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Agência Diap, 19
de abril de 2008
DIVERGÊNCIA
Pochmann critica falta de convergência
do BC com o Governo
O aumento da taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para
11,75% ao ano, mostra que "não há coordenação
perfeita dentro do Governo Lula", diz Marcio Pochmann, presidente
do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). "A decisão
anterior do Banco Central de estancar a queda dos juros e a atual de
elevar a Selic mostra que o BC opera em um sentido, e o Ministério
da Fazenda, em outro", afirma.
Para Pochmann, isso "expressa a ausência de
uma maioria política que diga: nosso projeto é o
de crescimento. O Governo está tomando decisões
olhando somente para as pressões", complementa.
Veja abaixo trechos de sua entrevista à Folha
de S.Paulo, separados por tema:
Juros
" A decisão do Copom é claro sinal de que não existe
convergência no governo. Há um grupo político que defende
a estabilidade monetária a qualquer preço. Essa decisão
do Copom talvez tenha sido uma das mais tensas porque o conjunto de forças
reunidas em torno de uma economia mais financeira venha de certa maneira tendo
processo de decisão sem grande contestação, sem grande reação
social e política. Hoje, dentro do sistema financeiro e do governo havia
aqueles que defendiam a estabilidade dos juros. Mesmo assim, o BC elevou a taxa
básica de juros."
BC x Governo
" Vejo hoje no governo Lula um governo de disputa. A decisão do Copom
pode acirrar essa polarização, que tem implicação
política mais abrangente. Diria que parte da tensão, que se deu
no período que antecedeu a decisão, foi estimulada, explicitada
pela parte daqueles que constituem o Copom. O BC teve uma posição
muito ousada, subiu os juros sabendo que dentro do governo havia posição
contraria à sua decisão."
Impacto
" A elevação dos juros terá efeito em relação às
expectativas dos empresários. Vai ter impacto nas pessoas ou empresas
que estão tomando crédito e na dívida pública. Pode
também atrair mais recursos estrangeiros especulativos para o país.
Teremos uma taxa de câmbio ainda mais valorizada, com maior dificuldade
para a exportação e maior estímulo à importação,
além da substituição de produtos nacionais por importados.
Mas o impacto na economia real deve ocorrer a partir do segundo semestre."
Investimentos
" Há 25 anos o país carece de investimentos e tem dificuldade
para competir no mercado internacional. Cerca de 44% do PIB está aplicado
no sistema financeiro. Com a elevação dos juros, cria-se constrangimento
para aplicar dinheiro em máquinas, fábricas e compra de equipamentos.
Quem tem dinheiro para aplicar acaba sempre preferindo liquidez, que depende
do tamanho da taxa de juros. Hoje, o empresário pensa ainda: Se eu investir
hoje em uma fábrica, vai ter demanda para meus produtos? E o país
vai ter infra-estrutura para eu vender no Brasil e exportar?"
PIB
" O Ipea não mudou projeção para o desempenho da economia
neste ano. O PIB deve crescer na faixa de 4,2% a 5,2%, mas pode até superar
os 5,4% de crescimento do ano passado. Este é um ano eleitoral, ano em
que há investimentos em obras. Também haverá investimentos
estabelecidos no PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]. Não
está claro que haverá catástrofe generalizada na economia
mundial devido à crise nos Estados Unidos. A China pode até crescer
menos, mas cresce 10% ao ano. No ano que vem, sim, pode haver crescimento menor
no país, dependendo do que ocorrer na economia mundial. Não apenas
pelo que acontecerá nos Estados Unidos mas também pelas decisões
que os países vão tomar em relação à alta
dos juros."
Petróleo
[A descoberta de megacampos de exploração de petróleo]
tem efeito positivo na economia porque nos torna mais fortes do ponto
de vista da matriz energética mundial. O Brasil se coloca como
grande produtor e exportador de petróleo perante outros países,
mas essa medida tem de ser acompanhada por uma política industrial,
de valorização e diversificação das cadeias
produtivas para que possa gerar enriquecimento. Se não houver
essa política nem diversificação, o que você vai
formar? É preciso [fazer da descoberta] algo inteligente.
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Agência Diap, 19
de abril de 2008
PREJUÍZO
Brasil perde R$ 29 bilhões/ano
com demissão sem justa causa
Dados demonstram que a redução da jornada de trabalho é um
mecanismo em que todos ganham – trabalhadores e empresários.
Os primeiros porque os ganhos sociais são inegáveis; os
segundos porque poderão aumentar a produtividade e a lucratividade
A demissão sem justa causa no Brasil é uma
violência contra os trabalhadores e uma sangria desatada à economia
do País pelos prejuízos de R$ 29 bilhões
que causa, entre custos de rescisão (multa e FGTS)
mais o desembolso do seguro desemprego.
Em 2007, foram demitidos 7,56 milhões de trabalhadores
sem justa causa no Brasil, segundo os dados do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério
do Trabalho e Emprego. A média de salários
desses trabalhadores foi de R$ 742,24. Admitindo-se que
as empresas pagaram esse valor médio de aviso prévio
para cada empregado demitido, chega-se ao montante total
no ano de R$ 6,06 bilhões, incluindo os 8% do FGTS.
Somando-se os custos de aviso prévio e o custo
da multa de 50% da demissão, o Dieese (Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos)
calculou que um total de R$ 16,035 bilhões foram
gastos pelas empresas com a demissão de trabalhadores
sem justa causa.
Indiferentes à verdadeira hemorragia aos recursos
do País, os capitalistas tupiniquins, que jogam às
claras contra o patrimônio nacional, continuam a
demitir, desenfreadamente.
Segundo estudos do Dieese, em 2006 a taxa mensal de rotatividade
no Brasil era de 3,5% ao mês, que representa um índice
anual de 42%. Em 2002, este índice era de 35% ao
ano, ou seja, em cinco anos a rotatividade aumentou 20%,
o que significa que em aproximadamente 2,5 anos, as empresas
trocam seus quadros de funcionários.
Arrocho salarial
A facilidade para demitir trabalhadores permite que as empresas utilizem
esse mecanismo de rotatividade para reduzir os custos salariais, desligando
profissionais que recebem maiores salários e contratando outros
por menores salários.
Os salários dos trabalhadores admitidos no triênio
2005-2007 foram sempre inferiores aos dos trabalhadores
desligados (nem todos por justa causa). Os percentuais
de redução foram 11,42%, em 2005; 11,06%,
em 2006; e 9,15%, em 2007. Ou seja, no momento da contratação,
os novos trabalhadores são, na maior parte, contratados
com salários menores, o que implica redução
gradual do salário médio.
Mas não são apenas os trabalhadores que
perdem com a rotatividade. Os valores previstos para serem
desembolsados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)
para pagamento do seguro desemprego em 2008, e que poderiam
ser investidos em outros programas, são da ordem
de R$ 13,2 bilhões.
Mesmo com a economia crescendo em torno de 5%, o Ministério
do Trabalho e Emprego e o Conselho Deliberativo do Fundo
de Amparo ao Trabalhador (Codefat) estimam que 9,7 milhões
de trabalhadores serão demitidos em 2008, o que
representa cerca de 30% do mercado formal de trabalho.
Precisamos agir com urgência. A favor do trabalhador
brasileiro, que não pode se tornar joguete nas mãos
dos donos das empresas, a favor da nossa economia e, especialmente,
para evitar desperdício de dinheiro público,
com gastos da ordem de R$ 13,2 bilhões por ano em
seguro desemprego.
Mobilização
Basta uma avaliação do passado recente em nosso País,
para a gente concluir que as grandes transformações a
favor do povo brasileiro tiveram sempre uma ação combinada
da classe trabalhadora organizada em torno de suas entidades, vastos
setores da classe média e o apoio discreto de parte da elite
com pressão direta no Congresso Nacional, e com resultados favoráveis
para todos nós brasileiros.
Na repetição desta aliança, o dia
28 de maio será marcado por manifestações,
atos públicos, passeatas e assembléias na
defesa da aprovação, pelo Congresso Nacional,
do projeto de emenda constitucional nº 393/01, de
autoria dos senadores Paulo Paim e Inácio Arruda,
que reduz a jornada para 40 horas semanais.
O Dia Nacional de Lutas e Mobilizações pela
Redução da Jornada de Trabalho sem Redução
de Salários tem o apoio UGT (União Geral
dos Trabalhadores); da Força Sindical, CUT (Central Única
dos Trabalhadores), CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil),
NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores) e CGTB (Central
Geral dos Trabalhadores do Brasil).
Sindicatos e federações colhem assinaturas
de trabalhadores em suas bases e também em locais
de grande concentração popular para o abaixo-assinado,
que reivindica a redução da jornada que será enviada
ao Congresso Nacional.
Com a Campanha Nacional pela Redução da
Jornada sem Redução de Salário, se
confirma a continuidade da ação iniciada
com a 4ª Marcha da Classe Trabalhadora, realizada
em dezembro de 2007.
A redução constitucional da jornada de trabalho
para 40 horas semanais, modernizará o Brasil, já que
nos coloca em patamares semelhantes aos de países
europeus e terá como conseqüência direta
a criação de mais de 2 milhões de
novos empregos.
Temos que insistir nessas ações que extrapolam
(e muito) a mera mobilização sindical. A
economia cresce e está em condições
de absorver profissionais de todas as idades e habilidades,
que terão condições de ampliar, ainda
mais a produtividade.
"É a produtividade e a inclusão de
mais pessoas na economia que mantêm a inflação
sobre controle e não os juros altos e a recessão
da economia", afirma o deputado Roberto Santiago (PV/SP).
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Agência Diap, 19
de abril de 2008
PREVIDÊNCIA SOCIAL
Paim destaca apoio do movimento
sindical ao fim do fator previdenciário
Em pronunciamento na tribuna do Senado Federal na tarde de ontem (18),
o senador Paulo Paim (PT/RS) disse que o movimento social, representado
por inúmeras confederações, sindicatos de trabalhadores
e pelas centrais sindicais como a CUT, a Força Sindical e a NCST,
manifestou amplo apoio às recentes decisões tomadas no
Senado de garantir, aos aposentados e pensionistas, o mesmo reajuste
concedido ao salário mínimo e acabar com o fator previdenciário.
O projeto foi aprovado pelo Senado no último dia 9 e, agora, será examinado
pela Câmara dos Deputados. Do mesmo modo que há movimentos
que apoiam o projeto, há movimentos, captaneados pelo Governo,
que pretendem barrá-lo na Casa revisora ou no mínimo retardar
sua aprovação.
Jornada de Trabalho
“O movimento social do país me autorizou
a levar adiante essas mudanças e também manifestou
amplo apoio à PEC [proposta de emenda à Constituição]
de minha autoria que diminui a jornada semanal de quarenta
e quatro para quarenta horas semanais, sem redução
salarial. Até mesmo a CNBB, através de seu
secretário-geral, reconheceu que a iniciativa será boa
para o país, por permitir a inclusão de mais
trabalhadores na folha salarial”, declarou.
Para Paim, é patente a crueldade do fator previdenciário
que, por diminuir o valor da aposentadoria, acaba obrigando
o trabalhador a voltar ao trabalho. Então, lembrou
o senador, o trabalhador continua recolhendo para a Previdência
e, ao ser obrigado a parar, por idade ou pressão
do mercado, nada recebe em relação a esses
anos trabalhados a mais.
Necessidade de estudo
O senador pelo Rio Grande do Sul admitiu ser necessário
estudar mais sobre a idade mínima necessária
para se aposentar, pois essa idéia pode levar a
um melhor entendimento entre as partes. Por outro lado,
alertou que a manutenção do fator previdenciário,
sem concessão de reajuste equiparado ao mínimo
para o aposentado, levará a um sistema em que todos
acabarão ganhando somente um salário mínimo
dentro de alguns anos.
Paim aplaudiu a presença do presidente do Senado,
Garibaldi Alves, à sessão, afirmando que
ele foi um garantidor do entendimento político que
resultou no voto favorável da maioria dos senadores
sobre os dois projetos aprovados no Senado que agora serão
examinados pela Câmara dos Deputados - o PLS 296/03,
de autoria de Paim, extingue o fator previdenciário
e modifica a forma de cálculo dos benefícios
da Previdência Social; e o PLC 42/07, do Executivo,
determina critérios para reajustes anuais do salário
mínimo até 2011 e que recebeu emenda de Paim
estendendo aos aposentados o direito aos mesmos reajustes
do mínimo.
Direitos indígenas
O senador saudou a presença, em Brasília,
durante a semana, de centenas de lideranças indígenas
que vieram reivindicar os direitos dos povos indígenas
garantidos na Constituição. Ele disse que
o movimento organizado desses povos reivindicou um tratamento
mais adequado de saúde para os índios, que
protestaram contra a decisão do Supremo Tribunal
Federal (STF) de interromper a retirada dos habitantes
não-índios da reserva Raposa Serra do Sol,
em Roraima.
Paim defendeu a imediata aprovação do Estatuto
dos Povos Indígenas, que atualiza a convivência
entre a sociedade brasileira e os índios. Ele lembrou
que essa proposta tramita, há anos, no Congresso
Nacional. (Alysson Alves, com
Agência Senado)
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Agência Diap, 19
de abril de 2008
DECISÃO
Operário que caiu de árvore
e ficou paraplégico receberá indenização
A empresa Killing S/A Tintas e Adesivos terá de pagar indenização
a um funcionário que caiu de uma árvore enquanto retirava
enfeites de Natal e ficou paraplégico. A Quarta Turma do Superior
Tribunal de Justiça (STJ) não atendeu a recurso da empresa
e acabou mantendo a decisão de segunda instância que responsabilizou
o empregador pelo acidente.
Segundo dados do processo, o operário ajuizou ação
de reparação de danos patrimoniais e morais
contra a empresa devido ao acidente que sofreu.
Em primeira instância, a ação foi julgada
parcialmente aceita condenando a empresa a pagar ao operário
75% dos danos materiais decorrentes de despesas com farmácia,
consultas, exames e tratamentos médico-hospitalares,
incluindo tratamento fisioterápico e psicológico,
viagens e aquisição de cadeira de rodas. Além
disso, foi obrigada a custear 75% de tratamento fisioterápico
e psicológico do operário, de modo mensal e
vitalício até obtenção de alta
médica. Por fim, a sentença estipulou uma pensão
mensal vitalícia equivalente a 75% do salário-base
que ele recebia quando do acidente, acrescido de correção
monetária desde o dia do fato até o pagamento,
incluindo férias e 13° salário.
A empresa apelou da sentença. O Tribunal de Justiça
do Estado Rio Grande do Sul (TJRS) deu parcial provimento
ao apelo determinando o desconto equivalente a R$ 10 mil
do valor total da indenização. Segundo o TJ,
a responsabilidade do acontecido foi da empresa já que
delegou tarefa estranha às funções do
operário, além de ter faltado fiscalização
quanto à utilização de equipamentos
de segurança.
Inconformada, a empresa recorreu ao STJ argumentando que
a decisão não enfrentou a questão relativa à parte
dos valores que ela pretendia ver compensados, violando,
assim, artigos do Código de Processo Civil. Alegou,
também, negligência quanto ao artigo 159 do
Código Civil, uma vez que, comprovada a antecipação
de valores em torno de R$ 40 mil em favor do operário,
impõe-se a integral dedução do valor
a ser pago a título de indenização.
Ao decidir, o relator, ministro João Otávio
de Noronha, destacou que é inviável, em recurso
especial, revisar a orientação estabelecida
pelas instâncias ordinárias, quando alicerçado
o convencimento do juiz em elementos fático-probatórios
presentes no processo.
Em relação à revisão do valor
da indenização por danos morais, o ministro
Noronha ressalta que isso é inviável em sede
de recurso especial, já que não concorreu para
a geração de enriquecimento indevido da vítima,
mantendo a proporcionalidade entre a gravidade da ofensa
do grau de culpa e o porte sócio-econômico dos
causadores dos danos.
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Gazeta do Povo, 19 de abril
de 2008
Financiamentos
Crédito imobiliário
quase dobra
Os financiamentos imobiliários com recurso da
caderneta de poupança no primeiro trimestre deste
ano alcançaram R$ 5,477 bilhões, superando
em 88,5% o volume do mesmo período de 2007 (R$ 2,9
bilhões), informou ontem a Associação
Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário
e Poupança (Abecip). Em 12 meses, até março
de 2008, as novas operações alcançaram
R$ 20,85 bilhões, crescimento de 95% em comparação
aos 12 meses terminados em março de 2007 (R$ 10,68
bilhões). Em relação ao número
de unidades, no primeiro trimestre de 2008 foram financiados
54.840 imóveis, o que supera em 58,2% o número
do primeiro trimestre de 2007 (34.673 unidades).
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Gazeta do Povo, 19 de abril
de 2008
Trabalho
Curitiba é a 4.ª cidade
que mais abriu vagas no País
O estado do Paraná e o município de
Curitiba destacaram-se como grandes empregadores do país,
segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) divulgados na quinta-feira pelo ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, em Brasília. O estado é o terceiro
com melhor desempenho nacional e o maior empregador da Região
Sul no mês de março. Já a capital paranaense
ficou em quarto lugar no ranking das 50 cidades que mais
contrataram durante o primeiro trimestre de 2008. Nacionalmente,
a geração de empregos formais neste mesmo período
foi a maior em 16 anos.
O Paraná apresentou um saldo positivo de 25.085
postos de trabalho somente em março, com alta de
1,27% sobre a média de toda a Região Sul,
segundo informações do Ministério
do Trabalho. O Rio Grande do Sul teve saldo 18.474 empregos
gerados e Santa Catarina ficou com 5.904. Ao total, a região
ficou com 49.463 postos de trabalho, reforçando
o índice de crescimento apontado nos últimos
anos. Entre os setores que mais contribuíram para
a elevação da taxa de empregos formais na
região, estão a indústria de transformação,
os serviços e o comércio. Na comparação
com outras unidades da federação, o Paraná ficou
atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais
em março.
Curitiba, por sua vez, no ranking das cidades que mais
abriram postos formais de trabalho, ficou atrás
de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Do
Paraná, outras duas cidades constam na lista: Maringá,
em 22º lugar, e Londrina, na 31º posição.
Os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa
Catarina são os que mais têm municípios
no ranking com 18.
São Paulo continua como estado líder em
cidades no ranking, com 18. Mas o destaque positivo é o
Rio Grande do Sul, que tem quatro municípios entre
os 20 primeiros. Santa Catarina também conta com
cinco municípios na lista dos 50 que mais geraram
emprego no primeiro trimestre deste ano. No entanto, as
posições obtidas são mais modestas
em comparacão com o Rio Grande do Sul.
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Folha de Londrina, 19 de
abril de 2008
SEU DIREITO
BENFEITORIAS EM IMÓVEIS
Devo desocupar o imóvel alugado onde moro neste
mês. A proprietária quer que eu conserte,
antes de sair, um problema no sistema hidráulico
do banheiro. No entanto, fiz pequenas reformas no apartamento,
inclusive instalei grades nas janelas. Neste caso, terei
direito de negociar as benfeitorias realizadas no apartamento
pelo conserto do banheiro?
Nos contratos de locação, o inquilino
pode realizar três tipos de obras no imóvel
alugado, assim consideradas:
a) benfeitorias necessárias: que
são aquelas obras ou despesas feitas para conservar
o imóvel ou evitar que se deteriore. Exemplos: reparos
no telhado para evitar infiltração; reparos
no sistema hidráulico ou elétrico; reforço
nas colunas de sustentação de uma casa.
b) benfeitorias úteis: que são
aquelas obras ou despesas que visam aumentar ou facilitar
o uso do imóvel. Exemplos: construção
de garagem; colocação de grades protetoras
nas janelas.
c) benfeitorias voluptuárias: que
são aquelas obras ou despesas que não visam
conservar ou evitar a deterioração do imóvel,
nem aumentar ou facilitar o seu uso, mas tão somente
torná-lo mais bonito ou mais agradável. São
as chamadas obras de mero deleite ou recreio. Exemplos:
construção de piscina; troca do piso; colocação
de gesso no teto.
A lei dispõe que, se não houver disposição
específica em contrário, as benfeitorias
necessárias devem ser indenizadas pelo proprietário
do imóvel, assim como as úteis, desde que
por ele autorizadas.
As benfeitorias voluptuárias, por seu turno, não
devem ser indenizadas pelo proprietário, podendo
ser levantadas pelo inquilino ao final da locação,
desde que a retirada não afete a estrutura do imóvel.
No caso do leitor, é preciso que se verifique inicialmente
se há alguma previsão contratual quanto ao
pagamento das benfeitorias. Se não houver previsão
em contrário, os reparos hidráulicos do banheiro
não devem correr por conta do inquilino, mas sim
pela proprietária do imóvel, visto que são
benfeitorias necessárias.
No caso da colocação de grades, se o contrato
não trouxer previsão em contrário,
e a proprietária do imóvel tiver autorizado
a colocação, as mesmas devem ser indenizadas
ao leitor, por se tratarem de benfeitorias úteis.
Diogo B. Menoncin, advogado
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Folha de Londrina, 19 de
abril de 2008
Projeto do Senado para Previdência é inviável,
diz Marinho
Agência Estado
O ministro da Previdência, Luiz Marinho, duvidou
nesta sexta-feira (18) da viabilidade dos projetos de lei
que acabam com o fator previdenciário (mecanismo
que reduz o benefício de quem se aposenta mais cedo)
e estabelecem que todos os benefícios da Previdência
passam a ser corrigidos pela variação do
salário mínimo. Estes projetos foram aprovados
pelo Senado e seguiram para apreciação da
Câmara.
Para o ministro, se o Senado quisesse de fato que os projetos
fossem aplicados, teria destinado receita para compensar
as perdas que essas alterações vão
causar ao caixa da Previdência, conforme determina
a Lei de Responsabilidade Fiscal.
"O Senado não disse de onde virá a
receita para honrar esses projetos. Então, são
projetos que não têm a mínima chance
de serem colocados em prática", disse ele,
após visitar a Associação Cruz Verde,
entidade filantrópica que assiste crianças
portadoras de paralisia cerebral grave.
"Vai aumentar a contribuição dos empregadores?
Os empresários dizem que é necessário
desonerar a folha de pagamento. Vai aumentar a contribuição
dos trabalhadores? De quem? Os senadores têm que
dizer. Essa é a pergunta que eu faço aos
senadores", acrescentou.
Questionado sobre os motivos que teriam levado o Senado
a aprovar o projeto sem levar em conta essas questões,
o ministro respondeu: "Não sei o que passa
pela cabeça dos senadores quando aprovam um projeto
desses. Chamo a atenção dos deputados para
as mesmas questões". Ele evitou dizer se o
Senado pretende desgastar o governo, que pode vetar as
propostas.
Marinho disse esperar que os deputados, que ainda vai
analisar e votar as propostas na Câmara, façam
correções à forma como elas foram
aprovados no Senado - ou seja, que o Plenário destine
uma receita para compensar as perdas decorrentes de sua
aprovação ou que então não
as aprove.
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Folha de São Paulo,
19 de abril de 2008
TENDÊNCIAS/DEBATES
O Brasil deveria adotar
mandato de cinco anos?
NÃO
Mandato de cinco anos trará instabilidade
MARCO MACIEL
O TEMA relativo ao mandato de cinco anos para presidente
e governador parece empolgar certos segmentos da política
brasileira, inclusive integrantes do Congresso Nacional.
Nosso país já viveu no passado essa nefasta
experiência. Daí a necessidade de recordarmos
os graves inconvenientes e as repercussões sabidamente
adversas a exigir um exame acurado da lógica do modelo
de calendário eleitoral adotado na Constituição
de 1988.
Não vou aludir aos 40 anos em que vivemos sob a égide
da Constituição de 1891, a primeira Constituição
republicana. Tomarei como marco inicial o período que se convencionou
chamar de República Liberal, sob o regime da Constituição
de 18 de setembro de 1946, que vigorou até 1967.
O imprevisto dos fatos políticos ocorridos entre a convocação
das eleições em 28 de maio de 1945 e a deposição
do presidente Vargas em 29 de outubro explicitou a precariedade do
calendário eleitoral adotado pela Constituinte: mandatos de
cinco anos para o presidente e alguns governadores; de quatro anos
para outros governadores; de oito para senadores; e de quatro para
deputados federais, estaduais, prefeitos e vereadores.
O mesmo ocorreu na vigência da Constituição de
1967 e da emenda nº 1, de 1969. Sob o regime militar, a supressão
das eleições diretas para a escolha do presidente da
República, de governadores, de prefeitos das capitais, dos municípios
declarados de interesse da segurança nacional e dos localizados
em faixa de fronteira reduziu drasticamente o direito de sufrágio.
Mas nem por isso se racionalizou a sucessão dos pleitos eleitorais,
apesar de a duração dos mandatos dos governadores ter
sido unificada em quatro anos.
Com a Constituição de 1988 e a emenda constitucional
de revisão nº 5, de 1994, terminamos, finalmente, por adotar
o atual calendário, cuja lógica se baseia na realização
de eleições a cada dois anos, separando as eleições
gerais dos pleitos locais. Com esse recurso, nem se municipalizam as
eleições nacionais e regionais, nem se federalizam os
pleitos municipais, e assegura-se que as escolhas dos chefes do Poder
Executivo ocorram concomitantemente com as dos membros do respectivo
Legislativo.
Incluir um mandato presidencial de cinco anos nesse modelo implica
realizarmos três eleições a cada quatro anos, o
que vai gerar os mesmos inconvenientes sob os quais vivemos no regime
da Constituição liberal de 1946. Como conseqüência,
o país ficará sempre dominado pelo fator eleitoral e
teremos significativo aumento de despesas não somente com a
mobilização da Justiça Eleitoral, dos partidos
políticos, mas também por causa da propaganda supostamente
gratuita em rádio e televisão.
Ademais, se formos olhar as grandes crises institucionais brasileiras,
a partir da segunda metade do século 20, vamos verificar que
guardam relação com a falta de racionalização
do calendário eleitoral.
O suicídio de Getúlio Vargas ocorreu, talvez, em razão
de dificuldade crescente no seu relacionamento com o Congresso Nacional,
agravada pelas eleições de governadores com mandatos
de quatro e de cinco anos.
Jânio Quadros, quando tomou posse na Presidência da República,
encontrou Congresso anteriormente eleito, majoritariamente em oposição,
o que o levou à renúncia, provocou grave crise institucional
e o estabelecimento de um parlamentarismo de ocasião.
Por fim, tivemos o impeachment de Fernando Collor. Eleito em 1989,
tomou posse em 1990. A seguir, em outubro de 1990, houve eleição
para membros do Congresso, que tomaram posse em 1991. Esse Congresso
estava em franca divergência com o presidente, que adotara uma
série de medidas de repercussão negativa na sociedade
brasileira, inclusive o confisco de ativos. Tudo isso levou novamente
a um impasse entre o presidente da República e o Congresso.
A democracia brasileira, tantas vezes testada e tantas vezes vítima,
requer, de nossa parte, ponderação, equilíbrio,
serenidade e, sobretudo, a consciência de mantermos a racionalidade
do calendário eleitoral vigente.
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MARCO MACIEL, 67, é senador da República pelo DEM-PE
e membro da Academia Brasileira de Letras. Foi vice-presidente da República
de 1995 a 2002.
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Folha de São Paulo,
19 de abril de 2008
FMI vê mais conflito
por alimento
Diretor do Fundo diz que distúrbios
causados pela inflação dos alimentos ainda
devem aumentar
Strauss-Kahn afirma que vê problema
quando produção de biocombustível é feita
a partir de alimentos, como no caso do milho nos EUA
DA REDAÇÃO
A escalada de ataques aos programas de biocombustíveis,
uma das prioridades do Brasil, intensifica-se. Ontem foi
a vez de Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente FMI (Fundo
Monetário Internacional (FMI), dizer que eles representam
um problema moral e que os tumultos causados pela disparada
nos preços dos alimentos podem ainda não
ter chegado ao seu pico.
" Quando produzimos biocombustíveis de produtos agrícolas
não usados como alimentos, tudo bem. Mas, quando eles são feitos
de produtos alimentícios, isso representa sério problema moral",
disse Strauss-Kahn à rádio Europe 1.
Questionado se apoiaria uma possível moratória na produção
de biocombustíveis, Strauss-Kahn respondeu: "Caso eles
usem alimentos".
Os EUA estão desviando sua produção de milho para
fabricar álcool, elevando preços dos alimentos. Os países
precisam encontrar o equilíbrio entre a solução
de problemas ambientais e a necessidade de garantir que as pessoas
não morram de fome, ele disse, acrescentando que os protestos
causados pela alta nos custos dos alimentos em todo o mundo podem piorar.
" Em termos de distúrbios causados pelos problemas alimentares, o
pior, infelizmente, pode ainda estar por vir", ele declarou. "Centenas
de milhares de pessoas serão afetadas." Escassez de alimentos e a
disparada em seus preços causaram tumultos e protestos em países
como Haiti, Camarões, Egito, México, Níger e Indonésia
e geraram um questionamento mais profundo dos biocombustíveis de primeira
geração, produzidos com base em safras alimentícias.
Sarkozy
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, também interferiu
no debate, dizendo que a crise atual pedia não por resposta
imediata, mas por uma ambiciosa estratégia de apoio à agricultura.
O premiê britânico, Gordon Brown, pediu na semana passada
que o G8 (as sete nações mais industrializadas e a Rússia)
discutam a alta dos alimentos e os biocombustíveis. A ONU e
organizações de ajuda humanitária dizem que a
alta de alimentos ameaça avanços recentes no combate à fome.
Os biocombustíveis não são o único fator
a elevar os preços dos alimentos. Aumento global do consumo
e quebras importantes de safras explicam a inflação alimentar.
Na quarta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de "palpiteiros" e "simplistas" os
críticos dos biocombustíveis.
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Folha de São Paulo,
19 de abril de 2008
Amorim rebate com ataque aos
subsídios
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, rebateu ontem as críticas internacionais
contra os biocombustíveis atacando os subsídios
agrícolas dos Estados Unidos e da Europa, que prejudicariam
o avanço da produção de alimentos
nos países mais pobres.
" Realmente, o que prejudica a produção de alimentos nos países
pobres, vamos ser claros, é a existência de subsídios e barreiras
nos países ricos", disse Amorim, após assinar acordos com
a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura
e Alimentação).
Ao comentar as declarações do diretor-gerente do FMI
(Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, que
apresentou os biocombustíveis como um problema "moral",
Amorim recomendou que tanto o Fundo quanto o Banco Mundial defendam
o fim da ajuda estatal a agricultores.
" Se o diretor-gerente do FMI e o presidente do Banco Mundial quisessem
dar uma recomendação que realmente melhore a produção
de alimentos nesses países [pobres], deveriam dizer: olha, em vez de os
Estados Unidos reduzirem os subsídios para US$ 14 bilhões, e a
Europa, para US$ 20 bilhões, reduzam a zero", afirmou, em referência à Rodada
Doha da OMC (Organização Mundial do Comércio).
A lógica do raciocínio de Amorim é simples: com
menos subsídios e barreiras protecionistas a produtos agrícolas,
os mercados tradicionais acabariam remetendo mais dinheiro para os
países em desenvolvimento. Dinheiro para comprar comida, por
exemplo. " Se o FMI puder ajudar para que países africanos
e países latino-americanos mais pobres possam produzir biocombustíveis
que entrem sem barreiras nos países ricos, estará ajudando
a renda desses países. E é com renda que obtêm
os alimentos", disse o chanceler.
Os biocombustíveis foram alvos de críticas de outras
instâncias das Nações Unidas. Na segunda-feira,
o relator especial da ONU sobre o Direito à Alimentação
qualificou os combustíveis verdes de "crime contra a humanidade" e
pediu moratória na sua produção mundial.
A partir daí, o governo brasileiro vem tentando esclarecer que
o álcool de cana-de-açúcar, por exemplo, não
invade outras lavouras. Na quarta-feira, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva chamou os críticos de "palpiteiros".
Disse que, se os combustíveis representam um crime contra a
humanidade, isso ocorre nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil,
a cultura de cana-de-açúcar, segundo o presidente, usa
apenas 1% das áreas agricultáveis.
(IURI DANTAS)
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Folha de São Paulo,
19 de abril de 2008
Greenspan temeu em 2002 eleição
do "populista" Lula
Segundo ata, ex-presidente do Fed
se questionava sobre "contágio político" na
AL, sua maior preocupação então
Revelação chega num momento
em que atuação do economista à frente
do BC dos EUA é criticada por causa da crise financeira
SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON
A possibilidade de vitória do candidato Luiz Inácio
Lula da Silva na corrida presidencial brasileira de 2002
tirou o sono de Alan Greenspan, então à frente
do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Em reunião
nos dias 25 e 26 de junho daquele ano, em atas tornadas
públicas na semana passada, o economista teme o
que chamou de "contágio político" na
América Latina.
Depois de ouvir relato de seus assessores, Greenspan inicia uma longa
digressão sobre a situação econômica mundial.
O que mais preocupa o economista é a América Latina. "Não
são apenas Argentina e Brasil que estão em situação
séria; a Venezuela claramente também está",
diz o economista a seus colegas. "As dificuldades de todos eles
envolvem problemas políticos. Nada têm a ver com a economia.
Eu acrescentaria a Colômbia, pela mesma razão. São
todos grandes países da América do Sul."
Continua: "Agora a questão é determinar se haverá contágio.
Não estou certo. Na verdade, não sei o que contágio
quer dizer exatamente, nessa situação específica.
Será que o contágio político se espalha? Pode
ser que sim, mas não sei em que direção. Por exemplo,
não sei o que vai acontecer se as pessoas virem o Brasil derrubado
["de joelhos", na expressão original em inglês]
em função de uma campanha populista".
Não seria a última vez que Greenspan, que comandou o
Fed de 1987 a 2006, iria se referir ao futuro presidente do Brasil
dessa maneira. Nas páginas da autobiografia lançada em
setembro, "A Era da Turbulência" (Elsevier, 2007),
chama Lula de "populista brasileiro com muitos seguidores" e
só o elogia por ter seguido "as políticas sensíveis" do
Plano Real.
De volta a 2002, William McDonough, então presidente do Fed
de Nova York, fazia relato assustador ao chefe. "O Brasil, em
minha opinião, é um perigo crescente. A questão
não é se Lula da Silva pode ser eleito presidente do
Brasil mas sim se os mercados financeiros do país, e especialmente
os cidadãos do país, vão esperar sentados para
ver o que acontece".
Em ata de reunião posterior, de 10 de dezembro de 2002, já com
Lula eleito, o então presidente do Fed de Nova York, William
McDonough, critica a demora do brasileiro em definir sua equipe econômica. "Acredito
que exista um crescente conflito entre seus assessores econômicos
e a liderança de seu partido trabalhista. Caso isso continue,
poderia resultar em abalo adicional e desnecessário da confiança
dos investidores internos e internacionais."
Ao que Greenspan pergunta: "O presidente eleito esteve aqui em
Washington hoje, não?" De fato, durante sua viagem para
acalmar os investidores de Wall Street, Lula se encontrara com George
W. Bush, no que seria o começo de uma relação
próxima com o presidente americano. Passados os anos, é fácil
perceber hoje que o republicano demonstrou então mais visão
-ou cedeu menos ao alarmismo- do que a maior autoridade financeira
de seu país.
O escorregão de Greenspan se soma a uma onda do que pode ser
chamado de "revisionismo econômico" por que passa sua
atuação à frente do Fed. As críticas surgiram
da necessidade de se achar culpados pela crise do "subprime",
financiamentos imobiliários de alto risco, estopim da turbulência
atual. Nos anos que a antecederam, dizem os críticos, Greenspan
deixou o mercado solto demais e sem vigilância.
Chegaram a apelidar Greenspan de "Sr. Bolha", referência à bolha
no mercado imobiliário. "As impressões digitais
de Greenspan estão por toda a parte da crise", escreveu
Stephen S. Roach, do Morgan Stanley Asia. "Não me arrependo
de nenhuma política que iniciamos", disse Greenspan.
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