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Agência Câmara,
3 de abril de 2008
Governo quer usar o Sistema S para
ampliar ensino médio
J.Batista

Na reunião, foi apresentada proposta para aumentar vagas
na educação profissionalizante.
O governo está elaborando um projeto de lei com o objetivo de reformar
e ampliar o ensino médio, usando para isso a estrutura das entidades
de educação profissionalizante do Sistema S, como o Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de
Aprendizagem Comercial (Senac). Foi o que o ministro da Educação,
Fernando Haddad, informou nesta quarta-feira aos deputados da Comissão
de Educação e Cultura e das Frentes Parlamentares que defendem
as políticas públicas para a juventude e para a educação
profissional.
A idéia é modificar
a repartição dos recursos do Sistema S, destinando uma
parte - o percentual ainda não está definido - à criação
de um fundo contábil destinado a apoiar a formação
educacional de nível médio. Segundo o ministro, os recursos
deverão ser repartidos em função da quantidade de
matrículas gratuitas ofertadas.
Apoio
da CNC
Presente à reunião, o vice-presidente da Confederação
Nacional do Comércio (CNC), Gil Siuffo, garantiu que a entidade está pronta
a colaborar. O presidente da Comissão de Educação, deputado
João Matos (PMDB-SC), sublinhou que o sentido da proposta não é interferir
no Sistema S, mas sim otimizar a oferta de vagas na educação
profissionalizante, tanto do ponto de vista da quantidade como da qualidade,
de forma a atender os jovens com idade entre 18 e 24 anos.
Os deputados Reginaldo Lopes
(PT-MG) e Alex Canziani (PTB-PR), coordenadores, respectivamente, das
Frentes Parlamentares da Juventude e da Educação Profissional,
elogiaram e comemoraram a proposta do governo, prevendo um forte impacto
positivo no ensino médio.
O ministro Fernando Haddad classificou
como "pontual" a mudança desejada pelo governo. "Não
haverá qualquer tipo de interferência no Sistema S; queremos
apenas preservá-lo e aproximá-lo da rede de educação
formal", explicou.
Recursos
da sociedade
Haddad lembrou que os recursos do Sistema S são arrecadados da sociedade,
e portanto é justo que sua aplicação tenha um cunho social. "O
princípio é de que esses recursos possam dar sustentação à educação
profissional gratuita", esclareceu o ministro.
Ele acrescentou que a proposta
terá fundamental importância para garantir a universalização
do direito de acesso ao ensino médio, e frisou que seu êxito
dependerá da mobilização de toda a sociedade - governo
federal, governos estaduais e municipais e setor privado.
O ministro ressaltou a
grande relevância social da proposta, tendo em vista o expressivo
número de jovens que deverão ser atendidos. As escolas
técnicas federais e as universidades públicas, disse
Haddad, vivem um processo de forte expansão da oferta de vagas,
mas serão capazes de absorver, até 2010, no máximo
30% dos jovens que estudam na rede pública do ensino básico.
Os demais 70%, explicou o ministro, poderão ser atendidos pelo
Sistema S.
Reportagem - Luiz Claudio Pinheiro
Edição - João Pitella Junior
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O ESTADO DO PARANÁ,
03 de abril de 2008
PSDB deve recorrer contra veto à fiscalização
de centrais
Agência Estado
O deputado Antonio Carlos Pannunzio
(PSDB-SP) disse que até esta sexta-feira (04) o seu partido deve
entrar com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra
a justificativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para vetar
a emenda, de sua autoria, que instituía a fiscalização
das centrais sindicais pelo Tribunal de Contas da União (TCU). “Está dando
um cheque em branco para a bandidagem”, disse ele, por meio da
assessoria de imprensa.
“Caí duro quando
li as razões do veto. O Planalto disse que há interferência
na autonomia dos sindicatos. Mas é unicamente questão de
dar transparência”, afirmou. Para Pannunzio, Lula está e
comportando “como líder sindical”. “Foi um deboche”,
reagiu o deputado Augusto Carvalho (PPS-DF), que tentou acabar com a
obrigatoriedade do imposto sindical, na tramitação do projeto.
Ontem, ele voltou a cobrar o STF sobre a ação protocolada
por seu partido: “Pedi liminar em janeiro para acabar com a obrigatoriedade
e não houve resposta.”
Na última quarta (02),
durante solenidade no Palácio do Planalto de sanção
da lei que regulamenta as centrais sindicais e injeta R$ 100 milhões
anuais no setor, o presidente Lula declarou que vetou a fiscalização
das entidades pelo TCU por “questão de princípio”.
Ele se referia ao artigo que o Congresso havia incluído no projeto,
obrigando as centrais a prestar contas ao TCU.
Com a nova lei, fica definida
a partilha da contribuição sindical obrigatória
- correspondente a um dia de salário por ano do trabalhador, descontado
na folha de pagamento. Lula reiterou que sempre defendeu “a liberdade
e a autonomia sindical”, que na sua opinião ficariam comprometidas
se fosse criado o controle pelo TCU.
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ESTADÃO.COM/
SÃO PAULO, 03 de abril de 2008 | Economia
Indústria aumenta o ritmo e vendas
crescem 10,9% no bimestre
Horas trabalhadas, emprego e renda do setor
também sobem no período, apontam dados divulgados pela
CNI
Renata Veríssimo, da Agência
Estado
BRASÍLIA - A indústria de transformação em fevereiro
intensificou o ritmo de crescimento da atividade, segundo os dados divulgados
nesta quinta-feira, 3, pela Confederação Nacional da Indústria
(CNI). As vendas reais - que medem o faturamento das empresas - tiveram uma expansão
de 1,5% em fevereiro, na comparação a janeiro, em termos dessazonalizados. É a
maior taxa mensal de crescimento desde junho de 2007. Na comparação
com fevereiro de 2007, a expansão das vendas foi de 11,5%. No acumulado
do primeiro bimestre, o crescimento é de 10,9%.
As horas trabalhadas - indicador que se aproxima da produção física
- subiram 1,8%, na comparação com janeiro de 2008, o que correspondeu à maior
taxa desde abril de 2005. Na comparação com fevereiro de 2007,
as horas trabalhadas subiram 8,8% e acumulam uma alta de 7,8% no primeiro bimestre,
em relação ao mesmo período de 2007.
O emprego na indústria
cresceu 0,2%, na comparação a janeiro, e 4,9%, em relação
a fevereiro de 2007. O incremento no primeiro bimestre foi de 5%,
em relação a igual período de 2007. Segundo
a CNI, é o mais alto ritmo de expansão desde 2005.
A massa real de salários
aumentou 7,2% em fevereiro, ante fevereiro de 2007. A CNI não
divulga dado comparativo com o mês anterior desse item. No
acumulado do primeiro bimestre, a massa salarial tem alta de 7,2%.
Para a CNI, o aumento da
renda do trabalhador estimula o consumo e realimenta o ciclo de expansão
da atividade industrial. A entidade informa também que o faturamento
da indústria cresce há sete meses consecutivos pela
série dessazonalizada, enquanto as horas trabalhadas apresentam
10 variações positivas nos últimos 13 meses.
O emprego industrial não registra queda há mais de
dois anos.
Capacidade instalada
Mesmo com a intensificação
da atividade industrial no mês, o Nível de Utilização
da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria de transformação
caiu de 83,1% em janeiro para 82,9% em fevereiro, em termos dessazonalizados.
Em fevereiro de 2007, o indicador havia sido de 81,7%.
O uso da capacidade
instalada caiu 0,4 ponto porcentual em relação ao
patamar de novembro, quando atingiu o maior nível de série,
que foi de 83,3%. Para a CNI, essa queda do Nuci, em um contexto
de intensificação da atividade industrial, sinaliza
aumento da capacidade produtiva, fruto da maturação
dos investimentos realizados ao longo de 2007.
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CUT, 03 de abril de 2008
"Se o salário não aumentar,
a obra vai parar!"
Operários da construção
civil de São Paulo em campanha salarial unificada
Por: Leonardo Severo
Os Sindicatos de Trabalhadores da Construção Civil do Estado
de São Paulo deram a largada nesta semana na Campanha Salarial Unificada
da categoria, que conta com o apoio e a participação das centrais
sindicais.
" Se o salário não
aumentar, a obra vai parar!", anuncia o documento das entidades,
expressando o sentimento das assembléias realizadas pelos vários
sindicatos do Estado de recuperar as perdas salariais e garantir que
o resultado do contínuo crescimento do setor seja redistribuído
nos canteiros de obras com os operários.
" A construção
civil é o setor que mais cresce no país, tendo superado
a marca dos 13% de aumento no ano passado. Em São Paulo, o crescimento
foi ainda maior: 16%. Com novas linhas de financiamento, redução
de impostos e crédito mais barato, multiplicam-se os canteiros
de obras e os empregos. Agora, nós queremos a nossa parte deste
bolo. com um aumento decente e ampliação de direitos",
declarou o presidente da Confederação Nacional de Sindicatos
de Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil
(Conticom/CUT), Waldemar Pires de Oliveira.
Segundo Waldemar, o espírito
que tomou conta dos canteiros é de que "chegou a hora de
repartir os frutos do crescimento, pois o empresariado do setor está ganhando
como nunca".
Os trabalhadores reivindicam
reajuste superior a 15%, com piso salarial de R$ 752,00 para o ajudante;
R$ 977 para o qualificado e R$ 1.271.00 para a montagem industrial.
Além disso, a categoria defende a redução da jornada
de trabalho, garantia de fornecimento de protetor solar, cesta básica
de 30 quilos, kit higiênico nos canteiros de obras e melhorias
no convênio médico.
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NCST, 03 de abril de 2008
Taxa dos que faltam ao trabalho por
doenças ligadas à falta de saneamento é de 39%,
revela FGV
A taxa de trabalhadores que não têm acesso ao saneamento básico
e que faltaram ao trabalho devido a doenças causadas diretamente pela
falta de água tratada e rede de esgoto chegou a 39,57% em 2003, de acordo
com a pesquisa Saneamento, Educação, Trabalho e Turismo.
O levantamento foi encomendado à Fundação Getúlio
Vargas pelo Instituto Trata Brasil e seus resultados foram divulgados hoje
(2) em São Paulo. Aqueles que deixaram de trabalhar e têm acesso
ao saneamento básico são 21,8%. Segundo a pesquisa, a taxa de
perda de atividade das pessoas que têm acesso a saneamento básico é 11,5%
menor do que a daqueles que não têm acesso à rede de esgoto
e à água tratada.
Quando o motivo da perda da atividade é relacionado
a doenças como diarréia e vômitos, causas diretamente
ligadas à falta de saneamento básico, o número sobe
para 29,71%. Além de dados sobre o trabalho, a pesquisa abrangeu áreas
como educação e turismo. No estudo, avaliou-se, por exemplo,
a qualidade do acesso à coleta de esgoto e seus impactos na qualidade
de vida e desenvolvimento da população de 24 pontos turísticos
do país.
A pesquisa da FGV mostra ainda
que, dos estudantes de zero a 17 anos de idade, que deixaram de realizar
atividades nos 15 dias da pesquisa por motivos de saúde, 5,92%
não tinham acesso à rede de esgoto e 5,99% tinha acesso
ao serviço.
O estudo concluiu ainda que a
nota dos estudantes que têm algum acesso à rede de saneamento
básico em casa é 18% maior do que aqueles que não
têm. Quando se analisa a existência dessa infra-estrutura
na escola, a nota dos que têm acesso às instalações
adequadas é 23,7% maior do que a da daqueles que não têm
acesso nenhum.
Na avaliação do
presidente do Instituto Trata Brasil, Luis Fernando Sartini Felli, os
investimentos em saneamento básico nos últimos 20 anos
não foram prioridade para as autoridades competentes.
“Saneamento básico
não aparece, porque o cano fica enterrado, por isso não
dá votos”, observou. Ele, no entanto, ressaltou que a mudança
mais significativa, nesse cenário, foi o fato do governo federal
ter destinado R$ 40 bilhões para obras de saneamento dentro do
Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
Sartini Felli disse que, com
isso, criam-se oportunidades para que as prefeituras elaborem projetos
viáveis para saneamento básico. “O momento é muito
produtivo e precisamos de bons projetos para que isso se encaminhe”,
observou.
Felli ressaltou que as pessoas
não reivindicam melhorias nessa área porque não
entendem a dimensão do problema. “Quando se questiona uma
dona-de-casa que tem na frente de sua casa uma vala a céu aberto
sobre sua maior necessidade, ela responde que é posto de saúde,
porque seus filhos ficam doentes. O que ela não se dá conta é de
que as crianças ficam doentes porque tem uma vala na frente da
casa”, lamentou. Ele disse ainda que projetos de saneamento básico
devem ter continuidade por serem de longo prazo.
O coordenador da pesquisa e chefe
do Centro de Políticas Sociais da FGV, Marcelo Néri, afirmou
que, o investimento em saneamento pode gerar emprego e renda. “Mas
para que isso se concretize, é preciso da intervenção
pública. Nesse sentido, o que estamos propondo é uma iniciativa
chamada 'uma privada decente por família'. É muito importante
que a população brasileira e os três níveis
de governo se conscientizem da necessidade do saneamento”, disse.
Néri destacou que o trabalhador
que adoece por problemas relacionados à falta de saneamento básico
tem um custo econômico para a empresa e, mesmo para o próprio
trabalhador, que, muitas vezes, é informal, principalmente em
famílias pobres.
“Então se
ele não trabalha, ele não ganha. A família passa
necessidade e aí inicia-se um ciclo: ele não tem dinheiro
para comprar remédio, não tem plano de saúde”,
contou. Néri lembrou que, em geral, o trabalhador doente que é hospitalizado
gera um custo muito maior do que se houvesse a prevenção às
doenças. “Para investir em saneamento gasta-se um quarto
dos recursos e as pessoas não sofrem no processo. Ou seja, é um
exemplo da grande falha de política pública no Brasil
que a gente nunca previne, só remedia”, lamentou.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
03 de abril de 2008
Caixa de supermercado receberá indenização
após desenvolver lesão
A 2ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 18 ª Região
(Goiás) manteve a condenação que obriga o Supermercado
Marcos, em Goiânia, a indenizar empregada que adquiriu a Síndrome
do Túnel do Carpo na execução do trabalho de caixa. Os
danos materiais e morais somam R$ 40 mil.
A síndrome se desenvolve
quando o nervo que passa na região do punho fica submetido à compressão.
Algumas atividades profissionais que envolvem flexão contínua
dos dedos podem desencadear sintomas de compressão do nervo.
A empregada, conforme informa
o tribunal, foi admitida em novembro de 2003 e, seis meses depois, começou
a apresentar os sintomas da doença. De acordo com os autos, a
decisão do primeiro grau se baseou na prova pericial, que entendeu
ter havido o nexo causal entre a atividade desenvolvida pela reclamante
e a enfermidade, bem como que a reclamante sofreu, em decorrência
da doença, uma redução de sua capacidade de trabalho
em 20%.
Para o relator do processo,
desembargador Platon Teixeira de Azevedo Filho, o arbitramento da indenização
mostra-se razoável considerando a extensão do dano e
a conduta da empresa, "que reconhecidamente busca adotar medidas
preventivas em prol da saúde de seus empregados – ainda
que, reconheça-se, não sejam suficientemente eficazes",
ressaltou.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
03 de abril de 2008
Coteminas é impedida de dispensar
trabalhadores doentes
A juíza Joliete Melo Rodrigues Honorato, da 7ª Vara do Trabalho
de João Pessoa (PB), deferiu o pedido de antecipação de
tutela formulado pelo Ministério Público do Trabalho em ação
civil pública contra a Coteminas.
De acordo com informações
do MPT, a empresa de propriedade do vice-presidente da República,
José Alencar, é acusada de promover dispensa discriminatória
de um empregado supostamente portador de hepatite B.
Na ação, o MPT
também pede indenização por danos morais coletivos
no valor de R$ 300 mil. Por força da antecipação
dos efeitos da tutela, a Coteminas, mesmo antes do julgamento final da
ação, terá que se abster de dispensar outros empregados
pelo fato de serem portadores de alguma doença ou em razão
de mera suspeita de estarem doentes.
Caso descumpra a decisão,
a Coteminas pagará multa de R$ 100 mil por trabalhador prejudicado,
a ser revertida ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos. Segundo a juíza
Joliete Honorato, ficou comprovado que a Coteminas rescindiu o contrato
do trabalhador logo após tomar ciência de que ele poderia
estar com hepatite B, "o que demonstra, a princípio, dispensa
discriminatória".
As provas reunidas pelo MPT durante
a investigação aberta contra a Coteminas revelaram que
o contrato foi rescindido logo após o primeiro exame de sangue
que apontou a suspeita da doença. O trabalhador foi então
submetido a um segundo exame, como é praxe nesses casos, que descartou
a sorologia positiva de hepatite B, mas ele já havia sido demitido
há um mês.
Para o procurador que propôs
a ação, Márcio Roberto de Freitas Evangelista, o
fato de a doença ter sido descartada em momento posterior à rescisão
contratual não arrefece o convencimento de que a dispensa do trabalhador
se revestiu de caráter discriminatório.
Segundo ele, as particularidades
realçadas e a ordem cronológica dos acontecimentos, se
examinadas de forma conjunta e com a necessária sensibilidade,
apenas reforçam e consolidam a impressão de que a atitude
da Coteminas foi tomada a partir da suposição de que ele
estava realmente com hepatite B.
As evidências de discriminação
fizeram com que o Ministério Público do Trabalho instasse
a Coteminas a resolver o problema na esfera administrativa, por meio
da subscrição de termo de ajuste conduta. A empresa, no
entanto, recusou a proposta, o que levou o MPT a mover ação
civil pública.
A empresa possui duas fábricas
na Paraíba, uma na capital e outra em Campina Grande.
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ÂMBITO JURÍDICO,
03 de abril de 2008
Câmara Municipal não pode
ser parte em ação trabalhista
As Câmaras Municipais não são consideradas pessoas jurídicas
de direito público interno, de acordo com o disposto no artigo 41 do
Código Civil, e, portanto, não possuem personalidade jurídica.
Por isso, não podem figurar como parte em ação trabalhista.
A decisão é da 1ª Turma do TRT-MG ao julgar recurso ordinário
de um reclamante contra a Câmara de Vereadores do município Brás
Pires, do interior de Minas. Segundo esclarece o desembargador Manuel Cândido
Rodrigues, relator do recurso, a Câmara Municipal é apenas um órgão
da Administração. “Por esta razão, não tem
aptidão genérica e abstrata, para figurar na relação
jurídico-processual, não possuindo legitimidade passiva ad causam” – conclui.
A sentença havia declarado
a incompetência absoluta da Justiça do Trabalho para julgar
a ação e determinou a remessa dos autos à Justiça
estadual comum. O reclamante recorreu, pedindo a reforma da decisão.
Mas o Ministério Público do Trabalho argüiu preliminar
de nulidade da decisão, desde a citação, em razão
da ilegitimidade passiva da Câmara Municipal.
Acatando o parecer do Ministério
Público, o relator cita jurisprudência, pela qual as câmaras
municipais possuem capacidade processual ativa e passiva no caso de defesa
de suas prerrogativas institucionais, mas para responder a ação
trabalhista movida por um de seus servidores, não possui personalidade
jurídica, mas, apenas a judiciária. Ele esclarece que só é capaz
de ser parte quem é sujeito de direitos e obrigações
nos termos da lei civil, ou seja, para ser parte é preciso ser
pessoa natural ou jurídica. No caso, o próprio Município é que
seria parte legítima para responder à ação.
Por esses fundamentos, a Turma
negou provimento ao recurso interposto pelo reclamante e declarou, de
ofício (independente de pedido das partes), a incapacidade de
ser parte da reclamada, determinando a extinção do processo,
sem resolução do mérito, nos termos do artigo 267,
IV, do CPC.
( RO nº 00378-2007-078-03-00-3
)
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ÂMBITO JURÍDICO,
03 de abril de 2008
Conciliação em núcleo
intersindical gera título executivo extrajudicial não
passível de contestação judicial
A Lei 9.958/00 regulamentou as Comissões de Conciliação
Prévia e acrescentou à CLT o artigo 625(A a H), que autorizou
as empresas e os sindicatos a instituí-las. Já o parágrafo único
do artigo 625-E estabeleceu que o termo de conciliação é título
executivo extrajudicial, com eficácia liberatória geral das obrigações
referentes ao contrato de trabalho negociado, salvo se constar ressalva expressa
quanto a determinada parcela.
Com base nesses dispositivos
legais, a 1ª Turma do TRT-MG, acompanhando voto do desembargador
Marcus Moura Ferreira, negou provimento a agravo de petição
interposto por uma empresa que pleiteava a reconsideração
de diversos itens do acordo firmado anteriormente com o reclamante junto
ao Núcleo Intersindical de Conciliação Trabalhista
Rural de Araguari, cujo título extrajudicial estava sendo executado
na Justiça do Trabalho, em face do não cumprimento dos
seus termos.
A reclamada argüia a nulidade
do título executivo assinado, ao fundamento de que havia equívocos
no termo de conciliação, como o valor atribuído
ao salário do empregado e às férias, valor excessivo
atribuído à multa por descumprimento das obrigações
pactuadas e ausência de discriminação das parcelas
previdenciárias e de FGTS. Porém, o relator ressaltou que
as partes assinaram o acordo, ratificando os termos da conciliação
levada a efeito entre elas, o que resultou na formação
do título executivo extrajudicial. “Veja-se que as próprias
partes, livremente, estipularam o teor do acordo, contando com a assistência
dos respectivos representantes das categorias profissional e econômica
que integram a comissão de conciliação intersindical”-
frisou.
Esclareceu ainda o relator que
o fato de o advogado da executada não tê-la acompanhado
no momento da assinatura não invalida o acordo, já que
não existe essa exigência legal e tendo em vista, também,
a assistência prestada pelo representante dos empregadores. “O
título executivo extrajudicial só pode ser invalidado se
devidamente comprovada a existência de vícios de consentimento
que maculam o negócio jurídico, o que não ficou
comprovado no caso em questão” – concluiu o desembargador,
rejeitando a argüição de nulidade do título
executivo fundado no acordo extrajudicial.
( AP nº 00434-2007-047-03-00-1
)
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Agência Brasil, 3 de abril de 2008
Confederação do Comércio
quer colaborar com reforma do Sistema S
Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A Confederação
Nacional do Comércio (CNC), responsável pelo Serviço
Social do Comércio (Sesc) e pelo Serviço Nacional
de Aprendizagem Comercial (Senac), está aberta a discutir
as mudanças no Sistema S propostas pelo Ministério
da Educação (MEC), desde que elas não interfiram
na autonomia de gestão das entidades. A posição
foi expressa hoje (2) por Luiz Gil Siuffo, vice-presidente financeiro
da CNC.
Ele participou de reunião, na Câmara dos Deputados, convocada
pelas frentes parlamentares em Defesa das Políticas de Juventude e em
Defesa da Educação Profissional, do Ensino a Distância
e Novas Tecnologias, para tratar sobre o projeto de reforma no Sistema S apresentado
na semana passada pelo MEC.
“ As entidades estão abertas ao diálogo. Se, no momento,
a prioridade é formação profissional, vamos conversar sobre
isso. Estamos prontos a colaborar desde que sejam respeitadas as atribuições
do Sistema S”, disse Siuffo referindo-se à autonomia na gestão
das entidades, atribuída pela Constituição Federal.
Segundo ele, a inversão proposta nos percentuais legais destinados às áreas
de assistência social e de aprendizagem profissional (fixadas respectivamente
em 1,5% e 1% sobre a folha de pagamento das empresas) é coerente diante
das necessidades do país, mas precisa ser feita de forma gradual. “Nós
estávamos voltados para a assistência social, com 2700 unidades
do Sesc espalhadas pelo país, com receita bastante superior à do
Senai. Como nós vamos fazer essa transição? Se vamos transferir
funcionários, instalações, tudo isso nós temos
que sentar e discutir”, argumentou.
Sobre a oferta de matrículas gratuitas como novo critério para
distribuição dos recursos aos departamentos estaduais, Siuffo
afirmou que o Senac cobra apenas taxas de materiais para seus cursos, mas,
com aporte maior de recursos, poderá oferecer os serviços de
graça.
Para o deputado João Mattos (PMDB-SC), presidente da Comissão
de Educação e Cultura da Câmara, a iniciativa do Ministério
da Educação é positiva. “Vemos com muitos bons olhos.
Há muito tempo não se revisa a legislação sobre
o uso dos recursos do Sistema S que, evidentemente, faz bom investimento. Mas
achamos que isso pode ser otimizado e render muito mais em termos de número
de jovens na educação profissional”, avaliou.
Mattos enfatizou que, mesmo se forem atingidas as metas do Plano de Nacional
da Educação, em 2010, só 30% dos jovens de 18 a 24 anos
no país terão vagas no ensino superior asseguradas. “Os
outros 70% têm que ter uma ocupação, uma orientação
profissional e vocacional. Isso se fará por uma rede de estabelecimentos
de educação profissional e por que não capitaneados pelo
Sistema S?”, ponderou o deputado.
Presente na reunião, o ministro da Educação, Fernando
Haddad, considerou “excelente” a receptividade dos parlamentares à proposta. “Vi
que há a compreensão de que queremos preservar a autonomia do
sistema, mas estabelecer regras clara [para o uso] de um recurso arrecadado
por toda a sociedade, com a perspectiva de inclusão do jovem do Ensino
Médio que não vê, nesse momento, uma perspectiva de acesso
ao Ensino Superior”, afirmou.
Haddad informou que questionamentos feitos na reunião poderão
ser incorporados à proposta inicial divulgada pelo ministério
na semana passada. Entre as sugestões apresentadas, está a exigência
de que as vagas gratuitas de ensino profissionalizante sejam destinadas a alunos
de escolas públicas ou a trabalhadores beneficiários do seguro-desemprego.
De acordo com o ministro, o requisito pode ser substituído por um critério
que leve em conta, por exemplo, a renda familiar para definição
do público-alvo.
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Diário Vermelho, 3
de abril de 2008
Álvaro Dias admite que recebeu
o ''dossiê'' mas não diz de quem
O senador Álvaro Dias
(PSDB-PR) admitiu hoje (2) que recebeu antecipadamente o suposto dossiê dos
cartões corporativos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
antes dele ser publicado na revista Veja, conforme revelou o jornalista
Ricardo Noblat (Globo). Mas tergiversou sobre a afirmação
de Noblat de que foi ele a misteriosa fonte que entregou o material à revista
Veja. E recusou-se a dizer quem lhe entregou, em acalorado debate no
plenário do Senado.

Dias no plenário: ''Não é isso que se discute'
'
O jornalista fez a revelação em seu blog no Globo Online, na
tarde desta quarta-feira: ''Quem divulgou a parte conhecida do dossiê foi
o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Ele se recusa a dizer de quem a recebeu'',
afirma o Blog do Noblat.
Perguntas sem resposta
Álvaro Dias manteve a
recusa no plenário. Apesar da insistência de seus pares,
tampouco confirmou ou desmentiu a versão de Noblat, de que foi
ele a fonte da Veja. ''Se eu tivesse feito isso [divulgado o dossiê]
não configuraria crime. Seria pior se eu recebesse uma denúncia
e não a divulgasse'', desconversou.
''Mas foi ou não foi o
senhor o responsável?'', indagou Tião Viana (PT-AC). ''Não é isso
que se discute. A discussão deve ser sobre quem é o responsável
pelo dossiê e qual será a punição para ele.
Discutir esse tipo de coisa é fazer o jogo do governo'', foi a
resposta.
''Quem vazou está no Palácio
do Planalto. Não me cabe revelar quem foi o responsável
pela divulgação. O que me cabe é cobrar do governo
providências em relação a mais este escândalo'',
disse Álvaro Dias. Em outro momento, afirmou ser ''irrelevante''
descobrir as ''fontes primárias ou secundárias'' do vazamento.
Mão Santa baixa o nível
O líder do PSB no Senado,
Renato Casagrande (ES), lembrou a Dias que o vazamento do dossiê também é crime.
''São dois fatos. A elaboração do dossiê e
o vazamento. Se alguém fez o dossiê é crime, se alguém
o vazou é crime'' disse Casagrande.
A líder do governo no
Senado, Ideli Salvatti (PT-SC) também pressionou inutilmente o
tucano. Este respondeu que não conferia a Ideli o direito de questioná-lo,
ressaltando que detém o direito de exercitar em plenitude o mandato
parlamentar.
O debate no plenário do
Senado descambou a partir daí. O senador Mão Santa (PI),
um peemedebista anti-Lula, chegou a subir na tribuna para chamar Dilma
Rousseff de ''a galinha cacarejadora desse governo''. Interpelado pela
base governista, e aconselhado até por seus colegas da oposição
a pedir desculpas, Mão Santa se recusou a fazê-lo e até generalizou
a provocação: ''Todos, eu disse todos, todos estão
embalados nesse cacarejamento
O que diz o Blog do Noblat
Noblat, insuspeito de simpatias
pelo Planalto, afirma que o documento foi ''montado dentro da Casa Civil'',
mas suas 13 páginas se referem apenas às despesas de 1998
a 2000 faltando a que cobre 2001 e 2002. ''A parte conhecida do dossiê reúne
gastos que em nada comprometem o ex-presidente Fernando Henrique e sua
mulher dona Ruth Cardoso'', asseverou.
E prossegue o blog: ''Gastos
que poderiam constranger o casal, principalmente se revelados fora de
contexto, constam da parte ainda desconhecida do dossiê e se referem
aos anos 2001 e 2002. Quando o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento,
disse a um senador da oposição que até a compra
de um pênis de borracha fazia parte da relação de
gastos sigilosos do segundo mandato de FHC, referiu-se a um ítem
que consta da parte ainda inédita do dossiê.''
''É razoável deduzir,
pois, que a parte do dossiê conhecida com despesas, chamemos assim,
'inocentes', circulou para prevenir a oposição sobre o
que poderia estar por vir caso ela teimasse em investigar a fundo as
despesas sigilosas do governo Lula. Ao vazar o que recebeu, o objetivo
de Dias era, primeiro, desgastar o governo e, segundo, abortar uma eventual
divulgação do resto do dossiê. Dias teve êxito'',
sustenta o jornalista.
Da redação, com agências
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NCST, 3 de abril de 2008
Lula justifica veto à prestação
de contas de centrais sindicais
Ao justificar mais uma vez o veto ao artigo que obrigava as centrais sindicais
a prestar contas ao Tribunal de Contas da União (TCU), o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva argumentou que os sindicatos poderiam ficar
vulneráveis a fiscalizações movidas por questões
políticas.
Ele reforçou que não
poderia negar sua origem sindicalista, quando defendia a autonomia dos
sindicatos, e permitir que as entidades trabalhistas fossem fiscalizadas
pelo Tribunal de Contas da União (TCU), o que significaria uma
interferência do governo.
“Se nós não
tomássemos o cuidado de vetar a fiscalização, já fico
sabendo em cima de quem e em que momento iria a fiscalização.
Imagina, se a cada vez que chegar uma eleição, uma campanha
eleitoral no sindicato, alguém toma a decisão de fiscalizar.
Estaremos tirando do trabalhador o direito de propor em assembléias
mecanismos de fiscalização”, argumentou Lula.
O artigo fazia parte do projeto
de lei, aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado por Lula, que regulamenta
as centrais sindicais. O texto permitia ao TCU a possibilidade de fiscalizar
os gastos das entidades trabalhistas com o dinheiro arrecadado com a
contribuição sindical obrigatória - correspondente
a um dia de trabalho por ano descontado na folha.
No evento no Planalto, os sindicalistas
aproveitaram para agradecer ao presidente por ter sancionado o projeto
de regulamentação e liberado as centrais de prestar contas
ao TCU.
Para dirigentes sindicais, se
Lula não tivesse vetado a fiscalização, a imagem
externa do país seria prejudicada. “Como a OIT [Organização
Internacional do Trabalho] veria isso?”, disseram, acrescentando
que somente nas ditaduras órgãos públicos fiscalizam
os sindicatos.
O ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, também elogiou Lula e disse que a regulamentação
das centrais não agrada a parte da sociedade contrária
ao governo. “Plagiando Zagallo [ex-técnico da seleção
brasileira de futebol], presidente Lula, vão ter que nos aturar
durante muito tempo.”
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Gazeta do Povo, 3 de abril de 2008
Centrais sindicais
Veto à fiscalização
foi para “evitar perseguição”
Brasília - O presidente Lula explicou ontem que vetou o artigo que possibilitava
fiscalização do TCU (Tribunal de Contas da União) nas
contas de sindicatos, confederações e federações
de trabalhadores por causa de seu passado de sindicalista e alegou que a fiscalização
poderia resultar em perseguição política.
“ Quando chegou o resultado da votação do Congresso, não
tinha dúvidas em vetar. Primeiro, porque nasci no movimento sindical,
em 1969, defendendo a autonomia e a liberdade sindical. Segundo, porque sofri
duas intervenções quando era presidente do sindicato de São
Bernardo do Campo”, afirmou.
Já o procurador do Ministério Público junto ao TCU (Tribunal
de Contas da União), Marinus Marisco, criticou o veto do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. Marisco chamou a decisão de retrocesso.
O veto também foi criticado por especialistas. Para o professor Pedro
Serrano, da PUC-SP, “deve ser papel do TCU fiscalizar a aplicação
de qualquer verba pública, em especial em entidades que são privadas,
mas têm caráter comunitário”. Segundo Serrano, o
ponto central está na obrigatoriedade do pagamento da contribuição
sindical. “Qualquer contribuição compulsória do
dinheiro das pessoas ao governo é dinheiro público.”
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Agência Brasil, 3 de
abril de 2008
Sindicalistas negam possibilidade
de "farra" com dinheiro de contribuição
obrigatória
Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Ao comentar
o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que liberou
as centrais sindicais de prestar contas ao Tribunal de Contas
da União (TCU), representantes dos sindicatos negaram
a possibilidade de haver "uma farra" com o dinheiro
da contribuição sindical obrigatória (correspondente
a um dia de trabalho por ano descontado na folha de pagamento).
De acordo com os sindicalistas,
as entidades têm meios próprios para fiscalizar a aplicação
do dinheiro. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT),
Artur Henrique, por exemplo, disse que a central apresenta anualmente
balancetes aos sindicatos filiados.
Segundo ele, qualquer um pode
denunciar ao Ministério Público o mau uso do imposto sindical. “Qualquer
brasileiro, seja trabalhador ou empresário, pode solicitar ao
Ministério Público identificação, averiguação
e prisão de eventuais pessoas que malversarem o dinheiro dos trabalhadores”,
afirmou Artur.
Os sindicalistas argumentam que
uma possível fiscalização do TCU poderia significar
uma interferência do governo no movimento sindical. “Qualquer
interferência de órgão público em sindicato é só em
ditadura. Brasil não é ditadura. Nós, do movimento
sindical, jamais iríamos aceitar que um órgão público
fiscalizasse os sindicatos. É uma interferência indesejada
do governo em cima dos trabalhadores”, afirmou o presidente da
Força Sindical, deputado Paulinho da Força (PDT-SP). Ele
disse que a Força usará os recursos do imposto para capacitação
profissional e também dos dirigentes.
Os sindicalistas estão
reunidos no Palácio do Planalto com o presidente Lula, que sancionou
o projeto que regulariza as centrais sindicais. Ao sancionar o projeto,
Lula vetou o artigo que exigia que as centrais prestassem contas ao
TCU sobre a contribuição sindical obrigatória.
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Congresso em Foco, 3 de abril
de 2008
PT apresenta proposta tributária
sobre grandes fortunas
O líder do PT na Câmara,
Maurício Rands (PE), anunciou há pouco que o partido apresentará dois
instrumentos legislativos que alteram o sistema tributário brasileiro,
promovendo novos critérios para a taxação de grandes
movimentações financeiras. O primeiro é uma rascunho,
ainda sem número, de um projeto de lei, de autoria do próprio
deputado, que institui a Contribuição Social Anual sobre
Grandes Fortunas, alterando o artigo 195, inciso 5, da Constituição
Federal.
A outra providência dos
petistas será o protocolo, na Mesa Diretora da Câmara, de
uma emenda à PEC 233/08, a chamada PEC da Reforma Tributária.
O documento distribuído há pouco por Rands visa alterar
o Sistema Tributário Nacional, instituindo uma nova fonte de custeio
da seguridade social – exatamente a contribuição
supracitada. De acordo com a proposta, são contribuintes as "pessoas
físicas domiciliadas no país e as pessoas físicas
e jurídicas domiciliadas no exterior e titulares de patrimônio
no país".
“A receita das grandes
fortunas vai ser destinada à seguridade social que, como vocês
sabem, é composta de um tripé: saúde, previdência
e assistência”, declarou Rands a jornalistas, explicando
o porquê de a contribuição ser “canalizada” para
a seguridade. “Esse é um tributo de solidariedade. Nós
queremos que os muito ricos contribuam com os muito pobres.”
Caráter solidário
Rands disse que não é apenas tributário o viés
da proposta. "O PT quer que haja mais solidariedade entre os muito ricos
e os muito pobres. O partido não quer nenhum tributo que tenha o caráter
de confisco, de punição para as pessoas que, honestamente, atingiram
um grande patrimônio "Mas quer que essas pessoas possam colaborar
mais", completou o petista, dizendo que o Brasil está em octagésimo
primeiro lugar entre os 124 países pobres que têm aferição
de desigualdade de renda.
A contribuição incidirá em fortunas acima de R$ 10.980
milhões, o que equivale a oito mil vezes o limite de isenção
do imposto de renda (R$ 1.372). Abaixo desse valor, os contribuintes estão
isentos. Segundo Rands, as outras faixas de renda incluídas na contribuição
estarão de acordo com a seguintes alíquotas, anualmente: entre
R$ 10.980 milhões e R$ 34.320 milhões aplica-se como contribuição
uma alíquota de 0,5%; a parcela situada entre R$ 34.320 milhões
e R$ 102.096 milhões fica submetida a uma alíquota de 0,75%;
e a parcela acima R$ 102.096 milhões fica sob a alíquota de 1%. "A
filosofia é análoga àquelas alíquotas do imposto
de renda", disse o petista.
Rands explicou ainda que algumas parcelas de grandes patrimônios serão
preservadas, para que não sejam penalizadas algumas atividades que o
partido não quer que fiquem "desestimuladas".
" A primeira, é o bem impenhorável, que é o único
bem de que a família dispõe", ensejou Rands, referindo-se à "Lei
Sarney" (8.009/90). "Segundo: os instrumentos de trabalho. Por exemplo,
uma dentista que tenha seu consultório, que tenha um patrimônio
ali. Esse não consta; também objetos de arte e coleção,
para não desestimular a cultura; o direito de propriedade intelectual
ou industrial, para não desestimular a inovação tecnológica,
a pesquisa científica", revelou o deputado, incluindo também
os bens de pequeno valor, que serão definidos segundo critérios
do Executivo. (Fábio Góis)
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Folha de São Paulo,
3 de abril de 2008
Petista volta a prometer PEC do 3º mandato
Proposta de Devanir Ribeiro extingue reeleição,
aumenta mandato e permite que qualquer um concorra com as novas regras,
até Lula | Miro Teixeira (PDT) declarou ontem seu apoio a
Devanir e classificou como "absurda" a posição
de alguns de tentar "calar" o deputado
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP)
prometeu ontem que apresenta até a semana que vem uma PEC (Proposta
de Emenda Constitucional) que, se aprovada, permitirá o terceiro
mandato do presidente Lula.
O parlamentar, que ganhou apoiadores no Congresso, acredita que, com a declaração
do vice-presidente José Alencar -que disse que o povo deseja Lula mais
tempo no poder-, a discussão ganhará espaço.
O petista rejeita o rótulo de "golpista", como sugeriu a oposição,
e afirmou que a sua idéia é apenas dar uma nova leitura à Constituição
com o apoio do povo. "O que o Congresso aprova não é golpe
e estou seguro que o partido terá que discutir a minha tese. O partido
não pode ficar de costas para o povo e estou convicto de que o povo
aceitará essa discussão, de que o momento é oportuno",
disse.
Miro Teixeira (PDT-RJ) declarou ontem seu apoio abertamente a Devanir e classificou
como "absurda" a posição de alguns de tentar "calar" o
petista. Miro Teixeira afirmou que já passou da hora de o Legislativo
começar uma discussão sobre reeleição e tempo do
mandato.
" Temos que lembrar que, com medo de o Lula ser eleito, mudaram o mandato
presidencial de cinco para quatro anos e que no meio do governo tucano permitiram
a reeleição. Depois querem falar que o Devanir que é casuísta?",
questionou Miro. "Acho que o debate é instigante e não tem
relação com dar o terceiro mandato para o Lula -quem dá mais
um mandato é o povo. Vamos discutir, mas quem vai decidir é o povo."
Devanir ainda não finalizou a sua PEC. A idéia, segundo ele, é recuperar
o texto da Constituição de 1988, aumentando o mandato do presidente
para cinco anos, sem reeleição. O deputado petista também
pretende colocar uma emenda em sua proposta que permita que qualquer um possa
se eleger com as novas regras, inclusive o próprio Lula. A idéia
de um plebiscito, convocado pelo próprio presidente, também não
está descartada.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), descartou a hipótese
de a proposta ser votada na Câmara neste ano. Para ele, o assunto não
tem espaço na Casa e qualquer tentativa de um terceiro mandato não
prosperaria entre os deputados. "Avalio que a idéia não
tem espaço, não vejo clima para prosperar e eu pessoalmente também
sou contra a idéia [do terceiro mandato]", disse.
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Agência Brasil, 3 de
abril de 2008
Governo quer canalizar recursos do
FAT para centros técnicos federais
Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O Ministério
do Trabalho e Emprego estuda modificações na aplicação
do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT), para que os recursos sejam
canalizados diretamente a centros técnicos de formação
administrados pelo Ministério da Educação.
A informação
foi dada hoje (2) pelo ministro da Educação, Fernando
Haddad, ao participar de uma reunião conjunta das Frentes Parlamentares
em Defesa das Políticas de Juventude e em Defesa da Educação
Profissional, do Ensino a Distância e Novas Tecnologias.
O encontro, realizado na Câmara dos Deputados, serviu para tratar da
proposta de reforma no Sistema S, que atua nas áreas de serviço
social e capacitação de trabalhadores e é formado por
entidades ligadas à indústria, ao comércio, ao transporte
e à área rural.
Questionado sobre outros tipos de recursos que poderiam ser aplicados para
melhorar as perspectivas de qualificação profissional de jovens,
Haddad disse que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, propôs a ele canalizar
dinheiro do FAT para os Centros Federais de Educação Tecnológica
(Cefets).
“ O ministro Lupi nos procurou e quer direcionar uma parte substancial
dos recursos do FAT por dentro da rede federal de educação profissional.
Ao invés de conveniar, nós faríamos a descentralização
de recursos pela própria rede que tem toda a condição, e
hoje capilaridade, de operar na ponta a qualificação do trabalhador”.
Segundo Haddad, a rede de Cefets estará em 354 municípios até 2010,
cobrindo todas as mesorregiões do país.
O FAT é um fundo especial, de natureza contábil-financeira, vinculado
ao Ministério do Trabalho e destinado ao custeio do Programa do Seguro-Desemprego,
do Abono Salarial e ao financiamento de Programas de Desenvolvimento Econômico,
a cargo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A principal fonte de recursos do FAT é a arrecadação das
contribuições para o Programa de Integração Social
(PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor
Público (PASEP). A proposta orçamentária do fundo para
2008 prevê investimentos de R$ 32,8 bilhões.
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CONSULTOR JURÍDICO,
03 de março de 2008
Depois do reajuste
Salário mínimo estadual
prevalece sobre mínimo nacional?
por Valdir Garcia dos Santos Júnior
Desde julho de 2000, a Lei Complementar
103, assinada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso,
permite aos estados a criação de um salário mínimo
regional. Apenas em junho de 2007, a Assembléia Legislativa do
Estado de São Paulo aprovou o Projeto de Lei 363/07, passando
a vigorar a partir 1º de agosto um salário mínimo
regional no estado de São Paulo. Dessa forma, passou a integrar
o grupo de estados (Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná)
que contemplam seus trabalhadores com um salário mínimo
regional.
À época da aprovação
do novo salário, o mínimo nacional correspondia à importância
de R$ 380, enquanto a novel regra trazia que os empregados que estivessem
no rol da primeira faixa (domésticos, serventes, trabalhadores
de serviços de limpeza, auxiliares de escritório, empregados
não-especializados do comércio, da indústria e de
serviços administrativos, ascensoristas, motoboys) deveriam receber
no mínimo R$ 410.
A mesma lei ainda trazia mais
duas categorias, sendo que na segunda, composta por carteiros, tintureiros,
barbeiros, cabeleireiros, manicures, dedetizadores, vendedores, pedreiros,
garçons, cobradores de transportes coletivos, pintores, encanadores,
soldadores, digitadores, telefonistas, o mínimo seria R$ 450.
Finalizando a lista, a lei trouxe
na última faixa os trabalhadores de serviços de higiene
e saúde, chefes de serviços de transportes e de comunicações,
supervisores de compras e de vendas, operadores de estações
de rádio e de TV, os quais deveriam receber a importância
mínima de R$ 490.
A justificativa para a aprovação
do projeto foi o fato de que as categorias beneficiadas, em regra, não
são tão organizadas quanto as que não foram incluídas
na lei, as quais por terem sindicatos mais participativos conseguem reajustes
salariais por meios de normas coletivas, não ficando assim a mercê do
salário mínimo nacional.
No mesmo diapasão da justificativa
de um salário diferenciado está a realidade do estado de
São Paulo, o qual teria, segundo informações da
própria Assembléia Legislativa, mais de um milhão
de trabalhadores beneficiados com a nova lei, sendo tal estado responsável
pela maior arrecadação de impostos do país, resultado
também da maior geração de riquezas do país,
razão pela qual os trabalhadores responsáveis por tais
números deveriam ter um salário mínimo superior
ao recebido pelos demais trabalhadores do país.
Como o próprio nome explica,
o salário em comento é um salário mínimo,
o que vale dizer que toda regra que traga a um trabalhador um salário
superior ao mínimo estadual, esse prevalecerá em detrimento
do menor.
Deve ser ressaltado ainda que
a lei trouxe regra apenas para os empregados da iniciativa privada, já que
os servidores públicos do estado já têm como piso
a importância de R$ 510.
Ainda estão de fora na
nova regra os trabalhadores que possuem norma coletiva específica
sobre o tema e tenham piso salarial superior ao estadual, ao contrário,
valerá para os mesmos também o mínimo estadual,
bem como os aposentados e pensionistas que recebem menos de R$ 410 no
estado de São Paulo, já que o reajuste dos valores recebidos
pelos mesmos pela Previdência depende de legislação
federal.
A fiscalização
do cumprimento da nova regra é de competência do Ministério
do Trabalho, o qual aplicará multas que variam de acordo com a
gravidade de cada situação.
A dúvida que surge a partir
do momento que temos o salário mínimo aprovado para março
de 2008 no importe de R$ 415 fica por conta dos empregados que estão
na primeira faixa, de R$ 410. Tais empregados devem receber o salário
mínimo nacional ou o regional?
Entendemos que nesse caso,
por não termos ainda um reajuste do mínimo estadual e
termos vários empregados na primeira faixa (R$ 410), recebendo
um salário R$ 5 menor que o atual mínimo nacional (R$
415), o que deve prevalecer para tais empregados é o salário
mínimo nacional, até que seja reajustado o estadual e
superado o valor do nacional.
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CONSULTOR JURÍDICO,
03 de março de 2008
Acordo individual
Arbitragem de reclamações
trabalhistas é discutível
por Elaine Cristina Reis
A arbitragem tem sido o caminho
para livrar-se de longos conflitos que se arrastam lentamente na Justiça
do Trabalho. Por meio deste sistema jurídico privado, as partes
buscam voluntariamente soluções para os seus conflitos
de forma mais rápida e definitiva, uma vez que da sentença
arbitral não se pode recorrer. Embora a arbitragem possua amparo
legal e venha sendo cada vez mais utilizada em todas as áreas,
ainda persiste a questão: a arbitragem na área trabalhista é possível?
A controvérsia gira em
torno da real legalidade e validade da arbitragem trabalhista. Embora
não sejam poucos os que defendem a possibilidade desse meio de
resolução de conflitos na área, os princípios
trabalhistas não podem ser subjugados tampouco esquecidos. A importância
dessa discussão é que ela trata de direitos que protegem
a renda mínima de milhares de trabalhadores brasileiros, assim
como sua saúde e capacidade laboral.
O Brasil já assinou ou
ratificou diversos tratados internacionais que incluem o uso da arbitragem,
desde 1923, quando foi criado o Protocolo de Genebra, que trata expressamente
da cláusula compromissória na opção pela
utilização da arbitragem, válida quando a relação
for internacional. Em um período em que a arbitragem ganha adeptos
e notoriedade, militantes do direito de outras áreas utilizam
o exemplo da Justiça do Trabalho como entrave ao crescimento do
país.
E quem defende a arbitragem nessa área,
exemplifica sua legalidade destacando a Convenção Interamericana
de Montevidéu, de 1979, que trata da eficácia extraterritorial
das sentenças e laudos arbitrais estrangeiros e que faz menção às
questões trabalhistas. No entanto, essa Convenção
há de ser analisada em consonância com nossa Constituição
Federal e demais legislações infraconstitucionais. Ou seja,
deve ser considerada com reservas, porque não é justificável
apenas afirmar que a arbitragem deve ser aplicada em todas as áreas
só por existir previsão legal.
Em primeiro lugar, existe o questionamento
sobre a possibilidade e a validade da negociação individual,
com um só trabalhador, em sede arbitral, já a nossa Carta
Magna somente prevê a negociação coletiva e o Tribunal
Superior do Trabalho não se manifestou expressamente sobre o assunto.
Mas o principal ponto reside na questão da disponibilidade dos
direitos trabalhistas, e, portanto, se são passíveis de
decisão arbitral.
O objetivo da legislação
trabalhista é garantir a segurança dos trabalhadores, assim
como proteger sua renda e condições dignas de trabalho.
O direito do trabalho versa sobre matérias de higiene e saúde
do trabalhador, normas que são imprescindíveis para sua
incolumidade física e mental. E é sob esse aspecto que
a arbitragem trabalhista deve ser encarada.
Portanto, os direitos trabalhistas
são indisponíveis, ou seja, são direitos sobre os
quais os empregados não podem "abrir mão" em
uma negociação. Este entendimento vem embasado exatamente
nas inúmeras decisões sobre a impossibilidade dos empregadores
de realizarem acordos diretamente com os próprios empregados,
retornando ao ponto da negociação individual.
Os princípios do direito
do trabalho nos levam à reflexão sobre questões
como: O trabalhador pode abrir mão de seus direitos e garantias
de saúde ou segurança, por exemplo? O direito à indenização
devida em caso de acidente do trabalho, como na situação
de um trabalhador que perde um membro ou sua capacidade laboral, é passível
de acordo arbitral? A família do empregado que faleceu trabalhando
poderá receber indenização através de um
acordo arbitral irrecorrível? E quais são os limites desse
acordo?
Os dados são inegáveis,
a arbitragem trabalhista vem crescendo, seja como pressão social,
seja na busca de uma rápida solução dos conflitos.
Mas a arbitragem trabalhista está longe de ser um ponto pacífico
no meio jurídico. Existe um alto risco de anulação
das sentenças arbitrais proferidas em matérias trabalhistas.
Principalmente, porque não foi firmado entendimento do Tribunal
Superior do Trabalho acerca do tema, sobre sua validade e extensão.
Além disso, não é transformando
todos os direitos trabalhistas em direitos disponíveis, negociáveis
que os problemas dos trabalhadores ou a morosidade da Justiça
serão solucionados, mas, sim, buscando a efetividade dos direitos
trabalhistas com uma fiscalização eficiente e atuante
no cumprimento dos direitos garantidos em nossa legislação,
não só pela Constituição Federal, como,
também, pela CLT — Consolidação das Leis
do Trabalho.
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PARANÁSHOP, 03 de
março de 2008
Fórum Sindical discute trabalho
infantil, horas-extras e informalidade da mão-de-obra
Redação, com colaboradores
Entidades sindicais do Paraná, Santa Catarina e do Rio Grande do Sul
pretendem discutir durante o Fórum Sindical Sul, que será realizado
nos dias 3 e 4 de abril, em Matinhos, casos de trabalho infantil, campanha
pela redução das horas-extras e o fim da informalidade da mão-de-obra
nos setores de vestuário, de couro e de calçado. O evento é organizado
pela Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Paraná (Fetiep).
Os trabalhadores dos três
estados do Sul também querem debater a criação de
pisos salariais regionais a partir do exemplo paranaense. As entidades
sindicais podem passar a utilizar o salário regional do Paraná,
que é o maior do país, como parâmetro nas negociações
com os patrões no Brasil inteiro.
O Fórum Sindical Sul será realizado
nos dias 3 e 4 de abril, no Centro de Eventos da Fetiep, em Matinhos,
e deverá reunir dezenas de dirigentes sindicais dos setores têxteis,
vestuários, couros e de calçados.
SERVIÇO:
Fórum Sindical Sul
II Seminário dos Trabalhadores Têxteis, do Vestuário, Couro
e Calçados do Sul do País
Data e horário da abertura: dia 3 de abril, quarta-feira, às
9 horas da manhã.
Local: Fetiep Matinhos (Rua Irati - Travessa c/ Avenida Curitiba)
Contatos:
Luiz Gin, presidente da Fetiep, pelo fone (41) 3334-3030 ou
Zenir Teixeira pelo fone (41) 9914 2275.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
03/04/2008
TST: cobrar contribuição de
empresa não filiada a sindicado é desrespeito
As empresas não podem
ser obrigadas a pagar contribuições assistenciais a entidade
sindical à qual não são associadas. Assim a Segunda
Turma do Tribunal Superior do Trabalho se posicionou, ao aprovar voto
do ministro Renato de Lacerda Paiva que revogou condenação
neste sentido imposta a uma empresa do Rio Grande do Sul.
A GPEL – Participação
e Administração de Negócios Ltda. foi condenada
pela 40ª Vara do Trabalho de Porto Alegre ao pagamento de contribuições
assistenciais patronais referentes a acordos coletivos firmados com a
categoria de sua atividade econômica, em ação de
cumprimento movida pelo Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis,
Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas
do Estado do Rio Grande do Sul. Alegando o fato de jamais ter sido vinculada à entidade
autora da ação, a empresa contestou a decisão, inicialmente,
no Tribunal Regional do Trabalho da Quarta Região (RS).
O TRT rejeitou o recurso, por
julgar que a contribuição, uma vez respaldada em acordos
coletivos firmados com a categoria, poderia ser cobrada do empregador,
independentemente de sua vinculação ao sindicato patronal,
da mesma forma que a parcela correspondente ao empregado é devida,
em favor do respectivo sindicato, sendo o trabalhador associado ou não.
Inconformada, a empresa apelou
ao TST, sustentando que não poderia ser compelida ao pagamento
de uma obrigação aplicável tão-somente aos
sócios do sindicato patronal. O relator da matéria, ministro
Renato de Lacerda Paiva, considerou tratar-se de caso típico de
desrespeito ao princípio de liberdade de associação,
previsto na Constituição Federal. Segundo Lacerda Paiva,
tendo a CLT, à luz da liberdade sindical, condicionado a contribuição
assistencial à autorização expressa do trabalhador,
esse mesmo princípio é aplicável, por analogia,
ao empregador.
Com a decisão, além
de revogar a condenação pagamento da contribuição,
a Segunda Turma determinou a inversão do ônus da sucumbência,
ou seja, caberá à outra parte – o sindicato – arcar
com as custas do processo. (RR-590/1998-026-04-40.9)
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03/04/2008
Ex- empregada do Ponto Frio obtém
incorporação de prêmio ao salário
A Oitava Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, ao negar provimento a recurso de revista interposto pela
Globex Utilidades S/A (Ponto Frio), manteve decisão da Justiça
do Trabalho de Minas Gerais que determinou a incorporação
de “gueltas” (prêmios advindos de terceiros na relação
de emprego) ao salário de uma ex-vendedora da empresa. A relatora
do recurso, ministra Dora Maria da Costa, seguiu o entendimento de que
tais verbas, embora não sejam pagas diretamente pelo empregador,
têm natureza salarial.
A empregada ajuizou a reclamação
na 17ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte (MG). Segundo informou
na inicial, sua remuneração era composta de comissões,
sobre as quais incidiam o repouso semanal remunerado e prêmios
de incentivo. “Por fora”, recebia ainda as chamadas “gueltas” e “boca-de-caixa” de
forma habitual, pelo trabalho de vendas de mercadorias. Desligou-se da
empresa após seis anos de trabalho, por motivo de doença,
ao entrar em gozo do benefício de auxílio-doença
em janeiro de 2004.
Requereu, na ação,
além de horas-extras, os acréscimos dos adicionais previstos
nas convenções coletivas de trabalho da categoria e a integração
das “gueltas” ao salário. A sentença concedeu
a integração das “gueltas”, no valor de 150
reais por mês, e seus reflexos nas demais verbas, bem como o acréscimo
de 50% sobre três horas diárias de segunda a sexta-feira.
A integração foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 3ª Região (MG) no julgamento de recurso ordinário.
Descontente, a empresa interpôs
recurso de revista ao TST questionando a base de cálculo para
apuração das horas extras. Alegou que a empregada era “comissionado
puro”, e que os prêmios “gueltas” eram pagos
por terceiros (fornecedores) e não pelo empregador, não
cabendo assim sua integração à remuneração.
A ministra Dora Costa,
observou que o artigo 456, caput, da CLT tem o sentido de integrar
aos salários não só as importâncias pagas
diretamente pelo empregador, mas também aquelas que o empregado
vier a receber em razão da execução do seu contrato
de trabalho. “No caso, o caráter contra-prestativo desse
prêmio é evidente”, afirmou. “Ele remunera
a realização da atividade-fim da empresa, que são
as vendas, as quais, diga-se, eram efetuadas durante a jornada de trabalho
e sob a sua direção.” Para a relatora, “a
alegação de que o pagamento da verba era feito por terceiros,
objetivando afastar a integração da parcela à remuneração
da vendedora, por si só não afasta dela a natureza remuneratória,
mas lhe atribui natureza idêntica à das comissões
que, incontroversamente, integram o salário”. (RR-1060/2005-017-03-00.8).

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