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Agência Senado, 5
de abril de 2008
Lobão Filho quer limitar
indenizações por danos morais a R$ 20 mil

Aguarda recebimento de emendas na Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ) projeto de lei (PLS 114/08) apresentado
pelo senador Lobão Filho (DEM-MA) que proíbe indenizações
por danos morais superiores a R$ 20 mil. A proposta, que tem decisão
terminativa na comissão, altera o artigo 944 da Lei 10.406/02.
A lei atualmente em vigor diz apenas que a indenização
deve ser medida pela extensão do dano, podendo o juiz
reduzi-la se houver "excessiva desproporção
entre a gravidade da culpa e o dano". Além de
limitar a indenização, Lobão Filho quer
impor ao juiz a análise dos seguintes critérios:
extensão e gravidade do dano; gravidade e repercussão
da ofensa; sofrimento experimentado pelo ofendido; condição
econômica do ofensor; e se o valor pleiteado se ajusta
a situação posta em julgamento.
Na justificativa da proposta, Lobão Filho argumenta
que "a busca por indenizações milionárias,
para reparar danos que nem sempre correspondem ao valor pleiteado,
tem aumentado de forma exponencial, desfigurando a natureza
desse instituto". O parlamentar cita o jurista Sérgio
Pinheiro Marçal, para quem o Brasil assiste "uma
rápida mudança de um sistema que amparava a
quase irresponsabilidade por danos morais para um sistema
que perigosamente vem procurando se aproximar dos padrões
norte-americanos dos punitive damages", que consolida
na jurisprudência a chamada "teoria do valor do
desestímulo".
De acordo com essa teoria, continua Lobão Filho, "os
valores são fixados em patamares altíssimos
para que o ofensor não reincida em sua prática".
Para o parlamentar, ao punir o ofensor, em vez de apenas
obrigá-lo a reparar o dano causado, o juiz deixa de
seguir a Constituição que, em seu artigo 5º,
inciso X, determina apenas a obrigatoriedade de indenizar
o ofendido. A proposta, finaliza o senador, permitirá ao
juiz estabelecer o valor das indenizações,
mas o fará respeitar o limite imposto por força
de lei, "freando a crescente indústria dos danos
morais".
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Agência Diap, 5 de
abril de 2008
RESUMO DA SEMANA
Centrais sindicais: entidades
de fato, agora de direito
Esta foi uma semana especial para o movimento sindical. O presidente
Lula sancionou o PL 1.990/07, do Executivo, que regulamenta o funcionamento
das centrais sindicais. A Lei 11.648, publicada em edição
extra do Diário Oficial da União, de 31 de março
de 2008, selou a batalha das centrais que lutaram por cerca de duas décadas
pelo reconhecimento legal. Esta foi uma vitória do consenso da
agenda de luta e, sobretudo, da unidade construída pelo movimento
sindical que permitiu este grande êxito.
Ao sancionar a lei, Lula vetou o artigo 6º do projeto, que determinava
a fiscalização, pelo TCU, dos recursos recolhidos por meio
da contribuição sindical das entidades que compõem
o sistema sindical – sindicatos, federações, confederações
e, agora, as centrais. O veto se baseou em preceito constitucional: “A
Constituição veda ao Poder Público a interferência
e a intervenção na organização sindical,
em face o princípio da autonomia sindical, o qual sustenta a garantia
de autogestão às organizações associativas
e sindicais”.
Na Câmara houve votação de três
MPs, mas a pauta continua travada por dez. No Senado,
a Casa rejeitou a MP 400/07, que concedia R$ 50 milhões
para o Ministério da Saúde, cujo efeito é nulo,
pois o dinheiro já foi gasto. Este procedimento
do Governo foi para ganhar tempo, a fim de construir
um acordo para votar a MP 401/07, que concedeu aumento
salarial à Polícia Militar e aos bombeiros
do Distrito Federal. A pauta da Casa continua trancada.
Reforma tributária
Destaca-se ainda nesta semana a aprovação da reforma
tributária (PEC 233/08) na Comissão de Constituição
e Justiça. A batalha agora se transfere para outra arena de
luta – a comissão especial que vai tratar do mérito
da proposta, cuja disputa pela relatoria está a pleno vapor
na base do Governo.
Acotovelam-se para relatar a proposta, na comissão
especial, os deputados Antonio Palocci (PT/SP) e Sandro
Mabel (PR/GO).
Medidas provisórias
Governo vai reduzir o número de edição de MPs,
até o dia 15 de abril, a fim de evitar o trancamento da pauta
da Câmara e do Senado nos meses de maio e junho. O anúncio
foi feito na última quarta-feira (2) pelo presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT/SP), depois de reunião com os ministros
do Planejamento, Paulo Bernardo; e das Relações Institucionais,
José Múcio Monteiro, e com os líderes da oposição
José Anibal (PSDB/SP), Fernando Coruja (PPS/SC), Antonio Carlos
Magalhães Neto (DEM/BA) e Luciano Castro (PR/RR).
Para Chinaglia, essa redução vai permitir
o destrancamento da pauta do plenário por um período
de 30 a 40 dias. "Nesse período, os deputados
vão poder votar propostas decididas pelo Colégio
de Líderes". Ele assinalou que há interesse
tanto da base aliada quanto da oposição
em votar as mudanças no rito de tramitação
das MPs. Ele ressaltou, no entanto, que ainda não
há consenso. O presidente lembrou que, no último
mês, o Governo editou só duas MPs.
PEC das MPs
Enquanto isso, a votação do parecer sobre a PEC 511/06,
que altera o rito das MPs no Congresso, foi adiado para a próxima
terça-feira (8). No parecer, o deputado Leonardo Picciani (PMDB/RJ)
sugere, entre outras mudanças, o fim do trancamento da pauta
do Legislativo quando não houver análise das MPs no prazo
legal, que hoje é de 60 dias e prorrogável por igual
período. No lugar do dispositivo de trancamento, a MP passaria
a ocupar o primeiro item da pauta a partir do décimo dia.
Corte pode ser maior
Inicialmente previsto em R$ 20 bilhões, o corte no Orçamento
deste ano pode ficar na casa dos R$ 30 bilhões para sinalizar
ao mercado financeiro que o Governo será mais prudente na área
fiscal e cumprirá sua meta de superávit primário
de 3,8% do PIB. Além dos R$ 12,5 bilhões já cortados
pelo Congresso, o presidente Lula analisa três propostas de cortes
adicionais: de R$ 14,5 bilhões, R$ 16,5 bilhões ou de
R$ 19,5 bilhões.
Comissão de Orçamento
O deputado Mendes Ribeiro Filho (PMDB/RS) foi eleito, nesta quarta-feira
(2), presidente da Comissão Mista de Planos, Orçamentos
Públicos e Fiscalização (CMO). Sua eleição
ocorreu logo após a instalação da nova composição
do colegiado. Na mesma reunião, o senador Gim Argello (PTB/DF)
foi escolhido 3º vice-presidente.
No ano passado, o presidente foi um senador e o relator
era um deputado. Neste ano, pela alternância, a
relatoria caberá a um senador. Disputam esse cargo
o DEM e o PT. Dificilmente a relatoria do orçamento
será entregue a um oposicionista. Desse modo,
o Partido dos Trabalhadores deverá indicar o nome.
Anistiados
Nesta quarta-feira (2), a Câmara instalou os trabalhos da Comissão
Especial Temporária que irá analisar os processos de
anistia. Os trabalhos da Comissão serão presididos pelo
deputado Daniel Almeida (PCdoB/BA), e o relator é o deputado
Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP).
Na próxima semana, os trabalhos terão
início com a votação de requerimentos
para realização de audiência pública,
a fim de ouvir autoridades acerca dos problemas que enfrentam
os anistiados para reintegração nos antigos
postos de trabalho, verbas indenizatórias, entre
outros.
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Agência Diap, 5 de
abril de 2008
CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS
Trabalho debaterá em
audiência pública PL 1.987/07, que consolida
CLT
O debate em torno do projeto (PL 1.987/07) que consolida as leis do trabalho
(CLT) foi adiado para o dia 17 de abril, em razão da extensa agenda
da Comissão de Trabalho, onde o projeto de lei será debatido.
A matéria está em analise no Grupo de Trabalho
que trata dos projetos de Consolidação da
Legislação Brasileira. O GT é coordenado
pelo deputado autor do projeto Cândido Vaccarezza
(PT/SP).
Convidados
O debate contará com a participação dos presidentes
da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça
do Trabalho (Anamatra), Cláudio José Montesso; da Associação
Nacional dos Procuradores do Trabalho (Anpt), Sebastião Vieira
Caixeta.
Entre outros convidados também participarão
da audiência o presidente do Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese),
João Vicente Silva Cayres; e o advogado e membro
do copo técnico do Departamento Intersindical de
Assessoria Parlamentar (Diap), Hélio Gherardi.
O deputado Cândido Vaccarezza também participará do
evento. A iniciativa do debate foi do deputado Tarcísio
Zimmermann (PT/RS). A audiência será no plenário
12 do anexo II da Câmara dos Deputados às
10h. (André Santos)
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Agência Diap, 5 de
abril de 2008
RELAÇÕES DE TRABALHO
Mais rigor na terceirização
de serviços, pedem deputados e dirigentes sindicais
ao debater tema
Deputados das comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação
e Informática; e de Trabalho, de Administração e
Serviço Público reivindicaram uma postura mais ativa da
Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na fiscalização
das condições de trabalho dos funcionários do setor
elétrico, especialmente os terceirizados. Dirigentes sindicais
do setor elétrico reforçaram a reivindicação.
Nesta quinta-feira (3), as duas comissões realizaram
audiência pública para discutir o assunto
e também recomendaram que a Previ, fundo de pensão
dos funcionários do Banco do Brasil, cobre do grupo
Neoenergia (do qual é acionista) providências
para melhorar as condições de trabalho dos
seus funcionários e prestadores de serviços. "O
presidente da Previ, Sérgio Rosa, que já foi
sindicalista, vai se sensibilizar com a situação",
declarou o deputado Luiz Bassuma (PT/BA). Um grupo de parlamentares
dessas comissões deverá se reunir com o Executivo
na próxima semana.
Representantes dos trabalhadores de três distribuidoras
do grupo Neonergia (Coelba, Celpe e Cosern) apresentaram
dados que mostram a precariedade das condições
de trabalho. O coordenador-geral do Sindicato dos Eletricitários
da Bahia (Sinergia), Paulo de Tarso Guedes de Brito Costa,
por exemplo, informou que 11 empregados terceirizados da
Companhia de Eletricidade da Bahia (Coelba) morreram em
serviço em 2006, e outros seis no ano passado.
Call center
O sindicalista também criticou o fato de todo o atendimento
prestado pela companhia na Bahia ser realizado por telefone. "Há dez
agências de call centers na Bahia, sendo que grande parte dos
problemas apresentados pelos consumidores exige o deslocamento de funcionários
de um município para outro. A qualidade dos serviços
piorou muito com isso", acusou.
Situação semelhante foi identificada nas
companhias energéticas do Rio Grande do Norte (Cosern)
e de Pernambuco (Celpe), conforme relatos do presidente
do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Energética
e Empresas Prestadoras de Serviços no Setor Elétrico
e Similares do Rio Grande do Norte, José Fernandes
de Sousa; e do presidente do Sindicato dos Urbanitários
de Pernambuco, André Ricardo de Melo.
"A situação dos trabalhadores é dramática,
mas estamos colhendo os frutos da privatização
mal feita do setor", definiu a deputada Alice Portugal
(PCdoB/BA), uma das autoras do requerimento para a realização
da audiência.
Outro sindicalista que protestou contra a situação
dos terceirizados foi o secretário de energia da
Federação Nacional dos Urbanitários
(FNU), Franklin Moreira Gonçalves. Segundo ele,
a terceirização aumenta o lucro das empresas,
já que a lucratividade delas é definida nos
ciclos de revisões tarifárias negociadas
com a Aneel. A partir dessa negociação, "elas
[as empresas] fazem de tudo para reduzir seus custos e
terceirizam seus trabalhadores", reclamou.
Gonçalves declarou que sua entidade apóia
o Projeto de Lei 1.621/07, do deputado Vicentinho (PT/SP),
que regulamenta as relações de trabalho nos
casos de terceirização de serviços
no setor privado e nas sociedades de economia mista.
O deputado Walter Pinheiro (PT/BA), que além de
ser co-autor do requerimento também preside a Comissão
de Ciência e Tecnologia, disse que a Aneel deve adotar
uma postura mais ativa na fiscalização das
condições de trabalho dos funcionários
do setor elétrico, em vez de se restringir à análise
da situação financeira das empresas.
Legislação
O assessor da diretoria-geral da Aneel Luiz Antonio Ramos Veras declarou
que a agência atua conforme as atribuições dadas
pela legislação, principalmente pela chamada Lei das
Concessões (8.987/95). Porém, segundo ele, há espaço
para uma legislação específica sobre a terceirização
no setor de energia que, entre outras medidas, reduzisse conflitos
entre os funcionários e os terceirizados em relação
a temas como diferenças salariais e segurança no trabalho.
Veras afirmou ainda que a agência aplica uma média
anual de R$ 50 milhões em multas às empresas
que desrespeitam as normas estabelecidas, como aquelas
relativas à segurança no trabalho.
A proposta, entre outras medidas, proíbe a terceirização
da atividade-fim da empresa, que só poderá ser
desenvolvida por funcionários diretamente contratados,
com vínculo de emprego.
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Agência Diap, 5 de
abril de 2008
Padrões de crescimento
Por: João Guilherme
Vargas Netto*
Os financistas de plantão levantam a suspeita sobre
a incapacidade de a economia brasileira continuar crescendo
sem inflação e recomendam o corte do crédito
e o aumento dos juros. Duas alternativas burras que não
se justificam perante diversas outras, mais viáveis,
capazes de enfrentar com presteza eventuais problemas:
mais salários, mais investimentos, mais produção,
mais consumo e correção cambial.
Os padrões do desenvolvimento que a economia brasileira
vem sustentando já podem garantir uma discussão
estratégica sobre suas características e
seus arranjos institucionais. A primeira característica é o
crescimento econômico com democracia representativa,
sob o império da Constituição e sem
nenhuma tentação de busca de atalhos salvacionistas.
A segunda característica é o crescimento
econômico associado à distribuição
de renda e à inclusão social. A revista Veja
que é uma crítica histérica da política
governamental, teve que reconhecer com ironia amarga a
emergência da “classe dominante” constituída
pelos novos consumidores e agentes econômicos pobres
que dão base para o crescimento do PIB brasileiro
(junto com os investimentos).
A terceira característica é associada ao
futuro do crescimento e diz respeito, seja à institucionalização
das conquistas, seja ao padrão de qualidade dos
produtos e dos produtores.
A “nova economia” deve garantir o respeito
ao meio ambiente, a melhoria do padrão de vida das
pessoas (saúde, segurança e educação)
e qualificação propriamente dita dos trabalhadores,
começando com salto de qualidade representado pela
redução da jornada de trabalho sem redução
de salários e avançando com a melhor utilização
dos recursos sociais disponíveis para a qualificação
(sistema S, seguro-desemprego e educação
formal).
(*) Membro do corpo técnico
do Diap e consultor sindical de diversas entidades de
trabalhadores em São Paulo.
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Consultor Jurídico,
5 de abril de 2008
Doença pré-existente
não impede reingresso no INSS
O trabalhador que perde a condição de segurado do INSS
por um período, mas, mesmo doente, retorna ao mercado de trabalho
e recolhe as contribuições previdenciárias tem direito
ao auxílio-doença. A decisão foi tomada pela Turma
Nacional de Uniformização da Jurisprudência dos Juizados
Especiais Federais (TNU).
O relator, juiz federal Élio Wanderley de Siqueira
Filho, rejeitou o argumento do INSS de que não é viável
a concessão do benefício porque a doença
era pré-existente ao vínculo com o INSS. Para
o INSS, tanto faz se era a primeira filiação
do trabalhador ao Regime Geral de Previdência Social
ou ele estava reingressando no sistema.
Segundo o juiz, a Lei 8.213/91 exige, além da demonstração
da incapacidade, a prova da qualidade de segurado e o recolhimento
de contribuições suficientes para o atendimento
da respectiva carência. Ou seja, a doença incapacitante
não pode ser pré-existente à filiação.
No entanto, a lei não esclarece se as condições
se referem à primeira vinculação ou
a qualquer filiação, na hipótese de
perda da qualidade de segurado e posterior recuperação. “Penso
que o legislador pretendeu evitar que alguém que nunca
foi filiado ao sistema previdenciário, tendo adquirido
determinada doença, contribua por um curto período
almejando, pouco depois, a obtenção de auxílio-doença
ou aposentadoria por invalidez, causando evidente dano ao
próprio equilíbrio financeiro da Previdência
Social”, afirmou o juiz Élio Wanderley.
Para ele, convém assinalar que, no caso em discussão,
as enfermidades (hipertensão arterial e lombalgia)
tiveram natureza progressiva, pois as doenças surgiram
em 1999, mas a incapacidade temporária apenas surgiu
em agosto de 2004.
Desta forma, o juiz disse ser impossível negar o
auxílio-doença, em primeiro lugar, porque não
se tratou de filiação, mas de reingresso no
regime previdenciário, e em segundo lugar porque a
doença somente incapacitou o autor para as suas atividades
habituais em razão de seu agravamento ao longo do
tempo.
Processo 2005.63.06.002759-1
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NCST, 5 de abril de 2008
Bancários do Santander
denunciam demissões e abusos do banco
Assédio moral, metas abusivas, desrespeito
nas relações de trabalho. São esses
os depoimentos de dezenas de trabalhadores do Santander que
chegam ao Sindicato dos Bancários de São Paulo,
Osasco e Região para homologar suas demissões.
No primeiro trimestre deste ano, pelo menos 191 bancários,
da base deste sindicato, deixaram o banco espanhol em grande
parte por não suportar as condições
de trabalho. O número é 32 % maior do que no
mesmo período de 2007.
“ Todos os dias, às 9h, a gerência
geral faz uma reunião onde cada um é obrigado
a apresentar a meta que irá bater durante o dia.
Se você não atingir é humilhado na
reunião do dia seguinte na frente de todos os colegas.
Essa reunião para mim era aniquiladora, a pressão
era violenta. Você não vê um funcionário
saindo desta reunião com a cabeça erguida”,
diz uma gerente de contas que pediu para ser desligada
da empresa.
Apesar da grande quantidade de pessoas que deixam o banco,
o número de demissões também subiu.
E bastante. Foram 211 nos três primeiros meses do
ano, uma alta de 56% em relação ao mesmo
período de 2007. Bancários com mais de 20
anos de banco, muitos deles prestes a se aposentar, ou
recém-saídos de afastamento médico,
devido a doenças contraídas no trabalho,
estão sendo sistematicamente demitidos.
Em 2007, entre pedidos e demissões foram desligados
1.193 trabalhadores, na base deste sindicato, o que representa
cerca de 14% do total de funcionários. Nos primeiros
três meses do ano, os desligamentos representam 4,64%
do cerca de 8650 trabalhadores em São Paulo, Osasco
e Região.
Campanha para reagir
Para acabar com esta situação em que vivem
os trabalhadores do Santander, o Sindicato dos Bancários
de São Paulo, Osasco e região, dará início
a uma campanha, que tem caráter nacional, a partir
da próxima segunda-feira, dia 7 de abril, pelo fim
das demissões e por melhores condições
de trabalho.
“É inadmissível que os trabalhadores
passem por situações constrangedoras, nem
tampouco sejam descartados discriminadamente. Queremos
que o Santander seja o maior banco do mundo também
para os trabalhadores”, diz Luiz Cláudio Marcolino,
presidente do Sindicato dos Bancários de São
Paulo, Osasco e região.
"Queremos que o banco abra negociações
com os trabalhadores e reveja essa situação”,
completou.
Estão programadas atividades em frente a agencias
e concentrações do banco espanhol para a
distribuição de jornais e diálogo
com os trabalhadores. O mesmo será feito com a população,
que receberá uma carta aberta sobre o problema.
Também estão previstas divulgação
de spot em rádio e informes em jornais de grande
circulação.
No dia 7 de abril as atividades serão concentradas
das 9h às 11h em três agências em cada
regional do Sindicato (Centro, Norte, Sul, Leste, Oeste
e Paulista).
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Diáiro Vermelho,
5 de abril de 2008
Federações do
Sul querem greve geral pela redução da jornada
Em evento encerrado nesta sexta-feira (4) em Matinhos,
no Litoral paranaense, trabalhadores dos setores têxtil,
vestuário, couro e de calçados do Paraná,
Santa Catarina e do Rio Grande do Sul propuseram a realização
de um dia nacional de greve geral e de protestos pela redução
da jornada de trabalho e pela ratificação dos
artigos 151 e 158 da Convenção da Organização
Internacional do Trabalho (OIT).
Foi neste clima que o presidente do Centro de Estudos
Sindicais (CES), Altamiro Borges, proferiu uma concorrida
palestra na abertura do evento, na quinta. Ele disse
que o cenário atual é muito mais favorável à luta
dos trabalhadores do que em relação aos
anos 90.
“Abriram-se, nesta conjuntura, várias janelas
de oportunidades. É hora de o movimento sindical
ousar mais e exigir mais”, sugeriu.
“Este é o momento de sermos mais atrevidos,
pois os pedidos nas indústrias são altos
e o arrocho salarial acumulado na última década
precisa diminuir. É possível fazermos uma
mobilização unitária com as demais
centrais sindicais”, defendeu Altamiro Borges.
Durante os debates, Altamiro conclamou ainda os trabalhadores
a discutirem as pautas que realmente interessam à sociedade
brasileira, porque, segundo ele, “a mídia
impõe uma pauta da direita envenenada”.
“O único estado que faz um contraponto à mídia
de direita é o Paraná, através do
governador Roberto Requião [PMDB]. Ele faz um
golaço quando destoa do status quo”, elogiou
o presidente do CES.
Unificação de pautas
Além de proporem o indicativo de greve geral
e protestos pela redução da jornada de
trabalho, representantes de entidades sindicais também
discutiram a unificação das pautas nos
futuros acordos coletivos nos três estados do Sul.
Segundo Idemar Martini, presidente da Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias de Santa Catarina
(Fetiesc), seria a forma de fazer frente à superexploração
do capital em cima do trabalho. A idéia, ainda
de acordo com ele, é estabelecer um modelo de
negociação coletivo unificado, o qual seja
utilizado como modelo às demais categorias profissionais
de todo o país.
“Queremos utilizar o salário mínimo
regional do Paraná, que a partir de 1º de
maio será de R$ 548, o maior do país, como
referência nas negociações com os
patrões em acordos coletivos unificados nos três
estados do Sul”, explicou Luiz Gin, presidente
da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias
do Paraná (Fetiep), entidade coordenadora do evento.
Desde 1º de março, o salário mínimo
nacional vale R$ 415.
2º Fórum Sindical
As federações participaram também
do 2º Fórum Sindical Sul. Eles aprovaram
um “manifesto” do colegiado, que será divulgada
na p´roxima semana, que propõe o indicativo
de greve geral e que decide estimular os trabalhadores
dos demais estados brasileiros a lutarem pela instituição
de pisos salariais regionais, diferenciados do nacional,
tomando como exemplo o caso paranaense.
O objetivo é a elevação do poder
de negociação das categorias profissionais
menos organizadas.
A proposta de greve geral será pela redução
da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais,
sem redução dos salários. Já as
Convenção da OIT prevêem o direito à negociação
coletiva e a proibição da demissão
imotivada.

Fonte: assessoria de imprensa
das federações do sul
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Diário Vermelho,
5 de abril de 2008
Sindicato da Construção
Civil de Osasco, SP, filia-se à CTB
Mais de cem trabalhadores do Sindicato dos Trabalhadores
da Construção Civil de Osasco aprovaram, em
assembléia realizada na tarde desta sexta-feira (4),
a desfiliação da entidade da Força Sindical
e a filiação à CTB (Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil).
O sindicato, que é presidido pelo sindicalista
Zé Roberto, tem 15 mil trabalhadores na base, três
mil dos quais sindicalizados. A base territorial da entidade
incorpora, além de Osasco, os municípios
de Carapicuíba, Franco da Rocha e Mairiporã.
"O processo de permanência na Força
Sindical estava esgotado por alguns problemas internos.
Mas o fundamental é que a CTB é uma central
classista, combativa, que luta pela emancipação
dos trabalhadores. Isso levou a categoria a aprovar a filiação
por unanimidade. A CTB é a cara nova no movimento
sindical brasileiro", diz Zé Roberto.
A decisão foi tomada por unanimidade e a assembléia
contou com a presença de lideranças políticas
e sindicais de Osasco. O Sindicato dos Trabalhadores da
Construção Civil de Osasco é o primeiro
de Osasco a filiar-se à CTB, que foi representada
no ato por seu vice-presidente nacional, Nivaldo Santana.
Fonte: Vermelho-SP
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Congresso em Foco, 5 de
abril de 2008
A nova velha história
queremista
O desgaste de Dilma Rousseff e as
recentes declarações de José Alencar
reacendem o sinal de alerta em torno da proposta que abre
caminho para o terceiro mandato de Lula, adverte Celso Lungaretti.
Celso Lungaretti*
Foi um balão de ensaio ou mera trapalhada do vice-presidente
José Alencar? O certo é que ele deu à Rádio
Bandeirantes uma declaração das mais apropriadas
para o lançamento de uma campanha queremista: “O
Lula tem feito muito, mas ainda falta muito por fazer.
Eu digo para você, eu sou democrata. Nós não
aceitamos outra coisa que não seja democracia. O
Lula deseja fazer o seu sucessor. Mas eu digo para você que,
se perguntarem aos brasileiros, o que os brasileiros desejam é que
o Lula fique mais tempo no poder".
Ora, nada impede que os seguidores dos dois democratas apresentem uma
proposta de emenda constitucional no sentido de que seja permitida
outra reeleição – ou até mais, como nos
clubes de futebol.
Que essa é uma aspiração inconfessa de alguns
círculos palacianos, não há dúvida. Há poucos
meses, por exemplo, o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) andou articulando
uma emenda que visava outorgar ao presidente autonomia para convocar
plebiscitos, inclusive um sobre o terceiro mandato.
Lula disse preferir que as regras do jogo sejam respeitadas: tentaria
eleger Dilma Rousseff em 2010 e a si próprio em 2014. Mas a
revelação dos maus feitos de seus arapongas pode ter
tornado Dilma uma má candidata, ensejando uma mudança
de planos. Afinal, quem poderia substituí-la a esta altura,
depois do estrago que os escândalos recentes causaram à imagem
dos demais presidenciáveis do partido?
Que Lula seria facilmente reeleito, não há dúvida.
Os brasileiros têm essa carência por homens providenciais,
em cujas mãos depositam humildemente seu destino. Assim foi
com Getúlio Vargas, a quem preferiam ver como o pai dos pobres
do que como o ditador que seguia os passos de Mussolini.
O pouco que Vargas fez – dar aos trabalhadores garantias mínimas
para o exercício de suas profissões – foi muito
para quem era tratado a pontapés pelas oligarquias dominantes.
Da mesma forma, Lula, ajudado por uma conjuntura favorável da
economia mundial, alçou mais de 20 milhões de brasileiros
das classes D e E para a C. Essa gente sofrida dos grotões e
periferias é quase invisível para os formadores de opinião,
mas decide eleições.
Getúlio dominou a cena política brasileira de 1930 a
1954. Só foi apeado do poder em 1945 por força das pressões
externas, já que os EUA não admitiam, no seu quintal,
a permanência de ditadores similares aos que haviam acabado de
derrotar na Europa. Por conta disso, Vargas e Perón foram desalojados,
para voltarem depois nos braços do povo. De quebra, o primeiro
elegeu um poste (Eurico Gaspar Dutra) como seu sucessor, em 1945.
Deixando-se picar pela mosca azul, Lula também poderá eternizar-se
no poder. Via emenda constitucional ou plebiscito, tem como legalizar
seu terceiro mandato e quantos mais lhe aprouverem.
No entanto, ao aproveitar-se do apoio popular para inviabilizar a alternância
de poder, estaria indo contra o próprio espírito da democracia.
Bancadas fisiológicas aprovam qualquer coisa, casuísmos
não chocam ninguém no Brasil, as grandes massas lhes
são tão fiéis como o eram a Getúlio. Mas
deixar os adversários num beco-sem-saída pela via democrática
nunca é uma postura sábia: implica tangê-los todos
para o golpismo.
Foi assim que Vargas perdeu a vida. Torçamos para que Lula resista à tentação
de dar um passo que tende a ser desastroso para si e para o país.
Os áulicos zelam mesmo é por seus próprios interesses.
Há valores bem maiores em jogo.
*Celso Lungaretti, 57 anos, é jornalista
em São Paulo, com longa atuação em
redações e na área de comunicação
corporativa, e escritor. Escreveu Náufrago da utopia
(Geração Editorial, 2005). Mais dele em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/.
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Agência CUT, 5 de
abril de 2008
Nenhum direito a menos
CUT e juristas atacam
projeto de reformulação da CLT; deputado admite
retirá-lo
Depois de ser duramente criticado por lideranças
de diversas entidades, durante seminário realizado
ontem na Câmara dos Deputados, o parlamentar Cândido
Vaccarezza (PT-SP) admitiu publicamente que pode retirar
seu projeto de "reforma" da CLT (Consolidação
das Leis Trabalhistas), que ele já denominou "consolidação
da CLT".
A CUT e a Anamatra (Associação Nacional
dos Magistrados do Trabalho) foram as duas primeiras entidades
a intervir durante o seminário, após palestra
de abertura do ministro Gilmar Mendes (STF), que ponderou
não existir "insegurança jurídica" que
justifique o projeto do deputado. Carlos Henrique de Oliveira,
diretor executivo e um dos coordenadores do Escritório
de Brasília da CUT, destacou que o projeto vai gerar "disputa
de interpretações dentro da consolidação
num congresso que engavetou a reforma sindical, conta com
219 deputados empresários e desde a década
de 1990 vem precarizando as relações de emprego
no país".
As propostas de Vaccarezza já haviam sido fortemente
criticadas pela Direção Nacional da CUT em
reunião realizada em dezembro, para a qual o deputado
foi convidado. O presidente Artur Henrique, na ocasião,
exortou o deputado a retirar o projeto, pois do contrário
enfrentaria "forte oposição" da
Central. "Num Congresso em que a correlação
de forças não nos é favorável,
abrir tal discussão seria um passo rumo ao cadafalso,
aos ataques conservadores contra a CLT", falou Artur.
No seminário realizado ontem, um dos mais duros
ataques ao projeto coube ao presidente nacional da OAB
, Cezar Britto. A página virtual da entidade destaca
que Britto criticou alterações que acabam
por fragilizar a estrutura sindical, por minimizar a importância
da negociação coletiva e por trazer à atualidade
normas que já tinham sido revogadas da legislação
vigente. "Temos que avançar sim na reformulação
da CLT porque o Direito muda e é preciso evoluir,
mas não para manter as estruturas sindicais arcaicas
que amarravam o movimento sindical no Brasil", afirmou
Britto, citando como exemplo de mudanças para pior
a redução do papel desempenhado pelos sindicatos.
Segundo explica Britto, o sindicato hoje funciona como
substituto processual. A partir do PL, o sindicato passa
a existir como mero representante de classe, devendo, inclusive,
prestar apoio ao Ministério do Trabalho.
Também presente ao seminário, o ministro
Maurício Godinho Delgado, do Tribunal Superior do
Trabalho (TST), afirmou que não vê sucesso
no atual processo de consolidação das leis
em andamento na Câmara dos Deputados. Segundo afirmação
do Ministro "a consolidação vai revitalizar
normas que já foram enterradas pela jurisprudência".
Para o ministro, "mesmo que esse grupo tenha uma capacidade
inimaginável de sistematização de
toda a legislação trabalhista em vigor, o
resultado do jogo, na melhor das hipóteses, será um
empate, mas que "a derrota é certa".
O ministro citou como exemplo que o projeto de consolidação
prevê que o banco de horas pode ser instituído
por acordo entre o empregado e o empregador, sem a participação
do sindicato, norma que a jurisprudência do TST considera
não aplicável e exige que o banco de horas
seja autorizado por convenção ou acordo coletivo
de trabalho.
O ministro Lélio Bentes Correa, do Tribunal Superior
do Trabalho (TST), alertou que ao final do processo de
consolidação (que envolve eliminação
de ambigüidades, harmonização, atualização
da linguagem), o legislador terá que fazer opções
políticas e ideológicas. Ao final o ministro
afirmou que "a consolidação não
conta com o entusiasmo dos progressistas; e, por implicar
riscos de retrocesso, também não anima os
que querem manter as coisas como estão".
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Agência CUT, 5 de
abril de 2008
Chávez anuncia nacionalização
da indústria de cimento
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou na última
quinta-feira (3) a nacionalização imediata de toda a indústria
de cimento do país. Em um pronunciamento transmitido pela TV,
o presidente disse que seu governo não pode permitir que companhias
privadas exportem o cimento que é necessário para atacar
o grave problema habitacional da Venezuela.
"Se os ricos querem fazer suas casas, podem fazê-las,
mas respeitem os outros", disse Chávez, segundo
a Agência Bolivariana de Notícias (ABN), ao
afirmar que a indústria de cimento deve seguir o
caminho socialista. Chávez afirmou que as empresas
receberão o pagamento de uma compensação
justa pela nacionalização de um setor que
ele classificou como "estratégico" para
o país.
Três das principais indústrias de cimento
da Venezuela pertencem a grupos estrangeiros. A mexicana
Cemex domina quase metade do mercado venezuelano. Quase
todo o restante está nas mãos da francesa
Lafarge e da suíça Holcim.
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Agência Brasil, 5
de abril de 2008
Distribuição
de renda consolida mercado consumidor e amplia cidadania,
diz Lula
Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva afirmou hoje (4) que a distribuição
de renda no Brasil está na base da retomada do crescimento: “A
distribuição do emprego e da renda não
só faz recuar a pobreza e a desigualdade. Ela consolida
um mercado consumidor de massa capaz de sustentar um ciclo
virtuoso de crescimento sustentável. Mais importante,
ela amplia a cidadania.”
Em discurso antes do almoço oferecido ao presidente
da Guatemala, Álvaro Colom, no Palácio Itamaraty,
sede do Ministério das Relações Exteriores,
Lula também agradeceu o apoio da Guatemala para
que o Brasil tenha um assento permanente do Conselho de
Segurança da Organização das Nações
Unidas (ONU).
Os dois presidentes assinaram acordos de cooperação nas áreas
de energia, educação e gestão de bancos, entre
outros.
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Gazeta do Povo, 5 de abril
de 2008
Acidente
Pintor cai do 18.º andar
e sofre múltiplas fraturas
O pintor Reinaldo Quintiliano, de 41 anos, sofreu
múltiplas e graves fraturas ao cair do 18º andar
de um prédio em construção no bairro
Mossunguê, em Curitiba. O operário, que está internado
em estado grave no Hospital Evangélico, sofreu traumatismo
na cabeça e na coluna, fratura no fêmur e no
tornozelo direito, além de queimaduras de 2º grau
nas mãos.
O acidente aconteceu por volta de 9h30 de ontem. Quintiliano,
que é funcionário da empresa VDM Pinturas Decorativas,
prestava serviços no prédio Lasar Segall, que
está sendo erguido pela construtora Plaenge. O pintor
estava a uma altura de quase 60 metros, no 18º andar,
quando despencou. Ele só parou ao cair sentado na
laje do prédio, na altura do primeiro andar. Apesar
da gravidade do acidente, durante todo o atendimento feito
pelos socorristas do Siate, Quintiliano se manteve lúcido
e reclamava muito das dores.
O desfecho deste acidente poderia ter sido pior, informou
o Corpo de Bombeiros, se o pintor não se agarrasse à corda
do equipamento de segurança – que freou e suavizou
a queda. O equipamento de segurança estava intacto – a
corda principal e de segurança não estava rompida. “É cedo
para dizer o que aconteceu. Não se sabe se ele fez
algum procedimento errado.
Mas é uma possibilidade, já que o equipamento não
foi rompido”, afirmou o tenente Leonardo Mendes, do Corpo de
Bombeiros. As causas do acidente estão sendo investigadas pelo
Núcleo de Repressão a Crimes contra a Saúde Pública – que
cuida também de acidentes de trabalho.
A delegada Paulo Brisola não descarta a possibilidade de uma
falha no equipamento de segurança. “A princípio
parece que houve uma falha no travamento do equipamento de segurança
do funcionário. Mas só a perícia poderá dizer
se houve falha humana ou do equipamento”, concluiu.
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Gazeta do Povo, 5 de abril
de 2008
Ensino médio
Curitiba é a capital
com a sexta melhor média no Enem
Apesar de ter obtido o pior desempenho entre as capitais
do sul do país, na média da prova objetiva
com correção de participação,
no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem 2007), Curitiba
ficou em 6º lugar no ranking das capitais com as maiores
médias. Os estudantes de Vitória, no Espírito
Santo, obtiveram a média mais alta, de 61,8. No Brasil,
a média ficou em 48,3, segundo informações
disponibilizadas pelo site do Instituto Nacional de Estudos
e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Como em todo o país, o desempenho dos alunos de
escolas públicas acabam puxando a média do
município para baixo. Se considerada apenas a rede
particular de ensino, a nota média obtida pelos
estudantes foi de 68,3. Já os que concluíram
o ensino médio em escolas públicas ficaram
geralmente com notas de 50,5. Porém, foi uma escola
pública – o ensino médio da Universidade
Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – a única
a figurar no ranking das escolas, divulgado na quarta-feira,
com as 20 maiores médias.
Existente há dez anos, o Enem avalia o desempenho
de concluintes, quem já terminou o ensino médio
e de quem abandonou os estudos e retornou para as salas
de aula. Nos últimos três anos, o Inep passou
a disponibilizar a consulta eletrônica, que permite
visualizar a situação de escolas e municípios.
No site da instituição, estão disponíveis
informações sobre as escolas, número
de participantes e quatro médias (da prova objetiva,
da prova de redação, da prova objetiva com
correção de participação e
da média geral com correção de participação).
A correção de participação,
segundo explica o diretor de avaliação da
educação básica do Ministério
da Educação (MEC), Amaury Gremald é uma
fórmula matemática que corrige a não
participação na avaliação. “Uma
vez que a participação não é obrigatória
aplicamos a correção para equalizar isso”,
diz.
Equivocado?
Sem emitir um índice absoluto, até que ponto
o Enem pode ser utilizado para medir a qualidade do ensino
e comparar médias de instituições,
tanto públicas quanto privadas? Para a superintendente
de educação da Secretaria da Educação
do Paraná, Yvelise Arco Verde, o Exame é importante
pois é uma das características que compõem
a fase de avaliação educacional a qual o
país está sendo submetido. “Devemos
ter cuidado ao relativizar os dados”, diz. “O
ranking é interessante para ver onde cada um se
situa e a partir daí como atuar. Mas a qualidade
de uma escola não se mede só por isso.”
Na opinião de Yvelise, o critério de avaliação
ainda é elitista e seletista e não coloca
em xeque a escola como um todo. “Temos histórias
e culturas diferentes, não tem como comparar a realidade
do Sul com a do Nordeste, a urbana com a rural. A história
das pessoas são diferentes. Nas escolas particulares,
ou mesmo nas públicas que estão melhores
colocadas, estudam alunos com famílias que sempre
se interessaram mais pelo processo educacional”.
O presidente do Conselho de Educação do
Paraná, Romeu Gomes de Miranda, concorda que o Enem
não é o melhor instrumento de avaliação
do ensino médio, mas defende que a sociedade precisa
ter conhecimento do desempenho das escolas. Já a
questão da diferença de qualidade entre as
instituições púbicas e privadas é histórica. “A
desvalorização da escola pública vem
desde a década de 70, na medida que as famílias
foram se desestruturando. Os pais foram para o mercado
de trabalho e os filhos entregues à sorte. Enquanto
o governo não resolver o problema do contraturno,
a escola pública não terá bom desempenho”,
diz.
As 10 mais
O desempenho dos estudantes do Enem 2007, colocou Curitiba entre as
dez capitais com melhor média na Prova Objetiva com correção
de participação. Já nas 20 escolas com maiores
notas, a capital paranaense aparece uma vez. Confira.
Brasil 48,3
1º Vitória (ES) 61,8
2º Porto Alegre (RS) 58,4 - Porto Velho (RN) 58,4
3º Florianópolis (SC) 57,4
4º Brasília (DF) 56,3
5º Belo Horizonte (MG) 56
6º Curitiba (PR) 54,7
7º Rio de Janeiro (RJ) 53,8
8º São Paulo (SP) 52,8
9º Goiânia (GO) 52,6
10º Aracaju (SE) 52,1
Região Sul
1º Porto Alegre (RS) 58,4
2º Florianópolis (SC) 57,4
3º Curitiba (PR) 54,7
Fonte: Mec/Inep, segundo média
das provas objetivas com correção de participação.
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O Estado do Paraná,
5 de abril de 2008
Indústria
PR cresce em produção
e vendas
Pesquisas indicam que o setor industrial
paranaense está mais aquecido que a média nacional,
mas especialistas alertam para desaceleração
Duas pesquisas divulgadas ontem confirmam a boa fase da
indústria paranaense no início deste ano.
Números regionais da Pesquisa Industrial Mensal,
do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística
(IBGE), mostram um crescimento de 12% na produção
física do estado em relação a fevereiro
de 2007. É o 17º resultado positivo nesse tipo
de comparação. O indicador do acumulado no
primeiro bimestre de 2008 também mostra expansão
de 15,3% no Paraná – bem acima da média
nacional, que ficou em 9,2%.
Na outra ponta, a pesquisa de Indicadores Conjunturais
da Federação das Indústrias do Estado
do Paraná (Fiep), que avalia as vendas no setor,
indica um crescimento de 23,7% no primeiro bimestre. Trata-se
do melhor período de toda a série histórica,
que começou em 1986.
A economista Denise Cordovil, coordenadora da pesquisa
de indústria do IBGE, avalia que o crescimento é resultante
de um estímulo do mercado interno, mas que os estados
de maior estrutura industrial podem apresentar uma desaceleração
no ritmo. “Pode haver uma acomodação
na ponta, mas isso não indica uma reversão,
uma vez que a comparação do acumulado nos últimos
12 meses aponta uma tendência crescente”, diz.
No índice mensal, 9 das 14 atividades pesquisadas
no Paraná assinalaram taxas positivas. Os segmentos
de veículos automotores (47,7%), máquinas
e equipamentos (25,7%), refino de petróleo e produção
de álcool (28,2%) e celulose e papel (14,2%) tiveram
o maior impacto positivo. O destaque negativo ficou por
conta do setor de alimentos (-13,2%), influenciado pelo
decréscimo de carnes e miudezas de aves. Sozinho,
o setor de alimentos representa algo em torno de 20% da
indústria paranaense.
O economista da Fiep Roberto Zurcher também alerta
para uma diminuição no ritmo de crescimento
das vendas. “Vamos continuar crescendo, mas em taxas
cada vez menores, já que a partir de março
a base de comparação fica cada vez mas alta”,
pondera. Segundo ele, a evolução da economia
paranaense depende especialmente de dois fatores. “A
evolução da crise americana, já que
exportamos muito para aquele mercado, e a queda no preço
das commodities, que pode afetar a cadeia da agroindústria”,
ressalta Zurcher. “Equilibrando esses dois itens,
podemos crescer acima dos números do ano passado,
que foram recordes”, completa.
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Folha de Londrina, 5 de
abril de 2008
Seu Direito - Segurados Facultativos
A pessoa desempregada, que não exerce nenhuma atividade e deseja
começar a recolher o INSS, deve cumprir quantos anos de contribuição
para se aposentar por tempo de contribuição?
O cidadão desempregado apto ao trabalho, assim
como os demais segurados, deve contribuir para fazer jus
a algum benefício da Previdência Social. Enquadram-se
nesta categoria as pessoas que deixaram de exercer atividade
remunerada e estão sem trabalhar (ex-empresários,
ex-autônomos, ex-empregados, entre outros) e a dona
de casa sem empregados, o estudante, entre outros.
São os chamados segurados facultativos, que devem
necessariamente efetuar os recolhimentos em dia, sob pena
de não computá-los para efeito de carência
se pagos em atraso.
O recolhimento terá como base de cálculo
o valor a partir de um salário mínimo até o
teto de dez salários-de-contribuição,
conforme estabelecido pelo INSS. O valor do benefício
requerido será calculado da mesma forma que é feito
para todos os segurados.
Para aposentar-se por tempo de contribuição, é necessário
que o segurado facultativo homem tenha contribuído
por 35 anos ao INSS, e a mulher, por 30 anos. Nestes casos,
não é necessário que a obreira tenha
completado 48 anos de idade ou que o segurado do sexo masculino
possua 53 anos, bastando apenas que tenha o tempo de serviço/contribuição
necessário e a carência mínima exigida
por lei.
Os segurados que trabalharam anteriormente e contribuíram
para o INSS podem também somar este tempo, para
juntamente com o período contribuído como
segurado facultativo, implementar as condições
para a aposentadoria.
Para ter direito à aposentadoria por tempo de contribuição
proporcional, o segurado facultativo que possuir, até 16
de dezembro de 1998, mais de 30 anos de contribuição
se for do sexo masculino, ou mais de 25 anos caso seja
do sexo feminino, pode aposentar-se proporcionalmente independentemente
do requisito da idade mínima.
As pessoas que atingiram este tempo a partir de 16 de
dezembro de 1998 devem ter completado a idade mínima
de 53 anos (homem) e 48 anos (mulher), e ainda terão
um acréscimo de 40% no tempo de contribuição
faltante após esta data para a concessão
da aposentadoria proporcional.
Fábio Antonio da Silva
Martin, advogado
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Folha de Londrina, 5 de
abril de 2008
Veto à fiscalização
de contribuição sindical é respeito à Constituição,
diz Marinho
São Paulo - O veto do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva ao artigo que exigia fiscalização
pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a contribuição
sindical obrigatória – e que constava do texto
aprovado pelo Congresso Nacional que regulamentou as centrais
sindicais –, é um ato de respeito à Constituição,
afirmou nesta sexta-feira (4) o ministro da Previdência
Social, Luiz Marinho.
A Constituição, explicou, prevê que
as entidades sindicais não devem ter intervenção
do Estado.
Após participar do seminário Terceirização
no Brasil – Avanços e Acordos Possíveis,
Marinho disse que a regulamentação atribui às
centrais sindicais o patamar de entidade sindical, já que
elas vinham interagindo e negociando com os segmentos da
economia, mas não tinham permissão legal para
responder juridicamente pelo que negociavam.
“A entidade sindical responde pelo que negocia e será fiscalizada,
como todos os sindicatos brasileiros. Não entendo
o motivo da 'chiadeira' de quem acha que o presidente fez
algo errado. Ele simplesmente está respeitando a Constituição”,
afirmou.
O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT),
Ricardo Patah, lembrou que a regulamentação
permitirá às centrais dar andamento a outras
questões e contribuirá para a inclusão
social. Sobre a fiscalização dos gastos, ressaltou
que elas contam com um conselho fiscal e assembléias
de prestação de contas, além da divulgação
dos editais e resultados dos orçamentos e suplementação,
nas publicações sindicais. “Existe já um
sistema que permite aos trabalhadores perceber as contas,
de forma transparente, e todas as questões que são
instrumentalizadas dentro do movimento sindical”, disse.
Para o secretário-geral da Força Sindical,
João Carlos Gonçalves, o Juruna, as campanhas
feitas contra a contribuição do trabalhador
ao sindicatos têm o objetivo de enfraquecer as centrais: “Uma
entidade sem financiamento não tem advogado, bom negociador,
instrumentos de mobilização que lhe garantam
argumentos para defender os trabalhadores. É importante
garantir o financiamento e que os trabalhadores possam fiscalizar
seus sindicatos.”
Na avaliação do presidente da Central Geral
dos Trabalhadores (CGTB), Antônio Fernandes Neto, o
veto veio em boa hora, porque as centrais sindicais não
têm problema em prestar contas de seus gastos. Ele
destacou que o dinheiro das centrais não é público
e sim do trabalhador, que contribui com um dia de trabalho
a cada ano. “Nós é que damos ainda para
o governo, na conta salário emprego, 10% do dia sindical
dos trabalhadores. Não é dinheiro público
nenhum. É dos trabalhadores para a estrutura dos trabalhadores”,
disse.
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Revista Consultor Jurídico,
5 de abril de 2008
Saldo devedor
Empresa pode descontar dívidas
de funcionário demitido
Mesmo que o funcionário tenha sido demitido, empresa pode descontar
os valores adiantados a ele durante o contrato de trabalho. O entendimento é da
6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho. Os ministros mantiveram
decisão da Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro e permitiram
que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) cobre
os valores devidos por um carteiro demitido.
Para os ministros, embora a CLT limite os descontos, no
ato de rescisão, ao valor do salário do mês,
não se trata de desconto rescisório, mas de
cobrança judicial de saldo devedor. O relator foi
o ministro Aloysio Corrêa da Veiga.
Contratado em julho de 1989, o carteiro foi demitido, por
justa causa, em outubro de 1996. Na elaboração
dos cálculos rescisórios, os Correios constatou
a existência de saldo devedor por parte do empregado.
O saldo é decorrente do adiantamento de vale-alimentação,
gratificação de Natal e férias, anuênios
e despesas pela não-devolução de uniformes.
De acordo com o processo, a empresa convidou o carteiro várias
vezes para a liquidação amigável do
débito, mas ele não compareceu. Diante disso,
ajuizou ação para cobrança do débito.
Como o empregado faltou a primeira audiência, foi
solicitada pelos Correios a declaração de revelia
e a aplicação da pena de confissão quanto à matéria.
Coincidentemente, o empregado ajuizou reclamação
contra a empresa em setembro de 1997, em que solicitou a
imediata reintegração ao emprego e, caso não
fosse aceito, a declaração de dispensa sem
justa causa e pagamento das verbas rescisórias. Na
audiência desta reclamação, em dezembro
de 1997, teve a desagradável surpresa de saber que
a empresa havia ingressado com a outra ação — na
qual ele fora condenado à revelia.
O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ) acolheu Recurso Ordinário da ECT. Segundo o Tribunal,
o próprio artigo 477, parágrafo 5º da
CLT, autoriza a compensação ou dedução,
no ato de rescisão contratual, de valores adiantados
ao empregado no curso do contrato de trabalho. Além
disso, a revelia teria acarretado a veracidade dos fatos
alegados pela empresa na ação de cobrança
(confissão ficta) e, dessa forma, não caberia
falar no limite de um mês de remuneração
para as deduções, pois não houve impugnação
específica neste sentido.
Contra essa decisão, o carteiro recorreu ao TST.
Sustentou que sua revelia não poderia ocasionar a
procedência do pedido da empresa e que a compensação
de valores não seria possível, pois o montante
ultrapassava o recebido por ele.
O ministro Aloysio Corrêa da Veiga, relator do processo,
observou que não se tratava de valores de adiantamento
descontados no termo rescisório. “No caso em
exame, trata-se de ação de cobrança
de adiantamentos feitos pelo empregador ao empregado, em
que havia impossibilidade de seu desconto total no termo
de rescisão”, assinalou.
“A empresa serve-se da ação apropriada
para buscar o recebimento dos créditos que tinha junto
ao empregado”. O relator acrescentou que a impossibilidade
de compensar, nas verbas rescisórias, adiantamentos
em valor superior ao mês da rescisão, tratado
no artigo 477, parágrafo 5º da CLT, não
representa o perdão da dívida, que é passível
de cobrança por meio de ação própria,
como foi feito. “Claro, portanto, que o dispositivo
não impede que o credor venha a juízo buscar
o recebimento de parcelas incontroversamente devidas pelo
empregado, ainda mais quando configurada a revelia”,
concluiu.
RR-585/1997-013-01-00.0
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Folha de São Paulo,
5 de abril de 2008
Dilma nega dossiê e cogita
até invasão de computador
Ministra usa reprodução
publicada pela Folha para lançar suspeita de manipulação
"Esse processo tem uma direção
certa; é endereçada a mim", afirmou Dilma,
que chamou de "suposto dossiê" o conjunto
de planilhas
MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apresentando-se como principal vítima da crise do
dossiê, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) levantou
ontem a possibilidade de "invasão" dos computadores
do Palácio do Planalto. Ao se manifestar sobre a reportagem
da Folha com cópia do dossiê com gastos do ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso extraída diretamente da
Casa Civil, Dilma insistiu na versão de que teria
havido montagem das informações contidas no
banco de dados organizado no órgão.
" Há a possibilidade de um computador da Casa Civil, um bem público,
ter sido invadido", afirmou a ministra em pronunciamento. Ironicamente,
sugeriu que seria fácil rastrear a "invasão" da rede
do Planalto. "Parece a história do agente secreto com crachá."
Em seguida, relatou que são maiores as chances de alguém
de dentro da Casa Civil ter copiado os arquivos. "Não descartamos
nenhuma hipótese."
Após ter cancelado sua agenda e passado parte do dia cuidando
das providências para rastrear a origem do vazamento de informações
do Planalto -sua maior preocupação-, Dilma anunciou que
cinco computadores da Casa Civil haviam tido o uso suspenso ontem para
averiguações.
Na véspera, quando procurada a se manifestar previamente sobre
o conteúdo da reportagem publicada ontem, a Casa Civil optou
por não comentar as informações. " Eu acho
que hoje, com a publicação deste material na Folha, rui
por terra a versão de que a Casa Civil fez um dossiê para
chantagear ou para incriminar", disse a ministra.
Ontem, Dilma reiterou a mais recente versão apresentada pela
Casa Civil para o dossiê. Segundo ela, houve montagem nas informações
extraídas da base de dados montada oficialmente para organizar
processos de prestação de contas de despesas do ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso, sua mulher e ministros tucanos com suprimento
de fundos.
A cópia da planilha Excel a que a Folha teve acesso registra
o retrato do banco de dados montada pela Casa Civil em 18 de fevereiro.
Contém as informações -idênticas no formato,
na seqüência, até nos erros de português- às
do trecho de um outro documento, com 13 páginas, que já havia
sido noticiado pela "Veja" e pela Folha.
As planilhas registram até o horário em que a Casa Civil
começou a lançar os dados colhidos no arquivo morto do
Planalto, com as despesas de FHC: 15h28 de 11 de fevereiro. Naquela
altura, o governo ainda tentava evitar a instalação de
uma CPI no Congresso para investigar os gastos da equipe de Lula com
cartões corporativos.
Dilma se apegou ao fato de a Folha ter retirado o horário em
que os arquivos foram extraídos da base de dados do Planalto,
em 18 de fevereiro, para sustentar que teria havido montagem no material
a que o jornal teve acesso. A retirada foi feita para proteger o anonimato
da fonte da informação.
A ministra afirmou ser "perfeitamente possível capturar
o arquivo, copiá-lo e modificá-lo. "Numa planilha
Excel, monta-se o que se quer", disse. Dilma não esclareceu
que esse tipo de mudança no arquivo deixaria registros nas propriedades
do programa Excel e que estes poderiam ser verificados por uma perícia
da Polícia Federal, que a Casa Civil recusa.
Durante pouco mais de 40 minutos em que listou hipóteses, Dilma
Rousseff apontou apenas uma certeza - a de que se considera a principal
vítima da crise do dossiê, iniciada 14 dias atrás. "O
que eu queria afirmar é o seguinte: a pessoa que está sendo
prejudicada por esse processo e a instituição que está sendo
prejudicada é o governo e a Casa Civil e, especificamente, eu
acho é que tem uma direção certa, endereçada
a mim. Há uma tentativa muito clara em atribuir à Casa
Civil a responsabilidade pelo quê? Por um suposto dossiê",
afirmou a ministra, que é cotada como candidata à sucessão
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O fato de apontar a si mesma como maior prejudicada pelo caso é um
dos argumentos de Dilma para negar que o dossiê montado no Planalto
tivesse como objetivo constranger a oposição na CPI dos
Cartões. Outro argumento renovado ontem é que a base
de dados não conteria nenhum dado desabonador contra o governo
tucano.
A ministra não explicou o viés político tanto
da organização de dados do dossiê sobre despesas
de FHC nas planilhas da Casa Civil como de anotações
contidas nos documentos.
A ministra chegou a dizer que as planilhas só continham gastos
com "três coisas": alimentação, transporte
e hospedagem. E não soube explicar as menções
a detalhes de bebidas alcoólicas, à compra de balinhas
(inclusive com licor) ou de uma touca de natação ou ainda
de itens de consumo de luxo, como estragão francês.
Dilma afirmou que a base de dados a que a Folha teve acesso com as
informações lançadas até 18 de fevereiro
deixou de ser abastecida em 27 de fevereiro. A partir dali, os dados
teriam sido lançados diretamente no sistema oficial de controle
de suprimento de fundos, o Suprim. Ela alegou diferenças entre
as prestações de contas de suprimentos de fundos anteriores
ao uso do cartão corporativo do governo como motivo para a montagem
de uma base de dados paralela, cujas informações não
serão encaminhadas à CPI dos Cartões.
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Folha de São Paulo,
5 de abril de 2008
EUA registram perda de 80 mil
empregos
Redução em março
foi a maior em cinco anos e reforça análises
de recessão já em curso na maior economia do
mundo
Índice de desemprego subiu para
5,1%, maior nível desde setembro de 2005; após
divulgação, Tesouro admite possível
recessão
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Os Estados Unidos tiveram em março a maior perda
de empregos em cinco anos, reforçando análises
de que o país já está em recessão
e aumentando as perspectivas pessimistas para o resto do
ano.
Houve perda de 80 mil vagas no mês passado, o terceiro seguido
de contração no mercado de trabalho e o maior desde março
de 2003, início da Guerra do Iraque, informou o Departamento
do Trabalho dos Estados Unidos.
A taxa de desemprego no país aumentou para 5,1% em março,
0,3 ponto percentual acima dos 4,8% registrados em fevereiro. O índice é o
mais alto desde setembro de 2005, após a passagem do furacão
Katrina.
Até março, o país perdeu 232 mil vagas, uma média
de 77 mil por mês. No último semestre do ano passado,
houve crescimento médio de 76 mil postos por mês.
Após a divulgação dos dados, o porta-voz da Casa
Branca, Tony Fratto, disse que os índices ruins eram esperados,
mas que há a expectativa de recuperação durante
o ano. "A fraqueza neste trimestre era esperada, com um crescimento
econômico achatado e um mercado de trabalho frágil."
Recessão
O Tesouro americano disse que concorda com o presidente do Fed (BC
dos EUA), Ben Bernanke, que admitiu pela primeira vez a possibilidade
de uma recessão, na quarta-feira.
" Sem levar em consideração onde está precisamente
o crescimento do PIB, sabemos que haverá expansão consideravelmente
menor que o ideal, e isso vai impactar todos os aspectos importantes para os
americanos", disse o secretário-assistente de políticas públicas
do Tesouro, Phillip Swagel.
Para analistas, o crescimento do desemprego atesta a entrada do país
em recessão. "Um crescimento dessa magnitude nunca ocorreu
no período do Pós-Guerra sem que a economia estivesse
em recessão", afirmou o economista-chefe do Bear Stearns,
John Ryding.
Para o analista do Credit Suisse Carl Lantz, os dados não só marcam
o início de uma recessão mas uma maior que as últimas
duas. "É só o começo."
Já para o economista do Lehman Brothers Drew Matus, o PIB dos
EUA terá redução de 0,5% no primeiro trimestre.
A perda de vagas também aumentou as apostas de que o Fed reduzirá ainda
mais os juros neste mês. "A reação do BC deve
ser a de manter as taxas em baixa", disse o analista do Société Générale
Stephen Gallagher. A taxa está em 2,25%.
Houve perdas em quase todos os setores da economia, mas a maior foi
na construção civil, com 51 mil vagas cortadas em março,
nono mês de redução. A indústria perdeu
48 mil vagas, grande parte no setor automobilístico. Mas o fechamento
de postos atingiu também setores como serviços (35 mil)
e comércio (12.000), o que, para analistas, mostra que os cortes
não chegaram ao pico.
" Mais setores começaram a se deteriorar, o que sugere que as demissões
não terminaram", disse Matus, que afirma acreditar que o índice
de desemprego vá chegar a 6%.
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Folha de São Paulo,
5 de abril de 2008
TRABALHO:
Para não demitir, Francesa propõe
vaga no Brasil
A filial francesa de um grupo têxtil italiano propôs a alguns
de seus funcionários vagas em sua fábrica no Brasil, com
remuneração equivalente a um terço do salário
mínimo na França, como alternativa a demissões.
A informação é da BBB Brasil. A proposta chocou
os empregados da Staf, que produz fios de poliéster tingidos.
A empresa é filial da italiana Sinterama, que tem oito fábricas
no mundo, uma em Alfenas (MG). "A empresa nos oferece a alternativa
sabendo que não vamos aceitar", diz o funcionário
Alain Leclercq. Os sete funcionários que vão ser demitidos
poderiam em vez disso serem enviados ao Brasil, onde receberiam salário
mensal de 350 euros (R$ 950).
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