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Agência Câmara,
12 de abril de 2008
CNC e CNI criticam proposta de reforma
no Sistema S
O presidente da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), deputado Armando Monteiro (PTB-PE), e o vice-presidente da Confederação
Nacional do Comércio (CNC), Luiz Gil Siuffo, afirmaram nesta quinta-feira
que o chamado "Sistema S" não foi criado para atender
a políticas públicas, e sim às demandas dos setores.
As declarações, dadas aos integrantes das
frentes parlamentares em Defesa das Políticas Públicas
de Juventude e em Defesa da Educação Profissional,
são uma resposta às críticas feitas
pelo governo ao sistema quando foi anunciada a intenção
de enviar um projeto de lei ao Congresso para reformar o
modelo atual (criando um fundo de educação
profissional, com parte dos recursos do Sistema S, para apoiar
a formação educacional de nível médio).
O Sistema S é formado por entidades como o Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), que oferecem
cursos de profissionalização por meio de recursos
parafiscais (contribuições compulsórias
dos empregadores sobre a folha de salários dos funcionários).
Critérios de atendimento
O ministro da Educação, Fernando Haddad, teria afirmado
que o sistema hoje não tem critérios de atendimento, é elitista
e se concentra em cursos de pequena duração. Armando
Monteiro explicou que o principal critério de atendimento é a
demanda dos setores. Ele disse ainda que 51% das matrículas
são gratuitas e que 70% dos alunos vêm do ensino público.
Monteiro disse que é falsa a idéia de que cursos de pequena
duração têm baixo impacto na vida profissional.
O dirigente da CNC afirmou ainda que, em 2007, o Senac atendeu
1,1 milhão de estudantes, sendo que 700 mil deles
não tiveram que pagar pelos cursos e alguns ainda
receberam bolsa-alimentação e transporte.
Sem diálogo
O governo avalia que, como o Sistema S funciona com recursos parafiscais,
os cursos deveriam estar atrelados a políticas públicas.
Monteiro discorda dessa visão e critica o fato de o governo
ter elaborado uma proposta sem dialogar com as entidades que compõem
o Sistema S: "Quando vamos discutir reforma sindical, reforma
trabalhista, nos remetem a um fórum; como é que se pode
pretender reformar um sistema que cumpre reconhecidamente o seu papel,
com instituições que têm 60 anos, sem um diálogo
com os setores que têm a responsabilidade de gerir esse sistema?"
Fundo para formação
O ministro Haddad informou no último dia 2, em reunião
na Câmara, que a idéia do governo é destinar parte
dos recursos à criação de um fundo contábil
para apoiar a formação educacional de nível médio.
O presidente da Frente Parlamentar em Defesa das Políticas
Públicas de Juventude, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG),
reconheceu que a forma de tratamento do assunto pelo governo
não foi a melhor, mas afirmou que o objetivo é redirecionar
esforços para o ensino técnico de nível
médio. "O governo parte de algumas premissas:
não vai mudar a gestão, não vai haver
ingerência nos recursos, vai ser respeitado o percentual
de cada confederação." Ele acrescentou
que o governo busca dar resposta à parte da população
que não terá em médio e longo prazo
acesso à universidade.
O deputado Pedro Wilson (PT-GO) advertiu que é preciso
haver cautela na discussão sobre a criação
do fundo para não repetir as más experiências
no uso de recursos do FAT nos anos 90, quando quadrilhas
especializadas na criação de cursos de fachada
receberam verbas desse fundo.
Gil Siuffo criticou as acusações de que não
há transparência na gestão das entidades
do Sistema S. Ele afirmou que essas entidades são
constantemente auditadas pela Corregedoria-Geral da União. "Nós
administramos esse sistema como administramos as nossas empresas.
Há uma grande diferença [em relação
ao sistema público de ensino]", disse.
Atualmente, tramita na Casa o Projeto de Lei 1754/07, do
deputado Átila Lira (PSB-PI), que reserva no mínimo
30% dos recursos do Sistema S para o financiamento de vagas
gratuitas em cursos para alunos de baixa renda.
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Agência Câmara,
12 de abril de 2008
Entidades do Sistema S vão
discutir reforma com o MEC
Representantes do Sistema S vão discutir, com técnicos
do Ministério da Educação, a proposta do governo
de reforma no processo de ingresso nos cursos profissionalizantes oferecidos
por entidades como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
(Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).
A reunião será intermediada pelas frentes
parlamentares em Defesa das Políticas Públicas
de Juventude e em Defesa da Educação Profissional,
do Ensino a Distância e Novas Tecnologias - que, nesta
quinta-feira, promoveram audiência pública sobre
o assunto.
Durante o debate, representantes da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), da Confederação
Nacional do Comércio (CNC) e do Serviço Nacional
de Aprendizagem Rural (Senar) criticaram a proposta do governo,
que prevê a criação de um fundo, com
parte dos recursos do Sistema S, para apoiar a formação
educacional de nível médio.
Todas as entidades reclamaram que não foram consultadas
durante a elaboração da proposta. O secretário-executivo
do Senar, Daniel Carrara, também criticou a proposta
do governo. "Fomos surpreendidos. Nem conhecemos o projeto",
disse.
Conselhos deliberativos
Carrara disse que o Senar tem conselhos deliberativos, dos quais participam
representantes de trabalhadores, empresário e governo. Segundo
ele, a melhor forma de fazer ajustes no Sistema S seria por meio desses
conselhos.
Ele assinalou que a proposta do governo critica a distribuição
dos recursos nos estados, já que recebe mais quem
arrecada mais. Carrara explicou, no entanto, que o Senar
já tem fundos de equalização para redistribuir
recursos para estados que arrecadam menos. Segundo ele, muitos
dos que criticam o Senar não conhecem o trabalho da
entidade, que é essencialmente voltado para trabalhadores
rurais (90% dos atendimentos beneficiam esse público).
Reportagem - Sílvia Mugnatto/
Rádio Câmara
Edição - Regina Céli Assumpção
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Agência Diap, 12
de abril de 2008
RESUMO DA SEMANA
Semana dos assalariados, aposentados
e pensionistas no Senado
Nesta semana, o Senado aprovou três importantes
matérias para os que vivem de salário mínimo
no País ou são aposentados e pensionistas do
Regime Geral da Previdência Social. O mais importante
dentre os três é o PLS 296/03, do senador Paulo
Paim (PT/RS), que extingue o chamado "fator previdenciário" e
modifica a forma de cálculo dos benefícios
da Previdência Social.
O fator previdenciário é um redutor das
aposentadorias. O mecanismo é calculado considerando,
na data de início do benefício, a idade
e o tempo de contribuição do segurado,
a expectativa média de sobrevida para ambos os
sexos e uma alíquota de 31%, que equivale à soma
da alíquota básica de contribuição
da empresa (20%) e da maior alíquota de contribuição
do empregado (11%). O projeto segue para o exame da Câmara
dos Deputados.
Os senadores aprovaram também, na última
quarta-feira (9), requerimento dispensando o parecer
da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE)
ao PLS 58/03, de autoria de Paim, que trata da atualização
das aposentadorias e pensões pagas pela União
e pela Previdência Social nos mesmos patamares
do mínimo.
A Casa ainda aprovou o PLC 42/07, que cria uma política
permanente de atualização do salário
mínimo, com uma emenda do senador Paulo Paim (PT/RS),
que estende aos aposentados e pensionistas o reajuste
pretendido para o mínimo. O projeto retorna ao
exame da Câmara.
Trabalho rural
A Câmara aprovou a controversa MP 410/07, que cria mecanismo
simplificado para a contratação de trabalhador rural
para trabalhos de curta duração, de no máximo
dois meses, dentro do período de um ano. As entidades dos trabalhadores
do campo divergem sobre seu conteúdo.
A Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados
do Trabalho) entende que o texto do relator melhorou
o mecanismo, entretanto, a "assinatura da Carteira
de Trabalho e Previdência Social não pode
ficar à disposição de eventuais
acordos ou convenções, devendo ser obrigatória
de forma a garantir os direitos dos trabalhadores",
questiona.
Centrais sindicais
Depois da sanção da norma (Lei 11.648/08) que regulamentou
o funcionamento das centrais sindicais, as entidades resolveram fazer
uma homenagem na Câmara aos congressistas ¾ deputados
e senadores ¾ que apoiaram o PL 1.990/07.
As cinco centrais promotoras do evento ¾ Força
Sindical, CTB, CGTB, UGT e Nova Central ¾ realizaram
o evento na noite da última quarta-feira (9),
no Salão Negro do Congresso, para entrega de certificados
de agradecimentos a 237 deputados e 79 senadores e também
ao DIAP, que atuou no Congresso para aprovação
da matéria.
Reforma tributária
A Câmara criou nesta semana a comissão especial que vai
analisar o mérito da reforma tributária (PEC 233/08)
do Executivo. O colegiado terá 23 membros titulares e igual
número de suplentes. A presidência dos trabalhos deverá ficar
com o PMDB. A relatoria é disputada pelos deputados Antonio
Palocci (PT/SP) e Sandro Mabel (PR/GO).
O Governo e o PT preferem Palocci; Mabel é a
opção de vários outros partidos
da base aliada. A instalação da comissão
deverá acontecer na próxima semana, quando
os líderes dos partidos indicam os deputados que
irão compor o colegiado.
Cartões corporativos
Com o esvaziamento da comissão mista que investiga supostas
irregularidades no uso do cartão corporativo do Governo, os
líderes oposicionistas resolveram criar uma comissão
só do Senado para continuar as investigações.
A presidente da CPMI, senadora Marisa Serrano (PSDB/MS) disse que "se
Governo continuar impedindo convocação de autoridades" vai
marcar a data de apresentação do relatório.
A CPI, formada apenas por senadores, para investigar
gastos efetuados com a utilização do cartão
corporativo do Governo Federal, foi criada na sessão
da última terça-feira (8). O requerimento,
com 32 assinaturas, foi lido e algumas bancadas partidárias
já indicaram os respectivos membros. O colegiado é formado
por 11 senadores ¾ oito da base aliada e três
da oposição.
Até o momento apenas o DEM e o PMDB indicaram
nomes para compor a CPI. Pelo DEM, os titulares serão
os senadores Efraim Morais (PB) e Demóstenes Torres
(GO); a suplente é a senadora Kátia Abreu
(TO). O PMDB indicou os senadores Gilvam Borges (AP),
Romero Jucá (RR) e o próprio líder,
senador Waldir Raupp (RO). Os suplentes serão
os senadores Almeida Lima (SE), Leomar Quintanilha (TO)
e Wellington Salgado (MG). O presidente da CPI poderá ser
Jucá, “se ele quiser”, disse o líder.
Corte de ponto
Decisão do ministro Gilmar Mendes, vice-presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF), suspendeu liminares concedidas pelo Tribunal
Regional Federal da 4ª Região e pela 4ª Vara Federal
da Seção Judiciária do Rio Grande do Sul que permitiam
o exercício da greve sem sanções para os advogados
públicos e os auditores fiscais.
As carreiras agora discutem os desdobramentos da decisão
e decidem o que fazer nas assembléias gerais das
categorias. Pela decisão, o Governo ameaça
cortar o ponto dos servidores das carreiras jurídicas
em greve há 85 dias, e das carreiras do fisco,
há 24. No entendimento da Advocacia Geral da União
(AGU), a greve só passou a ser considerada ilegal
desde a última quarta-feira (9), após a
decisão do ministro Gilmar Mendes.
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Agência
Diap, 12 de abril de 2008
ARMADILHA
Presidente da CUT defende projetos
aprovados no Senado, mas vê "esperteza política" da
oposição
O presidente da CUT, Arthur Henrique, defendeu a aprovação
dos projetos que beneficiam os aposentados, mas acha que houve “esperteza
política” e os partidos prepararam uma armadilha para Lula. “Derrubam
a CPMF e aumentam os gastos, não vamos nos enganar”, disse.
Leia abaixo a íntegra da matéria publicada
no Valor Econômico:
Presidente da CUT vê armadilha
contra Lula
O presidente da Central Única dos Trabalhadores, Arthur
Henrique, defendeu as medidas aprovadas anteontem pelo Senado
que estendeu o mesmo percentual de reajuste concedido anualmente
para o salário mínimo a todos os aposentados e
pensionistas da Previdência e a que acabou com o fator
previdenciário, mecanismo aplicado no cálculo de
aposentadorias dos servidores públicos por tempo de contribuição
e por idade. Entretanto, o sindicalista viu na aprovação
uma armadilha política da oposição contra
o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"São decisões favoráveis aos trabalhadores.
Agora, não vamos nos enganar. O Senado é mais conservador
que a Câmara. O fato de outros partidos terem apoiado as
medidas demonstra uma tentativa de esperteza política.
Por um lado, aprova o fim da CPMF. Por outro, amplia gastos com
essas medidas que defendemos. É mais uma tentativa de
construir uma armadilha contra o Governo", afirmou.
Criado no Governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o fim do
fator previdenciário sempre foi criticado pela central
por ser, em sua análise, um redutor dos valores das aposentadorias.
"Nosso entendimento é de que esse discurso de que
não há recursos para o impacto do fim do déficit
previdenciário é falho. Uma modificação
por baixo do superávit primário teria como solucionar
isso", disse Arthur. Ele afirmou ainda que, para evitar
eventuais impactos no orçamento, "é possível
negociar uma proposta de transição para o fim do
fator previdenciário".
O problema do fator é que foi prejudicial trabalhadores
e para mulheres principalmente, pois dois terços da fórmula
estão centrados na expectativa de vida e o trabalhador
não sabe quando vai se aposentar.
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Congresso
em Foco, 12 de abril de 2008
Lula: tentaram "vender" dossiê como "coisa
fantástica"
Em entrevista concedida ontem (11) na Holanda, o presidente Lula disse
que os últimos episódios que envolveram a ministra-chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff, com o suposto dossiê “anti-FHC” não
abalaram a imagem da “mãe do Pac”. O presidente também
levantou a suspeita de que o documento tenha sido roubado e "vendido" como
se fosse "uma coisa fantástica".
“Qual a razão para ela [Dilma] não estar
forte?”, questionou Lula que segue, ainda nesta sexta-feira,
para a República Tcheca e volta para o Brasil no próximo
domingo (13). “A Dilma exerce uma função
primordial no governo, é a coordenadora administrativa
das execuções do governo, e ela faz isso com
uma competência, eu diria, como pouca gente seria capaz
de fazer”, afirmou.
Quanto ao suposto dossiê, Lula se esquivou: “Primeiro,
eu desconheço o dossiê. O que nós estávamos
fazendo e estamos fazendo é um banco de dados, que ficará pronto
daqui a alguns dias, com todas as informações
de tantas quantas pessoas tiverem que estar no banco de dados”.
"Se alguém roubou e resolveu vender para um jornalista,
um jornal ou uma revista como se fosse uma coisa fantástica,
uma novidade, como se estivesse descobrindo as minas do rei
Salomão, querendo dar uma manchete, nós queremos
descobrir quem roubou sim, porque na lógica do governo
nunca existiu e nunca existirá dossiê."
Lula também disse que não vê problema
na ida de Dilma à Comissão de Infra-Estrutura
do Senado. No entanto, para o petista, o debate na comissão
deve se restringir apenas às questões sobre o
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
“O que é importante é que se ela for para
a Comissão de Infra-Estrutura, que as pessoas estejam
dispostas a discutir infra-estrutura. Não dá para
levar à Comissão de Infra-Estrutura para discutir
saúde, aí seria em outra comissão e seria
outro ministro”, ponderou.
Nesta sexta-feira, Dilma encaminhou ofício à comissão
confirmando a sua presença em audiência que pode
ocorrer em até 30 dias. Em sua passagem pela Holanda,
Lula também alfinetou a oposição tratando-a
como infantil em suas reivindicações.
“Quando um partido tem dez ou 12 deputados e não
tem perspectiva de poder, ele pode fazer qualquer coisa, mas
um partido que já governou este país durante
oito anos, ou um partido que já governou este país
desde que Cabral aqui descobriu, não pode agir como
se fossem estudantes torcendo para as coisas não darem
certo”, disparou.
“Quando a oposição começa a se
incomodar com as minhas viagens, achando que eu devo ficar
naquele gabinete ouvindo os discursos deles, eu prefiro ouvir
o grito do povo na rua, porque é muito mais saudável,
muito mais quente, muito mais caloroso”, acrescentou.
Inflação positiva
Para o presidente, os últimos aumentos registrados
nos preços dos alimentos é algo positivo para
o país.
“Essa é uma inflação boa. Por que
eu digo que é uma inflação boa? Porque
ela está nos provocando a produzir mais. Por exemplo,
no caso do Brasil, eu pedi ao Ministro da Agricultura que começasse
a trabalhar a possibilidade de o Brasil virar auto-suficiente
na produção de trigo. Produzir mais arroz, produzir
mais milho, produzir mais feijão, produzir mais as coisas
que nós consumimos”.
Quanto à possibilidade de ocorrer aumento na taxa de
juros, Lula deu carta branca para o presidente do Banco Central,
Henrique Meirelles.
“ Embora seja o presidente da República que indica o presidente
do Banco Central, eu acho que é importante a gente garantir que o que
deu certo até agora continue dando certo. Não será nem a
redução de 0,25%, nem a manutenção de 11,25% e nem
o aumento de 0,25% que trará qualquer transtorno à economia brasileira”,
afirmou. (Erich Decat)
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Gazate
do Povo, 12 de abril de 2008
Dossiê anti-FHC
Dilma irá ao Senado, mas
só aceita falar do PAC
Brasília - A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff,
encaminhou ontem ofício à Comissão de
Infra-Estrutura do Senado para se colocar à disposição
para prestar depoimento sobre as obras do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), mas descartou a possibilidade de falar
sobre outros assuntos, como o vazamento do dossiê sobre
os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso feitos
com cartões corporativos. O dossiê foi elaborado
dentro da Casa Civil.
A data do depoimento da ministra à comissão
ainda não foi marcada. A assessoria da Casa Civil vai
definir nos próximos dias quando o depoimento vai ocorrer.
A ministra tem 30 dias para atender à convocação,
aprovada no dia 3 de abril. Por ser ministra, Dilma tem a prerrogativa
de escolher a data do depoimento. Mas, caso não compareça,
Dilma pode incorrer em crime de responsabilidade.
No ofício encaminhado ao Senado, Dilma afirma estar
disposta a falar exclusivamente sobre as obras do PAC, como
defendem os governistas. “Em atenção ao
ofício tratando de convocação para prestar
esclarecimentos acerca da usina hidrelétrica de Belo
Monte e sobre o andamento das obras do PAC, bem como da solicitação
para agendamento de data, informo que terei grande prazer em
comparecer a essa conceituada comissão do Senado para
tratar dos assuntos acima referidos”, diz a ministra.
Os governistas argumentam que Dilma falará somente
sobre as obras do PAC uma vez que o assunto dossiê não
está incluído entre os temas discutidos na comissão.
Mas a oposição quer aproveitar a oportunidade
para questioná-la sobre o dossiê.
De Haia, na Holanda, o presidente Lula ameaçou a oposição
a respeito do depoimento de Dilma. “A lógica é que
quem pergunta o que quer ouve o que não quer”,
disse Lula. O presidente disse desconhecer a existência
do dossiê. “O que estávamos e estamos fazendo é um
banco de dados que ficará pronto em alguns dias, com
todas as informações (de gastos) de tantas quantas
pessoas acharmos necessário”, afirmou o presidente. “E
quem quiser transformar banco de dados em dossiê que
transforme. Eu continuarei a fazer banco de dados na Casa Civil.”
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Gazate
do Povo, 12 de abril de 2008
Sucessão
Discussão sobre o terceiro
mandato é falta de assunto da oposição,
diz Lula
Haia, Holanda - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
disse ontem que considera uma “falta de assunto da oposição
ficar discutindo o terceiro mandato’’. Em entrevista
na Holanda, Lula disse que não lhe interessa disputar
nova eleição presidencial. “As pessoas
que estão preocupadas com o terceiro mandato são
as pessoas que não achavam ruim quando os militares
ficaram 23 anos no poder. E são as pessoas que aprovaram
a reeleição’’, disse o presidente.
Lula voltou a afirmar que dois mandatos são o suficiente
para o exercício da Presidência da República. “Oito
anos na Presidência de um país é tempo
suficiente para a gente executar um programa de governo. Sou
contra o terceiro mandato porque a democracia é um valor
incomensurável com o qual não podemos brincar.
E, segundo, a alternância de poder é uma coisa
extremamente saudável para o país’’,
disse.
Segundo Lula, a permanência de uma mesma pessoa no governo
de um país pode por em risco o sistema democrático. “Qualquer
pessoa que se ache imprescindível começa a colocar
riscos à democracia. Pobre do governante que começa
a achar que é insubstituível ou imprescindível.
Está nascendo, dentro dele, uma pequena porção
de autoritarismo ou de prepotência. E isso eu não
carrego na minha bagagem política’’.
Questionado se apoiaria um plebiscito sobre o assunto, Lula
disse que a consulta popular deve ser feita apenas para temas
como célula-tronco, aborto e desarmamento.
No começo do mês, o assunto terceiro mandato
voltou à tona. O vice-presidente José Alencar
defendeu mais tempo no Palácio do Planalto para Lula.
O argumento de Alencar foi que ele, Lula, “tem feito
muito” pelo país, mas que ainda “falta muito
para fazer”.
O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), que no ano passado defendeu
o terceiro mandato e foi desautorizado pelo presidente, anunciou
que pretende retomar a campanha em breve, mesmo sem o aval
de Lula. A última pesquisa CNI/Ibope mostrou que a avaliação
positiva do governo atingiu 58% – o nível mais
alto registrado desde a posse em 2003.
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Gazate
do Povo, 12 de abril de 2008
Aposentadorias
Mudanças aprovadas no Senado
vão aumentar o rombo da Previdência
Brasília - A aprovação do projeto que
acaba com o fator previdenciário no cálculo das
aposentadorias concedidas pelo INSS e do projeto que estende
o índice de reajuste do salário mínimo
a todos os aposentados está sendo criticada por governistas,
especialistas e até por ex-integrantes do governo Fernando
Henrique Cardoso. Os projetos, de autoria dos senadores petistas
Tião Viana (AC) e Paulo Paim (RS), foram aprovados no
Senado, na quarta-feira, com votos do PSDB e do DEM. Agora,
os projetos serão discutidos na Câmara dos Deputados.
Os dois projetos foram aprovados contra a vontade do Planalto,
numa operação da oposição para
impor uma derrota política ao governo Lula. Agora na
Câmara, o PSDB e o DEM sinalizam que devem recuar e adotar
postura mais cautelosa em relação ao fim do fator
previdenciário. O comportamento, principalmente dos
tucanos, deverá ser questionado em reunião da
cúpula do PSDB e do DEM, segunda-feira em São
Paulo.
O fator previdenciário foi criado em 1998 pelo governo
FHC com o objetivo de desestimular e limitar as aposentadorias
precoces de trabalhadores. Idealizadora do modelo de fator
previdenciário no governo passado, quando era secretária
de Previdência Complementar, Solange Vieira, hoje presidente
da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac),
diz que a proposta é uma “perda para a sociedade”.
Ex-ministro da Previdência no governo tucano, José Cechim
alerta que os projetos significam uma “contra-reforma
da Previdência”. Segundo ele, o fim do fator previdenciário,
se confirmado pela Câmara, terá grande impacto
financeiro nas contas da Previdência. Ele lembra que
o fator serve para reduzir o benefício final da pessoa
que quer se aposentar pelo tempo de contribuição,
o que a leva a permanecer trabalhando por mais tempo para ganhar
mais. Cechim acredita que o número de aposentadorias
por tempo de contribuição – mais de 200
mil em 2007 – crescerá sem o fator: “Com
essas medidas, o déficit da Previdência vai dar
um salto grande”. Segundo ele, até 300 mil pessoas
poderão requerer a aposentadoria anualmente.
Salário mínimo
Além do fim do fator previdenciário, os senadores
aprovaram no mesmo dia a proposta de dar a todos os aposentados
reajuste de 9,2% (índice de aumento do salário
mínimo) e não 5%, como decidiu o governo. Cechim
afirmou que estender o aumento do salário-mínimo
para todas as aposentadorias provocará um impacto de
R$ 5,7 bilhões em 12 meses. A Previdência fala
em R$ 4,5 bilhões em 12 meses e R$ 3,5 bilhões
se fosse adotada em 2008, a partir de agora.
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Gazate
do Povo, 12 de abril de 2008
Força dos emergentes
Mantega quer Brasil e Índia
incluídos no G-7
Para o ministro da Fazenda, grupo dos sete
países mais ricos não tem por que se reunir enquanto
não abrigar os países em desenvolvimento
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, acredita que o G-7, grupo
formado pelos sete países mais ricos do mundo, não
tem razão para existir se não abrigar, no mínimo,
os países conhecidos pela sigla BRIC (Brasil, Rússia, Índia
e China), “os grandes países emergentes, que detêm
peso econômico muito importante”. “Há algum
tempo tenho dito que já está na hora de ampliar
o G-7 para um G-8, G-10, ou G-11”, afirmou ontem, na sede
do Fundo Monetário Internacional, em Washington. “Nós
(Brasil) nos recusamos a participar deste fórum (G-7)
como convidados para tomar o cafezinho. Só para participar
de meia hora da discussão e ir embora na parte mais significativa.”
Em entrevista coletiva, Mantega ainda citou orientação
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre esta decisão
quanto às reuniões do G-7. “O presidente
Lula já afirmou que nós não iremos mais
para participar à margem da discussão principal.
Só iremos como participantes plenos da discussão”,
afirmou.
Mantega enfatiza que a inclusão de países emergentes
ao G-7 faz com que as resoluções do grupo sejam “mais
efetivas”. “É importante que todos estejam
compartilhando das decisões, pois serão mais eficazes.
G-11 ou G-12 será mais eficiente do que um G-7, pois terá participação
da China, Índia, com peso econômico mundial reconhecido.”
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Folha
de São Paulo, 12 de abril de 2008
Elevar juros não traz transtorno,
diz Lula
Presidente endossa política de Meirelles
num momento em que o BC sofre pressão por aguardada alta
na taxa de juros
"Acho que é importante a gente
garantir que o que deu certo até agora continue dando
certo", declara Lula na Holanda
CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A HAIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu ontem um aval,
ainda que indireto, a um aumento de juros na próxima reunião
do Copom (Comitê de Política Monetária),
ao dizer que "não será nem a redução
de 0,25%, nem a manutenção de 11,25% [taxa atual],
nem o aumento de 0,25% que trará qualquer transtorno à economia
brasileira".
Como todos os sinais emitidos recentemente pelo Banco Central apontam
para um aumento na taxa Selic, a frase do presidente indica que ele não
acredita que a elevação dos juros provocará transtornos
para o crescimento econômico. A afirmação foi feita
pela manhã, em entrevista coletiva concedida no Palácio
Noordeinde, onde se hospedou nos dois dias que passou na Holanda, em
visita de Estado.
À tarde, em discurso a empresários brasileiros e holandeses, o
presidente deu outra indicação de que não vê transtornos à frente,
ao afirmar que o Brasil vai crescer neste ano "mais que os 5,4% de 2007".
Contraria, assim, a recentíssima previsão do Fundo Monetário
Internacional, que cravou apenas 4,8% para o Brasil em 2008, a mesma previsão
do BC brasileiro para o PIB do ano.
Ainda na entrevista, Lula foi muito claro ao defender o mandato do BC
para decidir: "Eu não dou palpite no aumento de juros nem
na redução de juros. Embora seja o presidente da República
quem indica o presidente do Banco Central, acho que é importante
a gente garantir que o que deu certo até agora continue dando
certo".
Emendou: "O que nós precisamos é garantir que a tranqüilidade
da política econômica, a manutenção da estabilidade
e a seriedade com que o governo vem trabalhando nos investimentos públicos
possam garantir que a economia brasileira continue crescendo por muito
e muito tempo".
Lula não aceita a tese de que, em vez de aumentar os juros, o
governo deveria cortar gastos. Diz, primeiro, que "não é pouco
o corte que fizemos de R$ 20 bilhões no Orçamento".
Depois, afirma que o corte "não tem nada a ver com a alta
de juros", para emendar com uma obviedade: "Os juros irão
aumentar quando for necessário aumentar e irão cair quando
for necessário cair".
Lula contou que tem dito tanto ao ministro Guido Mantega, da Fazenda,
quanto ao presidente do BC, Henrique Meirelles, que é preciso
evitar que se produza o que já se chamou de TPC (tensão
pré-Copom, toda a especulação em torno da decisão
do comitê, que se reúne para decidir sobre os juros na terça
e quarta da próxima semana). Para Lula, "essa fase já passou,
a economia está tranqüila".
O fato de a inflação ter dado um pequeno salto não
o preocupa, por mais que repita a lição básica de
manual de economia, a de que, "se você tem a economia crescendo
e o investimento produtivo não cresce na mesma proporção
da demanda, você corre o risco de gerar um fracasso de oferta e,
portanto, você pode ter inflação".
Não é, entretanto, o que Lula acha que está acontecendo
no Brasil. Ao contrário: o presidente acredita que "há uma
combinação perfeita entre demanda e oferta". Completa: "É isso
o que nós queremos. As empresas, em um primeiro momento, convocaram
horas extras, em um segundo momento, aumentaram um turno, num terceiro
momento, vão aumentar dois turnos, num quarto momento, vão
aumentar para três turnos, e, num quinto momento, vão começar
a construir novas plantas, que é o que está acontecendo
agora".
Seria, portanto, um círculo virtuoso, conforme ele anunciaria
mais tarde aos empresários. Lula repetiu ontem a tese que defendera
na véspera sobre a inflação (a mundial, no setor
de alimentos). Trata-se de "uma inflação boa",
porque é decorrência de que há mais gente comendo
mais no mundo inteiro.
Para suprir a demanda adicional por alimentos, Lula contou ter dito ao
primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende, que "é perfeitamente
possível a Holanda fazer parceira com o Brasil para investir em
terceiros países". Disse também que já fez
propostas semelhantes a seus colegas George Bush (EUA), Gordon Brown
(Reino Unido), Angela Merkel (Alemanha) e Nicolas Sarkozy (França).
" O jeito de a gente contribuir para que o mundo pobre possa se desenvolver
mais rapidamente é juntarmos os conhecimentos que nós temos, tecnológicos,
e ao mesmo tempo o potencial de recursos que nós temos e construir a capacidade
de produção nos países pobres. Essa é a lógica",
afirmou.
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Folha
de São Paulo, 12 de abril de 2008
Foco
É "mentira deslavada" que
produção de álcool cause inflação,
afirma Lula
DO ENVIADO ESPECIAL A HAIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou
seu discurso a empresários brasileiros e holandeses,
ontem à tarde, em um verdadeiro comício contra
o petróleo e a favor do álcool e do biocombustível.
Lamentou, por exemplo, que uma charge em um jornal local tenha "passado
a idéia de que é o biocombustível que
está causando a inflação" (no preço
da comida, porque estaria substituindo a plantação
de alimentos).
Lula até ergueu a voz para dizer: "É uma falácia,
uma mentira deslavada, de quem não entende ou não quer
entender". O presidente lembrou que há no mundo "1 bilhão
de seres humanos vivendo abaixo da linha da pobreza e 1 bilhão
que não conseguem comer as calorias e as proteínas necessárias",
sem que haja produção de biocombustíveis para justificar
a escassez.
Depois, afirmou que "o Brasil está apresentando uma alternativa
[ao petróleo]. Nós produzimos combustível que não
emite CO2, menos poluente, mais gerador de empregos, portanto muito mais
importante para o mundo subdesenvolvido".
Sua crítica ao padrão atual de consumo de petróleo
foi tão entusiasmada que, ao mencionar uma série de países
produtores (Arábia Saudita, Iraque, Qatar), acabou por citar o
Líbano, que não produz nada de petróleo. Depois,
corrigiu para Líbia. " O que estamos propondo é democratizar
o combustível no mundo e não permitir que o controle fique
apenas na mão de 10 ou 12 países", afirmou Lula.
Além dos biocombustíveis, o presidente vendeu ao empresariado
holandês, o que mais investiu no Brasil em 2007, o PAC (Programa
de Aceleração do Crescimento): "Queremos crescer mais,
queremos importar mais e queremos exportar mais. Por isso estamos fazendo
investimentos de praticamente US$ 270 bilhões em obras de infra-estrutura
nos portos, aeroportos, ferrovias, rodovias, gasoduto, hidrelétrica,
linha de transmissão, para que o Brasil possa oferecer a quem
lá queira investir a segurança de que não faltará infra-estrutura,
logística, suprimento de energia para que as empresas possam produzir."
(CLÓVIS ROSSI)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
12/04/2008
TST adota assinatura digital em acórdãos
Os ministros do Tribunal Superior do Trabalho começam a adotar
a assinatura digital nos acórdãos de processos em que
são relatores. Esta semana, o ministro Renato de Lacerda Paiva,
da Segunda Turma, utilizou o sistema pela primeira vez e constatou
sua eficácia. “Assinamos mais de cem acórdãos
em dois ou três minutos, quando antes levávamos mais de
meia hora para fazer isso”, disse o ministro na abertura da sessão
da Segunda Turma.
A certificação digital começou a ser implantada
no TST em 2006. O certificado é um documento eletrônico,
emitido pela Infra-Estrutura de Chaves Públicas (ICP-Brasil),
que funciona como uma carteira de identidade virtual. Ela permite a
identificação segura, a confidencialidade, a integridade
das informações e a confirmação de autoria.
Com a operacionalização do sistema e-Assinador pela
Secretaria de Tecnologia da Informação (SETIN) do TST,
a adoção da assinatura digital deverá ser estendida
aos demais gabinetes de ministros. O TST realiza semanalmente, em média,
11 sessões de julgamento, com pautas muitas vezes superiores
a 400 processos por sessão. Para ser publicado, cada um desses
processos tem de ser assinado pelo ministro relator. A automação
desse procedimento, com as garantias de segurança e autenticidade,
encurtará o intervalo entre o julgamento e a publicação
da decisão.
(Carmem Feijó)
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