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FOLHA DE LONDRINA, 10 de
abril de 2008 | Economia
FMI revisa PIB brasileiro para cima

Washington - Ao explicar as razões pelas quais o Fundo Monetário
Internacional revisou para cima a projeção de crescimento da
economia brasileira em 2008, enquanto as revisões para outros países
são, na maioria, de um rebaixamento, o economista diretor-adjunto do
Departamento de Pesquisa do FMI, Charles Collyns, afirmou que o Fundo não
tinha os dados do PIB do País em mãos quando o documento Perspectiva
Econômica Global foi revisado, em março deste ano. ''O PIB de
2007 (crescimento de 5,4%) foi maior do que o antecipado e gera (transmissão)
para 2008'', afirmou ontem, em entrevista em Washington.
O Produto Interno Bruto (PIB)
do Brasil, soma das riquezas produzidas pelo país, foi revisado
em alta, para crescimento de 4,8% este ano, em comparação à taxa
de 4% projetada no documento divulgado no Encontro Anual do Fundo, em
outubro de 2007. O número projetado para 2008 no documento divulgado
ontem é 0,3 ponto porcentual superior à taxa prevista em
janeiro deste ano.
O diretor do Fundo elogiou o
Brasil, dizendo que o País continua com boa disciplina macroeconômica
e com credibilidade. ''É encorajador ver o Brasil e a América
Latina resilientes à desaceleração nos EUA e no
globo'', afirmou. A economia brasileira, acrescentou, foi muito bem em
2007. No entanto, Collyns reitera que o ''Brasil será afetado
pela (situação) nos EUA''.
Nalu Fernandes
Agência Estado
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Gazeta do Povo, 10 de Abril de 2008
Preços
Inflação crescente
reforça previsão de alta nos juros
Alimentos voltam a subir, e o índice
acumulado nos últimos 12 meses ultrapassa a meta do governo
para 2008. Analistas esperam mão-forte do BC para conter
demanda
A inflação medida
pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
subiu acima das expectativas em março e tornou unânimes
as apostas do mercado financeiro em uma alta na taxa básica
de juros (Selic) na próxima semana. A taxa apurada pelo
IBGE foi de 0,48%, a maior para um mês de março desde
2005. Em 12 meses, o índice já chegou a 4,73%, ultrapassando
a meta de 4,5% fixada pelo governo para este ano.
A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos
Santos, disse que as pressões de preços estão “mais
espalhadas” no índice de março, com impactos mais fortes
do aumento da demanda. Os analistas de mercado previam uma variação
máxima de 0,40% para o IPCA do mês passado.
Segundo Eulina, a taxa subiu acima do esperado porque os preços dos
alimentos, que deram sinais de arrefecimento nos reajustes em fevereiro, voltaram
a subir com força. Para a coordenadora, “em fevereiro a pressão
da demanda estava mais camuflada” e agora está “mais clara”.
No entanto, para o professor de macroeconomia da Trevisan Escola de Negócios,
Pedro Vartanian, a inflação apurada em março é muito
mais causada pela oferta do que pela demanda – altas nos preços
de combustíveis e energia elétrica, por exemplo, não foram
provocadas pelo consumo superaquecido.
Mesmo Eulina, do IBGE, disse que não é possível distinguir
detalhadamente no IPCA quais produtos estão sendo pressionados pela
demanda doméstica, ainda que reajustes em produtos como óleo
de soja (9,81%) e pão francês (4,24%) respondam a aumentos na
demanda interna e externa.
Os produtos alimentícios subiram 0,89% em março, acima do resultado
de fevereiro (0,60%) e contribuíram, sozinhos, com 40% da inflação
do mês. Além dos alimentos, houve vários itens importantes
nas despesas das famílias com alta em março, como água
e esgoto, vestuário, combustíveis e energia elétrica.
No primeiro bimestre, segundo Eulina, a inflação estava bem concentrada
em alimentos e educação, mas agora há outros itens com
pressões importantes.
No primeiro trimestre, o IPCA acumulou alta de 1,52%, bem superior ao aumento
de 1,26% apurado no mesmo período do ano passado. Os grupos de alimentos
e bebidas e de educação contribuíram, juntos, com 62%,
ou 0,94 ponto porcentual, do IPCA acumulado nos três primeiros meses
de 2008.
Elevação da Selic será inevitável, dizem analistas
Debruçados sobre as más notícias trazidas pelo IPCA, economistas
se perguntavam ontem de quanto e por quanto tempo será a elevação
da taxa Selic. O aumento dos juros na reunião do Comitê de Política
Monetária (Copom) da próxima semana já é considerado
inevitável e as expectativas apontam uma alta entre 0,25 e 0,50 ponto
porcentual, com a maioria dos analistas adotando a primeira hipótese.
“ O mais provável será uma alta de 0,25 ponto porcentual,
mas existe a possibilidade de [uma elevação de] 0,50 ponto. O resultado
do IPCA no trimestre já indica que a meta de 4,5% deve ser ultrapassada.
Aumentar os juros é um instrumento pouco eficaz para conter a inflação
de oferta, mas muito eficaz para conter a causada pela demanda”, diz Pedro
Vartanian, professor da Trevisan Escola de Negócios.
A Selic está inalterada em 11,25% desde setembro do ano passado. Para
Nathan Blanche, da Tendências Consultoria, “ficou evidente que
o Banco Central vai aumentar os juros”, após a divulgação
do IPCA ontem. “Resta a dúvida se o aumento será de 0,25
ponto ou 0,50 pp. Apostamos em uma elevação gradual, ou seja,
de 0,25 ponto”, afirmou.
O economista-chefe da corretora López León, Flávio Serrano, é mais
um dos especialistas do mercado financeiro que passou a trabalhar com a expectativa
de aumento, de 0,25 ponto porcentual “Este resultado do IPCA veio completamente
fora do previsto. É a última justificativa que o Banco Central
precisava para subir a taxa de juros”, comentou.
O economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, que previa estabilidade
na Selic na reunião do Copom de abril, agora, acredita numa alta na
taxa. “Trabalho agora com um aumento de 0,25 ponto porcentual já em
abril e até não descartaria uma alta de 0,50 ponto. Mas nossa
previsão oficial é de 0,25 ponto mesmo”, disse.
Campos Neto espera mais duas elevações de 0,50 ponto nas duas
reuniões seguintes (junho e julho) do Copom e mais 0,25 ponto na seqüência,
o que resultaria numa taxa de 12,75% no final do ano. “É bom agora,
como dizem, jogar água na fervura para acalmar os ânimos”,
afirmou.
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FOLHA DE LONDRINA, 10 de
abril de 2008 | Economia
Brasil cai para 59º no ranking
tecnológico
Genebra - O Brasil continua despencando no ranking tecnológico mundial.
Em uma classificação feita pelo Fórum Econômico
Mundial, o País aparece apenas na posição de número
59 entre as economias que mais conseguem tirar proveito das novas tecnologias
para incrementar sua produtividade. Segundo o estudo, as falhas na educação
e um ambiente regulatório inadequado impedem que o Brasil avance no
uso das tecnologias. Para o Fórum, o País está mal posicionado
no ranking dos governos que mais priorizam o uso de tecnologias.
O ranking de 175 países é liderado
por Dinamarca, Suécia, Suíça, Estados Unidos e Cingapura.
Entre os países latino-americanos, o líder é o Chile,
na 34 posição. Já o Brasil vem caindo desde 2005.
Naquele ano, o País ocupava a 52 posição. Em 2006,
passou para a 53 colocação e agora é superado por
países como Turquia, México, China, Jamaica, Arábia
Saudita, Índia ou Barbados.
Agência Estado
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Folha de São Paulo,
10 de Abril de 2008
Governo quer reduzir poderes do Sistema
S sobre uso de recursos
Projeto deve propor criação
de conselho, formado pelo governo, por trabalhadores e por empresários,
que decidirá sobre verbas | Mantidas com contribuições
cobradas sobre a folha de pagamento das empresas, entidades do Sistema
S têm hoje liberdade para investir
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo quer criar um conselho
consultivo tripartite -Executivo, trabalhadores e empresários-
para definir as regras de aplicação dos recursos destinados à formação
de trabalhadores pelo Sistema S.
A medida está prevista em uma minuta de projeto de lei elaborada pelos
ministérios do Trabalho e da Educação com mudanças
no sistema.
A Folha teve acesso ao texto do projeto, que define ainda que os ministros
das duas pastas exercerão, alternadamente, a presidência do conselho
em mandatos de dois anos. O conselho também terá como atribuição
avaliar os resultados do fundo nacional que será instituído para
distribuir entre as unidades do Sistema S o dinheiro para os cursos de treinamento
do trabalhador.
Na prática, as alterações retirarão das entidades
o poder de decidir como aplicar os recursos em aprendizagem e submeterá os
serviços a critérios de avaliação e fiscalização.
Nos últimos anos, todas as tentativas de alterar o Sistema S encontraram
resistência das confederações empresariais.
O Sistema S começou a ser formado nos anos 40 e reúne um conjunto
de entidades privadas ligadas à indústria (Senai e Sesi), ao
comércio (Sesc e Senac) e à agricultura (Senar), entre outros
setores, para prestar serviços sociais e de formação profissional.
Embora sejam mantidas com recursos de natureza tributária -contribuições
cobradas sobre a folha de pagamento das empresas-, essas entidades são
livres para investir nas atividades sociais e de aprendizagem. Isso já motivou
várias acusações de que as contas das entidades são
uma espécie de "caixa-preta". Para este ano, a estimativa
de arrecadação do Sistema S é de R$ 8 bilhões com
o recolhimento de 2,5% sobre a folha.
Transparência
Há duas semanas, os ministros da Educação, Fernando Haddad,
e do Trabalho, Carlos Lupi, anunciaram a intenção do governo
federal de disciplinar a aplicação de parcela desses recursos.
O governo afirma que faltam ao sistema atual transparência e critérios
para atendimento dos trabalhadores. Além disso, muitos cursos têm
curta duração e não são gratuitos.
De forma cautelosa e sem detalhes, os ministros afirmaram que a proposta é direcionar
a receita da alíquota de 1,5% para o treinamento de trabalhadores. Assim,
cerca de R$ 5 bilhões por ano passariam a integrar um fundo nacional.
Para o restante das verbas, as entidades manteriam sua autonomia nos gastos
em serviços sociais.
Urgência
A Folha apurou que estão avançadas as discussões sobre
o assunto. Uma minuta já foi apresentada aos líderes sindicais
e das confederações empresariais, e existe a intenção
de enviar o projeto ao Congresso Nacional com pedido de tramitação
em regime de urgência constitucional.
O texto prevê que, para cada Serviço Nacional de Aprendizagem,
será criado um Funtep (Fundo Nacional de Formação Técnica
e Profissional). A fiscalização da "legalidade, legitimidade,
economicidade e eficiência" na aplicação dos recursos
será realizada pelos órgãos de controle da União
e pelos conselhos fiscais do Sistema S.
O dinheiro será repassado para os fundos pelos bancos oficiais (Caixa
Econômica Federal e Banco do Brasil), que deverão colocar à disposição
dos órgãos de controle, permanentemente, os extratos bancários
das contas dos fundos.
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Congresso em Foco, 10 de
Abril de 2008
Por que não aplicar o FAT no
Sistema S?
Proposta saiu em debate na TV Câmara,
que mostrou a dificuldade que o ministro da Educação
vai enfrentar para mudar as entidades geridas pelos empresários
Antonio Vital*
No meio da briga do Ministério da Educação (MEC) com o
sistema S, surge uma idéia: por que não usar recursos do Fundo
de Amparo ao Trabalhador (FAT) para incrementar o ensino técnico-profissional
de entidades como o Sesc, o Senac, o Senai e outras? A proposta foi lançada
na noite de terça-feira (8) no programa Expressão Nacional, da
TV Câmara. O programa debatia a proposta do governo de mudar a destinação
de parte dos R$ 8 bilhões repassados anualmente ao sistema gerido pelos
empresários, uma maneira de aumentar a oferta de cursos profissionalizantes
e torná-los gratuitos.
Participaram do debate Luiz Gil
Siuffo, vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio
(CNC); o deputado Alex Canziani (PTB-PR), coordenador da Frente Parlamentar
da Educação Profissional; Getúlio Marques Ferreira,
secretário de Educação Profissional e Tecnológica
do MEC; e o deputado Gerson Peres (PP-PA), diretor do Senai (Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial).
As salas de aula do Senai já deram
ao país um presidente da República, Lula, que mais de uma
vez externou publicamente seu reconhecimento pela entidade onde se formou
torneiro mecânico. Mas a memória afetiva do presidente não
foi determinante a ponto de impedir o ministro da Educação,
Fernando Haddad, de comprar uma grande briga ao propor mudanças
no sistema.
Para o ministério, não
há transparência na destinação dos recursos,
provenientes de um desconto de 2,5% na folha de pagamento das empresas.
Na avaliação da equipe de Haddad, também não
há critérios para o atendimento, cursos de pouca duração
não têm impacto na vida do trabalhador e, sobretudo, não
há gratuidade universal no sistema, o que elitiza o público.
O MEC propõe aumentar
os recursos destinados à formação de mão-de-obra
na forma de um fundo, o Fundo Nacional de Formação Técnica
e Profissional (Funtep), que seria gerido pelo governo, empresários
e trabalhadores – no que ganhou a adesão imediata da Força
Sindical.
Os cursos seriam gratuitos e
destinados a estudantes de escola pública ou àqueles que
freqüentaram colégio particular na condição
de bolsista integral. E a distribuição dos recursos pelas
dezenas de unidades regionais do sistema S seria feita de acordo com
o número de vagas gratuitas oferecidas nos cursos e com a população
economicamente ativa do estado.
No debate, ao vivo, Peres e Siuffo,
representantes do Sistema S, bombardearam o diagnóstico e a solução
propostas pelo MEC. "Não há falta de transparência
na aplicação dos recursos. Tudo é auditado pelo
TCU", disse Peres. "Só não há gratuidade
total porque a demanda por cursos é maior do que os recursos existentes",
explicou Siuffo.
Getúlio Ferreira, representante
de Hadadd na mesa, defendeu a posição do MEC. Ele questionou
a eficácia dos cursos de curta duração na formação
do trabalhador e criticou a falta de gratuidade oferecida pelo Sistema
S. Mas coube a Canziani sugerir o uso dos recursos do FAT. "O dinheiro
do FAT tem que ir para este fundo proposto pelo MEC", disse.
O FAT, criado em 1990, é um
fundo vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego. Ele é usado
para o financiamento de programas de desenvolvimento econômico
do BNDES, custeio dos programas de seguro-desemprego e de abono salarial,
aplicações financeiras e, finalmente, em programas de apoio
aos trabalhadores. E as quantias envolvidas são muitas vezes maiores
que todo o dinheiro empregado no Sistema S. São quase R$ 100 bilhões
por ano. Mas, em 2008, o orçamento destinado à promoção
de cursos, oficinas e coisa do gênero não vai ultrapassar
R$ 1 bilhão – mais de dez vezes mais que o orçamento
de 2007.
Siuffo, vice-presidente da CNC,
apóia a destinação dos recursos do FAT para o Sistema
S. Ele já foi presidente do Conselho Deliberativo do fundo (Codefat).
Mas Ferreira, do MEC, não ficou entusiasmado. "Os recursos
do FAT são bem-vindos, mas são de outra fonte", disse.
O debate demonstrou que não
será fácil a tarefa de Fernando Haddad de modificar a estrutura
e a gestão de uma máquina que funciona há 60 anos
e tem defensores ferrenhos no Congresso. Mesmo com a disposição
de membros do governo, explicitada na ocasião da derrota da CPMF
no Senado, de restringir a autonomia da gestão dos empresários,
apontados como responsáveis pelo fim da contribuição – em
especial uma certa entidade localizada na avenida Paulista, em São
Paulo. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, chegou a insinuar,
no Senado, que os recursos do sistema S foram empregados na suntuosa
sede da Fiesp.
A falta de consenso sobre o Sistema
S não esconde, porém, as deficiências da formação
de mão-de-obra hoje no Brasil. Companhias como a Vale do Rio Doce
chegam ao ponto de buscar trabalhadores qualificados no exterior. Segundo
o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 9,1 milhões
de trabalhadores procuraram emprego em 2007. Destes, 1,7 milhão
tinha qualificação profissional. Os demais 7,4 milhões,
não.
O programa sobre as mudanças
no Sistema S será reprisado sexta (11), às 4h e às
11h30; sábado (12), às 12h; domingo (13), às 9h30;
e segunda (14), às 6h e às 10h.
Na próxima terça-feira (15), às 22h, o Expressão
Nacional vai debater ao vivo a questão indígena hoje no país – as
mortes de índios por desnutrição, a ameaça cultural
e os conflitos agrários, como na reserva de Raposa Terra do Sol (RR).
Sugestões e perguntas podem ser enviadas pelo email expressaonacional@camara.gov.br
ou pelo telefone gratuito 0800-619619.
*Antonio Vital é apresentador
do programa Expressão Nacional.
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Agência Diap, 10 de
Abril de 2008
FORUM SINDICAL
FST divulgará Carta de Brasília
após encontro em maio
Os dirigentes do Forum Sindical
dos Trabalhadores (FST) decidiram divulgar nacionalmente o documento
denominado Carta de Brasília, contendo as resoluções
finais do encontro que a entidade realizará na capital federal
no dia 13 de maio próximo.
O documento será uma síntese dos debates que os cerca de 2.500
participantes farão sobre seis temas específicos, afirma o coordenador
nacional do FST, José Augusto da Silva Filho. Segundo ele, a Carta de
Brasília "será o fato político que resultará do
encontro".
As reuniões preparatórias do encontro – a última
realizada nesta terça-feira (8), na sede da Confederação
Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec) – já dão
uma idéia do comprometimento dos sindicalistas com as teses mais caras
aos trabalhadores, neste momento do País.
O debate acalorado dá uma mostra disto, quando os dirigentes ultimavam
o formato da reunião de 13 de maio. Conforme os informes de representantes
da FST nos estados, a divulgação já começou em
todo País.
Os temas do encontro serão: estrutura sindical – unicidade, sindicatos
por categoria e contribuição financeira compulsória; condições
do trabalho; redução da jornada de trabalho; terceirizações;
cooperativas; geração de emprego formal; renda; Previdência
Social e fundos de pensões; convenções 151 e 158, da Organização
Internacional do Trabalho (OIT); reforma agrária e valorização
da agricultura familiar. (Com FST)
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Diário Vermelho, 10
de Abril de 2008
Artur Henrique: convenções
da OIT e as relações de trabalho
Estamos vivendo um período de definições
em torno de conquistas importantes para a disputa entre a classe trabalhadora
e o capital. Há propostas em curso que podem consolidar no plano
institucional alguns instrumentos para fortalecer o sindicalismo para
além de governos ou conjunturas.
Por Artur Henrique, presidente da CUT,
para revista Teoria e Debate
Trata-se de tornar definitiva
a ocupação de espaços por parte de propostas progressistas,
que apontem para maior justiça social e equilíbrio na distribuição
dos frutos do progresso e do desenvolvimento.
O período é propício devido à vigência do
Governo Lula e também por atravessarmos um crescimento econômico
de fôlego bastante superior aos observados nas últimas décadas.
A luta pela ratificação da Convenção 158 da OIT
(Organização Internacional do Trabalho, órgão da
ONU) insere-se nesse contexto. Está acompanhada de outras bandeiras
que a CUT vem empunhando desde seu nascimento – e por muitos de nós
antes mesmo disso – e que estão próximas de concretizar-se.
As conquistas dependem principalmente da mobilização da CUT e
das demais centrais que vêm se somando à agenda, mas também
de uma articulação consistente no Congresso Nacional, cujo crivo é essencial
para que as reivindicações incorporem-se ao cotidiano brasileiro.
Contra a demissão imotivada
Ratificada, a Convenção 158 vai estabelecer como política
de Estado o fim das demissões imotivadas como recurso indiscriminado,
como saída fácil para qualquer obstáculo ou como ferramenta
empresarial para conter o avanço dos salários.
Com a entrada em vigor da Convenção 158, o patrão vai
precisar, antes de demitir, comunicar os trabalhadores e os sindicatos que
os representam e justificar os motivos da demissão.
Depois que o sindicato for comunicado, será aberto um processo de negociação
com a empresa. O objetivo é encontrar uma alternativa à demissão.
O sindicato vai poder avaliar se as razões apresentadas pelo empregador
são justas ou se há uma outra forma de resolver o problema.
Processos semelhantes já existem no Brasil, em setores em que os sindicatos
estão bastante fortalecidos. O Sinergia-CUT-SP, por exemplo, conseguiu
firmar acordos coletivos que estabelecem uma série de obstáculos às
demissões. Foram acordos importantes na defesa de bastiões durante
o processo de desmonte neoliberal da estrutura pública paulista. Em
nenhum momento esses acordos impediram o crescimento das empresas do setor
elétrico estadual e muito menos restringiu a geração de
novos empregos.
Costumo citar outro exemplo de negociação bastante simbólico
e conhecido. Nos pouco saudosos anos 1990, a câmara setorial do setor
automotivo encontrou uma alternativa histórica às demissões
em massa anunciadas pelas montadoras, que enfrentavam grave crise. Os sindicatos
cutistas puxaram uma força-tarefa formada por trabalhadores, empresas
e governo federal que resultou na redução de impostos, de preços
e margens de lucro, e em mudanças na linha de produção,
dando origem aos carros mil cilindradas no país. Aquela experiência
mostrou que o freio a um ato unilateral do empresariado poupou não só os
trabalhadores das empresas, mas toda a cadeia econômica brasileira. Com
uma prática civilizatória, a onda de demissão foi suspensa
e as empresas pavimentaram caminho para os recordes de produção
e venda registrados hoje em dia.
A ratificação da 158, com seu caráter normativo, deve
espraiar tal política por todos os setores econômicos. Não
sem antes, é verdade, um processo de adaptação das empresas
e também dos sindicatos. Será necessário qualificar-se
para uma tarefa muito mais complexa do que simplesmente homologar demissões.
Criatividade e inteligência estratégica
Porém, não há razões para o temor que vem sendo
disseminado por representações empresariais, com eco em colunas
econômicas. Vai exigir criatividade, inteligência estratégica
e uma dose extra de compromisso, mas algo que o empresariado está capacitado
a enfrentar. Pequenos empreendimentos, assim como sindicatos de pouca estrutura,
terão mais dificuldade na etapa de adaptação, mas é tarefa
das grandes entidades representativas transmitir o acúmulo histórico
e formativo necessários à mudança.
Para compor com a Convenção 158, necessitamos da Organização
por Local de Trabalho (OLT), mecanismo que o movimento sindical vem construindo
em alguns setores e que quer ver consolidado em todo o país. Onde existe,
a organização no local de trabalho antecipa-se a conflitos, apresenta
propostas e soluções produtivas que atualmente são de
grande valia para os sindicatos, mas também para as empresas que, mediante
a luta dos trabalhadores e os acordos coletivos resultantes, entendem a OLT
como uma ferramenta moderna que em nada atrapalha seus negócios, ao
contrário.
Alguns porta-vozes do empresariado, apesar de experiências como as que
citamos, têm dito que a 158 vai gerar desemprego, pois "fechará a
porta de entrada" ao estipular regras mais civilizadas para o uso da porta
de saída. Outro argumento que têm usado é de que diminuiu
o número de empregos em países que ratificaram a convenção – poderíamos
citar Alemanha, França, Espanha, Suécia.
O Estado de Bem-Estar Social, tal como implementado na Europa do pós-guerra
e mantido como resistência ao neoliberalismo recente, estabeleceu regulações
contra o processo selvagem de acumulação do capital sobre os
trabalhadores e nem por isso o continente perdeu competitividade ou patinou
na pobreza. Todos sabemos que em países europeus, se houve redução
do ritmo de crescimento dos empregos em certos períodos, a razão
está ligada diretamente à diminuição do crescimento
econômico e a várias condicionantes estruturais, e não à regulação
contra a demissão imotivada.
Crítica semelhante já vimos a respeito de processos de valorização
do salário mínimo, como se patamares mais elevados prejudicassem
a geração de emprego e o crescimento. Os números recentes
demonstram o contrário e corroboram a tese de que o desejo social por
dinâmicas mais civilizadas deve ser estimulado.
Protagonismo dos trabalhadores
Creio que a tentativa de espalhar terror em torno dessa mudança está ligada,
na verdade, ao fato de amplos setores do empresariado não aceitarem
a idéia de maior poder aos sindicatos. Assim como se dá a rejeição
a um governo democrático de origem popular e com agenda que alterou
prioridades. A 158, assim como o reconhecimento legal das centrais e a Convenção
151 da OIT, aponta para um papel protagonista dos trabalhadores na condução
da política e da economia brasileiras.
É claro que devemos ter bem definido esse diagnóstico e, movidos
por ele, empenhar-nos para que tanto a 158 quanto a 151 – que estabelece
negociação permanente no setor público – sejam ratificadas
e depois regulamentadas. A CUT não espera do Partido dos Trabalhadores
nada menos que uma posição única e veemente em defesa dessas
bandeiras.
Por outro lado, há dúvidas em nossas bases. Espalhou-se através
dos jornais a tese de que a 158 vai criar a estabilidade no emprego ou, ainda,
acabará com a figura da demissão sem justa causa e, portanto,
todos perderíamos direito às verbas rescisórias.
Nos casos em que a demissão não puder ser evitada, os direitos
rescisórios estarão mantidos – aviso prévio, FGTS,
seguro-desemprego, férias e 13º proporcionais. A multa do FGTS,
criada em 1966 como substituta da estabilidade no emprego, deve ganhar nova
conformação a partir da chegada da 158. Tal mudança deve
passar por regulamentação – o que não significa
necessariamente o fim da multa.
Segundo nota técnica elaborada pelo Dieese, há três situações
distintas relacionadas ao fim da relação de emprego:
a) o término por motivo relacionado ao comportamento do empregado (o
que, no nosso caso, equivaleria à "justa causa");
b) o término por motivos econômicos, tecnológicos, estruturais
ou análogos, a serem previstos na regulamentação da Convenção;
c) o término injustificado, que não atende aos quesitos anteriores
e que, portanto, deveria levar à readmissão do empregado ou ao
pagamento de indenização adequada ou outra reparação
que se considerar apropriada.
Todo o detalhamento das mudanças acarretadas pela Convenção
158 deve ser objeto de regulamentação. Para tanto, se necessário,
enfrentaremos o processo de aprovação de uma lei complementar.
De qualquer maneira, a CUT tem projetos consistentes sobre temas relacionados
ao novo escopo normativo que surgirá. Podemos citar como exemplos o
projeto de regulamentação da automação e o projeto
de regulamentação das terceirizações.
Mais democracia
A Convenção 158, assim como a 151, enviadas ao Congresso Nacional
em 14 de fevereiro pelo governo federal, é fruto de entendimento internacional
e já adotada em 34 países, como Alemanha, França, Espanha
e Suécia. No Brasil, a 158 está em acordo com o parágrafo
7, inciso 1º da Constituição Federal, que prevê: "São
direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros, (...) relação
de emprego protegida contra a despedida arbitrária ou sem justa causa,
nos termos da lei complementar (grifo nosso), que preverá indenização
compensatória, dentre outros direitos".
Como já mencionado, uma das principais razões para defendermos
a entrada em vigor da 158 é a alta rotatividade no mercado de trabalho.
Em momentos de crescimento, a rotatividade funciona como ferramenta perversa
para impedir a recuperação do poder de compra dos salários.
Em 2007, segundo análise do Dieese, 44% dos trabalhadores foram vítimas
da alta rotatividade. A diferença salarial entre um demitido e aquele
que o substitui foi da ordem de 10% no mesmo ano. Em números absolutos,
em 2007 foram admitidos 14,3 milhões de brasileiros. No mesmo período,
foram demitidos 12, 7 milhões. É fácil supor que muitos
fazem parte das duas estatísticas. Enquanto isso, tantos outros não
conseguem acesso a empregos decentes.
Todos perdem. O Ministério do Trabalho prevê que em 2008 serão
gastos R$ 13,2 bilhões para pagamento de seguro-desemprego, valor que
poderia ser investido em outros programas, como requalificação
profissional. Segundo o mesmo ministério, as demissões em 2008
devem atingir 9,7 milhões de brasileiros, o que representa cerca de
30% do mercado formal de trabalho.
Os resultados negativos propagam-se – salários menores, menor
consumo. Há também a instabilidade e o medo quanto ao futuro,
razão do adoecimento por estresse de 91% dos homens e de 83% das mulheres,
segundo pesquisa recente. Maior instabilidade, menor possibilidade de planejamento
e de investimento, portanto, menor consumo.
Por tudo isso, a CUT quer ver votadas este ano as ratificações
das convenções 158 e 151 e a aprovação da redução
da jornada sem redução de salários, o que vai consolidar,
como já disse, conquistas que não poderão ser torpedeadas
em outra conjuntura. Não queremos ver repetidas situações
como a denúncia feita pelo FHC contra a 158, em 1996 – retrocesso
contra o qual há uma ação movida pela CUT através
da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura)
e CNM (Confederação Nacional dos Metalúrgicos) no Supremo
Tribunal Federal. Queremos, sim, ampliar a democracia nas relações
de trabalho no Brasil.
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Diário Vermelho, 10
de Abril de 2008
Lula orienta aliados a combaterem
'terceiro mandato''
O presidente Lula rechaça
a idéia de disputar um terceiro mandato e orienta seus aliados
a bombardearem qualquer proposta nesse sentido, disse hoje no Senado,
o senador Cristóvam Buarque que, juntamente com a bancada do PDT,
esteve com Lula no fim da manhã. Segundo Cristóvam, Lula
foi enfático e convincente quando refutou a tese do terceiro mandato
e ainda contou que seu sonho é voltar a morar em Pernambuco. Em
entrevista ao Terra Magazine, o presidente doPT, Ricardo Berzoini, também
rechaçou a idéia de um terceiro mandato para Lula. Segundo
ele, a iniciativa não tem respaldo do partido.
Matéria modificada às 20h45 para acréscimo de informações
''O presidente Lula disse que
essa proposta não existe, que ele não aceita, não
quer e que se o PT o obrigar a encampar a idéia, ele deixa o PT'',
contou Cristovam Buarque depois da primeira conversa mais longa que teve
com o presidente desde que saiu do Ministério da Educação,
em 2005.
''A gente pode se bater contra
isso?'', perguntou Cristóvam, segundo relatou.
''Pode não, deve'', respondeu Lula, segundo ele.
''Nunca vi tanta ênfase.
Lula foi absolutamente convincente. Por isso, para mim, terceiro mandato é assunto
encerrado'', disse o senador. Ele disse que imaginava Lula sendo pressionado
pelo PT a aceitar a idéia de disputar o terceiro mandato, mas,
agora, considera isso impossível, diante da veemência do
presidente em rejeitar a tese.
O encontro de Lula com a bancada
do PDT foi organizada pelo ministro da Articulação Política,
José Múcio Monteiro. O objetivo era o de reaproximar o
partido, que tem cinco senadores, do governo. E, pelas declarações
de senadores, o objetivo foi atingido.
''O Lula é um hipnotizador'',
disse Cristóvam que se tornou um crítico sistemático
do governo, especialmente, depois de ter disputado com com Lula a presidência
em 2006. Segundo ele, Lula lembrou que o PT e PDT sempre estiveram
do mesmo lado, apesar das diferenças. Ele lembrou que no tempo
de Brizola, os dois partidos tinham rusgas, mas estavam sempre do mesmo
lado. No segundo turno das eleições de 2006, Cristóvam
ficou ao lado de Geraldo Alckmin, do PSDB.
Berzoini: pauta artificial
Nesta quarta-feira, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini, também
comentou o assunto. Ele afirmou que a retomada da discussão em torno
de um terceiro mandato consecutivo para Lula não está na agenda
do partido. “É mais uma vez uma pauta artificial que não
tem apoio nem do presidente Lula nem do PT”, afirmou Berzoini em entrevista
concedida ao site Terra Magazine.
Ele negou a existência de qualquer conflito ente o partido e o presidente
sobre o tema e classificou de "factóide político" a
especulação em torno da suposta declaração de Lula
durante reunião com parlamentares do PDT sobre a possibilidade de romper
com o partido se houver insistência na tese do terceiro mandato.
" Nós não damos a menor importância nem à declaração
em si, nem ao tema, porque não está na nossa pauta. (...) Nós
somos contra, o presidente é contra e portanto não há nenhum
tipo de dissenção nesse tema", disse Berzoini, lembrando que
a "amplíssima maioria" do PT rejeita a tese de mudar as regras
para permitir uma nova reeleição. "O que há é um
deputado do PT que tem dado declarações. E ele tem direito de fazer
isso e está fazendo em nome próprio, pessoal", frisou Berzoini.
Ele lembrou ainda que o PT, "do ponto de vista conceitual", é favorável
que haja apenas uma eleição. sem reeleição. "Mas
sequer esse assunto estamos priorizando nesse momento, porque achamos que seria
alterar novamente a regra do jogo no curso do processo, o que implicaria em
alterar expectativas de governadores e prefeitos atuais que estão convivendo
com uma regra que os permite sonhar com a reeleição. Os que estão
no primeiro mandato. Então mudar no meio do jogo seria um grande equívoco",
disse.
Com informações do Blog de Cristiana Lôbo e do site do
PT
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FOLHA DE LONDRINA, 10 de
abril de 2008 | Política
CNBB e entidades propõem lei
para ‘barrar’ políticos criminosos
Indaiatuba - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Brasileira de Organizações
Não-Governamentais (Abong) lançaram ontem, na 46 Assembléia
Geral da CNBB, no mosteiro em Itaici, município paulista de Indaiatuba,
projeto de lei de iniciativa popular para impedir a candidatura de pessoas
com antecedentes criminais e candidaturas de quem renunciou ao mandato para
escapar de punições legais.
Segundo informou o presidente
da Associação Brasileira dos Magistrados, Procuradores
e Promotores Eleitorais (Amppe), Márlon Jacinto Reis, outra preocupação
das entidades é os candidatos buscarem na eleição
o foro privilegiado em caso de cometerem crimes. Para levar o projeto
de lei ao Congresso, as organizações precisam de ao menos
1,2 milhão de assinaturas, que começaram a ser coletadas
ontem mesmo. Para ser aprovado na Câmara e Senado, o projeto de
lei precisará ter maioria simples dos votos dos parlamentares
presentes, isto é, 50% do quórum mais um voto.
Com o objetivo de evitar o uso
indevido da nova legislação em manobras eleitorais para
retirar concorrentes do pleito, a proposta determina que a ação
de inelegibilidade parta do Ministério Público em uma ação
penal pública. O impedimento da candidatura passaria a valer a
partir do momento de aceitação da denúncia pelo
juiz. ''Queixas-crime, injúria, calúnia e difamação
não entram, porque poderiam ser usadas apenas para um candidato
tentar tirar o outro do pleito'', afirmou Reis.
O projeto também prevê o
aumento do período em que o postulante a candidato ficaria inelegível,
de três para oito anos. Reis disse ser teoricamente possível
a lei valer para as próximas eleições.
Tatiana Fávaro
Agência Estado
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Folha de São Paulo,
10 de Abril de 2008
Aécio é cortejado pelo
PMDB em evento
Sigla tenta atrair tucano para lançá-lo
ao Planalto; mineiro diz querer "projeto no qual PMDB tenha
destaque"
KENNEDY ALENCAR
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A cúpula do PMDB fez ontem
em Brasília um ato em homenagem ao presidente Tancredo Neves cujo
objetivo principal foi vitaminar a candidatura presidencial do neto Aécio
Neves (PSDB), governador de Minas Gerais. Aécio retribuiu, dizendo
que deseja "participar de um projeto político novo para o
Brasil no qual o PMDB tenha papel de destaque".
Combinado com a direção peemedebista, o evento ajuda Aécio
em sua estratégia de isolar politicamente seu principal adversário
no PSDB pela candidatura ao Planalto em 2010, o governador José Serra
(SP).
O PMDB tenta atrair Aécio para o partido, a fim de lançá-lo à Presidência.
Mas caciques peemedebistas disseram à Folha reservadamente que a alternativa é ajudar
Aécio a ganhar internamente de Serra, sinalizando que apoiaria oficialmente
uma aliança que tenha o mineiro na cabeça da chapa.
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), fez em discurso um convite
quase explícito para Aécio entrar no PMDB. O mineiro, porém,
disse em entrevista que não cogita deixar o PSDB. "Espero que,
nas próximas visitas, o senhor não seja mais um convidado especial
tão ilustre, mas seja nosso companheiro", disse Garibaldi, arrancando
aplausos.
O líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves, adotou o
mesmo tom e disse que seria um "sonho" ver Aécio na sigla. "Posso
dizer que o namoro começou, agora se vai dar em casamento, só o
tempo dirá."
" Não vejo como, em um futuro próximo, não estarmos
juntos construindo um projeto convergente para este país. Sem ódio,
sem rancores e independente de filiações partidárias",
retribuiu Aécio. "É natural que um projeto de país
para o futuro se dará, como já se deu, com o PSDB e o PMDB como
parceiros." Apesar de integrar hoje o campo lulista, o PMDB acha improvável
apoiar um petista em 2010. Serra, que chegou a ter apoio formal do partido em
2002, perdeu terreno para Aécio. O PMDB avalia que teria mais poder num
governo do mineiro do que no de Serra.
Em desvantagem nas pesquisas em relação a Serra, que hoje lidera
em todos os levantamentos de intenção de voto para 2010, Aécio
quer se viabilizar como um candidato capaz de aglutinar mais forças
políticas. Hoje, por exemplo, ele fará uma visita ao vice-presidente
José Alencar, que ocupa interinamente a Presidência enquanto Lula
está no exterior.
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Folha de São Paulo,
10 de Abril de 2008
PF prende 16 prefeitos e apura desvio de R$ 200 mi
Esquema investigado utilizaria recursos do Fundo de
Participação dos Municípios | No total, 51 pessoas foram
presas em MG, na BA e no DF, incluindo procuradores municipais, advogados,
um gerente da CEF e um juiz
PAULO PEIXOTO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
A Polícia Federal prendeu
ontem 51 pessoas em Minas Gerais, na Bahia e no Distrito Federal, suspeitas
de desvio ilegal de recursos do FPM (Fundo de Participação
dos Municípios), que é repassado pela União. O prejuízo
aos cofres públicos é estimado em R$ 200 milhões,
em três anos.
Entre os detidos há 16 prefeitos (14 de MG, um deles afastado do cargo,
e dois da BA), quatro procuradores municipais, nove advogados, um gerente da
Caixa Econômica Federal e até um juiz federal de Belo Horizonte,
além de mais quatro servidores do Judiciário. Ao todo, o juiz-corregedor
do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), Jirair Megueriam,
expediu 53 mandados de prisão, dos quais apenas dois não foram
cumpridos.
Uma juíza federal também é suspeita de participação
nas fraudes, mas não houve ordem de prisão para ela.
A PF manteve sob sigilo os nomes de todos os envolvidos, mas o cumprimento
dos cem mandados de busca e apreensão da operação, batizada
de Pasárgada, acabou revelando os nomes de alguns suspeitos. Foram os
casos, por exemplo, dos prefeitos das cidades-pólo mineiras de Juiz
de Fora, Carlos Alberto Bejani (PTB), e de Divinópolis, Demetrius Pereira
(PSC).
Na casa de Bejani em Juiz de Fora, a PF ficou por quase seis horas. Encontrou
R$ 1,12 milhão em espécie (uma máquina de contar dinheiro
foi solicitada para apurar o montante) e um revólver de uso exclusivo
das Forças Armadas, duas pistolas e duas carabinas.
No sítio do petebista, ex-deputado estadual, a PF apreendeu dois caminhões,
uma camionete, um jipe, três quadriciclos e uma moto -a polícia
vai checar se os rendimentos de Bejani são compatíveis com os
bens.
A maioria dos suspeitos foi presa em casa, já que às 6h os agentes
da PF estavam nas ruas cumprindo os mandados judiciais. No total, houve apreensão
de R$ 1,3 milhão, US$ 20 mil, 38 veículos e dois aviões,
além do seqüestro de "vários imóveis".
" As provas são bem substanciosas. Estamos bem tranqüilos quanto às
medidas cautelares que cumprimos", disse o delegado Mário Alexandre
Aguiar, coordenador da operação.
Modus operandi
O esquema investigado há oito meses envolve prefeituras que têm
dívidas com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Os municípios
têm 6% do repasse mensal do FPM retidos para ser abatido no débito
com o órgão da União.
Contatadas por lobistas, as prefeituras contratavam sem licitação
um escritório de advocacia, que entrava com mandado de segurança
na Justiça Federal alegando que o INSS estava retendo valores superiores
aos 6% -o que não era verdade.
Se o percentual alegado fosse 9%, o juiz determinava a liberação
dos 3% excedentes.
O dinheiro era usado para pagar a todos os envolvidos no esquema. No caso do
juiz, segundo a PF, havia venda de sentenças e suspeita de distribuição
irregular de processos. Ele recebia "em dinheiro vivo mesmo, isso está comprovado",
segundo o delegado Aguiar.
Os lobistas também contatavam os magistrados, e servidores da Justiça
remetiam os processos sempre para as mesmas varas: "O lobista oferecia
a esses juízes vantagens indevidas para que eles concedessem as sentenças.
As ações eram distribuídas em duas varas de forma fraudulenta",
disse Aguiar.
Um gerente da Caixa Econômica Federal em Belo Horizonte, sócio
de um dos principais lobistas, era o "elo" entre o Judiciário
e os advogados. Segundo a PF, seria ele o responsável por fraudar documentos.
Ele foi o único que teve a prisão preventiva decretada (30 dias).
Todos os outros foram presos temporariamente (cinco dias).
Somente o juiz seria transferido para a PF, em Brasília, porque teria
o depoimento tomado pelo juiz-corregedor do TRF.
Os outros presos seriam levados para a capital mineira.
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SÓ NOTÍCIAS/
MATO GROSSO, 10 de abril de 2008 | Economia
Nortão: construção
civil define reivindicação salarial durante assembléia
Depois de iniciar as negociações sobre aumento salarial para
mais de 2,5 mil funcionários das indústrias madeireiras do Nortão,
o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria, Construção
Civil e Mobiliário (Siticom), reúne-se na próxima segunda-feira
(21), em Sinop, na assembléia com trabalhadores da construção
civil, para definir o percetual que devem pedir às empresas.
Pelo menos 500 participantes
são esperados. Com a definição da proposta, explica
o vice-presidente Eder Cordeiro Pessine, será entregue em Cuiabá ao
sindicato patronal, já que na maior cidade da região Norte
não há representantes. De acordo com ele, as negociações
devem abranger outros setores, como artefatos de concreto, cerâmica,
olarias e moveleiro. “As discussões ocorrerão durante
o dia todo”, declarou, ao Só Notícias.
Somente para a construção
civil, estima o Siticom, entre mil a 1,5 mil estão ligados à atividade,
entre as cidades de Sinop, Santa Carmem, Cláudia e União
do Sul. Não há uma previsão de quanto a categoria
deve reivindicar. Ano passado, receberam, em média, 5% de aumento.
A construção civil é um
dos mais importantes segmentos econômicos em Sinop e registra grande
número de contratações com carteiras assinadas.
Entre janeiro e feveiro foram inseridos no mercado 195 pessoas. Por outro
lado, 162 acabaram demitidos, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.
Entretanto, explica o sindicato
da categoria, o número de vagas criadas pode superar os dados
apresentados pelo Caged, já que algumas empresas que prestam serviços
são de fora, e, ao registrarem o empregado, os dados são
incluídos para o município de onde originam.
Fonte: Só Notícias/Leandro
J. Nascimento
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Folha de São Paulo, 10 de Abril de 2008
Centrais comemoram com um coquetel
aprovação de projeto
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Centrais sindicais realizaram no Congresso um coquetel para comemorar a aprovação
do projeto que as regularizou. Também foram entregues certificados a
parlamentares que votaram a favor do projeto. O evento -com espumantes, salgadinhos,
uísque escocês e vinho italiano- custou R$ 17,5 mil.
O projeto foi sancionado pelo presidente Lula com um veto que acabou com a
obrigatoriedade da prestação de contas ao TCU (Tribunal de Contas
da União).
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, da Força Sindical,
afirmou que a festa não foi paga com verba do imposto sindical. O ministro
do Trabalho, Carlos Lupi, foi ao evento.
O DEM entrou com ação direta de inconstitucionalidade contra
a lei que instituiu o repasse para as centrais de 10% da arrecadação
do imposto sindical.
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Agência Diap, 10 de
Abril de 2008
MOVIMENTO SINDICAL
Sanção da lei das centrais
avança luta dos assalariados, afirma presidente da CSP
"Um importante avanço",
afirmou o presidente da Central Sindical de Profissionais (CSP), Luiz
Sérgio Rosa Lopes, referindo-se à sanção
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva da norma (Lei 11.648/08)
que reconhece formalmente as centrais sindicais, garantindo ainda a contribuição
sindical – sob intenso bombardeio do empresariado, parte do Congresso
Nacional e setores da imprensa.
Para Luiz Sérgio, "esse avanço é apenas um passo
na luta que o movimento sindical terá que travar, daqui para frente,
no sentido de que nenhuma das conquistas dos trabalhadores venha a sofrer recúos".
Um dos dispositivos sancionados altera a CLT, estabelecendo que a contribuição
sindical vigorará até que uma nova lei discipline a contribuição
negocial, encarada pelos dirigentes dos trabalhadores como uma "pá de
cal" nas entidades sindicais se fosse aprovada. Daí a advertência
do presidente da CSP.
Uma vitória, no entanto, para o dirigente da CSP, é a decisão
do presidente da República de vetar o artigo 6º do Projeto de Lei
1.990/07, impedindo que as contas das entidades sindicais fossem analisadas
pelo TCU – o que retiraria a competência do Ministério do
Trabalho. "É preciso que o movimento sindical e trabalhista esteja
permanentemente atento, para impedir que conquistas quase seculares sejam destruídas",
disse Luiz Sérgio.
Representação
Conforme a Lei 11.648, sancionada em 31 de março último, a central
sindical é uma entidade de representação geral dos trabalhadores,
constituída em âmbito nacional, com atribuições
e prerrogativas de coordenar a representação dos trabalhadores
por meio das organizações sindicais a ela filiadas e participar
de negociações em foruns, colegiados de órgãos
públicos e demais espaços de diálogo social que possuam
composição tripartite, nos quais estejam em discussão
assuntos de interesse geral dos trabalhadores.
A central sindical deverá cumprir os seguintes requisitos: 1) filiação
de, no mínimo, 100 sindicatos distribuídos nas cinco regiões
do país; 2) filiação em pelo menos três regiões
de, no mínimo, 20 sindicatos em cada uma; 3) filiação
de sindicatos em, no mínimo, cinco setores de atividade econômica;
4) filiação de sindicatos que representam, no mínimo,
7% do total de empregados sindicalizados em âmbito nacional. (Com assessoria
de imprensa da CSP)
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Agência Diap, 10 de
Abril de 2008
OPINIÃO
Roberto Santiago*: Centrais são
reconhecidas 44 anos após golpe militar
No dia 31 de março de
2008, exatamente 44 anos depois que os militares deram um Golpe de Estado
contra a democracia brasileira, que tinha entre as alegações
a crescente influência dos trabalhadores organizados em torno de
seus sindicatos e do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 11.648/08, que reconhece
legalmente as centrais sindicais, entre elas a União Geral dos
Trabalhadores (UGT), da qual sou vice-presidente.
O reconhecimento é uma conquista histórica da classe trabalhadora
brasileira. A organização dos trabalhadores em torno do CGT, à época
presidida por Clodesmidt Riani, foi violentamente interrompida pelo golpe militar
de 31 de março de 1964.
As centrais sindicais (UGT, CUT, Força Sindical, Nova Central, CTB,
CGTB e CSP) mesmo antes do reconhecimento formal votado no Congresso Nacional
e sancionado pelo presidente Lula, atuaram ao longo de 30 anos para elevar
os níveis de organização e representação
dos trabalhadores brasileiros e foram essenciais na luta pela redemocratização.
As centrais tiveram sempre o reconhecimento dos sindicatos filiados ao realizarem,
na prática, a defesa intransigente dos interesses econômicos,
políticos e sociais dos trabalhadores dos grandes centros urbanos, das
regiões mais afastadas e dos que trabalham no campo.
As centrais continuarão a participar das negociações em
foruns, colegiados de órgãos públicos e demais espaços
de diálogo social com composição tripartite (quando se
exige a participação do Governo, dos empresários e dos
trabalhadores).
O reconhecimento das centrais torna definitiva a participação
dos sindicatos e das organizações dos trabalhadores brasileiros
como atores sociais a serem levados em consideração e respeitados
pelas elites que sempre controlaram, sozinhas, a máquina pública.
Por isso, as elites e seus representantes na mídia continuarão
a atacar as centrais e o novo status conquistado após a regulamentação.
Ao reconhecer as centrais, o presidente Lula repara, em nome da democracia
brasileira, a interrupção violenta da organização
dos trabalhadores, ocorrida em 1964. Ao garantir a autonomia e a liberdade
sindical das centrais, a conquista estimula trabalhadores e cidadãos
a avançarem a favor da democracia plena.
Que ampliará a distribuição de renda, reforçará a
campanha pela redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas
para 40 horas semanais, sem redução de salários, que garantirá a
criação de 2,2 milhões de novas vagas.
Avançaremos com a participação cada vez mais ativa das
centrais sindicais para a consolidação definitiva da classe média
brasileira, que abrirá espaços para absorver homens e mulheres
da base da pirâmide social que hoje estão ávidos para ser
incluídos como consumidores e cidadãos plenos.
(*) Deputado federal pelo PV/SP e vice-presidente
da UGT
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Agência Brasil, 10 de Abril de 2008
DEM contesta no Supremo repasse de
imposto às centrais sindicais
Antonio Arrais
Repórter da Agência Brasil

Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Brasília - Deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) protocola ação
direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o
projeto de lei que instituiu o repasse do imposto sindical para as centrais
sindicais
Brasília - O DEM entrou hoje (9) no Supremo Tribunal Federal (STF) com
uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra o repasse
de recursos do imposto sindical para as centrais sindicais.
O partido alega "vício de origem", porque a transferência
desse imposto deveria ter sido determinada por proposta de emenda à Constituição
(PEC) e não por projeto de lei, uma vez que a Constituição
proíbe repasses para as centrais.
O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), que protocolou a Adin, disse
que no âmbito do Congresso Nacional o partido tentará mobilizar
senadores e deputados para derrubar o veto aposto ao projeto aprovado pelo
Congresso pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O veto retirou a possibilidade de fiscalização pelo Tribunal
Contas da União (TCU) dos repasses do imposto sindical para as centrais
sindicais.
Na Adin, o DEM pede concessão de medida cautelar, para evitar "risco
de dano à segurança jurídica", e que sejam citados
o presidente da República e o Congresso Nacional, na condição
de autoridades responsáveis pela produção do ato (o projeto
de lei aprovado e a Lei nº 11.648, de 31 de março).
Essa lei passou a reconhecer a legitimidade das centrais sindicais e que elas
passam a arrecadar 10% dos recursos decorrentes da arrecadação
do imposto sindical.
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FOLHA DE LONDRINA, 10 de
abril de 2008 | Economia
INSS convoca 14 mil para reavaliação
do auxílio-doença
São Paulo - O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) enviou ontem
o décimo lote de cartas para que 14,8 mil beneficiários façam
a reavaliação dos auxílios-doença que foram concedidos
há dois anos com prazo para terminar em maio. Na carta, os segurados
são informados da necessidade de agendar nova perícia no prazo
de 10 dias, contados a partir da data de recebimento da correspondência.
Quem receber e não agendar ou deixar de comparecer à perícia
terá o pagamento do benefício suspenso.
Quando o benefício é concedido
pelo prazo de dois anos, esses segurados recebem documento no qual já consta
a informação de que a licença, após esse
prazo, deverá ser reavaliada por um perito médico. Mesmo
assim, o INSS envia carta lembrando da data da renovação.
A duração mais longa do benefício tem como objetivo
facilitar a vida do trabalhador com doença grave e, também,
melhorar o atendimento nas agências da Previdência.
Nos casos em que, mesmo após
dois anos de licença, o segurado continua hospitalizado ou está impedido
de se locomover, um representante legal tem de comparecer à agência
da Previdência mantenedora do benefício, no prazo de 10
dias, contados a partir da data de recebimento da correspondência,
para comunicar a impossibilidade do segurado e solicitar que a revisão
seja realizada no local em que o beneficiário estiver. Ele deve
levar documentos de identificação do segurado como CPF
e RG, exames, se possuir, e informar o endereço no qual deverá ser
realizada a perícia.
Paulo R. Zulino
Agência Estado
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Agência Senado, 10 de Abril de 2008
Senado estende aos aposentados
do INSS reajustes reais do salário mínimo

O plenário do Senado aprovou na noite desta quarta-feira (9), por unanimidade
e em votação simbólica, projeto (PLC 42/07) que garante
reajustes anuais do salário mínimo até 2011, recebendo
sempre a inflação passada acrescida do mesmo percentual do crescimento
real da economia de dois anos antes. Os senadores aprovaram uma emenda apresentada
pelo senador Paulo Paim (PT-RS) que estende aos aposentados do INSS os mesmos
reajustes concedidos ao salário mínimo. Assim, no dia 1º de
fevereiro de 2009 o salário mínimo e as aposentadorias receberão,
além da inflação de 2008, um aumento de 5,4%, que foi
o percentual do crescimento do Produto Interno Bruto de 2007.
O projeto voltará ao exame dos deputados por causa da emenda de Paulo
Paim. Caso a proposta seja aprovada pela Câmara e receba sanção
do presidente da República, o governo terá de conceder, de forma
retroativa a 1º de março, aumento real aos aposentados do INSS
- eles receberam apenas a reposição referente à inflação.
Durante a discussão da matéria, o senador Aloizio Mercadante
(PT-SP) subiu à tribuna para afirmar que o Congresso não podia
estender aos aposentados o mesmo aumento real do salário mínimo,
pois não indicou fonte permanente do novo gasto. Ponderou que se a emenda
do senador Paulo Paim não for rejeitada pelos deputados e receber sanção
do presidente da República, haverá novo fato de desequilíbrio
das contas da Previdência, hoje com déficit anual próximo
de R$ 44 bilhões.
O projeto original foi apresentado no ano passado pelo governo, depois de negociações
com as centrais sindicais e parlamentares da base governista. Com a fixação
em lei da fórmula de cálculo do salário mínimo
até 2011, o governo quer dar previsibilidade às empresas e aos
trabalhadores, depois de um período em que o mínimo teve aumentos
reais substanciais negociados com o Congresso. A partir de agora, os reajustes
estarão sempre ligados ao crescimento da economia.
Os aumentos serão baseados no Índice Nacional de Preços
ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). Na verdade, o governo já vem aplicando desde o ano passado a
fórmula prevista no projeto. Além dos reajustes, o projeto determina
que a cada ano o governo retroceda em um mês a vigência do salário
mínimo - o aumento de 2008, por exemplo, ocorreu no dia 1º de março.
Em 2009, o reajuste será feito no dia 1º de fevereiro e, a partir
de 2010, o mínimo subirá sempre no dia 1º de janeiro.
A proposta estabelece que até o final de março de 2011 o governo
enviará ao Congresso projeto de lei fixando como será a política
de valorização do salário mínimo de 2012 a 2013.
O projeto determina ainda que o governo constitua um grupo de trabalho, com
representantes dos ministérios, das centrais sindicais e de entidades
patronais, para definir e acompanhar a política para o salário
mínimo.
A matéria recebeu pareceres favoráveis dos senadores Valdir Raupp
(PMDB-RO) e Osmar Dias (PDT-PR), que relataram o projeto, respectivamente,
nas Comissões de Assuntos Sociais (CAS) e de Assuntos Econômicos
(CAE). Durante a discussão da matéria, os parlamentares enalteceram
a luta do senador Paulo Paim para melhorar os reajustes dos aposentados do
INSS.
Apenas os senadores Aloizio Mercadante e Romero Jucá (PMDB-RR), este
líder do governo, fizeram restrições à extensão
do aumento aos aposentados. Mercadantereconheceu o mérito da emenda
de Paulo Paim, mas alertou para a falta de previsão no Orçamento
da União para pagar o aumento real para os aposentados.
O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), sustentou que a oposição
fazia uma homenagem ao senador Paulo Paim. O líder do DEM, José Agripino
(RN), disse que os senadores estavam ouvindo o clamor dos aposentados do INSS,
que se sentem injustiçados pelo governo por terem recebido neste ano
um reajuste de 5%, contra 9,3% concedidos ao salário mínimo.
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Agência Senado, 10 de Abril de 2008
Senado aprova extinção
do fator previdenciário e modifica forma de calcular benefícios
Em regime de urgência, foi aprovado na noite deste quarta-feira (9),
pelo Plenário, o Projeto de Lei do Senado (PLS) 296/03, de autoria de
Paulo Paim (PT-RS), que extingue o chamado "fator previdenciário" e
modifica a forma de cálculo dos benefícios da Previdência
Social. Como sofreu alterações, a matéria retornará à Câmara
dos Deputados.
Na avaliação do senador, o resgate dos critérios anteriores
de cálculo dos benefícios previdenciários evitará que
o governo utilize a Previdência Social como instrumento de ajuste das
contas públicas, em prejuízo dos contribuintes e beneficiários.
O fator previdenciário é calculado considerando, na data de início
do benefício, a idade e o tempo de contribuição do segurado,
a expectativa média de sobrevida para ambos os sexos e uma alíquota
de 31%, que equivale à soma da alíquota básica de contribuição
da empresa (20%) e da maior alíquota de contribuição do
empregado (11%).
Em sua justificação, Paim assinalou que, dependendo do grau de
formalização do trabalhador e de sua evolução salarial,
a ampliação gradativa do período básico de cálculo
do salário-benefício, com o fator previdenciário, acarreta
perda em seu valor, tanto maior quanto maior for essa ampliação.
O senador frisou que essa forma de cálculo é aplicada sob a alegação
de se adequar o sistema previdenciário aos impactos atuarial e financeiro
da evolução demográfica, mas, de fato, tem sido utilizado
para diminuir as despesas com benefícios da Previdência Social,
principalmente da aposentadoria por tempo de contribuição, reduzindo
seu valor ou retardando a sua concessão.
Entre as distorções no fator previdenciário apontadas
por Paulo Paim, destaca-se a introdução do critério da
idade no cálculo da aposentadoria por tempo de contribuição,
via lei ordinária, critério que já foi derrotado em nível
constitucional no Senado.
- No aspecto social, é perverso, pois, ao privilegiar a aposentadoria
por tempo de contribuição tardia e punir, drasticamente, a considerada
precoce, penaliza, sobremaneira, aqueles que começaram a trabalhar cedo,
na maioria trabalhadores de menores rendimentos. De fato, esses trabalhadores
certamente não adiarão o início de sua aposentadoria em
função de valores maiores, no futuro, proporcionados pelo fator
previdenciário - observou.
Foi ainda aprovado ainda na noite desta quarta-feira requerimento dispensando
o parecer da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) ao PLS 58/03
- novamente de autoria de Paim - que trata da atualização das
aposentadorias e pensões pagas pela União e pela Previdência
Social. A matéria, assim, segue direto para a Comissão de Assuntos
Sociais (CAS), onde tramita em decisão terminativa.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
10 de abril de 2008
Coca-Cola é proibida de terceirizar
distribuição e entrega de produtos
A Coca-Cola não poderá contratar cooperativa ou empresa interposta
para prestar-lhe os serviços de distribuição e entrega
de seus produtos.
A 8ª Turma do Tribunal Regional
do Trabalho da 1ª Região (Rio de Janeiro) confirmou decisão
de primeira instância em ação civil pública
proposta pelo Ministério Público do Trabalho. A empresa
foi condenada também ao pagamento de R$ 500 mil por danos morais
coletivos.
As cooperativas Padrãocoop
e Nitecoop, também rés na ação, não
poderão fornecer trabalhadores para prestar serviço à Coca-Cola
sob pena de multa diária de R$ 100 por trabalhador encontrado
em situação irregular. A decisão atinge cerca de
300 trabalhadores.
De acordo com as investigações,
a Coca-Cola, cuja razão social é Rio de Janeiro Refrescos
Ltda., incentivou a criação de cooperativas, em sua maioria
composta por ex-funcionários da empresa, a fim de terceirizar
os serviços de distribuição de produtos. Segundo
o procurador do Trabalho João Carlos Teixeira, responsável
pela ação, a medida adotada pela empresa gerou um processo
de precarização da relação e das condições
de trabalho.
O procurador do Trabalho explicou
que a empresa motivava empregados de sua confiança ligados ao
serviço de distribuição a formar cooperativas destinadas
a esta finalidade com caminhões fornecidos pela própria
empresa.
"Diante do aceite,
os empregados eram demitidos da empresa e parte das verbas resilitórias
servia para a formação da cooperativa. Para o MPT, os
contratos de prestação de serviço são nulos,
pois o suposto acordo representa fraude trabalhista, uma vez que há intermediação
de mão-de-obra através de cooperativa", explicou
Teixeira. Segundo o procurador, a relação existente é uma
relação de emprego, já que a empresa manteve empregados
sob a forma de "pseudo-cooperativa".
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CONSULTOR JURÍDICO,
10 de abril de 2008
Mero B.O
Alegação de furto não
livra depositário infiel da prisão
A alegação de furto, ainda que acompanhada de Boletim de Ocorrência,
não tira do depositário fiel a obrigação de guarda
dos bens e nem é justificativa para livrá-lo da prisão.
Quem entende dessa forma é a 5ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho
3ª Região (Minas Gerais).
Para juiz convocado Paulo Maurício
Ribeiro Pires, o B.O é documento unilateral, já que contém
apenas as alegações daquele que o registra. “O que
comprovaria o crime alegado seria a instauração de ação
penal com a inequívoca prova do furto, hipótese inexistente
no remédio instaurado”, destaca o relator.
No caso, Izac Lages Duarte é sócio
da empresa reclamada e depositário dos bens penhorados na ação
trabalhista. Intimado a entregar os bens ou o dinheiro, sob pena de prisão,
alegou o furto do material no galpão da empresa, em 2006. Duarte
apresentou cópia do B.O como prova.
Os juízes, no entanto,
entenderam que não há ilegalidade na ordem de prisão,
já que foram dadas a ele oportunidades para que cumprisse a obrigação.
Mas, há anos, ele se esquivava. Ribeiro Pires chamou a atenção
para o fato de que o BO foi lavrado 22 dias depois da suposta ocorrência,
afastando a credibilidade do documento.
“Ora, tratando-se de bens
apreendidos judicialmente, cuja localização já vinha
sendo obstada pelo depositário, causa no mínimo estranheza
o Boletim de Ocorrência Policial apresentado pelo depositário,
inclusive, registrando o fato alegado com 22 dias de atraso", destacou
o relator.
Segundo o juiz, não foi
comprovada qualquer circunstância que caracterizasse caso fortuito
ou de força maior de justificar a não entrega dos bens
pelo depositário fiel, nos termos do artigo 642 do Código
Civil. “O que se verifica, portanto, é a resistência
do paciente em obedecer ao comando judicial, e não a impossibilidade
de cumprimento da ordem”, conclui Ribeiro Pires.
Como Duarte insistiu no
expediente para atrasar a execução, revela-se descaso
pelo encargo assumido, argumentou o juiz. Dessa forma, a turma manteve
a sua prisão.
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Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
10/04/2008
Jornalista do Banespa tem direito a jornada
de cinco horas
Ao rejeitar recurso do Banespa
S/A – Serviços Técnicos e Administrativos, a Seção
Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do
Trabalho (SDI-1) reafirmou o entendimento de que o jornalista, mesmo
trabalhando em empresa não jornalística, tem direito à jornada
reduzida.
Condenada ao pagamento de horas
extras, em ação movida por um ex-empregado, a empresa teve
seu recurso de revista rejeitado pela Primeira Turma do TST, que concluiu
ter ficado comprovado, na decisão do Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região (SP), o desempenho do trabalhador em atividade
tipicamente jornalística. Inconformado, o Banespa tentou embargar
a decisão, insistindo no argumento de que não é empresa
jornalística e que o empregado não desempenhava essa função.
O relator da matéria,
ministro Carlos Alberto Reis de Paula, rejeitou a tese, acentuando o
posicionamento firmado pela SDI-1 no sentido de que o jornalista, mesmo
trabalhando em empresa de outro ramo, tem direito à jornada reduzida
prevista no artigo 303 da CLT. Após citar vários precedentes
sobre o tema, Reis de Paula afirma que, “como profissão
diferenciada, o jornalismo pode ser exercido também em empresas
que não tenham a edição ou distribuição
de noticiário como atividade preponderante”.
Diante disso, o voto, aprovado
por unanimidade pela SID-1, rejeitou os embargos e manteve a condenação
ao pagamento de horas extras. (E-RR 706251/2000.9)
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10/04/2008
Acordo em ação anterior impede
aposentado de receber diferenças de FGTS
A CLT determina que, no caso
de conciliação, o termo lavrado valerá como decisão
irrecorrível. Assim, na hora de assinar acordo judicial, o trabalhador
deve estar consciente das implicações da transação.
Foi o que não aconteceu com um ex-bancário de Londrina.
Depois de fazer acordo em juízo, em abril de 1997, e dar quitação
ampla e geral do objeto da reclamação e da relação
jurídica com o Banco do Estado do Paraná S.A., ele ajuizou
nova ação para receber diferença da multa de 40%
sobre depósitos do FGTS decorrente da restituição
de índices inflacionários não incluídos na
correção da sua conta. Sua pretensão não
foi reconhecida pela Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
nem por nenhuma outra instância da Justiça do Trabalho.
O trabalhador paranaense, já aposentado,
alegou que a transação anterior não alcançava
as diferenças da multa sobre depósitos do FGTS, decorrentes
dos expurgos inflacionários dos planos econômicos Verão
(42,72%) e Collor (44,80%). Segundo ele, o direito surgiu com a edição
da Lei Complementar nº 110/01, de 30/06/01. Para o ex-empregado
do Banco do Estado do Paraná S.A., sucedido pelo Banco Itaú S.A.,
na ocasião do acordo ainda não havia nascido para si o
direito à ação, porque não haveria como transacionar
aquilo que estaria por vir e que só nasceu muito posteriormente
ao ato de abril de 1997, ou seja, em junho de 2001.
Para o relator do recurso de
revista no TST, ministro Alberto Bresciani, não se pode dizer
que o direito tenha surgido com a edição da Lei Complementar
nº 110/01. O ministro cita a situação dos contratos
individuais de trabalho extintos antes da edição da lei,
que, se fosse assim, estariam irremediavelmente fora da correção
do saldo do FGTS que leva à diferença requerida pelo ex-bancário.
Para o relator, “o direito surge pela inobservância dos índices
inflacionários, nos períodos de tempo que os vinculam,
restringindo-se às relações de emprego dissolvidas
após aqueles momentos”.
A questão, neste caso,
está nas condições do acordo feito na primeira reclamação,
quando o empregado recebeu R$ 50.922,55. O ministro Bresciani esclarece
que, no caso de conciliação, o termo lavrado vale como
decisão irrecorrível, apresentando-se como sentença
e produzindo efeitos de coisa julgada a ponto de somente por ação
rescisória ser atacável. Ao se dar quitação
ampla pelo extinto contrato de trabalho, ela é definitiva e alcança
a obrigação pleiteada, que já não pode ser
reclamada.
A Terceira Turma, ao julgar o
mérito, negou provimento ao recurso do aposentado. O relator ponderou
que o trabalhador estava ciente da extensão do ato que praticava,
em abril de 1997, e destacou a cautela da 1ª Vara do Trabalho de
Londrina, ao registrar a advertência: “A parte autora, neste
ato, depois de advertida, aceita o acordo, outorgando à reclamada
ampla e geral quitação ao objeto da presente reclamatória
e da relação jurídica havida entre as partes, para
nada mais reclamar, em qualquer juízo, foro ou instância”.
(RR-4730/2004-018-09-00.0)

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