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Agência Diap, 6 de
abril de 2008
SAÚDE NO TRABALHO
Eletricitários de SP: sindicato
alerta sobre acidentes de trabalho
O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo
(Stieesp), entidade filiada ao DIAP, alerta que medidas simples poderiam
reduzir muito o número de acidentes de trabalho no setor,
protegendo a vida e a saúde dos trabalhadores. Última
pesquisa mostra que 93 profissionais (19 das concessionárias
de energia elétrica e 74 de empresas terceirizadas) perderam
a vida em 2006. “É preciso mais treinamento, capacitação
e fiscalização pelos órgãos competentes”,
pondera Antonio Carlos dos Reis “Salim”, presidente do
sindicato.
Evitar acidentes do trabalho no setor é uma das principais metas
do Stieesp, ante a gravidade das estatísticas referentes ao problema.
De acordo com a última pesquisa realizada pela Fundação
Coge (Funcoge), nas empresas de transmissão, geração
e distribuição de energia elétrica, num universo
de 100 mil profissionais, foram registrados, em 2006, 719 acidentes,
sendo 19 fatais. O número é bem superior aos 504 acidentes
ocorridos em 1997, ano com o menor registro.
No segmento dos serviços terceirizados contratados pelas companhias
do setor, os números são mais graves, especialmente quanto
ao índice de letalidade. Nas empresas terceirizadas, foram registrados
74 acidentados fatais em 2006, o índice mais alto desde 1999.
Houve aumento de 30% no número de acidentados fatais em relação
ao ano anterior (57), número já muito elevado.
“É
interessante observar que as estatísticas de acidentes
aumentaram de maneira significativa. Houve uma transferência
dos acidentes dos funcionários das contratantes para
os das contratadas”, ressalta Antonio Carlos dos Reis “Salim”,
presidente do Stieesp e da Federaluz e vice-presidente da
UGT (União Geral dos Trabalhadores).
Os acidentes fatais têm três possíveis causas: elétrica,
queda e veículo. As duas primeiras, em especial, podem ser evitadas
com medidas simples e essenciais de segurança. Porém algumas
empresas esquecem dessa obrigação e não fornecem
equipamentos apropriados ou em condições de uso adequadas.
“Pelos números de acidentes, é evidente
que as empresas não investem em segurança
para os trabalhadores. Uma das principais causas em nossa
avaliação é a falta de treinamento,
capacitação e fiscalização
por parte dos órgãos competentes”,
afirma Salim.
Acidentes de trabalho não acarretam apenas prejuízos à saúde
dos funcionários, mas também perdas financeiras
exorbitantes. Em 2006 foram gastos mais de R$ 668 milhões.
Esse valor é o suficiente para a construção
de dez Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH’s)
de 30 megawats (MW), ideais para atender à demanda
de aproximadamente um milhão de habitantes. (Fonte:
Stieesp)
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Agência Diap, 6 de
abril de 2008
MOVIMENTO SINDICAL
CUT responde ataques da "Folha" à sanção
do projeto das centrais sindicais
Na edição da última sexta-feira
(4), a Folha de S.Paulo publicou editorial sobre
a sanção do PL 1.990/07, que regulamenta o
funcionamento das centrais sindicais – Lei
11.648, de 31 de março de 2008.
Ao sancionar o projeto, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva vetou
o artigo 6o da proposição, que determinava
que a aplicação dos recursos arrecadados,
pelas entidades sindicais – sindicatos, federações,
confederações e centrais – por meio
da contribuição sindical fossem fiscalizados
pelo TCU.
Dessa forma, Lula vetou o artigo “em face do princípio
da autonomia sindical, o qual sustenta a garantia de autogestão às
organizações associativas e sindicais”,
que também veda a interferência do Poder Público
na organização sindical.
Assim, o presidente da CUT, Artur Henrique, enviou breve
carta em resposta ao jornal. (Marcos Verlaine, com CUT)
Leia a carta:
"O TCU, desde sempre, fiscaliza as entidades sindicais
na execução de projetos e parcerias que envolvam
dinheiro público. E tem mesmo de ser assim.
O veto presidencial ao PL 1.990/07 não se refere,
no entanto, a dinheiro público.
A nova legislação diz respeito também às
entidades sindicais de empregadores (associações
empresariais, financeiras e outras), mas a Folha não
informa isso aos leitores.
A CUT continuará seus esforços para a extinção
do imposto sindical. Neste momento, estamos lutando para
dar encaminhamento ao acordo com as demais centrais e o
Ministério do Trabalho, conforme consta inclusive
na lei sancionada, para acabar com o imposto e substitui-lo
pela contribuição negocial, que não
será obrigatória mas sim aprovada em assembléia.
Artur Henrique
Presidente nacional da CUT”
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Diário Vermelho,
6 de abril de 2008
'CartaCapital': o dossiê que
virou complô
A oposição ainda
espumava em direção ao Palácio do Planalto,
mas até o final da semana um único nome tinha
vindo à tona como responsável pelo vazamento
de informações sigilosas, no caso do suposto
dossiê que o governo teria preparado para ameaçar
a oposição na CPI dos Cartões Corporativos.
Por Cynara Menezes, na CartaCapital
O nome é de um tucano, o senador Álvaro
Dias, do Paraná, que admitiu ter sido uma das fontes
de informação da revista Veja, na reportagem
divulgada em 26 de março, na qual o governo Lula
era acusado de “chantagear” o PSDB com uma
compilação de gastos do primeiro escalão
do governo FHC.
O cenário que se descortinava, ao contrário
de um dossiê governista, era o de um complô montado
pelos oposicionistas para atingir a pré-candidata
de Lula à Presidência, a ministra da Casa
Civil, Dilma Rousseff. Um complô no qual estavam
não somente políticos, como a mídia
em peso.
A mistura entre política rasteira e mau jornalismo
resultou numa trama rocambolesca, em que várias
perguntas ficaram no ar, sem respostas convincentes. Quem
ou quais foram os autores, dentro do governo, da tal chantagem?
A revista que publicou a denúncia não deu
nomes. Muito menos seu informante, o senador tucano.
Existe relação entre a ministra e o vazamento
das informações? A Folha de S.Paulo de sexta-feira
28 de março afirmou em manchete que o braço
direito de Dilma, Erenice Guerra, secretária-executiva
da Casa Civil, teria sido a responsável pelo suposto
dossiê, mas não apresentou nenhuma prova contra
a funcionária. E, por último, o mais relevante:
quem pinçou as informações sobre os
gastos de Fernando Henrique Cardoso e de sua mulher, dona
Ruth, do banco de dados da Casa Civil? Ou seja, se existe
um dossiê, quem o fabricou?
Os próprios petistas, conhecedores dos embates
internos de sua legenda, não descartavam a possibilidade
de “fogo amigo”. Alguém do partido interessado
em empanar a candidatura da ministra. Diante da confissão
do envolvimento do senador tucano Álvaro Dias no
episódio, essa versão perdeu força,
ao mesmo tempo que uma segunda hipótese ganhava
terreno: a de que existe um espião da oposição
dentro do Palácio do Planalto, pronto a prestar
auxílio aos inimigos.
“Está claro o objetivo de atingir a ministra.
O que a princípio parecia ser um vazamento de informações,
está se configurando como espionagem”, afirma
o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). “Vejo
três vítimas do tal dossiê até agora:
o governo como um todo, a ministra Dilma e o casal Fernando
Henrique e Ruth Cardoso. O PSDB vazou informações
sem se preocupar em nenhum momento em resguardar o ex-presidente
e sua mulher, como se qualquer meio valesse a pena para
atingir a ministra Dilma.”
Na quinta-feira 3, Jucá tentava reverter a derrota
sofrida para a oposição, que conseguiu aprovar
a convocação da titular da Casa Civil para
depor na Comissão Permanente de Infra-Estrutura
do Senado. Será a oportunidade que a oposição
tanto buscava para manter de pé o assunto. Antes
disso, tucanos e demos haviam sido derrotados em suas tentativas
de convocar a ministra na CPI Mista dos Cartões
Corporativos.
No corredor da ala das comissões, o líder
do PSDB, Arthur Virgílio, fazia a festa com a vinda
da ministra. “Vou perguntar o que quiser, até mesmo
onde ela comprou o vestido que porventura estiver usando.
Nada me impede”, provocou o senador.
Enquanto isso, na reunião da CPI, o embate entre
governistas e oposicionistas pegava fogo. Álvaro
Dias era colocado contra a parede por parlamentares que
exigiam explicações sobre sua real participação
no episódio. “O senador foi o atravessador
de um produto criminoso”, acusou a deputada Perpétua
Almeida (PCdoB-AC). Um dos mais agressivos, o deputado
Silvio Costa, do PMN de Pernambuco, chegou a insinuar que
Dias se tornara “o Cabo Anselmo da CPI”, em
referência ao famoso agente duplo e delator de guerrilheiros
na época da ditadura militar.
Alvo de especulações da mídia durante
as últimas duas semanas, a existência do dossiê sempre
foi negada pelo governo, que também apontava desde
o princípio, nos bastidores, para a possibilidade
de terem sido os próprios tucanos os autores do
documento. Mesmo porque, durante a semana, foi revelado
na CPI que o senador Arthur Virgílio sabia da existência
de um banco de dados sobre os cartões corporativos
na Casa Civil desde 2005, quando fez um requerimento pedindo
informações sobre os gastos de dois ocupantes
da pasta durante o governo Fernando Henrique, Clóvis
Carvalho e Pedro Parente, que chefiaram a Casa Civil no
período.
Curiosamente, os jornalistas que acompanharam de perto
a cobertura do caso não cuidaram de averiguar se
poderia haver alguma ligação com os tucanos.
Não seria algo descabido, longe disso. O suposto
dossiê, em última instância, prejudicaria
muito mais o governo do que a oposição.
A versão que ameaçou colocar o governo contra
as cordas veio abaixo quando o blog do jornalista Ricardo
Noblat divulgou, na quarta-feira 2, o envolvimento do senador.
Noblat veiculou a íntegra do pseudodossiê,
contendo 12 páginas, onde aparecem despesas diversas
do alto escalão do governo Fernando Henrique, incluindo
itens como aluguel de carros, compra de bebidas, de frutos
do mar e até de artigos exóticos como unhas
postiças e fechos para sutiã. Miudezas similares às
que apareceram no escândalo dos cartões corporativos
do governo Lula, revelado em janeiro. Esmiuçando
a relação de gastos, é possível
ao cidadão comum ter uma idéia dos hábitos
dos governantes: os tucanos, por exemplo, pelo visto não
metiam a mão nos próprios bolsos para nada,
nem mesmo ao comprar ingressos para o cinema e o jardim
zoológico. Mais uma vez, quem teve de se explicar
foram, porém, os integrantes do atual governo, não
do anterior.
Antes que a oportunidade fosse perdida, o senador José Agripino
(RN), líder dos Democratas, esticou até onde
pôde sua retórica. No dia anterior, declarara
em plenário não estar interessado “no
vôo do papel, mas no que está escrito”.
Acrescentou que “não interessa quem vazou,
mas quem fez”. E sugeriu a Noblat que revelasse quem
lhe repassou o relatório. O jornalista se recusou.
Um dos poucos a questionar o papel da imprensa no episódio
do suposto dossiê foi o ombudsman da Folha, Mário
Magalhães, que, na crítica interna de segunda-feira
31, apontou diversas falhas na apuração feita
pelo próprio diário. Sob o título “Um
dossiê e muitas incertezas”, Magalhães
listava suas dúvidas, a primeira delas a falta de
provas contra Erenice Guerra, a secretária da Casa
Civil apontada pelo próprio jornal como criadora
do dossiê. A oposição não conseguiu
convocar a funcionária a depor na CPI.
Faltou dizer que, como secretária-executiva da
Casa Civil, caberia a ela organizar o banco de dados cuja
existência foi confirmada por mais de um integrante
do governo, inclusive a ministra Dilma.
O ombudsman também questionava os repórteres
do jornal por terem escrito, sem comprovação,
que houve uma reunião na Casa Civil para criar uma “força-tarefa
encarregada de desarquivar documentos referentes aos gastos
do governo anterior a partir da rubrica suprimento de fundos,
que incluiu cartões corporativos e contas ‘tipo
B’”. Houve, inclusive, nota oficial negando
que tal reunião tivesse acontecido. E perguntou:
como um dossiê tão fajuto, que não
continha nada de fato comprometedor, poderia ser utilizado
contra os tucanos? “Quem tinha muito a perder, por
rigorosamente nada em troca, seria a ministra da Casa Civil”,
escreveu Magalhães. Fez uso de um raciocínio
elementar que parece ter sido deixado de lado pela mídia
nativa.
Ganhador, entre outros, dos prêmios Esso, da Sociedade
Interamericana de Imprensa e do Vladimir Herzog, Magalhães
fez, como se costuma dizer no jargão jornalístico,
o dever de casa. Apontou lacunas na cobertura do assunto
mais comentado do momento, seu dever como crítico
do jornal onde trabalha. Foi o que bastou para que um dos
cérebros da oposição eletrônica
o acusasse de “alinhamento ideológico” com
o governo Lula.
Em entrevista no Palácio do Planalto, Lula afirmou
que a ministra da Casa Civil fora vítima de “chantagem
política”. E atacou os criadores do suposto
dossiê. “Alguém encontrou um osso de
galinha e tentou vender para a imprensa que tinha encontrado
uma ossada de dinossauro. Na hora que foi montar para saber
o tamanho do dinossauro, percebeu que era um franguinho”,
ironizou o presidente.
O primeiro caminhão trazendo 75 caixas de documentos
requisitados pela CPI com os gastos feitos por integrantes
dos governos FHC e Lula com cartões corporativos
e contas do tipo B já chegou ao Congresso. Mas as
investigações sobre o autor do suposto dossiê ainda
continuam. As últimas hipóteses sobre a origem
do papelório tiravam da mira o Planalto e tinham
como alvo o Tribunal de Contas da União (TCU). Por
ter acesso aos dados sigilosos, um técnico requisitado
ao tribunal pelo senador Dias, com o objetivo de auxiliá-lo
nas investigações da CPI das ONGs, era apontado
como o principal suspeito de ter coletado as informações.
Por ora, são apenas especulações.
E especulação não é notícia.
Fato é que a CPI dos Cartões Corporativos,
convocada inicialmente para investigar os gastos do governo
Lula, está deixando os tucanos em polvorosa, por
estar cada vez mais voltada para as contas do período
FHC. “O feitiço virou contra o feiticeiro.
A grande auditoria que será feita pela CPI é a
do governo Fernando Henrique. Até porque o que tinha
de sair sobre os integrantes do governo Lula já saiu.
Por isso eles insistem tanto em abrir os dados sigilosos
da Presidência”, explica um dos membros da
comissão, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).
A prova da insatisfação da oposição
ficou flagrante na atitude tomada pelos líderes
Virgílio e Agripino. Ambos exigiram a instalação
de outra CPI exclusiva do Senado. Onde, possivelmente,
poderão investigar somente o que lhes convém.
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Diário Vermelho,
6 de abril de 2008
Ausência de projeto:
a oposição deve ouvir o bispo?
Há algum tempo escrevi
que "se a oposição quer se afirmar dentro
de regras democráticas, não deve confundir
o poder que lhe foi delegado por votação com
sabotagem ao governo em exercício. Deve, sim, estabelecer
uma estratégia de competição de políticas
públicas. Tentar suprir a falta de perspectiva de
longo prazo estabelecendo pontos reformistas em seu discurso.
O pressuposto é o reconhecimento de que o atual governo,
gostem ou não, trouxe ganhos incrementais ao Brasil".
Por Gilson Caroni Filho, na Carta
Maior
Na verdade, buscava alertar que não vivemos mais
em uma democracia restrita às minorias e no momento
em que os condutos democráticos permitem o crescimento
da participação popular, as lideranças
políticas de oposição não podem
fazer uso de velhos expedientes que, se lograram algum
sucesso no passado, estão, hoje, certamente estão
fadados ao fracasso.
É nesse contexto que deve ser lida a divulgação
de novas denúncias que tentam apontar a Casa Civil
como origem do dossiê sobre os gastos presidenciais
de Fernando Henrique Cardoso. Um movimento que tenta abafar
a agenda exitosa do governo Lula através da imposição
da pauta da esfera pública midiática. Na
verdade, uma confissão pública do campo conservador
de que seus partidos não podem se transformar em
instrumentos de afirmação de qualquer projeto
alternativo por um motivo simples: ele não existe.
O que a oposição propõe se esgotou
no passado. Sua base minoritária está órfã e
raivosa.
Não é mais possível barrar o avanço
social, impedir a tomada de consciência política
daqueles que, outrora entregues aos humores do patrimonialismo
oligárquico, se tornaram sujeitos titulares de direitos
e deveres com a implantação de políticas
sociais vigorosas. Como destacou recentemente Mauro Santayana, “Lula
consolida e amplia o apoio da maioria dos brasileiros a
uma reforma social tanto mais ampla quanto mais pacífica".
O que desespera a oposição é saber
que, mais que um novo modelo de desenvolvimento, pautado
pela criação de um robusto mercado de massa,
a nova classe média resulta de um contrato social
que, abandonando o mercadismo do modelo neoliberal, retira
a noção de cidadania de um plano abstrato
para efetivá-la por uma plena inserção
nas esferas produtivas e de consumo. O que vivenciamos é,
sem qualquer deslocamento semântico, uma revolução
silenciosa. Algo muito doloroso para quem apreciava ver
a política, capturada pelo mercado, ser transformada
em espetáculo.
Talvez fosse interessante ouvir atentamente o que disse
o bispo de Blumenau (SC), dom Angélico Sândalo
Bernardino. Não poupando críticas ao Legislativo,
quando questionado sobre a CPI dos Cartões e a discussão
sobre a suposta existência de dossiês, foi
categórico: “Fico preocupado quando vejo o
Legislativo gastando um tempo enorme com tantas discussões,
que não têm levado a nada, enquanto projetos
importantes ficam engavetados. Acho que isso também é corrupção."
Seria de bom tom que Álvaro Dias, FHC, Arthur Virgílio,
entre outras fontes da Veja, se persignassem ante as palavras
do religioso. A maior parte da sociedade brasileira não
aceita o jogo demo-tucano que vem sendo orquestrado pela
grande mídia. O preço do êxito na economia
não pode ter como contrapartida o fracasso no plano
político do campo progressista que o gerou. O capitalismo
implantado nessa lógica está fadado a não
ser democrático. E disso sabem os setores dirigentes
que se associaram no golpe de Estado de 1964
Se a orientação religiosa não interessar
ao tucanato, quem sabe a tábua de salvação
venha de um expoente da "esquerda ética".
Em artigo publicado na Folha de S.Paulo (05/04/2008), César
Benjamin, vice de Heloísa Helena nas últimas
eleições presidenciais, afirma: “O
PAC é apenas uma catalogação de projetos
preexistentes, quase sempre miúdos, concebidos isoladamente,
sem visão sistêmica ou capacidade estruturante,
sem perspectiva histórica, sem a vocação
de produzir mutações".
Contrariando todas as evidências, eis um discurso
feito, sob medida, para colher aplausos em grêmios
estudantis. Por que a oposição não
o adota? Quem sabe não seja um bom negócio
para o PSDB a adoção do programa do PSOL?
Não guarda qualquer relação com a
realidade, mas remoça com a mesma eficácia
do botox. Se não der certo, ainda é possível
reclamar com o bispo. O problema é que ele quer
projetos de desenvolvimento sustentável.
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Diário Vermelho,
6 de abril de 2008
Com economia em alta. computadores
já chegam à classe D
As vendas de computadores no Brasil chegaram em março
a uma nova fronteira: a classe D. Segundo o presidente da
maior fabricante de PCs e notebooks do Brasil, a Positivo
Informática, Hélio Rotenberg, a classe C também
já está conseguindo arcar com prestação
de um computador melhor. E isso está acontecendo uniformemente
em todo o país, segundo o executivo.
" Já estamos pegando uma pontinha da classe
D (na venda de computadores), já tem empregada doméstica
comprando computador, o autônomo que ganha R$ 800
também", disse Rotenberg durante entrevista
no Reuters Latin America Investment Summit. "Está sobrando
dinheiro para as famílias de classe C, e elas estão
comprando computador. O tíquete médio subiu
neste mês de março impressionantemente",
afirmou.
A chamada classe C é formada por famílias
com renda média de cerca de R$ 1.000 por mês.
Segundo Rotenberg, as famílias estão aproveitando
sobra de orçamento para optarem por modelos de computadores
mais sofisticados, com telas de cristal líquido
(LCD) de 19 polegadas.
"Temos um modelo de R$ 1.799, um computador completo
com (monitor de) 19 polegadas e LCD. Vendeu uma quantidade
em março absolutamente fora de qualquer padrão,
com parcela de R$ 79. O cara que iria comprar pela parcela
de R$ 59, já se dá ao luxo de escolher um
computador com prestação de R$ 79",
afirmou o executivo.
O Brasil avançou no ranking mundial de vendas de
computadores em 2007, passando da sétima para a
quinta posição, com vendas de 10,7 milhões
de PCs entre desktops e notebooks. Esse volume representou
um salto de 38% sobre as vendas de 2006, de acordo com
dados da empresa de pesquisa de mercado IDC.
A companhia prevê para 2008 "outro excelente
ano para o consumo de PCs no País". Para Rotenberg,
que cita institutos de pesquisa, o segmento de varejo do
mercado brasileiro de PCs crescerá em média
30% ao ano nos próximos quatro anos.
Depois de ampliar capacidade produtiva para 250 mil computadores
por mês em 2007, a Positivo tem espaço para
lidar com o crescimento do mercado brasileiro pelos próximos
dois anos, na avaliação do executivo. Com
isso, a empresa está pondo ênfase em melhorar
sua distribuição para pequenas empresas,
onde a taiwanesa Acer, que não tem fábrica
no Brasil, vendeu 90 mil notebooks no trimestre.
Da Redação, com informações
da Reuters
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Agência Brasil, 6
de abril de 2008
Alunos vêem Enem como
forma de acesso ao ensino superior
Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil
Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Sobradinho (DF) - Alunos assistem às
aulas no Centro de Ensino Fundamental Fercal. Escola
obteve a menor média no Enem entre as escolas
públicas do Distrito Federal
Brasília - Mais de 70% dos estudantes que participam do Exame
Nacional do Ensino Médio (Enem) se inscrevem na prova para entrar
em uma faculdade ou conseguir pontos para o vestibular. Apenas 15%
estão interessado em testar conhecimentos e a capacidade de
raciocínio. Foi o que concluiu uma pesquisa informal do Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas em Educação Anísio
Teixeira (Inep), responsável pelo exame.
A nota obtida pelo estudante no Enem é utilizada
pelo Programa Universidade Para Todos (ProUni) como critério
de seleção para concessão de bolsas
de estudo em instituições privadas de ensino
superior. O benefício é concedido a quem
cursou todo o ensino médio em escola pública.
Rodolpho Lopes é aluno do 3° ano de uma escola
pública no Distrito Federal. Ele diz que vê o
Enem mais como uma chance de conseguir uma vaga no curso
de matemática. “Agora a gente estuda para
o vestibular e o Enem. Vou pegar a prova dos últimos
anos para estudar, treinar”, conta.
A estudante Luana Dias tem a mesma opinião: “Infelizmente,
lá em casa a gente não tem condições
de pagar uma faculdade particular, então eu vou
estudar muito para o Enem”, afirmou.
Para o diretor de Avaliação da Educação
Básica do Ministério da Educação,
Amaury Gremaud, essa mudança no perfil do exame
não é negativa.
“O Enem passou a ser também uma ferramenta
de inclusão, são coisas novas que a gente
acabou adquirindo ao longo do caminho. Talvez, originalmente,
esse não fosse um objetivo principal, mas passou
a ser um componente importante”, defende. Ele ressalta
que mesmo com o ProUni, há ainda um percentual considerável
de alunos que fazem a prova para testar seus conhecimentos,
objetivo inicial do exame.
Atentos ao aumento da procura pelo exame, alguns cursos
pré-vestibulares já oferecem aulas preparatórias
para a prova. Na avaliação do coordenador-geral
do Enem, Dorivan Gomes, o perfil da prova é diferente
e incompatível com a metodologia dos cursinhos.
“A gente faz uma avaliação da educação
básica como um todo, de todo o percurso da pessoa,
isso você não faz em três meses”,
explica.
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Gazeta do Povo, 6 de abril
de 2008
Estratégia
De olho em 2010, Lula que ser
fiel da balança na eleição deste ano
Presidente antecipa sucessão,
ao “queimar” nomes como de Dilma Rousseff, para
testar sua força política no Congresso e perante
a população
Os movimentos políticos do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva para antecipar o debate sobre sua própria
sucessão foram calculados e com um objetivo claro:
federalizar a disputa municipal deste ano e ganhar musculatura
entre os aliados no Congresso Nacional. A estratégia
palaciana é dar um caráter plebiscitário
de aprovação ao governo durante as eleições
deste ano. A avaliação reservada de assessores
do Palácio do Planalto é de que, dependendo
da força política do presidente depois do pleito
municipal, ele terá condições de ditar
o rumo político a partir de 2009.
Apesar das negativas oficiais do governo de um terceiro
mandato para o presidente Lula, a estratégia alimenta
a especulação em torno da idéia. Setores
do governo, do PT e dos partidos aliados discutem internamente
se haverá ou não condições políticas
no próximo ano de colocar esse tema em pauta.
Para qualquer cenário, Lula decidiu priorizar a eleição
municipal e colocar na pauta temas como o bom momento da
economia, as ações sociais do Bolsa Família
e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC). Com esse cardápio, a expectativa é ganhar
espaço nas grandes cidades e também nos grotões,
consolidando sua hegemonia.
Surpreendidos com a decisão de Lula de antecipar
a sucessão faltando quase três anos para a disputa
de 2010, até mesmo aliados estranharam o comportamento
de Lula. Por exemplo, já falar em vitória sem
ao menos ter um candidato certo. Internamente, a percepção é de
que a mais recente vítima desse processo foi a chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff, o nome que estava sendo testado
pelo próprio Lula.
Dilma enfrenta forte desgaste político com as suspeitas
de que saiu da Casa Civil um dossiê para chantagear
a oposição na CPI do Cartão Corporativo.
Segundo um interlocutor privilegiado do Planalto, a decisão
de Lula de desafiar a lógica política e antecipar
a própria sucessão tem como objetivo primeiro
ampliar o seu capital político pessoal. Ao pôr
na roda vários candidatos, tenta embaralhar o jogo
sucessório para evitar o crescimento antecipado de
uma candidatura.
“O presidente Lula está pedindo para ser julgado
pela população, pois está com a popularidade
em alta. Isso vai beneficiar de forma clara vários
aliados. Mas principalmente ele. O presidente quer transformar
essa eleição num plebiscito para criar um sentimento
político de permanência e continuidade”,
ressalta esse interlocutor palaciano.
“O PT e Lula estão no caminho do continuísmo”,
alerta o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra
(PE). “Está muito claro que o presidente Lula
já começa a articular o terceiro mandato. O
governo já está preparado para colocar esse
tema na pauta no próximo ano”, completa o deputado
Paulo Bornhausen (DEM-SC).
Mas, apesar de o vice-presidente José Alencar ter
defendido publicamente a continuidade do governo Lula por
mais quatro anos, a ordem no PT e no Planalto é de
cautela com o tema. “O vice Alencar expressou o sentimento
das pessoas que querem a continuidade do presidente Lula
no comando. Mas isso não significa que, para que haja
continuidade desse governo, o Lula tenha que ter um terceiro
mandato. Queremos, sim, a permanência do nosso projeto
de poder pelo maior tempo possível. Mas Lula pode
fazer o seu sucessor e voltar em seguida”, observa
a líder do partido no Senado, Ideli Salvatti (SC).
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Gazeta do Povo, 6 de abril
de 2008
Trabalho
Sindicatos têm vantagens
com Lula
Veto do presidente à fiscalização
das contas das centrais sindicais pelo TCU é apenas
uma das benesses conquistadas pelas entidades de classe na
gestão petista no governo federal
São Paulo - Com a regulamentação
das centrais sindicais, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva acaba de consagrar o seu governo como o que
mais benefícios concedeu aos sindicalistas. Cinco
anos após a sua eleição, mais de uma
dezena de conquistas podem ser listadas, como reflexo direto
de suas origens, mas também da massiva ocupação
de cargos de comando na máquina federal por ex-sindicalistas.
Uma pesquisa coordenada por Maria Celina D’Araújo,
da Fundação Getúlio Vargas, aponta
que 45% dos cargos de alto comando dentro do governo estão
hoje nas mãos de sindicalizados – enquanto
a média nacional é de apenas 14%.
A vantagem oferecida por Lula na semana passada às
centrais sindicais – livrando-as da fiscalização
do Tribunal de Contas da União (TCU) – é apenas
uma das benesses conquistadas pela categoria. Mas há muitas
outras vitórias, como o acordo que fixou uma política
de reajuste para o salário mínimo até 2023
(com reajuste indexado à inflação
e ao crescimento do Produto Interno Bruto), a correção
da tabela do Imposto de Renda ou mesmo a garantia de que
os trabalhadores terão assento nos conselhos das
estatais. “Nos governos anteriores, era a tropa de
choque que nos recebia em Brasília, não era
o presidente. Agora, a gente faz uma manifestação
e o presidente nos recebe, coloca ministro para receber,
dialoga, estabelece processo de negociação”,
afirma José Lopez Feijó, presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos do ABC e ex-companheiro de manifestações
nas portas das fábricas do presidente. “Foram
essas negociações que resultaram na política
do salário mínimo, no envio para o Congresso
da convenção 151 e 158 da OIT (Organização
Internacional do Trabalho), sobre negociação
coletiva no setor público e contra demissões
sem justa causa na iniciativa privada. Então veja,
há uma postura diferenciada em relação
aos movimentos sociais”, diz Feijó.
A força dos sindicalistas, com cada vez mais espaço
e cargos, pode ser verificada também com a pressão
exercida pelo setor para impedir a votação
de reformas, como a da Previdência e a Trabalhista.
O risco de ruptura entre Lula e as bases sindicais chegou
a existir no início do primeiro mandato, quando
nomeou como ministros o banqueiro Henrique Meirelles e
o industrial Luiz Fernando Furlan. No segundo mandato,
já com a presença do PDT na base, Lula voltou
a se aproximar dos trabalhadores e conseguiu colocar do
mesmo lado do ringue rivais históricos, como a Central Única
dos Trabalhadores (CUT), ligada ao PT, e a Força
Sindical, ligada ao PDT. “O movimento sindical tem
conquistas históricas no governo Lula e tem ampliado
seu espaço, pois agora pode ser ouvido pelo presidente”,
disse o presidente da CUT, Artur Henrique Santos.
Cargos
A presença de ex-sindicalistas no governo trouxe
vitórias para a máquina sindical, mas poucas
conquistas que beneficiaram diretamente os trabalhadores
assalariados. A análise é do professor de
ciências políticas da Universidade Estadual
de Campinas (Unicamp) Armando Boito Júnior, pesquisador
do assunto. Ele afirma que o governo Lula ajudou apenas
a “burocracia sindical”. “A presença
de sindicalistas não tem resultado numa política
favorável aos trabalhadores assalariados. Tem trazido,
sim, vantagens para as diretorias sindicais, para a burocracia
sindical”, diz Boito Júnior.
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Gazeta do Povo, 6 de abril
de 2008
Cargos
Ex-dirigentes sindicais ocupam
postos-chave no governo
Desde que assumiu o Palácio do Planalto, em 2003,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva montou uma
força-tarefa de ex-sindicalistas de sua extrema
confiança e os colocou em cargos estratégicos
do governo, com altos salários, à frente
de postos estratégicos para o país.
Boa parte desse núcleo de confiança do presidente é formada
por companheiros de sindicalismo que freqüentaram
as portas de fábricas, levando a bandeira do Sindicato
dos Metalúrgicos de São Bernardo, nas décadas
de 70 e 80, e fundaram o PT e a Central Única dos
Trabalhadores (CUT).
Nos postos oferecidos por Lula, os ex-sindicalistas recebem
remuneração média de R$ 7 mil. Representando
fundos de pensão em empresas privadas, porém,
alguns chegam a ganhar jetons de até R$ 20 mil.
Os amigos foram inseridos na máquina e em postos
anexos.
Jair Antônio Meneguelli é um bom exemplo
de aliado que não foi esquecido. Dois meses depois
de assumir o governo, em 2003, Lula o nomeou para comandar
o Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria
(Sesi), entidade ligada ao mais alto escalão do
empresariado brasileiro, com um salário de R$ 24
mil. O regimento da instituição determina
que o presidente faça a nomeação.
Até hoje Meneguelli não deixou o posto.
Funcionário da Ford, em São Bernardo, ele
filiou-se ao sindicato em 1977, movido não pela
causa operária, mas pelo desconto dado aos sindicalizados
no supletivo da época – o “madureza”.
Três anos depois, ele ajudava a criar o PT, já como
amigo de Lula, que acabou o indicando para ocupar a presidência
do sindicato, em 1981.
Em 1983, Meneguelli tornou-se o primeiro presidente da
maior central sindical do País, a CUT, posto que
ocupou por 11 anos. Em 1993, foi eleito deputado e reeleito
em 1997. Em 2000, sofreu sua primeira derrota eleitoral,
quando concorreu à prefeitura de São Caetano
do Sul contra Luiz Tortorello (PTB). Em 2002, tentou a
reeleição como deputado, mas ficou apenas
com a vaga de suplente.
Quando assumiu o Sesi, em 2003, abriu mão em definitivo
da cadeira que poderia vir a ocupar na Câmara dos
Deputados por causa do apoio de seus 72.168 eleitores.
No comando Sesi, decidiu mudar a sede do Setor Comercial
Sul para o imponente prédio da Confederação
Nacional do Comércio, no Setor Bancário Norte.
Na semana passada, a reportagem tentou falar com Meneguelli,
mas a assessoria informou que ele tinha a agenda carregada.
(AE)
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Gazeta do Povo, 6 de abril
de 2008
Com Lula, centrais sindicais
acumulam vitórias
Além disso, houve uma massiva
ocupação de cargos de comando na máquina
federal por ex-sindicalistas
Roosewelt Pinheiro/ABr/27-08-2007

Nomeado por Lula para comandar
o Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria,
Jair Meneguelli ganha R$ 24 mil mensais
São Paulo - Com a regulamentação das centrais
sindicais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acaba
de consagrar o seu governo como o que mais benefícios concedeu
aos sindicalistas. Cinco anos após a sua eleição,
mais de uma dezena de conquistas podem ser listadas, como reflexo direto
de suas origens, mas também da massiva ocupação
de cargos de comando na máquina federal por ex-sindicalistas.
Uma pesquisa coordenada por Maria Celina D'Araújo, da Fundação
Getúlio Vargas, aponta que 45% dos cargos de alto comando dentro
do governo estão hoje nas mãos de sindicalizados - enquanto
a média nacional é de apenas 14%.
A vantagem oferecida por Lula na semana passada às
centrais sindicais - livrando-as da fiscalização
do Tribunal de Contas da União (TCU) - é apenas
uma das benesses conquistadas pela categoria como fruto
desse espaço obtido. Mas há muitas outras
vitórias, como o acordo que fixou uma política
de reajuste para o salário mínimo até 2023
com reajuste indexado à inflação e
ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a correção
da tabela do Imposto de Renda ou mesmo a garantia de que
os trabalhadores terão assento nos conselhos das
estatais.
''Nos governos anteriores, era a tropa de choque que nos
recebia em Brasília, não era o presidente.
Agora, a gente faz uma manifestação e o presidente
nos recebe, coloca ministro para receber, dialoga, estabelece
processo de negociação'', afirma José Lopez
Feijóo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC e ex-companheiro de manifestações
nas portas das fábricas do presidente.
''Foram essas negociações que resultaram
na política do salário mínimo, no
envio para o Congresso da convenção 151 e
158 da OIT (Organização Internacional do
Trabalho), sobre negociação coletiva no setor
público e contra demissões sem justa causa
na iniciativa privada. Então veja, há uma
postura diferenciada em relação aos movimentos
sociais'', conclui Feijóo.
A força dos sindicalistas, com cada vez mais espaço
e cargos, pode ser verificada também com a pressão
exercida pelo setor para impedir a votação
de reformas, como a da Previdência e a trabalhista.
O risco de ruptura entre Lula e as bases sindicais chegou
a existir no início do primeiro mandato, quando
nomeou como ministros o banqueiro Henrique Meirelles e
o industrial Luiz Fernando Furlan. No segundo mandato,
já com a presença do PDT na base, Lula voltou
a se aproximar dos trabalhadores e conseguiu pôr
do mesmo lado do ringue rivais históricos, como
a Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada
ao PT, e a Força Sindical, ligada ao PDT.
A presença de ex-sindicalistas no governo trouxe
vitórias para a máquina sindical, mas poucas
conquistas que beneficiaram diretamente os trabalhadores
assalariados. A análise é do professor de
ciências políticas da Universidade Estadual
de Campinas (Unicamp) Armando Boito Júnior, pesquisador
do assunto. Ele afirma que o governo do presidente-trabalhador
ajudou apenas a ''burocracia sindical''. ''A presença
de sindicalistas não tem resultado numa política
favorável aos trabalhadores assalariados. Tem trazido,
sim, vantagens para as diretorias sindicais, para a burocracia
sindical'', salienta Boito Júnior.
Ricardo Brandt e
Wilson Tosta
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O Estado do Paraná,
6 de abril de 2008
Termina greve nos Correios
no Paraná
Flávio Laginski
Os funcionários dos Correios decidiram, em uma assembléia
realizada na manhã de ontem, em frente ao edifício da empresa
na Rua João Negrão, dar por encerrada a greve iniciada
no dia 1.º de abril. De acordo com o secretário-geral do
Sindicato dos Trabalhadores dos Correios (Sintcom) Nílson Rodrigues
dos Santos, a classe, embora ainda rejeite a proposta dos Correios, aceitou
o acordo que prevê a prorrogação por 90 dias dos
30% de abono de risco sobre o salário dos carteiros e também
porque nos outros estados a greve já estava por encerrar ou terminada,
e que não faria sentido o Paraná continuar sozinho com
a paralisação.
A proposta da empresa prevê ainda que o ponto de
sexta-feira não deve ser cortado, uma vez que, segundo
Santos, os Correios, em um termo assinado pelo senador
Paulo Paim (PT-RS), pelo ministro das Comunicações,
Hélio Costa, e pelo presidente nacional dos Correios,
Carlos Henrique Custódio, prevê o abono das
horas de greve. Caso o acordo não seja cumprido,
o Sintcom deverá entrar com uma medida cautelar.
O secretário-geral disse ainda que, após
90 dias, haverá a regulamentação e
a implantação em definitivo dos 30% de adicional
de risco incorporado ao salário dos carteiros, conforme
um termo de compromisso assinado pelo senador petista,
pelo ministro e pelo presidente dos Correios no dia 20
de novembro de 2007.
Contudo, Santos afirmou que manterá o estado de
greve e, caso os Correios não cumpram o que foi
combinado, uma nova paralisação nacional
poderá ocorrer.
Pelos dias em que os trabalhadores do Correio ficaram
sem trabalhar, houve um acúmulo de correspondências
e mercadorias encalhadas nos depósitos da empresa.
Ainda não há um prazo para colocar todo serviço
em ordem.
O Paraná, segundo dados da assessoria de imprensa
dos Correios, contou com a adesão de 65% dos carteiros à greve
e mais de dois milhões de mercadorias ficaram sem
serem entregues. Os grevistas retornam ao trabalho a partir
da 0h de segunda-feira.
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O Estado do Paraná,
6 de abril de 2008
Direito e Justiça
Decisões da OIT sobre
as contribuições
Edésio Passos
Nas edições anteriores do caderno Direito e Justiça
apresentamos considerações sobre as contribuições
financeiras aos sindicatos, matéria que vem sendo examinada em
vários aspectos jurídicos e sociais. Um dos pontos refere-se à contribuição
financeiras das empresas às entidades sindicais de trabalhadores,
questionada por procuradores e magistrados do trabalho à luz da
aplicação da Convenção n.º 98 da OIT.
Visando a aprofundar o debate sobre o tema, interessante analisar algumas
decisões do Comitê de Liberdade Sindical do Conselho de
Administração da OIT.
Em decisões relativas diretamente aos princípios
gerais que se relacionam com a Convenção
98 da OIT,conjugada com a Convenção n.º 87,
o Comitê de Liberdade Sindical deixa clara a necessidade
da regulamentação da Convenção
n.º 98 nos países que a ratificaram, como o
Brasil, a fim de que a mesma tenha efetiva aplicabilidade,
fixando, a OIT, a importância de “disposições
claras e precisas”, o que, na atual situação
da legislação brasileira, não existem,
embora o Ministério Público do Trabalho pretenda
a aplicação da Convenção 98
sem a existência de tais normas, ou seja, total impossibilidade
jurídica na existência de provas da ingerência
patronal no Sindicato, como alegam os procuradores do trabalho.
Eis, neste sentido, uma das normativas aprovadas
pelo comitê:
“762. Quando uma legislação não
contém disposições especiais para
proteger as organizações de trabalhadores
contra os atos e ingerências dos empregadores ou
de suas organizações (e estipula que os casos
não-previstos em lei se resolverão de acordo,
entre outros elementos, com as disposições
contidas nas convenções e recomendações
adotadas pela Organização Internacional do
Trabalho, desde que não se oponham às leis
do país, e com a Convenção n.º 98,
em virtude de sua ratificação por esse país),
seria conveniente que o governo estudasse a possibilidade
de adotar disposições claras e precisas para
proteger eficazmente as organizações de trabalhadores
contra esses atos de ingerência” (Ver Recopilación
de 1985, parágrafo 576, em “Liberdade Sindical.
Recopilação de decisões e princípios
do Comitê de Liberdade Sindical do Conselho de Administração
da OIT”, publicada pela OIT-Genebra, versão
1997, 1.ª edição em português,
pags. 165/6).
No exame das cláusulas denominadas de segurança
sindical, no item 324, está assinalado:
“324. Em casos em que se havia instituído
a dedução das contribuições
sindicais e outras formas de segurança sindical,
não em virtude de lei, mas de uma cláusula
incluída numa convenção coletiva ou
de prática estabelecida pelas duas partes, o comitê negou-se
a examinar as alegações, baseando-se na declaração
da Comissão de Relação de Trabalho
da Conferência Internacional de 1949, na qual se
estabelecia que a Convenção n.º 87 não
deveria ser interpretada no sentido de autorizar ou proibir
cláusulas de segurança sindical e que essas
questões devem ser resolvidas de acordo com a regulamentação
e a prática nacionais. Tendo em vistas este esclarecimento,
os países, e com mais razão aqueles nos quais
existe o pluralismo sindical, não estariam, de modo
algum obrigados, de acordo com a Convenção,
a tolerar, seja de fato seja de direito, as cláusulas
de segurança sindical, enquanto os demais, que as
admitissem, não estariam impedidos de ratificar
a Convenção” (Ver Recopilación
de 1985, parágrafo 246, in “A Liberdade Sindical.
Recopilação de decisões e princípios
do Comitê de Liberdade Sindical do Conselho de Administração
da OIT”, publicada pela OIT-Genebra, versão
1997, 1.ª edição em português,
pág.73).
E no sentido complementar à validade das
cláusulas de segurança sindical, o mesmo
Comitê, segundo item 322, afirma:
“322. A admissibilidade das cláusulas de
segurança sindical por força de convenções
coletivas foi deixada a critério dos Estados ratificantes,
conforme se depreende dos trabalhos preparatórios
da Convenção n.º 98” (Ver Informe
281, Caso 1.579, Parágrafo 65, idem, pág.
73).
E, mais recentemente, visando dar valoração às
negociações coletivas de trabalho, o comitê decidiu:
“433. Os diversos sistemas de subvenções às
organizações de trabalhadores têm resultados
diferentes segundo a forma de que se revestem, o espírito
segundo o qual tenham sido concebidos e aplicados e a medida
em que são concedidas essas subvenções
por força de dispositivos legais precisos ou exclusivamente à discrição
dos poderes públicos. As repercussões que
a dita ajuda financeira possa ter sobre a autonomia das
organizações sindicais dependerão
essencialmente das circunstâncias; não podem
ser apreciadas à luz de princípios gerais,
pois se trata de uma questão de fato que deve ser
examinada, individualmente, levando-se em conta as circunstâncias
do caso” (Ver Recopilación de 1985, parágrafo
343 in “Liberdade Sindical. Recopilação
de decisões e princípios do Comitê de
Liberdade Sindical do Conselho de Administração
da OIT”, publicada pela OIT-Genebra, versão
1997, 1.ª edição em português,
pág.98).
E em caráter mais incisivo, o Comitê decidiu:
“326. A questão do desconto de contribuições
sindicais pelos empregadores e seu repasse para os sindicatos
deve ser resolvida pela negociação coletiva
entre os empregadores e os sindicatos em geral, sem obstáculos
de natureza legislativa” (Ver Informe 287, caso n.º 1.683,
parágrafo 388, in “Liberdade Sindical. Recopilação
de decisões e princípios do Comitê de
Liberdade Sindical do Conselho de Administração
da OIT”, publicada pela OIT-Genebra, versão
1997, 1.ª edição em português,
pág. 74).
Contribuições sindicais na Argentina
Os recursos financeiros destinados pelos trabalhadores,
associados ou não, e pelos empregadores, aos sindicatos
argentinos, está exposto no texto de Leonardo Scolpatti
intitulado “Uma de cada quatro convenções
dá mais poder econômico aos sindicatos”,
a saber:
“Segundo um estudo da CTA, em 21% das negociações
homologadas pelo Ministério do Trabalho fixou uma
contribuição obrigatória a uma associação
de empregados, que vai entre 05,a 6% da massa salarial.
Neste contexto, o esforço por captar mais afiliados
para a ter um papel de protagonismo. Segundo um informe
da Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), uma de cada
quatro negociações coletivas homologadas
entre 2002 e 2006 estabeleceu algum tipo de contribuição
obrigatória a favor do sindicato que assinou a convenção.
Assim, nesse período o Ministério do Trabalho
avaliou 2.334 negociações, das quais 484
incluíram uma contribuição econômica
ao sindicato, cifra que representa 21% do total. Seja que
os recursos provenham dos trabalhadores, afiliados ou não
ao sindicato, dos empregadores, ou de ambos, se expressam
em geral em percentagens do total das remunerações
brutas, que oscilam entre 0,5 a 6% dos salários,
explica o estudo do Observatório de Direito Social
da CTA” (in “Infobaeprofesional.com, 16 de
maio de 2007).
Caso Ortopé
Vale ler a longa e excelente sentença do juiz Ricardo
Martins Costa que decidiu complexa ação civil
pública ajuizada pelo Ministério Público
do Trabalho do Rio Grande do Sul contra empresas e empresários
do ramo calçadista envolvidos no “caso Ortopé”,
grupo que tinha por objetivo fraudar a legislação
trabalhista, previdenciária e fiscal, sendo uma
das decisões a condenação em 10 milhões
de reais por dano moral coletivo, revertidos ao município
de São Francisco de Paula para promoção
de ações de cunho social fiscalizadas pelo
MPT (vide www.espacovital.com.br/TRT4 00232.2007.352.04.00.4).
Responsabilidade em acidente de trabalho
O site do TRT9 divulgou a seguinte notícia de um
dos processos julgados pela 5.ª Turma que, por maioria
de votos, negou provimento ao recurso interposto pela empresa
Canaã Florestal Ltda. - EPP, em ação
de indenização por acidente de trabalho. “A
empresa sustentava que o acidente ocorreu por culpa exclusiva
do trabalhador. Foi mantida a sentença do juiz Paulo
Henrique Kretzschmar e Conti, da Vara do Trabalho de Telêmaco
Borba (PR), que condenou a empresa a indenizar apenas 30%
(trinta por cento) dos danos morais e estéticos,
reconhecendo que as “sérias falhas do próprio
trabalhador influenciaram na proporção de
70% (setenta por cento) para o acidente”, materializando,
portanto, a teoria da responsabilidade concorrente das
partes. O magistrado relator, juiz Reginaldo Melhado, na
ocasião convocado para o TRT (PR), na 5.ª Turma,
ressaltou em seu voto, partilhar da tese da responsabilidade
civil objetiva, segundo a qual o empregado, para fazer
jus à indenização, não precisaria
provar a culpa do empregador no acidente, que é responsabilizada,
como no caso, sempre que a atividade econômica implique
em risco acentuado ou excessivo (aplicação
do parágrafo único do art. 927 do novo Código
Civil). Ele enfatizou: “Se a pessoa é responsável
pelo danos a terceiros, quando sua atividade implica risco
acentuado, também deve sê-lo quando a vítima é o
seu próprio empregado. Não é razoável,
por exemplo, que o fabricante de fogos de artifício
seja obrigado a indenizar o transeunte atingido por uma
explosão em suas instalações e seja
absolvido dessa responsabilidade quanto aos trabalhadores,
expostos a risco muito maior e, via de regra, atingidos
com muito mais gravidade pelo acidente. Se há responsabilidade
objetiva perante a sociedade em geral, aqui incluídos
seus interesses difusos, deve haver também quanto
aos empregados”. Destacou o magistrado que não
havia como a empresa isentar-se de qualquer culpa buscando
demonstrar que suas atividades se equiparavam às
comuns de natureza rural, cujo risco seria normal. Frisou
que a recorrente explora atividade florestal e que o empregado
vitimado trabalhava no setor de sivilcultura, sendo o seu
instrumento de trabalho a foice. Por outro lado, o juiz
Reginaldo Melhado concordou com a decisão primeira
de que “embora a função exercida fosse
intrinsecamente perigosa, esse perigo era substancialmente
atenuado pela seriedade com que a ré organiza e
controla suas atividades, e que a conduta imprudente do
próprio trabalhador concorreu decisivamente para
que o acidente viesse a ocorrer, materializando a teoria
da responsabilidade concorrente das partes”. Para
ele, se “a empresa o submeteu a uma tarefa perigosa,
o trabalhador, por sua vez, não se beneficiou de
seu treinamento e condições adequadas de
trabalho e tomou decisões equivocadas, que ocasionaram
o acidente”. Concluiu que a solução
definida pelo juiz de primeiro grau foi “equânime
e justa, atribuindo à própria vítima
70% da responsabilidade pelo acidente de trabalho, dada
sua parcela de culpa, e cometendo à demandada os
outros 30% de modo a restringir a indenização
devida a essa proporção”. (TRT-PR-00191-2007-671-09-00-1).
Anote
(a) Em Curitiba, dia 18 de abril, das 9 às 14h,
Seminário sobre a aplicabilidade do piso salarial
regional no Paraná promovido pelas Federações
de Trabalhadores e com a participação de
advogados, magistrados, parlamentares, procuradores do
trabalho, economistas, representantes dos órgãos
públicos do setor-trabalho (informações:
41.3224.5573) *** (b) 48.º Congresso Brasileiro de
Direito do Trabalho tradicionalmente promovido pela LTr
será realizado em São Paulo de 23 a 25 de
junho de 2008. Um dos conferencistas será o professor
Manoel Antonio Teixeira Filho e uma das participantes dos
painéis será a dra. Aldacy Rachid Coutinho
(informações: www.ltr.com.br) *** (c) Seminário
Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Papel,
dias 17 e 18 de abril, em Itapema, SC, no Centro de Formação
da Fetiesc, debate da situação do setor econômico
e das reivindicações da categoria profissional
(informações: www.fetiesc.org.br) (d) Reunião
da Coordenação do Fórum Social do
Mercosul, de 26 a 28 de abril em Curitiba, incluindo o
debate sobre a Agenda dos Trabalhadores pelo Desenvolvimento
e a Plenária de Integração Latinoamericana
dos Movimentos Sociais. (informações:serathiuk@yahoo.com.br).
Eu tenho um sonho
O dia era quatro do mês de abril do ano de mil novecentos
e sessenta e oito. A hora, um minuto depois das dezoito.
O local, a varanda do segundo andar de um hotel em Lorraine,
Memphis, Tennessee, Estados Unidos da América do
Norte. O homem era o doutor Martin Luther King, Junior,
com trinta e nove anos de idade, Prêmio Nobel da
Paz de 1964. Ali pagou o alto preço pela sua coragem,
discernimento e ousadia: foi assassinado, alvejado por
um tiro. Mas ele próprio já estava preparado
para esse momento quando afirmou: “Se você não
está pronto para morrer por alguma coisa, você não
está pronto para viver”.
Antes, a 28 de agosto de 1963, foi o principal protagonista
de um dos acontecimentos fundamentais para a história
dos povos da América, que marcou a vida do mundo
contemporâneo, assinalando o porvir de melhores dias.
Os negros norte-americanos, liderados por Martin Luther
King, Jr, realizaram a Marcha sobre Washington por “Trabalho
e Liberdade”. Naquele histórico ato, diante
de quase 300 mil pessoas, Luther King Jr pronunciou uma
das mais famosas orações políticas.
Suas palavras de reafirmação dos direitos
humanos ecoam até hoje:
“Eu tenho um sonho no qual um dia esta nação
se erguerá e viverá o verdadeiro princípio
do seu credo: Nós acreditamos que esta verdade é auto-evidente,
de que todos os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho: o de que, um dia, nas colinas vermelhas
da Geórgia, os filhos dos antigos escravos poderão
sentar-se juntos à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho: o de que, um dia, mesmo o Estado do
Mississipi, um estado ora sufocado sob o ódio da
opressão, será transformado em um oásis
de liberdade e de justiça.
Eu tenho um sonho: o de que meus quatro filhinhos, um
dia, viverão numa nação onde eles
não serão julgados pela cor de sua pele,
mas pela essência de seu caráter”.
O movimento libertário e por trabalho conseguiu
vitória política com a aprovação
do Ato dos Direitos Civis, em 1964, e a Lei dos Direitos
de Voto, em 1965. Por isso, quarenta anos depois de 1968,
no 4 de abril, saudamos a memória do homem que fixou
um marco fundamental na luta pela Democracia e Igualdade.
Um exemplo dos negros norte-americanos para os povos de
todo o mundo.
Edésio Passos é advogado,
ex-deputado federal (PT/PR).
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
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Folha de São Paulo,
6 de abril de 2008
Plano A é dar 3º mandato
a Lula, afirma prefeito do PT
DA REDAÇÃO
O prefeito de Recife (PE), João Paulo Lima e Silva,
membro do diretório nacional do PT, afirmou, em
entrevista ao jornal "Correio Braziliense", que
a prioridade do partido é garantir a aprovação
de uma emenda constitucional que permita ao presidente
Lula disputar um terceiro mandato.
" O terceiro mandato de Lula é o plano A; Dilma é o plano
B; e o plano C é quem Lula indicar", respondeu, após ter sido
questionado sobre a possibilidade da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil,
Dilma Rousseff. O prefeito negou ter discutido o assunto com Lula.
Há correntes no PT favoráveis ao terceiro mandato, mas
oficialmente o partido nega a intenção de patrocinar
a aprovação da emenda. O presidente nega a intenção
de disputar um novo mandato em 2010. "Se tem uma coisa que eu
não gostaria de fazer era discutir eleição, porque
cansei", disse Lula na última quarta-feira, após
o seu vice, José Alencar, ter defendido o terceiro mandato.
João Paulo comparou um terceiro mandato de Lula com a aprovação
da emenda que permitiu a FHC disputar a reeleição. "Se
o terceiro mandato fosse um golpe, golpe maior teria sido o segundo
mandato de Fernando Henrique. Qual a diferença?", afirmou.
A defesa do terceiro mandato se deu no mesmo dia em que a ministra
dava explicações sobre o vazamento de um dossiê sobre
gastos da gestão FHC. Reportagem da Folha confirmou que o dossiê saiu
pronto da Casa Civil.
A Folha tentou localizar o prefeito ontem, mas após deixar recados
telefônicos para assessores de imprensa do petista eles não
ligaram de volta.
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Folha de São Paulo,
6 de abril de 2008
ELEIÇÕES 2010
Quércia anuncia
Requião como presidenciável
DA REPORTAGEM LOCAL
No segundo congresso estadual do PMDB ontem em São
Paulo, o ex-governador Orestes Quércia apresentou
o governador do Paraná, Roberto Requião,
como o nome da sigla na disputa presidencial de 2010. A "surpresa" desagradou
a peemedebistas da capital, que não foram consultados
sobre a nova opção de Quércia. A indicação,
dizem, é "da boca para fora".
Sobre a coligação do PMDB na capital, Quércia
diz manter conversas com DEM e PT, sendo o último o mais provável. "Em
uma semana teremos a definição", disse Quércia,
que, em contrapartida, espera apoio à sua candidatura para o
Senado em 2010.
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Última Instância,
6 de abril de 2008
OAB critica projeto que altera
CLT
Publicidade
O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto,
manifestou posição contrária, em seminário
na Câmara dos Deputados, a vários pontos do Projeto de Lei
1987/2007, que prevê inúmeras alterações ao
texto atual da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
Na avaliação de Britto, o PL de autoria do
deputado Cândido Vacarezza (PT-SP) incorre em juízo
de valor, alterando o mérito de matérias de
forma indevida, e traz de volta normas que já haviam
sido excluídas do ordenamento jurídico brasileiro
com a Constituição Federal de 1988.
Ao se manifestar sobre a matéria durante o seminário “A
nova CLT”, o presidente nacional da OAB chamou especial
atenção para alterações que,
segundo ele, acabam por fragilizar a estrutura sindical,
por minimizar a importância da negociação
coletiva e por trazer à atualidade normas que já tinham
sido revogadas da legislação vigente.
“Temos que avançar sim na reformulação
da CLT porque o direito muda e é preciso evoluir,
mas não para manter as estruturas sindicais arcaicas
que amarravam o movimento sindical no Brasil”, afirmou.
Um dos exemplos citados é o sindicato que hoje funciona
como substituto processual e, a partir do PL, passaria a
existir como mero representante de classe, devendo, inclusive,
prestar apoio ao Ministério do Trabalho.
Outra questão levantada por Cezar Britto foi a oportunidade
de se discutir um projeto de lei de tamanha envergadura neste
momento, em que, segundo ele, “o trabalho é discutido
como mero meio de produção e muito pouco como
fator de dignidade humana”. “É oportuno
rediscutirmos e alterarmos redações de uma
legislação que foi construída com base
no suor e sangue dos trabalhadores? Não nesse momento”.
O presidente da OAB encerrou sua manifestação
pugnando pelo afastamento de qualquer possibilidade de alteração
do nome “Consolidação das Leis do Trabalho”,
hoje largamente conhecido e utilizado pelo trabalhador brasileiro.
A proposição em tramitação no
Congresso prevê a alteração do nome CLT
para “Consolidação das Leis Material
do Trabalho”.
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