistema produtor/distributivo foi
substituído pelo financista/concentrador.
Mesmo originando uma hoje indisfarçável massa de pobres no país
mais rico do mundo – como efeito de um sistema instável onde o
crescimento econômico depende do crescente endividamento do cidadão
médio junto com a especulativa alta do preço dos ativos –,
o canastrão Ronald fez discípulas algumas autoridades econômicas
de certos países presunçosamente ditos “emergentes”,
como o Brasil.
Combater o desemprego compõe o rol dos deveres constitucionais dos governantes
brasileiros regrado pela Carta Magna Pátria que, em seu artigo 170/VIII,
inclui a busca do pleno emprego entre os princípios gerais que devem
reger a atividade econômica. Todavia, só trabalho não basta. É preciso
remunerá-lo dignamente para, concretamente, ter-se desenvolvimento sem
imitar as bolhas especulativas estrangeiras, como a atual da construção
habitacional nas grandes cidades.
Do início dos anos 80 até meados desta década, o trabalhador
foi oprimido por um gigantesco arrocho salarial de fazer corar até mesmo
os velhos udenistas. O real poder aquisitivo do salário médio
do brasileiro caiu cerca de 20%. Só entre 1.995 e 2.005 os ganhos salariais
despencaram 4% em proporção ao PIB.
Os bons empregos minguaram e a rotatividade explodiu. Para ilustrar: em 2007,
14,3 milhões de pessoas foram admitidas e 12,7 milhões, demitidas.
Crescem os gastos com seguro-desemprego e abono bancados pelo estoque do Fundo
de Amparo ao Trabalhador (FAT), ameaçando a sua solvência e o
funding do BNDES.
A classe obreira empobreceu, sendo a única vítima dos erros crassos
das diversas equipes econômicas que se revezaram no estéril exercício
acadêmico de testar teorias liberais em cobaias brasileiras. Estranhamente,
o Poder Judiciário calou-se sobre isso, e esses impuníveis algozes
continuam soltos e, pasmem, prestigiados.
A pouca produtividade e especialização são causas dos
baixos salários conseqüentes do pouco tempo de permanência
no emprego. O desemprego vem caindo como fruto da proliferação
dos empregos de má qualidade remunerados indignamente. Noutras palavras,
ocorre a “asiatização” dos empregos onde cada vez
mais trabalhadores recebem salários medíocres. A quinta maior
empregadora brasileira é uma call center que ocupa mão-de-obra
jovem e baratíssima sem qualquer perspectiva de aprendizado e melhoria
remuneratória.
Paralelamente, como manda o modelo Reagan de troca de bom salário por
dívidas, o grau de endividamento do cidadão comum disparou. Segundo
a Federação do Comércio paulista, metade dos paulistanos
está fortemente endividada. Os mais mal remunerados (ganham até três
salários mínimos) lideram o ranking dos maiores pagadores de
juros bancários que, de tão altos, fazem inveja a qualquer agiota.
*Osvaldo Martins Rizzo é engenheiro e ex-conselheiro do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
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Folha de São Paulo,
28 de março de 2008
BB vence disputa com Caixa e entra
no crédito imobiliário
Banco deve ter R$ 2,3 bi neste ano para imóveis
de R$ 150 mil a R$ 350 mil | Instituição diz que, por
enquanto, não focará classe média baixa porque
não tem como concorrer com Caixa no segmento
JULIANA ROCHA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Banco do Brasil venceu
a queda-de-braço com a Caixa Econômica Federal e poderá entrar
no mercado de crédito imobiliário. A diretoria do banco
estima que o BB terá R$ 2,35 bilhões disponíveis
neste ano para financiar a casa própria. O objetivo é ter
uma carteira de R$ 4,5 bilhões em quatro anos e, assim, ficar
entre as três instituições financeiras que mais
oferecem esse tipo de crédito.
A diretoria do BB disse ontem que não quer concorrer com a Caixa. Desde
o ano passado, o BB tenta autorização do Banco Central para oferecer
crédito imobiliário e, com isso, ter acesso aos recursos do FGTS
(Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Mas havia resistência
da Caixa, que hoje detém 70% deste mercado.
O vice-presidente de Finanças do BB, Aldo Luiz Mendes, disse que o banco
quer começar com o financiamento de imóveis que custem entre
R$ 150 mil e R$ 350 mil. O valor médio a ser financiado é de
R$ 80 mil. Ou seja, o cliente-alvo é de classe média alta, com
renda mensal acima de cinco salários mínimos. Na maioria, estima
o diretor, serão clientes com salários a partir de dez mínimos.
" No primeiro momento, não focamos na classe média baixa.
Não há como concorrermos com a Caixa, que tem 70% deste mercado",
disse Mendes. A Caixa não quis comentar a decisão dada ontem pelo
CMN (Conselho Monetário Nacional) para o BB operar nesse mercado. A assessoria
de imprensa disse apenas que o banco não mudará de estratégia.
A atuação do BB neste mercado será limitada. A resolução
do CMN diz que os bancos que operam com crédito rural, caso da instituição,
poderão usar 10% de sua captação futura da poupança
para o crédito imobiliário. Os bancos que operam com crédito
imobiliário também poderão atuar com financiamentos rurais.
A Caixa está, portanto, livre para entrar no mercado de crédito
rural. Mas até o diretor de Liquidações do BC, Gustavo
do Vale, disse que não há chances de isso acontecer. "A
Caixa dificilmente entrará no mercado de crédito rural",
disse.
A estimativa do diretor do BC é que o estoque de recursos para o crédito
imobiliário cresça em R$ 3,2 bilhões em um ano. O volume
de recursos para o crédito rural não será menor porque
existem bancos comerciais com interesse neste mercado, disse. Ele crê que
o potencial de novos recursos para o crédito rural seja de R$ 7 bilhões,
considerando que a Caixa não vai concorrer no filão. Contando
com os recursos da Caixa, esse potencial iria a R$ 12 bilhões. Hoje,
só três bancos e duas cooperativas operam com crédito rural.
O BB já tem uma carteira de crédito imobiliário de R$
350 milhões com recursos captados pelo banco. Agora, lembra Mendes,
o BB emprestará por meio do SFH (Sistema Financeiro de Habitação).
Com isso, só neste ano poderá contar com R$ 1 bilhão do
FGTS.
Com carteira de R$ 4,5 bilhões, o BB teria menos de 10% do estoque de
crédito imobiliário atual. Segundo o BC, o estoque de crédito é de
R$ 47 bilhões. No ano passado, esses financiamentos cresceram 28,5%.
Mas os recursos disponíveis são maiores. O SBPE (Sistema Brasileiro
de Poupança e Empréstimo) tem R$ 191,5 bilhões disponíveis
para financiamentos imobiliários.
Amarillys Romano, da consultoria Tendências, aposta que a entrada do
BB no setor será um estímulo para que o crédito imobiliário
cresça mais a partir deste ano. "O Banco do Brasil tem uma atuação
no interior, em áreas mais voltadas para o agronegócio, onde
nem a Caixa chega", disse.
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Diário Vermelho, 28
de março de 2008
Centrais debatem Previdência
com senador Paulo Paim (PT)
Em reunião ocorrida na
terça-feira (25) com as centrais sindicais, o senador Paulo Paim
(PT-RS) apresentou o texto da Proposta de Emenda Constitucional (PEC)
de sua autoria que estabelece idade mínima para a concessão
de aposentadoria no regime geral de Previdência Social, bem como
regra de transição.
Segundo o presidente da Central
dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, que
participou da reunião, o senador explicou que a PEC estabelece
sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição,
se homem, e cinqüenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição,
se mulher. E veda a aplicação de qualquer tipo de redutor
sobre o valor do salário-de-benefício.
Wagner Gomes explica que o combate ao “fator previdenciário” deve
ser o centro da luta pelo direito à aposentadoria.
“ A Lei do Fator Previdenciário tem provocado controvérsia
por causa de seu caráter restritivo à aposentadoria por tempo de
contribuição, penalizada com crescentes descontos nos proventos”,
diz ele. Esses descontos são calculados por uma fórmula matemática
cujo principal fator de redução do valor das aposentadorias, uma
vez cumprido o critério do tempo de contribuição, é a
expectativa de sobrevida das pessoas, estimada anualmente pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE).
Jornadas do 1º de Maio
Para o presidente da CTB, a regra do “fator previdenciário” foi
estabelecida para inibir a aposentadoria por tempo de serviço.
“ O fator previdenciário representava um dos objetivos macroeconômicos
do governo FHC e não tem sentido a sua continuidade num país que
precisa valorizar os trabalhadores, inclusive para impulsionar o seu desenvolvimento”,
diz ele. Segundo Paim, no aspecto social o “fator previdenciário” é perverso
ao privilegiar a aposentadoria por tempo de contribuição tardia
e punir, drasticamente, a considerada “precoce”.
Wagner Gomes ressalta que a luta pelo fim do “fator previdenciário” é uma
bandeira que deve ser incorporada como uma das mais importantes pelas centrais
sindicais nas jornadas do 1º de Maio. O fator previdenciário prejudica
principalmente os trabalhadores mais pobres e menos especializados que, por
força das circunstâncias, são levados a ingressar mais
cedo no mercado de trabalho e que, para garantir o benefício integral,
devem permanecer mais tempo trabalhando”, explica.
“ No entanto, com o avançar da idade, a maioria deles não
consegue emprego estável, o que impossibilita a manutenção
de uma contribuição regular para a previdência”, finaliza.
Portal da CTB
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Folha de São Paulo,
28 de março de 2008
Governo quer mudar uso de recursos
do Sistema S
Proposta prevê que aplicação
de 40% da receita teria de seguir regras previstas em lei | Projeto é polêmico
porque, desde os anos 40, entidades têm autonomia para decidir
seus objetivos e prioridades; centrais apóiam proposta
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo lançou ontem uma proposta para disciplinar a aplicação
de R$ 4,8 bilhões anuais hoje geridos livremente pelas confederações
empresariais da indústria, do comércio e outros setores.
Trata-se de 40% da receita do Sistema S, o conjunto de entidades privadas de
serviço social e formação profissional mantidas com contribuições
cobradas sobre a folha de pagamento das empresas, cuja atuação
vai de cursos de qualificação profissional até colônias
de férias e centros de lazer. No cenário imaginado, entidades
como Senai e Senac passariam a seguir diretrizes fixadas em lei para o uso
de suas verbas.
O projeto é potencialmente polêmico porque, desde os anos 40,
quando foi iniciado o sistema, as administrações estaduais das
entidades têm autonomia para decidir seus objetivos e prioridades.
Nos últimos anos, várias tentativas de eliminar ou reformar o
sistema esbarraram na resistência de confederações como
a CNI (indústria) e a CNC (comércio), responsáveis pela
gestão dos recursos. Um dos argumentos sempre lembrados pelos defensores
do sistema é que o presidente Lula se formou torneiro mecânico
pelo Senai.
Não por acaso, o ministro da Educação, Fernando Haddad,
foi cauteloso ao anunciar a proposta, que, disse, será discutida "sem
pressa nenhuma". "Estamos criando um clima de debate para uma possível
reforma."
A idéia é induzir as entidades a usar o dinheiro na oferta de
cursos profissionalizantes gratuitos de nível médio para estudantes
oriundos de escolas públicas ou com bolsa integral em estabelecimentos
particulares. Os 2 milhões de vagas estimados beneficiariam ainda quem
usa o seguro-desemprego.
Para isso, haveria um fundo nacional formado por parte da arrecadação
do sistema, e 80% dos recursos seriam distribuídos conforme o número
de matrículas nos cursos gratuitos -o restante do dinheiro seria repartido
conforme a população do Estado.
Receita
de R$ 8 bi
As empresas de médio e grande portes destinam atualmente 2,5% da folha
de pagamentos às entidades do Sistema S do setor em que atuam, gerando
receita estimada, neste ano, em R$ 8 bilhões.
Na proposta do governo, 1,5% da folha de pagamento passaria ao fundo. As entidades
manteriam a autonomia no uso do restante da arrecadação tributária
e de suas receitas adicionais com, por exemplo, a oferta de cursos pagos.
No diagnóstico apresentado por Haddad, o sistema hoje é falho
devido à falta de transparência, à ausência de critérios
para o atendimento, por priorizar cursos profissionalizantes de curta duração
e por não ser orientado à gratuidade, o que, afirma, implica
em "elitização" do público-alvo. Após
a apresentação, ele atribuiu os problemas ao fato de a legislação
atual não prever regras que inibam esses problemas.
Idéias
em debate
O governo não conta com um projeto de lei pronto para ser enviado ao
Congresso. As idéias apresentadas ainda serão discutidas "com
a sociedade" e terão de passar pelo crivo da Casa Civil. Embora
sejam contabilizadas na carga tributária nacional, as contribuições
ao sistema não são consideradas dinheiro público e, portanto,
não precisam seguir as diretrizes do Orçamento da União.
Por meio de nota, a CNT (transportes) se manifestou favorável à proposta.
Procuradas pela Folha para comentar as propostas, a CNI, a CNC e o conselho
nacional do Sesi não haviam se manifestado até o fechamento desta
edição.
Avaliação positiva
A Força Sindical avalia que a proposta é positiva e pode ajudar
a resolver o problema da falta de mão-de-obra especializada no país.
" O Brasil avançou no setor de tecnologia, as fábricas se
modernizaram, mas os trabalhadores nunca tiveram a oportunidade de acompanhar
esse investimento. Vários setores sofrem com o problema da falta de mão-de-obra
qualificada. Por isso, qualquer mudança no sentido de aumentar os cursos
de formação profissional é positiva", disse Paulo Pereira
da Silva, presidente da Força.
Para Ricardo Patah, presidente da UGT, uma das propostas mais interessantes é a
que prevê que parte dos recursos seja repassada para as escolas públicas
fundamentais.
" Os recursos desse sistema são canalizados somente para algumas
categorias profissionais. Não havia a participação ampliada
da sociedade nesses recursos. A proposta é o início de mudança
importante para o país. As escolas fundamentais são as mais carentes."
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Folha de São Paulo,
28 de março de 2008
Construção civil teme
falta de insumos para as obras
Após crescimento acelerado, FGV vê ano "crítico"
TATIANA RESENDE
DA REDAÇÃO
A demanda aquecida começa
a preocupar as indústrias da construção civil com
uma possível crise de desabastecimento de insumos. Sondagem da
FGV (Fundação Getulio Vargas) com empresários do
setor mostra que, no segmento de materiais de construção,
a possibilidade de não atender encomendas em decorrência
do esgotamento da capacidade produtiva aumentou de 39%, em 2005, para
57%, neste ano.
O percentual é, de longe, o maior entre os setores da indústria
de transformação pesquisados, que englobam ainda bens de consumo,
bens de capital e bens intermediários -todos em torno de 30%.
Ainda assim, as taxas médias de expansão da capacidade produtiva
em materiais de construção -5% em 2007 e previsão de 9%
em 2008- são as menores dentro da indústria. Já para o
triênio 2008-2010, a perspectiva se inverte e o percentual (28%) é o
maior.
" A preocupação [com o desabastecimento] existe, mas, se todo
mundo se planejar, é possível ter isso sob controle", avalia
João Claudio Robusti, presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria
da Construção Civil) do Estado de São Paulo. As empresas
de médio porte, diz, são as que inspiram mais cuidado, pois as
grandes estão fazendo contratos de longo prazo para evitar problemas no
andamento das obras, que duram, em média, 18 meses.
Por meio de nota, a Abramat (Associação Brasileira da Indústria
de Materiais de Construção) disse que "os investimentos
no aumento da capacidade de produção se mantêm superiores
ao crescimento do PIB [Produto Interno Bruto]". Pesquisa da entidade mostrou
que 61% das empresas consultadas pretendem fazer investimentos relevantes nos
próximos 12 meses.
Ano crítico
Para Ana Maria Castelo, consultora da FGV Projetos que apresentou palestra
sobre o tema ontem na sede do sindicato, "o ano de 2008 será o
mais crítico" porque os investimentos feitos pela indústria
quando a demanda começou a ficar aquecida ainda não estarão
plenamente disponíveis, com o necessário aumento na capacidade
de produção. O PIB da construção civil caiu 7,3%
de 2001 a 2003 e cresceu 21,7% entre 2004 e 2007.
Por isso, afirma, é fundamental que haja maior planejamento das construtoras
para evitar atrasos nas obras. "Numa perspectiva de curto prazo, pode
haver gargalos localizados", alerta, citando como exemplo a falta de cimento
que ocorreu no Centro-Oeste no segundo semestre do ano passado.
Nos últimos 12 meses, foi justamente o cimento que teve a maior variação
nominal (25,88%) entre os insumos comprados pelas construtoras no Estado de
São Paulo, seguido de concreto (14,88%), brita (13,24%) e areia (10,36%).
No mesmo período, o CUB (Custo Unitário Básico) registrou
alta de 7,58%, puxado pelos materiais (7,95%). Já o INCC (Índice
Nacional da Construção Civil), também medido pela FGV,
subiu 6,18%.
Ana Maria cita como um dado positivo o fato de que o nível de utilização
da capacidade instalada é menor nas indústrias de material de
base (83%) -cimento, aço, tubos e conexões- do que nas de material
de acabamento (86%).
Outro entrave apontado pela pesquisadora é a mão-de-obra, pois
faltam trabalhadores qualificados, o que valoriza os salários dos que
estão no mercado.
Financiamento
Os dados da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito
Imobiliário e Poupança) indicam que o mercado deve continuar
aquecido. Os financiamentos imobiliários com recursos da poupança
atingiram R$ 20,3 bilhões nos 12 meses terminados em fevereiro, o dobro
do movimentado no período anterior. Em quantidade, 213.269 unidades
foram financiadas, contra 120.342 nos 12 meses anteriores.
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Agência Brasil, 28
de março de 2008
Fecomércio apresenta propostas
para a reforma trabalhista
São Paulo - A Federação
do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) apresenta
hoje (28) ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, propostas para a
reforma trabalhista. A reunião será às 11h30
na sede da instituição.
Em 2005, a entidade realizou
ciclo de debates para discutir alternativas a fim de solucionar os principais
entraves que dificultam o crescimento econômico sustentado do país.
Entre as sugestões apresentadas estão a redução
da tributação sobre a folha de pagamento e manutenção
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com adaptações
referentes ao seguro-desemprego.
De acordo com a assessoria
de imprensa da Fecomercio, a entidade defende ainda a garantia da representação
coletiva de interesses dos trabalhadores e a substituição
da extensa legislação de direitos individuais por uma
lista enxuta de direitos básicos, de forma que as entidades
sindicais possam ampliar a margem de negociação em questões
trabalhistas, exercendo, de fato, sua função.
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Folha de São Paulo,
28 de março de 2008
BC prevê inflação
acima da meta e sinaliza alta de juros
Banco eleva projeção de alta
do PIB de 4,5% a 4,8% e do IPCA de 4,3% a 4,7% | Diretor do BC argumenta
que agir com rapidez contra expectativa de alta de preços
minimizaria a intensidade da ação
NEY HAYASHI DA CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em meio à crise financeira
externa, o Banco Central elevou de 4,5% para 4,8% sua projeção
para o crescimento da economia neste ano, reforçando ainda mais
as indicações de que um aumento nos juros está cada
vez mais próximo. Segundo o BC, o forte ritmo de expansão é o
principal fator a ameaçar o cumprimento das metas de inflação
do governo.
A avaliação consta do Relatório de Inflação,
divulgado pelo BC a cada três meses com análise da conjuntura
econômica do país. Além da nova estimativa para a expansão
do PIB (Produto Interno Bruto), o documento também traz uma elevação
nas projeções para a inflação.
A expectativa do BC é que o IPCA (Índice de Preços ao
Consumidor Amplo) suba 4,7% neste ano e 4,8% em 2009. Antes, previa um aumento
de 4,3% e 4,7%, respectivamente. As contas foram feitas considerando que a
taxa Selic e a cotação do dólar vão variar, nos
próximos meses, de acordo com as expectativas do mercado financeiro
colhidas em levantamento feito há duas semanas.
As novas projeções de inflação não estão
muito distantes da meta de 4,5%. Ainda assim, o diretor de Política
Econômica do BC, Mário Mesquita, disse que isso não significa
que o cumprimento do objetivo não está ameaçado. A meta
de inflação está em 4,5% desde 2005. Embora tenha ficado
acima ou abaixo dela no período, a alta do IPCA ficou sempre dentro
da margem de tolerância do BC, hoje de dois pontos percentuais para cima
ou para baixo.
" Não existe um número mágico [de inflação
projetada] que faz com que o Banco Central decida isso ou aquilo. O Banco Central
que espera a inflação divergir muito da meta para atuar tende a
atuar de forma muito mais intensa e por muito mais tempo", disse.
O aperto monetário seria necessário porque, nas palavras do diretor
do BC, "o [risco] mais importante [para a inflação] é o
descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta".
Ou seja, o consumo tem aumentado rapidamente, e há dúvidas sobre
a capacidade das empresas em atender à demanda. Esse desequilíbrio
pode levar a uma alta da inflação, risco que se reduziria caso
o BC elevasse os juros para, justamente, esfriar a economia e reduzir a propensão
ao consumo.
Para o economista Tomás Goulart, da Modal Asset Management, o relatório
do BC "deixa bem claro que o movimento é de alta [dos juros] já na
próxima reunião [do Comitê de Política Monetária
do BC]", em abril. A taxa Selic está hoje em 11,25% ao ano.
Goulart concorda que o forte ritmo do PIB pode favorecer um aumento da inflação
no futuro. "As pessoas estão consumindo cada vez mais por causa
do otimismo geral em relação à economia", disse.
Uma alta dos juros poderia, portanto, evitar que esse movimento levasse a um
aumento nos preços.
Já para Elson Teles, economista-chefe da Concórdia Corretora, é difícil
dizer se o BC elevará os juros em abril ou se aguardará um pouco
mais. Mas acha que a alta ocorrerá. "A intenção do
BC é subir os juros mesmo, para arrefecer um pouco o avanço da
forte demanda."
Teles disse que, pela atual estrutura da economia, não é possível
sustentar por muito tempo um crescimento anual superior a 5% sem pressões
inflacionárias. Esse problema, diz, só será resolvido
com investimentos em setores como o de infra-estrutura, que colabore para o
aumento da produtividade das empresas e as torne mais capazes de expandir a
produção.
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Folha de São Paulo,
28 de março de 2008
Receita maior reduz o déficit
da Previdência Social em fevereiro
LUCIANA OTONI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Previdência Social registrou
déficit (despesa maior que as receitas) de R$ 2,03 bilhões
em fevereiro, 31,2% menos que o saldo negativo de R$ 2,95 bilhões
de igual mês de 2007.
O desempenho surpreendeu o Ministério da Previdência, que esperava
déficit de R$ 2,40 bilhões. A redução expressiva
decorreu do bom desempenho da arrecadação previdenciária
que, influenciada pelo dinamismo do mercado de trabalho formal, aumentou 8,4%
na comparação com igual período do ano passado, e fechou
fevereiro em R$ 11,927 bilhões.
A despesa ficou praticamente estável, em R$ 13,954 bilhões, com
o pagamento de 25,2 milhões de benefícios.
No resultado acumulado no bimestre, as contas da Previdência refletem
o ritmo aquecido da economia neste início de ano, com maior crescimento
da receita do que da despesa.
A arrecadação aumentou 10,2% acima da inflação,
encerrando o período em R$ 23,19 bilhões, ante R$ 21 bilhões
obtidos nos dois primeiros meses do ano passado. No lado da despesa, o pagamento
dos benefícios totalizou R$ 30,33 bilhões, com alta de 8,7%.
No balanço das contas, a Previdência encerrou o primeiro bimestre
com déficit de R$ 7,14 bilhões, 4,1% maior do que o verificado
no mesmo período de 2007. De acordo com o Ministério da Previdência,
o déficit não caiu mais porque em janeiro foram pagos R$ 2,45
bilhões em sentenças judiciais.
A expansão acelerada da receita em janeiro e em fevereiro e a tendência
de crescimento em torno de 10% acima da inflação levaram o ministério
a rever para baixo a projeção do saldo negativo para 2008.
A primeira estimativa, de R$ 43,9 bilhões de déficit, foi recalculada
para R$ 43 bilhões. "É possível dizer, com segurança,
que o viés [tendência] é de baixa. O cenário continua
favorável com a recuperação do emprego e o crescimento
da economia", comentou o secretário de Políticas Previdenciárias
do ministério, Helmut Schwarzer.
Essa estimativa leva em consideração a arrecadação
total de R$ 158 bilhões e a despesa de R$ 201 bilhões. No ano
passado, esses números foram, respectivamente, de R$ 140 bilhões
e de R$ 185,3 bilhões.
Benefício com aumento
O INSS começou a pagar nesta semana os benefícios previdenciários
e assistenciais com base no novo mínimo de R$ 415 (para benefícios
com finais 1 a 5). No dia 1º de abril começam a ser pagos os benefícios
para os finais 6 a 9 e para quem ganha mais do que o salário mínimo.
Dos 25,2 milhões de benefícios, 67,9% possuem valor de até um
salário mínimo. Segundo Schwarzer, o efeito do novo mínimo
nas contas do INSS representará custo adicional de R$ 4,76 bilhões
neste ano.
A nova projeção de déficit de R$ 43 bilhões para
este ano foi feita considerando o último reajuste do salário
mínimo. No ano passado, o déficit ficou em R$ 45,3 bilhões.
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FOLHA DE LONDRINA, 28 de
março de 2008 | Política
Governo Lula tem maior aprovação
desde 2003
Brasília - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) registrou a melhor avaliação positiva em março deste
ano desde que o petista assumiu a Presidência da República em
2003, segundo a pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem. No total, 58% dos entrevistados
avaliaram o governo federal como ''ótimo ou bom'', 30% como ''regular'',
11% como ''ruim ou péssimo'' enquanto 1% não opinou. Em dezembro
de 2007, na edição anterior da pesquisa, a avaliação
positiva do governo foi de 51%.
A confiança no presidente
Lula também atingiu o melhor índice desde dezembro de 2006.
No total, 68% dos entrevistados aprovam a maneira do presidente governar
o país, contra o índice de 60% registrado em março
dezembro.
Já aprovação
ao governo Lula registrou o segundo melhor índice histórico,
com apoio de 73% dos entrevistados. Em março de 2003, o índice
chegou a 75%. Desta vez, apenas 22% desaprovaram o governo e 4% não
responderam.
A pesquisa CNI/Ibope ouviu 2002
pessoas entre os dias 19 e 23 de março, em 141 municípios
brasileiros. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais
(para mais ou menos).
O diretor de relações
institucionais da CNI (Confederação Nacional da Indústria),
Marco Antônio Guarita, disse que o bom desempenho da economia brasileira
provocou impactos positivos em todos os índices do governo federal
analisados pela pesquisa. ''Não há razão que prevalece
sobre as outras para explicar o índice a não ser o bom
desempenho da economia que está impactando no conjunto de indicadores
da pesquisa. Em todas as políticas setoriais tivemos melhorias
nos indicadores'', afirmou.
Segundo a CNI/Ibope, as avaliações
positivas ao Executivo também se refletiram no segundo mandato
de Lula. Dos entrevistados, 42% avaliam que o atual mandato do presidente é melhor
que o primeiro, contra 35% registrado em dezembro. O percentual dos que
consideram o segundo mandato pior que o primeiro caiu de 21% em dezembro
para 16%.
Gabriela Guerreiro
Folhapress
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Diário Vermelho, 28
de março de 2008
TSE cassa primeiro deputado federal
por infidelidade
Em decisão unânime,
o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o deputado federal Walter
Brito Neto (PRB-PB) por infidelidade partidária nesta quinta-feira
(27). Ele foi o primeiro parlamentar federal a ser punido por trocar
de partido após o prazo permitido pela legislação
eleitoral. Brito Neto ainda pode recorrer da sentença ao próprio
TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Antes dele, 111 parlamentares,
todos vereadores, já haviam perdido seus mandatos por infidelidade
partidária.
O Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) cassou, na sessão plenária de hoje (27), o primeiro
parlamentar acusado de infidelidade partidária. O deputado federal
Walter Brito Neto (PRB-PB) teve o pedido de decretação
de perda de seu cargo eletivo ajuizado pelo Democratas (DEM), seu antigo
partido. Por unanimidade, os ministros entenderam que não houve
comprovação nos autos pelo deputado de que teria sofrido
discriminação, como alegou em sua defesa.
O deputado havia alegado que
deixou o DEM porque os argumentos que sempre defendeu "não
se coadunam com os rumos que o partido vem tomando". Também
disse que sofria perseguição no partido.
Os ministros seguiram entendimento
do Ministério Público Eleitoral (MPE), segundo o qual
o deputado não conseguiu comprovar que teria sofrido perseguição
ou discriminação no DEM, conforme alegou.
“ Não há que se confundir justa causa para deixar o partido
com divergências políticas. Acompanho o parecer do Ministério
Público Eleitoral, que examinou detidamente a matéria”, disse
o relator do caso, José Delgado, em fevereiro.
“ Acompanho o relator. O requerido [Walter Brito Neto] não demonstrou
a perseguição por parte do partido”, disse o ministro Marcelo
Ribeiro, que havia pedido vista do processo, acrescentando, também, que
o parlamentar não conseguiu comprovar que haveria mudança de ideário
do partido para justificar a troca.
Walter Brito Neto assumiu o cargo em substituição ao ex-governador
da Paraíba Ronaldo Cunha Lima, que renunciou, em outubro de 2007, acusado
de tentativa de homicídio. Na época, o ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) Joaquim Barbosa acusou Cunha Lima de ter manobrado para escapar
de seu julgamento na mais alta corte do país.
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Gazeta do Povo, 28 de março
de 2008
POLÍTICA | POLÊMICA
Para Lula, elite do PR derrubou Severino
Lideranças políticas do estado
em Brasília dizem não ter entendido a declaração
do presidente
por CAIO CASTRO LIMA
Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Em 2005, Severino foi homenageado na Assembléia do Paraná
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou as elites paranaense
e paulista de terem sido responsáveis por derrubar o ex-deputado federal
Severino Cavalcanti (PP-PE) da presidência da Câmara Federal, em
2005. As declarações de Lula – feitas na quarta-feira,
em Recife – irritaram deputados federais do Paraná.
Segundo Lula, Severino foi eleito
porque a “oposição queria derrotar o governo, achando
que ele seria contra o governo”. O presidente disse ainda que os
oposicionistas o elegeram mas “não levou muito tempo para
perceberam que o Severino não era oposição”.
Na opinião de Lula, os adversários derrubaram o ex-deputado
da mesmo maneira que o elegeram. “Certamente, aquela parte da elite
paulista e do Paraná que o convidava para fazer palestra toda
semana, para falar mal de alguns projetos, hoje, se o encontrar na rua,
não cumprimenta”, disse Lula.
Em março de 2005, quando
ainda era presidente da Câmara, Severino veio ao Paraná e
esteve na Assembléia Legislativa, onde foi homenageado com o Pinhão
de Ouro – estatueta símbolo do Paraná – e uma
menção honrosa. Na época, Severino foi o convidado
de honra da filiação do deputado estadual Geraldo Cartário
(hoje no PDT) ao PP, partido do ex-presidente da Câmara.
Durante a visita, Severino Cavalcanti foi ainda homenageado pela Federação
do Comércio do Paraná (Fecomércio), que lhe entregou a
Ordem do Mérito do Comércio Paraná, como uma forma de
demonstrar respeito e gratidão à forma com o então presidente
do Legislativo federal se posicionava contra a Medida Provisória 232,
que previa o aumento da carga tributária aos prestadores de serviço.
Além da Fecomércio,
representada por Darci Piana, entidades como a Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Federação
da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e Sindicato e Organização
das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) entregaram listas
de reivindicações a Severino.
Hoje, dois anos depois, são
poucos os que ainda dedicam palavras de apoio a Severino Cavalcanti.
Mas a maioria não entende o que Lula quis dizer ao se referir
ao Paraná, atacando cidadãos do estado para defender o
ex-deputado. “Não tenho clareza sobre a quem o presidente
se referia. Não entendi bem”, disse o deputado federal e
presidente do PP no Paraná, Ricardo Barros, destacando que ajudou
a eleger Severino presidente da Câmara. “Ele deve ter se
referido aos que fazem parte da oposição. O Severino é nosso
amigo e o trouxemos ao Paraná. Para mim, a declaração
não serve.”
O deputado estadual Geraldo Cartário
disse que a Assembléia não homenageou Severino Cavalcanti,
mas que simplesmente o recebeu devido ao fato de ele ter vindo ao Paraná convidado
pela Fecomércio. Cartário também afirmou que não
trabalharia pela saída de Severino do comando da Câmara.
E jogou todo o caso para o PT. “Foram os deputados do PT que coordenaram
a eleição dele.”
Os petistas, porém, tiraram o corpo fora e não assumem o fato.
Jogam-no para a oposição. “O nosso candidato para presidente
da Câmara era o Luiz Eduardo Greenhalgh (PT). A oposição
quis eleger o Severino para desestabilizar o Lula. Para isso, apoiou o Virgílio
Guimarães (PT), que se candidatou à revelia do partido. O Lula
se referia à oposição”, disse o deputado federal
petista André Vargas.
A oposição, por
sua vez, não aceitou a acusação e retrucou alegando
que o presidente Lula criou uma teoria da conspiração e
faz uma inversão de valores. “O que o presidente disse ficou
ao vento. Porém, é duplamente grave. Primeiro, porque defende
o Severino. Segundo, porque fez insinuações errôneas
e graves. Lula deveria esclarecer melhor o que disse. O Paraná nunca
teve essa força (para derrubar um presidente da Câmara)”,
afirmou o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB). Para o também
tucano Affonso Camargo, “Lula devia estar em um estado de muito
entusiasmo” no discurso em Recife e acabou falando algo sem sentido.
Já o presidente
do DEM no estado, deputado federal Abelardo Lupion, disse que Severino é ligado
ao PT. “Era o pessoal do PT que o trazia ao Paraná. O
Lula tem mesmo de arrumar um jeito de defendê-lo, pois é correligionário
dele.” Para o presidente do PTB estadual, deputado Alex Canziani,
não há qualquer relação entre Severino
e o Paraná.
Divisão no PT ajudou ex-presidente
O ex-deputado Severino Cavalcanti (PP) tornou-se presidente da Câmara
Federal em fevereiro de 2005. Ele acabou se elegendo porque a base de Lula
se dividiu com o lançamento de dois petistas para a presidência
da Casa, Luiz Eduardo Greenhalgh (o candidato oficial) e Virgílio Guimarães.
A favor de Severino também havia a promessa de elevação
dos salários dos deputados. O chamado “baixo clero” da Câmara – deputados
de pouca expressão – acabou elegendo Severino.
O poder do ex-presidente, porém, durou pouco. Foram cerca de sete meses.
Ele foi acusado de receber propina para prorrogar a concessão do Restaurante
Fiorella, da Câmara. O episódio ficou conhecido como “mensalinho”.
Em setembro de 2005, Severino renunciou ao mandato de deputado para não
ser cassado. Nas eleições de 2006, ele tentou voltar à Câmara,
mas não se elegeu. (CCL)
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Folha de São Paulo, 28 de março
de 2008
Braço direito de Dilma fez
dossiê contra família FHC
Ordem para reunir dados sigilosos partiu
de secretária-executiva da Casa Civil | Erenice Guerra nega
ter se reunido com secretários do ministério para
discutir "levantamento de dados de suprimento de fundos"
LEONARDO SOUZA
MARTA SALOMON
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Partiu da secretária-executiva da Casa Civil, braço direito da
ministra Dilma Rousseff, a ordem para a organização de um dossiê com
todas as despesas realizadas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,
sua mulher Ruth e ministros da gestão tucana a partir de 1998. O banco
de dados montado a pedido de Erenice Alves Guerra é paralelo ao Suprim,
o sistema oficial de controle de despesas com suprimentos de fundos do governo.
O governo nega tratar-se de um dossiê. A interlocutores Erenice se responsabiliza
pela decisão de organizar processos de despesas de FHC, isentando a
chefe de ter tomado a decisão. Ela é conhecida como "faz-tudo" de
Dilma, sendo a funcionária mais próxima da ministra que Luiz
Inácio Lula da Silva vê como presidenciável para 2010.
Quando o trabalho começou a ser feito, corriam as negociações
no Congresso para investigar gastos com cartões corporativos do presidente
Lula. Por pressão de governistas, as investigações recuariam
ao período de governo tucano. O banco de dados avançara sobre
parte do material guardado no arquivo morto, num dos prédios anexos
do Planalto.
Um dos relatórios produzidos na Casa Civil, a que a Folha teve acesso,
mostra que os dados foram organizados de forma diversa do Suprim (Sistema de
Controle de Suprimento de Fundos), que tem os registros dos gastos do período
Lula.
Com 13 páginas, o documento registra detalhes, fora da ordem cronológica,
de diversos gastos, com ênfase nos feitos pela ex-primeira-dama Ruth
e naqueles que envolvem bebidas e itens como lixas de unha.
Na primeira semana após o Carnaval, segundo a Folha apurou, Erenice
marcou reunião no Planalto com membros da Secretaria de Administração,
da Secretaria de Controle Interno da Presidência e de outras áreas
da Casa Civil.
Solicitou que fossem cedidos funcionários de cada área para que
se criasse uma força-tarefa encarregada de desarquivar documentos referentes
aos gastos do governo anterior a partir da rubrica suprimento de fundos, que
inclui cartões corporativos e contas "tipo B" (despesa justificada
por nota depois de o servidor receber uma determinada verba).
A Folha apurou que Erenice justificou a empreitada aos subordinados alegando
ser preciso fazer o levantamento para atender a eventuais demandas da CPI dos
Cartões e destacou sua chefe-de-gabinete, Maria de La Soledad Castrillo,
para coordenar os trabalhos.
Por meio de sua assessoria, Erenice negou que tivesse tido reunião com
os secretários de Controle Interno e da Secretaria de Administração
e Diretoria de Logística, "para discutir qualquer tipo de assunto
referente a levantamento de dados de suprimento de fundos".
Mas confirmou que a Casa Civil está alimentando banco de dados com informações
do suprimento de fundos entre 1998 e 2002 e admitiu que a gestão da
base de dados é da Secretaria de Administração e o trabalho
envolve áreas de Tecnologia da Informação, Orçamento
e Finanças e Logística.
A seleção e a organização de despesas do governo
FHC durou um mês e meio, até os primeiros lançamentos das
despesas no Suprim -que seria o destino das informações. Com
a publicação da última edição da revista "Veja",
em que trechos do relatório com 13 páginas a que a Folha teve
acesso ontem foram divulgados, os dados passaram a ser digitados diretamente
no Suprim.
Por isso a Casa Civil afirma que as informações "vazadas" à imprensa
seriam fragmentos de relatórios de gastos ainda em fase de digitação.
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Gazeta do Povo, 28 de março de 2008
BRASIL | CAMPINAS
Sindicalistas são presos
sob suspeita de extorsão
Três representantes
do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários
de Campinas foram presos quarta-feira por suspeita de extorsão.
Segundo informou o delegado Rui Pegolo, da Delegacia de Investigações
Gerais, os três sindicalistas foram presos em flagrante,
na sede da empresa Master Saúde. A empresa de planos de
saúde havia feito denúncia ao Ministério Público
e à Polícia Civil sobre um pedido de R$ 600 mil para
que o sindicato apoiasse a contratação da Master
para os planos de saúde dos trabalhadores no transporte
coletivo de Campinas. Segundo informou a empresa à polícia,
o valor seria dividido em três vezes.
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Folha de São Paulo, 28 de março
de 2008
JUSTIÇA
Membros de sindicato ligado à CUT
são presos por extorsão
DA AGÊNCIA FOLHA
Três pessoas que se diziam representantes do Sindicato dos Rodoviários
de Campinas (93 km de SP), filiado à CUT (Central Única dos Trabalhadores),
foram presas anteontem em flagrante. De acordo com a Polícia Civil,
eles extorquiam a operadora do plano de saúde dos cobradores e motoristas
da cidade.
Estava no grupo o tesoureiro do sindicato, Gabriel de Souza, a advogada da
entidade, Kátia Gomide, e Marcos Cará, apontado como companheiro
dela. A reportagem não conseguiu contato com advogados que os representassem.
A prisão, filmada pela polícia, aconteceu quando representantes
do plano de saúde entregaram parte dos R$ 600 mil exigidos pelo grupo.
De acordo com o Ministério Público de São Paulo, que participou
da ação, era a primeira parcela do pagamento das concessionárias
de ônibus à operadora do plano.
Conforme a gravação da Polícia Civil, exibida pelo "Jornal
da Globo", da TV Globo, o grupo afirmou que o pagamento era necessário
diante da colaboração do sindicato com o contrato, já que
assembléia da categoria aprovou os descontos em folha que pagavam parte
dos custos do plano.
No vídeo, Gomide afirma que a prática é comum no sindicalismo.
A gravação também a mostra contente com o recebimento
do dinheiro. "Tem que tirar uma foto."
No vídeo, o grupo ameaça promover uma greve -o que poderia paralisar
o sistema de transporte coletivo em Campinas- para obrigar as concessionárias
a cancelarem o contrato com o plano de saúde caso não fossem
atendidos.
O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Matusalém de Lima,
não foi localizado para comentar a prisão. A reportagem deixou
recado na sede do sindicato.
Em nota, o presidente da CUT no Estado, Edílson de Paula, disse acreditar
na idoneidade da entidade. Ele se refere ao fato como isolado, sem precedente.
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FOLHA DE LONDRINA, 28 de
março de 2008 | Economia
A hora de virar o jogo no emprego
Especialista em desenvolvimento humano dá dicas
para quem está insatisfeito no trabalho
São Paulo - Quem trabalha desmotivado não consegue obter um bom
rendimento, comprometendo toda a performance da equipe e o resultado final
da empresa. O trabalho deve ser dotado de componentes básicos que são
a produção e a felicidade, porque produzir sem ser feliz lembra
escravidão. Mas ao invés de mudar essa realidade e apostar em
uma nova oportunidade, boa parte desses profissionais se revestem de acomodação
e medo, dois sentimentos que se tornam verdadeiras barreiras para que possam
procurar uma nova oportunidade no mercado de trabalho.
Para quem está nessa situação,
o consultor comportamental Wilson Mileris, que atua há mais de
25 anos na área de desenvolvimento de talentos humanos, aconselha
que para identificar oportunidades o candidato deve fomentar seu network.
''É importante que ele tenha informações e, se possível,
contatos com pessoas da área ou da empresa para participar da
seleção. Lembrando que a preparação deve
ser considerada como fator preponderante para habilitar-se a ocupar uma
vaga'', revela o especialista.
Mileris destaca que estar apto
exige estudo, desenvolvimento de novas habilidades, atualização
e uma postura mental adequada, não só para identificar,
mas usufruir das oportunidades que surgirem ao longo do seu caminho.
''É determinante manter uma atitude proativa, pois os selecionadores
mais experientes, via de regra, não definem o candidato só porque,
num primeiro momento, atende às exigências da posição
que irá ocupar'', explica.
Entretanto, as empresas
também devem manter uma política de qualidade que avalie
constantemente o nível de comprometimento e satisfação
do seu colaborador. Com essa medida, é possível identificar
quando alguém não está satisfeito e corrigir o
problema. ''As empresas que possuem prêmios como do PNQ - Prêmio
Nacional da Qualidade mostram a existência de práticas
comuns utilizadas para alcançar a excelência. Estas, planejam
suas ações na área de recursos humanos de forma
integrada e sustentadora aos seus negócios, criam inúmeros
e similares meios para conseguir o comprometimento de seus colaboradores
e investem fortemente em treinamento e educação criando
as competências necessárias para a realização
daqueles planos'', aponta Wilson.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
28/03/2008
Advogado sem procuração: TST
aplica multa por má-fé
Ao julgar recurso do município
de Cariacica (ES), a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho
resolveu, por unanimidade, aplicar multa de 1% e indenização
de 20% sobre o valor da causa, por litigância de má-fé.
Motivo: insistência na argumentação de que a advogada
que assinara um recurso de revista estaria em situação
regular, quando, na realidade, não havia cumprido as formalidades
legais para representação processual.
Trata-se de processo trabalhista
em que o município apelou ao TST para contestar condenação
que lhe fora imposta. O recurso de revista havia sido rejeitado pela
Primeira Turma, que o considerou inócuo por ter sido firmado por
advogada sem habilitação comprovada e sem a procuração
exigida para essa finalidade.
Diante disso, o município
insistiu em contestar a irregularidade apontada, sustentando que houve
erro de fato, pois a advogada era procuradora municipal na época
da interposição do recurso. O relator do processo, ministro
Vieira de Mello Filho, refutou a argumentação, destacando
que, na própria documentação apresentada ao TST
pelo município, está claro que sua nomeação
para o cargo se deu em data posterior ao recurso. Para o ministro, isso
demonstra desatenção para com o trato do processo ou má-fé.
Vieira de Mello destacou
que a sugestão de erro de fato, nessas circunstâncias,
merece atenção especial pois, ao não condizer
com a verdade, a argumentação levantada, “sem qualquer
constrangimento e fidelidade” com os documentos apresentados,
caracteriza situação de má-fé, conforme
prevê o artigo 17 do Código de Processo Civil. Para ele,
ficou clara a intenção do autor do recurso de influenciar
e induzir o julgador a uma decisão que lhe fosse favorável.
(ED-RR-629010/2000.1)
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28/03/2008
Prazo prescricional não atinge herdeiro
menor
O prazo prescricional para ajuizamento
de ação não corre quando o processo envolve herdeiro
menor. Este entendimento, baseado no artigo 198, inciso I do Código
Civil, foi adotado pela Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho
no julgamento de processo movido pelo espólio de um ex-empregado
da Rádio e TV Umbu Ltda., do Rio Grande do Sul. A relatora foi
a ministra Dora Maria da Costa.
Contratado em janeiro de 1980
como operador de controle mestre, o empregado passou a exercer também
outras funções, como as de cinegrafista, iluminador, operador
de vídeo, editor de comerciais para programação,
operador de videotape e operador de artes. Porém não recebeu
a respectiva contraprestação salarial por desempenhar essas
tarefas. Faleceu em janeiro de 1988.
O espólio do ex-empregado,
em nome de sua filha menor, representada pela mãe, interpôs
reclamação trabalhista contra a Umbu solicitando o adicional
de 40% por acúmulo de função, com base no cargo
melhor remunerado, amparado na Lei nº 6.615/1978 – Lei do
Radialista. A Vara do Trabalho de Passo Fundo (RS) julgou prescritas
as parcelas anteriores a 1986, mas entendeu coerente a reclamação,
e condenou a empresa a pagar o adicional, com reajustes legais e integrações
nas demais verbas, corrigidos de acordo com a lei.
A Rádio e TV Umbu buscou
reverter a decisão de primeiro grau no Tribunal Regional do Trabalho
da 4ª Região (RS). O Regional, porém, manteve a sentença
e afastou ainda a prescrição, fundamentado nas orientações
contidas nos artigos 169, I, do Código Civil de 1916 e 402 e 400
da CLT. O Ministério Público do Trabalho se pronunciou
no mesmo sentido. Em seu parecer, afirmou que, “na forma da Lei
nº 6.858/80, a representação da sucessão, na
esfera trabalhista, se realiza através dos dependentes habilitados
perante o órgão previdenciário oficial”.
No recurso ao TST, a empresa
sustentou que, de acordo com a CLT, a ausência de prescrição
só se aplica ao menor trabalhador, e que a representante legal
da sucessão do trabalhador falecido não era a filha, e
sim a viúva, que não é menor de idade.
A ministra Dora Costa observou,
em seu voto, que os dispositivos indicados como violados pela empresa
não tratavam, especificamente, da matéria em debate no
processo - a incidência ou não da prescrição
da pretensão do direito do herdeiro menor, uma vez que o TRT/RS
baseou-se no Código Civil. A empresa também não
conseguiu demonstrar a existência de divergência jurisprudencial,
e, desta forma, o recurso não poderia ser reconhecido. A relatora
lembrou ainda que, de qualquer forma, a Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do TST já tem entendimento
no mesmo sentido da decisão do TRT/RS.(RR-84013/2003-900-04-00.6).

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