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FOLHA DE LONDRINA, 16 de
abril de 2008 | Política
Governo federal prevê mínimo
de R$ 453,67
Brasília - O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias
para 2009 prevê que o salário mínimo poderá ser
reajustado dos atuais R$ 415,00 para R$ 453,67, em fevereiro do próximo
ano. O cálculo segue a regra acordada com as centrais sindicais de corrigir
o mínimo pela taxa de inflação acumulada (INPC) acrescida
do crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Para
os dois anos seguintes, o governo prevê que o mínimo suba, respectivamente,
para R$ 492,89 e R$ 539,21.
O governo também tenta
resgatar na LDO de 2009 a idéia de criar uma regra de execução
de despesas não obrigatórias em caso de atraso na aprovação
do Orçamento do próximo ano. Vacinado contra os atrasos
na votação dos orçamentos de 2007 e 2008, o governo
fixou no projeto em três doze avos o limite de execução
das despesas não obrigatórias caso o Orçamento de
2009 não seja votado até 22 de dezembro deste ano.
A medida visa permitir que o
governo inicie novos investimentos nos primeiros meses do ano mesmo sem
o Orçamento votado. Atualmente, quando detecta que a votação
vai atrasar, o governo usa os orçamentos dos anos anteriores (as
sobras, os chamados restos a pagar) para tocar obras. Na LDO de 2008,
o Ministério do Planejamento tentou incluir a autorização
para gastar até um doze avos por mês, mas o Congresso Nacional
derrubou o dispositivo durante sua votação. Por lei, em
caso de não aprovação do Orçamento até o
ano anterior, o governo pode usar um duodécimo somente para pagar
as despesas obrigatórias.
No cenário macroeconômico,
o projeto prevê a inflação no centro da meta do governo,
de 4,5%, até 2011, bem como crescimento da economia de 5% ao ano.
A meta de superávit primário (economia para pagamento de
juros) permanece em 3,8% do Produto Interno Bruto até 2011. Para
taxas de juros, apesar de o mercado prever alta neste ano, o governo
trabalha com a Selic em 11,2% no final de 2008, caindo para 10,5% em
dezembro de 2009 e para 9,8% e 9% em 2010 e 2011.
Nesse cenário, a trajetória
para a relação dívida/PIB é declinante, chegando
ao fim de 2008 em 40,9%, passando para 37,9% em 2009, 34,6% em 2010 e
encerrando 2011 em 31%. A queda na dívida reflete a reversão
do resultado nominal (despesas, incluindo pagamento de juros, menos receitas)
de déficit em 2009 para superávit a partir de 2010.
O projeto da LDO prevê ainda
receitas no valor de R$ 757,5 bilhões no próximo ano e
despesas, de R$ 689 bilhões. No âmbito do Projeto Piloto
de Investimentos (PPI), o governo prevê gastos de R$ 15,6 bilhões
em 2009, o equivalente a 0,5% do PIB. Estes investimentos podem ser abatidos
da meta de superávit primário.
Renata Veríssimo e
Fabio Graner
Agência Estado
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Agência Diap, 16 de
Abril de 2008
MOVIMENTO SINDICAL
Campanha pela redução
da jornada recolhe 5 milhões de assinaturas
A campanha nacional coordenada
pelas centrais sindicais - CUT, Força Sindical, Nova Central,
UGT, CGTB e CTB - pela redução da jornada de trabalho de
44 para 40 horas semanais já conseguiu recolher 5 milhões
de assinaturas a favor da proposta de emenda à Constituição
(PEC) 393/01, dos senadores Paulo Paim (PT/RS) e Inácio Arruda
(PCdoB/CE).
De acordo com o deputado Roberto Santiago (PV/SP), o ciclo virtuoso de crescimento
porque passa o País traz consigo a obrigação cívica
de incluir na economia os mais de dois milhões de brasileiros, de todas
as idades e classes sociais, que todos os dias saem em busca de uma vaga no
mercado de trabalho e voltam para casa ainda desempregados.
Crescimento
Segundo levantamento feito pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
da Indústria (Iedi) com base em dados fornecidos pelo IBGE, o ciclo
virtuoso de crescimento começou em 2004 e está se acelerando.
No ano passado, informa o Iedi,
a produção por trabalhador nas fábricas cresceu
4,2%, quase o dobro do avanço que ocorreu em 2006, que foi de
2,5%, o que garantiu a expansão de 6% na produção
industrial do País.
Houve crescimento do emprego
de 2,2% e de 1,8% nas horas pagas, o que fez gerar um aumento de 3,1%
de aumento real no que a indústria gasta com mão-de-obra.
"É hora de incluir
no sistema produtivo, com direito à remuneração
digna, os trabalhadores e profissionais qualificados que foram vítimas
das seguidas crises econômicas", afirma o deputado paulista.
Movimento
sindical
Para o deputado, com o empenho dos sindicatos, da classe média e dos
setores mais lúcidos da elite brasileira, concentrados em torno da defesa
da redução da jornada, sem redução dos salários,
o País poderá gerar mais 2,2 milhões de vagas.
A classe trabalhadora e
os estratos médios da sociedade assumiram a vanguarda de modernização
do País. É por isso que atuaram não apenas no
processo de redemocratização, mas também na pressão
aos seguidos governos para o controle da inflação, que
só interessava aos especuladores.
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Diário Vermelho, 16
de Abril de 2008
Pochamnn defende qualificação
de mão-de-obra em todo o país
O presidente do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, afirma que
o aquecimento do mercado de trabalho não irá pressionar
a inflação porque está restrito ao segmento de mão-de-obra
qualificada. "O Brasil é capaz de resolver esse problema",
diz Pochmann. Mas ele pondera que, no médio e longo prazos, a
falta de trabalhadores especializados poderá se tornar um problema
concreto, caso não sejam adotadas políticas de qualificação.
Pochmann não acredita
que a queda contínua da taxa de desemprego possa acelerar a inflação.
Ele questiona o conceito de taxa natural de desemprego, que recentemente
foi adotado pelo Banco Central como um instrumento auxiliar para guiar
as decisões de política monetária.
"O conceito se esvaziou
na década 90, quando o desemprego nos Estados Unidos caiu abaixo
da suposta taxa natural e a inflação não se acelerou",
diz. "A teoria é ainda mais problemática quando aplicada
ao Brasil, porque não temos um mercado de trabalho organizado
como os Estados Unidos."
As estatísticas de desemprego,
argumenta Pochmann, não refletem com exatidão o número
desempregados. No Brasil, afirma, a cada dois empregos, um é assalariado
e outro é não assalariado. "Uma pessoa que trabalhou
duas horas em uma semana é considerada empregada no Brasil",
diz. "Ou seja, alguém que fez um bico lavando carros é considerado
empregado." Ajustando os dados para incorporar os subempregados,
a taxa de desemprego salta para percentuais tão elevados que seria
irreal tomá-lo como uma taxa natural. "A taxa de desemprego
no Brasil não expressa o nível de atividade da economia",
afirma.
Pochmann diz que, se a economia
cresce 5%, são criados cerca de 2,5 milhões de postos de
trabalho anuais, cifra pouco superior aos cerca de 2,3 milhões
de trabalhadores que se apresentam ao mercado todos os anos. A diferença,
de 200 mil empregos, seria facilmente suprida por um número de
cerca de 8 milhões de desempregados no país, segundo a
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
Situação paradoxal
Apesar da grande oferta de mão-de-obra,
pondera Pochmann, faltam trabalhadores qualificados, como engenheiros. "É um
paradoxo", diz. Mas, no curto prazo, a economia tem sido capaz de
reagir, qualificando os trabalhadores para atender à demanda das
empresas.
Os reajustes salariais, na visão
do economista, são explicados mais pelo fato de que a economia
vive um período de fortes investimentos. Nos anos 90, lembra,
também houve procura por trabalhadores qualificados. Mas naquele
período a mão-de-obra qualificada foi usada em trabalhos
que exigiam baixa qualificação. "É por isso
que os salários não subiram", afirma. "Agora, é diferente,
porque os investimentos criam uma demanda genuína por trabalho
qualificado e os salários sobem, acompanhando o aumento da produtividade."
No médio e longo prazos,
afirma, a demanda por trabalhadores qualificados poderá superar
a capacidade de oferta - gerando pressões inflacionárias. "Será fundamental
criar um sistema público de empregos, que, entre outras coisas,
cuide da qualificação dos profissionais", afirma.
Fonte: Valor Econômico
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Diário Vermelho, 16
de Abril de 2008
Centrais pedem a Lula e a Meirelles
a redução da Selic
As centrais sindicais enviaram
nesta segunda-feira (15) à noite uma carta ao presidente Lula
e ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, pedindo que o Copom,
que está reunido hoje, não aumente a Taxa Selic.
Veja
abaixo carta na íntegra.
O movimento sindical brasileiro quer que o Comitê de Política
Monetária (Copom) reduza a taxa básica de juros em sua próxima
reunião. Exortamos o Banco Central, a quem o Copom é subordinado,
a considerar outros fatores ao redor e repensar a estrutura do sistema de metas,
extremamente conservadora.
A taxa de inflação permanece sob controle e ainda está bastante
longe da margem extra de dois pontos percentuais além da meta, embora
o Banco Central insista em afirmar o contrário. As últimas altas
de preços estão ligadas à demanda internacional de alimentos,
e uma elevação de juros no Brasil em nada influenciaria tal movimento.
O mercado internacional, a partir dos Estados Unidos, está reduzindo
as taxas básicas de juros – elevá-la aqui seria um contra-senso.
O fortalecimento do mercado interno brasileiro, observado ao longo dos últimos
anos, tem sido nosso principal lastro contra a contaminação de
economia pelos efeitos nocivos da retração norte-americana.
Estes são motivos suficientes para demover o Banco Central da idéia
de elevar a taxa Selic, como tem sido especulado.
Há outros, até mais importantes que os já citados, mas
que pertencem a um universo do qual o BC parece não fazer parte, pois
até agora jamais deu ouvidos aos clamores dos trabalhadores e do setor
produtivo como um todo. Juros altos beneficiam apenas o capital especulativo
e atraem somente dinheiro volátil, sem compromisso. Juros altos aumentam
a dívida pública. Juros altos seguem na contramão da produção,
do crédito e do consumo. Elevá-los ainda mais seria impor novos
obstáculos ao desenvolvimento com distribuição de renda
e valorização dos trabalhadores e trabalhadoras. Imporia redução
no ritmo de geração de empregos. Elevaria o valor das prestações
de produtos que o trabalhador deseja e precisa comprar.
A imensa maioria do Brasil não quer juros básicos altos.
Antonio Neto
Presidente da CGTB
Arthur Henrique dos Santos
Presidente da CUT
José Calixto
Presidente da NCST
Paulo Pereira da Silva
Presidente da Força Sindical
Ricardo Patha
Presidente da UGT
Vagner Gomes
Presidente da CTB
Fonte: Força Sindical
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Folha de São Paulo, 16 de Abril de
2008
APOSENTADORIAS
Marinho classifica projetos do Senado
de "enganadores"
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de manter silêncio por uma semana, o ministro Luiz Marinho (Previdência
Social) criticou ontem o Senado por aprovar dois projetos com potencial de
elevar as despesas previdenciárias.
Classificando os projetos de "enganadores", pois não haveria
condições de colocá-los em prática, Marinho disse
esperar que a Câmara tenha "mais juízo" ao apreciar
as propostas.
" São dois projetos simplesmente para enganar os aposentados e pensionistas
do país. Não têm a mínima condição de
serem implantados e espero que a Câmara tenha mais juízo. Diria
que são dois projetos enganadores porque não há como viabilizá-los",
disse o ministro.
De acordo com ele, a proposta do senador Paulo Paim (PT-RS), que foi aprovada
pelos demais senadores, de acabar com o fator previdenciário, precisa
ser complementada com a introdução de idade mínima no
regime geral de aposentadorias.
A outra proposta aprovada pelo senadores prevê a extensão da política
de valorização do salário mínimo para todos os
benefícios previdenciários. Pelas contas da Previdência,
em um ano isso significaria gasto adicional de R$ 4,5 bilhões. Atualmente,
as despesas com benefícios estão em R$ 189 bilhões, o
que representa 7% do PIB.
Com a política atual, os gastos subirão para 11,4% do PIB em
2050. Se a proposta dos senadores for confirmada pela Câmara, as despesas
subirão para 18% do PIB.
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O GLOBO, 16 de abril de 2008
| Economia
Para a classe média
Dinheiro do FGTS para financiar imóvel
está quase no fim
Vinícius Segalla - Diário de
SP
SÃO PAULO - Quem tem renda familiar superior a R$ 4.900 e pretende financiar
um imóvel através da linha Pró-Cotista, que utiliza recursos
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e tem juros de até 8,66%
ao ano, deve ficar atento. Os recursos destinados para esse tipo de financiamento
neste ano são de R$ 1 bilhão e, desse total, 85% já foram
solicitados pelos bancos que têm autorização para operar
o crédito.
Isso não quer dizer,
porém, que todo este dinheiro já foi emprestado, e sim
que está disponível para empréstimos nas agências
bancárias. Atualmente, Caixa Econômica, Banco Real e Itaú têm
autorização para oferecer este tipo de financiamento. O
Banco do Brasil será liberado ainda neste semestre.
- Não temos previsão
de aumentar o orçamento desta linha se o dinheiro acabar - avisa
José Pereira Gonçalves, superintendente da Associação
Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança
(Abecip) e membro do Conselho Curador do FGTS, órgão que
decide como o dinheiro do Fundo será investido.
A Caixa informa que está financiando
2.658 imóveis pela linha Pró-Cotista, que só atende
trabalhadores que tenham contribuído, pelo menos, três anos
com o FGTS. O valor gasto até agora é de R$ 223 milhões,
ou 22% do total do programa. Os recursos destinados a algumas regiões,
porém, já acabaram, uma vez que a procura em alguns estados
superou as expectativas. Por isso, a Caixa está solicitando ao
Ministério das Cidades permissão para relocar verbas.
Pró-Moradia
Em decisão publicada na
segunda-feira, no Diário Oficial, o Ministério das Cidades
transferiu R$ 500 milhões das linhas com recursos FGTS, destinadas
para famílias que ganham até R$ 4.900 para o programa Pró-Moradia,
que empresta dinheiro para estados e municípios investirem em
projetos habitacionais voltados para a baixa renda.
A verba dos financiamentos
com recursos do FGTS caiu de R$ 5,25 bilhões para R$ 4,75 bilhões.
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O
ESTADO DO PARANÁ, 16 de abril de 2008 | Nacional
Lula afirma que PAC é um programa
republicano
Redação O Estado do
Paraná
Foto: Agência Brasil

Presidente Lula: reformas em andamento devem reduzir as desigualdades entre as
várias regiões brasileiras.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, respondeu,
ontem, a perguntas elaboradas por cinco jornais brasileiros selecionados pela
Secretaria de Imprensa da Presidência da República sobre o relacionamento
da União com os municípios, por ocasião da XI Marcha dos
Prefeitos, que acontece a partir de hoje, em Brasília.
A O Estado do Paraná, único
veículo paranaense entre os selecionados, Lula respondeu que
a liberação de recursos do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) para municípios em que o prefeito é adversário
do PT (caso de Curitiba, onde Beto Richa disputará a reeleição
e terá a petista Gleisi Hoffmann como principal adversária) é a
prova de que o PAC não é um programa eleitoreiro. A
entrevista foi realizada por email.
O Estado do Paraná - Petistas
reclamam que recursos do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) fortalecem prefeitos de partidos adversários,
candidatos à reeleição, e conseqüentemente
enfraquecem o PT nas eleições municipais deste ano.
Como o presidente administra esse conflito?
Essa pergunta é interessante
porque o PAC tem sido freqüentemente chamado de “eleitoreiro” por
alguns, que não têm interesse em que o nosso governo
dê certo. E isso que você está citando comprova
justamente o contrário: não me interessa se o governador é meu
amigo ou se o prefeito é simpatizante do governo, o que interessa
são as necessidades do povo daquele estado ou daquele município.
Vale o que é bom para a população, não
para o político. O PAC é um compromisso que assumi
com o povo brasileiro. Ele é um programa, acima de tudo, republicano
e as políticas públicas que colocamos em prática
no País estão sendo feitas em função
das necessidades da sociedade brasileira.
O Sul (RS) - A
concentração dos recursos arrecadados pela União
não aumenta a cobrança sobre o governo federal por
investimentos que poderiam ser feitos pelos próprios municípios?
Durante o nosso governo,
nós invertemos a tendência que havia de centralização
de recursos na União em detrimento dos municípios.
Veja que, em 2007, foram repassados R$ 33,9 bilhões no Fundo
de Participação dos Municípios contra R$ 19,3
bilhões em 2003. A Contribuição de Intervenção
no Domínio Econômico (Cide), primeira contribuição
a ser partilhada com os entes federados a partir de 2004, rendeu
R$ 1,7 bilhão para os municípios até 2007. Outros
recursos foram repassados diretamente aos municípios, como
o salário-educação, que representou R$ 8,1 bilhões
de 2004 a 2007. Além das transferências, nós
ampliamos a capacidade tributária própria dos municípios,
com a nova Lei do ISS, que representa hoje 45% do arrecadado, contra
38% em 2003. Contribuímos também para um maior alívio
fiscal, ao ampliarmos o prazo para parcelamento das dívidas
do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), de 24 para 60
meses. E construímos novos marcos regulatórios, que
reconhecem os municípios na sua condição de
ente federado, como a Lei dos Consórcios Públicos,
o marco regulatório do saneamento, e o Sistema Único
de Assistência Social. Isso tudo sem falar nos programas de
transferência de renda, como o Bolsa Família, e de crédito,
como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura
Familiar), que reduziram os impactos da pobreza para as prefeituras
em todo o Brasil.
Jornal da Paraíba -
O incentivo para que indústrias se instalem no Nordeste
são os chamados incentivos fiscais oferecidos hoje pelos
estados e que têm proporcionado um aumento da geração
de emprego e renda. A reforma tributária proposta pelo governo
federal prevê o fim da chamada “guerra fiscal”.
Qual será a compensação para o Nordeste para “abrir
mão” desses incentivos, já que é uma
das regiões mais pobres do País?
Antes de discutir as alternativas
incluídas no projeto de Reforma Tributária para o desenvolvimento
das regiões menos favorecidas do País, é preciso
ter em conta que a concessão de benefícios fiscais
para a atração de empresas, a chamada “guerra
fiscal”, vem sendo praticada de forma generalizada por todos
os estados, tanto os mais pobres quanto os mais ricos. Por isso,
perdeu força como instrumento de desenvolvimento das regiões
menos desenvolvidas e, ao contrário, tem levado todos os estados,
juntos, a perderem entre 10 e 15 bilhões de reais em receitas,
segundo estimativas do Ministério da Fazenda. Como alternativa
aos incentivos fiscais que vêm cada vez mais perdendo sua eficiência
como instrumentos de desenvolvimento regional, o nosso projeto de
Reforma Tributária prevê uma ampla reformulação
da Política de Desenvolvimento Regional, contemplando não
apenas um aumento dos recursos destinados ao desenvolvimento regional,
mas também a criação de novos instrumentos para
a sua execução. Ela vai alocar recursos para investimentos
estruturantes, aqueles feitos em infra-estrutura, qualificação
de mão-de-obra, etc., seguindo diretrizes definidas pelas
superintendências regionais através de fundos estaduais
de desenvolvimento. A Fazenda calcula que, ao final da transição,
o montante de recursos alocados para investimentos estruturantes
chegará a quase R$ 6 bilhões. A experiência internacional
mostrou que as políticas de desenvolvimento regional estruturantes
têm impactos mais positivos do que as políticas fundadas
apenas em incentivos fiscais. São investimentos que possibilitam
explorar melhor as vocações de cada região.
As mudanças introduzidas pela Reforma Tributária irão
aumentar a receita de Imposto sobre Circulação de Mercadorias
e Serviços (ICMS) dos estados mais pobres, que necessitam
acelerar seu desenvolvimento para reduzir as desigualdades em relação às
demais regiões do País.
O Estado do Mato
Grosso do Sul - Os municípios do Centro-Oeste
do País registram, em geral, baixo nível de desenvolvimento
econômico. São cidades pouco industrializadas, que
sobrevivem basicamente de atividades primárias, extensivas
e extrativistas, voltadas à exportação,
como soja, carne e minério. São atividades com
baixo potencial de geração de empregos e que, pelo
modelo tributário vigente, desfrutam de incentivos como
os estabelecidos pela Lei Kandir, o que indiretamente retira
dessas regiões parte significativa das receitas. No processo
da reforma tributária conduzido pelo governo, quais as
propostas do Planalto para o fortalecimento dos municípios
que enfrentam essas dificuldades? De que forma o governo pode
transformar a nova política tributária em instrumento
de “descentralização do desenvolvimento”,
sem paternalismo?
Há duas razões
pelas quais entendemos que a Reforma Tributária irá contribuir
para o desenvolvimento do Centro-Oeste. A primeira é a mudança
na Política de Desenvolvimento Regional que, como eu disse,
será menos pautada pelos incentivos fiscais e mais focada
no investimento estruturante, que deverá atingir um montante
de R$ 6 bilhões. A segunda razão, por mais estranho
que pareça, é o próprio fim da guerra fiscal.
Hoje, investimentos que naturalmente se instalariam no Centro-Oeste
em função da proximidade de um pólo muito dinâmico
de produção agropecuária, como é o caso
da agroindústria estão sendo atraídos para outros
estados em decorrência de benefícios da guerra fiscal.
Com a Reforma Tributária, esses investimentos tenderão
a se direcionar naturalmente para o Centro-Oeste, ao mesmo tempo
em que nossa nova política vai melhorar a infra-estrutura,
abrindo novas fronteiras de desenvolvimento para a região.
Estamos muito confiantes.
Jornal do Commercio
(AM) - Medidas previstas na reforma tributária
em andamento no Congresso Nacional podem ter forte impacto nas
finanças municipais, principalmente as que envolvem o
Imposto Sobre Serviços (ISS), o qual responde pela maior
parte da arrecadação das prefeituras. Como o governo
federal pode equacionar essa questão de maneira a manter
um fluxo financeira aos municípios?
É importante
deixar claro: o projeto de Reforma Tributária que estamos
enviando ao Congresso não altera o ISS, que continuará sendo
cobrado pelos municípios. E a reforma vai, repito, elevar
as receitas dos estados em decorrência do fim da guerra fiscal:
dos 10 a 15 bilhões de reais estimados pela Fazenda, 25%
serão destinados aos municípios. A outra é a
mudança do critério de partilha do ICMS entre os
municípios, pois o critério atual, pelo qual do
ICMS é distribuído segundo o valor adicionado nos
municípios, acaba gerando grandes injustiças, beneficiando
desproporcionalmente aqueles que têm população
pequena onde estão instaladas grandes unidades produtoras
e prejudicando municípios de grande população
sem indústrias relevantes. Pela proposta, o novo critério
de repartição será definido em lei complementar
e certamente contribuirá para uma repartição
mais justa da receita tributária entre os municípios.
E vai contribuir para um desenvolvimento mais harmônico e
homogêneo das diversas regiões do País.
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Gazeta do Povo, 16 de Abril de 2008
Pesquisa
Famílias pobres sofrem mais
com a inflação
As famílias de baixa renda sentem mais os efeitos da inflação
que as famílias mais ricas. É o que mostra o Índice de
Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), calculado com base nas despesas
de consumo das famílias com renda de 1 a 2,5 salários mínimos
mensais (R$ 415 a R$ 1.037), e que subiu 2,2% no primeiro trimestre deste ano.
Os dados foram divulgados ontem pela Fundação Getúlio
Vargas (FGV). O resultado ficou acima do apurado em igual trimestre do ano
passado (2,09%), pelo mesmo índice, e foi superior ao apurado pelo IPC
Brasil – que mede a inflação entre as famílias com
renda entre 1 e 33 salários mínimos (R$ 415 e R$ 13.695) e terminou
o período com alta de 1,43%.
Segundo a fundação, nos 12 meses encerrados em março de
2008, o IPC-C1 registrou variação de 5,99%. A instituição
esclareceu, em comunicado, que nessa taxa acumulada, “a maior pressão
de alta sobre o índice foi exercida pelo grupo Alimentação,
que avançou 10,83%. No âmbito do novo índice, das sete
classes de despesa usadas para cálculo do indicador, cinco registraram
aceleração de preços, ou deflação mais fraca,
na passagem do primeiro trimestre de 2007 para igual trimestre deste ano. É o
caso habitação (de 0,29% para 0,75%); vestuário (de -4,34%
para -1,37%); saúde e cuidados pessoais (de 0,77% para 0,96%); educação
e recreação (de 1,58% para 2,86%); e despesas diversas (de 0,32%
para 1,50%). Os outros dois grupos apresentaram desaceleração
de preços – alimentação (de 4,7% para 4,25%) e transportes
(de 3,08% para 1,63%).
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Gazeta do Povo, 16 de Abril
de 2008
Juros
Processo de alta da Selic deve repetir
o de 2004
O mercado financeiro acredita que o Banco Central (BC) deve repetir a receita
de aumento da taxa básica (Selic) de juros adotada de setembro de 2004
em diante. Naquela época, o BC iniciou o processo de aperto monetário
com uma alta 0,25 ponto porcentual nos juros. Depois, promoveu seguidas elevações
maiores, de 0,50 ponto. O processo foi encerrado em meados de 2005, com um
aumento de 0,25 ponto.
E os analistas apostam que essa estratégia deve começar agora.
O Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou ontem a
reunião de dois dias para avaliar um novo nível para os juros,
hoje em 11,25% ao ano.
Pela expectativa do mercado,
o ajuste começa com uma alta de 0,25 ponto. Depois, o Copom
elevaria a Selic em 0,50 ponto duas vezes, nos encontros de junho e
julho. O processo de aperto monetário seria encerrado em setembro
ou outubro, com a última alta menor, de 0,25 ponto porcentual.
Ao final do aperto, o juro estaria em 12,75%, patamar 1,50 ponto porcentual
mais alto que o atual.
O processo é semelhante ao registrado há quatro anos. Em 2004,
a alta da inflação e a possibilidade de o Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA) ultrapassar a meta prevista fizeram com que o juro
começasse a subir em setembro. Na reunião do Copom daquele mês,
o juro aumentou 0,25 ponto. Nas reuniões seguintes (outubro, novembro
e dezembro de 2004 e janeiro, fevereiro e março de 2005) o aperto foi
mais forte, e o juro subiu 0,50 ponto em cada mês. O ajuste terminou
nas reuniões de abril e maio de 2005, quando o juro subiu 0,25 ponto
em cada uma delas. Ao final do processo, a taxa Selic estava 3,75 pontos porcentuais
mais alta, em 19,75% ao ano.
No início do aperto monetário de 2004, ao final da reunião
de 15 de setembro, o BC divulgou comunicado em que informava que a decisão
dava “início a um processo de ajuste moderado na taxa básica
de juros”. Naquela reunião, o Comitê votou dividido: cinco
diretores apoiaram a alta de 0,25 ponto, e três defendiam aperto mais
forte com a elevação de 0,50 ponto.
Quando o BC decidiu elevar o juro em setembro de 2004, o mercado esperava IPCA
de 7,37% para o ano. Na época, o centro da meta era de 5,50%, e havia
margem de 2,5 pontos porcentuais para cima ou para baixo. Para o ano seguinte,
2005, o mercado esperava inflação de 5,70%, e a meta era menor,
de 4,50%, com margem de 2,5 pontos.
Agora, o mercado espera IPCA de 4,66% em 2008 e de 4,40% em 2009. Atualmente,
o centro da meta de inflação é de 4,50%, com margem de
2 pontos para cima ou para baixo.
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O ESTADO DO PARANÁ,
16 de abril de 2008 | Política
Executiva do PT veta manifestações
sobre 3° mandato para Lula
Vera Rosa e Christiane Samarco - Agência
Estado
Um dia depois de os prefeitos do PT reforçarem o coro dos que propõem
um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Executiva
Nacional petista desautorizou nesta terça-feira (15) manifestações
nessa direção por parte de seus filiados. Em nota de 13 linhas
aprovada nesta terça-feira (15), a cúpula do PT afirma que sempre
foi contra mudanças nas regras do jogo em benefício dos atuais
governantes e dá uma estocada na oposição ao chamar de "manobra
antidemocrática" a emenda que permitiu um segundo mandato para
o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002).
"A aprovação
popular ao nosso governo e a extraordinária popularidade do presidente
Lula não incentiva a repetir a manobra antidemocrática
de FHC, PSDB e PFL (atual DEM) na década passada", diz o
texto. "O PT sempre foi contra o casuísmo da emenda da reeleição
proposta e aprovada pelo PSDB e pelo então PFL, em 1997."
A censura do comando petista
ocorreu 24 horas depois de o prefeito de Recife, João Paulo Lima
e Silva, ter proposto o lançamento de um movimento em defesa do
terceiro mandato para Lula, sob o argumento de que o presidente é "o único" em
condições de continuar a distribuir renda à população
carente. Diante de uma platéia formada por prefeitos do PT, na
segunda-feira, João Paulo foi além: levantou a bandeira
de um mandato de cinco anos, com direito à reeleição,
o que permitiria que Lula espichasse sua permanência no Planalto
até 2015.
"Queremos deixar claro que
o nosso posicionamento não mudou. Nunca apoiamos que eventuais
mudanças na duração de mandatos ou alterações
no instituto da reeleição sejam aplicadas aos atuais governantes",
afirmou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). Questionado
sobre a pregação de prefeitos do PT, da governadora do
Pará, Ana Júlia Carepa, do deputado Devanir Ribeiro (PT-SP)
e de outros parlamentares do partido em favor do terceiro mandato, Berzoini
disse que o coro reflete o "desejo" de alguns petistas, e não
a posição do partido. "Tentaram inflar esse debate,
mas o PT desautoriza essas manifestações", reiterou.
Para Berzoini, nem mesmo o sinal
verde dado pelo 3.º Congresso do PT, no ano passado, à convocação
de uma Assembléia Constituinte para tirar a reforma política
do papel pode incentivar interpretações dessa natureza.
Na nota, o PT destaca que o terceiro mandato não foi proposto
por "nenhum dos 937 delegados presentes" ao mega encontro.
Sentença
Lula classificou o retorno do
tema à cena política como "bobagem" e já chegou
até mesmo a ameaçar romper com o PT caso o partido insista
em bater nessa tecla. Na tarde de ontem, ao ser informado sobre a nota
do partido - articulada por Marco Aurélio Garcia, assessor de
Relações Internacionais do Planalto e vice-presidente do
PT -, disse que a iniciativa foi necessária para pôr um
freio de arrumação no debate.
"Eu não recebi nenhuma
intimação nem a sentença transitou em julgado",
devolveu Devanir Ribeiro, um dos mais entusiastas defensores da tese. "Enquanto
o oficial de Justiça não entregar em mãos a intimação,
nada aconteceu."
Devanir promete coletar nesta
semana as 171 assinaturas necessárias para apresentar uma proposta
de emenda constitucional que amplia a duração do mandato
do presidente, governadores, prefeitos, deputados federais, estaduais
e vereadores de quatro para cinco anos. Trata-se, na prática,
de uma manobra para encaixar a idéia do terceiro mandato no meio
do caminho.
"Assim, Lula tem tempo
para pensar", confessou o deputado, amigo do presidente desde
os tempos do sindicalismo. O prefeito de Recife também garantiu
que não arredará pé de sua posição. "Uma
briguinha com o presidente Lula, de vez em quando, não é mau,
não. Ainda mais tendo uma boa causa", insistiu João
Paulo. Fora do PT, o vice-presidente José Alencar (PRB) também
pensa assim. Na avaliação de Alencar, Lula "tem
feito muito", mas ainda "falta muito para fazer".
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Congresso em Foco, 16 de
Abril de 2008
A Amazônia é o nosso Tibete
Assim como os tibetanos são hoje o
calcanhar-de-aquiles de uma China moderna e poderosa, a questão
ambiental pode ser uma ameaça à projeção
de uma nova imagem do Brasil.
Do Tibete à Amazônia
As manifestações que acompanham o percurso da tocha olímpica
em diversos países mostram que o palco político é cada
vez mais global
Marcos Magalhães*
As manifestações a favor da independência do Tibete que
acompanharam o percurso da tocha olímpica em diversos países,
nos últimos dias, deixam claro a quem ainda não quer ver: o palco
político torna-se cada vez mais global. Vai se perdendo no retrovisor
aquele tempo em que cada país podia – na maioria dos casos – dizer
ao restante do planeta para não se meter em seus assuntos internos.
Os olhos do mundo estão cada vez mais abertos. E, se isso afeta a China
hoje, pode muito bem afetar o Brasil amanhã.
O governo chinês investiu bilhões de dólares para promover
os Jogos Olímpicos deste ano. Ergueu em Pequim estádios moderníssimos,
escavou novas linhas de metrô e deu ao aeroporto da cidade um novo terminal – o
maior do mundo. Além disso, tem promovido uma gigantesca campanha internacional
de marketing para promover o evento. Os Jogos de 2008 são a oportunidade
que Pequim esperava para mostrar ao mundo a nova face da China – pujante,
moderna e autoconfiante.
Mas não é que aqueles monges do Tibete resolveram entrar no jogo?
As análises de risco político promovidas pelo governo chinês,
em preparação para as Olimpíadas, certamente devem ter
priorizado outras ameaças, como as de terrorismo. Depois do 11 de setembro,
afinal, qualquer cuidado é pouco, em qualquer lugar do mundo. Ainda
mais em um evento tão importante. Quem sabe Taiwan também terá preocupado
os líderes chineses, com seu discurso de independência em relação
a Pequim.
Ainda é cedo para se afastar a ameaça terrorista, mas até o
momento qualquer ataque parece improvável. As eleições
do mês passado deram a Taiwan um novo governo, mais disposto a negociar
com Pequim. E o Tibete? Por mais que se previssem as manifestações
por maior independência, dificilmente as autoridades chinesas poderiam
ter imaginado uma tão grande repercussão internacional. Até o
presidente do Flamengo decidiu entrar em campo, no Maracanã, com uma
bandeira do Tibete nas mãos, antes da semifinal contra o Botafogo na
Taça Rio.
Se existem dois temas que devem ganhar cada vez maior repercussão internacional,
esses são os direitos humanos e o meio ambiente. Quanto aos direitos
humanos, a simpatia mundial pela causa do Tibete está aí para
mostrar que será cada vez menos aceita a repressão à liberdade
de um povo. A China poderá promover os melhores Jogos Olímpicos
da história. Mas a história também vai registrar as manifestações
internacionais a favor do Tibete.
O meio ambiente, por sua vez, ainda vai ganhar um espaço cada vez maior
na imprensa internacional. O recente aumento dos preços dos alimentos
em todo o mundo, por exemplo, colocou lenha na fogueira dos críticos
dos biocombustíveis. A produção em massa de combustíveis
como o etanol seria um “crime contra a humanidade”, atacou o suíço
Jean Ziegler, relator especial da Organização das Nações
Unidas (ONU) para o Direito à Alimentação, durante entrevista
a uma rádio alemã.
Ziegler não está só. Não faltam por aí críticos
ferozes da produção de etanol. Bem ou mal intencionados, nem
sempre eles são bem informados. Dizem, por exemplo, que o álcool
brasileiro está ajudando a desmatar a Amazônia, quando a maior
parte da produção nacional está localizada no centro-sul
do país. O Brasil vai montar uma campanha internacional de defesa do
etanol. Mas muita gente na Europa, por exemplo, vai pensar duas vezes antes
de colocar no tanque de seu carro um produto que poderia estar colocando em
risco o futuro da maior floresta do planeta.
Se neste ano temos Olimpíadas, em 2014 temos a Copa do Mundo no Brasil.
Assim como hoje as atenções estão voltadas para Pequim,
dentro de seis anos bilhões de telespectadores de todo o planeta estarão
ligados no Brasil. Estarão atentos ao futebol, é verdade. Mas
o gancho de uma Copa do Mundo vai certamente motivar, também, a realização
de dezenas de reportagens sobre o país onde a bola vai rolar. Como sempre,
vai-se falar de samba, mulatas, favelas. Só que esses antigos temas
serão acompanhados de outro, cada vez mais importante – o meio
ambiente.
Assim como o Tibete é hoje o calcanhar-de-aquiles de uma China moderna
e poderosa, a questão ambiental – e a Amazônia em particular – pode
representar uma ameaça à projeção de uma nova imagem
do Brasil para o mundo, oito anos antes da comemoração do bicentenário
do país. Ainda temos tempo. Nos seis anos que nos separam da primeira
partida da Copa de 2014, o Brasil pode investir bem mais do que tem investido
até agora na construção de um modelo de desenvolvimento
sustentável. Se tiver bons resultados para mostrar até lá,
o país poderá conquistar admiradores não só pelo
que faz nos gramados, mas também pelo cuidado com as suas florestas.
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O ESTADO DO PARANÁ,
16 de abril de 2008 | Economia
PIB da China cresce 10,6% no primeiro
trimestre
Agência Estado
A economia chinesa cresceu
10,6% no primeiro trimestre de 2008, em relação ao
mesmo período do ano passado, mais abaixo do crescimento
de 11,2% registrado no quarto trimestre de 2007, de acordo com
dados divulgados nesta quarta-feira (16) pelo governo do país.
A taxa de expansão da
economia no trimestre ficou acima da média de 10% das previsões
de nove economistas ouvidos pela Dow Jones Newswires.
Os economistas estimavam uma
desaceleração da expansão econômica da China
nos primeiros três meses do ano devido à queda no crescimento
das exportações por causa das severas condições
climáticas em janeiro e fevereiro e também à redução
da demanda externa.
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O ESTADO DO PARANÁ,
16 de abril de 2008 | Cidades
Trabalho infantil persiste no Brasil
Joyce Carvalho
O combate ao trabalho infantil já teve reduções significativas
nos últimos anos, mas atualmente passa por uma desaceleração
nos índices alcançados com as ações implantadas
no País com esta finalidade. A afirmação é de Cynthia
Ramos, oficial de projetos do Programa Internacional para Eliminação
do Trabalho Infantil (IPEC), da Organização Internacional do
Trabalho (OIT). Ela participou ontem, em Colombo, na Região Metropolitana
de Curitiba, do Seminário “Erradicar o trabalho infantil está em
nossas mãos”, promovido pelo Programa Catavento, uma iniciativa
de diversas organizações que atuam nesta área.
“Desde 1992, quando
o IPEC entrou no Brasil, houve melhora no combate ao trabalho infantil.
A redução chegou a 50% em algumas faixas etárias.
Houve um engajamento da sociedade mais uma pró-ativa do governo.
Foi um processo de construção que surtiu resultado”,
avalia Cynthia. No entanto, de acordo com ela, houve uma desaceleração
nesta redução nos últimos três anos. “Em
2006, um relatório da OIT colocou o Brasil como referência
neste tipo de combate. Mas a desaceleração existe”.
Cynthia revela que uma das razões para isto é a perda
de foco nas ações de combate e prevenção. “Além
disso, em uma primeira fase, se conseguiu atingir as situações
mais visíveis. Daí para frente, começou a entrar
em formas mais invisíveis perante a sociedade, como a exploração
sexual, o tráfico de drogas e o trabalho doméstico”,
comenta.
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O ESTADO DO PARANÁ,
16 de abril de 2008 | Política
Câmara aprova MP que amplia
ProJovem
Agência Estado
A Câmara aprovou nesta
terça-feira (15) a medida provisória (MP) que amplia
a abrangência do Programa Nacional de Inclusão de
Jovens (ProJovem). A votação foi simbólica,
sem o registro dos votos no painel eletrônico, e a proposta
segue para votação no Senado. A MP reúne projetos
anteriores num único, com quatro modalidades de assistência,
e aumenta a faixa etária de 15 a 24 anos para alcançar
jovens de 15 até 29 anos. A medida também revoga
a lei que criou o Primeiro Emprego, programa lançado pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003.
O relator da MP na Câmara,
André Vargas (PT-PR), alterou a proposta, estendendo, no caso
do ProJovem Trabalhador, o benefício para jovens desempregados
de família com renda mensal per capita até um salário
mínimo. A MP estabelecia esse limite na renda mensal de até meio
salário mínimo.
Vargas afirmou que a alteração
dá condições legais de ampliação do
plano, se o governo tiver condições financeiras para isso.
Além disso, segundo ele, a modificação faz uma adequação
regional. "Em São Paulo, por exemplo, a renda per capita
de meio salário mínimo pode excluir muitos jovens",
afirmou.
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Agência Diap, 16 de
Abril de 2008
ÍNTEGRAS
Novas regras para registro sindical
e considerações da Anamatra sobre PL 1.987
Estão disponíveis,
ali na seção Íntegras, dois novos documentos que
tratam das novas regras para registro sindical, com base na Portaria
186, do Ministério do Trabalho e Emprego. Em breve, o advogado
trabalhista Hélio Gherardi, membro do corpo técnico do
DIAP, elaborará parecer sobre a matéria.
O outro documento, da Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados
do Trabalho), contém “considerações
e sugestões” acerca do PL 1.987/07, que consolida a CLT, e
será objeto, nesta quinta-feira (17), às 10 horas, de audiência
pública na Comissão de Trabalho, no plenário 12, da ala
das comissões permanentes. (Marcos Verlaine)
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Agência Diap, 16 de
Abril de 2008
TEMPO DE SERVIÇO
TST e Previdência unidos pelo
acesso à aposentadoria
TST e ministério encaminharão
ao Legislativo anteprojeto de lei que permitirá ao INSS acatar
tempo de serviço reconhecido em sentenças judiciais e acordos
homologados
Um esforço conjunto do Ministério da Previdência e do Tribunal
Superior do Trabalho poderá facilitar a vida de muitos trabalhadores
brasileiros, que muitas vezes encontram dificuldades para comprovar tempo de
serviço para se aposentar pelo Regime Geral de Previdência Social.
Os dois órgãos encaminharão ao Legislativo Federal anteprojeto
de lei que permitirá ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) acatar
o tempo de serviço reconhecido em sentenças judiciais ou acordos
homologados na Justiça do Trabalho. A decisão foi simbolicamente
marcada nesta terça-feira (15), em solenidade no Ministério.
Atualmente, o INSS só contabiliza o tempo de contribuição
decorrente de ações trabalhistas se o trabalhador anexar ao processo
de requerimento de benefício previdenciário documentos — como
a Carteira de Trabalho, comprovante de recebimento mensal de salários,
cartão de ponto — que sirvam de prova material do vínculo.
A exigência é prevista pela Lei 8.213, que não contempla
como comprovante as provas testemunhais, aceitas normalmente pela Justiça
do Trabalho. Com isso, quando o trabalhador vai às agências da
Previdência com sentenças e acordos homologados pela Justiça
do Trabalho em mãos, o INSS não pode reconhecer o tempo de contribuição,
restando ao trabalhador ingressar com um novo processo na Justiça Comum.
Acesso à Previdência
Para o ministro da Previdência, Luiz Marinho, a aprovação
do projeto de lei significará mais facilidade de acesso à Previdência,
desburocratização de procedimentos, e diminuição
do número de processos na Justiça. "As mudanças representarão
celeridade, economia, simplificação de procedimentos, maior sintonia
entre os Poderes; e, acima de tudo, a garantia de que quem de fato tem direito
seja atendido", afirmou.
O presidente do TST, ministro Rider Nogueira de Brito, também comemorou
o esforço do Ministério e acredita que o anteprojeto veio para
resolver uma lacuna que existe entre os dois Poderes.
" Tenho certeza que os parlamentares terão sensibilidade para perceber
que é uma injustiça o fato de os trabalhadores e empregadores pagarem à Previdência,
a Justiça cobrar os valores; mas os períodos não serem considerados
para efeitos de benefícios previdenciários", afirmou, lembrando
que, anualmente, mais de dois milhões de ações chegam à Justiça
do Trabalho, e, em sua maioria, contemplam o reconhecimento do vínculo
empregatício e cobranças de parcelas previdenciárias.
Decisões judiciais
Para o presidente da Anamatra, Cláudio José Montesso, o projeto
valoriza as decisões judiciais, especialmente aquelas da primeira instância,
onde há o reconhecimento do vínculo de emprego. "Temos uma
grande frustração, porque todo o trabalho desenvolvido pela Justiça
do Trabalho, no que diz respeito ao reconhecimento do vínculo, se perde
na vida do trabalhador; porque não há o reconhecimento direto
da Previdência Social", afirma.
" A filosofia da Previdência Social nos últimos anos, que está correta,
tem sido a de aumentar a eficiência na arrecadação, até mesmo
por conta do problema de déficit. Mas isso não pode passar por
cima do direito do trabalhador de receber a aposentadoria de acordo com as contribuições",
alertou Montesso.
Novas regras
Pelo texto do anteprojeto — elaborado pela Secretaria de Políticas
de Previdência Social, Procuradoria do INSS e ministros do TST — as
provas não materiais serão aceitas, obedecendo duas regras: o
período a ser contabilizado para efeitos de tempo de contribuição
deverá estar, obrigatoriamente, em no máximo cinco anos antes
da sentença; e, caso não tenha havido recolhimento das contribuições,
os períodos ainda poderá ser reconhecido desde que o recolhimento
referente ao todo o período incidente sobre a remuneração
do segurado seja determinado na sentença.
O projeto determina também que, para garantir que a Previdência
seja preservada de eventuais prejuízos, antes de dar baixa no processo
trabalhista, o juiz vai determinar que a empresa repasse ao INSS o dinheiro
referente à contribuição de todo o período trabalhado,
mesmo que não haja condenação de pagamento de parcelas
remuneratórias ao trabalhador. Já os trabalhadores que tiveram
decisão na Justiça do Trabalho e têm a documentação
em mãos, o INSS continuará a reconhecer o período trabalhado,
mesmo se passar dos cinco anos. (Fonte: Anamatra;
intertítulos do Diap)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
16/04/2008
Condições especiais do trabalho
da mulher: proteção ou discriminação?
A norma da CLT que garante à mulher
descanso de 15 minutos antes de iniciar a jornada extra é proteção
ou tratamento discriminatório? Como essa questão deve
ser vista à luz do princípio constitucional que assegura
igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres?
O tema foi debatido entre os
ministros que compõem a Seção Especializada em
Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho,
durante apreciação de embargos interpostos pela Caixa
Econômica Federal em processo movido por uma funcionária
aposentada contra a CEF e a Fundação dos Economiários
Federais (Funcef).
Ao analisar recurso de revista
da autora da ação, a Quarta Turma do TST havia reconhecido
o direito ao pagamento de 15 minutos extras por mês, em razão
da não concessão do intervalo previsto no artigo 384
da CLT. Este artigo faz parte do Capítulo III, que trata da
proteção ao trabalho da mulher. Para fundamentar o seu
voto neste tema, o relator, ministro Barros Levenhagen, considerou
que, não obstante o princípio constitucional que assegura
igualdade entre homens e mulheres, “é forçoso reconhecer
que elas se distinguem dos homens, sobretudo em relação às
condições de trabalho, pela sua peculiar identidade biossocial”.
A CEF interpôs os embargos
para contestar a decisão. Apontou violação ao
princípio constitucional da igualdade e sustentou que não
há, no caso, situação que justifique a distinção
prevista no artigo 384 da CLT. O tema foi amplamente debatido entre
os membros da SDI-1, com pedidos de vista regimental em duas ocasiões – a
primeira, do ministro Vieira de Mello Filho, e a segunda, do ministro
Guilherme Caputo Bastos. O julgamento foi concluído no final
de março.
De um lado ficaram os magistrados
que se aliaram à tese defendida pelo relator da matéria,
ministro Aloysio Corrêa da Veiga, para quem o dispositivo da
CLT em questão foi superado pelo preceito constitucional que
assegura tratamento igualitário entre homens e mulheres, eliminando
qualquer tipo de postura discriminatória nas relações
de trabalho com base em gênero. Num extenso voto em que faz um
histórico da evolução da igualdade de direitos,
Aloysio Veiga ressalta que é necessário equilibrar o
tratamento isonômico, a fim de preservar a conquista da igualdade
adquirida. “Hoje a mulher ocupa função de inegável
destaque nos mais importantes e relevantes segmentos da sociedade em
postos de comando, com atuação significativa. No passado,
as normas tidas por protetivas acabaram por servir de paradigma para
justificar a conduta de empregadores para remunerar com salários
a mulher. A legislação protetiva acabou mostrando que
tinha na realidade origem na discriminação do empregador,
em função da cultura do patriarcado.”
Para o relator, os direitos
e obrigações iguais viabilizam a jornada diferenciada
apenas quando houver necessidade da distinção em razão
de ordem biológica, e não apenas em razão do sexo,
sob pena de se estimular discriminação. Neste sentido,
destaca, as únicas normas que possibilitam tratamento diferenciado à mulher
são as de proteção à maternidade, que dão
garantias desde a concepção. “Não é o
caso em exame, em que a norma legal dá tratamento diferenciado,
quando há prorrogação do trabalho na jornada normal, à mulher
em detrimento do homem, sem que se atribua diferença de fragilidade
física a justificar tamanha proteção”, afirma
o relator.
A tese em sentido contrário,
do ministro Vieira de Mello Filho, defende que a isonomia não é um
princípio absoluto e não pode ser aferida sem a concorrência
dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Nessa
linha de julgamento, a CLT não cuida propriamente da questão
de gênero, mas de fatores biossociais que levaram à criação
de vários dispositivos de proteção ao trabalho
da mulher. Aliaram-se a esse entendimento os ministros Lelio Bentes
Corrêa, Horácio de Senna Pires, Rosa Maria Weber e Maria
de Assis Calsing;
O posicionamento do relator, que prevaleceu para excluir da condenação
o direito relativo ao intervalo de 15 minutos antes da jornada extraordinária,
foi acompanhado pelos ministros Rider Nogueira de Brito, Milton de Moura França,
Carlos Alberto Reis de Paula, Maria Cristina Peduzzi, João Batista Brito
Pereira e Guilherme Caputo Bastos. (E-RR 3886/2000-071-09-00.0)
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16/04/2008
Empresas questionam retroatividade de jurisprudência
sobre periculosidade
Aplicação retroativa
da jurisprudência. Com essa argumentação, a Companhia
Força e Luz Cataguases-Leopoldinae a CAT-LEO Energia S.A. se opuserame
ao pagamento, a eletricitários demitidos ou aposentados antes
de dezembro de 2003, da diferença do adicional de periculosidade
sobre a remuneração (conjunto de parcelas de natureza salarial)
e não mais sobre o salário básico, forma pela qual
a empresa pagava o adicional, de acordo com a lei vigente à época.
Para a Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho, no entanto, não
há dúvida de que na ação em questão
os trabalhadores têm direito à diferença.
A Orientação Jurisprudencial
nº 279 da SDI-1 e a Súmula nº 191 do TST, de dezembro
de 2003, determinam que o adicional de periculosidade dos eletricitários
seja calculado sobre todas as verbas de natureza salarial. É a
aplicação dessa jurisprudência que as empresas questionam.
Segundo elas, que acreditam possuir direito adquirido, a OJ não
se aplica a fatos ocorridos antes da modificação da jurisprudência,
tornando exigíveis valores que, ao tempo em que aconteceram as
demissões ou aposentadorias, não poderiam ser cobrados.
De acordo com a relatora do recurso
de revista, ministra Maria Cristina Peduzzi, não é possível
verificar, como alegam as empresas, ofensa aos princípios da segurança
jurídica e da proteção ao ato jurídico perfeito
devido à aplicação retroativa da jurisprudência.
Segundo a ministra, no caso do eletricitário, não é aplicável
a forma prevista no artigo 193, parágrafo 1º da CLT (que
restringe a base de cálculo ao salário básico),
tendo em vista a existência de lei posterior e específica.
Por essas razões, a relatora propôs não conhecer
do tema, no que foi seguida por unanimidade pelos outros ministros da
Turma, mesmo após a arrebatada sustentação oral
do advogado das empresas.
A Oitava Turma considerou
que, quando a ação foi proposta pelo Sindicato dos Trabalhadores
na Indústria de Energia Elétrica de Cataguases, em novembro
de 2004, já vigorava a OJ nº 279, e os direitos dos trabalhadores
que ajuizaram a ação não estavam prescritos. A
ministra Cristina Peduzzi afirmou que “a jurisprudência
do TST decorre da interpretação da legislação
vigente, não caracterizando inovação legislativa,
muito menos afronta a lei ou a princípios constitucionais”.
(RR-1046/2004-052-03-00.0)
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16/04/2008
Anteprojeto propõe efeito previdenciário às
sentenças trabalhistas
Os ministros Rider Nogueira de
Brito (presidente), Milton de Moura França (vice-presidente),
Vieira de Mello Filho, Rosa Maria Weber e Walmir Oliveira da Costa, do
Tribunal Superior do Trabalho, participaram hoje (15) de solenidade em
que o ministro de Estado da Previdência Social, Luiz Marinho, assinou
o encaminhamento de anteprojeto de lei que permitirá ao Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) acatar o tempo de serviço reconhecido
em sentenças judiciais ou acordos homologados na Justiça
do Trabalho. Para o presidente do TST, a proposta, se transformada em
lei, corrigirá “uma profunda injustiça para com os
trabalhadores”.
A Emenda Constitucional nº 20/1998,
introduziu na competência da Justiça do Trabalho a execução
de ofício das contribuições previdenciárias
nas sentenças trabalhistas. Embora os valores fossem recolhidos
para a Previdência Social, eles não eram reconhecidos, pelo
INSS, como tempo de contribuição, pois a Lei nº 8.213/1991,
que dispõe sobre o plano de benefícios da Previdência
Social, exige que o trabalhador junte ao processo de requerimento de
benefício previdenciário provas materiais como o registro
na carteira de trabalho, recibo mensal de salários ou cópia
de cartão de ponto.
Como a sentença trabalhista
não tem efeito previdenciário, o trabalhador se via obrigado
a buscar esse reconhecimento por meio de outra ação, na
Justiça Federal. “Mas um grande número das decisões
da Justiça do Trabalho se baseia em provas testemunhais”,
afirmou o ministro Rider de Brito. “Isso criou uma situação
dramática para o juiz do trabalho: nós cobramos, cobramos
bem (em 2007, a Justiça do Trabalho arrecadou para a Previdência
Social R$ 1,2 bilhão) e a custo zero, e é tremendamente
injusto que a maior parte dos trabalhadores não possa se beneficiar
disso.” De acordo com o Ministério da Previdência,
na maioria dos casos, essas contribuições são depositadas
no Fundo do Regime Geral da Previdência, pois chegam ao INSS sem
a identificação do trabalhador.
Com a iniciativa do Ministério
da Previdência Social de buscar modificações na legislação,
o TST destacou dois ministros – Vieira de Mello Filho e Walmir
Oliveira da Costa – para colaborar com a proposta, fornecendo informações
e apresentando sugestões para o texto final. “Isso demonstra,
mais que a independência, a harmonia entre os Poderes e o bom entendimento
entre o Poder Executivo e o Poder Judiciário”, afirmou o
presidente do TST. “Espero que essa solenidade possa se repetir
em breve na sanção da lei proposta no anteprojeto”,
concluiu.

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