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NCST, 29 de março
de 2008
Cidades de 35 países vão
apagar a luz por uma hora contra a mudança climática
Cidades de 35 países de todo o mundo, incluindo o Brasil, se inscreveram
até o momento para participar da "Earth Hour", uma iniciativa
contra a mudança climática lançada pelo Fundo Mundial
para a Natureza (WWF) na Austrália. Além do Brasil, a lista
do WWF inclui Espanha, Argentina, Bolívia, México, Uruguai
e Venezuela, entre vários outros países.
A "Earth Hour" consiste em apagar neste sábado, das
20h às 21h, luzes e eletrodomésticos por uma hora."A
mobilização se transformou em um acontecimento mundial
muito maior do que poderíamos imaginar", disse hoje o porta-voz
da organização, Andy Ridley.
"Já são quase 400 cidades, 18.876 empresas e 257.165
cidadãos que se registraram na página do evento, mas
sabemos, pela experiência do ano passado, que muitas pessoas
apagam as luzes sem se inscrever", disse Ridley. Em 2007, a "Earth
Hour" aconteceu somente em Sydney e reuniu mais de 2 milhões
de pessoas, segundo uma pesquisa, além de 2.100 empresas, cinemas,
teatros, restaurantes, bares, discotecas, clubes esportivos, escolas
e igrejas.
Os organizadores acreditam que a edição deste ano vai
superar os 30 milhões de pessoas na Austrália, Canadá,
Dinamarca, Estados Unidos, Filipinas, Israel, Irlanda e Tailândia,
entre outros. É "surpreendente como alguns países,
nos quais não há nem representação do WWF,
também estão preparando atos espetaculares", expressou
Ridley.
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Agência Diap,
29 de março de 2008
RESUMO DA SEMANA
Congresso travado por MPs;
popularidade de Lula cresce
Esta semana, os plenários da Câmara e
do Senado permaneceram travados por medidas provisórias.
Na Câmara são 13 MPs, e no Senado cinco. Desse
modo, as duas Casas do Congresso repetirão na próxima
semana o que fizeram nesta – infindáveis negociações
dos líderes partidários para votação
das matérias em plenário.
Enquanto no Parlamento os congressistas estão às voltas
com as medidas provisórias, o presidente Lula nada de braçada
na política brasileira e surfa na onda de sua crescente popularidade.
Em meio à paralisia do plenário, na Comissão
de Constituição e Justiça, o relator da reforma
tributária (PEC 233/08), deputado Leonardo Picciani (PMDB/RJ),
leu seu relatório à proposta, que deverá ser votada
na próxima quarta-feira (3). No Senado, Francisco Dornelles
(PP/RJ), relator da Subcomissão Temporária de Reforma
Tributária, apresentou, nesta quinta-feira (27), versão
preliminar de relatório com sugestões de mudanças
no sistema tributário brasileiro.
Os demais destaques da semana são a cassação,
pelo TSE, do primeiro mandato por infidelidade partidária; vazamento
de informações da Casa Civil sobre gastos com cartão
corporativo no Governo FHC; marcha dos servidores em Brasília;
debate sobre a redução da jornada de trabalho; e vetos
presidenciais.
Popularidade de Lula
O Governo Lula registrou avaliação positiva de 58% em março
deste ano, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira. O índice é o
mais alto desde março de 2003, primeiro ano de Lula na Presidência
da República. Somente 11% dos entrevistados avaliaram o Governo
Federal como ruim ou péssimo, enquanto 30% consideraram a condução
do Governo como "regular".
Em dezembro de 2007, na última edição da pesquisa
CNI/Ibope, a avaliação do Governo foi de 51%. Em março
de 2003, o índice de aprovação ao Governo Federal
também foi de 51% - o que foi considerado pela CNI/Ibope como
um crescimento considerável para a avaliação do
Governo Federal.
Reforma tributária
O deputado Leonardo Picciani (PMDB/RJ) leu seu relatório à reforma
tributária (PEC 233/08), nesta quinta-feira (27), na Comissão
de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).
Ele incluiu no texto a extensão da cobrança do ICMS em
2% na origem para os estados produtores de petróleo e energia
elétrica. Esse foi o ponto mais polêmico de seu parecer.
A proposta do Executivo transfere a cobrança do ICMS do estado
produtor para o consumidor, mantendo 2% para incentivar a fiscalização,
mas excetua os dois setores. A matéria será votada na próxima
quarta-feira (3), na CCJ. Depois, será examinada por uma comissão
especial, de mérito.
No Senado, Francisco Dornelles (PP/RJ), relator da Subcomissão
Temporária de Reforma Tributária, também apresentou,
nesta quinta-feira, versão preliminar de relatório com
sugestões de mudanças no sistema tributário brasileiro.
Na proposta, ele sugere a criação do Imposto Nacional
sobre Valor Adicionado (IVA Nacional), nele incluindo o Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). As
receitas oriundas do novo tributo serão partilhadas entre União,
estados e Distrito Federal.
A inclusão do ICMS na base ampla do IVA Nacional é uma
das diferenças fundamentais entre a proposta do senador e a
solução adotada pelo Governo em seu modelo de reforma
tributária, encaminhado em fevereiro passado ao Congresso. A
opção do Governo foi pela preservação do
ICMS, embora defenda a fusão das 27 legislações
estaduais sobre o imposto.
Mandato parlamentar
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgou procedente o pedido de decretação
de perda do mandato do deputado federal Walter Brito Neto (PRB/PB), formulado
pelo Diretório Nacional do Democratas (DEM), por infidelidade
partidária. O DEM pediu o cargo na Câmara dos Deputados
com base na Resolução do TSE 22.610/07, que fixou o entendimento
de que o mandato pertence ao partido. O parlamentar deixou o DEM, partido
pelo qual foi diplomado, e se filiou ao Partido Republicano Brasileiro
(PRB).
Sempre que o TSE atender ao pedido de um partido para retomar o mandato
de um deputado, a matéria será encaminhada à Câmara
onde a Mesa Diretora analisará a decisão do tribunal,
assegurando ao deputado ampla defesa. Se a Câmara acatar a decisão,
o suplente terá 30 dias para assumir, prorrogável por
mais 30.
Vazamento de informações
De acordo com a reportagem da Folha de S.Paulo, foi a secretária-executiva
da Casa Civil, Erenice Alves Guerra, braço-direito de Dilma Rousseff,
quem deu a ordem para a organização do dossiê.
Quando o trabalho começou a ser feito, corriam as negociações
no Congresso para investigar gastos com cartões corporativos
do presidente Lula. Por pressão da base aliada, as investigações
recuariam ao período de governo tucano.
Com 13 páginas, o documento registra com detalhes e fora da
ordem cronológica diversos gastos, com ênfase nos feitos
por Ruth Cardoso e naqueles envolvendo bebidas e itens como lixas de
unha e veludo alemão.
Marcha dos servidores
Uma atividade que reuniu a CUT e várias entidades de diversos
setores públicos colocou mais de 5 mil servidores públicos
em marcha na Esplanada dos Ministérios, nesta quinta-feira (27).
Entidades filiadas à Condsef (Confederação dos Trabalhadores
no Serviço Público Federal) participaram em massa da atividade.
No Congresso, centenas de servidores acompanharam o lançamento
da campanha em defesa da aprovação das Convenções
151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)
que tratam da regulamentação da negociação
coletiva e devesa da estabilidade no setor público. A Condsef
deve promover ações para destacar a importância
da aprovação dessas convenções internacionais.
Jornada de trabalho
Em audiência pública realizada nesta quinta-feira (27) na
Comissão de Trabalho da Câmara sobre o PL 7.663/06, do deputado
Daniel Almeida (PCdoB/BA), que reduz a jornada de trabalho de 44 para
40 horas semanais, patrões e trabalhadores expressaram posições
antagônicas sobre o tema.
Está claro que a proposta divide em posições
distintas os trabalhadores representados pelas centrais sindicais e
os patrões, sob a representação das confederações
de empregadores – da indústria (CNI), da agricultura (CNA)
e dos transportes (CNT).
Vetos
Congresso mantém todos os vetos analisados na sessão desta
quinta-feira. Depois de pouco mais de dois anos sem deliberar sobre vetos
presidenciais a proposições do Legislativo, o Congresso
Nacional deu início, nesta quinta-feira (27), ao esforço
para desbastar uma extensa lista de tarefas.
Deputados e senadores debruçaram-se sobre uma cédula
de votação com 74 itens vetados em 19 projetos, todos
considerados consensuais. O resultado dessa votação,
apurado pela Secretaria Especial de Informática do Senado (Prodasen),
foi informado ao final da sessão deliberativa do Senado: o Congresso
manteve todos os 74 vetos analisados.
Durante a sessão do Congresso, o presidente do Senado, Garibaldi
Alves (PMDB/RN) - que preside também o Congresso Nacional incluiu
a deliberação sobre os vetos entre as prioridades de
seu mandato - fez a leitura de 15 novos vetos encaminhados ao Legislativo
pelo presidente da República. Garibaldi frisou que a Constituição
federal determina que, uma vez lidos em plenário, os vetos devem
ser apreciados em sessão conjunta do Senado e da Câmara
em 30 dias.
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Agência Diap,
29 de março de 2008
CARTÃO MAGNÉTICO
Carteira de trabalho: novo
documento entrará em vigor a partir de 1º de
maio
Em visita de cortesia à Comissão de
Trabalho da Câmara dos Deputados, esta semana, o ministro
do Trabalho e Emprego (MTE), Carlos Lupi, adiantou o novo
modelo da carteira de trabalho que será lançada
no dia 1º de maio, Dia do Trabalhador.
O novo documento será um cartão magnético, com
marca d'água, com todas as informações necessárias
ao trabalhador. Lupi disse ainda que a nova carteira servirá de
documento de identidade aqui e em todos os países com os quais
o Brasil mantém relações diplomáticas.
Outra agenda divulgada pelo ministro foi a campanha que terá início
em abril, “O marco zero do Trabalho escravo”. A campanha
têm o objetivo de eliminar de um a vez por todoas o trabalho
análogo à escravo no País.
Carteira de trabalho
Instituída pelo Decreto 21.175, de 21 de março de 1932,
e posteriormente regulamentada pelo Decreto 22.035, de 29 de outubro
de 1932, a Carteira de Trabalho e Previdência Social tornou-se
documento obrigatório a todas as pessoas que prestam algum tipo
de serviço a outra, seja na indústria, no comércio,
na agricultura, na pecuária ou mesmo de natureza doméstica.
É por meio dela que o trabalhador tem garantido os principais
direitos trabalhistas, tais como seguro-desemprego, benefícios
previdenciários, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS) e Programa de Integração Social (PIS).
O Ministério do Trabalho e Emprego registrou, em 2007, a emissão
de mais de cinco milhões de novas carteiras de trabalho. (André Santos)
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Agência Diap,
29 de março de 2008
ESTABILIDADE DO DIRIGENTE
Dirigente de entidade sem
registro no MTE tem estabilidade, decide TST
O Tribunal Superior do Trabalho vem negando recursos de empresas em
processos que envolvem a estabilidade de dirigentes sindicais eleitos
para instituições ainda não registradas no Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE).
O caso mais recente foi julgado pela Terceira Turma do TST, que manteve
a reintegração de um empregado da Sociedade Cooperativa
de Serviços Médicos de Curitiba e Região Metropolitana – Unimed
Curitiba, eleito para o cargo de secretário-geral do Sindicato
dos Empregados em Cooperativas de Serviços Médicos do
Estado do Paraná (Secoomed/PR).
A ação teve início em maio de 2006, quando o
empregado foi demitido sem justa causa e ajuizou reclamação
trabalhista contra a Unimed, na 19ª Vara do Trabalho de Curitiba,
com pedido de liminar. Ele pretendia, entre outros pedidos, a reintegração
no emprego. Seu ingresso na empresa se deu em outubro de 1994, como
auxiliar administrativo.
Mais tarde, quando exercia a função de assistente de
processos e projetos, foi eleito secretário-geral do Secoomed,
criado em fevereiro de 2005. O sindicalista informou que também
era presidente da Associação dos Funcionários
da Unimed Curitiba (Afuc).
Reintegração
A decisão de primeiro grau lhe foi favorável. A empresa
recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR),
que manteve a decisão que determinou a reintegração
do empregado à empresa. Informou o Regional que o processo de
registro do Secoomed já havia sido iniciado, tramitava no Ministério
do Trabalho, tinha ata de assembléia de criação
do sindicato e da eleição do reclamante.
O estatuto da entidade já estava registrado em cartório
e no CNPJ, além de o empregador ter sido comunicado da existência
da entidade. Entendeu assim desnecessário o registro no órgão
competente para assegurar ao empregado a garantia no emprego.
Inconformada com o julgamento, a empresa interpôs recurso de
revista no TST, sustentando que a falta de registro do sindicato no
MTE era motivo suficiente para confirmar a ausência de estabilidade
do empregado. A relatora, ministra Rosa Maria Weber, rejeitou o recurso
e confirmou a decisão regional.
Garantia constitucional
Esclareceu a relatora que, “em face do papel essencial desempenhado
pelos sindicatos na busca por melhores condições de trabalho
para os integrantes da categoria, a Constituição de 1988
elevou a nível constitucional a garantia de emprego dos dirigentes
sindicais, hoje consagrada no inciso VIII do art. 8º, de modo a
lhes proporcionar maior liberdade de atuação”.
Fazendo alusão às lições do ministro e
professor Maurício Godinho Delgado, a ministra Rosa Weber afirmou
que “a estabilidade de que gozam os dirigentes sindicais, antes
de proteger individualmente o dirigente sindical, visa a resguardar
os interesses da própria categoria, na medida em que praticamente
inviabiliza a ingerência do empregador nas atividades do sindicato”.
A relatora informou que a questão da estabilidade sindical
vinculada ao registro no Ministério do Trabalho já foi
enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal, “no sentido de que
o registro apenas coroa o processo de instauração de
um sindicato, mas a garantia de seus dirigentes já existe, pelo
menos, desde o pedido do registro naquele órgão”.
Em várias oportunidades, o TST já se pronunciou na mesma
linha do STF, acrescentou a ministra, e concluiu afirmando que, “iniciado
o processo de constituição do sindicato, irrepreensível
a decisão que reconhece a estabilidade do respectivo secretário-geral”.
Os demais ministros votaram unanimemente com a relatora. (Fonte:
TST; intertítulos do DIAP)
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Diário Vermelho,
29 de março de 2008
Lula: incomodados com pesquisa,
PSDB e DEM "destilam ódio"
Diante da nova onda denuncista da mídia e dos ataques de raiva
da oposição, motivados, agora, pela acusação
sem fundamento de que a Casa Civil do Palácio do Planalto elaborou
um suposto dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso (1995-2002), de sua mulher, Ruth Cardoso, e de ministros do governo
do PSDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez mais um duro
ataque à oposição. Em discurso nesta sexta-feira
(28), na cidade de Delmiro Gouveia (AL), durante o lançamento
do programa Territórios da Cidadania no Estado, Lula afirmou que
PSDB e DEM "destilam ódio", no Senado.
"É importante lembrar que o meu partido [PT] só tem
14 senadores e o Senado tem 81. Para aprovar qualquer coisa, eu preciso
ter 41 senadores. E estão lá os nossos amigos do PSDB,
que, no primeiro momento, eu diria, trabalharam de forma civilizada.
Estão lá os nossos amigos do DEM, que tiveram tanta vergonha,
que mudaram o nome do partido, de PFL para DEM. Estão lá,
destilando ódio, destilando ódio. Ódio. Coisa
que mesmo que, quando era dirigente sindical, não conseguia
destilar ódio contra os meus adversários", afirmou
Lula.
Depois, ironizou os oposicionistas. "Deus escreve certo por
linhas tortas. A pesquisa de ontem deve ter deixado eles incomodados",
afirmou Lula, se referindo ao levantamento divulgado nesta quinta pelo
IBGE, que apontou que seu governo tem a melhor avaliação
desde o início do primeiro mandato, em 2003.
Ao final do discurso, Lula pegou uma flor de um vaso que estava no
palanque e chamou o governador de Alagoas, o tucano Teotônio
Vilela Filho, pedindo que ele o entregasse a flor. Vilela Filho, em
seu discurso, agradeceu Lula pelos investimentos do governo federal
em seu Estado. "Por tudo isso, este tucano vai jogar flores para
o senhor", disse o governador.
Renan Calheiros
Outro político que estava no palanque era o senador Renan
Calheiros (PMDB-AL), que renunciou à presidência do Senado
após ter sido acusado de usar um laranja para pagar despesas
pessoais.
Segundo Lula, denúncias feitas por adversários políticos
não podem se transformar em "verdades absolutas". "É preciso
saber quem está acusando e qual foi o crime que cometeu. Eu
não vou permitir que alguém que não tenha moral
de fazer críticas a alguém pode fazer que eu rompa a
amizade com o companheiro Renan Calheiros que nos ajudou tanto no Senado",
disse Lula.
Escandalização do nada
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, negou mais uma vez,
em entrevista à imprensa, que o governo tenha feito ou divulgado
qualquer dossiê sobre gastos com cartões corporativos
durante o governo Fernando Henrique Cardoso.
Dilma esclareceu que foi elaborado um banco de dados com informações
do atual governo e do governo anterior, e que os dados, todos sigilosos,
foram checados por fiscais e auditores do Tribunal de Contas da União
(TCU). Os fiscais não teriam encontrado irregularidades. “É a
escandalização do nada”, disse a ministra.
Dilma afirmou ainda que o governo é que foi vítima
de vazamento de informações sigilosas e não pode
ser responsabilizado pelo episódio. A revista "Veja" publicou
as informações em sua última edição
mas alegou o direito de sigilo da fonte para esconder de onde tirou
as informações.
" Seria oportuno que aqueles que divulgaram informações
que constam de um banco de dados da Casa Civil viessem a público
e assumissem, nos avisassem quem vazou. (...) O estranho somos nós,
que fomos vítimas de um vazamento, sermos responsabilizados."
A ministra ressaltou ainda que o banco de dados, que contém
mais de 20 mil informações, vai continuar sendo montado
para servir à CPI dos cartões corporativos e ao TCU quando
for necessário.
Sobre a acusação divulgada na imprensa hoje (28) de
que a secretária da Casa Civil, Erenice Guerra, teria organizado
o dossiê, a ministra disse que ela “assumiu apenas que
se trata de um banco de dados que, inclusive, contém informações
do atual governo”.
PF não vai investigar "dossiê" da
Veja
Também nesta sexta-feira, o diretor-geral da PF (Polícia
Federal), Luiz Fernando Corrêa, afirmou que os policiais federais
não investigarão o suposto dossiê montado pela
revista Veja e que, segundo a revista, partiu do Palácio do
Planalto. De acordo com ele, o tema é "político",
e não técnico.
"É um assunto que está no campo eminentemente
político e não chegou requisição alguma
para mim nesse sentido [solicitando investigações sobre
o vazamento de informações]", afirmou Corrêa,
após se reunir com o vice-presidente, José Alencar, e
o ministro Tarso Genro (Justiça), em cerimônia na sede
da PF em Brasília.
Tarso também descartou a possibilidade de a PF vir a investigar
o assunto. Para ele, a participação do Ministério
da Justiça e dos policiais federais nas apurações
seria 'instrumentalizar' os órgãos federais.
" Esse é um fato político administrativo que está no âmbito
de um contencioso político entre governo e oposição.
Os órgãos de investigação do Estado brasileiro
não podem servir de instrumento para a luta política",
disse Tarso. "Não pode servir nem a favor do governo nem
contra ele. São estruturas neutras do Estado que funcionam em
cima de fatos delituosos."
Em seguida, o ministro reiterou que não há fato algum
a ser investigado. "Aqui não está sendo apontado
nenhum fato delituoso. Há uma sindicância administrativa",
disse ele.
Da redação,
com agências
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Congresso em Foco,
29 de março de 2008
Promessas enganosas
Osiris Lopes Filho*
A proposta de emenda constitucional (PEC 233/08) apresentada ao Congresso
Nacional no final de fevereiro pelo governo Lula introduz profundas
e amplas modificações no conjunto de tributos do país.
Uma delas é a atribuição à União
da competência para criar o imposto sobre “operações
com bens e prestação de serviços”, ao qual
se tenta dar a denominação de imposto sobre valor agregado
(IVA federal), como se fora a adoção de técnica
tributária moderna.
Acena-se com a bandeira cativante da simplificação,
pois ele virá substituir a Cide dos combustíveis e a
contribuição para o PIS e a Cofins, que serão
extintas. Para evitar a exponencialização da carga tributária,
inscreve-se que tal imposto será não-cumulativo, embora
seja omitida a forma como será realizada essa não-cumulatividade.
Essa técnica de cálculo de tributo multifásico,
vale dizer, que incide sobre as várias etapas do processo econômico
desde a industrialização, comercialização
até o consumo, visa a evitar que, na nova fase de incidência,
o imposto da etapa anterior seja componente da base de cálculo.
Infelizmente o projeto apresentado não explicita o modo como
será apurada essa não-cumulatividade.
Constitui um atraso. Se a reforma objetiva aprimorar as técnicas
de cálculo dos tributos sobre vendas em geral, deveria explicitar
a forma de apuração da não-cumulatividade, como é feita
com relação ao IPI e ao ICMS na atual Constituição.
Deixar isso para a lei reguladora vai possibilitar muita manobra destinada
a elevar a carga tributária, como ocorre atualmente no âmbito
da contribuição ao PIS e à Cofins.
Os prestadores de serviço devem se precaver. A PEC define como “serviço
toda e qualquer operação que não constitua circulação
ou transmissão de bens”. Além da confusão
entre prestação de serviços e operações
a ensejar muitas controvérsias e litígios, mantém-se
o ISS (Imposto sobre Serviços), da competência dos municípios,
o que vai duplicar o montante das incidências tributárias
sobre as prestações de serviço.
Inegavelmente, o texto apresentado tem inovações. Dispõe
que o “montante do imposto integrará sua própria
base de cálculo”. É uma regra de fixação
da base de cálculo em que o tributo está incluído
no preço do bem sobre o qual incide. Diz-se que ele vem “por
dentro”. Técnica da camuflagem tributária. Esconde
o tributo do consumidor, que vai absorvê-lo. Colocar um dispositivo
desse gênero na Constituição significa exorbitância
do apetite arrecadatório e despudorado atentado à transparência
tributária. Confissão do logro e da enganação,
elevada a dispositivo constitucional.
O lamentável no conteúdo dessa PEC é a total
ausência de simulações de seus efeitos, a partir
de dados concretos da realidade, que deveriam ter sido apresentadas
ao Congresso Nacional e ao povo. Trata-se da promessa fervorosa e solene
de milagrosos melhores tempos, mas o seu autor, que apela para a fé do
público, é ateu.
*Osiris de Azevedo Lopes Filho, advogado e professor
de Direito na Universidade de Brasília (UnB), foi secretário
da Receita Federal. E-mail: osirisfilho@azevedolopes.adv.br.
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Gazeta do Povo, 29
de março de 2008
BRASIL | CARTÕES
Dilma pode ser vítima
de “fogo amigo”
Ministra disse em nota oficial
que “em momento algum” mandou “organizar
qualquer dossiê” contra FH
Brasília – O suposto dossiê com gastos do governo
Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) transformou-se desde meados de
fevereiro em objeto do desejo político da bancada petista. Por
dois motivos: porque um grupo quer aliviar a pressão sobre o
governo Lula, criando constrangimentos para o ex-presidente Fernando
Henrique, e porque um outro grupo de petistas, que não apóia
a pré-candidatura de Dilma Rousseff à sucessão
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vê com bons olhos
os problemas políticos enfrentados pela ministra-chefe da Casa
Civil.
Parlamentares do PT chegaram a se reunir com funcionários
do Palácio do Planalto encarregados de fazer o levantamento
de dados. Ficou acertado que o material só seria usado para
forçar um acordo com o PSDB para enterrar ou restringir a investigação
da CPI dos Cartões Corporativos. A principal meta do acordo
era impedir qualquer investigação sobre os gastos da
primeira-dama, Marisa Letícia, do próprio presidente
Lula, e de seus parentes de primeiro grau.
Um deputado da base governista chegou a perguntar se parte dos dados
poderia ser vazada para a imprensa. Os interlocutores palacianos observaram
que essa não seria uma boa estratégia. O vazamento poderia
irritar os tucanos e inviabilizar a operação-abafa. A
prioridade era utilizar o levantamento para forçar um acordo
com o tucanato, mas uma boa parte da bancada petista está satisfeita
em ver que a ministra Dilma vai precisar sair dos holofotes da exposição
pré-campanha presidencial.
À parte essa serventia, um dossiê miraria mesmo nos gastos
do ex-presidente FH com vinhos e champanhes, da ex-primeira-dama Ruth
Cardoso com temperos sofisticados para a cozinha do Palácio
da Alvorada e de auxiliares do tucano.
Durante encontro de parlamentares da base com arapongas palacianos,
os deputados foram informados de que havia despesas de supermercados,
feitas por meio de contas B, do ex-ministro da Educação
Paulo Renato Souza, gastos supostamente irregulares do ex-ministro
da Reforma Agrária Raul Jungmann e um excessivo número
de viagens do ex-ministro da Cultura Francisco Weffort.
Nota oficial
Dilma Rousseff disse ontem em nota oficial, que “em momento
algum” mandou “organizar qualquer dossiê” com
denúncias sobre cartões corporativos e contas B do governo
FH. Considerou “lamentável” o vazamento dos dados,
admitindo que “algumas das informações estão
cobertas por sigilo e sua divulgação contraria a legislação
vigente”. Ao negar que tenha mandado fazer um dossiê, a
ministra diz que os vazamentos foram apenas “fragmentos de uma
base de dados em fase de digitação para alimentação
do Suprim, um sistema com os gastos com Contas B, de 1998 para cá”.
CPI
Sem votos para aprovar a convocação da ministra, os
partidos de oposição começaram a trabalhar ontem
na criação de uma nova Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) exclusiva do Senado para investigar o mau uso
de verbas públicas com cartões corporativos e contas
tipo B (despesa justificada por nota fiscal depois de o servidor receber
uma verba). O DEM e o PSDB avaliam que uma CPI restrita ao Senado seria
mais frutífera, uma vez que a divisão de forças
entre governo e oposição é mais equilibrada.
Os governistas têm maioria folgada na CPI mista dos Cartões
Corporativos – dispõem de 14 votos contra 7 da oposição.
Os aliados já avisaram que vão derrubar qualquer pedido
de nova convocação de Dilma Rousseff para explicar o
suposto dossiê.
Curitiba - Ministra conversa com empresários
Curitiba – Mesmo com as coisas se complicando em Brasília,
a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, segue sua peregrinação
pelo país. Hoje ela estará em Curitiba para reunião às
11 horas com empresários paranaenses na sede da Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Na pauta do
encontro estão a situação favorável da economia
brasileira e os programas de investimento do governo federal.
Durante a reunião, os presidentes da Fiep, Rodrigo da Rocha
Loures, e da Associação Comercial do Paraná (ACP),
Avani Slomp, entregarão à ministra um documento que elenca
ações consideradas prioritárias pelas duas instituições
para o desenvolvimento da indústria e do comércio no
estado. Entre as ações, estão as obras do PAC
no Paraná, as quais até agora não sairam do papel.
A expectativa é de que a ministra, apelidade pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva como mãe do PAC, interceda
para que as obras no estado sejam agilizadas. A Federação
das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap)
também levará documento com pedidos de obras para Dilma.
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Gazeta do Povo, 29
de março de 2008
ECONOMIA | TRABALHO
Lupi defende mudanças
na lei do seguro-desemprego

Ministro quer cursos obrigatórios
para quem recebe o benefício.
São Paulo – O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, defendeu
ontem que a qualificação profissional seja gratuita e obrigatória
para os trabalhadores que quiserem receber o seguro-desemprego, benefício
concedido atualmente sem a exigência de qualquer contrapartida
após as demissões. Segundo ele, essa idéia já vigora
na Itália, mas teria de que ser aprovada por lei para ser aplicada
no Brasil. A sugestão do ministro faria parte de um projeto de
lei mais amplo, já proposto pelo ministro da Educação,
Fernando Haddad, para privilegiar com mais recursos arrecadados pelo
Sistema S (que inclui Senai, Sesi, Senac e Sesc) as entidades que oferecessem
um maior porcentual de cursos gratuitos. No ano passado, estima-se que
a arrecadação Sistema S tenha somado R$ 12 bilhões.
Porém, o ministro admite que a obrigatoriedade do curso para
o recebimento do seguro-desemprego só poderia ser exigida após
um período de experiência. “Defendo que, se der
certo, temos de apresentar um projeto de lei para tornar obrigatória
a capacitação profissional para quem quer receber o seguro-desemprego” afirmou,
após participar de reunião com a Federação
do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) em
que foram discutidas propostas para uma reforma trabalhista.
“Com isso, ajudaríamos o trabalhador a se preparar, diminuiríamos
as fraudes e os gastos com o seguro-desemprego”, acrescentou.
Segundo ele, cerca de 7 mihões de pessoas receberam o benefício
no ano passado, que é pago com recursos do Fundo de Amparo ao
Trabalhador (FAT). O número de trabalhadores que recebe o seguro-desemprego
tem crescido ano a ano, tanto que cada vez menos recursos do FAT têm
sido repassados ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES).
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Gazeta do Povo, 29
de março de 2008
ECONOMIA | TELEFONIA
Oi e Brasil Telecom vão
formar “supertele”, mesmo contra regras
Documento da Anatel não
permite fusão entre operadoras de telefonia fixa
São Paulo – Os controladores das operadoras Oi e Brasil
Telecom assinam esta semana o acordo de compra e venda, no valor de
R$ 4,850 bilhões, que dará início à formação
da chamada “supertele” nacional. O documento será enviado à Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel) e ficará condicionado à mudança
do Plano Geral de Outorgas (PGO), que rege o setor e não permite
fusões e incorporações de empresas de telefonia
fixa que operem em áreas diferentes. O processo de análise
levará, pelo menos, seis meses e a efetivação
da compra não poderá ocorrer antes desse prazo. Até lá,
Oi e BrT continuarão atuando de forma independente, como se
nenhum acordo tivesse de fato ocorrido.
Confirmações sobre o acordo, dadas por fontes que acompanharam
as negociações, fizeram as ações das duas
empresas dispararem ontem no pregão da Bovespa. Os papéis
preferenciais (PN) da BrT subiram 8,52%, os da Oi PN, 6,06%), num dia
em que a bolsa caiu 0,5%. Todos as outras ações negociadas
das duas operadoras também tiveram fortes altas. A Comissão
de Valores Mobiliários (CVM), que fiscaliza o mercado de ações,
pediu às duas empresas esclarecimentos sobre o assunto, mas
somente depois do fechamento do pregão a Oi divulgou comunicado
negando que o acordo para compra da BrT tenha sido fechado.
A formalização da compra só pôde ser iniciada
depois que os sócios Citigroup e Opportunity chegaram a um consenso,
ainda verbal, mas que deve ter a papelada assinada ainda no fim de
semana. Diante da ameaça concreta dos fundos de pensão
Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa
Econômica Federal) – também acionistas nas duas
companhias – de desistirem de todo o processo caso não
fosse colocado um ponto final na disputa judicial que se arrasta há mais
de oito anos, os dois principais litigantes concordaram com a extinção
de todos os processos, no Brasil e no exterior. E assinarão
um compromisso de não ingressar com nenhuma nova ação
na Justiça.
Oi e Brasil Telecom já possuem uma “interseção
societária”, resultado dos desdobramentos de uma privatização
imperfeita: os fundos de pensão estatais participam das duas
empresas. Por imposição da Anatel, tiveram de optar por
integrar o bloco de controle de apenas uma delas e escolheram a Oi.
O Opportunity, de Daniel Dantas, que era o gestor das participações
dos fundos e também os investidores do Citi nas operadoras,
também tem participação direta nas duas pontas.
Consumidor pode ser prejudicado
As entidades de defesa do consumidor estão preocupadas com a aquisição
da Brasil Telecom pela Oi. “Ela está contrariando um princípio
que norteou a privatização, que é a competição”,
afirmou Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste. “Parece
que as regras vão ser mudadas para favorecer interesses dos acionistas”,
disse Luiz Fernando Moncau, advogado do Instituto de Defesa do Consumidor
(Idec).
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Folha de São
Paulo, 29 de março de 2008
C&A faz acordo com Justiça
do Trabalho
Empresa vai exigir de fornecedores
que não contratem serviços de cooperativas
que não cumprem a lei trabalhista
DA REPORTAGEM LOCAL
A C&A fez um acordo com a Justiça do Trabalho de Avaré em
que se compromete a exigir de seus mais de 600 fornecedores que não
contratem prestação de serviços de cooperativas
de mão-de-obra que empregam trabalhadores sem registro em carteira
e não cumprem a lei trabalhista.
O acordo foi feito na terça-feira em conseqüência de
uma ação civil pública ajuizada em dezembro pelos
procuradores Marcus Vinícius Gonçalves e Luís Henrique
Rafael, do Ministério Público do Trabalho de Bauru. Nas
estimativas do órgão, 30 mil pessoas que atualmente trabalham
para os fornecedores da rede e para cooperativas de trabalho que prestam
serviço a esses fornecedores podem ser beneficiados.
" Essa atitude demonstra a preocupação da C&A em fazer
com que seus fornecedores cumpram a lei trabalhista, inclusive a rede já tem
em seus contratos, segundo nos informou, cláusulas que exigem esse compromisso
de seus fornecedores", afirma o procurador Marcus Vinícius Gonçalves.
A C&A informa que o acordo feito na Vara do Trabalho de Avaré "apenas
reforça as medidas que a empresa já adota em seu Código
de Conduta para Fornecimento de Mercadorias, instituído em 1995".
O MPT ingressou com ação civil pública após
os procuradores terem constatado situações degradantes
de trabalho em cooperativas que atuavam para fornecedores da C&A.
Entre os problemas verificados estão: falta de registro em carteira;
não-pagamento de férias, 13º salário, FGTS
e descanso semanal remunerado; além de ambientes de trabalho sem
condições adequadas, como banheiros suficientes, vestiários,
refeitórios, água potável, equipamentos de proteção
individual.
Segundo o procurador, a C&A deve enviar um comunicado aos fornecedores
avisando que têm prazo de até 60 dias para que não
utilizem cooperativas de trabalho que não atendam as exigências
da lei. "Se passado esse prazo ou se no futuro a rede não
cumprir o acordo homologado na Justiça pode ser multada em R$
10 mil por dia de descumprimento." (CLAUDIA
ROLLI)
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Folha de São
Paulo, 29 de março de 2008
Emergentes ganham mais poder
no FMI
Brasil está entre os quatro
países mais beneficiados pelo novo sistema de cotas
e votação, que custará mais US$ 2 bi
ao país
Pacote anunciado pelo diretor-gerente do Fundo prevê revisão
do peso dos países na instituição de cinco em
cinco anos
Eugene Salazar/Efe
O presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn,
anuncia mudanças no Fundo, em Washington
SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON
O Brasil foi um dos quatro países mais beneficiados pelo realinhamento
da divisão de cotas e de votação anunciado ontem
pelo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI),
Dominique Strauss-Kahn. A medida é resultado direto da pressão
exercida nos últimos anos por países-membros para que
economias emergentes tenham mais peso e a instituição
recupere parte da legitimidade perdida.
De acordo com o revelado ontem à tarde pelo francês, o Brasil
passa a ter uma cota de 1,78% no Fundo, ou 40% a mais do que antes. Passa
a ter também um poder de voto de 1,72%, ou 22% mais do que antes.
Só tiveram elevações maiores a China, a Coréia
do Sul e a Índia. São 185 os países-membros da instituição.
Entre as medidas do pacote anunciado pelo diretor-gerente, a mais importante é a
revisão a cada cinco anos da divisão de cotas e votação,
uma das bandeiras das economias emergentes que até a manhã de
ontem encontrava resistência de países desenvolvidos liderados
pelos Estados Unidos. Assim, o país que crescer no período
terá seu poder de fogo dentro da instituição aumentado
-e vice-versa.
Como as economias que mais cresceram neste século até agora
foram as emergentes, esse é o bloco que teoricamente mais ganha
com a medida. Além disso, muda o cálculo e o peso do PIB
(produto interno bruto) para que o crescimento de um país seja
quantificado, outra velha reivindicação dos emergentes.
Com 50%, passou a ser a variável de maior peso na fórmula,
que leva em conta também itens como reserva de mercado, abertura
da economia e reservas.
Muda ainda qual o PIB será considerado. Até então,
só valia o medido pela taxa de câmbio do mercado; agora,
será uma mistura desse e do chamado PIB de paridade do poder de
compra (PPP, na sigla em inglês), numa proporção
de 60% e 40%, respectivamente.
A vantagem para as economias emergentes é que, numa crise financeira,
a moeda local geralmente se deprecia e com isso leva para baixo o valor
nominal do PIB tradicional. Já o chamado PPP é mais estável. "Sempre
achei que mudar é melhor do que ficar como estava", disse
ontem Strauss-Kahn a jornalistas do mundo inteiro reunidos na sede do
Fundo, em Washington. "Somos a primeira e única instituição
das criadas após a Segunda Guerra [1939-45] que se mostra capaz
de organizar uma mudança assim."
"É um passo significativo, sem dúvida, mas é parte
de um processo que tem de continuar", disse à Folha Paulo Nogueira
Batista Jr., diretor-executivo do FMI, para quem o Brasil foi um dos grandes
beneficiados. O brasileiro representa no Fundo um grupo de nove países
-além do Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá,
República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago.
Ele cita como exemplo sua cadeira. Com as mudanças de ontem, o
peso foi de 2,4% para 2,8%, e a posição no poder de voto,
de 21º para 18º. Ainda assim, para o economista e colunista
da Folha, ainda há o que fazer: "Foi um passo na direção
certa, mas não resolve os problemas de governança e de
legitimidade da instituição".
Agora, os chamados "governadores", representantes de cada país
na instituição, devem votar até o final de abril
se aprovam ou não as medidas. No Brasil, o cargo é ocupado
pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que deve votar a favor. É preciso
que pelo menos 85% dos países-membros estejam de acordo; nos cálculos
de Strauss-Kahn, se a votação fosse hoje, haveria "pouco
mais de 86% a favor".
Aprovado o pacote, cada um dos países-membros leva as medidas
ao seu Legislativo, para que sejam discutidas e aprovadas. Esse processo
final pode levar vários meses.
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