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O ESTADO DO PARANÁ,
07 de abril de 2008 | Economia
Indústria produz mais e aumenta
salários
Agência Estado
A produtividade do trabalho na indústria brasileira vive o que os economistas
chamam de um ciclo virtuoso de crescimento. O ciclo começou em 2004
e está se acelerando. No ano passado, a produção por trabalhador
nas fábricas cresceu 4,2%, quase o dobro da taxa alcançada em
2006 (2,5%). Esse desempenho reflete o aumento dos investimentos das empresas
em máquinas e equipamentos para expandir a produção.
Impulsionada pela expansão
de 6% na produção industrial, a evolução
da eficiência nas fábricas é considerada virtuosa
porque veio acompanhada de crescimento de 2,2% no emprego e de 1 8% nas
horas pagas. Ou seja, a produtividade aumentou sem demissões em
massa, como ocorria no passado. A remuneração média
da mão-de-obra apresentou aumento real, de 3,1%. O ganho foi menor
que o proporcionado pelo avanço da produtividade, o que sinaliza
que os aumentos salariais estão sendo concedidos pela indústria
sem pressões sobre a inflação.
Os números constam de
um levantamento feito pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
da Indústria (Iedi) com base em dados do IBGE. Eles montam um
quadro bem diferente do observado entre meados dos anos 90 e 2003, quando
o aumento de produtividade era conseguido a custa da redução
do emprego.
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FETRACONSPAR, 7 de
abril de 2008
Contribuição sindical
e a prestação de contas ao TCU
O veto necessário
Geraldo Ramthun*
Se os trabalhadores são
capazes de enfrentar a labuta do dia a dia, é evidente que
são capazes de fiscalizarem os gastos do seu sindicato. O
dinheiro da contribuição sindical, não é público,
são valores contribuídos especificamente pelos trabalhadores,
haja vista que o sindicato é uma entidade pública,
porém de direito privado.
A sociedade está ouvindo
nos últimos dias, que o Presidente da República não
foi prudente ao vetar o artigo 6º da Lei nº. 11.648 de
31 de março de 2008, que subordinava as entidades sindicais
de patrões e empregados a apresentarem prestação
de contas ao Tribunal de Contas da União - TCU.
“Art.
6º Os sindicatos, as federações e as confederações
das categorias econômicas ou profissionais ou das profissões
liberais e as centrais sindicais deverão prestar contas
ao Tribunal de Contas da União sobre a aplicação
dos recursos provenientes das contribuições de
interesse das categorias profissionais ou econômicas,
de que trata o art. 149 da Constituição Federal,
e de outros recursos públicos que porventura venham
a receber.” (VETADO)
É importante dizer
que quando discutíamos no Senado Federal, a derrubada de
emendas apresentadas ao PL nº. 1990/2007, que deu origem ao
reconhecimento formal as centrais sindicais e sua sustentabilidade,
houve acordo por parte das lideranças sindicais de trabalhadores
quanto à possibilidade do TCU fiscalizar as verbas oriundas
da contribuição sindical, mas somente da contribuição
sindical.
Quanto ao veto, é bom
que se diga, houve articulação das entidades patronais
junto ao Presidente da República, que agora estão
caladas. Por mais que tenhamos concordado no Senado Federal, pensamos
que o Presidente Lula, inteligentemente, corrigiu a questão,
evitando o ferimento da liberdade e autonomia sindical, consagrada
na nossa constituição cidadã.
Quem fiscaliza as contas
do sindicato, federação e confederação?
É público
e notório, que nenhum dirigente sindical deixa de submeter
os gastos da entidade ao seu conselho fiscal, eleito democraticamente
pelos trabalhadores, e após fiscalizadas, as contas ainda
são submetidas à assembléia geral da sua categoria,
até porque, os dirigentes sindicais ao se candidatarem à reeleição,
têm como primeira condição, estarem com suas
contas totalmente em dia, sob pena de ficarem inelegíveis.
Os sindicatos, federações
e confederações fazem no mínimo duas assembléias
sobre a questão financeira, uma para fazer a previsão
orçamentária de receitas e despesas do exercício
seguinte e outra, para análise, discussão do balanço
financeiro e patrimonial, sem contar as assembléias periódicas,
onde nossos dirigentes sempre prestam informações
sobre receitas e despesas.
Ao bradarem que as entidades
sindicais não prestam contas, no mínimo carecem
de conhecimento ou fazem isso por pura maldade.
Dizer que os sindicatos,
federações e confederações não
são fiscalizados, é chamar os conselheiros e os trabalhadores
que os fiscalizam de incompetentes. Bem disse o presidente Lula: “O
trabalhador deve ser capaz de fiscalizar seu sindicato, por isso
eu vetei”.
Ora, nossas entidades além
de serem observadas diuturnamente pela sociedade, prestam constantemente
esclarecimento aos trabalhadores, seja nas fábricas, no
balcão do sindicato, no campo de futebol, no supermercado,
ou seja, nossos dirigentes respondem como sindicalistas 24 horas
por dia.
Deixamos claro aos
nossos algozes, que continuaremos exercendo a liberdade e à autonomia
sindical, com responsabilidade, e continuaremos trabalhando noite
e dia, pela igualdade social, por uma justa distribuição
de renda, e pelo fortalecimento das entidades sindicais, inclusive
financeiramente, para que possamos enfrentar os ataques constantes
contra os direitos dos trabalhadores.
_____________________________________________________________________________________________________
* GERALDO RAMTHUN, é presidente
da FETRACONSPAR – Federação dos Trabalhadores
nas Indústrias da Construção e do Mobiliário
do Estado do Paraná, Diretor Secretário Regional
da C.N.T.I. – Confederação Nacional dos Trabalhadores
na Indústria e 3º Vice-Presidente da Nova Central Sindical
de Trabalhadores - NCST. |
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O GLOBO, 07 de abril de 2008
| País
PAC ajuda construção
civil a ter reajuste de 7,5%
Plantão | Valor Online
RIO - Mesmo nos setores que registraram crescimento acima do PIB em 2007 e
no segmento de serviços, os acordos salariais foram selados com ganho
real próximo a 2% ou com outras compensações na composição
da renda. Conforme a Federação das Indústrias do Estado
(Firjan) o acordo mais importante foi fechado com o Sindicato dos Trabalhadores
da Construção do Município do Rio de Janeiro, com reajuste
dos salários em 7,5%, ante 5,47% do Índice Nacional de Preços
ao Consumidor (INPC) - o indexador da categoria.
O piso da categoria, pago a serventes,
foi reajustado em 9%, para R$ 665,60. Faz todo sentido. Certamente o
reajuste do salário mínimo, que este ano coincidiu com
nossa data-base, andou pressionando , disse o diretor-executivo do Sindicato
da Indústria da Construção do Estado do Rio de Janeiro
(Sinduscon-Rio), Antonio Carlos Mendes Gomes. O reajuste não superou
o ganho de anos anteriores.
A perspectiva de elevação,
em 2008, dos investimentos em obras, tanto no setor público (fruto
do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC), como
nos setores imobiliário residencial, comercial e industrial, contribuíram
para facilitar as negociações.
Até 2005 vínhamos
em uma estagnação de quase 20 anos. Em 2001 tínhamos
130 mil empregados, agora temos 190 mil, todos formais , ressalta Gomes.
Em janeiro e fevereiro foram contratados 6.463 empregados, o que permite,
segundo ele, prever aumento da força de trabalho do setor de pelo
menos 30 mil empregados no ano. Devido à forte demanda por trabalhadores,
encarregados de obra e outros profissionais chegam a receber até 50%
acima do piso, que passou a R$ 1.542,20.
Os 12 dias de greve comandados
pelo Sindicato da Construção Civil da Bahia renderam um
bom acordo salarial para a categoria, com data-base em janeiro. O aumento
dos salários foi de 8%, o que significa um ganho real de 2,84%,
quando descontada a inflação pelo Índice Nacional
de Preços ao Consumidor (INPC). No piso, o aumento foi maior e
chegou a 9%, elevação de 3,84% acima da inflação.
É uma ótima notícia,
pois essa foi a primeira negociação do Estado e já cria
um patamar de referência mais alto para as demais , avalia Ana
Georgina Dias, supervisora técnica do escritório regional
do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese) na Bahia. Ana diz que mesmo com a inflação baixa
e controlada, tem sido muito difícil para os trabalhadores baianos
conseguirem reajustes reais acima de 2%. Como o empregador vê a
inflação baixa, acha que o reajuste pequeno já é suficiente
, afirma.
As negociações
salariais estão apenas começando no Paraná - maio
concentra o maior número de datas-bases. Dois sindicatos que já fecharam
acordo, o que reúne trabalhadores de asseio e conservação
e o que defende vigilantes, acharam positivo o resultado. No momento,
a maior polêmica está no salários dos servidores
da prefeitura de Curitiba, que não gostaram dos 6% oferecidos
pelo município e ameaçam fazer greve, mesmo sabendo que
não conseguirão melhorar o reajuste menos de seis meses
antes das eleições, por ser proibido.
A proposta da prefeitura foi
encaminhada à Câmara de Vereadores e aprovada em uma sessão
tumultuada, o que desagradou representantes dos trabalhadores. Ela nos
impôs um reajuste, sem negociação , reclama Irene
Rodrigues dos Santos, presidente do Sismuc, o sindicato da categoria.
Segundo ela, foi pedido aumento de 27% nos salários, sendo 15,23%
referentes a perdas históricas, 5,43% de inflação
e mais ganho real.
A prefeitura argumentou que,
desde 2005, o salário dos servidores teve reajuste acumulado de
25,06%, ante inflação de 14,42% no período. O novo
reajuste irá gerar acréscimo mensal de R$ 5 milhões
na folha de pagamento.
No caso dos trabalhadores de
asseio e conservação, os salários foram reajustados
em 8% a partir de fevereiro, e o piso subiu de R$ 400,00 para R$ 432,00.
Somando outros benefícios, o empregado de área de limpeza
passa a receber mínimo de R$ 614,00. De acordo com o Dieese, os
8% representam 5,38% de reposição de inflação
e 2,49% de aumento real.
Para os vigilantes foi aprovado
reajuste de 6,21% no piso, que passou de R$ 838 para R$ 890, o que representa
aumento real de 0,8%. Mas o adicional de risco foi aumentado em 34%,
a alimentação em 5,26% e a contribuição para
o seguro de saúde foi reduzida. Com isso, a remuneração
ficou 8,35% maior, com ganho real de 2,9% informa João Soares,
presidente do Sindicato de Vigilantes de Curitiba e Região. De
acordo com o sindicalista, é difícil conseguir reajustes
para serviços terceirizados. Mas o crescimento da violência
contribuiu para esse resultado. Soares explicou que aumentou a contratação
de empresas de segurança privada. Elas cresceram 14% em 2007 ,
disse. Com isso, não tiveram muitos argumentos para colocar na
mesa de negociações.
(Chico Santos, Raquel Salgado e Marli
Lima | Valor Econômico)
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VERMELHO,
07 de abril de 2008
América Latina vê "leve
redução" da pobreza em 2007
O número de pobres na
América Latina e no Caribe diminuiu de 194 para 190 milhões
de pessoas em 2007, informou nesta segunda-feira (7) o Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID) em seu relatório anual divulgado em
sua 49ª Assembléia Anual.
A taxa de pobreza caiu dos
36,5% de 2006 para 35,1% do ano passado, uma diminuição
mais moderada segundo as projeções incluídas no
relatório de 2007 do BID, apresentado na reunião anual
desta entidade que acaba na terça-feira em Miami (EUA).
Em relação ao
número de pessoas em situação de extrema pobreza
ou de indigência diminuiu de 71 milhões para 69 milhões
e a taxa caiu de 13,4% para 12,7%.
" Estas são as
taxas mais baixas que foram registradas desde os anos 80 e o menor
número de pobres nos últimos 17 anos", declarou
a entidade multilateral.
A diminuição
da extrema pobreza desde 1990 implica, segundo o BID, um avanço
de 87% para a obtenção do primeiro dos Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio na região, que consiste em reduzir pela metade,
para 2015, a extrema pobreza que existia em 1990.
No relatório, citando
a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina
e Caribe), se afirma que o nível atual da extrema pobreza parece
indicar "avanços notáveis" em muitos países.
Os cálculos correspondentes
a Brasil, Chile, Equador (zonas urbanas) e México indicam que
estes países já alcançaram a meta desejável.
Colômbia, El Salvador, Panamá, Peru e Venezuela estão
avançando a um ritmo próximo ou superior ao necessário
para consegui-lo.
Fonte: Efe
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
07 de abril de 2008
Em seis meses, 20 partidos perderam
filiados
Levantamento realizado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) revela que dos
27 partidos políticos registrados, 20 perderam filiados entre novembro
de 2007 e março deste ano.
Em números absolutos,
a maior diminuição foi do PMDB (Partido do Movimento Democrático
Brasileiro), que perdeu 5.897 de seus 2.099.200 inscritos.
Em percentual, o PRP (Partido
Republicano Progressista) foi quem mais perdeu filiados: 0,51% dos 180.291
anteriores.
No total, o número de
filiados foi reduzido em -1,58% (32.876), e hoje soma 12.407.901 de inscritos.
Os partidos devem entregar a lista atualizada de filiados à Justiça
Eleitoral até o dia 14 de abril.
A redução do número
de filiados pode ser em razão da dupla filiação
partidária, que automaticamente cancela a inscrição
nos partidos, e o fato de ter ocorrido a fusão de algumas legendas,
como são os casos do PR (Partido da República), fruto da
junção de PL e Prona, e da incorporação do
PAN pelo PTB. Nesta situação é comum que haja a
desfiliação voluntária por incompatibilidade com
a ideologia da nova agremiação criada.
Assim como no último levantamento,
quem mais ganhou filiados em números absolutos e em porcentagem
foi o PRB, que agora conta com 122.564 inscritos, 1,30% a mais do que
em novembro de 2007.
O PMDB continua sendo o partido
com o maior número de filiados. Apesar da redução
de 0,28%, a legenda soma 2.093.303 inscritos, a única a superar
os dois milhões de filiados. Em seguida está o PP (Partido
Progressista), que totaliza 1.279.524. O terceiro maior partido brasileiro
em inscritos é o PSDB, com 1.196.810 filiados.
O PCO (Partido da Causa Operária) é quem
tem menos filiados: 3.214. O PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores
Unificado) tem 10 mil eleitores a mais e ocupa a penúltima posição.
Esses números devem ser
alterados ainda este mês, pois, por determinação
da Lei dos Partidos Políticos 9.096/95, todos têm de entregar
a relação de seus filiados à Justiça Eleitoral
entre os dias 8 e 14 de abril.
Para concorrer às eleições
municipais de outubro, no entanto, os interessados deveriam ter se filiado
até o dia 5 de outubro do ano passado, ou seja, um ano antes do
pleito, como determina o artigo 18 da Lei 9.096/95.
Veja a lista de filiados por partidos:
1 PMDB 2.093.303
2 PP 1.279.524
3 PSDB 1.196.810
4 PT 1.152.399
5 PTB (somado ao PAN) 1.044.775
6 PDT 1.018.325
7 DEM 996.958
8 PR 723.493
9 PPS 409.861
10 PSB 396.908
11 PSC 253.729
12 PV 244.280
13 PC DO B 229.149
14 PMN 184.401
15 PRP 179.375
16 PSL 157.936
17 PTC 138.325
18 PT DO B 124.260
19 PRB 122.564
20 PSDC 120.340
21 PHS 103.553
22 PTN 90.820
23 PRTB 85.267
24 PSOL 28.517
25 PCB 16.142
26 PSTU 13.673
27 PCO 3.214
TOTAL 12.407.901
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CONSULTOR JURÍDICO,
07 de abril de 2008
Punição ainda tímida
para infiéis
Dos cerca de 8 mil políticos processados
por terem trocado de partido, apenas 128 foram cassados até agora
Sofia Fernandes e Edson Sardinha
Cinco meses após a publicação
da norma que disciplinou os processos de perda de mandato por infidelidade
partidária, os políticos que trocaram de legenda pouco
sentiram a punição da Justiça eleitoral. Dos cerca
de 8
mil detentores de mandato ameaçados de cassação,
apenas 128 (1,5%) perderam o cargo até o momento. Desses, apenas
um não era vereador: o deputado federal Walter Brito Neto (PRB-PB).
Veja
a lista publicada com exclusividade pelo Congresso em Foco.
Até o momento, oito dos
26 estados ainda não cassaram um mandato sequer. Na outra ponta,
Pará, com 37, Rio Grande do Sul, com 27, e Piauí, com 17,
são as três unidades federativas onde há o maior
número de representantes cassados.
A resolução baixada
pelo TSE estabelecia o prazo de 60 dias, a contar do recebimento da denúncia,
para que a Justiça eleitoral cobrasse as devidas explicações,
ouvisse os acusados e fizesse o julgamento do caso (leia
mais). Se a norma fosse seguida à risca, todos os julgamentos
estariam na reta final, já que as últimas denúncias
foram encaminhadas ainda na primeira semana de janeiro.
Mas até mesmo o Tribunal
Superior Eleitoral, responsável pela análise dos casos
envolvendo parlamentares federais, tem enfrentado dificuldade para julgar
as ações movidas contra 13 deputados. Além disso,
a norma tem sido contestada no Supremo Tribunal Federal (STF), no Congresso
e no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) da Bahia (leia
mais).
Além do cassado Walter
Brito Neto, outros quatro deputados foram absolvidos até agora:
Jusmari Oliveira (PR-BA), Sérgio Brito (PDT-BA), Marcos Antonio
(PRB-PE) e Jurandy Loureiro (PSC-ES). Os ministros entenderam, nesses
casos, que a mudança havia ocorrido antes da data-limite ou que
o mandato estava sendo reivindicado por uma parte que não podia
ser considerada interessada no assunto.
Prazo expirado
O presidente do TSE, Marco Aurélio
Mello, admite que o prazo estabelecido inicialmente pela resolução
já expirou, mas nega que o atraso esteja comprometendo os julgamentos.
Segundo o ministro, o tribunal está julgando os casos sem atropelo
de defesa, ouvindo o Ministério Público e garantindo o
devido tempo para os respectivos relatores.
“ Fixamos aquele prazo, mas não é peremptório. Se
não for apreciado dentro de 60 dias, não deixará de ser
julgado. Esse prazo é mais uma sinalização para assentar
urgência”, disse Marco Aurélio ao Congresso em Foco.
O ministro ressaltou que, apesar
da proximidade do calendário eleitoral, não há risco
de que os processos deixem de ser julgados antes das eleições
municipais de outubro.
O TSE ainda tem de julgar as
denúncias envolvendo os deputados Carlos Eduardo Cadoca (PSC-PE),
Carlos Souza (PP-BA), Clodovil Hernandes (PR-SP), Damião Feliciano
(PDT-PB), Davi Alves Júnior (PDT-MA), Geraldo Resende (PMDB-MS),
Gervásio Silva (PSDB-SC) e Paulo Rubem Santiago (PDT-PE).
A dificuldade encontrada pelo
TSE na análise das 17 ações que foram movidas contra
parlamentares federais na corte também tem sido enfrentada pelos
Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), onde tramita a quase totalidade
dos 8,5 mil processos por infidelidade partidária em andamento
no país.
Os TREs do Paraná, com
1.080 ações, do Piauí, com 952, e de São
Paulo, com 868, são os que acumulam o maior volume de processos.
O paulista, por exemplo, julgou apenas um caso até agora.
Lentidão
O procurador-regional eleitoral
do Piauí, Marco Túlio Lustosa Caminha, avalia que o TSE
não previa que fossem abertos tantos processos contra “infiéis” em
todo o Brasil. Para ele, é compreensível a morosidade dos
TREs para concluir os casos, sobretudo, em municípios pequenos.
“A demora se deve mais
aos procedimentos do que pelas condições dos tribunais.
Coisas como o envio de cartas de ordem para as testemunhas dos vereadores,
muitas vezes residentes no interior dos estados, são trabalhosas”,
afirmou.
Um dos casos mais críticos é o
de São Paulo. Com quase 900 políticos ameaçados
de perder o mandato (10% dos casos de infidelidade no país), a
Justiça eleitoral do estado afastou apenas um parlamentar. A assessoria
de comunicação do TER-SP alega que a corte tem se dedicado,
até o momento, à análise dos casos preliminares,
como avaliar as partes que poderiam entrar com recurso.
"A questão de infidelidade
demora mais para ser julgada porque os juízes estão preocupados
em fazer bem feito a fase de prova. Isso é salutar, para que não
tenha erros", defende o advogado Eduardo Nobre, especialista em
direito eleitoral.
Mas há quem credite à Justiça
eleitoral toda a culpa pela demora na análise dos casos. "O
prazo para julgamento já extrapolou há mais de um mês,
isso mostra que o sistema Judiciário está falhando, em
todo o Brasil", afirma Bento Batista Silva, presidente da União
dos Vereadores do Brasil (UVB).
Questão de espírito
Apesar de estar longe dos estados
com o maior número de processos contra políticos que trocaram
de partido, o Pará se destaca como o que mais cassou parlamentares
por infidelidade partidária até agora. Das 153 denúncias
feitas à corte eleitoral paraense, 37 resultaram na perda de mandato
de vereadores.
O vice-presidente do TRE-PA,
desembargador João José da Silva Maroja, entende que nem
todos os tribunais compreenderam o “espírito” da resolução
do TSE. “Distinguimos e aplicamos com mais precisão os critérios
da resolução porque nos dedicamos muito para entendê-la”,
afirmou ao Congresso em Foco.
Pequenos infiéis
A maioria dos vereadores cassados
por infidelidade partidária até agora legislava em cidades
com menos de 50 mil habitantes. Das 26 câmaras de vereadores das
capitais brasileiras, apenas a de Belém registrou mudanças
em sua composição por causa da infidelidade partidária.
Dois vereadores da capital paraense perderam o mandato.
Por outro lado, dois municípios
nordestinos assistiram à mudança de um terço de
seus vereadores. Em Senador José Porfírio (PI) e São
José de Mipibu (RN), três dos nove representantes do Legislativo
foram cassados pelos respectivos TREs.
Para o presidente da União
dos Vereadores do Brasil, há uma explicação para
o alto índice de infidelidade nos pequenos municípios. "Os
vereadores de pequenas cidades mudam de partido quase naturalmente, porque
geralmente não se atêm à ideologia partidária",
diz Bento Batista Silva, que é vereador de Juranda (PR).
Perde e ganha
O quadro traçado pelo
troca-troca partidário apresenta algumas curiosidades. Dono do
maior número de ocupantes de cargos eletivos em todo o país,
o PMDB lidera tanto a lista dos cassados como também aparece como
destino preferido dos infiéis.
Dos 128 políticos que
perderam o mandato até agora, 23 haviam trocado o PMDB por outra
legenda. Em contrapartida, 29 dos cassados abandonaram as legendas pelas
quais se elegeram e migraram para o partido (veja
o quadro).
Depois do PMDB, o PPS, com 18,
e o PSDB, com 15, surgem como as siglas que mais conseguiram reaver mandatos
até agora. O DEM, único a conseguir reaver uma cadeira
na Câmara até agora, retomou ainda oito vagas de vereador,
enquanto o PT, seis.
Por outro lado, após os
peemedebistas, o PSB desponta como a sigla que mais perdeu cadeiras por
decisão dos TREs. Foram 16 até o momento, sete só em
Pernambuco. Já o PP teve 11 cassados. A margem de recuperação
dos mandatos para os cassados é pequena. Eles podem pedir ao próprio
TRE a reconsideração do julgamento, mas as chances de a
corte reformular a sua decisão é pequena. No caso do deputado
federal Walter Brito Neto, ele ainda pode fazer o mesmo pedido ao TSE.
LEIA TAMBÉM:
Quem
já perdeu o mandato
Resolução
do TSE sob fogo cruzado
LEIA AINDA:
O
preço da infidelidade partidária
|
ESTADÃO.COM/ SÃO
PAULO, 07 de abril de 2008 | Economia
Boom da construção civil
faz Tigre criar empresa de acessórios
REUTERS
SÃO PAULO - A Tigre, companhia brasileira que atua no mercado de tubos
e conexões, anunciou nesta segunda-feira que decidiu investir 25 milhões
de reais para criar uma empresa independente para atender à crescente
demanda no segmento de acessórios para banheiros e lavanderias.
Apesar de manter o projeto desde
o anos de 1980, o crescimento de aproximadamente 20 por cento ao ano
nas vendas desses itens nos últimos anos e o aquecimento do setor
de construção civil motivaram a companhia a implementar
o projeto, segundo a empresa.
Para isso a Tigre criou a Silver,
da qual controla 100 por cento, e cuja primeira marca de produtos será a
Plena, com uma família de espelheiras, sanitários e tanques.
As vendas desses produtos representaram
algo como 66 milhões de reais para a empresa no ano passado, mas
a estimativa da Silver é que a linha Plena supere os 70 milhões
de reais em 2008 e chegue a 100 milhões de reais em 2009.
"Tínhamos dúvidas
sobre o bem e o mal que a marca Tigre trazia para essa linha de produtos.
Sentimos que era hora dessa área ter uma marca própria",
explicou Evandro S'Antanna, diretor da Silver, nesta manhã, durante
entrevista coletiva com jornalistas.
A Silver é sediada em
Pouso Alegre, Minas Gerais, onde a companhia encontrou o que definiu
como equilíbrio entre clientes e fornecedores, e onde foi montada
também a fábrica da linha Plena. A Silver nasce com 450
empregados, dos quais menos de 10 por cento são egressos da Tigre,
com maior parte da mão de obra sendo local, apontou S'Antanna.
No início de março,
a agência de classificação de risco Moody's afirmou
que prevê sólido crescimento do setor de construção
civil do Brasil nos próximos anos, favorecido por expansão
econômica, taxas de juros estáveis e oferta de financiamentos
cada vez mais amplo.
Segundo a Associação
Brasileira da Indústria de Materiais de Construção
(Abramat), as vendas internas do setor no primeiro bimestre saltaram
31,7 por cento em relação ao mesmo período do ano
passado e a previsão para o primeiro semestre é de evolução
de 17 a 18 por cento na mesma comparação.
(Por Taís Fuoco)
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ÂMBITO JURÍDICO,
07 de abril de 2008
Valor excedente a 40 salários
mínimos em conta poupança pode sofrer penhora
Fonte: TRT3
O artigo 649, inciso X, do Código
de Processo Civil, estabelece a impenhorabilidade das quantias depositadas
em caderneta de poupança até o limite de 40 salários
mínimos. Com base neste fundamento, a 1ª Seção
Especializada de Dissídios Individuais do TRT-MG acolheu parcialmente
o pedido veiculado em mandado de segurança impetrado pela executada,
que teve sua conta poupança bloqueada pelo sistema Bacen-Jud,
determinando a liberação do valor correspondente a 40 salários
mínimos, mas mantendo o bloqueio sobre o saldo restante.
Segundo esclareceu a desembargadora
relatora, Maria Perpétua Capanema Ferreira de Melo, não
houve prova de que a conta poupança era destinada exclusivamente
ao sustento da reclamada, não sendo o caso da aplicação
do inciso IV, do artigo 649, do CPC, que estabelece a impenhorabilidade
das contas destinadas ao recebimento de salários e proventos de
aposentadoria. “Entretanto, acato a assertiva da reclamante de
que a referida conta é para pagamento de despesas básicas
como remédios de uso contínuo, plano de saúde, taxa
de condomínio, etc, o que se encaixa no disposto no artigo 649,
inciso X, do CPC, pelo qual são impenhoráveis as quantias
depositadas em caderneta de poupança até o limite de 40
salários mínimos” - frisou.
( MS nº 01461-2007-000-03-00-8
)
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DEPACOM, 07 de abril de
2008
Brusque/ SC
Palestra vai levar informações
sobre segurança e saúde no ambiente de trabalho
O Sindicato
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário de Brusque e região (Sintricomb) vai
realizar uma palestra sobre segurança e medicina do trabalho.
O evento acontecerá no Dia do Trabalhador, 1º de maio,
na sede da entidade. Na ocasião, especialistas em segurança
e médicos vão levar à classe informações
sobre a importância de políticas que diminuam os riscos
de acidentes e danos que possam prejudicar a saúde do trabalhador.
A importância, função e melhor maneira de se utilizar
os equipamentos de segurança serão alguns dos pontos
a serem abordados na palestra. Segundo o presidente do Sintricomb,
Renato José Lungen, a intenção é de fazer
com que os trabalhadores possam ter a oportunidade de sanar dúvidas
que costumam ser freqüentes quanto aos temas. “Queremos
fazer uma palestra mais ampla, para que o trabalhador também
interaja e faça perguntas sobre sua atividade e as questões
que envolvem a segurança e o bem-estar. Haverá pessoas
especializadas para tirar essas dúvidas”, comenta Lungen.
Com o objetivo de atrair o maior número possível de interessados
nos assuntos, considerando a importância dos mesmos, principalmente
para a classe, o sindicato vai realizar o sorteio de vários
prêmios, entre eles uma televisão, cinco bicicletas e
15 prêmios surpresa. Mas somente podem participar do sorteio
as pessoas que forem associadas ao sindicato, que assistirem à palestra
e apresentarem a carteirinha de sócio. A confirmação
deve ser feita até o dia 26 de abril.
No início do mês de março, o Sintricomb participou
de um Congresso em nível nacional, que aconteceu na cidade de
Florianópolis. O encontro teve por objetivo discutir acerca
dos problemas que envolvem a segurança e a saúde do trabalhador.
Segundo Renato Lungen, as notícias quanto ao problema na região
de Brusque não foram nada animadoras. “Escutei com tristeza
de um dos representantes do Ministério do Trabalho que Brusque
e Rio do Sul são as cidades que os trabalhadores menos usam
equipamentos de segurança”. Na semana que vem, o presidente
do Sintricomb disse que vai agendar com o Ministério uma série
de novas visitas aos canteiros de obras na cidade e região.
De acordo com estatísticas do próprio Ministério
do Trabalho, no ano passado morreram 194 pessoas em suas atividades
profissionais no Estado de Santa Catarina. Deste número, 96
perderam a vida quando se deslocavam, principalmente vitimas do meio
de transporte que utilizavam (Geralmente lotados em grande número
na carroceria de veículos). Cerca de 54% delas pertenciam ao
setor de construção civil. Além das mortes ocorridas
no transporte, quando a empresa fornece caminhão para que os
trabalhadores se desloquem às obras, outro tipo de acidente
também colaborou para o elevado índice de vidas ceifadas
no setor: as quedas de altura e descargas elétricas. Santa Catarina é hoje
o sétimo Estado do país em número de acidentes
no setor de construção civil e o primeiro na Região
Sul. “São estatísticas muito preocupantes e uma
situação bastante vergonhosa dentro do nosso Estado.
Por isso, nos unirmos, empresários, sindicato e trabalhadores,
podemos mudar essa situação. Não vamos mais tolerar
isso. Vem fiscalização aí, e vem pesada. Ou muda-se,
ou pára.”, finaliza Lungen.
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Gazeta do Povo, 7 de abril
de 2008
Cortesia
O cavalo é dado, mas não
custa olhar os dentes
Defeitos em serviços gratuitos
ou produtos oferecidos como brinde devem ser questionados.
Não importa se você não pagou por eles
Embora no dia-a-dia o ditado popular “em cavalo dado não
se olha os dentes” vigore com boa aceitação, sua
validade cai por terra quando o presenteado é o consumidor. Quem
ganha um produto ou serviço na compra de outro tem tanto direito
sobre a cortesia quanto sobre o resto da oferta – e reclamar por
seu pleno estado e funcionamento é uma garantia do Código
de Defesa do Consumidor.
A dona de casa Terezinha Marques fez essa regra valer. Ela ganhou da
loja Aliança Eletromóveis, onde comprou sua cozinha, o
tampo de granito da pia – o produto estava exposto no show room
do estabelecimento e, na negociação, o vendedor lhe concedeu,
sem custo nenhum, a pedra. “Ele disse que só o granito valia
uns R$ 4 mil.” Quando recebeu a cozinha, no entanto, o tampo de
granito não veio. Segundo os transportadores contratados pela
loja, ele havia sido quebrado na retirada do móvel da empresa.
Terezinha entrou em contato com a Aliança no dia seguinte à entrega – desde
então, foram dezenas de contatos e mais de trinta dias de espera
por uma solução.
Como justificativa pela
recusa em resolver o problema, o departamento jurídico da
empresa alegou que a loja não vende granito, e que nem mesmo
na nota fiscal há essa informação. “Discordo,
pois o argumento de venda foi o granito”, diz a consumidora. “O
vendedor insistiu para que eu comprasse a cozinha pelo bom negócio
que eu estaria fazendo, com armários com granito sem nenhum
custo adicional.”
Segundo o advogado e professor de Direito do Consumidor da Universidade
Federal do Paraná (UFPR), Carlos Joaquim de Oliveira Franco, a
cortesia, mesmo que não tenha sido cobrada diretamente do cliente,
está incluída no contexto do contrato com o fornecedor,
que é responsável pela oferta por inteiro. “O fato
de ele não ter cobrado um valor específico pelo granito
não o exime das suas responsabilidades como fornecedor”,
explica. “O fornecedor tem de cumprir a oferta e as condições
do contrato que firmou.”
A empresa também alegou que a consumidora mudou a disposição
dos móveis da cozinha na montagem, e que, por causa disso, o conserto
do tampo original já não seria suficiente para que o produto
estivesse em plenas condições de uso. Para a advogada Marta
Favreto, do Procon-PR, a responsabilidade pela quebra da peça
continua sendo do fornecedor.
“ Não importa se, na instalação da cozinha, ela mudou
os móveis. Ela não foi a causadora do defeito. Se o granito saiu
da loja em perfeitas condições de uso e no trajeto foi danificado,
a loja é responsável, por mais que a peça tenha sido uma
cortesia”, explica a advogada.
Depois do contato da reportagem da, a loja decidiu resolver o impasse
e reparar a cozinha de Terezinha. “A empresa que nos fornece o
granito vai concluir o serviço”, informou o gerente administrativo
da Aliança Eletromóveis, Luiz Cláudio. “Vou
fazer isso para evitar mais desgaste. Prefiro perder um pouquinho para
evitar essas coisas.”
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Gazeta do Povo, 7 de abril de 2008
Empréstimos
Tarifa de abertura de crédito
acaba neste mês
Se você puder esperar um pouco para pegar um empréstimo
no banco, pode escapar de algumas cobranças. A partir do dia 30
de abril, a Taxa de Abertura de Crédito (TAC) e a Taxa de Liquidação
Antecipada (TLA) estarão extintas, por determinação
do Banco Central.
São tarifas que pesam no bolso. A TAC pode equivaler a 6% do valor
pedido ou a R$ 300, no máximo. A TLA varia conforme o prazo do
empréstimo e o momento de sua quitação.
Hoje, a TAC deve ser informada no momento do fechamento do contrato de
crédito. Ela faz parte do Custo Efetivo Total (CET), que deixa
mais transparente o valor cobrado de juros do consumidor e facilita a
comparação de taxas entre os bancos. As instituições
financeiras devem informar ao consumidor o CET de cada operação
desde o dia 3 do mês passado.
Mas o fim dessas tarifas terá contrapartida. A maioria dos bancos
aumentou o valor da taxa de cadastro para novos clientes, com exceção
do Bradesco e do Banco do Brasil, que continuarão não cobrando
a tarifa.
O fim da TAC e da TLA, no entanto, pode não diminuir o custo dos
empréstimos. A previsão é do consultor e vice-presidente
da Ordem dos Economistas do Brasil (OEB), José Dutra Vieira Sobrinho.
De acordo com ele, com a extinção das duas taxas, os bancos
deverão elevar os juros cobrados nas operações de
crédito.
“ No entanto, a informação sobre as cobranças ficará mais
transparente para o consumidor. Aquele banco que antes dizia cobrar juros de
3%, mas tinha uma TAC de R$ 200, agora vai embutir o valor nos juros e, com isso,
passará a informar a taxa de juros de 3,8%, por exemplo, que é um
porcentual mais próximo do real”, diz.
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Folha de São Paulo,
7 de abril de 2008
Crescimento sem inflação
acabou, diz Greenspan
Ex-presidente do Fed vê mais
de 50% de probabilidade de recessão nos EUA | Período à frente
será muito mais difícil do ponto de vista da
política monetária do que os 19 anos que esteve
no comando do BC, diz ele
DA REPORTAGEM LOCAL
Alan Greenspan, presidente do Fed ( banco central americano) de 1987
a 2006, afirmou que há mais de 50% de chances de os Estados Unidos
entrarem em recessão econômica. Segundo Greenspan afirmou
em entrevista telefônica ao jornal espanhol "El País",
o período à frente será muito mais difícil
do ponto de vista da política monetária do que foram seus
19 anos no comando do Fed.
Para ele, o período de crescimento sem inflação
também chegou ao fim.
" Estamos numa encruzilhada", disse Greenspan, ao divulgar seu livro "A
Era das Turbulências", que acaba de ser lançado na Espanha. "Tivemos
ausência de inflação nos últimos 15 anos ou mais nos
Estados Unidos e na Europa, pressionamos para manter a inflação
baixa e isso nos permitiu crescer a um ritmo muito rápido. Este período
está acabando."
Apesar de considerar que a possibilidade de recessão aumentou,
Greenspan diz que ainda não há muitos sinais de que o caminho é inevitável.
Para ele, recessão implica em descontinuidades significativas
de mercado: quedas bruscas de pedidos, forte aumento do desemprego e
debilitação geral de muitos setores, da noite para o dia. "Há alguns
sinais destes, mas não muitos", afirmou.
Falta de confiança
Segundo Greenspan, a queda nos preços das moradias e os prejuízos
bancários aconteceram porque houve deterioração
na confiança da solvência das partes. "Essa confiança é fator-chave
quando se vive em situação de incerteza", disse ele. "As
pessoas tendem a retroceder, a investir menos e, em muitos aspectos,
rebaixar muito o volume de atividade dos mercados financeiros."
Porém, para ele, é preciso levar em conta a magnitude da
economia americana.
" Há muitas e diferentes provas de que a economia dos Estados Unidos
-e, em boa medida, a do resto dos países desenvolvidos e cada vez mais
dos em desenvolvimento- é uma economia muito mais flexível",
disse ele. "Enfrentamos provas disso em 1987 e no 11 de Setembro, quando
praticamente não houve nenhuma mudança na atividade econômica:
o PIB caiu durante um período e depois se estabilizou."
Para ele, se os países mantiverem a flexibilidade adequada -o
que significa manter o protecionismo num nível absolutamente mínimo-
o problema a ser enfrentado, incluindo a atual crise financeira, se absorverá em
muitos aspectos sem impactos graves, tanto no emprego quanto na produção.
" As economias que se abrem e são capazes de competir com o resto
do mundo invariavelmente vão melhor", disse.
Para ele, o maior conflito está no impacto dos problemas financeiros
sobre o faturamento das empresas. Segundo Greenspan, a demanda agregada
de bens e serviços está estabilizada. "O crescimento
do PIB no primeiro trimestre do ano será zero", afirmou.
Greenspan evitou responder se a prioridade a ser adotada seria combater
uma possível recessão ou tomar medidas contra a inflação,
por ter a ver diretamente com as políticas do Fed. "Ali estão
meus colegas e meu sucessor, que já têm bastante problema
e não precisam que alguém de fora faça sugestões",
disse.
Já fora do Fed, Greenspan é apontado por alguns analistas
como um dos responsáveis pela atual crise, por ter permitido que
os empréstimos imobiliários fossem estimulados quase sem
garantias. O economista Paul Krugman, inclusive, chamou-o de "um
dos vilões do filme" por conta das conseqüências
da crise hipotecária.
Greenspan, no entanto, se defende. "Os benefícios de aumentar
a compra de moradias compensaram os riscos."
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Gazeta do Povo, 7 de abril
de 2008
Eleições 2008
Aliança PT–PMDB
sofre abalos
“ Trombadas” entre os
dois partidos para fechar as chapas das eleições
municipais de outubro podem comprometer a parceria na esfera
federal
Brasília - PMDB e PT, aliados no governo federal, estão
dando trombadas na na montagem das alianças municipais para outubro.
A crise entre os dois partidos é de tal ordem que, na quarta-feira
passada, o presidente do PMDB, deputado federal Michel Temer (SP), foi
forçado a adiar a reunião que teria com presidentes de
diretórios regionais para discutir a aliança preferencial
com o PT nas eleições municipais.
Temer avalia que “o grande desafio é não contaminar
a aliança nacional com as brigas locais”. Afinal, nem em
São Paulo, onde o PT chamou o PMDB de Orestes Quércia para
conversar e lhe ofereceu o cargo de vice ou composição
para uma das vagas ao Senado em 2010, a aliança é tida
como certa.
“Achamos melhor
apagar alguns incêndios antes de reunir as lideranças
estaduais em Brasília”, disse o líder do PMDB
na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). A revolta maior é entre
os mineiros, inconformados em tomar um “chute eleitoral” do
PT na briga pela prefeitura de Belo Horizonte.
O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) acha que o PT mineiro está fazendo
um acordo com o PSDB para isolar o ministro Hélio Costa, das Comunicações,
e lembra que, no momento, Costa é o líder nas pesquisas
eleitorais para a prefeitura da capital. O PMDB mineiro reage porque
o PT dispensou um aliado de primeira hora para se unir ao PSDB do governador
Aécio Neves no apoio a um candidato do PSB.
A parceria bem-sucedida entre PT e PMDB na Bahia, que garantiu a eleição
do governador Jaques Wagner (PT), também está abalada.
PT e PMDB estão juntos no secretariado de Wagner e são
parceiros na prefeitura de Salvador, comandada pelo prefeito João
Henrique Carneiro (PMDB). O ministro da Integração Nacional,
deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), tem sugerido ao governador e ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o PT não deve
lançar candidato próprio na capital, já que João
Henrique concorre à reeleição. Mas até agora
os apelos de Wagner e Lula em favor do entendimento não surtiram
efeito.
Temer adverte que em muitos casos a aliança é improvável. “Haverá disputa
entre os partidos da base e vários desses partidos vão
se alinhar com a oposição em várias capitais e cidades
estratégicas”, disse. Dirigentes das duas legendas já não
têm dúvidas de que PT e PMDB vão duelar em Porto
Alegre (RS), Florianópolis (SC), São Luís (MA),
Campo Grande (MS), Cuiabá (MT) e Rio Branco (AC).
No Paraná, apesar de uma possibilidade de aliança no segundo
turno em Curitiba, os dois partidos devem lançar candidatos próprios
na capital. Na reunião do conselho político do PMDB em
Brasília, no fim de março, o governador do Paraná,
Roberto Requião, defendeu uma aliança de reciprocidade
com o PT. “A regra é esta: preferencialmente o PMDB lança
candidato e, para que o PT ganhe nosso apoio em algum município,
terá de nos apoiar em outro”, disse.
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Congresso em Foco, 7 de
abril de 2008
Embora negue, Lula já se
movimenta para pleito 2010
Mesmo que seja sistematicamente
negada pelo próprio mandatário, principalmente diante
das câmeras, a hipótese de um terceiro mandato para o
presidente Lula já não é tão absurda, tão
ofensiva à democracia. Ao menos é o que manifestou, em
entrevista ao jornal Correio Braziliense, o prefeito de Recife (PE),
João Paulo Lima e Silva, que também é membro do
Diretório Nacional do PT. Para João Paulo, a recondução
de Lula ao Palácio do Planalto é a prioridade para a
legenda a partir de agora até ao pleito de 2010.
" O terceiro mandato de Lula é o plano A; Dilma é o plano
B; e o plano C é quem Lula indicar", admitiu o prefeito. Segundo
João, basta que seja apresentada – e aprovada no Congresso – uma
proposta de emenda à Constituição que possibilite a Lula
entrar na disputa eleitoral à Presidência da República em
2010.
Na última quarta-feira (2), foi a vez de o vice-presidente da
República, José Alencar, reforçar os rumores de
um eventual terceiro mandato de Lula em entrevista à Rádio
Bandeirantes. Para ele, dois fatores seriam justificáveis para
que se mexa na letra da lei e altere o período de permanência
de um presidente da República no comando do país: a falta
de tempo para as realizações e o próprio clamor
popular por Lula – que goza da mais alta popularidade de um presidente
desde Fernando Collor de Mello (praticamente 60% de aprovação
popular, segundo a mais recente pesquisa CNI/Ibope).
“ O Lula tem feito muito, mas ainda falta muito por fazer. Eu digo para
você, eu sou democrata. Nós não aceitamos outra coisa que
não seja democracia. O Lula deseja fazer o seu sucessor. Mas eu digo para
você que, se perguntarem aos brasileiros, o que os brasileiros desejam é que
o Lula fique mais tempo no poder", argumentou Alencar. O prefeito João
Paulo compara a situação de Lula àquela em que o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso conseguiu no Congresso a aprovação da
emenda que dispunha sobre a reeleição. "Se o terceiro mandato
fosse um golpe, golpe maior teria sido o segundo mandato de Fernando Henrique.
Qual a diferença?", perguntou João Paulo.
Segundo o jornal O Globo,
interlocutores próximos ao presidente Lula dizem que, caso
ele saia incólume do pleito municipal de outubro, pode dar
as cartas na política nacional já a partir deste ano.
O diário fluminense diz que os “movimentos políticos” do
presidente nestes primeiros meses de 2008 sinalizam que a intenção
do Planalto é “federalizar” as eleições
municipais de outubro (ou seja, trazer para o plano nacional), além
de reforçar o prestígio de Lula entre os aliados no
Parlamento. Governistas e a cúpula do PT têm se reunido
com freqüência para analisar o assunto, e já avaliam
o “impacto” que a inclusão de um terceiro mandato
na pauta política poderia significar. O receio é que
isso viesse a repercutir como afronta à democracia em setores
da sociedade. (Fábio Góis)
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FOLHA DE LONDRINA, 07 de
abril de 2008 | Política
Municípios discutem pendências
da última eleição
A menos de seis meses das eleições
municipais, prefeitos cassados e políticos derrotados
tentam reverter situação na Justiça
Arquivo FOLHA

Pendências da votação passada, realizada
em 2004, ainda são discutidas no TSE
Brasília - A menos de seis meses das eleições municipais
de outubro, muitos municípios brasileiros ainda discutem na Justiça
pendências da votação passada, realizada em 2004,
trazendo incertezas para o eleitorado dessas cidades. É uma legião
formada por prefeitos cassados que recorreram da decisão e por
políticos derrotados que até hoje tentam reverter o placar
das urnas, alegando irregularidades dos adversários.
Para se ter uma idéia
do volume dessas ações, apenas nos últimos trinta
dias o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) precisou se manifestar sobre
88 recursos que abordavam diretamente a situação de prefeitos.
O ritmo de julgamentos do TSE em 2008 é muito mais intenso que
o do ano passado. Entre a distribuição e redistribuição
de processos, interposição de recursos, julgamentos e
tomadas de decisões, o TSE já consumou 2.716 ações
este ano. Isso dá uma média de 29,8 decisões por
dia, mesmo considerando que o primeiro trimestre foi entrecortado por
férias e feriados prolongados, como o carnaval e a Semana Santa.
Julgamento
Futuro presidente do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) - assumirá o cargo em maio - o ministro
Carlos Ayres Britto acha normal a existência de muitos processos,
mas ressalta que a Justiça Eleitoral precisa julgar todos os
processos ''antes do término do mandato, das eleições
subsequentes''.
''Como temos no Brasil eleições
de dois em dois anos, isso funciona na subjetividade dos julgadores
como uma pressão para um julgamento célere. Todo processo
eleitoral é urgente. O tribunal da soberania popular é o
TSE, o que mais zela pela soberania popular'', afirma.
Mas Britto reconhece que há exagero
dos políticos na apresentação de recursos: ''A
Justiça Eleitoral é peculiar. Ela é célere
e muito atenta à versatilidade da vida, porque os candidatos,
digamos assim, têm uma imaginação muito fértil
e descobrem novos meios de conspurcar o processo eleitoral e a pureza
do regime representativo. São métodos espúrios
que fazem parte de uma antiquíssima tradição a
desafiar, portanto, a Justiça Eleitoral para conscientizar o
eleitor e tornar os seus métodos de trabalho mais e mais eficazes'',
diz o ministro. ''Vamos mal comparar: é como a luta dos hackers
com os antivírus. É uma batalha contínua, incessante,
diária'', acrescenta.
Mas não é apenas
a imaginação dos candidatos que é fértil.
Vários casos analisados pelo TSE também beiram o surrealismo.
Em Anicuns (GO), o prefeito Lourival Bueno de Souza e o vice-prefeito
Roberto Bastos Mendes apresentaram um recurso especial, aceito pelo
TSE, em que contestavam o julgamento que decretou as perdas de seus
mandatos, alegando que não puderam se defender adequadamente.
Ambos foram denunciados pela suposta compra do voto de uma eleitora
e de seus familiares, a quem doaram... um par de dentaduras.
Além de alegar cerceamento
da defesa, os dois rejeitam, também, a acusação
de que doaram as dentaduras para obter o voto da família.
Em muitos outros casos, o TSE
acaba revertendo decisões tomadas pelos tribunais regionais
e até reconduzindo ao poder prefeitos que tinham perdido o mandato
na segunda instância. Foi o que ocorreu no último dia
25 de março, quando o TSE anulou a cassação do
prefeito de Ibaretama, no Ceará, Raimundo Viana de Queirós,
decretada pelo TRE-CE.
Marcelo de Moraes e
Felipe Recondo
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 07 de
abril de 2008 | Política
Dos prefeitos eleitos, Justiça
cassou 4,5%
A Justiça Eleitoral já cassou 250 prefeitos que foram eleitos
em 2004. O motivo é quase sempre o envolvimento com denúncias
de distribuição de favores em troca dos votos dos eleitores.
Isso representa um porcentual de 4,5% dos 5.561 municípios brasileiros.
Somente no ano passado, foram 90 cassações, na maioria das vezes
por acusações de compra de votos.
Nas cassações ocorridas
em 2007, Minas Gerais foi o Estado com o maior número de casos
- teve 20 prefeitos afastados do poder. A Bahia, com dez casos, e a Paraíba,
com nove, aparecem em seguida. Ao todo, apenas Acre, Alagoas, Amapá,
Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Tocantins não tiveram registradas
cassações de prefeitos em 2007. No caso do Amapá,
o Estado não registra em sua história nenhum caso de prefeito
que tenha perdido o mandato.
A tendência é de
que o número de punições aumente ainda mais este
ano, já que vários pedidos de cassação
estão na fila para ser apreciados pelo Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) antes das próximas eleições. Somente no último
mês, foram apresentados pedidos nesse sentido envolvendo as cidades
de Porto Real do Colégio, em Alagoas, Bom Jesus de Itabapoana,
no Rio de Janeiro, e Curimatá, no Piauí. (M.M. e F.R./AE)
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Folha
de São Paulo, 7 de abril de 2008
Petista quer "conversão" de
Lula sobre o 3º mandato
"Quem quer somos nós", afirma
o prefeito de Recife
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
DA AGÊNCIA FOLHA
João Paulo Lima e Silva (PT), prefeito
de Recife e membro do diretório nacional do PT, afirmou ontem à Folha
que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser "convertido" a
concorrer a um terceiro mandato.
" Acho que, por ele [Lula], não quer [disputar o terceiro mandato],
não. Quem quer somos nós [população e lideranças
do partido]", disse.
" Não é só [uma escolha] pessoal, você sabe que
o clamor das massas é muito forte para qualquer político. Acho
que teríamos que converter o presidente. Isso é o melhor para a
história do Brasil [...], o melhor para o povo", afirmou.
João Paulo já havia afirmado, em entrevista ao jornal "Correio
Braziliense", que "o terceiro mandato de Lula é o plano A
[do partido]; Dilma [Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil] é o plano
B; e o plano C é quem Lula indicar".
Para ele, o convencimento do presidente "é um processo", que
não deve se resolver agora. "Tem um tempo grande ainda, tem as
eleições [municipais]. Não é uma sangria desatada,
a idéia está decantando."
O prefeito justificou sua opinião por achar que oito anos de administração
lulista é um período muito curto para "concluir o processo
de mudança" iniciado em 2003.
Apesar de a discussão sobre o terceiro mandato ter surgido paralelamente à suspeita
de que a Casa Civil montou um dossiê sobre os gastos da gestão
FHC, João Paulo negou haver relação entre fatos.
Na último dia 1º, o vice-presidente José Alencar (PRB-MG)
também defendeu uma nova reeleição para Lula.
" Não sei se foi o acaso [que esquentou a discussão], não.
Foi a conjuntura, o momento, a passagem de Lula por aqui [Nordeste]", disse
João Paulo.
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FOLHA DE LONDRINA, 07 de
abril de 2008 | Economia
Aumento de juros pode custar eleições
municipais
Aumento no consumo estaria empurrando os
preços para cima, provocando o que os economistas chamam de ‘‘bolha
inflacionária’’
O aumento no consumo da cesta básica, vestuário e produtos de
higiene estaria empurrando os preços para cima, provocando o que os
economistas chamam de ''bolha inflacionária''. A preocupação é que
comércio e serviços comecem a majorar preços, diante da
incapacidade da indústria e da produção agrícola
em repor os estoques nas lojas e no varejo em geral.
Diante desse quadro, os riscos
são conhecidos e o antídoto para enfrentar uma disparada
nos preços seria o aumento da taxa de juros pelo Banco Central
brasileiro, considerada uma das maiores do mundo. A medida só não
tomou pulso, na avaliação dos economistas, porque isto
poderia custar as eleições municipais deste ano.
O professor e economista Flavio
Oliveira dos Santos, de Londrina, compartilha da idéia de que
o governo federal resiste em aumentar os juros, porque isto poderia custar
as eleições municipais este ano. ''A eleição
municipal é uma prévia do que vai acontecer lá na
frente'', diz Oliveira, referindo-se à eleição presidencial
daqui a dois anos.
Oliveira não acredita
que, por enquanto, o governo vá optar em aumentar a taxa de juros,
atualmente, na casa de 11,25%. ''Pode custar a eleição'',
calcula. Ele lembra que a taxa de juros sobre cartões de crédito,
representa cerca de 150% ao ano, 12% ao mês''.
O aumento do juros representaria
queda no consumo, desemprego e traria pessimismo à indústria
e ao comércio. A crise imobiliária americana, segundo ele, é outro
agravante. ''Isso (a crise americana) vai acabar respigando no Brasil'',
diz. ''As consequências podem ser preocupantes para as pretensões
eleitorais do governo Lula''.
Outro aspecto, salienta o economista,
são os juros da cesta básica nos últimos doze meses
acumulado em 17,38%. Segundo Oliveira, os juros demonstram que a cesta
básica esta bem acima dos cálculos oficiais de inflação.
Ele explica que os meses de fevereiro e março deste ano registraram
uma leve queda na cesta básica. ''Esta queda é devido às
promoções que o comércio em geral faz no início
do ano e não de queda real de inflação''.
Para outro economista de Londrina,
Laércio Rodrigues de Oliveira, a ''bolha inflacionária''
se deve a incapacidade do governo atender a demanda, produzindo mais
e não tendo como escoar rapidamente os produtos para o mercado
consumidor. Para ele, o programa social Bolsa Família, por exemplo,
possibilitou a entrada de consumidores até então excluídos
do processo de consumo. A liquidez bancária também contribuiu
para o crescimento da bolha, em razão dos juros dos empréstimos
bancários terem caído de 26%, no início do governo
Lula, para 11,25% (taxa Selic).
O crédito fácil
também impulsinou os preços dos produtos para cima. ''Hoje
você pode comprar um carro em cem prestações'', demonstra.
O cartão de crédito também tornou-se um grande atrativo
nos mercados. ''Com a bolha inflacionária, dificilmente a indústria
consegue atender a demanda no curto prazo'', explica o economista.
Rodrigues descreve o momento
como sendo de expectativa. ''Existe uma sensação de que
a inflação pode voltar, mas ainda o aumento de preço
não é geral'', reflete, ao explicar que para ser inflação, é necessário
que todos os preços aumentem, indistintamente.
Edson Pereira Filho
Reportagem Local
|
Diário
Vermelho, 7 de abril de 2008
Pascoal Carneiro: Emenda 3 pode voltar à pauta
O Congresso Nacional já começou
a debater os vetos presidenciais sobre propostas aprovadas pelo
parlamento. Entre esses, destaca-se a Emenda 3, acrescentada ao
projeto que criou a Super Receita pelo ex-senador Ney Suassuna
a pedido dos grandes capitalistas e da poderosa Rede Globo.
Por Pascoal Carneiro*
A emenda é um golpe sorrateiro, que ameaça todos os direitos
conquistados pelos trabalhadores ao longo do século 20, ao facilitar
a contratação de trabalhadores como pessoas jurídicas,
sem CLT e, por conseqüência, sem direito a férias, 13º Salário,
licença-maternidade, descanso semanal remunerado, aposentadoria, FGTS,
jornada de trabalho, convenção coletiva etc. Os fiscais da receita
ficam impedidos de fiscalizar as relações trabalhistas nas empresas,
o que beneficia inclusive patrões que exploram o trabalho escravo no
campo e na cidade.
O movimento sindical tem de ficar em estado de alerta e iniciar a mobilização
da classe trabalhadora pela manutenção do veto do presidente
Lula àquela famigerada emenda. Os sindicalistas já angariaram
importantes apoios a favor do veto na Câmara Federal, de parlamentares
dos mais diferentes partidos. Todavia, não podemos dar a batalha por
vencida, pois o lobby patronal é muito forte, a mídia capitalista
tem forte interesse na derrubada do veto, de forma que para garantir os interesses
dos trabalhadores e trabalhadoras as centrais sindicais devem ficar em estado
de alertas e mobilizar suas bases em todo o país para barrar a tentativa
de retrocesso nas relações trabalhistas e assegurar direitos
consagrados na Constituição e na CLT.
A emenda 3 significa uma reforma trabalhista disfarçada. O presidente
da Câmara, Arlindo Chinaglia,em reunião com as centrais sindicais
em Brasília defendeu a criação de um grupo de trabalho
para que sejam ouvidos representantes de trabalhadores, de empresários
e do governo. “‘O emprego formal dos trabalhadores tem o meu apoio,
mas, como presidente da Câmara, minha função é conduzir
os trabalhos”, declarou Chinaglia.
Já a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), apontou que “a emenda
3 é uma tentativa de legalização de uma fraude que atenta
contra os direitos dos trabalhadores”. Também alertou que “‘o
lobby de empresários e dos grandes meios de comunicação
pela derrubada do veto a esta emenda mascara os efeitos danosos para o trabalhador
existente na mudança pretendida, entre eles o fim das férias,
do 13º salário, do descanso semanal remunerado, do FGTS, da licença-maternidade,
do vale-transporte, do vale-alimentação e da assistência
médica e previdenciária”.
Manter o veto presidencial é um desafio vital para o movimento sindical.
Temos o dever de fazer valer os direitos da classe trabalhadora do Brasil e
não devemos medir esforços na luta para que o Congresso Nacional
vote de acordo com os interesses daqueles que produzem a riqueza nacional.
* Pascoal Carneiro é Secretário-geral da Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil (CTB).
Portal da CTB
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Gazeta do Povo, 7 de abril de 2008
Trabalho infantil
Peti versus exploração
Apesar de a legislação brasileira permitir o trabalho a partir
dos 14 anos de idade, na condição de aprendiz, 1,4 milhão
de crianças e adolescentes entre 5 e 13 anos trabalharam no país
no decorrer de 2006, conforme revelou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio
(PNAD). Enquanto isso, o Programa de Erradicação do Trabalho
Infantil (Peti) contabilizou 875.554 benefícios distribuídos
em todo o país, dos quais 28.489 apenas no Paraná.
No Peti, pais que retiram os filhos do trabalho e os colocam na escola ganham
bolsas que variam de R$ 25 (em áreas rurais e municípios com
até 250 mil habitantes) a R$ 40 por criança a cada mês.
O valor menor no campo se justifica pelo baixo custo de vida fora dos grandes
centros, de acordo com as normas do Ministério do Desenvolvimento Social
e Combate à Fome (MDS). Além disso, o governo federal repassa
R$ 20 por criança atendida em programas de contra-turno gerenciados
pelas prefeituras, que são obrigadas a prestar contas do investimento
ao Ministério.
Dos menores de 13 anos que têm uma ocupação, 62,6% estão
nas lavouras e não são remunerados. O estudo não especifica
o segmento trabalhado. Segundo levantamento da PNAD, a taxa de ocupação
no campo cai de acordo com o aumento da faixa etária, porque os jovens
procuram outras atividades na cidade. Quando se fala em trabalho infantil dos
5 aos 17 anos, a porcentagem de crianças e adolescentes trabalhando
no campo cai para 41,4%. (MGS)
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JORNALE CURITIBA, 07 de abril de 2008
PR: Mínimo regional será debatido
na Assembléia
Audiência Pública vai debater
conseqüências da mensagem do governo
Publicado por Edson Fonseca
A mensagem do Governo do Estado que reajusta o salário mínimo
regional será debatida em uma audiência pública na próxima
terça-feira. A proposta do governo é aumentar o piso no Paraná de
R$ 437 para R$ 548, mas os deputados decidiram ouvir antes os segmentos envolvidos.
O mínimo regional vale para as categorias que não têm sindicato
para negociar com os patrões, como os empregados domésticos,
por exemplo. A matéria foi relatada pelo deputado Artagão Júnior
(PMDB), que deu parecer favorável, mas Mauro Moraes (PMDB) pediu vistas
e propôs a realização da audiência pública,
aprovada pela comissão.
A audiência será às 13h30 de terça-feira, na Assembléia
Legislativa. O encontro deve contar com a presença do secretário
estadual do Trabalho, Emprego e Renda, Nelson Garcia, e membros da Federação
das Indústrias do Paraná (Fiep), Federação da Agricultura
do Estado do Paraná (Faep), Força Sindical, Central Única
dos Trabalhadores (CUT), entre outras organizações.
Caso a matéria seja aprovada pelos parlamentares e o governador sancione,
os trabalhadores devem receber já no salário de junho o novo
valor, que varia entre R$ 527,00 e R$ 548,00.
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RÁDIO FANDANGO/ CACHOEIRA
DO SUL (RS), 07 de abril de 2008
RS: Governo propõe critérios
para definição do piso regional
O chefe da Casa Civil, Cézar Busatto, apresentou às entidades
representativas de trabalhadores e de empresários estudo para a implantação
de critérios técnicos para a fixação dos valores
do salário mínimo regional. Atualmente, não há política
salarial definida para o piso e as negociações são diferenciadas
a cada ano.
“Estamos ouvindo
todas as parte para buscar critérios técnicos para a
fixação do reajuste”, destacou Busatto. O estudo
foi feito pela Fundação de Economia e Estatística
(FEE) e prevê cinco possibilidades para a definição
do reajuste: inflação mais a variação do
Produto Interno Bruto (PIB) do Estado no exercício passado (2007),
percentual de reajuste do mínimo nacional, levando-se em conta
no cálculo do valor para o mínimo regional as diferenças
de crescimento dos PIBs do Brasil e do RS e da inflação
do Brasil e do RS. Isso considerando-se uma média dos dois exercícios
anteriores (2006 e 2007), variação do salário
mínimo nacional com um ajuste levando em conta a diferença
de crescimento dos PIBs do Brasil e do Estado, considerando-se o exercício
anterior, inflação mais a média do crescimento
do PIB gaúcho nos dois últimos exercícios. inflação
mais a variação média do crescimento do PIB per
capita gaúcho nos anos de 2006 e 2007.
Um novo encontro foi marcado para dia 8, às 10h, na Casa Civil, para
a definição do reajuste. A intenção do governo é encaminhar
projeto de lei à Assembléia até a metade de abril. “O
tema é contraditório, mas estamos indo bem na medida em que há um
consenso de que temos que ter critérios. Se pudermos evoluir para um
critério objetivo como caminho, o percentual será o resultado
disso”, afirmou.
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Agência Diap, 7 de
abril de 2008
ANTI-SINDICAL
DEM (ex-PFL) contestará no
Supremo a contribuição sindical
O DEM anunciou que vai ingressar
hoje (7), com Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin)
no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o repasse de recursos da contribuição
sindical para as entidades - sindicatos, federações, confederações
e centrais. Em nota divulgada na última quinta-feira (3), pelo
presidente nacional do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), ele afirma
que vai levar pessoalmente a Adin ao Supremo.
Segundo Rodrigo Maia, a transferência da contribuição teria
que ter sido feita por proposta de emenda constitucional (PEC) e não
por meio de projeto de lei, medida infraconstitucional, uma vez que a Constituição
proíbe repassas para as centrais.
O veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à “fiscalização
das centrais sindicais pelo TCU, sobre a aplicação da arrecadação
da contribuição sindical obrigatória, tornou a Lei, além
de inconstitucional, imoral”, enfatizou.
O veto, segundo Rodrigo Maia, "a gente trata no Congresso Nacional. Mas,
a decisão do Presidente [Lula] em deixar as centrais sindicais livres
de fiscalização do órgão competente [TCU] para
aplicar os recursos que arrecada de seus filiados, com contribuição
obrigatória ou não, exacerbou o caráter imoral da relação
do Governo Lula com os sindicatos", afirmou.
Contra o veto
O partido também pretende questionar no Supremo o veto ao artigo 6º do
PL 1.990/07, declarou Rodrigo Maia.
O veto do presidente Lula impede a fiscalização do TCU sobre
o uso que os sindicatos irão fazer dos recursos que passarão
a receber, por meio da contribuição sindical anual. "O Congresso
estabeleceu a fiscalização do TCU", afirma Rodrigo, e o
partido quer manter no texto da Lei 11.648, que regulamentou o funcionamento
das centrais.
“ O Congresso agiu de forma correta. Como se trata de contribuição
obrigatória, imposta por lei, a cobrança de um dia de salário
do trabalhador (que, agora também, será repassada às centrais
sindicais) se transforma em um tributo. E todo tributo tem de ter a aplicação
fiscalizada. Além do mais, até sindicalistas concordam em um ponto:
o veto do presidente Lula beneficia a banda podre dos sindicatos”, enfatizou
o presidente do Democratas.
Anti-sindical
Trata-se de uma ação anti-sindical do Democratas, pois neste
momento que o movimento sindical constrói uma agenda de ação
unitária em defesa dos trabalhadores pela redução da jornada
de trabalho, pela aprovação das convenções 151
e 158 da OIT, entre outros temas importantes, essa ação oposicionista
nada mais é que uma tentativa de envergar e enfraquecer as entidades
dos trabalhadores.
Trata-se de ação diversionista, que ao fim e ao cabo só tem
um objetivo – asfixiar o movimento sindical.
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Agência Diap, 7 de
abril de 2008
MOVIMENTO SINDICAL
Centrais homenageiam parlamentares
que apoiaram PL 1.990/07
As centrais sindicais realizam,
nesta quarta-feira (9), ato em agradecimento e homenagem aos deputados
e senadores que apoiaram o PL 1.990/07, que regulamentou o funcionamento
destas entidades, que passam agora a fazer parte do sistema sindical
brasileiro – Lei 11.648/08 – composto pelos sindicatos, federações,
confederações e, agora, pelas centrais sindicais.
Dessa forma, os dirigentes sindicais entregarão aos parlamentares um
certificado que comprova a participação ativa e efetiva dos congressistas
na aprovação do projeto no Congresso Nacional.
O palco para a apresentação dos parceiros do movimento sindical
será o auditório Nereu Ramos na Câmara dos Deputados, em
horário que ainda será divulgado.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
07 de abril de 2008
Deputado admite desistir de consolidar
leis trabalhistas
Agência Câmara
O deputado Cândido Vaccarezza
(PT-SP), autor do Projeto de Lei 1987/07, que prevê a consolidação
da legislação trabalhista, afirmou que não descarta
a possibilidade de ele ser retirado. O projeto foi bastante criticado
em seminário para discuti-lo, encerrado há pouco.
Vaccarezza, que coordena o Grupo
de Trabalho de Consolidação das Leis, disse, porém,
que o PL 1987/07 vai receber uma versão aperfeiçoada no
relatório do deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP).
O petista assimilou as críticas
do presidente do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil),
Cezar Britto, sobre a inclusão no texto da regulamentação
dos sindicatos prevista na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas),
e assegurou que todos os dispositivos referentes a essa regulamentação
serão excluídos do projeto.
O deputado avaliou que
as críticas são normais na discussão democrática
de projetos. “Eu desconheço um projeto de consolidação
que tenha contado com a contribuição de tantas pessoas”,
disse. Segundo suas contas, mais de 10 mil interessados foram ouvidos
pelo grupo de trabalho.
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O ESTADO DO PARANÁ,
07 de abril de 2008 | Economia
Novas regras visam reduzir acidentes
Elizangela Wroniski
O Fator Acidentário
de Prevenção (FAP) começará a ser aplicado
no ano que vem. As empresas que investirem em segurança
no trabalho poderão baixar pela metade a alíquota
a ser paga ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Mas
quem não conseguir reduzir os índices de acidentes
terá que pagar até o dobro. A princípio, as
novas regras parecem justas, mas há quem discorde. A presidente
do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário, Melissa
Folmann, diz que a forma como o cálculo será feito
pode gerar situações injustas e os empresários
terão que pagar mais, mesmo tendo cuidado da saúde
dos funcionários.
Até hoje as empresas recolhem
o FAP conforme o grau de risco de sua atividade econômica. As empresas
com atividade considerada de risco leve, pagam 1% sobre a sua folha de
salários ao INSS. As de nível médio pagam 2% e de
risco alto 3%. A mudança procura deixar a forma de cobrança
mais justa. Hoje duas empresas que se encaixam como de risco grave pagam
a mesma coisa, mesmo que uma delas tenha feito vários projetos
que visam a melhorar a saúde do trabalhador, conseguindo reduzir
o seu índice de acidentes.
Com o novo sistema, as empresas
podem reduzir em até 50% a sua alíquota ou ter este valor
dobrado. Por exemplo, se uma determinada empresa se classifica na atividade
de alto risco e os seus empregados apresentam uma baixa morbidade, a
sua nova alíquota baixa de 3% para 1,5%. Por outro lado, se os
funcionários apresentam um alto índice de morbidade o valor
sobe para 6%.
Para fazer a conta de quanto
cada empresa deve pagar, o governo está usando os dados do CAT
de 2004 até 2006 e em setembro deste ano os valores devem ser
apresentados às empresas. Para fazer este cálculo, além
do número de acidentes, o INSS também está considerando
a gravidade e o custo gerado por eles.
A insatisfação
em relação ao FAP está na forma como a alíquota
será calculada. Melissa diz que muitos empresários terão
que pagar um valor maior do que o realmente devido. Ela explica que os
acidentes que acontecem no trajeto de ida e volta da empresa são
classificados como acidente de trabalho. Desta forma, mesmo que se tenha
todos os cuidados com a saúde do trabalhador esta situação
vai puxar a alíquota para cima. Melissa expõe mais um caso.
O de um trabalhador que ficou durante 15 anos em uma empresa onde não
havia cuidados para prevenir doenças como a LER. Ele sai e entra
em outra onde começa a aparecer o problema. A doença entrará no
cálculo da alíquota da nova empresa.
Além disto, também
houve mudança na forma como se classificam os acidentes de trabalho.
Mesmo que a empresa não emita o Comunicado de Acidente de Trabalho
(CAT), quando o segurado vai ao INSS os peritos vão considerar
acidente de trabalho sempre que houver relação entre a
sua doença e o ramo de atividade em que atua, é o nexo
técnico-epidemiológico. Desta forma, Letícia diz
que podem haver vários problemas. Ela cita o exemplo de um trabalhador
que se acidenta num fim de semana e quebra a perna, como atua num ramo
considerado de alta morbidade, como a construção civil,
pode-se presumir que o problema foi causado por causa da atividade produtiva,
o que não é verdade. Se a empresa não concordar,
terá que reunir documentos que comprovem que não houve
nexo causal entre a atividade laborativa e a doença. Ela teme
que o INSS não tenha infra-estrutura para resolver com agilidade
estes casos.
Segundo Melissa, as novas regras
ainda não geraram polêmica porque não foi esclarecido
como será feita a cobrança. Ela acha que no fim do ano,
quando os empresários começarem a ver a alta carga tributária
a ser paga é que vão começar a se mobilizar. Ela
critica essa falta de informações e de discussão
sobre o assunto. “Cerca de 90% das empresas não sabem o
que está acontecendo”, finaliza.
Incentivo à empresa que investe
na saúde do trabalhador
O engenheiro de segurança
no trabalho do Serviço Social da Indústria (Sesi) Roberto
Sgrott da Silva não vê problemas nas mudanças de
regra do FAP. Pelo contrário, diz que é a primeira vez
que o governo adota medidas justas para cobrar o seguro. Quem investe
em segurança e consegue baixar seus índices passará a
pagar menos. “Agora existe uma base científica. Os dados
existem, não foram inventados”, comenta. Além disto,
destaca o fato de que, pela primeira vez, o governo está dando
um incentivo fiscal para as empresas que adotam medidas para melhorar
a saúde dos trabalhadores.
Ele também não
vê problemas no fato de o acidente de percurso ser contabilizado
como acidente de trabalho. Explica que a sociedade discutiu o assunto
e já concordou com a medida. Em relação ao fato
de o trabalhador ter adquirido a doença em outra empresa, fala
que existem exames pré-admissionais que podem fazer uma avaliação
sobre o estado de saúde no novo colaborador. “O exame
não vai impedir a contratação, mas vai dar subsídios
para a empresa provar que não foi na sua empresa que o problema
foi adquirido”, comentou Roberto. Cada empresa já sabe
o tipo de doença laboral mais comum de sua atividade e pode
ficar atenta ao problema. Há 15 anos ninguém sabia nada
sobre a segurança no trabalho, hoje as empresas tem outra mentalidade. “Embora
ainda tenhamos um longo caminho a percorrer”, falou.
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FOLHA DE LONDRINA, 07 de
abril de 2008 | Geral
Estreita relação entre
saúde e trabalho
Livros para superar dificuldades na vida profissional existem aos montes nas
vitrines das livrarias. Poucos, porém, nascem da experiência prática
de convívio com as angústias de quem não consegue equilibrar
a atividade que garante a sobrevivência com uma vida saudável.
Preocupado com a variedade de edições sem base científica,
o médico Marcelo Dratcu, pesquisador da unidade de Medicina Comportamental
do Departamento de Psicobiologia da Escola Paulista de Medicina-Universidade
Federal de São Paulo (EPM-Unifesp), decidiu escrever ''Por que não
me disseram isso antes'', que acaba de chegar à livrarias pela editora
Saraiva.
Agência Estado-
Qual a relação entre saúde e trabalho?
Marcelo Dratcu - Em umas das primeiras páginas do livro, cito
uma frase do médico italiano Bernardino Ramazzini, que trabalhava na
Europa no século XVII e foi um dos primeiros profissionais de saúde
a relacionar trabalho e vida saudável. Ele escreveu ''Quando estiver
na cabeceira da cama de seu paciente, não se esqueça de perguntar-lhe
onde trabalha para saber se na fonte de seu sustento não se encontra
a causa de sua enfermidade''. Há mais de uma década trabalhando
com essa relação, posso afirmar que a maior dificuldade, tanto
dos profissionais como das empresas, é ver o ser humano como um todo.
Na empresa, a pessoa é o mesmo ser humano que atua em família,
na sociedade, com todas as deficiências e limitações. Quando
o trabalho não vai bem, a família e a vida social como um todo é afetada.
E vice-versa.
AE- Quais os problemas
mais comuns relacionados ao trabalho?
Dratcu - Pesquisadores da Harvard Medical School , em parceria com
o National Institute of Mental Health, nos EUA, divulgaram em outubro do ano
passado um estudo que mostra que pessoas que sofrem de problemas físicos
ou mentais perdem cerca de 32 dias de trabalho por ano devido a faltas ou incapacidades
de realizar suas atividades diárias, contabilizando 2,4 bilhões
de dias perdidos em decorrência de problemas físicos e 1,3 bilhões
por problemas psíquicos. As condições clínicas
mais incapacitantes são as doenças músculo-esqueléticas,
especialmente dores nas costas e no pescoço, e a depressão, respectivamente.
Aí entra a responsabilidade do empregador, que nem sempre oferece condições
físicas e emocionais para a realização da atividade profissional.
AE - O que pode ser feito
para melhorar essa situação?
Dratcu - Frequentemente, reportagens e artigos médicos sobre
saúde no trabalho dão dicas para que o trabalhador cuide de sua
saúde psicológica e física. Isso inclui exercícios
físicos, maior convivência familiar e alimentação
equilibrada. Pouco se fala do papel dos empregadores. O que falta é verificar
que o trabalhador, seja de baixo, médio ou alto escalão, precisa
ser ouvido em suas demandas. O que muitos pacientes que procuram a nossa ajuda
no hospital reclamam é que não conseguem se sentir ouvidos. Quando
esse respeito existe, o coração funciona melhor, o trabalhador
se sente mais motivado. Segundo pesquisa realiza em 2006 pela Hewitt Associates,
consultoria de recursos humanos, empresas com funcionários mais engajados
possuem maior banco de talentos, menor rotatividade de pessoal, menores índices
de absenteísmo (faltas), satisfação crescente de clientes,
maior retorno financeiro e sustentabilidade para enfrentar desafios nos negócios.
Agência Estado
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Secretaria Municipal do
Trabalho e Emprego (comunicacao@smte.curitiba.pr.gov.br), 07 de abril
de 2008
Curitiba vai capacitar trabalhadores
da Construção Civil
A capital paranaense está entre
as treze cidades escolhidas pelo governo federal para qualificar trabalhadores
que atuarão nas obras do PAC, com recursos do Planseq (Plano
Nacional de Qualificação).
A escolha foi comemorada pela Secretaria Municipal do Trabalho e Emprego
que desde o início de sua criação em maio do ano
passado estava engajada no processo de trazer o programa para Curitiba. “Manassés
Oliveira conversou pessoalmente com o Ministro Carlos Luppi para demonstrar
a importância do programa para a cidade” , disse Raul D´Araújo
dos Santos, Secretário Interino do Trabalho, referindo-se ao Secretário
licenciado essa semana.
Próximos passos - Até o
dia 25 de abril, as comissões locais das treze regiões
metropolitanas vão se reunir para fechar as metas de qualificação;
detectar as demandas; escolher quais as ocupações que
mais precisam de mão-de-obra e, conseqüentemente, de qualificação;
além da quantidade de vagas nos cursos.
Em seguida, até o final do mês de maio, serão escolhidas
as entidades executoras, que precisam ter experiência neste tipo
de capacitação profissional. Mais de R$150 milhões
estão sendo investidos no projeto, que vai atender inicialmente
as regiões metropolitanas onde há concentração
de investimentos do PAC: São Paulo, Campinas, Baixada Santista,
Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém,
Manaus, Porto Alegre, Curitiba e RIDE-DF-GO.
O perfil dos atendidos é de pessoas beneficiárias do Bolsa
Família em idade entre 18 e 60 anos. A única exigência é que
a pessoa tenha a 4ª série do Ensino Fundamental concluída.
A previsão é que os cursos comecem em agosto deste ano.
Serão 200 horas-aula, divididas em dois módulos: geral
e específico. Aqueles que concluírem o curso receberão
certificado de capacitação na ocupação específica.
Durante a capacitação, todos receberão uma bolsa
de auxílio no valor do piso salarial da categoria a qual ele se
propõe trabalhar. Importante destacar que o benefício do
Bolsa-Família não será suspenso durante o curso. "A
pessoa continuará fazendo parte do programa até que o prazo
de dois anos, determinado pelo Governo, termine", destaca Marcelo
Aguiar, Diretor do Departamento de Qualificação do MTE.
Convocação - Mais de 1,3
milhões de famílias receberão uma carta de convocação
para a qualificação. Cada família poderá escolher
apenas um participante no projeto. As inscrições serão
feitas nas agências de intermediação do Sistema
Público de Trabalho, Emprego e Renda.
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Agência Diap, 7 de
abril de 2008
CONTA-SALÁRIO
Trabalhador poderá escolher
banco e agência para receber pagamento
A Comissão de Assuntos
Sociais do Senado Federal (CAS) analisará, entre outros itens
constantes em sua pauta, dois projetos de lei que permitem aos empregados
o direito de escolher a instituição financeira e a agência
em que os empregadores depositarão o salário.
Trata-se do PLS 340/04, do senador Aloizio Mercadante (PT/SP), que altera o
artigo 464, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada
pelo Decreto-Lei 5.452, de 1º de maio de 1943, para conferir aos empregados
o direito de escolher a instituição financeira e a agência
em que os empregadores depositarão sua remuneração. O
relator da matéria, senador Inácio Arruda (PCdoB/CE), apresentou
parecer favorável com substitutivo.
Entre os treze itens da pauta da Comissão está, também,
o PLS 619/07, do senador Tião Viana (PT/AC), consolida a legislação
sanitária federal. O relator, senador Augusto Botelho (PT/RR), apresentou
parecer pela aprovação do projeto, com dezesseis emendas e uma
correção ao texto.
A reunião será às 11h, na sala 9 da Ala Alexandre Costa.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
07/04/2008
Dependentes de trabalhadores mortos em serviço
ganham ações na JT
A viúva é parte
legítima para pleitear na Justiça do Trabalho indenização
por danos morais e materiais por acidente de trabalho que ocasione a
morte do trabalhador. Dois recursos empresariais, julgados na Terceira
e na Quarta Turmas do Tribunal Superior do Trabalho, questionaram a competência
da Justiça do Trabalho para julgar ações ajuizadas
por sucessores ou terceiros, em nome próprio, com o argumento
de que não se trata de relação jurídica entre
empregado e empregador, pois não há relação
de trabalho com os dependentes. Nos dois casos, as decisões foram
favoráveis às viúvas e mantiveram as sentenças
que determinaram indenizações de R$ 50 mil e R$ 200 mil,
respectivamente pelo assassinato de um vigilante e por acidente fatal
de um eletricitário.
A duas Turmas entendem que a
competência da Justiça do Trabalho foi estabelecida em razão
da matéria (o acidente de trabalho), e não da pessoa (quem
faz parte da ação), pois foi fixada pelo fato de os danos
terem origem em fatos ocorridos durante a atividade laborativa. Ou seja,
se o pedido de indenização por danos morais ou materiais
ocorrer devido a acidente de trabalho ou doença ocupacional, a
competência é da Justiça do Trabalho, independente
de ser o trabalhador ou um sucessor a ajuizar a ação.
Vigilante
No processo julgado pela Terceira
Turma, a ação foi proposta por viúva e filhos de
vigilante morto a tiros em uma escola municipal de Belo Horizonte (MG),
em abril de 2003. Para acertar o vigia, o criminoso colocou o cano da
arma através da janelinha do portão fechado. Segundo depoimento
de uma testemunha, uma semana antes o vigilante viu alguém portando
um revólver, fora da escola e perto dos alunos, e chamou a polícia,
que apreendeu a arma. O trabalhador foi assassinado provavelmente por
vingança, após defender os interesses da escola onde trabalhava, “delatando
atitudes suspeitas que punham em risco a comunidade escolar”, conforme
registro do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG).
A Arizona Assessoria Empresarial
e Serviços Técnicos Ltda., contratadora do vigia, foi condenada
pela 15ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte a pagar indenização
de R$ 50 mil por danos morais aos seus dependentes. Para isso, aplicou
a teoria do risco ou da responsabilidade objetiva do Código Civil
de 2002, pela qual há obrigação de reparação
do dano pelo empregador, independentemente de culpa, quando a atividade
desenvolvida pela empresa implicar, por sua natureza, grande risco para
os direitos do empregado. A Arizona recorreu ao TRT/MG, que manteve a
sentença.
No recurso ao TST, a empresa
alegou novamente a incompetência da JT e a ausência de culpa
na morte do empregado (teoria subjetiva, dependente de culpa comprovada).
O ministro Alberto Bresciani, relator do recurso de revista, adotou o
mesmo entendimento do TRT, tanto quanto à responsabilidade quanto à competência.
Para o relator, desde a Emenda Constitucional nº 45/04, a competência
para processar e julgar as ações de indenização
por danos morais e materiais decorrentes de acidente do trabalho, ainda
que ajuizadas por terceiros, em nome próprio, é, com certeza,
da Justiça do Trabalho. Em sessão, o ministro ressaltou
que não poderia haver interpretação diferente, com
a competência dependente de o trabalhador estar vivo ou morto.
(RR-1341/2005-015-03-00.8)
Eletricitário
A Companhia Energética
do Ceará - Coelce foi condenada pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 7ª Região (CE) ao pagamento de indenização
de R$ 200 mil pela morte de um eletricitário em que ficou comprovada
a culpa da empresa (responsabilidade subjetiva), por não ter tomado
as medidas de segurança necessárias. Faltou a advertência
de que para o poste onde ocorreu o acidente com o eletricitário
convergiam duas redes diversas, das quais uma permaneceu ligada e ocasionou
a sua morte.
A Coelce recorreu ao TST, alegando,
como a Arizona, que a viúva que ajuizou a ação “não
postula por nenhuma indenização oriunda da relação
de trabalho, haja vista que postula em nome próprio por danos
decorrentes da morte da vítima”. A Quarta Turma manteve
o entendimento do TRT/CE e a indenização por ele determinada.
Para o relator do recurso
de revista, ministro Barros Levenhagen, a competência material
da Justiça do Trabalho não sofre alteração
na hipótese de, falecendo o empregado, o direito de ação
ser exercido pelos seus sucessores. O relator ressalta que a transferência
dos direitos sucessórios foi estabelecida no artigo 1.784 do
Código Civil de 2002, a partir da qual os sucessores passam
a deter legitimidade para a propositura da ação, em razão
da transmissibilidade do direito à indenização.
(RR-644/2006-002-07-00.6)
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07/04/2008
Petroleiros aposentados: novas decisões
consolidam direito a reajuste
Duas decisões recentes
da Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-1) do Tribunal Superior, em votos dos ministros João Batista
Brito Pereira e Maria Cristina Peduzzi, reafirmam a posição
do Tribunal Superior do Trabalho a favor de uma causa que envolve aposentados
e pensionistas da Petrobras. A questão se refere a acordo salarial
firmado com o sindicato da categoria no Estado da Bahia, no período
2004/2005. Um dos itens aprovados estabeleceu o avanço de um nível
ao final de cada faixa da tabela salarial, o que, na prática,
resultou na concessão de aumento exclusivo ao pessoal da ativa.
Diversos grupos de aposentados e pensionistas, considerando-se prejudicados
pela exclusão, ajuizaram ações contra a Petrobras e a
Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros). Entre outros
pedidos, os autores reivindicaram a extensão do mesmo critério
(avanço de um nível a cada faixa salarial) aos valores das pensões
e aposentadorias, argumentando que o mecanismo utilizado no acordo consistiu
em reajuste salarial disfarçado, que os discriminou indevidamente.
Os pedidos foram, inicialmente, negados pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 5ª Região (BA), que interpretou o critério aplicado como
promoção – e não como reajuste –, o que, em
seu entendimento, tornaria legítima sua aplicação exclusiva
ao pessoal da ativa. O Regional também analisou o regulamento do plano
de benefícios da Petros e concluiu que o artigo 41, invocado como fundamento
dos pedidos, asseguraria aos aposentados e pensionistas apenas o direito de
reajuste nas mesmas épocas dos aumentos salariais dos demais empregados – mas
não os mesmos percentuais, como defendiam os autores das ações
contra a Petrobras e a Petros.
A partir daí, a questão seguiu para o TST por meio de diversos
recursos em que os grupos de aposentados e pensionistas insistiam na tese defendida
desde o início das ações. As primeiras decisões
favoráveis foram adotadas em dezembro de 2007, pela Sétima Turma,
em votos do ministro Guilherme Caputo Bastos.
As duas decisões mais recentes foram proferidas em dois recursos que
contestam embargos de declaração da Petrobras e da Petros. Ambas
condenam a Petrobras e a Petros ao pagamento das diferenças de complementação
de aposentadoria.
No processo em que atuou como
relator, o ministro Brito Pereira concluiu que, “tratando-se do
aumento geral de salários, embora rotulado de ‘avanço
de nível’ ou ‘aumento de nível’, a vantagem
concedida indistintamente a todos os empregados em atividade mediante
o acordo coletivo de trabalho 2004/2005 deve ser estendia aos aposentados
e pensionistas”. Para a ministra Cristina Peduzzi, “a generalidade
e, por conseguinte, a ausência de critério na concessão
da referida promoção revela tratar-se de verdadeiro reajuste
de salário dos empregados, com exclusão dos inativos, em
desrespeito ao próprio regulamento empresarial (E-RR-1265-022-05-00.8
e E-ED-RR-794/2005-161-05-00.5).
(Ribamar Teixeira)

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