 |
Agência Diap, 11 de
abril de 2008
PISO NACIONAL
Senado aprova política permanente
de atualização do mínimo
A Casa aprovou também
projeto de lei que extingue o fator previdenciário e a proposição
que atualiza as aposentadorias e pensões, nos mesmos patamares
percentuais que forem atualizados o salário mínimo
Na noite desta quarta-feira (9), o Senado aprovou várias proposições
importantes para os assalariados, aposentados e pensionistas. Por unanimidade,
a Casa aprovou o PLC 42/07, do Executivo, que garante reajustes anuais do salário
mínimo até 2011, recebendo sempre a inflação passada
acrescida do mesmo percentual do crescimento real da economia de dois anos
antes.
Uma emenda do senador Paulo Paim (PT/RS) obrigará o projeto a retornar
ao exame da Câmara. Mas trata-se de uma alteração de amplo
e importante alcance social, pois estende essa política de valorização
e atualização do mínimo às aposentadorias e pensões.
Assim, no dia 1º de fevereiro de 2009, o salário mínimo
e as aposentadorias receberão, além da inflação
de 2008, um aumento de 5,4%, que foi o percentual do crescimento do Produto
Interno Bruto de 2007, caso prevaleça Câmara o texto aprovado
no Senado e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vete esta
alteração. Entenda o que propõe o PLC 42, que na Câmara
tramitou como PL 1/07.
Fim do fator previdenciário
A Casa também aprovou o PLS 296/03, do senador Paulo Paim, que extingue
o chamado "fator previdenciário" e modifica a forma de cálculo
dos benefícios da Previdência Social. Agora, o projeto segue para
o exame da Câmara dos Deputados.
O fator previdenciário é um redutor das aposentadorias, que é calculado
considerando, na data de início do benefício, a idade e o tempo
de contribuição do segurado, a expectativa média de sobrevida
para ambos os sexos e uma alíquota de 31%, que equivale à soma
da alíquota básica de contribuição da empresa (20%)
e da maior alíquota de contribuição do empregado (11%).
Aposentadorias e pensões
Para completar o “pacote de bondades”, o Senado aprovou ainda na
noite desta quarta-feira requerimento dispensando o parecer da Comissão
de Assuntos Econômicos (CAE) ao PLS 58/03, de autoria de Paim, que trata
da atualização das aposentadorias e pensões pagas pela
União e pela Previdência Social.
A matéria, assim, segue direto para a Comissão de Assuntos Sociais
(CAS), onde tramita em regime terminativo, isto é, sendo aprovado neste
colegiado, se não houver recurso contrário à decisão,
o projeto segue direto para exame da Câmara. A aprovação
destes projetos é a síntese do incansável trabalho das
entidades representativas dos aposentados e pensionistas e também da
tenacidade do senador Paulo Paim. (Com Agência
Senado)
|
AGÊNCIA SINDICAL, 11
de abril de 2008
Trabalhadores da construção
civil conquistam contrapartida social no PAC
Os trabalhadores da construção
civil que vão atuar em obras do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) serão beneficiados por contrapartidas sociais
nas obras com investimentos públicos, bandeira erguida pelas Centrais
Sindicais desde o anúncio do programa no início do segundo
mandato do presidente Lula.
Até o fim deste ano, 1
milhão e 350 mil trabalhadores do setor terão registro
em Carteira e, depois de contratados, passarão por cursos de qualificação
profissional, com carga horária de 200 horas. Além de técnicas
específicas, os cursos proporcionarão conhecimentos em
segurança do trabalho, combate ao desperdício e legislação
trabalhista e previdenciária.
O projeto educacional receberá R$
150 milhões do Plano Setorial de Qualificação (Planseq),
do Ministério do Trabalho. O valor é o dobro dos R$ 70
milhões que o Planseq aplicou no ano passado, em todos os setores
de atividade. O Ministério do Trabalho, Carlos Lupi, prevê que
o investimento será mantido e ampliado no futuro. “Temos
um desafio que é institucionalizar novas práticas, para
que permaneçam”, afirma o ministro Carlos Lupi
Obras - O presidente da Confederação
Nacional de Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e da Madeira (Conticom/CUT), Waldemar de Oliveira, avalia que “o
aquecimento do mercado e o início de projetos de grande porte,
como hidrelétricas, vão demandar muitos trabalhadores”.
“Esta contrapartida
social vem ao encontro de bandeiras históricas dos trabalhadores,
pois diz respeito a melhores condições de salário,
de ambiente de trabalho e de vida, que agora vão se concretizando”,
afirma Samuel da Silva Freitas, presidente do Sindicato dos Trabalhadores
da Construção Civil de Campo Grande (MS) e da executiva
nacional da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).
|
O ESTADO DO PARANÁ,
11 de abril de 2008 | Economia
FMI vê melhora no potencial
de crescimento do Brasil
Agência Estado
O diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário
Internacional (FMI), Anoop Singh, disse que vê melhora na taxa de crescimento
potencial do Brasil e que ela está sendo ajudada pelos investimentos.
Segundo ele, as economias latino-americanas continuam resistentes à crise
financeira e à desaceleração econômica global, mas
enfrentam um número maior de riscos.
"O crescimento na América
Latina vai desacelerar, sim, em 2008, mas ainda continuará acima
da tendência histórica", afirmou. "Mas nós
vemos riscos de baixa e, neste contexto, nosso principal foco é olhar
para a resistência da região a estes choques", disse
Singh.
Os riscos externos incluem a
possibilidade de que o fluxo de capital para a região seja reduzido
e que os preços das commodities (matérias-primas) caiam
mais do que o esperado, acrescentou. Os riscos domésticos incluem
inflação maior como resultado da forte demanda doméstica,
assim como preços mais altos dos alimentos. As políticas
macroeconômicas também continuam pró-cíclicas
- apesar das melhoras -, o que está refletido no forte crescimento
do crédito e dos gastos do governo, disse Singh.
"As recentes pressões
inflacionárias continuam um importante teste para a autonomia
dos bancos centrais em controlar uma segunda rodada de efeitos dos preços
dos alimentos e do recente crescimento muito rápido do crédito",
afirmou. Ele estimulou os governos a ajudarem os bancos centrais, mantendo
outras partes da política mais flexíveis, tais como taxa
de câmbio flutuante. As informações são da
agência Dow Jones.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
11 de abril de 2008 | Política
Partidos têm até segunda-feira
para entregar lista de filiados à Justiça Eleitoral
Tribunal Superior Eleitoral
O prazo para os partidos entregarem
a lista de seus filiados à Justiça Eleitoral termina na
próxima segunda-feira (14). A entrega da relação é uma
determinação da Lei dos Partidos Políticos 9.096/95.
De acordo com a legislação, para concorrer às eleições
municipais de outubro, os interessados deveriam ter se filiado ao partido
até o dia 5 de outubro do ano passado, ou seja, um ano antes do
pleito.
A lista servirá para a
Justiça Eleitoral verificar o cumprimento dos prazos de filiação
partidária para efeito de candidatura a cargos eletivos. Dela
deverá constar os nomes de todos os filiados, a data de filiação,
o número dos títulos eleitorais e das seções
em que estão inscritos. Se o documento não for remetido
no prazo, o registro de filiados ao partido permanecerá o mesmo
que constou da relação remetida anteriormente, o que pode
prejudicar alguma candidatura a cargo eletivo nas próximas eleições.
Levantamento
Dos 27 partidos políticos
registrados, 20 perderam filiados entre novembro de 2007 e março
deste ano, isso é o que revela um levantamento feito pelo Tribunal
Superior Eleitoral (TSE). Em números absolutos, a maior diminuição
foi do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), que
perdeu 5.897 de seus 2.099.200 inscritos. Em percentual, o Partido Republicano
Progressista (PRP) foi quem mais perdeu filiados: 0,51% dos 180.291 anteriores.
No total, o número de filiados foi reduzido em - 1,58% (32.876),
e hoje soma 12.407.901 de inscritos.
A redução do número
de filiados pode ser em razão da dupla filiação
partidária, que automaticamente cancela a inscrição
nos partidos, e o fato de ter ocorrido a fusão de algumas legendas,
como são os casos do Partido da República, fruto da junção
de PL e PRONA, e da incorporação do PAN pelo PTB. Nestas
situação é comum que haja a desfiliação
voluntária por incompatibilidade com a ideologia da nova agremiação
criada.
Assim como no último levantamento,
quem mais ganhou filiados em números absolutos e em porcentagem
foi o PRB, que agora conta com 122.564 inscritos, 1,30% a mais do que
em novembro de 2007.
Filiados
O PMDB continua sendo o partido
com o maior número de filiados. Apesar da redução
de 0,28%, a legenda soma 2.093.303 inscritos, a única a superar
os dois milhões de filiados. Em seguida está o Partido
Progressista (PP), que totaliza 1.279.524. O terceiro maior partido brasileiro
em inscritos é o PSDB, com 1.196.810 filiados.
O Partido da Causa Operária
(PCO) é quem tem menos filiados: 3.214. O Partido Socialista
dos Trabalhadores Unificado (PSTU) tem 10 mil eleitores a mais e ocupa
a penúltima posição.
|
ESTADÃO.COM/ SÃO
PAULO, 11 de abril de 2008 | Economia
Centrais questionam reajuste do
piso salarial paulista
ANNE WARTH - Agencia Estado
SÃO PAULO - As centrais sindicais vão reivindicar que o reajuste
do piso salarial regional no Estado de São Paulo siga o mesmo critério
utilizado pelo governo federal para aumentar o salário mínimo
nacional - inflação do ano anterior, mais o crescimento do Produto
Interno Bruto (PIB) registrado há dois anos.
Na próxima segunda-feira, às
16 horas, as entidades se reunirão na sede da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), em São Paulo, para propor uma emenda
ao projeto que aumenta os pisos regionais neste ano, proposto pelo governador
José Serra (PSDB) e em tramitação na Assembléia
Legislativa paulista.
Pelo texto, o piso do nível
1, hoje em R$ 410, passaria para R$ 450, reajuste de 9,8%; o piso 2 do
nível 2, de R$ 450, seria elevado para R$ 475, crescimento de
5,6%; e o piso 3, de R$ 490, ficaria em R$ 505, elevação
de 3,1%. O mínimo teve aumento de 9,2% em março, inferior
apenas ao reajuste do piso 1.
O presidente estadual da CUT,
Edílson de Paula, considera os aumentos de 5,6% e de 3,1% insuficientes
e equivocados. "O governo estadual deveria conceder o aumento da
mesma maneira que o federal", disse, em nota.
Ele cita também que a
variação do preço da cesta básica na capital
paulista, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese), foi de 17,2% entre agosto e
fevereiro, superior aos índices propostos pelo governo estadual.
|
CUT, 11 de abril de 2008
Trabalhadores no Comércio
de Minérios e Derivados de Petróleo no DF ganham ação
contra prática anti-sindical
Em 2005 a rede de postos Gasol promoveu
campanha de desfiliação em massa de seus empregados do
Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados
de Petróleono DF, presidido pelo companheiro Raimundo Miquilino.
Na ocasião, a CUT-DF denunciou a rede para a OIT por interferir
na organização sindical dos trabalhadores. Os frentistas
sentiram seus empregos ameaçados caso não se desfiliassem
de seu Sindicato.
Miquilino provou na justiça
a campanha de desfiliação promovida pelos donos da rede
Gasol.
Veja trechos da sentença:
“ Nos autos da ACP 1013/2007,
foi decidido que as reclamadas encamparam o processo desfiliatório,
inclusive com cartaz, produção unilateral das cartas de
desfiliação, pois assombroso o número de empregados
que acataram a desfiliação, importando em fato incomum,
posto que, durante anos não se teve notícia de tamanho
desgosto com o ente sindical a ensejar o desagregamento em massa.
A coação exsurge
da necessidade primária dos obreiros empregados dos réus,
mormente o medo premente da perda do emprego, fato esse concreto e real,
pois sabidamente o empregador detém o poder econômico e
assim surge a desigualdade evidente na relação patrão-empregado.....
....Consoante já declinado,
capital e trabalho não se entendem e as partes bem demonstram
isso. A animosidade provavelmente tem origem em atuação
combativa do ente sindical e outra não poderia ser sua atitude,
caso permaneça fiel aos motivos de sua constituição....
...Indubitável a culpa
das reclamadas que assumiram o risco de sua conduta imprudente ao incitar,
propagar e propiciar os meios da desfiliação de seus empregados,
numa atitude retrógrada, incabível no atual Estado Democrático
de Direito.
Destarte, configurada os três
requisitos comprobatórios da responsabilidade subjetiva, deverá as
rés pagar ao sindicato autor a mensalidade sindical, no valor
unitário de R$ 19,00, durante o ano de 2005 e no valor de R$ 20,30
em 2006 e 2007 e a contribuição assistencial de 15% sobre
a remuneração de cada trabalhador em 2005, 2006 e 2007,
limitada a quantidade de trabalhadores a 788.”
A presente sentença foi
oriunda da audiência ocorrida dia 04 de abril de 2008, presidida
pela juíza do Trabalho Substituta Maria Socorro de Souza Lobo.
Após três
anos de luta por justiça, Miquilino se sente satisfeito com
a sentença judicial, pois o Sindicato foi perseguido justamente
por lutar corajosamente em defesa dos trabalhadores, daí o fato
de seu presidente ser odiado por alguns empresários do setor
de postos de gasolina, que encamparam a campanha de desfiliação
em massa do Sindicato para quebrar financeiramente a entidade, na tentativa
de calar o companheiro.
|
AGÊNCIA SINDICAL, 11
de abril de 2008
Metalúrgicos do ABC recuperam
23% dos empregos perdidos nos anos 90
O crescimento da economia fez
com que a categoria metalúrgica recuperasse 18.150 postos
de trabalho na Região do ABC, em São Paulo, entre os
anos de 2003 e 2007. Depois de perder quase a metade dos postos de
trabalho, a categoria conseguiu recuperar 18.150 vagas entre os anos
de 2003 e 2007. Atualmente, o número de pessoas empregadas
no setor ultrapassa 95 mil metalúrgicos na região.
Estudo da Subseção
Dieese, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, mostra que a abertura
da economia nacional, junto com a adoção das políticas
neoliberais na década passada, provocou um rombo sem precedentes
no nível de emprego na categoria.
“Em 2003, os efeitos de
todo o arranjo neoliberal que veio desde o governo Collor ainda eram
sentidos no nível de emprego. O quadro só volta a mostrar
recuperação no momento em que a economia começa
a ganhar nova dinâmica, após o segundo semestre de 2003”,
diz a técnica do Dieese Zeíra Camargo, responsável
pelo levantamento.
Em 1989, o número de metalúrgicos
empregados nas empresas da região era de 159.200. Quando o atual
governo assumiu o poder, em 2003, a categoria tinha 77.427 trabalhadores
empregados, ou seja, menos da metade (50,5% menor), o nível mais
baixo desde o início dos anos 60. Somente no último ano
a categoria aumentou 5,5%, o que representa mais 4.985 novos postos de
trabalho. Destes, 848 foram ocupados por mulheres.
“Os números
mostram a diferença de tratamento dispensado ao ABC entre o
atual governo e o passado. Por estarmos numa região fortemente
industrializada sentimos muito o golpe das políticas neoliberais”,
resumiu Rafael Marques, secretário-geral do Sindicato.
|
Diário
Vermelho, 11 de abril de 2008
Juros e inflação: duas
manchetes, uma mesma história
Meirelles fez de tudo para
manter o mercado cheio de informações de que o BC
irá aumentar a taxa Selic na próxima reunião
do Comitê de Política Monetária (Copom). O
mercado e o BC, um oxigenando o outro e ambos inflando a expectativa
de alta dos juros. Até que os bancos "viram-se obrigados" a
se antecipar -- aumentando a taxa do cheque especial -- para prevenir
o aumento que ocorrerá só na semana que vem da taxa
básica do BC.
por Tales Faria
para o Blog dos Blogs
Jornal do Brasil e O Globo deram
manchete nesta quinta-feira (10) à questão dos juros.
O Globo: "Inflação vai além do previsto e
BC poderá subir juros logo". JB: "Bancos antecipam
aumento de juros do cheque especial". E qual a história?
A história é a luta hercúlea do presidente do Banco Central,
Henrique Meirelles, para sempre privilegiar o sistema financeiro, seja qual
for a situação.
Antes, sempre que subiam as taxas de juros nos EUA, subiam os juros aqui. Mas
aí veio a crise e a solução para os americanos foi fazer
despencar a taxa básica de juros por lá. Aí era hora de
baixar por aqui também, não é?
Mas veio o BC, com seu Boletim Focus, e começou a apontar risco de a
inflação subir, portanto, a necessidade de elevar a taxa de juros,
segundo os manuais monetaristas, para conter o dragão inflacionário.
Dragão? Inflação em alta? Quanto? 4,73% em 12 meses. 0,23
ponto percentual acima do centro da meta, que é de 4,5%. Vale lembrar
que a meta é 4,5% "mais ou menos 2 pontos percentuais". Ou
seja, de 2,5% a 6,5%. Quer dizer, o índice está perfeitamente
dentro do objetivo oficial determinado pelo Conselho Monetário Nacional.
Aliás, praticamente no centro dessa meta. Mas assim mesmo o Meirelles
quer aumentar a taxa de juros.
O presidente do Banco Central foi ao presidente da República e fez uma
palestra sobre os riscos de volta da inflação, contrariando o
ministro da Fazenda, Guido Mantega, que havia dito a Lula que a crise dos EUA
não tinha grandes influências sobre a economia brasileira.
Meirelles mandou até suspender sua ida ao Senado, combinada anteriormente
para falar sobre a crise americana. Preferiu faltar quando soube que o senador
ia tentar argumentar publicamente contra o aumento dos juros, colocando-o na
berlinda.
Fez de tudo para manter o mercado cheio de informações de que
o BC irá aumentar a taxa Selic na próxima reunião do Comitê de
Política Monetária (Copom). O mercado e o BC, um oxigenando o
outro e ambos inflando a expectativa de alta dos juros. Até que os bancos "viram-se
obrigados" a se antecipar -- aumentando a taxa do cheque especial -- para
prevenir o aumento que ocorrerá só na semana que vem da taxa
básica do BC.
E o povo? Bem, que se dane o povo! Mesmo que isso possa prejudicar a economia
do país, estancar crescimento, etc. Como receita para os EUA, mercado
e FMI abandonaram o monetarismo. Pra cá, arrocham mais.
Fonte: Blog dos Blogs
|
Gazeta do Povo, 11 de abril de 2008
Programa social
Em setembro chega o “bolsa
geladeira”
O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, disse ontem que o governo
vai lançar um programa para famílias de baixa renda, para trocar
10 milhões de geladeiras antigas por novas. Segundo Lobão, o
governo estuda reduzir impostos federais sobre as geladeiras e o financiamento
na venda do eletrodoméstico, para que ele possa pagá-lo “em
prestações módicas”. Lobão previu que o programa
de troca de geladeiras deve ter início em setembro. Questionado por
um jornalista se é possível fazer isso um mês antes das
eleições municipais, o ministro afirmou que o programa “pode
ser adiado”.
|
Folha de São Paulo,
11 de abril de 2008
CNI ataca proposta de reforma do Sistema
S
Entidade vê "viés intervencionista" e "ensaio
de estatização encabulada", mas sindicalistas
apóiam idéia
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A CNI (Confederação
Nacional da Indústria) criticou ontem a proposta de reforma do
Sistema S apresentada pelo governo, que pretende disciplinar a aplicação
de parte dos recursos das entidades.
O presidente da entidade, deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), afirmou
que as mudanças têm um "viés intervencionista" e
são "um ensaio de estatização encabulada".
Conforme a Folha antecipou ontem, a minuta de projeto de lei preparada pelo
governo prevê a criação de um conselho consultivo tripartite
(Executivo, trabalhadores e empresários) para definir regras para a
aplicação de verbas em formação profissional pelo
sistema.
Na avaliação da CNI, as premissas sobre as quais o governo diz
estar formulando a proposta são "questionáveis". "Uma
coisa são políticas públicas que têm enfoque universal.
O Sistema S tem de atender as demandas dos setores e não tem uma visão
igual à do governo."
O vice-presidente financeiro da Confederação Nacional do Comércio,
Gil Siuffo, partilha da mesma opinião. "As premissas estão
erradas. Não há como se diz, por exemplo, falta de transparência
no sistema."
Monteiro e Siuffo afirmam que, diferentemente do que o governo tem afirmado,
os serviços ligados à indústria e ao comércio não
elitizaram seu atendimento e oferecem elevado índice de cursos gratuitos.
Para a Força Sindical, a proposta de criar um conselho consultivo é um
avanço. O presidente da central sindical, deputado Paulo Pereira da
Silva (PDT-SP), adiantou, porém, que apresentará emendas ao projeto
elaborado pelo governo quando a proposta chegar ao Congresso Nacional.
Para o sindicalista Adeilson Telles, da direção nacional da CUT,
a idéia de instituir o conselho consultivo é positiva, pois permite
a participação de trabalhadores nas decisões.
A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil)
disse que ainda não teve acesso a detalhes da proposta e tomou conhecimento
das mudanças pela imprensa.
A CNT (Confederação Nacional do Transporte) disse que ainda não
tem detalhes da proposta para poder comentá-la.
|
Folha de São Paulo, 11 de abril de 2008
Grande maioria do Senado se diz
contra terceiro mandato
65 senadores afirmam rejeitar mudança
da Constituição para permitir nova reeleição
| Por outro lado, 41 dos ouvidos em enquete feita pela Folha declaram
apoiar alteração de mandatos caso nova regra valha
após 2010
LUCAS FERRAZ
SIMONE IGLESIAS
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A maior parte do Senado Federal afirma rejeitar a proposta de alterar a Constituição
para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa disputar um terceiro
mandato consecutivo em 2010. De 67 senadores que opinaram, 65 são contra
sob o argumento de que a medida é "golpe" e "casuísmo".
Apesar disso, a maioria ouvida pela Folha nesta semana, 60% do total, é a
favor de acabar com a possibilidade de reeleição e ampliar os
mandatos -de quatro para cinco anos-, desde que só valha após
2010.
Foram ouvidos 76 dos 81 senadores, sendo que 8 não quiseram se posicionar
e 1-José Maranhão (PMDB-PB)- se declarou indefinido. Apenas Wellington
Salgado (PMDB-MG) e João Ribeiro (PR-TO) defenderam mais uma reeleição
para o petista. "Se a população quiser, por ampla maioria,
temos que acompanhar a sua vontade", disse Ribeiro.
Pesquisa Datafolha publicada em dezembro mostrou que 65% dos ouvidos eram contra
uma re-reeleição para Lula. Para aprovar uma emenda constitucional
no Senado, é necessário o apoio de três quintos da Casa
-49 dos 81 senadores.
A possibilidade de uma mudança nas regras constitucionais voltou a ganhar
força na semana passada após o vice-presidente, José Alencar,
dizer apoiar tal projeto. Com isso, o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), amigo
de Lula, ressuscitou a intenção de apresentar emenda constitucional
para permitir mais de uma reeleição. Lula diz não apoiar
a idéia, mas a avaliação no Congresso é a de que
se ele se empenhar pessoalmente na proposta, ela seria aprovada sem grandes
problemas na Câmara. A maior resistência estaria no Senado.
A Folha também ouviu presidentes de partidos e líderes das principais
bancadas da Câmara. Nenhum deles defendeu o projeto de terceiro mandato.
Segundo a Secretaria Geral da Mesa, tramitam na Câmara 39 propostas de
emenda à Constituição que alteram as regras de reeleição.
No Senado são 13.
" Não podemos mudar a Constituição para resolver problemas
de "A", "B" ou "C". Se é um excelente presidente,
que bom, parabéns para ele, que volte daqui a quatro anos. Transformar
o Brasil na Venezuela é que não dá", diz a senadora
Kátia Abreu (DEM-TO). "
"É possível consolidar um projeto político, de duas
décadas, sem alterar as regras", diz a líder do PT no Senado,
Ideli Salvatti (SC), para quem é "ilógico" o partido
se posicionar pelo terceiro mandato, já que foi contra, em 1997, a proposta
que permitiu a reeleição de Fernando Henrique Cardoso.
Apesar do aparente repúdio à idéia, alguns dos que se
declaram contra afirmam que a idéia não é descartada nos
bastidores. "Lula está tão popular que pode escolher até o
candidato da oposição", diz o deputado Mario Negromonte
(PP-BA).
Devanir Ribeiro não começou a recolher as 171 assinaturas necessárias
para apresentar seu projeto e afirma que ainda está alterando o texto.
Ele diz que vem recebendo sugestões, entre elas a de uniformizar todos
os mandatos em cinco anos, o que aumentaria o de deputados em um ano e diminuiria
o dos senadores em três.
Em jantar com cerca de 10 petistas na noite de anteontem, Devanir disse ter
ouvido opinião para apresentar um outro projeto, de plebiscito, para
que a população decida se Lula pode disputar novo mandato.
Ao mesmo tempo em que o Senado aparenta rejeitar a idéia de que Lula
possa ficar 12 anos seguidos no poder, também quer acabar com a reeleição
e ampliar os mandatos. Dos 63 senadores que opinaram, 41 apóiam a proposta,
desde que valha de 2010 em diante. Apenas 5 manifestaram que aqueles que estivessem
na primeira gestão poderiam disputar novo mandato imediatamente; 22
senadores são contra.
Indagados sobre a possibilidade da população ser provocada em
um plebiscito para se manifestar sobre as mudanças, apenas 15 senadores
afirmaram ser favoráveis à idéia.
|
Folha de São Paulo, 11 de abril de 2008
Lula avalia que 3º mandato o
enfraquecerá
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Lula avalia que se embarcar na tese do terceiro mandato consecutivo
enfraquecerá seu poder nos dois últimos anos do mandato atual.
E dinamitará sua liderança política futura com a marca
do casuísmo.
Lula crê que mudar a Constituição exige um preço
alto em cargos e favores a aliados. Setores da sociedade, sobretudo estratos
médios e mais escolarizados, combateriam a idéia. Para o petista, é uma
guerra que, se ganha, trará mais sangue do que glória.
Seu projeto é investir no PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) para tentar deixar um legado de mudanças na infra-estrutura.
Acrescente-se a isso manter o crescimento da economia na casa dos 5% anuais
e continuar a investir em programas sociais. Com esse tripé, Lula acha
que deixará o poder com alta popularidade.
Fã das metáforas futebolísticas, o presidente diz em privado: "O
Pelé parou de jogar no auge". Aos mais próximos Lula afirma
que, depois de tentar eleger o sucessor, irá tomar "uma cervejinha" no
sítio "Los Fubangos", em São Bernardo do Campo.
Se o cenário de alta popularidade se confirmar, Lula considera que se
beneficiará de uma espécie de "efeito Getúlio Vargas" nos
anos seguintes a 2010.
No final do Estado Novo, em 1945, Vargas foi deposto após 15 anos de
poder. Apoiou a eleição do general Eurico Gaspar Dutra e se retirou
para a estância em São Borja (RS). Uma onda queremista foi buscá-lo
nos pampas. Vargas retornou constitucionalmente eleito em 1950.
O projeto de Lula é disputar um novo mandato em 2014 ou em 2015, a depender
da regra. O presidente apóia o fim da reeleição e a volta
do mandato de cinco anos. Mas rejeita uma brecha que lhe permita concorrer
em 2010.
|
Diário Vermelho, 11
de abril de 2008
Aécio sugere "parceria" entre
PSDB, PMDB e PT em 2010
O governador de Minas Gerais,
Aécio Neves, defendeu nesta quinta-feira uma união de seu
partido, o PSDB, com o PMDB e o próprio PT após a eleição
presidencial de 2010 em torno de projetos comuns, como as reformas.
" A parceria PSDB, PMDB
e PT eu queria que fosse no processo eleitoral, se não for possível,
que seja depois. Após 2010 os vitoriosos deveriam se sentar com
os derrotados e fazer compromissos em torno de reformas", disse
Aécio a jornalistas no Palácio do Planalto, após
se reunir com o presidente em exercício José Alencar (PRB).
"É preciso acabar
com a radicalização política", afirmou o governador,
potencial candidato nas próximas eleições presidenciais.
A radicalização, no seu entender, começou com o
PT no governo do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Para Aécio, a oposição não pode ser contra
um projeto, como o da reforma tributária, só porque ele é de
autoria do governo.
O governador voltou a declarar que não cogita trocar o PSDB pelo PMDB
apesar do assédio que os peemedebistas vêm lhe fazendo, em constantes
encontros.
Na quarta-feira à noite,
Aécio participou de uma homenagem realizada pela cúpula
do PMDB em Brasília a seu avô, o ex-presidente Tacredo Neves.
Na ocasião ele admitiu participar junto com o PMDB de um projeto
político comum para o Brasil.
Alencar, à frente da Presidência
enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em
visita à Holanda e à República Tcheca, foi convidado
por Aécio para ser o orador das comemorações da
Inconfidência Mineira em 21 de abril em Minas Gerais.
Já a bancada do PMDB na Assembléia Legislativa de Minas Gerais
decidiu boicotar o jantar. A decisão, "tomada por ampla maioria" da
bancada, foi comunicada em nota pelo líder Gilberto Abramo, sob justificativa
de que a eventual participação poderia ser explorada como "disposição
em participar” dos entendimentos em curso em Belo Horizonte em torno
da tese da aliança PT-PSDB.
Ainda no comunicado, a bancada, "coerente
com os anseios das bases”, "renova seu compromisso com a candidatura
própria”, que, diz a nota, "além de "indispensável à chapa
de vereadores”, é "fundamental por irradiar para mais
de 60% do território de Minas reforçando nossas candidaturas
pelo Estado afora”.
Fonte: O Globo
|
FOLHA DE LONDRINA, 11 de
abril de 2008 | Política
82% dos chefes de Executivo podem
disputar reeleição
Curitiba - Dados da Confederação Nacional de Municípios
(CNM) dão conta de que 82% dos prefeitos de municípios paranaenses
poderão disputar reeleição neste ano. Dos 399 municípios
do Estado, 328 têm prefeitos exercendo o primeiro mandato - 17 deles
porque assumiram cargos de prefeitos eleitos que se afastaram ou foram afastados
de seus postos desde as últimas eleições municipais.
Segundo os levantamentos da CNM,
cerca de 58% dos prefeitos que disputam a reeleição em
todo o Brasil costumam se reeleger efetivamente. No país, 78%
dos prefeitos (4348) terão condições de disputar
a reeleição, embora historicamente somente 62% (2696) costumem
se candidatar novamente ao cargo.
No Paraná, desde
2004 foram cassados os prefeitos dos municípios de Bocaiúva
do Sul, Itaperuçu, Jaguariaíva, Juranda, Kaloré,
Mandaguari, Nova Tebas, Perobal, Rebouças, Rio Branco do Sul,
Santa Fé e Santo Antônio da Platina. Deixaram o posto
por outros motivos os prefeitos de Fênix, Pinhais, Cafezal do
Sul, Cerro Azul e Goioxim. (R.S.)
|
FOLHA DE LONDRINA, 11 de
abril de 2008 | Política
Chinaglia quer R$ 61 mil para deputados
federais
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse ontem que pretende
conceder neste mês o aumento da verba de gabinete dos deputados, dinheiro
que é usado para pagar o salário de funcionários contratados
sem concurso pelos parlamentares. Atualmente, a verba é de R$ 50,8 mil
para a contratação de no mínimo cinco e no máximo
25 funcionários por gabinete. A tendência, segundo membros da
Mesa Diretora da Casa, é que o valor passe para cerca de R$ 60,9 mil,
o que significaria um reajuste de 20%, enquanto a inflação medida
entre dezembro de 2005 - data do último aumento -e o mês passado
foi de 9,8%.
Chinaglia disse que deve anunciar
o valor do aumento na semana que vem. Para entrar em vigor, o reajuste
apenas tem que passar pela aprovação da maioria dos sete
membros da Mesa Diretora. A Câmara conta com 9,5 mil secretários
parlamentares, nome dado aos funcionários dos gabinetes contratados
sem concurso, cujos salários vão de R$ 721 a R$ 8.040.
Maria Clara Cabral
Folhapress
|
FOLHA DE LONDRINA, 11 de
abril de 2008 | Curitiba
Ongs rumo à profissionalização
Cada vez mais gente busca associar o apoio às
causas sociais ao desenvolvimento da carreira
Houve um tempo em que atuar em instituições sem fins lucrativos
era sinônimo de trabalho voluntário, sem remuneração.
Essa situação, no entanto, vem mudando rapidamente e as chamadas
Ongs (Organizações Não-Governamentais)atraem cada vez
mais profissionais que buscam associar o apoio às causas sociais ao
desenvolvimento da carreira.
Pesquisa realizada pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2006, traçou
o perfil deste segmento que, há pelo menos duas décadas,
vem apresentando forte crescimento no País. Pela primeira vez
nas contas nacionais, o instituto verificou a importância do terceiro
setor na economia brasileira.
Após a primeira fase,
nos anos 70 e 80, caracterizada pela formação dos movimentos
sociais, muitos com o objetivo de confrontar o então regime da
ditadura militar, e da etapa de institucionalização desses
movimentos - a partir da redemocratização do país
-, as Ongs trilham hoje a trajetória da profissionalização
e do amadurecimento.
''As instituições
sem fins lucrativos, como associações, fundações
e institutos, que recebem o apelido de Ongs, são atores econômicos
assim como as empresas. Empregam, geram produtos e tornaram-se importantes
parceiros do Estado na realização de projetos'', ressalta
a professora Ana Lúcia de Santana, coordenadora do Núcleo
Interdisciplinar de Estudos sobre o Terceiro Setor (Nits) da Universidade
Federal do Paraná (UFPR).
Fundado em 2003, o Nits, de acordo
com Ana Lúcia Santana, tem por finalidade incentivar a pesquisa
e estudar as práticas bem-sucedidas do terceiro setor, além
de contribuir com a formação dos interessados em desenvolver
a carreira no âmbito do terceiro setor.
O Núcleo está oferecendo
a quarta turma do curso de aperfeiçoamento ''Ongs: princípios
fundamentais para sua criação e manutenção'',
que atrai profissionais de diversas áreas, como advogados, psicólogos
e engenheiros.
''Cada vez mais, em qualquer
que seja a área, não podem ser formados (pelas universidades)
apenas técnicos. É preciso formar cidadãos, pessoas
que consigam perceber o todo'', destaca Ana Lúcia Santana.
Nova geração
Estudante do 7º período
do curso de serviço social, Juliana Moraes, 24 anos, está em
sua segunda experiência no terceiro setor. Desde janeiro, ela atua
como estagiária do Centro de Referência do Grupo Dignidade,
entidade que apóia homossexuais. ''Trabalhei antes em uma Ong
que promovia a inclusão de adolescentes de baixa renda. O terceiro
setor é uma nova porta que se abre para os profissionais'', comenta.
Diferentemente do que ocorria
no início da organização dos movimentos sociais,
hoje, é possível afirmar que a atuação em
Ongs independe da adesão a uma causa específica. ''Antes
de trabalhar no Grupo Dignidade, eu nunca tinha ouvido falar em público
GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros)'', admite
a estudante de psicologia Carlisy Stamm, 22 anos, que é heterossexual,
assim como Juliana e Luana Sampaio, 20 anos.
''Meu pai é muito conservador.
No início, estranhou a escolha que fiz por esse trabalho. Já o
meu namorado me apoiou, até veio conhecer o grupo'', diz a aluna
do curso de direito, outra representante da nova geração
do terceiro setor.
Profissionais em formação,
Carlisy, Juliana e Luana têm o perfil esperado por quem está à frente
da administração das entidades.''As comunidades (da periferia)
deixaram de ser coadjuvantes na sociedade. Precisamos de gente capacitada
e preparada que possa contribuir com os projetos dessas comunidades,
de forma cada vez mais profissional'', afirma Davi Gabriel, presidente
da Central Única das Favelas (Cufa) no Paraná.
A recente polêmica envolvendo
o repasse de verbas do governo federal destinados a Ongs, que motivou
a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) no Senado, é considerada uma iniciativa positiva pela professora
Ana Lúcia Santana.
''É fundamental que haja
o controle social sobre as entidades. Quem destinou os recursos também
tem que responder pelos convênios e contratos firmados'', argumenta
a coordenadora do Nits. Segundo ela, ter ''uma cesta de recursos'', evitando
manter o governo como único parceiro é muito importante
para a sobrevivência das instituições.
Luiza Xavier
Equipe da Folha
|
FOLHA DE LONDRINA, 11 de
abril de 2008 | Curitiba
Entidades também são
obrigadas a prestar contas
As entidades do terceiro setor que se beneficiam de filontropia, ou seja, não
tem finalidade lucrativa, são isentas do imposto de renda e de demais
contribuições, inclusive da Previdência Social. No entanto,
essas instituições que, normalmente, sobrevivem de doações
e subvenções são obrigadas a prestar contas aos órgãos
fiscalizadores do governo.
''Elas são obrigadas a
prestar contas ao Tribunal de Contas, ao Conselho Nacional de Assistência
Social (CNAS) e precisam entregar a Declaração de Imposto
de Renda Pessoa Jurídica, informando o quanto receberam e o quanto
pagaram. Além disso, têm de provar que não distribuíram
lucros aos dirigentes das entidades'', explica Narciso Doro Jr., presidente
do Sindicato dos Contabilistas de Curitiba.
Segundo ele, também é necessário
que as Ongs repassem ao INSS o valor descontado dos seus empregados.
Os profissionais que atuam nestas entidades como funcionários
têm os mesmos direitos daqueles que trabalham em uma empresa privada,
sendo regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
''Porém, as obrigações
das entidades são diferenciadas, por não existir a tributação
sobre a mão-de-obra, com exceção do Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço (FGTS), que continua sendo obrigatório'',
ressalta Doro Jr.
Quem pretende abrir uma entidade
sem fins lucrativos deve, primeiramente, ter um projeto viável
e a consciência de que o foco principal desse tipo de instituição é cobrir
lacunas deixadas pela admnistração pública, adverte
o especialista.
''É preciso entender que
se for uma entidade sem finalidade lucrativa com interesse em obter o
certificado de utilidade pública federal, estadual e municipal,
terá a responsabilidade principal de prestação de
contas, através de um contabilidade regular'', acrescenta o presidente
do Sincontiba.
Em artigo publicado pelo
Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre o terceiro Setor (Nits),
o advogado e professor Leandro Martins de Souza, colaborador da entidade,
faz um alerta semelhante: ''criam-se entidades por elã, por
moda, sem a respectiva responsabilidade derivada, não à toa
se observa um sem número de instituições inoperantes,
que servem somente para figurar nas estatísticas''. (L.X.)
|
FOLHA
DE LONDRINA, 11 de abril de 2008 | Curitiba
IBGE calcula participação
econômica do terceiro setor
Dados de um levantamento
realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), em 2006. mostram a participação oficial de
1,4% do terceiro setor na formação do Produto Interno
Bruto Brasileiro (PIB), o que significa um montante de, aproximadamente,
R$ 32 bilhões.
Ainda de acordo com o estudo,
o primeiro do gênero, o Brasil tem hoje cerca de 300 mil Ongs
em atividade. Os números a respeito das pessoas empregadas
por essas organizações ainda são imprecisos.
Porém, especialistas
indicam que 4,5 milhões de trabalhadores, ou seja, 2,5%
da mão-de-obra nacional já estariam atuando em instituições
que compõem o terceiro setor. A Pesquisa das Entidades de
Assistência Social Privadas sem Fins Lucrativos (PEAS) foi
realizada em convênio com o ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome. (L.X.)
|
Agência Diap, 11 de
abril de 2008
EMPREGO
Teletrabalho será incluído
na CLT; aprova Comissão de Ciência e Tecnologia
O trabalho realizado à distância
passará a ser protegido pela Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT), segundo estabelece o Projeto de Lei da Câmara
102/07, que recebeu nesta quarta-feira (9) parecer favorável da
Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação,
Comunicação e Informática (CCT). A proposta será ainda
examinada pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e pelo plenário
do Senado.
Atualmente, segundo o artigo 6ª da CLT, não há distinção
entre o trabalho realizado no estabelecimento do empregador e o executado no
domicílio do empregado, "desde que seja caracterizada a relação
de emprego".
O projeto aprovado inclui nesse
dispositivo o trabalho realizado a distância. O chamado "teletrabalho" já está previsto
nas leis de países como Portugal e Chile, segundo observa em seu
voto o relator do projeto, senador Cristovam Buarque (PDT/DF).
“Esse é o caminho
do futuro, principalmente quando se percebe a situação
dos engarrafamentos que existem nas grandes cidades” disse Cristovam,
ao defender a proposta.
Benefícios
O trabalho a distância, na opinião do relator, pode favorecer
tanto os empregados quanto os empregadores. Os primeiros, pela possibilidade
de escolherem o local onde executarão suas tarefas - desde que o local
esteja conectado por meio eletrônico à sua empresa.
Quanto aos empregadores, observa o relator, haverá a possibilidade de
redução de custos.
Atualização
da CLT
Para Cristovam, a aprovação do projeto não esgota a necessidade
de atualização da CLT, em vigor há mais de 60 anos. O
texto atual, na sua opinião, defende quem já está empregado.
Mas muitas vezes dificulta a obtenção de um posto de trabalho
por quem se encontra desempregado.
O senador lembrou ainda
que tramita no Senado projeto de lei de sua autoria que estabelece
a concessão, pelos empregadores, de licenças aos empregados
que passarem por cursos de qualificação profissional.
(Com Agência Senado)
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
11/04/2008
TST valida ação ajuizada em
local diferente da prestação de serviço
É válida a ação
trabalhista ajuizada em local distinto daquele em que foi firmado o contrato
de trabalho? Para a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
sim. Posicionamento neste sentido foi firmado em voto do ministro Lelio
Bentes Corrêa, que manteve decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da 22ª Região (PI) sobre a matéria, em
ação movida por um bancário aposentado.
Condenado ao pagamento de diferenças
de aposentadoria, o Banco do Brasil recorreu no intuito de reformar a
sentença. Entre outros aspectos, defendeu a incompetência
da Vara do Trabalho de Teresina (PI), onde foi ajuizada a ação,
pelo fato de o autor da ação ter firmado seu contrato em
Parnarama, no Maranhão. Após o TRT refutar essa argumentação,
o banco recorreu ao TST, insistindo na mesma tese de incompetência
territorial. Alegou ofensa ao artigo 651 da CLT, que regulamenta a matéria,
e apresentou precedentes para reforçar sua sustentação.
Em relação à alegada
violação da CLT, o ministro Lelio Bentes Corrêa,
considerou que a regra geral da competência em razão do
lugar, estabelecida com base no local da prestação dos
serviços, comporta exceções – entre elas,
a do viajante comercial, hipótese em que a competência será da
Vara do Trabalho da localidade em que a empresa tenha agência ou
filial e, na falta desta, da Vara do domicílio do empregado. Citou
o dispositivo da CLT que faculta ao empregado, sempre que empreender
atividades fora do lugar da celebração do contrato, escolher
entre o foro do contrato e o da prestação dos serviços.
“O TRT/PI consigna
o pleno exercício do direito de defesa pelo banco”, ressaltou
o relator. “Em se tratando de incompetência relativa, e
não tendo sido demonstrada a ocorrência de prejuízo,
deve-se prestigiar a economia processual, prevenindo o desperdício
de recursos humanos e materiais que por certo haveria caso se determinasse
a nulidade do processado e a conseqüente repetição
de todos os atos processuais praticados até o presente momento”.
O ministro lembrou que “a medida se impõe até por
força do artigo 5º, LXXVIII, da Constituição
Federal, que positivou no ordenamento jurídico pátrio
o princípio da celeridade, ao assegurar a todos o direito a
uma duração razoável do processo”. (RR 744914/2001.3)
|
11/04/2008
Prescrição bienal também
se aplica ao trabalhador avulso
A prescrição aplicável
ao trabalhador avulso é a mesma prevista para o trabalhador com
vínculo de emprego. Com este entendimento, fundamentado no artigo
7º, inciso XXIX da Constituição Federal, a Sexta Turma
do Tribunal Superior do Trabalho deu provimento a recurso interposto
pelo Órgão Gestor de Mão-de-Obra do Serviço
Portuário Avulso do Porto Organizado de Paranaguá e Antonina
(OGMO/PR) e extinguiu processo movido por um grupo de quatro trabalhadores
portuários avulsos.
Os portuários, contratados
como conferentes pelo OGMO, ajuizaram reclamação trabalhista
contra a Agência Marítima Orion Ltda. Na inicial, informaram
que pertenciam à categoria dos trabalhadores portuários
avulsos, vinculados ao Sindicato dos Conferentes de Carga e Descarga
nos Portos do Estado do Paraná, e prestavam serviços aos
operadores portuários, sob supervisão e fiscalização
do OGMO. Este, além de fiscalizar normas de higiene e segurança,
zela pelo correto pagamento dos trabalhadores portuários requisitados.
Ainda de acordo com a inicial,
o OGMO teria instituído, em fevereiro de 1997, um sistema de fiscalização,
visando constatar a presença do conferente no local de trabalho
e a utilização adequada dos equipamentos de segurança.
Sentindo-se prejudicados pelo que consideram falhas no sistema de controle
de presença, os trabalhadores pleitearam, judicialmente, a invalidade
dos registros efetuados pelo OGMO e a devolução de valores
descontados em função de cortes. A empresa e o OGMO foram
condenados, solidariamente, ao pagamento dos dias descontados e reflexos,
com juros e correção.
Ao recorrer ao TST, o OGMO alegou
que os trabalhadores, na condição de avulsos, formam contrato
de trabalho atípico com seus tomadores de serviços, os
operadores portuários. Por se tratarem de vários contratos
individuais e independentes, e não contínuos, embora com
curtíssimo período de duração, seria perfeitamente
aplicável ao caso o previsto na Constituição Federal
(artigo 7º, inciso XXIX) – que determina a aplicação
da prescrição bienal a partir da extinção
do contrato de trabalho. O Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
(PR) adotou a prescrição qüinqüenal.
O relator do recurso, ministro
Aloysio Corrêa da Veiga, observou em seu voto que a Constituição
Federal se refere a “relações de trabalho” de
forma ampla. Desta forma, não caberia restringir sua aplicação às
hipóteses de serviços com vínculos de emprego. A
aplicação da prescrição qüinqüenal
ao trabalhador avulso, portanto, fere a literalidade desse dispositivo. “A
decisão, ao deixar de determinar a prescrição bienal
a que se refere o artigo 7º, XXIX da Constituição,
deu tratamento diferenciado não previsto na norma constitucional”,
afirmou, lembrando que a regra imposta no inciso XXXIV do mesmo artigo
estabelece a igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo
de emprego permanente e o trabalhador avulso.
Seguindo o voto do relator, a
Sexta Turma reformou a decisão do TRT/PR e, declarando a prescrição,
extinguiu o processo com julgamento do mérito. (RR-51734/2001-022-09-00.4)
|