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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de abril de 2008 | Nacional
Centrais anunciam o Dia de Luta pela
Redução da Jornada de Trabalho
Agência Brasil
As atividades que farão parte do Dia Nacional de Lutas e Mobilizações
pela Redução da Jornada de Trabalho sem Redução
de Salários serão anunciadas nesta segunda-feira (14), às
10h, na Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo), no Bairro da Liberdade.
Participam os presidentes da
Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Força Sindical,
da União Geral dos Trabalhadores (UGT), da Central dos Trabalhadores
do Brasil (CTB), da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST) e
da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).
O Dia Nacional de Lutas e Mobilizações
pela Redução da Jornada de Trabalho sem Redução
de Salários será realizado em 28 de maio e incluirá manifestações,
atos públicos, passeatas, assembléias e paralisações
em todo o país, em defesa da aprovação, pelo Congresso
Nacional, da Proposta de Emenda Constitucional 393/01, de autoria dos
senadores Paulo Paim (PT-RS) e Inácio Arruda (PCdoB-CE).
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PORTAL BEM PARANÁ,
14 de abril de 2008
Boca Maldita
PR: Redução da jornada
foi tema de passeata
Sindicalistas afirmam que jornada mais curta
criará 2,2 milhões de empregos
Redação Bem Paraná

Seis centrais sindicais organizaram passeata hoje (14) em Curitiba em defesa
da redução da jornada de trabalho. A mobilização
começou às 9 horas, na Praça Santos Andrade, e percorreu
a Rua XV de Novembro até a Boca Maldita.
O movimento defende a votação
imediata da Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
393/01, que reduz a jornada trabalho nacional de 44 para 40 horas semanais.
As centrais apontam cálculos do Dieese que estimam que a redução
criará 2,2 milhões de novos empregos. Outros benefícios
indiretos são o aquecimento da economia do país, a redução
do número de acidentes de trabalho e a melhora na qualidade de
vida dos trabalhadores.
Segundo o movimento, em alguns
países, a jornada já é bem menor: 36 horas na Espanha
e 35 horas na França.
A campanha inclui outras manifestações
agendadas até o dia 1º de maio – atos nas empresas,
arrastão no Congresso Nacional, audiência pública
na Assembléia Legislativa do Paraná e participação
no programa Escola de Governo da TV Paraná Educativa.
Os organizadores montaram uma
barraca na Boca Maldita para coleta de assinaturas de adesão à campanha.
O objetivo é angariar 1,5 milhão de assinaturas no País
e entregar o documento ao presidente Lula e o Congresso Nacional no mês
de maio.
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JORNAL O GLOBO, 14 de abril
de 2008
O custo do entra-e-sai no mercado
de trabalho
Escrito por Geralda Doca
São R$ 25 bi gastos por ano no país
com demissões e seguro-desemprego
BRASÍLIA
A alta rotatividade no mercado
de trabalho — processo de demissão e contratação
em curto espaço de tempo — custa para o país pelo
menos R$ 25 bilhões ao ano. O valor equivale a cerca de 7% da
folha de pagamento brasileira ou a 1% do Produto Interno Bruto (PIB,
soma dos bens e serviços produzidos no país). Somente em
2006, segundo levantamento do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, 7,7 milhões de brasileiros
foram admitidos e dispensados em menos de 12 meses, acarretando um gasto
de R$ 12,7 bilhões pelas empresas para cobrir custos de demissão.
Isso sem contar o desembolso de R$ 12,3 bilhões do Fundo de Amparo
ao Trabalhador (FAT) com seguro-desemprego.
Os recursos são derramados,
porém, sem que o cenário mude: apenas 20% dos oito milhões
de desempregados têm qualificação. E isso ocorre
mesmo com agentes de treinamento, como escolas técnicas e o Sistema
S, dispondo de um caixa de R$ 10 bilhões.
— O problema não é a
falta de recursos, que chegam quase à arrecadação
da CPMF. Toda essa dinheirama precisa ter um uso mais eficiente — diz
Pochmann.
Considerando a verba de treinamento,
o país gasta R$ 35 bilhões sem conseguir fazer com que
as empresas contratem de forma mais eficiente e sem inserir o desempregado
mais rapidamente no mercado de trabalho. A alta rotatividade, segundo
o economista, é um fenômeno brasileiro, com efeitos perversos
para a economia e para o trabalhador, que deixa de contribuir por um
ano para a Previdência Social.
Trabalhando na construção
civil há mais de dez anos, José Oliveira dos Santos está mais
uma vez dando entrada no seguro-desemprego. Ele disse que já perdeu
as contas das empresas por que passou. Aprendeu o ofício sozinho,
sem nunca ter passado por curso de qualificação.
— Na construção, é assim:
quando termina a obra, eles mandam a gente embora.
Mas o problema não se
restringe à construção civil. A auxiliar de escritório
Luziane Vasconcelos, de 21 anos, está de novo à procura
de emprego. Ela conta que, nos últimos cinco anos, trabalhou em
sete empresas diferentes. Na última, ficou menos de quatro meses.
Trabalhei em restaurante, fui
vendedora, promotora de vendas e caixa — lista Luziane, que agora
aposta no curso de dministração para conseguir mais estabilidade.
Curso na empresa em vez do Sistema
S
Um dos efeitos da rotatividade,
segundo Pochmann, é a perda de produtividade. Os trabalhadores
passam por várias atividades nos diversos setores da economia,
em pouco tempo. O presidente do Ipea afirma que falta um sistema público
de emprego, capaz de integrar o pagamento do seguro-desemprego, a capacitação
do trabalhador e o seu encaminhamento às empresas.
A rede do Sine, ligado ao Ministério
do Trabalho, disse, funciona apenas como intermediador de mão-de-obra,
além de ser um dos locais onde o desempregado faz a inscrição
para receber o segurodesemprego. Além disso, boa parte das vagas
não passa pelo sistema.
Também não há planejamento
que permita às escolas profissionalizantes e do Sistema S ofertar
cursos mais adequados à demanda. Há unidades atuando nas
mesmas áreas e, muitas vezes, concorrendo entre si.
— A falta de conhecimento é o
principal problema — reforçou Marcio Pauline, dono de duas
empresas de Informática em Brasília e Goiânia e que
costuma substituir, pelo menos, quatro funcionários todo ano.
Com isso, tem que pagar multa de 40% sobre o FGTS, aviso prévio,
décimo terceiro e férias proporcionais.
Pochmann disse, ainda, que é preciso
romper com a cultura da formação fora da empresa. Ele sugere
que em vez dos empregadores recolherem os recursos ao Sistema S (2,5%
da folha), dêem cursos aos seus funcionários no local de
trabalho:
— A formação
hoje é meramente técnica, abstrata. Precisamos avançar
na formação na empresa.
Essa seria uma maneira de racionalizar
os recursos, diante das demandas das empresas por profissionais qualificados.
O argumento ganha força, sobretudo, num momento em que os investimentos
sobem acima da produção há 41 meses, o que
implica novas máquinas
e formas de produção. E neste caso, não basta exigir
apenas escolaridade.
Para o economista, o país
está diante de um bom problema e não pode perder a oportunidade
de criar uma política nacional pública de emprego. Embora
o mercado formal tenha registrado resultados recordes, afirmou, é preciso
não esquecer que existem
oito milhões de desempregados e mais 2,3 milhões de trabalhadores
que ingressam no mercado todo ano. Se o Brasil crescer 5%, pode gerar
2,5 milhões de postos neste ano.
O chefe do Centro de Políticas
Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Marcelo Neri,
destacou que a rotatividade é ainda maior no setor informal.
Ele disse que as chances de um trabalhador com carteira deixar o emprego é de
10% (um a cada 10); no caso dos informais, o percentual sobe para 40%.
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CONGRESSO EM FOCO, 14 de abril de 2008
Política só para maiores
Índice de eleitores entre 16 e 17
anos caiu 31% desde 1992. Só 4,7% dos filiados a partidos
têm menos de 24 anos
Eduardo Militão
Mesmo com o movimento estudantil
pela saída do reitor da Universidade de Brasília, a verdade é que
o interesse dos jovens brasileiros pela política já não é mais
o mesmo. O número de eleitores e candidatos com menos de 20 anos
vem caindo desde 1992, quando Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começou
a contabilizar os dados. O TSE e os TREs lançam campanhas publicitárias
e promovem projetos sociais para incentivar os mais novos a se alistarem
e a votarem de maneira consciente, longe de armadilhas como a compra
de votos. A União Nacional dos Estudantes (UNE) diz que a participação
da juventude se concentra nos movimentos sociais, mas também promove
campanhas de alistamento (leia
mais).
Existem 12,3 milhões de
eleitores filiados a partidos políticos no Brasil – menos
de 10% do eleitorado total, segundo o TSE. Desses, 575 mil são
militantes com idade entre 18 e 24 anos, ou seja, 4,7% do total de partidários.
Todo esse contingente tem potencial para disputar uma vaga na câmara
de vereadores. Para concorrerem às prefeituras, situação
em que a idade mínima é de 21 anos, há 454 mil potenciais
candidatos. Muitos jovens já se preparam para assumir essa responsabilidade
(leia
mais).

Apatia
O presidente do TSE, ministro
Marco Aurélio Mello, entende que os números revelam a apatia
da juventude. Ele faz coro ao grupo que entende que a corrupção é causa
dessa baixa participação eleitoral. Só que o remédio,
avisa ele, não é desistir. “Precisamos fazer a purificação
pelo voto, escolhendo os melhores candidatos, e não deixando de
votar”, afirma Marco Aurélio ao Congresso em Foco.
A campanha publicitária “Heróis” quer
incentivar a juventude a participar das eleições ao retratar
personalidades da história recente do Brasil que lutaram pela
melhoria do país. “A apatia não conduz a nada, é fuga,
e o jovem, que é um idealista por natureza, não pode ser
apático”, disse Marco Aurélio, no final do mês
passado.
Os tribunais regionais eleitorais
vão na mesma linha. Oito deles desenvolvem projetos para que os
estudantes de seus estados se envolvam com as eleições
de maneira consciente e não aceitem vender seus votos. O objetivo
também é aumentar o alistamento eleitoral nessa faixa etária.
No Ceará, por exemplo,
o programa “Eleitor do Futuro”, implantado em 2003, atendeu
72 mil pessoas. O número de jovens com 16 e 17 anos portadores
de títulos aumentou 75%. A meta era de apenas 30%.
A União Brasileira dos
Estudantes Secundaristas (Ubes) promove, desde fevereiro, a campanha “Se
liga 16”, para estimular os mais novos a tirarem seus títulos.
Segundo a presidente da UNE, entidade-irmã da Ubes, Lúcia
Stumpf, o programa é desenvolvido em pelo menos três estados:
Rio, Paraná e Rio Grande do Sul.
Corrupção
A corrupção ou,
pelo menos, a percepção dela é a maior causa da
baixa participação eleitoral da juventude brasileira. “A
política causa repulsa ao jovem, que vê tanta podridão
e corrupção. Eles pensam que, mesmo que se alistem como
eleitores, nada vai ser diferente”, analisa o cientista político
David Fleischer.
Ele diz que a baixa mobilização
se explica também porque, em 1992, ano do impeachment do então
presidente Fernando Collor, o voto aos 16 era “uma novidade”.
O presidente nacional do PSTU,
Zé Maria Almeida, diz que a repulsa contra os políticos
se reforça na mente dos jovens a cada escândalo novo, como
os altos gastos com cartões corporativos. Mas ele acredita que
o objetivo meramente eleitoral dos grandes partidos também motiva
essa repulsa.
“Os partidos não
se organizam pela mudança social, mas só pelas eleições.
Esse modelo é inócuo”, afirma Zé Maria.
Segundo ele, o jovem se frustra ao ver que, no poder, o político
não promove as mudanças necessárias.
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PORTAL BEM PARANÁ,
14 de abril de 2008
Infra-estrutura
“Fila” é o
mais novo produto da construção civil
Número de obras públicas e privadas
na região de Curitiba desfalca estoque de lojas
Ana Ehlert, Jornal do Estado
Jonas Oliveira

Número de alvarás para construção concedidos no
ano passado cresceu 30% frente a 2006A construção civil passa
por um dos melhores momentos em Curitiba e Região Metropolitana Só no
ano passado, foram liberados alvarás para construir 2,200 milhões
de metros quadrados, segundo dados do Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Estado do Paraná (Sinduscon-PR). São obras privadas
e públicas, como as promovidas pela Prefeitura de Curitiba, que têm
exigido atenção redobrada das construtoras e causado espanto
naqueles que precisam de pequenos reparos. Há pedreiros com agenda apenas
para o próximo ano. E nas lojas de material de construção,
o volume de vendas requer a antecedência das compras de pelo menos 30
dias.
A gerente de suprimentos da Construtora
Baggio, Josimar Amélia Fernandes, revela que para não haver
o risco da obra ficar parada por falta de material, o planejamento tem
respeitado um prazo de 30 a 40 dias. Antes, as compras de insumos e contratação
das empreiteiras eram realizadas com uma antecedência de uma semana
a 15 dias, no máximo.
No entanto, todos os entrevistados
ressaltam: não há falta de produto no mercado. Mas como
a demanda tem sido grande, é necessário o planejamento
das compras para a organização do calendário de
entregas. O cuidado é ainda necessário por conta dos equipamentos
usados na construção, como andaimes e betoneiras.
Na Areial Gabardo, que trabalha
com areia, pedra-brita e tijolos, os pedidos têm demorado mais
para serem entregues. O que antes era realizado no dia, agora tem exigido
o tempo de até 4 dias para ser entregue. Márcia Kaminski,
proprietária da empresa, lembra que até novembro do ano
passado, a entrega dos materiais era realizada no mesmo dia.
Segundo as informações
da Associação dos Mineradores de Areia e Saibro do Paraná (Amas/PR),
a procura por pedra e areia tem aumentado bastante em função
das obras de ampliação da Refinaria Presidente Getúlio
Vargas (Repar), da Linha Verde e da linha do Binário de Curitiba.
A Linha Verde será a maior
avenida de Curitiba, ligando 18 bairros através de obras e ações
nos sistemas viário e de transporte coletivo. A primeira etapa,
até o Atuba, deve estar concluída até o fim do semestre
deste ano. A Prefeitura vai implantar quatro binários que farão
a ligação entre os dois lados da cidade, no trecho entre
os bairros Pinheirinho e Jardim Botânico.
Na Repar serão consumidos
US$ 2,9 bilhões para aumentar a capacidade de processamento da
refinaria de 32 para 35 milhões de litros diários de petróleo.
Quase metade do investimento de US$ 2,9 bilhões será aplicada
em um complexo que vai converter óleo combustível em diesel,
gás combustível, GLP (gás de cozinha), gasolina,
coque e gasóleo.
As obras do complexo começaram
em novembro de 2007 e o inicio da operação está previsto
para julho de 2009, período em que serão gerados mais de
7 mil postos de trabalho diretos. Os novos produtos da Repar permitirão
também à Petrobras aumentar a exportação
para mercados com leis ambientais mais rígidas, como Europa, América
do Norte e Japão.
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PORTAL BEM PARANÁ,
14 de abril de 2008
Infra-estrutura
Setor espera crescer pelo menos
25% neste ano
Em Curitiba foram liberados álvaras
para erguer 2,2 milhões de m², em 2007
Ana Ehlert, do Jornal do Estado
Em Curitiba, a área liberada para novas construções fechou
2007 com aumento de 30% em relação a 2006. Foram concedidos alvarás
para a construção de 2,200 milhões de metros quadrados.
Para este ano, a expectativa é crescer, pelo menos, 25%. Ou seja, com
2,750 milhões de metros quadrados de área construída,
segundo previsão do presidente do Sindicato da Indústria da Construção
Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR), Hamilton Franck.
Franck fez questão de
ressaltar que o bom momento não se trata de um boom produtivo,
conforme alguns comentários que circulam no setor. Para ele, este é apenas
o começo de um crescimento sustentado e que veio para ficar, desde
que mantidas as regras de estabilidade política e econômicas
atuais.
Puxado pelo segmento imobiliário,
o setor da construção civil no país cresceu acima
do Produto Interno Bruto (PIB). No segundo trimestre de 2007, o PIB Brasil
teve variação de 5,4%, enquanto o PIB da construção
civil cresceu 6,3%.No Brasil, o volume de estoque de financiamentos imobiliários
em relação ao PIB, ainda, é inexpressivo: deve fechar
2007, com um número em torno de 3%.
A estimativa do setor é fechar
2007 com um montante de R$ 21 bilhões em financiamentos contratados — recursos
da poupança e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS). O Paraná, historicamente, fica com 5% a 5,5% do total
financiado. O resultado de 2007 é 31% maior em comparação
a 2006, quando foram disponibilizados R$ 16 bilhões. (AE)
NÚMEROS DA CONSTRUÇÃO
CIVIL
O macrossetor da construção
(cadeia produtiva da construção) responde por 18% do PIB
brasileiro.
No segundo trimestre de 2007, a construção cresceu 6,3% e o PIB
cresceu 5,4%.
O volume de estoque de financiamentos imobiliários, em relação
ao PIB, é estimado em 3% para este ano.
No Paraná, a construção civil representa 8% do PIB total
do Estado e 20% do PIB industrial.
O mercado da construção no Paraná gerou, até setembro
deste ano, 10,2 mil novos postos de trabalho.
Ao todo, o setor emprega no Estado 162 mil trabalhadores, dos quais 86 mil
são formais, com registro em carteira.
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PORTAL BEM PARANÁ,
14 de abril de 2008
Infra-estrutura
Profissional revela que pode "escolher" o
trabalho
Os bons ventos para o mercado de construção
civil tem aberto postos de trabalho
Os bons ventos para o mercado de construção civil também
tem chegado à mão-de-obra. Trabalhando há 20 anos como
pedreiro, José Vieira Bonfim conta que não tem agenda para este
ano. Ele revela que tem trabalho fechado até para o próximo ano.
Seu Zé, como é conhecido, tem usado os dias de folga para atender
aos clientes mais antigos que necessitam de pequenos reparos, como troca ou
colocação de azulejos, etc.
Ele conta que há cerca
de 7 anos não tem precisado procurar emprego. Zé afirma
que sempre tem algum bico para fazer. Pedreiro experiente, Zé revela
ainda que para quem é bom e tem vontade de trabalhar na construção
civil basta sair de casa pela manhã para, à tarde, já vai
estar empregado.
Bonfim lembra ainda que parte
dos trabalhos que têm rejeitado tem feito por falta de ajudantes
capacitados. Bonfim cobra entre R$ 200 e R$ 250 o metro quadrado. O valor
pode ser maior, dependendo do tipo de acabamento exigido pela obra.
O presidente do Sindicato
da Indústria da Construção Civil no Estado do
Paraná (Sinduscon-PR), Hamilton Franck, afirma que, para os
bons profissionais, este é um bom momento. As pessoas interessadas
em apreender o ofício podem procurar o Serviço Nacional
de Aprendizagem Industrial (Senai). A instituição tem
convênio com o Sinduscon para a capacitação. O
salário inicial na construção civil para qualificados é de
R$ 770, mais benefícios. (AE)
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ÂMBITO JURÍDICO,
14 de abril de 2008
Obrigação de pagar pensão
por acidente de trabalho cessa com a morte natural da vítima
Fonte: STJ
A indenização por
acidente de trabalho paga mensalmente como complemento de salário
ao empregado é parcela personalíssima que não pode
ser estendida aos sucessores no caso de morte do titular do direito.
A questão foi decidida, por maioria, pela Terceira Turma do Superior,
segundo o voto-vista da ministra Nancy Andrighi.
No caso, a sociedade Mundial
S/A Produtos de Consumo foi condenada a indenizar um funcionário
que perdeu a mão esquerda em acidente de trabalho. A indenização
foi fixada em prestações mensais a serem pagas até a
data em que o trabalhador completaria 65 anos. Devido ao falecimento
dele antes dessa idade, a viúva ingressou na Justiça pleiteando
que o pagamento se estendesse aos herdeiros até a data fixada
na sentença.
O pedido foi negado pelas Justiças
de primeiro e segundo grau. Para elas, a indenização comporia
uma parcela personalíssima cujo objetivo principal seria recompor
a perda presumida nos ganhos do operário por conta da diminuição
da sua capacidade produtiva, complementando seus ganhos enquanto fosse
trabalhador remunerado.
A decisão foi confrontada
pela viúva, que alegou ofensa ao artigo 943 do Código Civil
de 2002 e ao 43 do Código de Processo Civil. Para a recorrente,
não se poderia impedir a transmissão hereditária
da indenização que assistia ao falecido, porque tal direito
teria conteúdo patrimonial, não personalíssimo. “Não é o
dano que se transmite aos sucessores da vítima, mas o direito à indenização
correspondente, o qual já está consolidado”, sustentou
a defesa.
Ao analisar a questão,
a ministra Nancy Andrighi considerou que não há obrigação
de indenizar quando não há dano. “Com a morte do
trabalhador, a diminuição de sua capacidade laborativa
perde a razão de ser. A indenização, se continuasse
a ser paga, não encontraria, na sua contrapartida, dano algum
indenizável”, explica. O entendimento da magistrada foi
seguido pela maioria dos ministros, ficando vencido o relator.
Processo REsp 997056
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CONSULTOR JURÍDICO,
14 de abril de 2008
Doença de trabalho
STJ concede dano material a trabalhador
com LER
A 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça determinou o pagamento
de indenização por danos materiais a um trabalhador que adquiriu
uma doença profissional. O Tribunal de Alçada de Minas Gerais
havia dado a ele apenas o ressarcimento por dano moral ao entender que a existência
do prejuízo não foi demonstrada, já que o valor de sua
aposentadoria acidentária corresponde ao seu antigo salário.
O funcionário havia recorrido
ao STJ com o argumento de que o direito à indenização
por danos materiais não desaparece porque recebe aposentadoria
do mesmo valor do salário. A defesa alegou que ficou comprovada
a culpa da empresa, já que ele ficou com LER (Lesão por
Esforço Repetitivo) devido ao trabalho.
O ministro Aldir Passarinho Júnior,
relator do caso, afirmou que a indenização previdenciária
decorre da contribuição paga ao INSS. Com isso, a vítima
não perde o direito ao ressarcimento do dano civil porque quem
provocou a seqüela não seria punido.
Segundo o ministro, identificado
o nexo causal da lesão, o pagamento da indenização
independe de prova de declínio econômico. Ele lembrou que
a premissa da decisão que negou o ressarcimento por danos morais é de
ordem meramente econômica. Desse modo, a aposentadoria por invalidez
seria do mesmo valor do salário.
“Mas viu-se que não é assim
e, mesmo que ainda permanecesse ele no emprego, faria jus à indenização,
desde que reconhecida a lesão e o nexo causal”, ressaltou
Passarinho.
REsp 476.409
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Agência Diap, 14 de
abril de 2008
FONTES DE CUSTEIO
"Quando a contribuição
negocial for aprovada" CUT comemorará, diz a central
em nota
A CUT, em nota oficial, explica
porque não participou das homenagens patrocinadas pelas cinco
centrais – Força Sindical, CTB, Nova Central, UGT e CGTB – na última
quarta-feira (9), aos parlamentares que apoiaram a aprovação
do PL 1.990/07, que regulamentou o funcionamento das entidades nacionais,
transformado-o na Lei 11.648/08.
Leia a íntegra da nota:
" Faremos festa quando a contribuição
negocial for aprovada
A CUT não participou da festa realizada na noite da última quarta-feira
(9) para comemorar o reconhecimento legal das centrais sindicais por entender
que, enquanto o imposto sindical não for substituído pela contribuição
negocial, não há razão para festa.
A contribuição negocial não será obrigatória,
mas aprovada em assembléia. As entidades terão de realizar ação
sindical permanente, pois do contrário dificilmente conseguirão
pleitear tal contribuição.
A CUT sempre foi contra o imposto sindical por acreditar que tal taxa protege
sindicatos de fachada, garantindo sustentação financeira mesmo
daqueles que não têm representatividade ou ação.
Os sindicatos de trabalhadores devem ser fortes, bem estruturados e influentes,
desde que calcados na defesa intransigente dos interesses da classe trabalhadora.
Coerentes com essa postura, enviamos carta aos deputados e deputadas federais,
no dia 26 de março, reforçando a importância do reconhecimento
das centrais e exortando-os a apoiar o projeto que vai acabar com o imposto
sindical, a taxa assistencial e a contribuição confederativa,
e que criará a contribuição negocial.
Conclamamos todos os parlamentares, especialmente aqueles que tentaram barrar
o reconhecimento legal das centrais alegando serem contra o imposto, para lutar
pelo projeto de extinção do imposto sindical que, em breve, deverá ser
apreciado na Câmara e será, com certeza, mais um grande passo
na consolidação de uma sociedade democrática, onde o direito,
a democracia e a liberdade sejam os propulsores da igualdade e de melhores
condições de trabalho e de vida para a classe trabalhadora brasileira.
Artur Henrique
Presidente nacional da CUT”
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Agência Diap, 14 de
abril de 2008
ANTI-SINDICAL
DEM vai ao Supremo contra repasse
da contribuição sindical às centrais, confira íntegra
da ADIN
O DEM ajuizou, na tarde da última
quarta-feira (9), uma Ação Direta de Inconstitucionalidade
(Adin 4067) no Supremo Tribunal Federal (STF), questionando o repasse
para as centrais sindicais de 10% dos recursos arrecadados pela contribuição
sindical – previsto no artigo 589 da Consolidação
das Leis Trabalhistas (CLT), com a nova redação dada pela
Lei 11.648/08, que regulamenta o funcionamento das centrais.
O presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), afirma que os recursos
da contribuição sindical têm finalidade específica, “expressamente
constitucional”, sendo vedada sua utilização para o custeio
de atividades que extrapolem os limites da respectiva categoria profissional.
O repasse determinado pela Lei 11.648 destina recursos para as centrais, que
não têm como finalidade precípua a defesa de interesses
de uma ou outra categoria, sendo por isso manifestamente inconstitucional,
questiona a Adin do DEM.
O relator do processo no Supremo é o ministro Joaquim Barbosa. O documento
também está disponível ali na seção Íntegras,
na página.
Atuação das centrais
A Constituição Federal (artigo 8º, III) aponta os sindicatos
como representantes dos trabalhadores das respectivas categorias profissionais,
afirma Rodrigo Maia. Em nenhum momento a Constituição cogita
a atuação das centrais sindicais nesse campo.
Dessa forma, afirma o presidente do partido, a participação das
centrais em foruns e órgãos públicos organizados, sob
forma tripartite, seria inconstitucional, e não pode servir para embasar
o repasse de parte da contribuição para essas centrais.
A ação pede a declaração de inconstitucionalidade
dos artigos 1º, II, e 3º, da Lei 11.648/08; do artigo 589, II, “b”,
e parágrafos 1º e 2º, e do artigo 593 da CLT, com a redação
atribuída pela Lei 11.648/08. (Marcos Verlaine)
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Diário Vermelho, 14
de abril de 2008
Delfim: Lula tem ' inteligência
absolutamente privilegiada'
Às vésperas de
completar 80 anos, Antônio Delfim Netto continua trabalhando intensamente
naquilo em que se especializou nos últimos 40: influenciar a política
econômica nacional e, de quebra, alguns presidentes da República.
Como ministro, trabalhou para três — todos da ditadura militar,
ou do “regime autoritário”, como prefere dizer. A
saber, Costa e Silva, Emílio Médici e João Figueiredo.
Extra-oficialmente é difícil
precisar quantos requisitaram seus conselhos. A lista é longa
e inclui o atual ocupante do Palácio do Planalto. No começo
de março, pouco antes de o governo lançar um minipacote
para conter a valorização do real, Delfim esteve com
Luiz Inácio Lula da Silva e um grupo de economistas. Ele disfarça.
Diz que falaram do Corinthians.
De Lula, é só “inteligência privilegiada”, “salvador
do capitalismo brasileiro”, “Darwin andando”. São
alguns dos epítetos que lançou sobre o atual presidente. Já em
relação ao antecessor — que conhece há meio século —,
Delfim exercita sua capacidade ofídica. “O tempo que (Fernando
Henrique Cardoso) poderia ter aproveitado para fazer o desenvolvimento, ele
aproveitou para se reeleger. E o que é pior: pra nada. Porque o segundo
mandato foi mais lamentável que o primeiro.”
Paradoxos marcam a oitava década de vida de Delfim. O corpo em formato
de pêra, as mãos bem cuidadas, o cabelo retinto, o bom humor e
o estrabismo são os mesmos. Mas o ex-belzebu da esquerda é agora
conselheiro de um presidente petista, dá longa entrevista para o blog
do Zé Dirceu e chega a elogiar Karl Marx em artigos.
Ele defende, com ênfase, os programas de transferência de renda
do governo Lula e afirma que os direitos dos trabalhadores e a defesa do meio
ambiente são definitivos. Por essas e outras, diz que o “viés
de esquerda”, hoje em dia, virou sinal de trânsito.
Depois de não obter a reeleição para deputado federal,
em 2006, poderia se esperar que Delfim, então com 78 anos, rumasse para
a aposentadoria. Com um patrimônio declarado de R$ 2,1 milhões
(principalmente em imóveis) e o direito a pensões obtido por
passar décadas no serviço público, ele poderia confortavelmente
se dedicar a ler mais livros de sua lendária biblioteca.
Porém, a julgar pelo movimento de carros e pessoas no casarão
que sua consultoria, a Idéias, ocupa no bairro do Pacaembu, o trabalho
parece ter aumentado e não diminuído. Ao longo de um mês,
Delfim profere pelo menos quatro palestras (a um preço apurado de R$
10 mil cada), escreve uma porção de artigos, leciona algumas
aulas e participa de várias reuniões com clientes e dos muitos
conselhos para os quais foi nomeado ao longo da vida.
Somam-se, ainda, as dezenas, se não centenas, de telefonemas. O economista
está no topo da agenda de muitos colunistas, entre as chamadas “fontes
jornalísticas” para os quais se deve ligar todo dia para trocar
informações. Sim, trocar: quem dá mais recebe mais; quem
não sabe nada, leva no máximo uma frase de efeito.
À revista Poder, Delfim falou por 52 minutos, no dia 18 de março.
Confira abaixo alguns trechos da entrevista.
LULA
Ele tem uma inteligência absolutamente privilegiada. Eu acho que o Lula
salvou o capitalismo brasileiro. Os economistas têm um vício terrível,
de ignorar a distribuição de renda. O capitalismo é uma
competição, uma guerra. O que você exige de mínimo
para uma corrida ser honesta? Que todos tenham duas pernas.
Construir um mecanismo que aumente a igualdade de oportunidades (programas
de transferência de renda, como o Bolsa-Família) é fundamental
para dar moralidade ao capitalismo. Se você não combinar esse
sistema com o sufrágio universal, com a urna, termina muito mal.
O Lula conseguiu um fato elementar: aumentar a igualdade de oportunidades. É preciso
que todos tenham a mesma oportunidade, senão vamos criar dois países.
Isso não é garantia de resultado: é garantia de honestidade
do ponto de partida. O homem é ele e suas circunstâncias, como
dizia o nosso companheiro (Ortega y Gasset).
A idéia de que (programa social) é assistencialismo é verdade.
Só que é um assistencialismo que está montando uma porta
de saída. É um assistencialismo que condiciona a educação,
e agora, quando estende para as pessoas de 15 a 17 anos, está tentando
colocar essa gente no mercado de trabalho.
Há uma mudança de concepção. Essa é que é a
contribuição do Lula. O Lula é um sobrevivente. O Lula é o
Darwin andando. É um processo da seleção natural mesmo,
e com uma vantagem: nunca leu Karl Marx.
Não adianta estar com ilusão: quando você entrega tudo
para o economista, faz uma política economicista, sem levar em conta
esses aspectos (as desigualdades), vem a urna e corrige. Nem (Hugo) Chávez,
nem (Evo) Morales, nem (Rafael) Correa são acidentes. São tentativas
de correções. O problema é que o sufrágio universal
não garante correções na direção certa.
Quanto ao sucesso econômico, Lula foi muito honesto. A última
frase dele é realmente sensacional: “Eu, mais uma mãozinha
de Deus…”. E é nessa ordem mesmo.
FHC e a POLÍTICA ECONÔMICA
O país estava falido em 2002. Fernando Henrique entregou o país
com a inflação rodando a 30% (ao ano), com as exportações
crescendo a 4,5% (ao ano), com a dívida externa crescendo a 6,5% (ao
ano), e US$ 17 bilhões de reservas. Tanto que para o Fernando iria ser “Lula,
o Breve”: em seis meses ia ter inflação em 100%, ele ia
ter de voltar ao Fundo Monetário, e o Fernando ia ser chamado de volta
para salvar o Brasil.
O que aconteceu de 2002 para 2003? Durante oito anos de Fernando, a exportação
cresceu 4,5%, no primeiro ano Lula, cresceu 22%. Houve uma explosão
no mundo, houve o aparecimento da China, da Índia… Essa é que é a “mãozinha
de Deus”.
E hoje você está em uma situação de bonança
que é quase inacreditável. Você está com reservas
de US$ 193 bilhões, está com as exportações crescendo
de 17% a 18% (ao ano), felizmente as importações estão
crescendo a 45%, de tal forma que esse superávit comercial vai diminuir
mesmo. O que melhorou, na verdade, foi isso, o resto não mudou nada.
Nem sequer a política cambial é melhor do que a anterior. Foram
três coisas:
1) Primeiro, foi essa atitude de reconhecer que existe um negócio que
nós temos de mudar; ainda que não vá poder dar, com a
velocidade que se quer, a igualdade de oportunidades, as pessoas têm
de ter a consciência de que está caminhando nessa direção,
que é pra aceitar a política econômica. (No governo Fernando
Henrique) não tinha sequer a concepção, era um negócio
de atender pobre, pobre que o próprio governo estava construindo com
uma política econômica devastadora;
2) Segundo, foi a “mãozinha de Deus”;
3) Terceiro, foi o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento);
o PAC colocou outra vez na mesa o problema do desenvolvimento. Fazia praticamente
20 anos que ninguém falava em desenvolvimento; o PAC aumentou o investimento
público. Não é apenas o governo federal: o Aécio
(Neves) está fazendo a mesma coisa, o (José) Serra está fazendo
a mesma coisa. As pessoas não estão entendendo que está havendo
um aumento do investimento público em infra-estrutura, e o efeito multiplicador
do investimento público é muito importante.
O Fernando gastou um tempo imenso na reeleição (para aprovar
a emenda constitucional) e com métodos heterodoxos. O tempo que ele
poderia ter aproveitado para fazer o desenvolvimento, ele aproveitou para se
reeleger. E o que é pior: pra nada. Porque o segundo mandato foi mais
lamentável que o primeiro. Ele fez algumas coisas que foram importantes.
A contribuição, talvez, mais importante foi a ordem nas finanças
estaduais – é claro que ninguém passa oito anos sem fazer
alguma coisa, seria um escândalo maior do que foi.
2010 e o CRESCIMENTO DA ECONOMIA
Desde os anos 40, estudos empíricos mostram o seguinte: o fator mais
importante na eleição é o fator econômico. O presidente
(Lula) terá uma importância muito grande na eleição.
Se ele vai eleger (o sucessor), não sei. Mas ele vai ter uma importância
muito grande se o Brasil continuar crescendo 5% a 6% ao ano, como tudo indica
que vai continuar.
Quais são os dois fatores que podem abortar o crescimento? É a
crise energética e a crise em contas correntes. Os dois fatores, na
minha opinião, estão mais ou menos resolvidos. Mesmo com a crise
americana, você tem US$ 193 bilhões de reservas, e isso permite
quatro anos de besteiras, que é o tempo pra comer isso, ou permite quatro
anos de uma política melhor do que a atual.
(Quanto à) crise energética, a mãozinha de Deus deu mais
uma ajudada (voltou a chover), o que prova que a nacionalidade dele é correta.
Em menos de 12 meses, ele provou três vezes a sua preferência:
com (os campos de petróleo de) Tupi, Júpiter e água. Em
2009, eu acho que você não terá mais surpresas porque o
governo levou um susto dos diabos.
Você poderia ter um problema de gás, porque a Petrobras é a única
empresa em estado quântico, ela pode vender a mesma molécula para
dois sujeitos, garantindo que vai entregar (em referência ao gás
combustível prometido aos taxistas). Mas hoje os tais navios de gás
liquefeito estarão no Brasil antes do fim do ano, 2009 eu acho que está superado.
Co-geração vai ter um papel importantíssimo, o governo
acordou, está deixando o pessoal do bagaço (de cana) entrar direto
na linha, você tem aí guardados 3 mil a 4 mil megawatts que podem
ser utilizados.
O BRASIL NO MUNDO
Eu acho que o Brasil tem todas as condições de continuar crescendo
entre 5% e 6% ao ano, porque os fatores que abortam o crescimento não
vão aparecer. O Brasil poderá ter muitas surpresas, mas eu acho
que o Lula está prevenindo a maior de todas as surpresas, que é a
eventual queda dos preços dos produtos agrícolas e minerais que
são exportados. Esse programa exportador industrial que está sendo
montado pelo Miguel Jorge (ministro do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior) se destina a começar a construir de novo um
setor exportador industrial enérgico.
A hipótese da OMC (Organização Mundial do Comércio) é a
mais indecente de todas: “Para o Brasil, a agricultura e o minério,
para a Índia, os serviços, e para a China, a indústria”.
Banana pra eles! Nós vamos ter, daqui a 25 anos, de 240 a 250 milhões
de habitantes, teremos de dar emprego para 140 milhões de brasileiros
entre 15 e 65 anos, ninguém vai fazer isso com exportação
agrícola e mineral. Nós somos vítimas de um complexo malthusiano.
O progresso tecnológico nesses dois setores economiza mão-de-obra
e economiza terra.
DIREITOS ADQUIRIDOS
Hoje, duas coisas são conquistas: a defesa do meio ambiente pode até ser
exagerada, mas é um negócio definitivo. Eu, quando era moleque
nas ruas do Cambuci, matava passarinho e comia o passarinho. Hoje, qualquer
criança, se você contar isso, tem de ir para um psiquiatra. E
a segunda é que não tem mais jeito de você retirar direito
dos trabalhadores.
Você tem de permitir que eles negociem os seus direitos, sob a proteção
da lei. O Brasil conseguiu isso com o velho jeitinho. Tudo no Brasil é negociável.
Você vai para a Justiça do Trabalho e negocia tudo. É por
isso que o Brasil tem um sistema muito mais flexível do que parece.
REAL X DÓLAR
Perguntaram para ele (Warren Buffett): “Como você ganhou US$ 100
milhões com o real?” E ele: “É que tem uns idiotas
lá embaixo (no Brasil)”. Esse é um problema que vem desde
o primeiro mandato do Fernando Henrique, que teve de fazer 22% de juro real
durante quatro anos para manter o real valorizado.
Qual a razão de pagar essa taxa de juros? “Ah, se não pagar
esses juros os bancos brasileiros não financiam (a dívida pública)”.
Vão aplicar onde? Vão ter de aplicar no setor privado a taxas
ainda mais baixas. Tudo isso é uma das maiores mistificações
em nome da ciência econômica já construídas.
LEITURAS
Entender o mundo de hoje, pra mim, é procurar entender como ele funciona
economicamente. Não creio que haja algum livro-chave hoje em dia para
isso. Dos livros do passado, eu diria que está tudo em Adam Smith, desde
que você leia os dois: Teoria dos Sentimentos Morais e A Riqueza das
Nações.
Está tudo lá. No Adam Smith o agente era um agente moral. Ele
inventou um observador que era uma coisa interna do sujeito, ele tinha uma
moralidade implícita, como se fosse um imperativo categórico.
O observador invisível estava dentro de você. A nossa crise é produto
da imoralidade de funcionamento do sistema.
O sistema financeiro nasceu para servir a economia real, mas ele se apropriou
da economia real. Qual é a única regra moral do sistema financeiro?
O maior lucro possível, no menor tempo possível, para obter o
maior bônus possível e correr para aplicar em papéis do
Tesouro americano.
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Agência Diap, 14 de
abril de 2008
Informe-se antes de xingar
Por: Dr. Rosinha*
Em outubro, a Constituição
completa 20 anos e o imposto sobre grandes fortunas ainda não
foi regulamentado
Dias atrás, já antes das seis e meia da manhã, estava
eu no aeroporto de São José dos Pinhais, que alguns insistem
em dizer que é de Curitiba, para embarcar com destino à Brasília,
quando fui abordado por um cidadão.
A abordagem foi, diga-se de passagem, nada educada, grosseira mesmo. Ele gritava,
para que todos ouvissem. Falou o que quis, e voltou para a fila onde estava,
sem me dar a chance de qualquer explicação.
Fiquei onde estava, mais atrás, na mesma fila. As pessoas que estavam
ao meu redor, olhando para mim, cobravam explicações sobre o
que referido cidadão havia me dito. Ao mesmo tempo em que explicava,
eu me sentia o pior dos homens, ou melhor, o pior dos deputados.
Passados alguns minutos, o mesmo cidadão volta para o lugar onde estou,
e continua a me dirigir, em voz alta, novos impropérios. Até que,
numa inédita pausa, tenho a oportunidade de perguntar se ele acha que
meus ouvidos são uma lixeira, na qual ele despeja o que quer e vai embora.
Nesse instante, ele me dá a oportunidade de informá-lo que não
há nenhum projeto de minha autoria no Congresso Nacional em razão
do qual ele me acusa e xinga.
Mas toda essa agressividade deve continuar, por parte deste cidadão
e de outros super-ricos, pelo fato de eu defender e solicitar estudos visando
a criação de imposto sobre as grandes fortunas (IGF).
Esse tipo de imposto está previsto no artigo 153 da Constituição
de 1988. No próximo mês de outubro, a Constituição
faz 20 anos e o tributo ainda não foi regulamentado.
Alguns leitores ou leitoras talvez também estejam pensando: "O
Brasil tem muito imposto, e vem esse cara propor mais um". Realmente,
o Brasil tem muito imposto. Mas para quem?
Como o nosso sistema tributário é assentado em impostos indiretos,
os que mais pagam são os assalariados, pequenos e médios empresários
e agricultores. São poucos os impostos diretos, principalmente sobre
o capital, lucro, herança e patrimônio. E é exatamente
sobre como aumentar tais impostos que solicitei estudos.
Não se trata de um debate novo. Talvez a novidade seja o grau de impropérios
dos ricos. É um debate antigo, anterior à atual Constituição.
De lá pra cá, o primeiro projeto de lei a respeito do IGF foi
apresentado em 1989 pelo então senador Fernando Henrique Cardoso.
No primeiro ano do governo Lula, em 2003, a proposta de taxar grandes fortunas
voltou a ser cogitada, em conjunto com o imposto sobre herança, cuja
alíquota no Brasil, de 4%, é uma das mais baixas do mundo. Na Áustria,
por exemplo, o percentual desse tributo chega a 55%.
Quando se fala em "herança", não é a do seu
apartamento, casa, sítio ou chácara. Fala-se de patrimônios
milionários. E eu, particularmente, defendo que a alíquota de
cobrança seja progressiva.
O IGF é cobrado há vários anos — e com sucesso — em
países como França, Espanha, Grécia, Suíça
e Noruega. Por que não cobrá-lo no Brasil? Taxar as fortunas
milionárias é um instrumento importante de justiça fiscal,
que servirá para reduzir as desigualdades sociais. Cobra-se de quem
tem, e dá-se, através de serviços como saúde e
educação, a quem não tem.
Um estudo feito pela Secretaria da Receita Federal mostra que 0,9% dos que
declararam imposto de renda possuíam renda mensal superior a R$ 10 mil,
e detinham 15% do total de patrimônio. Nem todos que estão nessa
faixa são milionários.
No Brasil, os 10% mais ricos se apropriam de mais da metade da renda nacional.
Pois bem, o estudo que encomendei é para saber de quem cobraremos o
imposto, e com qual alíquota. O imposto sobre grandes fortunas atingiria
um percentual pequeno da população brasileira, e a cobrança
desse setor contribuiria para a redução de impostos sobre os
setores produtivos.
Quando se fala em imposto sobre grandes fortunas, o cidadão precisa
pensar, antes de qualquer coisa, se o patrimônio que possui é uma
grande fortuna, antes de vir a desancar quem propôs estudos a respeito.
Fala o que quer, xinga em voz alta. Depois que recebe a explicação,
vai embora e pede desculpas em voz baixa. Assim não dá.
(*) Deputado federal (PT/PR) é vice-presidente
do Parlamento do Mercosul
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FOLHA
DE LONDRINA, 14 de abril de 2008 | Opinião
Aumenta número de mulheres no comando
Elas já conquistaram 20% dos cargos de
alto escalão em companhias brasileiras e encontram no preconceito
o maior obstáculo para atingir liderança
São Paulo - A
escalada cor de rosa rumo ao topo das companhias é lenta e
gradual, mas muita coisa mudou no mundo corporativo e a guerra dos
sexos vai sendo superada, sobretudo quando a empresa comandada pela
mulher apresenta resultados. Dois exemplos irrefutáveis são
as gigantes Pepsico, liderada pela indiana Indra Noovy, considerada
pela Forbes uma das mulheres mais poderosas do mundo, e a Xerox,
com Ursula Burns à frente.
O último levantamento
realizado pela Catho, empresa de recrutamento, junto a 94.923 empresas
e 360.501 executivos, aponta participação histórica
de mulheres nos níveis hierárquicos mais elevados (presidentes
e CEOs): 20,56%. É o percentual mais alto registrado nos últimos
11 anos - em 1997, elas representavam apenas 10,39% dos presidentes
e CEOs.
Mas qual é o perfil
dessas mulheres? Para confrontar os estilos das executivas brasileiras
com os das norte-americanas e inglesas, a Caliper, consultoria internacional
em Recursos Humanos, em parceria com a HSM, elaborou uma pesquisa.
''Foram entrevistadas individualmente cerca de 60 profissionais do
Rio, São Paulo, Pará, Bahia, Goiás, Minas, Santa
Catarina e Paraná'', afirma José Geraldo Recchia, presidente
da Caliper do Brasil. As executivas atuam em 17 segmentos do mercado,
de cosméticos e alimentos a áreas de saúde, petróleo,
transportes, telecomunicações, entre outras.
''Ao contrário do que
se imagina, as solteiras não são a maioria: 65% das pesquisadas
são casadas; 23%, solteiras; 9%, divorciadas, e 3%, viúvas.''
A faixa etária impressiona: 55% das entrevistadas estão
abaixo dos 44 anos. Porém, se por um lado a idade imprime a
idéia de dinamismo e inovação, a carreira vertiginosa,
com pouco tempo em cargos intermediários, foi apontado por 13%
como um complicador.
Com 42% das respostas, o maior
obstáculo para atingir a liderança diz respeito ao preconceito
de gênero, segundo Racchia, percebido mais nas regiões
Norte e Nordeste. Por outro lado, as executivas respondem ao desafio
de terem sua competência à prova investindo no conhecimento
técnico e na formação acadêmica, quesitos
nos quais superam os homens.
Outro dado interessante da
pesquisa: quando saem em busca de um novo emprego, estão mais
preocupadas com os benefícios e valores da empresa do que com
a remuneração. Apesar de a dupla jornada não aparecer
como a maior preocupação das entrevistadas (3%), elas
destacaram a necessidade de as organizações adotarem
uma política mais flexível quanto à jornada de
trabalho para que possam atender a situações emergenciais
em relação aos filhos.
Apoio familiar no processo
de ascensão da carreira é fundamental.''Com certeza,
essa ocupação de espaço no mundo dos negócios
vem acompanhada de uma mudança no perfil dos esposos, que apóiam
e dão a retaguarda necessária quando surgem reuniões
e viagens de trabalho.''
Vera Fiori
Agência Estado
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de abril de 2008 | Economia
Dívida já custa 9 meses
de trabalho ao brasileiro, indica estudo
Agência Estado
O brasileiro precisa trabalhar
cada vez mais para quitar dívidas de financiamentos. Hoje
são necessários mais de nove meses de trabalho para
pagar empréstimos. Em 2004, essa conta era inferior a seis
meses, revela estudo do consultor para o sistema financeiro e economista
pela Universidade de Brasília, Humberto Veiga. O aumento
de 60% no comprometimento da renda com empréstimos em três
anos é resultado do ritmo de crescimento do crédito
ao consumidor, muito superior à massa de salários.
É exatamente esse descompasso
entre o crédito e a massa salarial que deve funcionar como um
freio no consumo daqui para frente. “Nem precisava subir os juros
para arrefecer a economia”, diz Veiga. Em reunião marcada
para esta semana, o Comitê de Política Monetária
(Copom) do Banco Central deve elevar a taxa básica de juros, a
Selic, hoje em 11,25% ao ano. A expectativa do mercado é de um
acréscimo de 0,25 ponto porcentual. Mas há quem espere
alta de até 0,5 ponto nos juros por causa do aumento da inflação.
O economista concluiu que o comprometimento
da renda está elevado depois de fazer um estudo sobre o comportamento
da massa de salários e do crédito. Nos cálculos,
foi considerada a evolução da massa de salários
com base nos dados da Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) em seis regiões metropolitanas
do País. Também foi levado em conta o volume de crédito
ao consumidor mês a mês entre novembro de 2004 e novembro
de 2007, segundo as estatísticas do BC. Ficaram de fora da análise
janeiro e dezembro de cada ano porque nesses meses há forte influência
do 13º salário tanto na renda como no crédito, frisa
Veiga.
O estudo aponta crescimento
da massa salarial de 21% de novembro de 2004 a novembro de 2007 e aumento
do volume de empréstimos de 85%, já descontada a inflação.
Em números exatos, o brasileiro precisava trabalhar 5,9 meses
para pagar os empréstimos em 2004. Essa relação
subiu para 7,3 meses em 2005 e passou a 8,6 meses em 2006. No fim de
2007, atingiu 9,5 meses. “O comprometimento da renda com empréstimos
hoje é bastante considerável. É um sinal de alerta
e pode reduzir a capacidade de consumo mais para frente”, diz
Veiga. As informações são do jornal O Estado de
S. Paulo.
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Gazeta do Povo, 14 de abril de 2008
Crescimento
Otimismo moderado quanto ao PIB
Apesar da crise norte-americana e da ameaça da elevação
da taxa de juros para conter a inflação, os empresários
da Região Sul prevêem crescimento da economia em 2008. Para 58%
deles, esse ano será melhor do que o ano passado. O índice, porém, é menor
do que o apurado no levantamento em 2007, quando 72,3% responderam positivamente.
A pesquisa mostra que 42% dos entrevistados acreditam que o Produto Interno
Bruto (PIB) do Brasil vai crescer 4% em 2008, mas também é representativa
(39,5%) a parcela dos que acham que a economia avança 5% em 2008. A
maior parte dos pesquisados prevê que o dólar deve encerrar o
ano na casa dos R$ 1,80 e vê oportunidades de negócios principalmente
com os países do Mercosul. A flutuação da taxa de câmbio
afeta especialmente as empresas participantes da sondagem. Para 42% delas a
influência da cotação do dólar tem grande impacto
nos seus negócios. Do total da amostra, 38,3% aumentaram as exportações
e 14,8% diminuíram as vendas externas.
O estudo mostra também que é crescente o número de empresas
preocupadas em adotar indicadores de governança corporativa. (CR)
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Gazeta do Povo, 14 de abril
de 2008
Pesquisa
Empresas vão reajustar preços
acima da inflação em 2008
Sondagem da PricewaterhouseCoopers nos
três estados do Sul mostra que grande parte das empresas pretende
reajustar seus preços em até 10%
A maioria das empresas do Sul do país pretende reajustar seus preços
em 2008 e boa parte delas deve promover aumentos acima da meta de inflação
estipulada pelo governo federal, de 4,5%. É o que constata a 2ª Sondagem
Empresarial “A Força do Sul”, realizada pela consultoria
PricewaterhouseCoopers (PwC), que será divulgada amanhã em Curitiba.
O levantamento mostra que 71,6% das companhias pretendem elevar seus preços
nesse ano. Desse grupo, 89,6% vão gerar altas de até 10% nos
seus produtos. Para 53,4% delas, os reajustes serão de até 5%
e para 36,2% de 5% a 10%.
O estudo ouviu empresários
de 14 setores da esfera pública e privada com destaque para
os segmentos do agronegócio (21%), serviços (18,5%),
de indústria – têxtil, papel e celulose e metalúrgico
(17,3%) – automotivo (9,9%) e elétrico e eletrônico
(9,9%). A maior parte (63%) dirige negócios cujo faturamento
neste ano deve superar R$ 100 milhões.
Segundo Carlos Biedermann, um dos responsáveis pela pesquisa, a demanda
em alta, o aumento dos custos de insumos e de mão-de-obra são
as principais razões para os reajustes. “É natural que
as empresas tentem aumentar preços e recompor seus custos em um momento
de procura aquecida” diz.
A pesquisa aponta uma mudança no comportamento do empresariado, segundo
o pesquisador. “No ano passado, a maior parte dos empresários
previa reajustes dentro do limite da meta de inflação”,
lembra ele, que atribui também à entrada das classes C e D com
mais força no mercado de consumo como uma das pressões sobre
os preços.
Embora as vendas estejam aquecidas, a sondagem indica que a projeção
de alta dos preços não está relacionada à eventual
falta de produtos no mercado. Pelo contrário, a maior parte das empresas
(63%) considera que os seus níveis de estoques estão adequados.
“ Os números indicam que as empresas querem aproveitar o momento
para aumentar sua lucratividade. Como foi realizada no início do ano,
a pesquisa carrega ainda a euforia da virada do ano, depois de um 2007 bom para
vários setores. Hoje o ânimo é outro e não há espaço
para reajustes dessa ordem”, alerta Judas Tadeu Mendes, presidente do Estação
Business School/Ibmec.
Com vendas em alta, boa parte das empresas (64,2%) pretende ampliar seus lucros
em 2008. Trata-se de uma mudança de cenário em relação à pesquisa
do ano anterior, quando 82% previam queda de rentabilidade.
A alta dos preços vem reforçando as preocupações
do Banco Central, que sinalizou que, para frear o ímpeto inflacionário,
pode elevar a taxa de juros Selic, hoje em 11,25%, na próxima reunião
do Comitê de Política Monetária (Copom) que será realizada
amanhã e quarta-feira. Será o primeiro aperto monetário
em três anos. O último aconteceu em maio de 2005, quando subiu
a Selic de 19,50% para 19,75%. A expectativa é de um aumento de até 0,50
ponto na taxa.
Os números do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
mostram que a inflação não desacelerou em março,
como previam os economistas e o próprio Banco Central. O indicador,
medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
que é usado como referência do regime de metas de inflação,
apontou alta de 0,48% em março, apenas 0,01% abaixo da leitura de fevereiro,
influenciado pelos preços dos alimentos, vestuário, administrados
e combustíveis. O mercado, no entanto, trabalhava com um índice
de 0,35%.
De acordo com a pesquisa, a maior parte (58%) dos empresários ouvidos
acredita que a inflação deve ficar entre 3% e 5% em 2008. Do
total, 37% projetam taxas de 5% a 7% e apenas 1,2% estimam inflação
de 1% a 3%.
Para o economista José Pio Martins, da Universidade Positivo, o Brasil
está vivendo o efeito “contaminação”. Além
da inflação mundial, o aumento de alguns custos que não
foram repassados no passado porque não havia espaço para reajustes
começam a ser contabilizados. Entre eles estão o aumento do preço
da energia e da carga tributária nos últimos anos. Para Martins,
a elevação dos custos de mão-de-obra – provocada
pela maior geração de empregos – o aumento dos preços
administrados (como energia e telefonia) e as cotações de commodities
(agrícolas, aço e petróleo) serão decisivos no
comportamento de preços das empresas nos próximos meses.
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Folha de São Paulo,
14 de abril de 2008
Mais isolado, Copom deve elevar os
juros
Órgão faz nesta semana reunião
mais importante do 2º mandato de Lula, sem o apoio unânime
do mercado financeiro | Paulo Bernardo, ministro que costumava se
alinhar com o Banco Central, ressalta agora não ver motivos
para elevação da taxa
SHEILA D'AMORIM
VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de elevar o tom no discurso
por uma alta dos juros, o BC terá nesta semana a reunião
mais importante do Copom (Comitê de Política Monetária)
do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais
isolado do que nunca na defesa de alta dos juros, o presidente da instituição,
Henrique Meirelles, pavimentou o caminho político dentro e fora
do governo para uma eventual elevação da taxa Selic.
Desta vez, não se trata apenas da conhecida rixa com o ministro Guido
Mantega (Fazenda) ou das divergências com o pensamento dito desenvolvimentista
da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
Segundo a Folha apurou, nas últimas reuniões da equipe econômica,
colegas que costumavam se alinhar com o BC, como o ministro Paulo Bernardo
(Planejamento), ressaltaram não ver motivos para elevação
os juros agora e que era possível aguardar a próxima reunião
do Copom, em junho.
Lula é contra aumento de juros, mas vem publicamente manifestando apoio à política
de Meirelles no BC. Nos últimos dias, deu declarações
ambíguas sobre o tema. Na sexta, disse que um corte de 0,25 ponto não
traria "transtorno" à economia. Anteontem, negou que tenha
dado aval a uma hipotética elevação.
Desta vez, porém, o BC não conta nem com o aval unânime
do mercado financeiro, tradicionalmente a base de apoio nos embates com a Fazenda
(que tem a simpatia do empresariado). A aposta de banqueiros, economistas e
investidores é que os juros subirão. As preocupações
do BC com a aceleração do consumo já foram digeridas,
mas não convencem.
Nas palavras de um importante banqueiro interlocutor do BC com o mercado, ao
endurecer o discurso na defesa da alta dos juros, o diretor da instituição
Mário Mesquita (Política Econômica) mostrou "certeza
demais" para um cenário "com dúvidas em excesso".
Além disso, ele destaca que a situação no Brasil ainda é confortável
e que o BC teria condições de esperar, sem risco de um descontrole
de preços.
Na equipe econômica, há uma avaliação de que o medo
demonstrado pelo BC com a inflação é resquício
das divergências internas vividas pelo Copom, em 2007. Na época,
houve embate entre o grupo de Mesquita e o liderado pelo diretor Alexandre
Tombini em relação ao ritmo dos cortes na Selic. Mesquita quis,
sem sucesso, antecipar a diminuição das quedas promovidas e Tombini
defendeu a manutenção.
Como há uma defasagem entre a redução nos juros e o impacto
que essa decisão tem na economia real, o crescimento verificado no início
deste ano estava sob influência dos cortes promovidos naquela época.
No BC, além do crédito abundante que tem financiado o consumo,
outra fonte de preocupação é o gasto do governo. A política
fiscal tem sido expansionista, e o corte de R$ 19,4 bilhões divulgado
não mudará isso -veio acompanhado de uma elevação
de R$ 16,9 bilhões nos gastos da União.
A avaliação é que, mesmo que esse aumento não tivesse
sido promovido, a medida não ajudaria a influenciar as expectativas
dos agentes financeiros imediatamente. A inflação esperada por
empresários, investidores e analistas é importante porque influencia
os reajustes no curto prazo.
Ao contrário do que acontecia no passado, porém, hoje ninguém
duvida que a economia para pagar juros da dívida (superávit primário)
equivalente a 3,8% do PIB será cumprida. Assim, o simples anúncio
de que o governo faria um superávit maior não teria mais o efeito
imediato de antes, quando essa medida melhorava a avaliação do
país, o câmbio se apreciava e a inflação caía.
Para o BC, agora, o efeito seria mais lento e defasado. Seria necessário
esperar até que a redução das despesas públicas
se traduzisse numa queda na demanda. Há uma semana, em encontro com
investidores em Miami, nos EUA, Meirelles chamou a atenção de
presentes à reunião pela defesa da taxa de juros como o melhor
instrumento para controlar a demanda. Segundo relato à Folha de duas
pessoas que ouviram a palestra, ele ainda descartou medidas para controlar
o crédito.
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Congresso em Foco, 14 de
abril de 2008
A derrocada do império ianque
De bolha em bolha, o dinheiro fictício
neoliberal está dançando e este pode ser o começo
do fim da hegemonia norte-americana, diz Márcia Denser. Para
ela, o futuro é um mundo policêntrico.
A crise deles
A gravidade da atual crise
econômica nos Estados Unidos e seus desdobramentos mundiais significa
que a desregulação dos mercados e o neoliberalismo estão
se esgotando, só que aqui no Brasil ainda não nos demos
conta disso e por quê?
Em primeiro lugar, porque os jornalões, a grande mídia e as elites
financeiras não deixam, em segundo porque, em cem anos, pela primeira
vez na História, com a alta dos mercados de grãos, alimentos,
gado, matérias primas, os países do G20, a América Latina
e, sobretudo, o Brasil vão se dar bem.
De bolha em bolha desde 90, o dinheiro fictício neoliberal está dançando
e este pode ser o começo do fim da hegemonia norte-americana. A belicosidade
bushiana contra o mundo árabe não passou duma contra-medida irresponsável.
Ora, a dívida externa norte-americana foi comprada precisamente pelos
chineses e pelos árabes. Que apostaram mais no euro e numa cesta de
diversas moedas na qual o dólar era só mais uma.
A crise subprime, a crise do dólar e seu contágio global eram
esperados há muito tempo. O capitalismo não pôde e não
soube como neutralizá-la, apesar de que era evidente desde o final de
2006. A especulação, o lucro e a ganância provocaram uma
cegueira dogmática poucas vezes vista na teoria econômica capitalista.
Trata-se de um episódio circunstancial na história econômica,
ou da evidência que demonstra o esgotamento de um modelo?
Acreditamos que a segunda é a questão central. O capitalismo
imperial foi vítima das suas próprias contradições.
Promoveu o neoliberalismo, primeiro esgotou a nós, no sul, e agora estão
provando os efeitos da sua própria receita.
Mas, é claro, uma coisa é uma crise financeira e econômica
nos EUA e outra muito diferente uma crise nos países subdesenvolvidos.
Contudo, hoje, pela primeira vez em séculos, a previsão é que
a crise tenha um contágio parcial. A América Latina não
entrou no jogo dos bônus lixo, produz o que o mundo precisa, reduziu
seu sistema financeiro, em grande parte mais racional e rompeu os laços
que a mantinham atrelada às organizações internacionais
de crédito.
Enquanto isso, a expansão financeira do Primeiro Mundo esgotou seu ciclo
e dá a impressão de que a situação não será revertida
em pouco tempo. Contudo, esta não é somente uma crise econômica,
senão que é, também, uma crise de hegemonia.
Os dados mostram uma perda progressiva de espaço econômico dos
Estados Unidos, que se traduz em uma perda progressiva de poder. É provável
que o relançamento da expansão militar tentou ser o antídoto
dessa crise de poder que os dados econômicos de hoje começam a
mostrar.
O surgimento do BRIC e a afirmação soberana de outros países,
apesar dos Estados Unidos, configuram um cenário futuro totalmente diferente
do que conhecemos. É provável que estejamos nos dirigindo para
um mundo policêntrico, no qual os EUA sejam apenas um a mais, poderoso,
não há dúvida, mas em um mundo em que as economias, as
moedas e o poder global sejam mais equilibrados entre diversos centros regionais.
O sistema financeiro que conhecemos esgotou uma modalidade de rapina, desconhecida
pela grande maioria do povo, mas que afeta a todos nós, apesar de não
sabermos direito como funciona. Afinal de contas, como dizia Henry Ford: “É bom
que o povo não entenda nosso sistema bancário e monetário,
porque se entendesse acho que haveria uma revolução antes de
amanhã”.¹
¹ In Os Estados Unidos e sua crise
econômica por Fernando López D’Alesandro – Rebelión.
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de abril de 2008 | Nacional
Mais de 100 mil pessoas disputam
salário de R$ 2 mil na Petrobras
Nielmar de Oliveira - Agência
Brasil
O concurso para preenchimento de 989
vagas na Petrobras em dois cargos de nível médio se
realiza neste domingo (13) às 14h. As provas, suspensas em
março por decisão judicial, serão realizadas
em 13 estados, onde 109 candidatos disputam os cargos de técnico
de operação junior (936 vagas) e técnico de
inspeção de equipamentos e instalações
junior (53 vagas). Segundo nota divulgada pela empresa, o salário é de
R$ 2.019,01 mais benefícios e a admissão é imediata.
Os candidatos devem procurar
informações sobre os locais e horários das provas
nos sites da Petrobras (www.petrobras.com.br) e do Cespe, responsável
pelo processo seletivo: www.cespe.unb.br.
Entre os benefícios, estão
planos de previdência complementar e de saúde (médico,
odontológico, psicoterápico e benefício farmácia)
e benefícios educacionais para dependentes (da creche ao ensino
médio).
Inicialmente marcado para
9 de março, o processo seletivo foi suspenso pela Petrobras
em obediência a uma decisão judicial. Na oportunidade,
houve protestos em várias partes do país, já que
muitos inscritos haviam se deslocado para fazer a prova.
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Agência Diap, 14 de
abril de 2008
ESCLARECIMENTO
Fator previdenciário não
retorna, vai à Câmara, Casa revisora
O projeto de lei do Senado (PLS
296/03), do senador Paulo Paim (PT/RS), que extingue o fator previdenciário
e altera a forma de cálculo dos benefícios previdenciários,
aprovado na última quarta-feira (9), no Senado Federal, não
retorna à Câmara dos Deputados como informou a Agência
Senado.
Como a iniciativa do projeto é do senador Paim, portanto, originário
do Senado, a proposição, segue agora, para exame da Câmara
dos Deputados, Casa revisora. Caso a Câmara aprove com alterações
de mérito o projeto, a matéria retorna ao Senado, que dará a
posição final à proposição.
Na Câmara, a matéria tramitará como projeto de lei (PL),
e deverá ser examinado, antes de ser votado no plenário, pelas
Comissões de Trabalho; de Seguridade Social e Família; de Finanças
e Tributação; e de Constituição e Justiça,
nesta ordem. (Marcos Verlaine)
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Agência Diap, 14 de
abril de 2008
PERICULOSIDADE
Comissão de Justiça
poderá votar projeto de interesse dos eletricitários
Continua na pauta da Comissão
de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados
o PL 7.378/06, do senador Paulo Paim (PT/RS), que concede adicional de
periculosidade aos eletricitários. A matéria já foi
aprovada na Comissão de Trabalho da Casa. O projeto é amplo
por prever benefício para qualquer trabalhador que, por conta
da atividade, tenha que lidar permanentemente com eletricidade.
O relator na CCJ é o deputado Pastor Manoel Ferreira (PTB/RJ), que apresentou
parecer favorável à proposta. Se a matéria for aprovada,
em razão de ser analisada em caráter terminativo, será encaminhada à sanção
presidencial, caso não haja recurso contrário à decisão
do colegiado.
Revista íntima
Outra proposição que poderá ser apreciada na CCJ é o
PL 583/07, da deputada Alice Portugal (PCdoB/BA), que dispõe sobre a
proibição de revista íntima de funcionárias nos
locais de trabalho.
A matéria também foi aprovada pela Comissão de Trabalho
e foi modificada pelo relator, que ampliou os benefícios do projeto,
proibindo as revistas íntimas em trabalhadores e trabalhadoras. O relator
no colegiado é o deputado Pinto Itamaraty (PSDB/MA), que apresentou
parecer pela aprovação da matéria. A proposta passará ainda
pelo plenário da Casa.
A CCJ se reunirá no plenário 1, às 14h, desta terça-feira
(15). Nesta quarta-feira (16), a sessão começará às
10 horas, mesmo horário da reunião desta quinta-feira (17).
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CONSULTOR JURÍDICO,
14 de abril de 2008
Regra flexível
Ação trabalhista pode
ser ajuizada em outra cidade
É válida a ação trabalhista ajuizada em local distinto
daquele onde foi firmado o contrato de trabalho? Sim é a resposta da 1ª Turma
do Tribunal Superior do Trabalho. O posicionamento foi firmado em voto do ministro
Lelio Bentes Corrêa em ação movida por um bancário
aposentado.
O Banco do Brasil foi condenado
pela Justiça do Trabalho do Piauí ao pagamento de diferenças
de aposentadoria. Ao recorrer ao TST, o banco alegou a incompetência
da Vara do Trabalho de Teresina, onde foi ajuizada a ação.
O contrato de trabalho foi firmado em Parnarama, no Maranhão.
O argumento do BB foi de que havia ofensa ao artigo 651 da CLT, que regulamenta
o local da competência.
O ministro Lelio Bentes Corrêa
considerou que a regra da competência em razão do local
de trabalho comporta exceções. Citou como exemplo o caso
do vendedor que trabalha em várias cidades. A competência
será em cidade onde a empresa tenha agência ou filial. Na
falta dessa, a Vara será no domicílio do empregado. O ministro
lembrou que o dispositivo da CLT que faculta ao empregado, sempre que
empreender atividades fora do lugar da celebração do contrato,
escolher entre o foro do contrato e o da prestação dos
serviços.
“O TRT-PI consigna o pleno
exercício do direito de defesa pelo banco”, ressaltou o
relator. “Em se tratando de incompetência relativa, e não
tendo sido demonstrada a ocorrência de prejuízo, deve-se
prestigiar a economia processual, prevenindo o desperdício de
recursos humanos e materiais que por certo haveria caso se determinasse
a nulidade do processado e a conseqüente repetição
de todos os atos processuais praticados até o presente momento”,
afirmou o ministro.
Lelio Bentes Corrêa diz
que “a medida se impõe até por força do artigo
5º, LXXVIII, da Constituição Federal, que positivou
no ordenamento jurídico pátrio o princípio da celeridade,
ao assegurar a todos o direito a uma duração razoável
do processo”.
RR 744.914/2001.3
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CONSULTOR JURÍDICO,
14 de abril de 2008
Carga pesada
TRT ratifica acordo de hora extra
fixa para motorista
por Daniel Roncaglia
A questão da jornada de
trabalho dos motoristas de caminhão é uma das mais delicadas
do Direito trabalhista. A natureza desse tipo de serviço dificulta
o cumprimento da limitação de oitos horas diárias
estabelecida pela Consolidação das Leis do Trabalho. Primeiro
pela dificuldade de se fazer na estrada o controle de horário.
Segundo porque, tanto para o motorista quanto para o padrão, não é possível
ficar 16 horas com o caminhão parado no meio da estrada.
Segundo dados da Confederação
Nacional do Transportes, um motorista de transportadora trabalha em média
14,5 horas por dia. Já o autônomo chega a ficar 15 horas
no batente. Números da mesma CNT informam ainda que existem 3
milhões de caminhões rodando o país. Eles são
responsáveis por 52% das cargas transportadas. Isso demonstra
que a questão transpassa o campo trabalhista, já que a
boa saúde do trabalhador é essencial para a segurança
nas estradas.
A transportadora Golden Cargo,
no entanto, encontrou um modo de solucionar em parte o problema. Apesar
de não ter agradado alguns motoristas, ela fez um acordo coletivo
com o sindicato, que foi ratificado pelo Tribunal Regional do Trabalho
2ª Região (São Paulo). Pelo acordo, os trabalhadores
dessa empresa ganham 40 horas extras fixas mensalmente. O cálculo é de
que, como os motoristas trabalham em média 20 dias por mês,
a empresa paga adiantadamente duas horas de horas extras, mesmo que elas
não sejam cumpridas.
Para que o acordo fosse legítimo
na Justiça, era preciso o entendimento de que os sistemas de rastreamentos
de caminhão não funcionam como um equipamento de controle
de horários. O juiz Salvador Franco de Lima Laurino (relator)
considerou o argumento da defesa da empresa plausível.
“É importante assinalar
que, em conformidade com as cláusulas das convenções
coletivas, a existência de equipamentos como o sistema de rastreamento
do veículo por via satélite e o computador de bordo não
significavam o controle e tampouco a imposição de horário
determinado de trabalho, destinando-se apenas à segurança
do caminhão”, afirmou o relator, que foi acompanhado pelos
demais juízes da 6ª Turma do TRT.
“Fizemos os juízes
entenderam que quando o motorista está na estrada não há nenhum
tipo de controle de horário”, afirma o advogado da empresa,
José Roberto Campos Junior. O advogado diz que a empresa tem 400
motoristas. Como ela trabalha com o transporte de defensivos agrícolas,
a maior carga de trabalho acontece durante a época de safra entre
julho a dezembro. No resto do ano, os motoristas ficam boa parte do tempo
na empresa. “O acordo foi um modo de encontrarmos um equilíbrio”,
afirma o Campos Junior.
Para o juiz, o pagamento fixo
de 40 horas extras era francamente benéfico aos trabalhadores
por causa dessa sazonalidade. “Seja pela fragilidade da prova do
controle de jornada, seja porque o empregador sempre pagou horas extras
em quantidade maior do que o recorrente demonstrou cumprir, o juízo
de origem andou bem ao rejeitar a pretensão ao pagamento de horas
extras, razão por que esse capítulo da sentença
não merece o reparo postulado no apelo”, argumentou o juiz.
Entre 2002 e 2003, o acordo previa
60 horas de horas extras, mas foi reduzido pela empresa por considerá-lo
acima do justo. Segundo o juiz Lima Laurino, “não há qualquer
pedido na demanda postulando o pagamento da diferença de 20 horas
extras por mês por esse fundamento, de modo que é ocioso
o debate sobre a validade desse negócio jurídico”.
O entendimento do TST não
segue o do tribunal paulista. Para a Subseção I Especializada
em Dissídios Individuais, o equipamento de rastreamento permite
ao empregador saber se o motorista trabalhou mais de oito horas por dia.
Deste modo, ele é válido porque se houve horas extras elas
aconteceram sob o consentimento da empresa. A decisão foi tomada
em novembro de 2007.
O advogado Campos Junior
lembra que a decisão pode ser revista pelo TST. A importância
do posicionamento do TRT, na sua opinião, é de que a
jurisprudência pode ser alterada com base nele.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
14/04/2008
Esfaqueado em expediente: Justiça
considera acidente de trabalho
Ao negar provimento ao recurso
de uma empresa de vigilância, a Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve a condenação ao pagamento de indenização
a um ex-empregado, agredido a facadas durante o expediente.
O vigilante, contratado pela
Planservig Planejamento Segurança e Vigilância, de São
Paulo, cumpria expediente em um shopping, e foi escalado para trabalhar
na condição de “líder” dos demais colegas.
Em determinado momento, um desses colegas impediu a saída de um
veículo, em cumprimento às normas de horário do
local, o que levou o motorista e os passageiros a solicitar a interveniência
do “líder”. Após adotar os procedimentos cabíveis
para o caso, ele obteve autorização da administração
do shopping para liberar o veículo. Quando, no entanto, solicitou
ao outro vigilante o cumprimento da ordem, começaram os desentendimentos,
que acabaram com agressão física. Esfaqueado pelo colega
(preso imediatamente), ele passou por cirurgia e tratamento, e ficou
internado por cinco dias.
Até o final de sua recuperação,
manteve-se em gozo licença, recebendo, pelo INSS, auxílio-doença.
A empresa, no entanto, não só se negou a emitir o Comunicado
de Acidente de Trabalho, como resolveu demiti-lo por justa causa, um
dia antes do término da licença, sob alegação
de que ele teria concorrido para a agressão de que fora vítima.
Foi quando o trabalhador entrou
com a ação, requerendo a anulação da justa
causa, sua reintegração ao emprego ou pagamento em dinheiro,
correspondente ao período em que teria direito à estabilidade
provisória por acidente de trabalho (12 meses). Também
reclamou o pagamento de horas extras, relacionadas com intervalo intrajornada,
e reflexos sobre as verbas rescisórias.
Os pedidos foram providos em
sentença da 3ª Vara do Trabalho de Santo André, inclusive
quanto à indenização, arbitrada em R$ 30 mil. A
empresa recorreu, mediante recurso ordinário, mas obteve do Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região apenas a reforma quanto às
horas extras, mantendo-se as demais condenações.
Apelou novamente em recurso de
revista, cujo seguimento foi negado pelo TRT, o que levou a empresa a
tentar a desobstrução, por meio de agravo de instrumento
no TST, insistindo na tese de que o vigilante não esteve afastado
por motivo de doença profissional e não recebeu auxílio-doença
por acidente, não lhe sendo devido, por conseguinte, a indenização
referente ao período de estabilidade.
O relator da matéria,
ministro Lelio Bentes Corrêa, refutou as alegações
da empresa, considerando que o TRT valeu-se de prova documental para
confirmar o recebimento do benefício previdenciário, o
que o levou a equiparar a agressão sofrida pelo autor da ação
a acidente de trabalho, na medida em que o episódio se deu no
ambiente profissional. Também destacou que a jurisprudência
do TST tem considerado irrelevante a circunstância da ausência
de gozo de auxílio-doença acidentário, desde que
evidenciado o nexo causal entre a moléstia a execução
das atividades para as quais o trabalhador foi contratado – o que
se mostra evidente no caso. (AIRR 991/2004-433-02-40.0)
Ribamar Teixeira
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14/04/2008
Gestante tem estabilidade após o
parto mesmo com a morte da criança
Não há perda da
estabilidade da gestante devido ao falecimento de seu filho. Os legisladores
nada previram sobre isso, nem condicionaram a estabilidade ao nascimento
com vida da criança. Esse entendimento, da ministra Kátia
Magalhães Arruda, foi seguido por unanimidade pela Quinta Turma
do Tribunal Superior do Trabalho, ao julgar recurso de revista de uma
trabalhadora carioca demitida pela Flash Cargo Serviços Auxiliares
de Transporte Aéreo Ltda., quando estava com aproximadamente dois
meses de gravidez.
A reclamação trabalhista
foi proposta por uma assistente administrativa pedindo reintegração à Flash
Cargo. Enquanto a ação tramitava, a gestante teve parto
prematuro aos seis meses e, cinco dias depois de nascer, sua filha faleceu.
A decisão da Quinta Turma garantiu à trabalhadora a estabilidade
por cinco meses, tendo como marco inicial a data do parto. O resultado
reforma o acórdão do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ), que limitava a estabilidade à data do óbito da filha
da reclamante.
Para a ministra Kátia
Arruda, a estabilidade da gestante tem como finalidade a proteção
da mãe e do filho. Em relação à criança,
visa a assegurar a formação do vínculo afetivo entre
o nascituro e a mãe. Já em relação à mãe,
além da formação do vínculo, pretende também
assegurar a sua recuperação física e mental, tanto
da gestação quanto do parto em si. A relatora conclui: “Se
a estabilidade se estende até o quinto mês após o
parto, devido ao trabalho gestacional, e não exclusivamente para
a formação do vínculo afetivo entre mãe e
filho, inimaginável que em caso de óbito do nascituro não
fosse deferida a estabilidade, como se não houvesse tido todo
o esforço da gestação”.
O processo
A trabalhadora, admitida em setembro
de 1999, comprovou a gravidez em exame de 30 de julho de 2004. Ao ser
dispensada sem justa causa em agosto, ajuizou a ação logo
em seguida, em setembro, pleiteando a reintegração ou indenização,
devido à estabilidade garantida à gestante. O pedido foi
julgado procedente pela 37ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro em
outubro, O TRT/RJ, em junho de 2006, converteu a reintegração
em indenização pecuniária e limitou-a à data
do falecimento da filha da reclamante.
Por não concordar com
o acórdão regional, a assistente administrativa recorreu
ao TST, alegando que a decisão violou a Constituição
Federal e a CLT. A ministra Kátia Arruda acolheu o recurso e salientou
que a idéia central do constituinte era conceder uma tutela jurídica
específica à gestante, desde a concepção
até cinco meses após o parto, não havendo disposição
de antecipação do fim da estabilidade em caso de morte
prematura do filho.
A relatora lembrou, ainda, a
lei previdenciária, que também não determinou o
término do benefício do salário-maternidade em caso
da morte prematura do nascituro, nem condicionou o benefício ao
nascimento com vida da criança. Além disso, também
a CLT em seu artigo 392, § 3º, ao tratar da licença-maternidade,
previu que, em caso de parto antecipado, o prazo de 120 (cento e vinte)
dias continuará a existir e será contado a partir daquele
marco.(RR-1193/2004-037-01-40.3)
(Lourdes Tavares)

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DESPACHO DO O CHEFE DE GABINETE
Em 11 de abril de 2008
Manutenção de Suspensão
de Registro Sindical
O
Chefe de Gabinete do Ministro do Trabalho e Emprego, no uso
de suas atribuições legais e com fundamento na
Portaria 343, de 04 de maio de 2000 e alterações
e na Portaria nº. 64, de 05 de maio de 2006 e NOTA TÉCNICA
DIAN/CGRS/SRT/MTE - nº. 174/2008 e em cumprimento da liminar
deferida nos autos da Medida Cautelar Incidental nº 0054-2008-000-10-00-6,
que determinou: "Diante desse contexto, entendendo configurados
o fumus boni iuris e o periculum in mora, de modo a autorizar
a concessão da medida inaudita altera pars, com o que
DEFIRO PARCIALMENTE A LIMINAR, apenas para atribuir efeito
suspensivo ao recurso ordinário interposto contra a
decisão proferida nos autos do Processo nº 01117-2006-017-10-00-
1, até que seja proferida decisão final ",
RESOLVE tornar sem efeito a decisão que anulou o registro
sindical da Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Indústria Têxtil,
Vestuário, Couro, e Calçados - CONACCOVEST,
nº 46000.004098/2006-79 publicada em 30 de maio de 2007
e MANTER o seu registro sindical SUSPENSO,
por força da liminar proferida nos autos nº 01117-2006-017-10-00-1,
que tramitou perante a 17ª Vara do Trabalho de Brasília,
até que seja proferida decisão final.
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